Os cinco maiores arrependimentos antes de morrer

Publicado no site Minha Saúde online, 18.01.16

Outro dia recebi através de uma rede social um vídeo que mostra a pesquisa de uma enfermeira americana (não cita seu nome) do Hospital Albert Einstein. Ela perguntou a pacientes terminais, sob seus cuidados, quais eram seus maiores arrependimentos agora que estavam próximos da morte, e escolheu os cinco mais citados para compartilhar.

Em primeiro lugar: “Gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim”.

O tempo não volta, e temos que ser criteriosos quando decidimos deixar de fazer algo importante para nós em função do outro. Às vezes isso é necessário, em especial na vida a dois, onde a troca e o “relevar” coisas fazem parte de um convívio saudável. O problema está quando o outro vem sempre em primeiro lugar, e nos deixamos de lado. Passamos a viver em função do que faria o outro feliz, o que o agradaria, o que não o decepcionaria, e assim por diante, deixando de nos valorizar e nos cuidar.

Felizmente, com o avançar da idade sinto que a maturidade nos ajuda cada vez mais a ter segurança nos próprios sentimentos, aumentando nossa autoconfiança no que acreditamos ser bom para nós, sentindo-nos mais fortes para escolher o que nos agrada, assim como para sair de situações ou relacionamentos que não nos fazem bem.

Mas atenção: não confunda um eu forte com egoísmo. Este diz respeito a um amor exagerado aos próprios interesses a despeito dos de outrem, levando a pessoa a um exclusivismo que a toma como referência a tudo. Já uma pessoa com seu eu fortalecido, sabe posicionar-se quando não quer fazer algo e não tem receio de dizer “não”, palavrinha tão temida por muitos, mas importa-se com o outro e tenta negociar alternativas – ao contrário do egoísta, que não pensa em como isso afetará o outro.

O segundo arrependimento diz respeito ao trabalho: “Gostaria de não ter trabalhado tanto”.

Quantas pessoas começam sua carreira acreditando que seriam felizes e se realizariam com aquele trabalho, mas após um tempo já não suportam mais o que fazem e se veem reféns da própria escolha? Triste isso, mas muito mais comum do que se imagina. Se o trabalho vira um peso, o tempo e a energia investida nele diariamente certamente causarão arrependimento ao final da vida.

Inevitável o questionamento: “E se eu tivesse feito música ao invés de engenharia? Estaria mais feliz agora, viveria menos estressado…”

“E se eu não tivesse desistido daquele curso de inglês? Agora poderia largar tudo e ir morar fora!”
E por aí vai, em intermináveis “e se…” que não levam a lugar algum.

Talvez o verdadeiro arrependimento por trás desse não seja o de ter trabalhado exageradamente, mas o de não ter escolhido com mais acerto o trabalho que o faria feliz, ou não ter “virado a mesa” enquanto podia, buscando realização pessoal e profissional. Porque uma coisa é fato: quando trabalhamos muito, mas gostamos da nossa atividade, o peso não é tão grande assim, e levamos a vida com mais leveza e satisfação.

O terceiro lugar trata dos sentimentos: “Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos”.

Como já disse, com a idade ganhamos a capacidade de nos posicionarmos cada vez mais e em qualquer situação. No fim da vida já não há mais o que temer, e os sentimentos podem brotar e se manifestar com liberdade, sem a vergonha ou o temor de desagradar pessoas.

Uma pena que isso só seja possível para muitos após anos de sofrimento e contenção dos sentimentos! A psicoterapia pode ajudar as pessoas a assumirem a responsabilidade por seus atos e sentimentos, encontrando a melhor maneira de expressá-los ao mundo. É libertador poder falar abertamente sobre sentimentos com pessoas de sua confiança, trocar experiências e vivências, aprender e ensinar através do convívio com familiares e amigos. Quando expressamos nossos sentimentos, entramos em contato verdadeiramente com o outro.

E por falar em contato, aqui vai o quarto arrependimento: “Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos”.

Em especial para aqueles que vivem em grandes cidades, está cada vez mais difícil o convívio com amigos, já que temos que enfrentar o caos do trânsito, uma demanda grande de trabalho, o tempo que parece acelerar cada vez mais e não damos conta de tudo o que temos para fazer… Não raro vem a saudade de alguém, a vontade de rever um amigo ou mesmo familiar querido, mas a loucura da semana acaba por nos engolfar, restando pouco tempo e energia para investir nas amizades.

Relações verdadeiras e honestas – mais do que com a própria família, muitas vezes – são aquelas que temos vontade de ficar perto, conversar, compartilhar acontecimentos ou pensamentos, sair pra fazer algo junto, enfim, são os amigos que tanto prezamos e conquistamos. Mas até essas relações exigem que dediquemos tempo e energia, pois tudo o que não é alimentado acaba morrendo com o passar do tempo… Será que podemos fazer algo para mudar isso, não deixando que esse convívio tão precioso se transforme apenas em convívio “virtual”?

Por fim, “eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz”.
Você não é feliz? O que o impede de sê-lo? O que precisa para considerar-se uma pessoa feliz? O que você considera felicidade? Será que não está deixando de ver fatos/pessoas ou coisas que estão bem aí na sua frente? Ou há alguém que exatamente precisa “sair” da sua frente? Há algo que possa fazer a partir de hoje para reverter essa situação?

Então, com disse Nuno Cobra: “O que distingue aquele que consegue daquele que não sai do lugar é o fazer. Todo segredo está contido nessas cinco letrinhas mágicas: F-A-Z-E-R!”
Faça e seja feliz!

Energia para conquistar seus sonhos

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Matéria publicada no site Atmosfera Feminina em 22/10/2014

 

Mesmo com tanta correria, a sensação de que os dias estão cada vez mais curtos e a lista de tarefas nunca diminui, é essencial sonhar com algo melhor. “A vida é movida a sonhos, objetivos a serem cumpridos, metas a serem alcançadas. Caso contrário, não nos sentiríamos motivados a buscar o tão desejado ‘algo a mais’, a aprender coisas novas visando nosso desenvolvimento como seres humanos. Pelo contrário: simplesmente viveríamos estacionados, perdendo grandes oportunidades de crescimento. Isso explica também por que é tão saudável alimentar a ideia de que nunca é tarde para aprender e buscar novas experiências, seja em qual contexto for”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo, psicodramatista e terapeuta familiar e de casal.

Ok, tudo isso é válido, mas… de onde tirar energia para sonhar no fim do ano? “Ela deve ser resgatada da consciência dessa necessidade de termos algo em mente para a frente, da existência de desejos, sonhos e a projeção para o futuro. Ajuda demais se você conseguir organizar seu tempo e dividi-lo entre trabalho, família, lazer, cuidados consigo mesma, convivência com amigos e tudo mais que for importante para você e de forma que nada seja deixado de lado”, completa a psicóloga. “Claro que eleger prioridades não é fácil, mas é possível e necessário fazer isso para que você não se deixe ser levada apenas por determinadas atividades em detrimento de outras, tão importantes para a sua saúde física, mental e emocional”, conclui ela.

Sempre em frente

Para quem teme desistir dos sonhos assim como faz com a dieta, por exemplo, a psicóloga Marina Vasconcellos recomenda ter sempre em mente a importância dos sonhos para direcionar e dar sentido à vida e como a falta deles pode tornar a existência monótona. “Tomando consciência disso, naturalmente você vai fazer de tudo para não abrir mão dos seus desejos, algo que ninguém pode fazer por você”, finaliza.

Terapia de casal ajuda a salvar relação ou a terminá-la sem traumas

A terapia de casal dura, em média, três meses, mas há quem prefira continuar com as sessões (Foto: Thinkstock)

A terapia de casal dura, em média, três meses, mas há quem prefira continuar com as sessões (Foto: Thinkstock)

A terapia de casal ainda é encarada com resistência. Parceiros que vivem relações problemáticas hesitam em recorrer a essa modalidade de análise por uma série de motivos: desde achar que a medida é para fracassados até medo do julgamento que família e amigos farão.

No entanto, esse tipo de terapia pode ser uma alternativa eficaz na tentativa de reconstruir o relacionamento de duas pessoas que ainda se amam, mas que não conseguem se entender.

“Recomendo quando as discussões se tornaram infrutíferas e constantemente viram brigas. Quando a irritabilidade, a raiva e a impaciência permeiam a relação, que se torna destrutiva, deixando os parceiros exaustos”, explica a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar. “Sem perceber, ambos constroem muralhas para se defender um do outro”.

Problemas como infidelidade (inclusive virtual), depressão, dificuldades financeiras, uso de álcool e drogas, falta de desejo, discordâncias sobre a educação dos filhos e conflitos com a família são algumas das razões que costumam levar os casais ao consultório.

Como funciona a terapia?

 As sessões são conjuntas, mas se, eventualmente, um dos dois precisar de atendimento individual, para lidar com alguma questão particular que está atrapalhando a relação, é possível marcar encontros sem o par. Isso depende do terapeuta e da situação vivida pelo casal.
“Em geral as sessões são a dois, pois a intenção é, justamente, que haja transparência, para que possam falar e ouvir um ao outro, buscando soluções para o que os aflige”, informa a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Havendo a necessidade de sessão individual, ambos terão o mesmo número de atendimentos, mas qualquer segredo contado ao terapeuta será dito, também, na sessão conjunta.
O tratamento dura, em média, três meses, com sessões semanais, mas há casais que se sentem bem com o processo e decidem continuar. “Cada caso é um caso. Costumo indicar terapia individual para aqueles que precisam amadurecer ou trabalhar questões particulares”, conta Carmen.
"Decidimos fazer terapia de casal durante o namoro, quando o Rodrigo entrou em depressão. Eu tive de participar do tratamento dele para ajustar algumas coisas em nossa relação, pois ele estava mudando e nosso relacionamento virou de ponta-cabeça. Percebi que eu também precisava mudar. Passamos pela terapia individual e depois a de casal. A parte mais difícil é reconhecer que precisamos abrir mão de comportamentos antigos para nos conhecermos. Aprendemos a mudar certas crenças e a compreender o outro". Carla Alves Rabello, 35. Juntos há 18 anos, ela e Rodrigo de Carvalho Rabello são casados há sete e pais de Yasmin, 7, e Davi, 5

“Decidimos fazer terapia de casal durante o namoro, quando o Rodrigo entrou em depressão. Eu tive de participar do tratamento dele para ajustar algumas coisas em nossa relação, pois ele estava mudando e nosso relacionamento virou de ponta-cabeça. Percebi que eu também precisava mudar. Passamos pela terapia individual e depois a de casal. A parte mais difícil é reconhecer que precisamos abrir mão de comportamentos antigos para nos conhecermos. Aprendemos a mudar certas crenças e a compreender o outro”.
Carla Alves Rabello, 35. Juntos há 18 anos, ela e Rodrigo de Carvalho Rabello são casados há sete e pais de Yasmin, 7, e Davi, 5

Final feliz sob uma nova ótica

O desfecho feliz não significa somente o casal ficar junto, mas, sim, conseguir resgatar a boa comunicação, o afeto, a boa vida sexual, a cumplicidade e a vontade de continuar a construir uma vida a dois. Entretanto, o casal pode concluir, através das sessões, que a separação é a melhor saída.
De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, as pessoas esperam muito para procurar ajuda, e o fazem grande parte das vezes quando já não há quase possibilidade de resgatar uma relação tão desgastada. “É comum receber casais que chegam dizendo que essa é a última chance que darão ao casamento, pois não aguentam mais tamanho sofrimento. Se procurassem resolver os problemas à medida em que aparecem, tudo seria mais fácil”, diz.
Às vezes, a terapia serve para que o casal consiga se separar de forma amigável, entendendo o que aconteceu, aceitando a perda de forma madura e consciente para que não corra o risco de errar novamente em um próximo relacionamento. E para que não fiquem questões pendentes.
Mesmo quando não ficam juntas, as pessoas podem se beneficiar da terapia de casal, o que é positivo em especial para quem tem filhos. A partir das sessões, cada um olhará para si a fim de entender como seu comportamento afeta o parceiro ou qual é sua responsabilidade pelos conflitos que vivem a dois. Com as questões resolvidas, é mais fácil manter uma relação de amizade após a separação.
"Fazemos terapia de casal há cerca de nove meses e tem sido ótimo, pois passamos a nos entender melhor e a nos escutar mais. A terapeuta consegue traduzir situações que eu ou ele temos dificuldade de conversar. Sou mais velha, mas o Lucas é mais maduro. Ele não é de falar muito, mas tem conseguido expor melhor os sentimentos. Algo que o chateasse antes, por exemplo, ficaria guardado. Hoje, ele fala. Com isso, nossas questões não se transformam em uma 'bola de neve'. Tem nos ajudado a encontrar o equilíbrio em uma fase em que a família aumentará. O que falta em um é encontrado no outro, mas conseguimos identificar isso só com essa ajudinha". Renata Fernandes, 37. Ela e Lucas Albano, 27, estão juntos há quatro anos (casados há seis meses) e esperando o primeiro filho

“Fazemos terapia de casal há cerca de nove meses e tem sido ótimo, pois passamos a nos entender melhor e a nos escutar mais. A terapeuta consegue traduzir situações que eu ou ele temos dificuldade de conversar. Sou mais velha, mas o Lucas é mais maduro. Ele não é de falar muito, mas tem conseguido expor melhor os sentimentos. Algo que o chateasse antes, por exemplo, ficaria guardado. Hoje, ele fala. Com isso, nossas questões não se transformam em uma ‘bola de neve’. Tem nos ajudado a encontrar o equilíbrio em uma fase em que a família aumentará. O que falta em um é encontrado no outro, mas conseguimos identificar isso só com essa ajudinha”.
Renata Fernandes, 37. Ela e Lucas Albano, 27, estão juntos há quatro anos (casados há seis meses) e esperando o primeiro filho

Terapia de casal e terapia sexual

Muita gente ainda confunde terapia de casal e terapia sexual. São processos bem diferentes: na terapia de casal, o objetivo é mais amplo e envolve o tipo e qualidade do vínculo, a história da relação, as expectativas e os ideais de cada um, o desvelamento do contrato inconsciente e os papéis cada um ocupa. Também são levadas em consideração quais as fantasias inconscientes que permeiam a relação.
Na terapia sexual, o objetivo é melhorar o sexo. “Mas como a sexualidade está ligada à relação, é comum que ela seja discutida na terapia de casal. É possível abordar essa questão sem precisar de um especialista no assunto. Exercícios são propostos e problemas que pareciam mais complicadas, como ejaculação precoce, são resolvidas na terapia de casal”, explica Marina Vasconcellos.