Colorir: A febre anti-estresse

Os livros de colorir para adultos já viraram febre no país inteiro, atraindo cada vez mais adeptos

Publicado no Coisas de Jornalista, em 11 de maio, 2015.

Poucos sabem da onde ou quando exatamente eles surgiram, mas todos podem concordar com uma coisa: os livros de colorir para adultos já viraram febre no país inteiro, atraindo cada vez mais adeptos. Só na semana do dia 20 a 26 de abril, dos dez livros mais vendidos no Brasil, cinco eram desse segmento: do primeiro ao quinto lugar, estão, respectivamente, Jardim Secreto (67.993 cópias), Floresta Encantada (59608), Jardim Encantado (9739), Fantasia Celta (9228) e Mãe, te amo em todas as cores (6755).

Esses números, retirados do site PublishNews, impressionam. Afinal de contas, esse fenômeno é bem recente aqui no Brasil e mesmo com pouco tempo, já tem um grande número de fãs. E é claro que as livrarias estão sabendo lidar bem com isso: A da Travessa, por exemplo, fez encontros em algumas das suas unidades para que as pessoas pudessem colorir juntas. Alguns leitores nem precisam desse empurrãozinho: organizam, por si próprios, essas reuniões anti-estresse.

A questão que fica é: da onde surgiu a ideia de resgatar um passatempo da infância para ajudar os adultos a combaterem os sufocos do dia-a-dia? A resposta é dada pela “criadora” desse sucesso, a escocesa Johanna Basford, autora de O Jardim Secreto. De acordo com ela, a ideia surgiu quando seu editor pediu para que ela criasse uma publicação para crianças. Johanna disse criaria sim, mas para um público diferente: os adultos. Nem ela imaginou a repercussão que isso teria.

Em entrevista para o NPR Books, a autora disse que sua caixa de entrada ficou abarrotada de mensagens positivas e de incentivo, além de receber fotos das páginas já coloridas pelos seus fãs. Johanna arrisca dizer qual foi o grande diferencial que fez o seu livro um sucesso: “Você não tem que sentar em frente a um papel branco ou ter aquele terrível pensando ‘O que posso desenhar’? As linhas já estão lá, então é algo que você pode fazer em silêncio por horas, sabe, algo quieto e tranquilo”.

E esse efeito tranquilizador ajuda mesmo. De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, os mais estressados são aqueles que mais se beneficiam da atividade, já que a ideia é fazer a pessoa parar suas atividades por alguns momentos e tentar não pensar em nada, apenas se concentrar nas cores escolhidas para um visual harmonioso. Esse hobby pode até ajudar a resolver problemas: ao pintar com alguém, o casal pode aproveitar o momento de tranquilidade para conversar assuntos que necessitam de calma e tempo.

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Apesar das grandes vantagens (afinal, é algo bastante acessível: não requer treinamento ou aprendizado), nem sempre os livros de colorir bastam. Para aquelas pessoas cujo nível de estresse chega a afetar grande parte das atividades diárias, o aconselhável é procurar um profissional, para trabalhar na busca de um auto conhecimento.

“Colorir pode fazer parte do arsenal de combate ao stress, mas não ser chamado de tratamento. O stress tem muitos sintomas que devem ser olhados com cuidado e devidamente tratados para não piorarem e se transformarem em algo crônico ou mais grave”, alerta a psicóloga.

Aprenda a dizer não

Apesar de uma resposta negativa não ser muito aceita, é através dela que você pode se impor

Escrito por Daniela Bernardi, editado por Juliana Vaz (colaboradora), publicado em 26/02/2015

Dizer “não”, é ao contrario do que parece, uma tarefa bem difícil. O medo de desagradar ou decepcionar aquele que nos pede algo faz com que concordemos com o que é pedido – seria um caminho para ser aceita.

“Uma mulher mais segura sabe que o outro não deixará de gostar dela por causa da recusa, que não será prejudicada”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo. Tudo isso tem a ver com a autoestima e insegurança. Dar mais valor às vontades alheias, preterindo a sua, faz com que deixemos de reconhecer nossos próprios anseios.

E dizer não vale no trabalho, na amizade, no amor, em qualquer relacionamento é preciso saber se posicionar e sem essa atitude, você pode acabar sendo uma pessoa apática e desinteressante. “Esse comodismo faz com que você pareça sem graça e até desesperada por aceitação”, complementa a psicóloga clínica Vanessa Tamiello, de São Paulo.

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Veja 5 dicas para começar a repensar suas respostas:

1. Autoconhecimento
O primeiro passo é saber se aquilo fará bem ou mal. E o único jeito de descobrir é reconhecer de verdade quais são seus anseios e suas vontades.”Quanto mais proximidade você tiver consigo mesma, mais honesta será sua percepção para decidir se vale a pena aceitar o convite”, diz Mariliz Vargas.Fique atenta também às suas limitações. “Não adianta topar e ficar com a cara emburrada porque isso fará mal a você e aos outros”, diz Marina Vasconellos.

2. Sem ladainha
Não comece a inventar desculpas. “Criar compromissos inexistentes dá margem para que o outro entenda que você gostaria de atender ao pedido”, alerta Olga Tessari. Não poder é diferente de não querer. Se isso não ficar claro, abre-se espaço para que, no show seguinte, o convite seja refeito.

3. Exponha seus porquês
Explicar seu ponto de vista é importante para que o outro entenda o seu lado. Por mais que sua amiga discorde da justificativa – afinal, ela jamais aceitará que você não gostou do novo álbum do Bruno Mars -, sua decisão será respeitada, pois você expôs claramente os motivos.

4. Use o corpo
Falar com uma voz firme pode ajudar a mostrar que a decisão já foi tomada.”Olhar nos olhos e manter a coluna ereta passa a mensagem de que a resposta está de acordo com seus valores”, explica a psicóloga clínica Marisa de Abreu, de São Paulo. Mas, se você ainda não estiver preparada para ser tão assertiva, experimente fazer alguns sinais com o rosto ao receber a solicitação ou o convite. “Antes que ela termine a frase, comece a torcer o nariz, contorcer a boca e franzir a testa de forma discreta. Esses movimentos já dão a entender que você não está de acordo com a proposta”, diz Christian Barbosa.

5. Procure alternativas
Mesmo dizendo não, você ainda pode ajudar. Descubra outra amiga que goste do mesmo cantor e faça a ponte de contato entre as duas. “Depois de negar, repasse o convite a alguém que tenha mais interesse”, diz Vanessa Tamiello.

Ter muitas relações fracassadas pode ser reflexo da infância

Há quem idealize o parceiro e, depois de um tempo, se decepciona ao ver a realidade

UOL, por Catarina Arimatéia, em 28/11/2014

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Muita gente convive com a dúvida: “por que sempre escolho a pessoa errada para me relacionar?”. Falta de sorte? Nada disso. Segundo especialistas em comportamento, na maioria das vezes, a resposta está na própria pessoa que faz a queixa.

“Minha experiência mostra que, quase sempre, essas pessoas carregam memórias antigas de relacionamentos familiares que têm como marca o conflito, a intranquilidade, as rupturas bruscas, a violência verbal e física. Em geral, na história dessas pessoas, o mesmo padrão se repete nos relacionamentos amorosos”, diz a psicanalista e psicóloga clínica Blenda de Oliveira.

Isso acontece por que os padrões de relacionamento começam a ser estabelecidos ainda na infância. Crianças que não foram incentivadas a ter uma boa autoestima, por exemplo, também podem sofrer na vida adulta, buscando parcerias que nem sempre as valorizam.

“Nesse caso, a pessoa não tem critério para se relacionar, qualquer parceiro é bem-vindo”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos. O resultado é quase sempre desastroso.

Atração entre opostos

É comum que os opostos se atraiam. Mas, de acordo com Marina Vasconcellos, aquilo que chama a atenção no início, depois de anos de relacionamento, é justamente o que poderá separar o casal.

“Geralmente, você projeta no outro aquilo que gostaria de ser, de ter, de desenvolver. Em casos assim, o outro tem algo que você quer”, diz ela. Pode ser uma vida mais interessante, mais amigos, um lado mais rebelde. “O problema é que, com o tempo, a tendência é tentar modificar a outra pessoa para que ela fique parecida com você”, conta a psicóloga.

A escritora Paula Cassim, autora do livro “Como Reconquistar Seu Ex” (Ed. All Print), afirma que, inconscientemente, procuramos as pessoas diferentes de nós como uma maneira de criar um ponto de fuga para a vida que levamos.

“Ter uma pessoa que pense, tenha gostos e faça coisas diferentes de você é muito interessante, porque abre um novo campo, os dois acabam descobrindo mundos diferentes e tendo acesso a coisas que jamais conheceriam sozinhos. No começo, pode ser ótimo. Até o dia em que você se cansar de tentar ser o que não é”, diz. E é nesse momento que a relação pode começar a degringolar.

 

Pressão social, ciúme e intolerância

Como o comportamento humano tem maneiras infinitas de se expressar, assim também são os motivos que levam a um relacionamento que já nasce com tendência a fracassar. “É impressionante a quantidade de mulheres casadas com alcoólatras que também tiveram pai alcoólatra”, fala Marina Vasconcellos.

Pessoas exigentes demais, intolerantes ou mimadas, acostumadas a receber todas as coisas nas mãos, também são boas candidatas a relacionamentos fracassados. Assim como as ciumentas. “Ciúme é uma doença. Se não for diagnosticado a tempo e receber tratamento, vai terminar todas as relações”, afirma.

Para a psicanalista Blenda de Oliveira, o relógio biológico da mulher e as cobranças que sofre ao longo da vida por não estar namorando ou casada também levam muitas delas a escolher parceiros sem grandes critérios.

“A mulher é mais vulnerável do que o homem a esse tipo de ‘desespero’ de não ter alguém. O homem não carrega o peso de que ‘precisa’ se casar. Ele não tem pressão social. Se você é mulher, solteira, tem mais de 40 anos e não se casou, é bem provável que muitas pessoas pensem que há algo errado. Então, na ânsia de encontrar alguém, a mulher perde a referência de qualidade em função disso”.

 

Faça uma análise

Mas há possibilidade de reverter esses padrões nocivos? Sim, há. Mas existem alguns passos a seguir. Quem sofre com relacionamentos que não vão adiante, em primeiro lugar, precisa fazer uma boa análise da situação.

“Na maioria das vezes, a pessoa se decepciona e acha que o erro está sempre no outro. Mas deveria parar e se perguntar: ‘o que me cabe’? Quem sempre projeta no outro a responsabilidade, o erro e a dificuldade, vai procurar outra pessoa e o padrão vai se repetir”, diz a psicóloga Ceres Alves de Araújo, professora do programa de estudos pós-graduados em psicologia clínica da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Para que esse ciclo se interrompa, comece a se questionar. “Faça indagações como: ‘o que há de errado comigo?’, ‘estou me impondo demais ou pouco?’, ‘estou fugindo do que?’, ‘estou percebendo as necessidades de quem está comigo?’, ‘estou sabendo informar ao outro as minhas necessidades?’, exemplifica a professora. “Fazer troca afetiva é um aprendizado”.

 

Energia para conquistar seus sonhos

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Matéria publicada no site Atmosfera Feminina em 22/10/2014

 

Mesmo com tanta correria, a sensação de que os dias estão cada vez mais curtos e a lista de tarefas nunca diminui, é essencial sonhar com algo melhor. “A vida é movida a sonhos, objetivos a serem cumpridos, metas a serem alcançadas. Caso contrário, não nos sentiríamos motivados a buscar o tão desejado ‘algo a mais’, a aprender coisas novas visando nosso desenvolvimento como seres humanos. Pelo contrário: simplesmente viveríamos estacionados, perdendo grandes oportunidades de crescimento. Isso explica também por que é tão saudável alimentar a ideia de que nunca é tarde para aprender e buscar novas experiências, seja em qual contexto for”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo, psicodramatista e terapeuta familiar e de casal.

Ok, tudo isso é válido, mas… de onde tirar energia para sonhar no fim do ano? “Ela deve ser resgatada da consciência dessa necessidade de termos algo em mente para a frente, da existência de desejos, sonhos e a projeção para o futuro. Ajuda demais se você conseguir organizar seu tempo e dividi-lo entre trabalho, família, lazer, cuidados consigo mesma, convivência com amigos e tudo mais que for importante para você e de forma que nada seja deixado de lado”, completa a psicóloga. “Claro que eleger prioridades não é fácil, mas é possível e necessário fazer isso para que você não se deixe ser levada apenas por determinadas atividades em detrimento de outras, tão importantes para a sua saúde física, mental e emocional”, conclui ela.

Sempre em frente

Para quem teme desistir dos sonhos assim como faz com a dieta, por exemplo, a psicóloga Marina Vasconcellos recomenda ter sempre em mente a importância dos sonhos para direcionar e dar sentido à vida e como a falta deles pode tornar a existência monótona. “Tomando consciência disso, naturalmente você vai fazer de tudo para não abrir mão dos seus desejos, algo que ninguém pode fazer por você”, finaliza.