Confira 5 dicas para manter o foco no trabalho e ser mais produtiva

Publicado em Corpo a Corpo – Uol, 29.05.16

Com tantos colegas ao redor, é tentador detonar a produtividade para ficar batendo bater papo.
Para se blindar desse efeito, veja 5 dicas para manter o foco no trabalho

Saiba como manter o foco no trabalho
Para incentivar a colaboração da equipe, muitas empresas estão integrando os espaços e já não existem mais as divisórias entre um e outro. Mas o que é ótimo para a troca de ideias pode acabar em perda de foco, afinal, fica muito mais fácil se distrair com a conversa ao lado ou a história que o outro contou. Resultado? Você nunca consegue concluir as tarefas do dia, tendo que levar trabalho para casa. Ou até consegue, mas o faz num tempo muito maior que o seu colega mais focado. Estudos mostram que um profissional concentrado conclui as tarefas em até 74% menos tempo. Isso porque ele faz uma coisa de cada vez, sem se atrapalhar com a falta de assertividade provocada pela atenção em várias atribuições. Confira algumas dicas para turbinar a produtividademanter o foco no trabalho a seguir.

Coloque suas atividades por ordem de prioridade, se possível fazendo uma de cada vez.

A tarefa exige muita concentração? Então vale fechar um pouco a caixa de e-mail e desligar o telefone até concluir.

Se você faz parte do time que ao colocar o fone de ouvido rende mais, vá em frente. Enquanto não concluir o que foi imposto, evite também conversar com os colegas e olhar as redes sociais.

Mas se não conseguir se desvincular do barulho alheio, vale tirar dez minutos de pausa e observar o ambiente lá fora ou até mesmo sair para tomar um ar. Isso porque, graças a um fenômeno chamado de processamento inconsciente, seu cérebro vai continuar trabalhando em um problema, embora de forma inconsciente.

Fica um recadinho da psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo:
“Se o ambiente já é aberto e poluído visual e sonoramente, ao menos o seu espaço pessoal deve ser bem organizado e limpo. Por isso, tente deixar em sua mesa apenas o essencial. Uma mesa bagunçada, com pilhas de papéis aguardando para serem tirados da frente é um prato-cheio para a dispersão, pois a todo momento há um aviso ali de que há muito trabalho, além daquele que está fazendo”.

Você se sente frustrado em relação ao seu trabalho? Conheça a síndrome de Burnout

Publicado no Terra em 30/04/2013

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Você se sente esgotado emocionalmente em relação à sua profissão? Trabalha fazendo algo em que não acredita mais valer a pena? Faz algo que não lhe dá prazer e sente-se muito frustrado  com isso?Atenção: você pode estar sofrendo da síndrome de Burnout.

Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, esse é um problema de difícil diagnóstico e ocorre justamente quando a pessoa não se sente mais à vontade no trabalho que tem, não se sente mais feliz com aquilo, aumentando cada vez mais a sua frustração. Os sintomas são, além da imensa frustração, dores musculares, fobia, redução da motivação, desilusão, faltas no trabalho, agressividade, dificuldade de concentração, pessimismo, lapsos de memória, além de depressão. “O diagnóstico é difícil porque é parecido com a depressão e também com o estresse, mas esse último é diferente, é algo mais pontual e também mais físico. A pessoa quando trabalha muito em um determinado período, por exemplo, fica de fato estressada, cansada, esgotada fisicamente, mas a síndrome de Burnout se refere ao esgotamento emocional e não físico”, explica ela.

A síndrome de Burnout tem a ver com o fato da pessoa estar frustrada com o seu trabalho, achando que a remuneração recebida não condiz com o esforço dispensado, além de sentir que não vale mais a pena aquele trabalho em si.

Para um diagnóstico mais preciso é necessário avaliar toda a história de vida do paciente, culminando em seu estilo de vida atual, pois só assim o especialista pode perceber e avaliar se o problema é de fato a síndrome de Burnout. De acordo com a psicóloga, ao rever sua vida nas sessões, o paciente acaba expressando seu contentamento ou não no trabalho, permitindo ao terapeuta auxiliá-lo numa possível mudança de estilo de vida, incluindo uma revisão profunda da profissão escolhida.

E como tratar? Marina explica que existem medicamentos para lidar com esses sintomas, que irão tratar a ansiedade e a depressão, mas também se faz necessário terapia. “O principal é a pessoa querer mudar e dar a volta por cima, virar a mesa e rever a vida, rever tudo o que está fazendo. Isso parece simples, mas é muito complicado”, diz ela.

Segundo a psicóloga, esse é um problema que pode acontecer em todas as faixas etárias, porém, quanto mais tarde, mais difícil o prognóstico. “Um jovem de 25 anos que terminou a faculdade e se sente frustrado com o emprego novo pode muito bem fazer outra faculdade, ainda se sente motivado a isso, mas uma pessoa de 50 anos, por exemplo, provavelmente tem família, pessoas que dependem dela e isso dificulta bastante na hora de decidir-se por reprogramar sua vida”, diz Marina.

A recomendação da psicóloga é, aos poucos, mudar o estilo de vida. Fazer exercícios físicos também pode ser muito útil, pois ajuda a pessoa a descarregar a tensão do dia a dia. Além disso, é necessário nesse momento o apoio familiar e também dos amigos. “A pessoa passa a se questionar muito, e dificilmente conseguirá mudar, dar uma guinada na vida, sem esse apoio, por isso ele é fundamental”, finaliza a psicóloga.

 

Comportamento dos pais influencia no futuro profissional dos filhos

Publicada no UOL em 06/11/2012

Pais que reclamam do trabalho podem criar filhos com dificuldade de encarar a vida profissional. Foto: Reprodução

Você costuma chegar do trabalho resmungando com muita frequência? Encara o emprego como um martírio ou uma humilhação? Ou, ao contrário, demonstra que sua carreira é a coisa mais importante da sua vida? Saiba que comportamentos desse tipo podem afetar a forma como os seus filhos enxergarão a vida profissional futuramente.

“Os pais são modelos para os filhos. Se eles chegam todos os dias contando situações horríveis, as crianças não vão querer ter o mesmo futuro”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama e terapia familiar. Como consequência disso, além de fugir da mesma carreira que a sua, seus filhos podem encarar o trabalho como um sacrifício –mesmo antes de entrar para o mercado de trabalho.

Por outro lado, passar uma imagem extremamente positiva da profissão aos filhos, e estimulá-los a se aproximar do seu mundo profissional, pode fazer com que eles sigam seus passos sem refletir sobre seus verdadeiros desejos. “É um perigo, pois pode não ser o que eles querem fazer, embora sintam que pertençam a esse universo”, afirma Marina.

Resistência à frustração

Família que passa a ideia de que o trabalho deve ser uma fonte completa de felicidade pode gerar um filho adulto com maiores chances de se frustrar profissionalmente, segundo a psicóloga e psicanalista Blenda de Oliveira, membro da SBPSP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo). “O trabalho nem sempre precisa ser sinônimo de felicidade. Às vezes, leva um tempo para encontrar aquilo que nos satisfaz”, diz Blenda. Para ela, a profissão não precisa ser necessariamente o que mais se ama, mas, sim, o que se faz de melhor. “Quando o trabalho não é tão idealizado, a relação é mais saudável e mais produtiva”, diz.

Quem idealiza uma vida profissional cheia de sucesso e reconhecimento desde a infância pode se tornar um jovem que desiste diante do primeiro obstáculo ou quando é contrariado. “Essa situação é mais frequente em famílias que não precisam do trabalho para sobreviver e, por isso, os filhos não entendem que o estresse faz parte do trabalho. Eles acham que têm de começar com um bom cargo, ganhando bem, ou não vale a pena sair de casa”, diz Blenda.

Para a psicóloga especialista em psicodrama Cecília Zylberstajn, compreender que nenhum trabalho é perfeito evita problemas. “Os jovens [da geração Y] foram educados na era da autoestima: são vistos como muito especiais, mas foram crianças mimadas que viraram adultos que não sabem lidar com a frustração”, afirma. “A escola e os pais mimam, e o mercado de trabalho é o primeiro contato que eles terão com limites e decepções”, diz Cecília.
Para criar filhos que sejam bons profissionais no futuro, é preciso ensiná-los a lidar com a frustração desde a infância, quando ainda estão na escola. “Mostre que é natural ter professores que não são legais ou que as notas nem sempre serão as imaginadas”, afirma Blenda. E, quando eles entrarem no mercado de trabalho, é importante que sejam orientados a não desistir diante das adversidades. “Resistência à frustração não se aprende na escola, mas em casa. Tem a ver com os valores e a formação dos pais”, diz a psicóloga e consultora organizacional Izabel Failde.

Modelos de relacionamento
O padrão de relacionamento que a criança estabelece com os pais afeta o modo como ela irá encarar as relações de trabalho no futuro, segundo Cecília. Por isso é fundamental que eles não sejam expostos a uma educação extremamente autoritária. “A família é o berço de todas as relações. Muitas vezes os problemas que vemos no trabalho podem ser decorrentes das dinâmicas familiares”, diz.

Como o pai costuma a ser a primeira figura de autoridade que conhecemos, se ele for muito rígido, o filho poderá ter problemas de relacionamento com o chefe no futuro, por exemplo. “Aquele menino indefeso pode continuar assim na fase adulta”, afirma Cecília. Também é possível que, depois de anos obedecendo às ordens de um pai controlador, a criança se torne um adulto com raiva da figura que exerce poder e, por isso, tenha dificuldade de aceitar ordens no ambiente profissional.

Cultive o bom humor com sete hábitos

Mude algumas formas de lidar com as situações estressantes do dia a dia

 

Exibir um sorriso, mas espumar de nervosismo por dentro, está longe de ser uma atitude saudável. Suas emoções precisam ter vazão ou há o risco de que elas comecem a se refletir em problemas físicos, desde dores nas costas até taquicardia ou falta de ar, por exemplo.

Não banque o palhaço com você mesmo: o bom humor precisa ser sincero. “Ele é um jeito de encarar a vida, uma postura positiva e aberta para enfrentar o que vier com mais disposição”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama.

Aprenda a levar a vida de forma mais leve, usando o humor a seu favor, sem que o sorriso fique apenas na aparência.

 

Não fuja de situações frustrantes

Fingir que não existe sofrimento pode até deixar seu bom humor intacto por um tempo. Mas os momentos frustrantes não deixam de existir simplesmente porque você fugiu deles. Use essas situações para amadurecer e encarar os desafios com mais facilidade. “As frustrações são oportunidades para o crescimento pessoal, mas cabe a cada um tomar o cuidado de não desperdiçar essas chances”, afirma a psicóloga Márcia Cavalieri, de Ribeirão Preto.

 

Permita-se errar

Não é pra viver pessimista, mas para considerar que há sempre ao menos duas possibilidades, e uma delas pode ser diferente da sua expectativa. Com esse preparo emocional, as chances de você ficar de mau humor com o pior resultado diminuem. “É preciso sonhar e desejar, mas sem deixar de lado as reais possibilidades. Assim a frustração deixa de ser um peso tão grande”, afirma Márcia.

 

 

Organize a sua rotina

Com organização, é possível se programar melhor para dar conta de todas as tarefas. “O planejamento ajuda a evitar aflições ou crises de desespero por não conseguir cumprir os prazos ou por esquecer alguma atividade em meio à falta de prioridades”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos. “Tudo isso traz uma rotina mais tranquila e, como consequencia, o bom humor.”

 

 

Comemore cada pequena conquista

Quem imagina a felicidade como uma sequencia permanente de grandes emoções pode viver frustrado buscando isso a vida inteira. “Os momentos simples precisam ser mais valorizados, assim, naturalmente, você passa a cultivar mais o sorriso, o bom humor.

Fica mais fácil reconhecer o que trás felicidade em vez viver em busca dela”, afirma a psicóloga Marina.

 

 

 

Aprenda com os erros

Depois que o erro já foi cometido, o mau humor não ajuda em nada. A psicóloga Marina Vasconcellos propõe que você deixe de considerar o erro como o fim de tudo, algo que desanima e leva à desistência frente a um objetivo. “Em vez de se irritar, pense como reagir em uma próxima ocasião, quando algo sair do programado ou esperado”, afirma a profissional.

 

 

Esvazie a cabeça

O excesso de pensamento negativo não dá espaço para o bom humor. Procure se esforçar para pensar no problema por um determinado período, concentrando as suas energias para resolvê-lo.

Mas depois mude o foco e pense em outras coisas, sua saúde mental vai agradecer. “Não há contribuição maior para o bom humor do que a capacidade de resolver os próprios problemas em vez de permanecer se lamentando deles”, diz Márcia.

 

Dê risada! 

Quando damos gargalhadas, os níveis de cortisol e adrenalina – hormônios do estresse – baixam. Além disso, o cérebro passa a produzir endorfina, hormônio que deixa o corpo mais relaxado.

Mas a risada precisa ser sincera, por isso, procure situações prazerosas que permitam você passar mais tempo descontraído.

 

 

 

Pare de puxar o próprio tapete

Publicado no O Pioneiro em o7/04/2010

Pode parecer absurdo que alguém tome atitudes para prejudicar a si próprio. Mas, em maior ou menor grau, a maioria das pessoas tem momentos em que puxa o próprio tapete. Um caso óbvio de autossabotagem é fazer regime de fome a semana toda e se empanturrar no domingo. Cair em tentação de vez em quando é normal, mas quando esse comportamento se torna rotineiro é sinal de que a pessoa não quer emagrecer de verdade, embora viva dizendo que quer. Sigmund Freud, o criador da psicanálise, escreveu em 1916 um artigo sobre esse comportamento: Os que Fracassam ao Triunfar. No texto, Freud diz que, por certas razões, alguns indivíduos têm problemas em usufruir da satisfação de um desejo. Conseguir alcançá-lo traz angústia porque a sua realização vai contra crenças primordiais, entre elas, a de que não merece ser feliz. Isso pode acontecer no caso de um novo namorado (a), uma promoção profissional ou um bem novo. Quem se boicota não reconhece antecipadamente que está repetindo os mesmos erros. – É claro que há uma parte consciente que enxerga que as coisas precisam mudar. Mas a outra metade, inconsciente, não quer, por culpa, covardia, acomodação – explica Bernardo Stamateas, no livro Autossabotagem. O autossabotador tem características pessoais determinantes, segundo a psicóloga paulista Marina Vasconcellos, especialista em terapia familiar e psicodrama: – Em geral, são pessoas com baixa autoestima e inseguras. Têm dificuldade de se lançar em novos desafios. A causa para esse descompasso normalmente está relacionada à educação dada pelos pais, que não valorizam as potencialidades da criança e fazem crescer no filho o medo e a insegurança. O psicólogo americano Stanley Rosner, no livro O Ciclo da Autossabotagem, reforça que o ser humano passa a metade de vida tentando confirmar as crenças adquiridas na infância, principalmente no relacionamento com os pais. – Há pessoas que cozinham da mesma maneira que sua mãe cozinhava, frequentam o mesmo templo, adotam as mesmas diversões e, às vezes, até moram na mesma casa. Para elas, tanto na vida real quanto na íntima, não há espaço
para a mudança, a inovação. Não há espaço sequer para a imaginação – escreve Rosner. Como romper esse ciclo? Tudo passa pelo autoconhecimento. Muitas vezes é preciso terapia. Mas refletir sobre o comportamento e os rumos da própria vida também dá resultado. Ao notar uma tendência a autossabotar também esse processo, uma dica da psicóloga Marina é dar mais atenção aos conselhos de amigos e familiares. – Também vale perguntar a imagem que eles têm de você. É uma boa maneira de descobrir erros
que cometemos sem perceber – ressalta Marina.

PENSAMENTOS SABOTADORES

▼ Eu não valho nada.
▼ Eu não preciso de ninguém nem de nada.
▼ Não vou permitir que se metam em minha vida.
▼ Sem você, não existo.
▼ Primeiro você e, por último, eu.
▼ Vou deixar para depois.
▼ Eu não posso.
▼ É o que me coube na vida.
▼ Eu não mereço.
▼ Eu me adapto a todos.
▼ Eu não tenho nada para dar.
▼ Que a sorte me acompanhe.
▼ O importante é que você seja feliz, não eu.

VOCÊ SE AUTOSSABOTA?

A psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em terapia familiar e psicodrama, dá algumas dicas em busca do autoconhecimento, primeiro passo para romper o ciclo de autossabotagem.
Leia e descubra se você se identifi ca com esses comportamentos:
▼ Repete sempre os mesmos erros. Para você, a culpa dos seus problemas é do mundo, não sua. Adora o papel de vítima. Vive pipocando em vários empregos, mas acha que o problema é com os chefes. Você atrai sempre o mesmo tipo de namorado (a), mesmo que o anterior o tenha feito sofrer.
▼ Sofre com a possibilidade de as coisas darem certo. Você subestima o próprio talento. Não se considera capaz de assumir determinadas tarefas. Tem a sensação de que será desmascarado (a) o tempo todo.
▼ Não se acha merecedor de suas conquistas. Você não consegue ser feliz e desfrutar dos resultados positivos. Pensa: “emagreci, agora vou engordar”, “fui contratada, mas posso ser demitida a qualquer momento” ou “ganhei aumento, mas será que vou conseguir poupar?”
▼ Acha que algo de ruim está sempre para acontecer e que a felicidade plena é impossível. Se compra um carro novo, pensa que vai bater antes de fazer o seguro. Se está linda para a festa, começa a matutar que pode quebrar o salto ou que, se chover, adeus chapinha, etc.

PARA MUDAR

▼ Busque autoconhecimento. Se não conseguir sozinho, aposte em terapia.
▼ Assuma a responsabilidade sobre a própria vida.
▼ Acredite que pode e merece ser feliz.

 

Personal Gestante: futuras mães em treinamento

Coaching na gravidez surge para tranquilizar mães que não sabem como equilibrarão trabalho e filho ao mesmo tempo

Publicado no IG Delas

Figura do coach surge para auxiliar futuras mamães a conciliar carreira e maternidade (Foto: Getty Images)

Há muito tempo se fala em coaching (treinamento, em inglês) no mundo organizacional, em que aquele que é treinado visa obter melhor desempenho em busca do sucesso profissional ou para perder aqueles quilinhos extras, por exemplo. Porém, de acordo com Villela da Matta, presidente da Sociedade Brasileira de Coaching, o que ainda não se sabe é que a ferramenta pode ser utilizada em todas as áreas da vida e, dentro do mundo feminino, inclusive para superar as dificuldades que a gravidez usualmente abrange, até mesmo antes da decisão de ter um filho.

“Hoje em dia não é somente engravidar e ter um neném, ser mãe envolve muitas outras questões”, afirma Matta. Uma delas – e a que a maioria das mulheres que procuram pelo serviço quer resolver – envolve o lado profissional: “Muitas acabam acreditando – assim como também acreditam os homens – que é necessário focar somente no filho ou somente na carreira, mas não precisa ser assim”. Segundo ele, o objetivo do coaching neste momento, é modificar essa percepção e mostrar que é possível conciliar os dois. Mesmo que você já esteja desesperada em relação à licença-maternidade mesmo antes dos primeiros meses de gestação.

De acordo com o especialista, diante deste e de outros questionamentos, o processo de coaching serve para tornar a gravidez ainda mais prazerosa, impedindo que a mulher entre em estágio de ansiedade e nervosismo profundo – uma vez que o futuro que se aproxima se revela um pouco incerto. “A mulher hoje não tem um espelho, uma referência de sucesso, de uma mulher que teve filhos e ainda assim permaneceu profissionalmente bem e com um relacionamento amoroso extremamente satisfatório”, revela. O coaching, no entanto, chega para desenvolver estratégias para que tudo saia da melhor maneira.

Pontos de angústia

Para Ricardo Monezi, psicobiólogo e pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp, a decisão é uma das mais importantes da vida e nos dias atuais, realmente envolve uma série de angústias: “Cada vez mais as mulheres postergam a maternidade pela preocupação com a carreira, por exemplo, e isso também já se configura como um fator de estresse e ansiedade muito alto”. Em casos de empregos de alta demanda, o desenrolar da gravidez pode ser extremamente tenso, o que não faz bem para a mulher e tampouco para o bebê. Mas não acaba por aí.

“Além da questão da idade avançada, existem outros pontos de angústia gerados pela gravidez, como a insegurança por não saber se vai dar conta e a preocupação com o que os outros irão pensar dela como profissional e mãe, além do corpo em transformação e a pressão dos hormônios”, explica Monezi. O papel do coacher ou do profissional que esteja acompanhando a mulher neste momento, portanto, é amenizar todas essas situações e orientá-la a manter o equilíbrio, principalmente nesta fase de adaptação, em que as mulheres ainda estão abrindo espaço para adaptar a carreira com a maternidade.

Dois em um

Segundo a psicóloga especialista em terapia familiar e de casal, Marina Vasconcellos, existem ainda muitas mulheres que seguem frustradas na tentativa de combinar os dois papéis, de mãe e de profissional. “Elas estão se dando conta de que é difícil assumir a ambos, mas por exigirem muito de si mesmas, acabam se sentindo culpadas por não darem conta perfeitamente de tudo”, explica. Para a especialista, o caminho que deve ser seguido agora é o “afrouxe”, em que a mulher pode dar o melhor de si sem se desgastar e sem se cobrar em excesso.

Para a psicóloga Sabrina Patto, especialista em análise transacional, este conflito é realmente o que a maioria das mulheres vive. “A parte mais difícil é perder isso de tentar dar conta de tudo, de querer ser 100% profissional, 100% mãe, 100% esposa”, revela a especialista. Esta fantasia que se torna ansiedade – e que surge até mesmo antes da gravidez –, poderá ser vivida se a mulher não delegar corretamente o trabalho que terá com o filho. E contar com o marido nessas horas – ou alguma outra pessoa, como a mãe, a sogra ou até uma babá – é imprescindível.

Coacher e coachers familiares

Ainda de acordo com Monezi, é importante que a mulher saiba que, embora seja possível de manejar a carreira sozinha, a gravidez não é assim tão individual. Enquanto o papel do coacher existe como um suporte psicoterápico, é preciso que a mãe da vez conte também com os “coachers familiares”. “Aqueles que possuem formação pelo companheirismo, o marido, por exemplo, devem saber ouvir e dialogar com a mulher que estiver passando por este processo”, afirma. Na maternidade, a mulher passa por um processo em que toda sua biologia é transformada e, segundo Monezi, a psique acompanha estas transformações. “Formar um arcabouço social irá ajudá-la muito, seja com a família ou com amigos”, completa.

O Presidente da Associação de Coaching também ressalta que, no meio deste reposicionamento da vida – e superação daquilo que parecia impossível de ser resolvido – ser uma mãe que sobreponha as barreiras não é algo fácil, mas é possível. “O coaching, por exemplo, procura identificar o que o cliente deseja, quais são os pensamentos limitantes para podermos ampliá-los e encontrar alternativas para chegar à meta desejada”, explica Villela. Segundo ele, é possível desenvolver os recursos emocionais e, ao longo das várias etapas do coaching resolver as necessidades de cada mulher em busca do serviço.

O preço varia de R$250 à R$750 por sessão individual, que costuma durar uma hora e meia e ser feita uma vez por semana e pode ser feito durante todo o processo de gestação. E claro, não é direcionado apenas para mulheres que estão divididas entre carreira e gravidez: “As pessoas que nos procuram o fazem por diversas razões, desde as que estão planejando a gravidez até as que estão a três meses de dar à luz”. Segundo Villela, existem também as que decidem que só irão ter o papel de mãe como foco e deixarão o emprego pela maternidade. O importante, no entanto, é saber que independentemente da decisão, uma solução pode ser encontrada.

Quando o pai perde o emprego

Retornar à rotina do lar pode ser um grande desafio, mas essa é a hora de aproveitar o tempo livre ao lado da família

Publicado no IG em 14/07/2011

Perder o emprego pode motivar o pai a participar mais das tarefas de casa (Foto: Getty Images)

Um dia ele entra pela porta, cabisbaixo, sem o sorriso de costume. Quando um pai perde o emprego, o primeiro desafio é explicar para a família. “A sensação é de impotência, não sabia muito bem o que falar”, relata Márcio Siggia, 55, pai de três filhos. Quando foi demitido de uma multinacional de tecnologia, em meados dos anos 90, Márcio teve que, aos poucos, se adaptar à nova situação. “Quem sentiu mais foi meu filho do meio, que tinha 15 anos na época. Como ele estudava em uma escola particular, todos os amigos saíam sempre, mas ele não tinha mais grana pra acompanhar o ritmo”, explica.

Depois de um ímpeto inicial na busca por qualquer emprego, ele chegou à conclusão de que era melhor não ter pressa. “Meu cargo era muito bom onde eu trabalhava antes, não ia começar tudo do zero de novo”, diz. Enquanto uma oportunidade não surgia, o administrador aproveitou para passar mais tempo com o filho caçula, que tinha três anos na época. “Foi bom porque deu pra pegar um pouco dessa fase legal dele”, conta.

Segundo a psicóloga Marina Vasconsellos, este é um movimento favorável. “É legal aproveitar a oportunidade para fazer coisas que nunca pôde fazer como levar o filho na escola e ajudar com a lição de casa”. Marina explica que o principal problema que pode surgir é quando a pessoa não aceita a própria situação. “Tem pai que perde o emprego, mas não assume, continua saindo e voltando no mesmo horário de sempre, com medo da reação dos familiares”.

Depois de alguns meses na espera, Márcio foi contratado por outra grande empresa. “No fim acabou sendo bom, consegui um trabalho melhor e também pude descansar um pouco, mesmo que à força”.

No filme "Ramona e Beezus", personagem vivida por Selena Gomez ajuda pai desempregado a se reencontrar profissionalmente (Foto: Divulgação)

O paulistano Luiz Castro, 68, tinha um escritório de consultoria imobiliária. Depois de alguns anos prósperos, em 1975 uma crise no mercado imobiliário levou a empresa à falência. Com quatro filhos pequenos, o empresário logo teve que mudar de vida para conseguir sustentar a família. “Tínhamos um padrão muito bom, tivemos que mudar diversas situações no nosso cotidiano”, conta.

Segundo Luiz, alguns luxos tiveram que ser substituídos. “Tínhamos dois carros, tive que vender um e passar a usar ônibus, vendi também uma casa de praia e um terreno no qual pretendia construir alguma coisa”. Não demorou muito para que os filhos também entrassem na nova política econômica domiciliar. “Em vez de comprar quatro presentes, passei a comprar um que desse para todos, como uma piscina inflável”. Antes matriculadas em colégios particulares, as crianças passaram a frequentar o sistema público de ensino. “As mensalidades atrasavam todo mês, não tinha mais como justificar aquilo”, explica.

Apesar das dificuldades, a psicóloga explica que, em geral, os jovens lidam bem com a situação. “Essa é uma situação cada vez mais comum hoje em dia, acontece com qualquer um, e eles (os filhos) sabem disso”. O que não pode haver é uma inversão de valores. “O papel do pai continua o mesmo, nada muda. Ele não pode perder o respeito dentro de casa”.

Inquieto com a situação, Luiz procurou diversas alternativas para garantir uma renda. “Nunca fiquei parado. Abri uma lanchonete, uma mercearia, uma autopeças, uma casa de sucos…”. Depois de diversas tentativas frustradas, a situação aos poucos foi se estabilizando quando o empreendedor passou a administrar uma adega em São José dos Campos, nos anos 90. Passado o susto, o pai se orgulha de ver os filhos com futuro promissor. “Hoje todos meus filhos estão bem encaminhados, todos fizeram faculdade”.

Medo de perder emprego causa doenças e distúrbios emocionais, diz psicóloga

Publicado em Folha.com 11/03/2009

O medo de ficar desempregado assombra ambientes de trabalho, sobretudo nesta época de crise econômica. Para a psicóloga Marina Vasconcellos, formada pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e especialista pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), esse medo contínuo pode fazer com que o empregado tenha doenças e distúrbios emocionais.

“Uma das coisas que as pessoas podem desenvolver, e que é mais frequente, é o TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada). Isso interfere nas tarefas, já que elas têm dificuldade de controlar os pensamentos e prejudica o funcionamento do trabalho”, explica.

A especialista diz que é comum os trabalhadores ficarem com irritabilidade, insônia, estresse, gastrite e até mesmo com depressão.

“A depressão é uma autopunição, as pessoas não conseguem colocar para fora a raiva, o medo e a insegurança e põe para dentro. Ela também aparece como falta de vontade de fazer qualquer coisa, até de levantar da cama para ir trabalhar”, declara.

As relações familiares também ficam estremecidas por causa desse problema, uma vez que o trabalhador acaba descontando nas pessoas mais próximas todo o nervoso que passa durante o dia.

“As empresas realmente espalham esse clima de tensão, infelizmente. Os funcionários não conseguem descarregar esta tensão e ficam preocupados. Isso gera consequências em casa, o casamento vai dificultando, a relação com os filhos fica complicada. Isso é uma realidade do nosso tempo”, afirma.

A psicóloga diz que o ideal seria que os profissionais pudessem aliviar a ansiedade com uma atividade física. A especialista ainda aconselha que as pessoas aproveitem esta fase para alavancar a carreira, em vez de ficar temendo pelo seu futuro na empresa.

“Enquanto você está empregado, aproveite e faça o melhor possível. Você tem que mostrar que é bom, que está investindo, que o seu esforço está valendo a pena e que você faz falta naquele trabalho. Invista em você profissionalmente para que se um dia for mandado embora, tenha até mais capacidade e currículo para se recolocar”, orienta.