A terapia de casal não deveria ser o último recurso antes do divórcio

Publicado no Minha Saúde Online, 19/03/2015

 

Frequentemente, ao receber um casal que me procura para realizar uma terapia, penso comigo mesma: “Puxa, pena não terem vindo antes, enquanto o amor ainda existia, o respeito e a vontade de estarem juntos… Agora não sei se dá para resgatar algo, infelizmente!”

Venho aqui frisar esse ponto já abordado por mim, mas que atinge grande parte dos casais por aí: a resistência em procurar ajuda de um profissional em momentos de crise; a insistência na falsa ideia de que, sozinhos, conseguem dar conta dos problemas da relação, enquanto a vida lhes mostra o contrário. O preconceito em assumir que uma terceira pessoa como “mediadora” nesses conflitos pode auxiliá-los a descobrir novas atitudes e alternativas antes não visualizadas, coloca tudo a perder: “Imagine se alguém fica sabendo que fazemos terapia de casal para continuarmos juntos? Não preciso de ninguém ‘me dizendo o que fazer’, esse negócio de psicólogo não funciona!”.

Pois é, essa fala ainda é muito comum por aí, infelizmente.

Couple looking to each other during therapy session while therapist watches

Em primeiro lugar, o psicólogo não tem a função de “dizer o que as pessoas têm que fazer”. Gosto da analogia com um passeio numa caverna: o psicólogo seria o “guia” que vai com a lanterna, ao lado do explorador, iluminando os caminhos possíveis, mostrando as encruzilhadas, focando certos perigos, mas quem escolhe por onde e para onde ir é o cliente, que vai decidir se quer mudar o percurso – quando se vê diante de um perigo – ou continuar a trilhar o mesmo caminho. Essa decisão pode ser “fatal” para ele, ou levá-lo a novos horizontes nunca antes descobertos.  Tudo depende do quanto está disposto a correr riscos.

Em outras palavras: não queremos impor nada a ninguém, apenas ajudamos as pessoas a desenvolverem novas possibilidades de olhar a vida com mais consciência, ouvindo, questionando, propondo o exercício da empatia, desatando nós que atrapalham o fluir da vida com leveza, limpando mal entendidos entre as pessoas por problemas muitas vezes simples de comunicação mal sucedida, acolhendo dores sufocadas e mal elaboradas, e acima de tudo, facilitando e permitindo o diálogo franco entre os cônjuges que nos chegam tão machucados após anos de convivência em meio a conflitos e mágoas… Tudo isso é uma conquista do próprio cliente que aprende a reconhecer suas potencialidades, utilizando seus recursos internos antes não explorados em prol da relação.

E daí vem a segunda questão: “esse negócio de psicólogo não funciona”. Claro, se existe uma resistência total a qualquer coisa que esse profissional venha a propor, a possibilidade de dar errado ou simplesmente não funcionar é grande. É fundamental que exista a abertura para o novo, para questionamentos e mudanças que se façam necessárias.
E me pergunto: por que tamanha resistência?
Imagino que a resposta seja mais simples do que possa parecer: é mais fácil criticar o outro do que olhar para dentro de si e reconhecer seus próprios erros. Sim, muitas vezes parece mais fácil, mesmo, mas a que custo? Já parou para pensar no quanto poderia se desenvolver e crescer se voltasse o olhar crítico para si e percebesse sua responsabilidade nos problemas que atingem o casal? Muitas acusações mútuas infundadas teriam fim, levando consigo os conflitos diários por pequenas coisas, assim como o clima de “disputa pelo poder” – “Eu tenho razão!”; “Você está errado!”, etc.

Mais um esclarecimento importante: psicólogo não é juiz. Ou seja, não estamos ali para julgar ninguém, para dizer o que está certo ou errado, punir ou chamar a atenção daquele “que fez a coisa errada”… Absolutamente! Nossa intenção é fazer com que ambos se ouçam e dialoguem, expondo seus sentimentos e insatisfações, para juntos encontrarmos a melhor solução para o conflito.

Se você está infeliz no casamento deve haver algum motivo. Mesmo que não saiba identificá-lo, converse com seu parceiro sobre essa sensação. Quem sabe juntos conseguem descobrir algo e resolver a questão facilmente. Ou não.
Em caso negativo, não se acanhe em buscar ajuda o quanto antes. Insatisfações e frustrações podem se tornar crônicas, e com o tempo minam por completo o amor, não tendo mais como reconstruir algo que um dia os uniu. O amor precisa ser cultivado e cuidado sempre!

Não é fácil estar ao lado de uma pessoa por anos a fio sem passar por momentos mais delicados, e não raro a vontade de ir embora e desistir do relacionamento pode parecer tentadora… E há casos onde essa é, realmente, a melhor opção. A terapia pode ajudá-los a chegar a essa conclusão de forma madura, consciente, num ambiente protegido, onde possam dialogar a respeito. Mas em nome de algo que já foi belo e os levou a querer assumir um compromisso maior um dia, não deixe que as mágoas se acumulem e sejam guardadas “embaixo do tapete”: faça uma faxina, limpe a casa e deixe a energia boa fluir novamente em sua vida!

Terapia de casal ajuda a salvar relação ou a terminá-la sem traumas

A terapia de casal dura, em média, três meses, mas há quem prefira continuar com as sessões (Foto: Thinkstock)

A terapia de casal dura, em média, três meses, mas há quem prefira continuar com as sessões (Foto: Thinkstock)

A terapia de casal ainda é encarada com resistência. Parceiros que vivem relações problemáticas hesitam em recorrer a essa modalidade de análise por uma série de motivos: desde achar que a medida é para fracassados até medo do julgamento que família e amigos farão.

No entanto, esse tipo de terapia pode ser uma alternativa eficaz na tentativa de reconstruir o relacionamento de duas pessoas que ainda se amam, mas que não conseguem se entender.

“Recomendo quando as discussões se tornaram infrutíferas e constantemente viram brigas. Quando a irritabilidade, a raiva e a impaciência permeiam a relação, que se torna destrutiva, deixando os parceiros exaustos”, explica a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar. “Sem perceber, ambos constroem muralhas para se defender um do outro”.

Problemas como infidelidade (inclusive virtual), depressão, dificuldades financeiras, uso de álcool e drogas, falta de desejo, discordâncias sobre a educação dos filhos e conflitos com a família são algumas das razões que costumam levar os casais ao consultório.

Como funciona a terapia?

 As sessões são conjuntas, mas se, eventualmente, um dos dois precisar de atendimento individual, para lidar com alguma questão particular que está atrapalhando a relação, é possível marcar encontros sem o par. Isso depende do terapeuta e da situação vivida pelo casal.
“Em geral as sessões são a dois, pois a intenção é, justamente, que haja transparência, para que possam falar e ouvir um ao outro, buscando soluções para o que os aflige”, informa a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Havendo a necessidade de sessão individual, ambos terão o mesmo número de atendimentos, mas qualquer segredo contado ao terapeuta será dito, também, na sessão conjunta.
O tratamento dura, em média, três meses, com sessões semanais, mas há casais que se sentem bem com o processo e decidem continuar. “Cada caso é um caso. Costumo indicar terapia individual para aqueles que precisam amadurecer ou trabalhar questões particulares”, conta Carmen.
"Decidimos fazer terapia de casal durante o namoro, quando o Rodrigo entrou em depressão. Eu tive de participar do tratamento dele para ajustar algumas coisas em nossa relação, pois ele estava mudando e nosso relacionamento virou de ponta-cabeça. Percebi que eu também precisava mudar. Passamos pela terapia individual e depois a de casal. A parte mais difícil é reconhecer que precisamos abrir mão de comportamentos antigos para nos conhecermos. Aprendemos a mudar certas crenças e a compreender o outro". Carla Alves Rabello, 35. Juntos há 18 anos, ela e Rodrigo de Carvalho Rabello são casados há sete e pais de Yasmin, 7, e Davi, 5

“Decidimos fazer terapia de casal durante o namoro, quando o Rodrigo entrou em depressão. Eu tive de participar do tratamento dele para ajustar algumas coisas em nossa relação, pois ele estava mudando e nosso relacionamento virou de ponta-cabeça. Percebi que eu também precisava mudar. Passamos pela terapia individual e depois a de casal. A parte mais difícil é reconhecer que precisamos abrir mão de comportamentos antigos para nos conhecermos. Aprendemos a mudar certas crenças e a compreender o outro”.
Carla Alves Rabello, 35. Juntos há 18 anos, ela e Rodrigo de Carvalho Rabello são casados há sete e pais de Yasmin, 7, e Davi, 5

Final feliz sob uma nova ótica

O desfecho feliz não significa somente o casal ficar junto, mas, sim, conseguir resgatar a boa comunicação, o afeto, a boa vida sexual, a cumplicidade e a vontade de continuar a construir uma vida a dois. Entretanto, o casal pode concluir, através das sessões, que a separação é a melhor saída.
De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, as pessoas esperam muito para procurar ajuda, e o fazem grande parte das vezes quando já não há quase possibilidade de resgatar uma relação tão desgastada. “É comum receber casais que chegam dizendo que essa é a última chance que darão ao casamento, pois não aguentam mais tamanho sofrimento. Se procurassem resolver os problemas à medida em que aparecem, tudo seria mais fácil”, diz.
Às vezes, a terapia serve para que o casal consiga se separar de forma amigável, entendendo o que aconteceu, aceitando a perda de forma madura e consciente para que não corra o risco de errar novamente em um próximo relacionamento. E para que não fiquem questões pendentes.
Mesmo quando não ficam juntas, as pessoas podem se beneficiar da terapia de casal, o que é positivo em especial para quem tem filhos. A partir das sessões, cada um olhará para si a fim de entender como seu comportamento afeta o parceiro ou qual é sua responsabilidade pelos conflitos que vivem a dois. Com as questões resolvidas, é mais fácil manter uma relação de amizade após a separação.
"Fazemos terapia de casal há cerca de nove meses e tem sido ótimo, pois passamos a nos entender melhor e a nos escutar mais. A terapeuta consegue traduzir situações que eu ou ele temos dificuldade de conversar. Sou mais velha, mas o Lucas é mais maduro. Ele não é de falar muito, mas tem conseguido expor melhor os sentimentos. Algo que o chateasse antes, por exemplo, ficaria guardado. Hoje, ele fala. Com isso, nossas questões não se transformam em uma 'bola de neve'. Tem nos ajudado a encontrar o equilíbrio em uma fase em que a família aumentará. O que falta em um é encontrado no outro, mas conseguimos identificar isso só com essa ajudinha". Renata Fernandes, 37. Ela e Lucas Albano, 27, estão juntos há quatro anos (casados há seis meses) e esperando o primeiro filho

“Fazemos terapia de casal há cerca de nove meses e tem sido ótimo, pois passamos a nos entender melhor e a nos escutar mais. A terapeuta consegue traduzir situações que eu ou ele temos dificuldade de conversar. Sou mais velha, mas o Lucas é mais maduro. Ele não é de falar muito, mas tem conseguido expor melhor os sentimentos. Algo que o chateasse antes, por exemplo, ficaria guardado. Hoje, ele fala. Com isso, nossas questões não se transformam em uma ‘bola de neve’. Tem nos ajudado a encontrar o equilíbrio em uma fase em que a família aumentará. O que falta em um é encontrado no outro, mas conseguimos identificar isso só com essa ajudinha”.
Renata Fernandes, 37. Ela e Lucas Albano, 27, estão juntos há quatro anos (casados há seis meses) e esperando o primeiro filho

Terapia de casal e terapia sexual

Muita gente ainda confunde terapia de casal e terapia sexual. São processos bem diferentes: na terapia de casal, o objetivo é mais amplo e envolve o tipo e qualidade do vínculo, a história da relação, as expectativas e os ideais de cada um, o desvelamento do contrato inconsciente e os papéis cada um ocupa. Também são levadas em consideração quais as fantasias inconscientes que permeiam a relação.
Na terapia sexual, o objetivo é melhorar o sexo. “Mas como a sexualidade está ligada à relação, é comum que ela seja discutida na terapia de casal. É possível abordar essa questão sem precisar de um especialista no assunto. Exercícios são propostos e problemas que pareciam mais complicadas, como ejaculação precoce, são resolvidas na terapia de casal”, explica Marina Vasconcellos.

A ajuda da terapia de casal

Foto: Reprodução

Publicado no Terra em 01/04/2010

Paola e Roberto foram casados durante quase 20 anos. Nesse meio tempo, tentaram salvar o casamento por diversas vezes, inclusive com ajuda de terapia.

Juntos, foram ao consultório, se envolveram no processo e descobriram, com ajuda das conversas com uma profissional, que o casamento não tinha mesmo mais jeito. A história deles serve de exemplo para o que a terapeuta de família e de casal Marina Vasconcellos afirma. “Nem sempre se faz uma terapia para consertar a relação. Às vezes é preciso passar por algumas sessões para ser possível uma separação madura, onde se entende porque não deu certo, onde foi que erraram, enfim, para que não corram o risco de errar novamente numa próxima relação”.

O que os casais precisam entender é que não há porque temer a terapia de casal. Muitos evitam, com medo de encarar as próprias fraquezas ou, pior, ter que escutar o outro dizer, para uma terceira pessoa, as coisas que não gosta em você. “Não é fácil ouvir, do outro, coisas que machucam. Mas continuar vivendo na ignorância de fatos importantes é ainda pior”, diz Mariana.

Realmente a terapia é uma medida para tentar resolver – dificilmente um casal marcará uma consulta para manter o equilíbrio. Quando se procura terapia, normalmente uma das partes sente, com força, que a relação precisa de ajuda.

Mariana explica que na terapia de casal o atendimento é sempre com homem e mulher juntos, em sessões de geralmente 1h30min. Dentro de uma sala confortável, são levantadas as necessidades do casal naquele momento. “Pode-se falar sobre tudo, baseado no respeito, na sinceridade e no compromisso com a relação e o processo. O foco é na relação do casal, portanto questões individuais poderão ser apenas apontadas, mas não aprofundadas nem trabalhadas”, lembra.

Nas sessões, o que o terapeuta tenta potencializar são os diálogos entre o casal – normalmente os estopins dos conflitos. “Falta de comunicação, distorção e interpretações errôneas das intenções e até comunicação violenta são frequentes motivos de brigas”, pontua Mariana. Tentando priorizar o diálogo, o que o terapeuta ensina é a conversar de uma forma mais respeitosa, levando-se em consideração o modo de cada um se expressar e dando-se conta das consequências disso no parceiro.

“Um mesmo conteúdo pode ser passado de diversas maneiras, e nem sempre as pessoas se preocupam com a forma como o fazem. Com o auxílio de uma terceira pessoa, os casais podem dizer como se sentem com relação a atitudes do outro”, diz Mariana.

Segundo ela, a falha ou a falta de comunicação costuma ser a principal causa de desentendimentos entre os casais, que sozinhos, não conseguem resolver a questão. “É comum um queixar-se que não consegue dizer o que gostaria para o outro, por medo da reação. Aí as pequenas coisas vão se avolumando, acabando não raramente em divórcios que poderiam ter sido evitados”, pondera.

Casais devem procurar uma terapia quando um ou outro, ou mesmo os dois, percebe que não conseguem se entender amigavelmente ou manter um diálogo franco sem provocar discussões, muitas vezes até violentas. Outro sinal é quando o silêncio impera, por falta de coragem de conversar, e o casal se vê cada vez mais afastado. Falta de intimidade, brigas constantes, doença de um dos cônjuges que não admite estar doente, como depressão, transtorno obsessivo compulsivo ou distúrbios psiquiátricos, descompasso sexual ou qualquer outra dificuldade do casal em se relacionar de uma forma saudável pode ser motivo para procurar ajuda. “Um profissional capacitado para lidar com essas questões pode contribuir e muito para um entendimento do casal – ou auxiliá-lo numa separação madura e o menos traumática possível quando já não é mais possível continuar o relacionamento”, fala.

Se você acha que o seu relacionamento precisa dessa mãozinha, o melhor a fazer é dizer como está se sentindo e expor suas dificuldades para superar algumas questões. “O outro deve topar em nome da relação, do amor que ainda existe, ou mesmo da família, do bem estar dos filhos”, diz Mariana. Segundo ela, é comum um dos cônjuges chegar à terapia dizendo que só está lá porque foi “obrigado”. Mariana aceita essa chantagem, para que o casal consiga ir a uma primeira consulta, mas a partir dela, o ideal é que os dois se responsabilizem pelo processo, “comprometendo-se com a verdade e a disponibilidade de ouvir, estando aberto a qualquer possibilidade de mudança que considerarem ser importante para o casal”.

Como Mariana diz, assim como uma boa terapia nem sempre salva um casamento, uma boa conversa, em casa, não consegue substituir a terapia. “A conversa pode certamente ajudar num bom entendimento do casal, e caso eles consigam pautar sua relação sempre no diálogo franco, talvez nunca cheguem ao ponto de precisar de uma terapia. O problema é quando isso não acontece e os conflitos já estão instalados: aí só mesmo com a ajuda de um profissional será possível resgatar a harmonia e resolver os problemas existentes”.

Manter o clima de namoro faz bem para saúde do casamento

Especialistas defendem que a ausência de namoro é ruim para relação e sugerem como fazer para recuperar o clima romântico

Publicado no IG em 20/05/2011

 Namorar é bom. Poucas pessoas no mundo discordam dessa afirmação. Mas apesar dessa certeza, com o passar dos anos, o namoro costuma sair pela mesma porta que a rotina entra na vida dos casais. Não é isso que o deveria acontecer, segundo os especialistas em relacionamento. Pelo contrário, manter o clima carinhoso do início da relação é fundamental para a saúde da vida a dois.
“Na época do namoro, como os parceiros não vivem juntos e ficam até dias sem se ver, os encontros são cheios de carinhos. Com o casamento, eles passam a se encontrar todos os dias, dormem juntos, a rotina aparece na vida do casal e aquela ansiedade que ajudava a esquentar a relação desaparece. Os carinhos diminuem e o sexo fica mais objetivo”, analisa a sexóloga e colunista do Delas, Fátima Protti.

A terapeuta de casais Marina Vasconcellos completa a lista de fatores que levam o casal a deixar de namorar: “O dia a dia corrido, as tarefas de casa, os filhos, a falta de tempo, a jornada de trabalho pesada, tudo colabora para o esquecimento do namoro”, diz a psicóloga.

Mas mesmo com todos esses obstáculos, os parceiros não devem deixar de namorar. E essa é uma decisão que pede algum esforço dos dois lados. Em compensação, os resultados são garantidos. “O namoro une os casais, cria maior intimidade, proximidade. Quando os pares são afetivos, fica mais fácil lidar com os problemas que surgem no dia a dia, pois a tolerância é maior com os defeitos do outro, o clima é mais receptivo para lidar com tranquilidade com os problemas”, explica Marina.

Ainda somos namorados?
Alguns sinais são bons indicadores de que o namoro está sumindo do casamento. Um dos mais óbvios é a diminuição do sexo. Mas outros indícios, que a princípio podem parecer menores, também são importantes. Um deles é a falta daquele telefonema descompromissado no meio do dia, sem intenção de cobrar nada do parceiro. “Ligar simplesmente para dizer que está com saudades”, observa Marina.

Aliás, o sinal de alerta deve acender quando os parceiros só conversam sobre assuntos de ordem prática, como por exemplo, as contas a pagar, a educação dos filhos ou as compras da casa. “Eles deixam de ter uma aproximação de homem e mulher para serem pais, profissionais e tudo mais”, constata a psicóloga Silvia Aguilar. “Não é uma relação amorosa, onde tem sexo, carinho e desejo, tudo isso cai para segundo plano”, completa.

Especificamente no sexo, a manifestação mais clara da falta de namoro se dá com certa burocratização do desejo, com a ausência da sedução e do clima provocante que ajudam a esquentar a relação. “Quando um dos dois está com vontade de fazer sexo, procura o outro mais objetivamente, sem fazer carinhos ou preliminares”, analisa Fátima.

A pedido do Delas, especialistas em relacionamentos prepararam uma série dicas que podem ajudar na retomada do romance no casamento; confira!

– Separe um tempo para jogar conversa fora com o parceiro. Deixe os problemas de lado e fale sobre assuntos mais triviais, comentando sobre um livro interessante que você leu ou uma música bonita que ouviu;

– Marque um dia da semana para sair com o parceiro para jantar fora ou pegar um cineminha. “Mas nada de sair de ‘galera’, com os casais de amigo. Esse encontro mais romântico deve ser só dos dois”, alerta Fátima;

– “Encontrem-se pra almoçar juntos no meio da semana, se possível, criem um clima de ‘encontro’, como nos tempos de namoro”, indica Mariana;

– Os velhos conhecidos motéis também são um bom recurso para fugir da rotina. Depois de um jantar romântico, dê uma esticadinha até um como na época do namoro;

– Os encontros também podem ser feitos em casa, com ajuda de acessórios como um filme romântico ou erótico. Nesse happy hour particular, também vale ouvir uma boa música que relaxe as tensões;

– Para evitar sustos que quebrem o clima, deixe as crianças dormirem na casa dos avós ou com a babá nesses nos dias especiais;

– Silvia ressalta que esses encontros não devem ser repetitivos ou muito regrados. A ideia é ser algo divertido e surpreendente e não apenas mais um compromisso na agenda;

– Por fim, não perca o costume de comemorar datas importantes e trocar presentes, nem que esses sejam simbólicos.

 

Mulheres sorridentes e homens sérios são mais sexy

Homens se sentem atraídos por sorrisos, ao contrário das mulheres

Publicado em 25/5/2011 no www.minhavida.com.br

 

 

De acordo com uma pesquisa canadense publicada no jornal Emotion da Associação Psicológica Americana, as mulheres acham que homens felizes são menos sexualmente atraentes do que aqueles que parecem pensativos, ou deixam transparecer que erraram e têm consciência do fato. Já entre os homens, a relação é oposta: eles se sentem mais sexualmente atraídos por mulheres que dão mais sorrisos.

Os pesquisadores reuniram grupos de homens e mulheres e mostraram a eles fotos de pessoas do sexo oposto. Pediu-se aos participantes que citassem suas reações iniciais com base nas expressões que viram e se sentiram algum tipo de atração sexual.

Ao final do estudo, percebeu-se que os homens que sorriam nas fotos foram considerados pouco atraentes pelas mulheres, enquanto para os homens o sorriso foi de longe o fator que mais chamou a atenção.

Os pesquisadores admitem não saber por que homens e mulheres reagem de maneira diferente ao sorriso. Porém, acreditam que, em um homem, o sorriso aberto pode fazer com que ele pareça feminino ou muito desesperado por sexo.

Eles também ressaltam que analisaram apenas as reações iniciais de atratividade sexual. Por isso, não recomendam em hipótese alguma que os homens adotem uma política de não sorrir em relacionamentos de longo prazo.

Diferenças entre homens e mulheres causam brigas entre casais 


De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo, entender e respeitar as diferenças entre o sexo masculino e feminino pode ser a chave para melhorar a relação entre os casais e evitar conflitos.

Confira alguns exemplos:

1) “Nunca” e “sempre” são palavras que as mulheres costumam usar em suas discussões que o homem não recebe com bons ouvidos, porque as interpretam ao pé da letra e sentem-se ofendidos. Que tal trocá-las por “dificilmente” ou “raramente”, “frequentemente” ou “muitas vezes”?

2) Mulheres rodeiam para abordar um assunto delicado, circundando o problema e floreando com detalhes ou coisas não tão importantes até conseguirem tocar no cerne da questão. Esses rodeios irritam os homens, que são objetivos e querem resolver tudo da maneira mais simples e direta possível.

3) Homens têm dificuldade para ouvir quando a mulher vem contar algo que a está angustiando ou preocupando. Eles querem logo achar uma solução, resolver a questão, encontrar uma saída prática, quando elas precisam apenas de um ouvido, um ombro amigo para chorar, alguém para compartilhar suas angústias e simplesmente estar ao lado, nem que seja para não falar nada.

4) Outra dificuldade dos homens é a de ouvir um pedido de sua mulher para que modifique algo em seu modo de agir, pois isso a está incomodando. Esse pedido é ouvido como uma crítica destrutiva a ele como um todo, provocando grandes discussões que seriam totalmente desnecessárias se ele ouvisse apenas o que está sendo dito, sem generalizar para sua pessoa. O mesmo processo pode ser notado nas mulheres, que dificilmente enxergam uma crítica de maneira construtiva.

5) Mulheres não nasceram com a direção espacial muito desenvolvida. Quando consultam um guia de ruas, por exemplo, este vai sendo virado em suas mãos de acordo com o caminho a ser seguido, o que já não acontece com os homens. Aliás, ambos não gostam de palpites quando estão na direção. A história do “eu iria por aqui” não costuma ter finais felizes, é melhor deixar que o motorista erre e corrija depois do que ficar dando palpites enquanto o outro dirige. Essa é uma briga muito comum entre os casais, que tem um poder incrível de estragar o programa que viria depois.

“Esses exemplos são questões de gênero que provocam brigas desnecessárias entre casais, sendo que todas elas poderiam ser evitadas caso as pessoas tivessem um conhecimento mínimo do jeito de funcionar de cada sexo. São apenas alguns toques para que sua harmonia conjugal não se desfaça por coisas pequenas, que quando somadas, podem virar enormes bolas de neve!”, explica Marina.

Livre o relacionamento da culpa pelo sonho não realizado

Quando você responsabiliza o outro por suas frustrações, é hora de repensar atitudes

Publicado em 5/10/2009 no www.minhavida.com.br

 

 

 

“Um sonho que se sonha só, é apenas um sonho, mas sonho que se sonha junto é realidade”. Até que ponto esse pensamento, atribuído ao músico Raul Seixas, é verdadeiro? Viajar por todas as capitais do mundo, trabalhar do outro lado do país, trocar a vida na cidade pela vida no campo, recusar o posto nos negócios da família, ter uma família cheia de filhos. De repente, os desejos são protelados ou esquecidos quando surge um namoro ou um casamento. Mas será que é na cara-metade mesmo em quem pensamos quando começamos a desistir dos sonhos que passamos boa parte da vida construindo?

De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, existem abdicações que realmente devem ser feitas na vida a dois. “Há momentos em que abrimos mão de algo por avaliar que a relação é mais importante”, explica. “A vida de solteiro realmente não é a mesma que a de casado. O problema é quando o sonho fica para depois – ou simplesmente passa pelas mãos, como uma oportunidade perdida – e o outro lado do relacionamento é considerado como o responsável por isso”. Quando um dos lados está insatisfeito, é comum surgirem brigas e até a ideia de repensar se a relação vale à pena. Antes de partir para o extremo,veja como há formas de realizar os sonhos e, o que é melhor, compartilhá-los com a pessoa amada.

A culpa é sua

Apontar o dedo para o parceiro e jogar sobre ele a culpa pelo sonho que ficou no passado é uma atitude comum no meio de uma discussão calorosa. Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, não ter a coragem de bancar a realização de um sonho resulta na frustração. Usar frases como “Tudo bem, quem sabe outra hora” vão fazer com que o sonho seja deixado de lado, mas não é por isso que o parceiro é o culpado. “É sempre mais fácil culpar o outro do que reconhecer nossa falha”, explica. Diante da situação, não tem jeito; o melhor remédio ainda é uma boa conversa para resolver a situação. Mas também há maneiras de se policiar para não jogar a culpa em quem não merece.

A culpa é minha

Quando uma oportunidade de emprego foi deixada de lado, por exemplo, o importante é assumir que essa foi uma decisão sua e buscar entender o que o levou a decidir por não ir. O mesmo vale para qualquer sonho que pareceu ser deixado de lado por conta do parceiro. A psicóloga dá a dica de fazer para si mesmo a seguinte pergunta: “Por que abri mão do sonho, por que não o levei adiante?”. “A pessoa precisa reconhecer que a decisão foi dela, assim como outras escolhas”, completa.

Sinal vermelho para o relacionamento

Culpar o outro o tempo todo pode (e vai!) resultar em briga, ainda mais quando a pessoa não teve participação nenhuma na decisão. Mas, se a troca de ofensas se torna uma rotina, é hora de prestar atenção ao relacionamento, pois pode ser que existam problemas maiores do que a não realização dos sonhos. Segundo Marina Vasconcellos, o conflito rotineiro é sinal de que há outras causas e ressentimentos envolvidos. Pode, por exemplo, existir uma necessidade de mudar o outro e que está interferindo na dificuldade de seguir os próprios sonhos. “Quando há algo maior por trás de conflitos pequenos, é preciso identificar o que causa o conflito e buscar entender se a causa é permanente ou se há a possibilidade de modificar o quadro”, explica a psicóloga.

O antes e o depois do sim

Relacionar-se com alguém já é difícil por si só: são duas pessoas com desejos diferentes, vidas diferentes e vivências diferentes. É preciso, portanto, que pelo menos existam objetivos em comum. Se não há objetivos, que sejam, então, os gostos em comum. “Algo precisa ligar uma pessoa à outra. As afinidades precisam existir”, diz Marina. De acordo com ela, a partir daí é vital a consciência de ambas as partes de que não são iguais. Sendo diferentes, os conflitos existem, mas se nada os liga, os conflitos se tornam rotina. “Os opostos não se atraem. Seria uma união de muito conflito”, completa. De acordo com ela, quando há uma atração pelo completamente diferente é por conta de uma projeção no outro daquilo que a pessoa gostaria de ser ou fazer. “Quando esses desejos passam, surge a decepção”, explica.

Mas é mais que possível conhecer o parceiro antes do ?sim? no altar e evitar a decepção de não encontrar o que se espera. Decidir, por exemplo, entre morar no campo ou na cidade é algo que pode ser discutido previamente, e alguém terá que ceder. Mas, e quando um deles não quer ter filhos? “Muita gente acha que o casamento muda as pessoas, mas a essência não muda”, completa Marina. “Quando alguém se vê diante de um parceiro muito diferente do que parecia no primeiro momento, surge a frustração e, com ela, conflitos como o problema de não conseguir realizar os próprios sonhos.”

 

Picuinha e pirraça: pimenta ou veneno no relacionamento?

Publicado em 25/08/2009 no vilamulher.terra.com.br

 

Pirraça parece coisa de criança, mas muita gente grande sabe bem como usá-la. No relacionamento amoroso, por exemplo, a picuinha diária pode apimentar ou destruir a convivência. O problema é que a linha que separa as duas coisas às vezes é mais fina do que se imagina – e as pequenas vinganças viram sinônimo de pesadelo.

E tem gente que provoca quase sem querer, como um mau hábito. Tatiana Romano, 25 anos, mora com o namorado, Paulo Gianne, há dois anos, e é a rainha assumida da picuinha. Todo mundo que conhece o casal sabe que os dois vivem num clima de guerra e, quem olha de longe, acha que os dois estão sempre brigando. O fato é que foi assim que construíram a relação. “Eu incomodo muito o Paulo, admito. Tudo é motivo para uma discussãozinha”, afirma. “Ela é terrível, fala coisas sem pensar e às vezes magoa. Mas eu sei que esse é o jeito e nos acertamos sempre depois. Pelo menos sei que nosso relacionamento é baseado na sinceridade”, completa o namorado paciente.

Tatiana é um exemplo das mulheres que provocam mesmo, e veem nas pequenas vinganças uma fonte de prazer sem igual. Entre as principais atitudes delas estão usar decotes ou paquerar outros homens para provocar. “A fala também é uma artimanha delas na hora da provocação, pois falar também machuca. Já os homens, quando paqueram, estão sendo verdadeiros e agem enrustidamente. Eles não têm costume de paquerar para provocar”, alerta a psicóloga Marly Molina, que trabalha há mais de 25 anos na área.

Ela diz que quando decide provocar, o homem é cruel – e a crueldade, assim como vingança, também gera prazer. “Eles tendem a usar o lado racional quando não tem mais interesse na relação. Já as mulheres dão toques (cutucadas) constantemente, mas apenas quer dar avisos”.

 

A psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo, lista como picuinhas as coisas bobas do dia-a-dia, como a mulher dar palpite no caminho que o marido está fazendo de carro, enquanto ele dirige ou o homem criticando a maneira que mulher dirige. “É sinal de provocação a mulher que sabe que o homem se irrita com seus atrasos e faz de propósito, ou o homem que sabe que colocar o jornal em cima da toalha da mesa vai sujá-la e deixar a mulher irritada, mas não faz a mínima questão de mudar isso. São pequenas coisas que podem virar grandes brigas”.

Marly acredita que se as provocações ficarem constantes e tomarem grande parte do relacionamento do casal, pode mesmo virar motivo para infelicidade. “Mas as pequenas provocações apimentam o relacionamento e fazer as pazes é sempre muito gostoso”, sugere. “O desgaste diário é o que destrói casamentos, pois este é construído no dia-a-dia, nas pequenas atitudes que podem unir ou destruir os casais. Os relacionamentos devem ser baseados em atitudes positivas, de companheirismo e apoio mútuos, e não em provocações e competições desnecessárias”, completa Marina, que é terapeuta familiar e de casal pela UNIFESP.

Para ela, essa provocação quase sem propósito é muitas vezes usada por quem precisa de aprovação, o tempo todo. “Para essas pessoas, é natural provocar o outro, faz parte de seu modo de funcionar. Geralmente essas pessoas não conseguem lidar bem com o sucesso do outro, sentem-se inseguras e necessitam encontrar um jeito de atingí-lo, para que ele possa permanecer na posição do mais potente”.

Provocar então é um tempero – e não um vício. Marina indica uma boa terapia de casal, já que ‘terceiros’ podem ajudar a chegar ao nível de conscientização. “A partir daí, cada um deve aprender a dizer como se sente, para que o outro se perceba e mude de comportamento. E quem provoca deve estar aberto a esse tipo de toque, não levando para o lado da crítica, e esforçar-se para mudar”.

Marly sugere que o casal rodeado de pirraça deve parar para refletir e ouvir o que o outro tem para dizer, abrindo um canal de comunicação. “Toda vingança é prazerosa, não importa se é contra o ser amado. O ser humano busca sempre o prazer e quer fugir da dor. Ama o outro por que se ama em primeiro lugar e encontra nele qualidades que lhe são favoráveis”, finaliza.

Você já tinha pensado nisso? Se ama mesmo as qualidades do outro, que tal esquecer um pouquinho a provocação – ou aprender a dosar, sem magoar?

Por Sabrina Passos (MBPress)

Namorada ou mãe? Veja se sua parceira trata você como filho

Bebezinho pra cá, nenê pra lá e, por que não, um aviãozinho na boca enquanto você está lendo o jornal? Muitas vezes a mulher assume o papel de mãe na vida do parceiro aos poucos e sem perceber – o excesso de carinho vira exagero de cuidados e, quando menos se espera, a namorada ou esposa está tomando conta da alimentação, agenda e até do dia do futebol do homem.

Dentro de relações deste tipo são comuns frases como “Fulano, hoje você tem dentista”; “Não se esqueça de passar na casa da sua mãe”; “Querido,você almoçou direito? Ou comeu só bobagens, que te fazem mal?”. Ou, ainda: “você não acha que este seu chefe está te explorando? Você devia reclamar”; e “Hoje comprei estas peças de roupas, você estava precisando”.

Identificou-se com alguma delas? Então abra os olhos, antes que toda a parte boa do namoro – a paixão e a libido, por exemplo – acabem dando lugar à parte ruim do instinto maternal – o excesso de controle e de paparicação.

 

Bebê a bordo


Tanto o homem quanto a mulher podem permitir ou até mesmo gostar dessa relação em que ela toma a frente e ele assume um papel passivo, sendo provido como se fosse um bebê.

De acordo com a psicóloga Vera Senatro, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), alguns comportamentos servem como indícios. “Admitir, por exemplo, ser chamado por apelidos infantilizados ou ser cobrado por compromissos pessoais, profissionais e familiares, inclusive deixando a cargo da mulher cuidar da sua agenda.”

 

Segundo Vera, este tipo de homem pode ser muito bem sucedido em diversos aspectos da vida, mas pouco maduro na esfera familiar. “É aquele homem que gosta de ser mimado pela mulher sempre. Não arca com seus compromissos, não se cuida e não responde satisfatoriamente às suas responsabilidades. Normalmente são pessoas mais egocentradas, com dificuldade de perceber o outro.”

De acordo com a psicóloga e terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos, o perfil do homem que se deixa levar por uma “mãe-namorada”, também se enquadra aos casados com mulheres muitos ricas, quando são sustentados, e acomodam-se nessa posição.

Além disso, os inseguros e pouco ambiciosos também tendem a aderir essa postura, assim como os folgados e desligados. “Eles se apoiam na figura forte da mulher que cuida de tudo. Os que não têm muita iniciativa preferem deixar tudo para o outro fazer. Quando são desorganizados e se casam com mulheres ordeiras, automaticamente esse comportamento aparecerá, pois é difícil para ela conviver com a bagunça e muito trabalhoso convencer o marido a arrumar tudo, sendo mais fácil fazer por ele”, conclui.

 

Os prejuízos à relação

Para a terapeuta Marina, a maioria dos homens não gosta de ser tratado como filho, porque a mulher que tem essa atitude acaba tomando a frente da vida do parceiro, como se ele não fosse capaz. “Faz parecer que ele é incompetente para muitas coisas. Intromete-se na vida dele de uma forma que chega a ser invasiva.”

Além disso, ela explica que não é saudável um cônjuge se sobressair ao outro. Para quem tem filhos, esse equilíbrio é mais do que necessário. “Uma relação conjugal deve estar ancorada na igualdade de posições, e não numa hierarquia, onde um manda no outro.”

A parte sexual também fica prejudicada nestes casos. “A mulher tem vários papéis na vida. Com o marido, ela deve ser apenas a esposa, deixando o papel de mãe para ser exercido com os filhos, caso os tenha. Sexualmente pode ser prejudicial, pois não dá pra se sentir atraído pela mãe”, observa.

Vera afirma também que homens dependentes tendem a ter o seu desenvolvimento comprometido. “Qualquer relação que pretende ser saudável traz a possibilidade de crescimento das partes envolvidas. Se tivermos sempre alguém que nos ‘socorre’, sem nem precisarmos gritar, dificilmente iremos descortinar nossos mananciais. O grande prejuizo afinal é para o casal ou par que se aprisionar neste tipo de relação”, conclui.

 

Independência ou morte

Um alerta da terapeuta Marina aos homens que se identificam com este quadro é saber diferenciar a relação marido-mulher da relação pai-mãe. “Deve-se cuidar para que esse vínculo não se transforme em algo assexuado. Se o cuidado está exagerado, deve ser maneirado”.

Ela explica que os limites deste comportamento devem ser ditados pelo próprio homem, dando o seu próprio grito de independência. “O homem quer uma mulher ao seu lado, mãe ele já teve. Esses comportamentos costumam irritá-lo se a mulher insistir em sua manutenção. Ele deve impedir que a mulher o trate assim, dando limites quando necessário”, aconselha.

A psicóloga Vera enumera algumas dicas práticas a serem aplicadas no dia-a-dia. Em primeiro lugar, é preciso que ele avalie o preço que está pagando por deixar que a mulher assuma a frente. Feito isso, a melhor maneira de resolver a situação é conversar com a parceira, estabelecendo os momentos em que se sente aprisionado.

Para simplificar a situação, vale cortar alguns comportamentos típicos. “Em termos práticos, devemos impedir que o outro assuma nossa vida, maneje nossa agenda, se ocupe dos nossos compromissos, cuide da nossa saúde. Precisamos estar atentos a nós mesmos, antes de lançar o olhar para o outro”, explica.

As especialistas avisam, ainda, que com jeitinho, é possível impor limites à parceira e fazê-la retornar ao seu papel de mulher, esposa e amante. Afinal, mãe é uma só.

Via Terra

Ter um tempo sozinho é importante mesmo após o casamento

Falta de lazer pode levar à brigas e até ao divórcio

Tenho observado tanto no consultório quanto fora dele casais que se separaram, e me chama a atenção como o a frase “sentia falta de ter um tempo para mim” é apontada como um fator de peso nessa decisão. Quando um casal se separa, o esperado da nova rotina é que os filhos se dividam entre ambos os pais, ficando um fim de semana com cada um, alternadamente. O pai que estiver livre pode programar-se da forma que lhe convier, com total liberdade para sair, rever amigos, dormir e acordar à hora que quiser, sem a responsabilidade de cuidar dos filhos e tudo que isto demanda, dedicando-se integralmente a si. Uma experiência totalmente nova e encarada como positiva, geralmente.

 

Recentemente estive com um casal que se divorciou, mas após alguns meses resolveu retomar o casamento. Realizaram sessões de terapia de casal, atitude esta que lhes ajudou a repensar a relação, aparar muitas arestas e elaborar aquilo que provocou a separação, partindo para uma nova união totalmente revigorada. Paralelamente ao trabalho conjunto, cada um procurou terapia individual a fim de olhar para as próprias questões e assumir as respectivas parcelas de responsabilidade pelo fracasso anterior. Aliás, os casais deveriam ter sempre em mente que o casamento exige “recontratos”, modificações, adaptações, e constantes reciclagens para que possa evoluir de uma maneira saudável.

No período em que estiveram separados, uma coisa foi descoberta e muito valorizada por ambos: o tempo que cada um encontrou para si, para fazer suas coisas, quando não estava em função da família. Então, mesmo retomando o relacionamento, decidiram que cada um terá um final de semana por mês para ficar sozinho, deixando para o outro a responsabilidade pelos cuidados dos filhos.

Existindo a confiança entre ambos esse tempo pode ser revigorante para a relação, tanto do casal entre si, quanto de cada um com os filhos

Essa decisão, além de garantir a cada um dos pais um tempo de total privacidade e liberdade, tem a vantagem de proporcionar àquele que fica com os filhos uma relação mais próxima, de cumplicidade, dando total atenção a eles, já que não terão o outro pai para dividir a atenção. Como na grande maioria das vezes são as mulheres que convivem mais com os filhos, em função da guarda, isso aproxima bastante a relação deles com o pai, que por ter a convivência mais intensa nesses dias e precisar dedicar-se a eles integralmente, melhora sensivelmente a qualidade deste papel. E isso é perceptível aos filhos que acabam desenvolvendo um vínculo maior e melhor com o pai, muitas vezes antes ausente.

E assim, após um pequeno período onde aquele que saiu pôde “recarregar suas energias” de alguma forma, volta para casa mais leve, com maior disposição e melhor humor.

Não seria ótimo se conseguíssemos fazer isso? Então, por que ter que esperar a separação para descobrir que você pode ter alguns momentos só seus, sem necessariamente estar divorciado? Quando pergunto a essas pessoas se o que elas escolhem fazer nesse período atrapalharia o casamento, é unânime após um primeiro momento de reflexão a resposta: “Não, não fiz nada que me comprometesse, apenas revi amigos que gosto, saí pra dançar já que meu marido detesta fazer isso, dormi até a hora que deu vontade sem ninguém pra me acordar, li tranquilamente o livro que estava parado há tempos na cabeceira, dei uma escapada até a praia ou fui andar no parque logo cedo…” e aí por diante.

Existindo a confiança entre ambos esse tempo pode ser revigorante para a relação, tanto do casal entre si, quanto de cada um com os filhos. Assim, evita-se aquele velho problema de jogar no outro a frustração por não fazer algo que se gosta, como por exemplo no caso das pessoas que adoram dançar, mas o cônjuge decididamente não se dispõe a fazê-lo. Por que não sair de vez em quando e matar a vontade com amigos? Ambos ficariam bem mais leves: um por realizar algo que adora, e o outro por saber que não precisa ficar preocupado por negar ao parceiro algo que lhe é tão significativo e prazeroso.

E assim, garantindo cada um seu espaço individual, ambos podem dedicar-se ao espaço da família com mais prazer e disposição. É um mito pensarmos que a partir do momento em que casamos temos que fazer tudo junto com o parceiro. Esse não é o ideal. Temos que garantir o crescimento de ambos individualmente, e também conjuntamente. Apenas quando nos permitirmos ser pessoas inteiras e felizes com nós mesmos conseguiremos ser felizes com o outro. Pense nisso.

Diferenças entre homens e mulheres causam brigas entre casais

Cada sexo reage de uma forma em determinadas situações do dia-a-dia

Publicado em 10/3/2011 no Portal Minha Vida

Alguns conflitos entre os casais poderiam ser evitados se soubéssemos relevar certas coisas que são consideradas “pessoais”, quando na verdade não passam de uma questão de gênero. Ou seja: grande parte (não estou generalizando, mas é realmente a maioria) das pessoas age assim simplesmente por ser homem ou mulher. Esse discurso pode parecer pouco preciso, mas em minha experiência como psicóloga, posso afirmar que ele é bastante útil para evitar certos tipos de brigas. Vejamos alguns exemplos:

1) “Nunca” e “sempre” são palavras que as mulheres costumam usar em suas discussões que o homem não recebe com bons ouvidos, porque as interpretam ao pé da letra e sentem-se ofendidos. Que tal trocá-las por “dificilmente” ou “raramente”, “frequentemente” ou “muitas vezes”?

Questões de gênero que provocam brigas desnecessárias entre casais, sendo que todas elas poderiam ser evitadas.

2) Mulheres rodeiam para abordar um assunto delicado, circundando o problema e floreando com detalhes ou coisas não tão importantes até conseguirem tocar no cerne da questão. Esses rodeios irritam os homens, que são objetivos e querem resolver tudo da maneira mais simples e direta possível.

3) Homens têm dificuldade para ouvir quando a mulher vem contar algo que a está angustiando ou preocupando. Eles querem logo achar uma solução, resolver a questão, encontrar uma saída prática, quando elas precisam apenas de um ouvido, um ombro amigo para chorar, alguém para compartilhar suas angústias e simplesmente estar ao lado, nem que seja para não falar nada.

4) Outra dificuldade dos homens é de ouvir um pedido de sua mulher para que modifique algo em seu modo de agir, pois isso a está incomodando. Esse pedido é ouvido como uma crítica destrutiva a ele como um todo, provocando grandes discussões que seriam totalmente desnecessárias se ele ouvisse apenas o que está sendo dito, sem generalizar para sua pessoa. O mesmo processo pode ser notado nas mulheres, que dificilmente enxergam uma crítica de maneira construtiva.

5) Mulheres não nasceram com a direção espacial muito desenvolvida… Quando consultam um guia de ruas, por exemplo, este vai sendo virado em suas mãos de acordo com o caminho a ser seguido, o que já não acontece com os homens. Aliás, ainda dentro do assunto carro, ambos não gostam de palpites quando estão na direção. A história do “eu iria por aqui” não costuma ter finais felizes, é melhor deixar que o motorista erre e corrija depois do que ficar dando palpites enquanto o outro dirige. Essa é uma briga muito comum entre os casais, que tem um poder incrível de estragar o programa que viria depois.

Enfim, estas e outras são questões de gênero que provocam brigas desnecessárias entre casais, sendo que todas elas poderiam ser evitadas caso as pessoas tivessem um conhecimento mínimo do jeito de funcionar de cada sexo. São apenas alguns toques para que sua harmonia conjugal não se desfaça por coisas pequenas, que quando somadas, podem virar enormes “bolas de neve”!

Tirar o convívio com o pai prejudica a formação da criança

A invenção de mentiras sobre o ex-parceiro provoca a sensação de abandono nos filhos

Publicado em 7/3/2011no Portal Minha Vida

Alienação parental é quando um dos pais (geralmente o que tem a guarda da criança) inventa mentiras e calúnias contra o outro, acusando-o de coisas que não aconteceram, na intenção de colocar os filhos contra ele, destruindo qualquer sentimento positivo que o filho sinta pelo pai ausente.

 

Em sua grande maioria as alienadoras são as mães, que ficam com a guarda dos filhos. São pessoas doentes, capazes de atos absurdos, provavelmente, fruto de uma separação muito mal resolvida e nada elaborada.

A raiva contra o ex-parceiro é descontada em atitudes absolutamente doentias e inconsequentes contra ele, a ponto de levar os filhos a acreditarem que foram abandonados pelo pai intencionalmente, que este “desistiu” deles, alimentando um sentimento muito ruim de rejeição e abandono que permanecerão para sempre em seu íntimo.

A raiva contra o ex-parceiro é descontada em atitudes absolutamente doentias e inconsequentes contra ele, a ponto de levar os filhos a acreditarem que foram abandonados pelo pai intencionalmente.

A identidade da criança e do adolescente se faz na interação com os pais, em primeiro lugar, e com o mundo. Esse convívio com o pai lhe é tirado à força, rompendo uma relação que poderia ser saudável e fazer toda a diferença em seu desenvolvimento como um todo. O prejuízo é a falta do afeto, do olhar do pai, do reconhecimento deste, e a ideia da mentira vai reforçar os sentimentos negativos da criança: “Não sou boa o bastante para o meu pai gostar de mim, ele nunca me amou”.

Um exemplo típico é a mãe provocar o sentimento de abandono no filho: “Olha como seu pai não liga pra você, nem telefonou no seu aniversário!” – quando o pai tentou de várias maneiras entrar em contato e foi devidamente impedido de acessar o filho – ou foi enganado com a afirmação da mãe de que o filho não queria falar com ele, quando aquele nem soube que o pai ligou.

Algumas mães chegam ao extremo de inventar falsas acusações de abuso sexual por parte do pai, pois este argumento garante a suspensão imediata da visitação. Como a justiça é lenta, até que se prove o contrário a mãe ganha tempo para bolar algo que afaste mais ainda a criança do pai.

Há aqui a criação de uma falsa memória: a criança não tem a memória sensorial, porque não viveu aquilo, mas a mãe afirma que isso aconteceu. Cria-se um adulto dicotomizado, com uma crise de identidade: “Afinal, isso aconteceu ou não comigo?” Não confia em sua percepção das coisas, em sua memória. A criança simplesmente acredita no guardião, repetindo falas e atitudes deste. Ela é levada a duvidar do amor do outro. Mesmo que se sinta bem ao lado dele, vê-se na obrigação de negar isso para o outro.
Os filhos sentem-se “traindo” o outro quando passam um dia muito gostoso junto com o pai – a necessidade de cumplicidade com o que toma conta é mais forte e a lealdade a ele não pode ser ameaçada. Chantagens como: “Se você gosta dele é porque não gosta de mim!” são comuns e obrigam o filho a mentir para se resguardar dos ataques do outro.

Enquanto são crianças, os filhos não têm como ir atrás da verdade e nem como questionar o que acontece. Mas, um dia entrarão em contato com a realidade, e será bem difícil lidar com a descoberta de que o “algoz” era justamente quem estava todo o tempo ao lado deles.

É muito difícil eliminar a marca que fica, o ressentimento irá permear pelo resto da vida a relação com o pai que ficou longe, e isso, poderia ter sido evitado. Sempre aparecerá a tristeza, a agressão ou a sensação de abandono, de revolta. O filho tem a sensação de que o pai não lutou por ele, não o amou o suficiente para enfrentar as adversidades e garantir sua convivência com ele.

O triste é que o tempo perdido não volta mais. Toda a infância, desenvolvimento e conquistas do filho são tirados injustamente do convívio com o pai. Todos perdem (e muito!).

É possível reconstruir uma relação, mas jamais resgatá-la. Infelizmente.

Proponha-se metas realistas para o próximo ano

Para que elas se concretizem é preciso planejamento e investimento

Publicado em 22/12/2010 no Portal Minha Vida

Como tradição, chega a época em que nos propomos inúmeras metas a serem alcançadas nos próximos 365 dias. Fazemos um balanço do ano: o que foi bom e o que deixou a desejar, conquistas realizadas e outras frustradas, como evoluímos financeiramente ou nos comprometemos com dívidas, amores descobertos ou vínculos desfeitos, crescimento profissional ou emprego perdido, cursos iniciados e nem sempre finalizados, promessas de atividades físicas regulares mesmo tendo aquela preguiça.

É claro que nem tudo é oito ou oitenta: sua vida pode não ter tido grandes alterações, e continua boa, tranqüila, realizada ou ainda indefinida, sem rumo, em busca de algo que não apareceu com clareza.

Lembre-se de que para as coisas acontecerem é necessário planejamento, investimento (de tempo, dinheiro e energia), força de vontade…

A “desculpa” de nos colocarmos metas para o próximo ano é válida para que sejamos obrigados a fazer um balanço da vida, analisar o que precisa ser mudado ou dar-se conta do que já conseguimos nos apropriando dos pontos positivos e passos dados, do próprio crescimento. Vale também analisarmos a qualidade de nossas relações afetivas, com quem estamos nos relacionando, se somos verdadeiros com o que sentimos e queremos.

Para evitar futuras frustrações, construa metas atingíveis, nada mirabolantes. É comum encontrarmos aqueles que programam “mega” viradas na vida e chegam ao final do próximo ano do mesmo jeito que começaram – ou talvez mais frustrados por não terem, mais uma vez, dado conta do que se propuseram a fazer. Frases como: vou falar inglês fluentemente (mas ainda não fala nada), farei uma viagem para o exterior (e não possui qualquer dinheiro guardado), encontrarei o amor da minha vida (quem sabe…), mudarei de emprego, reformarei a casa, frequentarei a academia todos os dias.

Lembre-se de que para as coisas acontecerem é necessário planejamento, investimento (de tempo, dinheiro e energia), força de vontade, uma dose de risco, boa noção da realidade e uma boa dose de sorte!

Então, chega de ficar parado esperando a vida passar, só reclamando, fazendo-se de vítima do azar e corra atrás do que precisa, de seus desejos, mas sempre dando passo após passo, e nunca querendo alçar vôos intransponíveis.

Bons planos e um ótimo ano pela frente!

Evite a competição com o parceiro na hora da separação

A busca de quem tem mais razão gera mais sofrimento

Publicado em 21/11/2010 no Portal Minha Vida

O término de um casamento é sempre dolorido para todos os envolvidos, por mais que o casal esteja certo do que quer e tenham pensado muito tempo, analisando os prós e contras, é sempre uma tremenda perda. Representa o fim de expectativas e investimentos feitos na relação, de sonhos e projetos em comum, de uma vida estável (em muitos casos) e organizada, de um casal que um dia acreditou e apostou na promessa de envelhecer juntos, até que a morte os separasse. Quando existem filhos então, multiplica-se essa dor por dez, e temos aí uma pequena escala do sofrimento que essa decisão acarreta em todos.

Um grande problema que dificulta a passagem por esse período de luto da separação é a dificuldade que as pessoas têm em sentir a frustração, o fracasso, os sonhos desmoronados e a sensação de total impotência perante tudo isso, transformando essa tormenta de sentimentos em raiva e agressões contra o parceiro, tornando tudo ainda mais doloroso e traumático para todos. Mais grave ainda é transferir esses sentimentos ruins para a relação com os filhos, sacrificando-os em nome de um orgulho ferido, dificultando a convivência deles com o pai ou mãe para atingir o ex-marido ou ex-esposa.

A primeira reação a uma notícia de que um dos cônjuges quer se separar costuma ser uma “competição” de quem tem mais razão, quem errou mais,…

Temos que nos dar conta do que é nosso e separar os contextos para que pessoas que nos são queridas não venham a sofrer além do necessário por uma incapacidade nossa de lidar com os próprios sentimentos.

A primeira reação a uma notícia de que um dos cônjuges quer se separar costuma ser uma “competição” de quem tem mais razão, quem errou mais, quem tem mais culpa por estarem nessa situação, aparecendo fatos antigos nunca antes explicitados e sempre evitados como armas de ataque poderosas, geralmente direcionadas ao outro com total intenção de machucá-lo ainda mais. E me pergunto: para quê? Qual o sentido dessa troca de ofensas e acusações maldosas num momento como este de total fragilidade e sensibilidade à flor da pele? Será que não dá para lembrar que um dia vocês foram felizes e acreditaram num futuro juntos, que se gostavam e admiravam e que em nome de um sentimento maior que os uniu no passado o respeito deveria prevalecer independente do motivo da separação?

Passar por um processo de separação é um dos piores traumas a que podemos nos submeter, pois além de atingir a família núcleo representada pelo casal e os filhos, há conseqüências diretas também nos parentes, amigos, na saúde física e emocional de todos, no rendimento no trabalho e na escola, no padrão de vida que diminui, na organização da rotina que deve ser ajustada à nova vida, enfim, os reflexos são enormes e doloridos, parecendo uma onda enorme que vem de repente “varrendo” tudo que parecia estar em harmonia.

Se você está passando por esse período não se deixe levar pelo impulso: pare, pense, repense, coloque as necessidades dos filhos em primeiro lugar – porque eles não são responsáveis pelos erros dos pais e devem sofrer o mínimo possível a conseqüência destes – e tenha em mente que conflitos existem para nos fazer enfrentá-los e não para que fujamos deles.

Por mais que doa, crescemos com o sofrimento. Um dia olharemos para trás com tranqüilidade e constataremos que tudo passa, até a dor que parecia tão insuportável e interminável.

Se estiver com dúvidas, não case

Muitos casais erram ao pensar que o parceiro irá mudar com o casamento

Publicado em 4/10/2010 no Portal Minha Vida

Um dia desses deparei-me com a seguinte afirmação: “Os homens casam esperando que as mulheres não mudem e as mulheres casam esperando que eles mudem”. Fiquei pensando se seria realmente assim, e tive que concordar: na grande maioria das vezes é exatamente o que acontece.

Muitos são os sinais de que algo na relação não está bem e pode dar errado, mas as pessoas têm dificuldade em olhar para eles com a devida atenção e dedicar a energia necessária para resolver as insatisfações. Talvez por medo de perder o outro, ou por achar que ele deva chegar à conclusão de que está errado por si mesmo, ou por não saber a melhor forma de abordar o assunto sem magoar ou irritar o outro. A questão é que incômodos são colocados debaixo do tapete e é mais fácil fingir que eles não existem.

Mas isso pode ser muito prejudicial à relação. Vamos a alguns exemplos: o homem fica agressivo em muitas ocasiões, perdendo a paciência e mostrando-se pouco tolerante frente a situações que o contrariem. A mulher, por medo da reação dele caso chame sua atenção, prefere acreditar que talvez tenha sido um momento de desequilíbrio, justificando com o estresse do trabalho ou com outro motivo qualquer. Quando estiverem juntos tudo será diferente. Sinal vermelho ultrapassado. Multado.

“Muitos são os sinais de que algo na relação não está bem e pode dar errado, mas as pessoas têm dificuldade em olhar para eles”

O sexo não é bom, o beijo não excita: tudo bem, depois de casar terão mais intimidade, mais disponibilidade, maior compromisso e tempo para se dedicarem um ao outro, além de “permissão” total para a prática do sexo com o cônjuge, sem culpa. Aí sim poderão entregar-se a uma vida sexual plena. Mais pontos acumulados na carteira.

Ele é ciumento e bebe demais em situações sociais, sempre excedendo os limites do bom senso e fazendo-a passar vergonha na frente dos amigos. Quem sabe isso ocorra porque tem medo de perdê-la, e quando casar terá maior segurança com relação ao seu amor, não precisando mais passar por tais situações? Multa gravíssima.

Ele vive desempregado e quando está num trabalho que parece interessante logo é despedido por algum motivo incompreensível. Os outros nunca reconhecem o seu valor. Quantos pontos já se acumularam até aqui?

Por fim, ele mente, mas nada que seja muito grave. Ela pensa: são mentirinhas pequenas, perdoáveis. Bem, sabemos que o pior cego é aquele que não quer ver, não é? Aqui você já acumulou pontos suficientes para perder a carteira, e passar por uma reciclagem geral em sua maneira de encarar (ou não encarar) os sinais que a vida lhe oferece.

Não case achando que tudo vai mudar, pois esse é um dos piores erros cometidos por casais “cegos” de paixão. Na dúvida questione, converse com amigos para checar suas percepções, exponha seus sentimentos ao seu companheiro, faça uma terapia de casal para conhecerem-se melhor. Numa relação a dois é preciso investir sempre! Não se contente com pouco!

Falta de sexo não quer dizer que o casamento deve acabar

Se o casal tem uma vida em harmonia, vale à pena tentar resolver o problema

Publicado em 23/8/2010 no Portal Minha Vida

 

Tem sido frequente a procura de terapia por casais com esta queixa: perguntam se é saudável manter um casamento onde não há atração sexual pelo parceiro. Tudo é bom na vida a dois: são amigos, adoram viajar juntos, criam os filhos com harmonia, têm uma vida social gostosa, dividem as tarefas de casa, possuem planos em comum… mas não existe sexo.

Essa é uma questão bastante delicada e de difícil acesso, já que ninguém gosta de admitir que não sente mais atração pelo cônjuge. Se for da parte de ambos, até fica mais fácil. Muitas coisas podem estar em jogo: como o casal conduz a vida sexual? Conseguem conversar abertamente a respeito de suas preferências e suas queixas ou calam-se, fechando-se em seu mundo próprio, com medo da reação do parceiro? Ambos estão satisfeitos com a vida sem o sexo ou apenas um deles não se importa?

 

“Se você está num casamento onde tudo é gostoso, mas falta o sexo, está em suas mãos decidir o que fazer. Às vezes é apenas uma questão de olhar mais para isso, voltar a cuidar dessa parte que foi esquecida e se esforçar para reacendê-la”

 

Afinal, essa vida corrida que levamos muitas vezes nos confunde, pois o cansaço e a correria do dia-a-dia não nos permitem ficar o tempo que gostaríamos à vontade com o parceiro, ou mesmo sair para fazer programas gostosos e estimulantes para a vida íntima do casal, enfim, somos tragados pelos afazeres em geral, pelo excesso de responsabilidades, pelas horas passadas no trânsito ou pela criação dos filhos.

E será que tudo isso justifica a ausência do sexo no casamento? Quando os casais me perguntam se isso é normal no decorrer do casamento, devolvo a pergunta com outra: vocês estão incomodados com essa situação ou está tudo bem? Porque há quem não se importe com o sexo, casais que ficam muito bem mantendo relações apenas esporadicamente, e aí, quem pode julgá-los ou criticá-los? Passada a paixão inicial, é esperado mesmo que a frequência sexual diminua. O comportamento anormal é quando a relação sexual acaba por completo.

 

Uma relação de casamento envolve outros aspectos além do sexo, como companheirismo, apoio mútuo, amizade, projetos em comum, sentir-se bem na companhia do parceiro, confiança, estímulo profissional e pessoal entre eles, harmonia familiar, admiração e respeito, entre outras coisas. Percebendo essa relação, muitos me perguntam: “bem, se não há sexo então é uma relação de amizade?” Isso não é verdade na maioria dos casos.

Cada relação é única, cada história construída envolve aspectos diferentes a serem levados em conta. Então, não nos apeguemos ao que as pessoas consideram ser certo ou errado, mas sim ao que faz mais sentido para nossa história pessoal.

Se você está num casamento onde tudo é gostoso, mas falta o sexo, está em suas mãos decidir o que fazer. Às vezes é apenas uma questão de olhar mais para isso, voltar a cuidar dessa parte que foi esquecida, reacendê-la com vontade, investir na intimidade do casal que ficou em segundo plano.

De repente vai se surpreender com o que pode encontrar! Bem, se sente que a ligação entre vocês já esfriou ao ponto de não fazer mais sentido, está sofrendo apenas para segurar algo que já acabou – e o sexo é um sinal disso -, então vale a pena procurar ajuda. Lembre-se de que você é responsável pelas escolhas que faz em sua vida. Podemos escolher permanecer no conhecido ou nos arriscar em novas experiências. Boa sorte!

A terapia te ajuda com problemas que atrapalham a felicidade

As pessoas que relutam buscar ajuda têm ideia equivocada sobre a terapia

Publicado em 13/5/2010 no Portal Minha Vida

É muito freqüente receber em meu consultório uma pessoa queixando-se do cônjuge, pois acha que ele precisa se tratar, mas não aceita por achar que “não é louco para precisar de terapia”. O casamento está à beira do colapso, o relacionamento está piorando a cada dia -e muitas vezes já vem se desgastando há anos -, mas um deles recusa-se terminantemente a procurar ajuda de um profissional para melhorar a situação.

Assim, quem vai em busca da terapia, geralmente é aquele que tem a visão melhor do que está acontecendo no relacionamento e, portanto, tem mais consciência da necessidade de ajuda. Porém, quando esta pessoa se submete ao tratamento, leva “indiretamente” o cônjuge também, na medida em que traz situações que o envolvem em todas as sessões. Em geral, a pessoa que procura ajuda fica um pouco frustrado por não conseguir convencer o outro da importância e necessidade do tratamento.

Fico me perguntando: por que sofrer tanto, colocar em risco as relações importantes de sua vida e muitas vezes também o trabalho, só para dizer que dá conta dos próprios problemas, por mais que esteja visível que isso não está acontecendo? Orgulho? Preconceito? Que fantasia tão assustadora as pessoas tem da terapia?

O que a terapia pode fazer por você?
A terapiaé um processo de autoconhecimento, onde o cliente, com a ajuda de um profissional treinado e capacitado para tanto, entenderá os motivos (ou causas) dos problemas que lhe impedem de ser feliz na vida, descobrindo novas maneiras de se colocar em certas situações ou reagir a elas, a partir de uma nova compreensão de seu modo de funcionar emocionalmente.É comum trazermos problemas mal resolvidos da infância, com uma emoção forte que não foi devidamente acolhida ou elaborada à época, que acabam se refletindo em situações atuais, aparentemente sem qualquer ligação com aquele fato do passado.

Quando o problema é compreendido na terapia, é como se uma peça de um quebra-cabeça fosse encaixada, dando sentido a várias outras situações e emoções antes não entendidas. A partir daí a pessoa pode escolher como continuar vivendo, geralmente com mais autenticidade e confiança em si, aprendendo a colocar-se no lugar do outro, assumindo a responsabilidade por suas decisões, tendo mais clareza de seus sentimentos e entendendo o porquê de muitas atitudes que ela tem.

Esse trabalho acontece a partir de um convívio, no mínimo semanal, onde a frequência e a constância desses encontros proporcionarão condições para que a pessoa, dedicando um tempo exclusivamente para si, invista em suas questões emocionais, esforçando-se em resolvê-las e compreendê-las.

Há casos mais graves onde necessita-se do acompanhamento de um psiquiatra para ministrar alguma medicação, o que não deveria ser tão assustador como parece. A medicina está aí para nos ajudar, e se precisarmos usá-la, por que não?

A medicação sozinha apenas diminui ou acaba com os sintomas apresentados, mas a causa deles continua ali, e é este o ponto enfocado na terapia – porque se não entendermos as causas dos problemas, quando pararmos o remédio eles voltarão como antes. Se apenas tomar remédios funcionasse, a tal da “pílula da felicidade” (como foi chamado o Prozac assim que começou a ser comercializado) resolveria todos os nossos problemas, certo?

Portanto, se suas emoções ou dificuldades andam prejudicando suas relações pessoais e/ou profissionais, não deixe de procurar ajuda terapêutica. Vão chamá-lo de “louco”? Louco é aquele que prefere colocar sua felicidade a perder em nome do que os outros vão pensar ou falar. Seja mais você e assuma a responsabilidade por sua saúde emocional!

Não espere a separação para mudar o que está ruim no relacionamento

O diálogo é a melhor forma de resolver os problemas entre um casal

Publicado em 13/5/2010 no Portal Minha Vida

Quem já não ouviu falar em casais que se separam e, após algum tempo, voltam a namorar (entre si)? Pois é mais comum do que podemos imaginar. Infelizmente as pessoas costumam deixar os problemas atingirem níveis quase insuportáveis para buscar uma ajuda e uma solução. O temor ou a incapacidade do diálogo entre os casais é a principal causa dos conflitos que acabam levando à separação.

É triste, mas só depois que um deles desiste de lutar contra algo que não está bem, mesmo tendo tentado à sua maneira enfrentar o problema, e divorcia-se, é que a “ficha cai” para o parceiro.

Tentativas frustradas de conversas, em que um tenta, em vão, dizer ao outro o que não está bom e o que o incomoda, mas não é levado a sério como deveria, chegam a um estopim que parece só se aliviar com a separação.

A partir da dor da distância o cônjuge inconformado, que não ouvia as queixas do outro, passa a querer se modificar, tentando entender porque, afinal, não davam certo juntos. Só então ele se analisa – às vezes procura uma terapia para auxiliá-lo nessa busca interna por respostas -, e começa a modificar seu comportamento a partir dos pontos que o outro apontava, mas que antes eram simplesmente encarados como cobranças (e quem gosta de ser cobrado?).

Tive a oportunidade de presenciar casais que se separaram e, a partir daí, começaram uma nova vida reestruturando a rotina, as atitudes, ampliando os pontos de vista e enxergando o “ex” com outros olhos, sem resistência, sem falta de paciência, sem o escudo que colocamos à nossa frente quando não queremos ou não podemos ver algo, pois é difícil ou dolorido encarar a verdade e assumir determinados erros.

 

Devo mudar meu comportamento só porque o outro está pedindo?
Não, não estou dizendo isso. Quero dizer que o casamento é a melhor forma das pessoas se conhecerem, pois o outro é, por muitas vezes, nosso espelho, dando-nos “feedback” das nossas atitudes, fazendo-nos perceber como podemos provocar sentimentos bons ou maus no próximo a partir do que fazemos, e de como fazemos. Estar aberto para esse retorno de quem convive conosco e aproveitar para se olhar, rever as atitudes, é uma ótima chance de crescimento como pessoa.Nem sempre o olhar do outro pode estar certo, mas vale o questionamento a partir daí. Por que não acolher e discutir com ele seu ponto de vista? Se forem muito discordantes, aí sim vale um investimento maior em uma terapia de casal, ou individual, para que consigam resolver essas diferenças antes que elas destruam o relacionamento.Esse é o ponto: muitos casais sofrem terrivelmente porque um não ouve o que o outro tem a dizer, e se fecha em sua “verdade” absoluta, recusando-se a rever algo que incomoda muito o cônjuge, por achar que é assim e deve continuar assim.Não podemos esquecer que a relação é feita de duas pessoas, e quando algo de um está incomodando, deve-se falar a respeito e tentar resolver. Deixar quieto o que não vai bem só resultará em um amontoado de queixas, que tendem a crescer com o tempo, minando o amor que um dia uniu o casal.

Traição: perdoar ou não?

Frustrações no relacionamento podem virar motivo para o ato

Publicado em 25/9/2009 no Portal Minha Vida

Perdoar uma traição não é uma das coisas mais fáceis de fazer. É preciso gostar muito e acreditar que vale a pena investir na relação para que esse processo aconteça de verdade. Sim, é um processo e exige muita paciência da parte do traidor, assim como um enorme investimento de energia de ambos.

Em primeiro lugar, temos que saber o motivo da traição, o que fez com que o cônjuge procurasse ou simplesmente deixasse se envolver por outra pessoa mesmo estando compromissado com seu parceiro.

Muitos podem ser os motivos, mas nem por isso estou justificando o fato. Em geral o relacionamento já vem se desgastando há algum tempo e ambos não se dão conta disso, estão acomodados na rotina e convivência diária. Não percebem que, no fundo, o sentimento pelo outro está desgastado, enfraquecido, e não o alimentam. A vida sexual já não é como antes, a vida corrida e atribulada do dia-a-dia faz com que o casal quase não tenha tempo para si, distanciando-se cada vez mais; deixando de lado os momentos românticos e atitudes gostosas que um dia foram importantes na conquista de um pelo outro.

De repente alguém novo aparece, elogiando como você está vestida, reparando que cortou o cabelo, valorizando atitudes pequenas, interessado em sua vida, com um papo gostoso que flui, sem reparar em suas manias e defeitos. Difícil resistir, certo? Pois é aí que entra nossa consciência com o “superego” dizendo: “Não faça isso, você é casada (o)!”, ou o “id” contrapondo: “Vá fundo, o que você tem a perder?”. Podemos nos sentir atraídos por outras pessoas fora do casamento, mas temos a opção de nos deixar levar ou não por esse desejo, muitas vezes quase irresistível.

Bem, você caiu em tentação. Dá pra perdoar? Tudo depende…

Já presenciei várias histórias de casais que se aproximaram como nunca após um episódio de traição. Isso é possível quando, após a descoberta do fato, ambos se propõem a discutir profundamente sobre tudo que não está bom na relação, através de uma terapia de casal. Eles se comprometem a mudar, recomeçando o casamento. Sim, é um recomeço e requer muito trabalho até o traído voltar a sentir confiança em quem o traiu.

Um dos maiores problemas enfrentados pelos casais em crise é a falta de diálogo, o acúmulo de situações desagradáveis para ambos que não podem ser expressas pelo medo da reação do parceiro. O medo de magoar ou causar uma discussão indesejável acaba instalando o silêncio, que com o tempo só prejudica o casal. Não se fala do que não está bom, acumulam-se insatisfações e frustrações, o que pode dar margem à vontade de estar com alguém que não o frustre tanto.

Entender os motivos que levaram uma pessoa a trair provocará uma auto-avaliação de cada um na relação, e fará com que ambos assumam sua responsabilidade na manutenção do amor. É preciso alimentá-lo sempre!

Só cabe o perdão onde ainda existe amor e o arrependimento sincero de quem traiu. É possível reconstruir uma relação pautada em novos moldes de funcionamento, e em especial, num diálogo franco e atitudes transparentes.

Quem disse que é fácil manter um casamento feliz sem momentos de crise? O importante é saber superá-las e tirar o maior proveito para nosso crescimento.

Não culpe os outros por sua infelicidade

Assuma a responsabilidade por seus fracassos

Publicado em 2/7/2009 no Portal Minha Vida

Algo comum nos relacionamentos é encontrarmos pessoas que culpam o parceiro por fracassos e frustrações suas, jogando nele a responsabilidade por sua infelicidade. Convivem por anos acumulando pequenas frustrações, abrindo mão de mais coisas do que gostariam, deixando de realizar atividades que proporcionavam prazer e alimentavam sua auto-estima, sempre em nome do casal: já que o outro não gosta disso, para evitar brigas, abre-se mão do desejo.

Isso pode ser uma grande armadilha. Com o tempo esses espaços vazios vão se avolumando, causando cada vez mais uma sensação de incompletude e insatisfação generalizada, que acaba por interferir em outras áreas da vida pessoal.

Ao abrirmos mão de algo em nome do casamento, temos que ter a consciência da escolha que estamos fazendo no momento, se é isso realmente o que queremos, ou se não há outra saída alternativa. A relação a dois exige concessões, é claro, pois agora não estamos mais sozinhos para tomar decisões. O outro deve ser levado em consideração na maioria dos assuntos, e muitas vezes aceita fazer algo que nem queria, mas com os argumentos do cônjuge acaba sendo convencido e muda de idéia. Na maioria das vezes, não se arrepende.

Aprendemos muito através da convivência a dois, nosso parceiro pode nos abrir horizontes antes não imaginados ou temidos por serem desconhecidos.

O problema aparece quando um está sempre abrindo mão de seus desejos em função do outro que não se dispõe a acompanhá-lo em certas situações ou que não o apóia quando este precisa de uma confirmação ou um incentivo. Se ficar dependendo da posição do outro para a realização do que quer, corre o risco de deixar muitas realizações para trás, e o pior, culpar eternamente o cônjuge por sua incapacidade de enfrentar as coisas sozinho.

Vamos a um clássico exemplo muito citado pelos casais que atendo: um gosta de dançar, o outro não. Acabam nunca saindo para dançar porque chega a ser algo desagradável acompanhar o parceiro que nem o ritmo da música consegue seguir. O que fazer? Bem, em primeiro lugar tente convencê-lo a fazer umas aulas de dança, pois pode ser que ele acabe pegando o gosto por algo que, por não saber fazer, encara com má vontade e rejeita. Isso é o tipo da coisa que aproxima os casais: um ambiente onde todos estão no mesmo barco , aprendendo, divertindo-se, ouvindo música, relaxando o corpo, deixando a sensualidade aparecer, o que pode ser uma ótima oportunidade de aumentar a intimidade do casal.

Agora, se mesmo com a tentativa o interesse não for despertado no outro, então… vá você sozinho! Por que não? Escolha um lugar adequado onde possa satisfazer sua vontade de vez em quando, a fim de não guardar essa frustração dentro de si pelo resto da vida. O parceiro é ciumento? Bem, ele terá que lidar com isso.

Muitos outros são os “desencontros” comuns na vida a dois, o que nos força a estar sempre negociando alternativas para nos adequarmos uns aos outros. Mas lembre-se sempre de olhar para dentro de si e checar qual a sua parcela de responsabilidade na realização de algo, antes de jogá-la nas costas do cônjuge.

Casamento por interesse: será que é um bom negócio?

Relações onde não há amor tendem ao fracasso

Publicado em 1/7/2009 no Portal Minha Vida

Vamos imaginar uma situação típica de casamento: você conhece alguém que lhe atrai, começa a namorar, vive uma paixão deliciosa, sente muito tesão, aproxima-se da família do outro, planejam o casamento, compram o apartamento… e acham que será tudo muito lindo e gostoso quando trocarem as alianças. Bem, nem sempre é assim, posto que a partir do momento que passam a viver juntos, convivendo com as diferenças e manias ou defeitos do outro (que antes não incomodavam por não fazerem parte do seu dia-a-dia), e passando pelas dificuldades do cotidiano comuns a todos, o humor muda, a paciência diminui, os conflitos começam a tomar forma e você começa a se questionar se fez a escolha certa.

Não quero dizer que casamento é só coisa ruim, de jeito algum, apenas pretendo frisar que conviver com outra pessoa requer maturidade, troca, disposição para abrir mão de certas coisas, paciência, tolerância, aceitação das diferenças, colocar-se no lugar do outro sempre, apoio mútuo, enfim, é uma oportunidade única de crescimento pessoal se ambos estiverem dispostos a isso.

Agora, se mesmo estando disposto e amando o cônjuge já é difícil passar por certas situações e colocar em prática tudo isso, imagine no casamento onde não há amor, onde tudo o que se almeja é o dinheiro do outro e as vantagens que este pode lhe proporcionar? Como será passar por dificuldades no relacionamento? Aonde ficará a paciência e a disposição em resolver possíveis conflitos numa boa, se não há o afeto que permeia a relação? E os filhos como serão criados? Que modelo de relação lhes será passado?

Direcionar sua vida em função do dinheiro pode lhe trazer terríveis conseqüências, a começar por não vivenciar uma relação saudável pautada no amor com alguém ao seu lado, estando fadada à miséria emocional, à não realização afetiva, e não aprendendo a lidar com situações de frustração ou falta, já que essa relação deve ser sempre “perfeita” para que o casal permaneça junto – não há espaço para a dificuldade financeira, qualquer passo em falso coloca tudo a perder, além de não existir interesse e investimento no aprofundamento da relação conjugal; ninguém pode falhar, qualquer situação que saia do previsto pode assumir proporções enormes, já que não há a aceitação do outro pelo que ele “é”, e sim pelo que ele “tem”.

Há pessoas que arriscam-se a mudar de país, acompanhando um marido estrangeiro que mal conhece, indo atrás da sedução de uma vida financeira farta em um país mais desenvolvido (dá status morar fora…), correndo o risco de isolarem-se nesses lugares desconhecidos, estando sempre à sombra de alguém, sofrendo o isolamento imposto por estarem longe dos amigos e familiares. Em muitos casos a solidão não suporta o novo estilo de vida.

Finalmente, diria que se você pretende casar-se por interesse, que este seja por sua felicidade, por sua realização como pessoa, como ser humano, por querer crescer e experimentar um novo modo de dividir as coisas com alguém especial ao seu lado. Pois sabemos muito bem que o dinheiro ajuda bastante, mas não garante a felicidade de ninguém!

Terapia de casal… Para quê?

Uma boa conversa pode ajudar a resolver todos os males

Publicado em 30/4/2008 no Portal Minha Vida

Quando falamos em terapia, logo vem aquele velho preconceito à mente: Não sou louco para precisar de terapia . Infelizmente, ainda a maior parte das pessoas não tem a exata noção do que significa esse tipo de tratamento.

A terapia tem por finalidade que as pessoas parem tudo o que estiverem fazendo por um período de uma a duas horas semanais, para que se dediquem a olhar para si, para sua vida, suas relações com as pessoas; repensar suas atitudes e dificuldades, enfrentar sentimentos difíceis de se lidar, assim como perdas que devem ser elaboradas, enfim, é um momento onde a pessoa revê sua vida para melhorá-la e procurar ser mais feliz.

Para tanto, conta com a ajuda de um profissional formado e capacitado que, com sua escuta atenta e observadora, leva o indivíduo a olhar para dentro de si, descobrindo, assim, novas possibilidades de ação e e solução de conflitos.

A terapia de casal foca prioritariamente a relação, não aprofundando em questões internas de cada um separadamente. Porém, sabemos que para haver uma relação é necessário que duas pessoas com suas histórias de vida distintas se unam; portanto, cada uma será levada em conta, mas apenas no que diz respeito a aspectos que interferem na relação atual.

Na escolha do cônjuge sempre existem aspectos inconscientes envolvidos: nada se dá por acaso, algum ganho sempre está por trás de uma escolha. Por exemplo: é comum nos apaixonarmos por aqueles que mais parecem nossos opostos, não tendo nada em comum… No fundo, buscamos no outro o que gostaríamos de ter ou ser, e se um dia ele resolve mudar o seu jeito, a relação não faz mais sentido. Na verdade estamos nos relacionando com a parte idealizada de nós mesmos!

Outra fatalidade que comumente acontece é a vontade inconsciente de buscar no parceiro uma cópia do pai ou da mãe, e esperar que ele funcione de acordo com o que sempre se viu nos pais. Este tipo de relação está fadado ao fracasso, a menos que isso seja explicitado e trabalhado para que cada um seja aceito e admirado por aquilo que se é, como ser único.

Na terapia de casal temos a oportunidade de rever a vida a dois, muitas vezes desgastada pelo acúmulo de pequenos desencontros do dia-a-dia. É um espaço apropriado para facilitar o diálogo e a conseqüente resolução de conflitos, repensando, modificando e fortalecendo a relação conjugal.

Poderia dar aqui inúmeros exemplos de relações não saudáveis que se beneficiariam e muito com este trabalho, mas por uma questão de espaço, gostaria de chamar a atenção para aquilo que mais freqüentemente observo em meu consultório: cada vez mais testemunho o quanto a falta de diálogo deteriora as relações, assim como o entendimento equivocado da fala do outro com interpretações distorcidas acabam por levar a inúmeras e desgastantes brigas.

Não precisamos só saber falar, mas também saber ouvir o que o outro está dizendo e entender o verdadeiro conteúdo que está sendo comunicado. Numa terapia de casal, isso é detectado e treinado, para que os cônjuges possam transformar verdadeiramente sua relação em algo mais equilibrado e transparente.

Porém, há situações onde o desgaste já é tão grande, onde o amor já não existe, que o melhor mesmo é a separação. Essa também é uma das funções desta terapia, proporcionando ao casal um clima de maior harmonia e diálogo, para que a separação se realize de forma madura e responsável, e, caso haja filhos, que estes sejam minimamente afetados.

Se você sente alguma dificuldade em seu relacionamento conjugal, lembre-se de que o quanto antes elas forem resolvidas, maior a chance do casamento se reerguer, pois pequenos conflitos quando devidamente trabalhados podem ser motivo de crescimento para o casal, mas quando se tornam grandes podem não ter mais uma solução amigável.