O que leva traídas a agredir as amantes dos maridos

 Para os especialistas, as esposas acreditam que a amante desviou o amado e merecem vingança

—  Eu destruí totalmente. Ela ficou com uma costela quebrada, o rim furado e até o aparelho da boca ela engoliu. Ainda fiz ela comer areia com cocô de gato.

O depoimento de uma mulher traída, que espancou e humilhou a amante do marido, fazendo a moça comer até fezes, chamou a atenção do público esta semana. O caso está longe de ser isolado.

Ficou famoso também o vídeo em que uma mulher bate na amante do marido em um triângulo amoroso que viralizou nas redes sociais. Recentemente, uma jovem foi agredida e obrigada a andar nua, depois de ser descoberta como sendo amante de um cara casado.

O que leva essas mulheres a voltar sua ira para a outra, em vez de focar no marido traidor? De acordo com os especialistas, isso depende muito das crenças que aquela mulher tem sobre fidelidade, culpa, amor, sobre ela, sobre o parceiro, sobre as outras mulheres.

Segundo Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), há, nesses casos extremos, um claro desequilíbrio emocional e um imenso desejo de vingança.

— A traição corrói por dentro e essas pessoas ficam com muita raiva. Mas isso é coisa de gente que está desequilibrada, não está no seu estado normal.

Para Marina, há um forte componente simbólico em agredir a amante. É a velha história do “o que ela tem que eu não tenho”, muitas vezes insuportável para quem é traído. A esposa acaba se torturando por pensamentos como este, e há uma sensação de raiva pela amante representar tudo aquilo que a mulher gostaria de ter e ser. É muito comum a esposa ter mais raiva da amante do que do marido.

— Ela roubou o marido dela, a felicidade dela, a esposa joga tudo na mulher, toda sua frustração. E vai querer vingança. Não vai deixar barato, vai querer sujar o nome da amante, mas muitas vezes suja o próprio. A outra sai como coitada, as pessoas acabam ficando com pena da que foi humilhada e agredida.

Sem falar que existem situações em que amante também foi enganada. De acordo com Marina, é muito raro os homens que conseguem sair de um casamento se não tiverem algum relacionamento engatilhado. E muitos se vendem como o cara que está se separando como arma de conquista.

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— Os homens são mais acomodados nos casamentos e às vezes preferem seduzir uma outra mulher a se separar. Ela tem escolha, de entrar ou não na história, mas muitas caem numa promessa de relacionamento. Não necessariamente ela “roubou o marido” de alguém.

Segundo Kelen de Bernardi Pizol, terapeuta e orientadora de casais, a idealização do parceiro também ajuda a explicar esse comportamento feminino de se voltar contra as amantes. Quando se ama alguém, por mais que esteja na cara, pode ser difícil aceitar que algum malefício possa vir daquela pessoa.

— Há uma idealização. A pessoa acredita que o ser amado é incapaz de fazer algum mal a ela ou à relação. Então, no caso da traição, como há a amante envolvida, é nela que a culpa vai recair. É a crença de que foi a amante que desviou o ser amado do caminho, e a agressividade se direciona à essa pessoa.

Também existe um viés cultural. Para Kelen, nossa cultura infantiliza o homem e vilaniza a mulher na questão da sexualidade.

— O  homem é visto como alguém que foi seduzido por uma mulher ardilosa. Ao mesmo tempo, é uma cultura machista, que o isenta de dar escapadas porque isso “é coisa de homem”. Veja que há dois valores diferentes e até opostos aí: em um deles a mulher amante é supersexual e não tem brios em avançar sobre um homem indefeso que já tem uma parceira; em outra o homem tem uma supersexualidade que não pode ser abafada e deve ser aceita como parte da sua natureza.

O psiquiatra Luiz Cuschnir pontua que, nesses casos, a tentativa de proteger o marido aparece pela relação amorosa que existe entre eles. Ele é protegido da agressividade que surge por parte da esposa, por isso a necessidade de se aliviar a raiva é dirigida à amante.

— Preservar o vínculo que existe nesses casos pode estar evidenciando que há muito o que preservar entre eles, que o relacionamento não se restringe somente àquela traição, há muita coisa que vale a pena. Pode também haver a ideia de que haverá a possibilidade de retomar com o marido uma relação melhor. Mas isso não significa que não será cobrado a posteriori. Pode ficar guardado para depois apresentar a conta que ele vai ter que pagar.

Especialista em sexualidade, o terapeuta Oswaldo M. Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade, afirma que se voltar contra a outra é, de fato, uma forma de mostrar que o compromisso com o marido continua, inclusive ao enfrentar a amante.

— A tentativa sempre parece ser de manter o relacionamento. Atacar o marido é afirmar a perda. Então a busca da amante e atacá-la representa a “defesa” do casal, uma busca de manter o relacionamento. Não é um comportamento realmente lógico e racional. Apenas uma busca irracional de remendar algo aos olhos sociais e ainda ganhar um bônus de dívida que o marido terá e que poderá e será exigida em momentos que esta mulher considere propício.

Nem todas mulheres, porém, agirão assim, impulsivamente, de modo irracional. Algumas encontrarão outras maneiras de administrar a frustração.

Algumas buscarão brigar para manter o relacionamento por meio da aproximação com o marido e reorganizar o relacionamento, recomeçar o casamento, refazer o contrato do relacionamento, com ou sem ajuda de um psicoterapeuta.

A traição, na análise da terapeuta de casais Marina Vasconcellos, pode, em alguns casos, acabar servindo para reestruturar um casamento que já parecia morto.

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— Pode aparecer, para ele ou para ela, alguém que elogia, que dá atenção, e eles podem  cair em tentação, mas não necessariamente é porque  acabou o amor. Só que o amor tem de ser alimentado. Se surge uma terceira pessoa que volta a alimentar pode acontecer. Mas se o outro descobre, aí é hora de avaliar se foi só um caso, ou se vale seguir com o casamento.

A outra? Bem, esta não será perdoada jamais. Vai ficar como uma marca. Basta ouvir o nome da pessoa para revirar o estômago. E não dá para o marido ficar amiguinho da ex-amante. Ele tem de se comprometer a cortar relações, fazer tudo pra voltar, mostrar que a esposa pode confiar. Senão…

 

 

Falando sobre questões de gênero e preconceito

Coloque-se no lugar daqueles que sofrem o preconceito e repense sua postura

Publicado no Minha Saúde Online, 01/09/2015

Cada vez mais ouvimos falar das novas configurações de relações ao nosso redor, envolvendo questões de gênero: casais homossexuais assumidos que se casam finalmente perante a lei; transexuais que conseguem o direito a operações para mudança de sexo e uma nova carteira de identidade; pessoas que se assumem homossexuais após anos vivendo num casamento hetero, inclusive com filhos; bissexuais que procuram terapia para entender porque necessitam se relacionar com os dois sexos, sentindo desejo por ambos, e por aí vai.

Infelizmente ainda temos que lidar com o preconceito enorme que envolve essas pessoas, já que pertencemos a uma cultura de padrões pré-estabelecidos bastante refratária a qualquer fato que envolva o repensar esses padrões, entender as diferenças e respeitá-las como tais, incluindo naturalmente essas pessoas em nosso meio.
Vejo que, além do preconceito, faltam informações às pessoas que taxam os diferentes de si como “errados”, “perversos”, “aberrações da natureza”.

Minha intenção aqui não é dar uma aula sobre as diferentes possibilidades de opções sexuais ou identidade de gênero, pois isso é possível encontrar com detalhes em literaturas científicas existentes (destaco o livro: “Os onze sexos – as múltiplas faces da sexualidade humana”, de Ronaldo Pamplona da Costa, Ed. Gente).

Pretendo convidá-lo, caro leitor, a colocar-se no lugar daqueles que sofrem o preconceito para que repense sua postura antes de julgá-los erroneamente.

Para tanto, cabem aqui algumas explicações básicas fundamentais da nomenclatura utilizada a fim de ajudá-lo na compreensão desse assunto tão complexo: identidade de gênero é a sensação interna de ser homem ou mulher; orientação sexual é o aspecto da identidade que faz com que nos liguemos ao feminino ou ao masculino, hetero/homo/bissexual; papel de gênero é nosso comportamento frente às pessoas e à sociedade como um todo – temos um jeito de ser masculino ou feminino; papel sexual é privativo, feito entre quatro paredes, não diz respeito a ninguém além da própria pessoa – hetero/homo/bi. As pessoas conseguem modificar seu papel sexual, mas não sua identidade.

Sabe-se hoje, através de estudos comprovados cientificamente, que a identidade e a orientação sexual são definidas ainda no estágio intrauterino do feto. Especificamente entre a sétima e décima oitava semana após a concepção, acontece um desequilíbrio na dose do hormônio masculino enviado ao feto – a testosterona -, fato este responsável pela definição da estrutura cerebral no Sistema Nervoso Central (SNC) ligada a orientação sexual e a identidade de gênero no cérebro em desenvolvimento.

Não há tratamento para alterar esse fato ao longo da vida, as pessoas já nascem com a identidade de gênero e o papel sexual definido, não sendo uma escolha sua ou resultado da forma como foi criada. Aqui vale mais uma sugestão de leitura: “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? – uma visão científica (e bem humorada) de nossas diferenças” (Allan e Barbara Pease – Ed. Sextante).

 

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Nunca me esquecerei da fala de um cliente há alguns anos, argumentando sobre sua condição de homossexual: “As pessoas acham que a gente escolhe ser assim. Elas não têm noção do que dizem. Se eu tivesse escolha, acha que eu optaria por levar uma vida assim tão mais difícil, não podendo assumir minha relação afetiva com alguém em público, sofrendo com o preconceito todos os dias, fazendo meus familiares sofrerem por medo de que algo me aconteça (referindo-se aos ataques a gays frequentes em São Paulo), tendo que frequentar ‘guetos gays’ porque só lá as pessoas se entendem e se aceitam como são? Eu não tive e não tenho escolha, nasci assim e sou assim!”.

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Homossexuais, tanto masculinos quanto femininos, são aqueles que têm como objeto de amor e desejo pessoas do mesmo sexo. A orientação afetivo-sexual do homem é para outro homem, assim como a da mulher. Eles não têm problemas com sua identidade de gênero que bate com seu corpo biológico, ou seja, os homens sentem-se bem com seu corpo masculino e as mulheres, idem. Apenas escolhem para se relacionar afetivamente alguém do mesmo sexo.

Os bissexuais nascem com o corpo biológico macho ou fêmea perfeito, ou seja, o homem sente-se homem, e a mulher sente-se mulher (assim como os homo e os heterossexuais). Porém, na idade adulta sentem a necessidade de manter relações afetivas e sexuais com ambos os sexos para sentirem-se plenos, algo que vai além de seu controle.

É comum aqui, por exemplo, homens que se casam com mulheres, têm filhos, e com o tempo acabam procurando uma relação homossexual fora do casamento para se sentirem plenos, mantendo em segredo essa segunda união, já que muitas mulheres não aceitariam saber que dividem seu homem com outro homem. Eles são felizes em sua união hetero, conseguem manter relações sexuais com a esposa (embora não seja sua primeira opção…), realizam-se com a paternidade e a vida em família, mas têm a necessidade da união com outro homem para se sentirem completos. O mesmo se aplica às mulheres.

O travesti tem uma identidade de gênero dupla, sente-se homem e mulher. No caso do travesti masculino, por exemplo, ele sabe que biologicamente é um homem, foi criado socialmente como tal e não deseja eliminar seu órgão sexual (o pênis), embora muitos acabem por exagerar em suas vestimentas, carreguem na maquiagem e nos trejeitos justamente por se sentirem também femininos. Difícil conviver com essa dualidade eterna.

Os transexuais são almas femininas aprisionadas em corpos masculinos e vice versa, nas palavras de Ronaldo Pamplona. É como se a pessoa nascesse num corpo trocado, que não lhe pertence. As mulheres sentem-se homens, desde o nascimento, e não conseguem se adaptar àquele corpo com seios, vagina e que menstrua. Precisam adaptar o corpo àquilo que sentem psicologicamente, que contradiz o biológico, daí a necessidade das operações para mudança de sexo e tratamentos com hormônios para o resto da vida. O mesmo acontece com os homens.

Agora, imagine-se na seguinte situação: você possui uma filha que desde bem pequena não gostava de usar os lindos vestidos que ganhava, ficava emburrada quando tinha que se arrumar para festinhas de amigas da escola e ia de mau humor, contrariada. Não gostava de brincar com bonecas, preferindo os videogames de carros e lutas do irmão mais velho. Ao chegar à adolescência passa a ficar insuportável, evita festas, tranca-se no quarto para evitar o convívio com amigos e familiares, recusa-se a colocar roupas femininas mesmo em ocasiões onde todas as mulheres se arrumam (casamentos de familiares, por exemplo), deixando os pais desconcertados com tal displicência em sua vestimenta. De repente, aos 15 anos, sofrendo de depressão e indo mal na escola, resolve contar aos pais que ela não se sente como uma menina, mas sim, um menino aprisionado num corpo feminino.

Imagine que você é a mãe ou o pai dessa menina. O que fazer? Como reagir? Qual o caminho a seguir? E o sonho de um dia vê-la se casar e ter filhos… o que fazer com tal frustração? Como lidar com tamanho sofrimento?

Esse é um caso de transexualismo. O caminho a seguir é longo e dolorido: busca por tratamentos adequados e especializados; locais confiáveis para acolherem tanto o trans quanto a família, que também precisará de apoio para aprender a lidar com a situação e aceitá-la como tal; enfrentamento do preconceito por parte dos familiares, amigos e sociedade em geral; mudança da fisionomia da menina que passa a se transformar num menino (com a ingestão de hormônios vai desenvolver caracteres masculinos como pelos pelo corpo, barba, a voz engrossa), e todos terão que se acostumar a chamá-lo pelo novo nome escolhido de homem; adaptação de todas as roupas, sapatos e decoração do quarto; provavelmente terá que mudar de escola para evitar o bullying e a exposição da(o) menina(o) aos colegas e professores.

E o tratamento deve envolver psicólogo, psiquiatra, endocrinologista, nutricionista, ginecologista, de preferência formando uma rede interdisciplinar onde os profissionais possam se conversar a respeito do andamento do tratamento.
Mas, mesmo com tudo isso em jogo, de repente a menina chata e mal humorada que se isolava e evitava as pessoas, tanto em casa quanto na escola, transforma-se num menino dócil, inteligente e de fácil convívio, pois finalmente sente-se compreendido e visto como um homem pelas pessoas, como sempre se sentiu internamente – sua identidade de gênero sempre fora masculina.

Conseguiu imaginar a situação? E mais: é para o resto da vida! Os hormônios deverão ser ingeridos com controles adequados de tempos em tempos, pois senão os caracteres femininos podem voltar (seios, menstruação, pelos, voz…). Um número pequeno deles consegue fazer a operação para mudança de sexo, após longo tratamento e a idade mínima de 21 anos, retirando os órgãos reprodutores femininos (útero, trompas e ovários), seios (mastectomia) e realizando a implantação de uma prótese peniana. Aí sim o quadro se completa, e ele pode sentir-se um homem completo.

Insisto em trazer aqui o sofrimento que envolve todo esse processo nada fácil para as pessoas que passam por isso. Trouxe um exemplo de transexual por considerar o transtorno mais difícil de lidar, dentre todos os outros, por envolver a mudança física da pessoa, além dos aspectos psicológicos.

Mas e os outros? O que uma mãe ou pai de um homossexual imagina que faz a seu filho quando o renega ao saber de sua opção sexual? Por acaso acha que ele escolheu ser assim só para ser a “ovelha negra” ou o “causador” da família? Só para “chamar a atenção”? Já ouvi declarações do tipo: “Preferia que ele estivesse morto a ter que aceitá-lo nessa condição”- o cúmulo da falta de empatia, do preconceito, do egoísmo e da falta de desenvolvimento tanto emocional quanto espiritual.

Imagine-se na situação de um homossexual que nasce numa família preconceituosa e sabe que será um grande baque assumir sua verdadeira identidade dentro de casa, prevendo reações de desprezo, agressões ou rejeição por parte dos familiares. Você pode passar a vida inteira “escondendo” seu verdadeiro eu para não decepcionar as pessoas que ama, ao mesmo tempo em que não se permite ser feliz experimentando uma relação afetiva com quem gostaria. Pode casar e ter filhos só para corresponder às expectativas da maioria da sociedade, mas certamente viverá infeliz por não querer estar ali. Se tiver coragem, um dia se separa e sai em busca de sua realização pessoal. Caso contrário passará a vida lidando com seus problemas emocionais e a enorme frustração de nunca se permitir assumir sua orientação sexual.Triste opção.

Essas pessoas nascem assim e muitas são plenamente felizes quando conseguem assumir sua opção sexual, sendo acolhidas normalmente pela sociedade. Bom seria se eles pudessem esquecer que são “diferentes”, não tendo que provar a todo o momento que são “normais” como qualquer um.

Seria muito mais fácil se a aceitação viesse em primeiro lugar de dentro de casa, dos pais e irmãos, dando o suporte necessário para que essas pessoas se sintam acolhidas e confiantes para lidar com o enfrentamento diário do preconceito muitas vezes velado dos outros na escola, no trabalho, no convívio social ou nos espaços públicos em geral.

Que tal fazer este exercício agora? Então vamos lá: coloque-se no lugar do outro.

MMA Fitness: Sexo frágil? Não no tatame!

Partir para a luta está na moda – e pode ser boa opção para quem quer fugir da monotonia e praticar uma atividade completa, o MMA Fitness

Por Anna Paula Lima, 5 de março de 2015 – Site O2 por Minuto

 

As artes marciais caiaram de vez no gosto dos brasileiros… E, vão muito além da audiência das transmissões de lutas da moda (como as de UFC), na TV. Segundo a Confederação Brasileira de Karatê, mais de 1,5 milhões de pessoas praticam o esporte no país, dessas 450 mil são mulheres. Na academia, o peso da participação feminina não é diferente: homens e mulheres (elas em peso!) gastam o tatame das aulas dinâmicas de MMA Fitness, que mistura as artes marciais mistas (Muay Thay, Kick Boxing e Jiu Jitsu), aos abdominais, corrida, socos e chutes nos sacos de boxe. Tudo, em três principais momentos do treino, de pé, no chão e no combate. A ideia é a de fazer os movimentos da luta, sem colocá-la em prática para não machucar. Sem pancadaria, as aulas trabalham a força de pernas e braços, o aeróbio, reflexo e confiança.

 

“Estamos tentando alcançar o equilíbrio entre os vários papéis da mulher, sem perder a feminilidade e nossa essência”, diz a psicóloga Miriam Barros. E por que o MMA Fitness? Por que o resultado é bem rápido, para moldar o corpo e ganhos de força e até perda de peso. É um exercício que abrange grandes grupos musculares, queima muitas calorias em pouco tempo, além de ajudar a descarregar tensões. Márcia Delgaes D’Angelo, com 37 anos e duas filhas pequenas, faz a aula há mais de dois anos, três vezes por semana. Nunca achou que a prática fosse apenas para os homens e, com o pouco tempo que dispõe, conta que tinha de fazer algo para aliviar a rotina profissional e materna: “É diferente de fazer um treininho de musculação, com paradinhas para conversar entre um aparelho e outro. A aula é disciplinada e os exercícios muito intensos. Não dá tempo de pensar em mais nada”, conta.

 

Gina

 

“Enquanto a mulher dá socos num saco, está descarregando sentimentos e o estresse. Aí, sai do treino mais relaxada e com a sensação de ‘missão cumprida’, por gastar bastante. Isso afeta, diretamente, sua autoestima”, completa a também psicóloga Marina Vasconcellos.

Dá para entender porque a mulherada tá tomando conta dessas aulas.

 ABDÔMEN (dos chutes nos sacos ao combate)
Além dos tradicionais, há os com bola e com alguns pesos na perna e na barriga. Com ênfase no uso de pesos ou muitas repetições. No combate, o abdômen é exigido na hora do chute (que também é feito contra sacos). O core sustenta toda energia durante o combate.

PERNAS
Desde os agachamentos e afundos, até os chutes e as joelhadas nos sacos, os exercícios fortalecem panturrilhas e coxas. Dois meses de aula seria o suficiente para que você note a perna tonificada e resistente a todos os obstáculos do treino.

BRAÇOS
Já os músculos superiores (antibraço, o bíceps e até o ombro) são trabalhados com os repetitivos socos e jebbys, que podem receber o reforço de halteres de um ou dois quilos nas mãos. Entre um intervalo ou outro, aparecem flexões pesadas que fortalecem esses músculos.

 

 

 

 

Aprenda a dizer não

Apesar de uma resposta negativa não ser muito aceita, é através dela que você pode se impor

Escrito por Daniela Bernardi, editado por Juliana Vaz (colaboradora), publicado em 26/02/2015

Dizer “não”, é ao contrario do que parece, uma tarefa bem difícil. O medo de desagradar ou decepcionar aquele que nos pede algo faz com que concordemos com o que é pedido – seria um caminho para ser aceita.

“Uma mulher mais segura sabe que o outro não deixará de gostar dela por causa da recusa, que não será prejudicada”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo. Tudo isso tem a ver com a autoestima e insegurança. Dar mais valor às vontades alheias, preterindo a sua, faz com que deixemos de reconhecer nossos próprios anseios.

E dizer não vale no trabalho, na amizade, no amor, em qualquer relacionamento é preciso saber se posicionar e sem essa atitude, você pode acabar sendo uma pessoa apática e desinteressante. “Esse comodismo faz com que você pareça sem graça e até desesperada por aceitação”, complementa a psicóloga clínica Vanessa Tamiello, de São Paulo.

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Veja 5 dicas para começar a repensar suas respostas:

1. Autoconhecimento
O primeiro passo é saber se aquilo fará bem ou mal. E o único jeito de descobrir é reconhecer de verdade quais são seus anseios e suas vontades.”Quanto mais proximidade você tiver consigo mesma, mais honesta será sua percepção para decidir se vale a pena aceitar o convite”, diz Mariliz Vargas.Fique atenta também às suas limitações. “Não adianta topar e ficar com a cara emburrada porque isso fará mal a você e aos outros”, diz Marina Vasconellos.

2. Sem ladainha
Não comece a inventar desculpas. “Criar compromissos inexistentes dá margem para que o outro entenda que você gostaria de atender ao pedido”, alerta Olga Tessari. Não poder é diferente de não querer. Se isso não ficar claro, abre-se espaço para que, no show seguinte, o convite seja refeito.

3. Exponha seus porquês
Explicar seu ponto de vista é importante para que o outro entenda o seu lado. Por mais que sua amiga discorde da justificativa – afinal, ela jamais aceitará que você não gostou do novo álbum do Bruno Mars -, sua decisão será respeitada, pois você expôs claramente os motivos.

4. Use o corpo
Falar com uma voz firme pode ajudar a mostrar que a decisão já foi tomada.”Olhar nos olhos e manter a coluna ereta passa a mensagem de que a resposta está de acordo com seus valores”, explica a psicóloga clínica Marisa de Abreu, de São Paulo. Mas, se você ainda não estiver preparada para ser tão assertiva, experimente fazer alguns sinais com o rosto ao receber a solicitação ou o convite. “Antes que ela termine a frase, comece a torcer o nariz, contorcer a boca e franzir a testa de forma discreta. Esses movimentos já dão a entender que você não está de acordo com a proposta”, diz Christian Barbosa.

5. Procure alternativas
Mesmo dizendo não, você ainda pode ajudar. Descubra outra amiga que goste do mesmo cantor e faça a ponte de contato entre as duas. “Depois de negar, repasse o convite a alguém que tenha mais interesse”, diz Vanessa Tamiello.

¿De verdad llorar es síntoma de fragilidad?

Jugadores de la selección brasileña fueron criticados por llorar en el campo ante Chile. Aunque no solo ellos lloraron en Brasil 2014. Para psicólogas consultadas por Terra, llorar no solo no es debilidad, sino que es sano.

Publicação internacional do Terra em 03/07/14

Dolor, decepción y llanto entre jugadores y aficionados mexicanos al quedar eliminados del Mundial de Brasil 2014. Foto: Getty Images

Dolor, decepción y llanto entre jugadores y aficionados mexicanos al quedar eliminados del Mundial de Brasil 2014. Foto: Getty Images

Mucho se está criticando estos días a algunos jugadores de la selección brasileña por llorar escuchando el himno, o al momento de los penales ante Chile. Una controversia alimentada por el propio DT de Brasil, Felipe Scolari “Felipão”, que llegó a contratar -y a comunicarlo a los medios- una psicóloga por la “fragilidad emocional” de sus chicos. Mientras, en la vecina Argentina, hasta los narradores de radio y TV lloran con los goles del equipo… y ni hablar de los hinchas.

La humana es la única especie que llora por motivos emocionales y no se sabe bien el porqué. Diversas teorías intentan explicar por qué lloramos, algo sobre lo que los científicos aún no tienen certezas.

Las respuestas de nuestro cuerpo suelen tener un motivo claro: pero mientras la adrenalina acelera el corazón para que nos preparemos a la lucha o la huida, por ejemplo, parece que, a no ser que se nos haya metido algo en los ojos, secretar agua cuando sentimos emociones fuertes no tiene una aparente utilidad, es más, el llanto puede jugarnos malas pasadas al llegar en situaciones en las que nos gustaría controlarnos, como en el trabajo… o cuando estamos a punto de intentar marcarle un penal a Chile, por ejemplo.

¿Entonces por qué lo hacemos? Y, ¿es conveniente controlar este reflejo?

Terra consultó a las psicólogas brasileñas Deborah Bretas y Marina Vasconcellos, que, al margen de explicaciones evolutivas o fisiológicas, resaltan que llorar es no solo es humano, natural, y espontáneo, sino además recomendable y necesario.

“Llorar es la expresión de una emoción intensa, cuando la emoción trasborda. No tiene nada de intelectual y por ello no se puede contener; es natural, contagioso y nos pasa a todos, no solo lloran los jugadores, lloran los hinchas… hasta yo lloro oyendo el himno, que es emocionante”, dice Vasconcellos, que añade que elreprimir las emociones con frecuencia trae consigo enfermedades como depresión, úlcera y otros problemas de estómago, tensión o dolor de cabeza, entre otros males.  Tanto Bretas como Vasconcellos recuerdan además que llorar supone un alivio, incluso aunque nos pueda dejar cansados por la tensión que acumulamos en la musculatura.

No se trata de debilidad sino de sensibilidad, quienes más lloran son aquellos que sienten y que se permiten hacerlo. El hombre se reprime más, por aquello de que ´los hombres no lloran´”, dice la especialista.

No hay llanto inapropiado, sino lugar donde llorar es inconveniente y puede ser malinterpretado”, considera por su parte la psicóloga Bretas. “No es bueno controlar un acto natural y saludable. A veces, como estamos socialmente condicionados por una civilización compleja y aún primitiva, se torna necesario como estrategia… pero no es bueno”.

Reflejo de la niñez

Una teoría asegura que el llanto expresa docilidad o sumisión, lo que puede ayudarnos en momentos claves ante un potencial depredador. También se cree que el llanto, cuanto practicado en sociedad, refuerza vínculos afectivos.

Sin embargo, esto no explicaría el por qué lloramos en soledad o, incluso, en momentos inoportunos.

El motivo podría ser que el llanto, involuntario, es un reflejo de la niñez, cuando las lágrimas pueden indicar a nuestra madre que nos sentimos mal, en lo que supone una alerta más discreta que un grito, por ejemplo. Esto, claro, sería una ventaja en un encuentro con depredadores. Considerando esta teoría, no es que el llanto signifique debilidad o poca hombría, sino que simplemente sería una respuesta evolutiva y natural.

De estas teorías se ocupa el psicólogo holandés Ad Vingerhoets en su libro Por qué las personas lloran, desvelando el misterio de las lágrimas. Vingerhoets es uno de los pocos científicos en el mundo que se ha dedicado durante años a estudiar el porqué de nuestras lágrimas.

“Las lágrimas son algo muy simbólico” dijo Vingerhoets al diario The Guardian.  “Son señal de desamparo, especialmente durante la infancia cuando los humanos son más vulnerables”.

“Cuando otros animales envejecen, ya no más emiten señales de socorro, presumiblemente porque es demasiado peligroso”, dice Vingerhoets. “Sin embargo, en los seres humanos se pasa de usar la señal acústica, emitida en todas direcciones, a usar la señal visual de las lágrimas, que propicia especialmente las interacciones más íntimas”.

“La verdad es que llorar es una expresión más de la capacidad de comunicarse. Es humano, y no tiene sentido basarse en el comportamiento animal para explicar algo que en realidad es propio de otra especie”, considera Bretas.

Mostrarse fuerte frente al rival

Aunque tratar de contener el llanto no es recomendable ni fácil, hay momentos clave en que mostrar entereza es fundamental. A este respecto se pronunciaba este martes en entrevista con Terra el psicólogo deportivo João Ricardo Cozac, presidente de la Asociación Paulista de la Psicología del Deporte, que cuestionó al capitán de la selección de su país Thiago Silva:

“Puede llorar, es una forma de exteriorizar la emoción. Pero, ante un momento importante y decisivo, ver el arquero y al capitán llorando y al entrenador, en vez de calmar y motivar, permanecer en la orilla del campo quejándose del arbitraje e insultando a adversarios demuestra una falta de control emocional de las más peligrosas”.

Lo ideal es que la emoción no nos bloquee, como parece que pudo pasarle a Silva; sin embargo, la psicóloga Débora Bretas cree que criticar a quien llora refleja un “prejucio” marcado por la “ignorancia”.

“Se critica a los jugadores porque el acto de llorar se asocia a la falta de virilidad; no en vano la mujer, que llora más, es considerada inferior (aún hoy, en muchos casos)”, cuenta aTerra.

“En una batalla se espera rabia y ganas de vencer, y no debilidad. El llanto causa además incomodidad porque revela una intimidad, el estado interior de una persona que debe estar siempre escondido. Llorar en público transgrede este pacto y por eso choca, la gente se irrita porque no sabe cómo reaccionar, qué hacer ante ese llanto”, explica la psicóloga.

¿Y las lágrimas de alegría?

Desvalidos, tristes, desamparados y pidiendo ayuda solemos llorar. ¿Pero qué pasa con las lágrimas de alegría? No son pocas las veces que lloramos de júbilo, y si no que se lo pregunten a los hinchas argentinos cuando el gol de Di María salvó en los últimos minutos de la prórroga del Argentina-Suiza la clasificación para cuartos en el Mundial de Brasil 2014.

Estas lágrimas de alegría, involuntarias, muestran un sentimiento sincero y desbordado y con certeza refuerzan los vínculos afectivos.

Las lágrimas de alegría son puro disfrute y emoción, no hay cómo ni por qué reprimirlas y no nos dejan cansados o desgastados como a veces lo hace el llorar mucho por tristeza” dice Vasconcellos, que destaca que llorar de alegría no tiene nada de ridículo, y que, con lo que aún resta de Mundial, “nos quedan muchas emociones por demostrar”.

Amor entre mulheres: afeto diferencia desejo de orientação sexual

Publicado no Terra em 19/02/2014

Em foco na ficção, comportamento sai das telas e passa a ser mais discutido na sociedade

Ellen Page, de Juno, fez um discurso emocionado se declarando gay. (Foto: Getty Images)

Ellen Page, de Juno, fez um discurso emocionado se declarando gay. (Foto: Getty Images)

O tema “lesbianismo”, como é definida a relação entre mulheres, está em pauta. Seja por meio da bissexualidade, homossexualidade ou por simples curiosidade, o assunto vem ganhando destaque entre as celebridades, nas novelas, filmes e na vida real, como mostrou a atriz canadense Ellen Page, 26, que emocionou o mundo com um discurso no último sábado (15), quando declarou que é gay.

A estrela do filme Juno disse que sofreu por anos, com medo de se revelar. “Eu estou aqui porque sou gay. Para ajudar os outros a terem uma vida mais fácil, mais esperançosa”, disse. No Brasil, a cantora Daniela Mercury segue engajada na luta contra o preconceito, desde que assumiu sua relação com a jornalista Malu Veçosa.

No campo da ficção, a novela global Em Família começa a tatear o assunto. Clara, personagem de Giovanna Antonelli, descobre um interesse diferente pela fotógrafa Marina (Tainá Müller), algo inédito para uma mulher que vive um casamento de longos anos com Cadu (Reynaldo Gianecchini).

Já no BBB, as participantes Clara (que é casada com um homem) e Vanessa  também protagonizam cenas calientes de beijos nas festas da casa; mas também de cumplicidade no dia a dia quando dividem diálogos e situações cotidianas.

Independente dos rótulos, são muitas as dúvidas que rondam o campo da sexualidade humana.

 Segundo as especialistas ouvidas pelo Terra, o interesse por mulheres, quando não passa de uma simples curiosidade, não indica a orientação sexual da pessoa. Já quando evolui para o campo afetivo, talvez possa desencadear uma série de descobertas que, mesmo tardias, podem trazer um grande alívio para quem se identifica com este tipo de situação.

 A psicóloga e terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos enxerga como positiva a ampliação da discussão em torno do tema nos últimos anos. É natural que, quando algo sai do campo da obscuridade, mais pessoas se sintam à vontade para se abrir. “Hoje existe uma permissão maior para se mostrar, ninguém precisa morrer frustrado”, completa.

 Juliana Bonetti, psicóloga especializada em sexualidade, concorda que atualmente existe uma mobilização social maior em cima do interesse de mulheres por pessoas do mesmo sexo. “A novela retrata, os filmes também. A coisa toda está sendo mais dita. Existe esta demanda social, o que é muito bom, porque dá lugar a este tema”, pontua.

Experimentação ou orientação?
Diferente dos meninos, as meninas já se entendem desde cedo pelo contato físico: é comum amigas tomarem banhos juntos, se abraçarem, se beijarem e até dividirem a mesma cama.

Os sentimentos podem acabar se confundindo, mas Marina alerta que não há dúvidas quando o sentimento pende para o lado afetivo, e não como para uma simples admiração. “Você pode achar uma amiga linda, mas o que diferencia é o desejo”, afirma. Ela explica que o interesse e a atração vêm acompanhados da vontade de tocar e ter maior intimidade com a pessoa.

Na adolescência, esta vontade é mais comum, mas isso não necessariamente pode ditar a orientação sexual de uma pessoa, de acordo com as especialistas. Juliana acrescenta que a curiosidade e as fantasias são coisas normais, que não denotam mudança na orientação sexual. “Se for apenas uma experiência, ou se você apenas deu vazão a uma fantasia, isso não vai fazer de você homossexual”, afirma Juliana.

Descoberta tardia
Apesar da explosão dos hormônios – que caracteriza a adolescência – propiciar este tipo de curiosidade, também é comum o interesse crescer mais tarde, como mostra a novela das nove.

Ao contrário do que se possa imaginar, Juliana descarta que o novo comportamento tenha a ver com um possível descontentamento com o parceiro. “Não é uma responsabilidade do marido, não dá pra dizer que ele não investiu na relação. São questões individuais, é ela que tem que se responsabilizar por isso, e não tentando buscar uma explicação fora.”

Marina observa que o folhetim retrata o caso de pessoas que vivem por anos uma vida aparentemente feliz, mas internamente sentem que não estão completas e lidam com esta angústia de forma discreta e silenciosa. “Ninguém se transforma em homo ou heterossexual. Muito provavelmente esta mulher [personagem da novela] já era homossexual. Em algum momento da vida, isso pode ter sido despertado”, acredita.

Um comportamento comum às pessoas que ainda não se entenderam com suas preferências sexuais é uma angústia inexplicável, ou a ausência da felicidade plena ainda que esteja em um relacionamento teoricamente perfeito.

A especialista afirma que geralmente são pessoas que mantêm uma vida de aparências, devido ao medo do preconceito e de chamar atenção da sociedade. “Por mais que tenha se falado muito deste assunto, todo mundo acha legal quando não é na própria família”, pontua, acrescentando que, geralmente, quando a questão vem para dentro de casa a abordagem é diferente.

A novela global das nove toca no tema, por enquanto, somente com insinuações. (Foto: TV Globo / Divulgação)

A novela global das nove toca no tema, por enquanto, somente com insinuações. (Foto: TV Globo / Divulgação)

Dilemas da vida real
Quando o que era uma simples fantasia evolui para o campo sentimental, o ideal é saber administrar estes sentimentos para evitar o sofrimento. O preconceito é o primeiro obstáculo e, junto com ele, também vem o medo do desconhecido.

Quando uma mulher sente desejo por outra e guarda este segredo para ela acaba enfrentando um grande dilema: ter que fingir ser uma pessoa que ela não é. Por isso, o ideal é procurar um equilíbrio, e isso não quer dizer que necessariamente ela precisa abrir sua vida pessoal para todo mundo. “Ela não tem obrigação de falar para ninguém, mas precisa se assumir para ela mesma”, recomenda Juliana.

Deixar a emoção de lado é necessário para que as relações não sofram prejuízos. “Ela tem o direito de falar e de se assumir. Mas que isso seja feito da maneira menos sofrida, com cautela, entendendo o momento certo de falar, e não agindo de maneira puramente emocional”, completa.

Juliana afirma que a partir do momento em que a mulher “bancar” sua própria decisão, as coisas irão se encaixar em algum momento. “O preconceito e o conservadorismo podem surgir, mas ela também pode se surpreender com círculos de amigos e familiares acolhedores”, pontua.

Quando a decisão envolve mais do que um indivíduo, no caso, das mulheres casadas e com filhos, todo cuidado é pouco para não magoar pessoas queridas e acabar prejudicando as relações. “Pode ser bastante difícil em alguns casos, mas eles vão acabar aceitando ao verem que a mãe está feliz”.

A postura impositiva é o pior caminho, segundo a especialista. “É preciso ter respeito por suas relações, por isso, não há necessidade de ficar se beijando na frente das pessoas. Tudo tem que acontecer de forma natural, respeitando os limites de cada um”, indica, reforçando que nos casos mais complicados o ideal seria uma terapia familiar.

Procurar o autoconhecimento, por meio de um tratamento psicológico, é uma boa alternativa na opinião de Marina. “Muita coisa vai mudar, emocionalmente”, afirma. Uma boa dica também é se cercar de pessoas desprovidas de preconceito. A partir do momento que ela realmente se aceitar, tudo passa a ficar mais fácil. “É uma realização pessoal, uma libertação interna. Vai acabar a angústia e, com isso, ela poderá se sentir plenamente feliz”.

Sem nomenclaturas
O discurso de Ellen também chamou a atenção com relação à busca da sociedade pela reafirmação dos gêneros. “Existem estereótipos perversos sobre masculinidade e feminilidade que definem como nós devemos todos agir, vestir e falar. Eles não servem a ninguém”, declarou.

A psicóloga Juliana reforça que não cabem rótulos quando o assunto é a vida sexual. “Acredito que a sexualidade do ser humano é sempre muito complexa e misteriosa. Vamos nos redescobrindo com o tempo, e de repente pode haver algo na psique que se afloradepois de muito tempo. O que importa é o individuo saber do que ele gosta, e não saber se é bissexual ou homossexual. O que importa é o afeto e afeição”, finaliza.

Suicídio: uma tragédia que, em muitos casos, poderia ter sido evitada

Publicado no Minha Saúde Online em 10/10/2013

Chamaram minha atenção as mortes recentes por suicídio de dois músicos famosos. Ambos deixaram parentes, amigos e fãs completamente chocados com tal ato absolutamente inesperado, que demonstra o ápice do desespero humano, onde o indivíduo se vê sem saída e incapaz de enfrentar os problemas pelos quais esteja passando.

Um artigo de Humberto Corrêa publicado na Folha de São Paulo (10/09/13) cita números impressionantes ligados ao suicídio: em todo o mundo, a cada ano um milhão de pessoas se suicidam, sendo o Brasil responsável por cerca de 9.000 óbitos anuais – em número subestimado. Ou seja, todos os dias ao menos 25 pessoas dão cabo à própria vida em nosso país.

O problema é que praticamente 100% dessas pessoas são vítimas de algum transtorno psiquiátrico não diagnosticado ou indevidamente tratado. Daí dizer que esta é uma tragédia que poderia ser evitada caso houvesse tratamento adequado para todos, mais orientação à população a esse respeito e se as pessoas se permitissem buscar ajuda.

Aí está o ponto: o preconceito ainda é grande quando o assunto é fazer uma consulta ao psiquiatra, ou procurar a ajuda de um psicoterapeuta. A velha frase: “Não sou louco para precisar de um psicólogo” infelizmente persiste, e quando se trata do psiquiatra, então, o preconceito aumenta.

Muitas pessoas não sabem a diferença entre esses profissionais, e vale aqui uma explicação básica: o psicólogo fez o curso de graduação em Psicologia, alguma especialização depois para seguir uma linha de trabalho e atua, entre outras áreas (empresas, escolas, hospitais) em consultório, onde recebe seus clientes para psicoterapia. O trabalho visa buscar uma melhor qualidade de vida através do auto conhecimento, de questionamentos de suas atitudes e relações, facilitando o contato da pessoa com seus verdadeiros sentimentos, por meio da compreensão de sua dinâmica de funcionamento perante a vida. Qualquer pessoa que queira conhecer-se melhor, ou que esteja passando por algum problema emocional, uma dificuldade em lidar com uma situação ou pessoa, enfim, sente que algo não está bem e não consegue resolver a questão, pode fazer psicoterapia. O olhar neutro e treinado de um profissional que está fora do problema vai ajudá-lo a questionar, ponderar, entender, enfrentar, procurar soluções que antes pareciam não existir. E para tudo isso é preciso que se entre em contato com os próprios sentimentos, que algumas questões passadas sejam elaboradas para que não sigam interferindo em suas atitudes do presente.

Já o psiquiatra fez o curso de Medicina e especializou-se em Psiquiatria em sua residência médica. Provavelmente fez alguma especialização para, assim como o psicólogo, seguir uma linha de pensamento e técnica que orienta seus atendimentos. Por ser médico, pode receitar remédios. Alguns trabalham apenas medicando seus pacientes, enquanto outros também são terapeutas.

Assim, num trabalho conjunto entre psicologia e psiquiatria, podemos ajudar as pessoas mais comprometidas na busca pela saúde e melhora dos quadros psiquiátricos, trabalhando tanto o emocional quanto os sintomas físicos e mentais indesejados. É frequente o psicólogo fazer a psicoterapia e encaminhar o cliente para ser medicado com um psiquiatra de sua confiança, que fará um trabalho paralelo quando necessário. Doenças mais comuns como Depressão, Transtorno Bipolar, Pânico, Ansiedade, Síndrome do Estresse Pós Traumático, Ciúme Patológico e outras são diretamente beneficiadas por esse atendimento em equipe, que buscará solucionar não só os sintomas (com a medicação) como também as causas que levaram ao aparecimento deles (através da psicoterapia).

Agora lhe pergunto: se procuramos tratamento para diabetes, pressão alta, gastrite, dores no corpo, alterações hormonais e por aí afora, qual o preconceito em procurarmos ajuda psicológica? Por que é tão difícil admitir que não estamos bem, que a vida está pesada e não sabemos explicar o porque, que temos medo de algo que não seria para tanto, que estamos tristes e não conseguimos reagir, que temos manias estranhas e não controlamos a necessidade de mantê-las, que às vezes temos vontade de largar tudo e desistir de viver de tão pesada que está nossa carga?

Somos seres complexos e precisamos de atenção e cuidados em todas as áreas: física, mental, emocional e espiritual. Temos que olhar para o emocional assim como olhamos para o físico, e não há porque temer julgamentos de terceiros quando estamos com uma dificuldade e precisamos de ajuda.

Não raro atendo clientes que convivem com pessoas claramente comprometidas emocionalmente, mas que se recusam a buscar ajuda pelo preconceito, por falta de orientação. Vidas são afetadas e prejudicadas pela falta de tratamento adequado para quadros que seriam perfeitamente controlados, trazendo paz e harmonia ao convívio tão difícil com a pessoa doente, que não admite sofrer qualquer mal.

E não só as pessoas ao redor sofrem: a própria pessoa passa a vida sem desfrutá-la em sua plenitude por não achar que precisa de ajuda. Casamentos são desfeitos, famílias são destruídas, empregos são desperdiçados, tudo em função do estresse causado por uma doença não diagnosticada.

Por trás dos suicídios geralmente encontramos pessoas deprimidas ou bipolares que não conseguiram pedir ajuda, seja por preconceito, por orgulho ou total falta de orientação. Afinal, doenças psiquiátricas não são exatamente “visíveis” como as físicas, que aparecem em exames laboratoriais ou mesmo no corpo, sendo palpáveis e justificáveis para as pessoas. Dizer que “não está com vontade ou energia para trabalhar” pode soar como “preguiça” ou “falta de comprometimento” com as responsabilidades, quando na verdade podem ser sintomas de depressão que precisam ser tratados.

Quando se tem um trabalho e responsabilidades para serem cumpridas e honradas, como “se dar ao luxo de ficar mal”? A depressão faz com que a pessoa sinta-se sem vontade e energia para viver, tudo parece absolutamente sem graça, é um esforço acordar a cada manhã e imaginar um dia inteiro pela frente, nada é divertido ou excitante, os pensamentos são pessimistas.

Quando a pessoa está engajada em um trabalho que exige uma presença em público, por exemplo, lidando com pessoas que a admiram e esperam que esteja sempre bem, sorrindo, com pique (como é o caso dos artistas que dão shows dia após dia), muitas vezes não há tempo para cuidar de si, pois a demanda é grande e a correria diária a absorve totalmente. Como os outros entenderão se um artista famoso disser que a vida está sem graça? Todo o sucesso, fãs, aplausos, dinheiro, viagens…  nada o faz feliz? Como admitir que embora tenha tudo isso não possui paz interior, não sente prazer nas atividades, não desfruta de suas conquistas como poderia por pura falta de energia vital?

Pois assim é a depressão, e sei que muitas pessoas – não só os artistas famosos, mas qualquer um – não se permitem entrar em contato com tais sentimentos por vergonha de admiti-los, ou por não terem como investir tempo e dinheiro em um tratamento direcionado ao “emocional”, algo tão subjetivo e não palpável.

Se você se sente sem energia, desanimado, com dificuldades para dormir, encara a vida como um fardo diário, não vê graça em nada, irrita-se com facilidade, não tem vontade de se arrumar, perdeu o apetite, não quer sair da cama de manhã porque não vê motivos para isso… você provavelmente está deprimido, e precisa de tratamento. Não é nada vergonhoso admitir o fato e buscar ajuda. Existe tratamento para isso, e a vida pode deixar de ser um fardo para voltar a fazer sentido, mais leve e prazerosa em seu dia a dia.

E não dê importância ao que os outros possam pensar a seu respeito por fazer terapia. Qualquer um tem o direito de investir no auto conhecimento e na melhoria da qualidade de vida. Certamente desenvolverá seu emocional, crescerá como ser humano e ainda recomendará aos amigos que passem pela experiência!

Seu filho, um cidadão

Atitudes para que as crianças virem adultos conscientes de seus direitos e deveres

Publicado na revista Cláudia em fevereiro de 2013

Por definição, um cidadão é um indivíduo com direitos civis e políticos garantidos por um Estado – ou seja, em tese, seu filho já nasceu um cidadão. Mas a teoria não basta. É preciso aprender, praticar e cultivar a cidadania.Boa parte dos valores éticos essenciais para que ele, no futuro e agora, viva bem em sociedade vem da escola. “É lá que a criança tem as primeiras experiências mais sólidas em termos de vida pública e aprender a conviver , como alguém que pertence a um lugar e um grupo”, diz Maria Teresa Égler Mantoan, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de campinas (Unicamp) e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (Leped), da mesma instituição. mas as noções de respeito por si mesmo e pelo outro, a solidariedade e a tolerância para conviver bem com a diversidade também nascem em casa. Tudo começa pela postura que os pais assumem tanto nos domínios domésticos quanto na comunidade da qual fazem parte. Atitudes cotidianas até simples, como caminhar pelo bairro para conhecê-lo melhor ou puxar uma conversa crítica sobre um filme que a família acaba de ver, ajudam a formar filhos cidadãos. Consultamos especialistas e reunimos as principais.

SEJA UM BOM MODELO

Um ótimo ponto de partida é mostrar – não com palavras, mas com ações – que a família tem consciência de seus direitos e deveres e age de modo participativo na sociedade. isso inclui ir a reuniões e eventos promovidos pela escola em que os filhos estudam, não faltar a assembleias de condomínios, comparecer às urnas para eleger governantes consciente de seu voto, opinar em referenciados  e inteirar-se de questões importantes para o seu bairro, sua cidade, seu estado, seu país. Mas as atitudes do dia a dia contam, e muito. Então, atenção: do banco de trás do carro, seu filho percebe se você dá ou não passagem para pedestres, se sempre segue as regras de trânsito – ou as burla quando está com pressa, por exemplo – e se costuma parar em fila dupla ao deixá-lo na escola. E nota a gentileza e o bom senso (ou a falta desses atributos) no trato com parentes, amigos, colegas de trabalho e empregados. “Crianças e adolescentes são muito observadores. Veem tudo”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais, em São Paulo. Ela ressalta que, por isso, vale comentar quando pessoas fazem algo errado.”Você pode dizer: ‘Olha só, um motorista parado bem em cima da faixa. isso não é legal.'”, sugere. O papo deve acontecer de modo natural e fluido, não parecer ensaiado ou ter ar de lição de moral. Uma das bases para formar um cidadão crítico é você mostrar quem é de verdade, suas crenças e seus princípios.

ATIVE O SENTIMENTO DE PERTENCER

cidadania tem tudo a ver com sentir-se parte integrante de um grupo e corresponsabilizar-se por ele. Primeiro a própria família. “Os pais precisam falar sobre ela e mostrar quem é esse conjunto de pessoas mais próximas, sua história e seus hábitos. Assim, a criança começa a entender como seus parentes convivem e quais são os limites que ela ocupa dentro dessa célula”, diz Maria Teresa, do Leped, da Unicamp. Quando bem trabalhado na esfera micro, o sentimento de pertencimento facilita a convivência na esfera macro – não importa aqui se estamos falando de outras crianças no parque, na turma do clube ou de colegas da escola. Segundo experts, esse sentimento de pertencer a algo, que gera comprometimento, é essencial para seu filho entender que “estar com o outro” é diferente de apenas “estar junto do outro” – pressupõe compartilhar e respeitar. De acordo com Maria Teresa, “o papel da família é central para as crianças perceberem que, fora de casa, elas também têm compromissos com o mundo que a cerca”. mais adiante, essas noções contribuirão para dar sentido à ideia de nação, na qual podemos reclamar se nossos direitos não são assegurados, mas também precisamos assumir deveres para o bem comum.

INVISTA NA PARCERIA COM A ESCOLA

Uma vez que tanto a vivência em família como as experiências no ambiente escolar são fundamentais para a construção e o fortalecimento das noções de cidadania, nada mais sensato do que buscar uma sólida parceria. “Todas as instituições sociais participam do processo educativo. Mas a escola é aquela destinada a educar de modo organizado e sistemático. É ali que são partilhados, de forma intencional e específica, os conhecimentos, as crenças e os valores de uma sociedade”, afirma Terezinha Rios, doutora em educação e colunista da revista Nova Escola Gestão Escolar, da Fundação Victor Civita. Conhecer os caminhos trilhados pela escola em que seu filho estuda requer mais do que só acompanhar comunicados e comparecer a reuniões. Peça para conhecer o projeto político-pedagógico, documento no qual são descritos objetivos e metas da instituição, bem como os meios utilizados para alcançá-los. A maioria desses projetos faz referência à formação cidadã. Depois, é preciso acompanhar o mais de perto possível o trabalho cotidiano dos educadores para ver como as propostas são colocadas em prática. “A tarefa da escola terá mais êxito se articulada à atuação de outras instituições, principalmente a família. É preciso estabelecer o diálogo.”

ABRA ESPAÇO PARA POSTURAS CRÍTICAS

Passear a pé pelo bairro, ver o que ele tem de bom e de ruim, observar a diversidade de pessoas e lugares que abriga, pensar em formas de torná-lo mais bonito e agradável. Essa é uma atividade simples, mas carregada de estímulos ao comportamento cidadão. Também dá para fazer exercícios parecidos em outra cidade ou país. “Conhecer novos povos, culturas, hábitos e culinárias diferentes é favorecer o entendimento da diversidade”, diz a psicóloga e psicanalista Blenda de oliveira, de São Paulo.  E isso é básico para desenvolver a tolerância. Sem contar que a criança e o adolescente precisam de espaços para expressar suas opiniões. Há formas simples e que funcionam de fazer isso. “Que tal assistir a um documentário, um filme de ficção ou uma peça de teatro e depois fazerem juntos um debate crítico sobre eles? Esse tipo de discussão ajuda a estimular a reflexão, importante na construção da cidadania”, afirma Luciana Maria Allan, diretora técnica do Instituto Crescer para a Cidadania, em São Paulo. O trabalho voluntário é outro eixo a explorar. Visitar uma casa de repouso ou contar uma história em uma creche são experiências que sensibilizam e mudam o olhar dos nossos filhos. Só não adianta cobrar interesse por voluntariado se essa não é uma prática valorizada pela família e incorporada a seu dia a dia. “falamos que os jovens de hoje são apáticos e não têm visão crítica do mundo. mas em que momento nós, como pais, oferecemos estratégias para que sejam cidadãos participativos? Quando convidados, eles querem participar e gostam. Ficam chocados e preocupados com a realidade ao redor e têm energia para mudar as coisas para melhor”, diz Luciana.

INCENTIVE A COLABORAÇÃO

A amizade e a convivência entre vizinhos parece diminuir conforme aumenta o tamanho das cidades e dos condomínios. O resultado é que hoje impera o individualismo em nossa sociedade. “Estamos mais isolados e infelizes”, resume Maria Teresa, da Unicamp. “Há quem tema ser solidário por medo de se dar mal e quem ache que nunca vai precisar de quem mora ao lado, torcendo para que a recíproca seja verdadeira”. Em vez de perpetuar o isolamento, os pais precisam favorecer o encontro. vale incentivar seu filho a se apresentar a novos moradores do prédio, chamando-os para brincar. Ou convidar um colega recém-chegado à escola para uma tarde de diversão. Sim, eventualmente eles entrarão em conflito. E sim, talvez eles sejam diferentes em trajetória, características, pensamentos e posses. Mas nada disso deve servir como medida de comparação ou competição, e é isso que você vai ensinar a seu pequeno. Tome sempre cuidado não só com o que fala mas com o que pensa. Sonhar que seu filhos erá um grande vencedor na vida é válido, mas nunca a qualquer custo. Pouco vale chegar lá se não houver justiça social para que o outro também tenha a chance de chegar – e é por isso que a violência urbana é um problema de todos nós.

DIGA NÃO A QUALQUER DESPERDÍCIO

Certamente, as festas de fim de ano fizeram roupas, brinquedos e aparelhos eletrônicos novos desembarcarem na sua casa. É uma oportunidade para promover uma limpeza geral nos armários e ensinar que certos acúmulos são desnecessários. Além de gratificante, o ato de doar é pedagógico. “Ensina sobre desapego e mostra que nada é insubstituível”, diz Marina. falar sobre o uso consciente de água e energia elétrica e mostrar a importância de separar o lixo também são lições essenciais. “É preciso educar os filhos para que aprendam a não desperdiçar comida, tempo, amigos, afetos, talentos e oportunidades. Sustentabilidade engloba tudo isso”, afirma Blenda. O desafio é transmitir um pacote completo de limites, valores, responsabilidades e posturas cidadãs em diferentes áreas – um pacote para ser carregado a vida inteira.

 

Como lidar com o filho que segue religião diferente da dos pais

Publicado no UOL em 05/03/2013

Antes de criticar a escolha do jovem, procure entender o que o levou a uma religião diferente da sua

Antes de criticar a escolha do jovem, procure entender o que o levou a uma religião diferente da sua

O jovem foi criado de acordo com os preceitos religiosos que os pais acreditam e praticam, mas um belo dia comunica que se interessa e está seguindo outra religião. Como lidar? Como em todas as questões relacionadas à convivência entre adultos e adolescentes, o primeiro passo é respeitar e entender a motivação por trás da mudança.

Segundo o padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da PUC de São Paulo, o melhor caminho é sempre o do diálogo e o da compreensão. “Em primeiro lugar, os pais devem tomar conhecimento de que religião se trata e quais as implicações para a vida do filho e a da família. Ao mesmo tempo, têm de se colocar no lugar do jovem para entender seus anseios. Precisam também considerar que os tempos mudaram e que os adolescentes de hoje fazem exigências que a geração dos pais não fazia. Eles querem ser ouvidos e participar de tudo. São mais críticos, embora nem sempre consistentes.”

É essencial ter bom senso ao conversar sobre o assunto. “Os pais precisam perceber que nem sempre o que foi ou é bom para eles também é adequado para o filho. Portanto, devem permitir que ele procure seu caminho espiritual. A religião pode ser um apoio, uma sustentação emocional e não deve ser simplesmente cortada por mero capricho, cisma ou intolerância dos adultos. Se está fazendo bem para o filho, não há por que reprimir”, afirma a terapeuta familiar e especialista em psicodrama Miriam Barros.

Como a adolescência é uma fase de paixões e interesses intensos, mas não raro passageiros, vale observar o comportamento do filho antes de entrar em discussões. “É importante entender a razão pela qual ele está seguindo outra religião. Às vezes, é só porque uma menina por quem está interessado faz parte dela”, diz Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Também pode ser pela necessidade, bastante comum na faixa etária, de pertencer a um grupo.

Seja qual for o motivo que levou o jovem a se distanciar da religião praticada pela família e a adotar outra, o pior a se fazer nesse momento é tentar proibir a prática. “A repressão é puro jogo de forças e não leva ao diálogo”, declara o padre Valeriano, da PUC de São Paulo.

Opor-se, sem fundamento, à nova religião do filho é a pior forma de lidar com a situação. “Tem de se tomar cuidado para não virar coisa pessoal, o que provocaria mais resistência do outro lado. Se isso acontecer, não importa tanto a religião, o que importa é que ela se torna argumento para contestar os pais. Só existe um meio para ajudar os outros: amor e diálogo. Nesse clima é possível dizer a verdade sem ferir”, fala o religioso.

Conciliar crenças religiosas na mesma família é possível desde que a tolerância seja praticada, de acordo com os especialistas ouvidos nesta reportagem. “É preciso se colocar no lugar do outro e, acima de tudo, evitar disputas, competições, zombarias, tirar sarro, provocações. A verdade de um pode não ser a do outro”, diz a terapeuta Miriam Barros.

Sinal de preocupação

Respeitar, no entanto, não quer dizer não observar se a nova religião afeta ou não o comportamento do adolescente e de que maneira isso acontece. “O que pode parecer fanatismo, muitas vezes, é apenas um entusiasmo natural. Desde que o jovem continue a ter uma vida familiar, escolar e social normal, não há problema”, declara a terapeuta Miriam Barros.

Há atitudes que podem ser indício de uma dedicação exagerada à crença, segundo a terapeuta Marina Vasconcellos. “Soube de um caso em que o filho, que adorava música, jogou fora todas as partituras de canções que sempre havia tocado”, fala a especialista.

Mais uma vez, é importante recorrer ao diálogo e acompanhar o jovem à igreja que ele escolheu para melhor conhecê-la. Se a comunicação estiver difícil, os pais também podem pedir que algum adulto da confiança do jovem converse com ele ou, em casos extremos, optar pela terapia em família. A repressão deve ser o último recurso. “A proibição gera revolta. É provável que, de uma forma ou outra, o filho encontre uma maneira de fazer o que deseja”, diz Miriam.

Siga cinco passos e supere a ressaca moral após o Carnaval

Publicado no UOL em 13/02/2013

Refletir sobre o ocorrido é positivo para não cometer mais os mesmo erros, mas remoer a culpa é prejudicial (Foto: Thinkstock)

Refletir sobre o ocorrido é positivo para não cometer mais os mesmo erros, mas remoer a culpa é prejudicial (Foto: Thinkstock)

A folia parecia ótima. Até que, com a quarta-feira de cinzas, veio a ressaca moral. Sabendo que você passou dos limites, é comum sentir vontade de sumir, medo de encarar as ações dos dias anteriores e, claro, culpa e arrependimento. “A ressaca moral é a conscientização de um ato realizado contra seus princípios morais e éticos, mas que aconteceu em um momento de impulsividade ou sob o efeito de drogas como o álcool”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama.

O Carnaval, geralmente, tem a ver com excessos, mas há atitudes mais fáceis de superar e remediar do que outras, segundo o psicólogo Thiago de Almeida. Veja sete passos que te ajudarão a sair da crise:

1. Ligue para um amigo

Antes de deixar o desespero tomar conta de você, o primeiro passo é ligar para um amigo que esteve ao seu lado durante os festejos. “Falando com um amigo você terá a devida proporção do que houve na noite de excessos”, diz Thiago Almeida, que é especialista em relacionamentos. É essencial que seja uma pessoa de confiança. “Boas intenções por parte do outro são fundamentais para te ajudar a transformar a ressaca moral em aprendizado, e não em humilhação”, diz a especialista em comportamento humano Branca Barão, autora de “8 ou 80 – Seu Melhor Amigo e Pior Inimigo Moram Aí, Dentro de Você” (DVS Editora).

2.  Reflita sobre a gravidade do ocorrido

Avalie o nível do deslize cometido no Carnaval para saber o que fazer. Se o ato cometido envolveu ou prejudicou outras pessoas, converse e se desculpe. Se você não fez algo tão grave, mas sente que afetou alguém, também peça perdão. Mas se foi algo que apenas te envergonhou, mas não atingiu ninguém, não fique ressuscitando o assunto. Deixe que ele seja esquecido.

Se o seu erro foi grande e você precisa se redimir, esfrie a cabeça antes de agir. Não adianta tentar se explicar para uma pessoa com raiva. Nesses casos, o melhor é esperar a poeira baixar. Só assim será possível ter uma conversa lúcida. Em outros casos, como um mal-entendido, por exemplo, é melhor agir rapidamente, para que a raiva não aumente, segundo Marina Vasconcellos.

Para identificar qual opção seguir (pedir perdão imediatamente, esperar ou ignorar o ocorrido), coloque-se no lugar do outro. Como você gostaria que agissem com você em uma situação parecida? “Assim, você poderá imaginar quais atitudes os outros esperam que você tenha, o que te dará pistas de como agir”, diz Branca.

3. Tenha bom humor

Se a ressaca moral é consequência de atitudes inocentes (ou quase), que não prejudicaram outras pessoas, encare com bom humor as piadas dos que estavam presentes. Se você rebolou até cair no chão, por exemplo, aceite o fato de que será lembrado pela performance durante um bom tempo. “O que aconteceu, aconteceu. Se foi um pequeno vexame, não exagere na reação. Tenha paciência, pois novos fatos acontecerão com outras pessoas e o seu deslize será esquecido”, diz a psicóloga e psicoterapeuta Miriam Barros, especialista em psicodrama.

4. Não fique remoendo a culpa

Lamentar-se eternamente pelo que aconteceu no Carnaval não é a solução. Para a terapeuta sexual Arlete Gavranic, coordenadora do curso de pós-graduação em Educação e Terapia Sexual do Isexp (Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática), de nada adianta viver a culpa de modo destrutivo ou por muito tempo. “Você deve assumir o erro, desculpar-se e tocar a bola para frente. Vitimizar-se e ficar o tempo todo se justificando não resolve nada. Só faz com que o episódio continue sendo comentado por mais tempo”, diz.

5. Comportamento repetitivo

Quando a ressaca moral não tem fim, pode ser sinal de um problema emocional mais grave. “Quando erramos, temos de pedir desculpas, aprender e seguir em frente. Se permanecermos com o sentimento de culpa, é preciso procurar terapia” diz Marina. Repetir muitas vezes o mesmo erro também é sinal de que uma ajuda profissional é necessária, segundo Branca. “Ela é fundamental quando nosso comportamento nos leva para onde não queremos e não conseguimos mudar”, diz.

Quem só pensa em si mesmo é visto com desconfiança

Publicado no Bol em 28/12/2012

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Ao olhar para o lado e enxergar o outro, a pessoa ganha respeito e portas se abrem para relações saudáveis

Em um mundo cada vez mais competitivo, violento e desigual, a tendência é as pessoas se tornarem mais individualistas, tentando sobreviver em um meio que muitas vezes é hostil e cruel. As relações vão ficando impessoais, distantes, com pouco envolvimento afetivo. Claro que também há outro lado: indivíduos que, percebendo tudo isso, vão na contramão e buscam a espiritualidade, o amor ao próximo, uma maneira mais solidária e humanista de viver.

Além do entorno que leva ao personalismo, outras condicionantes determinam se o sujeito será ou não preocupado com o próximo. A principal delas, a criação. “Tal aprendizado vem desde a infância. Os pais passam para os filhos, em suas atitudes, e na forma como tratam os demais. Fica o registro do modelo de relacionamento em que se tornam evidentes a atenção e o respeito alheios, ou o contrário disso”, destaca Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

Padrão de pai para filho

Tudo serve de exemplo para as crianças: o modo como o casal se trata mutuamente, como se dirige aos filhos; o ato simples de cumprimentar os funcionários do prédio onde moram; o hábito de agradecer, falando “obrigado”, às pessoas que lhe fazem algo; o pedir com educação, sempre acompanhado do termo “por favor”. “Enfim, todas essas atitudes são compreendidas, pelo menor, como um cuidado necessário com os outros. Os bons progenitores ainda ficam alerta para chamar a atenção do pequeno quando este desrespeita um colega, ou se recusa a dividir um brinquedo”, diz a psicóloga.

No outro extremo, estão indivíduos que não desenvolveram a generosidade por questões familiares ou convívio com educadores em que imperava, na relação, conflitos, desentendimentos ou incompreensões, levando ao desrespeito mútuo. “A situação piora se os pais são omissos na educação, deixando passar situações em que o desacato predominou, sem chamar a atenção para o fato. Idem se apresentam um modelo de conduta pautado na agressividade, na imposição, na falta de diálogo. Daí para surgirem sujeitos egoístas, que não aprenderam a se colocar no lugar do outro, é um pulo”, sustenta Marina Vasconcellos.

Respeito e oportunidades

Ao olhar para o lado e enxergar o outro, a pessoa ganha o respeito não só deste cidadão em especial como também de muitos outros. Portas se abrem para relações saudáveis e oportunidades profissionais, pois fica claro que há habilidade para conviver em sociedade e preocupação com o próximo. “Isso é de uma importância ímpar no mundo atual, em que tudo leva ao egocentrismo e exclusivismo”, salienta Marina Vasconcellos.

Por outro lado, quem é autocentrado e pensa sempre em si mesmo em primeiro lugar, não levando os demais em consideração, sofrerá as consequências. Serão vistos com receio e não passarão confiabilidade – porque podem, por exemplo, abrir mão de algo que estavam fazendo em parceria e mudar o rumo do negócio caso seu interesse não seja mais aquele. E isso sem levar em conta o impacto sobre o outro ou o que ele pensa sobre o fato. “Quem lida com uma pessoa reconhecidamente egoísta tem que estar alerta, encará-lo com ressalva, pois não dá para contar totalmente ou mesmo confiar”, diz a psicóloga.

Agora, uma observação: sabe aquela história de que os extremos são complicados? Pois é o que defende Cecília Zylberstajn, psicóloga pela PUC-SP, psicodramatista e psicoterapeuta de adolescentes e adultos.

“Penso que ambos – egoístas e altruístas exagerados – sofrem. Os primeiros acabam se isolando e tendo relações prejudicadas pela falta de troca humana. Dar é um prazer que se aprende, e essas pessoas não vivenciam isto. Por outro lado, os muito altruístas podem ficar insatisfeitos consigo mesmos, não alcançando sempre seus objetivos de ajudar o próximo e, por vezes, sentindo-se abusados e sobrecarregados. Não podemos ser totalmente dependentes nem independentes, o saudável é ser interdependente.”

Para quem quer mudar o panorama e se tornar uma pessoa mais solidária, as terapeutas dão algumas dicas, acompanhe:

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Entrevista – Diferença de idade: entre a maturidade e o amor

Publicado no “Eu só queria um café…” em 30/11/2012

Recorte do cartaz de Lições de amor (2008)

Recorte do cartaz de Lições de amor (2008)

Para muito casais, além dos diversos problemas internos de uma relação, há ainda um problema externo: o preconceito com a diferença de idade entre os parceiros. Os estudos mais recentes sobre a faixa etária dos casais heterossexuais, realizado pelo IBGE, mostra que entre os anos de 1996 e 2006 o número de mulheres casadas com homens mais novos cresceu 36%, enquanto o número de homens casados com mulheres mais jovens teve aumento de 25,3%. E no dia-a-dia a diferença de idade exige cuidados: “ter a mesma fase da vida sendo compartilhada pode tornar a relação mais fácil”. A afirmação é da psicóloga Marina Vasconcellos,  especialista em Terapia de Casal e Familiar pela Universidade Federal de São Paulo. Em entrevista ao blog ela fala sobre idade, maturidade e amor e diz que o respeito é a palavra-chave para lidar com a diferença de idade.

Falando em idade e relacionamento, muitos dizem que a mulher amadurece mais rápido do que o homem, isso é verdade?
M: Na adolescência podemos ver uma diferença grande entre meninos e meninas, onde estas se mostram mais maduras. Há estudos que afirmam que os meninos ficam cerca de um ano atrás das meninas no quesito amadurecimento. Então, essa afirmação é correta.

Há alguma idade média a partir da qual o indivíduo se torna emocionalmente madura para o amor?
 M: Falar em amor é algo muito profundo… Diria que a partir da maioridade muitos jovens já conseguem experimentar esse sentimento, mas tudo é muito relativo. Vai depender da maturidade de cada um, das vivências, da criação a que foi submetido.

Quando duas pessoas aproximadamente da mesma idade se relacionam, a idade traz problemas ou benefícios?
 M: Pessoas da mesma idade que se relacionam muito provavelmente estão passando por situações de vida semelhantes, o que beneficia o convívio. A mesma fase de vida sendo compartilhada pode tornar o relacionamento mais fácil.

Recorte do cartaz de Novidades no amor (2009)

Recorte do cartaz de Novidades no amor (2009)

Agora, quando duas pessoas de idades distintas se relacionam, a idade traz problemas ou benefícios?
M: Tudo depende. Se ambos respeitarem as características da idade de cada um, suas limitações e possibilidades, pode transcorrer tudo muito bem. O problemas está quando um exige do outro atitudes ou posturas que são próprios da sua idade, e não da dele, não respeitando o tempo e as vivências do companheiro.

A senhora acha que a diferença de idade traz complicações à relação ou o preconceito traz mais?
M: O preconceito pode realmente atrapalhar. Muitos casais se dão perfeitamente bem, identificam-se em inúmeras coisas, um estimula o outro a fazer coisas que talvez sem sua companhia e estímulo nem passaria pela cabeça fazer, mas as pessoas olham com aquele “olhar reprovador”, crítico, o que pode dificultar a entrega verdadeira de ambos (ou um deles) na relação por estarem preocupados com a crítica externa. Se não estiverem muito seguros do que sentem, podem ficar balançados com os comentários, chegando a se questionar se estão fazendo realmente a escolha certa…

Cena de Garota da vitrine (2003)

Cena de Garota da vitrine (2003)

A pessoa que namora alguém mais velho e geralmente é acusada de estar interessada em dinheiro, como este preconceito pode afetar a saúde emocional do indivíduo?
M: Caso realmente seja amor, livre de qualquer interesse financeiro, é necessário um bom equilíbrio emocional para enfrentar os comentários e críticas que inevitavelmente virão. Descasados que se casam novamente com pessoas mais jovens, muitas vezes possuem filhos quase da mesma idade da nova mulher. A dificuldade já começa na aceitação da mulher por parte dos filhos (ou mesmo do homem, no caso inverso). É necessário uma dose grande de maturidade e bom senso para que a adaptação aconteça de forma gradativa, sempre com total apoio daquele que está sendo o alvo das críticas. Não é fácil viver uma relação onde as pessoas interpretam de forma errônea os sentimentos em jogo!

Muitos dizem que algumas mulheres ou alguns homens que se interessam somente por parceiros mais velhos tentam encontrar um substituto para seus pais. Isto é mesmo possível?
M: Sim, isso é possível. É preciso estar bem consciente do que se espera de uma relação, de um parceiro, para não confundir o “cuidado” ou atenção do outro com o cuidado materno ou paterno… Pessoas muito reprimidas na infância, ou que tiveram pais autoritários, que cresceram num ambiente hostil presenciando constantes conflitos, ou mesmo que tiveram pais ausentes, podem procurar alguém mais velho que lhes possibilite sair logo de casa, confundindo assim amor com necessidade de se livrar de um ambiente não saudável, ou procurando no parceiro o afeto que não recebeu dos pais… Há também aqueles que admiram a maturidade do mais velho e suas vivências, encantando-se com sua postura na vida, sentindo-se bem com a segurança e confiança que o companheiro lhe passa, enquanto pessoas da sua idade ainda não chegaram a esse nível de crescimento pessoal. Enfim, há inúmeras possibilidades, e cada caso é um caso…

Recorte do cartaz de Nunca é tarde para amar (2005)

Recorte do cartaz de Nunca é tarde para amar (2005)

Como os amigos e familiares devem agir quando um amigo ou parente namora alguém de idade diferente? Qual o limite entre a preocupação e o preconceito?
M: Se o casal está bem, feliz, e não aparenta estar com problemas, por que intervir? Isso seria preconceito, simplesmente ir contra a idade do parceiro. Agora, caso seja visível que algo não vai bem, que intenções do outro estão claras para todos mas apenas aquele que está dentro da relação não percebe, aí vale a pena uma conversa de “alerta”, de questionamento.

Há pessoas que estão até apaixonadas, mas não namoram porque a pessoa é mais nova e teme não conseguir manter uma relação madura. Relação madura tem a ver com idade dos parceiros?
M: A idade realmente ajuda na maturidade, pois a somatória das vivências faz com que as pessoas cresçam, se desenvolvam mais. Porém, alguns vivem intensamente experiências desafiadoras desde cedo, sendo inevitável o crescimento e amadurecimento como consequência. Vemos jovens de 20 anos às vezes mais maduros que um de 30, cuja vida não lhe exigiu uma postura mais madura. A criação aqui interfere, e bastante. Então, o que está em jogo é a postura da pessoa perante a vida e o modo como ela reage e aproveita as oportunidades de crescimento que aquela lhe oferece.

Supere os 9 maiores desafios de morar junto

Dividir despesas e lidar com as cobranças são fontes de discussões

Publicado no Portal Minha Vida em 17/10/2012

Em alguns relacionamentos, morar junto não passa de uma decisão mais cômoda para continuar o namoro ou ganhar momentos de intimidade. Um teste para o casamento propriamente dito é outra situação cada vez mais comum, principalmente entre os casais de jovens que ainda não saíram da casa dos pais. Nos dois casos, entretanto, um benefício é certo: a vida a dois aumenta a longevidade e melhora a qualidade de vida dos cônjuges. Uma pesquisa recente da Universidade da Califórnia, em São Francisco, comparou o estado de saúde de homens e mulheres com mais de 60 anos e descobriu que o grupo de solitários tem o coração mais frágil e estado de espírito mais depressivo – a partir de uma série de cálculos, os especialistas concluíram que os sozinhos apresentam chances 45% superiores de morrer mais cedo em comparação àqueles que dividem a rotina com alguém.

Só não vale esquecer que, para o arranjo dar certo, é preciso haver disposição em ceder e uma capacidade de tolerância acima da média para aceitar ritmo, comportamento e costumes diferentes. São desafios novos a cada dia, não importa a o grau de cumplicidade do casal. “Pensar sobre isso traz a dúvida, mas esse sentimento faz parte das grandes decisões e é importante para evitar atitudes impulsivas e diminuir as frustrações”, afirma a psicóloga clínica Raquel Baldo Vidigal.

Para ajudar você na reflexão sobre essa mudança e antecipar respostas para conflitos que, mais cedo ou mais tarde, tendem a aparecer, fomos atrás de especialistas no assunto. Eles reúnem dicas e alertas que mostram se este é, realmente, o melhor passo para o seu relacionamento.

Foto: Reprodução

Desafio 1: respeitar os costumes diferentes

A sua educação e as suas prioridades deram origem a costumes que são privilégio seu. As discussões sobre a forma de apertar a pasta de dentes (no meio ou no pé da bisnaga) rende uma piada clássica. Mas a brincadeira é só um exemplo simples de discussões que podem se encaminhar para brigas sérias. Para evitar desentendimentos, você precisa ver se está preparado para dar espaço ao outro, absorvendo novos costumes ou respeitando, pelo menos. “Os dois lados precisam ceder para a relação prosperar, em vez de opiniões isoladas, vocês vão experimentar o que é melhor para o casal”, afirma a terapeuta Familiar e de Casal Marina Vasconcellos, da Unifesp.

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Desafio 2: afastar o tédio da rotina

Criar uma rotina é parte da relação e ajuda a evitar discussões – se quarta é o dia do futebol dele, por exemplo, a mulher sabe que pode sair com as amigas e ficar com elas até mais tarde. Os hábitos de sempre viram um problema quando eles se tornam um obstáculo para a intimidade em vez de aproximar o casal. A melhor maneira de evitar isso é cultivar amizades e preservar a vida social, além de expor seus sentimentos em vez de deixar que eles se acumulem em forma de mágoa. “Se receber uma crítica, avalie e veja como ela pode melhorar relação de vocês, essa é a melhor maneira de amadurecer a relação sem cair na rotina”, afirma a psicóloga Raquel Baldo Vidigal.

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Desafio 3: preservar a vida sexual

Quando você decide morar junto com alguém, é natural notar mudanças na vida sexual – a frequência com que vocês ficam juntos e a disposição para ousar podem diminuir. “O sexo é importante e muito saudável para o casal, ele melhora a relação de intimidade e de segurança”, diz a terapeuta Familiar e de Casal Marina Vasconcellos, da Unifesp. Para evitar um cenário que prejudique a autoestima dos dois lados, propor surpresas é uma boa tática – vale desde uma viagem rápida no final de semana até uma noite no motel como nos tempos de solteiro.

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Desafio 4: respeitar a individualidade do outro

Um casal que acabou de se unir tem mania de fazer tudo junto, da balada no final de semana às compras no supermercado. O hábito é saudável enquanto não prejudica a convivência, mas deve ser repensado quando um dos dois lados sentir que está sendo sufocado pela relação. “Seus hábitos, seus sonhos e mesmo o seu espaço em casa precisa ser preservado, graças a ele você tem condições de se equilibrar e oferecer uma companhia agradável”, afirma a terapeuta Marina Vasconcellos. Quando sentir que houve qualquer tipo de invasão, física ou simbólica, fale sobre isso imediatamente em vez de esperar que o problema e se torne mais difícil de resolver.

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Desafio 5: dividir as tarefas domésticas sem brigas

Para evitar que as tarefas domésticas passem a ser motivo de brigas do casal, o melhor é criar uma divisão clara das funções. Isso inclui não somente o que fazer, mas como fazer – por exemplo: quem for lavar a louça deve fazer isso logo após a refeição ou existe alguma tolerância? Se a decisão for contratar uma empregada doméstica, discutam o pagamento antes de fechar o valor para que as brigas não acabem tirando o sossego de vocês.

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Desafio 6: ele(a) tem um vício que me incomoda

O ciúme exagerado ou o cigarro, por exemplo, não são surpresas para quem decide morar junto. Claro que isso não tira o seu direito de reclamar e propor uma solução para melhorar a vida conjugal, mas o melhor mesmo é refletir sobre isso antes de assumir o compromisso. “A chantagem da separação não funciona, porque mostra que você não está preocupado com a qualidade da vida a dois, mas consigo mesmo”, afirma a psicóloga Raquel Baldo. Propor um tratamento e até fazer companhia nas sessões serve como incentivo, informe-se sobre o problema, tente entender as origens dele e superem a situação como um casal.

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Desafio 7: dividir as despesas

A divisão de despesas está por trás da maioria das brigas conjugais. Antes de morar junto, vale discutir se vocês vão fazer a divisão por igual ou se quem ganha mais fica responsável por uma fatia maior nos débitos. A conta bancária conjunta também precisa ser avaliada com cuidado. “Quem aceita isso precisa estar preparado para questionamentos em relação às compras realizadas, o que pode causar um desgaste frequente”, afirma a psicóloga Raquel Vidigal. A melhor opção é cada um ter responsabilidades específicas e ficar a cargo delas. Havendo necessidade de economizar, no entanto, a decisão do que deve ser cortado precisa acontecer em conjunto.

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Desafio 8: ele (a) não gosta da minha família

A convivência familiar pode ser evitada, mas dificilmente será banida na rotina do casal. Nem que seja em ocasiões festivas, os grupos acabam se encontrando e é preciso respirar fundo para se sair de perguntas e situações inconvenientes. Fazer visitas breves, receber pequenos grupos em casa e convidar amigos íntimos ou parentes mais sociáveis são algumas alternativas para diminuir a tensão dos encontros familiares e deixar o ambiente mais leve. Após o encontro, tente conversar sobre os momentos mais divertidos e, aos poucos, estimule a conciliação. Também vale controlar bem o álcool servido nessas ocasiões, o excesso de bebida normalmente está relacionado a discussões.

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Desafio 9: evitar o excesso de cobranças

Qualquer mudança vem rodeada de expectativas e, quando decide morar junto com alguém, a situação ganha peso ainda mais forte. Isso porque existem as cobranças relativas à vida conjugal, que passa a ser uma novidade divida com todo mundo, e as cobranças pessoais quanto ao seu comportamento nessa nova situação. “Falar sobre essas expectativas abertamente é a melhor maneira de entender o quanto elas fazem sentido e podem ser atendidas”, afirma a terapeuta Marina Vasconcellos. Ficar sonhando com um ambiente ou com uma pessoa diferente daquilo que você tem, sem agir para que a realidade se transforme, só vai criar terreno para decepções e aumentar o risco de um desapontamento. Reclame se houver alguma cobrança que parece exagerada sob o seu ponto de vista e não deixe de mostrar o que você espera desta relação, a transparência diminui o estresse no relacionamento e permite que vocês construam juntos as expectativas dessa nova fase.

 

Pessoas falsas: como lidar com elas?

Conviver com a falsidade não é tarefa fácil e requer firmeza nas atitudes

Foto: Thinkstock

Pessoa fofoqueira, de sorriso largo, mas ama criticar pelas costas, distorcendo a vida e as atitudes dos outros. Como lidar com alguém assim? E quando esse alguém faz parte de sua família? Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, o distanciamento é o melhor remédio.

“Quando identificar que uma pessoa é falsa, o ideal é não se aproximar, não se abrir, não contar coisas sobre a sua vida que não gostaria que contasse para outras pessoas. Pode até mesmo cortar relações.”

Mas, ainda que essa pessoa falsa pertença ao mesmo grupo de amigos é possível manter a convivência. “Dá para permanecer no relacionamneto, mas mantendo distância daquela pessoa. Não é preciso sair do grupo, mas é necessário ter cuidado para não se aprofundar nos assuntos quanto estiver perto dela.”

Marina ressalta que essa convivência não é obrigatória, mas pode ser mantida sem muito envolvimento. “O ser humano não é obrigado a conviver com todas as pessoas da mesma forma, sempre terá mais empatia por uma que por outra. Mas é importante dizer que é possível manter uma relação social e superficial, sabendo até onde se colocar, mantendo sua intimidade, para não correr o risco de contarem de forma distorcida para outras pessoas.”

Falsidade em família

A situação fica ainda mais complicada quando a falsidade reina entre os familiares. Contudo, Marina enfatiza que, nessa circunstância, é necessária a convivência. “Isso porque as pessoas estão sempre juntas em festas e reuniões familiares, porém, tem que se preservar. É triste a constatação, mas é real: há casos em que a melhor coisa é se distanciar, porque a pessoa não é digna de confiança, e isso também acontece entre familiares. É melhor uma relação superficial, para ser possível conviver socialmente, mas não dá para ter uma relação com a pessoa.”

A psicóloga finaliza destacando que lidar com pessoas falsas é muito difícil. “Elas são manipuladoras, por isso, se tentar desmascará-las, será sua palavra contra a delas. Pode ser que as pessoas acreditem, mas em alguma hora, a máscara cai. Se o grupo acreditar naquela que é falsa, é ótimo para saber que tipo de pessoa é amigo dela. É positivo quando há essa distância das duas pessoas.”

Duras na queda

Elas têm pulso firme e não temem defender as suas opiniões; são mulheres linha-dura nas vidas pessoal e profissional, mas não deixam de ser queridas pelos que estão à sua volta

Publicado na Revista da Hora, em 04/03/2012

Em 1979, Margaret Thatcher, 86 anos, elegeu-se primeira-ministra do Reino Unido. Tornou-se ícone por ser a primeira mulher a assumir o posto, no qual permaneceu por mais de uma década. Em uma área como a política, dominada por homens, Thatcher se destacou por ser linha dura, administrando o país com rédeas curtas, adotando uma postura muitas vezes inflexível e ríspida e enfrentando os seus opositores com coragem.

Não à toa ganhou a alcunha de “Dama de Ferro”, título adotado pelo filme que relembra parte de sua história e foi lançado no início deste ano, rendendo a Meryl Streep, que interpreta Thatcher, o Oscar de melhor atriz.

Mulheres fortes como ela estão por todos os lugares. No comando de grandes empresas ou da própria casa, elas se destacam sem perder a feminilidade característica em um mundo que, muitas vezes, ainda vê o homem como líder natural.

No próximo dia 8, comemora-se o Dia da Mulher, e a Revista da Hora foi atrás de histórias de figuras que conduzem as suas vidas com garra e coragem.

Generais 

Por trás do jeito tímido e da cara de menina de Cecilia Guedes, 29 anos, esconde-se uma mulher cheia de fibra. A arquiteta não nega que adora mandar e credita a postura firme à mãe, que, segundo ela, também tem o gênio forte. “Há quem não curta mandar, mas eu gosto bastante. Sinto-me bem. Apesar da timidez, sempre acabo no comando. É assim desde o colégio”, conta. “Nunca fui chefe, mas, se me derem liberdade no trabalho, falo mesmo. Na faculdade, eu coordenava as atividades em grupo, dizendo o que cada um ia fazer e acompanhando o que todos realizavam”, relembra.

A autoridade se reflete até no namorado, o chef Rubens Ferreira, 35 anos. Cecilia dá palpite em tudo o que ele faz. Apesar do gosto por cozinhar, ele come pouco, o que a preocupa. “Tenho de brigar para que ele se alimente direito. Ele me pergunta: ‘Eu posso comer isso?’; ‘Posso fazer aquilo?’, mas nem sempre me obedece”, revela, relembrando que já teve até de colocar comida no prato do companheiro. “Mas, às vezes, procuro controlar esse meu instinto. Assumo quando passo dos limites e estou errada ”, pondera.

Desde que se entende por gente, a publicitária Thais Mendes, 35 anos, resolve os seus rumos com firmeza. “Meu dia a dia exige decisões rápidas e que, muitas vezes, envolvem interesses de outras pessoas, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Então, em alguns momentos, preciso me impor”, avalia.

Chamada de general pela família, Thais é mãe de uma menina de oito anos, a quem educa com rigidez. “As pessoas, em alguns momentos, acham que sou rígida até demais. Imponho rotina, limites e cobro bastante. Acho que isso é resultado de ter sido criada de uma forma mais livre”, explica. “Talvez seja justamente por isso que eu tenha me tornado uma pessoa firme. Tive de aprender a me impor muito cedo.”

No trabalho, entretanto, Thais busca controlar as atitudes. “Acho que lapidei um pouco o estilo. Já fui mais estourada, hoje procuro manter o pulso firme, mas de forma moderada.”

Assim como Thais, a empresária Sônia Regina Hess de Souza, 56 anos, presidente do grupo do ramo têxtil Dudalina, é chamada de general. Mas por seus funcionários. Ela, que comanda a empresa criada pela mãe, defende que o pulso firme vem, em especial, da coragem de enfrentar o que aparece e de tomar grandes decisões. “Eu não posso levar a empresa de forma estabanada, tratando cada um de forma diferente. Os meus 1.700 colaboradores são iguais. Ninguém é mais importante do que ninguém.”

Claudete Aparecida Coimbra Lira e Silva é professora de história; ela não abre mão de seguir uma postura firme, mas sem rispidez, com seus alunos e é respeitada por eles. (Foto:Léo Pinheiro/Folhapress)

É dando o exemplo que considera correto que ela busca passar o que acredita aos funcionários. “Preciso estar sempre me policiando para que as minhas vontades pessoais, coisas que não têm nada a ver com o negócio, não interfiram nele.”

Sônia confessa, porém, que, de vez em quando, sonha em ser um pouco mais relaxada, menos linha-dura com ela mesma. “Muitas vezes me questiono se é importante ser tão corajosa. Às vezes, queria tanto passar um dia inteiro fazendo massagem, batendo perna, almoçando com as amigas durante a semana, coisas que nunca fiz na vida”, lista. “Mas são opções. E eu optei por ser a presidente da empresa. A coragem está em escolher o seu caminho.”

Liderança feminina

Edson Capone, psiquiatra e professor da faculdade de medicina da Unesp (Universidade Estadual Paulista), enxerga essa rigidez de algumas mulheres como uma característica natural. “Não é que elas sejam mais fortes ou menos afetivas. Isso é um atributo de personalidade. O que leva uma mulher a ser rígida é a genética —quando ela nasce com esse temperamento— ou a influência da educação que tem e do convívio com os outros”, explica. “Uma mulher que seja filha de uma mãe muito rígida pode ser assim também ou, por aversão a esse estilo, mais relaxada”, completa Capone.

Essa segurança pode ser utilizada positivamente na vida profissional, dizem os especialistas. “No homem ou na mulher, é um traço bom para a liderança. Costuma indicar um perfil mais agressivo, de dominação. E a mulher ainda associa isso ao seu lado feminino, com um olhar atento às relações pessoais”, avalia Maria Claudia Lordello, psicóloga e sexóloga da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Delegada titular da 5ª seccional – Leste, em São Paulo, Elisabete Sato, 54 anos, tem 700 funcionários —de todas as carreiras policiai — para dirigir. Há 35 anos na Polícia Civil, ela diz que, além de cobrar os outros, cobra muito de si mesma. “Não é fácil comandar todos esses policiais e estabelecer objetivos e metas em termos de gestão, como o que fazer para que a comunidade para a qual você trabalha se sinta segura”, fala. “É preciso muita dedicação e disciplina. Ainda vivemos em uma sociedade machista. As mulheres na polícia são minoria. Então, conquistar o respeito dos superiores homens, das colegas mulheres, das pessoas que trabalham com você, não é tão fácil. Mas, quando você adquire essa respeitabilidade, tudo evolui”, considera.

Até 2006, Elisabete brinca que estava casada com a polícia —em 2007, ela se casou mesmo, com o companheiro com quem vive até hoje. A delegada adotou uma postura controlada, que diz ter desde a adolescência, para chegar aonde chegou. “Sou muito crítica comigo e com os outros. Não posso vir trabalhar de minissaia ou com decote. Você tem de saber se portar, defender os seus pontos de vista, mostrar que tem conhecimento do que está falando. Tudo isso faz parte da conquista”, defende. “E eu me privo de muitas coisas. Não vou ao boteco tomar uma cerveja, isso é horrível para uma delegada. É claro que saio com o meu marido, posso ir assistir a um jogo em um bar, mas  ninguém vai me ver trançando as pernas por aí. A postura na vida privada contribui na profissional.”

Em casa, com o marido, Elisabete revela que toma cuidado para não se impor demais. Aos risos, ela afirma como ele reage quando ela é dura: “Ele diz: ‘Poxa, delegada você é no trabalho’. Se não tentar amenizar a postura, não dá para ficar casada. Mas sou uma pessoa tranquila, com bom astral”.

Sônia Regina Hess de Souza afirma que, de brincadeira, é chamada de general. (Foto: Reprodução)

A delegada Elisabete Sato diz que é preciso disciplina para crescer na profissão. (Foto: Reprodução)

Buscar um equilíbrio na hora de se dirigir aos outros, para não passar de autoridade a autoritário, é o conselho de Marina Vasconcellos, psicóloga especialista em psicodrama terapêutico. “Ser firme não significa ser antipático. É possível ter autoridade sem ser autoritário. Não é mandar por mandar. Quando vemos no outroa competência, passamos a confiar, a admirar, e sabemos que se trata de alguém inteligente.”

Ter cuidado na maneira como leva a vida pessoal também é importante, segundo Heloisa Schauff, psicoterapeuta especialista em terapia de casal e família. “É claro que, às vezes, você precisa ser firme. Mas existem casos de maridos que chegam a falar para as mulheres que, ali, elas não são chefes. Às vezes, elas chegam em casa tão pilhadas que acabam dizendo que algo é assim ou assado, como se estivessem cobrando o subordinado”, fala. “Não se pode confundir. Existe o momento de ser firme, mas não dá para tiranizar o outro nem achar que você não pode mostrar um lado mais sensível. Faz parte da assertividade ter compreensão.”

 Professora de história, Claudete Aparecida Coimbra Lira e Silva, 45 anos, usa seu pulso firme, herdado da mãe, com os alunos, mas sem perder o carinho deles. “À medida em que eles vão me conhecendo, adaptam-se ao meu jeito. Essa postura me ajuda no sentido de fazer com que os meus alunos aprendam, desenvolvam-se, tenham senso de cidadania e saibam que, no ambiente escolar, existem regras de comportamento como em todos os outros lugares”, defende. “Acho que não consigo passar isso a 100% da turma, mas, pelo menos, deixo claro a minha posição. Vejo em alguns alunos que encontro depois essa atitude de respeito”, acrescenta.

Orientar 40 pessoas —em sua maioria, homens— quase todos os dias é a tarefa de Marie-France Henry, 55 anos, proprietária do restaurante La Casserole. Sem perder a doçura feminina, ela apresenta as suas ideias ao grupo e o direciona com determinação. “Não concebo trabalhar em um ambiente em que se tenha um distanciamento muito grande entre as pessoas. Acho que as lideranças são reconhecidas quando são legítimas”, opina. “No meu restaurante, os funcionários me reconhecem enquanto autoridade, sabem que estou lá para mostrar direção, sabem que, se eu estou apontando esse caminho, não adianta eles dizerem que é outro. O que se discute é como vamos trilhar esse caminho juntos”, assegura.

Mãe de dois filhos já adultos, ela conta que, em casa, é necessário ponderar. “É uma convivência diferente de um ambiente profissional. Nas relações pessoais, é preciso ter a sabedoria de poder escolher os momentos de ser mais firme ou mais flexível.” Já diria Che Guevara (1928-1967): “É preciso endurecer, sem perder a ternura, jamais”.

Damas de ferro

Personalidades que têm o pulso firme na vida real

Graça Foster 

Número 1 da Petrobras, a engenheira entrou na estatal como estagiária, em 1978. Chegou à presidência no mês passado, indicada por Dilma, coma fama de que tem pulso firme para conduzir o trabalho.

Dilma Rousseff

A primeira mulher a ser eleita presidente do Brasil tem o temperamento forte e se mostra firme na hora de tomar decisões, como afastar ministros envolvidos em casos de corrupção. Dilma foi considerada a terceira mulher mais poderosa do mundo em ranking divulgado pela revista “Forbes”, no ano passado.

Martha Rocha 

Chefe da Polícia Civil do Rio, ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo. Rígida em suas atitudes, Martha comandou as investigações do sequestro ao ônibus 174,em2000, que chegou ao fimcoma morte de um refém e do sequestrador. Na época, indiciou um comandante do Bope (Batalhão deOperações Especiais) que participou da operação.

Marluce Dias 

Ex-toda-poderosa da Globo, ela chegou, nos anos 1990, a responder pelas principais áreas da empresa, como a própria TV Globo e a Globosat, além do portal Globo.com. Afastou-se em 2002 para se tratar de um câncer e, em 2007, desligou-se da empresa.

Angela Merkel 

Em 2005, ela se tornou a primeira chanceler da Alemanha. Desde então, tem liderado com pulso firme a economia do país. Ela lidera a lista das mulheres mais poderosas da revista “Forbes”.

Na ficção, elas também mostramseu lado mais rígido

Griselda, em “Fina Estampa” 

A protagonista da atual novela das nove, vivida por Lilia Cabral, não leva desaforo para casa e cuida dos filhos com o pulso firme. Quando Antenor (Caio Castro) tentou enganar a família da namorada, passando-se por um rapaz rico, ela o desmascarou e ainda lhe deu uma surra na frente de todos.

Kate Armstrong, em “Sem Reservas”

O filme mostra Catherine Zeta-Jones na pele de uma chef disciplinada, que comanda a sua cozinha de maneira perfeccionista, assim como a sua vida. Ela só tem de rever os seus conceitos quando precisa cuidar da sobrinha, Zoe (Abigail Breslin), uma menina de apenas nove anos de idade.

Miranda, em “Grey’s Anatomy”

Um dos destaques da série americana, a médica, papel de Chandra Wilson, chega a ser apelidada de nazista, de tão dura que é com seus alunos, de quem tenta tirar o melhor.

Maria do Carmo, em “Senhora do Destino” (2004)

Antes de se tornar uma empresária bem-sucedida, a personagem nordestina interpretada por Susana Vieira teve de reconstruir a vida no Rio sozinha, após ser abandonada pelo marido, e lidar com o sequestro de sua filha recémnascida, Lindalva, a quem nunca desistiu de procurar.

Solidariedade: descubra formas de ajudar o próximo e aproveite os benefícios

Atitudes solidárias podem estar em ações simples do dia a dia

Publicado no Portal Minha Vida em 07/05/2012

Ajudar o próximo é um ato nobre que muita gente busca praticar no dia a dia, mas às vezes não sabe por onde começar. Por isso, hoje vamos mostrar como é possível ser solidário com atitudes simples, mas que fazem toda a diferença.

Sentimento de ajudar ao próximo. Esta é a base deste conceito tão amplo chamado solidariedade. Uma postura solidária envolve a capacidade de compartilhar o sentimento de outra pessoa e, de alguma forma, tentar amenizar o problema.

Segundo a psicóloga Marina Vasconcelos, ser solidário é se identificar com o problema alheio, e assim, ter capacidade de se colocar no lugar do outro. É um sentimento de que a dificuldade pela qual outras pessoas passam também nos pertence.

Ser solidário é uma troca. Isso porque quem é ajudado não é o único beneficiado pela atitude. Assim como compartilhamos sentimentos de dor, fazer alguém sorrir também nos afeta positivamente. O psicólogo Vitor Sampaio explica que todos nós estamos em relação uns com os outros. Por isso, se fizermos algo de bom a uma pessoa, estaremos fazendo bem a nós mesmos.

As formas de ser solidário são muitas. E todas são sempre benvindas. Para começar, são os pequenos gestos que fazem a diferença. O apoio a instituições também representa uma ação muito valiosa, que pode favorecer muita gente. Além da ajuda financeira, pode-se doar roupas, alimentos e, por mais que não pareça muito, um pouco de atenção faz um bem enorme para muita gente.

Participar de qualquer atividade que ajude os outros de alguma maneira é uma forma de manifestar solidariedade. Você pode doar sangue, se tornar doador de órgãos, prestar auxílio a pessoas portadoras de deficiência e até ajudar aquele amigo que está passando por dificuldades. Por isso, comece já a praticar atitudes solidárias e aproveite os benefícios de fazer bem a quem precisa.

Preconceito pode vir de algum aprendizado anterior

Mas é um problema cada vez mais exposto

Publicado em Arca Universal em 11/05/2012

Foto: Thinkstock

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, o preconceito – principalmente étnico – acontecia muito mais antigamente por causa da escravidão dos negros. “Provavelmente, uma pessoa preconceituosa age desta forma, porque viu um modelo de alguém, aprende em algum momento a ser assim, mas cada vez menos isso acontece. Antigamente, nossos avós e bisavós eram muito preconceituosos, porque e negro era escravo. Mas isso já mudou.”

Porém, o preconceito fica mais evidente hoje, porque as pessoas não aceitam mais atitudes assim. “Antigamente era normal ser preconceituoso e os negros aceitavam isso, se submetiam pelo trabalho, não tinham o que fazer, mas trabalhavam revoltados por dentro, humilhados. Como hoje não é normal, quem é preconceituoso chama atenção”, explica Marina.

É claro que o preconceito vai muito além do racismo, atingindo também aquele que é diferente, portador de alguma deficiência física. “As pessoas agem contra aquilo que é distinto, do que sai dos padrões da sociedade. Quando destoa daquilo que é maioria, já julgam que é errado”, esclarece a especialista.

Para a Auxiliar de Serviços Gerais, Paula Elias, de 27 anos, o comportamento ainda está muito latente. “Eu sempre sofro preconceito porque sou gordinha. Vejo no ônibus, por exemplo, que as pessoas preferem ficar de pé a sentar em um banco vago ao meu lado, para não ficarem apertadas. Mesmo se falando mais sobre o assunto, ainda existe muito.”

Marina Vasconcellos ressalta que, como o preconceito está sendo mais exposto, ele acaba aparecendo mais. “Por isso, aparecem mais as pessoas preconceituosas, porque agora elas têm que enfrentar o que não gostam, a ponto de não conseguirem respeitar o próximo como ele é.”

É por isso que existe uma linha tênue entre o desrespeito e o julgamento. “O preconceituoso julga o que, e como a pessoa deve fazer ou não, se está certo ou errado. Mas o preconceito e o desrespeito estão ligados, porque o preconceito nasce do desrespeito ao próximo, do julgamento equivocado de valores.”

Paula diz que nunca sofreu um preconceito declarado, mas já passou por outras situações. “Nunca ninguém me falou nada, mas olham muito. Já passei por isso em algumas entrevistas de emprego, por exemplo. A pessoa vê que sou gorda e negra, diz que me retonará e não liga nem para dizer que não fui selecionada.”

Para Marina, é possível lidar com quem é diferente, sem ser preconceituoso. “Respeitar as diferenças é fundamental, em qualquer relação humana. Não se pode desejar mudar o outro. É preciso respeitar a maneira de ser do outro, convivendo com a diferença, mesmo não concordando, mas aceitando.”

Julgamento de si

Há também o preconceito de si, muito presente na sociedade, onde se pressupõe que as pessoas vão apontá-lo. “É, por exemplo, o caso do negro, que acaba pensando que as pessoas terão preconceito contra ele, sendo este o preconceituoso. Ele mesmo já chega se acusando”, detalha Marina.

Consequências

Ser um preconceituoso traz grandes implicações para a vida da pessoa. “Por ela se tornar radical, inflexível, julgando-se superior aos outros, acaba sendo chata, inconveniente, grosseira e muitas vezes desrespeitosa, ao evitar o contato com uma pessoa no ônibus, por exemplo.”

Além de ser excluída pelas outras pessoas, acaba também se afastando delas. “Porque começa a rotular, julgando, se achando superior e se separando de uma relação com quem é diferente dela.”

Saindo do preconceito

Para deixar de ser preconceituoso há dois caminhos possíveis. “Com este afastamento das pessoas, pode ser que perceba o quanto está subjulgando e busque deixar de ser assim. Também é possível que o preconceito aconteça com a própria pessoa, que sinta na pele o desprezo, ou que veja algo próximo, como por exemplo, um homem racista, mas que a filha escolhe um negro para casar. Abandona a filha ou aceita? É um caso difícil”, finaliza Marina.

Reclame Menos

Pessoas que vivem se queixando prejudicam suas relações sociais. Em vez de só falar sobre as dificuldades, enfrente-as, para se tornar mais confiante e satisfeito com a vida.

Publicado na Revista Bem-Estar em 15/04/2012

“A reclamação é uma epidemia no mundo de hoje, por isso não se espante quando descobrir que você também se lamuria bem mais do que imaginava”, afirma o autor norte-americano Will Bowen, depois de propor um esquema de monitoramento contra o excesso de queixas em seu livro “Pare de Reclamar e Concentre-se nas Coisas Boas” (editora Sextante).

Ele está certo. Todo mundo reclama demais e de tudo. Basta iniciar um simples diálogo para brotar entre os interlocutores uma enxurrada de insatisfações. É o latido do cachorro do vizinho durante a madrugada, o trânsito da cidade, a falta de aumento salarial, o descontentamento com os políticos, entre tantas outras reclamações.

Mas a definição propriamente dita de “reclamar” acaba se perdendo um pouco, pois ninguém exige, pede ou reivindica nada do que gostaria. Um dos significados mais evocados é o ato de “se queixar”.

É exatamente isso que Bowen aborda em sua obra ao dizer que ninguém reclama pelas coisas que quer, mas apenas por aquelas que não quer, concentrando palavras e pensamentos negativos. “Nós nos concentramos no que está errado, em vez de dar atenção à nossa visão sobre o que é um mundo feliz, saudável e harmonioso”, destaca o autor em seu livro.

E esse universo de reclamações acaba produzindo uma sobrecarga e tensão que distanciam qualquer tipo de relacionamento social. Afinal, ninguém que por perto uma pessoa que transmite insatisfação constante. Quem resmunga acaba produzindo mais problemas, pois deixa de valorizar aspectos positivos da vida, principalmente quando tem de enfrentar momentos difíceis.

“O problema é quando reclamar torna-se um fim e não um meio”, afirma a psicóloga Vanessa Aparecida Buzzo Rodrigues, do hospital Santa Cruz, em São Paulo. O rótulo de “reclamão” não demora a aparecer em quem se queixa de tudo.

Essa atitude transforma-se, na maioria das vezes, em um hábito inconsciente.

A psicóloga Marina Vasconcelos, de São Paulo, especialista em psicodrama terapêutico, conta que muitos “reclamões” buscam um motivo para criticar, e os significados por trás disso são vários. “Essa insatisfação tem de ser analisada no histórico pessoal. Pode ser inveja, levando à vontade de ‘destruir’ algo criticando; perfeccionismo, sentindo necessidade de cobrança para que todos hajam da mesma forma; insatisfação pelas próprias escolhas, ou uma necessidade de chamar atenção.”

Nessa dificuldade de reconhecer os reais motivos que nutrem esse núcleo da reclamações, a psicóloga afirma que a maioria não tem disposição para mudar o que lhes desagrada. Falta coragem, postura ativa, vontade de mudar. “O medroso não arrisca, pois o desconhecido assusta, mas age como inconformado”, diz Marina.

Antes de começar a se lamentar de tudo, é importante parar para refletir e fazer algumas perguntas a si mesmo: O que tenho feito para mudar? Tenho tentado mudar? O que me impede? É um real impedimento? Se as respostas são negativas, as reclamações são em vão, sinal de que o ditado “fala demais e faz de menos” está em pleno andamento em sua vida.

Se essas reflexões forem possíveis, mesmo quando tudo não está saindo como previsto, é preciso calma. Não é areclamaçãodaboca para foraque iráresolverumproblemaoudificuldade, isso só desestabilizará ainda mais seu lado emocional.

“Queixar-se é natural, mas também uma forma de se acomodar a situações adversas, deixando de enfrentá-las. A dificuldade de enfrentamento pode ser devido a alguma insegurança que se instalou”, afirma a psicóloga paulistana.

Mas reclamar não é proibido

Claro que algumas críticas são construtivas e necessárias, assim como reclamações são importantes em situações em que há abusos. É necessário, por exemplo, reivindicarnorestaurantequandoacomida está fria, quando a conta do condomínio aumenta sem aviso prévio ou qualquer situação em que haja real desleixo e prejuízo evidente.

As queixas somente são justificáveisquando estão em busca de direitos, mas não devem ser direcionadas a quem não pode resolver o problema. Se existe algo errado, de que adianta reclamar com a mãe ou o vizinho? É precisar agir do modo certo, buscar o diálogo com a pessoa que é responsável por sua reclamação e dar um ponto final no problema.

Modifique a situação

Quem reclama demais tem relacionamentos infelizes, problemas de saúde e financeiros, pois não consegue buscar a solução para suas dificuldades. Para Vanessa Aparecida Buzzo Rodrigues, psicóloga do hospital Santa Cruz, em São Paulo, pessoas que reclamam demais têm umaintensidade de sentimentos negativos, de menos valia.

“Elas tornam-se amargas, incapazes de sentir alegria ou perceber coisas boas. São ou transformam- se em pessoas mal humoradas, intolerantes, irritadas. Em alguns momentos, têm um humor deprimido, sentimento de que são desprezadas”, explica a psicóloga.

É esse comportamento que torna os “reclamões” pessoas desagradáveis, afastando os vínculos sociais. A modificação dessa situação,
no entanto, é um processo que requer a busca ou reencontro do autoconhecimento para refletir o que está acontecendo.

“Conseguindo mudar de comportamento, a pessoa ganhará mais autoestima, autoconfiança, satisfação com a vida e, simultaneamente, relacionamentos de melhor qualidade, sentindo-se mais segura, confiante e aceita”, diz.

Leitura

“Se formos honestos com nós mesmos, os acontecimentos da vida que provocam reclamação legítima serão extremamente raros. A maior parte das reclamações que fazemos é apenas ‘poluição sonora’, prejudicial à nossa felicidade e bem-estar. Preste atenção no que você faz. Você se queixa com freqüência? Quanto tempo já se passou desde sua última reclamação? Um mês ou mais? Se você reclama mais do que uma vez por mês, pode estar fazendo da lamúria um modo de vida.”

Trecho do livro “Pare de Reclamar e Concentre-se nas
Coisas Boas” (editora Sextante), de Will Bowen

Desafio dos 21 dias

A ideia é passar o período sem reclamar de nada ou criticar as demais pessoas. Para isso, você será responsável em fazer o próprio monitoramento e tomar consciência diária das próprias atitudes e comportamentos

Veja como fazer:

  • Crie seu sistema de monitoramento e coloque o objeto escolhido em numa posição. Se for uma pulseira, coloque-a em um dos braços
  • Quando notar que está reclamando de algo, falando mal, fazendo fofoca ou criticando alguém, mude a pulseira de braço e recomece a contagem
  • Seja persistente. Não é fácil cumprir o desafio dos 21 dias na primeira tentativa. A média é de quatro a oito meses para tomar consciência das atitudes

Fonte: Livro “Pare de reclamar e concentre-se nas coisas boas” (editora Sextante), de Will Bowen

Dança: benefícios incluem fazer amigos e perder peso

Atividade melhora o condicionamento físico e ajuda a perder a timidez

Publicado no Portal Minha Vida em 30/01/2012

Já pensou em se exercitar enquanto se diverte e faz amigos? Se a ideia lhe agrada, a dança pode ser uma ótima alternativa para você. Por isso, conheça os benefícios desta atividade que faz bem ao corpo e à mente.

Quem vê esses Rosely e Moacir dançando, nem imagina, mas a atividade entrou na vida deles há pouco tempo. Eles procuravam por uma atividade que não só beneficiasse o corpo, mas que também ajudasse na interação social e trouxesse bem-estar. A resposta não poderia ser outra: escolheram a dança.

“A dança mudou radicalmente a minha vida. Não só fisicamente, como socialmente. Hoje eu me relaciono com muito mais facilidade, eu me desenvolvi muito. Eu acho que pra mim, só foi benefício”, afirma a aposentada Rosely Aparecida Villar. Já para o advogado Antonio Moacir Magalhães, os resultados não foram muito diferentes. Ele acha que todos deveriam praticar.

Dançar é uma das atividades mais completas que existe. Ela aumenta a frequência cardíaca, estimula a circulação do sangue, melhora a capacidade respiratória e, de quebra, ainda queima muitas calorias, o que é essencial para quem quer perder peso. E o melhor: quem pratica, geralmente nem percebe o esforço que faz. Em apenas 30 minutos de atividade, a dança é capaz de eliminar muitas calorias.

Quem dança bolero queima, em média, 175 kcal. Já quem prefere o forró ou o samba de gafieira pode perder 235 kcal. Mas o rock é o verdadeiro campeão na perda de peso. Em meia hora é possível perder 275 kcal. Mas os benefícios da dança não param por aí não. Os efeitos psicológicos também são muito valiosos.

Só pela prática do exercício físico, já ocorre no organismo a liberação da endorfina, uma substância conhecida por proporcionar prazer. Além disso, a dança é essencialmente uma atividade social. Estimula o diálogo e permite a troca de experiências, o que pode ajudar a superar a timidez e trazer autoestima.

“O ritmo faz vocês soltar emoções, tensões, libera estresse”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos, também praticante de dança.

Quer começar a dançar e aproveitar todos os benefícios? Então procure já um curso de dança e escolha o estilo musical que tem mais a ver com você. Por volta de três meses, até os mais desajeitados já começam a fazer bonito.

Vídeo informativo no Portal Minha Vida.

Não deixe o mundo virtual afetar seus relacionamentos

Checar mensagens enquanto conversa com um amigo pode parecer descaso

Publicado no Portal Minha Vida em 27/02/2012

Recentemente vivi uma situação que chamou a minha atenção: minhas filhas de 11 e 13 anos e o primo, de 16 anos, encontraram-se na casa dos avós no almoço de domingo. Os três com os respectivos celulares em mãos logo se uniram e foram trocar músicas e mostrar os novos jogos descobertos.

Animados, intercalavam checagens de novas mensagens que não paravam de chegar enquanto trocavam informações. Naquele momento, a diferença de idades não se fazia notar, pois todos estavam no mesmo nível tecnológico e falavam exatamente a “mesma língua”.

Essa é uma das cenas mais comuns nos dias de hoje: as pessoas conectadas, checando mensagens, ouvindo músicas com fones de ouvido, mexendo em seus Ipads, Iphones, Itunes e tudo o mais que há por aí da mais alta tecnologia.

A constatação de que os adolescentes não sabem mais se relacionar sem esses aparelhinhos no meio me preocupou. Apenas bater papo ou jogar algum jogo de tabuleiro, como fazíamos antes, já não satisfaz mais. Tudo isso ficou “sem graça”.

E aí eu e tantos outros pais que vivemos o mesmo dilema nos perguntamos: isso é saudável? Será que essa necessidade de estar conectado constantemente pode atropelar os relacionamentos pessoais? Qual é o limite que devemos colocar no uso desses equipamentos para que os filhos não fiquem absolutamente viciados nisso? Será, talvez, que devemos simplesmente nos conformar com a nova realidade e aceitar que pra eles isso satisfaz?

Vejo, frequentemente, outra cena que me preocupa: casais de namorados ou mesmo marido e mulher que, à mesa do restaurante ou em um barzinho com música ao vivo, não se falam. Ambos estão preocupados em checar suas mensagens no celular, as últimas postagens do Facebook ou bater papos ?virtuais? via MSN. É uma grande ironia: as pessoas ali, ao vivo, não se relacionam, mas estão cheias de “amigos” na internet. Para onde foi a qualidade dos vínculos interpessoais? O virtual vale mais que o presencial?

Temos que educar nossos filhos dando-lhes limites para que não se transformem em adultos viciados em relacionamentos “virtuais” e para que deem o devido valor ao contato humano. Como você se sente quando está contando algo para uma pessoa e ela fica o tempo todo checando mensagens, dizendo que está prestando atenção ao que você diz, mas olhando para o celular e teclando uma resposta? Não lhe parece descaso com a sua pessoa?

Pois é, infelizmente isso é cada vez mais comum. Devemos aceitar o avanço tecnológico, pois, quanto a isso, não há mais volta. Ao mesmo tempo, não podemos fechar os olhos ao que estamos fazendo com nossas relações.

Recebo casais no consultório que se queixam da escassez de diálogo em função do uso exagerado do computador por parte de um deles. A falta de limite colocado por aqueles que levam trabalho para casa e continuam conectados até tarde da noite com “coisas que não podem ser deixadas para amanhã” tem afetado diversas relações.

Pais que não têm mais tempo para os filhos, para a família, para o lazer e casais que não sabem mais o que é “namorar” vão pouco a pouco minando seus vínculos.

A internet chegou definitivamente para nos auxiliar, para abrir o mundo e nos conectar com coisas que nem imaginávamos ser possível, mas não permita que ela nos desconecte do que temos de mais valioso: nós mesmos e nossas relações verdadeiras.

Mania de perseguição nem sempre é percebida por quem tem

HELOÍSA NORONHA 

Colaboração para o UOL

 

Basta um olhar torto do chefe, da amiga ou até de um desconhecido na fila do cinema para os piores pensamentos virem à tona: “Ele me odeia”, “O que será que fiz de errado dessa vez?”, “Está achando minha roupa cafona”…  Muita gente pena, calada, com a mania de perseguição. Ela pode ser interpretada como uma necessidade inconsciente de ser o centro das atenções –a pessoa que acredita que os outros estão prestando atenção nela, no fundo, se sente isolada e sozinha e anseia camuflar uma grande timidez. Mas não é uma regra.

“Quem acha que o tempo todo é vigiado, em geral, é inseguro, possui baixa autoestima e não tem autoconfiança”, diz a psicóloga Cecília Zylberstajn, de São Paulo, que explica que todos nós temos uma consciência que nos aponta como o outro nos percebe. Quem tem mania de perseguição, porém, conta com essa percepção distorcida e leva tudo para o lado pessoal, sem considerar o contexto. É o caso de alguém que passa perto de um grupo em que todo mundo está rindo e, imediatamente, se coloca como alvo de chacota.

A intensidade com que a mania de perseguição acontece varia de indivíduo para indivíduo, mas sempre causa angústia e mal-estar. Quando exagerada, prejudica, e muito, a vida social, pois a reclusão é a solução para evitar o público, já que há um medo terrível de ser alvo de comentários negativos, recriminação, desaprovação ou risadas. “A pessoa passa a achar que o mundo conspira contra ela e desconfia de todos”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, que lembra que o comportamento pode estar associado ao estresse pós-traumático – depois de ser vítima de um assalto, por exemplo.

Na maior parte das vezes, a vítima não se dá conta de que apresenta a mania de perseguição –está tão imersa na certeza absoluta de que os outros não param de prestar atenção nela, que não conseguem fazer uma autoavaliação. Os especialistas avisam que, em exagero, o comportamento pode se tornar patológico e ser sintoma de alguma doença psiquiátrica mais séria, como o início de uma síndrome do pânico –caso que requer tratamento com terapia e medicamentos.

Dicas para encarar o problema

Mas como diferenciar? Se algum episódio isolado desencadear alguma desconfiança –ver aquela colega venenosa conversando com outras pessoas e olhando para você com uma expressão irônica, por exemplo–, não há problema. Mas se você se sente o tempo todo observado, enganado, excluído, traído ou perseguido pode estar paranoico. Nos ambientes corporativos, em especial os muito competitivos, é comum a mania se manifestar, acompanhada de uma sensação de insegurança em relação ao emprego. É preciso pensar com frieza sobre o assunto, pois quem é vítima desse problema, frequentemente, não o percebe.

“A mania de perseguição também costuma dar as caras em situações de estresse, quando as pessoas estão com os nervos à flor da pele”, diz a psicóloga Angélica Capelari, professora da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). Nesses casos, o perfeccionismo e a intolerância com os próprios defeitos fazem com que a pessoa veja no outro seu próprio reflexo, o que a torna vítima do excesso de autocrítica.

Por mais difícil que seja, é possível combater o transtorno no dia a dia. “O primeiro passo é questionar as próprias atitudes e assumir a parcela de responsabilidade no relacionamento, pois toda relação tem dois lados”, explica Cecília Zylberstajn. Um exemplo? Antes de julgar que a cara feia do chefe é resultado de algo que você fez, pergunte-se se realmente você fez algo tão grave que justifique tamanho mau humor.

Outra dica, dessa vez de Angélica Capelari, é aprender a controlar os próprios pensamentos. “Quando achar que alguém está olhando torto em sua direção ou criticando você, tente desviar a mente para outro assunto. Não alimente algo que pode ser apenas uma impressão.”

Marina Vasconcellos prefere apostar no diálogo. “Se acredita que todo mundo fala de você, divida essa impressão com as pessoas mais próximas. Ouça a resposta e depois tire as próprias conclusões”. A especialista também aconselha uma checagem direta. “Pergunte, com jeitinho, é claro, se fulano estava falando de você. E, aí, com uma boa conversa, resolva o que tiver de resolver.” Evitar que a dúvida continue a te corroer é, definitivamente, a melhor estratégia.

 

Primeira menstruação não pode ser adiada

Mães procuram médicos para adiar a primeira menstruação das filhas, mas especialistas explicam porque essa atitude é equivocada

Publicado no IG Delas em 17/08/2010

A menarca é um dos últimos processos da puberdade. Mães devem conversar com as filhas sobre o que está acontecendo com o corpo delas em vez de tentar adiá-la (Foto: Getty Images)

Engana-se quem pensa que só as pré-adolescentes sofrem com a sua primeira menstruação. Os dilemas envolvendo a menarca atormentam também pais e mães, que se preocupam com a pouca idade com que as filhas entram na puberdade. Se nas gerações anteriores as meninas menstruavam entre 14 e 16 anos, hoje elas costumam menstruar entre 9 e 13 anos. A média, para ser exato, é de 12,2 anos, segundo Talita Poli, hebiatra do Hospital Santa Catarina. Também nos Estados Unidos, pesquisas recentes apontaram que as meninas entram na puberdade cada vez mais cedo – e sugeriram uma ligação entre obesidade e a chegada precoce da menstruação.

A médica especializada em adolescentes aponta algumas explicações para a antecipação da menarca, a primeira menstruação, como melhorias nutricionais e estímulos externos – acesso a informações pela internet e pela televisão, por exemplo. “Essa diminuição da idade é natural, não é motivo de preocupação. Se melhoram as condições de vida das meninas, elas se desenvolvem mais rápido e, consequentemente, amadurecem e menstruam mais rápido também”, explica Talita.

A médica Felisbela Soares de Holanda, do setor de ginecologia endócrina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), endossa as palavras da hebiatra e completa dizendo que os pais só devem se preocupar com a primeira menstruação das filhas caso ela aconteça antes dos oito anos de idade. Nesse caso, a questão se torna patológica e é chamada de puberdade precoce. “Quando as meninas começam a desenvolver caracteres secundários, como mama e pêlos pubianos, antes dos nove anos de idade, aí fazemos exames de sangue e avaliação óssea para ver se ela sofre de puberdade precoce. Caso sofra, começamos um tratamento com medicação específica”, afirma. Esse tratamento, porém, não é recomendado para meninas que têm a primeira menstruação após os nove anos, garante a médica.

Antônio Caetano Pereira Simões, pediatra especializado em menarca e professor do departamento de pediatria da Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), concorda com a opinião da colega e explica que, ao contrário do que muitos pais pensam, retardar a menarca não vai fazer com que a menina, que não sofre de puberdade precoce, cresça mais. “O ‘estirão’ das meninas acontece antes da primeira menstruação, mas bloqueá-la não significa que haverá um novo estirão. A menarca não é um sinalizador da velocidade de crescimento, ela é um dos últimos processos da puberdade”, fala o médico.

Os três especialistas apontam em unanimidade que retardar a menstruação de uma pré-adolescente é um erro. “As mudanças pubertárias assustam, mas é errado postergá-las. O adolescente não tem maturidade para fazer essa escolha, e os pais não têm que incentivar isso. Tomar medicamentos para retardar a menstruação é o mesmo que mexer no eixo hormonal. O que uma mãe ganharia adiando uma coisa que tem que acontecer?”, questiona a hebiatra Talita. “Não é uma opção saudável usar a medicação para quem sofre com puberdade precoce em quem não sofre. Nunca se sabe como o corpo da menina vai se comportar depois que ela parar de tomar os remédios”, completa a médica.

Danos psicológicos

A psicóloga Lúcia Helena Laprano Vieira, responsável pelo acompanhamento das pacientes do Ambulatório de Ginecologia da Criança e Adolescente da Unifesp, afirma que, quando é procurada por mães que estão preocupadas com o amadurecimento das filhas, explica o processo pelo qual as meninas estão passando e tenta aconselhá-las. “A mãe precisa entender que esse é o mundo, que ela não pode ficar com medo de ver a filha crescer e, por isso, querer bloquear a menstruação. Meu conselho é que ela trate a filha de acordo com a idade que ela tem e que mostre para ela que a menstruação acontece com outras meninas também”, diz. Talita completa dizendo que é importante não se sentir diferente das amigas nesse período da vida. “A adolescência é um processo complexo e, para o adolescente, é importante ser igual ao grupo. Retardar a menstruação da menina pode fazer com que ela se sinta de fora”, explica.

Marina Vasconcellos, psicóloga pela PUC–SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), especializada em Psicodrama Terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, e terapeuta familiar e de casal pela Unifesp, aconselha as mães a enfrentaram o medo de conversar com as filhas. “Apostar em um remédio que mexe com o organismo não é a saída. O correto é falar sobre as mudanças do corpo da forma mais natural possível, com livros e imagens que estejam de acordo com a idade das adolescentes”, encerra.

E viveram felizes… por alguns meses

Fim do casamento de Marc Jacobs levanta a dúvida: por que casamentos anunciados com tanta pompa e circunstância acabam tão rápido?

Publicado no IG Delas em 26/07/2010

O publicitário Lorenzo Martone e o estilista Marc Jacobs: sempre juntos em eventos, eles dividiam o mesmo teto em Nova York (Foto: Brainpix)

Após ter comprado uma casa junto ao parceiro, o estilista norte-americano Marc Jacobs no início de 2009 em Nova York, nos Estados Unidos, e ter sido visto pelos quatro cantos do mundo mais unido a ele do que qualquer outro casal, o publicitário brasileiro Lorenzo Martone anunciou em sua página do Twitter o fim do relacionamento – oficializado há menos de um ano, em uma exclusivíssima festa em St. Barth’s. Já havia desconfianças sobre o fim da dupla mais dinâmica do mundo da moda, mas uma questão fica no ar: onde foi parar aquele amor exposto com tantas demonstrações de carinho e afeto? Por que, ao que parece, o amor entre os famosos acaba tão depressa?

O caso deles não é muito diferente de tantos outros “casamentos-relâmpago”. Ronaldo e Daniella Cicarelli, Alexandre Pato e Sthefany Brito, Roberto Justus e Adriane Galisteu. Estes são alguns dos casais que, depois de brotarem com tanto amor para dar, terminaram como num passe de mágica. De acordo com Cida Lessa, psicóloga e psicanalista especializada em sexualidade humana, existem várias hipóteses para que isso aconteça. Uma delas é a oficialização da união com pouco tempo de convivência: “Hoje estão quebrando ou diminuindo etapas, e quando não há conhecimento suficiente sobre o outro as decepções podem ser ainda maiores”.

Segundo ela, é preciso atingir um ponto de maturidade no relacionamento antes que o casal divida o mesmo teto. “Se uma pessoa sobe ao altar baseada somente no encantamento que sente pela outra, como no caso destes famosos que se casam com pouco tempo de namoro, aquilo que ela chama de amor pode acabar por qualquer motivo”, afirma. Afinal, até aquele momento a convivência girou principalmente em torno de passeios, viagens e restaurantes chiques, o que não possibilita conhecer o outro suficientemente bem – desde saber o que ele prefere no café da manhã até compartilhar objetivos de vida.

Amor ou aparência?

Segundo a especialista, querendo ou não, quanto mais sua vida pessoal é exposta aos outros, maior se torna a cobrança sobre o que deve ser feito ou não. “Atualmente existe uma dificuldade muito grande para as pessoas descobrirem o que sentem ou não, e se ela não tem tanta clareza, acaba tomando decisões baseada no que acontece externamente, de uma maneira insustentável e artificial”, revela. Ou seja, quanto mais fotografias do casal na revista, mais precipitada pode ser a decisão pelo casamento, com toda sua pompa e circunstância.

Para Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal, a aparência interfere nas escolhas das celebridades. “Muitas vezes é até por conveniência: há famosos que se unem e se separam para aparecer, ter um momento maior de glória e aumentar o cachê depois”, diz a especialista. Ela concorda que a exposição do casal pode levá-lo a agir de uma maneira pouco refletiva e simplesmente comprar a própria imagem de romance e amor eterno estampada nas revistas: “Se aparecem fotos por todos os lados, por exemplo, um casal pode acabar se enganando porque passa a acreditar que aquilo é o melhor para ambos”.

Passada a fase de fantasia e excessiva atenção voltada ao relacionamento de dois famosos, um casal que junta as escovas de dentes rapidamente pode muito bem perder o entusiasmo quando os holofotes começam a apontar outras direções. “Passada a notoriedade do relacionamento, um casal pode começar a perceber que nem conhece a pessoa com quem foi ao altar”.

Paixão dura pouco

Vasconcellos ressalta mais uma armadilha das relações superexpostas entre os famosos: por se envolverem rapidamente, muitos destes casais confundem paixão com amor e se casam com a imagem ou com o status do outro. “Sempre ouvimos que um determinado casal de atores se uniu durante a gravação de uma novela, por exemplo, mas pode acontecer de um ter se envolvido mais com o personagem do outro do que com a própria pessoa. Quando o relacionamento sai dos sets percebe-se que houve um engano”, explica a especialista.

Mas não se pode descartar o contrário. O maior cuidado que os famosos devem ter é não expor em excesso a vida pessoal. “A Gisele Bündchen, por exemplo, não fala da vida particular dela”, lembra a especialista. O casamento da top foi discretíssimo. Resta saber quanto vai durar.

Na saúde, na doença e nas manchetes
Relembre os “casamentos-relâmpago” dos famosos

Marc Jacobs e Lorenzo Martone
Quando:
2008/2010
Duração: menos de um ano (depois do casamento)
Ao longo dos quase 2 anos de relacionamento, ouvimos vários boatos de que o estilista e seu namorado, o publicitário brasileiro Lorenzo, se “casariam em breve”. O casal oficializou a união durante uma estadia em St. Barth’s no começo deste ano e dividia casa em Nova York. Os dois, sempre badalados, apareciam juntos em eventos, festas e viagens.

Ronaldo Nazário e Daniela Cicarelli
Quando:
2005
Duração: menos de 3 meses
A modelo e o jogador de futebol se casaram em um castelo nos arredores de Paris. Pouco tempo depois, o conto de fadas desandou: Daniela perdeu um bebê e o craque não veio ficar com ela. Foi a gota d’água que precipitou o fim do casamento – que, aliás, era simbólico, já que Ronaldo ainda não tinha finalizado seu divórcio de Milene Domingues, primeira esposa dele


Por que os adesivos “Família Feliz” fazem tanto sucesso?

Desenhos que representam famílias e pets invadiram o trânsito. Criador diz que chegou a vender mais de 10 mil unidades em um mês

Publicado no IG Delas em 28/04/2011

Mesmo sem nunca ter visto o carro parado à frente, dá para saber que a família dona daquele veículo é formada por um casal, três filhos, cachorro e papagaio. Aliás, em muitos semáforos do País é bem provável que não seja apenas um veículo que traga uma história pessoal estampada na lataria. Os adesivos “Família Feliz”, inventados pelo designer Germano Spadini, 31, proprietário da Job Adesivos, tomaram conta das ruas. Mas por que a ideia deu tão certo?

“Acho que houve um apelo sentimental. Para muitos, a família é um motivo de orgulho. É a única explicação que eu vejo”, opina Germano, que diz jamais ter imaginado que o negócio cresceria tanto. “Eu não fiquei rico, muito menos milionário. Não dá para competir com a pirataria, mas devo admitir que vendemos muitos adesivos.”

Demonstração de afeto
A doutora em psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) especialista em família, Ceneide Cerveny, concorda com a ligação sentimental que há entre os ocupantes do carro e os adesivos. Ela acredita que o principal motivo para se aderir à moda é o orgulho de exibir os familiares.

“Pesquisas mostram que o brasileiro valoriza muito pertencer a uma família, a um lar. Esta foi a forma encontrada de se mostrar isso. Outra razão seria a busca por diferenciação que a sociedade demonstra cada vez mais. Muitas pessoas precisam achar uma maneira de ser diferente e personalizar o carro é um caminho.”

A "família feliz" original: o designer Germano mostra, com a mulher e o filho, o adesivo que detonou a febre (Foto: Amana Salles

 

Para a psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar Marina Vasconcellos as crianças influenciaram bastante o sucesso do produto. “Os adesivos são bonitinhos e os filhos adoram ver seus pais, irmãos e bichos de estimação. Acaba virando uma grande diversão para a família.”

Outra razão apontada pela psicóloga é a exteriorização do afeto. Muitos desejam mostrar que se importam com a relação. Como casais de namorados com corações entre eles. “É uma combinação de fatores: está moda, é divertido e exibe o carinho pelas pessoas da família de uma forma positiva”, completa.

Exibicionismo
Mas nem todos acham que a moda é tão inocente assim. A psicóloga, psicoterapeuta e coach Mariah Bressani afirma que o sucesso da atitude de estampar uma representação da própria felicidade familiar no automóvel demonstra o nível de exibicionismo dos tempos atuais. Os adesivos seriam uma consequência do movimento já visto nas redes sociais.

“As pessoas colocam o que estão fazendo em suas páginas em tempo real. O carro é mais uma maneira de mostrar para o mundo algo que deveria ser pessoal. A cultura de hoje tem esse excesso de exposição e exibicionismo. É preocupante. Precisamos nos questionar a razão disso tudo.” Ela continua: “O que uma pessoa ganha expondo sua família dessa forma? Vejo muito mais riscos, com relação à segurança das pessoas, do que ganho.”

Germano mostra algumas das opções de seu catálogo (Foto: Amana Salles/ Fotoarena)

História
O primeiro casal colado na traseira de um carro era formado pelo próprio Germano e a esposa, Susan, em 2005. Ele diz que o modelo não chamou muita atenção. Mas no início de 2009, a família cresceu. E a ideia da “Família Feliz”, como vemos hoje nos carros, surgiu na decoração do quarto do filho de Germano. Ele, que já confeccionava adesivos em geral, e a esposa enfeitaram o local aplicando adesivos decorativos com tema medieval, o que incluía castelos, soldados e um brasão.

Foi então que o casal resolveu “atualizar” o carro: fizeram novos modelos que incluíam o bebê. Depois disso, o que era para ser uma brincadeira, virou febre nacional. No início, amigos viam os adesivos e pediam que Germano fizesse para eles também. “Os primeiros 50 fizemos para amigos e de graça. Depois, até pessoas que não conhecíamos pediam. Foi então que resolvemos colocar no site para vender. Fizemos modelos genéricos, mas personalizamos qualquer pedido”, conta o designer.

Criatividade
Segundo Germano, o melhor período das vendas foi de outubro do ano passado a janeiro deste ano. A empresa chegou a vender mais de 10 mil adesivos da “Família Feliz” por mês. Cada um custa entre R$2,00 e R$5,00. Gradualmente, as vendas diminuíram. Hoje, são comercializados cerca de seis mil por mês. “Como nós personalizamos o produto exatamente como o cliente quer, ainda conseguimos nos diferenciar. Dia desses recebi um pedido de uma mulher que deseja mechas californianas no desenho. Sem problemas!”, afirma.

A previsão do designer é que o mercado ficará saturado para os adesivos genéricos em breve. Ele acredita que a personalização, no entanto, veio para ficar. “Agora o pessoal está começando a soltar a criatividade. Fiz alguns adesivos interessantes como o de uma sogra sem cabeça. Também fiz alguns mais tristes, como o marido falecido e uma menininha que morreu – ambos personalizei com asas”, conta.

Sertanejos recorrem a ajuda psicológica para manter duplas

‘É fundamental a terapia na vida do artista’, diz Edson, parceiro de Hudson. Depressão está entre os problemas enfrentados pelos artistas.

Publicado no G1 em 08/11/2011

 

Paula Fernandes, Marrone, Victor Chaves, Luciano, Edson e Hudson são algumas das estrelas sertanejas que tiveram que dar uma pausa na carreira para ter acompanhamento psicológico. Luciano, após uma briga com o irmão Zezé, afirmou ter recorrido a tranquilizantes. É hora de o sertanejo sentar no divã e tentar entender o que está acontecendo com seus protagonistas? “Sim, acredito muito que está na hora de revermos valores e entendermos onde está o erro”, responde Edson, que acaba de reatar a parceria com o irmão Hudson.

As duplas sertanejas Edson & Hudson e Bruno & Marrone: separações por conta de problemas pessoais (Foto: Divulgação)

Há duas semanas, apresentaram-se pela primeira vez juntos desde 2009. Eles se afastaram por problemas de relacionamento, agravados por alcoolismo e depressão. Pouco antes de brigarem, os dois irmãos chegavam a fazer 58 shows em 60 dias.

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em terapia familiar e de casal pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ter cantores falando abertamente sobre a depressão ajuda a tirar o preconceito sobre a terapia. “A carreira atrapalha a vida pessoal. Você fica em função de shows, das viagens. Tem gente que não aguenta não só fisicamente, mas emocionalmente”, diz Marina. “É difícil lidar com a falta de privacidade e de rotina. Chega uma hora em que cansa e quer ser anônimo. Mas é um caminho sem volta. Lidar com fama não é fácil. O dinheiro pode atrapalhar a vida.”

 

 

Depois dos 30, faça bom uso da maturidade e viva melhor

Oito mulheres mostram que nunca é tarde demais para assumir novos desafios

Publicado em 5/3/2010

 

A escritora Amy Cohen sempre achou que aos trinta anos estaria no melhor momento de sua carreira, teria um marido dedicado e dois filhos lindos.

Mas a realidade foi bem diferente. Aos trinta e cinco anos, Amy perde a mãe, vítima de um câncer, é demitida do trabalho, em que é roteirista de séries de TV, além de ser abandonada pelo namorado com quem planejava se casar.

Diante dessa sucessão de rasteiras, Amy fez o menos improvável numa situação como essa: decidiu reinventar-se. É ela mesmo quem narra a história em tom autobiográfico e libertador do livro Nunca É Tarde Demais (editora BestSeller), cuja maior lição é de que a vida, permite, sim, uma guinada.

No caso de Amy, ela não se deixou sucumbir à dor e às perdas e se lançou para uma jornada de novas descobertas e transformações.

Amy decidiu passar por novas experiências – até mesmo aprender a andar de bicicleta.

“Com a maturidade, você já sabe o que quer e não tem mais os medos e inseguranças da juventude. É a hora de aproveitar a oportunidade que nunca teve e fazer a vida ficar mais animada, assumindo novos desafios”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos.

A seguir, você confere histórias inspiradoras de mulheres, como Amy, que expandiram seus horizontes em busca da felicidade.

 

Pé na tábua

Miriam Nascimento nunca fez questão de dirigir um carro, sempre ocupou o lugar do carona. Mas, depois que seu marido faleceu, além de ter que assumir o negócio da família, uma pousada no litoral, também teve que aprender a ser motorista.

Sozinha e com uma filha pequena, ela se viu impossibilitada de praticar suas atividades corriqueiras por não saber dirigir. “Entrei na auto-escola com 39 anos e venci o meu medo. Foi uma alegria perceber a minha capacidade de superação”, conta.

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, assumir tarefas vistas como já ultrapassadas para aquela idade é sinal de coragem, pois, quando o fazemos, enfrentamos críticas e lidamos com um fator importante da maturidade: a síndrome da prevenção. “Já sabemos as consequências do que estamos fazemos e temos consciência das nossas limitações”, afirma.

Enrolando a língua 

Aos 52 anos, a empregada doméstica Maria Antonia da Silva decidiu retornar a escola para aprender uma outra língua, o inglês. Ela quis aprender o idioma quando teve acesso à internet para ajudar os filhos nas tarefas escolares e viu que muitos dos sites que consultava eram na língua inglesa.

“Era tanta informação nova, que fiquei perdida, então, decidi me matricular na escola e convivo numa boa com minhas colegas de sala, apesar da diferença de idade”, conta.

Meu novo namorado
E para quem acha que namoro é só para os jovens casais, é melhor conhecer dona Paula Martins. A aposentada ficou viúva há cinco anos e decidiu sair do luto e seguir em frente.

Hoje, aos 74 anos, namora o advogado aposentado Pedro Coelho, de 65 anos, e faz planos de casamento: “não pude me casar na igreja porque eu era muito nova, mas acho lindo casar de branco, por isso, fico namorando os vestidos na vitrine. Um dia eu ainda caso como manda o figurino”, diz Paula.

 

Primeiro passeio de bicicleta

No final desse ano, Maria Selma realizou o sonho de infância. Aos 47 anos, ela andou pela primeira vez de bicicleta. “Me senti livre, como achei que aconteceria”, explica a dona de casa, casada e mãe de três filhos. Antes do grande dia, teve treino. A filha, Flávia, de 24 anos, ajudou.

“Quando eu era criança, meus pais nunca tiveram condições de me dar uma bicicleta, por isso passei a vida inteira sonhando com esse dia”, conta Maria Selma.

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, a bicicleta faz parte do universo lúdico da criança, porém, mais do que um objeto de lazer, ela é um ícone da infância.

“Esta vontade, como a de Maria Selma, de realizar um desejo que nos remete a nossa infância, representa que crescemos com a bagagem que adquirimos quando ainda somos crianças, seja ela positiva ou negativa, e de que temos capacidade de nos reciclar e nos renovar sempre”, explica.

Passei no vestibular!

Auracy Lopes Barbosa sofreu tanto com a ausência da filha, que passou no vestibular e foi morar em outra cidade que até entrou em depressão.

E foi justamente nos estudos que ela encontrou o tratamento para a doença.

Aos 52 anos, ela se matriculou em um curso de enfermagem e sonha em ir mais além: “quero me formar e fazer outros cursos. A mente da gente não envelhece”, fala Aracy.

“Envelhecer exercitando a mente é um excelente remédio para os males da terceira-idade. Uma mente ativa é sinônima de velhice saudável”, explica a psicóloga.

 

Na pista

Baile da saudade? Baile da terceira-idade?
Otília Marques é ótima pé-de-valsa, mas o negócio dela mesmo é a balada no final de semana.”Curtir a noite aos 54 anos tem um gostinho especial”, afirma ela.

Separada há 20 anos, ela conta que depois que os filhos cresceram e saíram de casa, resolveu encontrar uma forma de fazer reencontrar a alegria e começou a frequentar festas badalas de São Paulo: “adoro música e gente bonita. Essa coisa de baile da terceira idade não está com nada. Eu quero mais é diversão”, brinca ela.

A meta da balança

Não adianta. Chega uma hora que não dá para evitar a seguinte pergunta: “eu estou feliz com o meu corpo?”.  Se a resposta for “não”, deixe a preguiça de lado e corra atrás do prejuízo.

Foi exatamente o que fez Luiza Machado, de 42 anos, depois de engordar 30 quilos, em função de sua separação: “eu não queria mais sair de casa, então, um dia olhei para mim e me perguntei por que eu não mudava aquilo que estava me incomodando”, relembra.

Luiza procurou ajuda nutricional e emagreceu 20 quilos. Hoje leva vida nova e se sente orgulhosa de si mesma, quando consegue entrar no manequim 40: “é muito bom me sentir bonita de novo”, explica.

Maternidade na maturidade

Claudia e Sidnei resolveram ficar grávidos aos 40. Depois de se firmar na carreira, a jornalista, hoje com 45 anos, conta que o maior desafio foi superar os medos dos estereótipos: “eu tinha medo de parecer avó do meu filho e de não dar conta do recado em função da minha idade. Hoje ele tem 5 anos e, apesar das limitações típicas da idade, vejo que dei conta do recado e que ser mãe é muito mais do que ter pique e fazer brincadeiras engraçadas, é ter responsabilidade e descontração na medida certa e acho que estou encontrando o equilíbrio”, diz Claudia.