Transar sem vontade. Que mulher não conhece esse “autoabuso”?

Publicado em UOL/Blog Nina Lemos, 29.05.18

A cena é a seguinte. A mulher não está a fim de transar. O namorado/marido, insiste. Ela diz não. Ele insiste mais. Ela cede. Afinal, isso pode virar uma DR, uma briga sem fim. Ela transa sem a menor vontade. Depois, se sente um lixo. Quem nunca?

O “autoabuso”, como é nomeado por psicanalistas ouvidas por esse blog, ou simplesmente “transar sem vontade” ainda é muito comum. E um tabu. Sim, somos todas muito bem resolvidas e empoderadas. Mas e na hora de levar o “não é não”para dentro de casa? A coisa nem sempre funciona desse jeito tão tão “moderno.”

Joguei esse assunto em vários grupos de amigas. Em 99% dos casos, ouvi, “é mesmo, quem nunca”.

“Acho que a gente aceita fazer sem vontade pensando: “assim acaba logo e eu posso dormir. Não me custa tanto mesmo”, diz a escritora F, de 46 anos, em um relacionamento sério há oito. Para ela, a mudança de postura veio com a idade. “Eu pensei isso quando era jovem, hoje eu não tenho paciência.” F. acredita que o assunto não é muito debatido por ser “uma daquelas coisas que estão internalizadas como “fatos da vida’. Homem tem libido mais ativa, blá blá bla.

A psicanalista Mariana Stock, fundadora do espaço de vivência de sexualidade Prazerela, concorda. Isso é muito mais comum do que pensamos, mas não vemos como problema, porque historicamente é normal, faz parte do relacionamento. As mulheres se submetem faz tanto tempo, que isso já foi normalizado.”

Doce na boca da criança

“Todo mundo já fez isso, é normal. Só que ninguém fala, porque sexo é uma coisa que tem que ser super especial, perfeita. Na rotina, na vida a dois, não é assim. Não é legal transar sem vontade, mas muitas vezes já preferi transar a ter uma DR”, diz M., uma produtora de 45 anos, que já morou junto três vezes e é mãe de um adolescente. “A gente se coloca como uma ovelha a ser sacrificada. O sacrifício, no caso, é para evitar uma discussão chata”, ela diz. E completa: “Quanto mais não se fala, mais outras mulheres se sentem um lixo, achando que elas são as únicas que não têm uma vida sexual perfeita. Mas a realidade é essa. Às vezes a gente pensa: “ah, vou dar esse doce na boca da criança para ela parar de reclamar.”

Tranquilo? Nem tanto. “Claro que não é legal. Mas você vê, até o nosso corpo foi feito de uma maneira que faz ser possível fazer o que a gente não quer porque o outro quer. Homem, se não estiver com vontade, não consegue transar, não é? A gente consegue. É absurdo isso”, reflete.

Na maioria das vezes em que transou sem vontade para evitar discussão chata, ela conta que nem pensou muito nisso no dia seguinte. Mas em duas ocasiões a situação já foi traumática. “Meu primeiro namorado tinha uma libido louca, quela coisa de adolescente.Um dia ele encheu tanto o saco que eu abri a perna e disse, com raiva: “quer? Então vem.” E você acredita que ele veio e começou a transar comigo? Dei um chute nele, fiquei com ódio”, conta. O relacionamento, claro, não durou. “Fiz isso como prova mesmo, para ver até onde ele ia. O pior, aconteceu a mesma coisa comigo mais velha, já com 30 e poucos anos. Nos dois casos, terminei. Era a prova de que não me enxergavam, não me respeitavam.”

“Em muitos casos, existe uma incapacidade total de enxergar. E, se o homem acha que a mulher está lá para servi-lo, e a mulher se coloca nessa posição, ela vira uma boneca inflável”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, especializa em atendimento de casais.

“Não enxergar a parceira pode ser sim uma agressão. Mas as coisas precisam ser ditas. Se ela falar que não quer, e o cara ficar magoado, problema dele. Ele que vai ter que lidar com essa frustração.”

Por que que a gente é assim?

Cada um que lide com o seu desapontamento parece o óbvio, certo? Mas ainda não é. “Se você está em um relacionamento onde faz sexo sem querer, é hora de se perguntar: por que estou nessa? Por que me coloco nesse lugar? A mulher foi educada para não se colocar como ser desejante, mas ela tem que aprender a se apropriar da sua própria sexualidade e desejo”, diz Mariana Stock.

Marina Vasconcellos também acredita que a solução passa pelo diálogo. “Se você fala, conversa e não funciona, pode procurar uma terapia de casal. Mas em alguns casos, a solução é acabar com o relacionamento mesmo, não dá para ficar com quem não te respeita”, ela diz. E lembra que o sexo sem desejo é muito comum em relacionamentos abusivos.

A arquiteta A., de 36 anos, viveu isso na pele.

“Vivi um relacionamento de abuso psicológico. O sujeito fazia eu me sentir um lixo. E com o tempo, comecei a acreditar nele. Meu interesse sexual caiu, claro. Aí, eu me sentia obrigada a transar, como se fosse a única parte do meu relacionamento que podia dar meio certo, Tipo, se eu sou uma mulher tão ruim, pelo menos sexo eu tenho que saber fazer.” A. viveu essa situação por seis meses. Depois de muito conversar com amigas, percebeu que vivia um relacionamento abusivo e terminou tudo. “Pouco tempo depois, já estava saindo com outro cara, e transando com vontade, porque sexo nunca tinha sido um problema para mim”, ela diz.

E nem tem que ser.

Luz no fim do túnel

A médica S., 46, casada há 21 anos, é um exemplo de que nem tudo está perdido. “Eu não faço sexo sem vontade. Se não quero, eu e o meu marido preferimos fazer outras coisas, como ver um filme, sair para jantar”, ela conta, dizendo que o “não é não” tem que valer também para dentro de casa. “Antes de casar, tive namorados que ficaram com raiva quando eu dizia que não queria. Mas problema deles, não meu.”

Que sirva de exemplo. Sim, gente, dizer não é possível.

O que causa a falta de libido? Entenda os fatores

Por: Redação Doutíssima, 20.07.16

Falta de libido: sintomas e causas

Falta de libido

Imagine que você está na cama, deitada ao lado do homem que ama, sem nenhum compromisso em mente. Seria o momento ideal para colocar em prática todas as suas fantasias e desejos. Mas tudo o que você quer é virar de lado e dormir. Eis um sintoma clássico e comum da falta de libido, uma disfunção recorrente entre o público feminino.

Dados de uma pesquisa feita com 455 mulheres pelo Centro de Referência e Especialização em Sexologia, do Hospital Pérola Byington, apontam que 48,5% das que procuram ajuda médica sofrem de diminuição do desejo sexual. “A falta de libido é justamente a ausência de desejo ou ímpeto sexual”, sustenta a psicóloga Marina Vasconcellos.

Conforme explica Marina, há diversos fatores que podem estar por trás da falta de libido. Inicialmente, é importante dissociar a disfunção de uma falta de desejo passageira, corriqueira e pontual. É natural que, em determinadas fases da vida, as pessoas não fiquem tão disponíveis para o sexo, devido a outras atribuições e tarefas que consomem energia.

“No caso de uma falta de libido passageira, muitas vezes a mulher e seu parceiro conseguem detectar e compreender as causas”, sinaliza a especialista. Mas quando essa ausência persiste e a pessoa fica muito tempo sem sentir qualquer vontade sexual, aí algo pode estar errado. O primeiro passo para reverter a situação é identificar suas causas.

Segundo Marina, os fatores que podem estar associados à falta de desejo são diversos. “Causas emocionais, como estar infeliz no relacionamento ou em outras áreas da vida, interferem diretamente no desejo e o reduzem tremendamente”, pondera a especialista. Mas nem sempre esse é o caso.

“A falta de libido também pode ocorrer como efeito secundário ao uso de algumas medicações, como antidepressivos”, informa a psicóloga. Estresse, ansiedade e até mesmo o consumo excessivo de álcool e fumo têm um papel relevante na ausência de desejo sexual. Isso sem falar na questão hormonal.

De acordo com a especialista, níveis baixos de testosterona têm relação com o quadro – tanto para mulheres quanto para homens. O sexo feminino, porém, tende a perceber mais como os hormônios interferem no desejo.

“No período fértil, a libido aumenta consideravelmente. Na menopausa, por sua vez, ela diminui”, esclarece Marina. Há ainda a questão da baixa autoestima e da alimentação inadequada. Tais fatores podem ser igualmente decisivos para diminuir o tesão.

Como recuperar a libido?

O primeiro passo para voltar a sentir desejo, conforme frisa a especialista, é entender quais são as causas do problema: fatores fisiológicos ou emocionais. No primeiro caso, um especialista poderá direcionar o tratamento, indicando ou restringindo alguns medicamentos. Já no segundo, o ideal é procurar auxílio terapêutico.

“A terapia é uma ótima oportunidade para explorar e resolver seus problemas emocionais. Num ambiente protegido e com um profissional qualificado, é possível olhar para o que está impedindo sua felicidade, solucionar conflitos e enfrentar os problemas que a impedem de viver plenamente sua sexualidade”, finaliza Marina.

 

Filmes inspiram a sexualidade: cautela!

Atmosfera Feminina, 12/03/2015

Um tapinha não dói? Ah, às vezes ele dói, sim, e a ponto de “machucar” a autoestima, o respeito e o amor entre os parceiros. Por isso é preciso dosar até onde você e seu companheiro topam ir, quais brincadeiras sensuais vão deixar a relação mais prazerosa e – superimportante – vocês dois confortáveis para jogar. “Se não sabe por onde começar, vale se inspirar na história contada por uma amiga, na dica publicada na revista, num livro ou mesmo num filme, mas sempre tomando o cuidado de fazer uma adaptação para o seu relacionamento”, avisa a psicóloga e terapeuta de casal Marina Vasconcellos, de São Paulo.
Segundo a especialista, inovar nas posições, na produção, na escolha do lugar, na postura (de submissão ou controlador), no uso de objetos, na realização de fotos ou filmagens, por exemplo, pode ser divertido e saudável quando, além do “durante”, o casal também pensa em como será o “depois”. “Afinal, toda ação tem uma consequência”, completa ela.
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Por onde começar
Na dúvida sobre o que trará bem-estar e será bem aceito pelo outro e por você, a recomendação da terapeuta de casal Marina Vasconcellos é ir com calma ao invés de radicalizar logo de cara e correr o risco assustar e perder o controle da situação. Seja qual for a escolha, lembre-se que temperar a relação ou sair da rotina sexual não é algo conseguido apenas com novos brinquedinhos. “Às vezes, mudanças simples e sutis no dia a dia, como usar uma lingerie diferente, ter relações em outro cômodo da casa que não apenas o quarto ou iniciar a noite com um romântico jantar a dois pode surtir muito mais efeito”, conclui a especialista.

“Sexo é fundamental no casamento?”

Publicado no Minha Saúde Online em 13/02/2014

Bem, logo de cara arrisco a dizer: “não, sexo é muito importante, mas não fundamental”.
Com o tempo de convivência a frequência das relações sexuais naturalmente diminui entre o casal. A rotina cansativa, as demandas de trabalho, filhos, tarefas de casa, horas perdidas no trânsito congestionado (para aqueles que moram em cidade grande), doenças, enfim, há muitas variáveis que levam ao desgaste físico e emocional das pessoas, diminuindo a vontade e disponibilidade para fazer sexo com tanta frequência.

O ideal seria que não deixássemos o “fogo” do início se apagar tão rapidamente, pois o sexo feito entre duas pessoas que se amam tem o poder de criar intimidade, unir os dois, trazer bom humor e mais carinho na relação, melhorar o astral, facilitar o diálogo mesmo sobre temas mais delicados – já que o clima entre o casal costuma ser mais leve e contar com a cumplicidade entre eles -, melhorar a auto estima, relaxar, queimar calorias.

Algumas pessoas acham que se não há sexo, a relação é considerada apenas uma “amizade”. Talvez para alguns isso seja o suficiente, com a idade mais avançada, já sem a energia ou a necessidade de realizar o ato em si. O amor e a história de vida construída entre o casal superam a ênfase que é dada ao sexo em determinada fase da vida, e eles não mais sentem falta desse contato. O andar de mãos dadas, dormir abraçado, tratarem-se mutuamente com carinho, importarem-se um com o outro, curtirem os netos, passearem juntos, desfrutarem a tranquilidade de assistir a um filme em casa, enfim, tudo isso e muito mais passa a ser o que une o casal.

Porém, em especial no início da relação é muito importante que o casal se dê bem sexualmente falando, pois como dito acima, o sexo traz inúmeros benefícios. Se com apenas alguns anos de união a frequência do ato cai em demasia, ou até total, há algo errado, e é preciso investigar o que está acontecendo.

Sabemos que a vida de casados não é como a de namorados, onde tudo é “lindo”, a saudade é sempre grande, o tesão é manifestado a toda hora, as carícias são frequentes, assim como os elogios e trocas de amabilidades. Quando se casa, infelizmente o casal vai se distanciando aos poucos, muitas vezes sem se dar conta disso, e deixa as preocupações e tarefas do dia a dia minarem essa energia toda tão gostosa que caracteriza as relações em seu início. Uma pena!

Porém, o importante é não esquecermos a vida sexual. Grande parte das pessoas passa a viver apenas os papéis de pai e mãe em detrimento dos de marido e mulher. Os amantes são esquecidos, transformando-se apenas em pais, deixando de regar a relação a dois como se deveria. Quem já não ouviu um casal chamando-se mutuamente de “pai” e “mãe” por aí?

Não há uma regra que estabeleça o número “normal” de relações sexuais que um casal deve ter durante a semana, ou no mês… Cada um tem uma necessidade específica, que será saciada levando-se em conta inúmeros fatores internos e externos. O problema está quando um ou ambos estão insatisfeitos com a frequência e não conseguem falar a respeito, deixando a frustração se acumular, criando um enorme abismo afetivo entre eles. E é aí que pode se abrir a porta para a entrada de um “terceiro” na relação.

Enfim, sexo é importante e deve ser cuidado e valorizado numa relação, mas há situações onde ele praticamente não existe, e mesmo assim o casal se ama e convive bem. Afinal, quem somos nós para julgar as escolhas e desejos das pessoas?

Descubra gafes que mulheres e homens cometem na cama e evite-as

Publicado no Terra em 07/06/2013

É natural que mulheres e homens já tenham cometido alguma gafe na “hora H”, ao longo da vida, ou mesmo se deparado com algum comportamento embaraçoso do companheiro. Tornando-se motivo de risada ou constrangimento, os erros durante uma relação sexual são considerados comuns para os especialistas no assunto. Contudo, para evitar os micos e virar motivo de piada, tome nota de dez situações e evite reproduzi-las.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Mulheres

 Falar sobre relações anteriores

“Não existe motivo para trazer à tona os detalhes de um relacionamento anterior”, avalia Vera Vaccari, psicoterapeuta e terapeuta sexual. A situação fica ainda pior quando são feitas comparações de desempenho. Concentre-se em usufruir o momento com o parceiro atual.

 Levar os problemas para a cama

“Em um relacionamento mais sólido, por exemplo, levantar questões como a situação financeira do casal ou a lista de compras da semana, é uma gafe daquelas”, afirma. Por isso, deixe os problemas para serem resolvidos em outras ocasiões e aproveite o momento para relaxar.

 Querer bancar a especialista

“Ninguém detém verdades absolutas sobre relacionamento ou sexo e, muitas vezes, o que considero bom pode não ser tão bom para o outro”, aconselha a psicoterapeuta. Evite enaltecer seus conhecimentos em detrimento da experiência do companheiro.

 Supervalorizar situações pontuais

“Dar exacerbada importância a situações que não ocorrem com frequência, como uma brochada, é errado”, comenta. O melhor é compreender a situação, pois o parceiro pode não estar disposto naquele dia.

 Fingir orgasmo

A mulher não deve se sentir obrigada a atingir o clímax. “Ao mentir, ela contribui para que o namorado continue a não lhe dar prazer” afirma Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta. Assim, conheça o próprio corpo para poder guiar o parceiro durante o sexo.

Homem

 Falta de higiene

“Demonstra uma grande falta de consideração com a parceira e a afasta naturalmente”, observa Marina. Ninguém é obrigado a tolerar o cheiro de suor ou chulé alheio, se o encontro for após o expediente, uma ducha antes de o clima esquentar é o ideal.

 Esquecer a camisinha ou não querer usá-la

Além de prevenir doenças sexualmente transmissíveis ou uma gravidez inesperada, o esquecimento ou recusa do preservativo demonstra falta de cuidado. “Muitas vezes, a mulher fica sem graça e não sabe nem como convencê-lo”, conta Vera.

 Exagerar na performance

Procurar copiar filmes pornográficos ou inventar posições e técnicas mirabolantes pode intimidar o parceiro e tirar a naturalidade do momento. “Além do que, às vezes, isso é imposto à parceira”, lembra a Vera.

 Forçar a barra

É importante considerar o espaço e a vontade do outro e não insistir em manter relações se o parceiro não estiver afim naquele momento. “É essencial manter o respeito e, além disso, uma relação a contragosto não proporciona um prazer pleno”, evidencia a psicoterapeuta.

 Acelerar a relação

“É desconfortável ter que lidar com o parceiro perguntando a todo o momento se você chegou lá”, analisa Vera. A relação não acaba simplesmente porque o parceiro atingiu o clímax, o ideal é descobrir formas de equilibrar o tempo dos dois.