Cortar contato e excluir o ex das redes sociais não é sinal de imaturidade

Publicado em UOL, Estilo/ Relacionamento, 17.03.17
Gabriela Guimarães e Marina Oliveira
Colaboração para o UOL

Amizade é possível, mas depois de um tempo

iStock

Foi bom enquanto durou, mas agora é cada um para o seu lado. E, de preferência, sem contato – ao vivo ou nas redes sociais. Terminar um relacionamento, geralmente, é um processo bastante sofrido. Por isso, muitas pessoas preferem cortar todo tipo de relação com o ex. E não há nada de errado nisso.

“É uma questão de se preservar. Para esquecer, precisamos de um pouco de distância. Não cabe a ninguém julgar essa decisão, porque só quem viveu a relação sabe o que está sentindo. Ainda que não haja vontade de voltar, há sempre um resquício de sentimento, que pode ser raiva e decepção, por exemplo”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em terapia de casais e família pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

O psicólogo Breno Rosostolato, professor da Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo, tem a mesma opinião. “Eu só não concordo com aquela história de ‘ex bom é ex morto’, porque isso tem a ver com desejar mal para o outro e alimentar um sentimento de amargura. Mas se vai fazer bem pra você deletá-lo do Facebook ou bloqueá-lo no WhatsApp, por que não?”, questiona.

Uma pesquisa conduzida na Universidade de Brunel, na Inglaterra, divulgada em 2012, avaliou a relação entre o uso do Facebook e a recuperação pós-namoro. O levantamento mostrou que os participantes que fuçavam demais na vida do ex demoraram mais para curar a dor da separação. Já os que cortaram o contato acabaram relatando menos sentimentos ruins em relação ao término, bem como menos desejo sexual pelo ex.

Alguns poucos voluntários da pesquisa declararam que conseguiram se sentir melhor ao acompanhar a vida do ex on-line porque, ao ler as postagens, chegavam à conclusão de que aquela pessoa não era a certa mesmo. No entanto, o psicólogo Walter Mattos, da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, diz que esse processo não é tão simples assim. “Tipicamente, os nossos sentimentos moldam as nossas ideias, e não o contrário. É mais fácil ler sobre as atividades do ex nas redes sociais e amplificar sentimentos do que atenuá-los”, diz.

Ex-namorados podem se tornar bons amigos. Mas, de acordo com os especialistas, não convém ter pressa para virar a chave da relação. “Você tem que superar o término. Talvez vocês se reencontrem e percebam que tudo está resolvido. A amizade acontece quando ambos não se enxergam mais como possíveis parceiros”, diz Marina.

A distância é ideal para parar de olhar para fora –no caso, para o outro– e passar a olhar para dentro. “Elaborar as nossas tristezas e perdas é o que promove a saúde psíquica, na maioria dos casos. Mas é difícil fazer isso imerso em sentimentos ruins. O tempo longe ajuda a atenuá-los e a equilibrar memórias: a recordação do que foi bom e do que foi ruim. Também ajuda na atribuição de sentido e aprendizado ao que foi vivido com o outro”, diz Mattos.

O tempo de superação do término é individual, contudo, a forma como a relação chegou ao fim influencia -e muito– no que acontecerá depois. “Quando a decisão da ruptura parte da outra pessoa, é bastante comum um certo inconformismo, misturado com insegurança e tristeza”, afirma o psicólogo.

Por fim, é preciso ter em mente que um ex só se torna amigo do outro quando os dois querem continuar em contato. “Não adianta forçar a barra se o outro não está preparado. Você não tem mais o direito de se impor na vida dele”, diz Marina.

 

Especial Separação: como contar às crianças

Publicado em Revista Crescer/família, 03.04.17
Por Naíma Saleh

Não é possível evitar o sofrimento dos filhos – afinal, a notícia é triste mesmo. Mas com respeito e diálogo, dá para mostrar que não será o fim do mundo e que vocês continuam formando uma família.

Separação: como contar aos filhos? (Foto: Thinkstock)

Em 10 anos, a taxa de divórcio no Brasil cresceu 160%, de acordo com os últimos dados do ‘Estatísticas do Registro Civil” de 2015, ano em que foram registrados 328.960 desquites no país. É claro que ninguém casa (ou, pelo menos, não deveria se casar) esperando que um dia o relacionamento acabe, mas, às vezes, o fim é inevitável e pode se tornar um alívio, tanto para o ex-casal quanto para as crianças. É um recomeço para todos.

Isso, é claro, não torna o processo menos doloroso. Decidir terminar uma relação nunca é simples. E quando há filhos no meio, é preciso ter ainda mais cuidado e delicadeza na hora de colocar um ponto final. Veja o que é preciso ponderar antes de comunicar a separação às crianças e quais são as melhores maneiras de contar.

A decisão

É fato que todo casal tem problemas, mas, independentemente do tipo – e da gravidade – da situação, o primeiro conselho da psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela UNIFESP, é procurar ajuda profissional antes de bater o martelo. “Tem casais que chegam ao consultório quase decididos, mas voltam atrás, porque na terapia conseguem consertar o que não estava indo bem no casamento”, explica.

Isso diminui as chances de tomar uma decisão e voltar atrás depois – o que pode tornar o processo mais difícil e causar um sofrimento desnecessário tanto aos filhos, como aos pais.

Como contar

Uma vez que decisão está tomada, é melhor avisar às crianças o quanto antes – mesmo porque, dificilmente, elas não vão perceber que algo está acontecendo. Vá direto ao ponto, mas com delicadeza. “O ideal é que os pais contem juntos, com calma, tranquilidade e respeito”, recomenda Marina. Frases como “Nós não nos amamos mais” ou “a gente se respeita, mas não existe mais amor de casal” ajudam a deixar claro que os papéis de pai e mãe vão continuar intactos mesmo com a dissolução do casamento.

Ainda que o clima entre os pais seja de paz e que eles tenham chegado a um acordo, é natural, nesse momento de angústia, tentar garantir que a criança venha para perto si. “Inconsicientemente, cada pessoa quer puxar o filho para perto porque tem medo de vê-lo menos, de se afastar na nova configuração”, explica a psicóloga Miriam Barros, psicoterapeuta de crianças, adolescentes, casais e famílias. O resultado é que, na hora de conversar com as crianças, a escolha dos termos e da forma de falar pode, sutilmente, insinuar que a culpa pelo fim é de um dos dois ou que um lado está muito magoado. Por isso, é melhor que o ex-casal  converse muito entre si antes, para combinar o que e como falar para as crianças.

Como contar

Uma vez que decisão está tomada, é melhor avisar às crianças o quanto antes – mesmo porque, dificilmente, elas não vão perceber que algo está acontecendo. Vá direto ao ponto, mas com delicadeza. “O ideal é que os pais contem juntos, com calma, tranquilidade e respeito”, recomenda Marina. Frases como “Nós não nos amamos mais” ou “a gente se respeita, mas não existe mais amor de casal” ajudam a deixar claro que os papéis de pai e mãe vão continuar intactos mesmo com a dissolução do casamento.

Ainda que o clima entre os pais seja de paz e que eles tenham chegado a um acordo, é natural, nesse momento de angústia, tentar garantir que a criança venha para perto si. “Inconsicientemente, cada pessoa quer puxar o filho para perto porque tem medo de vê-lo menos, de se afastar na nova configuração”, explica a psicóloga Miriam Barros, psicoterapeuta de crianças, adolescentes, casais e famílias. O resultado é que, na hora de conversar com as crianças, a escolha dos termos e da forma de falar pode, sutilmente, insinuar que a culpa pelo fim é de um dos dois ou que um lado está muito magoado. Por isso, é melhor que o ex-casal  converse muito entre si antes, para combinar o que e como falar para as crianças.

Abra espaço e converse

É comum que as crianças menores se perguntem o que foi que elas fizeram para causar esse tipo de situação. Elas podem achar que o pai ou a mãe está saindo de casa por conta de um mau comportamento delas, de algo que elas disseram e não deveriam ter dito, ou alguma decepção que tenham causado. “As crianças têm muitas fantasias. Quanto menores, mais egocentradas. Elas se acham culpadas por um monte de coisas, pois são muito autorreferentes”, explica Marina. Por isso, deixe claro que a escolha do casal não tem nada a ver com as crianças, que é uma decisão de adultos e que não vai interferir no amor que os dois sentem pelo filho. Também reforce o lado positivo da situação. Explique que a criança vai ter duas casas, dois quartos, deixando claro que o espaço dela está garantido na vida de cada um.

Também não adianta propor uma ida ao cinema ou a qualquer lugar que seu filho goste de ir para tentar agradá-lo e depois soltar a bomba. A criança pode se sentir enganada. Além disso, é uma situação muito particular para ser conversada em locais públicos. O melhor lugar é em casa, no ambiente privado, para que a criança possa chorar, ficar mal, falar o que tiver vontade.

Males para bem

Quando a situação entre o casal é muito ruim, a notícia pode até trazer certo alívio, porque os filhos não gostam de ver os pais brigando e se ofendendo. “Em muitos casos, são perdas que vão resultar, mais tarde, em um ganho de saúde emocional tanto para o ex-casal quanto para a criança. Se cada um puder ter uma vida mais tranquila e se a criança não presenciar um modelo de relação com brigas, é um fato positivo para a sáude mental de todos”, reflete Miriam.

É inevitável, porém, que as crianças fiquem tristes. “Elas têm o direito de reagir e se expressar. É preciso acolher, conversar”, diz Marina. É bacana também citar exemplos de outras famílias com pais separados que o filho conhece e que se dão bem. Mas dê tempo ao seu filho de processar e espaço para que ele possa se manifestar.

O que tem que ficar claro para as crianças é que, mesmo que os pais não formem mais um casal, nenhum deles vai perder o contato com elas, ambos farão de tudo para estar presentes e os filhos poderão contar com eles sempre. Afinal, casamento acaba. Família, não.

Evite dizer…

“Quando eu tiver um namorado, ninguém vai tomar o lugar do seu pai”. A criança não precisa se preocupar com a possibilidade de uma nova presença na família nesse momento. Mesmo que um dos pais – ou os dois – já estejam em novos relacionamentos, não é a hora de contar. Deixe a criança assimilar uma coisa de cada vez.

“Vamos nos separar porque seu pai/sua mãe é (insira aqui qualquer ofensa)”. É preciso manter o respeito ao se dirigir e se referir ao ex-parceiro, mesmo que ele não esteja presente.

Pode ser bom dizer:

“Mamãe/papai ainda vai ficar triste, talvez fique mais quietinha, mas vai passar. Você também pode ficar triste, não tem problema”. Lidar com a situação de forma equilibrada não quer dizer esconder os sentimentos. Abra espaço para você e seu filho poderem lidar com essas emoções.

“Amamos você e seremos sempre os seus pais acima de tudo”. Separe os papéis de casal e de pais, dando segurança para seu filho que um não vai interferir no outro.

O que Zezé di Camargo e Zilu deveriam aprender com Fátima e Bonner

Publicado em UOL, Estilo/ Comportamento, 26.12.16
Natália Eiras

Do UOL

AgNews

Separados desde 2013, Zezé di Camargo e Zilu continuam dando o que falar. Eles trocam alfinetadas pelas redes sociais, colocam os filhos no meio das brigas e soltam declarações polêmicas para a mídia. Se “administrar” um divórcio sendo pessoas anônimas já é complicado, imagina se o (ex-) casal é famoso, como Zilu e Zezé? A fama pode agravar a situação, mas não é a causa de todos os problemas.

Neste ano, muita gente disse que não acreditava mais no amor após Fátima Bernardes e William Bonner anunciarem a separação. Os jornalistas, no entanto, conseguiram manter todo o drama de um divórcio bem longe dos holofotes. De acordo com a terapeuta de casais e família Marina Vasconcellos, de São Paulo (SP), esse é o tipo de coisa que a Família Camargo deveria aprender.

“[Zilu e Zezé] deveriam fazer exatamente o oposto do que estão fazendo. Não pode expor o outro. Além de acabar com a privacidade do ex-companheiro, você também está se expondo e deixando os filhos vulneráveis”, fala a especialista em entrevista ao UOL.

E Fátima e Bonner souberam administrar muito bem a vida pública e a privacidade da família. “Eles sabem que, por serem figuras públicas, qualquer coisa que eles falarem vai fazer muito barulho. O importante é respeitar o seio familiar”, aconselha.

Não expor o ex-companheiro

Assim, declarações como a de Zezé, que disse que não teria escrito “É o Amor” para a Zilu, deveriam ser evitadas pelos famosos. “Isto é um problema de casal e a roupa suja se lava em casa”, diz Marina. “Isso alimenta uma coisa negativa, um sentimento de vingança, de raiva. E, nessas horas, é preciso alimentar coisas positivas”.

Deixar de fuçar as redes sociais do ex

Em uma época em que as redes sociais são uma parte importante da vida das pessoas, deixar de seguir o ex-companheiro no Facebook e no Instagram pode ser uma boa estratégia para evitar constrangimentos. “Terminou? Vai cada um levar a sua vida, respeitando a do outro. Porque até ali eles tinham uma história juntos, mas agora começará uma nova etapa da vida de ambos”, afirma a psicóloga formada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Ter maturidade para lidar com os filhos

Maturidade por parte dos pais também previne situações como a de Wanessa, que deixou de falar com Zezé após a separação. “O ideal seria eles fazerem uma terapia de ex-casal para ‘limpar tudo’. Os filhos ficam em uma situação muito delicada e acabam escolhendo um lado”. Não falar mal do ex-companheiro para a família e segurar a onda nas “cenas de ciúme” também ajudam a manter a harmonia. “Tem um problema com o seu ex? Resolva com ele. Se a convivência é muito difícil, não fale para os filhos”.

Dividir as festas de fim de ano

No Natal, Zezé publicou uma imagem comemorando a data com a namorada, Graciele Lacerda. A “separação” da Família Camargo não passou em branco no Instagram de Zilu, onde ela escreveu um texto dizendo que não há “ex-filho”. Fãs viram o post como uma provocação. A situação teria sido resolvida, de acordo com Marina, se tivesse havido uma conversa e negociação sobre como seriam comemoradas as festas de fim de ano.

“Normalmente, as famílias se dividem: os filhos passam o dia 24 com um e o dia 25 com o outro. Ou o Natal com um e o Ano-Novo com o outro”, fala a especialista. O importante, no entanto, é respeitar o acordo e ter em mente que estar com o pai não significa que o filho não goste da mãe ou vice-versa. “Não é saudável competir pelo amor dos filhos”.

Por que a separação de Bonner e Fátima fez a internet desacreditar do amor?

Publicado em UOL/ Estilo – Comportamento, 02.09.16
Thamires Andrade – do UOL

Folhapressimagem: Folhapress

Na segunda-feira (29), William Bonner e Fátima Bernardes anunciaram simultaneamente em suas contas no Twitter o fim do casamento de 26 anos. No microblog, “Fátima” chegou a ser o assunto mais comentado, minutos após a divulgação do comunicado pelos jornalistas da Globo. Bastou isso para brotarem, nessa e em outras redes sociais, comentários como “não acredito mais no amor”. Mas por que a internet sofreu tanto?

Para Ana Luiza Mano, psicóloga do NPPI (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática) da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, a comoção aconteceu porque a web é um espaço que propicia a propagação de fantasias. “As pessoas idealizam e projetam o amor nos casais famosos e, quando eles se separam, há um rompimento desse amor idealizado”, declara.

“Eles eram o casal modelo: bonitos, bem empregados, saudáveis, com três filhos. Era a família do comercial de margarina. As pessoas projetavam neles o ideal de casamento e de amor, só que esqueceram que eles eram um casal como outro qualquer, que tinha de lidar com a convivência do dia a dia”, fala Marina Vasconcellos, psicóloga especializada em terapia familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo). Ela também diz acreditar que o fato de o Brasil ter acompanhado o casamento e a gravidez de Fátima fez com que as pessoas sentissem como se conhecessem o casal.

A psicanalista Regina Navarro Lins –autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso– afirma que as pessoas vivem, de uma maneira geral, aprisionadas pelo mito do amor romântico e pela ideia de que só é possível haver felicidade se existir um grande amor. “As pessoas idealizam o par amoroso e se frustram ao perceber que o amor e o casamento não são para sempre.”

Segundo Alexandre Bez, consultor conjugal e psicólogo especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos, há um endeusamento dos famosos por parte dos cidadãos comuns. “Eles não podem cometer erros ou sofrer. As pessoas ficam chocadas quando um casal público aparentemente feliz se separa, pois há uma quebra de mitos, paradigmas e valores individuais”, afirma.

As pessoas que torcem pelos relacionamentos alheios ficam angustiadas e entram em conflito com uma notícia de separação, como a do casal de jornalistas. “Elas se martirizam, ficam perturbadas e sem chão: ‘Como um casamento bom acaba?’. Conscientemente, estão preocupadas com os dois, mas, em nível inconsciente, ficam preocupadas com a própria relação, se aquilo também pode acontecer com elas”, diz Bez.

Para Bez, as frases “não existe amor” e “não acredito mais no amor”, encontradas em muitos dos posts comentando a separação de Bonner e Fátima, são uma fuga de quem não quer racionalizar o motivo de a relação ter tido um fim. Assim se livram de refletir sobre os embates do dia a dia que desgastam os relacionamentos.

“Não há um pensamento lógico, só a fuga. Se amanhã isso acontece com elas, seguem com essa mentalidade que foi traçada para ser um escudo de proteção. Esse tipo de processo mental causa uma série de reações negativas no âmbito amoroso”, fala o psicólogo.

De acordo com Ana Luiza, mostrar nas redes sociais o que sente a respeito da vida amorosa alheia é uma maneira que os usuários encontram de canalizar os próprios sentimentos. “A pessoa despeja no Facebook a frustração, a surpresa ou a tristeza com aquela notícia. Tem quem xingue, fique triste e tudo isso acontece pela desinibição on-line”, fala.

Segundo a psicóloga do NPPI (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática) da PUC, essa desinibição faz com que o indivíduo tenha vontade de expor na internet suas emoções. “A pessoa se sente anônima na multidão. Mesmo nas plataformas que mostram nome e fotografia. O usuário faz um comentário e acha que o que ele escreveu é só mais um, que não vai ser o mais lido, e mesmo que outras pessoas comentem, ele só vai retomar essa conversa se desejar. É aquela ideia do banheiro público: a pessoa entra, rabisca na porta e depois vai embora.”

Outro comportamento também observado entre as pessoas que se comoveram com o fim da relação de Bonner e Fátima foi o pessimismo. “É uma postura bem comum as pessoas ficarem pessimistas depois de notícias como essas, mas a relação deles não fracassou. Ela deu certo por 26 anos. Tanto que eles saem como amigos e parceiros na criação dos filhos.”, afirma Marina.

 

Separações e brigas – quem mais sofre nisso tudo?

Publicado no Minha Saúde Online em 03/04/2014

Venho aqui insistir num tema que já abordei, mas cuja recorrência em casos que sou testemunha me chama a atenção: quando as brigas dos pais numa separação adquirem intensidade tal a ponto de esquecerem o cuidado que devem ter com os filhos, grandes atingidos na história toda.

Imagine a seguinte situação: um homem trai a esposa após quase 20 anos de casamento, é descoberto em sua traição e resolve separar-se. Justifica seu ato dizendo que a esposa já não o atraía mais por estar desleixada, acima do peso, e encontra alguém mais jovem e bonita. Envolve-se com ela, com quem vive uma paixão e explosão sexual, tentando recuperar os anos de insatisfação nessa área.

A esposa, mesmo sabendo de tudo, lhe oferece uma chance de retomar a relação, passando por cima das mágoas e humilhações, em nome de tudo o que construíram nos anos de união – incluindo dois filhos adolescentes. Fariam uma terapia de casal e tentariam entender e modificar o que não estava bom até então. Ele é irredutível e não aceita, dizendo estar certo do que quer para si, e afirmando que o tempo deles já acabou. Não a ama mais.

Porém, com o passar do tempo percebe que os ganhos com esse novo relacionamento são muito menores que as perdas, e cai em si, passando a valorizar cada aspecto da esposa que abriu mão, sentindo saudades da vida que levavam, dos momentos em família, das viagens de férias onde se divertiam, do aconchego do lar ao lado dos filhos… Tenta reconquistá-la, mas descobre que ela, após sofrer bastante e precisar tratar-se de uma depressão que a envolveu nos meses que se seguiram ao divórcio, já não está mais disponível, e seguiu a vida: está acompanhada de um novo amor.

Aí é que o caldo começa a entornar. Vem o ciúme, o inconformismo com a escolha errada que fez, o arrependimento por não ter agido de outra forma lá atrás, a vontade de voltar no tempo para resgatar o relacionamento quando ele ainda tinha chances de se modificar e ser salvo. Agora é tarde.

Dependendo da maturidade e caráter de cada um, aqui corre-se o risco de colocar tudo a perder. Alguns começam a atacar o novo companheiro da ex mulher, acusando-o de coisas infundadas, desqualificando-o perante os filhos, provocando situações onde estes se veem numa encruzilhada: percebem que o parceiro da mãe é de boa índole, gostam dele, e o principal: veem o quanto a mãe está feliz e recuperada do trauma passado, mas sentem-se pressionados pelo pai que faz chantagem emocional e tenta a todo custo desvirtuar a imagem dele, falando mal,  dificultando ao máximo que a mãe seja feliz. Afinal, se ele não o é, porque ela haveria de ser?

O jogo é invertido e o pai projeta no novo companheiro toda a sua frustração, seu inconformismo, e o culpa por sua “amada” não lhe querer mais.

Coloquei aqui um exemplo que pode ser aplicado tanto a homens quanto mulheres, claro. Uma mulher quando sente que perdeu seu homem para outra, por mais que tenha sido dela a escolha, passa por momentos de ciúmes e raiva, chegando em alguns casos a atitudes de fúria e completa inadequação. E muitas vezes na frente dos filhos, que descobrem um lado ainda não revelado de sua mãe que lhe parecia tão tranquila e controlada.

Lidar com a frustração da perda não é fácil. Admitir que errou e não há mais como consertar determinada situação que você próprio causou, por escolhas erradas que fez na vida, requer maturidade e desenvolvimento emocional à altura. Reconhecer a responsabilidade por seus atos e assumir as consequências que eles trazem, sem projetar no outro o que é de sua autoria, é sinal de crescimento e auto conhecimento.

Todos nós estamos sujeitos a errar, mas temos que reconhecer que o outro também tem seu limite de aceitação, sua capacidade de perdão e o direito de seguir em frente e ser feliz.

Se você se encontra nessa situação, o melhor a fazer é esforçar-se para acertar numa próxima união, e em nome do amor que descobriu sentir pelo outro, deixe-o ir e ser feliz. Isso o libertará para também ir em busca de sua felicidade novamente.

E os filhos? Devem ser preservados sempre, nunca sendo colocados entre os pais como “moeda de troca”, como “informantes” da vida de cada um, e não merecem escutar os pais ofendendo um ao outro, desrespeitando-se e desqualificando os novos companheiros que tenham entrado em suas vidas. Quando tudo isso é respeitado a separação, por mais dolorosa que seja, pode não ser tão traumática e de fácil assimilação para os filhos. Tudo vai depender de como os pais lidam com os fatos.