NEUROCIENTISTAS DESCOBREM COMO A CORRIDA DESENVOLVE O CÉREBRO

Pulicado em Guia Tênis, .01.05.17.

Se já não bastasse todos os benefícios comumente conhecidos da corrida sobre o corpo humano, estudos científicos vêm demonstrando que o cérebro é também um dos grandes beneficiários deste esporte.

Inúmeros estudos foram realizados. Os mais diferentes testes executados. A constatação final quase sempre fora a mesma: a corrida é um excelente exercício para o cérebro. É o que definiram diversos testes aplicados por diferentes instituições e renomadas universidades do mundo, como Harvard e Oxford. A corrida é uma prática física que conecta corpo e mente de uma forma pouco vista em outros esportes. Isso intrigou e instigou cientistas a estudarem mais profundamente essa prática física e seus efeitos no cérebro humano.

Muitos abandonam ou mesmo nem iniciam a corrida por falta de tempo e excesso de trabalho, sendo estes os motivos mais comuns para justificar o sedentarismo. O que muitos não sabem é que a corrida irá proporcionar um aumento da sua capacidade cognitiva, condicionamento físico e melhora geral na saúde, tornando esta pessoa muito mais produtiva. Ou seja, ela será capaz de realizar muito mais tarefas em menos horas. O tempo usado no esporte na verdade não será um gasto, mas sim um investimento.

A corrida ajudando a espairecer a mente e desenvolver o cérebro

Correr com certa frequência ajuda a resgatar a memória, instiga a criatividade e organiza planos futuros. Ao menos é este o depoimento de inúmeros corredores que adotam a prática com alguma regularidade. Um depoimento que antes parecia não se embasar em dados científicos ou qualitativos. No entanto, um estudo americano ajudou a comprovar algo que já era sentido por quem adotava a corrida em sua rotina.

Uma análise realizada por neurocientistas especializados em pesquisas que envolvem atividades físicas comprovou que o sentimento dos corredores não era mera impressão. A publicação no periódico “Frontiers in Human Neuroscience” relacionou a corrida de longas distâncias à melhoria da capacidade cerebral. Segundo o trabalho publicado em um dos maiores periódicos de estudos neurocientíficos, pessoas que adotam a corrida como parte da rotina apresentam conexões cerebrais diferentes de pessoas completamente saudáveis, mas ainda assim sedentárias.

Os estudos apresentados sugeriram que as partes dos cérebros que apresentavam conexões diferenciadas eram as regiões que compreendiam a cognição sofisticada. A área em questão é responsável pela facilitação da memória de trabalho, potencialização da atenção, aumento da capacidade multitarefa, processamento de informações sensoriais e maior agilidade na tomada de decisões.

Os neurocientistas da Universidade do Arizona (que conduziram a pesquisa) constataram que os resultados apresentados são muito influentes no que relaciona a prática da corrida à maior interação de partes do cérebro dedicadas ao foco mental e à cognição. Outros esportes já haviam sido testados para avaliar a melhoria nos aspectos cognitivos do seres humanos, como o badminton e a ginástica. No entanto, a corrida jamais havia sido testada. Os resultados foram surpreendentes.

O estudo da Universidade do Arizona revela maior nível de conexões funcionais no cérebro em grupo de corredores

Para comprovar os resultados, um teste avaliando 11 homens corredores fora realizado. A justificativa dos pesquisadores se baseou no fato de que os efeitos do ciclo menstrual das mulheres no cérebro poderia ser um fator que afetasse os resultados. Assim, com 22 voluntários, sendo metade composta por corredores rotineiros e a outra metade um grupo de controle, avaliou-se as atividades cerebrais de ambos os grupos.

Para realização da mensuração de resultados, os voluntários foram submetidos à ressonância magnética com o intuito de medir os níveis de atividades cerebrais de cada um. A descoberta foi clara e um tanto surpreendente, encontrando-se através da ressonância magnética um maior nível de conexões funcionais – conexões entre partes distintas do cérebro – no grupo de corredores do que quando comparado ao grupo de controle (que envolviam homens saudáveis, no entanto sedentários).

A corrida, ao final das contas, não é uma atividade tão simples de ser praticada como se sugeria. O fato de apenas precisar sair do lugar por meio de uma arrancada, e a consequente condução do trajeto dão uma sintonia de suposta comodidade a um exercício que, presumivelmente, não exigia maiores habilidades para a prática, como outros esportes, por exemplo.

Uma suposição que caiu por completo com a elaboração do estudo pela Universidade do Arizona. Segundo os pesquisadores, a corrida aparentemente deixa de ser uma atividade física básica – como anteriormente se sugeria. A corrida exige habilidades complexas de navegação durante o trajeto, uma capacidade grande de planejamento do mesmo e monitoramento das atividades mais simples, como a respiração, por exemplo.

Os estudiosos da Universidade do Arizona salientaram ao fim de seu estudo que outros fatores poderiam estar influenciando na capacidade cerebral dos corredores testados, que não somente a corrida. No entanto, os padrões apresentados sugerem que novos estudos possam ser realizados para avaliar com mais precisão como as atividades cerebrais estariam relacionadas à prática da corrida.

Sob este aspecto, novos estudos passaram a ser realizados e agrupados, como a pesquisa que relaciona a criação de novos neurônios à prática rotineira de corrida de longas distâncias.

A corrida previne doenças

Marina Vasconcellos, psicóloga e professora colaboradora do curso de psicologia médica da Universidade de São Paulo, em entrevista ao Guia Tênis, revela que a atividade física já é usada como prescrição médica.

Sempre recomendamos a prática regular de exercícios físicos para qualquer pessoa, e aquelas em depressão ou ansiosas eu diria que faz parte da recomendação médica!
Segundo a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, que estuda há anos o funcionamento do cérebro, existem cinco motivos principais para realizarmos exercícios físicos regularmente para que nosso cérebro funcione melhor. Ao praticá-los, nosso sistema de recompensa cerebral é ativado, nos fazendo sentir prazer.

  1.  Risco de sofrermos AVCs grandes ou pequenos é bem menor, já que o exercício melhora a atividade cardiovascular, beneficiando a irrigação sanguínea do cérebro.
  2. O exercício faz o cérebro produzir prolactina, um hormônio que tem ação calmante, e endorfina, que ajudam no aumento do prazer e reduzem a dor.
  3. O exercício ajuda a descarregar tensões acumuladas. O corpo relaxa e o cérebro acalma.
  4. O exercício aumenta a atividade do sistema parassimpático, responsável pela digestão, crescimento, proteção do coração e que age como freio contra o estresse a longo prazo.
  5. O exercício físico promove o nascimento de neurônios novos no cérebro, em especial no hipocampo, que é responsável pela formação de novas memórias. Ou seja, melhora a memória.

Resumindo:

  • Previne AVC
  • Reduz a dor
  • Acalma o corpo e o cérebro
  • Diminui o estresse
  • Melhora a memória
  • Dá prazer!

Ainda acrescento o fato da corrida, em especial, proporcionar o convívio com outras pessoas e estar ao ar livre ou em contato com a natureza, no caso de correr no parque (muito melhor do que na esteira, fechado dentro de uma academia). E as provas de corrida são animadas, o clima é delicioso, são centenas ou milhares de pessoas com a energia boa, animados, pensando na saúde e no bem estar. A somatória de tudo isso ajuda a levantar o astral de qualquer um, estimulando o deprimido (pelos motivos relatados acima) e aliviando a tensão dos ansiosos (idem).
Portanto, a prática regular de exercícios físicos só traz benefícios à saúde.” – finaliza a psicóloga.

A explicação de neurocientistas ao relacionar criação de neurônios às corridas

É sempre perceptível que, após uma longa corrida, a mente esteja mais apta e capacitada a novas informações. Mas não só isso, como também uma reflexão mais precisa dos problemas diários e o encontro de soluções para algo que tanto insiste em incomodar. A corrida relaxa. E isso não é ouvido apenas de uma boca, mas sim de inúmeros corredores que costumam buscar a corrida para “libertar a mente”, aguçar o cérebro e potencializar a consciência.

Entretanto, tudo isso sempre passou por uma suposição. Sem embasamento científico, estas propriedades mentais positivas findavam apenas opinião de quem corria e sentia-se bem com a prática. O passado ficou para trás. No presente, aparentemente, a prova de que a corrida está completamente relacionada à melhoria da capacidade cerebral parece estar tomando os laboratórios de neurociência que estudam e se aprofundam no tema que relaciona neurônios, corrida e atividade cerebral.

Novos neurônios sendo criados por quem adota a corrida como atividade rotineira

Por anos aceitou-se a hipótese de que o ser humano nasce com uma quantidade permanente de neurônios. Além disso, a afirmação ainda condizia que, ao chegar à fase adulta, novos neurônios deixariam de surgir. Uma hipótese que até se tornou teoria, mas que provou-se como falsa. Pesquisas realizadas utilizando animais, por exemplo, constataram que novos neurônios são continuamente produzidos no cérebro, não importando a idade.

Mas muito além disso, um dos fatores que podem ser significantes para o surgimento de neurônios – e assim a potencialização da capacidade cerebral – é a realização de exercícios aeróbicos, sobretudo a corrida. Segundo levantamento realizado em pesquisa pela Academia Americana de Neuropsicologia Clínica, é possível estimular o crescimento de novos neurônios apenas através de uma corrida. A alta intensidade dedicada a uma corrida de 30 minutos, por exemplo, desencadeia o surgimento de novas células cerebrais.

Auxiliando nos aspectos de melhoria da capacidade neural, a corrida pode, ainda, estimular a recuperação de abatimentos ou sentimentos negativos mais rapidamente. Sendo fundamental como forma de superar qualquer tipo de adversidade.

Superando traumas e contornando emoções negativas

Emily Bernstein (PhD em ciência oncológica) e Richard McNally (Professor de Psicologia na Universidade de Harvard) conduziram um estudo que verificou como a corrida poderia ser um braço direito no tratamento de emoções negativas; como um mecanismo de superação de traumas ou da negatividade findada que possa se desenvolver.

Bernstein teve como motivação do estudo o fato de ser uma corredora rotineira, admitindo que nota o sentimento de positividade que invade seu corpo enquanto corre e também após o exercício. O estudo, dessa forma, serviu para que fosse descoberto o efeito causador do estímulo positivo gerado sobre as pessoas que praticam exercícios aeróbicos. Propondo analisar a forma que o corpo e a mente reagem após uma corrida, as emoções seriam, em princípio, analisadas como o fator principal do estudo. Os voluntários da pesquisa foram submetidos a alongamentos, enquanto o outro grupo foi estimulado a correr durante 30 minutos, e, após isso, todos assistiriam à cena que encerrava o filme ‘O Campeão’, de 1979.

Notou-se que os participantes que haviam corrido se recuperaram de maneira mais rápida da experiência emocional negativa em comparação com quem apenas havia se alongado. Dessa forma, uma ideia de que a corrida poderia corresponder aos aspectos positivos seria o ponto de partida para estudos futuros.

A corrida seria o melhor tipo de exercício para o cérebro?

Os mais diferentes exercícios agem de formas diversas no organismo. Mesmo que estejam englobados em exercícios aeróbicos ou anaeróbicos, a reação do organismo sempre será diferente em cada caso. Dessa forma, difere-se no que tange a parte física, mas também no que abrange as atividades neurológicas. Um estudo na Universidade de Jyvaskayla, na Finlândia, colocou à prova como a atividade mental é desenvolvida em larga escala, testando ratos em diversos exercícios aeróbicos.

Estudos realizados anteriormente ao da Universidade finlandesa já levantavam a hipótese de uma análise mais profunda acerca do surgimento de maior número de neurônios em testes comparativos de ratos que corriam e ratos sedentários. Em algumas pesquisas constatou-se que o número de novos neurônios quase triplicava de um grupo de amostra para o outro. Além disso, a região beneficiada casava justamente com o hipotálamo, responsável pela cognição e memória.

Já o estudo da Universidade de Jyvaskayla apostou em maior profundidade nas análises. Injetando uma substância que marcaria as regiões onde provocassem o surgimento de novas células, os pesquisadores estimularam os ratos aos mais diferentes tipos de exercícios, realizando comparações com um grupo de controle que permaneceria sedentário.

Alguns dos animais correram em rodas dentro de suas gaiolas, já outros foram submetidos a corridas moderadas em locais abertos, com distâncias variadas. Outro grupo ainda foi submetido a diversos outros treinos que envolviam resistência, treinos de velocidade e demais regimes de exercícios físicos. As rotinas de treinamentos perduraram por sete semanas até os primeiros resultados começarem a surgir. O surpreendente fica por conta dos animais que corriam enjaulados, assim como os que corriam soltos.

Os ratos estimulados, sobretudo, à corrida – seja enjaulado ou livre – apresentaram robustos resultados no que tangem os níveis de neurogênese. A comparação com o grupo de controle demonstrou que os animais expostos às atividades aeróbicas, que exigiam a corrida e intervalos de descanso controlados, promoviam uma excelente qualidade às funções cerebrais. Inúmeros novos neurônios surgiram no cérebro, e aliar o exercício ao descanso proporcionou uma qualidade à saúde física e mental dos ratos testados.

A Dr. Miriam Nokia (vinculada ao Departamento de Psicologia da Universidade de Jyvaskayla) explicitou o fato de que “ratos não são humanos”, em suas palavras, mas que os resultados apresentados são significativos para testes futuros que devem apresentar resultados positivos para a aliança de exercícios aeróbicos, assim como potencialização da capacidade cerebral humana, sobretudo no surgimento de maior número de neurônios, se comparado aos sedentários.

A corrida como o principal exercício para um cérebro saudável

Ao menos para o cérebro parece ser a melhor pedida. Por apresentar inúmeros benefícios sustentados por estudos quantitativos e qualitativos, a corrida e a melhora das atividades cerebrais se tornam quase como um laço que deve ser mais valorizado. Isso porque além da promoção de benefícios à saúde cardiorrespiratória e muscular, a corrida ainda se sobressai no que tange a melhora nas atividades cerebrais. Sendo, literalmente, o exercício que vai dos pés à cabeça.

Estudos falam por si, abrangem uma metodologia própria, testes que podem ser de discórdia, mas com fatos que dificilmente podem ser rebatidos. A corrida proporciona um benefício sem igual ao corpo; agora também descobre-se seu importante fator na melhora da atividade cerebral. Sendo uma opção interessante, portanto, a corrida serve quase como uma medicina preventiva. Calçando os tênis para corrida, mapeando um trajeto e desbravando novos caminhos parece ser muito mais interessante que a dependência de remédios no futuro.

FONTES:

  1.  http://www.karenpostal.com/exercise-think-better/ – Karen Postal, neuropsicóloga instrutora em Harvard, presidente da Academia Americana de Neuropsicologia Clínica.
  2.  http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1113/JP271552/abstract
  3.  http://www.nature.com/neuro/journal/v2/n3/full/nn0399_266.html
  4. http://journal.frontiersin.org/article/10.3389/fnhum.2016.00610/full
  5.  https://well.blogs.nytimes.com/2016/02/17/which-type-of-exercise-is-best-for-the-brain/?_r=1
  6. http://www.nature.com/neuro/journal/v2/n3/full/nn0399_266.html
  7.  https://academic.oup.com/biomedgerontology/article/58/2/M176/593589/Aerobic-Fitness-Reduces-Brain-Tissue-Loss-in-Aging
  8.  http://www.health.harvard.edu/blog/regular-exercise-changes-brain-improve-memory-thinking-skills-201404097110
  9.  http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02699931.2016.1168284

Como os homens são mais esquecidos que as mulheres, aprenda a melhorar a memória

Publicado no jornal O Nortão, 05.12.16 

Segundo estudo, ainda não há explicações para a qualidade da memória ser diferente entre homens e mulheres.

Agora é possível culpar a ciência quando sua mulher brigar porque você se esqueceu do aniversário dela. Uma pesquisa realizada pela Norwegian University of Science and Technology (NUST) e publicada no jornal científico BMC Physiology confirma: independente da idade, os homens tendem a ser mais esquecidos do que as mulheres.
Os cientistas chegaram a essa conclusão após analisar as respostas de mais de 37 mil pessoas de 30 a 60 anos. Os participantes foram submetidos a um questionário com nove perguntas relacionadas à memória. Em oito delas, os homens reportaram mais problemas do que as mulheres.
Apesar de muitos já suspeitarem que os homens são mais esquecidos do que as mulheres, o resultado foi inesperado para Jostein Holmen, um dos professores responsáveis pelo estudo. “Foi uma surpresa, isso nunca havia sido documentado.”
No entanto, se esquecer das coisas não é uma proeza exclusivamente masculina. Quase metade dos participantes (44,6% das mulheres e 46,2 dos homens) apresentou algum problema de memória. Sérios problemas foram reportados em 1,6% dos homens e 1,2% das mulheres. O motivo da qualidade da memória ser diferente entre homens e mulheres ainda é um mistério para os cientistas.
A pesquisa também apontou que, em ambos os gêneros, quanto mais velho um indivíduo for, pior será sua memória. Nós conversamos com a psicóloga Marina Vasconcellos e descobrimos que, por mais que exista a tendência de sermos mais esquecidos com o passar do tempo, também é possível reforçar a memória. “É preciso estimular o cérebro em vários aspectos para a memória funcionar”, afirma a psicóloga. Confira alguns hábitos, sugeridos por Marina Vasconcellos que vão ajudar você a se lembrar mais das coisas:

 

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 Discar o número do telefone e evitar recorrer à lista de contatos
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 Variar o caminho da casa para o trabalho e vice-versa
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 Aprender a tocar instrumentos musicais
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Praticar exercício físico com regularidade
“Tudo que a gente aprende durante o dia é fixado na memória durante o sono. Então, dormir bem é importantíssimo para o bom funcionamento da memória”, conta a psicóloga.

Treinar junto une o casal

Treinar em boa companhia é muito melhor

Publicado no Bodytech,  12.02.16.

A gente não cansa de dizer que treinar em boa companhia é muito melhor. Marina Vasconcellos, psicóloga com especialização em terapia Familiar e de Casal pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), confirma a teoria: “Treinar junto une o casal”. Segundo ela, “ambos acabam desenvolvendo uma rotina em que um estimula o outro, facilitando o estímulo necessário para levar adiante os exercícios com seriedade”. Além disso, ela ressalta, se o treino for pela manhã, “ambos terão que dormir cedo para descansar o suficiente para o dia seguinte, obrigando-os a seguir uma rotina de horários em conjunto e evitando, dessa forma, conflitos ligados a esse tema”.

Qual modalidades escolher?

Deve-se escolher aquilo de que ambos gostem, para que não façam desse momento gostoso algo “torturante” nem que se sintam “obrigados” a praticar. O esporte deve trazer prazer, descontração, disposição, além de despertar em ambos a vontade de praticá-lo.

Quais as dicas para quem quer treinar com o parceiro?

Cada um tem suas habilidades individuais e nem sempre é possível encontrar um esporte em que ambos se realizem. Caso não dê, é importante que cada um consiga realizar o seu para que se sintam bem consigo e realizem uma atividade física regularmente, o que é muito importante para o bem-estar geral das pessoas. O ritmo de cada um deve ser respeitado. Não adianta querer competir com o parceiro por performances inatingíveis e ficar sempre frustrado, ou mesmo desenvolver sentimentos de inferioridade ou irritabilidade por não ter o mesmo desempenho dele. Um casal não deve competir: afinal, são parceiros, e um quer o melhor do outro e para o outro. Não utilize esse momento juntos para discutir a relação nem falar sobre problemas. Esse deve ser um tempo em que se permitem vivenciar coisas boas, fazendo a ligação entre a sensação boa de cuidar da saúde com a parceria e estímulo do amado. Essa informação se fixa no cérebro e garante que a memória do exercício seja de algo prazeroso. Fique atento para não confundir o prazer de estar junto e o estímulo mútuo aos exercícios com “controle” e “posse” do outro. Alguns relacionamentos doentios camuflam esse controle (necessidade de estar sempre junto para controlar o que o outro está fazendo, com quem está falando etc) com a roupagem da pessoa “preocupada” e “supercompanheira”. Isso pode ser um“ciúme excessivo”, o que se caracteriza como doença e deve ser tratado como tal.

Os cinco maiores arrependimentos antes de morrer

Publicado no site Minha Saúde online, 18.01.16

Outro dia recebi através de uma rede social um vídeo que mostra a pesquisa de uma enfermeira americana (não cita seu nome) do Hospital Albert Einstein. Ela perguntou a pacientes terminais, sob seus cuidados, quais eram seus maiores arrependimentos agora que estavam próximos da morte, e escolheu os cinco mais citados para compartilhar.

Em primeiro lugar: “Gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim”.

O tempo não volta, e temos que ser criteriosos quando decidimos deixar de fazer algo importante para nós em função do outro. Às vezes isso é necessário, em especial na vida a dois, onde a troca e o “relevar” coisas fazem parte de um convívio saudável. O problema está quando o outro vem sempre em primeiro lugar, e nos deixamos de lado. Passamos a viver em função do que faria o outro feliz, o que o agradaria, o que não o decepcionaria, e assim por diante, deixando de nos valorizar e nos cuidar.

Felizmente, com o avançar da idade sinto que a maturidade nos ajuda cada vez mais a ter segurança nos próprios sentimentos, aumentando nossa autoconfiança no que acreditamos ser bom para nós, sentindo-nos mais fortes para escolher o que nos agrada, assim como para sair de situações ou relacionamentos que não nos fazem bem.

Mas atenção: não confunda um eu forte com egoísmo. Este diz respeito a um amor exagerado aos próprios interesses a despeito dos de outrem, levando a pessoa a um exclusivismo que a toma como referência a tudo. Já uma pessoa com seu eu fortalecido, sabe posicionar-se quando não quer fazer algo e não tem receio de dizer “não”, palavrinha tão temida por muitos, mas importa-se com o outro e tenta negociar alternativas – ao contrário do egoísta, que não pensa em como isso afetará o outro.

O segundo arrependimento diz respeito ao trabalho: “Gostaria de não ter trabalhado tanto”.

Quantas pessoas começam sua carreira acreditando que seriam felizes e se realizariam com aquele trabalho, mas após um tempo já não suportam mais o que fazem e se veem reféns da própria escolha? Triste isso, mas muito mais comum do que se imagina. Se o trabalho vira um peso, o tempo e a energia investida nele diariamente certamente causarão arrependimento ao final da vida.

Inevitável o questionamento: “E se eu tivesse feito música ao invés de engenharia? Estaria mais feliz agora, viveria menos estressado…”

“E se eu não tivesse desistido daquele curso de inglês? Agora poderia largar tudo e ir morar fora!”
E por aí vai, em intermináveis “e se…” que não levam a lugar algum.

Talvez o verdadeiro arrependimento por trás desse não seja o de ter trabalhado exageradamente, mas o de não ter escolhido com mais acerto o trabalho que o faria feliz, ou não ter “virado a mesa” enquanto podia, buscando realização pessoal e profissional. Porque uma coisa é fato: quando trabalhamos muito, mas gostamos da nossa atividade, o peso não é tão grande assim, e levamos a vida com mais leveza e satisfação.

O terceiro lugar trata dos sentimentos: “Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos”.

Como já disse, com a idade ganhamos a capacidade de nos posicionarmos cada vez mais e em qualquer situação. No fim da vida já não há mais o que temer, e os sentimentos podem brotar e se manifestar com liberdade, sem a vergonha ou o temor de desagradar pessoas.

Uma pena que isso só seja possível para muitos após anos de sofrimento e contenção dos sentimentos! A psicoterapia pode ajudar as pessoas a assumirem a responsabilidade por seus atos e sentimentos, encontrando a melhor maneira de expressá-los ao mundo. É libertador poder falar abertamente sobre sentimentos com pessoas de sua confiança, trocar experiências e vivências, aprender e ensinar através do convívio com familiares e amigos. Quando expressamos nossos sentimentos, entramos em contato verdadeiramente com o outro.

E por falar em contato, aqui vai o quarto arrependimento: “Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos”.

Em especial para aqueles que vivem em grandes cidades, está cada vez mais difícil o convívio com amigos, já que temos que enfrentar o caos do trânsito, uma demanda grande de trabalho, o tempo que parece acelerar cada vez mais e não damos conta de tudo o que temos para fazer… Não raro vem a saudade de alguém, a vontade de rever um amigo ou mesmo familiar querido, mas a loucura da semana acaba por nos engolfar, restando pouco tempo e energia para investir nas amizades.

Relações verdadeiras e honestas – mais do que com a própria família, muitas vezes – são aquelas que temos vontade de ficar perto, conversar, compartilhar acontecimentos ou pensamentos, sair pra fazer algo junto, enfim, são os amigos que tanto prezamos e conquistamos. Mas até essas relações exigem que dediquemos tempo e energia, pois tudo o que não é alimentado acaba morrendo com o passar do tempo… Será que podemos fazer algo para mudar isso, não deixando que esse convívio tão precioso se transforme apenas em convívio “virtual”?

Por fim, “eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz”.
Você não é feliz? O que o impede de sê-lo? O que precisa para considerar-se uma pessoa feliz? O que você considera felicidade? Será que não está deixando de ver fatos/pessoas ou coisas que estão bem aí na sua frente? Ou há alguém que exatamente precisa “sair” da sua frente? Há algo que possa fazer a partir de hoje para reverter essa situação?

Então, com disse Nuno Cobra: “O que distingue aquele que consegue daquele que não sai do lugar é o fazer. Todo segredo está contido nessas cinco letrinhas mágicas: F-A-Z-E-R!”
Faça e seja feliz!

A resistência em procurar ajuda tem forte ligação com o medo da mudança

Por que as pessoas têm tanto medo de encarar o que as aflige e buscar a saúde como um todo?

Publicado no site Minha Saúde online, 18/11/2015.

É enorme o número de pessoas que permanece em sofrimento emocional grande parte da vida, sem procurar ajuda para seus problemas psicológicos. Estes, por sua vez, encontram uma forma de se manifestar através de sintomas físicos, trazendo à tona as chamadas “doenças psicossomáticas”, já que “o corpo fala” de alguma maneira, insistindo em nos mostrar que algo não está bem conosco e precisa ser devidamente olhado, cuidado.

Há uma gama vasta de literatura abordando essa questão do corpo que reflete o sofrimento psíquico, inclusive fazendo a ligação dos sintomas e o órgão afetado com o que pode significar na vida da pessoa, analisando a função daquele órgão e o tratamento adequado à sua recuperação. É incrível como temos o poder de “criar” certas doenças inconscientemente, por pura incapacidade de “olharmos para dentro” e identificarmos nossas necessidades emocionais.

Trabalhando com pessoas e acolhendo seus sofrimentos e angústias há tantos anos, não é raro me sentir “aflita” ou mesmo “impotente” quando percebo que conhecidos meus, sejam parentes, amigos ou pessoas ligadas a eles recusam-se a olhar para suas questões e trabalhá-las adequadamente, podendo claramente atingir melhor qualidade de vida se o fizessem. Há uma recusa aberta e consciente da necessidade de ajuda, mesmo vendo-se em situações onde qualquer um que olhe de fora percebe sua condição emocional precária.

E aí eu pergunto: por que as pessoas têm tanto medo de encarar o que as aflige e buscar a saúde como um todo? Por que ainda nos dias de hoje a psicoterapia é vista com preconceito, como algo que deve ser mantido em segredo por muitos que a procuram, por medo do julgamento alheio? Por que olhar para suas fragilidades e falhas e procurar melhorá-las deve ser motivo de vergonha para alguém? Não seria o contrário?

Há aqueles que tentam “encobrir” o problema de um parente para não assumi-lo como um paciente psiquiátrico, por exemplo. Isso é mais comum do que se imagina por aí: depressivos, bipolares, borderlines, psicopatas… Quantos não são “acobertados” pelos parentes para que sua doença ou transtorno não sejam denunciados aos conhecidos, e por consequência não recebem o tratamento adequado para sua melhora, prejudicando a própria vida e a dos que convivem com ele? Afinal, o que falariam dele?

E de si próprio: como assumir que se tem um filho com transtorno de personalidade psicopata? Aonde foi que eu errei? Como reconhecer que minha mãe sofre com bipolaridade e necessita de remédios fortes e psicoterapia para conseguir viver em equilíbrio? Como aceitar que meu pai perdeu seu emprego por estar deprimido profundamente? Como reconhecer que minha mania de comprar trata-se de uma compulsão e preciso me esforçar para tratá-la? O que meu companheiro acharia de mim se soubesse que meu ciúme exagerado trata-se de uma doença, precisando muitas vezes de medicamento juntamente com a psicoterapia? E por aí vai uma longa lista de possibilidades de doenças que infelizmente não são tratadas, algumas vezes por falta de orientação, mas outras (e a maioria delas) por medo de enfrentar o “difícil” caminho do tratamento psicológico e o que ele significa: olhar para dentro de si e enfrentar os “demônios” internos. Mal sabem essas pessoas o quanto isso é libertador e nem tão difícil quanto parece, proporcionando outra qualidade de vida, onde não é preciso sofrer para fugir eternamente de algo que não se sabe o que é.

Durante o processo terapêutico descobrimos nossas fragilidades, defeitos, encaramos os pontos fracos que nem sempre são agradáveis aos nossos olhos.

Quem gosta de reconhecer seu lado possessivo, invejoso, sua vontade de vingança, sua preguiça, a falta de vontade e empenho para investir em sua saúde, a tendência a se deprimir perante problemas que nem são tão graves assim? Para o terapeuta podemos falar tudo: nossas intimidades mais profundas, nossos defeitos mais vergonhosos, pois ele não está ali para julgar, e sim para ouvir, acolher, questionar e procurar juntamente com o cliente o melhor meio de resolver seus conflitos, buscando a sabedoria interna de cada um.

Porém, em alguns casos somos convidados por nós mesmos a promover mudanças intensas em nossas vidas, pois internamente percebemos que já não dá para continuar do jeito de sempre, o que pode “espantar” muita gente da terapia nessa hora. As pessoas estão acostumadas a viver no conflito, a carregar consigo certo jeito de funcionar, e têm medo de encarar mudanças que acarretariam outro modo de se posicionar nas relações, na vida em geral. Mesmo sendo para melhor, o desconhecido assusta. Arriscar nem sempre é fácil e dá trabalho: exige que deixemos a zona de conforto.

Apostar em sua capacidade de posicionar-se de outra maneira perante as situações pode ser assustador demais para pessoas inseguras, com baixa auto estima, temerosas do julgamento dos outros.

Uma pena. Muitas pessoas poderiam ser mais felizes e não o são por acharem que não precisam de ajuda para isso. Fica aqui uma frase de Carl G. Jung para aqueles que têm receio de experimentar a psicoterapia por preconceito ou medo: “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”.

Transtornos alimentares como anorexia causam erosão dos dentes

A falta de nutrientes como cálcio e fósforo deixam os dentes mais fracos e comprometem os tecidos dentários.

A busca incansável pelo corpo perfeito faz jovens ao redor do mundo desenvolverem transtornos alimentares. O sexo feminino representa a maioria da população afetada pela bulimia e anorexia. Ao se olharem no espelho, elas se enxergam mais gordas do que realmente são. Fazem atividades físicas em excesso para perder gordurinhas que não têm, usam laxantes, diuréticos e provocam vômitos para perder peso rapidamente. O comportamento dos pacientes também provoca problemas de saúde bucal, possibilitando que o dentista seja o primeiro profissional a perceber as doenças.

Como os pacientes que têm anorexia evitam ingerir alimentos por longos períodos, a carência de nutrientes, a exemplo do cálcio e fósforo, faz com que a incidência de cáries e o comprometimento dos tecidos dentários aumentem, enfraquecendo os dentes, conforme defende a doutora em reabilitação oral Laura Stoll. “Cerca de 25% dos casos de anorexia estão associados à bulimia e consequentemente ocorre perda excessiva de esmalte dental por erosão ácida e o desenvolvimento de cáries de rápida evolução”, afirma.

O coordenador de pós-graduação em ciências da saúde da Unisul, Jefferson Traebert, explica que o fato de a cavidade oral constantemente entrar em contato com os ácidos estomacais, por causa da provocação do vômito, forma um ambiente ácido que desgasta os dentes. “Como o pH da boca fica mais baixo, a forma que o organismo tem de tentar corrigir isso é liberando íons, fazendo com que o esmalte dos dentes praticamente se dissolva para neutralizar o pH. Com a perda do esmalte, o tecido que está embaixo fica mais exposto e isso pode deixar o dente mais sensível” esclarece. Em casos mais graves, pode ocorrer a perda dos dentes em razão do comprometimento dos tecidos periodontais que os sustentam.

 

Fornecido por Cartola

 

Tratamento      

Segundo Laura, os tratamentos para esses problemas de saúde bucal consistem basicamente na utilização de cremes dentais de baixa abrasividade e bochechos fluoretados, associados à redução do consumo de alimentos e bebidas ácidas. Já para restaurar a função e a estética onde houve perda extensa de tecido dental é necessário utilizar resinas ou cerâmicas, pois o esmalte do dente não se reconstitui. Traebert defende que o dentista, ao perceber os sinais da erosão, comece a questionar o paciente sobre sua saúde em geral e ajude-o a recuperar a autoestima por meio da estética dos dentes, além de aconselhá-lo a buscar outros profissionais.

A psicóloga Marina Vasconcellos diz que a recuperação de pacientes com anorexia é muito lenta e delicada, pois normalmente há recusa para comer ou usar os medicamentos sob a  alegação de não querer voltar a engordar. Portanto, é necessário uma equipe multidisciplinar que englobe dentistas, psicólogos, nutricionistas e médicos para ajudar na recuperação do paciente.

MMA Fitness: Sexo frágil? Não no tatame!

Partir para a luta está na moda – e pode ser boa opção para quem quer fugir da monotonia e praticar uma atividade completa, o MMA Fitness

Por Anna Paula Lima, 5 de março de 2015 – Site O2 por Minuto

 

As artes marciais caiaram de vez no gosto dos brasileiros… E, vão muito além da audiência das transmissões de lutas da moda (como as de UFC), na TV. Segundo a Confederação Brasileira de Karatê, mais de 1,5 milhões de pessoas praticam o esporte no país, dessas 450 mil são mulheres. Na academia, o peso da participação feminina não é diferente: homens e mulheres (elas em peso!) gastam o tatame das aulas dinâmicas de MMA Fitness, que mistura as artes marciais mistas (Muay Thay, Kick Boxing e Jiu Jitsu), aos abdominais, corrida, socos e chutes nos sacos de boxe. Tudo, em três principais momentos do treino, de pé, no chão e no combate. A ideia é a de fazer os movimentos da luta, sem colocá-la em prática para não machucar. Sem pancadaria, as aulas trabalham a força de pernas e braços, o aeróbio, reflexo e confiança.

 

“Estamos tentando alcançar o equilíbrio entre os vários papéis da mulher, sem perder a feminilidade e nossa essência”, diz a psicóloga Miriam Barros. E por que o MMA Fitness? Por que o resultado é bem rápido, para moldar o corpo e ganhos de força e até perda de peso. É um exercício que abrange grandes grupos musculares, queima muitas calorias em pouco tempo, além de ajudar a descarregar tensões. Márcia Delgaes D’Angelo, com 37 anos e duas filhas pequenas, faz a aula há mais de dois anos, três vezes por semana. Nunca achou que a prática fosse apenas para os homens e, com o pouco tempo que dispõe, conta que tinha de fazer algo para aliviar a rotina profissional e materna: “É diferente de fazer um treininho de musculação, com paradinhas para conversar entre um aparelho e outro. A aula é disciplinada e os exercícios muito intensos. Não dá tempo de pensar em mais nada”, conta.

 

Gina

 

“Enquanto a mulher dá socos num saco, está descarregando sentimentos e o estresse. Aí, sai do treino mais relaxada e com a sensação de ‘missão cumprida’, por gastar bastante. Isso afeta, diretamente, sua autoestima”, completa a também psicóloga Marina Vasconcellos.

Dá para entender porque a mulherada tá tomando conta dessas aulas.

 ABDÔMEN (dos chutes nos sacos ao combate)
Além dos tradicionais, há os com bola e com alguns pesos na perna e na barriga. Com ênfase no uso de pesos ou muitas repetições. No combate, o abdômen é exigido na hora do chute (que também é feito contra sacos). O core sustenta toda energia durante o combate.

PERNAS
Desde os agachamentos e afundos, até os chutes e as joelhadas nos sacos, os exercícios fortalecem panturrilhas e coxas. Dois meses de aula seria o suficiente para que você note a perna tonificada e resistente a todos os obstáculos do treino.

BRAÇOS
Já os músculos superiores (antibraço, o bíceps e até o ombro) são trabalhados com os repetitivos socos e jebbys, que podem receber o reforço de halteres de um ou dois quilos nas mãos. Entre um intervalo ou outro, aparecem flexões pesadas que fortalecem esses músculos.

 

 

 

 

Compulsão por compras pode ser doença e necessita tratamento

Publicado no ID – med (Terra) em 25/09/2013

Você conhece algum amigo ou tem algum parente que é muito consumista e compra, compra, compra sem parar? Saiba que isso pode ser uma doença.

Você conhece algum amigo ou tem algum parente que é muito consumista e compra, compra, compra sem parar? Saiba que isso pode ser uma doença.

A psicóloga Marina Vasconcellos explica que acompulsão por compras faz parte do quadro de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), no qual a pessoa é dominada pela obsessão por algo, no caso a necessidade de comprar, achando que se o fizer sentir-se-á melhor. “O ritual de comprar elimina momentaneamente a preocupação e dá à pessoa a falsa sensação de alívio, pois é temporário, já que logo após tê-lo feito bate o arrependimento e a culpa por ter gastado mais do que deveria”, diz a psicóloga.

Muitos compradores compulsivos se passam por “consumistas”, quando podem gastar sem problemas por terem boas condições financeiras. A diferença está na necessidade que o compulsivo tem de realizar a compra: enquanto ele não compra algo para si ou mesmo para dar de presente a alguém, seus pensamentos se concentram nisso, fica obsessivamente pensando em como e quando fazê-lo. Sua tensão só aumenta enquanto não realiza o ato. O racional e o bom senso são totalmente esquecidos: ele não pensa se tem dinheiro para bancar sua compra, se está fazendo dívidas e como vai pagá-las, se realmente precisa daquilo naquele momento.

E como saber se você é um compulsivo ou apenas um pouco consumista? A psicóloga diz que uma dica é olhar o seu armário: quando você vir que está guardando coisas demais, muitas vezes sem nem usá-las (há pessoas que compram e deixam na caixa guardado, nem sequer se dando ao trabalho de desembalar), isso pode ser um sinal. Outros sinais são: gastar tudo o que ganha e, ainda mais, acumulando dívidas enormes e perdendo o controle sobre elas; sentir-se mal quando não consegue comprar algo imediatamente, não tendo controle sobre seus desejos e impulsos consumistas; quando adquire coisas que não precisa, apenas pela necessidade de realizar a compra e sentir-se melhor (qualquer estresse passado vai logo se refugiar nas compras como um remédio, como o viciado que procura a droga).

A psicóloga explica que a pessoa geralmente nega o problema, achando que compra porque gosta e precisa daquilo, por falta de orientação ou conhecimento de que isso é uma doença. “Elas podem até sofrer com o problema, mas não procuram ajuda por vergonha do julgamento alheio e por acharem que conseguirão se controlar diante da próxima tentação. Assim, seguem anos a fio lutando sozinhos contra seus impulsos, sem sucesso”, diz a psicóloga.

Muitas vezes essas pessoas são confrontadas quando alguém da família descobre as dívidas por acaso, vendo fatura de cartão de crédito estourada, cobrança de bancos, ou mesmo presenciando a recusa do cartão de crédito numa compra junto com a pessoa, onde é barrado por ter ultrapassado o limite. Se a pessoa convive com alguém próximo, acaba denunciando sua doença por falta de espaço físico para guardar suas compras, que não param de acontecer. “Aí é o caso de mostrar que isso é uma doença e que, como tal, deve ser tratada, ou seja, ela sozinha não conseguirá vencer o problema, e necessita da ajuda de um profissional especializado”, explica Marina.

E como tratar? Segundo Marina, uma das formas é a psicoterapia, em que se busca a causa da ansiedade que leva a pessoa às compras incontroláveis. É preciso entender o que a incomoda, sua dinâmica de funcionamento que a faz reagir dessa forma aos problemas, e buscar o autocontrole. Muitas vezes a medicação é necessária para conter a compulsão, paralelamente à psicoterapia. Grupos de Compradores Compulsivos também podem ajudar a lidar com o problema, na medida em que as pessoas que sofrem com a mesma doença dividem suas angústias e conquistas com os outros, incentivando uns aos outros a seguir adiante com o tratamento.

De acordo com a psicóloga, num primeiro momento, atitudes práticas e simples devem ser tomadas, como:

– Proibir a pessoa de andar com cheques e cartões de crédito.

– Fazer com que a pessoa aprenda a ter noção do dinheiro e com que ela ande somente com uma quantia previamente determinada na carteira.

– Quando faz compras exageradas, deve ser orientada a devolvê-las caso estejam dentro do prazo permitido.

– Assim que se perceber numa situação onde o impulso é comprar, pare e se faça a pergunta: “Eu realmente preciso disso neste momento? O que farei com isso? O que acontecerá comigo se não adquirir esse objeto agora?”. Dessa forma é possível fazer com que a pessoa entre em contato com seu sentimento momentâneo, controle seu impulso e venha a trabalhar em terapia para entender o que se passou.

“Não é preciso ter vergonha em admitir que você possui uma doença e deve tratá-la. Você TEM uma doença, mas não É um doente. Com tratamento tudo pode se resolver, e a vida pode seguir com mais leveza, sem o peso da angústia gerada a todo momento por não conseguir se controlar, das dívidas que não param de aumentar, das brigas familiares provocadas por suas compras fora de propósito. Você pode estar sendo erroneamente julgado por algo sobre o qual não possui o controle, já que sua doença o domina, por isso, não hesite em procurar um tratamento adequado”, finaliza Marina.

 

4 Passos para Levantar o Astral

Publicado na Revista W Run

Às vezes, não tem jeito: a gente acorda para baixo mesmo. No entanto, ninguém precisa passar o dia inteiro triste ou  de mau humor. A psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo, ensina como melhorar o ânimo rapidinho.

  1. Pratique seu esporte favorito. Com o exercício, o organismo libera serotonina e endorfina, neurotransmissores que aumentam o bem-estar e diminuem o estresse.
  2. Ouça uma música animada. Ligue o som e dance sozinha mesmo, na sala de casa. A batida da canção vai tomar conta do seu corpo em questão de segundos.
  3. Faça um exercício de imaginação ativa: sente-se em uma posição bem confortável, prestando atenção na respiração, e pense que está em um lugar extremamente agradável.
  4. Marque um cabeleireiro a fim de mudar o visual ou faça as unhas para se sentir mais bonita. Cuidar de si mesma melhora (e muito!) a autoestima.

COSTAS QUENTES

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 85% da população mundial vai ter pelo menos um episódio de dor nas costas ao longo da vida. Para fugir dessa estatística e não ter que interromper o treinamento, o ortopedista Flávio Cavallari, do Hospital São Vicente de São Paulo, no Rio de Janeiro, recomenda nunca pular o aquecimento antes da corrida e parar a atividade ao primeiro sinal de desconforto. Ele lembra também que, no dia-a-dia, deve-se evitar carregar a mochila pesada de um lado só do corpo e pegar mais leve no treinamento durante o período pré-menstrual, pois as alterações hormonais aumentam o risco de lesão nas articulações. Além disso, nada de se auto-medicar: “Isso pode mascarar o incômodo e agravar o problema”, avisa Flávio Cavallari.

CHICLETE PARA ESPANTAR O SONO

Você acorda cedo, trabalha o dia inteiro, corre para lá e para cá e, no final da tarde, bate aquele sono incontrolável que dá até vontade de cabular o treino na academia? Masque um chiclete. É tiro e queda para despertar imediatamente. “Por ser uma atividade motora contínua e estimular os nervos sensitivos da região do maxilar, mascar chiclete ativa o mecanismo de vigilância do cérebro e espanta o sono”, garante o neurologista Leandro Teles, de São Paulo. Para não comprometer as suas curvas, escolha as versões sem açúcar – você economiza calorias e o efeito é o mesmo.

Vire uma Corredora

É possível sim, deixar a caminhada para trás e levar seu treino à etapa seguinte: correr 40 minutos sem parar

Publicado no Sua Corrida em 23/08/2013

Foto: Thinkstock

Foto: Thinkstock

A gente sabe que a caminhada é uma fase indispensável na evolução de toda corredora. Sem ela, não é possível adaptar o seu corpo à corrida, preparar as articulações e alcançar o pódio livre de lesões. Mas chega uma hora em que virar a página se torna uma questão de honra – bate aquela vontade de deixar para trás o rótulo de caminhante e se tornar, definitivamente, uma corredora. Nesse momento, a primeira coisa a fazer é segurar a ansiedade. “A principal causa de lesões em iniciantes é o excesso. Muitas mulheres, acostumadas a intercalar caminhada com corrida, acabam se empolgando e querem rapidamente apertar o passo. Com isso, quase sempre se machucam”, diz o fisiologista esportivo Mário Pozzi, professor de pós-graduação de educação física na FMU, em São Paulo.

PRIMEIROS PASSOS

Portanto, a recomendação é investir em um plano de treino progressivo. “É importante você ter em mente que não dá para sair correndo de forma contínua logo de cara. Se fizer assim, além do risco de se lesionar, vai perder o fôlego, desanimar e desistir”, avisa o treinador Márcio Lazari, da assessoria esportiva 3 Sports, em Campinas (SP).

Na prática, isso significa que durante algum tempo você vai precisar, sim, intercalar caminhada com corrida. Na planilha elaborada pelo personal trainer Márcio Torres, especialista em corrida e triatlo, de São Paulo, há três treinos distintos por semana: um com caminhada ritmada (num pace mais acelerado), outro com caminhada e trote alternados e, por último, uma caminhada longa de até uma hora. “Esse processo é imprescindível para que você aumente a capacidade cardiorrespiratória, aprenda corretamente a biomecânica da corrida e prepare a musculatura para receber o impacto”, explica o professor.

1corrida

NOVA ROTINA

No início, o trote vai parecer um pouco difícil porque o corpo está se acostumando a um estímulo diferente. “Você pode sentir um certo incômodo, mas em cerca de 15 dias o organismo assimila o esforço”, lembra Mário Pozzi. Esse é um dos motivos pelos quais é essencial investir em sessões de fortalecimento muscular nos dias em que não tiver treino de corrida – vale musculação, pilates, exercícios funcionais… “Além de a adaptação ser mais rápida, você melhora o desempenho e minimiza o risco de lesões”, ressalta Márcio Torres. Se não conseguir encaixar dois treinos de fortalecimento na rotina, invista em pelo menos um e reserve o outro dia para descansar. Outras boas opções para complementar a corrida: “A natação ajuda a melhorar o fôlego e as aulas de spinning são eficazes para fortalecer as pernas”, sugere Torres.

RETA FINAL

Você vai aumentar o tempo de trote nos treinos intervalados até a sexta semana, quando fará um simulado: 20 minutos sem parar. “Quando isso acontecer, já dá para se considerar uma corredora”, comenta Márcio Lazari. Chegar aos 40 minutos será questão de tempo e paciência. Por isso, nada de fazer comparações ao ver a sua amiga que corre uma hora direto. Inspire-se nela e pense que um dia também vai ser assim. Aliás, é aí que está o segredo para virar uma corredora de verdade: as metas devem ser possíveis de cumprir. “Comemorar cada pequena vitória funciona como um estímulo e tanto”, destaca a psicóloga Marina Vasconcellos, da PUC, em São Paulo. O cansaço vai aparecer, haverá dias de preguiça e de falta de tempo. Mas o resultado será tão transformador que, no final, cada quilômetro terá valido a pena. Pode apostar!

2corrida

 

Em livro, psicólogo diz que a dor da rejeição ativa as mesmas áreas da dor física

Publicado na Folha em 20/08/2013

O sentimento de rejeição é provavelmente a ferida psicológica mais comum e recorrente nas nossas vidas, afirma o livro “Emotional First Aid” (Primeiros Socorros Emocionais), recentemente lançado nos Estados Unidos.

Não há quem não tenha sido preterido em alguma brincadeira infantil, esquecido na hora de uma festa, perdido o emprego ou sofrido desilusão amorosa, enumera o doutor em psicologia e especialista em terapia de casais Guy Winch, autor da obra.

“As rejeições são os cortes e arranhões psicológicos que machucam a pele emocional e penetram na carne”, diz ele. Mesmo com a frequência das ocorrências, o rejeitado pode não conseguir formar uma carapaça –muitos sofrem tanto que a dor lhes inunda de raiva e solapa a autoestima.

Não é para menos, explica a terapeuta de casais Marina Vasconcellos. “O ser humano tem necessidade de ser aprovado, de ser aceito. Pertencer a uma sociedade, a uma família, é uma necessidade básica. E a rejeição tira esse direito. Fica um vazio.”

A sensação é profunda, diz ela: “Dói no peito, parece que estão enfiando uma faca”.

Não se trata de figura de linguagem. Em seu livro, Winch cita estudos que, por meio de ressonância magnética, mostram que a dor da exclusão social ativa no cérebro as mesmas áreas acionadas pela dor física.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

O mesmo acontece em relação ao sofrimento amoroso, demonstrou trabalho mais recente, não citado no livro. Em pesquisa feita nos EUA, 40 pessoas que tinham recentemente levado um chute do parceiro foram submetidas a duas experiências: em uma, viram fotos de seus “ex”; na outra, receberam estímulos térmicos semelhantes ao de café quente derramado na mão. Nos dois casos, o cérebro deu respostas similares (veja ao lado).

As reações das pessoas, porém, são diferentes. Há os que simplesmente superam, vão em frente, mas também há os que caem na autocomiseração e na depressão. Sem falar nos casos em que a rejeição se transforma em raiva.

“É uma reação que pode vir da própria depressão. Você está indo para o fosso, então violentamente tenta sair do fosso”, afirma a terapeuta de casais Tai Castilho.

Em 551 casos de homens que mataram suas mulheres nos Estados Unidos, quase a metade dos crimes ocorreu em resposta a uma separação, constataram cientistas citados no livro de Winch.

FRUSTRAÇÃO

As pessoas estão menos capazes de lidar com as rejeições impostas pela vida, avalia Araceli Albino, presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo. “Há pessoas que acham que o mundo é uma grande teta e que todos têm de fazer o que elas querem”, diz.

“O mundo contemporâneo propaga que é possível você ter tudo; se você não tiver, não alcançar, a frustração é maior”, afirma Castilho.

Talvez por isso, diz Vasconcellos, as relações sejam mais instáveis. “As coisas estão mais passageiras. Em relações amorosas, as pessoas não investem o quanto deveriam investir. Se está difícil, já passam para outra.”

Mas fica a dor. Que pode ser superada. “É preciso encarar a rejeição como um aspecto da vida. E reconhecer que você pode trilhar outro caminho para abrandar a dor”, orienta Joel Rennó Jr., psiquiatra do Programa de Saúde da Mulher da USP.

Não que isso seja simples. Em muitos casos, é preciso buscar ajuda de um especialista. Mas o rejeitado também pode se ajudar. “Ouça o que as pessoas falam de você, e não apenas o que você pensa”, diz Marina Vasconcellos. E não tenha vergonha de falar sobre o assunto, propõe Tai Castilho: “As pessoas não devem ficar trancadas”.

Os efeitos do estresse na saúde do homem

Publicado no Instituto Lado a Lado pela Vida em 16/07/2013

Como o excesso de compromissos e a falta de tempo para se cuidar prejudicam o bem-estar masculino

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Praticar exercícios físicos, viajar, sair com os amigos e alimentar-se bem têm se tornado hábitos raros no seu dia a dia? É hora de prestar atenção! A demanda cada vez maior de trabalho, o trânsito caótico e as novas tecnologias que permitem que você trabalhe a qualquer momento do dia podem atrapalhar sua qualidade de vida.

“Com a internet ao alcance das pessoas o tempo todo, fica cada vez mais difícil separar o contexto profissional do pessoal. As pessoas saem do trabalho e continuam checando e respondendo e-mails, o que dificulta o relaxamento necessário para que nos recuperemos do desgaste emocional e físico”, afirma Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar e de casal pela UNIFESP.

Estresse na vida do homem

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o estresse já atinge 90% da população mundial. Só no Brasil somam-se 70% da população, sendo que 30% dela possuem níveis elevados da doença.

Homens estressados tendem a ser mais irritadiços e ter alterações de humor constantes. Além disso, não têm disposição para outras atividades que não seja trabalho, e isso é um paradoxo: deveria se dedicar mais ao lazer para relaxar e vencer o estresse, mas com o estresse não se tem vontade nem energia para isso.

A relação afetiva também sofre com a interferência do estresse no dia a dia. “A família sofre, pois o homem nunca está disponível para sair ou criar situações nas quais possam se divertir juntos. O relacionamento do casal é afetado pelo mau humor ou pela apatia, além da falta de vontade de fazer sexo, distanciando-se da mulher tanto física quanto afetivamente”, comenta a psicóloga.

Fique atento!

A prevenção do estresse é o melhor remédio! A continuidade dos sintomas, como cansaço excessivo, irritação constante, mudanças de humor e dores musculares são alertas de que alguma coisa está errada, e é o momento de tomar providências.

Procurar atividades que façam bem e dosar o tempo dedicado ao trabalho com o de lazer fazem toda a diferença. Praticar esportes, viajar ou sair com os amigos também são dicas para deixar a doença de lado.

A psicóloga Marina Vasconcellos aconselha quando se deve procurar ajuda médica: “Se sozinho o homem não consegue melhorar e há sintomas físicos que prejudicam o desenvolvimento pleno de suas funções, é melhor procurar um clínico e um psicoterapeuta. É preciso tratar o físico e o emocional para que se possa alcançar um bom resultado.”

 

Terapia de casal ajuda a salvar relação ou a terminá-la sem traumas

A terapia de casal dura, em média, três meses, mas há quem prefira continuar com as sessões (Foto: Thinkstock)

A terapia de casal dura, em média, três meses, mas há quem prefira continuar com as sessões (Foto: Thinkstock)

A terapia de casal ainda é encarada com resistência. Parceiros que vivem relações problemáticas hesitam em recorrer a essa modalidade de análise por uma série de motivos: desde achar que a medida é para fracassados até medo do julgamento que família e amigos farão.

No entanto, esse tipo de terapia pode ser uma alternativa eficaz na tentativa de reconstruir o relacionamento de duas pessoas que ainda se amam, mas que não conseguem se entender.

“Recomendo quando as discussões se tornaram infrutíferas e constantemente viram brigas. Quando a irritabilidade, a raiva e a impaciência permeiam a relação, que se torna destrutiva, deixando os parceiros exaustos”, explica a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar. “Sem perceber, ambos constroem muralhas para se defender um do outro”.

Problemas como infidelidade (inclusive virtual), depressão, dificuldades financeiras, uso de álcool e drogas, falta de desejo, discordâncias sobre a educação dos filhos e conflitos com a família são algumas das razões que costumam levar os casais ao consultório.

Como funciona a terapia?

 As sessões são conjuntas, mas se, eventualmente, um dos dois precisar de atendimento individual, para lidar com alguma questão particular que está atrapalhando a relação, é possível marcar encontros sem o par. Isso depende do terapeuta e da situação vivida pelo casal.
“Em geral as sessões são a dois, pois a intenção é, justamente, que haja transparência, para que possam falar e ouvir um ao outro, buscando soluções para o que os aflige”, informa a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Havendo a necessidade de sessão individual, ambos terão o mesmo número de atendimentos, mas qualquer segredo contado ao terapeuta será dito, também, na sessão conjunta.
O tratamento dura, em média, três meses, com sessões semanais, mas há casais que se sentem bem com o processo e decidem continuar. “Cada caso é um caso. Costumo indicar terapia individual para aqueles que precisam amadurecer ou trabalhar questões particulares”, conta Carmen.
"Decidimos fazer terapia de casal durante o namoro, quando o Rodrigo entrou em depressão. Eu tive de participar do tratamento dele para ajustar algumas coisas em nossa relação, pois ele estava mudando e nosso relacionamento virou de ponta-cabeça. Percebi que eu também precisava mudar. Passamos pela terapia individual e depois a de casal. A parte mais difícil é reconhecer que precisamos abrir mão de comportamentos antigos para nos conhecermos. Aprendemos a mudar certas crenças e a compreender o outro". Carla Alves Rabello, 35. Juntos há 18 anos, ela e Rodrigo de Carvalho Rabello são casados há sete e pais de Yasmin, 7, e Davi, 5

“Decidimos fazer terapia de casal durante o namoro, quando o Rodrigo entrou em depressão. Eu tive de participar do tratamento dele para ajustar algumas coisas em nossa relação, pois ele estava mudando e nosso relacionamento virou de ponta-cabeça. Percebi que eu também precisava mudar. Passamos pela terapia individual e depois a de casal. A parte mais difícil é reconhecer que precisamos abrir mão de comportamentos antigos para nos conhecermos. Aprendemos a mudar certas crenças e a compreender o outro”.
Carla Alves Rabello, 35. Juntos há 18 anos, ela e Rodrigo de Carvalho Rabello são casados há sete e pais de Yasmin, 7, e Davi, 5

Final feliz sob uma nova ótica

O desfecho feliz não significa somente o casal ficar junto, mas, sim, conseguir resgatar a boa comunicação, o afeto, a boa vida sexual, a cumplicidade e a vontade de continuar a construir uma vida a dois. Entretanto, o casal pode concluir, através das sessões, que a separação é a melhor saída.
De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, as pessoas esperam muito para procurar ajuda, e o fazem grande parte das vezes quando já não há quase possibilidade de resgatar uma relação tão desgastada. “É comum receber casais que chegam dizendo que essa é a última chance que darão ao casamento, pois não aguentam mais tamanho sofrimento. Se procurassem resolver os problemas à medida em que aparecem, tudo seria mais fácil”, diz.
Às vezes, a terapia serve para que o casal consiga se separar de forma amigável, entendendo o que aconteceu, aceitando a perda de forma madura e consciente para que não corra o risco de errar novamente em um próximo relacionamento. E para que não fiquem questões pendentes.
Mesmo quando não ficam juntas, as pessoas podem se beneficiar da terapia de casal, o que é positivo em especial para quem tem filhos. A partir das sessões, cada um olhará para si a fim de entender como seu comportamento afeta o parceiro ou qual é sua responsabilidade pelos conflitos que vivem a dois. Com as questões resolvidas, é mais fácil manter uma relação de amizade após a separação.
"Fazemos terapia de casal há cerca de nove meses e tem sido ótimo, pois passamos a nos entender melhor e a nos escutar mais. A terapeuta consegue traduzir situações que eu ou ele temos dificuldade de conversar. Sou mais velha, mas o Lucas é mais maduro. Ele não é de falar muito, mas tem conseguido expor melhor os sentimentos. Algo que o chateasse antes, por exemplo, ficaria guardado. Hoje, ele fala. Com isso, nossas questões não se transformam em uma 'bola de neve'. Tem nos ajudado a encontrar o equilíbrio em uma fase em que a família aumentará. O que falta em um é encontrado no outro, mas conseguimos identificar isso só com essa ajudinha". Renata Fernandes, 37. Ela e Lucas Albano, 27, estão juntos há quatro anos (casados há seis meses) e esperando o primeiro filho

“Fazemos terapia de casal há cerca de nove meses e tem sido ótimo, pois passamos a nos entender melhor e a nos escutar mais. A terapeuta consegue traduzir situações que eu ou ele temos dificuldade de conversar. Sou mais velha, mas o Lucas é mais maduro. Ele não é de falar muito, mas tem conseguido expor melhor os sentimentos. Algo que o chateasse antes, por exemplo, ficaria guardado. Hoje, ele fala. Com isso, nossas questões não se transformam em uma ‘bola de neve’. Tem nos ajudado a encontrar o equilíbrio em uma fase em que a família aumentará. O que falta em um é encontrado no outro, mas conseguimos identificar isso só com essa ajudinha”.
Renata Fernandes, 37. Ela e Lucas Albano, 27, estão juntos há quatro anos (casados há seis meses) e esperando o primeiro filho

Terapia de casal e terapia sexual

Muita gente ainda confunde terapia de casal e terapia sexual. São processos bem diferentes: na terapia de casal, o objetivo é mais amplo e envolve o tipo e qualidade do vínculo, a história da relação, as expectativas e os ideais de cada um, o desvelamento do contrato inconsciente e os papéis cada um ocupa. Também são levadas em consideração quais as fantasias inconscientes que permeiam a relação.
Na terapia sexual, o objetivo é melhorar o sexo. “Mas como a sexualidade está ligada à relação, é comum que ela seja discutida na terapia de casal. É possível abordar essa questão sem precisar de um especialista no assunto. Exercícios são propostos e problemas que pareciam mais complicadas, como ejaculação precoce, são resolvidas na terapia de casal”, explica Marina Vasconcellos.

Não confunda independência financeira com independência afetiva

Publicado no IG em 26/06/2013

Os homens gostam, sim, de mulheres fortes e independentes, mas que saibam expressar seu afeto

Quem já não se deparou com a afirmação: “Homens se assustam com mulheres fortes e independentes”?

Essa frase está incompleta, o que causa uma errônea interpretação. Na verdade, os homens gostam e admiram esse tipo de mulher. O problema está quando ela passa a se considerar totalmente independente afetivamente, não demonstrando a necessidade da presença masculina ao seu lado, achando que pode dar conta de tudo, dispensando a ajuda do homem que gostaria de se sentir mais importante e valorizado em sua vida.

Há mulheres que, por terem uma posição de destaque em seu trabalho e serem muito bem remuneradas por isso, não aceitam presentes ou certas atenções de seus parceiros por acharem que “não precisam disso”. Independentes financeiramente, colocam-se na relação de forma a fazer com que o homem sinta – se absolutamente dispensável, quando na realidade não é bem assim que as coisas se dão.

O que há de errado em aceitar que o homem a convide para jantar e pague a conta, se assim o desejar? Só porque ganha bem não pode aceitar uma gentileza, ou um presente, pois isso significaria mostrar-se inferior?

É comum ouvir de mulheres fortes a afirmação de que não precisam de um homem que as sustentem. Ótimo, bom para ambos quando existe essa independência financeira, pois a relação fica mais leve e sem interesses por trás. Mas é aí que mora o perigo: quando ela confunde o cuidado ou a gentileza do homem com atitudes de cunho “superior” da parte dele, ou seja, o prazer de oferecer um jantar num local especial para sua amada e pagar a conta é erroneamente interpretado como a tentativa de mostrar a ela que ele domina o casal, que tem mais condições financeiras para bancar as saídas, e não raro, que ele desqualifica o dinheiro da mulher achando que o salário dela deve ser gasto apenas com “supérfluos”, como cuidar da beleza, comprar roupas, etc.

Pensando dessa forma, a mulher impede o homem de demonstrar seu romantismo, transformando qualquer ato que envolva dinheiro em uma disputa pelo poder na relação. O problema está nela, na forma como interpreta as atitudes de seu parceiro, na maneira distorcida que lida com o dinheiro. Geralmente são mulheres inseguras, que precisam constantemente provar para si e para o outro seu poder ou sua capacidade de se bancar. Assim, não consegue relaxar e usufruir de momentos que seriam prazerosos juntos, pois a preocupação em se mostrar independente se sobrepõe à cumplicidade.

A repetição dessas situações acaba por afastar o homem que não se sente “necessário” na vida de uma mulher tão independente, tão “segura de si”, cheia de autonomia. A fragilidade não tem espaço nem permissão para se mostrar; a necessidade de carinho e atenção, com demonstrações de afeto, dá lugar a uma relação quase fria, onde a mulher se coloca como forte, como se não fizesse questão de ser tratada em muitos momentos com meiguice e agrados. Não, jamais! Isso é para “menininhas adolescentes”!

Uma pena, pois essas mulheres não se entregam por completo na relação e estão sempre preocupadas em mostrar-se mais forte do que realmente o são. Deixam o homem sentir-se não importante em sua vida, quando na verdade é o contrário que sentem. Admitir que querem e sentem falta de carinho, afagos e cuidados seria como admitir que não dão conta da própria vida sozinhas, precisando de um homem que as façam felizes.

No dia em que descobrirem a diferença entre “precisar” de um homem ao lado e “querer” estar acompanhada, aí sim talvez se entreguem para uma verdadeira relação a dois, permitindo-se viver plenamente o afeto, recebendo presentes e manifestações de gentilezas sem desconfianças ou competições por trás.

Afinal, que homem não gosta de se sentir importante na vida de uma mulher? (e vice versa, é claro!).