Excluir as fotos ou não? O que fazer no Instagram quando a relação acaba?

Publicado em M de Mulher, 13.07.18
Por Por Raquel Drehmer

A decisão é de cada um, obviamente, e não tem nada a ver com ainda amar a outra pessoa.

Excluir as fotos ou não? O que fazer no Instagram quando a relação acaba?

Sempre que surge o boato de que algum casal famoso se separou, uma forma de checar se está tudo bem ou não é ver se as fotos dos pombinhos ainda estão no Instagram. Se tiverem sido deletadas, já sabemos que a próxima notícia deve ser a confirmação oficial do fim do relacionamento. Também rola de haver a confirmação e só um tempo depois rolar essa “limpeza” no feed.

Na verdade, isso não acontece só com os famosos: entre nós, anônimos, o dilema de deletar ou não as fotos do Instagram depois do fim de um relacionamento também é real.

A empresária Carolina Marins apagou todas as fotos em que aparecia o ex-marido e pai de seu filho quando o casamento de 11 anos acabou. Foi uma decisão difícil, como ela conta: “Pensei muitas vezes antes de apagar fotos em que ele estava com nosso filho ou fotos de festas legais a que fomos. Mas eu não queria correr o risco de ver a cara dele quando estivesse procurando alguma outra foto no meu perfil, porque nossa separação foi traumática, com abuso psicológico.”

De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, que atende um grupo de amor patológico no PRO-AMITI (Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso) do Hospital das Clínicas de São Paulo, é justamente a história do fim que acaba determinando a atitude das pessoas em relação às memórias em redes sociais:

“Tudo depende do tempo de relacionamento, do quanto foi bom, do quanto foi traumático. Às vezes, a pessoa quer esquecer que a outra existe, e excluir as fotos de um Instagram ajuda nesse processo.”

Exatamente por isso, deixar as fotos no feed pode significar apenas que o fim foi tranquilo e que não ficaram sentimentos ruins – nada a ver com um amor residual. “Uma foto no Instagram não é um porta-retrato na sala. Pode ser apenas uma foto de que a pessoa gosta, por ser de um momento bom que passou”, observa Marina.

Não se pode apagar o passado

Foi o que rolou com a programadora Jéssica Aline, que optou por deixar as fotos com o ex em seu feed.

“Quando tomei a decisão de tirar as fotos físicas dos porta-retratos de casa, questionei se faria o mesmo processo digitalmente. Minha conclusão foi que, diferente das fotos que eu tinha em casa, que eram objetos de decoração e tinham uma função de apreciação, as fotos digitais têm um significado diferente. Instagram e Facebook são, para mim, uma espécie de registro, então apagar de lá não faria sentido”, pondera. “O relacionamento acabou, mas em algum momento ele aconteceu. Então, desse ponto de vista, é natural que o registro fique lá.”

Excluir as fotos ou não? O que fazer no Instagram quando a relação acaba?

E quando um novo relacionamento começar? Será que as fotos podem continuar lá? Jéssica acredita que sim: “Um relacionamento novo não muda o fato de que eu estive em um relacionamento anterior, que coisas boas e ruins aconteceram e inclusive ajudaram a moldar quem eu sou hoje.”

O posicionamento maduro de Jéssica é o gancho para um alerta da psicóloga Marina sobre novos mozões ou mozonas que tentem forçar uma limpeza de feed de rede social. “Ninguém apaga o passado, ele continua existindo. Ninguém pode pedir que o outro ou a outra ‘apague o passado’ em uma rede social. Tem que respeitar a decisão alheia. Esse tipo de exigência pode ser um indício de relacionamento abusivo”, nota.

Indecisa se apaga ou não? Aproveite a função “ARQUIVAR”

Pode ser que seu término tenha sido ok e você esteja em dúvida se exclui ou não as fotos de um ou uma ex em seu feed. Ficar olhando para elas não é exatamente agradável, mas apagar para sempre também parece exagerado.

Neste caso, faça como a publicitária Aline (que pediu para não ter o sobrenome publicado, “para meu ex não ficar se achando, rsrsrs”), que colocou mais de cem fotos no arquivo do Instagram. “Não vou voltar a publicá-las, mas achei meio over excluir de fato. Elas estão ali guardadinhas e tudo bem. Não incomodam ninguém”, explica.

Para arquivar uma foto no Instagram, basta abri-la, clicar nos três pontinhos no canto superior da tela e selecionar a primeira opção, que é justamente “ARQUIVAR”.

Quando quiser ver as fotos arquivadas, basta ir até seu perfil e clicar no símbolo que parece um relógio ao lado de seu nome; é o arquivo. Lá estarão o arquivo de publicações e o arquivo de stories. Fique tranquila: só você consegue ter acesso a essa funcionalidade.

Redes sociais atrapalham superar fim de relacionamento

Publicado no site Circuito Mato Grosso,14.07.16

Essa curiosidade de saber sobre a vida do ex faz com que a pessoa não consiga se desvincular da relação.

Redes sociais atrapalham superar fim de relacionamento

Antes das redes sociais, quando um romance acabava, se as pessoas não compartilhavam o mesmo círculo de amigos, dificilmente tinham oportunidade de conversar ou se esbarrar. A distância e a ausência facilitavam superar o rompimento. Hoje, é possível acompanhar a vida do “ex” pela internet, com riqueza de detalhes, graças aos posts, check-ins e fotos do Facebook, Instagram etc. Essa curiosidade não só provoca um sofrimento enorme como ainda dificulta elaborar o fim da relação e seguir adiante.

“Esse comportamento de ficar vigiando o ‘ex’ nas redes sociais não é nada saudável e indica que ainda há uma forte ligação entre ambos, tanto pelo perseguidor quanto pelo perseguido, que simplesmente poderia bloquear o outro”, declara o psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, autor do livro “Ciúme – O Lado Amargo do Amor” (editora Ágora).

Na opinião da psicoterapeuta Maura de Albanesi, a mania de “stalkear” (ato de perseguir virtualmente alguém) faz com que a pessoa não consiga se desvincular da relação. “É um sinal de que o indivíduo ainda alimenta a ideia de um retorno ou tenta arquitetar algum plano para se encontrar com sua paixão, fazendo uma espécie de jogo de sedução às escondidas. O que só causa expectativas frustrantes.”

A psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em terapia familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo), diz que quem fica olhando o que o outro está fazendo e com quem anda, na verdade, não deseja colocar um ponto final no relacionamento.

“No fundo, a pessoa guarda dentro de si a esperança de um dia retomar a relação ou está esperando a oportunidade de se vingar de quem a deixou. Além disso, também quer manter algum tipo de controle do que acontece na vida do outro”, fala.

A melhor forma de realmente esquecer é deixar de ter contato e notícias do antigo amor. Resistir à tentação de xeretar é uma decisão que necessita de disciplina. “Exclua a pessoa de seus contatos, não fique checando seus passos por meio de amigos em comum, enfim, tenha em mente que, se pretende seguir a vida, essa é a alternativa mais eficiente”, afirma Marina.

Maura diz que é preciso desenvolver força de vontade e entender que o romance acabou. “Enquanto nutrir alguma esperança de retorno, será mais difícil vencer a tentação de vasculhar as redes sociais”, afirma a psicoterapeuta.

Mania de xeretar pode virar obsessão
De acordo com Alexandre Bez, psicólogo especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos, a questão não é se preocupar em resistir a essa averiguação pessoal e/ou perseguição, mas, sim, importar-se com a real motivação dessa curiosidade.

“Por trás dessa atitude pode haver desde um sentimento verdadeiro, fantasias, frustração por não ter dado certo ou TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)”, declara o especialista.

Conforme a experiência de Bez, ao identificar o motivo que dispara esse gatilho emocional, fica mais fácil compreender a dinâmica e, assim, elaborar estratégias para diminuir ou cessar definitivamente o comportamento.

“Stalkear” pode se transformar em uma patologia caso a pessoa deixe de fazer outras atividades do dia a dia para vasculhar a vida alheia e comprometa outros campos –profissional, familiar, lazer– para se dedicar à espionagem.

“A terapia passa a ser indicada para ajudar o indivíduo a entender a razão de não conseguir ‘soltar’ o outro e as razões que levam a controlar a vida do antigo par. Aqui já não existe o bom senso, o equilíbrio e, sim, uma obsessão. É preciso elaborar o luto da perda da relação e investir em si próprio, para que esse momento sirva de crescimento pessoal”, diz Marina.

Na opinião da psicóloga, o término de uma relação é o momento propício para refletir sobre o que não deu certo, os motivos de cada um para que isso acontecesse, como pode ser diferente em uma próxima história e principalmente sobre o que esperar de um novo parceiro.

“É um bom momento para praticar exercícios físicos, rever amigos, investir no trabalho, fazer coisas que deixou de fazer por estar com alguém, curtir a liberdade e, principalmente, estar de verdade com as pessoas, e não virtualmente. Deixar as redes sociais de lado e apostar nas relações ao vivo ajuda bastante a superar essa fase”, diz Marina.

 

Essa tal “síndrome de abstinência”… Afinal, o que tem a ver com você?

Quando terminamos um relacionamento muito provavelmente passaremos por ela!

Publicado no IG em 17/07/2013

Outro dia estava assistindo a um programa onde o Dr. Dráuzio Varella falava sobre a dificuldade sentida pelas pessoas que tentam parar de fumar de passar pelos primeiros dias, resistindo bravamente ao apelo do vício que tenta insistentemente fazer com que a pessoa desista de sua empreitada. Isso nada mais é que a tão temida “síndrome de abstinência”, ou seja, a falta física (dos componentes do cigarro no organismo, como nicotina e alcatrão) e psicológica (Socorro, quero fumar! Preciso fumar! Gosto e tenho vontade de fumar!) o cigarro.

Passada essa primeira fase, onde o indivíduo consegue dominar sua vontade quase irresistível de dar uma tragada, tudo tende a melhorar e ficar sob controle. Porém, um ex-fumante será sempre considerado um “ex-fumante”, ou seja, nunca mais poderá dar uma tragada por correr sério risco de retorno imediato ao vício. Assim também acontece com drogados, alcoólatras, viciados em sexo, enfim, todos terão que permanecer com a consciência para o resto de suas vidas de que possuem uma tendência ao vício, à compulsão, e devem manter-se longe de situações que os remetam à vontade de voltar atrás em sua decisão.

Essa síndrome também se aplica aos relacionamentos amorosos. Há situações que acometem principalmente as mulheres, onde sabemos que não é o melhor para nós “racionalmente” falando, mas o “emocional” teima em negar a razão e seguir tentando.

Vamos a exemplos práticos: mulheres que permanecem em relações com maridos agressivos, que chegam ao ponto de agressões físicas, e não conseguem sair de perto deles. Muitas já tentaram sair, mas aí vem a tal “síndrome de abstinência” onde parece dificílimo ficar longe dele, a tristeza é grande confundindo-se com uma possível depressão, as lágrimas são muitas, lembranças de coisas boas não param de vir à mente, a vontade de ouvir sua voz fica irresistível e por que não apenas um telefonema? Pronto, é o suficiente para tudo voltar ao que era antes, retomando uma relação que certamente continuará tão doentia quanto antes.

Outras apaixonam-se por homens que não querem compromisso, muitos deles deixando isso bem claro desde o início da relação, mas permanecem tentando fazê-lo mudar de ideia, presas na ilusão de que ele só não quis compromisso até o momento porque ainda não havia se apaixonado, e quem sabe agora tudo muda. Passa por várias situações onde é testada em sua persistência e paciência, convence-se de que realmente ele é assim e não mudará, termina a relação achando que será forte o suficiente para esquecê-lo e dedicar-se a alguém que a ame de verdade, até que… por que não só um telefonema para matar a saudade? Pronto, a sedução daquela voz que a recebe tão receptivamente é o suficiente para deixar de lado toda a convicção da decisão, e dar mais uma chance àquele romance que não a satisfazia, mas que em vários momentos lhe trazia grandes alegrias!

Outras ainda ligam-se a alcoólatras que passam a vida prometendo que irão parar de beber, aquela bebedeira foi “a última”, não acontecerá novamente. Recusam-se a se tratar, acham que têm o controle sobre a bebida, não precisam de terapia ou de grupo de apoio. Após mais um dos intermináveis eventos desagradáveis, ela toma a decisão de deixá-lo, permanece longe algum tempo, corroendo-se com a culpa de deixá-lo sozinho, sem seu apoio, e acreditando que se estivesse ao seu lado poderia ajudá-lo a controlar sua bebida, ou fazer com que se tratasse. Assim, em meio ao seu sofrimento (porque ainda o ama), não resiste ao ser procurada por ele que, sóbrio, consegue convencê-la a voltar atrás, recebendo-o de volta, dando continuidade à dinâmica de co-dependência.

O ponto que quero destacar é o seguinte: sempre que cortamos uma relação sem que o sentimento envolvido tenha se acabado, porque nos convencemos racionalmente de que aquilo não é o melhor para nós, fica muito difícil sustentar a decisão em especial logo após tê-la tomado. É natural que fiquemos pensando no que era bom, nos momentos realmente satisfatórios que tivemos ao lado da pessoa amada, nos planos que fazíamos quando estávamos juntos. O ruim fica momentaneamente apagado, é “negado” por nossa consciência para que nos convençamos de que estávamos ali por algo que valia a pena, fazia sentido, nos alimentava.

Mas nem sempre “escolhemos” corretamente com o coração, e o preço a ser pago muitas vezes é altíssimo por permanecermos nessas relações! Assim, temos que respirar fundo e aprender a suportar a “síndrome da abstinência” do amado, aquela vontade quase irresistível de ouvir sua voz, de vê-lo só mais uma vez, porque nosso coração falará mais alto que a razão, é aí que mora o perigo.