Pesquisa diz que homens pensam mais em companheirismo do que beleza feminina

Publicado em IBahia, Comportamento,18.11.17
Agência Globo

Segundo a pesquisa feita pelo “ParPerfeito”, 73% dos homens estão à procura de uma mulher companheira e apenas 5% assumem que escolhem a parceira pela beleza

No próximo domingo, 19, comemora-se o Dia Internacional do Homem. Para celebrar essa data, um site de encontros amorosos ouviu mais de mil solteiros em todo o Brasil para saber o que eles pensam sobre relacionamento e sexo. Segundo a pesquisa feita pelo “ParPerfeito”, 73% dos homens estão à procura de uma mulher companheira e apenas 5% assumem que escolhem a parceira pela beleza.

 Mas, para muitas pessoas, esses resultados não condizem com a realidade. Geise Kelly, de 18 anos, mora em Salvador, na Bahia, e está no Rio curtindo férias com as amigas. Para a estudante, um outro dado deveria ser acrescentado a essa pesquisa: 100% dos homens são mentirosos, capazes de fingir para conquistar uma mulher ou para passarem uma imagem de “bom moço”.
 — É mentira, tudo mentira. Não conheço nenhum homem que seja assim, que valorize tanto o companheirismo da parceira. Na realidade, os homens sempre escolhem pela beleza, pelo corpo. Em qualquer lugar é assim, os homens são todos iguais — afirma.

Ainda de acordo com a pesquisa, 53% só passam a noite na casa da pretendente se estão em um relacionamento sério e muito apaixonados. As amigas Bel, Laila, Jéssica, Rose, Shirley, Fernanda e Natália trabalham juntas e querem saber onde estão esses homens entrevistados. Segundo elas, eles nunca passaram pelo Centro do Rio.

— Homem é tudo safado! Alguns podem até buscar companheirismo, mas não é a maioria como a pesquisa mostra. Quase todos os homens só querem levar a mulher pro motel. Se você encontrar um desses por aí, me apresenta que eu indico para as amigas — comenta Bel.

 E nem os homens estão de acordo com os resultados. Felipe Peixoto, de 31 anos, conta que, se ele e seus amigos tivessem sido ouvidos para a pesquisa, os resultados poderiam ser bem diferentes.
 — Muitos até procuram um relacionamento sério e aí priorizam o companheirismo, mas grande parte busca uma aventura. Só 5% escolhem pela beleza? É muito pouco. Acho que nada disso é verdade… os homens que conheço estão no oposto disso aí.

O casal Duelen Furtado, de 31 anos, e Isaque Abraão, também de 31, estão juntos há três anos e contam que vários amigos solteiros afirmam buscar um corpo ideal em um primeiro contato. Para ela, os homens mentem muito, o que já é “normal”.

 — Conta mais o dinheiro para pagar ou não o motel do que o interesse em um relacionamento sério. A galera hoje está economizando bastante, prefere a praticidade — opina Duelen.
 Apesar da grande maioria das pessoas discordarem dos resultados, há aqueles que defendem a posição dos homens e concordam quando o assunto é a preferência por uma mulher companheira. Emanuel Vieira, de 20 anos, lembra que a grande vontade dos homens é encontrar a mulher ideal, que divida as alegrias e as tristezas de um relacionamento a dois. Segundo ele, ao contrário do companheirismo, a beleza pode ser encontrada em todas as mulheres.

— Sinceramente, o companheirismo vem em primeiro lugar. Beleza se acha em qualquer lugar. Uma mulher que está lado a lado com o homem é melhor e difícil de ser encontrada. Vejo que as pessoas da minha idade estão nessa mesma sintonia, de querer uma pessoa bacana como parceira de vida.

 Para especialista, resultados são surpreendentes
 A psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em terapia de casal e familiar pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), conta que os resultados da pesquisa mostram uma realidade bastante diferente da que ela encontra no seu consultório.

— É mais comum a beleza ser o fator de atração no início, em ambos os sexos. Só depois é que descobrimos as outras qualidades e decidimos se aquele relacionamento deve ser levado adiante. Mas também acontece de alguém se mostrar uma pessoa bem interessante, mesmo os atributos físicos não sendo tão atraentes — explica Marina.

 Segundo os resultados apresentados, quando o assunto é sexo, 72% dos homens gostam de conversar com as parceiras e veem isso como algo fundamental na relação. Mais uma vez, a psicóloga surpreende-se com o resultado, já que os casais geralmente têm uma grande dificuldade em conversar sobre sexo.
 — Quando trago o assunto durante as sessões de terapia, é um verdadeiro tabu. Sexo continua sendo um tema delicado. Eles ficam sem graça e não sabem como abordá-lo.
 Ainda em relação ao sexo, ela afirma que essa é uma parte importante, mas que há outros fatores relevantes, o que vai ao encontro dos números da pesquisa. Metade dos entrevistados consideram o amor e a confiança mais importantes num relacionamento, enquanto 21% definem o sexo como algo determinante para a relação a dois.

— Dentro de um casamento ou até de um namoro mais longo, é normal o sexo não ser tão essencial para os dois e nem ocorrer com tanta frequência. Mas isso depende muito de casal para casal. A importância dada ao sexo deve ser sempre de comum acordo.

Traição pode fazer bem para o relacionamento! Será?

Publicado em Blasting News/Sociedade&Opinião,  27.08.17

Profissionais explicam como tirar proveito de uma traição para salvar o relacionamento.

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O ato de infidelidade traz diversos questionamentos ao relacionamento e, apesar de muitas pessoas duvidarem, pode ser um ponto positivo. A traição é a prova de que pode haver algo errado na relação e exige a atenção do casal.

A Terapeuta e coach Lissandra Cristine Bassi diz que a traição causa dor, ressentimentos e brigas, por funcionar como uma inconsciente intenção de camuflar ou ocultar algo que já não funciona tão bem como antes. Muitas vezes, a falta de comunicação, de carinho e de sexo é o ponto principal para desencadear uma infidelidade, pois parece bem mais fácil “cair em tentação” do que resolver os problemas que a cada dia parecem maiores.

Diversos são os motivos para perder a motivação de se manter em um relacionamento. A rotina, a falta de diálogo, o trabalho, os filhos, ou seja, ter outras prioridades pode sim deixar a relação morna. Tudo isso fará com que as expectativas do parceiro sejam frustradas a tal ponto de fazê-lo sentir-se deixado de lado. Muitos casais fantasiam que a estabilidade emocional e financeira é suficiente para manter um compromisso, porém essa crença pode virar uma grande armadilha e fazer com que a traição seja pensada e realizada pelos cônjuges.

Luciano Passionoto, psicoterapeuta e terapeuta de casais, explica que a traição pode levar o casal a rever suas prioridades e refletir sobre como conduzem a vida a dois, verificando os motivos que influenciaram a “pulada de cerca” do parceiro. O esforço mútuo para consertar a situação surge como impulso inicial para dar vida nova ao relacionamento e trazer de volta o humor, prazer, diálogo, união e força.

O analista de mídias J. M (29) relata que a traição serviu para que ele e sua namorada percebessem que eram imaturos e que lidavam mal com o compromisso, o que ajudou a ambos a engatarem uma nova fase e uma nova postura no convívio.

Acontecimentos considerados negativos, como mudanças financeiras, traição, doença e acidentes podem ser importantes catalisadores para que homens e mulheres percebam que estão conduzindo a vida e as coisas de forma adversa a que gostariam. Uma administradora de empresas, G.C.H. (32) conta que ao concluir a faculdade traiu o namorado, o que a fez perceber que não estava preparada para um compromisso, pois os planos dela era estudar em outro país e ser fiel aos seus mesmos.

Para Luciano Passionoto e para a psicóloga Marina Vasconcellos, a falta de compreensão e de diálogo são grandes motivadores da traição, porém a mesma serve como alerta para que o casal dê mais atenção às reclamações e insatisfações do outro.

A traição serve para que o casal possa se reinventar e recomeçar a relação com nova postura, maior comunicação e compreensão dos desejos do outro, como também para encerrar algo que já não está fazendo bem ao casal, tornando-os livres para buscarem recomeços com outras pessoas ou outros planos.

 

Combinação que deu certo: amor maduro e online

Publicado em  Viver Agora/Conectado, 10.04.17

Vera e Hélio são inspiração por casarem após namoro virtual

 Nunca passou pela sua cabeça conhecer uma pessoa pela internet, muito menos por um site de encontros? Pois é, mas muitos relacionamentos bem-sucedidos estão começando assim.

Vera Garcia (48) e Hélio Faria (61) tiveram o primeiro contato pelo site Coroa Metade e após um ano de namoro estão casados! Há aproximadamente três anos, Vera, que era solteira, estava em busca de um companheiro e, por ser bastante caseira, essa busca era mais difícil.

Ela tinha medo, mas ganhou o incentivo da mãe para sair atrás de uma opção. Vera começou uma grande pesquisa na internet. “Encontrei o Coroa Metade, fui atrás da história, vi entrevistas com o dono, então tive confiança para me inscrever e fiz uma assinatura de três meses para testar”, diz.

E…surpresa! Com apenas duas semanas, Vera já encontrou Hélio, morador de uma cidade vizinha, divorciado e pai de dois filhos. Claro que ela continuou tomando os cuidados necessários antes de se envolver. “Ficamos conversando apenas pelo site no começo, não passei nenhuma informação de e-mail ou telefone pessoal, pesquisava tudo que ele me falava e até fazia algumas perguntas para ver se ele se contradizia”, explica.

Primeiro encontro

Vera destaca que marcou em local público (um shopping de Campinas, no interior de SP), e deixava tudo avisado para a mãe agir caso algo saísse do combinado. “Depois de um mês de conversas pelo site, e-mail e telefone, nos conhecemos pessoalmente e logo vi que tudo o que ele falava e demonstrava ser era verdade”, conta.

Ela aconselha que as pessoas sejam totalmente honestas e diretas em seus perfis nos sites de relacionamento. Ela deixou bem claro em seu perfil que é deficiente física, devido a um desabamento em sua casa quando tinha 11 anos, em que teve o braço direito amputado. “Eu coloquei minhas fotos e muitos vinham questionar qual era a minha deficiência, por não parecia que eu tinha nada nas fotos. Eu sempre explicava. Mas com o Hélio foi diferente, ele não me perguntou nenhuma vez”, diz apaixonada.

Hoje, casada e feliz, Vera conta que os dois estão realizando alguns sonhos. “Estamos construindo nossa casa, planejamos viajar e temos duas gatinhas e um cachorro, já que nós dois amamos animais!”, destaca.

Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, na maturidade “as pessoas já sabem o que querem num relacionamento, são mais seletivas”. “Querem uma companhia legal, que tenha os mesmos interesses, porque muitos já abriram mão de coisas ao longo  da vida por conta de outros relacionamentos”, explica.
Marina afirma que “depois dos 50 as relações são mais inteiras e mais leves, é uma fase de viver mais intensamente e de cuidar mais de si. Quando você está melhor consigo mesmo, pode estar inteiro numa relação.”

 

Siga 8 passos para perdoar de verdade uma traição e seguir em frente

Publicado em UOL, Estilo/ Relacionamento, 03.08.17
Heloísa Noronha
Do UOL

Getty Images

Ser alvo de uma infidelidade provoca vários sentimentos: mágoa, raiva, ciúme, vontade de se vingar… Por amor, muita gente decide relevar uma traição, mas desculpa o par somente da boca para fora. No íntimo, o ressentimento continua crescendo, impedindo a pessoa de seguir em frente e reconstruir a relação. Conversar muito sobre o que houve e fugir de culpas inúteis são alguns dos conselhos para conseguir perdoar de verdade. Veja outros, se você quiser, de verdade, relevar e tocar a vida do casal adiante:

Não faça de conta que nada aconteceu

Varrer a sujeira para debaixo do tapete só ajuda a acumular mais pó. Se quer mesmo perdoar e seguir em frente, não se reprima. Ser traído é muito dolorido, mas ignorar qualquer tipo de emoção significa não curar verdadeiramente a ferida. Sentir raiva, culpa, mágoa, decepção, fracasso, vergonha e sensação de perda faz parte do processo de luto. Dói, mas é uma dor necessária.

Esgote o assunto com o par

Entender o que levou a pessoa a trair é fundamental, inclusive para motivar e selar o perdão. Portanto, converse muito com a pessoa e elimine todas as dúvidas e fantasmas de sua cabeça. Falar sobre o assunto é doloroso, claro, mas transformá-lo em tabu é pior ainda. Ao tentarem entender o que levou à infidelidade é possível compreender o que falta (ou não) na relação e, assim, reinventá-la.

Evite buscar mais detalhes

Os dois conversaram a fundo sobre o assunto e você decidiu superar o chifre e continuar o romance? Ótimo, então nada de ficar repetindo na mente cada trecho da conversa ou, pior, ir atrás de detalhes e informações sobre a vida da pessoa com quem o par traiu você, por exemplo. Fuçar redes sociais e alimentar a imaginação com fantasias só vão reviver e prolongar o sofrimento. E mais: você corre o risco de se tornar uma pessoa obsessiva e até adoecer, além de de comprometer o futuro da relação.

Não caia no jogo da culpa

Pare de se martirizar procurando entender como e onde você errou. Evite, também, acusar as outras pessoas de mau-caratismo, maldade e frieza, entre outras coisas. Em vez de buscar culpados para a infidelidade, encare a experiência como uma oportunidade de olhar a relação de modo diferente e de fazer ajustes.

Pare de jogar na cara

Se resolveu perdoar e seguir em frente, vire a página. Não traga a história à tona a todo momento, seja na forma de indiretas ou de ameaças. Não use o que aconteceu para manter o outro sob controle ou de lembrá-lo o quanto você sofreu.

Dê um voto de confiança

Voltar a confiar é fundamental. A vontade de fiscalizar cada passo do outro é grande, mas é uma armadilha. Se você usar o controle para sufocar uma pessoa, será muito difícil seguir em frente. Cuidado para não transformar sua relação em uma prisão e criar novos problemas.

Não torne o episódio um reality show

Se há a mínima chance de perdão, evite sair contando o que houve por aí, ainda mais para gente que não tem relação alguma com o ocorrido. Embora você esteja buscando acolhimento, acredite, essas pessoas não ajudarão em nada. Ou, pior ainda, ajudarão de forma torta, usando as próprias experiências como parâmetro para dar pitacos inúteis. E lembre-se: publicar desabafos nas redes sociais é uma exposição desnecessária. Bico calado e discrição são as palavras-chave se você quer mesmo dar uma nova chance ao amor.

Valorize o que é bom

Em um primeiro momento, pode parecer uma tarefa árdua. Mas assim que conseguir organizar as ideias e pensar com clareza, faça uma lista mental dos momentos agradáveis e desagradáveis, das situações de gratidão, cuidado e entrega versus as de frustração, mágoa e decepção. Se a parte boa for mais relevante do que a ruim, você terá condições de sentir motivação para perdoar.

Cortar contato e excluir o ex das redes sociais não é sinal de imaturidade

Publicado em UOL, Estilo/ Relacionamento, 17.03.17
Gabriela Guimarães e Marina Oliveira
Colaboração para o UOL

Amizade é possível, mas depois de um tempo

iStock

Foi bom enquanto durou, mas agora é cada um para o seu lado. E, de preferência, sem contato – ao vivo ou nas redes sociais. Terminar um relacionamento, geralmente, é um processo bastante sofrido. Por isso, muitas pessoas preferem cortar todo tipo de relação com o ex. E não há nada de errado nisso.

“É uma questão de se preservar. Para esquecer, precisamos de um pouco de distância. Não cabe a ninguém julgar essa decisão, porque só quem viveu a relação sabe o que está sentindo. Ainda que não haja vontade de voltar, há sempre um resquício de sentimento, que pode ser raiva e decepção, por exemplo”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em terapia de casais e família pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

O psicólogo Breno Rosostolato, professor da Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo, tem a mesma opinião. “Eu só não concordo com aquela história de ‘ex bom é ex morto’, porque isso tem a ver com desejar mal para o outro e alimentar um sentimento de amargura. Mas se vai fazer bem pra você deletá-lo do Facebook ou bloqueá-lo no WhatsApp, por que não?”, questiona.

Uma pesquisa conduzida na Universidade de Brunel, na Inglaterra, divulgada em 2012, avaliou a relação entre o uso do Facebook e a recuperação pós-namoro. O levantamento mostrou que os participantes que fuçavam demais na vida do ex demoraram mais para curar a dor da separação. Já os que cortaram o contato acabaram relatando menos sentimentos ruins em relação ao término, bem como menos desejo sexual pelo ex.

Alguns poucos voluntários da pesquisa declararam que conseguiram se sentir melhor ao acompanhar a vida do ex on-line porque, ao ler as postagens, chegavam à conclusão de que aquela pessoa não era a certa mesmo. No entanto, o psicólogo Walter Mattos, da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, diz que esse processo não é tão simples assim. “Tipicamente, os nossos sentimentos moldam as nossas ideias, e não o contrário. É mais fácil ler sobre as atividades do ex nas redes sociais e amplificar sentimentos do que atenuá-los”, diz.

Ex-namorados podem se tornar bons amigos. Mas, de acordo com os especialistas, não convém ter pressa para virar a chave da relação. “Você tem que superar o término. Talvez vocês se reencontrem e percebam que tudo está resolvido. A amizade acontece quando ambos não se enxergam mais como possíveis parceiros”, diz Marina.

A distância é ideal para parar de olhar para fora –no caso, para o outro– e passar a olhar para dentro. “Elaborar as nossas tristezas e perdas é o que promove a saúde psíquica, na maioria dos casos. Mas é difícil fazer isso imerso em sentimentos ruins. O tempo longe ajuda a atenuá-los e a equilibrar memórias: a recordação do que foi bom e do que foi ruim. Também ajuda na atribuição de sentido e aprendizado ao que foi vivido com o outro”, diz Mattos.

O tempo de superação do término é individual, contudo, a forma como a relação chegou ao fim influencia -e muito– no que acontecerá depois. “Quando a decisão da ruptura parte da outra pessoa, é bastante comum um certo inconformismo, misturado com insegurança e tristeza”, afirma o psicólogo.

Por fim, é preciso ter em mente que um ex só se torna amigo do outro quando os dois querem continuar em contato. “Não adianta forçar a barra se o outro não está preparado. Você não tem mais o direito de se impor na vida dele”, diz Marina.

 

Os 5 maiores desafios enfrentados por casais para ficarem juntos

Publicado na Revista Claudia, 28.04.17
Por Liliane Prata

O amor não basta – é preciso disposição mútua. Conheça os cinco maiores desafios enfrentados pelos casais para permanecerem juntos (e felizes)

De cada quatro casamentos, um terminará em divórcio – em média, 15 anos depois do “sim”, de acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 2015. Parece cada vez mais desafiador manter o vínculo a longo prazo nestes tempos líquidos, e os motivos não são poucos: vão da praticidade para se divorciar (principalmente desde a lei de 2010, que encurtou o processo) à liberdade sexual e ao imediatismo que caracterizam nossos dias.

Por outro lado, o sonho de encontrar um parceiro para a vida toda permanece vivo para a maioria. O número de divórcios é alto, mas o de casamentos e recasamentos continua muito maior. Crises fazem parte de qualquer relacionamento e, quando superadas, fortalecem a dupla. Antes de encarar a famosa DR, avalie se vocês não caíram em alguma das principais armadilhas dos casamentos modernos. E, então, respire fundo, esqueça os ressentimentos e leve para a discussão propostas construtivas.

ATIVIDADES DEMAIS

As expectativas em relação ao casamento estão mais altas do que nunca. Todos esperam por amor, sexo, amizade, a estabilidade que nossas avós tinham e um cotidiano estimulante.

Ao mesmo tempo, os cônjuges não se dedicam tanto à vida a dois, pois falta tempo: ambos trabalham muito, dividem as tarefas domésticas, estão mais conscientes da importância de acompanhar os filhos de perto.

Pronto: cadê a relação que estava aqui? Para piorar, a rotina dos cônjuges pode ser semelhante, mas não raro a mulher assume mais responsabilidades.

“Ainda que os dois se dediquem igualmente ao trabalho, muitos homens ainda consideram o próprio ofício mais importante do que o da parceira e resistem a dividir as tarefas domésticas”, pontua Mônica Genofre, terapeuta de casais, de São Paulo. A saída, claro, passa pelo diálogo de qualidade – vocês estão no mesmo time, certo? “Tocar projetos a dois, além dos individuais, também é fundamental para que o casal permaneça conectado”, sugere.

NADA DE PAPO

Se a falta de tempo (do item anterior) se junta à pouca disposição para conversar e ao hábito de viver com o celular na mão… Bomba! “Dos casais que atendo, 90% se queixam de não ter assunto e de que, quando têm, brigam”, diz Marina Vasconcellos, terapeuta de casais, de São Paulo.

É o caso de Juliana, 45 anos, designer de joias paulistana. Ela se ressente das vezes em que ela e o marido, com quem está há dez anos e tem um filho, ficam cada um com o seu celular na cama. “Quando um quer conversar, o outro está no WhatsApp”, diz ela, que nos últimos tempos tem feito programas sozinha (como viajar) e sente que isso enriquece a vida a dois.

“Temos mais assunto, mais vontade de trocar.” Para o sexólogo e terapeuta carioca Amaury Mendes Júnior, essa é a dobradinha ideal. “Cultivar a individualidade faz com que os parceiros se mantenham interessantes aos olhos do outro. O que não exclui, evidentemente, manter programas a dois, além de momentos de olho no olho, sem telas.”

REDES SOCIAIS

Com amigos que o cônjuge não conhece e grupos de que ele não faz parte, a internet é uma oferta permanente de possibilidades.

Se o isolamento no “próprio mundinho” é um risco quando a relação vai bem, em momentos de crise, então… “A insatisfação é a porta de entrada para conversas com a ex, curtidas com segundas intenções nas fotos do colega de trabalho… ”, diz o psiquiatra Cristiano Nabuco, de São Paulo.

“O melhor é evitar procurar ‘sarna para se coçar’ online. É como tomar tequila para afogar os problemas”, compara. Quanto ao tempo passado na rede, a saída é que ambos estabeleçam limites. “Que tal deixarem o aparelho desligado à noite?”, aconselha Vasconcellos.

DISPUTA DE PODER

A mulher sobe na carreira e o parceiro se sente rebaixado. Ou: mais poderosa que o marido, ela perde a admiração por ele. “Os papéis se modernizaram, mas, no inconsciente, as exigências são antigas”, observa Mendes Júnior.

Depois que o marido ficou desempregado, a webdesigner mineira Isabela, 36 anos, casada há 14, precisou rever seus conceitos. “Ele passou a cozinhar e cuidar da casa e não se sentia menos homem. Mas aquilo me incomodava”, admite. Com o tempo, aceitou.

“Quando ele ficou bem na carreira, tirei um ano sabático, graças a seu apoio. Entendi que o importante é estar do lado do outro, sem nos enquadrar em padrões culturais preestabelecidos.”

OBJETIVOS DIFERENTES

Ela adora sair; ele prefere ficar em casa. Ele quer filhos; ela, não. Ela quer um relacionamento aberto; ele, a monogamia. Esse descompasso sempre existiu. Mas, agora, sem o engessamento de modelos socialmente estabelecidos.

Para o psicólogo carioca Sergio Garbati, é preciso coragem para assumir o desejo – o que implica agir de modo condizente. “Há quem diga que sofre por estar solteiro, mas, na prática, vive um projeto individualista”, afirma.

“É necessário se conhecer e repensar se as ações estão coerentes com os objetivos. Se o cônjuge concluiu que manter aquela união é importante, como não arranja tempo para conversar meia hora por dia?”, provoca.

No BBB, Marcos pede tempo para Emilly; você acredita nisso?

Publicado em UOL, Estilo/ Relacionamento, 17.03.17
Thamires Andrade
Do UOL

Reprodução/TV Globo

Depois de inúmeras brigas e crises de ciúme, Marcos resolveu pedir um tempo para Emilly no BBB17. Após a sister reclamar da aproximação dele com Elettra, ele a chamou no quarto e disse que não estava mais conseguindo conviver com a antropóloga Mirian Goldenberg, professora titular na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), para entender se o comportamento pode trazer benefícios para o traído.

Marcos não disse com todas as letras que quer terminar o relacionamento com a sister, mas continuou pedindo um tempo e falando que queria ser apenas amigo de Emilly por enquanto. E, na opinião de Marina Vasconcellos, psicóloga e e terapeuta familiar e de casal, esse tempo pode ser muito positivo para a relação dos dois.

“No calor da emoção, a dificuldade de enxergar as coisas é maior. Ao se afastar, tudo fica mais claro. Dá para saber do que se sente falta, em que momentos se sentem aliviado por não estar ao lado do outro. Enfim, dá para refletir e se questionar sobre o que não está bom naquela relação”, fala Marina.

Respeito ao  pedido e regrinhas básicas de convivência

Encarar o pedido de tempo com certa ignorância, como Emilly, pode ser prejudicial para a relação até por que, segundo Marina, muitas vezes quem pediu o tempo não está sabendo lidar os acontecimentos da relação. “É possível o tempo fazer bem para a relação, pois é um período de questionamento de ambos, que pode engrandecer. O casal pode voltar melhor depois”, fala.

Segundo ela, quem é muito ansioso tende a adotar essa postura de ter que resolver as coisas na hora. “Mas é preciso respeitar o tempo que o outro pediu, nem sempre o tempo do par é o mesmo que o seu. Fora que você não é obrigado a a esperar a pessoa. Se couber isso na sua vida, faça, se não, siga em frente. Relacionamento é para trazer felicidade e fazer bem e não para ficar brigando”, afirma.

Resolveu dar um tempo? Colocar regras é uma boa saída para evitar complicações, já que, como diria o provérbio, combinado não sai caro. “O casal precisa conversar se o tempo terá um prazo definido ou não, se ficar com outras pessoas está liberado e se o par será informado disso ou não. Essas regras servem para evitar conflitos, mas se eles vão cumprir o combinado, isso vai cada um”, fala.

Tempo ajuda, mas não é tudo

Para a psicóloga Cristiane Pertusi, o tempo não é o único fator que pode ajudar o casal a retomar o relacionamento. Ela acredita que uma boa conversa e maturidade de ambas as partes é o que realmente fará com que eles voltem às boas.
“O tempo serve como uma trégua para os conflitos que estão acontecendo na relação. Mas para repensar um pouco a postura vai depender da maturidade dos dois e das características do relacionamento, se tem sentimento envolvido”, explica Cristiane.

Para a psicóloga, relações com papéis muito antagônicos, como a de Marcos e Emilly, tende a ser muito conflituosa. “Ele vive tentando consertá-la, corrigi-la e aconselhá-la. Quando existe uma certa hierarquia ou desnível na relação de troca, de igual para igual, em que o casal oscile os papéis e que um respeite o outro”, diz.

Pancadaria por ciúme viraliza na web

Publicado em UOL, Estilo/ Relacionamento, 13.03.17
Adriana Nogueira

Do UOL

Vingança alivia ou dá ressaca moral?

Reprodução/TV UOL

Em vídeo,  mulher supostamente traída agrediu o marido e uma das mulheres que estava com ele

O UOL conversou com a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e com a antropóloga Mirian Goldenberg, professora titular na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), para entender se o comportamento pode trazer benefícios para o traído.

Miriam, que pesquisa o tema infidelidade desde 1988 e coleciona duas mil entrevistas – entre traídos e traidores -,  diz nunca ter se deparado com uma reação violenta do tipo. “Para agir dessa forma, a pessoa tem de ter uma personalidade mais explosiva. E ela reage assim por perder a ilusão de ser especial e única na vida do marido, mas não é batendo que ela vai recuperar essa posição.”

Para Marina, ainda que a atitude traga alívio, a sensação é muito efêmera. “Fui humilhada e resolvo humilhar de volta. Só que o que vem depois é ainda mais pesado. Você se expõe e ainda dá aos outros a oportunidade de te julgarem.”

Miriam também afirma que, ao agredir a que seria a outra, a traída expressa o machismo que está interiorizado nela. “Ela culpa a outra mulher, porque cresceu vendo ser colocado como natural que o homem tenha muitas parceiras”, fala a antropóloga.

Para as duas especialistas, a reação violenta da traída é uma expressão dos tempos atuais. “Hoje as pessoas reagem com agressividade em muitas situações, não só em casos de traição”, afirma Mirian.

Já Marina relembra que, antigamente, esperava-se que a mulher fosse mais contida. “Nos dias atuais, ela tem liberdade de se expressar. Mas, dessa situação de reagir a uma traição a tapas], só sairá uma ressaca moral fortíssima. Por mais que a mulher peça desculpa, retrate-se, alguém já filmou e colocou na internet.”

 

10 crises que todos os casais passam – e como superá-las

Publicado em noticiasaominuto/lifestyle, 12.09.16

Todo casal enfrenta problemas e tem dias de crise, mas existem maneiras de superá-las

Mas é bom saber que todos os casais passam pelas mesmas situações e que não, aquele relacionamento perfeito, de novela, não existe. Todo casal enfrenta problemas e tem dias de crise.

Veja as 10 principais reclamações dos casais ao UOL, e como superar as principais crises a dois.

1. Rotina

Toda relação tende a cair na rotina, mas é possível encontrar meios de contorná-la: basta que, para isso, o casal tenha força de vontade. Para a psicóloga e terapeuta sexual Ana Canosa, autora de “A Metade da Laranja – Discutindo Amor, Sexo e Relacionamento” (editora Master Books), uma boa ideia para superar a monotonia é realizar um projeto em comum, como um curso.

2. Paixão esfriou

O fogo da paixão é muito comum no começo, mas tende a esfriar com o passar do tempo. Para a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), é importante propor atividades para sair da rotina, como por em prática algumas fantasias sexuais.

3. Planos diferentes

Objetivos diferentes são uma das principais causas para o fim dos relacionamentos e, para contornar o problema, é preciso que tenha muita comunicação. O casal deve ajustar e conversar sobre o assunto a fim de chegar em um denominador comum, que satisfaça a ambos.

4. Falta de dinheiro

Problemas financeiros podem fazer com que a relação do casal vá por água abaixo. Por isso, é sempre bom prestar atenção no orçamento e estabelecer metas claras, assim como se unirem para, juntos, superarem a situação.

5. Adaptação complicada

Os casais que começam a morar juntos apenas após a união podem encontrar um grande entrave ao casamento: a dificuldade de adapção. “É preciso negociar os limites de cada um e estabelecer tarefas para os dois”, diz Ana. A comunicação é essencial nessa época, para que os dois possam se ajustar.

6. Ciúmes

Os ciúmes podem ser sadios, mas em excesso podem causar muitas brigas e desentendimentos. É preciso estar atento para perceber se isso não é apenas uma fase de insegurança ou carência. Caso o ciúme passe dos limites, a ajuda de um terapeuta pode ser necessária.

7. Mudanças profissionais

Um novo trabalho pode ser motivo de estrresse não só para a pessoa que muda, mas também para o casal. Impacto na rotina, no orçamento e até mesmo no estresse pode fazer com que surja uma crise na vida a dois. “É muito importante não mentir sobre as reais atividades que se desenvolverá, o tempo que será dedicado ao novo trabalho e o que o parceiro deve desenvolver ou abrir mão para viver esse momento”, diz Ana.

8. Traição

Apesar de ser uma crise séria, a psicóloga e terapeuta sexual Margareth dos Reis, doutora em ciências pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), afirma que a traição não é um atestado de fim de um relacionamento e pode ser superada. “Pode ser um momento para rever a relação como um todo e descobrir o que aconteceu para chegar a esse ponto”, diz.

9. Filhos

A chegada de um filho provoca mudanças profundas na vida a dois, tanto a nível de estresse quanto pessoal e principalmente sexual. É importante que, aos poucos, o casal volte a fazer programas a dois, diz Ana.

10. Síndrome do ninho vazio

Quando os filhos crescem e saem de casa, o casal pode sofrer um baque. Segundo Margareth, isso acontece quando a relação foi deixada de lado e o casal já não encontra mais outros interesses em comum além da vida dos filhos. Nesse momento, é importanque o casal se una com projetos em comum, como cursos, viagens e até mesmo a prática de esporte, aponta Ana. Terapia de casal também pode ser uma alternativa, diz Marina.

Vida após o Amor

Publicado no site Abílio Diniz/Qualidade de Vida, 18.03.16

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Respeitar o próprio ritmo e buscar se tornar uma pessoa melhor ajuda a “curar” um coração quebrado.

Poucos acontecimentos da vida impactam tanto o cotidiano quanto o fim de um relacionamento romântico. Para se ter uma ideia, há menos de dois anos o jornal britânico “The Guardian” divulgou uma pesquisa realizada por uma firma jurídica segundo a qual 9% das pessoas declararam já terem largado seus empregos por causa de um divórcio ou separação, ou disseram conhecer alguém que havia feito isso.

“Um período de ‘fossa’ é normal acontecer [após um rompimento], mas, caso esses sintomas persistam, pode se tornar uma depressão, necessitando de um tratamento mais específico e cuidadoso”, alerta a psicóloga e terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos.

De acordo com a especialista, “caso a pessoa se entregue a uma tristeza profunda, pode sentir dificuldade de reagir e lidar com a vida em geral, produzindo menos no trabalho, até faltando em alguns dias por pura tristeza e falta de vontade ou coragem de enfrentar as pessoas, que lhe perguntarão sobre a separação”. “A concentração é bastante prejudicada e o indivíduo pode cometer erros que jamais seriam cometidos num estado normal de atenção e produção”, aponta.

Como, então, superar essa etapa tão amarga? “O melhor a se fazer é conversar com os amigos, ouvir o feedback das pessoas que conviviam com o casal para ter noção do que se via de fora da relação — porque às vezes estamos tão inseridos na emoção que deixamos passar sinais ‘óbvios’ àqueles que estão de fora —, investir em si com psicoterapia e outras atividades que lhe deem prazer, para que seu ‘eu’ seja fortalecido”, recomenda Vasconcellos.

Ela acrescenta que não existe um momento ideal ou estipulado para decretar o fim da fossa nem para a abertura definitiva a um possível novo amor. “O tempo é absolutamente relativo. Depende de como a pessoa saiu do relacionamento: caso já venha se trabalhando há tempos e a decisão tenha sido bem pensada, será mais fácil seguir em frente e deixar o passado de lado. Se ainda estiver presa aos sentimentos pelo parceiro perdido, será mais difícil.

A hora de ‘partir para outra’ virá quando a pessoa perceber que quase não pensa mais no ex, já lida bem com a situação, começa a sentir vontade de paquerar e olhar para outras pessoas, coisa que não acontecia antes por estar ‘fechada’ a qualquer outro relacionamento possível.”

Com essa etapa superada, o caminho estará livre tanto para descobrir afeto em outro alguém como para retomar o grau habitual de produtividade.

Divida tarefas e some prazer

Publicado em VivaMais (uol), 22.12.16.

Ciência atesta: casal que compartilha as obrigações domésticas de igual para igual é mais feliz no sexo

Marília Medrado

Dividir o dia a dia doméstico com o parceiro faz um bem danado para a vida sexual. Segundo recente estudo da Universidade de Alberta, no Canadá, homens que contribuem de forma justa com os cuidados da casa se sentem mais satisfeitos com a quantidade e qualidade de transas. Está a fim de fazer disso uma realidade na sua casa também? Então, vamos lá!

NA PRÁTICA

Se está saturada de fazer tudo no seu lar, a solução passa por uma conversa franca. Fale com o gato quando estiverem com tempo para iniciar e terminar o papo. “Comece dizendo que se sente cansada e sobrecarregada e que está precisando da ajuda dele”, orienta a terapeuta de casais Marina Vasconcellos. Argumente com calma, sem acusações ou xingamentos, certo?!

Na hora de negociar os afazeres que cada um ficará responsável, leve em conta as aptidões. Ele adora cozinhar e você não se importa em lavar as louças? Bingo! Além disso, vocês devem considerar a carga horária no trabalho. “Nada impede que quem trabalha menos horas se responsabilize por mais atividades na casa.” Se for necessário, fixe uma lista com as tarefas de cada um na geladeira.

SEJA FLEXÍVEL

Às vezes, um de vocês pode ter um dia daqueles… E limpar a casa é a última coisa que se quer. Ter compreensão neste momento mostra sensibilidade e companheirismo pelo sentimento do outro.

Se a divisão de tarefas começar a desandar, volte a conversar com o parceiro. Vejam por que o acordo não está funcionando e combinem como reverter a situação.

REFORÇO POSITIVO

Todo mundo gosta de receber um elogio. Portanto, dizer que a comida dele ficou muito gostosa ou que o banheiro está cheiroso, por exemplo, ajuda o trato a vingar!

O QUE DIZEM OS ESTUDOS

Pesquisa feita pela Universidade Estadual da Georgia (EUA) também mostrou que casais que dividem de maneira equilibrada afazeres domésticos e o cuidado dos filhos têm uma vida sexual melhor. É fácil de entender a explicação: “Hoje, a mulher trabalha fora até mais horas do que o homem. Chegar e ainda precisa cuidar da casa a faz se sentir sobrecarregada e irritada“, diz Marina. Aí não há tesão que resista! Quando o companheiro divide tarefas, mostra parceria. A admiração e o carinho pelo gato crescem e, bom, o fim dessa história você já sabe qual é…

8 atitudes proibidas na hora de discutir a relação

Publicado em  DisneyBabble (uol), 22.01.16.

Se você precisa ter uma famosa DR com seu parceiro, vá em frente. Mas antes, dê uma olhadinha nessas dicas para que tudo termine bem

8 atitudes proibidas na hora de discutir a relação

Nem só de flores vive uma relação a dois, e disso todo mundo sabe. Discutir o relacionamento – ou, simplesmente, ter uma DR – é um dos recursos eficientes para “aparar as arestas” e entender o lado do outro. O grande problema é que basta um deslize e a conversa se transformará numa tumultuada discussão.

Os psicólogos Marina Vasconcellos e Alexandre Bez concordam que esse diálogo deve acontecer sempre que algo estiver incomodando o casal. “Guardar insatisfações sem comunicar ao parceiro é receita certa para minar a relação com o tempo”, diz Marina.

Mas para que a conversa seja produtiva e não acabe em impasse, fique longe das seguintes atitudes:

1. Impostação de voz e timbre alterado
Não grite ou eleve a voz, nem use palavras ríspidas, por mais que esteja nervosa. Respire, pense um pouco antes de falar, mantenha o tom cordial e, caso o parceiro aumente o tom, peça que abaixe, falando baixo sempre. “Xingamentos ou palavreado chulo não farão bem; isso agride o outro e dá permissão para que ele faça o mesmo. Uma postura gentil costuma ser recebida com mais abertura, deixando o clima mais ameno e receptivo”, explica a psicóloga.

2. Postura corporal elevada, olhar de superioridade e arrogância
Mantenha a calma e escute para que a discussão seja resolvida. Ouça o que o outro tem a dizer, não o interrompendo a todo o momento. É preciso que ambos falem e sintam-se ouvidos e, sobretudo, compreendidos.

3. Usar palavras pela metade
“Seja exata, pois nenhum homem gosta de adivinhar o que a mulher quer ou está pensando”, afirma o psicólogo.

4. Lembrar os erros passados
Não cobre mais uma vez ou “jogue na cara” desacertos cometidos anteriormente. Resolva o presente e atenha-se ao foco, lidando com uma questão de cada vez. É comum uma conversa por algo pontual transformar-se numa grande briga por fatos acumulados há anos.

5. Iniciar a conversa em local público
Nunca envolva terceiros ou filhos na DR. Além disso, ao discutir em lugar público, o casal estará exposto a olhares e comentários alheios. Também é importante atentar ao tempo disponível para a conversa, para que ela termine e não tenha desdobramentos depois.

6. Fazer acusações
Quem inicia o diálogo deve sempre se posicionar na primeira pessoa, e não atacar o outro com acusações ou críticas. Uma dica de Marina é falar, por exemplo: “Estou bem incomodada com o modo como você vem me tratando, sinto-me desrespeitada quando você não leva em conta minhas necessidades…” – e por aí vai. Isso é bem diferente de: “Você é um tremendo egoísta, só pensa em você, nem me olha…”. As acusações são sentidas como agressões e só acarretam uma reação defensiva do outro, prejudicando qualquer tentativa de acordo. “O grande segredo está em mostrar ao outro como você está se sentindo em decorrência de algo que ele esteja fazendo, para que ele perceba como seu comportamento ou suas atitudes atingem você”, acrescenta.

7. Dar lições de moral
Isso precisa ser abolido, pois gera muita ofensa e humilhação (de ambas as partes). Também não devem ser explorados os defeitos e as dificuldades do parceiro ou parceira no calor da discussão. “A simplicidade no trato relacional, a humildade em reconhecer os erros, a paciência e a escuta apurada são ações corretas a serem tomadas”, destaca Bez.

8. Tocar em assuntos delicados no trânsito
Nunca comece um diálogo sobre o relacionamento no carro, indo para algum programa a dois ou a uma festa, por exemplo, porque o clima pode esquentar e estragar a programação que poderia ser divertida. Também evite abordar o parceiro assim que ele chegar em casa, após um dia exaustivo de trabalho. É preciso estar minimamente disponível e com energia para encarar uma conversa delicada e importante.

Se o casal tiver o costume de comunicar o que o incomoda logo que a situação acontece, a probabilidade de surgirem grandes DRs é bem menor, já que não serão acumuladas insatisfações e mágoas.

“O ideal é estarem abertos às necessidades um do outro a qualquer momento e manterem diálogos constantes, sem o peso de uma DR – porque, ao se tornarem frequentes, acabam surtindo o efeito contrário, e desgastam a relação”, alerta Marina.

Durante a conversa, é essencial respeitar o espaço do outro e não romper esse limite. “A pessoa que pediu a conversa tem a palavra, portanto, deixe-a esgotar o assunto. Escute e fale em sua defesa ou explique seus motivos com calma e cautela”, orienta Bez.

Um ponto muito importante numa relação é não começar a conversa se o casal ou um dos parceiros estiver alterado. A habilidade da paciência é profundamente requisitada nesses “encontros obrigatórios”.

(Foto: Getty Images)

Um guia de sobrevivência para quem entra em pânico com o clima de Natal

“Há uma energia aflitiva no ar”

Publicado no Glamurama em 20.12.15


(Por Julia Furrer para a Revista J.P)

Todo ano é a mesma coisa. Primeiro os panetones invadem sorrateiramente o supermercado antes de novembro chegar. Depois surgem as luzinhas, aos poucos, até transformarem a cidade em uma espécie de circo. Os shoppings ganham papais noeis, o trânsito passa a ficar carregado, os caminhões da Coca-Cola começam a circular e pronto. Já é Natal. Tão clichê quanto isso tudo é o sentimento de angústia que nos acomete. Começa o balanço do ano que passou, a corrida para comprar presentes e, claro, os inúmeros eventos obrigatórios desse período. É um tal de happy hour do trabalho, amigo secreto da turma do colégio e reunião de fim de ano dos amigos de infância que, ao término da maratona, estão todos exaustos e com a sanidade comprometida – a ponto de discutir ferozmente por causa de uma vaga no estacionamento do shopping. A psicóloga e especialista em terapia familiar pela Unifesp Marina Vasconcellos atesta: “Há uma energia aflitiva no ar”. Segundo ela, uma das maiores causas de ansiedade durante esse período é o excesso de cobranças que passa a nos perturbar. Quem não vai a todos os eventos é considerado antissocial, quem dá pouca caixinha para os funcionários ganha fama de mão de vaca e ai de quem sofre com o fato de ter de ir para o interior passar a noite com a família. “As pressões aumentam muito e as pessoas se veem obrigadas a agir de um jeito hipócrita”, afirma Marina. Pessoas que não se encontraram o ano inteiro (e que provavelmente têm bons motivos para isso) precisam interagir e até fingir que se gostam. Tem também a obrigação de estar acompanhado e se sentir feliz e agradecido. “Quem não conseguiu realizar o que gostaria ou está na solidão fica ainda mais aborrecido com essa exigência.” J.P se joga no tema e lista alguns dos momentos mais constrangedores – e frequentes – do período. Meta da vez? Não noiar tanto, afinal, ano que vem tem mais!

Caixinha de Natal

Problema: A crise está pegando e os pedidos estão por toda a parte. Porteiros, carteiros, passeadores de cachorro e manobristas. Quem não dá nada corre o risco de ser maltratado durante o ano que vem.

Solução: Comprar lembrancinhas (tipo panetone) e distribuir. O que importa é a data não passar batido.

Amigo secreto

Problema: Todo mundo saberá quem tirou quem depois de dois dias do sorteio dos nomes, haverá piadinhas sem graça depois do “meu amigo secreto é…”, e claro, você vai ganhar algo muito pior do que deu.

Solução: Se tiver mesmo de participar, cole naquele parente que adora absolutamente tudo sobre a data e tente entrar no clima.

Estacionamento do shopping

Problema: Está sempre cheio e achar uma vaga é missão impossível. Para piorar, as pessoas são mal-educadas e o valet custa os olhos da cara.

Solução: Vá de táxi, oras. Ou, para ficar melhor, use a bike que ainda por cima é ecológica. Tem pânico só de pensar no shopping cheio? Se jogue nas compras on-line.

Ansiedade infantil

Problema: Na noite de Natal, as crianças querem abrir os presentes logo e perguntam de dois em dois minutos sobre o jantar.

Solução: Quem foi que disse que só pode comer depois da meia-noite, mesmo? Liberte-se da tradição e seja feliz. Sua noite vai ser muito melhor quando eles já estiverem na cama.

Produção da ceia

Problema: É difícil acertar o ponto do peru e sempre vai ter um parente para reclamar das uvas-passas no arroz.

Solução: Não perca tempo e encomende sua ceia em algum bom banqueteiro. Se alguém reclamar, a culpa é dele.

Trilha sonora

Problema: Ninguém aguenta mais a Simone e só de ouvir os primeiros acordes de “Então É Natal…” dá vontade de chorar.

Solução: Faça uma playlist com os hits mais animados do ano.

Look

Problema: Gastar horas se arrumando para ir até a sua própria sala e ficar só com a família.

Solução: Combine um after com os amigos mais animados e aproveite o look.

Maratona

Problema: Ter de se desdobrar entre os eventos da sua família e os do parceiro.

Solução: Passe a ceia do dia 24 com um e o almoço do dia 25 com o outro. Ninguém merece dobradinha no mesmo dia.

Dieta

Problema: Mil tentações tipo bombas calóricas e férias de biquíni à vista.

Solução: Vale a velha regra das nutricionistas: coma tudo, mas com moderação.

Parente chato

Problema: Tem o que bebe além da conta, o que insiste em discutir política e o que faz comentários desagradáveis.

Solução: Tome uns florais e enfrente a situação com bom humor. Evite ao máximo entrar na discussão.

Divórcios crescem 161,4% em dez anos; saiba como escapar das estatísticas

 Perder o medo de encarar os problemas no início pode evitar o fim do casamento.

Publicado no Portal  R7/Entretenimento/Mulher, em 6/12/2015.

Especialista dá dicas para você salvar seu casamento e evitar uma separação dolorosa.

— Os números não contam uma história de dez anos. A primeira coisa que a gente observa é que mudou muito a facilidade de se fazer um divórcio consensual, mas não acho que tem mais gente se separando por causa disso. A meu ver, as pessoas têm vários motivos para se separar, mas se divorciam para poder se casar de novo.

Especialista em direito de família, a advogada Priscila Fonseca, do escritório Priscila M. P. Corrêa da Fonseca, também pondera que o aumento do número absoluto de divórcios no País se deve também ao crescimento populacional, que é um fator objetivo.

— Em primeiro lugar, o motivo mais simples de todos é o aumento da população adulta. O Brasil está envelhecendo, este é um fator a ser levado em conta. E também ficou mais fácil obter divórcio. Um casal sem filhos menores pode fazer extrajudicialmente, e mesmo acionando o poder judiciário, em um dia você faz uma separação consensual.

A advogada acredita que, atualmente, as pessoas são, por um lado, mais intolerantes, — o que dificulta a convivência —, e, por outro lado, mais liberais, não prezando por um único e exclusivo relacionamento ao longo da vida. “As mídias sociais, os sites e aplicativos de relacionamento têm grande influência nessa mudança comportamental, principalmente pelo fato de aproximar pessoas, facilitando o contato”, explica.

Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), também avalia que as redes sociais têm atrapalhado um bocado os relacionamentos.

— Tem muita gente resgatando pessoas do passado, namoradinhos de infância, e se ela estiver em um momento de fragilidade, pode embarcar na fantasia, que é uma idealização de uma história adolescente. São histórias que já passaram, que deveriam continuar no passado.

Expor as insatisfações logo no início pode ajudar a evitar o divórcio.

Há, ainda, de uma maneira geral, pouca disponibilidade dos casais em investirem na relação que possuem. E acham mais fácil terminar. De acordo com a terapeuta Lídia Aratangy, se a pessoa não puder olhar para dentro, o novo vai seguir igual ao velho.

— Reinvestir a cada nova relação gera um desgaste emocional danado. A separação tem de se dar por causa do que acontece entre os dois, se aquela relação ficou intolerável. Quem faz uma separação porque acredita que vai achar um príncipe em cada esquina vai se arrebentar. É preciso ver o que dentro do casamento está te afastando, e não algo de fora que está te atraindo.

Para a terapeuta Marina Vasconcelos, é preciso que as pessoas percam o medo de encarar os problemas, e criar coragem de falar de suas insatisfações, de preferência assim que os atritos começam a aparecer.

— Se os casais fizessem isso no início dos conflitos, não acabaria em divórcio. Poderiam deixar de ter preconceito com terapia de casal, perceber que nem tudo é possível resolver internamente, sem ajuda. Um casal que atendi, com dois anos de casados, esteve aqui dizendo exatamente que eles não querem que estrague. Quando se amam e desejam achar o rumo certo, dá para resolver.

Recasamentos que dão certo: morando em casas separadas

Uma nova proposta de relação

Publicado no Minha Saúde Online, 01/10/2015

Cada vez mais me convenço e sou testemunha de que a melhor solução para muitas relações darem certo é que os parceiros morem em casas separadas. Isso quando falamos de recasamentos onde ambos possuem filhos de relações anteriores.

Uma coisa é você se casar e construir uma família junto com o cônjuge, criando os filhos em comum, seguindo padrões combinados entre eles, revendo posturas à medida que os problemas vão acontecendo, alimentando um vínculo afetivo que cresce ali com todos, incluindo também a família de origem (pais, avós, tios, primos). Outra, bem diferente, é querer de repente que filhos que nunca conviveram entre si passem a se tratar como “irmãos postiços”, morando na mesma casa, tendo muitas vezes que abrir mão de confortos adquiridos para que caibam todos num espaço antes adequado para menos pessoas, sendo “forçados” a conviver entre si, quando não necessariamente possuem gostos ou interesses parecidos.

A questão do espaço físico não seria o mais difícil, caso os novos irmãos se dessem muito bem e levassem isso numa boa. Há casos onde fica até mais animada a casa, a nova companhia é valorizada e bem vinda para aqueles que sentiam-se sozinhos, ou que não se dão tão bem com os próprios irmãos. Mas nem sempre é fácil.

 

Recasamentos que dão certo: morando em casas separadas

Recasamentos que dão certo: morando em casas separadas

Quando casamos esperamos que seja para a vida toda, acreditando que formaremos uma família e cuidaremos para que os filhos tenham a melhor educação, num ambiente harmônico e afetivo.

Porém, ao nos separarmos esse sonho cai por terra, e temos que nos readaptar à nova realidade.

Após um possível “baque” inicial, o divorciado conquista uma liberdade antes não experimentada. Quando não está com os filhos passa a fazer coisas que há tempos não se dava o direito de fazer, como sair com amigos, ir ao cinema sozinho ou com um amigo (e poder escolher o filme sem se preocupar se o outro vai gostar ou não), viajar sozinho e conhecer pessoas diferentes, ou mesmo ficar no sossego de sua casa lendo um bom livro, assistindo TV ou o que for. Encontrar um tempo para si é algo novo para grande parte das pessoas que se separam.

Já comentei antes, mas repito aqui: por que os casais deixam de fazer tantas coisas que gostam em função do outro, por “achar” que ele não irá gostar? Ou que ficará sobrecarregado caso você se ausente por um período, sem mesmo conversar a respeito? Com o tempo as insatisfações vão se acumulando, as vontades não expressas viram frustrações enormes, a alegria do convívio é apagada ou transforma-se num peso, e o casamento entra em declínio… Se cada um se permitisse realizar mais as próprias vontades, respeitando as diferenças e preferências do cônjuge, certamente seria um casal mais feliz, que não entraria na rotina “morna” do relacionamento tão rapidamente, pois ambos alimentariam suas necessidades e desejos individualmente, além de investirem também em atividades conjuntas. Diria que aí está a arte de se relacionar com maturidade!

Bem, mas voltando à separação. Com o tempo cada um dos cônjuges conhecerá outro parceiro, que frequentemente virá com um “pacotinho” junto: filhos de outro casamento.

Nem sempre é fácil conviver com os enteados, já que estes foram educados por outras pessoas, possuem valores que podem conflitar com os seus, apresentam comportamentos que você questiona, ou problemas com os quais você lidaria de maneira totalmente adversa àquela que seu(sua) parceiro(a) adota. Enfim, uma coisa é lidar com seus próprios filhos, outra é lidar com os filhos do(a) outro(a), tendo que respeitar a educação e conduta adotados por ele(a) e pela mãe(pai), seus responsáveis diretos. E pode acontecer de não haver empatia entre vocês.

É preciso conversar abertamente sobre como conduzir essa relação, já que agora você faz parte da família. Até que ponto a madrasta ou padrasto podem – ou devem – intervir na educação dos enteados? Novas regras devem ser negociadas para garantir um ambiente pacífico, harmônico, onde o novo casal seja respeitado, assim como os filhos de ambos os lados.

Pensando na complexidade dessa união e suas consequências nada fáceis de lidar, constato o quanto um novo tipo de relacionamento onde o casal mora em casas separadas tem trazido efeito benéfico para as famílias, garantindo a privacidade das relações como um todo.

São os “namoridos”, novo nome dado aos casais que são namorados, mas relacionam-se como casados, ou seja, assumem um compromisso entre si e os filhos, embora decidam continuar a viver em casas separadas. Todos são preservados e saem ganhando: nenhum filho precisa abrir mão de seu conforto já adquirido, a casa continua a mesma, não é preciso uma reestruturação geral para que os filhos convivam entre si e com os novos parceiros (e vice versa); quando cada um está no final de semana com os próprios filhos, pode garantir a convivência integral com eles, sem a “concorrência” de outros por perto (nada que impeça de saírem todos juntos também, caso seja uma convivência gostosa).

Quando ambos estão sem os filhos, que se encontram com os outros pais, têm a oportunidade de namorar e curtir a privacidade de um casal “sem filhos”, alimentando esse vínculo de homem e mulher que costuma ser tão esquecido enquanto estamos casados. E por fim, o tempo consigo próprio conquistado após a separação é preservado, já que não estará todas as noites com alguém ao seu lado.

Muitos conflitos são evitados dessa maneira, já que o convívio fica mais leve entre todos. Não estou aqui afirmando que isso seja uma regra, ou que todos os recasamentos para darem certo devem seguir esse modelo. Apenas alerto para que, caso você perceba que sua nova união está lhe trazendo mais conflitos e preocupações em decorrência desses fatos relatados, ao invés de alegrias e prazer, e que seu relacionamento amoroso está sendo afetado por questões que envolvem essa complexa teia de relacionamentos entre os membros de uma nova família, pense se não seria mais saudável parar de “forçar a barra” e manter uma “distância segura” entre todos.

Uma boa saída é morarem em locais próximos, de fácil acesso, para facilitar as visitas e o convívio do casal que, afinal, quer estar próximo e matar a saudade durante a semana. Se não deu certo um primeiro casamento, ou talvez um segundo, ainda podemos acreditar que o amor está aí para ser vivido em toda a sua intensidade. Ao longo da vida adquirimos maturidade e experiências que nos instrumentalizam para vivê-lo de forma mais saudável, leve e verdadeira.

Então descomplique. Preserve sua individualidade dentro da relação, alimente o vínculo amoroso entre o casal, respeite o tempo de convívio necessário de seu cônjuge com os filhos dele, e construa uma relação leve e gostosa entre os “irmãos postiços”. Se todos forem respeitados em suas necessidades a chance desse novo relacionamento ser “para sempre” é muito grande!

Dia do Sexo: 5 ideias para deixar sua vida amorosa mais apimentada

Sexo é bom e não existe nenhuma razão que impeça que continue sendo bom muito tempo depois dos 50.

Mas a correria do dia a dia, as preocupações, o cotidiano e, sobretudo, os preconceitos e a baixa autoestima podem comprometer a frequência e a qualidade da relação sexual, sobretudo quando se trata de relacionamentos longos.

Os especialistas estão de acordo neste assunto: o melhor jeito de você apimentar a relação é aumentar o seu nível de desejo e construir você mesmo a sua excitação. Ou seja, na prática, o bom sexo começa quando você começa a pensar em sexo.

Por isso, é importantíssimo comemorar as datas especiais relacionadas ao casal e o Dia do Sexo não podia ser diferente. Manter a chama acesa não precisa ser só mais um lugar-comum, reunimos cinco dicas dos especialistas para você ter uma noite muito especial.

Compartilhar suas fantasias sexuais contribui e muito para uma vida sexual mais saudável. Sexo não tem só a ver com agradar o parceiro. Mas tem tudo a ver com entrar em sintonia com os próprios desejos e fantasias e explorar as imagens e as coisas que excitam você.

O site alemão C-date realizou uma pesquisa na última semana de agosto com seus usuários no Brasil para descobrir onde gostariam de comemorar a data do Dia do Sexo. Dos 4.846 participantes do sexo feminino e masculino, 37,89% responderam que tem vontade de transar no carro, enquanto 32.91% revelaram que gostariam de fazer sexo na praia. E quando o assunto é fantasia sexual, a personagem enfermeira foi a mais desejada, com 42% dos votos. Entre as outras opções estão professor (28%), policial (20%) e bombeiro (11%). Se você achar uma bobagem se fantasiar ou imaginar que é desconfortável transar no carro, não tem problema. Afinal, não vale ceder só para satisfazer o outro. O melhor é trocar experiências e verificar se ambos partilham dos mesmos desejos. Para Marina Vasconcellos, o mais importante é compartilhar as fantasias, mesmo que não tenham coragem de realizá-las. ‘Apenas o fato de falar sobre o assunto e imaginar já excita e pode ser um caminho para um sexo mais apimentado’, acredita.

Pense em sexo. Todo mundo sabe desde os 18:as mulheres precisam de um certo tempo para pegar fogo e chegar prontas na hora H. Depois dos 50, o conselho continua sendo válido, mas não estamos falando aqui de preliminares, estamos sugerindo que você comece a ‘pensar sobre sexo’ bem antes da hora de fazer sexo. Por isso, a psicóloga Carla Cecarello, especializada em sexualidade humana, recomenda preparar o clima ao longo do dia, como trocar mensagens picantes ou com duplo sentido para surpreender o parceiro e provocar a imaginação. Isso é estimulante tanto para quem manda, quanto para quem recebe. ‘Vale até mandar fotos da boca ou das pernas para deixar um gostinho de quero mais para depois. Isso vai criar uma expectativa boa e a mulher vai estar mais relaxada e motivada para o sexo fluir melhor’, diz Carla.

Crie um clima de romance. Para o psicólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr do Instituto Paulista de Sexualidade – Clinica de Psicologia em Sexualidade, a dica é ativar a memória e aflorar emoções compartilhadas. Que tal colocar aquela música que ouviam na época do namoro ou mesmo a canção tema do casal? ‘Esta atitude mostra que você dedicou tempo em preparar algo especial e a música ajuda aflorar as emoções compartilhadas entre os dois’, indica. Isso vale também para locais ou restaurantes e viagens onde vocês dois se sentiram conectados e amorosos e assim fortalecer a cumplicidade, fundamental para inspirar uma boa noite de sexo.

Romance

Sinta-se sexy. Para as mulheres, nem sempre é fácil depois dos 50 sair andando nua pela casa. Mas você pode ousar mesmo assim. Prepare seu corpo (e sua alma) antes. Faça uma massagem ou tome um banho cheiroso de banheira. Arrume-se com o senso crítico desligado. Você não tem que ser magra e jovem, você pode ser bonita e sexy. Receba seu parceiro com uma roupa mais insinuante ou uma lingerie especial, por que não? Ou esqueça o pijama e a camisola e vá para a cama sem roupa. Segundo uma pesquisa britânica, encomendada por uma empresa de roupas de cama, 57% das pessoas que dormiam nuas estavam felizes com seus relacionamentos, em comparação com 48% dos usuários que vestiam pijama para dormir e 43% dos que usavam camisolas. A explicação está na oxitocina, o chamado hormônio do amor, acionado pela proximidade e pelo contato pele a pele. Que tal tirar a prova?

Assistam juntos a um filme erótico. Algumas mulheres gostam de filmes pornográficos, mas em geral, filmes menos óbvios, mais sensuais, são os favoritos do publico feminino.Experimente assistir as cenas picantes de sexo de Cinquenta Tons de Cinza ouAzul é a Cor mais Quente, que vão aumentar a libido na medida certa. Antes, prepare o ambiente para a noite de amor, como flores, frutas, velas, incensos e um jantar leve. ‘O longa, um ambiente de meia luz e um vinho especial ajudam a criar um clima romântico e, consequentemente, provocar o tesão, diz a psicóloga e terapeuta de casal, Marina Vasconcellos.

O que leva traídas a agredir as amantes dos maridos

 Para os especialistas, as esposas acreditam que a amante desviou o amado e merecem vingança

—  Eu destruí totalmente. Ela ficou com uma costela quebrada, o rim furado e até o aparelho da boca ela engoliu. Ainda fiz ela comer areia com cocô de gato.

O depoimento de uma mulher traída, que espancou e humilhou a amante do marido, fazendo a moça comer até fezes, chamou a atenção do público esta semana. O caso está longe de ser isolado.

Ficou famoso também o vídeo em que uma mulher bate na amante do marido em um triângulo amoroso que viralizou nas redes sociais. Recentemente, uma jovem foi agredida e obrigada a andar nua, depois de ser descoberta como sendo amante de um cara casado.

O que leva essas mulheres a voltar sua ira para a outra, em vez de focar no marido traidor? De acordo com os especialistas, isso depende muito das crenças que aquela mulher tem sobre fidelidade, culpa, amor, sobre ela, sobre o parceiro, sobre as outras mulheres.

Segundo Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), há, nesses casos extremos, um claro desequilíbrio emocional e um imenso desejo de vingança.

— A traição corrói por dentro e essas pessoas ficam com muita raiva. Mas isso é coisa de gente que está desequilibrada, não está no seu estado normal.

Para Marina, há um forte componente simbólico em agredir a amante. É a velha história do “o que ela tem que eu não tenho”, muitas vezes insuportável para quem é traído. A esposa acaba se torturando por pensamentos como este, e há uma sensação de raiva pela amante representar tudo aquilo que a mulher gostaria de ter e ser. É muito comum a esposa ter mais raiva da amante do que do marido.

— Ela roubou o marido dela, a felicidade dela, a esposa joga tudo na mulher, toda sua frustração. E vai querer vingança. Não vai deixar barato, vai querer sujar o nome da amante, mas muitas vezes suja o próprio. A outra sai como coitada, as pessoas acabam ficando com pena da que foi humilhada e agredida.

Sem falar que existem situações em que amante também foi enganada. De acordo com Marina, é muito raro os homens que conseguem sair de um casamento se não tiverem algum relacionamento engatilhado. E muitos se vendem como o cara que está se separando como arma de conquista.

traição

— Os homens são mais acomodados nos casamentos e às vezes preferem seduzir uma outra mulher a se separar. Ela tem escolha, de entrar ou não na história, mas muitas caem numa promessa de relacionamento. Não necessariamente ela “roubou o marido” de alguém.

Segundo Kelen de Bernardi Pizol, terapeuta e orientadora de casais, a idealização do parceiro também ajuda a explicar esse comportamento feminino de se voltar contra as amantes. Quando se ama alguém, por mais que esteja na cara, pode ser difícil aceitar que algum malefício possa vir daquela pessoa.

— Há uma idealização. A pessoa acredita que o ser amado é incapaz de fazer algum mal a ela ou à relação. Então, no caso da traição, como há a amante envolvida, é nela que a culpa vai recair. É a crença de que foi a amante que desviou o ser amado do caminho, e a agressividade se direciona à essa pessoa.

Também existe um viés cultural. Para Kelen, nossa cultura infantiliza o homem e vilaniza a mulher na questão da sexualidade.

— O  homem é visto como alguém que foi seduzido por uma mulher ardilosa. Ao mesmo tempo, é uma cultura machista, que o isenta de dar escapadas porque isso “é coisa de homem”. Veja que há dois valores diferentes e até opostos aí: em um deles a mulher amante é supersexual e não tem brios em avançar sobre um homem indefeso que já tem uma parceira; em outra o homem tem uma supersexualidade que não pode ser abafada e deve ser aceita como parte da sua natureza.

O psiquiatra Luiz Cuschnir pontua que, nesses casos, a tentativa de proteger o marido aparece pela relação amorosa que existe entre eles. Ele é protegido da agressividade que surge por parte da esposa, por isso a necessidade de se aliviar a raiva é dirigida à amante.

— Preservar o vínculo que existe nesses casos pode estar evidenciando que há muito o que preservar entre eles, que o relacionamento não se restringe somente àquela traição, há muita coisa que vale a pena. Pode também haver a ideia de que haverá a possibilidade de retomar com o marido uma relação melhor. Mas isso não significa que não será cobrado a posteriori. Pode ficar guardado para depois apresentar a conta que ele vai ter que pagar.

Especialista em sexualidade, o terapeuta Oswaldo M. Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade, afirma que se voltar contra a outra é, de fato, uma forma de mostrar que o compromisso com o marido continua, inclusive ao enfrentar a amante.

— A tentativa sempre parece ser de manter o relacionamento. Atacar o marido é afirmar a perda. Então a busca da amante e atacá-la representa a “defesa” do casal, uma busca de manter o relacionamento. Não é um comportamento realmente lógico e racional. Apenas uma busca irracional de remendar algo aos olhos sociais e ainda ganhar um bônus de dívida que o marido terá e que poderá e será exigida em momentos que esta mulher considere propício.

Nem todas mulheres, porém, agirão assim, impulsivamente, de modo irracional. Algumas encontrarão outras maneiras de administrar a frustração.

Algumas buscarão brigar para manter o relacionamento por meio da aproximação com o marido e reorganizar o relacionamento, recomeçar o casamento, refazer o contrato do relacionamento, com ou sem ajuda de um psicoterapeuta.

A traição, na análise da terapeuta de casais Marina Vasconcellos, pode, em alguns casos, acabar servindo para reestruturar um casamento que já parecia morto.

esperança

— Pode aparecer, para ele ou para ela, alguém que elogia, que dá atenção, e eles podem  cair em tentação, mas não necessariamente é porque  acabou o amor. Só que o amor tem de ser alimentado. Se surge uma terceira pessoa que volta a alimentar pode acontecer. Mas se o outro descobre, aí é hora de avaliar se foi só um caso, ou se vale seguir com o casamento.

A outra? Bem, esta não será perdoada jamais. Vai ficar como uma marca. Basta ouvir o nome da pessoa para revirar o estômago. E não dá para o marido ficar amiguinho da ex-amante. Ele tem de se comprometer a cortar relações, fazer tudo pra voltar, mostrar que a esposa pode confiar. Senão…

 

 

A terapia de casal não deveria ser o último recurso antes do divórcio

Publicado no Minha Saúde Online, 19/03/2015

 

Frequentemente, ao receber um casal que me procura para realizar uma terapia, penso comigo mesma: “Puxa, pena não terem vindo antes, enquanto o amor ainda existia, o respeito e a vontade de estarem juntos… Agora não sei se dá para resgatar algo, infelizmente!”

Venho aqui frisar esse ponto já abordado por mim, mas que atinge grande parte dos casais por aí: a resistência em procurar ajuda de um profissional em momentos de crise; a insistência na falsa ideia de que, sozinhos, conseguem dar conta dos problemas da relação, enquanto a vida lhes mostra o contrário. O preconceito em assumir que uma terceira pessoa como “mediadora” nesses conflitos pode auxiliá-los a descobrir novas atitudes e alternativas antes não visualizadas, coloca tudo a perder: “Imagine se alguém fica sabendo que fazemos terapia de casal para continuarmos juntos? Não preciso de ninguém ‘me dizendo o que fazer’, esse negócio de psicólogo não funciona!”.

Pois é, essa fala ainda é muito comum por aí, infelizmente.

Couple looking to each other during therapy session while therapist watches

Em primeiro lugar, o psicólogo não tem a função de “dizer o que as pessoas têm que fazer”. Gosto da analogia com um passeio numa caverna: o psicólogo seria o “guia” que vai com a lanterna, ao lado do explorador, iluminando os caminhos possíveis, mostrando as encruzilhadas, focando certos perigos, mas quem escolhe por onde e para onde ir é o cliente, que vai decidir se quer mudar o percurso – quando se vê diante de um perigo – ou continuar a trilhar o mesmo caminho. Essa decisão pode ser “fatal” para ele, ou levá-lo a novos horizontes nunca antes descobertos.  Tudo depende do quanto está disposto a correr riscos.

Em outras palavras: não queremos impor nada a ninguém, apenas ajudamos as pessoas a desenvolverem novas possibilidades de olhar a vida com mais consciência, ouvindo, questionando, propondo o exercício da empatia, desatando nós que atrapalham o fluir da vida com leveza, limpando mal entendidos entre as pessoas por problemas muitas vezes simples de comunicação mal sucedida, acolhendo dores sufocadas e mal elaboradas, e acima de tudo, facilitando e permitindo o diálogo franco entre os cônjuges que nos chegam tão machucados após anos de convivência em meio a conflitos e mágoas… Tudo isso é uma conquista do próprio cliente que aprende a reconhecer suas potencialidades, utilizando seus recursos internos antes não explorados em prol da relação.

E daí vem a segunda questão: “esse negócio de psicólogo não funciona”. Claro, se existe uma resistência total a qualquer coisa que esse profissional venha a propor, a possibilidade de dar errado ou simplesmente não funcionar é grande. É fundamental que exista a abertura para o novo, para questionamentos e mudanças que se façam necessárias.
E me pergunto: por que tamanha resistência?
Imagino que a resposta seja mais simples do que possa parecer: é mais fácil criticar o outro do que olhar para dentro de si e reconhecer seus próprios erros. Sim, muitas vezes parece mais fácil, mesmo, mas a que custo? Já parou para pensar no quanto poderia se desenvolver e crescer se voltasse o olhar crítico para si e percebesse sua responsabilidade nos problemas que atingem o casal? Muitas acusações mútuas infundadas teriam fim, levando consigo os conflitos diários por pequenas coisas, assim como o clima de “disputa pelo poder” – “Eu tenho razão!”; “Você está errado!”, etc.

Mais um esclarecimento importante: psicólogo não é juiz. Ou seja, não estamos ali para julgar ninguém, para dizer o que está certo ou errado, punir ou chamar a atenção daquele “que fez a coisa errada”… Absolutamente! Nossa intenção é fazer com que ambos se ouçam e dialoguem, expondo seus sentimentos e insatisfações, para juntos encontrarmos a melhor solução para o conflito.

Se você está infeliz no casamento deve haver algum motivo. Mesmo que não saiba identificá-lo, converse com seu parceiro sobre essa sensação. Quem sabe juntos conseguem descobrir algo e resolver a questão facilmente. Ou não.
Em caso negativo, não se acanhe em buscar ajuda o quanto antes. Insatisfações e frustrações podem se tornar crônicas, e com o tempo minam por completo o amor, não tendo mais como reconstruir algo que um dia os uniu. O amor precisa ser cultivado e cuidado sempre!

Não é fácil estar ao lado de uma pessoa por anos a fio sem passar por momentos mais delicados, e não raro a vontade de ir embora e desistir do relacionamento pode parecer tentadora… E há casos onde essa é, realmente, a melhor opção. A terapia pode ajudá-los a chegar a essa conclusão de forma madura, consciente, num ambiente protegido, onde possam dialogar a respeito. Mas em nome de algo que já foi belo e os levou a querer assumir um compromisso maior um dia, não deixe que as mágoas se acumulem e sejam guardadas “embaixo do tapete”: faça uma faxina, limpe a casa e deixe a energia boa fluir novamente em sua vida!

Denúncia contra Adrilles, participante do BBB15, não dá cadeia no Brasil

Especialistas alertam, no entanto, para a importância de se denunciar casos de perseguição 

R7, em 29/1/2015

adrilles bbb15

A denúncia feita por uma blogueira sobre o participante do BBB15 Adrilles — de que ele teria perseguido uma moça durante dez anos — é alvo de debate jurídico no Brasil. A pessoa que realiza essa prática é conhecida como “stalker”, palavra inglesa que significa perseguidor. A questão é que essa conduta, que pode acontecer tanto no mundo virtual quanto fisicamente, não é considerada crime pelo nosso código penal.

O quadro piora principalmente a situação das vítimas. A advogada Luiza Nagib Eluf, que participou junto com mais 14 juristas da elaboração de um novo projeto do código penal, explica que os senadores excluíram da proposta a tipificação da prática como crime.

— Nós, juristas, colocamos como forma de crime e os senadores tiraram. O stalker não é crime no Brasil. Assim como teve dificuldade para criminar o assédio sexual, estamos tendo muita dificuldade convencer os legisladores desse tipo de crime.

Segundo Luíza, a proposta encaminhada em 2012 ainda continua sendo analisada pela comissão de senadores, com algumas tipificações sendo excluídas. Ela explica que além do stalker, o bullyng também foi retirado.

As denúncias contra o escritor Adrilles foram feitas pela blogueira Lola Aronovich. Ela publicou relatos de supostas vítimas de perseguição do participante do BBB. Em uma das declarações, a mulher conta que teve de largar o emprego. A perseguição, que já durava dez anos, apenas teria terminado quando a Justiça determinou que ele mantenha uma distância de 500 metros dela.

Polícia

Mesmo não sendo considerado crime, a mulher pode e deve denunciar a prática à polícia. O titular da Delegacia de Delitos Cometidos por Meios Eletrônicos do DEIC São Paulo, Ronaldo Toccunian, explica que casos de perseguição podem ser enquadrados em outras tipificações de crime, porém com penas mais brandas.

— Se houve prática de infração penal e chegou a ultrapassar uma relação socialmente aceitável, podíamos estar diante de diversos crimes: perturbação do sossego alheio, crimes contra a honra, ameaça, a pessoa deixou de fazer alguma coisa em razão dessas ameaças.

Porém ele ressalta que todos são considerados “delitos de pequeno potencial ofensivo” e não gera uma prisão.

— O juiz vai definir uma pena restritiva de direito, como pagar cesta básica. Eventualmente, numa reincidência, pode aplicar pena restritiva de liberdade.

Os casos de vítimas de stalker também não se enquadram na Lei Maria da Penha, o que impede uma ação imediata da polícia.

— Não é violência doméstica, a não ser que seja marido dela, namorado. [Mas] em geral é um conduta de um estranho e não do parceiro.

Segundo Luíza, o que pode ajudar muito as vítimas é uma reparação civil.

— Entrar com um pedido na justiça civil, um pedido de indenização por dano moral, e pode entrar com uma ação cautelar pedindo que ele não se aproxime dela.

Como age o stalker

O especialista em crimes digitais Wanderson Castillo explica que o stalker costuma se focar apenas em uma pessoa.

— Ele fica sempre mandando e-mail, visualizando o Facebook, deixando comentários pelas redes sociais. A pessoa que está sendo vítima disso, já começa a identificar na primeira semana.

Wanderson conta que, pessoalmente, já cuidou de um caso de uma jornalista no Rio de Janeiro que foi perseguida por um homem de 44 anos. O stalker chegou a deixar 15 mil comentários no perfil da vítima no twitter.

— Ele começou a fantasiar. A pessoa começou a falar já o bairro que ela morava, os lugares que ela frequentava e ela começou a ficar com medo.

De acordo com Castillo, a jornalista entrou com uma ação preventiva para que ele não chegasse perto dela.  O caso aconteceu há dois anos.

— Nós fizemos toda uma investigação e identificamos que o cara era solteiro, tinha esquizofrenia e criou uma paixão platônica em torno da jornalista.

Tem tratamento?

Esse desejo de perseguição é um problema de saúde e precisa ser tratado, como explica a especialista em psicodrama terapêutico Marina Vasconcellos.

— Stalker pode ser uma variação do toque. Você tem uma compulsão de ir atrás para aliviar sua obsessão.

Marina ressalta que não existe uma explicação muito científica para o desenvolvimento deste comportamento, mas que com certeza um stalker é uma pessoa que sempre está buscando atenção e não sabe ouvir não.

— Tem gente que elege um desconhecido, um ator de TV, os atores são muito vítimas disso. Quer que a outra pessoa goste dele, mas é não é correspondido. O exagero é tanto que a pessoa foge.

Para tratar este comportamento obsessivo, é necessário o seguinte conjunto: medicamento e terapia. “O medicamento ajuda o sintoma, mas o problema continua ali, a terapia trata a causa”, resume Marina.

Prevenção

Apesar de não haver uma explicação para que uma pessoa comece a perseguir outra, Castillo afirma que pensar nas postagens antes de escrever, evitar discussões nas redes sociais e selfies exageradas são formas de se proteger.

— [Se] você colocar informações do local físico onde se encontra, está tendo um risco. A criminalidade usa muito as redes sociais.

É importante também que os perfis sejam fechados aos amigos. Se expor demais, pode tornar a pessoa uma isca. Ignorar os comentários ou até mesmo elogios exagerados frequentes é uma saída.

Oito lições para evitar que a rotina mine seu relacionamento

O beijo de boa noite e um olhar de admiração mantêm a união do casal

Portal Minha Vida, por Manuela Pagan, em 09/01/2015

 

O início de um relacionamento é uma das etapas mais prazerosas da vida a dois. Descobrir o outro e curtir cada segundo juntos é uma delícia. Mas, passada a fase da euforia, a maioria dos casais esquece até de dar um simples beijo de boa noite. Isso é o que diz uma pesquisa realizada pelo impresso Daily Mail, do Reino Unido.

O levantamento aponta que 80% dos casais vão dormir sem esse gesto de carinho. Com o tempo, o afastamento torna-se inevitável. A mesma pesquisa apontou que os parceiros que não se beijavam antes de dormir também eram aqueles que dormiam de costas para o outro.

Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo, a rotina pode ser a culpada, mas a falta de contato físico também pode ser um sinal de que a relação não está indo bem.

O fato é que não dá para deixar o carinho e o afeto em segundo plano. Antes que o seu relacionamento perca a graça, lance mão de oito lições para reacender a chama que está se extinguindo.

Up

 

1- Tire a televisão do quarto

Se for para assistir um filme de conchinha sob as cobertas vá lá, mas em outras situações a televisão pode ser inimiga da sua intimidade. “O hábito de assistir televisão sempre antes dormir, além de diminuir a qualidade do sono, dificulta o diálogo e o casal – por dormir em momentos diferentes – acaba até esquecendo do beijo de boa noite”, conta a psicóloga Marina. Por isso, televisão só na sala.

2- Trabalho tem limite

Em um mundo perfeito, você chegaria em casa e teria todo o tempo disponível para cuidar do seu parceiro. Mas na realidade nem sempre é assim. “Hoje em dia, o trabalho suga o tempo pessoal mesmo, principalmente se você gerencia seu próprio negócio”, explica Marina Vasconcellos. A especialista recomenda que haja bom senso e compreensão. “Bom senso para saber a hora de parar de trabalhar, e compreensão do parceiro quando a hora extra for necessária”.

3- Restrinja o uso do computador

Você gasta as horas que tem para passar com o seu amor na frente do computador? Então há algo fora de ordem. Redes sociais, bate-papo e até games podem gerar um vício difícil de romper. Mas você não precisa erradicar essas modernidades da sua vida, basta limitar o uso. A psicóloga Marina Vasconcellos recomenda que seja colocado um horário de uso que não tome todo o seu tempo livre e ainda permita que você se dedique ao relacionamento.

4- Interesse e admiração

“Olhar para o companheiro e sentir orgulho de suas conquistas, características, forma de se vestir e maneiras de resolver problemas é uma das maneiras de manter o relacionamento vivo”, recomenda a psicóloga Milena Lhano, especialista em atendimento de casais. Busque sempre esse olhar de admiração em relação ao parceiro e não deixe nunca de se surpreender com o seu amor.

 

5- Conversa com hora marcada

Marina Vasconcellos conta que o diálogo com hora marcada é um exercícios comumente feito na terapia de casal. “Sem nenhuma influência externa, os parceiros sentam um de frente para o outro e esperam para ver o que vai acontecer”, explica a especialista. A atitude reforça a intimidade do casal e pode gerar o diálogo até em casos mais complicados. Em casa, o casal pode fazer isso durante a refeição ou antes de dormir, por exemplo.

6- Todo dia um carinho

Um “bom dia” ou um beijo de boa noite. Gestos simples que mantêm o cuidado da relação em dia. “Essa demonstração de afeto é simples, mas significa muito: carinho e respeito”, conta a psicóloga Marina.

7- Planos em comum

Uma viagem, uma casa ou até mesmo um filho. Traçar planos em dupla, além de ser uma delícia, é uma forma eficiente de manter o casal olhando na mesma direção. “Essa atitude é importantíssima não apenas para que o casal construa um futuro em comum, mas para mantê-lo caminhando com um mesmo destino, unido”, conta Milena Lhano.

Infidelidade virtual

Jornal o Povo, por Ubiracy de Souza Braga, em 03/01/2015

A infidelidade virtual é um tema conspícuo que divide opiniões na esfera da filosofia, sociologia e mesmo na psicologia. O termo virtual vem do latim medieval e conserva a ideia de virtude, força ou potência em nossos dias. Do ponto de vista legal, não existe infidelidade virtual porque esse tipo de relação não é considerado uma traição.

Na filosofia só é considerado traição se o “olho do espírito” não conseguir “ver”o que está por trás da relação. Benedito de Espinoza foi o primeiro a suscitar o problema do ler, e, por conseguinte do escrever, como também o primeiro no mundo a propor simultaneamente uma teoria da história e uma filosofia da opacidade do imediato.

Daí, toda a fragilidade no sistema dos conceitos, que constitui o conhecimento, reduzir-se à fraqueza psicológica do “ver”. E se são as omissões do ver que explicam os seus equívocos nos dias de hoje, do mesmo modo, por uma necessidade peculiar, será a acuidade do “ver” o que há a explicar em suas visões de todos os conhecimentos
reconhecidos.

 

Infidelidade virtual

 

Ou seja, atingimos assim a compreensão da determinação do visível como visível, e conjuntamente do invisível como invisível, e do vínculo orgânico que une o invisível ao visível. Assim, é visível todo objeto ou problema que se situa no terreno, e no horizonte, isto é, no campo estruturado definido da problemática teórica de determinada disciplina teórica que nos impõe e revela a condição social de visibilidade.

Para a psicoterapeuta sexual Lúcia Rosenberg, com razão, o nexo de quem determina o que seria infidelidade ou não é o próprio casal: “a fidelidade passa pelo acordo. Os limites são diferentes e precisam ser esclarecidos. Muitas pessoas acreditam que ela é mental, para outras, é física”.

A terapeuta de casais Marina Vasconcellos, aproximando-se do interacionismo simbólico, ou na sociologia do direito de Niklas Luhmann, considera este relacionamento “uma traição da confiança da relação”, e salienta: – “a infidelidade caracteriza-se pela relação de intimidade com outra pessoa que não seja o cônjuge, ou mesmo pela intenção de se relacionar com alguém, mesmo quando se está comprometido.

Na sociologia pragmática significa o fim da relação. Pois fim é a representação de um resultado que se converte em causa de uma ação.

 

Ter muitas relações fracassadas pode ser reflexo da infância

Há quem idealize o parceiro e, depois de um tempo, se decepciona ao ver a realidade

UOL, por Catarina Arimatéia, em 28/11/2014

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Muita gente convive com a dúvida: “por que sempre escolho a pessoa errada para me relacionar?”. Falta de sorte? Nada disso. Segundo especialistas em comportamento, na maioria das vezes, a resposta está na própria pessoa que faz a queixa.

“Minha experiência mostra que, quase sempre, essas pessoas carregam memórias antigas de relacionamentos familiares que têm como marca o conflito, a intranquilidade, as rupturas bruscas, a violência verbal e física. Em geral, na história dessas pessoas, o mesmo padrão se repete nos relacionamentos amorosos”, diz a psicanalista e psicóloga clínica Blenda de Oliveira.

Isso acontece por que os padrões de relacionamento começam a ser estabelecidos ainda na infância. Crianças que não foram incentivadas a ter uma boa autoestima, por exemplo, também podem sofrer na vida adulta, buscando parcerias que nem sempre as valorizam.

“Nesse caso, a pessoa não tem critério para se relacionar, qualquer parceiro é bem-vindo”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos. O resultado é quase sempre desastroso.

Atração entre opostos

É comum que os opostos se atraiam. Mas, de acordo com Marina Vasconcellos, aquilo que chama a atenção no início, depois de anos de relacionamento, é justamente o que poderá separar o casal.

“Geralmente, você projeta no outro aquilo que gostaria de ser, de ter, de desenvolver. Em casos assim, o outro tem algo que você quer”, diz ela. Pode ser uma vida mais interessante, mais amigos, um lado mais rebelde. “O problema é que, com o tempo, a tendência é tentar modificar a outra pessoa para que ela fique parecida com você”, conta a psicóloga.

A escritora Paula Cassim, autora do livro “Como Reconquistar Seu Ex” (Ed. All Print), afirma que, inconscientemente, procuramos as pessoas diferentes de nós como uma maneira de criar um ponto de fuga para a vida que levamos.

“Ter uma pessoa que pense, tenha gostos e faça coisas diferentes de você é muito interessante, porque abre um novo campo, os dois acabam descobrindo mundos diferentes e tendo acesso a coisas que jamais conheceriam sozinhos. No começo, pode ser ótimo. Até o dia em que você se cansar de tentar ser o que não é”, diz. E é nesse momento que a relação pode começar a degringolar.

 

Pressão social, ciúme e intolerância

Como o comportamento humano tem maneiras infinitas de se expressar, assim também são os motivos que levam a um relacionamento que já nasce com tendência a fracassar. “É impressionante a quantidade de mulheres casadas com alcoólatras que também tiveram pai alcoólatra”, fala Marina Vasconcellos.

Pessoas exigentes demais, intolerantes ou mimadas, acostumadas a receber todas as coisas nas mãos, também são boas candidatas a relacionamentos fracassados. Assim como as ciumentas. “Ciúme é uma doença. Se não for diagnosticado a tempo e receber tratamento, vai terminar todas as relações”, afirma.

Para a psicanalista Blenda de Oliveira, o relógio biológico da mulher e as cobranças que sofre ao longo da vida por não estar namorando ou casada também levam muitas delas a escolher parceiros sem grandes critérios.

“A mulher é mais vulnerável do que o homem a esse tipo de ‘desespero’ de não ter alguém. O homem não carrega o peso de que ‘precisa’ se casar. Ele não tem pressão social. Se você é mulher, solteira, tem mais de 40 anos e não se casou, é bem provável que muitas pessoas pensem que há algo errado. Então, na ânsia de encontrar alguém, a mulher perde a referência de qualidade em função disso”.

 

Faça uma análise

Mas há possibilidade de reverter esses padrões nocivos? Sim, há. Mas existem alguns passos a seguir. Quem sofre com relacionamentos que não vão adiante, em primeiro lugar, precisa fazer uma boa análise da situação.

“Na maioria das vezes, a pessoa se decepciona e acha que o erro está sempre no outro. Mas deveria parar e se perguntar: ‘o que me cabe’? Quem sempre projeta no outro a responsabilidade, o erro e a dificuldade, vai procurar outra pessoa e o padrão vai se repetir”, diz a psicóloga Ceres Alves de Araújo, professora do programa de estudos pós-graduados em psicologia clínica da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Para que esse ciclo se interrompa, comece a se questionar. “Faça indagações como: ‘o que há de errado comigo?’, ‘estou me impondo demais ou pouco?’, ‘estou fugindo do que?’, ‘estou percebendo as necessidades de quem está comigo?’, ‘estou sabendo informar ao outro as minhas necessidades?’, exemplifica a professora. “Fazer troca afetiva é um aprendizado”.

 

Posso “não gostar” dos meus próprios pais?

Publicado no Minha Saúde Online em 7/9/2014

Posso não gostar dos meus próprios pais?

 

Não raro recebo em meu consultório e vejo por aí casos onde a pessoa sente-se “culpada” por não gostar dos pais, como se o fato de serem os progenitores garantisse àqueles o direito ao amor e respeito incondicional de seus filhos. Ledo engano.

Elisabeth Badinter faz uma boa análise em seu livro “Um Amor Conquistado – o mito do amor materno” (Ed. Nova Fronteira, 1985): “Quanto a mim, estou convencida de que o amor materno existe desde a origem dos tempos, mas não penso que exista necessariamente em todas as mulheres, nem mesmo que a espécie só sobreviva a ele. Primeiro, qualquer pessoa que não a mãe (o pai, a ama, etc.) pode ‘maternar’ uma criança.

Segundo, não é só o amor que leva a mulher a cumprir seus ‘deveres maternais’. A moral, os valores sociais, ou religiosos,
podem ser incitadores tão poderosos quanto o desejo da mãe.” Concordo com esta afirmação, e acrescentaria o amor paterno na mesma categoria. Nem todos são preparados emocionalmente para desenvolver os papeis de pai e mãe, e os filhos arcam com as consequências.

A sociedade, assim como as religiões e diferentes culturas pelo mundo afora, ensina que temos que respeitar e amar nossos pais; afinal, eles nos criaram, alimentaram, educaram, sustentaram… e devemos lhes retribuir todo o trabalho e dedicação no mínimo com o reconhecimento e o amor devidos. Porém, há pais que literalmente não fazem por merecer, e o melhor seria que saíssem de perto dos filhos, já que a convivência apenas causa traumas emocionais e prejudica o desenvolvimento saudável dos rebentos.

Há pessoas doentes que se recusam a buscar tratamento para seus distúrbios, em especial os psiquiátricos. Filhos ficam sujeitos a maus tratos, violência física e psicológica, humilhações, chantagens emocionais, exposições da intimidade para outras pessoas, vergonha de escândalos em público… Tudo isso pode ser causado tanto por pessoas simplesmente mal educadas e grosseiras, como por aquelas doentes, vítimas de algum distúrbio não diagnosticado e, consequentemente, não tratado.

Recusam-se a buscar tratamento, mesmo sendo avisadas pelos parentes e amigos próximos, com o velho argumento em sua defesa: “Não sou louco para fazer terapia”. Se for o caso de psiquiatra, então, o preconceito aumenta. Sofrem anos a fio e levam toda a família junto nessa batalha, provocando brigas e frequentes conflitos quando tudo isso poderia ser evitado, ou solucionado, caso seguisse um tratamento adequado. Encaixam-se nesses casos os alcoólatras, psicóticos, portadores de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), neuróticos graves, bipolares, entre outros.

 

Mesmo sem serem portadores de doenças psiquiátricas, aqueles pais que traem seguidamente o cônjuge provocando sofrimento a este também se distanciam dos filhos, que alimentam por ele raiva, revolta e repulsa muitas vezes. Outros inúmeros comportamentos inadequados, posturas perante a vida e as pessoas, assim como valores morais absolutamente questionáveis provocam nos filhos sentimentos negativos em relação aos pais.

Sem falar nos psicopatas, arredios a qualquer tratamento e sem “cura” por se tratar de um transtorno de personalidade, e não de uma doença. Frios, incapazes de sentir algo e de desenvolver a empatia, não pensam duas vezes antes de prejudicar quem quer que esteja ao seu lado, sempre pensando no que irão ganhar com suas ações interesseiras, manipuladoras e maquiavélicas. Sendo assim, não desenvolvem qualquer relação afetiva com os filhos, permanecendo indiferentes a eles.

O resultado disso tudo é que o vínculo com os filhos fica extremamente prejudicado, muitas vezes nem tendo força para ser construído. As crianças crescem convivendo com pais agressivos e abusadores, não vendo a hora de se livrarem desse ambiente doentio e conflituoso. Guardam consigo a sensação de culpa por não gostarem dos pais, sofrendo sozinhos anos a fio por não terem coragem de admitir para si mesmo e para os outros tal sentimento. “Como não gostar do(a) meu(minha) próprio(a) pai(mãe)? Não é errado isso? Afinal, é meu(minha)/pai(mãe)!!”

Não, não é errado isso. Se o vínculo afetivo não foi construído e alimentado devidamente, o amor não cresce. Não precisa procurar justificativas que amenizem para si e para os outros certas atitudes dos pais que o envergonham, humilham ou agridem. Eles são humanos e passíveis de erro, como qualquer um.

A diferença entre pais saudáveis e doentes é que os primeiros, ao perceberem que erraram, tentam se desculpar e melhorar, não tendo problemas em voltar atrás em opiniões ou decisões equivocadas. Procuram evoluir e aprender com os erros. Já os outros não têm essa capacidade, persistindo no erro e muitas vezes manipulando os filhos para que estes, sim, sintam-se culpados por questionarem certas atitudes.

Nesses casos todos, o melhor a se fazer é manter a “distância afetiva” dos pais, ou seja, desenvolver-se emocionalmente independente do que eles possam dar em troca, e não esperar um amor que não existe. Muitas vezes a distância física também é recomendada: que o convívio com eles seja o mínimo possível para evitar situações de estresse emocional que certamente ocorrerão.

E isso só é possível se alcançar com a ajuda de um bom trabalho psicoterapêutico, onde a pessoa se aproprie de seu potencial e desenvolva a independência afetiva, elaborando a culpa advinda desse processo todo. Afinal, não é fácil assumir que seus pais fazem mal a você: nem para si próprio, muito menos para os outros.

Quando a pessoa se permite exprimir os sentimentos negativos que alimenta pelos progenitores, apropriando-se deles e entendendo de onde surgiram, como foram construídos, resultado de anos de convivência com uma pessoa sem condições psicológicas necessárias para o bom desempenho do papel de pai/mãe, há uma grande sensação de alívio e libertação emocional.

Leveza, cumplicidade, parceria: palavras chaves para um relacionamento saudável

Gosto muito da comparação da dinâmica do relacionamento conjugal com os jogos de tênis e frescobol. Quando jogamos tênis, queremos lançar a bolinha num lugar bem difícil para que o outro não consiga pegá-la, marcando nosso ponto com aquela deliciosa sensação de vitória. É uma competição cerrada que só termina com a derrota de um dos adversários.

Já no jogo de frescobol, a intenção é que ambos joguem no mesmo nível, procurando acertar a bolinha na direção da raquete do outro para que ele nos devolva na mesma intensidade, permitindo a fluência do jogo que, quanto menos interrompido pelo erro de um dos parceiros, mais gostoso fica.

Percebeu que no primeiro jogo chamei os participantes de “adversários” e no segundo, “parceiros”? Pois é assim que vejo muitos casais que procuram ajuda para seu relacionamento já tão desgastado pelas eternas disputas que acontecem entre os cônjuges, mais parecendo uma competição sem fim do que um jogo onde ambos procuram o prazer e a satisfação da parceria.

Quando digo leveza, refiro-me à ausência dessa competição descabida que tanto assola os casais. Não há hierarquia nesse tipo de relacionamento – ou não deveria haver -, pois ambos estão no mesmo nível, em pé de igualdade entre si. Um deve ser o porto seguro do outro, apoiá-lo em seus momentos bons e ruins, erguê-lo quando o encontra “caído”… Mas infelizmente vemos muitos relacionamentos “gangorra” por aí: quando um está bem, o outro cai, sentindo-se fragilizado e ameaçado pelo “poder” do outro.

Alto lá: quem disse que sentir-se forte e bem é sinal de poder sobre o outro? Por que quando um tem mais conhecimentos sobre algo que pode ajudar o parceiro a crescer, é erroneamente interpretado em suas opiniões como querendo diminuir o outro ou exibir sua superioridade? Está certo que há casos onde isso realmente acontece, mas não deve ser a regra. Na parceria conjugal ambos devem sentir-se livres para falar sobre tudo entre si, em relação aos mais diversos assuntos, pedir ajuda em todos os sentidos sem sentir-se diminuído ou criticado por isso, ter no outro a certeza de que será compreendido e acolhido a qualquer momento.

É a leveza de saber que pode contar com o parceiro sem julgamentos, sem olhares desconfiados, sem competição nem disputas de quebra de braços. Se você não se sente à vontade para falar sobre certos assuntos por medo de magoar ou da reação imprevisível do outro, já não há leveza, não há espontaneidade. Um relacionamento saudável é aquele onde há espaço para ser quem você é, autêntico, sem máscaras e representações.

Outro dia li algo que dizia que não nos apaixonamos pelo que o outro é, mas pelo que o outro nos faz sentir quando estamos com ele. Ou seja, quando sentimos que o melhor de nós se aflora ao nos relacionarmos com alguém, estamos no caminho certo.
Porém, vejo em muitos relacionamentos exatamente o oposto: quando estão juntos o clima é tenso, é preciso tomar cuidado com as palavras ditas o tempo todo para não ser mal interpretado, ou para que as mesmas não sejam completamente distorcidas e jogadas contra você, num jogo perverso de inversão e manipulação dos fatos. Parte-se do princípio que “todos são culpados até que se prove o contrário”, quando deveríamos acreditar no oposto: se estamos juntos é porque queremos o bem do outro e nossa intenção é ajudá-lo, incentivá-lo, vê-lo crescer e não provocá-lo ou diminuí-lo o tempo todo. Por que não acreditar nas boas intenções do parceiro ao invés de achar que ele está competindo com você, ou tentando mostrar-se superior? Quem ganha nisso tudo?

Por fim deixo aqui um alerta: se você escolheu alguém para formar uma parceria no amor, busque a cumplicidade e procure viver a leveza. Se isso não estiver acontecendo, questione onde estão errando e se podem melhorar, ou se fez a escolha adequada. Procure ajuda caso não consiga detectar o problema, mas não permaneça no sofrimento, na frustração, na disputa.

Estar com alguém deve ser a solução, não o problema; deve dar prazer, não ser torturante; deve fazê-lo sentir-se feliz e seguro, não o contrário.

E sentir tudo isso é simplesmente maravilhoso!

Separações e brigas – quem mais sofre nisso tudo?

Publicado no Minha Saúde Online em 03/04/2014

Venho aqui insistir num tema que já abordei, mas cuja recorrência em casos que sou testemunha me chama a atenção: quando as brigas dos pais numa separação adquirem intensidade tal a ponto de esquecerem o cuidado que devem ter com os filhos, grandes atingidos na história toda.

Imagine a seguinte situação: um homem trai a esposa após quase 20 anos de casamento, é descoberto em sua traição e resolve separar-se. Justifica seu ato dizendo que a esposa já não o atraía mais por estar desleixada, acima do peso, e encontra alguém mais jovem e bonita. Envolve-se com ela, com quem vive uma paixão e explosão sexual, tentando recuperar os anos de insatisfação nessa área.

A esposa, mesmo sabendo de tudo, lhe oferece uma chance de retomar a relação, passando por cima das mágoas e humilhações, em nome de tudo o que construíram nos anos de união – incluindo dois filhos adolescentes. Fariam uma terapia de casal e tentariam entender e modificar o que não estava bom até então. Ele é irredutível e não aceita, dizendo estar certo do que quer para si, e afirmando que o tempo deles já acabou. Não a ama mais.

Porém, com o passar do tempo percebe que os ganhos com esse novo relacionamento são muito menores que as perdas, e cai em si, passando a valorizar cada aspecto da esposa que abriu mão, sentindo saudades da vida que levavam, dos momentos em família, das viagens de férias onde se divertiam, do aconchego do lar ao lado dos filhos… Tenta reconquistá-la, mas descobre que ela, após sofrer bastante e precisar tratar-se de uma depressão que a envolveu nos meses que se seguiram ao divórcio, já não está mais disponível, e seguiu a vida: está acompanhada de um novo amor.

Aí é que o caldo começa a entornar. Vem o ciúme, o inconformismo com a escolha errada que fez, o arrependimento por não ter agido de outra forma lá atrás, a vontade de voltar no tempo para resgatar o relacionamento quando ele ainda tinha chances de se modificar e ser salvo. Agora é tarde.

Dependendo da maturidade e caráter de cada um, aqui corre-se o risco de colocar tudo a perder. Alguns começam a atacar o novo companheiro da ex mulher, acusando-o de coisas infundadas, desqualificando-o perante os filhos, provocando situações onde estes se veem numa encruzilhada: percebem que o parceiro da mãe é de boa índole, gostam dele, e o principal: veem o quanto a mãe está feliz e recuperada do trauma passado, mas sentem-se pressionados pelo pai que faz chantagem emocional e tenta a todo custo desvirtuar a imagem dele, falando mal,  dificultando ao máximo que a mãe seja feliz. Afinal, se ele não o é, porque ela haveria de ser?

O jogo é invertido e o pai projeta no novo companheiro toda a sua frustração, seu inconformismo, e o culpa por sua “amada” não lhe querer mais.

Coloquei aqui um exemplo que pode ser aplicado tanto a homens quanto mulheres, claro. Uma mulher quando sente que perdeu seu homem para outra, por mais que tenha sido dela a escolha, passa por momentos de ciúmes e raiva, chegando em alguns casos a atitudes de fúria e completa inadequação. E muitas vezes na frente dos filhos, que descobrem um lado ainda não revelado de sua mãe que lhe parecia tão tranquila e controlada.

Lidar com a frustração da perda não é fácil. Admitir que errou e não há mais como consertar determinada situação que você próprio causou, por escolhas erradas que fez na vida, requer maturidade e desenvolvimento emocional à altura. Reconhecer a responsabilidade por seus atos e assumir as consequências que eles trazem, sem projetar no outro o que é de sua autoria, é sinal de crescimento e auto conhecimento.

Todos nós estamos sujeitos a errar, mas temos que reconhecer que o outro também tem seu limite de aceitação, sua capacidade de perdão e o direito de seguir em frente e ser feliz.

Se você se encontra nessa situação, o melhor a fazer é esforçar-se para acertar numa próxima união, e em nome do amor que descobriu sentir pelo outro, deixe-o ir e ser feliz. Isso o libertará para também ir em busca de sua felicidade novamente.

E os filhos? Devem ser preservados sempre, nunca sendo colocados entre os pais como “moeda de troca”, como “informantes” da vida de cada um, e não merecem escutar os pais ofendendo um ao outro, desrespeitando-se e desqualificando os novos companheiros que tenham entrado em suas vidas. Quando tudo isso é respeitado a separação, por mais dolorosa que seja, pode não ser tão traumática e de fácil assimilação para os filhos. Tudo vai depender de como os pais lidam com os fatos.

Falta de comunicação é o maior inimigo dos relacionamentos

Publicado no Portal Chris Flores – R7 em 11/03/2014

Ausência de diálogo ou má interpretação dos fatos pode causar um abismo no casamento e até levar à separação

Foto: iStock/Thinkstock/Getty

Foto: iStock/Thinkstock/Getty

Em uma sociedade cada vez mais cercada por tecnologia, na qual estamos reféns de aplicativos e redes sociais, a falta de comunicação é cada vez maior entre as pessoas, especialmente nos relacionamentos amorosos.

Só para ter uma ideia, o número de divórcios tem crescido nos últimos anos. No Estado de São Paulo, os cartórios de notas lavraram 17.569 divórcios em 2013, um aumento de 6,13% em relação a 2012, quando foram realizados 16.554 atos, de acordo com dados do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB-SP).

Mas o que pode levar um casamento à ruína, a ponto de uma separação?

Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais pela UNIFESP, atende muitas famílias com problemas conjugais, que buscam a terapia para melhorar ou salvar o casamento.

A especialista conta que os pacientes apresentam diversas queixas, como “sexualidade insatisfatória; traição; problemas financeiros; divergência na educação dos filhos; incapacidade de conversarem sobre assuntos mais delicados; doença de um deles não tratada, em especial psiquiátrica, impossibilitando uma boa relação entre o casal e os filhos; ciúme patológico; síndrome do ninho vazio (quando os filhos saem de casa e o casal não sabe como lidar com o vazio e a relação deles já está desgastada), entre outras. Porém, todas essas queixas poderiam ser resolvidas se a comunicação existisse e fluísse de forma saudável entre eles”.

Apesar dos problemas terem origens diversas, eles são causados em geral, pela falta de comunicação entre os parceiros, como esclarece Marina a seguir:

A falta de comunicação pode levar a uma crise no relacionamento?

As principais queixas dos casais que chegam ao consultório para atendimento podem ser agrupadas em três vieses da comunicação: falta, falha ou distorção dela. Coisas são ditas e interpretadas de maneira distorcida, de acordo com o filtro interno de quem ouve aquilo, ou do estado de espírito do momento, e não são devidamente checadas em sua veracidade.

Dessa forma, os casais vão construindo relações pautadas em suposições errôneas, acumulando hipóteses falsas a respeito das intenções do outro, que com o tempo acabam por levar a inúmeros conflitos e o consequente desgaste da relação – conflitos estes que aparecem nas mais diversas áreas do relacionamento.

De que maneira a terapia de casais pode ajudar?

Frequentemente vejo casais que, ao expor cada um sua visão de um fato, demonstram um entendimento completamente equivocado sobre o que cada um fala ou pensa, ou mesmo sente.

Ali no contexto terapêutico aprendem a ouvir-se mutuamente sem que o filtro pessoal interponha-se entre eles, percebendo a importância de uma boa comunicação para a saúde da relação.

Fala-se muito em rotina. Até que ponto ela afeta o casamento?

O tempo é um fator que pode ser cruel numa relação. A paixão não resiste a ele, e naturalmente o amor em que se transforma é mais tranquilo, pautado na cumplicidade, parceria, crescimento pessoal e conjunto, formação de uma família, cuidado com os filhos, dedicação ao trabalho…

A rotina toma conta do casal e na grande maioria dos casos o leva ao comodismo, onde ele se esquece de investir na relação a dois antes tão cuidada e valorizada. É preciso resgatar isso para que os casamentos não caiam no marasmo após alguns anos, transformando-se em relações sem vida, sem prazer, onde se abre mão daquilo que gosta em função dos compromissos e tarefas diárias…

Como tentar reverter a situação?

É importante que o casal reserve um tempo para si, sem os filhos, onde possam reviver o papel de amantes, namorar e criar um clima romântico entre eles. A intimidade vai diminuindo em função das obrigações com os filhos, do tempo escasso, do trabalho em excesso, do estresse.

Mas é fundamental que seja alimentada de tempos em tempos. Coisas simples podem acender o brilho do amor entre os dois, como assistir a um filme mais “apimentado” depois que as crianças forem para a cama; estabelecer um dia para deixar os filhos na casa de avós ou com babá e saírem para fazer algo fora da rotina – cinema, teatro, comer fora, sair com amigos, dançar ou mesmo namorar em casa tomando um vinho sem a presença das crianças -, viajar alguns dias por ano apenas o casal, para reavivar a intimidade; fazer alguma surpresa sem data específica (mandar flores, por exemplo, com um cartão carinhoso ou provocante).

Qual é o erro mais comum que os casais cometem?

Muitos casais se desfazem por não conseguirem expor suas insatisfações ao longo do tempo e os problemas vão se acumulando. Ao chegarem para procurar ajuda – quando o fazem -, já é tarde demais: a mágoa acumulada, o rancor e a falta de respeito impedem que se resgate qualquer amor que um dia tenha existido entre eles.

Relacionar-se é difícil. Saber lidar com as diferenças e respeitá-las; aceitar o outro como ele é, sem querer mudá-lo para se adequar ao que você espera de um parceiro; aprender a preservar a própria individualidade dentro de uma relação a dois, procurando o próprio desenvolvimento e prazer, além do investimento no casal, demanda uma energia, disposição e maturidade que nem todos têm.

Assim, muitos acham mais fácil separar-se quando algo não vai bem ao invés de investir num tratamento, tentar olhar para si e perceber sua parte de responsabilidade nos conflitos, ouvir o outro e deparar-se com coisas suas que devem ser mudadas, por mais que você ache que não.

Aí está a “liquidez” das relações: não se investe o suficiente para crescer e dar frutos, e diante de uma crise (o que é normal acontecer em algum momento em qualquer do casamento) já se desiste, procura-se outra pessoa que não lhe exija tanto investimento no próprio desenvolvimento emocional…

Parece que as pessoas se separam por qualquer coisa hoje em dia.

Como hoje em dia o divórcio é aceito pela sociedade, já não expondo a pessoa a tamanho preconceito e discriminação como antigamente, ficou mais fácil deixar um casamento infeliz para traz. Por um lado é bom, pois as pessoas podem dar-se o direito de ser feliz e sair de uma relação que já não lhe faz mais sentido.

Por outro, corre-se o risco de desistir antes de dar tudo de si para salvar o casamento, que em muitos casos poderia ser resgatado caso contasse com a ajuda de uma terapia de casal.

Todo relacionamento é uma troca, e exige algumas renúncias por parte de ambos. Quando se escolhe estar casado, a vida de solteiro é deixada de lado e transformada em uma vida a dois, onde na maioria das vezes farão coisas em comum, mas sem deixar de lado também algumas atividades individuais que garantem a realização do parceiro.

Isso pode parecer simples, mas para alguns casais transforma-se em motivo de grandes discórdias, levando à separação por não conseguirem encontrar uma equação saudável para isso. Novamente, parece mais fácil separar-se e ter a liberdade de volta do que investir no amadurecimento da relação. E aí está um dos segredos de uma relação saudável: sentir-se livre mesmo estando casado. É uma escolha estar ao lado do parceiro, e não uma obrigação.

 

“Sexo é fundamental no casamento?”

Publicado no Minha Saúde Online em 13/02/2014

Bem, logo de cara arrisco a dizer: “não, sexo é muito importante, mas não fundamental”.
Com o tempo de convivência a frequência das relações sexuais naturalmente diminui entre o casal. A rotina cansativa, as demandas de trabalho, filhos, tarefas de casa, horas perdidas no trânsito congestionado (para aqueles que moram em cidade grande), doenças, enfim, há muitas variáveis que levam ao desgaste físico e emocional das pessoas, diminuindo a vontade e disponibilidade para fazer sexo com tanta frequência.

O ideal seria que não deixássemos o “fogo” do início se apagar tão rapidamente, pois o sexo feito entre duas pessoas que se amam tem o poder de criar intimidade, unir os dois, trazer bom humor e mais carinho na relação, melhorar o astral, facilitar o diálogo mesmo sobre temas mais delicados – já que o clima entre o casal costuma ser mais leve e contar com a cumplicidade entre eles -, melhorar a auto estima, relaxar, queimar calorias.

Algumas pessoas acham que se não há sexo, a relação é considerada apenas uma “amizade”. Talvez para alguns isso seja o suficiente, com a idade mais avançada, já sem a energia ou a necessidade de realizar o ato em si. O amor e a história de vida construída entre o casal superam a ênfase que é dada ao sexo em determinada fase da vida, e eles não mais sentem falta desse contato. O andar de mãos dadas, dormir abraçado, tratarem-se mutuamente com carinho, importarem-se um com o outro, curtirem os netos, passearem juntos, desfrutarem a tranquilidade de assistir a um filme em casa, enfim, tudo isso e muito mais passa a ser o que une o casal.

Porém, em especial no início da relação é muito importante que o casal se dê bem sexualmente falando, pois como dito acima, o sexo traz inúmeros benefícios. Se com apenas alguns anos de união a frequência do ato cai em demasia, ou até total, há algo errado, e é preciso investigar o que está acontecendo.

Sabemos que a vida de casados não é como a de namorados, onde tudo é “lindo”, a saudade é sempre grande, o tesão é manifestado a toda hora, as carícias são frequentes, assim como os elogios e trocas de amabilidades. Quando se casa, infelizmente o casal vai se distanciando aos poucos, muitas vezes sem se dar conta disso, e deixa as preocupações e tarefas do dia a dia minarem essa energia toda tão gostosa que caracteriza as relações em seu início. Uma pena!

Porém, o importante é não esquecermos a vida sexual. Grande parte das pessoas passa a viver apenas os papéis de pai e mãe em detrimento dos de marido e mulher. Os amantes são esquecidos, transformando-se apenas em pais, deixando de regar a relação a dois como se deveria. Quem já não ouviu um casal chamando-se mutuamente de “pai” e “mãe” por aí?

Não há uma regra que estabeleça o número “normal” de relações sexuais que um casal deve ter durante a semana, ou no mês… Cada um tem uma necessidade específica, que será saciada levando-se em conta inúmeros fatores internos e externos. O problema está quando um ou ambos estão insatisfeitos com a frequência e não conseguem falar a respeito, deixando a frustração se acumular, criando um enorme abismo afetivo entre eles. E é aí que pode se abrir a porta para a entrada de um “terceiro” na relação.

Enfim, sexo é importante e deve ser cuidado e valorizado numa relação, mas há situações onde ele praticamente não existe, e mesmo assim o casal se ama e convive bem. Afinal, quem somos nós para julgar as escolhas e desejos das pessoas?

Será que você está exagerando nas broncas?

Publicado no Alagoas 24 Horas em 13/03/2014

Foto: Reprodução

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É muito difícil encontrar alguém que nunca tenha levado ou dado uma bronca ao longo da vida. Aquela advertência no momento em que algo inadequado ou errado é feito é uma ferramenta de educação dos pais desde que o mundo é mundo. Mas, com todas as mudanças sociais e todos os avanços nos relacionamentos familiares das últimas décadas, vale refletir sobre o assunto. Será que a bronca educa? Há um limite para a bronca?

A psicóloga Maria Alice Fontes, doutora em saúde mental pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretora da Clínica Plenamente, é contra a prática: “A bronca não educa. Ela pode conseguir uma resposta imediata da criança para um acontecimento, mas não é interiorizada, não entra no processo de educação, que é contínuo, de longo prazo”.

Ela reconhece que todos os pais acabam dando uma bronca mais forte nos filhos de vez em quando, o que não considera uma boa solução. “O ideal é sempre parar para conversar, ensinar um caminho de causas e consequências para a criança. Até os seis anos, ela é muito autocentrada e recebe uma bronca com muita intensidade. Dessa idade em diante, já dá para conversar mais. Da pré-adolescência para a frente, as broncas não resolvem de jeito nenhum e só servem para despertar o desejo por confronto”, diz.

Já a psicóloga e terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos, especializada em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, vê a situação de uma maneira um pouco diferente. “Se os pais mantiverem um tom de voz equilibrado, sem xingamentos ou ofensas, e focarem na atitude errada, e não na criança, a bronca educa, sim. É dizer ‘O que você fez é muito feio’, e não ‘Você é muito feio’. É importante lembrar disso”, defende.

Assim como Maria Alice, Marina vê no diálogo a melhor forma de lidar com os erros dos pequenos, mas considera que a realidade não permite essa pausa todas as vezes. “Algumas atitudes das crianças pegam os adultos de surpresa, nem sempre dá tempo de os pais conversarem com elas sobre o que acabou de acontecer”, afirma.

Os limites da bronca

Concordando ou não com seu lado educativo, conclui-se, portanto, que as broncas são inevitáveis. Por isso, é essencial que os pais estejam atentos aos limites que devem respeitar ao repreender os filhos. “Os adultos precisam ter autoridade sem ser agressivos, tanto verbal quanto fisicamente. Se as crianças são respeitadas, retribuem com respeito”, explica Marina.

Nesse ponto, Maria Alice concorda: “O caminho é ser muito firme e coerente, falar com consistência, respeito e carinho. É possível ser firme e carinhoso. Quando os pais faltam com o respeito ou diminuem os filhos, a bronca vira um instrumento de punição, não de educação”.

E como perceber se os limites estão sendo excedidos na hora das broncas? “É difícil desenhar um limite, cabe aos pais terem bom senso”, opina Marina. “Mas, mesmo que eles não tenham, chega uma hora em que o próprio filho percebe e reclama. Ou mesmo alguém de fora, normalmente um parente ou um amigo, dá um toque. Quando isso acontece, é hora de parar, pensar e rever o que tem que ser mudado – o tom, o palavreado”, complementa.

Broncas exageradas têm péssimas consequências

Não é só no presente que os adultos devem pensar quando censuram uma atitude da criança; há que se considerar que, como tudo, o que for falado e o tom empregado terão consequências. “Uma bronca mal dada pode levar o filho a ficar com raiva e se distanciar dos pais”, adverte Marina. “Ele também pode decidir transferir a agressividade que recebe em casa para as pessoas de convívio externo. Vai xingar os amiguinhos, gritar com eles. A criança replica no mundo o que vivencia no núcleo familiar”.

Maria Alice acrescenta que “exageros nas broncas podem resultar medo, baixa autoestima, ansiedade e até sintomas psicossomáticos – a criança fica doente sem explicação, surgem resfriados, dores de barriga e alergias, por exemplo”.

Momentos em que a bronca deve ser evitada

 

Tudo que foi explanado até aqui pelas psicólogas é levando em consideração situações normais, de convívio entre pais e filhos no dia a dia. Mas há alguns momentos excepcionais, em que medidas diferentes do que já foi dito devem ser tomadas.

Se a criança estiver descontrolada, gritando e sendo malcriada, o melhor é esquecer diálogo e broncas. “Nada adiantará. Ela tem que ser parada. É a hora de mandá-la para o quarto para se acalmar. Mais uma vez, os pais devem prestar atenção à forma como falam. O ideal é algo na linha ‘Não saia do seu quarto enquanto não conseguir conversar’, e não ‘Vá para o seu quarto de castigo”, orienta Maria Alice.

Caso a malcriação aconteça em um espaço público (como um shopping) ou em uma festa, Marina recomenda que os pais repreendam o filho rapidamente, para mostrar que o comportamento não é aceito, e guardem a bronca e a conversa para depois. “Dar uma bronca em uma ocasião dessas é constrangedor para os outros e humilhante para a criança. Não é necessário expô-la assim e gerar um clima ruim para todos. Retomar o assunto depois é a melhor saída”, finaliza.

Enteados: como viver em harmonia

Publicado no Portal Vital

Foto: Reprodução

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O perfil das famílias brasileiras mudou. De acordo com dados do IBGE, cerca de 20% dos casamentos no Brasil são de pessoas que já tiveram um matrimônio anterior. Na maior parte das vezes, isso implica unir, num mesmo contexto, enteados, madrastas e padrastos – o que não é nada fácil. Afinal, trazer um novo parceiro para a rotina dos seus pequenos ou aprender a conviver com os filhos do atual companheiro, por exemplo, requer muita dedicação, paciência e compreensão.
Roberta Palermo, terapeuta familiar e autora dos livros Madrasta, quando o homem da sua vida já tem filhos e 100% Madrasta – quebrando as barreiras do preconceito, diz que essa é uma situação de adaptação para todos os envolvidos. Assim, é fundamental que o adulto passe segurança para a criança.
“O ideal é que tudo seja conversado, mas os pais devem deixar claro que estão no comando. Existe uma hierarquia: o casal decidiu começar uma vida amorosa, e os pequenos precisam receber o novo membro familiar com respeito”, afirma.
Por sua vez, Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar, explica que, para a relação começar bem, a madrasta ou o padrasto deve se aproximar do enteado com cautela, sempre demonstrando que não há qualquer tipo de competição e que o amor do pai ou da mãe em relação a ele não vai mudar. “É preciso também estabelecer o papel de cada um, afirmando que o(a) parceiro(a) não está ali para substituir ninguém”, completa.
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Como impor limites

Conquistar a simpatia dos enteados é importante, mas um dos pontos mais complicados é a participação efetiva na educação, principalmente porque isso envolve autoridade e imposição de limites. Roberta esclarece que essa responsabilidade é sempre dos pais. São eles que precisam mostrar quais são as “regras do jogo” e estabelecer se seus companheiros têm ou não liberdade para fazer cobranças.
“O que não funciona é o padrasto ou a madrasta chegar com uma norma que nunca foi exigida antes. Nesses casos, é preciso entender primeiro a situação antes de conversar com a criança, porque a sua rotina pode ser diferente”, destaca Roberta.
Nas situações em que um dos pais é ausente e a convivência com a madrasta ou padrasto é mais próxima, Marina afirma que a interferência na educação pode ser efetiva, já que o cônjuge terá um papel maior na vida familiar. “Sempre lembrando que se deve conversar com o parceiro sobre qualquer decisão a ser tomada, pois a autoridade ainda está com a mãe ou o pai”, diz.
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 Dicas dos especialistas
Se você se identificou com alguns dos exemplos citados, veja as dicas de Roberta e Marina para superar o desafio de uma convivência agradável e harmoniosa entre padrastos, madrastas e enteados:
  • Não se imponha ou coloque seu novo parceiro como “substituto”, tanto no caso de pais vivos quanto de falecidos.
  • Seja amiga, atenciosa e mostre-se disponível para o diálogo. Incentive esse mesmo comportamento do seu novo companheiro com os seus filhos, se for o caso.
  • Competir com a criança para disputar a atenção do parceiro é um grande erro. Lembre: você escolheu alguém que já tem filhos para recomeçar a vida.
  • Em casa, tenha um lugar para receber os enteados. Sempre que possível, convide-os para passar fins de semana juntos. Acolhê-los com carinho e atenção contribui muito para conquistá-los e garantir a boa convivência.
  • Procure não fazer distinção entre filhos e enteados na hora de tomar decisões que afetem a família toda. Agora, todos fazem parte de um mesmo lar.
  • Não fale mal dos pais para os enteados. Mantenha sempre uma postura de respeito em relação a eles.
  • Valorize o novo companheiro. Elogiar e mostrar o quanto todos estão felizes com a sua companhia colabora para que as crianças se sintam seguras.
  • É fundamental explicar bem o fato de que “papai e mamãe” não estão juntos por motivos específicos, e não por culpa da madrasta ou do padrasto.
  • Mesmo que os pais não tenham muito contato com os filhos, devem exigir obediência e disciplina. Dessa maneira, diminui-se a possibilidade de conflitos entre as crianças e o novo parceiro.

Meu parceiro é um tremendo grude na relação! O que eu faço?

Publicado no MSN em fev/2014

Um “parceiro-chiclete” que não dá espaço para o outro pode tornar a relação chata, enfadonha e sem futuro.

Foto: Thinkstock

Foto: Thinkstock

Ele vive grudado nela. Já ela não gosta de sair sem ele ao lado. Um não faz nada se o outro não estiver junto. Quem olha de longe acha que aquele casal é perfeito. Mas, explicam especialistas consultados, ficar grudado no outro não significa que a relação terá futuro. Muito pelo contrário: um “namoro-chiclete”, onde um não dá espaço para o outro, pode tornar a relação chata, enfadonha e sem futuro.

E o problema do “grude” é essa falta de espaço no relacionamento para o outro se desenvolver como indivíduo como explica o psicoterapeuta especializado em relacionamentos e em mudanças de hábitos, Sergio Savian. “O processo de individuação é fundamental para quem deseja crescer. Enquanto você vive grudado em outra pessoa, sempre estará em uma posição infantil de dependência emocional”, avalia Sergio.

Essa grau de grude na relação, analisa Thiago de Almeida, psicólogo especialista em dificuldades do relacionamento amoroso, depende muito dos parceiros envolvidos. “Há pessoas que gostam desse tipo de namoro, gostam do grude, sentem-se bem com isso. Mas, quando um parceiro gosta e outro não, o namoro pode não dar certo”, explica Thiago, considerado o maior especialista em relacionamento segundo American Biographical Institute (ABI).

Numa relação, assegura a psicóloga e também terapeuta familiar e de casal pela UNIFESP, Marina Vasconcellos, nada que é exagerado é bom e essa individualidade deve ser preservada para que cada um se desenvolva, sinta-se bem consigo próprio e se realize como pessoa.

“É necessário que, numa relação, cada um tenha seu espaço garantido com suas atividades individuais intercaladas com as atividades em comum. Só assim é possível estar inteiro para ser feliz ao lado de uma pessoa que respeite seu espaço e necessidades individuais. Com o tempo, essa presença imposta ao parceiro constantemente faz com que a relação se sature”, diz Marina.

E o “parceiro-chiclete” não é exclusividade feminina. Se você pensava que as mulheres eram mais grudentas do que os homens, se enganou. “Acredito que não devemos dizer que as mulheres sejam mais grudentas. Isso independe de gênero. A pessoa é assim grudenta. As mulheres têm uma personalidade mais amável, maternal e talvez isso faça com que pareça mais grudenta, mas muitos homens agem dessa forma”, opina o psicólogo Thiago de Almeida.

A terapeuta Marina Vasconcellos segue a mesma linha de raciocínio. “Em geral, as mulheres, são mais afetivas e têm mais facilidade em demonstrar e falar sobre seus sentimentos. Daí a tendência de parecerem mais grudentas do que os homens”, diz. Então, qual a fórmula para colocar de uma vez um limite no parceiro grudento?

“Se você tem um parceiro deste tipo, e deseja continuar com ele, precisa colocar limites e encaminhá-lo para uma boa terapia”, opina Sergio Savian. “Dialogar sempre. Colocar os problemas para o parceiro, questionar a razão desse grude, mostrar para o parceiro que esse tipo de relação pode ser prejudicial o relacionamento”, aconselha Thiago.

Delírios de traição são sintomas de ciúme patológico

Publicado no Jornal Zero Hora em 22/02/2014

Também conhecido como Síndrome de Otelo, ciúme patológico pode estar relacionado a doenças neurológicas

Personagem Laerte quase mata Virgilio por apenas supor uma traição do rapaz com a noiva Helena (Foto: João Miguel Jr. / TV Globo/Divulgação)

Personagem Laerte quase mata Virgilio por apenas supor uma traição do rapaz com a noiva Helena
(Foto: João Miguel Jr. / TV Globo/Divulgação)

Itália do século 15. Na literatura, um general que serve o reino de Veneza, chamado Otelo, casa-se com Desdêmona, bela filha de um importante senador. Um de seus subordinados, Iago, inveja o poder do comandante. Para destruir sua felicidade, começa a insinuar uma possível traição da esposa com o jovem tenente Cássio. Ao imaginar Desdêmona com o amante, Otelo enlouquece de ciúme. Sem controle, mata a inocente mulher. Brasil do século 21. Na televisão, o músico Laerte se apaixona pela prima Helena. O amor une o casal desde a infância, mas o ciúme o separa antes do casamento. Transtornado pela ideia de uma possível traição de Helena com Virgilio, Laerte tenta assassinar o rapaz.

Seja pelo lendário Otelo de Shakespeare ou pela novela Em Família, exibida às 21h na RBS TV, o ciúme já rendeu assunto para a ficção. E muita tragédia na vida real. Ainda que seja considerado por muitos como o tempero do amor, especialistas alertam: quando em excesso, pode ser considerado uma doença. Em muitos casos associado a outros transtornos neurológicos, o ciúme patológico é normalmente baseado em delírios de traição e desejo obsessivo de controle sobre o parceiro.

Conforme o psiquiatra Paulo Belmonte de Abreu, chefe do departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFRGS, o ciúme pode ser entendido como o medo de perder uma pessoa amada para um terceiro. Ainda que complexo, o sentimento afeta pessoas de todas as idades. Estudos indicam que até bebês sentem ciúme em determinadas situações, como no período de nascimento de um irmão. O receio de perder a atenção da mãe pode gerar essa tensão, mesmo que a criança não consiga elaborar bem o sentimento que a aflige.

Apesar de ser desagradável, o ciúme cumpre um papel importante no amadurecimento emocional, pois faz parte do processo de formação e manutenção dos vínculos afetivos, explica o especialista:

— Ele provoca uma tensão, um mal-estar frente à ideia de perder uma pessoa importante para outro. É uma etapa que todos passam quando estabelecem uma relação mais íntima com alguém, seja naquelas de trabalho, familiares ou amorosas.

Carga genética pode determinar a intensidade do sentimento

A intensidade do ciúme e se vai gerar consequências no afeto ou ser apenas uma tensão passageira depende de cada indivíduo.

— Temos uma carga genética que determina se somos mais ou menos ciumentos e aprendemos a lidar com isso ainda quando crianças, quando percebemos que não existe somente aquela dupla eu-mamãe, mas também existem outras duplas: mamãe-papai, mamãe-irmãozinho. Isso gera um forte sentimento de exclusão com o qual temos de lidar, também em outras relações, durante toda a vida — comenta o psiquiatra e psicanalista Marco Antonio Pacheco, chefe da Unidade de Psiquiatria do Hospital São Lucas da PUCRS.

Embora existam pessoas com mais ou menos tendência para serem ciumentas, a verdade é que ninguém está imune. E se há algum aspecto da vida em que esse sentimento é mais recorrente, com certeza é na esfera amorosa.

O rival imaginário

Na relação a dois, o espaço reservado para o ciúme pode abrigar desde o nível saudável até o descontrole doentio. Para a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em terapia familiar e de casal, o sentimento é considerado normal quando transitório e baseado em fatos reais. Laerte nunca teve provas da traição de Helena com Virgilio, que se torna o rival imaginário que prevalece no ciúme patológico, assim como o desejo obsessivo de controle total sobre os sentimentos e comportamentos do outro — Laerte chega a proibir Virgilio de chamar a amada de “Leninha”.

Esse tipo de ciúme caracteriza-se por ser exagerado, sem motivo aparente que o provoque, deixando o ciumento absolutamente inseguro.

— Dúvidas se transformam em ideias supervalorizadas, levando a pessoa a checar celulares e ligações recebidas constantemente, a querer saber quem enviou mensagens, que e-mails recebeu e por qual motivo, com quem falou e sobre o que, onde está e a que horas voltará. Por mais que tente aliviar seus sentimentos, nunca estará satisfeito, permanecendo o mal-estar da dúvida. Enfim, a vida a dois transforma-se num verdadeiro martírio — descreve a especialista.

Casos como esse são conhecidos como Síndrome de Otelo — remetendo à obra de Shakespeare — e podem estar associados à esquizofrenia, demências ou doença de Parkinson. Se não tratados corretamente, podem resultar em desfechos trágicos.

 

Antes da catástrofe

Para descobrir a fronteira entre o ciúme dito normal e o patológico, é preciso prestar atenção no comportamento do parceiro, e colocar limites desde o início da relação. Conforme a psicóloga Marina Vasconcellos, muitas vítimas de ciumentos ou ciumentas acabam cedendo às pressões para evitar brigas momentâneas, o que pode, a longo prazo, alimentar ainda mais este comportamento doentio:

— O resultado é catastrófico, pois quando menos imaginar perceberá o quanto está agindo em função do outro e se deixando de lado, submetendo-se, anulando-se por completo.

A recomendação é sempre conversar com o companheiro ou a companheira, mostrar o quanto as cobranças podem afetar a relação e destacar a importância de cada um ter seu espaço, seus amigos e sua liberdade. Caso o ciúme permaneça e continue perturbando o relacionamento, pode estar na hora de buscar ajuda profissional.

Já para os ciumentos, especialistas recomendam sempre parar para refletir quando o sentimento aparecer. Tentar entender a origem do ciúme pode ajudar a controlá-lo. Neste momento, o ciumento deve se perguntar se a tensão foi desencadeada por insegurança, por um fato real, ou até por alguma experiência de traição anterior.

— Quando o individuo ciumento reconhece que o problema tem origem interna, a ajuda profissional pode ser extremante útil. Quando o sujeito acredita que a origem é só externa, isto é, que ele tem razão para ter ciúme, geralmente não aceita ajuda profissional e a relação tende a degastar e até terminar — resume o psiquiatra e psicanalista Marco Antonio Pacheco.

O ciúme é demais quando…

— Começa a trazer problemas para a rotina de quem o sente (como dificuldades de concentração no trabalho, no estudo e nas relações sociais)

— A pessoa se sente mobilizada e limitada apenas para e pelo ciúme (quando deixa, por exemplo, de ir a lugares ou fazer coisas apenas em função desse sentimento)

— Passa a ter ideias que não correspondem à realidade (como fantasias de traição com o parceiro)

— Torna a pessoa capaz de agredir o parceiro (verbal e fisicamente)

— Deixa o relacionamento insuportável pela tentativa de controle do parceiro em tudo o que ele faz: a pessoa checa as mensagens do celular, quer saber quem enviou e-mails, não permite que o outro frequente qualquer evento social sem sua presença, afasta o parceiro de seus amigos por desconfiar de toda e qualquer relação de amizade que ele possa ter

Como lidar quando o ciumento é o parceiro…

— Deixe claro que está percebendo o ciúme

— Informe, de maneira clara, porém gentil, que isso está prejudicando a relação de vocês

— Lembre-o de situações ou afirmações nas quais ele demonstrou ciúmes e mostre porque ele estava equivocado ao sentir isso

— Peça que ele fale com outras pessoas sobre suas atitudes

— Se achar necessário, sugira que ele procure ajuda psicológica

— Diga o que está sentindo em conversas periódicas sobre a relação

— Preste atenção no que seus familiares e amigos dizem sobre suas atitudes em relação a seu parceiro

— Converse com seu parceiro e veja como ele está se sentindo diante de suas crises de ciúme

— Tente controlar seus impulsos e pense em por que está sentindo isso

— Pense sobre suas relações anteriores e procure identificar se era ciumento antes da relação atual

— Considere a possibilidade de buscar ajuda profissional para aprender a lidar com seus sentimentos

 

Além da ficção*

“Tenho 72 anos e sou casada há 50. Quando jovem, fui morar no interior do Rio Grande do Sul, onde conheci meu marido. Namoramos por dois anos. Ele era atencioso, me dava presentes e era apaixonado. Logo depois que casamos, comecei a notar comportamentos estranhos. Ele era muito ciumento, não me deixava ter amigos, nem mesmo conversar com o marido de colegas de trabalho. Tentei cursar faculdade, mas ele entrava na sala e gritava comigo, me carregava de volta para casa.

Tive de largar o trabalho também, pois não podia ter contato com ninguém. Chegou a acreditar que eu tinha um caso com a nossa empregada. Ele ficava violento, já chegou a quebrar minhas costelas, me arrastar pelo cabelo. Como eu tinha vergonha de contar para a minha família, escondia de todo mundo. Fiquei muito sozinha e deprimida, não saia mais de casa. Lá pelos 40 anos, comecei a procurar ajuda para entender o que acontecia. Tivemos três filhos que, até hoje, têm sequelas psicológicas pelo comportamento do pai.

Meu marido já foi retirado de casa pela Brigada Militar, internado algumas vezes e ainda toma muitos medicamentos para controlar a doença. Hoje eu entendo que fui vítima de um ciumento patológico.”

“Eu me achava normal até os 17 anos, quando comecei a namorar um rapaz de 20. Ele estudava à noite e eu comecei a imaginar as gurias dando em cima dele e ele correspondendo. Sofria calada, mas, aos poucos, fui extravasando meu ciúme, perguntava sobre as colegas, o que conversavam, telefonava sem parar e, se ele não atendia, eu ligava para os amigos dele. Brigávamos muito, ele cansou e rompeu o namoro. Só voltei a namorar aos 20 anos e tudo se repetiu. Entrava no computador dele e não achava nada de concreto, mas tudo me irritava, até um alô simpático de uma amiga. Ele também rompeu comigo. Procurei ajuda profissional. Quando era criança, minha mãe seguia meu pai de carro e levava eu e minha irmã. Ela jurava que ele tinha uma amante, assisti muitos escândalos e, somente com a terapia, comecei a questionar se ela também não tinha ciúme patológico. Hoje tenho 26 anos e ainda sofro. Estou num relacionamento sério há dois anos, converso muito com meu terapeuta sobre meu ciúme. Aprendi a primeiro desconfiar da minha desconfiança.”

*Os nomes foram omitidos para preservar a privacidade das entrevistadas

Amor entre mulheres: afeto diferencia desejo de orientação sexual

Publicado no Terra em 19/02/2014

Em foco na ficção, comportamento sai das telas e passa a ser mais discutido na sociedade

Ellen Page, de Juno, fez um discurso emocionado se declarando gay. (Foto: Getty Images)

Ellen Page, de Juno, fez um discurso emocionado se declarando gay. (Foto: Getty Images)

O tema “lesbianismo”, como é definida a relação entre mulheres, está em pauta. Seja por meio da bissexualidade, homossexualidade ou por simples curiosidade, o assunto vem ganhando destaque entre as celebridades, nas novelas, filmes e na vida real, como mostrou a atriz canadense Ellen Page, 26, que emocionou o mundo com um discurso no último sábado (15), quando declarou que é gay.

A estrela do filme Juno disse que sofreu por anos, com medo de se revelar. “Eu estou aqui porque sou gay. Para ajudar os outros a terem uma vida mais fácil, mais esperançosa”, disse. No Brasil, a cantora Daniela Mercury segue engajada na luta contra o preconceito, desde que assumiu sua relação com a jornalista Malu Veçosa.

No campo da ficção, a novela global Em Família começa a tatear o assunto. Clara, personagem de Giovanna Antonelli, descobre um interesse diferente pela fotógrafa Marina (Tainá Müller), algo inédito para uma mulher que vive um casamento de longos anos com Cadu (Reynaldo Gianecchini).

Já no BBB, as participantes Clara (que é casada com um homem) e Vanessa  também protagonizam cenas calientes de beijos nas festas da casa; mas também de cumplicidade no dia a dia quando dividem diálogos e situações cotidianas.

Independente dos rótulos, são muitas as dúvidas que rondam o campo da sexualidade humana.

 Segundo as especialistas ouvidas pelo Terra, o interesse por mulheres, quando não passa de uma simples curiosidade, não indica a orientação sexual da pessoa. Já quando evolui para o campo afetivo, talvez possa desencadear uma série de descobertas que, mesmo tardias, podem trazer um grande alívio para quem se identifica com este tipo de situação.

 A psicóloga e terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos enxerga como positiva a ampliação da discussão em torno do tema nos últimos anos. É natural que, quando algo sai do campo da obscuridade, mais pessoas se sintam à vontade para se abrir. “Hoje existe uma permissão maior para se mostrar, ninguém precisa morrer frustrado”, completa.

 Juliana Bonetti, psicóloga especializada em sexualidade, concorda que atualmente existe uma mobilização social maior em cima do interesse de mulheres por pessoas do mesmo sexo. “A novela retrata, os filmes também. A coisa toda está sendo mais dita. Existe esta demanda social, o que é muito bom, porque dá lugar a este tema”, pontua.

Experimentação ou orientação?
Diferente dos meninos, as meninas já se entendem desde cedo pelo contato físico: é comum amigas tomarem banhos juntos, se abraçarem, se beijarem e até dividirem a mesma cama.

Os sentimentos podem acabar se confundindo, mas Marina alerta que não há dúvidas quando o sentimento pende para o lado afetivo, e não como para uma simples admiração. “Você pode achar uma amiga linda, mas o que diferencia é o desejo”, afirma. Ela explica que o interesse e a atração vêm acompanhados da vontade de tocar e ter maior intimidade com a pessoa.

Na adolescência, esta vontade é mais comum, mas isso não necessariamente pode ditar a orientação sexual de uma pessoa, de acordo com as especialistas. Juliana acrescenta que a curiosidade e as fantasias são coisas normais, que não denotam mudança na orientação sexual. “Se for apenas uma experiência, ou se você apenas deu vazão a uma fantasia, isso não vai fazer de você homossexual”, afirma Juliana.

Descoberta tardia
Apesar da explosão dos hormônios – que caracteriza a adolescência – propiciar este tipo de curiosidade, também é comum o interesse crescer mais tarde, como mostra a novela das nove.

Ao contrário do que se possa imaginar, Juliana descarta que o novo comportamento tenha a ver com um possível descontentamento com o parceiro. “Não é uma responsabilidade do marido, não dá pra dizer que ele não investiu na relação. São questões individuais, é ela que tem que se responsabilizar por isso, e não tentando buscar uma explicação fora.”

Marina observa que o folhetim retrata o caso de pessoas que vivem por anos uma vida aparentemente feliz, mas internamente sentem que não estão completas e lidam com esta angústia de forma discreta e silenciosa. “Ninguém se transforma em homo ou heterossexual. Muito provavelmente esta mulher [personagem da novela] já era homossexual. Em algum momento da vida, isso pode ter sido despertado”, acredita.

Um comportamento comum às pessoas que ainda não se entenderam com suas preferências sexuais é uma angústia inexplicável, ou a ausência da felicidade plena ainda que esteja em um relacionamento teoricamente perfeito.

A especialista afirma que geralmente são pessoas que mantêm uma vida de aparências, devido ao medo do preconceito e de chamar atenção da sociedade. “Por mais que tenha se falado muito deste assunto, todo mundo acha legal quando não é na própria família”, pontua, acrescentando que, geralmente, quando a questão vem para dentro de casa a abordagem é diferente.

A novela global das nove toca no tema, por enquanto, somente com insinuações. (Foto: TV Globo / Divulgação)

A novela global das nove toca no tema, por enquanto, somente com insinuações. (Foto: TV Globo / Divulgação)

Dilemas da vida real
Quando o que era uma simples fantasia evolui para o campo sentimental, o ideal é saber administrar estes sentimentos para evitar o sofrimento. O preconceito é o primeiro obstáculo e, junto com ele, também vem o medo do desconhecido.

Quando uma mulher sente desejo por outra e guarda este segredo para ela acaba enfrentando um grande dilema: ter que fingir ser uma pessoa que ela não é. Por isso, o ideal é procurar um equilíbrio, e isso não quer dizer que necessariamente ela precisa abrir sua vida pessoal para todo mundo. “Ela não tem obrigação de falar para ninguém, mas precisa se assumir para ela mesma”, recomenda Juliana.

Deixar a emoção de lado é necessário para que as relações não sofram prejuízos. “Ela tem o direito de falar e de se assumir. Mas que isso seja feito da maneira menos sofrida, com cautela, entendendo o momento certo de falar, e não agindo de maneira puramente emocional”, completa.

Juliana afirma que a partir do momento em que a mulher “bancar” sua própria decisão, as coisas irão se encaixar em algum momento. “O preconceito e o conservadorismo podem surgir, mas ela também pode se surpreender com círculos de amigos e familiares acolhedores”, pontua.

Quando a decisão envolve mais do que um indivíduo, no caso, das mulheres casadas e com filhos, todo cuidado é pouco para não magoar pessoas queridas e acabar prejudicando as relações. “Pode ser bastante difícil em alguns casos, mas eles vão acabar aceitando ao verem que a mãe está feliz”.

A postura impositiva é o pior caminho, segundo a especialista. “É preciso ter respeito por suas relações, por isso, não há necessidade de ficar se beijando na frente das pessoas. Tudo tem que acontecer de forma natural, respeitando os limites de cada um”, indica, reforçando que nos casos mais complicados o ideal seria uma terapia familiar.

Procurar o autoconhecimento, por meio de um tratamento psicológico, é uma boa alternativa na opinião de Marina. “Muita coisa vai mudar, emocionalmente”, afirma. Uma boa dica também é se cercar de pessoas desprovidas de preconceito. A partir do momento que ela realmente se aceitar, tudo passa a ficar mais fácil. “É uma realização pessoal, uma libertação interna. Vai acabar a angústia e, com isso, ela poderá se sentir plenamente feliz”.

Sem nomenclaturas
O discurso de Ellen também chamou a atenção com relação à busca da sociedade pela reafirmação dos gêneros. “Existem estereótipos perversos sobre masculinidade e feminilidade que definem como nós devemos todos agir, vestir e falar. Eles não servem a ninguém”, declarou.

A psicóloga Juliana reforça que não cabem rótulos quando o assunto é a vida sexual. “Acredito que a sexualidade do ser humano é sempre muito complexa e misteriosa. Vamos nos redescobrindo com o tempo, e de repente pode haver algo na psique que se afloradepois de muito tempo. O que importa é o individuo saber do que ele gosta, e não saber se é bissexual ou homossexual. O que importa é o afeto e afeição”, finaliza.

Dar um tempo é bom para o relacionamento? Veja dicas e regras

Publicado no UOL em 04/12/2013

Você acredita em "tempo" no relacionamento? (Foto: Reprodução)

Você acredita em “tempo” no relacionamento? (Foto: Reprodução)

Tentar resolver os conflitos juntos, com muito diálogo, é a atitude ideal para desatar certos nós que volta e meia tomam conta dos relacionamentos, principalmente dos mais longos. No entanto, como nem sempre as conversas são capazes de gerar as soluções esperadas, às vezes o melhor a fazer é os dois se afastarem por um período para pensar com calma na situação.

“A distância ajuda a ter clareza sobre o que cada um sente em relação ao parceiro. Sozinhas, as pessoas podem avaliar melhor quais são seus sentimentos, expectativas e valores”, afirma a psicóloga Gisela Castanho.

Para a terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos, dar um tempo no namoro pode ser benéfico se um dos dois –ou ambos– vem atravessando um momento de dúvida ou percebendo que falta algo na relação.

“O medo de estar gostando muito e de se envolver demais é um fator que pode provocar a vontade de se afastar para testar o próprio amor. Outro exemplo comum é um dos dois sentir falta da vida social mais agitada que tinha antes de engatar o namoro”, diz Marina. Na lista, podemos incluir a dificuldade de lidar com as diferenças de temperamento, gostos e expectativas sobre o futuro da relação.

O especialista em vendas Fabiano Carvalho Dias, 28 anos, de Atibaia (SP), conta que uma mistura de medo, imaturidade e incerteza o motivou a pedir um tempo à namorada após quatro anos juntos.

“Queria sempre vê-la e fazê-la feliz e não estava conseguindo, pois vivíamos momentos diferentes. Ela falava muito em casamento e eu não correspondia aos seus planos, então, achei melhor nos afastarmos”, diz.

Fabiano Carvalho Dias, 28, pediu um tempo para Débora Amabile, 27, mas voltou atrás e viajou para Vancouver para pedi-la em casamento (Foto: Reprodução)

Fabiano Carvalho Dias, 28, pediu um tempo para Débora Amabile, 27, mas voltou atrás e viajou para Vancouver para pedi-la em casamento (Foto: Reprodução)

Apaixonada por Fabiano desde a adolescência, a gestora em recursos humanos Débora Amabile, 27, sofreu com o tempo. “Eu tinha a certeza de que ele era o homem certo para mim. Sofri horrores e decidi largar emprego e MBA e ficar seis meses no Canadá”, conta.

A distância e a saudade fizeram com que Fabiano repensasse a própria atitude. Depois de muita conversa via Skype, ele viajou até Vancouver para encontrá-la e pedi-la em casamento. A cerimônia está marcada para 2014.

Para a soldado do Corpo de Bombeiros Narauê Carvalho, 20 anos, de Suzano (SP), dar um tempo ajuda a definir melhor os parâmetros da relação. “Ele nunca tinha namorado sério, então não via problemas em sair sozinho para festas, muitas vezes sem me avisar”, conta ele, referindo-se ao modelo Kainan Ferraz, de 19.

“Apesar de nova, eu já fui casada e tenho uma filhinha de dois anos. Então, sei muito bem o que quero. Estava gostando muito dele, mas decidi dar um ultimato depois que vi fotos dele no Facebook numa balada, sem mim”, completa. Os dois ficaram afastados cerca de um mês e meio, tempo suficiente para Kainan ficar “muito mal”. “Não entendi direito porque ela queria se afastar, mas depois pensei bem em tudo e decidi procurá-la. Reatar foi a melhor coisa que fiz”, fala o rapaz.

Definição de regras

Na opinião da terapeuta Marina Vasconcellos, é fundamental que o casal –ou aquele que tome a iniciativa de pedir um tempo– saiba bem o que deseja ao dar essa pausa no namoro. “Ambos devem estar cientes que, se optarem por retomar a relação, as coisas devem mudar. O relacionamento não deve ser o mesmo de antes, porque os dois precisam acertar o que estava incomodando. Caso contrário, o ideal é romper de vez”.

Ela afirma que “dar um tempo” não deve se transformar em uma muleta emocional. “É importante que os dois encarem os problemas juntos e que descubram, com muita conversa, o que podem fazer para resolvê-los. Se a cada conflito que surgir optarem por se afastar, nunca vão evoluir e deixar o ponto de partida. E se um dia decidirem transformar a relação em algo mais sério, como vai ser?”, pergunta Marina.

Cada casal tem sua própria dinâmica, mas, de acordo com a psicóloga Gisela Castanho, se os dois decidirem dar um tempo, é importante que definam exatamente o que significa esse período e quais serão as regras para lidar com ele. Exemplos: manterão a fidelidade? Ambos podem se sentir livres para conhecer outras pessoas? Irão à festa para a qual ambos estão convidados? Conversarão por telefone nesse período? Trocarão e-mails? Mudarão o status nas redes sociais?

“Até mesmo resolver se esse tempo tem o mesmo efeito de um término, embora provisório, pode fazer a diferença. O que vemos acontecer é que o tempo mal combinado costuma gerar mágoas, pois o que um considera permitido o outro nem sempre encara do mesmo jeito”, explica Gisela, que não ignora, porém, que nem sempre as normas definidas funcionam. “Se o combinado será cumprido é outra história”, diz.

O relacionamento subiu no telhado

Pedir um tempo pode ser uma forma de preparar o outro e a si mesmo para um rompimento definitivo. Às vezes, a pessoa sabe que quer terminar, mas pede um tempo, achando que não vai magoar tanto. Ou, sem coragem para assumir que deseja colocar um ponto final no relacionamento, espera que com o pedido de tempo o parceiro se sinta liberado do compromisso de fidelidade e encontre alguém.

Isaque Sicsú, 28, pediu um tempo antes de partir para um mestrado nos Estados Unidos, mas o relacionamento não resistiu (Foto: Reprodução)

Isaque Sicsú, 28, pediu um tempo antes de partir para um mestrado nos Estados Unidos, mas o relacionamento não resistiu (Foto: Reprodução)

Há, também, pessoas que simplesmente não aceitam dar um tempo e, nesse caso, o artifício serve para antecipar o fim.

“A pausa também permite avaliar melhor com quais defeitos alheios e questões difíceis do namoro a pessoa consegue ou quer lidar, por isso nem sempre o desfecho é a reconciliação”, diz Marina Vasconcellos.

Foi o que aconteceu com o teólogo Isaque Sicsú, 28 anos, de São Bernardo do Campo (SP), que há dois anos pediu um tempo à namorada antes de partir para um mestrado de quatro anos nos Estados Unidos.

“Problemas que tínhamos no relacionamento se tornaram mais estressantes com a distância. Eu vinha ao Brasil com frequência e sempre nos víamos, mas, quando voltei para ficar, decidi terminar de vez. Cada um tocou sua vida, não era para ser. E a experiência me ajudou a ver o que realmente quero em uma relação”, conta Isaque, que namora com outra garota há seis meses.

 

Recasamentos e a relação com os filhos do cônjuge

Publicado no Minha Saúde Online em 05/12/2013

É cada vez mais frequente encontrarmos famílias reconstruídas onde filhos de diferentes pais moram na mesma casa. Mas essa convivência nem sempre é harmoniosa, e necessita de cuidados especiais para que possa fluir sem maiores problemas.

Aqui vão algumas dicas que podem ajudá-lo nessa questão.

Em primeiro lugar, lembre-se de que quando se une a alguém que já possui filhos, o “pacotinho” vem junto, ou seja, não adianta competir pela atenção do parceiro porque é quase certeza de que você perderá.

Nunca, de maneira alguma, tente impedir que o cônjuge veja os filhos, caso não morem com vocês. Lembre-se que ele se separou de um relacionamento amoroso, portanto o vínculo de marido e mulher foi cortado. Mas o de pai/mãe permanece para a vida toda!

Não se coloque como “substituto” da mãe ou do pai porque esse não é seu papel. Madrastas e padrastos devem respeitar a existência dos pais biológicos e procurar não interferir em questões mais delicadas ou grandes tomadas de decisões, quando isso diz respeito aos pais. Isto,é claro, em se tratando de pessoas de bom senso e responsabilidade, pois há casos onde o melhor a fazer é realmente manter os filhos longe de um dos pais quando este é muito comprometido emocionalmente, causando danos ao desenvolvimento saudável do filho.

Se achar que algo está errado na educação do enteado não vá falando diretamente com ele a esse respeito. Converse com o cônjuge primeiro, abordando com cuidado o assunto e colocando sua posição para que não passe por cima da autoridade deles. Quem deve abordar o assunto com o pai ou a mãe dos enteados é o cônjuge, e não você.

Não fale mal dos pais para os enteados, pois isso pode deixá-los com vergonha, humilhados ou mesmo revoltados. Mesmo que sejam pessoas emocionalmente doentes, é importante referir-se a eles com cuidado, evitando ofensas e xingamentos. Essa atitude de respeito pelos sentimentos do outro ajudará a criar um vínculo de confiança e maior afetividade entre vocês.

Por outro lado, valorizar o companheiro novo e mostrar o quanto está feliz ao lado dele aumentará a chance de seus filhos se aproximarem e o acolherem com simpatia e coração aberto, já que quando os pais estão felizes o clima melhora, a energia boa impera e os filhos tendem a receber bem aquele que contribui para a harmonia familiar.

Mostre-se disponível para o diálogo sempre com seus enteados. Essa atitude facilita a construção da confiança entre vocês e a consequente relação de proximidade e cumplicidade.

Tenha um lugar garantido para receber seus enteados, caso não morem com você. Os finais de semana intercalados provavelmente acontecerão, onde a convivência será obrigatória. Mas pode ser gostoso estarem juntos se eles se sentirem acolhidos e bem quistos – e vice versa! -, e não “intrusos” na casa dos próprios pais…

A partir do momento em que todos moram juntos, não deve haver distinção entre filhos e não filhos na hora de tomar decisões que afetem a família toda. O tratamento não pode ser à base de privilégios e exclusões, pois isso só gera tensão, ciúme e rivalidade entre enteados e filhos – tudo o que deveria ser evitado ao máximo!

Numa boa educação, obediência, disciplina, respeito e limites devem ser exigidos de todos, independente de serem filhos biológicos ou não. Agora, a forma como esses itens são passados deve sempre ser permeada pelo afeto. É possível ter autoridade sem ser autoritário, lembre-se disso.

Enfim, sempre que existe boa vontade, bom senso, maturidade e disponibilidade para o diálogo, assim como flexibilidade para negociações e mudanças de posturas, as relações tendem a fluir melhor, superando possíveis conflitos que apareçam.

Abra seu coração, respire fundo e seja feliz!

Famílias contam como mantêm a harmonia em um lar cheio de gente

Publicado no UOL em 29/11/2013

Carmen Júlia Almansa, o marido José Carlos, as duas filhas e os cinco netos vivem juntos em São Paulo

Carmen Júlia Almansa, o marido José Carlos, as duas filhas e os cinco netos vivem juntos em São Paulo

Mesmo unida por laços de sangue ou amor, a família nem sempre é um grupo de fácil convivência. Ainda mais quando seus membros moram sob o mesmo teto, na mesma comunidade e seguem as mesmas regras. Isso porque, apesar de tudo que une os parentes, cada ser humano tem suas particularidades.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta-feira (29), há cada vez mais jovens de 25 a 34 anos, a chamada “geração canguru”, morando com os pais. Em dez anos, houve aumento de quase 4% –de 20,5% para 24,3% entre 2002 e 2012.

E quando falamos de uma família de seis, nove ou onze pessoas morando juntas? É possível conviver em harmonia? “Sim, mas muitas regras são necessárias para uma grande família funcionar. Mesmo que alguns integrantes já sejam independentes, tudo tem de ser conversado e negociado previamente para evitar os pequenos conflitos”, afirma Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

No bairro do Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo, Carmen Júlia Almansa, 64, mora com o marido, José Carlos, 65; as filhas, Mariah, 36, e Nara, 35. Também vivem na casa os cinco netos de Carmen e José, que têm idades entre três e 17 anos. No total, são nove pessoas que dividem uma casa com três quartos e três banheiros.

Carmen e seu marido ocupam um dormitório. As filhas dormem em um quarto cada uma, espaço que dividem com suas respectivas crianças. Cada um desses pequenos núcleos têm um banheiro para compartilhar.

Para a aposentada, a fórmula para tudo funcionar como em uma engrenagem é existir um eixo central, um ponto de referência para todos. Essa figura é representada por ela mesma.

“As explosões em momentos de ira estragam os relacionamentos. Carinho, respeito e intenção de estar junto são fundamentais. Aqui, eu sou esse eixo. Sempre apazíguo e dou carinho a todos. Os problemas sempre vão existir, e é necessário, para viver em família, saber que, às vezes, é preciso se calar e abrir mão de algumas coisas em benefício do outro”, afirma.

Divisão de tarefas

Para Miriam Barros, psicoterapeuta pela PUC-SP, quando se trata de família muito numerosa, a divisão de tarefas é imprescindível. “A tarefa deve ser proporcional à idade das pessoas, mas flexível, para que até os mais ocupados possam participar”, diz.. “Quando há uma divisão, todos os membros da família terão suas responsabilidades na manutenção da casa e ficará mais fácil reconhecer o que cada um faz de bom”, explica.

No lar de Carmen é assim que acontece e, tirando as funções gerais, cada um cuida das suas próprias coisas. “As tarefas são divididas. Como eu já estou aposentada e a Nara trabalha em casa, nós duas cuidamos dos afazeres domésticos. Enquanto isso, meu marido, que também é aposentado, é ‘o babá’ do João Marcos [neto mais novo]”, conta.

De acordo a filha mais velha, Mariah, a família é considerada um exemplo pelos amigos. “Todos sempre falam sobre a nossa união, amor e a convivência que conseguimos estabelecer. A nossa casa é sempre muito movimentada, e minha mãe ama que tenhamos essas raízes. Eu me sinto feliz com essa ‘bagunça’, e não fico constrangida de estar aqui ainda, pois estou porque quero e amo estar aqui.  Sempre vivemos todos juntos e resolvemos os problemas juntos. Isso é família”, afirma.

Três casas, um quintal

A união matrimonial de José Medeiros, 45, e Alice Reis, 44, durou cerca de 23 anos. Eles têm cinco filhos: Estefani, 26; Cauê, 24; Matheus, 18; Marjorie, 16 e Nicholas, 14. Há três anos o casal está divorciado, mas, apesar de morarem em casas separadas, dividem o mesmo quintal, pois o terreno reúne três casas. Em uma delas, Alice mora com os filhos. José vive em outra com a mãe Joana, 76; a irmã Eliane, 38, e o sobrinho Pedro, 3. Já a tia dele, Judite, 76, habita a terceira moradia.

Para que a relação entre ex-casais dê certo, ainda mais morando no mesmo quintal e com mais gente envolvida, é preciso que existam limites e ainda mais regras. “O maior segredo é sempre o respeito pelo espaço do outro e, claro, o bom senso tem que estar presente em toda e qualquer negociação de espaço, que continua sendo familiar, apesar da separação do casal”, afirma Marina Vasconcellos.

Segundo Alice, a condição que deveria ser provisória após o divórcio foi se estendendo e, diante disso, ela e o ex-marido foram se adaptando e adotaram a paciência e o respeito como maiores aliados para resolverem os problemas.

“Eu me dou muito bem com todo mundo. Existem os conflitos e logo quando nos separamos eu ficava muito nervosa com essa proximidade toda, mas não conseguimos ficar sem nos falar por muito tempo. Ajudamos um com o outro, inclusive quando se trata da educação dos nossos filhos”, conta.

Mesmo que para os filhos a harmonia dos pais após a separação seja de vital importância, Marina Vasconcellos afirma que essa condição de morar no mesmo quintal alguém pode alimentar a esperança de que um dia o casal retome a relação. Por isso, é preciso agir com franqueza.

“Ter os pais tão próximos um do outro desperta nos filhos o desejo de que eles voltem. É fundamental deixar claro que a nova condição é definitiva, até para o amadurecimento emocional e para o caso de uma nova pessoa surgir na vida de um dos dois”, explica.

Para José, o maior segredo para viverem em harmonia é o carinho que um tem pelo outro e a vontade de estar junto. “Quando você gosta de verdade daquelas pessoas, por mais dificuldades que passem juntos, é bom estar ali”, diz ele. “Aqui é assim: estamos sempre juntos. Vou à casa da Alice, cozinho para eles de vez em quando, fazemos churrasco com todo mundo reunido. Para mim é muito bom ter os filhos por perto. Eu e a Alice temos uma cabeça muito boa para lidar com essa situação e vivemos muito bem assim. Quando existe amor e respeito, tudo dá certo”, declara.

Haruko, Claudia e Bianca (de roxo na foto) são parte da família Nakazato, composta ainda pelo pai Tsuneo e os outros dois filhos Brenda e Ricardo (Foto: Reprodução)

Haruko, Claudia e Bianca (de roxo na foto) são parte da família Nakazato, composta ainda pelo pai Tsuneo e os outros dois filhos Brenda e Ricardo (Foto: Reprodução)

A paciência oriental da família Nakazato

Na Zona Norte de São Paulo, Tsuneo Nakazato, 63, e Haruko, 62, vivem com os quatro filhos: Brenda Mayumi, 35; Bianca Miyuk, 33; Cláudia Ery, 29, e Ricardo Keiichi, 28. Eles moram em uma casa com quatro dormitórios, sala de estar, sala de jantar, cozinha e três banheiros.

Os pais trabalham em casa e todos os filhos têm emprego fora. Durante a semana, cada um tem seu horário e o convívio acaba sendo menor do que eles gostariam. Refeição com todo mundo junto, só no domingo.

Ainda assim, Haruko tem um ritual diário para se sentir mais perto dos filhos: ela acompanha cada um deles até o portão e depois fica na varanda os observando até que eles, antes de virarem a esquina, acenem para ela. “Para mim, é natural acompanhar meus filhos até perdê-los de vista. Se não faço isso, eles sentem falta. É engraçado”, conta.

Segundo a filha Claudia, a família é movida pela calma e os conflitos são muito raros, pois cada um sabe e cumpre sua função dentro de casa. “Apesar de sermos todos muito calmos e pacientes, somos seres humanos diferentes. Temos dias bons e outros nem tanto. Quando isso acontece, usamos a família para buscar o apoio necessário para que possamos nos restabelecer, respirar, pensar e, enfim, melhorar”, afirma.

Oito lições para evitar que a rotina mine seu relacionamento

O beijo de boa noite e um olhar de admiração mantêm a união do casal

Publicado no Minha Vida e atualizado em 13/09/2013

O início de um relacionamento é uma das etapas mais prazerosas da vida a dois. Descobrir o outro e curtir cada segundo juntos é uma delícia. Mas, passada a fase da euforia, a maioria dos casais esquece até de dar um simples beijo de boa noite. Isso é o que diz uma pesquisa realizada pelo impresso Daily Mail, do Reino Unido. O levantamento aponta que 80% dos casais vão dormir sem esse gesto de carinho. Com o tempo, o afastamento torna-se inevitável. A mesma pesquisa apontou que os parceiros que não se beijavam antes de dormir também eram aqueles que dormiam de costas para o outro. Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo, a rotina pode ser a culpada, mas a falta de contato físico também pode ser um sinal de que a relação não está indo bem. O fato é que não dá para deixar o carinho e o afeto em segundo plano. Antes que o seu relacionamento perca a graça, lance mão de oito lições para reacender a chama que está se extinguindo.

Tire a televisão do quarto

Se for para assistir um filme de conchinha sob as cobertas vá lá, mas em outras situações a televisão pode ser inimiga da sua intimidade. “O hábito de assistir televisão sempre antes dormir, além de diminuir a qualidade do sono, dificulta o diálogo e o casal – por dormir em momentos diferentes – acaba até esquecendo do beijo de boa noite”, conta a psicóloga Marina. Por isso, televisão só na sala.

Trabalho tem limite

Em um mundo perfeito, você chegaria em casa e teria todo o tempo disponível para cuidar do seu parceiro. Mas na realidade nem sempre é assim. “Hoje em dia, o trabalho suga o tempo pessoal mesmo, principalmente se você gerencia seu próprio negócio”, explica Marina Vasconcellos. A especialista recomenda que haja bom senso e compreensão. “Bom senso para saber a hora de parar de trabalhar, e compreensão do parceiro quando a hora extra for necessária”.

Restrinja o uso do computador

 Você gasta as horas que tem para passar com o seu amor na frente do computador? Então há algo fora de ordem. Redes sociais, bate-papo e até games podem gerar um vício difícil de romper. Mas você não precisa erradicar essas modernidades da sua vida, basta limitar o uso. A psicóloga Marina Vasconcellos recomenda que seja colocado um horário de uso que não tome todo o seu tempo livre e ainda permita que você se dedique ao relacionamento.

Interesse e Admiração

“Olhar para o companheiro e sentir orgulho de suas conquistas, características, forma de se vestir e maneiras de resolver problemas é uma das maneiras de manter o relacionamento vivo”, recomenda a psicóloga Milena Lhano, especialista em atendimento de casais. Busque sempre esse olhar de admiração em relação ao parceiro e não deixe nunca de se surpreender com o seu amor.

Conversa com hora marcada

Marina Vasconcellos conta que o diálogo com hora marcada é um exercícios comumente feito na terapia de casal. “Sem nenhuma influência externa, os parceiros sentam um de frente para o outro e esperam para ver o que vai acontecer”, explica a especialista. A atitude reforça a intimidade do casal e pode gerar o diálogo até em casos mais complicados. Em casa, o casal pode fazer isso durante a refeição ou antes de dormir, por exemplo.

Todo dia um carinho 

Um “bom dia” ou um beijo de boa noite. Gestos simples que mantêm o cuidado da relação em dia. “Essa demonstração de afeto é simples, mas significa muito: carinho e respeito”, conta a psicóloga Marina.

Planos em comum

Uma viagem, uma casa ou até mesmo um filho. Traçar planos em dupla, além de ser uma delícia, é uma forma eficiente de manter o casal olhando na mesma direção. “Essa atitude é importantíssima não apenas para que o casal construa um futuro em comum, mas para mantê-lo caminhando com um mesmo destino, unido”, conta Milena Lhano.

Alinhe os valores

Alinhar conceitos pessoais é uma das tarefas mais difíceis de um relacionamento. É importante saber respeitar e conviver com as diferenças dentro de um relacionamento. Existe o respeito à família, trabalho, opinião, ritmo e questões que são importantes para o outro. Mas lembre-se que para respeitar a opinião alheia, você não precisa abrir mão da sua. Mas quando os valores são muito diferentes, é complicado estabelecer uma relação harmônica – essa situação pode até inviabilizar a relação. Nesses casos, vale pesar a dificuldade da relação e o quanto se quer estar junto. “Um relacionamento longo é um exercício de amor e tolerância – o desejo de mudar o outro é uma ilusão”, orienta a psicóloga Marina.

Ódio ou amor? Descubra se a implicância com alguém esconde um sentimento mais profundo

Publicado no UOL em 15/08/2013

Especialista fala sobre comportamento de pessoas que podem estar apaixonadas, mas escondem o sentimento

Você já ouviu dizer que amor e ódio andam juntos? Quando um homem e uma mulher implicam demais um com outro, as pessoas começam com brincadeirinhas como “vocês ainda vão casar” ou “vai dar namoro”. A psicóloga Marina Vasconcellos esclarece que, na maioria das vezes, ficamos irritados com alguém porque a pessoa é importante para nós em algum sentido ou faz algo que desagrada. “Por isso, suas opiniões e atitudes nos afetam de alguma maneira”, conta.

Na novela O Cravo e a RosaCatarina e Petruchio, interpretados por Adriana Esteves e Eduardo Moscovis, começam o relacionamento com muita briga e muita discussão. Os dois personagens são muito diferentes e sempre acabam se desentendendo quando se encontram. No decorrer da trama, os protagonistas gravam diversas cenas de conflitos na quais aparecem discordando e implicando um com o outro. Mas, no final, eles acabam se aceitando e se casam.

Foto: TV Globo

Foto: TV Globo

Segundo Marina, para muitos, é mais fácil criticar alguém do que olhar para dentro de si e corrigir aquilo que incomoda em você e no outro. Quando há atração entre duas pessoas, o olhar fica mais concentrado no comportamento do outro e prestamos atenção em tudo o que ele faz. “Muitas pessoas têm a mania de querer que o outro faça as coisas como ela própria faria, sem levar em conta o jeito do outro e suas diferenças, suas características próprias”, alerta a psicóloga. Com isso, surgem as pequenas implicâncias.

Isso é normal?

É normal implicar com pessoas que te incomodam, mas, se você gosta dela, é melhor pensar e refletir sobre o porquê dessa situação de conflito. “É preciso entender por que a outra pessoa provoca essa reação e você, pois não existe relação entre implicar e gostar de alguém”, aponta Marina. Pode ser uma pessoa de pouca convivência, pouco contato, mas que provoca na outra essa atitude por tocar em algo mal resolvido.

Há críticas que são construtivas e levam ao amadurecimento do outro, ajudando a pessoa a ser alguém melhor. “Isso tem a ver com o respeito pelo outro, por seu potencial, pode significar preocupação e consideração por ele”, explica a psicóloga. Por outro lado, a crítica pela crítica não acrescenta em nada. Pelo contrário, ela diminui o outro e o deixa constrangido e desvalorizado.

É possível identificar quando é amor ou implicância?

É difícil identificar logo de cara! Marina aconselha conversar com a pessoa para saber o que está acontecendo e perguntar o que tanto a incomoda. “Caso seja atração, provavelmente surgirá uma oportunidade para que o outro se abra, ou mude totalmente de atitude, já que percebe que esse seu jeito pode afastar a pessoa de si”, revela. Em casos que se tratam de pura implicância, a pessoa tende a ficar na defensiva e acaba negando o comportamento ou “atacando” o outro ainda mais. Para acabar com qualquer tipo de conflito, a chave é o diálogo.

Dificuldades para engravidar podem colocar casamento em xeque

Amor e companheirismo são necessários nessa e outras complicações da gravidez

 

“Prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”. Será? Estava pensando nessa tão tradicional promessa que milhares e milhares de casais se fazem na cerimônia do casamento, a grande maioria deles repetindo as palavras sem se dar conta com o que eles estão realmente se comprometendo. Pelo número de divórcios que acontecem antes mesmo do casamento completar um ano – alguns não duram um mês sequer! -, vemos o quanto tais palavras não passam, muitas vezes, de um mero cumprimento de protocolo.

Algumas situações pelas quais o casal passa requerem especial dedicação, paciência e uma dose infinita de amor para que a relação não se desgaste logo no início. Problemas para engravidar encaixam-se nessa categoria.

Quando o casal decide que já é hora de constituir uma família e tenta, sem sucesso, a gravidez por um determinado tempo, uma luz amarela se acende para ambos: o que estará errado? Quem será o responsável pelo insucesso das tentativas de engravidar? Quem é o “problemático” do casal?

Iniciam-se inúmeros exames em busca de uma explicação para o problema e possível solução. Assim que detectado, é preciso lidar com a sensação de “impotência” daquele que carrega o peso da frustração, da responsabilidade por não ser capaz de proporcionar a si e ao outro a realização de um desejo, comprometendo um projeto de vida até então compartilhado por eles.

Este é o momento onde se acende uma luz vermelha, e o casal precisa decidir qual o melhor caminho a seguir. Adotar uma criança? Seguir sem filhos? Fazer um tratamento para tentar a gravidez? Qualquer uma das alternativas escolhidas exigirá muita conversa entre eles, maturidade. E a decisão terá que ser de comum acordo, pois estarão traçando para si um novo projeto de vida.

Ao optarem pelo tratamento, inicia-se uma fase bastante delicada para ambos, cheia de tensões, cobranças, expectativas, exames doloridos, procedimentos invasivos; alguns têm até “hora marcada para fazer amor”. Toda a espontaneidade inicial das relações sexuais vai por água abaixo, pois cada vez que ficam juntos vem a “sombra” da cobrança: “Será que dessa vez conseguimos?” Difícil relaxar e apenas curtir o prazer do momento.

Todo mês a menstruação passa a ser símbolo do fracasso, de mais uma vez que a mulher não engravidou, do tempo correndo contra seu esforço e sacrifício na tentativa de ser mãe. A cada mês, um luto pela criança que não veio.

E haja estrutura emocional para suportar toda a frustração, as dores físicas de certos tratamentos invasivos, a cobrança da sociedade pelo filho que não chega, a instabilidade de humor e outros sintomas decorrentes de medicações cheias de efeitos colaterais. O casal deve se apoiar mutuamente e encontrar forças para seguir unido em seu propósito, pois a vontade de desistir no meio é frequente e tentadora!

 

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Deu certo, e agora?

De repente, a tão esperada notícia: deu certo! Conseguiram, por meio da técnica da fertilização, o que tanto queriam, e a mulher carrega finalmente dentro de si seu sonho de, dentro em breve, tornar-se mãe. Porém, na grande maioria das vezes esses tratamentos têm uma consequência que todos nós sabemos: não raro nascem gêmeos, trigêmeos…

Quando tudo corre bem na gestação, ótimo! O casal vai se preparando para os bebês que logo inundarão a casa de alegrias, recompensando todo o investimento dos últimos tempos (em todos os sentidos: financeiro, de energia, físico, emocional etc.). Mas há gestações de múltiplos que exigem cuidados especiais. Algumas mulheres ficam de cama durante boa parte da gravidez para evitar que os bebês nasçam antes do tempo necessário para amadurecerem.

Durante a gestação podem acontecer algumas complicações, mas não é o caso citar aqui. E também não generalizo, visto que não é porque são gêmeos ou mais bebês que, necessariamente, algo sairá do normal. Apenas estou chamando atenção para os casos em que o amor do casal é testado em situações de dificuldades.

Depois do nascimento

E se a gestação foi difícil, o nascimento ocorreu antes do tempo previsto e um dos bebês tem complicações logo ao nascer, permanecendo na incubadora por algumas semanas? Mais essa: a mãe não pode amamentar seu filho como imaginou que faria, e nem levá-lo pra casa!

Com tudo isso, imagine como está o emocional da mãe após ter passado por todas as etapas anteriores – tentativas de engravidar, tratamentos, expectativas, cobranças, frustrações, medos, decepções, medicações, dores… E o marido que a acompanhou durante todo esse percurso, onde fica? É preciso uma dose infinita de amor para que um casal passe por todas essas etapas unido, mantendo o astral positivo, confiante, sem brigas e vencendo o estresse.

A permanência na maternidade além do tempo previsto é algo que exige do casal uma dose extra de confiança, resistência física e emocional. Acabam por compartilhar histórias de outras crianças que também foram vítimas de problemas ao nascer e pais que sofrem com casos complicados e doloridos, muitos deles vindo a óbito, apesar de todos os recursos da medicina moderna terem sido utilizados.

E aí está o nosso casal, convivendo com a dor da perda de outros pais, a incerteza de recuperação de seu filho em breve, a vontade de voltar pra casa o quanto antes, vivendo situações de desespero e tensão constante.

Médicos que trabalham em UTIs neonatais relatam a quantidade grande de casais que não suportam essa experiência, separando-se logo depois (e alguns até durante esse período). A tensão enorme requer amadurecimento de ambos, capacidade de superação, companheirismo, apoio mútuo e da família de origem, muita paciência e uma estrutura emocional minimamente desenvolvida.
Após passada a experiência, o casal pode sair fortalecido em seu vínculo, certo de que conseguirá enfrentar outros percalços que venham a atingi-los com tranquilidade. É sem dúvida uma situação de crescimento pessoal. Não dizem que temos que crescer pelo amor ou pela dor? Aqui se somam os dois!

Enfim, o casal deve estar ciente de que “nem tudo são flores” num casamento, e dificuldades sempre existirão. Para superá-las é necessário ter o amor como base, mas só ele não é o suficiente. Cada um deve investir na relação e em si próprio para conseguirem crescer juntos, evoluírem, e colherem os frutos disso durante os anos de convivência.

E assim, caso o amor perdure através dos tempos, podem viver fazendo jus à frase dita lá na cerimônia do casamento: “(…) amando-te e respeitando-te todos os dias de minha vida”.

 

Essa tal “síndrome de abstinência”… Afinal, o que tem a ver com você?

Quando terminamos um relacionamento muito provavelmente passaremos por ela!

Publicado no IG em 17/07/2013

Outro dia estava assistindo a um programa onde o Dr. Dráuzio Varella falava sobre a dificuldade sentida pelas pessoas que tentam parar de fumar de passar pelos primeiros dias, resistindo bravamente ao apelo do vício que tenta insistentemente fazer com que a pessoa desista de sua empreitada. Isso nada mais é que a tão temida “síndrome de abstinência”, ou seja, a falta física (dos componentes do cigarro no organismo, como nicotina e alcatrão) e psicológica (Socorro, quero fumar! Preciso fumar! Gosto e tenho vontade de fumar!) o cigarro.

Passada essa primeira fase, onde o indivíduo consegue dominar sua vontade quase irresistível de dar uma tragada, tudo tende a melhorar e ficar sob controle. Porém, um ex-fumante será sempre considerado um “ex-fumante”, ou seja, nunca mais poderá dar uma tragada por correr sério risco de retorno imediato ao vício. Assim também acontece com drogados, alcoólatras, viciados em sexo, enfim, todos terão que permanecer com a consciência para o resto de suas vidas de que possuem uma tendência ao vício, à compulsão, e devem manter-se longe de situações que os remetam à vontade de voltar atrás em sua decisão.

Essa síndrome também se aplica aos relacionamentos amorosos. Há situações que acometem principalmente as mulheres, onde sabemos que não é o melhor para nós “racionalmente” falando, mas o “emocional” teima em negar a razão e seguir tentando.

Vamos a exemplos práticos: mulheres que permanecem em relações com maridos agressivos, que chegam ao ponto de agressões físicas, e não conseguem sair de perto deles. Muitas já tentaram sair, mas aí vem a tal “síndrome de abstinência” onde parece dificílimo ficar longe dele, a tristeza é grande confundindo-se com uma possível depressão, as lágrimas são muitas, lembranças de coisas boas não param de vir à mente, a vontade de ouvir sua voz fica irresistível e por que não apenas um telefonema? Pronto, é o suficiente para tudo voltar ao que era antes, retomando uma relação que certamente continuará tão doentia quanto antes.

Outras apaixonam-se por homens que não querem compromisso, muitos deles deixando isso bem claro desde o início da relação, mas permanecem tentando fazê-lo mudar de ideia, presas na ilusão de que ele só não quis compromisso até o momento porque ainda não havia se apaixonado, e quem sabe agora tudo muda. Passa por várias situações onde é testada em sua persistência e paciência, convence-se de que realmente ele é assim e não mudará, termina a relação achando que será forte o suficiente para esquecê-lo e dedicar-se a alguém que a ame de verdade, até que… por que não só um telefonema para matar a saudade? Pronto, a sedução daquela voz que a recebe tão receptivamente é o suficiente para deixar de lado toda a convicção da decisão, e dar mais uma chance àquele romance que não a satisfazia, mas que em vários momentos lhe trazia grandes alegrias!

Outras ainda ligam-se a alcoólatras que passam a vida prometendo que irão parar de beber, aquela bebedeira foi “a última”, não acontecerá novamente. Recusam-se a se tratar, acham que têm o controle sobre a bebida, não precisam de terapia ou de grupo de apoio. Após mais um dos intermináveis eventos desagradáveis, ela toma a decisão de deixá-lo, permanece longe algum tempo, corroendo-se com a culpa de deixá-lo sozinho, sem seu apoio, e acreditando que se estivesse ao seu lado poderia ajudá-lo a controlar sua bebida, ou fazer com que se tratasse. Assim, em meio ao seu sofrimento (porque ainda o ama), não resiste ao ser procurada por ele que, sóbrio, consegue convencê-la a voltar atrás, recebendo-o de volta, dando continuidade à dinâmica de co-dependência.

O ponto que quero destacar é o seguinte: sempre que cortamos uma relação sem que o sentimento envolvido tenha se acabado, porque nos convencemos racionalmente de que aquilo não é o melhor para nós, fica muito difícil sustentar a decisão em especial logo após tê-la tomado. É natural que fiquemos pensando no que era bom, nos momentos realmente satisfatórios que tivemos ao lado da pessoa amada, nos planos que fazíamos quando estávamos juntos. O ruim fica momentaneamente apagado, é “negado” por nossa consciência para que nos convençamos de que estávamos ali por algo que valia a pena, fazia sentido, nos alimentava.

Mas nem sempre “escolhemos” corretamente com o coração, e o preço a ser pago muitas vezes é altíssimo por permanecermos nessas relações! Assim, temos que respirar fundo e aprender a suportar a “síndrome da abstinência” do amado, aquela vontade quase irresistível de ouvir sua voz, de vê-lo só mais uma vez, porque nosso coração falará mais alto que a razão, é aí que mora o perigo.

Como agir se seu filho adolescente namorar uma pessoa mais velha – Parte 1

Publicado no UOL em 31/05/2013

Os boatos sobre o "namoro" de Nicole Bahls, 27 anos, e Enzo, 16, surgiram durante o Carnaval deste ano. (Reprodução/Instagram)

Os boatos sobre o “namoro” de Nicole Bahls, 27 anos, e Enzo, 16, surgiram durante o Carnaval deste ano. (Reprodução/Instagram)

Conversar. Essa atitude é unanimidade entre os especialistas em comportamento adolescente ao serem questionados sobre como os pais devem reagir quando os filhos se relacionam com pessoas mais velhas.

E conversar foi exatamente o que a atriz Claudia Raia fez quando soube do envolvimento de seu filho, Enzo, de 16 anos, com Nicole Bahls, 27, uma das assistentes de palco do programa “Pânico na Band”. Segundo entrevista da atriz ao portal do jornal “O Globo”, ela se tranquilizou após ter conversado com o rapaz. Claudia considerou o interesse do garoto por Nicole natural tanto pela idade dele, quanto pelo fato de ela ser uma mulher muito atraente.

Outro pensamento compartilhado pelos especialistas ouvidos pelo UOL Gravidez e Filhos é a ineficácia da proibição por si só, afinal os adolescentes, geralmente, estão preparados para contestar.

A psicóloga Mônica Bühler, especialista em psicologia clínica, explica que os adolescentes são imediatistas e podem recorrer ao relacionamento com uma pessoa mais velha como forma de agredir e desafiar os pais ou até por carência e transferência de afeto. Mônica enfatiza que proibir essa relação é a pior forma de lidar com ela. “Quando o jovem ouve um não, ele tem sua vontade aguçada”, afirma.

Para Caio Feijó, mestre em psicologia da infância e da adolescência, a diferença de idade nos namoros adolescentes não deve ser tratada como um problema, já que, hoje em dia, o que define a maturidade não é mais a faixa etária e sim o desenvolvimento psicossocial.

“Um jovem com 16, 17 anos pode ter a cabeça superequilibrada e atrair uma pessoa mais velha por isso”, diz Feijó. “Também acontece o inverso, de haver pessoas de 28 anos com um comportamento infantilizado”, completa. O psicólogo acrescenta que, socialmente, essas ligações enfrentam muitas críticas e a psicologia não tem uma resposta exata se podem ser saudáveis ou não.

A questão principal que envolve a relação entre pais e filhos adolescentes está no diálogo. É preciso ser presente e se envolver com a vida do jovem para conseguir lidar com o relacionamento dele.

De acordo com Sandra Vasques, psicóloga e educadora do Instituto Kaplan, organização não governamental de estudos sobre a sexualidade humana, quando não existe essa relação de cumplicidade entre pais e filho tudo se complica, porque, no momento em que o adulto questionar o relacionamento do jovem, este verá a conversa como uma cobrança.

“Os pais têm de conversar diariamente e se interessar pelos assuntos dos filhos”, diz Sandra, que reforça a necessidade de se dar responsabilidades aos jovens, assim como deixar que eles percebam as consequências de seus atos. “A comunicação tem de ser sempre positiva e os pais não devem reprovar o romance de cara, e sim procurar entender como o jovem se sente com aquele relacionamento”, afirma Sandra.

Estar por perto e conhecer os ambientes frequentados pelo adolescente e seus amigos também são atitudes necessárias para um relacionamento saudável entre pais e filhos. Trazer as pessoas que convivem com o jovem para dentro de casa permite aos adultos observar melhor a relação.

Caio Feijó afirma que é fácil para aqueles pais que têm o hábito de supervisionar o que acontece no dia a dia do filho perceber se o namoro está influenciando negativamente na vida do jovem. “Vários sinais indicam se há uma mudança negativa, como começar a beber e a fumar e o desinteresse pelas coisas da família.”

Para esclarecer definitivamente qualquer inquietação que um relacionamento porventura cause, a melhor tática é conhecer a família do namorado ou namorada do adolescente. “Marcar um almoço para reunir as famílias é uma boa ideia para observar a dinâmica familiar dessa pessoa, trocar informações e com isso saber se o jovem quer mesmo ir adiante com o relacionamento”, finaliza o psicólogo.

 

Psicopata: cuidado, você pode estar convivendo com um

Publicado no Minha Saúde Online em 31/05/3013

Quando ouvimos falar em psicopatia logo imaginamos aqueles crimes tremendos, horrorosos, onde o corpo da vítima é esquartejado ou mutilado com requintes de crueldade. Porém, essa é apenas uma das possibilidades do comportamento de um psicopata classificado como grave.

A psicopatia (ou sociopatia, ou personalidade anti-social, sinônimos para o mesmo distúrbio) não é considerada uma doença psiquiátrica, mas sim um Transtorno de Personalidade. Existe um fator genético envolvido, ou seja, as pessoas já nascem com a predisposição a desenvolverem um tipo de comportamento, apresentando desde pequenas atitudes que chamam a atenção e assustam pais e professores, muitas vezes deixando-os sem saber como agir, do tipo: são desafiadoras, provocativas, não respeitam regras nem autoridades, zombam dos adultos que tentam impor limites, os castigos ou punições não lhe surtem qualquer efeito – não aprendem com a experiência. Na escola ficam isolados, com dificuldade de socialização, pois seu maior prazer é destruir o prazer das outras crianças, estragando sempre a brincadeira quando se aproximam. Tratam os colegas com arrogância e desprezo, como se ninguém fosse digno de sua amizade.

Praticamente não há tratamento para esse transtorno, ou seja, qualquer tentativa de psicoterapia ou medicação não surtirá efeito, pois trata-se de um desvio de personalidade. São pessoas refratárias ao tratamento por não acharem que precisam de ajuda; desafiam o terapeuta, mentem, manipulam, desqualificam, até que, por fim, o profissional admita que seus esforços são em vão e interrompa o tratamento. Uma infância passada num ambiente harmonioso, sem conflitos familiares, com pais carinhosos e atenciosos, talvez amenize o comportamento futuro para que não se torne um psicopata grave, mas até isso não é comprovado ainda.

Os sociopatas não se enquadram nos padrões sociais. Querem que as coisas aconteçam de acordo com o que pensam, ignorando a necessidade de consideração pelo outro em sua vida. Tudo existe em função do que ele quer ou precisa para si. Satisfaz seus desejos passando por cima de quem for. Casos de pessoas que assumem cargos de chefia em empresas “puxando o tapete” de outros que se consideravam seus “amigos”, ou que dependiam dele para algo, são comuns.

São pessoas extremamente sedutoras e inteligentes, líderes naturais. Porém, ao atingirem a posição que almejam deixam de lado todo o “teatro” da simpatia e podem mostrar seu lado frio, calculista, interesseiro, passando a usar os outros em prol de suas vontades, sempre com um jogo de manipulação por trás.

Sua forma de atuar no mundo apoia-se em quatro características básicas: a) mentira: mentem descaradamente e tão bem, que a mentira confunde-se com a realidade; b) manipulam as pessoas; c) impõem sua vontade causando constrangimento ao próximo e d) utilizam-se da violência (tanto verbal quanto física).

Há três níveis detectáveis de psicopatia, que variam segundo a intensidade da maldade demonstrada pelo seu comportamento.

São eles:
Grave: a pessoa faz o mal pelo prazer de fazê-lo, com suas próprias mãos. São os conhecidos casos de serial killer. Não há remorso, não há culpa, não há qualquer sentimento com relação ao outro.

Moderado: a diferença aqui é que este manda fazer, ou seja, planeja tudo, articula, faz a coisa acontecer, mas através de outros que executam.

Leve: o mais conhecido e que convive em sociedade, podendo estar ao lado de qualquer um de nós.
É este nível leve que nos faz passar por situações às vezes bastante traumáticas, onde nos perguntamos como é que não percebemos com quem estávamos lidando antes de sermos surpreendidos por algo totalmente inesperado.

São homens muito inteligentes (aliás, sua inteligência costuma chamar a atenção das pessoas), que se aproximam das mulheres conquistando-as facilmente com seu jeito sedutor e simpático. Como a mentira faz parte de sua vida para impressionar o outro e usá-lo, a fim de atingir seu objetivo em mente, geralmente o relacionamento já começa em cima de alguma mentira tão bem contada, que a pessoa envolvida nem sequer imagina tratar-se de uma estratégia de conquista apenas.

Normalmente levam uma vida dupla, ou até tripla, mostrando para cada pessoa o que ela espera que ele seja. Pode mostrar-se de um jeito para uma mulher, de outro completamente diferente para outra, e perante os familiares ser ainda outro. Assim, de acordo com a conveniência do momento, satisfaz a quem está ao seu lado a fim de conseguir aquilo que quer. Portanto, desconfie de alguém que nunca a leva em casa ou não a apresenta a qualquer membro da família, atitude suspeita de que ele realmente não pode assumir sua existência.

Refiro-me ao masculino aqui por tratar-se de um distúrbio que afeta em sua maioria os homens, numa média de seis ou sete deles para cada mulher.

E como reconhecer que estamos envolvidas com um homem assim, já que sua aparência não denuncia esses detalhes?

Bem, comece por dar valor à sua percepção e intuição. No decorrer do relacionamento algumas situações acontecem em que você percebe que “algo não confere”, “tem alguma coisa errada” no que ele diz, por exemplo, ao justificar um atraso ou o cancelamento repentino de um programa pré-combinado.  Mas a capacidade de argumentação do sociopata é tal, devido à sua perspicaz inteligência, que consegue convencê-la de que você é a errada da história, invertendo o jogo de forma a fazê-la sentir-se culpada por cobrar algo que não deveria. E assim acontece sucessivamente, levando adiante seu jogo de manipulação e controle da situação.

Os homens em geral possuem mais dificuldade em lidar com afetos, expressar seus sentimentos, conversar sobre suas emoções. Mas de algum modo o fazem quando solicitados. Já o psicopata é incapaz de falar sobre isso, pelo simples fato de ser incapaz de sentir. Não vivencia o amor. Podem ser ótimos parceiros sexuais, incansáveis, já que para isso basta deixar que o instinto e o desejo se manifestem – algo que o fazem com grande intensidade. Mas não espere trocas de carícias, romantismo ou mesmo aquela sensação gostosa de cumplicidade, pois aí já foge à sua competência. Incapazes de se colocar no lugar do outro, não desenvolvem a empatia.

As emoções que demonstram são as que não necessitam de sentimentos por trás, como por exemplo: alegria momentânea, irritabilidade, impaciência, tesão. Agora, ao se depararem com situações onde a mulher está frágil, necessitando de acolhimento por algo que tenha acontecido, de um “colo” afetuoso, eles literalmente não sabem o que fazer, ficam perdidos! Frases como: “Não quero falar sobre isso agora”, ou “Lá vem você com essa mania de falar sobre sentimentos” e até “Sou fechado, não gosto de falar sobre minhas coisas” denunciam sua dificuldade em lidar com afetos, livrando-os de discussões onde não saberiam como argumentar.

Como ser carinhoso e acolher alguém quando não se sabe o que é isso? Vivem na praticidade da vida, na racionalidade total. Enquanto não forem solicitados ou questionados sobre sua incapacidade de dar afeto, sua falta de romantismo ou mesmo a inexistência de cumplicidade no relacionamento, está tudo certo. Eles apenas retribuem o que recebem, numa atitude quase automática de imitação do gesto do outro. Mas perceba que a iniciativa de elogios e atitudes românticas ou carinhosas nunca parte deles (a não ser que haja um interesse por trás – são ótimos atores).

A ideia de escrever esse artigo surgiu da necessidade de alertar muitas mulheres que se veem vítimas de homens que pareciam tão apaixonados, sedutores, amantes fogosos e insaciáveis, mas que repentinamente somem de suas vidas de forma inexplicável, deixando-as sozinhas com sua tristeza e perda. Pode ser que uma das mulheres dele (quem sabe “a oficial”) tenha descoberto sua existência por uma falha estratégica das atitudes do marido, e venha lhe procurar querendo tirar satisfações. Não é preciso dizer o tamanho do choque que um fato como esse pode provocar numa pessoa completamente desavisada e despreparada. Ou ele apenas perdeu o interesse em você. Simples assim.

Enfim, quando desmascarado por outrem, sem argumentos que justifiquem as mentiras contadas, retira-se da sua vida imediatamente, partindo para sua próxima vítima. Sem culpa, sem remorso, sem consideração, não tendo a mínima noção ou preocupação por seu sofrimento.

Abandona-a como se não tivesse feito parte da sua história. E na verdade foi uma história de mão única, porque o vínculo para ele nunca existiu. Tudo não passou de uma grande farsa.

Casais relatam os benefícios e os perigos do treino a dois

Publicado na Revista “The Finisher” (Edição abril/maio 2013)

 

CASAL QUE CORRE UNIDO

…permanece unido. E leva pra casa a sintonia de quem compartilha ois mesmo objetivos (além de melhorar o desempenho).

 

Depois da segunda gestação, a professora universitária Ediléia Diniz decidiu apostar na corrida para recuperar a forma. Foi conquistada pelo esporte e por um novo estilo de vida, muito mais saudável. Enquanto isso, seu marido não desgrudava do sofá e sempre inventava uma desculpa para não calçar os tênis. “Um dia, levei-o para o parque e disse: ‘Só volte daqui a meia hora, e de preferência bem suado.'” , conta. Alexandre Abreu – o marido – obedeceu. E também tomou gosto pela coisa. Entrou para uma assessoria esportiva e se tornou o principal incentivador da esposa.

O reflexo no relacionamento foi instantâneo. Correndo lado a lado, os dois passaram a se entender melhor, ser mais tolerantes, ter mais cumplicidade. Entraram definitivamente em sintonia. No ano passado, comemoraram 15 anos de casados em grande estilo: completando juntos os 15 km da São Silvestre, um sonho de infância de Ediléia. Agora treinam para um desafio ainda maior: correr uma meia maratona em julho. “Aliar a corrida ao nosso dia a dia  faz toda a diferença, pois conseguimos manter os hábitos saudáveis e ainda temos um tempo só para nós”, afirma Abreu. “Mesmo que às vezes nosso paces diferentes, sempre há uma oportunidade para corrermos juntos, seja no começo dos treinos, nos longões ou durante as provas. Nossos objetivos no esporte e em casa ficaram bem mais afinados.”

PAIXÃO COMPARTILHADA

O exemplo do casal paulistano não é exceção. A corrida tem tudo para ajudar a melhorar e amadurecer um relacionamento. A psicóloga marina Vasconcellos, especialista em terapia familiar e de casal pela Unifesp, explica: “Correr com o cônjuge, além de ser estimulante, envolve questões como a cumplicidade e o companheirismo. É um momento de relaxamento e investimento em cada um, no qual ambos se motivam mutuamente. Além disso, o ritmo de vida do casal fica parecido, o que proporciona mais períodos juntos.”

O psicólogo Ailton Amélio, professor do curso de comunicação Não-Verbal  e de Relacionamento Amoroso no Instituto de Psicologia da USP, concorda. “O casal que treina junto tem mais momentos de interação, o que leva a uma maior proximidade. Só o fato de realizarem atividades compartilhadas jé é um bom sinal. Mostra que tem algo em comum – e esse é o princípio que rege o casamento. Estudos revelam que a maioria dos casais que dão certo tem algo em comum, como cultura, valores, faixa etária, raça”, afirma.

Não foi nada fácil para a empresária Christina Massis, dona de três cafeterias em São Paulo, perceber isso. Após algumas experiências frustradas com parceiros sedentários, entendeu o que procurava: alguém que, como ela, valorizasse uma rotina saudável, não fumasse e dividisse a paixão pela corrida.

Em 2006, por meio de sua assessoria esportiva, conheceu o também corredor Celso Della Torre, sócio de uma administradora de condomínios. Começaram a treinar juntos, a fazer algumas provas e, em uma ano e meio, já estavam subindo ao altar. “Foi a corrida que nos aproximou e revelou muitas outras afinidades, como o gosto por hábitos saudáveis e a busca da longevidade”, conta Christina. “Temos uma rotina de trabalho estressante, então é nos treinos que encontramos e temos nossos momentos de lazer. os dois saem dali se sentindo muito melhor, e isso nos une ainda mais. Aproveitamos as provas para viajar e conhecer novos lugares.”

NEM SEMPRE É FÁCIL

Mais do que treinar, correr uma prova juntos leva o casal a um estágio único. É uma experiência em que eles estabelecem uma meta em comum e, para alcançá-la têm de se ajudar, respeitar seus limites, puxar o outro para cima nas horas delicadas”, diz Ailton.

O compartilhamento se situações de superação e conquista cria uma ligação especial entre os envolvidos. Imagine então quando se trata de uma corrida de alta exigência, com um trajeto de quase 100 km a ser percorrido em 3 dias na Cordilheira dos Andes. Os namorados Miguel Mitne e Tessa Roorda, juntos há 11 anos decidiram encarar esse desafio em 2013 – e participaram, em fevereiro, do El Cruce Columbia.

“Competir junto com alguém é um exercício que põe tudo à prova. Você passa por situações extremas, conhece seu parceiro a fundo, aprende a conviver, a respeitar mais. Não é fácil, às vezes dá vontade de jogar tudo para o alto. Mas se um souber escutar o outro, é uma experiência que contribui muito para o amadurecimento da relação”, diz Tessa, que ao lado de Miguel, conquistou o 3º lugar geral entre as duplas que disputaram o Cruce.

ARMADILHAS A DOIS

Casal deve evitar discutir relação e excesso de competição

Aliar o casamento a corridas reque alguns cuidados. ” O casal não deve usar esse momento para discutir a relação ou criticar o outro. Isso invalida os benefícios do exercício: eles passam a associar uma atividade que deveria ser prazerosa com um momento ruim, o que desestimula os dois”, alerta Ailton Amélio.

Competição em excesso entre o casal estraga tudo. A intenção é incentivar e auxiliar o outro, motivando-o para encarar a rotina de exercícios. O casal deve estar no mesmo patamar na hierarquia dos papéis, ninguém é melhor que ninguém e cada um tem seu ritmo, seu potencial e seu tempo”, ensina Marina Vasconcellos.

Também é preciso checar se o treinamento em conjunto não é uma forma de controle, de fazer com que o outro seja obrigado a estar por perto o tempo todo. “Isso caracterizaria uma relação doentia – muitas vezes trata-se de ciúme patológico. Nesse caso, é totalmente insalubre a prática de exercícios juntos”, conclui a psicóloga.

 

 

 

 

Identifique sinais que revelam se uma pessoa está a fim de você

Publicado no UOL em 21/05/2013

Os olhares, as conversas e a posição do corpo dão pistas para saber se o outro está interessado. (Foto: Thinkstock)

Os olhares, as conversas e a posição do corpo dão pistas para saber se o outro está interessado. (Foto: Thinkstock)

Você é do tipo tímido? Ou distraído demais, desatento ao que está acontecendo ao seu redor? Ou, ainda, tem a autoestima baixa e não nota quem está interessado por você? Seja qual for seu caso, saiba entender os sinais para descobrir se aquela pessoa que está sempre rondando e é muito atenciosa não está, na verdade, dando dicas de que se interessa por você.

1. O olhar

Se a pessoa estiver interessada, ela dificilmente tirará os olhos de cima de você. Se você a olhar de volta, ela provavelmente sustentará o olhar. Se ela estiver muito apaixonada, os olhos também sorrirão. “O olhar é a principal forma de perceber o interesse de uma pessoa”, diz a psicóloga e terapeuta sexual Arlete Gavranic.

2. Timidez maior com você

A exceção do tópico anterior é se a outra pessoa for tímida. Nesse caso, é muito comum que ela não consiga sustentar o olhar, observar de forma aberta e despreocupada. Mas, em compensação, ela deixa outros sinais de interesse. Quando você observa a pessoa tímida, ela abaixa os olhos, sorrindo, como se estivesse envergonhada. Fica vermelha, mais atrapalhada. “Só de estar perto de você, ela se sente acuada, porque gosta muito de você, mas não sabe como agir. Fica sem graça, por não saber como se colocar”, afirma a terapeuta Marina Vasconcellos. Aqueles que já têm dificuldade de se expressar verbalmente acabam tendo a fala ainda mais atrapalhada e sofrem com gagueiras de nervoso.

3. Fala demais

Por outro lado, aquele que é mais extrovertido acaba falando mais do que o normal quando está diante de quem despertou seu interesse. Isso porque quer se mostrar para você ao máximo, mostrar que também é interessante, segundo Marina.

4. Assuntos escolhidos a dedo

É muito comum que quem está interessado tente descobrir aqueles assuntos e gostos em comum e, sempre que tem a oportunidade, puxe conversa sobre aquele tema. Se ele está a fim de você, vai sempre tentar puxar um assunto que sabe que você domina ou gosta muito, e demonstrar que ele também é fã daquela banda ou também sabe tudo sobre aquele diretor de cinema que você ama.

5. Cada vez mais parecido

Alguns vão além e, em vez de se limitarem à conversa, também começam a agir ou se vestir da forma que o outro gosta, tentando chamar a atenção dele. Há ainda os que nunca ouviram determinada música ou praticaram um certo esporte e resolvem experimentar, só porque o pretendente pratica.

6. Conselheiro

Se a pessoa estiver interessada em você sempre vai te eleger como conselheiro e encontrar desculpas para uma conversa. É comum que ele também se interesse mais pela sua vida, por seus objetivos e pelo que você tem a dizer. “A demonstração de interesse pela sua vida e a disponibilidade para ajudar em algo que o outro precise são sinais de afetividade e interesse”, diz Karina Simões, psicóloga especialista em terapias cognitivo-comportamentais pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.

7. Sempre perto

Outro sinal é a proximidade física. A pessoa faz questão de ser parte do seu grupo de trabalho, de estar na rodinha do almoço, de participar do “happy hour” que você organizou. Está sempre disponível para os eventos, mesmo que, antes de te conhecer, fosse uma pessoa mais avessa a encontros sociais.

8. Toque

Se o outro estiver interessado em você, também conversará bem mais próximo do seu rosto e encontrará um jeito de te tocá-lo. Quando for cumprimentá-lo, fará questão de te abraçar– e o abraço certamente demorará mais tempo que o normal.

9. Posição do corpo

Quando você conversa com a pessoa, ela se volta totalmente para você, numa posição que, involuntariamente, demonstra que está aberta para te ouvir. “A pessoa torce o corpo e fica parada na direção da outra pessoa, com a região frontal, principalmente tórax e rosto, voltados para ela”, diz Arlete. Durante uma conversa a dois, a pessoa também inclina o corpo para a frente, demonstrando interesse pela conversa, segundo Karina. Se ela estiver a fim de você, dificilmente se distrairá com o que está sendo dito ou dividirá sua atenção com outras pessoas.

 

DIA DO BEIJO

Publicado no Metrô News em 12/04/2013 

Propício para estimular sensações de bem-estar

Abner e Carolina são namorados há um ano e meio. Abner Sobral Gomes, 21, estudante de marketing: "O beijo é o básico e o essencial. Sem beijo ninguém namora e nem casa." Carolina Delboni, 18, estudante de farmácia: "O beijo mais diferente que eu já dei foi ao estilo Homem-Aranha."

Abner e Carolina são namorados há um ano e meio.
Abner Sobral Gomes, 21, estudante de marketing: “O beijo é o básico e o essencial. Sem beijo ninguém namora e nem casa.” Carolina Delboni, 18, estudante de farmácia: “O beijo mais diferente que eu já dei foi ao estilo Homem-Aranha.”

Aproveite a data e comemore amanhã o Dia do Beijo. Pode ser em forma de estalinho, o chamado “beijo selinho”. Ou de um jeito inesperado, o “beijo roubado”. Não importa o tipo de beijo, o que vale é sentir o bem-estar provocado pela liberação de endorfina, dopamina e serotonina, hormônios relacionados ao relaxamento e ao prazer.

Segundo o psicólogo e psicoterapeuta Marcelo Toniette, o beijo traz benefícios que envolvem tanto os aspectos físicos quanto os emocionais. “Na parte física, estimula diversos músculos da boca, a circulação sanguínea e o metabolismo. Na parte emocional, o beijo fortalece a autoestima, a confiança e contribui para a redução do estresse e estado de tristeza”, afirma.

A psicoterapeuta de casais e família Marina Vasconcellos destaca que o beijo deve ser dado com vontade. “Se não existe o beijo verdadeiro, faltará demonstração de carinho, afeto e entrega no relacionamento”, diz.

Toniette recomenda para os casais que perdem os encantos do beijo, que retomem a prática. “Só não vale ficar no selinho, mas experimentar beijos mais ousados e intensos. Por ser uma demonstração de carinho, que envolve os sentidos, quanto mais se beija, mais se quer beijar. Assim, o relacionamento se torna fortalecido, melhorando o entrosamento, a intimidade e a cumplicidade do casal”.

Beijos virtuais ao deputado Feliciano

“Beijos para Feliciano”. Está é a página do Facebook criada por Gustavo Don e Jonas Scherzinger para protestar contra a posição do novo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado marcos Feliciano (PSC-SP), que é contra a união civil homoafetiva.

“Os beijos que diversas celebridades demonstraram publicamente em forma de protesto foi o gancho que encontrei para criar a campanha no “Face”. Além disso, precisava contestar declarações do deputado, que dizem que o amor entre pessoas do mesmo sexo é podre, causa ódio, crime e rejeição”, diz Don.

Os mantenedores da página acreditam que a campanha já é uma grande ação virtual para o dia 13 de abril. “Gostaria de ter planejado um beijaço para o Feliciano. Talvez nossa demonstração de amor possa mudar o preconceito dele. Se fosse possível, até dava um beijo nele, com todo o respeito”, enfatiza Don.

Por intermédio de sua assessoria de imprensa, o deputado declara que todos são livres para expressar o que pensam, assim como ele é livre para dizer que é contra o casamento gay e jamais beijaria outro homem.

Para Feliciano, a campanha no Facebook não influencia em nada. Inclusive, um movimento evangélico queria criar uma página de beijo hétero, mas para o deputado isso foge de seu interesse político.

 

 

Compartilhar senhas de internet com parceiro não é prova de amor

Pessoas controladoras costumam querer saber as senhas de seus parceiros (Foto: Reprodução)

Pessoas controladoras costumam querer saber as senhas de seus parceiros (Foto: Reprodução)

A base de toda relação amorosa harmônica precisa ser a confiança, certo? Seguindo esse preceito, então, a vida de um casal deveria ser uma espécie de livro aberto. O que inclui, em tempos de internet, de perfis conjuntos nas redes sociais ao compartilhamento de senhas. Para muitos homens e mulheres, o excesso de privacidade virtual pode sinalizar que há algo a esconder. E, seguindo essa lógica, revelar a senha de acesso do MSN ou do Facebook tem o peso de uma prova de amor. Será, mesmo? Veja algumas análises que especialistas recomendam fazer antes de tomar qualquer atitude.

Compartilhar senhas de e-mail e redes sociais é uma prova de amor?
Segundo a psicóloga Andréa Jotta, do NPPI da PUC de São Paulo (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica), nos relacionamentos maduros e saudáveis isso pode acontecer naturalmente, sem que haja o peso de se tratar o assunto como um pacto ou prova de amor.
“E pode também acontecer de um querer compartilhar, por questões pessoais ou práticas, mas o outro não, o que é perfeitamente compreensível”, afirma. Andréa diz ainda que um relacionamento não significa dividir tudo, sempre. “Uma parte da pessoa, seus pensamentos, fantasias, amigos e gostos são só dela. Isso você não divide com o outro. É preciso ter confiança no caráter do parceiro, nos valores dele e em si mesmo, principalmente, para não se sentir ameaçado por aquilo que não lhe diz respeito”.

Falar em “prova de amor” é uma desculpa para exercer o controle?
“Uma relação pautada na confiança e na maturidade não necessita desse tipo de prova”, explica Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal São Paulo). Já Alexandre Bez, psicólogo especializado em relacionamentos pela Universidade de Miami (EUA), explica que pessoas controladoras e com personalidade narcisista têm necessidade de estar no controle, de desfrutar a sensação de poder no relacionamento.
“Costumo dizer que é muito mais importante conhecer o parceiro do que tentar controlá-lo, pois isso gera uma falsa sensação de domínio”, afirma. Ele conta que o simples fato de manter um relacionamento já é um pacto consolidado. A prova de amor deve estar presente no dia a dia, na cumplicidade, no comportamento, na exposição das dúvidas e nos conselhos, jamais em um compartilhamento pessoal. “É uma invasão à privacidade, e, principalmente, um desrespeito à relação vivida”, diz.

Dividir senhas ajuda a evitar uma traição?
Os especialistas são unânimes: não. Segundo a psicóloga Andréa Jotta, muitos casais decidem compartilhar as senhas a fim de evitar discussões, brigas e desconfianças desnecessárias. “Porém, o que acontece com frequência é que são abertos outros perfis e e-mails particulares, às escondidas”.
Compartilhar senhas expõe a privacidade de outras pessoas? 
Sim, principalmente porque os amigos nem imaginam que suas conversas e trocas de e-mails estão sendo monitoradas. “Quando você sabe que outros lerão o que você escreve, certamente acaba tomando certos cuidados na escrita, no modo como expõe suas opiniões, no conteúdo da conversa… Deixar que o parceiro veja tudo é uma espécie de traição à privacidade do seu amigo”, conta Cristiane Pertusi.

Compartilhar senhas pode alimentar a paranoia de alguém possessivo? 

“Há uma grande chance disso acontecer”, declara Marina. “É incrível a quantidade de casos de pessoas com ciúme patológico que cerceiam a liberdade do outro, enquanto o parceiro não percebe que trata-se de uma doença e se submete às exigências. Essas pessoas veem sinais de traição em qualquer tipo de relacionamento que o outro mantenha. A vida do casal vira um inferno”, segundo a psicóloga. “Recomendo o bom senso, no compartilhamento em demasia ou proibição exagerada”, diz a psicóloga Cristiane Pertusi.
A proposta, em geral, vem de quem é mais ciumento? 
Sim, e geralmente parte do sexo masculino. “Essa maior probabilidade acontece justamente pela carência dominante na personalidade da mulher, que em geral sente medo de ficar sozinha”, afirma o psicólogo Alexandre Bez.

Para Andréa Jotta, o sexo feminino costuma cair na armadilha de achar que tal invasão de privacidade é algo romântico. “Diria que as mulheres acabam se deixando levar pela insistência de alguns homens inseguros, e com o receio de perdê-los ou de que a recusa faça parecer que estão escondendo algo, acabam se submetendo a eles”, diz Marina Vasconcellos.

Prisão Amorosa

Publicado na Revista Bem-estar em 14/04/2013

Ser ciumento é uma coisa. Sentir ciúme é outra. Entenda as diferenças e qual comportamento é mais nocivo para sua relação

O ciúme é uma emoção que gera controvérsias quando se discute se ele é saudável ou não para uma relação e para quem o sente. Na verdade, sentir ciúme pelo menos alguma vez na vida pode ser inevitável, seja por algum ente familiar, amigo ou pessoa a quem se ama, e acredite: temos crises de ciúme até nos primeiros meses de vida.

A psicóloga Sybil Hart, especialista em desenvolvimento humano, professora na Texas Tech University, comprovou isso por meio de pesquisas voltadas especificamente para descobrir as origens do surgimento do ciúme. Ela constatou durante um estudo com bebês de seis meses que o ciúme foi observado nos pequenos, que o expressaram com caretas quando perceberam as mães dando atenção para bonecas e não a eles. Esse incômodo e desagrado causou surpresa, pois o ciúme apenas era percebido em crianças maiores.

Crescer com ciúme, desenvolvendo-o como sentimento, no entanto, não é nada bom. Uma pessoa ciumenta faz mal para si mesma e a quem convive com ela, pois suas características de insegurança e desconfiança criam relações estruturadas na base do controle, o que só tem o caminho da deterioração dos laços.

Há, então, quem possa se questionar: “Ciúme como sentimento? Como assim?”. A questão é que sentir ciúme é uma coisa, ser ciumento é outra, pois o primeiro é classificado como emoção (algo instantâneo), e o segundo, como sentimento (algo contínuo). E ambos oferecem contribuições bem diferentes para suas relações, independentemente se amorosa ou não.

O ciúme é uma emoção muito comum presente no ser humano e no mundo animal, afirma a psicanalista Priscila Gasparini, de São Paulo. “Há registro de situações de crises de ciúme desde os tempos bíblicos, e não se limita apenas aos humanos. Entre os animais, observamos tendências ciumentas em chimpanzés e elefantes.”

Quando moderado e fruto da emoção, o ciúme é criado por situações pontuais e passageiras que podem ser desde uma roupa mais ousada a uma olhada curiosa para o lado. Esse é o lado positivo do ciúme, porque ele simplesmente pode estimular o zelo pelo parceiro, confirmando para si mesmo o quanto gosta daquela pessoa e tem medo de perdê-la.

A psicóloga paulistana Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama terapêutico, ressalta que pode ser gerado um ciúme considerado saudável também. “Quando há uma situação que incomoda momentaneamente, pode até aumentar a aproximação e deixar a relação aquecida, porque demonstra uma preocupação”, explica.

Existem casais que até desejam que os parceiros tenham um pouco de ciúme para que sintam presente uma chama acessa no relacionamento, um cuidado a mais. A falta da demonstração pode deixar alguns na dúvida da existência do amor e valorização própria, mas embora isso até venha a ser verdade em um ou outro relacionamento, muitas vezes somente significa a segurança e  autoestima intactos do parceiro sem ciúme.

Estado de alerta
A pessoa ciumenta não tem crises esporádicas, mas vive em alerta, desconfiada, alterada e procurando (e esperando) ser enganada ou abandonada. O ciúme patológico deixa a pessoa agressiva,insegura e a mantém com baixa autoestima, com comportamentos exagerados e reprovados.

Entre as atitudes mais comuns, a psicóloga Marina Vasconcelos cita a curiosidade em checar as redes sociais, exigir a senha de e-mail para ficar vasculhando diariamente, ligar para amigos para confirmar a informação dada pelo parceiro, entre outras. “O problema é quando tem sempre essas atitudes e, mesmo quando não tem razão, cria motivo. Ela age assim porque não se considera boa o suficiente para manter um relacionamento e acredita que sempre há ameaças contra seu relacionamento”, explica.

As ansiedades e os pensamentos obsessivos podem ter como origem traumas vividos na família ou de pessoas
próximas, como traições e mentiras. Esse histórico negativo provoca a insegurança, impossibilitando o ciumento de
confiar em alguém.

 “Como é desconfiado e inseguro, o ciumento persegue o parceiro o tempo todo com a intenção de controlá-lo”, diz a psicanalista Priscila Gasparini. Por isso, ele precisa de tratamento à base de antidepressivo e terapia. “Existem casos que em um mês  há uma grande mudança, oferecendo melhoras para a pessoa e seu relacionamento”, acrescenta a psicóloga Marina.

A necessidade de tratamento surge porque o ser ciumento acaba exagerando e aumentando suas ações desproporcionais à realidade. A pessoa tomada pelo ciúme de forma contínua não consegue se controlar, está sempre tensa e preocupada, transforma-se em outra pessoa, porque vive na dúvida, sem nenhuma paz.

Ciúmes diferentes

Homens e mulheres manifestam seu ciúme pelo mesmo motivo: insegurança, insatisfação, desvalorização e baixa autoestima. As motivações é que são diferentes.

Mulheres têm a tendência a mostrar ciúme quando o parceiro sai com os amigos e, principalmente, quando desvia o olhar ao ver outra mulher. A psicanalista Priscila Gasparini acrescenta ainda que a mulher também tem crises de ciúme quando o parceiro valoriza demais o trabalho (o que a faz se sentir em segundo plano) e quando resolve se arrumar melhor.

Os homens, por outro lado, ficam incomodados quando suas parceiras têm amigos homens – ainda mais se são bem-sucedidos –, são independentes, deixando-os inseguros, e a presença da família tira a atenção dela para ele. O quesito vestuário é o mais comum, em especial, quando os homens veem que suas parceiras estão vestidas de forma atraente, o que chamará a atenção de outros homens.

Essas situações são pontuais e podem gerar aquela pontinha de ciúme ou mesmo uma crise, marcada pelas emoções mais afloradas. “O importante é que ambos tenham sempre o bom senso para lidar com o ciúme, para que não interfira na relação. Isso porque, se ele se torna doentio e sem controle, é necessário procurar um profissional para iniciar um tratamento”, destaca a psicanalista.

Você é um pau-mandado?

Publicação Men’s Health em 26/10/2012

Às vezes, o homem faz coisa demais pela parceira e não saca que, assim, pode acabar com ele, a relação, o sexo… Veja os maiores sinais disso e dê off no piloto automático

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

“Como quiser, linda.” É o que você costuma responder à sua musa na hora do sexo, de pensar a trip do feriadão, de parar de beber na festa, ou nessas situações todas e em outras mais? Isso parece confortável: você ganha menos coisa para resolver, agrada e evita conflito com ela. Certo? Nem sempre. Muitas vezes o alívio é ilusório. A longo prazo e sorrateiramente, traz mais problemas que prazeres. Não deixe seu relacionamento à mercê de roubada…

“Habituar-se a deixar as rédeas na mão da garota denota insegurança”, alerta Carlos Eduardo Carrion, psiquiatra do Rio Grande do Sul e consultor da MH. Gera frustração. Em você, nela e no casamento, namoro ou caso. Autorizar suas vontades a ir com alta frequência para segundo plano baixa sua autoestima, ainda que não note. Mais: leva você a parar de surpreender a musa – se faz tudo que ela quer, não faz algo que ela não sabe que quer. E a excitação despenca. “Surpresa e admiração mexem com a neuroquímica cerebral ligada ao tesão”, afirma Carrion. Satisfazendo-a incondicionalmente, você pode broxá-la.

Não sabe bem se é pau mandado da parceira ou está a caminho de virar um? Perguntamos a especialistas quais os maiores sinais disso – as situações que eles mais escutam no consultório. Leia aqui e equilibre seu relacionamento. É fácil – não requer tratamento de choque! E você e ela serão (ainda mais) felizes.

Mimar a garota além da conta pode abalar a força de sua personalidade. 
Aí, você perde poder de sedução

O sinal O sexo rola conforme altos e baixos hormonais da parceira: a “dor de cabeça” dela decide a transa. Você acha até bom: crise de TPM e mau humor podem ser uma fria na cama.
Seu preju “Quando ela fica muito arredia em fases do ciclo menstrual e nega sexo várias vezes e com frequência, o parceiro vai guardando desejos frustrados no inconsciente – por mais que o racional dele diga que ‘ok, mulher é assim’”, alerta Carrion. “Frustrações não assimiladas vão se somando no inconsciente até ‘explodir’, provocar grandes brigas por poucos motivos e fragilizar o relacionamento.” Sem dizer que, cada vez que a musa desfia um rosário de desculpas para não transar, o tesão do namoro perde espontaneidade – rapidinhas não devem ter data marcada, certo?
Sua virada Com massagem, jantar romântico e etc., você até despacha a “dor de cabeça” dela e leva uma noite de boa transa. Mas nas semanas seguintes o problema volta? Lime-o de vez. “Invista num movimento contrário à rejeição dela: recue e permita que a parceira o procure para o sexo”, indica Margareth dos Reis, psicóloga e doutora em ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Quando a garota chegar junto, segure seu amigão e desculpe-se, por exemplo: “Machuquei o joelho no futebol, hoje não dá para rolar”. Ela vai estranhar você não estar a postos. Virá atrás cada vez mais – e que “dor de cabeça” que nada! Ceda ao achar que é hora. Se antes disso a musa pedir uma D.R. (discussão da relação), exponha-se. “Quando o homem se mostra à mulher (e vice-versa), conta como prefere que sejam conduzidas as coisas no relacionamento, dá chance de o casal negociar diferenças e se alinhar”, diz Margareth. Aí, vocês despacham o jogo da rejeição cotidiana.

O sinal Devido à insistência da parceira, você deletou amigas da faculdade e da firma de suas redes sociais. Quis dar (mais) uma prova de lealdade e amor a ela, deixando-os  mais seguros na relação.
Seu preju Ciúme e insegurança feminina precisam de limite. “Esse tipo de atitude provoca despersonalização, permite que outra pessoa decida o que fica de sua própria história”, define Margareth. E homem sem personalidade é broxante para as mulheres. Além disso, seu networking fica desfalcado – e você ainda pode ganhar pecha de antissocial.
Sua virada Nem pense em fazer mau uso do ciúme dela: não construa sua segurança sobre neuras alheias. Em vez de apagar amigas de listas virtuais para se sentir firme na relação, faça a parceira conhecer mais sobre pessoas que de algum modo participaram da sua vida. Taí uma oportunidade de o casal aumentar a intimidade, a cumplicidade e, ao mesmo tempo, o círculo social – o que fortalece o relacionamento. Só não perca a mão: nada de apresentar outras mulheres com carinho exagerado na voz – muito menos se alguma delas for ex, caso recente ou amante.

O sinal A parceira sempre coordena a quantidade de seus copos de cerveja na festa, na happy hour… Você acha ok, pois não arrisca perder a linha, tem alguém para cuidar de você e dirigir na volta.
Seu preju Você volta a se habituar com uma pessoa ditando a medida certa de suas coisas – abre mão do domínio do seu bom-senso. “Isso facilita que o homem crie dependência da mulher”, afirma Marina Vasconcellos, psicóloga formada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Quando isso acontece, ela vai perdendo admiração por ele e, em consequência, tesão”, diz Carrion. “A vida erótica vai ficar pobre.” De repente sua musa pode querer arranjar um Ricardão…
Sua virada Tome as rédeas do seu bom-senso já. Você sabe: há dias em que rola beber um pouco mais, há dias em que não rola. Aplique esse seu conhecimento na prática – ou vai deixar o Ricardão entrar na sua parada? Independência ou morte! Aí, na boa, converse com a garota. “Ela precisa saber que tomar umas a mais, desde que em segurança, não significa desrespeitá-la ou subtrair qualidade da relação”, enfatiza Margareth. Defenda seu ponto de vista com tranquilidade e argumentos consistentes. Explique à parceira que a ideia não é encher a lata para azarar por aí. O legal é, às vezes, curtir biritas para relaxar – isso dá prazer e descontração.

O sinal Você topa mais uma sugestão da garota e se desfaz da sua coleção de vinis e/ou de HQs. Acha legal alguém fazê-lo se livrar de tralhas.
Seu preju Você abre mão de relíquias que deu duro para conquistar – perde o posto de único da turma a ter o vinil de estreia dos Stones e tudo bem? Isso é permitir que um trator esmague suas referências afetivas. “Fazê-lo só para agradar alguém pode ser subproduto de autoestima baixa, do medo de ser rejeitado”, diz Margareth. Aí, as consequências ganham grandes chances de ser desastrosas para o casal. “O homem pode se retrair, ir ficando bastante amargurado.”
Sua virada Relacionamento é troca e cumplicidade. Se concordar em liberar espaço no apê, escolha você o que é melhor doar. Arme um bate-papo para deixar claro à garota que há territórios na vida de cada um que, mesmo numa relação, são invioláveis. Diga a ela algo como: “Jogar fora meus vinis seria o mesmo que pegar dez sapatos seus e pôr no lixo”, sugere Carrion.

O sinal Ela domina a agenda de lazer. Seja a trip do feriado seja o passeio do weekend, você nunca precisa queimar neurônios com a programação.
Seu preju Como fica aquela sua antiga piração de explorar uma caverna no Centro-Oeste do país? Ou de ir surfar com a galera em El Salvador? Ao largar a agenda de sua diversão na mão da parceira, além de muito entretenimento você perde chance de curtir vivências que renovam, geram aprendizado. Dificilmente um dia vai voltar para casa empolgadaço, cheio de história para contar – e fazer sua garota admirá-lo mais. Outra: com o tempo de monotonia, você pode passar a culpar a garota por essa ou aquela viagem (ou todas) terem sido chatas, como as atividades dos finais de semana. Aí, lá vem briga.
Sua virada “Há homem que faz de tudo para evitar qualquer divergência com a mulher, como se isso fosse ruim”, diz Margareth. “Muitas vezes é exatamente na divergência que surge a chance de o casal se curtir melhor.” Ponha a preguiça de lado e divida a definição da agenda cultural com a parceira. Ela pode se amarrar no show do Foo Fighters que você sugeriu. Saiba dizer não e faça propostas – sua musa vai gostar, e aprender com você.

O sinal Você atende a garota pelo celular mesmo no meio do cinema, da reunião… O assunto não é urgente, mas não custa dar atenção a ela.
Seu preju Ser solidário ou atencioso é sempre bem-vindo, mas mostrar predisposição incondicional está fora da curva – isso é para mordomo, não para parceiro. “Ficar o tempo todo acessível é permitir que invadam seu espaço”, diz Marina. A vida a dois não requer subserviência para você ser reconhecido nela.
A virada Preserve e cultive o direito de migrar para sua “caverna” e ficar lá as horas necessárias para o que for (menos trair a parceira – assim esperamos), sem contato com o mundo exterior. Coragem: dê off no celular quando preciso. E sem sofrer! Depois, ela vai “atender” você melhor…

QUEM AVISA AMIGO É

Seu brother é capacho? Para dar um toque sem causar mal-estar, use descontração: brincadeiras com fundo de verdade

Na happy hour Ao pedir os chopes, diga ao barman: “Beto, nem precisa anotar na comanda do meu amigo. Mesmo no bar, ele passa o tempo todo pendurado no celular com a garota, não tem tempo para o copo”.
No Facebook Debaixo da foto do seu brother junto à namorada no musical da Disney, comente: “Legal, cara! O maior festival de música eletrônica que rolou nesse mesmo dia também foi sensacional”.
Na noite da pelada Coloque um novo anúncio no mural. “Procura-se goleiro. O antigo jogador fez o time perder 35 vezes por W.O. – está num namoro sem freios!” Seu amigo vai sacar a ironia – para o bem dele, claro.

 

 

Operação pais, ativar!

Publicado na Revista Atrevida em abril de 2013

Ficar batendo de frente com os seus pais para fazer valer a sua vontade é cansativo, desgastante e, na maioria das vezes, não dá resultado algum. melhor que isso é tentar entender os comportamentos que você mais detesta neles e aprender a resolver tudo na conversa. Tem jeito. E Atrê (Revista Atrevida) garante!

Sabe aquela hora em que a galera da escola arma “a” balada e seus pais a proíbem de ir, sem querer nem conversar? Ou então quando a sua mãe, pra lá de empolgada, resolve só não deixá-la sair com a turma como se convida para ir junto? Se você já foi personagem de uma dessas historinhas sabe que, no momento exato em que seus pais perdem a noção, dá uma vontade louca de surtar. Mas quer saber? Essa não é a coisa mais inteligente a fazer. Tentar entender os motivos que levam seus pais a agirem desse jeito, por outro lado, é um bom começo. Depois, é preciso tentar construir uma parceria com eles, algo que só se consegue com muita vontade e paciência e que (ai!) leva tempo. Mas a gente garante que, no final, vale a pena. Listamos estratégias que não só funcionam como resolvem de forma definitiva as encrencas de casa. E aí, bora tentar?

Quem deu as dicas: os psicólogos Alexandre Bez, Ana Cristina Nassif, Anne Lise Sappaticci, Elizabeth Monteiro, Marina Vasconcellos e Miguel Perosa; a psiquiatra Ivete Gattás e a psicopedagoga e orientadora familiar Georgia Vassimon.

SE ELES QUEREM QUE VOCÊ SEJA FREIRA

Não porque eles são religiosos demais, mas porque detestam a ideia de ver você beijando alguém!

Tente entender: na cabeça deles, você provavelmente é nova demais para levar uma relação adiante e seus pais querem evitar que você sofra. Outro motivo que os leva a proibir terminantemente os seus namoricos é o medo de que eles atrapalhem seus estudos e todos os outros planos que eles traçaram para a sua vida.

E mude você: faça todo o possível para mostrar que é digna da confiança deles, que aprendeu o que eles ensinaram e (importante!) cumpra com seus deveres. Além disso, deixe claro que faz questão da aprovação deles, que se importa com o que pensam e que está disposta a namorar sério e a levar o namorado em casa, para eles conhecerem. Aborde o assunto com jeitinho para não assustá-los. Fale primeiro com quem está mais calmo e companheiro e, depois, peça ajuda para uma conversa em família. No fundo, é tudo uma questão de preparar bem o terreno. Vai na fé!

SE OS SEUS PAIS DÃO MEDO

Eles são tão, tão críticos que você treme da cabeça aos pés quando precisa levar um papo, mesmo que seja sobre uma coisa besta.

Tente entender: provavelmente eles foram criados de forma rígida pelos seus avós e acabaram seguindo o mesmo modelo. O medo de que você se envolva com drogas, bebidas ou outras coisas que não são nada legais também pode justificar o modo como eles agem.

E mude você: em vez de procurar seus pais só quando precisa de alguma coisa, tente puxar assuntos do dia a dia com eles. Pode acreditar:  quanto mais vocês papearem, menor vai ser a distância entre vocês. Daí, no meio dessas conversas à toa, você pode até comentar que gostaria de se abrir mais com eles, mas que se sente insegura. Só cuidado: fale isso num momento em que estiverem bem tranquilos, escolha as palavras e não faça parecer que a culpa é toda deles. Ao contrário, fale em primeira pessoa, tipo: “eu nunca sei como começar uma conversa” ou “eu tenho medo da reação de vocês”. Mesmo que eles façam cara de quem não está dando a mínima na hora, pode ter certeza de que, depois, no travesseiro, eles vão pensar sobre isso. Outra coisa que ajuda é se interessar de verdade pelo que eles estão sentindo ou passando (em vez de ficar imaginando que só você tem problemas no mundo) e até se oferecer para ajudar, sem esperar alguém pedir. Isso vai mostrar a eles que você está madura e merece um voto de confiança. Por fim, se nada disso adiantar, peça ajuda a alguém próximo  em quem eles confiam muito para intermediar essa conversa. Pode ser um tio, um vizinho ou até a professora da escola.

SE ELES VIVEM FAZENDO VOCÊ PASSAR VERGONHA

Ter um tiquinho de vergonha dos pais, na adolescência, é comum. Portanto, você não precisa ficar se achando uma monstra só porque já quis desaparecer  quando eles quiseram dar o ar da graça no meio da galera. Isso é aceitável, principalmente se os seus pais querem ser descolados, não perdem a oportunidade de entrosar com a turma, fazem piada até com sombra e se esforçam pra usar gírias (, na maioria das vezes, usam errado!).

Tente entender: você talvez nem se preocupasse com esse jeito de ser dos seus pais. Até acharia graça. Porque no fundo você sabe o quanto eles são legais, participativos e preocupados com a sua felicidade. Tudo o que eles fazem é pra tentar diminuir a distância que existe entre vocês, simplesmente porque vocês fazem parte de gerações completamente diferentes. Então, antes de chiar, aceite que as atitudes deles são só mais uma forma de amor.

E mude você:  se chegou a ficar vermelha que nem pimenta só umas duas ou três vezes na vida pelo comportamento deles, melhor fingir que nada aconteceu e simplesmente relevar. Agora, se isso acontece toda hora e já está fazendo você ganhar apelidinhos chatos na turma, abra o jogo e fale como se sente. Seja direta e diga o que gostaria que eles não fizessem na frente da turma. Mas seja doce e gentil nesse papo, para não magoá-los. Por outro lado, nada de ficar criticando a galera de casa o tempo todo, querendo mudar o jeito deles. Pensa: você também não detesta quando fazem isso com você? Então… Tente olhar as mil qualidades que eles certamente têm e valorize o esforço que fazem por você. Na dúvida, se sua turma encher você por causa disso, delete os amigos. Os pais valem mais!

SE ELES DETESTAM SEUS AMIGOS

Eles nem conhecem sua galera, mas adoram dizer que são péssima companhia? Pior: não querem mais nem que você saia com eles!

Tente entender: por algum motivo, seus pais têm medo de que os amigos influenciem você a tomar atitudes erradas ou simplesmente temem que a turma a faça sofrer. Tudo não passa de uma preocupação (que muitas vezes até faz algum sentido) com a sua saúde, seu bem-estar e a sua felicidade.

E mude você: para acabar de vez com o problema, ou você mostra para eles que seus amigos são cabeça-feita ou mostra que, independentemente das amizades, você já sabe o que é melhor pra você. As duas coisas dão trabalho. No primeiro caso, você vai ter que pedir autorização para para levar a galera para casa, para permitir que seus pais conheçam, de verdade, esses amigos. Se os garotos e garotas forem realmente do bem, seus pais vão sacar na hora. Uma alternativa é demonstrar, nas pequenas atitudes do dia a dia, o quanto você é madura e responsável com você mesma, com as suas coisas e com a escola. Por fim, se mesmo assim seus pais continuarem implicando, vale colocar a cabeça no travesseiro e analisar se, de fato, eles não estão com razão. Se chegar a conclusão de que a sua turma não tem mesmo muito a ver com você ou que ela não respeita tanto o seu jeito de ser, os seus valores e a sua vontade, é sinal de que o melhor a fazer mesmo é pular fora.

SE OS SEUS PAIS TE CONSIDERAM UMA CRIANÇA

Eles são suuupercarinhosos e paparicam você demais. Por outro lado, querem controlar to-dos os seus passos, usam apelidinhos bregas para chamar sua atenção no meio de toda a turma e, se bobear, não deixam nem você ir até a esquina se não estiver escoltada por um adulto.

Tente entender: seus pais simplesmente não suportam a ideia de ver você sofrendo. Por isso, eles querem, de todo jeito, protegê-la e facilitar a sua vida. Amam você mais que tudo e, mesmo com o seu crescimento, ainda não perceberam que você sabe se cuidar.

E mude você: para ser vista como uma menina mais madura, você terá de assumir mais responsabilidades e, claro, provar que dá conta delas. Cumprir com os seus deveres e levar a sério os estudos, manter as suas coisas organizadas, ajudar em casa e tratar bem os seus irmãos são atitudes que vão passar aos seus pais o recadinho de que você cresceu. Se mesmo assim eles continuarem o velho discurso, explique a eles o quanto isso a incomoda e lembre-os de que, infelizmente, você não poderá contar com eles em todos os momentos da sua vida e que, por isso mesmo, precisa aprender a se virar sozinha. É certeza que eles vão considerar seus argumentos.