O meme “Fé nas malucas” fez a internet discutir ciúme excessivo na relação…

Publicado em Universa UOL/Relacionamentos, 03.06.19
Por: Jacqueline Elise

Getty Images/iStockphotoO que começou como uma brincadeira na internet se tornou “justificativa” para ciúme e insegurança

Uma expressão tomou o Twitter novamente nas últimas semanas: “Fé nas malucas”. Desde 2018 saíram músicas com a frase, com homens cantando sobre suas namoradas que eles chamam de “surtadas” e “ciumentas” por elas desconfiarem da fidelidade deles –e que eles as amam desta forma.

Dizer que a companheira é “surtada” pode passar um estereótipo machista sobre as mulheres, mas teve gente que abraçou o meme e “assumiu” a pecha de louca.

O problema é que a coisa passou dos limites e expôs situações que podem ser reconhecidas até como ciúme excessivo: quando um implica que o outro colocou senha no celular, que ele não deixou ler suas mensagens de texto ou quando passa a controlar com quem a pessoa sai e quem curte as postagens dela nas redes sociais, por exemplo.

Apesar de ter começado como uma brincadeira, algumas pessoas acharam que o “fé nas malucas” deu margem para que o ciúme e a insegurança fossem romantizados nas relações, especialmente naquelas entre homens e mulheres –por isso o “malucas” está no feminino. Além disso, trata o sentimento como se fosse exclusivamente feminino –o que, claro, não é verdade.

Ao mesmo tempo, tem quem acredite que os homens deram motivos para que as mulheres ficassem tão inseguras nos relacionamentos ao traí-las e descreditarem qualquer suspeita da parceira.

Mas, afinal, o “fé nas malucas” tem razão para existir ou o pessoal está passando dos limites e tentando justificar o injustificável?

Insegurança gera ciúme, mas é coisa de mulher?

Ciúme é um sentimento comum do ser humano e que não escolhe gênero, mas mulheres são constantemente vistas como naturalmente ciumentas e tidas como “malucas” por se sentirem assim. Ellen Moraes Senra, psicóloga e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, explica que as redes sociais viraram ferramentas para alimentar o ciúme alheio, mas que estereótipos de gênero também influenciam nas relações e faz com que algumas mulheres se sintam inseguras em um relacionamento com um homem.

“Ainda existe uma grande defesa da sociedade machista de que ‘homem trai mesmo, faz parte’, isso influencia na sensação de insegurança. Com as redes sociais as coisas ficam mais escancaradas, uma delas é a traição. Então o que antes era feito por baixo dos panos fica exposto para todos saberem, e não é uma exposição só para ele, é para ela também”, explica.

Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramista e terapeuta familiar pela PUC-SP, também afirma que existem pessoas manipuladoras, que tentam convencer o outro de que ele não fez nada e que é tudo invenção –o famoso gaslighting–, quando na verdade está tentando esconder algo. “Você pode ter razão de duvidar de alguém, mas aí a pessoa vai inverter a situação e fazer a outra se sentir culpada por pensar assim, fazendo-a parecer louca e culpada”, diz.

Quando o ciúme se torna doentio?

Apesar desses fatores, o ciúme não pode se tornar obsessão nem ser justificado como “prova de amor”. Marina afirma que, se não houver limites, o ciúme pode se tornar preocupante.
“O ciúme passa a ser considerado patológico quando você não tem motivo específico para tê-lo. Tem a ver com o fato de a pessoa não confiar nela mesma, quando ela controla o outro, seja olhando as redes sociais do parceiro o tempo todo e perseguindo quem curtiu o que o outro postou, quer ver o WhatsApp e ler as conversas pessoais dele”.

Ela explica que a origem deste comportamento pode estar atrelada a eventos marcantes no passado, como exemplos pouco saudáveis de relacionamentos na família ou uma traição passada que resultou em trauma.

Como se livrar desse comportamento?

As especialistas aconselham que o assunto seja tratado em terapia, tanto para saber de onde vem tanta insegurança quanto para encontrar formas de aliviar o ciúme. Marina recomenda que a pessoa ciumenta escute mais o parceiro e amigos, para receber um “feedback” de como as atitudes dela afetam suas relações.

Ellen também afirma que é preciso trabalhar a autoestima e a autossuficiência. “A gente precisa entender que não comanda o outro. Não adianta querer fuçar o telefone, ligar de cinco em cinco minutos para saber onde o outro está. Não dá para achar que a pessoa está fazendo um favor para ficar com você, porque isso leva a comportamentos obsessivos, faz com que você deixe de viver sua própria vida”.

É preciso, também, perceber os sinais de um relacionamento tóxico. Se a pessoa não te fazer bem e ainda faz você pensar que é “maluca”, cuidado: há grandes indícios de que há abusos nessa relação.

Excluir as fotos ou não? O que fazer no Instagram quando a relação acaba?

Publicado em M de Mulher, 13.07.18
Por Por Raquel Drehmer

A decisão é de cada um, obviamente, e não tem nada a ver com ainda amar a outra pessoa.

Excluir as fotos ou não? O que fazer no Instagram quando a relação acaba?

Sempre que surge o boato de que algum casal famoso se separou, uma forma de checar se está tudo bem ou não é ver se as fotos dos pombinhos ainda estão no Instagram. Se tiverem sido deletadas, já sabemos que a próxima notícia deve ser a confirmação oficial do fim do relacionamento. Também rola de haver a confirmação e só um tempo depois rolar essa “limpeza” no feed.

Na verdade, isso não acontece só com os famosos: entre nós, anônimos, o dilema de deletar ou não as fotos do Instagram depois do fim de um relacionamento também é real.

A empresária Carolina Marins apagou todas as fotos em que aparecia o ex-marido e pai de seu filho quando o casamento de 11 anos acabou. Foi uma decisão difícil, como ela conta: “Pensei muitas vezes antes de apagar fotos em que ele estava com nosso filho ou fotos de festas legais a que fomos. Mas eu não queria correr o risco de ver a cara dele quando estivesse procurando alguma outra foto no meu perfil, porque nossa separação foi traumática, com abuso psicológico.”

De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, que atende um grupo de amor patológico no PRO-AMITI (Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso) do Hospital das Clínicas de São Paulo, é justamente a história do fim que acaba determinando a atitude das pessoas em relação às memórias em redes sociais:

“Tudo depende do tempo de relacionamento, do quanto foi bom, do quanto foi traumático. Às vezes, a pessoa quer esquecer que a outra existe, e excluir as fotos de um Instagram ajuda nesse processo.”

Exatamente por isso, deixar as fotos no feed pode significar apenas que o fim foi tranquilo e que não ficaram sentimentos ruins – nada a ver com um amor residual. “Uma foto no Instagram não é um porta-retrato na sala. Pode ser apenas uma foto de que a pessoa gosta, por ser de um momento bom que passou”, observa Marina.

Não se pode apagar o passado

Foi o que rolou com a programadora Jéssica Aline, que optou por deixar as fotos com o ex em seu feed.

“Quando tomei a decisão de tirar as fotos físicas dos porta-retratos de casa, questionei se faria o mesmo processo digitalmente. Minha conclusão foi que, diferente das fotos que eu tinha em casa, que eram objetos de decoração e tinham uma função de apreciação, as fotos digitais têm um significado diferente. Instagram e Facebook são, para mim, uma espécie de registro, então apagar de lá não faria sentido”, pondera. “O relacionamento acabou, mas em algum momento ele aconteceu. Então, desse ponto de vista, é natural que o registro fique lá.”

Excluir as fotos ou não? O que fazer no Instagram quando a relação acaba?

E quando um novo relacionamento começar? Será que as fotos podem continuar lá? Jéssica acredita que sim: “Um relacionamento novo não muda o fato de que eu estive em um relacionamento anterior, que coisas boas e ruins aconteceram e inclusive ajudaram a moldar quem eu sou hoje.”

O posicionamento maduro de Jéssica é o gancho para um alerta da psicóloga Marina sobre novos mozões ou mozonas que tentem forçar uma limpeza de feed de rede social. “Ninguém apaga o passado, ele continua existindo. Ninguém pode pedir que o outro ou a outra ‘apague o passado’ em uma rede social. Tem que respeitar a decisão alheia. Esse tipo de exigência pode ser um indício de relacionamento abusivo”, nota.

Indecisa se apaga ou não? Aproveite a função “ARQUIVAR”

Pode ser que seu término tenha sido ok e você esteja em dúvida se exclui ou não as fotos de um ou uma ex em seu feed. Ficar olhando para elas não é exatamente agradável, mas apagar para sempre também parece exagerado.

Neste caso, faça como a publicitária Aline (que pediu para não ter o sobrenome publicado, “para meu ex não ficar se achando, rsrsrs”), que colocou mais de cem fotos no arquivo do Instagram. “Não vou voltar a publicá-las, mas achei meio over excluir de fato. Elas estão ali guardadinhas e tudo bem. Não incomodam ninguém”, explica.

Para arquivar uma foto no Instagram, basta abri-la, clicar nos três pontinhos no canto superior da tela e selecionar a primeira opção, que é justamente “ARQUIVAR”.

Quando quiser ver as fotos arquivadas, basta ir até seu perfil e clicar no símbolo que parece um relógio ao lado de seu nome; é o arquivo. Lá estarão o arquivo de publicações e o arquivo de stories. Fique tranquila: só você consegue ter acesso a essa funcionalidade.

Cortar contato e excluir o ex das redes sociais não é sinal de imaturidade

Publicado em UOL, Estilo/ Relacionamento, 17.03.17
Gabriela Guimarães e Marina Oliveira
Colaboração para o UOL

Amizade é possível, mas depois de um tempo

iStock

Foi bom enquanto durou, mas agora é cada um para o seu lado. E, de preferência, sem contato – ao vivo ou nas redes sociais. Terminar um relacionamento, geralmente, é um processo bastante sofrido. Por isso, muitas pessoas preferem cortar todo tipo de relação com o ex. E não há nada de errado nisso.

“É uma questão de se preservar. Para esquecer, precisamos de um pouco de distância. Não cabe a ninguém julgar essa decisão, porque só quem viveu a relação sabe o que está sentindo. Ainda que não haja vontade de voltar, há sempre um resquício de sentimento, que pode ser raiva e decepção, por exemplo”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em terapia de casais e família pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

O psicólogo Breno Rosostolato, professor da Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo, tem a mesma opinião. “Eu só não concordo com aquela história de ‘ex bom é ex morto’, porque isso tem a ver com desejar mal para o outro e alimentar um sentimento de amargura. Mas se vai fazer bem pra você deletá-lo do Facebook ou bloqueá-lo no WhatsApp, por que não?”, questiona.

Uma pesquisa conduzida na Universidade de Brunel, na Inglaterra, divulgada em 2012, avaliou a relação entre o uso do Facebook e a recuperação pós-namoro. O levantamento mostrou que os participantes que fuçavam demais na vida do ex demoraram mais para curar a dor da separação. Já os que cortaram o contato acabaram relatando menos sentimentos ruins em relação ao término, bem como menos desejo sexual pelo ex.

Alguns poucos voluntários da pesquisa declararam que conseguiram se sentir melhor ao acompanhar a vida do ex on-line porque, ao ler as postagens, chegavam à conclusão de que aquela pessoa não era a certa mesmo. No entanto, o psicólogo Walter Mattos, da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, diz que esse processo não é tão simples assim. “Tipicamente, os nossos sentimentos moldam as nossas ideias, e não o contrário. É mais fácil ler sobre as atividades do ex nas redes sociais e amplificar sentimentos do que atenuá-los”, diz.

Ex-namorados podem se tornar bons amigos. Mas, de acordo com os especialistas, não convém ter pressa para virar a chave da relação. “Você tem que superar o término. Talvez vocês se reencontrem e percebam que tudo está resolvido. A amizade acontece quando ambos não se enxergam mais como possíveis parceiros”, diz Marina.

A distância é ideal para parar de olhar para fora –no caso, para o outro– e passar a olhar para dentro. “Elaborar as nossas tristezas e perdas é o que promove a saúde psíquica, na maioria dos casos. Mas é difícil fazer isso imerso em sentimentos ruins. O tempo longe ajuda a atenuá-los e a equilibrar memórias: a recordação do que foi bom e do que foi ruim. Também ajuda na atribuição de sentido e aprendizado ao que foi vivido com o outro”, diz Mattos.

O tempo de superação do término é individual, contudo, a forma como a relação chegou ao fim influencia -e muito– no que acontecerá depois. “Quando a decisão da ruptura parte da outra pessoa, é bastante comum um certo inconformismo, misturado com insegurança e tristeza”, afirma o psicólogo.

Por fim, é preciso ter em mente que um ex só se torna amigo do outro quando os dois querem continuar em contato. “Não adianta forçar a barra se o outro não está preparado. Você não tem mais o direito de se impor na vida dele”, diz Marina.

 

9 verdades e 1 mentira: jeito novo de jogar confete em si mesmo no Facebook

Publicado em UOL, Estilo/ Comportamento, 17.09.17
Adriana Nogueira

Do UOL

Getty ImagesPor mais que  se diga querer apenas brincar, o desafio coloca a pessoa em evidência e isso dá prazer.

Você pode até não ter feito a sua lista, mas, com certeza, já esbarrou com alguma no Facebook. Para quem – sabe Deus como – não tem ideia do que se trata, é um desafio que consiste em enumerar nove fatos verdadeiros aparentemente improváveis sobre si mesmo e, no mesmo tom, uma mentira.

Há aqueles que torcem o nariz e não participam, mas os que mesmo de fora enxerguem como exibicionismo e cutuquem com “não consigo pensar em verdades tão interessantes sobre mim mesmo”. O UOL resolveu colocar a nova mania da internet no divã: está todo mundo só querendo aparecer, mesmo?

“Por mais que se argumente ter entrado pela brincadeira no desafio, ele atrai atenção, coloca a pessoa em evidência, que é uma das funções básicas das redes sociais”, afirma o psicólogo Yuri Busin.

O contador de causos

A necessidade de estar em evidência não foi inventada pelo Facebook e afins. Basta pensar naquele sujeito que, em uma festa qualquer, reúne gente em torno de si contando causos e façanhas.

“A questão é que com as redes sociais é mais fácil você se expor”, afirma a psicóloga e terapeuta familiar Marina Vasconcellos.

A especialista até diz achar possível que há quem entre na onda apenas para brincar mesmo, sem ter como objetivo se exibir. “A pessoa pode não ter pensado em contar vantagem, mas nada garante que ela não será vista assim por quem a ler nas redes sociais.”

Na opinião dela, esse é um dos pontos: a comunicação nessas plataformas também depende de como quem a receber irá interpretar. “Cada um tem seus filtros e vai aplicá-los na hora de ler.” Para Marina, quem aderir à brincadeira tem de estar pronto para entender que tanto pode ser acolhido quanto criticado.

Yuri Busin afirma que não há mal algum em querer usar a brincadeira para tirar dela prazer por ser alvo de atenção. “O uso das redes sociais só se torna negativo se a pessoa só se pauta por elas. Quando interage apenas no ambiente no ambiente virtual.”