Ter uma mente positiva faz você viver mais

Publicado em Vogue/Globo.com, 11.10.19
Por: Márcia Di Domenico/ Estúdio de Criação EGCN

Aprenda a colocar em prática atitudes que alimentam o otimismo

 

 

 

 

 

 

Encarar os altos e baixos da vida com leveza nos ajuda a viver mais

Tem gente que pensa na felicidade como a ausência de tristeza, problemas ou conflitos. Só que a vida de todo mundo é feita de momentos ruins também: uma doença, a perda de alguém amado, o fim de um relacionamento e tantas outras situações que tornam difícil olhar para a vida com otimismo. Encarar os altos e baixos do dia a dia sem perder a ternura é um treino diário, em que você precisa exercitar habilidades como paciência, gratidão, compaixão e desapego. Nem sempre é fácil, mas o resultado compensa: além de se tornar uma pessoa melhor e mais agradável para quem está em volta, você vive mais.

Foi o que revelou um estudo divulgado este ano, uma parceria entre a Faculdade de Medicina da Universidade de Boston e da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, ambas nos Estados Unidos. Os pesquisadores descobriram que pessoas que levam a vida com otimismo e positividade têm mais chance de alcançar o que os especialistas chamam de “longevidade excepcional”, o que significa ultrapassar 85 anos – em média, 15% a mais do que os pessimistas, segundo o trabalho. A pesquisa acompanhou mais de 70 mil mulheres e homens ao longo de 30 anos, avaliando periodicamente seus hábitos de saúde e comportamento.

A genética até explica por que algumas pessoas têm tendência maior do que outras a ver sempre o copo meio cheio, o que teria a ver com a presença de genes específicos no DNA. Mas os especialistas concordam que ser ou não otimista é mais uma questão de se comprometer com a própria felicidade. Por exemplo, pessoas positivas tendem a se cuidar mais, comer melhor, praticar atividade física, fumar menos – o que se reflete em menos stress e doenças. Mas também há a consciência de que é preciso tomar as rédeas da vida e mudar aquilo que não está bom. “Não adianta simplesmente mentalizar ou repetir que tudo vai dar certo. É preciso identificar os obstáculos, avaliar seus recursos e partir para a ação”, fala a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo. E nunca é tarde para isso. “Pode ser mais difícil mudar na maturidade, afinal nos acostumamos a pensar e agir de determinadas formas e ficamos mais resistentes. Mas sempre é tempo de adotar novas atitudes”, diz.
É possível treinar o cérebro para ser mais positivo e feliz. Veja atitudes para colocar em prática no dia a dia.

Pratique gratidão: está comprovado que quando você reconhece e agradece sinceramente pelas coisas que tem na vida, tende a diminuir a comparação com os outros (essa é umas das principais fontes de infelicidade que há!), o que eleva a autoestima e a resiliência e melhora os relacionamentos. “A mente no modo gratidão libera no cérebro dopamina, serotonina e oxitocina, substâncias que aumentam o bem-estar e a felicidade”, comenta a neurologista Aline Turbino, de São Paulo. “Fazer desse estado de espírito uma constante é uma forma de prevenir doenças psíquicas, como stress, ansiedade e depressão, que são fatores de risco para males físicos”, completa. Comece um diário de gratidão, anotando os acontecimentos e emoções positivas do seu dia, e você vai perceber que tem muito mais a agradecer do que imagina.

Cuide dos relacionamentos: uma pesquisa da Universidade Harvard (EUA), divulgada há poucos anos, a mais longa já feita sobre longevidade – acompanhou mais de 700 participantes ao longo de 75 anos –, mostrou que o segredo das pessoas que vivem muito é cultivar relações sólidas e felizes. “Descobrimos que pessoas com boas conexões sociais são mais saudáveis e vivem mais, enquanto a solidão e os relacionamentos tóxicos encurtam o tempo e a qualidade de vida”, diz o psiquiatra Robert Waldinger, diretor do estudo, em sua palestra no TED que viralizou recentemente.