FELIZ E SOZINHA, SIM!

Publicado em Women’s Health,  28.04.17

Com novos dados provando que mais mulheres estão encontrando felicidade na vida de solteira, a WH explora essa tendência

Se todos os solteiros do Brasil colocassem as mãos para cima agora, haveria cerca de 77 milhões de adultos envolvidos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), sendo 50,8% deles mulheres, prontas para dançar ao som de “All the Single Ladies”, da Beyoncé. Mas engana-se quem pensa que elas estão tristes com isso. Se antes a regra era encontrar filmes com mulheres lamentando-se e caçando namorados, como em “Ele não está tão afim de você” (2009), agora damos de cara com Amy Schumer desesperada para não entrar em um relacionamento em “Descompensada” (2014) ou Julia Roberts e Reese Witherspoon representando, em “Comer, Rezar e Amar” (2010) e “Livre” (2014), garotas que deixam seus relacionamentos em segundo plano para viajarem sozinhas em busca de autoconhecimento. De fato, para a maioria delas, é preferível estar sozinha, mas bem-sucedida e satisfeita do que em má companhia, segundo confirma uma pesquisa recente. Vire a página para conhecer quatro tipos de mulheres solteiras que estão redefinindo o que significa ser livre – além dos casais que passaram a mudar suas rotinas para se adaptar a essa nova realidade.

Perfil: cheia de amigos

O calendário está cheio de planos? Nada de estranho aí. Um estudo do Journal of Social and Personal Relationships (EUA) descobriu que as pessoas solteiras são mais propensas a ter a vida social mais ativa e ficar em contato com seus amigos e família mais frequentemente que pessoas compromissadas. (Quem nunca teve uma amiga que virou fantasma após começar a namorar? Ou uma irmã que evaporou do mapa ao se mudar para outra cidade com seu marido? A bolha do amor é real). Toda essa socialização abre as portas para conhecer novas pessoas – e talvez um amigo especial para dividir o quarto à noite. Estudos provam que as mulheres gostam e desejam sexo casual tanto quanto os homens. E isso é apenas um bônus, entre os vários prazeres de ser solteira.

Aplique na vida

Não importa se você é solteira ou comprometida, ter à disposição uma gama de amigos para chamar de seus pode dar mais preenchimento a sua vida do que um relacionamento romântico. Aliás, enclausurar-se a uma relação e não ter essa convivência múltipla é prejudicial: “viver em função de uma pessoa gera muita dependência e ansiedade, você perde de vista a sua individualidade”, diz Gabriela Malzyner, psicóloga e professora do curso de psicanálise do Centro de Estudos Psicanalíticos, em São Paulo. “Se não tivermos contato com outras realidades e uma troca de experiências e opiniões com amigos, nossas referências e parâmetros diminuem”, completa. Mas fazer a ronda nas atualizações de seus amigos nas redes sociais não vai bastar – você realmente tem que curti-los em tempo real. Caso tenha sido uma eremita social ultimamente, Marina Vasconcellos, psicóloga e professora do curso de Psicologia Médica da Universidade de São Paulo, sugere reconectar com alguém que daria apoio a seus objetivos atuais. Como, por exemplo, a sua amiga obcecada em postar selfies de academia no Instagram, que pode ajudá-la a voltar para sua rotina de treinamento, ou aquele conhecido que sempre comenta sobre livros e filmes e seria ótimo para indicar alguns – e depois conversar sobre eles também. “Outra ideia é inscrever-se em atividades que possam ser feitas em grupo e que promovam mais de um encontro, como um curso de culinária ou aulas de dança”, diz ela. “O interesse em comum pode unir as pessoas e serve de ponto de partida para começar uma conexão.” O importante é manter sua mente sempre aberta e perceber que alguns amigos serão melhores para se divertir, enquanto outros podem ser ótimos para uma conversa mais séria. Por isso, vale investir em uma rede ampla de amizades.

Perfil: a dona de casa

Comparada à geração de nossas avós, estamos buscando cada vez mais diplomas acadêmicos e salários significativamente maiores. Então, com essa independência, por que não estaríamos bancando nossas próprias casas também? Nos Estados Unidos, a tendência é forte entre as solteiras: o último relatório da National Association of Realtors, uma rede virtual norte-americana de corretagem de imóveis, mostra que as mulheres solteiras compõem 16% dos compradores de casa, enquanto 9% são homens na mesma situação civil.

Aplique na vida

Segundo Julyana Bortolotto, arquiteta e dona de escritório homônimo em São Paulo, a crise financeira que estamos atravessando tornou o mercado imobiliário favorável para quem quer comprar. Há, ainda, muitas oportunidades de aluguel em valores abaixo dos praticados no ano passado, sendo que, dentre todas as opções, o apartamento pode ser a melhor, por ser mais seguro. Na hora de mapear o bairro, selecione aqueles que melhor atendem ao seu dia a dia. “Há muitas ofertas no mercado, mas a dica é escolher um próximo ao seu trabalho e bem localizado em relação a comércios e passeios de seu interesse, como um parque ou ciclovia”, diz Julyana. Se você não sabe por onde começar, há algumas dicas que valem a anotação. “Para evitar qualquer perrengue futuro, tenha um fundo de emergência no mínimo seis vezes maior do que o valor do custo mensal investido na aquisição”, ensina Thiago Nigro, de São Paulo, dono do site de investimentos O Primo Rico (oprimorico.com.br). Segundo ele, o ideal é alugar um imóvel e economizar o que restar da renda fixa mensal para juntar caixa. Quando tiver guardado o suficiente, poderá comprar sua casa com algum desconto e ainda terá feito isso em menos tempo do que se tivesse financiado por trinta anos. É só se organizar!

Perfil: a viajante

De acordo com o Estudo sobre Intenções de Viagem da Visa Global, feito em 2015, 40% dos viajantes solo são mulheres. E elas estão dominando o cenário das atividades mais aventureiras, como rafting, por exemplo. Já uma pesquisa feita pela plataforma Booking.com revelou que 63% das viajantes solteiras relatam se sentir mais energizadas depois de tirar férias sozinhas em comparação àquelas curtidas junto de outra pessoa

Aplique na vida

Você pode não saber se localizar e pegar ônibus em um lugar estrangeiro a princípio, mas quando você supera esse sentimento de ansiedade, realmente aprende sobre você mesma, sua perseverança e resistência. Há ainda outras vantagens relacionadas a essa jornada, como o ganho de independência. “Deixar de achar que precisa da aprovação da família, dos amigos, do (a) parceiro(a) e saber que pode e deve ter um tempo para si mesma não tem preço”, diz Gaía Passarelli, de São Paulo, autora do livro “Mas você vai sozinha?” (R$ 39, Editora Globo). Além disso, o seu itinerário pode ser feito sob medida – o que significa que você pode acordar a hora que quiser e fazer o roteiro que bem entender sem dar satisfações ou justificar-se a ninguém. Segundo Gaía, no entanto, é essencial ter consciência de sua vulnerabilidade e saber quais são os códigos culturais do destino. Aplicativos gratuitos como Jetzy e Skout (disponíveis para iPhone e Android) podem conectá-la a outros viajantes com base em sua localização, para que você possa pedir dicas instantâneas e quentes, que fujam dos pontos turísticos tradicionais.

Perfil: a mãe autossuficiente

Ano passado, uma pesquisa realizada pela Data Popular revelou que há mais de 20 milhões de mães solo no país, sendo que 55% pertencem à classe média, 25% à classe alta e 20% à baixa. Ainda dentro desse estudo, constatou-se que as mães do século 21 são menos conservadoras em relação às do século anterior: no passado, 75% dessas mulheres acreditavam que só era possível ser feliz com a constituição de uma família. Agora, o número caiu para 66%, validando a tendência.

Aplique na vida

Agora que é mais comum, ter uma criança sozinha já não é tão socialmente estigmatizado. “Se a mulher é bem resolvida consigo mesma e está segura de sua decisão, não há porque não tomá-la”, diz Maura de Albanesi, de São Paulo, psicóloga, coach e escritora. Como Nathália, é claro, você precisará ter um sistema de apoio bem consolidado. “Durante a gravidez e após, o emocional fica delicado. Além disso, é difícil educar um filho sozinha, pois você canaliza todos os papéis no crescimento da criança. É essencial ter a família e os amigos por perto para uma estrutura afetiva”, acrescenta Maura. A decisão deve ser muito bem planejada: de acordo com um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent), o custo de criar um filho até seus 23 anos pode sair entre R$ 407 mil e R$ 2 milhões de reais.

 

 

A importância da corrida para saúde da mulher

Publicado no site Sua Corrida/W RUN, 28.11.16

Pesquisa revela que o esporte já ajudou 23% das atletas a vencerem doenças como câncer e depressão

A participação feminina nas corridas de rua do Brasil não para de aumentar. Segundo dados da Federação Paulista de Atletismo (FPA), 274.070 mulheres concluíram provas em São Paulo em 2015. Isso representa um crescimento de quase 23% em relação a 2014, quando 223.344 corredoras cruzaram a linha de chegada de competições disputadas no estado.

Mas o que elas buscam no esporte? Para encontrar a resposta e entender melhor como o exercício auxilia na saúde, na autoestima e no bem-estar das mulheres, a Iguana Sports, empresa que realiza a Wrun e Venus, as duas maiores corridas femininas do Brasil, fez uma pesquisa com 2.541 corredoras. A maior parte delas (27,5%) começou a treinar para cuidar da saúde. Além disso, 59% acreditam que correr é fundamental para prevenir doenças graves. E com razão: “Qualquer exercício supervisionado promove melhorias na saúde física e mental”, afirma Paula Beatriz Fettback, doutorada em ciências médicas, obstetrícia e ginecologia pela Universidade de São Paulo (USP). Segundo a especialista, entre os males que a corrida ajuda a combater estão diabetes, hipertensão, sobrepeso e problemas cardíacos.

Corrida contra o câncer
Na pesquisa, 23% das mulheres afirmaram já ter superado um problema grave com a ajuda do esporte. Entre as doenças mais citadas por elas estavam a depressão e o câncer de mama. “O exercício fortalece o sistema imunológico e a parte emocional. Isso realmente ajuda bastante durante o tratamento de tumores”, diz Paula Beatriz. A corrida contribui não só no combate à doença, mas também na prevenção. Uma pesquisa publicada no Journal of The American Medical Association, que analisou mais de 1,4 milhão de pessoas, aponta que a atividade física regular reduz em 20% o risco de desenvolver 13 tipos de câncer, entre eles, o de mama, de cólon, de esôfago, de fígado, de rim e de estômago.

Corpo são, mente sã
O esporte também é, comprovadamente, um grande aliado contra a depressão. “Exercícios aeróbicos trazem uma contribuição excepcional ao tratamento de doenças psiquiátricas. Isso porque, a atividade física libera substâncias como a endorfina e serotonina, que aumentam o bem-estar, relaxam e reduzem a ansiedade”, explica Paula Beatriz Fettback.

Os benefícios para combater esse tipo de doença não ficam apenas no aumento da produção de neurotransmissores que trazem prazer. “Correr modela o corpo e faz com que as mulheres se sintam mais bonitas, confiantes e fortes para enfrentar os problemas do dia a dia”, acredita Marina Vasconcellos, psicóloga e professora colaboradora do curso de psicologia médica da Universidade de São Paulo. Também ajuda a construir novas amizades, aumenta o contato com a natureza, melhora a qualidade do sono e leva as pessoas a se alimentarem melhor. “O esporte proporciona diversos hábitos que auxiliam na prevenção e cura da depressão. Realizar exercícios aeróbicos regularmente é ótimo para a autoestima, o bem-estar e a saúde da mulher ”, finaliza Marina Vasconcelos. De fato, no levantamento feito pela Iguana Sports, quase 90% das corredoras concordaram que treinar é essencial para elevar o bem-estar e a autoestima. Veja o resultado completo da pesquisa no infográfico.

Corrida-saúde-da-mulher

Filmes inspiram a sexualidade: cautela!

Atmosfera Feminina, 12/03/2015

Um tapinha não dói? Ah, às vezes ele dói, sim, e a ponto de “machucar” a autoestima, o respeito e o amor entre os parceiros. Por isso é preciso dosar até onde você e seu companheiro topam ir, quais brincadeiras sensuais vão deixar a relação mais prazerosa e – superimportante – vocês dois confortáveis para jogar. “Se não sabe por onde começar, vale se inspirar na história contada por uma amiga, na dica publicada na revista, num livro ou mesmo num filme, mas sempre tomando o cuidado de fazer uma adaptação para o seu relacionamento”, avisa a psicóloga e terapeuta de casal Marina Vasconcellos, de São Paulo.
Segundo a especialista, inovar nas posições, na produção, na escolha do lugar, na postura (de submissão ou controlador), no uso de objetos, na realização de fotos ou filmagens, por exemplo, pode ser divertido e saudável quando, além do “durante”, o casal também pensa em como será o “depois”. “Afinal, toda ação tem uma consequência”, completa ela.
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Por onde começar
Na dúvida sobre o que trará bem-estar e será bem aceito pelo outro e por você, a recomendação da terapeuta de casal Marina Vasconcellos é ir com calma ao invés de radicalizar logo de cara e correr o risco assustar e perder o controle da situação. Seja qual for a escolha, lembre-se que temperar a relação ou sair da rotina sexual não é algo conseguido apenas com novos brinquedinhos. “Às vezes, mudanças simples e sutis no dia a dia, como usar uma lingerie diferente, ter relações em outro cômodo da casa que não apenas o quarto ou iniciar a noite com um romântico jantar a dois pode surtir muito mais efeito”, conclui a especialista.

Síndrome da vergonha do corpo

Publicado no Atmosfera Feminina em 19/03/2014

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

É tanta correria no dia a dia que muitas mulheres só lembram que não levaram a dieta e a ginástica a sério bem na hora de vestir o biquíni. Em contrapartida, há aquelas que comem direitinho e malham regularmente e, mesmo assim, não estão seguras o suficiente para se expor no duas-peças. Seja qual for o seu caso, o fato é que o momento de aproveitar a praia e a piscina é agora; e não vale perder essa deliciosa oportunidade enquanto ainda está calor.
Para se sentir ainda mais estimulada a se divertir sob o sol sem encanações, o negócio é se propor a parar de ser infeliz por não entrar num biquíni tamanho P – a felicidade vai muito além disso, pode acreditar. “É normal a mulher estar insatisfeita com o próprio corpo, especialmente aquela que não tem tempo para se cuidar como gostaria. E isso tem até seu lado bom, já que pode servir de estímulo para melhorar os hábitos e manter a linha ao longo do ano todo, não apenas durante a temporada de calor”, lembra a psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Marina Vasconcellos. Porém, o que não vale é transformar esse desejo de emagrecer a todo custo e da noite para o dia em fissura: não há saúde que resista!
Vontade de arrasar na areia à parte, também é válido se questionar sobre como você se vê. Se respondeu que é uma eterna insatisfeita com o espelho e, ao contrário do que sua família e amigos dizem, acha que está com muito peso, com gordura demais sobrando e não tem o direito de ir à praia nem de maiô e canga, talvez seja uma boa pedida conversar com um especialista. “A anorexia nervosa causa essa distorção da imagem corporal, e consultar um profissional ajuda a entender que nem tudo se resume a um corpo ‘perfeito’”, avisa a doutora Marina Vasconcellos.

Depressão pós-parto atinge cerca de 15% das mulheres

Postado no Terra – por Idmed – em 06/06/2013

Foto: Reprodução

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O nascimento de um filho  é um momento importante e feliz na vida de uma mulher, porém, muitas sofrem com a depressão pós-parto. Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, cerca de 10 a 15% das puérperas apresentam sintomas da doença. “Se há antecedentes psiquiátricos na família, a mulher está mais propensa a desenvolver a doença, necessitando de um acompanhamento médico bem mais próximo e cuidadoso que o normal”, explica ela.

De acordo com a psicóloga, alguns dos fatores de risco para o surgimento da doença são: a existência de depressão ou muita ansiedade já no período da gestação; episódios depressivos no passado; complicações obstétricas durante a gestação que obrigam a mulher a ficar de cama por um período longo antes do nascimento do filho; natimortos, malformação fetal, trabalhos de parto difíceis e traumáticos e bebês que nascem com doenças congênitas ou são afetados por algo logo ao nascer. A psicóloga também considera outro fator importante, que é a mudança brusca de vida acarretada à mulher em decorrência de uma gravidez não planejada, com consequências diretas na família de origem, mãe solteira, mãe que fica viúva durante a gestação, enfim, problemas de ordem emocional que exigem uma estrutura egoica bem estruturada e resiliente por parte da mulher. “Todas essas situações demandam da mulher uma capacidade de superação e adaptação à dificuldade que nem todas têm, podendo se deixar levar pela depressão”, diz Marina.

Mas e como diferenciar a depressão de uma tristeza passageira? Marina explica que a tristeza possui uma causa definida, é um sentimento que qualquer pessoa está sujeita a ter no dia a dia, decorrente de algo triste que aconteça, como a perda de um ente querido, a perda de um emprego, um desentendimento com alguém, enfim, situações tristes. Porém, ela é passageira, a pessoa logo consegue lidar com o que causou a tristeza e voltar à rotina normal. “Já a depressão nem sempre é explicável, dura muito tempo, provoca a perda total de energia para a vida, a incapacidade de sentir prazer com qualquer coisa, o desânimo para as mínimas atividades diárias, a falta de apetite (ou o exagero, em alguns casos), a falta de sono (ou excesso), e a depressão pós-parto em especial apresenta, além do quadro todo parecido com o das pessoas deprimidas não grávidas, uma frequência maior de obsessões com conteúdo de agressões ao bebê (muitas tentam matá-lo ou nem conseguem segurá-lo no colo, sentindo uma grande repulsa por ele), instabilidade de humor e grande ansiedade”, explica a psicóloga.

Nem sempre é fácil diagnosticar a depressão em seu início. Aparece de repente, em geral após mais ou menos seis semanas do parto, mas os três primeiros meses após o nascimento são considerados ainda um período crítico. O problema é que muitos dos sintomas da depressão se confundem com o período pós-parto da mulher, no qual é normal aparecer a falta de desejo sexual, alterações de sono e de apetite. E as mulheres ficam mais sensíveis, choram à toa, estão numa fase frágil de adaptação ao novo papel de mãe. “Tudo isso colabora para que o diagnóstico muitas vezes não seja tão claro logo no início, e quanto mais cedo for detectada, melhor o prognóstico. Então, o diagnóstico é feito quando todos os sintomas citados estão aparecendo e colocando em risco a qualidade de vida da nova mãe com seu filho e familiares. É necessária uma boa avaliação psiquiátrica”, diz Marina.

A depressão pós-parto aparece na primeira gestação, e a possibilidade de recorrência nas próximas gestações é de 50%.

O tratamento deve ser feito à base de medicamentos (antidepressivos), exercício físico, psicoterapia e um aumento do suporte social, ou seja, a família toda deve ser envolvida no tratamento: marido, pais e quem estiver mais próximo, para que todos aprendam a lidar com a doença e ajudem em sua recuperação. Esse apoio é fundamental! Se houver outros filhos, é preciso que essa mãe tenha o auxílio necessário para cuidar deles.

E as mães que amamentam, podem tomar remédios? A psicóloga explica que a medicação é necessária, mas que envolve riscos para o bebê, já que qualquer medicação ingerida é excretada no leite materno. “É preciso avaliar cuidadosamente os riscos para o bebê, assim como os riscos para a mãe caso ela não seja medicada. Em geral opta-se por trocar a amamentação pela mamadeira, até porque o contato físico com a criança é difícil para a mãe nesse estado”, diz ela.

Entrevista – Diferença de idade: entre a maturidade e o amor

Publicado no “Eu só queria um café…” em 30/11/2012

Recorte do cartaz de Lições de amor (2008)

Recorte do cartaz de Lições de amor (2008)

Para muito casais, além dos diversos problemas internos de uma relação, há ainda um problema externo: o preconceito com a diferença de idade entre os parceiros. Os estudos mais recentes sobre a faixa etária dos casais heterossexuais, realizado pelo IBGE, mostra que entre os anos de 1996 e 2006 o número de mulheres casadas com homens mais novos cresceu 36%, enquanto o número de homens casados com mulheres mais jovens teve aumento de 25,3%. E no dia-a-dia a diferença de idade exige cuidados: “ter a mesma fase da vida sendo compartilhada pode tornar a relação mais fácil”. A afirmação é da psicóloga Marina Vasconcellos,  especialista em Terapia de Casal e Familiar pela Universidade Federal de São Paulo. Em entrevista ao blog ela fala sobre idade, maturidade e amor e diz que o respeito é a palavra-chave para lidar com a diferença de idade.

Falando em idade e relacionamento, muitos dizem que a mulher amadurece mais rápido do que o homem, isso é verdade?
M: Na adolescência podemos ver uma diferença grande entre meninos e meninas, onde estas se mostram mais maduras. Há estudos que afirmam que os meninos ficam cerca de um ano atrás das meninas no quesito amadurecimento. Então, essa afirmação é correta.

Há alguma idade média a partir da qual o indivíduo se torna emocionalmente madura para o amor?
 M: Falar em amor é algo muito profundo… Diria que a partir da maioridade muitos jovens já conseguem experimentar esse sentimento, mas tudo é muito relativo. Vai depender da maturidade de cada um, das vivências, da criação a que foi submetido.

Quando duas pessoas aproximadamente da mesma idade se relacionam, a idade traz problemas ou benefícios?
 M: Pessoas da mesma idade que se relacionam muito provavelmente estão passando por situações de vida semelhantes, o que beneficia o convívio. A mesma fase de vida sendo compartilhada pode tornar o relacionamento mais fácil.

Recorte do cartaz de Novidades no amor (2009)

Recorte do cartaz de Novidades no amor (2009)

Agora, quando duas pessoas de idades distintas se relacionam, a idade traz problemas ou benefícios?
M: Tudo depende. Se ambos respeitarem as características da idade de cada um, suas limitações e possibilidades, pode transcorrer tudo muito bem. O problemas está quando um exige do outro atitudes ou posturas que são próprios da sua idade, e não da dele, não respeitando o tempo e as vivências do companheiro.

A senhora acha que a diferença de idade traz complicações à relação ou o preconceito traz mais?
M: O preconceito pode realmente atrapalhar. Muitos casais se dão perfeitamente bem, identificam-se em inúmeras coisas, um estimula o outro a fazer coisas que talvez sem sua companhia e estímulo nem passaria pela cabeça fazer, mas as pessoas olham com aquele “olhar reprovador”, crítico, o que pode dificultar a entrega verdadeira de ambos (ou um deles) na relação por estarem preocupados com a crítica externa. Se não estiverem muito seguros do que sentem, podem ficar balançados com os comentários, chegando a se questionar se estão fazendo realmente a escolha certa…

Cena de Garota da vitrine (2003)

Cena de Garota da vitrine (2003)

A pessoa que namora alguém mais velho e geralmente é acusada de estar interessada em dinheiro, como este preconceito pode afetar a saúde emocional do indivíduo?
M: Caso realmente seja amor, livre de qualquer interesse financeiro, é necessário um bom equilíbrio emocional para enfrentar os comentários e críticas que inevitavelmente virão. Descasados que se casam novamente com pessoas mais jovens, muitas vezes possuem filhos quase da mesma idade da nova mulher. A dificuldade já começa na aceitação da mulher por parte dos filhos (ou mesmo do homem, no caso inverso). É necessário uma dose grande de maturidade e bom senso para que a adaptação aconteça de forma gradativa, sempre com total apoio daquele que está sendo o alvo das críticas. Não é fácil viver uma relação onde as pessoas interpretam de forma errônea os sentimentos em jogo!

Muitos dizem que algumas mulheres ou alguns homens que se interessam somente por parceiros mais velhos tentam encontrar um substituto para seus pais. Isto é mesmo possível?
M: Sim, isso é possível. É preciso estar bem consciente do que se espera de uma relação, de um parceiro, para não confundir o “cuidado” ou atenção do outro com o cuidado materno ou paterno… Pessoas muito reprimidas na infância, ou que tiveram pais autoritários, que cresceram num ambiente hostil presenciando constantes conflitos, ou mesmo que tiveram pais ausentes, podem procurar alguém mais velho que lhes possibilite sair logo de casa, confundindo assim amor com necessidade de se livrar de um ambiente não saudável, ou procurando no parceiro o afeto que não recebeu dos pais… Há também aqueles que admiram a maturidade do mais velho e suas vivências, encantando-se com sua postura na vida, sentindo-se bem com a segurança e confiança que o companheiro lhe passa, enquanto pessoas da sua idade ainda não chegaram a esse nível de crescimento pessoal. Enfim, há inúmeras possibilidades, e cada caso é um caso…

Recorte do cartaz de Nunca é tarde para amar (2005)

Recorte do cartaz de Nunca é tarde para amar (2005)

Como os amigos e familiares devem agir quando um amigo ou parente namora alguém de idade diferente? Qual o limite entre a preocupação e o preconceito?
M: Se o casal está bem, feliz, e não aparenta estar com problemas, por que intervir? Isso seria preconceito, simplesmente ir contra a idade do parceiro. Agora, caso seja visível que algo não vai bem, que intenções do outro estão claras para todos mas apenas aquele que está dentro da relação não percebe, aí vale a pena uma conversa de “alerta”, de questionamento.

Há pessoas que estão até apaixonadas, mas não namoram porque a pessoa é mais nova e teme não conseguir manter uma relação madura. Relação madura tem a ver com idade dos parceiros?
M: A idade realmente ajuda na maturidade, pois a somatória das vivências faz com que as pessoas cresçam, se desenvolvam mais. Porém, alguns vivem intensamente experiências desafiadoras desde cedo, sendo inevitável o crescimento e amadurecimento como consequência. Vemos jovens de 20 anos às vezes mais maduros que um de 30, cuja vida não lhe exigiu uma postura mais madura. A criação aqui interfere, e bastante. Então, o que está em jogo é a postura da pessoa perante a vida e o modo como ela reage e aproveita as oportunidades de crescimento que aquela lhe oferece.

Especialistas ensinam a falar com parceiro sobre mau hálito

Tudo vai bem com o relacionamento. Finalmente uma pessoa confiável, carinhosa, engraçada entrou em seu caminho. Mas todas essas qualidades vieram acompanhadas por um defeito: ela tem bafo. (Foto: Shutterstock)

Tudo vai bem com o relacionamento. Finalmente uma pessoa confiável, carinhosa, engraçada entrou em seu caminho. Mas todas essas qualidades vieram acompanhadas por um defeito: ela tem mau hálito.
Por mais que o sentimento seja mais importante, às vezes pode ser difícil conviver com esse problema. “Já que o hálito não é bom, o beijo passa a ser evitado e a intimidade é afetada, e, consequentemente, o sexo também passa a não ser tão bom, e muitas vezes evitado”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta de casal.
Para não deixar o relacionamento chegar a uma crise, é preciso conversar sobre o problema. Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Halitose – ABHA -, 99% dos portadores de mau hálito disseram que queriam ter sido avisados antes.
Claro que a situação é delicada e exige tato. Por isso vale pegar algumas dicas para diminuir o desconforto e ajudar o seu amor. Isso também serve para amigos.
Entenda o problema
Apesar de o mais lógico ser pensar que a pessoa deveria fazer algo para acabar com o mau hálito, muitas vezes ela nem sabe que tem o problema. Quem sofre de halitose normalmente tem fadiga olfatória, isso quer dizer que se acostuma com o cheiro e não sente o próprio hálito.
Segundo o médico Marcos Moura, presidente da ABHA, outro motivo para alertar uma pessoa sobre a halitose é saber que este pode ser um sinal de um problema mais sério de saúde. “O mau hálito pode ser uma forma de o organismo avisar problemas mais graves em outras partes do organismo, e, quanto mais cedo avisar, mais cedo poderá ir em busca de tratamento”, afirma.
Sinceridade
Para driblar o obstáculo a dica é ser sincero. “Geralmente aquele que é alertado para o problema procura rapidamente a solução, pois não é agradável saber que seu hálito incomoda o outro”, afirma Marina.
Se o dono do bafinho for seu namorado, marido ou ficante ou namorada, esposa ou ficante, talvez a abordagem possa ser feita depois de um beijo. Pergunte, como quem não quer nada, o que ele comeu, pois sentiu um gosto estranho na boca. Caso ele não entenda a insinuação, em outro dia, faça o comentário novamente, e pergunte se não é melhor marcar um horário no dentista para saber se está tudo certo.
Controle de crise
Caso a notícia não seja encarada da melhor forma, falar sobre os benefícios do tratamento bucal em outros contextos da vida – como no trabalho, onde as pessoas não têm intimidade suficiente para falar sobre isso – pode ajudar. “Um parceiro é a pessoa mais indicada pra falar sobre isso, com delicadeza e mostrando interesse em ajudá-lo”, avalia a psicóloga.