Mania de perseguição nem sempre é percebida por quem tem

HELOÍSA NORONHA 

Colaboração para o UOL

 

Basta um olhar torto do chefe, da amiga ou até de um desconhecido na fila do cinema para os piores pensamentos virem à tona: “Ele me odeia”, “O que será que fiz de errado dessa vez?”, “Está achando minha roupa cafona”…  Muita gente pena, calada, com a mania de perseguição. Ela pode ser interpretada como uma necessidade inconsciente de ser o centro das atenções –a pessoa que acredita que os outros estão prestando atenção nela, no fundo, se sente isolada e sozinha e anseia camuflar uma grande timidez. Mas não é uma regra.

“Quem acha que o tempo todo é vigiado, em geral, é inseguro, possui baixa autoestima e não tem autoconfiança”, diz a psicóloga Cecília Zylberstajn, de São Paulo, que explica que todos nós temos uma consciência que nos aponta como o outro nos percebe. Quem tem mania de perseguição, porém, conta com essa percepção distorcida e leva tudo para o lado pessoal, sem considerar o contexto. É o caso de alguém que passa perto de um grupo em que todo mundo está rindo e, imediatamente, se coloca como alvo de chacota.

A intensidade com que a mania de perseguição acontece varia de indivíduo para indivíduo, mas sempre causa angústia e mal-estar. Quando exagerada, prejudica, e muito, a vida social, pois a reclusão é a solução para evitar o público, já que há um medo terrível de ser alvo de comentários negativos, recriminação, desaprovação ou risadas. “A pessoa passa a achar que o mundo conspira contra ela e desconfia de todos”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, que lembra que o comportamento pode estar associado ao estresse pós-traumático – depois de ser vítima de um assalto, por exemplo.

Na maior parte das vezes, a vítima não se dá conta de que apresenta a mania de perseguição –está tão imersa na certeza absoluta de que os outros não param de prestar atenção nela, que não conseguem fazer uma autoavaliação. Os especialistas avisam que, em exagero, o comportamento pode se tornar patológico e ser sintoma de alguma doença psiquiátrica mais séria, como o início de uma síndrome do pânico –caso que requer tratamento com terapia e medicamentos.

Dicas para encarar o problema

Mas como diferenciar? Se algum episódio isolado desencadear alguma desconfiança –ver aquela colega venenosa conversando com outras pessoas e olhando para você com uma expressão irônica, por exemplo–, não há problema. Mas se você se sente o tempo todo observado, enganado, excluído, traído ou perseguido pode estar paranoico. Nos ambientes corporativos, em especial os muito competitivos, é comum a mania se manifestar, acompanhada de uma sensação de insegurança em relação ao emprego. É preciso pensar com frieza sobre o assunto, pois quem é vítima desse problema, frequentemente, não o percebe.

“A mania de perseguição também costuma dar as caras em situações de estresse, quando as pessoas estão com os nervos à flor da pele”, diz a psicóloga Angélica Capelari, professora da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). Nesses casos, o perfeccionismo e a intolerância com os próprios defeitos fazem com que a pessoa veja no outro seu próprio reflexo, o que a torna vítima do excesso de autocrítica.

Por mais difícil que seja, é possível combater o transtorno no dia a dia. “O primeiro passo é questionar as próprias atitudes e assumir a parcela de responsabilidade no relacionamento, pois toda relação tem dois lados”, explica Cecília Zylberstajn. Um exemplo? Antes de julgar que a cara feia do chefe é resultado de algo que você fez, pergunte-se se realmente você fez algo tão grave que justifique tamanho mau humor.

Outra dica, dessa vez de Angélica Capelari, é aprender a controlar os próprios pensamentos. “Quando achar que alguém está olhando torto em sua direção ou criticando você, tente desviar a mente para outro assunto. Não alimente algo que pode ser apenas uma impressão.”

Marina Vasconcellos prefere apostar no diálogo. “Se acredita que todo mundo fala de você, divida essa impressão com as pessoas mais próximas. Ouça a resposta e depois tire as próprias conclusões”. A especialista também aconselha uma checagem direta. “Pergunte, com jeitinho, é claro, se fulano estava falando de você. E, aí, com uma boa conversa, resolva o que tiver de resolver.” Evitar que a dúvida continue a te corroer é, definitivamente, a melhor estratégia.

 

Sem medo de ser feliz

Publicado no Taeq

Foto: Reprodução

Aprenda a viver com sabedoria, leveza e naturalidade
Viver em equilíbrio, com saúde e energia para encarar os desafios do dia a dia é o que todos desejam e buscam.

No entanto, nada disso é possível se não estamos bem com nosso interior. Para viver com leveza e naturalidade é preciso ter autoconfiança e autoestima.

Essas duas palavras, tão mencionadas por especialistas da área de saúde, podem dizer muito sobre como as pessoas são capazes de enfrentar desafios e lidar com frustrações.

Essenciais para uma vida em harmonia e equilibrada, elas estão diretamente relacionadas com a saúde e o bem estar do indivíduo.

“Estudos indicam que pessoas que se sentem bem em relação a si mesmas têm menos insônia, são mais persistentes e, em geral, mais felizes. Já aquelas que se sentem aquém de suas esperanças são mais vulneráveis à depressão e ansiedade”, explica a psicóloga e terapeuta Lilian Pisani Leite.

Mas, não são só esses sentimentos que ajudam a encarar mudanças e a lidar com imprevistos do cotidiano com mais facilidade. Uma boa autoestima reflete tanto na vida pessoal como profissional do indivíduo. A psicóloga e terapeuta Marina Vasconcellos explica que acreditar nas próprias potencialidades é essencial para lançar-se ao desconhecido e experimentar coisas novas.

Pessoas com autoestima elevada tendem a ser mais seguras, têm mais energia, motivação e iniciativa. Enxergam situações novas como desafios e não ameaças. Por isso estão mais atentas às oportunidades. “Pessoas seguras passam confiabilidade aos que as cercam, facilitando o estabelecimento de relações mais saudáveis”, ressalta Vasconcellos.

Já a falta desses sentimentos implica em insegurança, fragilidade e dependência. A pessoa espera reconhecimento do outro o tempo todo. Vasconcellos explica que pessoas com baixa autoestima podem ter mais dificuldades para galgar promoções no trabalho. “Elas têm medo de não dar conta do recado, de falhar e de ser alvo de críticas alheias. Qualquer opinião que vá contra o que pensa representa uma situação de tensão e insegurança”, reforça.

Mas, de onde vem e como fortalecer a autoconfiança? Vasconcellos explica que esses sentimentos formam-se desde a infância. “Crianças amadas, valorizadas e reforçadas positivamente tendem a desenvolver melhor autoestima”.

No entanto, nada impede que sejam solidificados e fortalecidos na adolescência e até mesmo na vida adulta. De acordo com as especialistas, o primeiro passo é o autoconhecimento. “A vontade de se encontrar, de entender a si mesmo e de olhar a mesma situação por diferentes ângulos é fundamental”, ressalta Pisani.

Vasconcellos explica que, em geral, pessoas com baixa autoestima viciam o cérebro com pensamentos negativos a respeito de si. Portanto, outra atitude muito importante é a mudança desse comportamento. “Ao invés de pensar: não sei fazer isso e não vou conseguir aprender, mudar para: vou vencer minha dificuldade e dominar a situação, porque sou capaz de aprender.”

Pisani lembra que tanto a autoestima quanto a autoconfiança estão relacionadas à maneira e a importância que damos a nossas vivências. “Devemos valorizar as coisas em que nos destacamos e não dar tanta importância às coisas que achamos não fazer muito bem. É um trabalho constante de seleção daquilo que fará e não fará bem.”

Medo de perder emprego causa doenças e distúrbios emocionais, diz psicóloga

Publicado em Folha.com 11/03/2009

O medo de ficar desempregado assombra ambientes de trabalho, sobretudo nesta época de crise econômica. Para a psicóloga Marina Vasconcellos, formada pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e especialista pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), esse medo contínuo pode fazer com que o empregado tenha doenças e distúrbios emocionais.

“Uma das coisas que as pessoas podem desenvolver, e que é mais frequente, é o TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada). Isso interfere nas tarefas, já que elas têm dificuldade de controlar os pensamentos e prejudica o funcionamento do trabalho”, explica.

A especialista diz que é comum os trabalhadores ficarem com irritabilidade, insônia, estresse, gastrite e até mesmo com depressão.

“A depressão é uma autopunição, as pessoas não conseguem colocar para fora a raiva, o medo e a insegurança e põe para dentro. Ela também aparece como falta de vontade de fazer qualquer coisa, até de levantar da cama para ir trabalhar”, declara.

As relações familiares também ficam estremecidas por causa desse problema, uma vez que o trabalhador acaba descontando nas pessoas mais próximas todo o nervoso que passa durante o dia.

“As empresas realmente espalham esse clima de tensão, infelizmente. Os funcionários não conseguem descarregar esta tensão e ficam preocupados. Isso gera consequências em casa, o casamento vai dificultando, a relação com os filhos fica complicada. Isso é uma realidade do nosso tempo”, afirma.

A psicóloga diz que o ideal seria que os profissionais pudessem aliviar a ansiedade com uma atividade física. A especialista ainda aconselha que as pessoas aproveitem esta fase para alavancar a carreira, em vez de ficar temendo pelo seu futuro na empresa.

“Enquanto você está empregado, aproveite e faça o melhor possível. Você tem que mostrar que é bom, que está investindo, que o seu esforço está valendo a pena e que você faz falta naquele trabalho. Invista em você profissionalmente para que se um dia for mandado embora, tenha até mais capacidade e currículo para se recolocar”, orienta.