Siga cinco passos e supere a ressaca moral após o Carnaval

Publicado no UOL em 13/02/2013

Refletir sobre o ocorrido é positivo para não cometer mais os mesmo erros, mas remoer a culpa é prejudicial (Foto: Thinkstock)

Refletir sobre o ocorrido é positivo para não cometer mais os mesmo erros, mas remoer a culpa é prejudicial (Foto: Thinkstock)

A folia parecia ótima. Até que, com a quarta-feira de cinzas, veio a ressaca moral. Sabendo que você passou dos limites, é comum sentir vontade de sumir, medo de encarar as ações dos dias anteriores e, claro, culpa e arrependimento. “A ressaca moral é a conscientização de um ato realizado contra seus princípios morais e éticos, mas que aconteceu em um momento de impulsividade ou sob o efeito de drogas como o álcool”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama.

O Carnaval, geralmente, tem a ver com excessos, mas há atitudes mais fáceis de superar e remediar do que outras, segundo o psicólogo Thiago de Almeida. Veja sete passos que te ajudarão a sair da crise:

1. Ligue para um amigo

Antes de deixar o desespero tomar conta de você, o primeiro passo é ligar para um amigo que esteve ao seu lado durante os festejos. “Falando com um amigo você terá a devida proporção do que houve na noite de excessos”, diz Thiago Almeida, que é especialista em relacionamentos. É essencial que seja uma pessoa de confiança. “Boas intenções por parte do outro são fundamentais para te ajudar a transformar a ressaca moral em aprendizado, e não em humilhação”, diz a especialista em comportamento humano Branca Barão, autora de “8 ou 80 – Seu Melhor Amigo e Pior Inimigo Moram Aí, Dentro de Você” (DVS Editora).

2.  Reflita sobre a gravidade do ocorrido

Avalie o nível do deslize cometido no Carnaval para saber o que fazer. Se o ato cometido envolveu ou prejudicou outras pessoas, converse e se desculpe. Se você não fez algo tão grave, mas sente que afetou alguém, também peça perdão. Mas se foi algo que apenas te envergonhou, mas não atingiu ninguém, não fique ressuscitando o assunto. Deixe que ele seja esquecido.

Se o seu erro foi grande e você precisa se redimir, esfrie a cabeça antes de agir. Não adianta tentar se explicar para uma pessoa com raiva. Nesses casos, o melhor é esperar a poeira baixar. Só assim será possível ter uma conversa lúcida. Em outros casos, como um mal-entendido, por exemplo, é melhor agir rapidamente, para que a raiva não aumente, segundo Marina Vasconcellos.

Para identificar qual opção seguir (pedir perdão imediatamente, esperar ou ignorar o ocorrido), coloque-se no lugar do outro. Como você gostaria que agissem com você em uma situação parecida? “Assim, você poderá imaginar quais atitudes os outros esperam que você tenha, o que te dará pistas de como agir”, diz Branca.

3. Tenha bom humor

Se a ressaca moral é consequência de atitudes inocentes (ou quase), que não prejudicaram outras pessoas, encare com bom humor as piadas dos que estavam presentes. Se você rebolou até cair no chão, por exemplo, aceite o fato de que será lembrado pela performance durante um bom tempo. “O que aconteceu, aconteceu. Se foi um pequeno vexame, não exagere na reação. Tenha paciência, pois novos fatos acontecerão com outras pessoas e o seu deslize será esquecido”, diz a psicóloga e psicoterapeuta Miriam Barros, especialista em psicodrama.

4. Não fique remoendo a culpa

Lamentar-se eternamente pelo que aconteceu no Carnaval não é a solução. Para a terapeuta sexual Arlete Gavranic, coordenadora do curso de pós-graduação em Educação e Terapia Sexual do Isexp (Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática), de nada adianta viver a culpa de modo destrutivo ou por muito tempo. “Você deve assumir o erro, desculpar-se e tocar a bola para frente. Vitimizar-se e ficar o tempo todo se justificando não resolve nada. Só faz com que o episódio continue sendo comentado por mais tempo”, diz.

5. Comportamento repetitivo

Quando a ressaca moral não tem fim, pode ser sinal de um problema emocional mais grave. “Quando erramos, temos de pedir desculpas, aprender e seguir em frente. Se permanecermos com o sentimento de culpa, é preciso procurar terapia” diz Marina. Repetir muitas vezes o mesmo erro também é sinal de que uma ajuda profissional é necessária, segundo Branca. “Ela é fundamental quando nosso comportamento nos leva para onde não queremos e não conseguimos mudar”, diz.

Ficção e Realidade: Traição é perdoável?

Publicado no MSN no dia 20/08/2012

Divulgação/Rede Globo

A narrativa da novela global “Avenida Brasil” está dando o que falar. O foco do folhetim de João Emanuel Carneiro é sobre a vingança entre as personagens Nina e Carminha, interpretadas por Débora Falabella e Adriana Esteves, respectivamente.

Porém, fora do núcleo principal, muitos dramas e relações entre personagens se destacam, como é o caso de Monalisa (Heloísa Périssé) e Olenka (Fabiula Nascimento), e Cadinho (Alexandre Borges) e suas três esposas, Noêmia (Camila Morgado), Verônica (Deborah Bloch) e Alexia (Carolina Ferraz). Tudo que eles têm em comum é o fato de já terem traído ou sofrido com uma “punhalada nas costas”.

Divulgação/Rede Globo

A narrativa da novela global “Avenida Brasil” está dando o que falar. O foco do folhetim de João Emanuel Carneiro é sobre a vingança entre as personagens Nina e Carminha, interpretadas por Débora Falabella e Adriana Esteves, respectivamente.

Porém, fora do núcleo principal, muitos dramas e relações entre personagens se destacam, como é o caso de Monalisa (Heloísa Périssé) e Olenka (Fabiula Nascimento), e Cadinho (Alexandre Borges) e suas três esposas, Noêmia (Camila Morgado), Verônica (Deborah Bloch) e Alexia (Carolina Ferraz). Tudo que eles têm em comum é o fato de já terem traído ou sofrido com uma “punhalada nas costas”.

Especialista

Para discutir o assunto de uma forma mais científica, a reportagem do Famosidades conversou com Marina Vasconcellos. Ela é terapeuta familiar e de casal, e nos contou seu ponto de vista como psicóloga, que também observa casos de traição diferentes em seu consultório.

Lembrada da história entre as personagens da dramaturgia Olenka e Monalisa, Marina disse que a deslealdade entre amigos é comum. Mesmo assim, a pessoa traída precisa ficar com os “olhos mais atentos” com quem lhe oferece amizade.

“Quando uma amiga se envolve com um namorado ou marido seu é porque, primeiro, essa amizade já está em cheque. Até porque, há a opção de ‘cair fora’ ou não quando a pessoa é comprometida. Se a pessoa permitir essa aproximação, significa que ela não considerou tanto o vínculo que tinha com você”, analisou.

Ressaltando que a prática não é uma doença psicológica, a doutora destacou que a facilidade em trair a confiança do outro pode ser encarada como uma dificuldade de envolvimento pessoal. “Conheci vários homens que não conseguiam ‘ser de uma mulher só’. Quando você está com uma pessoa, não dá para procurar o que ela não tem em outra.”

Tendo em vista o caso de Cadinho na trama global, a doutora explicou que isso pode ocorrer por conta da ausência de maturidade no relacionamento entre duas pessoas: “Acho que tudo é uma falta de comunicação e de desenvolvimento emocional de quem trai”.

Traídos por algum motivo ou não, o fato é que muitas pessoas aceitam a deslealdade e acabam até perdoando o parceiro ou amigo. Questionada se esse perdão pode ser encarado como falta de amor próprio ou até amor extremo pelo outro, Marina Vasconcellos assegurou que nem um nem outro.

“Sou terapeuta de casais e já tratei de muita gente que passou por isso em seus relacionamentos. Muitos chegam ao consultório para fazer uma terapia conjunta por causa de uma traição. Isso, por incrível que pareça, é bom, porque alguns casamentos se refazem após esse episódio. Junto com o casal, eu vou procurar o porquê esse fato rolou e o que está faltando nesse casamento.”

Divulgação/Rede Globo

Vida real

Como a doutora Marina Vasconcellos apontou, a traição é uma ação muito comum entre seres humanos. Muita gente tem bastante história para contar sobre o assunto: seja por envolvimento ativo ou passivo com o problema.

É o caso da comerciante Maria (nome fictício). Ela tem 58 anos e foi casada durante 19 anos com um homem que a agredia física e psicologicamente. Com ele, ela teve quatro filhos. “Ele era caminhoneiro e inventava várias viagens. Numa dessas, ele desapareceu por 15 dias. Descobri por um amigo que ele estava em uma fazenda do interior de São Paulo, trabalhando por lá”, começou a relatar.

Quando chegou ao “novo” emprego do marido, ela teve uma surpresa: “Descobri que ele estava noivo da filha do dono da fazenda. Ninguém lá sabia que ele era casado e pai de quatro crianças. Quando descobriram, o expulsaram do local”.

Mesmo tendo certeza de que estava sendo traída e com raiva do marido, Maria não terminou seu relacionamento duradouro. Mas a situação depois desse episódio piorou muito dentro de sua casa. “Ele me bateu muito e voltou a fazer viagens. Porém, não mandava mais dinheiro para cuidar dos filhos. Com isso, um amigo dele, que era nosso padrinho de casamento, começou a ir todos os dias à minha casa. Ele levava comida e se dedicava no cuidado com as crianças”, lembrou.

E dessa amizade surgiu algo proibido: um amor entre os compadres. Desiludida com o marido, a comerciante começou a se sentir atraída pelo amigo dele e percebeu que esse interesse era recíproco. Sem impasses, Maria e o moço iniciaram um caso.

“Meus filhos iam para a escola e nós ficávamos o dia inteiro juntos. Nisso, eu engravidei”, revelou. Ela, então, deu à luz uma menina, fruto do caso extraconjugal. A decisão de não contar a verdade sobre a paternidade da criança foi dos dois: eles não queriam terminar o romance. Por isso, o marido, sem saber, assumiu a pequena como filha dele.

Após sete anos do nascimento da menina, Maria decidiu se separar do esposo, alegando que não aguentava mais apanhar. “No ano seguinte, assumi meu relacionamento com o meu amante. Com raiva, meu ex-marido bateu em nós dois. Durante a briga, meu atual companheiro despejou: ‘Você é corno há muitos anos!’. Mas não contou que era o pai da minha filha.”

Depois que o caso entre a comerciante e o amante foi revelado, o ex-marido começou a desconfiar que a caçula não era dele. “Os vizinhos falaram que o amigo dele vivia na nossa casa quando ele não estava. Ele me pediu um exame de DNA, e foi aí que decidi contar toda a verdade.”

Maria levou 16 anos após o nascimento de sua filha para revelar a ela seu pai biológico. Por toda essa confusão, a vendedora concluiu que a mais prejudicada foi ela mesma.

“Minha filha não fala comigo direito até hoje’, lamentou.

 

Quando tudo dá errado…

Saiba por que a corrida ajuda a melhorar o humor e até a resolver problemas

Publicado na Revista W Run

Foto: Hemera

Tem dias em que todos os problemas parecem surgir juntos, e não ter solução. Nessas horas, será que vale a pena calçar os tênis, respirar fundo e sair para correr? Segundo o médico esportivo Moisés Cohen, diretor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte, vale sim. “Esportes aeróbicos estimulam a liberação de endorfinas e encefalinas, hormônios que promovem a sensação de tranquilidade, prazer e bem-estar”, explica. A endorfina, inclusive, tem efeito analgésico e ajuda a reduzir dores musculares.

No caso da corrida, o cansaço físico também ajuda a relaxar o corpo, que pode ficar tenso com o stress do dia-a-dia. Assim, o sono também vem mais fácil. “Já foi comprovado que pessoas que praticam esportes demoram menos para adormecer”, garante o médico, que recomenda um treino mais leve nesses dias difíceis.
Mais do que um fenômeno químico, meramente hormonal, a mágica que acontece quando corremos tem explicações no próprio ambiente. “Diferente da academia, correr na rua ou num parque nos permite aproveitar o percurso. Entramos num ambiente cercado por música, às vezes com natureza e animais”, observa a psicóloga Marina Vasconcellos, da PUC São Paulo. Para ela, o contato com outros corredores saudáveis e os olhares de admiração servem de estímulo para o atleta fragilizado, e recuperam sua auto-estima.
Para quem busca soluções, a corrida também pode ser uma aliada. “Quando se está relaxado, é possível encontrar saídas que não se via antes, como durante o sono”, diz Marina. Ela lembra ainda que esse esporte oferece, num único treino, momentos de dificuldade, adaptação, prazer e superação. Amante da corrida, a psicóloga conclui: “quando tudo deu errado no seu dia, aqueles 60 minutos são um desafio vencido”.

Duras na queda

Elas têm pulso firme e não temem defender as suas opiniões; são mulheres linha-dura nas vidas pessoal e profissional, mas não deixam de ser queridas pelos que estão à sua volta

Publicado na Revista da Hora, em 04/03/2012

Em 1979, Margaret Thatcher, 86 anos, elegeu-se primeira-ministra do Reino Unido. Tornou-se ícone por ser a primeira mulher a assumir o posto, no qual permaneceu por mais de uma década. Em uma área como a política, dominada por homens, Thatcher se destacou por ser linha dura, administrando o país com rédeas curtas, adotando uma postura muitas vezes inflexível e ríspida e enfrentando os seus opositores com coragem.

Não à toa ganhou a alcunha de “Dama de Ferro”, título adotado pelo filme que relembra parte de sua história e foi lançado no início deste ano, rendendo a Meryl Streep, que interpreta Thatcher, o Oscar de melhor atriz.

Mulheres fortes como ela estão por todos os lugares. No comando de grandes empresas ou da própria casa, elas se destacam sem perder a feminilidade característica em um mundo que, muitas vezes, ainda vê o homem como líder natural.

No próximo dia 8, comemora-se o Dia da Mulher, e a Revista da Hora foi atrás de histórias de figuras que conduzem as suas vidas com garra e coragem.

Generais 

Por trás do jeito tímido e da cara de menina de Cecilia Guedes, 29 anos, esconde-se uma mulher cheia de fibra. A arquiteta não nega que adora mandar e credita a postura firme à mãe, que, segundo ela, também tem o gênio forte. “Há quem não curta mandar, mas eu gosto bastante. Sinto-me bem. Apesar da timidez, sempre acabo no comando. É assim desde o colégio”, conta. “Nunca fui chefe, mas, se me derem liberdade no trabalho, falo mesmo. Na faculdade, eu coordenava as atividades em grupo, dizendo o que cada um ia fazer e acompanhando o que todos realizavam”, relembra.

A autoridade se reflete até no namorado, o chef Rubens Ferreira, 35 anos. Cecilia dá palpite em tudo o que ele faz. Apesar do gosto por cozinhar, ele come pouco, o que a preocupa. “Tenho de brigar para que ele se alimente direito. Ele me pergunta: ‘Eu posso comer isso?’; ‘Posso fazer aquilo?’, mas nem sempre me obedece”, revela, relembrando que já teve até de colocar comida no prato do companheiro. “Mas, às vezes, procuro controlar esse meu instinto. Assumo quando passo dos limites e estou errada ”, pondera.

Desde que se entende por gente, a publicitária Thais Mendes, 35 anos, resolve os seus rumos com firmeza. “Meu dia a dia exige decisões rápidas e que, muitas vezes, envolvem interesses de outras pessoas, tanto na vida pessoal quanto na profissional. Então, em alguns momentos, preciso me impor”, avalia.

Chamada de general pela família, Thais é mãe de uma menina de oito anos, a quem educa com rigidez. “As pessoas, em alguns momentos, acham que sou rígida até demais. Imponho rotina, limites e cobro bastante. Acho que isso é resultado de ter sido criada de uma forma mais livre”, explica. “Talvez seja justamente por isso que eu tenha me tornado uma pessoa firme. Tive de aprender a me impor muito cedo.”

No trabalho, entretanto, Thais busca controlar as atitudes. “Acho que lapidei um pouco o estilo. Já fui mais estourada, hoje procuro manter o pulso firme, mas de forma moderada.”

Assim como Thais, a empresária Sônia Regina Hess de Souza, 56 anos, presidente do grupo do ramo têxtil Dudalina, é chamada de general. Mas por seus funcionários. Ela, que comanda a empresa criada pela mãe, defende que o pulso firme vem, em especial, da coragem de enfrentar o que aparece e de tomar grandes decisões. “Eu não posso levar a empresa de forma estabanada, tratando cada um de forma diferente. Os meus 1.700 colaboradores são iguais. Ninguém é mais importante do que ninguém.”

Claudete Aparecida Coimbra Lira e Silva é professora de história; ela não abre mão de seguir uma postura firme, mas sem rispidez, com seus alunos e é respeitada por eles. (Foto:Léo Pinheiro/Folhapress)

É dando o exemplo que considera correto que ela busca passar o que acredita aos funcionários. “Preciso estar sempre me policiando para que as minhas vontades pessoais, coisas que não têm nada a ver com o negócio, não interfiram nele.”

Sônia confessa, porém, que, de vez em quando, sonha em ser um pouco mais relaxada, menos linha-dura com ela mesma. “Muitas vezes me questiono se é importante ser tão corajosa. Às vezes, queria tanto passar um dia inteiro fazendo massagem, batendo perna, almoçando com as amigas durante a semana, coisas que nunca fiz na vida”, lista. “Mas são opções. E eu optei por ser a presidente da empresa. A coragem está em escolher o seu caminho.”

Liderança feminina

Edson Capone, psiquiatra e professor da faculdade de medicina da Unesp (Universidade Estadual Paulista), enxerga essa rigidez de algumas mulheres como uma característica natural. “Não é que elas sejam mais fortes ou menos afetivas. Isso é um atributo de personalidade. O que leva uma mulher a ser rígida é a genética —quando ela nasce com esse temperamento— ou a influência da educação que tem e do convívio com os outros”, explica. “Uma mulher que seja filha de uma mãe muito rígida pode ser assim também ou, por aversão a esse estilo, mais relaxada”, completa Capone.

Essa segurança pode ser utilizada positivamente na vida profissional, dizem os especialistas. “No homem ou na mulher, é um traço bom para a liderança. Costuma indicar um perfil mais agressivo, de dominação. E a mulher ainda associa isso ao seu lado feminino, com um olhar atento às relações pessoais”, avalia Maria Claudia Lordello, psicóloga e sexóloga da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Delegada titular da 5ª seccional – Leste, em São Paulo, Elisabete Sato, 54 anos, tem 700 funcionários —de todas as carreiras policiai — para dirigir. Há 35 anos na Polícia Civil, ela diz que, além de cobrar os outros, cobra muito de si mesma. “Não é fácil comandar todos esses policiais e estabelecer objetivos e metas em termos de gestão, como o que fazer para que a comunidade para a qual você trabalha se sinta segura”, fala. “É preciso muita dedicação e disciplina. Ainda vivemos em uma sociedade machista. As mulheres na polícia são minoria. Então, conquistar o respeito dos superiores homens, das colegas mulheres, das pessoas que trabalham com você, não é tão fácil. Mas, quando você adquire essa respeitabilidade, tudo evolui”, considera.

Até 2006, Elisabete brinca que estava casada com a polícia —em 2007, ela se casou mesmo, com o companheiro com quem vive até hoje. A delegada adotou uma postura controlada, que diz ter desde a adolescência, para chegar aonde chegou. “Sou muito crítica comigo e com os outros. Não posso vir trabalhar de minissaia ou com decote. Você tem de saber se portar, defender os seus pontos de vista, mostrar que tem conhecimento do que está falando. Tudo isso faz parte da conquista”, defende. “E eu me privo de muitas coisas. Não vou ao boteco tomar uma cerveja, isso é horrível para uma delegada. É claro que saio com o meu marido, posso ir assistir a um jogo em um bar, mas  ninguém vai me ver trançando as pernas por aí. A postura na vida privada contribui na profissional.”

Em casa, com o marido, Elisabete revela que toma cuidado para não se impor demais. Aos risos, ela afirma como ele reage quando ela é dura: “Ele diz: ‘Poxa, delegada você é no trabalho’. Se não tentar amenizar a postura, não dá para ficar casada. Mas sou uma pessoa tranquila, com bom astral”.

Sônia Regina Hess de Souza afirma que, de brincadeira, é chamada de general. (Foto: Reprodução)

A delegada Elisabete Sato diz que é preciso disciplina para crescer na profissão. (Foto: Reprodução)

Buscar um equilíbrio na hora de se dirigir aos outros, para não passar de autoridade a autoritário, é o conselho de Marina Vasconcellos, psicóloga especialista em psicodrama terapêutico. “Ser firme não significa ser antipático. É possível ter autoridade sem ser autoritário. Não é mandar por mandar. Quando vemos no outroa competência, passamos a confiar, a admirar, e sabemos que se trata de alguém inteligente.”

Ter cuidado na maneira como leva a vida pessoal também é importante, segundo Heloisa Schauff, psicoterapeuta especialista em terapia de casal e família. “É claro que, às vezes, você precisa ser firme. Mas existem casos de maridos que chegam a falar para as mulheres que, ali, elas não são chefes. Às vezes, elas chegam em casa tão pilhadas que acabam dizendo que algo é assim ou assado, como se estivessem cobrando o subordinado”, fala. “Não se pode confundir. Existe o momento de ser firme, mas não dá para tiranizar o outro nem achar que você não pode mostrar um lado mais sensível. Faz parte da assertividade ter compreensão.”

 Professora de história, Claudete Aparecida Coimbra Lira e Silva, 45 anos, usa seu pulso firme, herdado da mãe, com os alunos, mas sem perder o carinho deles. “À medida em que eles vão me conhecendo, adaptam-se ao meu jeito. Essa postura me ajuda no sentido de fazer com que os meus alunos aprendam, desenvolvam-se, tenham senso de cidadania e saibam que, no ambiente escolar, existem regras de comportamento como em todos os outros lugares”, defende. “Acho que não consigo passar isso a 100% da turma, mas, pelo menos, deixo claro a minha posição. Vejo em alguns alunos que encontro depois essa atitude de respeito”, acrescenta.

Orientar 40 pessoas —em sua maioria, homens— quase todos os dias é a tarefa de Marie-France Henry, 55 anos, proprietária do restaurante La Casserole. Sem perder a doçura feminina, ela apresenta as suas ideias ao grupo e o direciona com determinação. “Não concebo trabalhar em um ambiente em que se tenha um distanciamento muito grande entre as pessoas. Acho que as lideranças são reconhecidas quando são legítimas”, opina. “No meu restaurante, os funcionários me reconhecem enquanto autoridade, sabem que estou lá para mostrar direção, sabem que, se eu estou apontando esse caminho, não adianta eles dizerem que é outro. O que se discute é como vamos trilhar esse caminho juntos”, assegura.

Mãe de dois filhos já adultos, ela conta que, em casa, é necessário ponderar. “É uma convivência diferente de um ambiente profissional. Nas relações pessoais, é preciso ter a sabedoria de poder escolher os momentos de ser mais firme ou mais flexível.” Já diria Che Guevara (1928-1967): “É preciso endurecer, sem perder a ternura, jamais”.

Damas de ferro

Personalidades que têm o pulso firme na vida real

Graça Foster 

Número 1 da Petrobras, a engenheira entrou na estatal como estagiária, em 1978. Chegou à presidência no mês passado, indicada por Dilma, coma fama de que tem pulso firme para conduzir o trabalho.

Dilma Rousseff

A primeira mulher a ser eleita presidente do Brasil tem o temperamento forte e se mostra firme na hora de tomar decisões, como afastar ministros envolvidos em casos de corrupção. Dilma foi considerada a terceira mulher mais poderosa do mundo em ranking divulgado pela revista “Forbes”, no ano passado.

Martha Rocha 

Chefe da Polícia Civil do Rio, ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo. Rígida em suas atitudes, Martha comandou as investigações do sequestro ao ônibus 174,em2000, que chegou ao fimcoma morte de um refém e do sequestrador. Na época, indiciou um comandante do Bope (Batalhão deOperações Especiais) que participou da operação.

Marluce Dias 

Ex-toda-poderosa da Globo, ela chegou, nos anos 1990, a responder pelas principais áreas da empresa, como a própria TV Globo e a Globosat, além do portal Globo.com. Afastou-se em 2002 para se tratar de um câncer e, em 2007, desligou-se da empresa.

Angela Merkel 

Em 2005, ela se tornou a primeira chanceler da Alemanha. Desde então, tem liderado com pulso firme a economia do país. Ela lidera a lista das mulheres mais poderosas da revista “Forbes”.

Na ficção, elas também mostramseu lado mais rígido

Griselda, em “Fina Estampa” 

A protagonista da atual novela das nove, vivida por Lilia Cabral, não leva desaforo para casa e cuida dos filhos com o pulso firme. Quando Antenor (Caio Castro) tentou enganar a família da namorada, passando-se por um rapaz rico, ela o desmascarou e ainda lhe deu uma surra na frente de todos.

Kate Armstrong, em “Sem Reservas”

O filme mostra Catherine Zeta-Jones na pele de uma chef disciplinada, que comanda a sua cozinha de maneira perfeccionista, assim como a sua vida. Ela só tem de rever os seus conceitos quando precisa cuidar da sobrinha, Zoe (Abigail Breslin), uma menina de apenas nove anos de idade.

Miranda, em “Grey’s Anatomy”

Um dos destaques da série americana, a médica, papel de Chandra Wilson, chega a ser apelidada de nazista, de tão dura que é com seus alunos, de quem tenta tirar o melhor.

Maria do Carmo, em “Senhora do Destino” (2004)

Antes de se tornar uma empresária bem-sucedida, a personagem nordestina interpretada por Susana Vieira teve de reconstruir a vida no Rio sozinha, após ser abandonada pelo marido, e lidar com o sequestro de sua filha recémnascida, Lindalva, a quem nunca desistiu de procurar.

Desejar reviver o passado pode ser perigoso

Principalmente quando a relação não deu certo

Publicado em Arca Universal em 01/03/2012

Foto: Reprodução

Às vezes vem aquela lembrança de alguém que já amamos e começam as comparações: mais atencioso, mais amoroso, mais bem-sucedido. Mas, segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, o ser humano esquece facilmente o que era ruim, nega os problemas, só lembra do que foi bom e, assim, fica remoendo o passado.

Segundo ela, isso acontece por dois motivos. “Provavelmente por não ter aquele relacionamento bem resolvido no passado ou por passar por algum momento de carência, se apegando somente ao que foi bom e não encontrando aquilo na relação atual.”

O perigo de dar espaço para reviver algo do passado é apostar novamente na mesma pessoa e, provavelmente, nos mesmos problemas. A volta pode ser um ciclo vicioso que não permite que a pessoa evolua. “É insistir em uma relação que já experimentou, não deu certo e quer voltar. Pode até acontecer um novo envolvimento se ambos entenderem o problema que aconteceu no passado, conversarem, resolverem. Assim, pode até dar certo”, explica Marina.

“Ele não tinha mudado”

Porém, não foi o que aconteceu com a gerente de marketing Rita Magalhães, de 29 anos, ao tentar retomar a relação com um namorado que teve na adolescência. “Eu sempre me lembrava dele, mesmo ao estar com outra pessoa. Percebi que ainda o amava e sentia sua falta. Resolvi ir atrás dele, ser sincera sobre o que eu sentia. Começamos um novo relacionamento, mas não deu certo. Ele não tinha mudado e eu me iludi, relembrando apenas os melhores momentos. Foi dolorido, mas hoje eu sei que o passado passou e tenho que me permitir conhecer pessoas novas”, conta.

Mas é possível sair deste ciclo vicioso, sem que se tenha uma nova relação com alguém do passado. “Tendo consciência de que acabou, aceitando o término. Não pode fugir, tem que parar, olhar para aquela lembrança, aquele sentimento que está incomodando, identificar o que não deu certo anteriormente, o que não combinava, fechar aquela história e se abrir para uma nova vivência”, enfatiza a psicóloga.

Um terceiro no caminho

Para que este passado não renasça e interfira no presente, é preciso que o relacionamento atual seja bem estruturado. “É necessário trabalhar para que a relação seja a melhor possível. Se ela está boa, não abre espaço para outra pessoa”, ressalta Marina.

Mas a pisicóloga aponta que cada relacionamento é único, e que tudo depende da pessoa querer ou não voltar ao passado. “Se volta, é porque tinha um amor mal resolvido e não quer mais fugir. Outro argumento é a incapacidade de viver o novo, porque o desconhecido assusta, dá trabalho”, finaliza.

Série de TV aborda obsessão por acumular objetos; entenda o distúrbio

Publicado no UOL em 24/03/2011

Na casa de Michelle (foto), há objetos espalhados por todo o chão. A história da moça que sofre de colecionismo será contado na série "Acumuladores", do Discovery Home & Health, que estreia quinta (24) Foto: Reprodução

Nesta quinta-feira (24), estreia a série de TV “Acumuladores” –às 22h, no canal pago Discovery Home & Health. O programa reúne casos de pessoas que sofrem de colecionismo, uma variedade do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), cuja principal característica é a necessidade incontrolável de armazenar objetos (e até animais).

O TOC tem muitas manifestações –talvez incontáveis. Algumas são mais conhecidas, como a obsessão por limpeza.  Outras, mais peculiares, quando pessoas associam ações a consequências, sem nenhuma lógica. “Conheço o caso de um paciente que, de repente, sentia que precisava atravessar a rua várias vezes seguidas, com a justificativa de que, se não o fizesse, seu pai morreria”, conta a psicóloga Marina Vasconcellos.

Além do desejo de juntar objetos, o colecionador não consegue se desfazer de nada, sequer do lixo. As vítimas do transtorno têm a sensação de que tudo aquilo terá uma serventia um dia. O armazenamento excessivo acaba comprometendo a vida da pessoa que tem o distúrbio e de quem a rodeia.

“O acúmulo de objetos começa a interferir nos compromissos, nas atividades cotidianas e os familiares passam a se incomodar com o excesso de coisas amontoadas em casa”, diz a psicóloga Miriam Barros, relatando as características que podem denunciar um colecionador patológico. “Outro ponto importante é perceber que a pessoa perdeu a liberdade de escolha. Ela sente uma imposição interna que a obriga a guardar tudo, mesmo não sendo mais útil.”

Marina explica que o problema é causado por um distúrbio químico, que precisa ser tratado com medicação e terapia. O paciente pode nascer com propensão ao TOC ou desenvolvê-lo ao longo da vida. “O transtorno é causado por fatores hereditários, mas há a influência do ambiente onde a pessoa vive ou de traumas sofridos por ela”.

Em caso severo, irmãos morrem no meio do lixo

A psicóloga Marina Vasconcellos diz que a doença tem muitos níveis, entre leves e severos. A história dos irmãos Langley e Homer Collyer é um exemplo grave. Em 1947, a polícia de Nova Iorque foi chamada para investigar o caso de um cadáver encontrado em um prédio.

O imóvel pertencia aos irmãos, já idosos. Lá, a polícia encontrou montanhas de lixo que atingiam o teto, 14 pianos, um automóvel, restos de um feto de duas cabeças e os cadáveres dos dois: um esmagado pelo lixo e o outro morto de inanição.
Conhece um colecionador?

Não adianta brigar, procurar razões ou fazer uma faxina forçada na casa de um colecionador. O que resolve é ajudá-lo a perceber que precisa de tratamento. Explique que o comportamento precisa ser avaliado por um profissional e que, com isso, a vida poderá ser melhor.

“A terapia ajuda a descobrir a causa do distúrbio, mas, principalmente, ensina a conviver com ele. Os sintomas têm a ver com a dinâmica da vida da pessoa, que precisa ser observada”, explica a Marina.

O apoio para chegar ao tratamento é necessário, pois a pessoa não nota que suas atitudes são doentias. “Elas sentem muita ansiedade. Vivem uma dúvida constante. Receiam sofrer algum prejuízo, caso joguem fora algo que possam se arrepender”,diz Miriam.

Marina encerra explicando que jogar no lixo traria um sofrimento atroz ao colecionador, pois ele vive preso a rituais. “O paciente fica escravo da doença. Quem está de fora nunca entenderia, pois não tem lógica.”

É melhor casar ou morar junto?

Publicado no Terra

A decisão entre morar junto e casar deve ser pensada pelo casal (Foto: Getty Images)

Sabe quando já não faz mais sentido cada um no seu canto, mas vocês não sabem bem o que fazer? Morar juntos ou casar? Nos dias de hoje, a dúvida pode soar um tanto quanto careta, mas entender bem a diferença entre as situações pode ajudar você a não cair em uma enrascada.

“Na prática não há diferença entre estar casado e morar junto. Mas algumas pessoas podem não se sentir casadas quando apenas moram juntos, e isso fica no inconsciente”, comenta a psicóloga Marina Vasconcellos. O importante é que os dois estejam cientes e satisfeitos com a situação, independentemente se moram juntos ou se houve a troca de alianças.

Segundo a terapeuta sexual Cláudya Toledo, a mulher tende a se sentir menos amada quando não há um marco que sele a união. “A mulher se sente amada quando é pedida em casamento e isso faz com que ela tenha mais facilidade para engravidar e para se sentir à vontade com a relação. Ela fica mais segura”, conta.

Cláudya comenta ainda que a mulher pode sentir dúvida sobre as intenções do homem quando não há um marco de início da relação. “O casamento não é um papel, não é somente aquela idéia tradicional de noiva e união civil. Ele é uma união que tem que ser clara, com um marco de inicial. Aí o casal pode organizar suas vidas juntos, sem dúvidas”.

A publicitária Juliana Gontad, 26 anos, mora com o namorado Rogério Mendes, 33 anos, a pouco mais de um ano. O casal, que está junto há seis anos, resolveu unir as “trouxas” depois de uma conversa a dois. “Tudo melhorou. A cumplicidade aumenta muito, o que torna a relação mais intensa”, comenta Juliana. Para ela, não há diferença de comprometimento entre morar junto e casamento. “Talvez um dia a gente efetive a união por motivos burocráticos, dizem que em algumas situações é vantagem estar casado no papel. Mas seria só por isso”, completa.

Ao contrário de Juliana, alguns casais não conseguem encontrar uma sintonia quando não há uma união efetiva. Segundo Cláudya, quando as duas partes não se sentem verdadeiramente entregues na relação alguns probleminhas podem surgir. O homem, por exemplo, tende a não planejar sua vida com aquela parceira – o que resulta em uma não tão bem sucedida carreira profissional, já que ele não se vê como o “homem da casa”. “Já a mulher não consegue investir tanta energia nesse parceiro. Ela pode se negar a ir a uma festa da empresa dele, por exemplo, por não se sentir a esposa”, complementa.

Adepta do estilo mais tradicional, a fisioterapeuta Mônica Medeiros Silva Reina, 30 anos, achou que o melhor seria se o casamento fosse oficializado e as alianças trocadas. “Quando não há compromisso oficializado, o casal se separa com mais facilidade em momentos de briga. É mais fácil abrir mão e voltar para a casa dos pais”, explica.

Casada há três anos com o fisioterapeuta Leandro de Souza Reina, 30 anos, ela também passou pela experiência de dividir o mesmo teto sem compromisso. “Foram três anos de ‘panos de bunda juntos'”, brinca. Se a experiência foi válida? “O relacionamento ficou mais sério, mas só não nos casamos antes por falta de dinheiro. Mesmo porque, esse sempre foi nosso desejo”.

Para quem se sente incomodada em apenas morar junto e sonha com um casamento, tradicional ou não, vale a dica da terapeuta Cláudya. “Se o morar junto for um teste para descobrir se o casal dá certo, coloque um limite de tempo para isso. Mas é importante frisar que para a mulher é bastante dolorido o fato de estar ‘sendo testada’. Isso pode causar uma angustia que acaba deixando-a menos amorosa no relacionamento”, finaliza.

Dez dicas para evitar que a crise financeira acabe com a relação

Publicado no Terra em 29/04/2009

Quando um dos dois perde o emprego, é fundamental o casal reajustar os gastos (Foto: Getty Images)

Das rodinhas nas mesas dos bares às conversas em família, o assunto é um só: a crise financeira que insiste em bater à porta, geralmente com a perda do emprego.

Nesta quarta-feira, por exemplo, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) anunciou que o índice de desemprego no Brasil é o maior no mês de março desde 1985. A redução no número de funcionários é a estratégia de muitas empresas para tentar afugentar o quadro de colapso econômico.

E, entre um corte e outro, você ou seu companheiro pode ser uma das vítimas. “O desemprego é a oportunidade de o casal discutir os efeitos da crise”, afirma Gustavo Cerbasi, consultor financeiro e autor do livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos.

Na prática, segundo o especialista, isso significa uma reavaliação dos gastos. “Ajustes radicais podem contribuir para atravessar a crise. Trocar o carro por um mais barato ou o apartamento por um menor são estratégicas eficazes e inteligentes”, afirma.

O que não pode ser eliminado da vida do casal, diz o consultor, são as atividades de lazer. “Eles não precisam sair todos os dias para jantar, mas é importante que mantenham um encontro semanal com os amigos para tomar um choppinho.” Afinal, o isolamento só contribui para baixar a auto-estima e, quando a autoconfiança é deixada de lado, fica ainda mais complicado arrumar um novo trabalho.

A psicanalista, pós-graduada pela USP (Universidade de São Paulo), Léa Michaan compartilha do ponto de vista do consultor. Ela traduz a dificuldade econômica como chance de descoberta de outros prazeres pelo casal. “Uma caminhada ou assistir a um filme em casa podem ser programas bastante agradáveis”, diz.

Mas é claro que estar desempregado não é nada fácil. Ainda mais quando é o homem quem está nessa situação. “Embora a mulher tenha conquistado seu lugar no mercado de trabalho, o homem ainda carrega o estigma de provedor”, diz a terapeuta de adultos, casais e família, Marina Vasconcellos.

Para ela, críticas e cobranças só prejudicam a relação. Em vez de julgar o parceiro, experimente incentivá-lo mostrando quantas conquistas ele já alcançou profissionalmente. Assim, ele se sentirá mais confiante na disputa por uma nova vaga, alerta a terapeuta.

Para ajudar a afastar o fantasma da crise econômica de seu relacionamento, os especialistas listaram 10 estratégias. As dicas podem ajudar a fortalecer a cumplicidade e reforçar o amor. Confira:

1. Ajuste os gastos à nova realidade para não terminar afundado em dívidas;

2. Seja forte e não se deixe abalar por sensações, como frustração e ansiedade;

3. Trace um plano B. Pense em alternativas para reforçar a renda com alguma atividade que saiba fazer. Por exemplo, não há nada de errado em vender os quitutes que você faz como ninguém;

4. Procure manter o equilíbrio emocional, pois a sensação de fracasso impede que se sinta apta para disputar uma nova vaga de trabalho;

5. Reserve uma parte do dinheiro para atividades de lazer, como um choppinho com os amigos uma vez por semana;

6. Dê um tempo a si para se restabelecer emocionalmente. Afobar-se só torna a busca por um emprego ainda mais traumatizante;

7. Apegue-se a resultados positivos conquistados anteriormente para entender que não é um mau profissional, mas que o mercado de trabalho está enxuto em tempos de crise;

8. Afaste quaisquer críticas, cobranças ou julgamentos. Essas atitudes só servem para baixar a auto-estima de quem perdeu o emprego;

9. Reavalie seu potencial. Sua profissão realmente lhe traz prazer? É uma boa hora de virar a mesa para investir em outra carreira;

10. Não desista de encontrar um trabalho. As crises, felizmente, são passageiras.

Namorada ou mãe? Veja se sua parceira trata você como filho

Bebezinho pra cá, nenê pra lá e, por que não, um aviãozinho na boca enquanto você está lendo o jornal? Muitas vezes a mulher assume o papel de mãe na vida do parceiro aos poucos e sem perceber – o excesso de carinho vira exagero de cuidados e, quando menos se espera, a namorada ou esposa está tomando conta da alimentação, agenda e até do dia do futebol do homem.

Dentro de relações deste tipo são comuns frases como “Fulano, hoje você tem dentista”; “Não se esqueça de passar na casa da sua mãe”; “Querido,você almoçou direito? Ou comeu só bobagens, que te fazem mal?”. Ou, ainda: “você não acha que este seu chefe está te explorando? Você devia reclamar”; e “Hoje comprei estas peças de roupas, você estava precisando”.

Identificou-se com alguma delas? Então abra os olhos, antes que toda a parte boa do namoro – a paixão e a libido, por exemplo – acabem dando lugar à parte ruim do instinto maternal – o excesso de controle e de paparicação.

 

Bebê a bordo


Tanto o homem quanto a mulher podem permitir ou até mesmo gostar dessa relação em que ela toma a frente e ele assume um papel passivo, sendo provido como se fosse um bebê.

De acordo com a psicóloga Vera Senatro, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), alguns comportamentos servem como indícios. “Admitir, por exemplo, ser chamado por apelidos infantilizados ou ser cobrado por compromissos pessoais, profissionais e familiares, inclusive deixando a cargo da mulher cuidar da sua agenda.”

 

Segundo Vera, este tipo de homem pode ser muito bem sucedido em diversos aspectos da vida, mas pouco maduro na esfera familiar. “É aquele homem que gosta de ser mimado pela mulher sempre. Não arca com seus compromissos, não se cuida e não responde satisfatoriamente às suas responsabilidades. Normalmente são pessoas mais egocentradas, com dificuldade de perceber o outro.”

De acordo com a psicóloga e terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos, o perfil do homem que se deixa levar por uma “mãe-namorada”, também se enquadra aos casados com mulheres muitos ricas, quando são sustentados, e acomodam-se nessa posição.

Além disso, os inseguros e pouco ambiciosos também tendem a aderir essa postura, assim como os folgados e desligados. “Eles se apoiam na figura forte da mulher que cuida de tudo. Os que não têm muita iniciativa preferem deixar tudo para o outro fazer. Quando são desorganizados e se casam com mulheres ordeiras, automaticamente esse comportamento aparecerá, pois é difícil para ela conviver com a bagunça e muito trabalhoso convencer o marido a arrumar tudo, sendo mais fácil fazer por ele”, conclui.

 

Os prejuízos à relação

Para a terapeuta Marina, a maioria dos homens não gosta de ser tratado como filho, porque a mulher que tem essa atitude acaba tomando a frente da vida do parceiro, como se ele não fosse capaz. “Faz parecer que ele é incompetente para muitas coisas. Intromete-se na vida dele de uma forma que chega a ser invasiva.”

Além disso, ela explica que não é saudável um cônjuge se sobressair ao outro. Para quem tem filhos, esse equilíbrio é mais do que necessário. “Uma relação conjugal deve estar ancorada na igualdade de posições, e não numa hierarquia, onde um manda no outro.”

A parte sexual também fica prejudicada nestes casos. “A mulher tem vários papéis na vida. Com o marido, ela deve ser apenas a esposa, deixando o papel de mãe para ser exercido com os filhos, caso os tenha. Sexualmente pode ser prejudicial, pois não dá pra se sentir atraído pela mãe”, observa.

Vera afirma também que homens dependentes tendem a ter o seu desenvolvimento comprometido. “Qualquer relação que pretende ser saudável traz a possibilidade de crescimento das partes envolvidas. Se tivermos sempre alguém que nos ‘socorre’, sem nem precisarmos gritar, dificilmente iremos descortinar nossos mananciais. O grande prejuizo afinal é para o casal ou par que se aprisionar neste tipo de relação”, conclui.

 

Independência ou morte

Um alerta da terapeuta Marina aos homens que se identificam com este quadro é saber diferenciar a relação marido-mulher da relação pai-mãe. “Deve-se cuidar para que esse vínculo não se transforme em algo assexuado. Se o cuidado está exagerado, deve ser maneirado”.

Ela explica que os limites deste comportamento devem ser ditados pelo próprio homem, dando o seu próprio grito de independência. “O homem quer uma mulher ao seu lado, mãe ele já teve. Esses comportamentos costumam irritá-lo se a mulher insistir em sua manutenção. Ele deve impedir que a mulher o trate assim, dando limites quando necessário”, aconselha.

A psicóloga Vera enumera algumas dicas práticas a serem aplicadas no dia-a-dia. Em primeiro lugar, é preciso que ele avalie o preço que está pagando por deixar que a mulher assuma a frente. Feito isso, a melhor maneira de resolver a situação é conversar com a parceira, estabelecendo os momentos em que se sente aprisionado.

Para simplificar a situação, vale cortar alguns comportamentos típicos. “Em termos práticos, devemos impedir que o outro assuma nossa vida, maneje nossa agenda, se ocupe dos nossos compromissos, cuide da nossa saúde. Precisamos estar atentos a nós mesmos, antes de lançar o olhar para o outro”, explica.

As especialistas avisam, ainda, que com jeitinho, é possível impor limites à parceira e fazê-la retornar ao seu papel de mulher, esposa e amante. Afinal, mãe é uma só.

Via Terra

Birras infantis

Como agir quando as crianças fazem manhas e se jogam no chão?

Publicado por Lia Lehr no site Chrisflores.net

Imagine a cena. Você está andando pelo shopping e vê uma criança se atirar ao chão e começar a chorar. Automaticamente você olha para a mãe da criança e pensa: ‘coitada, que vergonha essa mulher está passando’. Como você ainda não tem filhos e não conhece aquela família, segue andando e deixa o problema dos outros para trás, correto?

Agora pense em outra situação. Você tem um filho e vai com ele ao shopping. Passam em frente a uma loja de brinquedos e ele insiste em levar um brinquedo, mas você diz não. É o suficiente para a criança se rebelar. Ela se joga no chão, chora, esperneia, grita, se debate. As pessoas passam e olham estarrecidas. Você não sabe onde enfiar a cara. Você ainda tentar argumentar, pede para a criança parar com a cena, mas ela não obedece. O que fazer?

Alguns pais, para evitar todo o constrangimento em público, acabam cedendo e atendendo ao apelo emocional da criança.

“Os pais não podem se deixar levar, não podem ceder, nem entrar no jogo da criança. Tem que conter e falar firme. Se ela não parar, tem que pegar a criança no colo, tirá-la dali, mesmo esperneando, levar para o banheiro ou outro lugar mais tranqüilo e dizer: ‘para quieto’”, ensina Marina Vasconcellos, psicóloga, terapeuta de casal e família.

A especialista conta que a criança pode começar a fazer birra por volta dos 2 anos e que pode se estender até o 6. A criança age desta maneira para chamar a atenção dos pais. “é como se ela dissesse ‘eu quero a sua atenção’. Os pais tem que explicar que ela não é o centro do universo e deixar claro que ela não vai conseguir o que quer só porque está fazendo birra”.

Punições

E se mesmo assim não adiantar e a criança continuar fazendo escândalo em público? A terapeuta aconselha os pais a aplicarem a técnica do “1, 2, 3”.

“Diga à criança que vai contar até três e que se mesmo assim ela não parar, irá apanhar ali mesmo. E fique claro: palmada educativa não é espancamento, não é uma surra. É uma palmada só e avisada. Com isso, a criança pensará que tem escolha de continuar ou não fazendo birra. A criança sabe que as ações tem conseqüências e que haverá uma justiça”, diz Marina.

A psicóloga diz que a técnica costuma dar certo e que, antes mesmo de contar até três, a criança para com as manhas.

Outra atitude que os pais costumam tomar neste tipo de caso é dizer à criança que ela ficará de castigo quando chegar em casa. Nesse caso, não adianta.

“O castigo tem que ter a ver com a coisa errada que a criança fez. Por exemplo, se ela quebrou um brinquedo de propósito, não adianta colocá-la para ‘pensar’. Tem que proibi-la de brincar porque ela não soube cuidar. Também não adianta dar sempre o mesmo castigo. A criança tem que sentir a conseqüência do erro”, finaliza a psicóloga.

Agitado ou hiperativo?

Seu filho não para quieto de jeito nenhum? Conheça as diferenças entre uma criança arteira e outra com transtorno de comportamento

Publicado por Lia Lehr no site Chrisflores.net

Algumas crianças são bem quietinhas e dão pouco trabalho aos pais.  Em compensação, outras são bastante agitadas. Às vezes, fazem tantas travessuras, que os pais se questionam se estão diante de uma criança hiperativa. Como saber então se o filho sofre algum distúrbio ou se é apenas uma criança mais elétrica?

“O hiperativo não consegue parar com nada. Não consegue ficar atento mais do que 20 minutos e tem dificuldade em se concentrar em qualquer coisa. A criança hiperativa dispersa, não se concentra e ainda atrapalha os outros”, diz Marina Vasconcellos, psicóloga, terapeuta de casal e família.

Marina conta que o problema costuma ser notado quando a criança começa a freqüentar a escola. “Quando ela não para quieta levanta-se e mexe com todo mundo, está sempre mexendo braços e pernas, é que começa a chamar a atenção dos professores por ser tão irriquieta”. Segundo a especialista, esta é a principal diferença entre a criança hiperativa e a agitada, que faz bagunça, mas não atrapalha a rotina de ninguém.

A psicóloga lembra ainda que, é mais comum os meninos serem agitados do que as meninas.

“Até por uma questão de educação e brincadeiras, já que eles são mais estimulados. Enquanto as meninas são estimuladas com brincadeiras de casinha e princesas, os meninos são incentivados a brincar de luta, por exemplo”, explica Marina.

 

Transtorno de déficit de atenção com hiperatividade

A hiperatividade também pode estar associada ao déficit de atenção. “São diagnósticos diferentes, mas parecidos em alguns sintomas. O paciente com déficit de atenção é desorganizado, bagunceiro, desatento. É aquele sujeito que esparrama tudo, é preguiçoso e tem dificuldade em fazer as coisas porque não consegue se concentrar, mas não necessariamente é agitado como o hiperativo, que não para quieto”, explica a psicóloga Marina.

O diagnóstico para a hiperatividade e o déficit de atenção é muito sutil e realizado através de um exame neuropsicológico. O tratamento para os pacientes que sofrem de déficit de atenção costuma ser feito com remédios. Para as crianças hiperativas, recomenda-se a prática constante de esportes. “A criança tem que por para fora o excesso de energia. Ela precisa descarregar toda essa energia que tem acumulada dentro dela. Além disso, são crianças muito criativas e é importante os pais darem condições para elas focarem a energia nesse sentido”, recomenda a especialista.