Sete passos que motivam o abandono de um mau hábito

Valorizar suas conquistas e não perder o foco é fundamental

Publicado no Portal Minha Vida em 04/01/2013

Se você já se propôs a largar o cigarro, evitar comer demais ou até mesmo parar de roer as unhas sabe que abandonar um mau hábito não é tarefa fácil. Segundo o psicólogo Vitor Sampaio, hábitos são nosso modo de ser, ou seja, a forma como realizamos nosso existir diário. “Abandonar uma parte de nós mesmos é muito difícil e, por isso, parece tão complicado quebrarmos um costume”, afirma. Vale lembrar ainda que grande parte desses hábitos funciona como válvula de escape para problemas emocionais, como a ansiedade. Entretanto, com alguns truques fica mais fácil de alcançar metas, seja ela qual for. Confira as dicas que psicólogos dão para abandonar um mau hábito.

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Foto: Reprodução

Acredite em você

O primeiro passo para tentar cortar um mau hábito é reconhecer-se capaz de tal realização. Lembre-se de que mesmo com todas as tentações você consegue manter a disciplina. “Iniciar um processo de mudança com um discurso derrotista aumenta a probabilidade de você falhar”, alerta a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp. Por isso, saiba que apesar de tudo você pode alcançar seu objetivo.

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Um passo de cada vez

Quem deseja emagrecer 20 quilos não conseguirá atingir a meta de forma saudável em um único mês. Por outro lado, nesses 30 dias já é possível perceber alguma mudança nas medidas e na balança. Por isso, estabelecer pequenas metas para alcançar um objetivo maior pode ajudar a obter sucesso. É o famoso “um passo de cada vez”. Ao invés de imaginar que falta muito para conseguir o que quer, mentalize que cumpriu a tarefa daquela semana ou mês. Além disso, de acordo com o psicólogo Vitor, ir aos poucos permite uma mudança menos brusca, facilitando a adoção do novo costume.

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Não desista

Mesmo decidido a parar de roer as unhas, por exemplo, você ainda pode sofrer recaídas. Muitas vezes, sem se dar conta, a mão já foi levada à boca. Isso não significa que seu objetivo não pode mais ser alcançado ou que por conta da falha você deve aproveitar para roer tudo o que pode. “Somos humanos e, portanto, passíveis de falhar, mas isso não significa que você não é capaz ou que será necessário começar do zero novamente”, aponta a psicóloga Marina. Sempre que sofrer recaídas, lembre-se do quanto já evoluiu e continue progredindo de onde parou.

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Faça aliados

“Pedir a colaboração da família e dos amigos é peça chave para quem deseja abandonar um mau hábito”, afirma o psicólogo Vitor. Quem quer parar de fumar, por exemplo, pode pedir para que os colegas avisem quando irão acender um cigarro, permitindo que ele se distancie e não sinta o cheiro da fumaça. Outra maneira de criar aliados é incentivando o abandono em massa daquele costume. Desta maneira, um incentiva o outro, tornando a tarefa menos árdua.

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Conheça seus limites

Se você sabe que almoçando no shopping não irá resistir a um fast-food ou que aceitando um convite de happy hour não terá forças para deixar o cigarro de lado, evite se colocar à prova. Com o tempo fica mais fácil manter a disciplina e ignorar os demais tabagistas, mas até esse momento, evite forçar a barra. Por isso, é fundamental o autoconhecimento, ou seja, conhecer seus próprios limites. “Contar com ajuda especializada para superar seu problema também ajuda muito”, recomenda o psicólogo Vitor.

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Valorize suas conquistas

Um dia sem roer as unhas é uma grande conquista. Um dia resistindo à vontade de fumar também. “Aprenda a valorizar suas conquistas para continuar motivado ao invés de pensar que isso é só o começo e que você ainda será testado várias vezes com o passar do tempo”, recomenda a psicóloga Marina. Não é regra que abandonar um mau hábito é sempre difícil e desgastante. Seja otimista e não se deixe abater por críticas. Só você sabe como foi difícil chegar até onde você se encontra.

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Meta final em foco

Durante o processo de abandono do mau hábito você pode se questionar quanto à razão de estar se dedicando tanto para alcançar essa meta. Nesses momentos, imagine como estará daqui a alguns anos: com a saúde em dia, com unhas impecáveis ou ainda com um corpinho de dar inveja. Será que isso realmente não vale a pena? Para isso, é importante contar com acompanhamento profissional e tratar o real problema por trás do mau hábito.

 

 

 

Comportamento dos pais influencia no futuro profissional dos filhos

Publicada no UOL em 06/11/2012

Pais que reclamam do trabalho podem criar filhos com dificuldade de encarar a vida profissional. Foto: Reprodução

Você costuma chegar do trabalho resmungando com muita frequência? Encara o emprego como um martírio ou uma humilhação? Ou, ao contrário, demonstra que sua carreira é a coisa mais importante da sua vida? Saiba que comportamentos desse tipo podem afetar a forma como os seus filhos enxergarão a vida profissional futuramente.

“Os pais são modelos para os filhos. Se eles chegam todos os dias contando situações horríveis, as crianças não vão querer ter o mesmo futuro”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama e terapia familiar. Como consequência disso, além de fugir da mesma carreira que a sua, seus filhos podem encarar o trabalho como um sacrifício –mesmo antes de entrar para o mercado de trabalho.

Por outro lado, passar uma imagem extremamente positiva da profissão aos filhos, e estimulá-los a se aproximar do seu mundo profissional, pode fazer com que eles sigam seus passos sem refletir sobre seus verdadeiros desejos. “É um perigo, pois pode não ser o que eles querem fazer, embora sintam que pertençam a esse universo”, afirma Marina.

Resistência à frustração

Família que passa a ideia de que o trabalho deve ser uma fonte completa de felicidade pode gerar um filho adulto com maiores chances de se frustrar profissionalmente, segundo a psicóloga e psicanalista Blenda de Oliveira, membro da SBPSP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo). “O trabalho nem sempre precisa ser sinônimo de felicidade. Às vezes, leva um tempo para encontrar aquilo que nos satisfaz”, diz Blenda. Para ela, a profissão não precisa ser necessariamente o que mais se ama, mas, sim, o que se faz de melhor. “Quando o trabalho não é tão idealizado, a relação é mais saudável e mais produtiva”, diz.

Quem idealiza uma vida profissional cheia de sucesso e reconhecimento desde a infância pode se tornar um jovem que desiste diante do primeiro obstáculo ou quando é contrariado. “Essa situação é mais frequente em famílias que não precisam do trabalho para sobreviver e, por isso, os filhos não entendem que o estresse faz parte do trabalho. Eles acham que têm de começar com um bom cargo, ganhando bem, ou não vale a pena sair de casa”, diz Blenda.

Para a psicóloga especialista em psicodrama Cecília Zylberstajn, compreender que nenhum trabalho é perfeito evita problemas. “Os jovens [da geração Y] foram educados na era da autoestima: são vistos como muito especiais, mas foram crianças mimadas que viraram adultos que não sabem lidar com a frustração”, afirma. “A escola e os pais mimam, e o mercado de trabalho é o primeiro contato que eles terão com limites e decepções”, diz Cecília.
Para criar filhos que sejam bons profissionais no futuro, é preciso ensiná-los a lidar com a frustração desde a infância, quando ainda estão na escola. “Mostre que é natural ter professores que não são legais ou que as notas nem sempre serão as imaginadas”, afirma Blenda. E, quando eles entrarem no mercado de trabalho, é importante que sejam orientados a não desistir diante das adversidades. “Resistência à frustração não se aprende na escola, mas em casa. Tem a ver com os valores e a formação dos pais”, diz a psicóloga e consultora organizacional Izabel Failde.

Modelos de relacionamento
O padrão de relacionamento que a criança estabelece com os pais afeta o modo como ela irá encarar as relações de trabalho no futuro, segundo Cecília. Por isso é fundamental que eles não sejam expostos a uma educação extremamente autoritária. “A família é o berço de todas as relações. Muitas vezes os problemas que vemos no trabalho podem ser decorrentes das dinâmicas familiares”, diz.

Como o pai costuma a ser a primeira figura de autoridade que conhecemos, se ele for muito rígido, o filho poderá ter problemas de relacionamento com o chefe no futuro, por exemplo. “Aquele menino indefeso pode continuar assim na fase adulta”, afirma Cecília. Também é possível que, depois de anos obedecendo às ordens de um pai controlador, a criança se torne um adulto com raiva da figura que exerce poder e, por isso, tenha dificuldade de aceitar ordens no ambiente profissional.