Como lidar com a falta de limites das outras crianças?

Publicado em Bebe.com.br/família,29.11.17
Raquel Drehmer

Pode dar bronca? Os pais sempre precisam ser avisados sobre o comportamento de seus filhos? Especialistas orientam como é melhor agir

Lidar com os momentos de desafio aos limites dos próprios filhos já é uma tarefa bem árdua. Precisar agir – ou não – quando as crianças dos outros são malcriadas com você ou com seus filhos, então, é algo que deixa muitas pessoas sem saber o que fazer.

Foi o caso da gerente de compras Juliana Mattos. Depois de cansar de pedir para uma das amigas da filha de 5 anos para comer à mesa junto com toda a turminha, não subir no sofá usando sapatos e, principalmente, não bater nas outras crianças, ela vetou as reuniões infantis em sua casa.

“A menina não sabia se comportar, eu não me sentia confortável para dar bronca e a mãe dela foi bem pouco receptiva quando relatei o que vinha acontecendo. Disse que era ‘coisa de criança’. Mas, para mim, é falta de limites. Principalmente a coisa de bater nas amigas”, conta. “Agora, só pode ir uma por vez em casa. E aquela amiguinha, infelizmente, não pode ir mais, porque eu não sabia mais o que fazer com ela.”

É bom ensinar sua criança a se defender da falta de educação alheia

No caso de agressividade, como Juliana relatou, é preciso analisar a situação antes de tomar uma atitude. “Se não for uma coisa muito grave, deixe que se resolva sozinha. Os pais às vezes se metem onde não são chamados e tiram da criança a capacidade de autodefesa”, orienta a psicóloga Marina Vasconcellos. “Agora, se for algo que chame a atenção e que esteja se repetindo, vale conversar com os pais da outra criança, esperando que eles deem a bronca no filho, e não você.”

Se nada resolver, a solução é procurar o afastamento, ainda que temporário. “Se o problema persiste, vale a pena tirar seu filho da situação, falar para ele não brincar mais com aquela criança. Você dá instrumentos para seu filho se defender sozinho e elas não bastam, então ele sai, porque também não é um saco de pancadas”, afirma a psicoterapeuta familiar Ana Gabriela Andriani.

E se os pais da criança estiverem presentes quando ela for malcriada?

As malcriações da amiga da filha de Juliana aconteceram dentro de casa, sem a presença de outros pais. Mas as más atitudes podem se manifestar em momentos em que os adultos estejam junto, como uma festa. Ou, ainda, a criança sem limites pode ser filha de amigos seus. O que fazer nesses casos?

Ana Gabriela é a favor do benefício da dúvida para esses pais. “Vale a pena primeiro tentar conversar com a criança e ver como seus pais vão reagir. Pode falar meio brincando, é uma chance de eles se colocarem. A gente espera que reajam, atuem dizendo que é para ela parar”, observa a psicoterapeuta.

Existe a possibilidade de eles não fazerem nada. Aí, a consultora de etiqueta e marketing pessoal Ligia Marques é a favor do papo direto: “Se a situação estiver ficando incontrolável, é seu direito pedir aos pais, sim. ‘Por favor, podem pedir que seu filho não faça tal coisa?’.”

Mas com jeitinho, ok? Especialmente se eles forem seus amigos. A consultora de etiqueta Susi Obal considera que não adianta estender uma briga entre crianças até os pais. “Já aconteceu de os adultos estarem brigados e os filhos já terem feito as pazes”, afirma.

Uma criança desconhecida está sendo malcriada em público. É preciso fazer algo?

Você está bela e plena no shopping, no supermercado, no clube ou em qualquer lugar público e de repente nota uma criança sendo mal educada: ela mostra a língua para as pessoas, grita, cospe, faz gestos inadequados. E agora?

Em primeiro lugar, nunca se deve dar uma bronca diretamente; você não conhece aquelas pessoas. Se você não conseguir ficar em paz com a situação, pode se dirigir aos pais, mas esteja preparada para não ser bem recebida.

“Se esses pais deixam os filhos cuspirem e serem agressivos com estranhos, há o risco de você ser desrespeitada. Criança com esse tipo de comportamento vem de pais mal educados”, explica Marina.

Ainda assim, Ana Gabriela defende uma abordagem direta: “Pode ser que os adultos se voltem contra quem falar, mas reclamar é um direito. Não tem problema dizer ‘Desculpa, mas ela está cuspindo’, ‘Desculpa, mas seu filho está me chutando’.”

Saia justa: você leva seu filho e um amigo para passear e a outra criança é mal educada

Vocês estão no cinema, no teatro, em um restaurante, no supermercado ou em um passeio no shopping e ali dá-se o problema. Todas as especialistas são da opinião de que você deve interromper esse amiguinho na hora.

“A mãe precisa ter autoridade. Se a situação continuar, dizer que todos vão embora”, sugere Marina. Ligia concorda com a ideia do “toque de recolher”: “Tem que dizer que se ele não conseguir se comportar vai pra casa na hora. Ninguém é obrigado a aturar criança sem educação e ficar quieto.”

De toda forma, algum preparo antes de sair de casa pode evitar esse transtorno. A criança pode se comportar de forma considerada inapropriada apenas porque o lugar ao qual vocês foram não é adequado para os pequenos. “Vale sempre lembrar que há restaurantes mais indicados para se levar crianças e outros em que, por mais que alguns não concordem, não gostam da presença delas. Faça uma boa escolha em relação ao local”, recomenda Ligia.

Combinar com as crianças como será a saída também é uma boa ideia. Ana Gabriela afirma que uma criança é super capaz de seguir as regras de outra casa e que não tem problema estabelecê-las. “É importante fazer um combinado antes de sair de casa. Dizer que vocês vão comprar pipoca, refrigerante e eles vão procurar ficar quietinhos no cinema, por exemplo. Tentar antecipar algumas situações é muito bom. E, se houver algum imprevisto, agir no momento”, finaliza.

Especial Separação: como contar às crianças

Publicado em Revista Crescer/família, 03.04.17
Por Naíma Saleh

Não é possível evitar o sofrimento dos filhos – afinal, a notícia é triste mesmo. Mas com respeito e diálogo, dá para mostrar que não será o fim do mundo e que vocês continuam formando uma família.

Separação: como contar aos filhos? (Foto: Thinkstock)

Em 10 anos, a taxa de divórcio no Brasil cresceu 160%, de acordo com os últimos dados do ‘Estatísticas do Registro Civil” de 2015, ano em que foram registrados 328.960 desquites no país. É claro que ninguém casa (ou, pelo menos, não deveria se casar) esperando que um dia o relacionamento acabe, mas, às vezes, o fim é inevitável e pode se tornar um alívio, tanto para o ex-casal quanto para as crianças. É um recomeço para todos.

Isso, é claro, não torna o processo menos doloroso. Decidir terminar uma relação nunca é simples. E quando há filhos no meio, é preciso ter ainda mais cuidado e delicadeza na hora de colocar um ponto final. Veja o que é preciso ponderar antes de comunicar a separação às crianças e quais são as melhores maneiras de contar.

A decisão

É fato que todo casal tem problemas, mas, independentemente do tipo – e da gravidade – da situação, o primeiro conselho da psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela UNIFESP, é procurar ajuda profissional antes de bater o martelo. “Tem casais que chegam ao consultório quase decididos, mas voltam atrás, porque na terapia conseguem consertar o que não estava indo bem no casamento”, explica.

Isso diminui as chances de tomar uma decisão e voltar atrás depois – o que pode tornar o processo mais difícil e causar um sofrimento desnecessário tanto aos filhos, como aos pais.

Como contar

Uma vez que decisão está tomada, é melhor avisar às crianças o quanto antes – mesmo porque, dificilmente, elas não vão perceber que algo está acontecendo. Vá direto ao ponto, mas com delicadeza. “O ideal é que os pais contem juntos, com calma, tranquilidade e respeito”, recomenda Marina. Frases como “Nós não nos amamos mais” ou “a gente se respeita, mas não existe mais amor de casal” ajudam a deixar claro que os papéis de pai e mãe vão continuar intactos mesmo com a dissolução do casamento.

Ainda que o clima entre os pais seja de paz e que eles tenham chegado a um acordo, é natural, nesse momento de angústia, tentar garantir que a criança venha para perto si. “Inconsicientemente, cada pessoa quer puxar o filho para perto porque tem medo de vê-lo menos, de se afastar na nova configuração”, explica a psicóloga Miriam Barros, psicoterapeuta de crianças, adolescentes, casais e famílias. O resultado é que, na hora de conversar com as crianças, a escolha dos termos e da forma de falar pode, sutilmente, insinuar que a culpa pelo fim é de um dos dois ou que um lado está muito magoado. Por isso, é melhor que o ex-casal  converse muito entre si antes, para combinar o que e como falar para as crianças.

Como contar

Uma vez que decisão está tomada, é melhor avisar às crianças o quanto antes – mesmo porque, dificilmente, elas não vão perceber que algo está acontecendo. Vá direto ao ponto, mas com delicadeza. “O ideal é que os pais contem juntos, com calma, tranquilidade e respeito”, recomenda Marina. Frases como “Nós não nos amamos mais” ou “a gente se respeita, mas não existe mais amor de casal” ajudam a deixar claro que os papéis de pai e mãe vão continuar intactos mesmo com a dissolução do casamento.

Ainda que o clima entre os pais seja de paz e que eles tenham chegado a um acordo, é natural, nesse momento de angústia, tentar garantir que a criança venha para perto si. “Inconsicientemente, cada pessoa quer puxar o filho para perto porque tem medo de vê-lo menos, de se afastar na nova configuração”, explica a psicóloga Miriam Barros, psicoterapeuta de crianças, adolescentes, casais e famílias. O resultado é que, na hora de conversar com as crianças, a escolha dos termos e da forma de falar pode, sutilmente, insinuar que a culpa pelo fim é de um dos dois ou que um lado está muito magoado. Por isso, é melhor que o ex-casal  converse muito entre si antes, para combinar o que e como falar para as crianças.

Abra espaço e converse

É comum que as crianças menores se perguntem o que foi que elas fizeram para causar esse tipo de situação. Elas podem achar que o pai ou a mãe está saindo de casa por conta de um mau comportamento delas, de algo que elas disseram e não deveriam ter dito, ou alguma decepção que tenham causado. “As crianças têm muitas fantasias. Quanto menores, mais egocentradas. Elas se acham culpadas por um monte de coisas, pois são muito autorreferentes”, explica Marina. Por isso, deixe claro que a escolha do casal não tem nada a ver com as crianças, que é uma decisão de adultos e que não vai interferir no amor que os dois sentem pelo filho. Também reforce o lado positivo da situação. Explique que a criança vai ter duas casas, dois quartos, deixando claro que o espaço dela está garantido na vida de cada um.

Também não adianta propor uma ida ao cinema ou a qualquer lugar que seu filho goste de ir para tentar agradá-lo e depois soltar a bomba. A criança pode se sentir enganada. Além disso, é uma situação muito particular para ser conversada em locais públicos. O melhor lugar é em casa, no ambiente privado, para que a criança possa chorar, ficar mal, falar o que tiver vontade.

Males para bem

Quando a situação entre o casal é muito ruim, a notícia pode até trazer certo alívio, porque os filhos não gostam de ver os pais brigando e se ofendendo. “Em muitos casos, são perdas que vão resultar, mais tarde, em um ganho de saúde emocional tanto para o ex-casal quanto para a criança. Se cada um puder ter uma vida mais tranquila e se a criança não presenciar um modelo de relação com brigas, é um fato positivo para a sáude mental de todos”, reflete Miriam.

É inevitável, porém, que as crianças fiquem tristes. “Elas têm o direito de reagir e se expressar. É preciso acolher, conversar”, diz Marina. É bacana também citar exemplos de outras famílias com pais separados que o filho conhece e que se dão bem. Mas dê tempo ao seu filho de processar e espaço para que ele possa se manifestar.

O que tem que ficar claro para as crianças é que, mesmo que os pais não formem mais um casal, nenhum deles vai perder o contato com elas, ambos farão de tudo para estar presentes e os filhos poderão contar com eles sempre. Afinal, casamento acaba. Família, não.

Evite dizer…

“Quando eu tiver um namorado, ninguém vai tomar o lugar do seu pai”. A criança não precisa se preocupar com a possibilidade de uma nova presença na família nesse momento. Mesmo que um dos pais – ou os dois – já estejam em novos relacionamentos, não é a hora de contar. Deixe a criança assimilar uma coisa de cada vez.

“Vamos nos separar porque seu pai/sua mãe é (insira aqui qualquer ofensa)”. É preciso manter o respeito ao se dirigir e se referir ao ex-parceiro, mesmo que ele não esteja presente.

Pode ser bom dizer:

“Mamãe/papai ainda vai ficar triste, talvez fique mais quietinha, mas vai passar. Você também pode ficar triste, não tem problema”. Lidar com a situação de forma equilibrada não quer dizer esconder os sentimentos. Abra espaço para você e seu filho poderem lidar com essas emoções.

“Amamos você e seremos sempre os seus pais acima de tudo”. Separe os papéis de casal e de pais, dando segurança para seu filho que um não vai interferir no outro.

Mãe biológica de Zahara Jolie-Pitt quer reencontrar a filha

Publicado em Vogue, 18.01.17

“Eu gostaria que a Angelina me deixasse falar com ela. Não acho que seja pedir muito”, declarou Mantewab Dawit Lebiso ao Daily Mail

Zahara Jolie-Pitt, Angelina Jolie e Shiloh Jolie-Pitt (Foto: Getty Images)

Adotada em 2005 por Angelina Jolie e Brad Pitt quando tinha apenas 6 meses de idade, a etíope Zahara Jolie-Pitt está sendo procurada por sua mãe biológica. Em entrevista ao site britânico Daily Mail, Mentewab Dawit Lebiso revelou que quer reencontrar a filha e fazer parte de sua vida.

“Eu só quero que ela saiba que eu estou viva e que estou aqui, que posso falar com ela”, declarou. “Eu não quero a minha filha de volta, só quero poder entrar em contato com ela, conversar e saber como ela está”.

“Angelina tem sido uma mãe muito melhor do que eu jamais poderia ter sido”, desabafou Mantewab. “Ela está com Zahara desde quando ela era um bebê – mas isso não significa que eu não sinto sua falta. Eu sinto sua falta o tempo inteiro. Eu penso nela todos os dias e fico esperando ouvir sua voz e ver seu rosto. Eu sei quando ela está de aniversário e fico triste porque não posso comemorar com ela. Eu gostaria muito de poder celebrar com ela no seu aniversário e em outras datas especiais”.

Brad Pitt e Angelina Jolie adotaram Zahara quando ela ainda era bebê (Foto: Getty Images)

Em entrevista à Vogue, a psicóloga Marina Vasconcellos* diz que a procura de mães biológicas pelos filhos anos depois do abandono é mais comum do que se pensa. “Algumas mães entregam os filhos para adoção por não terem como cuidar deles naquele momento de vida”, explica. “Com o passar do tempo e com mais maturidade, em muitos casos surge um arrependimento pelo ato, embora as mães tenham consciência de que aquela era a melhor solução no momento”. Entre os motivos que as fazem querer reencontrar os filhos estão a “melhora nas condições de vida, a vontade de saber como estão sendo tratados, de saber como se parecem fisicamente”, conta.

Vivendo em condições precárias na Etiópia, Mentewab Dawit Lebiso foi estuprada por um homem que invadiu sua casa aos 19 anos. O traumático ataque a deixou grávida, e sua família a obrigou a dar a filha para adoção.

“Eu gostaria que a Zahara soubesse que ela tem uma mãe que a ama tanto quanto a Angelina. Eu sei que sua vida é com Angelina em outro país, e que ela fala uma língua  diferente de mim”, explica Mentewab no apelo publicado no Daily Mail. “Ela tem uma vida que eu nunca poderia proporcionar a ela, mas ainda assim eu gostaria de ter algum contato com Zahara. Meu coração explode de tanto orgulho que sinto [dela]”.

No apelo para Angelina Jolie, ela conclui: “nós todos morreremos um dia e, antes de morrer, eu gostaria que ela me conhecesse e soubesse que tem uma família aqui na Etiópia. Eu gostaria que a Angelina me deixasse falar com ela. Não acho que seja pedir muito”.

Zahara Jolie-Pitt, Angelina Jolie e Shiloh Jolie-Pitt (Foto: Getty Images)

“A melhor saída para este tipo de situação é lidar naturalmente e não impedir que o filho conheça os pais”, diz Marina, mas deve-se ter cuidado com a interferência dos pais biológicos na criação ou na rotina dos filhos. “Afinal de contas, os pais adotivos são os pais de fato, aqueles que assumiram a criança como filho, e devem ser representados como tais. Conhecer os pais biológicos é uma coisa, mas estes quererem fazer parte constante da vida do filho é outra. Se eles tomaram a decisão de doar o filho para que outros pais o criassem, agora precisam assumir as consequências e entender que perderam o direito sobre ele”, conclui.

O que Zezé di Camargo e Zilu deveriam aprender com Fátima e Bonner

Publicado em UOL, Estilo/ Comportamento, 26.12.16
Natália Eiras

Do UOL

AgNews

Separados desde 2013, Zezé di Camargo e Zilu continuam dando o que falar. Eles trocam alfinetadas pelas redes sociais, colocam os filhos no meio das brigas e soltam declarações polêmicas para a mídia. Se “administrar” um divórcio sendo pessoas anônimas já é complicado, imagina se o (ex-) casal é famoso, como Zilu e Zezé? A fama pode agravar a situação, mas não é a causa de todos os problemas.

Neste ano, muita gente disse que não acreditava mais no amor após Fátima Bernardes e William Bonner anunciarem a separação. Os jornalistas, no entanto, conseguiram manter todo o drama de um divórcio bem longe dos holofotes. De acordo com a terapeuta de casais e família Marina Vasconcellos, de São Paulo (SP), esse é o tipo de coisa que a Família Camargo deveria aprender.

“[Zilu e Zezé] deveriam fazer exatamente o oposto do que estão fazendo. Não pode expor o outro. Além de acabar com a privacidade do ex-companheiro, você também está se expondo e deixando os filhos vulneráveis”, fala a especialista em entrevista ao UOL.

E Fátima e Bonner souberam administrar muito bem a vida pública e a privacidade da família. “Eles sabem que, por serem figuras públicas, qualquer coisa que eles falarem vai fazer muito barulho. O importante é respeitar o seio familiar”, aconselha.

Não expor o ex-companheiro

Assim, declarações como a de Zezé, que disse que não teria escrito “É o Amor” para a Zilu, deveriam ser evitadas pelos famosos. “Isto é um problema de casal e a roupa suja se lava em casa”, diz Marina. “Isso alimenta uma coisa negativa, um sentimento de vingança, de raiva. E, nessas horas, é preciso alimentar coisas positivas”.

Deixar de fuçar as redes sociais do ex

Em uma época em que as redes sociais são uma parte importante da vida das pessoas, deixar de seguir o ex-companheiro no Facebook e no Instagram pode ser uma boa estratégia para evitar constrangimentos. “Terminou? Vai cada um levar a sua vida, respeitando a do outro. Porque até ali eles tinham uma história juntos, mas agora começará uma nova etapa da vida de ambos”, afirma a psicóloga formada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Ter maturidade para lidar com os filhos

Maturidade por parte dos pais também previne situações como a de Wanessa, que deixou de falar com Zezé após a separação. “O ideal seria eles fazerem uma terapia de ex-casal para ‘limpar tudo’. Os filhos ficam em uma situação muito delicada e acabam escolhendo um lado”. Não falar mal do ex-companheiro para a família e segurar a onda nas “cenas de ciúme” também ajudam a manter a harmonia. “Tem um problema com o seu ex? Resolva com ele. Se a convivência é muito difícil, não fale para os filhos”.

Dividir as festas de fim de ano

No Natal, Zezé publicou uma imagem comemorando a data com a namorada, Graciele Lacerda. A “separação” da Família Camargo não passou em branco no Instagram de Zilu, onde ela escreveu um texto dizendo que não há “ex-filho”. Fãs viram o post como uma provocação. A situação teria sido resolvida, de acordo com Marina, se tivesse havido uma conversa e negociação sobre como seriam comemoradas as festas de fim de ano.

“Normalmente, as famílias se dividem: os filhos passam o dia 24 com um e o dia 25 com o outro. Ou o Natal com um e o Ano-Novo com o outro”, fala a especialista. O importante, no entanto, é respeitar o acordo e ter em mente que estar com o pai não significa que o filho não goste da mãe ou vice-versa. “Não é saudável competir pelo amor dos filhos”.

Vídeo de mulher fazendo dança sensual com bebê é abusivo, dizem psicólogas

Publicado, no site UOL, Estilo/Gravidez e Filhos, 19.07.16

Um vídeo em que uma mulher aparece rebolando até o chão na frente de um bebê que aparenta ter um ano de idade está repercutindo negativamente nas redes sociais.

Reprodução/Facebook

Postado no Facebook, o vídeo de 22 segundos já tem mais de 2,6 milhões de visualizações e mostra o bebê imitando a mulher, provavelmente sua mãe, fazendo movimentos de vai e vem com o quadril que remetem a um ato sexual.

Há um segundo adulto filmando e ambos demonstram se divertir com a atitude da criança, que é incentivada a continuar a dança.

A repercussão da filmagem, que para alguns internautas estimula a pedofilia, chegou ao exterior e foi alvo de uma reportagem do jornal britânico “Daily Mail”.

Para Blenda de Oliveira, psicoterapeuta de adultos, adolescentes e crianças, o vídeo é abusivo. “Do ponto de vista cognitivo, a criança nesta idade ainda não sabe o que é sexual e o que não é, não tem maturidade intelectual para fazer essa distinção, mas é movida por sensações e, portanto, é estimulada precocemente em sua sexualidade, o que causa um impacto negativo em seu desenvolvimento”.

Segundo a especialista, o abuso também ocorre porque a criança não compreende as consequências do ato e da exposição e isso fere sua intimidade. “ Atitudes assim, cada vez mais comuns em nossa sociedade, chegam a ser cruéis, pois a criança se torna um objeto de riso, sem ter noção disso.”

De acordo com Quézia Bombonatto, psicopedagoga e diretora da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), é preciso lembrar que, apesar de ingênua, a criança não é assexuada e passa, a cada fase, pela experimentação do prazer de maneira diferente. Atropelar seu desenvolvimento natural poderá causar a erotização precoce e ter consequências negativas sobre a criança.

“Todas essas percepções sensoriais que o bebê está tendo, ao abraçar e encostar na mãe, causam estímulos e favorecem a descoberta do sexo antes da hora. Ao ser incentivado pelos adultos, ele recebe um reforço positivo, o que significa que irá continuar agindo assim, primeiro em casa, depois na escola, e não sabemos como irá extravasar esses estímulos no futuro.”

O despertamento sexual precoce, explica Quézia, também pode causar uma certa confusão de sentimentos. “A criança sente algo que não sabe nomear e, no futuro, talvez tenha dificuldades para lidar e compreender o que sente.”

A psicopedagoga explica que os pais devem ser muito cuidadosos ao expor fotos e vídeos de seus filhos na internet, evitando que sejam manipulados ou usados por pessoas que tenham interesse em pedofilia. “Isso sem contar que, mais tarde, esse menino verá o vídeo e poderá se sentir culpado ou até mesmo ter a sensação de que foi humilhado pelos pais.”

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal, trata-se de um comportamento inadequado dos adultos e de uma exposição absurda e desnecessária da criança. “Os pais não têm direito de expor o filho pequeno em busca de curtidas na internet. Isso fere o direito da criança, que ainda não sabe discernir nem escolher. Além disso, a dança banaliza o sexo, passando uma mensagem muito negativa às crianças que, porventura, venham a assistir ao vídeo”, afirma.

As consequências desse tipo de exposição, explica a psicoterapeuta infantil Paloma Vilhena, contribuem para uma cultura de pedofilia, estereótipos de gênero e machismo. “Pedofilia é a atração sexual de adultos por crianças. Já o abuso sexual não implica apenas no contato físico, mas sim, em envolver a criança como objeto de satisfação sexual ou erótica como voyeurismo, exposição à pornografia e exibicionismo, situações que não são próprias da infância.”

A psicóloga avalia que sexualização precoce pode colocar a criança em risco de sofrer gravidez precoce e relacionamentos promíscuos e abusivos quando mais velha, buscando conseguir aceitação, pertencimento, carinho e amor. “Pode ficar confuso para criança o que deve ser privado e o que deve ser público, e quem pode tocar em seu corpo e quando”, alerta.

8 dicas ajudam a negociar com o filho adolescente as saídas de casa

Na adolescência, a necessidade de estar entre amigos se intensifica e esse convívio é fundamental para a construção da identidade do jovem. Surge, então, a vontade de sair só com os colegas, sem a presença dos pais.

Segundo a psicanalista e doutora em educação Rose Gurski, professora do programa de pós-graduação em psicanálise do Instituto de Psicologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e autora do livro “Três Ensaios sobre Juventude e Violência” (editora Escuta), essa transição precisa ser realizada com a ajuda dos pais. “É importante que os adultos possibilitem ao adolescente a apropriação de noções sobre responsabilidade, o que demanda flexibilidade e abertura do lado dos adultos. É preciso negociar com os filhos sem cair em posições permissivas demais”, afirma.

Shopping é local ideal para adolescentes começarem a sair sozinhos pela 1ª vez

Veja a seguir algumas dicas para os pais negociarem os programas dos filhos com os amigos:

 1 Permita aos poucos

Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), não há uma idade ideal para que o jovem possa sair sem a companhia de adultos. “Depende da maturidade. Uma dica é ir soltando a corda aos poucos, para ver como ele reage”, diz. Para começar, lugares como shoppings, parques e casas de amigos são ideais.

Converse muito

Segundo o psicólogo e psicoterapeuta Antonio Carlos Amador Pereira, professor de psicologia da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo e autor de “O Adolescente em Desenvolvimento” (editora Harbra), é preciso conversar sobre tudo ao negociar as saídas de casa, principalmente quando se trata de um jovem que acaba de entrar na adolescência. “Os pais devem saber aonde ele irá, a que horas voltará, com quem sairá”, fala. A psicóloga Marina ressalta a necessidade de orientar o filho também sobre drogas. “É importante explicar o que elas podem causar e que ele, por ser menor de 18 anos, não pode nem mesmo beber. Antes de sair, ele precisa saber se cuidar”, afirma.

3 Negocie o horário para voltar

Segundo a psicóloga Marina, o horário de volta depende da maturidade e do tipo de programa que será feito pelo jovem e os amigos. Para o psicoterapeuta Pereira, essa negociação deve ser feita mostrando ao filho que a ideia não é controlá-lo. “Você pode dizer que só consegue dormir depois que sabe que ele chegou bem, por isso um horário precisa ser combinado”, diz.

4 Leve-o e busque-o quando necessário

Dependendo da maturidade do filho e do local aonde ele irá, uma saída para negociar o passeio é chegar ao acordo de que os pais o levarão ou o buscarão. Mas é preciso entender que o adolescente também precisa aprender a se virar sozinho. “Alguns filhos são mais medrosos. Nesse caso, os pais precisam incentivá-lo a se virar sozinho para que ele se desenvolva e aprenda a ter autonomia”, afirma a terapeuta familiar pela Unifesp.

5 Combine a comunicação pelo celular

É importante que os pais peçam aos filhos que eles respondam as mensagens e atendam o celular, mas não exagere no controle. “Não adianta os pais ficarem em cima mandando mensagem o tempo todo. No entanto, o adolescente precisa estar comunicável. Se ele for a um lugar no qual não conseguirá falar, deve-se combinar antes um horário para que ele avise se está tudo bem”, fala a psicóloga Marina.

6 Estabeleça dias para sair

Para Marina Vasconcellos, as saídas devem acontecer nos finais de semana, com algumas exceções permitidas, como o aniversário de um amigo. “Acho importante estabelecer também o acordo de não sair todos os dias do final de semana, já que os adolescentes precisam descansar para voltar à escola na segunda-feira”, diz.

7 Dê mesada

Uma boa dica para fazer o adolescente entender que as saídas de casa não podem ser frequentes é fazê-lo administrar o próprio dinheiro. “A mesada é importante para ele começar a entender quanto custa cada programa e para dar valor ao dinheiro”, diz a psicóloga Marina.

8 Avalie o retorno

Se depois de todos os acordos, o filho desrespeitar algo combinado, é preciso que haja consequências, como ficar sem poder sair por um tempo. Para a psicanalista Rose Gurski, é extremamente importante transmitir aos filhos a noção de que uma combinação deve ser levada a sério. “O adolescente precisa entender que seus atos produzem efeitos e que ele passa a ser responsável por isso”, diz.

Como e quando contar aos filhos sobre um novo relacionamento

Publicado no site itmãe uol, 18.02.16.

Melhor apresentar o novo namorado aos filhos só se for “para valer”

casal

Você já superou aquela fase difícil pós-divórcio, tocou a vida e está até namorando de novo. Que bom! Mas junto com as delícias de começar um novo relacionamento, quem é mãe enfrenta também uma preocupação sobre um tema inevitável: como e quando apresentá-lo aos filhos. Calma! Essa é uma situação cada vez mais comum, com o aumento dos divórcios e dos recasamentos (23,6% dos casamentos acontecidos em 2014 foram 2o núpcias de pelo menos um dos cônjuges, segundo IBGE). Portanto, a notícia tende a ser mais bem recebida por todos. Embora não exista uma resposta exata para encontrar o jeito e o timing certos, o desafio pede que você leve vários fatores em consideração. Veja aqui alguns pontos que podem lhe ajudar a refletir sobre o assunto e a passar por mais essa mudança de fase numa boa.

É para valer?

Esse é a questão número 1, todo mundo sabe. Como ter certeza de que o relacionamento vai durar? Para a psicóloga Vanessa Abdo, a apresentação só tem de ser feita uma vez que você acredite no potencial do relacionamento (talvez, lá no fundo, encontre a resposta!) e que alinhe tudo com o novo parceiro. Isso porque conhecer diversos namorados da mãe (ou do pai) pode ser prejudicial para a criança, que não sabe se deve criar vínculos ou não.

O tempo de cada um

Quanto tempo faz que seu relacionamento anterior acabou? Foi suficiente para que seu filho superasse e que o seu próprio coração sarasse? E quando surgiu esse novo amor? Tais questões são essenciais, já que apresentá-lo cedo demais aos filhos pode causar situações prejudiciais à toa, como ciúmes e raiva. A corretora Juliana*, 45, mãe de dois meninos, de 10 e 6 anos, passou por isso. Ela começou a namorar poucos meses após se separar e logo o namorado conheceu os filhos dela. Na época, ela achou que estava fazendo o que era certo para ela, que tinha ficado muito magoada com o fim do relacionamento e que enxergava no namorado uma nova chance. “Os meninos até tentaram aceitá-lo, mas vi que eles estavam sofrendo calados para me ver feliz. Acabei dando uns passos pra trás e tirei um pouco o namorado do convívio. Apesar de continuarmos juntos, estou dando um tempo para os meus filhos”, conta.

O fator divórcio

“Quando o relacionamento acabou de forma consensual e tranquila, e ninguém está sofrendo mais, tende a ser mais fácil passar por essa nova fase, tanto para a mãe e os filhos, como também para o ex-cônjuge”, conta a terapeuta de casais Marina Vasconcellos. Nesse caso, as crianças podem até torcer pelos pais. Agora, se a situação é inversa, vale ter ainda mais cautela. Não há por que causar mais ressentimentos a todos.

A idade dos pequenos

“Quando o filho é um bebê, ele não entende bem o que é um namorado. A questão torna-se um desafio, entretanto, quando a criança tem entre 5 e 10 anos”, explica a psicóloga Vanessa. Na opinião dela, quanto maior a criança, maior a complexidade e a necessidade de ter paciência, já que eles passam a questionar e a comparar mais, e tendem a ter ciúmes e a competir. Já a terapeuta Marina acha que, em muitos casos, pode ser diferente, especialmente se o casamento acabou sem brigas. Paola* está passando justamente por isso. Divorciada há 5 anos, ela contou recentemente para as filhas adolescentes sobre um novo namorado e tudo que elas querem é saber quem ele é, porque é legal, quando vão conhecê-lo. “O pai delas também está feliz em outro relacionamento. Elas entendem, então, o quanto isso é importante”, acredita.

Aos poucos

“Vá apresentando a ideia de um novo relacionamento aos poucos para o seu filho. Pergunte se ele quer conhecê-lo, pois impor o seu namoro não é uma boa ideia”, aconselha Marina. Além disso, escolha um local “neutro” para fazer as apresentações. “Dentro de casa pode dar uma sensação de invasão. Evite também trocar muitos beijos e carícias logo de cara”, diz Vanessa. Seu filho precisa se acostumar com a ideia, afinal.

O ex-cônjuge

Considere a possibilidade de avisar o seu ex-marido antes de fazer a apresentação, principalmente se a separação for recente. Coloque-se na situação dele e reflita sobre como você se sentiria ao saber da novidade só depois que seu filho já conheceu a nova namorada. Essa conversa preserva o respeito e a consideração entre vocês, que mesmo com o fim do casamento, continuarão sendo os pais dele.

Antes de vetar amigos do adolescente, conheça-os melhor

Você já proibiu seu filho adolescente de ser amigo de alguém?

Rita Trevisan e Simone Cunha, UOL, em 08/01/2015

Fuja da armadilha de culpar amigos do seu filho pelo que ele faz de errado. Fazer escolhas é fundamental na formação da identidade do adolescente. Parte desse processo, a escolha dos amigos pode, algumas vezes, virar ponto de conflito com os pais, quando estes não gostam do amigo do filho.

Cabe aos adultos lidar com a situação de forma racional, deixando seu gosto pessoal de lado. É natural que um ou outro amigo do jovem desperte desconfiança nos pais. No entanto, se isso acontecer, é essencial apostar em um diálogo franco.

“A forma de falar é o que importa, e isso vai depender de como foi construído o relacionamento com o filho. Se houver um amor baseado na posse, os adultos podem ter uma reação exacerbada e querer interferir na amizade. Por outro lado, se houver um amor baseado no respeito, eles saberão se posicionar de forma afetiva,
e a conversa servirá de aprendizado para os dois lados”, afirma a psicóloga Ana Paula Mallet, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Para a psicopedagoga Rita de Cássia Rizzo, diretora da Escola Novo Ângulo/Novo Esquema (Nane), em São Paulo, não é papel dos pais, simplesmente, censurar as amizades do filho. “Para que o adulto sustente que não gosta do amigo do adolescente, é preciso que haja motivos verdadeiros e contundentes”, diz.

Esse tipo de avaliação exige cautela. E o primeiro passo, para não cometer injustiças, é tentar conhecer melhor a pessoa que provocou uma má impressão. “Convide o jovem para fazer um programa em família, observe-o e converse com ele. Se notar que existe mesmo uma situação de risco que pode prejudicar o seu filho, é fundamental se posicionar, usando até mesmo de sua autoridade, mas isso em uma situação extrema”, afirma Ana Paula.

Para a psicóloga da Unifesp, questões que envolvem drogas, violência e outras práticas ilegais, por exemplo, precisam ser coibidas. Por outro lado, deve haver um esforço dos pais para ignorar implicâncias pontuais.

 

“Os pais devem tomar cuidado para não se deixarem levar por considerações precoces e preconceituosas”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae.

 

Segundo Ana Paula, é importante não classificar o caráter do jovem pela aparência. Outro ponto importante é considerar que o filho pode fazer escolhas bem diferentes das que foram feitas por seus pais e que isso não é, necessariamente, um problema.

“Qualquer que seja a situação, é preciso ter em mente que proibir a convivência com o amigo não resolve”, diz Ana Paula. Em vez disso, os adultos devem explicar porque a convivência com aquele amigo pode prejudicar, recorrendo a fatos e evitando inferências.

Além disso, os pais podem colocar algumas regras e fazer combinados com o filho, para ajudá-lo a evitar situações de perigo. “Mas esse entendimento é um processo, não ocorre do dia para a noite. Depende de muita conversa, o que exige tempo e disposição dos adultos”, fala Ana Paula.

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Observação

De acordo com Rita, os adultos também devem evitar a armadilha de acreditar que tudo o que o filho faz de errado é por influência do amigo. “A tendência é ser sempre extremista: ou o filho é um santo ou é culpado de tudo, mas isso não condiz com a realidade. É preciso aceitar que, na adolescência, o jovem ainda está estabelecendo seus próprios limites, em especial, quando está longe da família. E isso faz parte do desenvolvimento saudável”, declara a psicopedagoga.

Rita sugere que os pais tentem enxergar os filhos como eles são, reconhecendo os pontos que precisam ser trabalhados e as qualidades. “Um pai presente consegue reconhecer essas características no filho e lida com elas de forma tranquila”, fala a psicóloga Marina.

Receber os amigos do adolescente em casa é sempre uma boa pedida. Na ocasião, aproveite para ver como ele se comporta em grupo. Sem invadir a privacidade dos jovens, apenas fique atento ao que conversam e à maneira como se tratam. “O comportamento do jovem, nessas ocasiões, pode dar pistas de como ele age quando está com a turma fora de casa”, diz.

Acompanhar a atuação dele nas redes sociais também pode ajudar. Além disso, a escola pode fornecer dados e ajudar o pai a traçar um perfil mais realista do próprio filho. “Nessas horas, é essencial manter-se imparcial, para entender, de fato, o que está acontecendo com o adolescente. Só depois dessa análise é que os pais poderão direcioná-lo da melhor forma”, afirma Ana Paula, da Unifesp.

Mas só isso não basta. A psicopedagoga reforça que é fundamental estar próximo do filho sempre que possível, acompanhando a rotina dele. “O mais importante é estar disponível, é oferecer um porto seguro, caso o filho queira ou precise conversar ou pedir ajuda. Isso é ainda melhor do que se posicionar como a autoridade, que vai apenas coibir as ações do jovem, quando algo dá errado”, diz Ana Paula.

Lei da Palmada não proíbe palmada, dizem advogados

Publicada na Folha em 06/06/14

A Lei da Palmada, aprovada anteontem (4/6) no Senado, é subjetiva e não acrescenta nada à legislação vigente, dizem advogados ouvidos pela Folha. Deixa brecha, inclusive, para a própria palmada.

A legislação proíbe “castigo físico” que cause “sofrimento físico” ou “lesão”. Apesar do apelido, a palavra “palmada” não consta no texto. Nem outra semelhante.

Cinco advogados ouvidos pela Folha afirmam que a regra deixa brechas para várias interpretações.

O criminalista Carlos Kauffman diz que, para o caso de castigo físico que cause sofrimento ou lesão, já constam lesão corporal e maus-tratos no Código Penal. “Se der palmada sem sem sofrimento físico ou moral e sem lesão corporal, não há problema.”

Na tramitação do Congresso, o texto proposto pelo executivo sofreu uma mudança. A palavra “dor” foi trocada por “sofrimento físico” . Com isso, diz Kauffman, a legislação ficou ainda mais subjetiva.

EFEITO SIMBÓLICO

Alamiro Velludo Netto, criminalista e professor de Direito Penal na USP, concorda que a norma não proíbe todo tipo de tapinha. “A palmada que tem mais efeito simbólico, de correção, não foi proibida, mas sim aquela com sentido de agressão.”

Segundo ele, a lei gera um grande prejuízo para os juízes, que terão de dar contornos mais precisos ao que deve ser considerado sofrimento físico.

“Em que medida um tapa é significativo? A forma como ele é dado, o contexto, tudo isso deverá ser considerado [na Justiça]. Uma palmada pode não ser considerada sofrimento físico, e o que vai determinar isso são as decisões [judiciais]”, diz o advogado.

O que a lei deve penalizar é a situação em que o responsável pela criança, seja mãe ou pai, ultrapassa os limites do razoável, afirma o professor.

O criminalista Fernando Castelo Branco ressalta que agressões devem ser punidas, como prevê a lei. O medo dele é que, por ser ampla, a nova regra abra espaço para interpretações radicais.

“O pai dá uma palmada no filho que sai correndo para atravessar a rua causou um sofrimento físico na criança?”, pergunta ele, que não vê na palmada um tratamento degradante.

O professor de Direito Penal Luiz Flávio Gomes lembra que a norma não prevê punições penais, mas encaminhamento para tratamento. “Se a lei penal que prevê pena não surtir efeito preventivo, uma lei sem punição vai surtir menos efeito”, diz.

“A violência física, sobretudo doméstica, é cultural. As lei não mudam a realidade”, acrescenta Gomes.

DENUNCISMO

Para a advogada Carmen Nery, especialista em administração legal, a lei interfere em assuntos familiares e pode gerar um denuncismo que sobrecarregaria o Judiciário.

“Agora o juiz vai verificar se tal chinelada fere ou não fere a Lei da Palmada”, diz.

” Você acha que um Judiciário como o nosso, lotado, sem condição de julgar latrocínios e serial killers, tem de decidir se a palmada foi bem dada ou o beliscão excessivo?”

“Tapinha sempre foi educativo”, diz psicóloga sobre “Lei da Palmada”

Publicado na Folha em 06/06/14

Psicóloga pela PUC-SP e terapeuta de família pela Unifesp, Marina da Costa Manso Vasconcellos defende o direito dos pais a uma “palmadinha”, que deve ser precedida de diálogo e avisos à criança. O projeto foi aprovado nesta quarta-feira (4) no Senado.

Ela é contrária à lei, que considera exagerada. “Um tapinha na bunda é educativo”, diz. Ressalva, porém, que tapinha é diferente de surra. “Isso nunca.”

 

Folha – Chega uma hora que o diálogo acaba e pode-se lançar mão do tapinha?

Marina Vasconcellos – Sou a favor do tapinha. Acho a lei exagerada. Um ponto é não dar uma surra numa criança, outro é dar uma palmadinha que não seja na cara, não seja humilhante.

Um tapinha não dói?

Um tapinha na bunda é educativo, sempre foi e ninguém é traumatizado por isso. Antes de bater existe o famoso ‘um, dois, três’, quando a criança está fazendo algo errado, que resolve muitas das situações.

Você faz um aviso, dá uma chance para que aquilo não continue. Caso seja necessário, uma palmadinha resolve. Repito que isso é diferente de uma cintada, socar, surrar uma criança. Isso nunca.

Mas isso não terá consequências para a vida adulta?

Não acredito que uma reação rápida, por parte dos pais possa causar algum reflexo. Um tapinha no bumbum se esquece rapidamente, mas faz efeito no momento da atitude errada. Julgar se isto é um ato de violência é extremamente subjetivo.

Lanças mão de um tapinha deve ser algo muito raro, quando a criança está em postura de desafiar os pais e sabe o que isso pode causar a ela pela desobediência. Ela compreende isso claramente.

Será que você está exagerando nas broncas?

Publicado no Alagoas 24 Horas em 13/03/2014

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

 

É muito difícil encontrar alguém que nunca tenha levado ou dado uma bronca ao longo da vida. Aquela advertência no momento em que algo inadequado ou errado é feito é uma ferramenta de educação dos pais desde que o mundo é mundo. Mas, com todas as mudanças sociais e todos os avanços nos relacionamentos familiares das últimas décadas, vale refletir sobre o assunto. Será que a bronca educa? Há um limite para a bronca?

A psicóloga Maria Alice Fontes, doutora em saúde mental pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretora da Clínica Plenamente, é contra a prática: “A bronca não educa. Ela pode conseguir uma resposta imediata da criança para um acontecimento, mas não é interiorizada, não entra no processo de educação, que é contínuo, de longo prazo”.

Ela reconhece que todos os pais acabam dando uma bronca mais forte nos filhos de vez em quando, o que não considera uma boa solução. “O ideal é sempre parar para conversar, ensinar um caminho de causas e consequências para a criança. Até os seis anos, ela é muito autocentrada e recebe uma bronca com muita intensidade. Dessa idade em diante, já dá para conversar mais. Da pré-adolescência para a frente, as broncas não resolvem de jeito nenhum e só servem para despertar o desejo por confronto”, diz.

Já a psicóloga e terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos, especializada em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, vê a situação de uma maneira um pouco diferente. “Se os pais mantiverem um tom de voz equilibrado, sem xingamentos ou ofensas, e focarem na atitude errada, e não na criança, a bronca educa, sim. É dizer ‘O que você fez é muito feio’, e não ‘Você é muito feio’. É importante lembrar disso”, defende.

Assim como Maria Alice, Marina vê no diálogo a melhor forma de lidar com os erros dos pequenos, mas considera que a realidade não permite essa pausa todas as vezes. “Algumas atitudes das crianças pegam os adultos de surpresa, nem sempre dá tempo de os pais conversarem com elas sobre o que acabou de acontecer”, afirma.

Os limites da bronca

Concordando ou não com seu lado educativo, conclui-se, portanto, que as broncas são inevitáveis. Por isso, é essencial que os pais estejam atentos aos limites que devem respeitar ao repreender os filhos. “Os adultos precisam ter autoridade sem ser agressivos, tanto verbal quanto fisicamente. Se as crianças são respeitadas, retribuem com respeito”, explica Marina.

Nesse ponto, Maria Alice concorda: “O caminho é ser muito firme e coerente, falar com consistência, respeito e carinho. É possível ser firme e carinhoso. Quando os pais faltam com o respeito ou diminuem os filhos, a bronca vira um instrumento de punição, não de educação”.

E como perceber se os limites estão sendo excedidos na hora das broncas? “É difícil desenhar um limite, cabe aos pais terem bom senso”, opina Marina. “Mas, mesmo que eles não tenham, chega uma hora em que o próprio filho percebe e reclama. Ou mesmo alguém de fora, normalmente um parente ou um amigo, dá um toque. Quando isso acontece, é hora de parar, pensar e rever o que tem que ser mudado – o tom, o palavreado”, complementa.

Broncas exageradas têm péssimas consequências

Não é só no presente que os adultos devem pensar quando censuram uma atitude da criança; há que se considerar que, como tudo, o que for falado e o tom empregado terão consequências. “Uma bronca mal dada pode levar o filho a ficar com raiva e se distanciar dos pais”, adverte Marina. “Ele também pode decidir transferir a agressividade que recebe em casa para as pessoas de convívio externo. Vai xingar os amiguinhos, gritar com eles. A criança replica no mundo o que vivencia no núcleo familiar”.

Maria Alice acrescenta que “exageros nas broncas podem resultar medo, baixa autoestima, ansiedade e até sintomas psicossomáticos – a criança fica doente sem explicação, surgem resfriados, dores de barriga e alergias, por exemplo”.

Momentos em que a bronca deve ser evitada

 

Tudo que foi explanado até aqui pelas psicólogas é levando em consideração situações normais, de convívio entre pais e filhos no dia a dia. Mas há alguns momentos excepcionais, em que medidas diferentes do que já foi dito devem ser tomadas.

Se a criança estiver descontrolada, gritando e sendo malcriada, o melhor é esquecer diálogo e broncas. “Nada adiantará. Ela tem que ser parada. É a hora de mandá-la para o quarto para se acalmar. Mais uma vez, os pais devem prestar atenção à forma como falam. O ideal é algo na linha ‘Não saia do seu quarto enquanto não conseguir conversar’, e não ‘Vá para o seu quarto de castigo”, orienta Maria Alice.

Caso a malcriação aconteça em um espaço público (como um shopping) ou em uma festa, Marina recomenda que os pais repreendam o filho rapidamente, para mostrar que o comportamento não é aceito, e guardem a bronca e a conversa para depois. “Dar uma bronca em uma ocasião dessas é constrangedor para os outros e humilhante para a criança. Não é necessário expô-la assim e gerar um clima ruim para todos. Retomar o assunto depois é a melhor saída”, finaliza.

Recasamentos e a relação com os filhos do cônjuge

Publicado no Minha Saúde Online em 05/12/2013

É cada vez mais frequente encontrarmos famílias reconstruídas onde filhos de diferentes pais moram na mesma casa. Mas essa convivência nem sempre é harmoniosa, e necessita de cuidados especiais para que possa fluir sem maiores problemas.

Aqui vão algumas dicas que podem ajudá-lo nessa questão.

Em primeiro lugar, lembre-se de que quando se une a alguém que já possui filhos, o “pacotinho” vem junto, ou seja, não adianta competir pela atenção do parceiro porque é quase certeza de que você perderá.

Nunca, de maneira alguma, tente impedir que o cônjuge veja os filhos, caso não morem com vocês. Lembre-se que ele se separou de um relacionamento amoroso, portanto o vínculo de marido e mulher foi cortado. Mas o de pai/mãe permanece para a vida toda!

Não se coloque como “substituto” da mãe ou do pai porque esse não é seu papel. Madrastas e padrastos devem respeitar a existência dos pais biológicos e procurar não interferir em questões mais delicadas ou grandes tomadas de decisões, quando isso diz respeito aos pais. Isto,é claro, em se tratando de pessoas de bom senso e responsabilidade, pois há casos onde o melhor a fazer é realmente manter os filhos longe de um dos pais quando este é muito comprometido emocionalmente, causando danos ao desenvolvimento saudável do filho.

Se achar que algo está errado na educação do enteado não vá falando diretamente com ele a esse respeito. Converse com o cônjuge primeiro, abordando com cuidado o assunto e colocando sua posição para que não passe por cima da autoridade deles. Quem deve abordar o assunto com o pai ou a mãe dos enteados é o cônjuge, e não você.

Não fale mal dos pais para os enteados, pois isso pode deixá-los com vergonha, humilhados ou mesmo revoltados. Mesmo que sejam pessoas emocionalmente doentes, é importante referir-se a eles com cuidado, evitando ofensas e xingamentos. Essa atitude de respeito pelos sentimentos do outro ajudará a criar um vínculo de confiança e maior afetividade entre vocês.

Por outro lado, valorizar o companheiro novo e mostrar o quanto está feliz ao lado dele aumentará a chance de seus filhos se aproximarem e o acolherem com simpatia e coração aberto, já que quando os pais estão felizes o clima melhora, a energia boa impera e os filhos tendem a receber bem aquele que contribui para a harmonia familiar.

Mostre-se disponível para o diálogo sempre com seus enteados. Essa atitude facilita a construção da confiança entre vocês e a consequente relação de proximidade e cumplicidade.

Tenha um lugar garantido para receber seus enteados, caso não morem com você. Os finais de semana intercalados provavelmente acontecerão, onde a convivência será obrigatória. Mas pode ser gostoso estarem juntos se eles se sentirem acolhidos e bem quistos – e vice versa! -, e não “intrusos” na casa dos próprios pais…

A partir do momento em que todos moram juntos, não deve haver distinção entre filhos e não filhos na hora de tomar decisões que afetem a família toda. O tratamento não pode ser à base de privilégios e exclusões, pois isso só gera tensão, ciúme e rivalidade entre enteados e filhos – tudo o que deveria ser evitado ao máximo!

Numa boa educação, obediência, disciplina, respeito e limites devem ser exigidos de todos, independente de serem filhos biológicos ou não. Agora, a forma como esses itens são passados deve sempre ser permeada pelo afeto. É possível ter autoridade sem ser autoritário, lembre-se disso.

Enfim, sempre que existe boa vontade, bom senso, maturidade e disponibilidade para o diálogo, assim como flexibilidade para negociações e mudanças de posturas, as relações tendem a fluir melhor, superando possíveis conflitos que apareçam.

Abra seu coração, respire fundo e seja feliz!

Como agir se seu filho adolescente namorar uma pessoa mais velha – Parte 1

Publicado no UOL em 31/05/2013

Os boatos sobre o "namoro" de Nicole Bahls, 27 anos, e Enzo, 16, surgiram durante o Carnaval deste ano. (Reprodução/Instagram)

Os boatos sobre o “namoro” de Nicole Bahls, 27 anos, e Enzo, 16, surgiram durante o Carnaval deste ano. (Reprodução/Instagram)

Conversar. Essa atitude é unanimidade entre os especialistas em comportamento adolescente ao serem questionados sobre como os pais devem reagir quando os filhos se relacionam com pessoas mais velhas.

E conversar foi exatamente o que a atriz Claudia Raia fez quando soube do envolvimento de seu filho, Enzo, de 16 anos, com Nicole Bahls, 27, uma das assistentes de palco do programa “Pânico na Band”. Segundo entrevista da atriz ao portal do jornal “O Globo”, ela se tranquilizou após ter conversado com o rapaz. Claudia considerou o interesse do garoto por Nicole natural tanto pela idade dele, quanto pelo fato de ela ser uma mulher muito atraente.

Outro pensamento compartilhado pelos especialistas ouvidos pelo UOL Gravidez e Filhos é a ineficácia da proibição por si só, afinal os adolescentes, geralmente, estão preparados para contestar.

A psicóloga Mônica Bühler, especialista em psicologia clínica, explica que os adolescentes são imediatistas e podem recorrer ao relacionamento com uma pessoa mais velha como forma de agredir e desafiar os pais ou até por carência e transferência de afeto. Mônica enfatiza que proibir essa relação é a pior forma de lidar com ela. “Quando o jovem ouve um não, ele tem sua vontade aguçada”, afirma.

Para Caio Feijó, mestre em psicologia da infância e da adolescência, a diferença de idade nos namoros adolescentes não deve ser tratada como um problema, já que, hoje em dia, o que define a maturidade não é mais a faixa etária e sim o desenvolvimento psicossocial.

“Um jovem com 16, 17 anos pode ter a cabeça superequilibrada e atrair uma pessoa mais velha por isso”, diz Feijó. “Também acontece o inverso, de haver pessoas de 28 anos com um comportamento infantilizado”, completa. O psicólogo acrescenta que, socialmente, essas ligações enfrentam muitas críticas e a psicologia não tem uma resposta exata se podem ser saudáveis ou não.

A questão principal que envolve a relação entre pais e filhos adolescentes está no diálogo. É preciso ser presente e se envolver com a vida do jovem para conseguir lidar com o relacionamento dele.

De acordo com Sandra Vasques, psicóloga e educadora do Instituto Kaplan, organização não governamental de estudos sobre a sexualidade humana, quando não existe essa relação de cumplicidade entre pais e filho tudo se complica, porque, no momento em que o adulto questionar o relacionamento do jovem, este verá a conversa como uma cobrança.

“Os pais têm de conversar diariamente e se interessar pelos assuntos dos filhos”, diz Sandra, que reforça a necessidade de se dar responsabilidades aos jovens, assim como deixar que eles percebam as consequências de seus atos. “A comunicação tem de ser sempre positiva e os pais não devem reprovar o romance de cara, e sim procurar entender como o jovem se sente com aquele relacionamento”, afirma Sandra.

Estar por perto e conhecer os ambientes frequentados pelo adolescente e seus amigos também são atitudes necessárias para um relacionamento saudável entre pais e filhos. Trazer as pessoas que convivem com o jovem para dentro de casa permite aos adultos observar melhor a relação.

Caio Feijó afirma que é fácil para aqueles pais que têm o hábito de supervisionar o que acontece no dia a dia do filho perceber se o namoro está influenciando negativamente na vida do jovem. “Vários sinais indicam se há uma mudança negativa, como começar a beber e a fumar e o desinteresse pelas coisas da família.”

Para esclarecer definitivamente qualquer inquietação que um relacionamento porventura cause, a melhor tática é conhecer a família do namorado ou namorada do adolescente. “Marcar um almoço para reunir as famílias é uma boa ideia para observar a dinâmica familiar dessa pessoa, trocar informações e com isso saber se o jovem quer mesmo ir adiante com o relacionamento”, finaliza o psicólogo.

 

Fanatismo dos pais no futebol não faz bem para os filhos

Publicado no Terra em 21/03/2013

Exemplo é forma mais eficaz de educar crianças a conviver em paz com rivais esportivos (Foto: Shutterstock)

Exemplo é forma mais eficaz de educar crianças a conviver em paz com rivais esportivos (Foto: Shutterstock)

A paixão pelo futebol é inerente ao brasileiro: uma pesquisa do Instituto Datafolha realizada em 2010 indica que três em cada quatro brasileiros têm um time de coração. Alguns deles, porém, não são meros torcedores. O Corinthians, por exemplo, um dos mais populares times do País, tem 25 milhões de torcedores, conforme levantamento da Pluri Consultoria, no ano passado. Mais da metade deste número são considerados fanáticos.

 O problema acontece quando torcedores de outros times se encontram. De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em Psicodrama Terapêutico, nenhuma forma de fanatismo é positiva. “Todo fanático é exagerado. Um pai fanático pode acabar ensinando a criança a passar por cima de situações em nome da paixão”, comenta. Para ela, a educação do jovem fica prejudicada. “Como o pai vai dar exemplo do que não é?”, indaga Marina.

 Pedagoga especializada em Psicologia do Esporte, Kátia Rubio diz que a escolha e a paixão pelo clube de futebol normalmente vêm de pai para filho. Ela também vê de forma crítica o fanatismo hereditário. “Os pais são a principal referência para a criança; ela observa o comportamento e reproduz”, diz. O exemplo, então, seria a melhor forma de educar os pequenos a conviver em paz com os rivais esportivos. Mas, em alguns casos, ele parece apenas deseducar. “Já vi adultos brigando em frente aos filhos e terminando amizades de longa data por causa de piadas envolvendo times de futebol”, relata a pedagoga.

 Já Marina comenta que, quando o fanatismo invade o âmbito escolar, cabe à instituição de ensino chamar os pais e os alunos envolvidos para conversar e mostrar que a escola não aceita esse tipo de comportamento. “Nesses casos, há pais que tiram os filhos da escola, demonstrando sequer ter noção da necessidade de ensinar o respeito”, lamenta. Kátia concorda que a escola deve envolver os familiares na discussão. “O problema não nasce de forma isolada, ele envolve todo o convívio social da criança”, afirma. A especialista vê uma espécie de “bullying esportivo” e, para ela, se a criança foi ensinada a ser agressiva, vai reagir de forma violenta quando provocada. “A escola deve tratar o tema com preocupação, pois afeta a todos”, defende.

 Kátia lembra a realização de dois grandes eventos no Brasil: agora, no meio do ano, a Copa das Confederações e, em 2014, a Copa do Mundo. A pedagoga ressalta a necessidade de preparar a sociedade para esses acontecimentos que terão repercussão mundial. “É preciso educar para o esporte”. O receio de Kátia é que o Brasil obtenha resultados negativos nas competições. “Dá pra imaginar o que pode acontecer”, completa.

Como lidar com o filho que segue religião diferente da dos pais

Publicado no UOL em 05/03/2013

Antes de criticar a escolha do jovem, procure entender o que o levou a uma religião diferente da sua

Antes de criticar a escolha do jovem, procure entender o que o levou a uma religião diferente da sua

O jovem foi criado de acordo com os preceitos religiosos que os pais acreditam e praticam, mas um belo dia comunica que se interessa e está seguindo outra religião. Como lidar? Como em todas as questões relacionadas à convivência entre adultos e adolescentes, o primeiro passo é respeitar e entender a motivação por trás da mudança.

Segundo o padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da PUC de São Paulo, o melhor caminho é sempre o do diálogo e o da compreensão. “Em primeiro lugar, os pais devem tomar conhecimento de que religião se trata e quais as implicações para a vida do filho e a da família. Ao mesmo tempo, têm de se colocar no lugar do jovem para entender seus anseios. Precisam também considerar que os tempos mudaram e que os adolescentes de hoje fazem exigências que a geração dos pais não fazia. Eles querem ser ouvidos e participar de tudo. São mais críticos, embora nem sempre consistentes.”

É essencial ter bom senso ao conversar sobre o assunto. “Os pais precisam perceber que nem sempre o que foi ou é bom para eles também é adequado para o filho. Portanto, devem permitir que ele procure seu caminho espiritual. A religião pode ser um apoio, uma sustentação emocional e não deve ser simplesmente cortada por mero capricho, cisma ou intolerância dos adultos. Se está fazendo bem para o filho, não há por que reprimir”, afirma a terapeuta familiar e especialista em psicodrama Miriam Barros.

Como a adolescência é uma fase de paixões e interesses intensos, mas não raro passageiros, vale observar o comportamento do filho antes de entrar em discussões. “É importante entender a razão pela qual ele está seguindo outra religião. Às vezes, é só porque uma menina por quem está interessado faz parte dela”, diz Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Também pode ser pela necessidade, bastante comum na faixa etária, de pertencer a um grupo.

Seja qual for o motivo que levou o jovem a se distanciar da religião praticada pela família e a adotar outra, o pior a se fazer nesse momento é tentar proibir a prática. “A repressão é puro jogo de forças e não leva ao diálogo”, declara o padre Valeriano, da PUC de São Paulo.

Opor-se, sem fundamento, à nova religião do filho é a pior forma de lidar com a situação. “Tem de se tomar cuidado para não virar coisa pessoal, o que provocaria mais resistência do outro lado. Se isso acontecer, não importa tanto a religião, o que importa é que ela se torna argumento para contestar os pais. Só existe um meio para ajudar os outros: amor e diálogo. Nesse clima é possível dizer a verdade sem ferir”, fala o religioso.

Conciliar crenças religiosas na mesma família é possível desde que a tolerância seja praticada, de acordo com os especialistas ouvidos nesta reportagem. “É preciso se colocar no lugar do outro e, acima de tudo, evitar disputas, competições, zombarias, tirar sarro, provocações. A verdade de um pode não ser a do outro”, diz a terapeuta Miriam Barros.

Sinal de preocupação

Respeitar, no entanto, não quer dizer não observar se a nova religião afeta ou não o comportamento do adolescente e de que maneira isso acontece. “O que pode parecer fanatismo, muitas vezes, é apenas um entusiasmo natural. Desde que o jovem continue a ter uma vida familiar, escolar e social normal, não há problema”, declara a terapeuta Miriam Barros.

Há atitudes que podem ser indício de uma dedicação exagerada à crença, segundo a terapeuta Marina Vasconcellos. “Soube de um caso em que o filho, que adorava música, jogou fora todas as partituras de canções que sempre havia tocado”, fala a especialista.

Mais uma vez, é importante recorrer ao diálogo e acompanhar o jovem à igreja que ele escolheu para melhor conhecê-la. Se a comunicação estiver difícil, os pais também podem pedir que algum adulto da confiança do jovem converse com ele ou, em casos extremos, optar pela terapia em família. A repressão deve ser o último recurso. “A proibição gera revolta. É provável que, de uma forma ou outra, o filho encontre uma maneira de fazer o que deseja”, diz Miriam.

Comportamento dos pais influencia no futuro profissional dos filhos

Publicada no UOL em 06/11/2012

Pais que reclamam do trabalho podem criar filhos com dificuldade de encarar a vida profissional. Foto: Reprodução

Você costuma chegar do trabalho resmungando com muita frequência? Encara o emprego como um martírio ou uma humilhação? Ou, ao contrário, demonstra que sua carreira é a coisa mais importante da sua vida? Saiba que comportamentos desse tipo podem afetar a forma como os seus filhos enxergarão a vida profissional futuramente.

“Os pais são modelos para os filhos. Se eles chegam todos os dias contando situações horríveis, as crianças não vão querer ter o mesmo futuro”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama e terapia familiar. Como consequência disso, além de fugir da mesma carreira que a sua, seus filhos podem encarar o trabalho como um sacrifício –mesmo antes de entrar para o mercado de trabalho.

Por outro lado, passar uma imagem extremamente positiva da profissão aos filhos, e estimulá-los a se aproximar do seu mundo profissional, pode fazer com que eles sigam seus passos sem refletir sobre seus verdadeiros desejos. “É um perigo, pois pode não ser o que eles querem fazer, embora sintam que pertençam a esse universo”, afirma Marina.

Resistência à frustração

Família que passa a ideia de que o trabalho deve ser uma fonte completa de felicidade pode gerar um filho adulto com maiores chances de se frustrar profissionalmente, segundo a psicóloga e psicanalista Blenda de Oliveira, membro da SBPSP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo). “O trabalho nem sempre precisa ser sinônimo de felicidade. Às vezes, leva um tempo para encontrar aquilo que nos satisfaz”, diz Blenda. Para ela, a profissão não precisa ser necessariamente o que mais se ama, mas, sim, o que se faz de melhor. “Quando o trabalho não é tão idealizado, a relação é mais saudável e mais produtiva”, diz.

Quem idealiza uma vida profissional cheia de sucesso e reconhecimento desde a infância pode se tornar um jovem que desiste diante do primeiro obstáculo ou quando é contrariado. “Essa situação é mais frequente em famílias que não precisam do trabalho para sobreviver e, por isso, os filhos não entendem que o estresse faz parte do trabalho. Eles acham que têm de começar com um bom cargo, ganhando bem, ou não vale a pena sair de casa”, diz Blenda.

Para a psicóloga especialista em psicodrama Cecília Zylberstajn, compreender que nenhum trabalho é perfeito evita problemas. “Os jovens [da geração Y] foram educados na era da autoestima: são vistos como muito especiais, mas foram crianças mimadas que viraram adultos que não sabem lidar com a frustração”, afirma. “A escola e os pais mimam, e o mercado de trabalho é o primeiro contato que eles terão com limites e decepções”, diz Cecília.
Para criar filhos que sejam bons profissionais no futuro, é preciso ensiná-los a lidar com a frustração desde a infância, quando ainda estão na escola. “Mostre que é natural ter professores que não são legais ou que as notas nem sempre serão as imaginadas”, afirma Blenda. E, quando eles entrarem no mercado de trabalho, é importante que sejam orientados a não desistir diante das adversidades. “Resistência à frustração não se aprende na escola, mas em casa. Tem a ver com os valores e a formação dos pais”, diz a psicóloga e consultora organizacional Izabel Failde.

Modelos de relacionamento
O padrão de relacionamento que a criança estabelece com os pais afeta o modo como ela irá encarar as relações de trabalho no futuro, segundo Cecília. Por isso é fundamental que eles não sejam expostos a uma educação extremamente autoritária. “A família é o berço de todas as relações. Muitas vezes os problemas que vemos no trabalho podem ser decorrentes das dinâmicas familiares”, diz.

Como o pai costuma a ser a primeira figura de autoridade que conhecemos, se ele for muito rígido, o filho poderá ter problemas de relacionamento com o chefe no futuro, por exemplo. “Aquele menino indefeso pode continuar assim na fase adulta”, afirma Cecília. Também é possível que, depois de anos obedecendo às ordens de um pai controlador, a criança se torne um adulto com raiva da figura que exerce poder e, por isso, tenha dificuldade de aceitar ordens no ambiente profissional.