O que Zezé di Camargo e Zilu deveriam aprender com Fátima e Bonner

Publicado em UOL, Estilo/ Comportamento, 26.12.16
Natália Eiras

Do UOL

AgNews

Separados desde 2013, Zezé di Camargo e Zilu continuam dando o que falar. Eles trocam alfinetadas pelas redes sociais, colocam os filhos no meio das brigas e soltam declarações polêmicas para a mídia. Se “administrar” um divórcio sendo pessoas anônimas já é complicado, imagina se o (ex-) casal é famoso, como Zilu e Zezé? A fama pode agravar a situação, mas não é a causa de todos os problemas.

Neste ano, muita gente disse que não acreditava mais no amor após Fátima Bernardes e William Bonner anunciarem a separação. Os jornalistas, no entanto, conseguiram manter todo o drama de um divórcio bem longe dos holofotes. De acordo com a terapeuta de casais e família Marina Vasconcellos, de São Paulo (SP), esse é o tipo de coisa que a Família Camargo deveria aprender.

“[Zilu e Zezé] deveriam fazer exatamente o oposto do que estão fazendo. Não pode expor o outro. Além de acabar com a privacidade do ex-companheiro, você também está se expondo e deixando os filhos vulneráveis”, fala a especialista em entrevista ao UOL.

E Fátima e Bonner souberam administrar muito bem a vida pública e a privacidade da família. “Eles sabem que, por serem figuras públicas, qualquer coisa que eles falarem vai fazer muito barulho. O importante é respeitar o seio familiar”, aconselha.

Não expor o ex-companheiro

Assim, declarações como a de Zezé, que disse que não teria escrito “É o Amor” para a Zilu, deveriam ser evitadas pelos famosos. “Isto é um problema de casal e a roupa suja se lava em casa”, diz Marina. “Isso alimenta uma coisa negativa, um sentimento de vingança, de raiva. E, nessas horas, é preciso alimentar coisas positivas”.

Deixar de fuçar as redes sociais do ex

Em uma época em que as redes sociais são uma parte importante da vida das pessoas, deixar de seguir o ex-companheiro no Facebook e no Instagram pode ser uma boa estratégia para evitar constrangimentos. “Terminou? Vai cada um levar a sua vida, respeitando a do outro. Porque até ali eles tinham uma história juntos, mas agora começará uma nova etapa da vida de ambos”, afirma a psicóloga formada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Ter maturidade para lidar com os filhos

Maturidade por parte dos pais também previne situações como a de Wanessa, que deixou de falar com Zezé após a separação. “O ideal seria eles fazerem uma terapia de ex-casal para ‘limpar tudo’. Os filhos ficam em uma situação muito delicada e acabam escolhendo um lado”. Não falar mal do ex-companheiro para a família e segurar a onda nas “cenas de ciúme” também ajudam a manter a harmonia. “Tem um problema com o seu ex? Resolva com ele. Se a convivência é muito difícil, não fale para os filhos”.

Dividir as festas de fim de ano

No Natal, Zezé publicou uma imagem comemorando a data com a namorada, Graciele Lacerda. A “separação” da Família Camargo não passou em branco no Instagram de Zilu, onde ela escreveu um texto dizendo que não há “ex-filho”. Fãs viram o post como uma provocação. A situação teria sido resolvida, de acordo com Marina, se tivesse havido uma conversa e negociação sobre como seriam comemoradas as festas de fim de ano.

“Normalmente, as famílias se dividem: os filhos passam o dia 24 com um e o dia 25 com o outro. Ou o Natal com um e o Ano-Novo com o outro”, fala a especialista. O importante, no entanto, é respeitar o acordo e ter em mente que estar com o pai não significa que o filho não goste da mãe ou vice-versa. “Não é saudável competir pelo amor dos filhos”.

Vídeo de mulher fazendo dança sensual com bebê é abusivo, dizem psicólogas

Publicado, no site UOL, Estilo/Gravidez e Filhos, 19.07.16

Um vídeo em que uma mulher aparece rebolando até o chão na frente de um bebê que aparenta ter um ano de idade está repercutindo negativamente nas redes sociais.

Reprodução/Facebook

Postado no Facebook, o vídeo de 22 segundos já tem mais de 2,6 milhões de visualizações e mostra o bebê imitando a mulher, provavelmente sua mãe, fazendo movimentos de vai e vem com o quadril que remetem a um ato sexual.

Há um segundo adulto filmando e ambos demonstram se divertir com a atitude da criança, que é incentivada a continuar a dança.

A repercussão da filmagem, que para alguns internautas estimula a pedofilia, chegou ao exterior e foi alvo de uma reportagem do jornal britânico “Daily Mail”.

Para Blenda de Oliveira, psicoterapeuta de adultos, adolescentes e crianças, o vídeo é abusivo. “Do ponto de vista cognitivo, a criança nesta idade ainda não sabe o que é sexual e o que não é, não tem maturidade intelectual para fazer essa distinção, mas é movida por sensações e, portanto, é estimulada precocemente em sua sexualidade, o que causa um impacto negativo em seu desenvolvimento”.

Segundo a especialista, o abuso também ocorre porque a criança não compreende as consequências do ato e da exposição e isso fere sua intimidade. “ Atitudes assim, cada vez mais comuns em nossa sociedade, chegam a ser cruéis, pois a criança se torna um objeto de riso, sem ter noção disso.”

De acordo com Quézia Bombonatto, psicopedagoga e diretora da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), é preciso lembrar que, apesar de ingênua, a criança não é assexuada e passa, a cada fase, pela experimentação do prazer de maneira diferente. Atropelar seu desenvolvimento natural poderá causar a erotização precoce e ter consequências negativas sobre a criança.

“Todas essas percepções sensoriais que o bebê está tendo, ao abraçar e encostar na mãe, causam estímulos e favorecem a descoberta do sexo antes da hora. Ao ser incentivado pelos adultos, ele recebe um reforço positivo, o que significa que irá continuar agindo assim, primeiro em casa, depois na escola, e não sabemos como irá extravasar esses estímulos no futuro.”

O despertamento sexual precoce, explica Quézia, também pode causar uma certa confusão de sentimentos. “A criança sente algo que não sabe nomear e, no futuro, talvez tenha dificuldades para lidar e compreender o que sente.”

A psicopedagoga explica que os pais devem ser muito cuidadosos ao expor fotos e vídeos de seus filhos na internet, evitando que sejam manipulados ou usados por pessoas que tenham interesse em pedofilia. “Isso sem contar que, mais tarde, esse menino verá o vídeo e poderá se sentir culpado ou até mesmo ter a sensação de que foi humilhado pelos pais.”

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal, trata-se de um comportamento inadequado dos adultos e de uma exposição absurda e desnecessária da criança. “Os pais não têm direito de expor o filho pequeno em busca de curtidas na internet. Isso fere o direito da criança, que ainda não sabe discernir nem escolher. Além disso, a dança banaliza o sexo, passando uma mensagem muito negativa às crianças que, porventura, venham a assistir ao vídeo”, afirma.

As consequências desse tipo de exposição, explica a psicoterapeuta infantil Paloma Vilhena, contribuem para uma cultura de pedofilia, estereótipos de gênero e machismo. “Pedofilia é a atração sexual de adultos por crianças. Já o abuso sexual não implica apenas no contato físico, mas sim, em envolver a criança como objeto de satisfação sexual ou erótica como voyeurismo, exposição à pornografia e exibicionismo, situações que não são próprias da infância.”

A psicóloga avalia que sexualização precoce pode colocar a criança em risco de sofrer gravidez precoce e relacionamentos promíscuos e abusivos quando mais velha, buscando conseguir aceitação, pertencimento, carinho e amor. “Pode ficar confuso para criança o que deve ser privado e o que deve ser público, e quem pode tocar em seu corpo e quando”, alerta.

Um guia de sobrevivência para quem entra em pânico com o clima de Natal

“Há uma energia aflitiva no ar”

Publicado no Glamurama em 20.12.15


(Por Julia Furrer para a Revista J.P)

Todo ano é a mesma coisa. Primeiro os panetones invadem sorrateiramente o supermercado antes de novembro chegar. Depois surgem as luzinhas, aos poucos, até transformarem a cidade em uma espécie de circo. Os shoppings ganham papais noeis, o trânsito passa a ficar carregado, os caminhões da Coca-Cola começam a circular e pronto. Já é Natal. Tão clichê quanto isso tudo é o sentimento de angústia que nos acomete. Começa o balanço do ano que passou, a corrida para comprar presentes e, claro, os inúmeros eventos obrigatórios desse período. É um tal de happy hour do trabalho, amigo secreto da turma do colégio e reunião de fim de ano dos amigos de infância que, ao término da maratona, estão todos exaustos e com a sanidade comprometida – a ponto de discutir ferozmente por causa de uma vaga no estacionamento do shopping. A psicóloga e especialista em terapia familiar pela Unifesp Marina Vasconcellos atesta: “Há uma energia aflitiva no ar”. Segundo ela, uma das maiores causas de ansiedade durante esse período é o excesso de cobranças que passa a nos perturbar. Quem não vai a todos os eventos é considerado antissocial, quem dá pouca caixinha para os funcionários ganha fama de mão de vaca e ai de quem sofre com o fato de ter de ir para o interior passar a noite com a família. “As pressões aumentam muito e as pessoas se veem obrigadas a agir de um jeito hipócrita”, afirma Marina. Pessoas que não se encontraram o ano inteiro (e que provavelmente têm bons motivos para isso) precisam interagir e até fingir que se gostam. Tem também a obrigação de estar acompanhado e se sentir feliz e agradecido. “Quem não conseguiu realizar o que gostaria ou está na solidão fica ainda mais aborrecido com essa exigência.” J.P se joga no tema e lista alguns dos momentos mais constrangedores – e frequentes – do período. Meta da vez? Não noiar tanto, afinal, ano que vem tem mais!

Caixinha de Natal

Problema: A crise está pegando e os pedidos estão por toda a parte. Porteiros, carteiros, passeadores de cachorro e manobristas. Quem não dá nada corre o risco de ser maltratado durante o ano que vem.

Solução: Comprar lembrancinhas (tipo panetone) e distribuir. O que importa é a data não passar batido.

Amigo secreto

Problema: Todo mundo saberá quem tirou quem depois de dois dias do sorteio dos nomes, haverá piadinhas sem graça depois do “meu amigo secreto é…”, e claro, você vai ganhar algo muito pior do que deu.

Solução: Se tiver mesmo de participar, cole naquele parente que adora absolutamente tudo sobre a data e tente entrar no clima.

Estacionamento do shopping

Problema: Está sempre cheio e achar uma vaga é missão impossível. Para piorar, as pessoas são mal-educadas e o valet custa os olhos da cara.

Solução: Vá de táxi, oras. Ou, para ficar melhor, use a bike que ainda por cima é ecológica. Tem pânico só de pensar no shopping cheio? Se jogue nas compras on-line.

Ansiedade infantil

Problema: Na noite de Natal, as crianças querem abrir os presentes logo e perguntam de dois em dois minutos sobre o jantar.

Solução: Quem foi que disse que só pode comer depois da meia-noite, mesmo? Liberte-se da tradição e seja feliz. Sua noite vai ser muito melhor quando eles já estiverem na cama.

Produção da ceia

Problema: É difícil acertar o ponto do peru e sempre vai ter um parente para reclamar das uvas-passas no arroz.

Solução: Não perca tempo e encomende sua ceia em algum bom banqueteiro. Se alguém reclamar, a culpa é dele.

Trilha sonora

Problema: Ninguém aguenta mais a Simone e só de ouvir os primeiros acordes de “Então É Natal…” dá vontade de chorar.

Solução: Faça uma playlist com os hits mais animados do ano.

Look

Problema: Gastar horas se arrumando para ir até a sua própria sala e ficar só com a família.

Solução: Combine um after com os amigos mais animados e aproveite o look.

Maratona

Problema: Ter de se desdobrar entre os eventos da sua família e os do parceiro.

Solução: Passe a ceia do dia 24 com um e o almoço do dia 25 com o outro. Ninguém merece dobradinha no mesmo dia.

Dieta

Problema: Mil tentações tipo bombas calóricas e férias de biquíni à vista.

Solução: Vale a velha regra das nutricionistas: coma tudo, mas com moderação.

Parente chato

Problema: Tem o que bebe além da conta, o que insiste em discutir política e o que faz comentários desagradáveis.

Solução: Tome uns florais e enfrente a situação com bom humor. Evite ao máximo entrar na discussão.

Falando sobre questões de gênero e preconceito

Coloque-se no lugar daqueles que sofrem o preconceito e repense sua postura

Publicado no Minha Saúde Online, 01/09/2015

Cada vez mais ouvimos falar das novas configurações de relações ao nosso redor, envolvendo questões de gênero: casais homossexuais assumidos que se casam finalmente perante a lei; transexuais que conseguem o direito a operações para mudança de sexo e uma nova carteira de identidade; pessoas que se assumem homossexuais após anos vivendo num casamento hetero, inclusive com filhos; bissexuais que procuram terapia para entender porque necessitam se relacionar com os dois sexos, sentindo desejo por ambos, e por aí vai.

Infelizmente ainda temos que lidar com o preconceito enorme que envolve essas pessoas, já que pertencemos a uma cultura de padrões pré-estabelecidos bastante refratária a qualquer fato que envolva o repensar esses padrões, entender as diferenças e respeitá-las como tais, incluindo naturalmente essas pessoas em nosso meio.
Vejo que, além do preconceito, faltam informações às pessoas que taxam os diferentes de si como “errados”, “perversos”, “aberrações da natureza”.

Minha intenção aqui não é dar uma aula sobre as diferentes possibilidades de opções sexuais ou identidade de gênero, pois isso é possível encontrar com detalhes em literaturas científicas existentes (destaco o livro: “Os onze sexos – as múltiplas faces da sexualidade humana”, de Ronaldo Pamplona da Costa, Ed. Gente).

Pretendo convidá-lo, caro leitor, a colocar-se no lugar daqueles que sofrem o preconceito para que repense sua postura antes de julgá-los erroneamente.

Para tanto, cabem aqui algumas explicações básicas fundamentais da nomenclatura utilizada a fim de ajudá-lo na compreensão desse assunto tão complexo: identidade de gênero é a sensação interna de ser homem ou mulher; orientação sexual é o aspecto da identidade que faz com que nos liguemos ao feminino ou ao masculino, hetero/homo/bissexual; papel de gênero é nosso comportamento frente às pessoas e à sociedade como um todo – temos um jeito de ser masculino ou feminino; papel sexual é privativo, feito entre quatro paredes, não diz respeito a ninguém além da própria pessoa – hetero/homo/bi. As pessoas conseguem modificar seu papel sexual, mas não sua identidade.

Sabe-se hoje, através de estudos comprovados cientificamente, que a identidade e a orientação sexual são definidas ainda no estágio intrauterino do feto. Especificamente entre a sétima e décima oitava semana após a concepção, acontece um desequilíbrio na dose do hormônio masculino enviado ao feto – a testosterona -, fato este responsável pela definição da estrutura cerebral no Sistema Nervoso Central (SNC) ligada a orientação sexual e a identidade de gênero no cérebro em desenvolvimento.

Não há tratamento para alterar esse fato ao longo da vida, as pessoas já nascem com a identidade de gênero e o papel sexual definido, não sendo uma escolha sua ou resultado da forma como foi criada. Aqui vale mais uma sugestão de leitura: “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? – uma visão científica (e bem humorada) de nossas diferenças” (Allan e Barbara Pease – Ed. Sextante).

 

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Nunca me esquecerei da fala de um cliente há alguns anos, argumentando sobre sua condição de homossexual: “As pessoas acham que a gente escolhe ser assim. Elas não têm noção do que dizem. Se eu tivesse escolha, acha que eu optaria por levar uma vida assim tão mais difícil, não podendo assumir minha relação afetiva com alguém em público, sofrendo com o preconceito todos os dias, fazendo meus familiares sofrerem por medo de que algo me aconteça (referindo-se aos ataques a gays frequentes em São Paulo), tendo que frequentar ‘guetos gays’ porque só lá as pessoas se entendem e se aceitam como são? Eu não tive e não tenho escolha, nasci assim e sou assim!”.

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Homossexuais, tanto masculinos quanto femininos, são aqueles que têm como objeto de amor e desejo pessoas do mesmo sexo. A orientação afetivo-sexual do homem é para outro homem, assim como a da mulher. Eles não têm problemas com sua identidade de gênero que bate com seu corpo biológico, ou seja, os homens sentem-se bem com seu corpo masculino e as mulheres, idem. Apenas escolhem para se relacionar afetivamente alguém do mesmo sexo.

Os bissexuais nascem com o corpo biológico macho ou fêmea perfeito, ou seja, o homem sente-se homem, e a mulher sente-se mulher (assim como os homo e os heterossexuais). Porém, na idade adulta sentem a necessidade de manter relações afetivas e sexuais com ambos os sexos para sentirem-se plenos, algo que vai além de seu controle.

É comum aqui, por exemplo, homens que se casam com mulheres, têm filhos, e com o tempo acabam procurando uma relação homossexual fora do casamento para se sentirem plenos, mantendo em segredo essa segunda união, já que muitas mulheres não aceitariam saber que dividem seu homem com outro homem. Eles são felizes em sua união hetero, conseguem manter relações sexuais com a esposa (embora não seja sua primeira opção…), realizam-se com a paternidade e a vida em família, mas têm a necessidade da união com outro homem para se sentirem completos. O mesmo se aplica às mulheres.

O travesti tem uma identidade de gênero dupla, sente-se homem e mulher. No caso do travesti masculino, por exemplo, ele sabe que biologicamente é um homem, foi criado socialmente como tal e não deseja eliminar seu órgão sexual (o pênis), embora muitos acabem por exagerar em suas vestimentas, carreguem na maquiagem e nos trejeitos justamente por se sentirem também femininos. Difícil conviver com essa dualidade eterna.

Os transexuais são almas femininas aprisionadas em corpos masculinos e vice versa, nas palavras de Ronaldo Pamplona. É como se a pessoa nascesse num corpo trocado, que não lhe pertence. As mulheres sentem-se homens, desde o nascimento, e não conseguem se adaptar àquele corpo com seios, vagina e que menstrua. Precisam adaptar o corpo àquilo que sentem psicologicamente, que contradiz o biológico, daí a necessidade das operações para mudança de sexo e tratamentos com hormônios para o resto da vida. O mesmo acontece com os homens.

Agora, imagine-se na seguinte situação: você possui uma filha que desde bem pequena não gostava de usar os lindos vestidos que ganhava, ficava emburrada quando tinha que se arrumar para festinhas de amigas da escola e ia de mau humor, contrariada. Não gostava de brincar com bonecas, preferindo os videogames de carros e lutas do irmão mais velho. Ao chegar à adolescência passa a ficar insuportável, evita festas, tranca-se no quarto para evitar o convívio com amigos e familiares, recusa-se a colocar roupas femininas mesmo em ocasiões onde todas as mulheres se arrumam (casamentos de familiares, por exemplo), deixando os pais desconcertados com tal displicência em sua vestimenta. De repente, aos 15 anos, sofrendo de depressão e indo mal na escola, resolve contar aos pais que ela não se sente como uma menina, mas sim, um menino aprisionado num corpo feminino.

Imagine que você é a mãe ou o pai dessa menina. O que fazer? Como reagir? Qual o caminho a seguir? E o sonho de um dia vê-la se casar e ter filhos… o que fazer com tal frustração? Como lidar com tamanho sofrimento?

Esse é um caso de transexualismo. O caminho a seguir é longo e dolorido: busca por tratamentos adequados e especializados; locais confiáveis para acolherem tanto o trans quanto a família, que também precisará de apoio para aprender a lidar com a situação e aceitá-la como tal; enfrentamento do preconceito por parte dos familiares, amigos e sociedade em geral; mudança da fisionomia da menina que passa a se transformar num menino (com a ingestão de hormônios vai desenvolver caracteres masculinos como pelos pelo corpo, barba, a voz engrossa), e todos terão que se acostumar a chamá-lo pelo novo nome escolhido de homem; adaptação de todas as roupas, sapatos e decoração do quarto; provavelmente terá que mudar de escola para evitar o bullying e a exposição da(o) menina(o) aos colegas e professores.

E o tratamento deve envolver psicólogo, psiquiatra, endocrinologista, nutricionista, ginecologista, de preferência formando uma rede interdisciplinar onde os profissionais possam se conversar a respeito do andamento do tratamento.
Mas, mesmo com tudo isso em jogo, de repente a menina chata e mal humorada que se isolava e evitava as pessoas, tanto em casa quanto na escola, transforma-se num menino dócil, inteligente e de fácil convívio, pois finalmente sente-se compreendido e visto como um homem pelas pessoas, como sempre se sentiu internamente – sua identidade de gênero sempre fora masculina.

Conseguiu imaginar a situação? E mais: é para o resto da vida! Os hormônios deverão ser ingeridos com controles adequados de tempos em tempos, pois senão os caracteres femininos podem voltar (seios, menstruação, pelos, voz…). Um número pequeno deles consegue fazer a operação para mudança de sexo, após longo tratamento e a idade mínima de 21 anos, retirando os órgãos reprodutores femininos (útero, trompas e ovários), seios (mastectomia) e realizando a implantação de uma prótese peniana. Aí sim o quadro se completa, e ele pode sentir-se um homem completo.

Insisto em trazer aqui o sofrimento que envolve todo esse processo nada fácil para as pessoas que passam por isso. Trouxe um exemplo de transexual por considerar o transtorno mais difícil de lidar, dentre todos os outros, por envolver a mudança física da pessoa, além dos aspectos psicológicos.

Mas e os outros? O que uma mãe ou pai de um homossexual imagina que faz a seu filho quando o renega ao saber de sua opção sexual? Por acaso acha que ele escolheu ser assim só para ser a “ovelha negra” ou o “causador” da família? Só para “chamar a atenção”? Já ouvi declarações do tipo: “Preferia que ele estivesse morto a ter que aceitá-lo nessa condição”- o cúmulo da falta de empatia, do preconceito, do egoísmo e da falta de desenvolvimento tanto emocional quanto espiritual.

Imagine-se na situação de um homossexual que nasce numa família preconceituosa e sabe que será um grande baque assumir sua verdadeira identidade dentro de casa, prevendo reações de desprezo, agressões ou rejeição por parte dos familiares. Você pode passar a vida inteira “escondendo” seu verdadeiro eu para não decepcionar as pessoas que ama, ao mesmo tempo em que não se permite ser feliz experimentando uma relação afetiva com quem gostaria. Pode casar e ter filhos só para corresponder às expectativas da maioria da sociedade, mas certamente viverá infeliz por não querer estar ali. Se tiver coragem, um dia se separa e sai em busca de sua realização pessoal. Caso contrário passará a vida lidando com seus problemas emocionais e a enorme frustração de nunca se permitir assumir sua orientação sexual.Triste opção.

Essas pessoas nascem assim e muitas são plenamente felizes quando conseguem assumir sua opção sexual, sendo acolhidas normalmente pela sociedade. Bom seria se eles pudessem esquecer que são “diferentes”, não tendo que provar a todo o momento que são “normais” como qualquer um.

Seria muito mais fácil se a aceitação viesse em primeiro lugar de dentro de casa, dos pais e irmãos, dando o suporte necessário para que essas pessoas se sintam acolhidas e confiantes para lidar com o enfrentamento diário do preconceito muitas vezes velado dos outros na escola, no trabalho, no convívio social ou nos espaços públicos em geral.

Que tal fazer este exercício agora? Então vamos lá: coloque-se no lugar do outro.

Antes de vetar amigos do adolescente, conheça-os melhor

Você já proibiu seu filho adolescente de ser amigo de alguém?

Rita Trevisan e Simone Cunha, UOL, em 08/01/2015

Fuja da armadilha de culpar amigos do seu filho pelo que ele faz de errado. Fazer escolhas é fundamental na formação da identidade do adolescente. Parte desse processo, a escolha dos amigos pode, algumas vezes, virar ponto de conflito com os pais, quando estes não gostam do amigo do filho.

Cabe aos adultos lidar com a situação de forma racional, deixando seu gosto pessoal de lado. É natural que um ou outro amigo do jovem desperte desconfiança nos pais. No entanto, se isso acontecer, é essencial apostar em um diálogo franco.

“A forma de falar é o que importa, e isso vai depender de como foi construído o relacionamento com o filho. Se houver um amor baseado na posse, os adultos podem ter uma reação exacerbada e querer interferir na amizade. Por outro lado, se houver um amor baseado no respeito, eles saberão se posicionar de forma afetiva,
e a conversa servirá de aprendizado para os dois lados”, afirma a psicóloga Ana Paula Mallet, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Para a psicopedagoga Rita de Cássia Rizzo, diretora da Escola Novo Ângulo/Novo Esquema (Nane), em São Paulo, não é papel dos pais, simplesmente, censurar as amizades do filho. “Para que o adulto sustente que não gosta do amigo do adolescente, é preciso que haja motivos verdadeiros e contundentes”, diz.

Esse tipo de avaliação exige cautela. E o primeiro passo, para não cometer injustiças, é tentar conhecer melhor a pessoa que provocou uma má impressão. “Convide o jovem para fazer um programa em família, observe-o e converse com ele. Se notar que existe mesmo uma situação de risco que pode prejudicar o seu filho, é fundamental se posicionar, usando até mesmo de sua autoridade, mas isso em uma situação extrema”, afirma Ana Paula.

Para a psicóloga da Unifesp, questões que envolvem drogas, violência e outras práticas ilegais, por exemplo, precisam ser coibidas. Por outro lado, deve haver um esforço dos pais para ignorar implicâncias pontuais.

 

“Os pais devem tomar cuidado para não se deixarem levar por considerações precoces e preconceituosas”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae.

 

Segundo Ana Paula, é importante não classificar o caráter do jovem pela aparência. Outro ponto importante é considerar que o filho pode fazer escolhas bem diferentes das que foram feitas por seus pais e que isso não é, necessariamente, um problema.

“Qualquer que seja a situação, é preciso ter em mente que proibir a convivência com o amigo não resolve”, diz Ana Paula. Em vez disso, os adultos devem explicar porque a convivência com aquele amigo pode prejudicar, recorrendo a fatos e evitando inferências.

Além disso, os pais podem colocar algumas regras e fazer combinados com o filho, para ajudá-lo a evitar situações de perigo. “Mas esse entendimento é um processo, não ocorre do dia para a noite. Depende de muita conversa, o que exige tempo e disposição dos adultos”, fala Ana Paula.

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Observação

De acordo com Rita, os adultos também devem evitar a armadilha de acreditar que tudo o que o filho faz de errado é por influência do amigo. “A tendência é ser sempre extremista: ou o filho é um santo ou é culpado de tudo, mas isso não condiz com a realidade. É preciso aceitar que, na adolescência, o jovem ainda está estabelecendo seus próprios limites, em especial, quando está longe da família. E isso faz parte do desenvolvimento saudável”, declara a psicopedagoga.

Rita sugere que os pais tentem enxergar os filhos como eles são, reconhecendo os pontos que precisam ser trabalhados e as qualidades. “Um pai presente consegue reconhecer essas características no filho e lida com elas de forma tranquila”, fala a psicóloga Marina.

Receber os amigos do adolescente em casa é sempre uma boa pedida. Na ocasião, aproveite para ver como ele se comporta em grupo. Sem invadir a privacidade dos jovens, apenas fique atento ao que conversam e à maneira como se tratam. “O comportamento do jovem, nessas ocasiões, pode dar pistas de como ele age quando está com a turma fora de casa”, diz.

Acompanhar a atuação dele nas redes sociais também pode ajudar. Além disso, a escola pode fornecer dados e ajudar o pai a traçar um perfil mais realista do próprio filho. “Nessas horas, é essencial manter-se imparcial, para entender, de fato, o que está acontecendo com o adolescente. Só depois dessa análise é que os pais poderão direcioná-lo da melhor forma”, afirma Ana Paula, da Unifesp.

Mas só isso não basta. A psicopedagoga reforça que é fundamental estar próximo do filho sempre que possível, acompanhando a rotina dele. “O mais importante é estar disponível, é oferecer um porto seguro, caso o filho queira ou precise conversar ou pedir ajuda. Isso é ainda melhor do que se posicionar como a autoridade, que vai apenas coibir as ações do jovem, quando algo dá errado”, diz Ana Paula.

Posso “não gostar” dos meus próprios pais?

Publicado no Minha Saúde Online em 7/9/2014

Posso não gostar dos meus próprios pais?

 

Não raro recebo em meu consultório e vejo por aí casos onde a pessoa sente-se “culpada” por não gostar dos pais, como se o fato de serem os progenitores garantisse àqueles o direito ao amor e respeito incondicional de seus filhos. Ledo engano.

Elisabeth Badinter faz uma boa análise em seu livro “Um Amor Conquistado – o mito do amor materno” (Ed. Nova Fronteira, 1985): “Quanto a mim, estou convencida de que o amor materno existe desde a origem dos tempos, mas não penso que exista necessariamente em todas as mulheres, nem mesmo que a espécie só sobreviva a ele. Primeiro, qualquer pessoa que não a mãe (o pai, a ama, etc.) pode ‘maternar’ uma criança.

Segundo, não é só o amor que leva a mulher a cumprir seus ‘deveres maternais’. A moral, os valores sociais, ou religiosos,
podem ser incitadores tão poderosos quanto o desejo da mãe.” Concordo com esta afirmação, e acrescentaria o amor paterno na mesma categoria. Nem todos são preparados emocionalmente para desenvolver os papeis de pai e mãe, e os filhos arcam com as consequências.

A sociedade, assim como as religiões e diferentes culturas pelo mundo afora, ensina que temos que respeitar e amar nossos pais; afinal, eles nos criaram, alimentaram, educaram, sustentaram… e devemos lhes retribuir todo o trabalho e dedicação no mínimo com o reconhecimento e o amor devidos. Porém, há pais que literalmente não fazem por merecer, e o melhor seria que saíssem de perto dos filhos, já que a convivência apenas causa traumas emocionais e prejudica o desenvolvimento saudável dos rebentos.

Há pessoas doentes que se recusam a buscar tratamento para seus distúrbios, em especial os psiquiátricos. Filhos ficam sujeitos a maus tratos, violência física e psicológica, humilhações, chantagens emocionais, exposições da intimidade para outras pessoas, vergonha de escândalos em público… Tudo isso pode ser causado tanto por pessoas simplesmente mal educadas e grosseiras, como por aquelas doentes, vítimas de algum distúrbio não diagnosticado e, consequentemente, não tratado.

Recusam-se a buscar tratamento, mesmo sendo avisadas pelos parentes e amigos próximos, com o velho argumento em sua defesa: “Não sou louco para fazer terapia”. Se for o caso de psiquiatra, então, o preconceito aumenta. Sofrem anos a fio e levam toda a família junto nessa batalha, provocando brigas e frequentes conflitos quando tudo isso poderia ser evitado, ou solucionado, caso seguisse um tratamento adequado. Encaixam-se nesses casos os alcoólatras, psicóticos, portadores de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), neuróticos graves, bipolares, entre outros.

 

Mesmo sem serem portadores de doenças psiquiátricas, aqueles pais que traem seguidamente o cônjuge provocando sofrimento a este também se distanciam dos filhos, que alimentam por ele raiva, revolta e repulsa muitas vezes. Outros inúmeros comportamentos inadequados, posturas perante a vida e as pessoas, assim como valores morais absolutamente questionáveis provocam nos filhos sentimentos negativos em relação aos pais.

Sem falar nos psicopatas, arredios a qualquer tratamento e sem “cura” por se tratar de um transtorno de personalidade, e não de uma doença. Frios, incapazes de sentir algo e de desenvolver a empatia, não pensam duas vezes antes de prejudicar quem quer que esteja ao seu lado, sempre pensando no que irão ganhar com suas ações interesseiras, manipuladoras e maquiavélicas. Sendo assim, não desenvolvem qualquer relação afetiva com os filhos, permanecendo indiferentes a eles.

O resultado disso tudo é que o vínculo com os filhos fica extremamente prejudicado, muitas vezes nem tendo força para ser construído. As crianças crescem convivendo com pais agressivos e abusadores, não vendo a hora de se livrarem desse ambiente doentio e conflituoso. Guardam consigo a sensação de culpa por não gostarem dos pais, sofrendo sozinhos anos a fio por não terem coragem de admitir para si mesmo e para os outros tal sentimento. “Como não gostar do(a) meu(minha) próprio(a) pai(mãe)? Não é errado isso? Afinal, é meu(minha)/pai(mãe)!!”

Não, não é errado isso. Se o vínculo afetivo não foi construído e alimentado devidamente, o amor não cresce. Não precisa procurar justificativas que amenizem para si e para os outros certas atitudes dos pais que o envergonham, humilham ou agridem. Eles são humanos e passíveis de erro, como qualquer um.

A diferença entre pais saudáveis e doentes é que os primeiros, ao perceberem que erraram, tentam se desculpar e melhorar, não tendo problemas em voltar atrás em opiniões ou decisões equivocadas. Procuram evoluir e aprender com os erros. Já os outros não têm essa capacidade, persistindo no erro e muitas vezes manipulando os filhos para que estes, sim, sintam-se culpados por questionarem certas atitudes.

Nesses casos todos, o melhor a se fazer é manter a “distância afetiva” dos pais, ou seja, desenvolver-se emocionalmente independente do que eles possam dar em troca, e não esperar um amor que não existe. Muitas vezes a distância física também é recomendada: que o convívio com eles seja o mínimo possível para evitar situações de estresse emocional que certamente ocorrerão.

E isso só é possível se alcançar com a ajuda de um bom trabalho psicoterapêutico, onde a pessoa se aproprie de seu potencial e desenvolva a independência afetiva, elaborando a culpa advinda desse processo todo. Afinal, não é fácil assumir que seus pais fazem mal a você: nem para si próprio, muito menos para os outros.

Quando a pessoa se permite exprimir os sentimentos negativos que alimenta pelos progenitores, apropriando-se deles e entendendo de onde surgiram, como foram construídos, resultado de anos de convivência com uma pessoa sem condições psicológicas necessárias para o bom desempenho do papel de pai/mãe, há uma grande sensação de alívio e libertação emocional.

Separações e brigas – quem mais sofre nisso tudo?

Publicado no Minha Saúde Online em 03/04/2014

Venho aqui insistir num tema que já abordei, mas cuja recorrência em casos que sou testemunha me chama a atenção: quando as brigas dos pais numa separação adquirem intensidade tal a ponto de esquecerem o cuidado que devem ter com os filhos, grandes atingidos na história toda.

Imagine a seguinte situação: um homem trai a esposa após quase 20 anos de casamento, é descoberto em sua traição e resolve separar-se. Justifica seu ato dizendo que a esposa já não o atraía mais por estar desleixada, acima do peso, e encontra alguém mais jovem e bonita. Envolve-se com ela, com quem vive uma paixão e explosão sexual, tentando recuperar os anos de insatisfação nessa área.

A esposa, mesmo sabendo de tudo, lhe oferece uma chance de retomar a relação, passando por cima das mágoas e humilhações, em nome de tudo o que construíram nos anos de união – incluindo dois filhos adolescentes. Fariam uma terapia de casal e tentariam entender e modificar o que não estava bom até então. Ele é irredutível e não aceita, dizendo estar certo do que quer para si, e afirmando que o tempo deles já acabou. Não a ama mais.

Porém, com o passar do tempo percebe que os ganhos com esse novo relacionamento são muito menores que as perdas, e cai em si, passando a valorizar cada aspecto da esposa que abriu mão, sentindo saudades da vida que levavam, dos momentos em família, das viagens de férias onde se divertiam, do aconchego do lar ao lado dos filhos… Tenta reconquistá-la, mas descobre que ela, após sofrer bastante e precisar tratar-se de uma depressão que a envolveu nos meses que se seguiram ao divórcio, já não está mais disponível, e seguiu a vida: está acompanhada de um novo amor.

Aí é que o caldo começa a entornar. Vem o ciúme, o inconformismo com a escolha errada que fez, o arrependimento por não ter agido de outra forma lá atrás, a vontade de voltar no tempo para resgatar o relacionamento quando ele ainda tinha chances de se modificar e ser salvo. Agora é tarde.

Dependendo da maturidade e caráter de cada um, aqui corre-se o risco de colocar tudo a perder. Alguns começam a atacar o novo companheiro da ex mulher, acusando-o de coisas infundadas, desqualificando-o perante os filhos, provocando situações onde estes se veem numa encruzilhada: percebem que o parceiro da mãe é de boa índole, gostam dele, e o principal: veem o quanto a mãe está feliz e recuperada do trauma passado, mas sentem-se pressionados pelo pai que faz chantagem emocional e tenta a todo custo desvirtuar a imagem dele, falando mal,  dificultando ao máximo que a mãe seja feliz. Afinal, se ele não o é, porque ela haveria de ser?

O jogo é invertido e o pai projeta no novo companheiro toda a sua frustração, seu inconformismo, e o culpa por sua “amada” não lhe querer mais.

Coloquei aqui um exemplo que pode ser aplicado tanto a homens quanto mulheres, claro. Uma mulher quando sente que perdeu seu homem para outra, por mais que tenha sido dela a escolha, passa por momentos de ciúmes e raiva, chegando em alguns casos a atitudes de fúria e completa inadequação. E muitas vezes na frente dos filhos, que descobrem um lado ainda não revelado de sua mãe que lhe parecia tão tranquila e controlada.

Lidar com a frustração da perda não é fácil. Admitir que errou e não há mais como consertar determinada situação que você próprio causou, por escolhas erradas que fez na vida, requer maturidade e desenvolvimento emocional à altura. Reconhecer a responsabilidade por seus atos e assumir as consequências que eles trazem, sem projetar no outro o que é de sua autoria, é sinal de crescimento e auto conhecimento.

Todos nós estamos sujeitos a errar, mas temos que reconhecer que o outro também tem seu limite de aceitação, sua capacidade de perdão e o direito de seguir em frente e ser feliz.

Se você se encontra nessa situação, o melhor a fazer é esforçar-se para acertar numa próxima união, e em nome do amor que descobriu sentir pelo outro, deixe-o ir e ser feliz. Isso o libertará para também ir em busca de sua felicidade novamente.

E os filhos? Devem ser preservados sempre, nunca sendo colocados entre os pais como “moeda de troca”, como “informantes” da vida de cada um, e não merecem escutar os pais ofendendo um ao outro, desrespeitando-se e desqualificando os novos companheiros que tenham entrado em suas vidas. Quando tudo isso é respeitado a separação, por mais dolorosa que seja, pode não ser tão traumática e de fácil assimilação para os filhos. Tudo vai depender de como os pais lidam com os fatos.

Enteados: como viver em harmonia

Publicado no Portal Vital

Foto: Reprodução

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O perfil das famílias brasileiras mudou. De acordo com dados do IBGE, cerca de 20% dos casamentos no Brasil são de pessoas que já tiveram um matrimônio anterior. Na maior parte das vezes, isso implica unir, num mesmo contexto, enteados, madrastas e padrastos – o que não é nada fácil. Afinal, trazer um novo parceiro para a rotina dos seus pequenos ou aprender a conviver com os filhos do atual companheiro, por exemplo, requer muita dedicação, paciência e compreensão.
Roberta Palermo, terapeuta familiar e autora dos livros Madrasta, quando o homem da sua vida já tem filhos e 100% Madrasta – quebrando as barreiras do preconceito, diz que essa é uma situação de adaptação para todos os envolvidos. Assim, é fundamental que o adulto passe segurança para a criança.
“O ideal é que tudo seja conversado, mas os pais devem deixar claro que estão no comando. Existe uma hierarquia: o casal decidiu começar uma vida amorosa, e os pequenos precisam receber o novo membro familiar com respeito”, afirma.
Por sua vez, Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar, explica que, para a relação começar bem, a madrasta ou o padrasto deve se aproximar do enteado com cautela, sempre demonstrando que não há qualquer tipo de competição e que o amor do pai ou da mãe em relação a ele não vai mudar. “É preciso também estabelecer o papel de cada um, afirmando que o(a) parceiro(a) não está ali para substituir ninguém”, completa.
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Como impor limites

Conquistar a simpatia dos enteados é importante, mas um dos pontos mais complicados é a participação efetiva na educação, principalmente porque isso envolve autoridade e imposição de limites. Roberta esclarece que essa responsabilidade é sempre dos pais. São eles que precisam mostrar quais são as “regras do jogo” e estabelecer se seus companheiros têm ou não liberdade para fazer cobranças.
“O que não funciona é o padrasto ou a madrasta chegar com uma norma que nunca foi exigida antes. Nesses casos, é preciso entender primeiro a situação antes de conversar com a criança, porque a sua rotina pode ser diferente”, destaca Roberta.
Nas situações em que um dos pais é ausente e a convivência com a madrasta ou padrasto é mais próxima, Marina afirma que a interferência na educação pode ser efetiva, já que o cônjuge terá um papel maior na vida familiar. “Sempre lembrando que se deve conversar com o parceiro sobre qualquer decisão a ser tomada, pois a autoridade ainda está com a mãe ou o pai”, diz.
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 Dicas dos especialistas
Se você se identificou com alguns dos exemplos citados, veja as dicas de Roberta e Marina para superar o desafio de uma convivência agradável e harmoniosa entre padrastos, madrastas e enteados:
  • Não se imponha ou coloque seu novo parceiro como “substituto”, tanto no caso de pais vivos quanto de falecidos.
  • Seja amiga, atenciosa e mostre-se disponível para o diálogo. Incentive esse mesmo comportamento do seu novo companheiro com os seus filhos, se for o caso.
  • Competir com a criança para disputar a atenção do parceiro é um grande erro. Lembre: você escolheu alguém que já tem filhos para recomeçar a vida.
  • Em casa, tenha um lugar para receber os enteados. Sempre que possível, convide-os para passar fins de semana juntos. Acolhê-los com carinho e atenção contribui muito para conquistá-los e garantir a boa convivência.
  • Procure não fazer distinção entre filhos e enteados na hora de tomar decisões que afetem a família toda. Agora, todos fazem parte de um mesmo lar.
  • Não fale mal dos pais para os enteados. Mantenha sempre uma postura de respeito em relação a eles.
  • Valorize o novo companheiro. Elogiar e mostrar o quanto todos estão felizes com a sua companhia colabora para que as crianças se sintam seguras.
  • É fundamental explicar bem o fato de que “papai e mamãe” não estão juntos por motivos específicos, e não por culpa da madrasta ou do padrasto.
  • Mesmo que os pais não tenham muito contato com os filhos, devem exigir obediência e disciplina. Dessa maneira, diminui-se a possibilidade de conflitos entre as crianças e o novo parceiro.

Famílias contam como mantêm a harmonia em um lar cheio de gente

Publicado no UOL em 29/11/2013

Carmen Júlia Almansa, o marido José Carlos, as duas filhas e os cinco netos vivem juntos em São Paulo

Carmen Júlia Almansa, o marido José Carlos, as duas filhas e os cinco netos vivem juntos em São Paulo

Mesmo unida por laços de sangue ou amor, a família nem sempre é um grupo de fácil convivência. Ainda mais quando seus membros moram sob o mesmo teto, na mesma comunidade e seguem as mesmas regras. Isso porque, apesar de tudo que une os parentes, cada ser humano tem suas particularidades.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta sexta-feira (29), há cada vez mais jovens de 25 a 34 anos, a chamada “geração canguru”, morando com os pais. Em dez anos, houve aumento de quase 4% –de 20,5% para 24,3% entre 2002 e 2012.

E quando falamos de uma família de seis, nove ou onze pessoas morando juntas? É possível conviver em harmonia? “Sim, mas muitas regras são necessárias para uma grande família funcionar. Mesmo que alguns integrantes já sejam independentes, tudo tem de ser conversado e negociado previamente para evitar os pequenos conflitos”, afirma Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

No bairro do Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo, Carmen Júlia Almansa, 64, mora com o marido, José Carlos, 65; as filhas, Mariah, 36, e Nara, 35. Também vivem na casa os cinco netos de Carmen e José, que têm idades entre três e 17 anos. No total, são nove pessoas que dividem uma casa com três quartos e três banheiros.

Carmen e seu marido ocupam um dormitório. As filhas dormem em um quarto cada uma, espaço que dividem com suas respectivas crianças. Cada um desses pequenos núcleos têm um banheiro para compartilhar.

Para a aposentada, a fórmula para tudo funcionar como em uma engrenagem é existir um eixo central, um ponto de referência para todos. Essa figura é representada por ela mesma.

“As explosões em momentos de ira estragam os relacionamentos. Carinho, respeito e intenção de estar junto são fundamentais. Aqui, eu sou esse eixo. Sempre apazíguo e dou carinho a todos. Os problemas sempre vão existir, e é necessário, para viver em família, saber que, às vezes, é preciso se calar e abrir mão de algumas coisas em benefício do outro”, afirma.

Divisão de tarefas

Para Miriam Barros, psicoterapeuta pela PUC-SP, quando se trata de família muito numerosa, a divisão de tarefas é imprescindível. “A tarefa deve ser proporcional à idade das pessoas, mas flexível, para que até os mais ocupados possam participar”, diz.. “Quando há uma divisão, todos os membros da família terão suas responsabilidades na manutenção da casa e ficará mais fácil reconhecer o que cada um faz de bom”, explica.

No lar de Carmen é assim que acontece e, tirando as funções gerais, cada um cuida das suas próprias coisas. “As tarefas são divididas. Como eu já estou aposentada e a Nara trabalha em casa, nós duas cuidamos dos afazeres domésticos. Enquanto isso, meu marido, que também é aposentado, é ‘o babá’ do João Marcos [neto mais novo]”, conta.

De acordo a filha mais velha, Mariah, a família é considerada um exemplo pelos amigos. “Todos sempre falam sobre a nossa união, amor e a convivência que conseguimos estabelecer. A nossa casa é sempre muito movimentada, e minha mãe ama que tenhamos essas raízes. Eu me sinto feliz com essa ‘bagunça’, e não fico constrangida de estar aqui ainda, pois estou porque quero e amo estar aqui.  Sempre vivemos todos juntos e resolvemos os problemas juntos. Isso é família”, afirma.

Três casas, um quintal

A união matrimonial de José Medeiros, 45, e Alice Reis, 44, durou cerca de 23 anos. Eles têm cinco filhos: Estefani, 26; Cauê, 24; Matheus, 18; Marjorie, 16 e Nicholas, 14. Há três anos o casal está divorciado, mas, apesar de morarem em casas separadas, dividem o mesmo quintal, pois o terreno reúne três casas. Em uma delas, Alice mora com os filhos. José vive em outra com a mãe Joana, 76; a irmã Eliane, 38, e o sobrinho Pedro, 3. Já a tia dele, Judite, 76, habita a terceira moradia.

Para que a relação entre ex-casais dê certo, ainda mais morando no mesmo quintal e com mais gente envolvida, é preciso que existam limites e ainda mais regras. “O maior segredo é sempre o respeito pelo espaço do outro e, claro, o bom senso tem que estar presente em toda e qualquer negociação de espaço, que continua sendo familiar, apesar da separação do casal”, afirma Marina Vasconcellos.

Segundo Alice, a condição que deveria ser provisória após o divórcio foi se estendendo e, diante disso, ela e o ex-marido foram se adaptando e adotaram a paciência e o respeito como maiores aliados para resolverem os problemas.

“Eu me dou muito bem com todo mundo. Existem os conflitos e logo quando nos separamos eu ficava muito nervosa com essa proximidade toda, mas não conseguimos ficar sem nos falar por muito tempo. Ajudamos um com o outro, inclusive quando se trata da educação dos nossos filhos”, conta.

Mesmo que para os filhos a harmonia dos pais após a separação seja de vital importância, Marina Vasconcellos afirma que essa condição de morar no mesmo quintal alguém pode alimentar a esperança de que um dia o casal retome a relação. Por isso, é preciso agir com franqueza.

“Ter os pais tão próximos um do outro desperta nos filhos o desejo de que eles voltem. É fundamental deixar claro que a nova condição é definitiva, até para o amadurecimento emocional e para o caso de uma nova pessoa surgir na vida de um dos dois”, explica.

Para José, o maior segredo para viverem em harmonia é o carinho que um tem pelo outro e a vontade de estar junto. “Quando você gosta de verdade daquelas pessoas, por mais dificuldades que passem juntos, é bom estar ali”, diz ele. “Aqui é assim: estamos sempre juntos. Vou à casa da Alice, cozinho para eles de vez em quando, fazemos churrasco com todo mundo reunido. Para mim é muito bom ter os filhos por perto. Eu e a Alice temos uma cabeça muito boa para lidar com essa situação e vivemos muito bem assim. Quando existe amor e respeito, tudo dá certo”, declara.

Haruko, Claudia e Bianca (de roxo na foto) são parte da família Nakazato, composta ainda pelo pai Tsuneo e os outros dois filhos Brenda e Ricardo (Foto: Reprodução)

Haruko, Claudia e Bianca (de roxo na foto) são parte da família Nakazato, composta ainda pelo pai Tsuneo e os outros dois filhos Brenda e Ricardo (Foto: Reprodução)

A paciência oriental da família Nakazato

Na Zona Norte de São Paulo, Tsuneo Nakazato, 63, e Haruko, 62, vivem com os quatro filhos: Brenda Mayumi, 35; Bianca Miyuk, 33; Cláudia Ery, 29, e Ricardo Keiichi, 28. Eles moram em uma casa com quatro dormitórios, sala de estar, sala de jantar, cozinha e três banheiros.

Os pais trabalham em casa e todos os filhos têm emprego fora. Durante a semana, cada um tem seu horário e o convívio acaba sendo menor do que eles gostariam. Refeição com todo mundo junto, só no domingo.

Ainda assim, Haruko tem um ritual diário para se sentir mais perto dos filhos: ela acompanha cada um deles até o portão e depois fica na varanda os observando até que eles, antes de virarem a esquina, acenem para ela. “Para mim, é natural acompanhar meus filhos até perdê-los de vista. Se não faço isso, eles sentem falta. É engraçado”, conta.

Segundo a filha Claudia, a família é movida pela calma e os conflitos são muito raros, pois cada um sabe e cumpre sua função dentro de casa. “Apesar de sermos todos muito calmos e pacientes, somos seres humanos diferentes. Temos dias bons e outros nem tanto. Quando isso acontece, usamos a família para buscar o apoio necessário para que possamos nos restabelecer, respirar, pensar e, enfim, melhorar”, afirma.

Fanatismo dos pais no futebol não faz bem para os filhos

Publicado no Terra em 21/03/2013

Exemplo é forma mais eficaz de educar crianças a conviver em paz com rivais esportivos (Foto: Shutterstock)

Exemplo é forma mais eficaz de educar crianças a conviver em paz com rivais esportivos (Foto: Shutterstock)

A paixão pelo futebol é inerente ao brasileiro: uma pesquisa do Instituto Datafolha realizada em 2010 indica que três em cada quatro brasileiros têm um time de coração. Alguns deles, porém, não são meros torcedores. O Corinthians, por exemplo, um dos mais populares times do País, tem 25 milhões de torcedores, conforme levantamento da Pluri Consultoria, no ano passado. Mais da metade deste número são considerados fanáticos.

 O problema acontece quando torcedores de outros times se encontram. De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em Psicodrama Terapêutico, nenhuma forma de fanatismo é positiva. “Todo fanático é exagerado. Um pai fanático pode acabar ensinando a criança a passar por cima de situações em nome da paixão”, comenta. Para ela, a educação do jovem fica prejudicada. “Como o pai vai dar exemplo do que não é?”, indaga Marina.

 Pedagoga especializada em Psicologia do Esporte, Kátia Rubio diz que a escolha e a paixão pelo clube de futebol normalmente vêm de pai para filho. Ela também vê de forma crítica o fanatismo hereditário. “Os pais são a principal referência para a criança; ela observa o comportamento e reproduz”, diz. O exemplo, então, seria a melhor forma de educar os pequenos a conviver em paz com os rivais esportivos. Mas, em alguns casos, ele parece apenas deseducar. “Já vi adultos brigando em frente aos filhos e terminando amizades de longa data por causa de piadas envolvendo times de futebol”, relata a pedagoga.

 Já Marina comenta que, quando o fanatismo invade o âmbito escolar, cabe à instituição de ensino chamar os pais e os alunos envolvidos para conversar e mostrar que a escola não aceita esse tipo de comportamento. “Nesses casos, há pais que tiram os filhos da escola, demonstrando sequer ter noção da necessidade de ensinar o respeito”, lamenta. Kátia concorda que a escola deve envolver os familiares na discussão. “O problema não nasce de forma isolada, ele envolve todo o convívio social da criança”, afirma. A especialista vê uma espécie de “bullying esportivo” e, para ela, se a criança foi ensinada a ser agressiva, vai reagir de forma violenta quando provocada. “A escola deve tratar o tema com preocupação, pois afeta a todos”, defende.

 Kátia lembra a realização de dois grandes eventos no Brasil: agora, no meio do ano, a Copa das Confederações e, em 2014, a Copa do Mundo. A pedagoga ressalta a necessidade de preparar a sociedade para esses acontecimentos que terão repercussão mundial. “É preciso educar para o esporte”. O receio de Kátia é que o Brasil obtenha resultados negativos nas competições. “Dá pra imaginar o que pode acontecer”, completa.

Como lidar com o filho que segue religião diferente da dos pais

Publicado no UOL em 05/03/2013

Antes de criticar a escolha do jovem, procure entender o que o levou a uma religião diferente da sua

Antes de criticar a escolha do jovem, procure entender o que o levou a uma religião diferente da sua

O jovem foi criado de acordo com os preceitos religiosos que os pais acreditam e praticam, mas um belo dia comunica que se interessa e está seguindo outra religião. Como lidar? Como em todas as questões relacionadas à convivência entre adultos e adolescentes, o primeiro passo é respeitar e entender a motivação por trás da mudança.

Segundo o padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da PUC de São Paulo, o melhor caminho é sempre o do diálogo e o da compreensão. “Em primeiro lugar, os pais devem tomar conhecimento de que religião se trata e quais as implicações para a vida do filho e a da família. Ao mesmo tempo, têm de se colocar no lugar do jovem para entender seus anseios. Precisam também considerar que os tempos mudaram e que os adolescentes de hoje fazem exigências que a geração dos pais não fazia. Eles querem ser ouvidos e participar de tudo. São mais críticos, embora nem sempre consistentes.”

É essencial ter bom senso ao conversar sobre o assunto. “Os pais precisam perceber que nem sempre o que foi ou é bom para eles também é adequado para o filho. Portanto, devem permitir que ele procure seu caminho espiritual. A religião pode ser um apoio, uma sustentação emocional e não deve ser simplesmente cortada por mero capricho, cisma ou intolerância dos adultos. Se está fazendo bem para o filho, não há por que reprimir”, afirma a terapeuta familiar e especialista em psicodrama Miriam Barros.

Como a adolescência é uma fase de paixões e interesses intensos, mas não raro passageiros, vale observar o comportamento do filho antes de entrar em discussões. “É importante entender a razão pela qual ele está seguindo outra religião. Às vezes, é só porque uma menina por quem está interessado faz parte dela”, diz Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Também pode ser pela necessidade, bastante comum na faixa etária, de pertencer a um grupo.

Seja qual for o motivo que levou o jovem a se distanciar da religião praticada pela família e a adotar outra, o pior a se fazer nesse momento é tentar proibir a prática. “A repressão é puro jogo de forças e não leva ao diálogo”, declara o padre Valeriano, da PUC de São Paulo.

Opor-se, sem fundamento, à nova religião do filho é a pior forma de lidar com a situação. “Tem de se tomar cuidado para não virar coisa pessoal, o que provocaria mais resistência do outro lado. Se isso acontecer, não importa tanto a religião, o que importa é que ela se torna argumento para contestar os pais. Só existe um meio para ajudar os outros: amor e diálogo. Nesse clima é possível dizer a verdade sem ferir”, fala o religioso.

Conciliar crenças religiosas na mesma família é possível desde que a tolerância seja praticada, de acordo com os especialistas ouvidos nesta reportagem. “É preciso se colocar no lugar do outro e, acima de tudo, evitar disputas, competições, zombarias, tirar sarro, provocações. A verdade de um pode não ser a do outro”, diz a terapeuta Miriam Barros.

Sinal de preocupação

Respeitar, no entanto, não quer dizer não observar se a nova religião afeta ou não o comportamento do adolescente e de que maneira isso acontece. “O que pode parecer fanatismo, muitas vezes, é apenas um entusiasmo natural. Desde que o jovem continue a ter uma vida familiar, escolar e social normal, não há problema”, declara a terapeuta Miriam Barros.

Há atitudes que podem ser indício de uma dedicação exagerada à crença, segundo a terapeuta Marina Vasconcellos. “Soube de um caso em que o filho, que adorava música, jogou fora todas as partituras de canções que sempre havia tocado”, fala a especialista.

Mais uma vez, é importante recorrer ao diálogo e acompanhar o jovem à igreja que ele escolheu para melhor conhecê-la. Se a comunicação estiver difícil, os pais também podem pedir que algum adulto da confiança do jovem converse com ele ou, em casos extremos, optar pela terapia em família. A repressão deve ser o último recurso. “A proibição gera revolta. É provável que, de uma forma ou outra, o filho encontre uma maneira de fazer o que deseja”, diz Miriam.

Vergonha dos pais é comum, mas nem sempre deve ser tolerada

Publicado no UOL em 09/01/2013

Tratando o filho como um bebê, os pais podem estar colaborando para que ele se afaste

Tratando o filho como um bebê, os pais podem estar colaborando para que ele se afaste

É comum ouvir os jovens pedirem aos pais para não os deixarem em frente ao portão da escola ou da festa dos amigos. O comportamento é típico da fase e tem a ver com o medo de que os adultos não se comportem adequadamente na frente da turma, o que pode torná-los motivo de chacota. “Nesse sentido, a distância que o adolescente estabelece serve apenas para evitar acontecimentos constrangedores para ambas as partes”, afirma a psicóloga Jane Felipe, professora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

A vergonha da família também pode ser fruto da sensação de que os pais são inferiores aos amigos em alguns aspectos, como a condição econômica ou cultural. “À medida que o adolescente vai notando as diferenças, a partir do contato com outras realidades, ele pode começar a negar suas origens”, diz Jane.

Além disso, o desejo do jovem de se mostrar mais independente, de se afastar tanto quanto possível da imagem da criança que necessita da proteção dos adultos, pode estar motivando esse tipo de atitude.

De qualquer forma, é válido que os pais analisem se não estão dando motivo para o comportamento arredio do adolescente. “Muitos querem bancar os engraçadinhos na frente dos amigos do filho. Outros tratam o jovem como se fosse um bebê. Agindo assim, eles o deixam em uma situação realmente difícil diante da turma, sem perceber ou mesmo sem ter a menor intenção de prejudicá-lo”, fala Jane.

Decidiu juntar as escovas de dente?

Saiba como sobreviver ao primeiro ano de casamento

Publicado no Bolsa de Mulher em 11/05/2012

Foto: Reprodução

Todo relacionamento precisa de cuidados, e com o casamento não é diferente. Decidir juntar as escovas de dente é a primeira ação de um pacote de responsabilidades e tarefas que vêm junto com o casamento. O primeiro ano é uma fase de conhecimento mútuo e descobertas. “É uma adaptação e de criação de autonomia, em especial quando um deles ou ambos acabaram de sair da casa dos pais. Terão que aprender a administrar uma casa com todas as suas tarefas e obrigações, tanto financeiras quanto práticas: fazer comida, cuidar da roupa, pagar contas, limpar a casa, ou até mesmo administrar uma empregada”, avalia a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em Psicodrama Terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae.

A pergunta é: como fazer para sobreviver ao primeiro ano morando juntos? Para a terapeuta de casal, a primeira coisa é ter em mente que nenhum relacionamento é perfeito. “Não querer mudar o outro e aceitar as diferenças e respeitá-las é um bom começo. Os dois devem conversar sobre o que incomoda assim que perceber esse sentimento. Não guardar mágoas e falar com o parceiro sem acusá-lo faz diferença”, aconselha Vasconcellos, dando a dica de como deve ser a conversa: ”Fale de preferência na primeira pessoa. Ao invés de dizer: ‘Você deixa tudo bagunçado, é irritante!’, trocar por: ‘Fico bastante incomodada com essa bagunça, como podemos fazer para resolver isso?’ Desse modo, você deixa de agredir ou acusar o outro e mostra o quanto as atitudes dele a influenciam; ter paciência e estar aberto para conhecer o outro de verdade, inclusive em suas fragilidades”, explica Marina.

Outra dica é manter o diálogo aberto. “Conversar, conversar e conversar sempre sobre tudo: dinheiro, trabalho, família, frustrações, sexo. Porém, saber o momento certo para isso: nunca inicie uma conversa sabendo que não haverá tempo suficiente para levá-la até o fim, ou quando um não está disposto e se nega a falar”, orienta Vasconcellos, inclusive quando a família interfere na relação do casal. “Essa é uma questão bastante delicada, muitas vezes de difícil manejo. É preciso criar o espaço do casal, onde a família de origem não interfira. Paralelamente, a convivência com a própria família e a do cônjuge será necessária, pois não se cortam esses vínculos após o casamento. Quando a família é saudável e os membros se respeitam, não há problemas, e o ‘agregados’ passam a fazer parte dela naturalmente. Almoços de domingo, viagens de família, datas comemorativas: tudo é passível de negociações. Precisa haver o respeito pela família do companheiro e, quando ela é problemática e percebe-se que o melhor a fazer é distanciar-se, não dá para fingir que nada está acontecendo, sendo necessário conversar sobre isso para juntos decidirem como agir”, aponta a psicóloga.

Para tornar as diferenças positivas ao relacionamento, a especialista considera que através do feedback do parceiro podemos ter a noção de como estamos agindo na vida, ficando a nosso critério mudar certas coisas ou não. “O relacionamento a dois é uma das melhores formas de crescimento pessoal. A riqueza de um relacionamento está no aprendizado que cada um tem para oferecer ao outro e quando aprendemos com a diferença. Por exemplo: o ‘falante e extrovertido’ aprende a se controlar um pouco mais em ocasiões que não deveria se expor tanto, a partir da observação do tímido. Dessa forma, evoluímos”, finaliza.

 

Pais devem permitir que os filhos adolescentes transem em casa?

Publicado no BOL em o6/04/2012

Quais regras e limites devem ser impostos para que eles não percam o respeito pelos pais?

Há quem acredite que a filha vai se casar virgem. Outros são da teoria de que “o que os olhos não veem, o coração não sente”.  Alguns, mais corajosos, defendem que os filhos(as) levem os namoradas(os) para dormir em casa, assim estarão mais seguros. Mas até o pai mais moderno costuma sentir um aperto no peito quando a filha vira para ele e diz: “já está tarde para meu namorado ir embora. Ele pode ficar em casa?”. Qual resposta deve ser dada em uma hora dessas? Quais os limites devem ser impostos? O UOL Comportamento conversou com especialistas para ajudar a resolver o dilema familiar da melhor forma possível.

Deixar ou não deixar? Eis a questão
“É importante se questionar para perceber se há espaço para que isso aconteça”, diz a psicóloga Lélia Reis, pesquisadora do grupo Sexualidade Vida (CNPq/USP). “Você pode ouvir barulhos no meio da noite e, se os relacionamentos não durarem muito tempo, terá que se acostumar com a rotatividade”. Se a resposta não estiver na ponta da língua quando o adolescente o questionar, não dê desculpas nem mude de assunto. “Se não dá conta, seja honesto”, diz Lélia. “Diga que irá pensar numa saída, mas que não se sente à vontade ainda”.

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em psicodrama, é melhor só permitir que namorados durmam em casa quando os filhos estiverem mais perto da maioridade. “Muitos jovens estão aquém da maturidade emocional exigida para o sexo e seguem os instintos sem saber as consequências do que estão fazendo”, diz ela. “Estimular a vida sexual tão cedo não é bom”.

Se eu permitir, eles perderão o respeito por mim?
“Dificilmente. A menos que os pais sejam totalmente liberais ou não tenham educado seus filhos para os respeitarem”, diz Marina. É importante que os pais do jovem, independentemente de continuarem casados ou não, cheguem a um consenso sobre como vão lidar com a situação e passem as mesmas normas para os filhos. Se as regras forem estabelecidas com clareza, não há com o que se preocupar. “Eles só perdem o respeito se não houver limites”, diz a psicanalista e sexóloga Maria Alves de Toledo Bruns, líder do grupo de pesquisa Sexualidade e Vida. “Não dá para ter uma pessoa diferente por dia saindo do quarto do seu filho ou pegá-lo no sofá da sala com alguém”.

Devo impor regras?
Sim, sempre. “Os filhos até esperam por isso, pois sentem que estão sendo cuidados”, diz Marina Vasconcellos. “Eles encaram como uma falta de atenção quando os pais são muito permissivos”. Depois de chegar a uma conclusão com seu parceiro e estabelecer quais são os limites, dias e horários permitidos, é bom deixar claro para os filhos o que pode ou não ser feito. “É importante que os pais tenham informações sobre quem é o namorado ou a namorada, ter contato com a família e até ligar para avisar quando a pessoa for dormir em casa”, diz a psicanalista e sexóloga Maria Bruns. Para ela, a maior preocupação deve ser ao decidir até que ponto a intimidade da família deve ser compartilhada com uma pessoa de fora. “Levar alguém que encontrou na festinha ou no barzinho é muito precipitado”.

Que conversas ter?
““Você percebe a maturidade dos filhos pelas conversas”, diz Marina. “Se eles já têm idade para fazer sexo, têm idade para dialogar”. Além do papo sobre doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, prevenção e métodos contraceptivos, outros assuntos devem ser abordados. Para Lélia Reis, é essencial também falar sobre relacionamentos e sentimentos. “Diga como lidar quando a pessoa não liga no outro dia, fale sobre inseguranças com o corpo e explique para a menina que o homem não vai achá-la fácil se ela tiver camisinha na bolsa”, diz. Os pais também devem levar o filho ao urologista e a filha ao ginecologista para acompanhar o desenvolvimento e ajudar a esclarecer questões.

Como não deixá-los constrangidos com o papo?
“Converse da maneira mais natural possível, assim eles encararão de uma maneira tranquila”, diz Marina Vasconcellos. O problema é que essa naturalidade não surge da noite para o dia. Não adianta mudar de canal cada vez que vê uma cena picante na novela ao lado do filho e, uma semana depois, vir com papo sobre camisinha. “A família cria seus próprios tabus ao longo do processo educacional”, diz a sexóloga Maria Bruns. “E o diálogo deve ocorrer antes da adolescência”. Para ela, o ideal é aproveitar oportunidades ao ver filmes, novelas ou noticiários ao lado dos filhos. Até mesmo histórias de pessoas próximas podem servir como um pretexto para comentar sobre sexo -sempre aos poucos e no tom de conversa, não de lição. “Deixe claro que o filho tem a liberdade para falar sobre isso ou não. A confiança é conquistada desde a infância, aos poucos”, conclui Lélia.

Seis erros cometidos pelos pais na educação dos filhos

Autores e especialistas listam e comentam os equívocos mais comuns dos pais no relacionamento com as crianças

Publicado no IG Delas em 02/03/2012

Preconceito racial deve ser abordado de forma clara na infância. Foto: Thinkstock/ Getty Images

Elogiar muito uma criança pode estragá-la. Para um adolescente, discutir com os pais demonstra respeito. Estas são apenas algumas afirmações contidas em “Os 10 Erros Mais Comuns na Educação de Crianças” (Editora Lua de Papel), recém-lançado no Brasil e escrito pelos americanos Po Bronson e Ashley Merryman. No livro, os autores procuram desconstruir mitos atuais a respeito da educação das crianças a partir de resultados de pesquisas sobre o desenvolvimento infantil. Conheça alguns dos discursos equivocados mais comuns dos pais citados pelo livro e confira os comentários de especialistas.

“Sempre elogio meu filho”

Incentivar e apoiar as atitudes de uma criança parece um caminho 100% seguro para garantir autoestima em alta. O problema é que o exagero pode levar a um efeito exatamente contrário. “Até os anos 70 não havia uma preocupação nítida com essa questão da autoestima dos filhos. Quando se começa a falar mais sobre isso, vem o exagero. Os pais começaram a elogiar qualquer coisa, mesmo que banal”, afirma Tania Zagury, mestre em educação e autora do livro “Filhos: manual de instruções” (Editora Record).

Tania ressalta que encorajar e parabenizar um filho deve fazer parte da rotina da família, desde que os pais percebam que as crianças realmente se esforçaram para atingir o objetivo. “Elogios excessivos e falta de encorajamento são dois extremos perigosos. O ideal é cada família encontrar o seu equilíbrio”.

 

“Deixo meu filho dormir um pouco mais tarde para ficar comigo”

De acordo com os autores do livro, pesquisas apontam que uma hora a menos de sono por dia pode significar problemas como comprometimento da capacidade intelectual, do bem-estar emocional, déficit de atenção e obesidade. Apesar de não haver ainda um consenso estabelecido pelos estudiosos, muitos defendem a ideia de danos causados pela diminuição de horas de sono para crianças e adolescentes.

“Os pais trabalham fora e acabam chegando tarde. Para compensar essa ausência permitem que seus filhos fiquem acordados até mais tarde em sua companhia. Mas isso pode ter um efeito ruim”, aponta Tania. O psicólogo clínico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcelo Quirino concorda: “um sono ruim pode gerar alterações afetivas, cognitivas e sociais. O sono é fundamental para uma boa saúde”.

Livro tenta mudar mitos sobre educação de crianças. Foto: Reprodução

“Ensino a meu filho que somos todos iguais”

Qual a forma ideal de falar sobre diversidade racial com as crianças? Muitos pais acreditam que expor a criança a um ambiente multirracial, sem necessariamente apontar diferenças físicas como a cor da pele, seria o suficiente para desencorajar o preconceito e fazer com que o filho encare tudo com naturalidade. Para Po Bronson e Ashley Merryman, ficar apenas no discurso de “somos todos iguais” não é o caminho ideal. Os autores do livro defendem a abordagem mais clara do tema com diálogos exatamente sobre essas diferenças físicas e por que elas não devem ser motivo de discriminação. “O discurso de que somos todos iguais é mesmo muito superficial porque simplesmente não somos iguais. Pelo menos não fisicamente”, diz Marcelo.

Psicóloga e terapeuta familiar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Marina Vasconcellos acredita que o importante é ensinar a respeitar as diferenças. “Dizer que somos todos iguais acaba sendo uma mentira mesmo. Outra abordagem é necessária”.

“A criança enxerga diferenças físicas. É uma questão visual. Precisamos ensinar que essas diferenças existem e nem por isso um é melhor do que o outro. A questão do preconceito deve ser trabalhada desde cedo com mais profundidade”, afirma Tania.

“Não discuto com meu filho adolescente”

Fase de bastante atrito, a adolescência é motivo de pavor para muitos pais. Alguns se sentem afrontados e outros desrespeitados diante de tantas discussões e confrontos. Mas será que os filhos também enxergam as discussões como uma forma de desrespeitar seus pais? “Tudo depende de como essa discussão acontece. Vozes exaltadas e xingamentos, por exemplo, não fazem parte de uma discussão saudável. Mas se é uma conversa respeitosa, é muito positivo para a família”, conta Marina.

Para fugir de tantos conflitos, muitos pais acabam sendo condescendentes com atitudes erradas dos filhos, como dirigir um carro sem permissão ou chegar embriagado em casa. Casos assim exigem posicionamento dos pais para o adolescente saber que eles se importam com seu bem-estar. “O adolescente pode confundir permissividade excessiva com falta de interesse mesmo. É preciso encontrar um equilíbrio. O interesse abusivo e o desinteresse total são igualmente prejudiciais”, ensina Marcelo Quirino.

Não é possível prever se criança será adulto bem sucedido. Foto: Thinkstock/ Getty Images

“Meu filho é superinteligente”

Será possível detectar hoje os grandes nomes do futuro? O livro de Po Bronson e Ashley Merryman conta que milhões de crianças competem por vagas em boas escolas nos Estados Unidos, mas que em 73% dos casos todo esse processo seletivo mostrou-se equivocado. “Não há como prever se uma criança vai ser bem sucedida, mas se ela tiver uma boa educação certamente terá mais chances”, diz Tania Zagury.

“Os pais ou os avós podem até enxergar um gênio, entretanto é o coração falando alto. Tirando o emocional de campo, crianças mais precocemente estimuladas possuem maior possibilidade de desenvolvimento intelectual”, diz Tania, observando que as diferenças individuais existem e devem ser respeitadas.

“Meu filho assiste a DVDs educativos”

É sedutor pensar nos vídeos educativos disponíveis na prateleira das lojas como ajudantes poderosos no desenvolvimento da fala do seu bebê. Um engano comum, segundo os autores de “Os 10 Erros Mais Comuns na Educação de Crianças”. O assunto é tão polêmico que foi alvo de um comunicado da Academia Americana de Pediatria condenando o uso de vídeos para crianças de até dois anos de idade.

O psicólogo Marcelo Quirino explica que o desenvolvimento da linguagem é acima de tudo afetivo. “O vídeo é passivo e não estimula a interatividade com a criança. É uma ferramenta auditiva e visual. Não substitui o afeto e o diálogo entre pais e filhos”.

Você está pronta para ser mãe?

Publicado no UOL em 12/03/2012

Muitos motivos levam uma mulher a querer ser mãe. Seja por causa do o relógio biológico que começa a dar sinais de que não há mais tanto tempo para gerar um bebê ou da vontade de expandir a família, em algum momento da vida grande parte das mulheres se questiona: “Será que estou pronta para ser mãe?”.

Segundo dados de uma pesquisa da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), divulgados no começo de março, 55% das brasileiras que dão à luz não planejaram a gravidez. No entanto, conforme explica a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal, o ideal é que a decisão de ter um filho seja muito bem pensada.

Para a especialista, a decisão envolve questões como estabilidade emocional, situação financeira e capacidade de lidar com rotina e vida pessoal, profissional e amorosa. “Recomendo a gestação a mulheres que já estudaram, fizeram faculdade, se formaram ou estejam trabalhando em alguma área profissional. Se quiser ter filho, é melhor que o lado prático da vida esteja mais direcionado, pois é preciso ter a mínima condição de sustentar a criança.”

Marina ainda diz que o mais aconselhável é que a mulher que deseja ser mãe tenha um relacionamento estável. “O ideal é ter um parceiro fixo ou alguém bastante próximo com quem a mãe possa contar, pois é difícil ter um filho sozinha. É muita responsabilidade e, nessa hora, a pessoa vai precisar de ajuda com as tarefas do dia a dia e também de apoio emocional e financeiro, para dividir despesas que vão da fralda até a escolinha.”

Outro fator a ser levado em conta e tão relevante quanto os anteriores é a predisposição de transformar totalmente o ritmo do dia a dia, além de abrir mão da vida social e profissional por um tempo. “É preciso saber que a rotina vai mudar por completo. A mãe deixará de ser uma pessoa que pensa só nela ou só no casal. O papel de mãe vai prevalecer por um bom tempo na vida dessa mulher e, no início, ela terá de se dedicar integralmente à criança”, explica Marina. Se a mulher for muito irritável ou intolerante, também é melhor pensar se realmente quer ser mãe, pelo menos até conseguir resolver esses sentimentos.

Curta um tempo a mais com sua família

Publicado no Portal Atmosfera Feminina em 10/02/2011

Foto: Reprodução

“Minha vida está um corre-corre e estou sem tempo para nada”. Esta é a frase que mais se ouve hoje em dia. Se ela faz parte do seu dia a dia, cuidado: pode ser que você também esteja com pouco tempo de sobra até mesmo para a sua própria família.

Para Marina Vasconcellos, psicóloga pela PUC-SP, os pais estão perdendo cada vez mais o contato com os filhos. “As pessoas estão trabalhando demais e, com a invenção da internet, dos e-mails, continuam trabalhando quando chegam em casa. E a pergunta a fazer é: você está acompanhando o crescimento dos seus filhos? Está se inteirando direito dos problemas deles? Têm dedicado tempo para conversar com eles?”, questiona Marina.

Segundo a psicóloga Silvia Pedrosa, especializada em terapia familiar, a importância de ficar com os filhos não se refere à quantidade de tempo, mas sim à qualidade do convívio. Se a criança é pequena, por exemplo, o importante é promover uma brincadeira e fazer parte dela, se envolver, se divertir.

Conviver, participando de todas as fases de crescimento e desenvolvimento do filho, é fundamental, é dessa forma que se vai educando, formando conceitos, valores, trocando, porque o filho ensina também.

“Sem convivência e troca de afeto, o vínculo fica comprometido. Os sentimentos que criam laços entre pais e filhos são frutos do convívio ao longo do tempo, da amizade, da confiança que vai se estabelecendo dia após dia, das conversas, dos limites, da superação dos conflitos inerentes a todos os relacionamentos, do respeito mútuo, entre outras coisas”, afirma Silvia.

Fortaleça o vínculo com a família

A psicóloga Marina Vasconcellos dá algumas sugestões importantes:

– Reserve momentos do seu tempo para se dedicar exclusivamente à família, nem que seja nos fins de semana.

– Lembre-se: qualidade é mais importante que quantidade. O ideal é ter os dois. Quando estiver presente com a família, esteja por inteiro.

– Quando fizer atividades com a família, principalmente externas, desligue o celular.

– Se os seus filhos são adolescentes, escolha programas mais ativos, dinâmicos. Mas lembre-se: sempre pergunte o que eles querem. Às vezes, sem querer, acabamos impondo algo que não tem nada a ver com o que eles realmente curtem.

Dez erros que os pais cometem e afastam os filhos adolescentes

Publicado no UOL em 26/03/2011

Na adolescência, há um afastamento natural, para que os filhos possam testar sua autonomia (Foto: Thinkstock)

A adolescência é um período complicado para pais e filhos. As relações ficam mais difíceis, as preocupações aumentam e é preciso administrar com calma essa fase cheia de experiências novas para os jovens. Para evitar o distanciamento, duas especialistas listam dez erros comuns, cometidos pelos pais, em relação aos adolescentes.

1º ERRO: não entender que os filhos cresceram

As crianças são muito ligadas aos pais. Mas, na adolescência, há um afastamento natural, para que os filhos possam testar sua independência e autonomia. E isso não significa que os jovens não gostam mais de seus pais. A psicóloga Marina Vasconcellos explica que os adultos devem entender esse momento e dar mais liberdade (claro, com limites). “Não dá para permitir tudo, mas é um erro impedir que os adolescentes tenham experiências novas, afinal, eles cresceram e precisam disso para a construção da identidade.”

2º ERRO: minimizar as descobertas

Os pais costumam dizer aos filhos que sabem perfeitamente pelo que eles estão passando, pois já viveram tudo aquilo. E, portanto, acham que podem dizer qual é o melhor caminho. Marina diz que isso é um erro. “É preciso respeitar o momento do filho, sem impor seu modo de pensar. Por mais que tenhamos ideia de como é, agora é a vez deles”, diz a psicóloga. “É impossível impedir o sofrimento dos filhos. Todos têm tristezas e dificuldades. Os jovens também.”

3º ERRO: não saber como controlá-los

Os adolescentes se consideram maduros e não gostam de dar satisfações. Mas precisam. E o ideal é fazer com que isso aconteça naturalmente, sem a necessidade de cobrar explicações. De acordo com Marina, “se os adolescentes são tratados com respeito, geralmente, retribuem da mesma maneira”, diz ela. “Pais que julgam bloqueiam os filhos, que se fecham. Em uma relação saudável, as conversas fluem normalmente. Isso inclui falar sobre que estão passando, apresentar os amigos, compartilhar as experiências”. O conselho dela é dar espaço para que o filho se abra, sem que sinta medo de ser julgado. “Quebre o clima de tensão entre vocês com bom humor.”

Não minimize as descobertas do seu filho sempre repetindo que já passou por tudo isso (Foto: Thinkstock)

4º ERRO: exagerar nas cobranças

A adolescência é uma fase de muitas cobranças. Os pais querem que os filhos tenham um bom futuro, estudem, tenham boas companhias, criem responsabilidade, não se envolvam com drogas… A sugestão de Marina é escolher a forma certa de cobrar. “Os pais devem ser afetuosos, senão não funciona. Não podem apenas cobrar. A cobrança precisa ser intercalada com carinho, diversão, momentos descontraídos e diálogos. Muita pressão cansa os dois lados: adolescentes e pais.”

5º ERRO: não saber dar liberdade

Podar demais não dá certo. “Deixe que o seu filho durma na casa dos amigos”, exemplifica Marina Vasconcellos. “Ligue para os pais do amigo, certifique-se de que é seguro e permita”. De acordo com a psicóloga, os pais têm dificuldade para saber qual é o momento certo de permitir que os filhos saiam à noite. “Aos 15 ou 16 anos, eles querem chegar mais tarde em casa. Querem ir para as baladas. Deixe-os ir, mas é importante ir buscá-los, para ver como saem dessa balada (se estão com os olhos vermelhos ou bêbados, por exemplo)”, recomenda a psicóloga. “Combine um horário condizente com a idade e a maturidade do seu filho.”

6º ERRO: demonstrar falta de confiança

Certificar-se de que o seu filho está em segurança é bem diferente de vigiá-lo. De acordo com a psicoterapeuta Cecília Zylberstajn, o filho pensa que, se o pai não confia nele, pode fazer o certo ou o errado, pois não fará diferença. “Investigar exageradamente não estimula a responsabilidade. Gera um clima de desconfiança –e as relações íntimas são baseadas na confiança”, alerta a especialista. “Diga para o seu filho que quer se assegurar de que ele estará bem e informe-se, mas não aja às escondidas.”

7º ERRO: desesperar-se nas crises

Os adolescentes dão trabalho. Mas é essencial agir com cautela. “As reações precisam ser proporcionais aos fatos”, diz Cecília. “Se o seu filho entrou em coma alcoólico é uma coisa, se chega cheirando a bebida é outra. Os pais devem hierarquizar a gravidade dos problemas”. De acordo com a psicóloga, ter uma reação desmedida (ou dar broncas muito frequentes) estimula o filho a mentir. “Para o adolescente, o problema é a bronca. Ele não pondera se suas atitudes podem ser perigosas. Por isso, converse com calma, para entender as razões que o levaram a fazer escolhas erradas. Descubra se é algo frequente e explique as consequências.”

Colocar defeito em todos os namorados dos seus filhos pode afastá-los de você. Cuidado! (Foto: Thinkstock)

8º ERRO: constranger os filhos

Na adolescência, é comum os filhos terem vergonha dos pais. Tente compreender isso. Cecília explica que os pais são munidos de informações que podem envergonhar o filho diante dos amigos. Particularidades que só os pais sabem, mas que o jovem não quer que sejam reveladas. “Os adultos precisam evitar expor a intimidade dos filhos, pois, muitas vezes, o deixam constrangido. Evite, também, estender muito as conversas com os amigos dele. “Pai e mãe não são amigos. Pais que querem ser amigos não estão sendo bons pais”, alerta Cecília. “A relação precisa ser hierárquica. Isso não significa que tenha de ser ruim. A diferença é que, com amigos, temos relações de igual para igual. Entre pais e filhos não é assim”, diferencia a psicóloga. “Os pais podem ser bacanas, compreensivos, divertidos, mas são pais.”

9º ERRO: colocar seu filho em um altar

Pare de pensar que ninguém está à altura do seu filho. É comum os pais colocarem defeitos em todos os amigos e, principalmente, nos namorados que os adolescentes têm. Cecília lembra que o excesso de julgamento faz com que os filhos se fechem. “O resultado de tantas críticas é que os filhos passam a esconder namorados e amigos dos pais. Eles perdem a vontade de apresentar pessoas com quem convivem e começam a ficar mais na rua do que dentro de casa”, alerta.

10º ERRO: fazer chantagens

Ameaçar cortar a mesada, caso o filho não obedeça, é muito comum. Assim como dizer que, enquanto ele viver às suas custas, não poderá tomar certas atitudes. “Isso é uma chantagem e não educa”, resume Cecília. “Os pais devem explicar as razões que os levam a proibir determinados comportamentos. Com ameaças, o jovem apenas obedece para não perder um benefício”. A psicóloga diz, ainda, que, agindo assim, a relação entre pais e filhos fica muito rasa. “É como beber e dirigir: quem não faz, pois sabe que é perigoso para si e para as outras pessoas, compreende o problema. Quem deixa de fazer apenas por medo da multa, não entende os riscos”, exemplifica.

É melhor casar ou morar junto?

Publicado no Terra

A decisão entre morar junto e casar deve ser pensada pelo casal (Foto: Getty Images)

Sabe quando já não faz mais sentido cada um no seu canto, mas vocês não sabem bem o que fazer? Morar juntos ou casar? Nos dias de hoje, a dúvida pode soar um tanto quanto careta, mas entender bem a diferença entre as situações pode ajudar você a não cair em uma enrascada.

“Na prática não há diferença entre estar casado e morar junto. Mas algumas pessoas podem não se sentir casadas quando apenas moram juntos, e isso fica no inconsciente”, comenta a psicóloga Marina Vasconcellos. O importante é que os dois estejam cientes e satisfeitos com a situação, independentemente se moram juntos ou se houve a troca de alianças.

Segundo a terapeuta sexual Cláudya Toledo, a mulher tende a se sentir menos amada quando não há um marco que sele a união. “A mulher se sente amada quando é pedida em casamento e isso faz com que ela tenha mais facilidade para engravidar e para se sentir à vontade com a relação. Ela fica mais segura”, conta.

Cláudya comenta ainda que a mulher pode sentir dúvida sobre as intenções do homem quando não há um marco de início da relação. “O casamento não é um papel, não é somente aquela idéia tradicional de noiva e união civil. Ele é uma união que tem que ser clara, com um marco de inicial. Aí o casal pode organizar suas vidas juntos, sem dúvidas”.

A publicitária Juliana Gontad, 26 anos, mora com o namorado Rogério Mendes, 33 anos, a pouco mais de um ano. O casal, que está junto há seis anos, resolveu unir as “trouxas” depois de uma conversa a dois. “Tudo melhorou. A cumplicidade aumenta muito, o que torna a relação mais intensa”, comenta Juliana. Para ela, não há diferença de comprometimento entre morar junto e casamento. “Talvez um dia a gente efetive a união por motivos burocráticos, dizem que em algumas situações é vantagem estar casado no papel. Mas seria só por isso”, completa.

Ao contrário de Juliana, alguns casais não conseguem encontrar uma sintonia quando não há uma união efetiva. Segundo Cláudya, quando as duas partes não se sentem verdadeiramente entregues na relação alguns probleminhas podem surgir. O homem, por exemplo, tende a não planejar sua vida com aquela parceira – o que resulta em uma não tão bem sucedida carreira profissional, já que ele não se vê como o “homem da casa”. “Já a mulher não consegue investir tanta energia nesse parceiro. Ela pode se negar a ir a uma festa da empresa dele, por exemplo, por não se sentir a esposa”, complementa.

Adepta do estilo mais tradicional, a fisioterapeuta Mônica Medeiros Silva Reina, 30 anos, achou que o melhor seria se o casamento fosse oficializado e as alianças trocadas. “Quando não há compromisso oficializado, o casal se separa com mais facilidade em momentos de briga. É mais fácil abrir mão e voltar para a casa dos pais”, explica.

Casada há três anos com o fisioterapeuta Leandro de Souza Reina, 30 anos, ela também passou pela experiência de dividir o mesmo teto sem compromisso. “Foram três anos de ‘panos de bunda juntos'”, brinca. Se a experiência foi válida? “O relacionamento ficou mais sério, mas só não nos casamos antes por falta de dinheiro. Mesmo porque, esse sempre foi nosso desejo”.

Para quem se sente incomodada em apenas morar junto e sonha com um casamento, tradicional ou não, vale a dica da terapeuta Cláudya. “Se o morar junto for um teste para descobrir se o casal dá certo, coloque um limite de tempo para isso. Mas é importante frisar que para a mulher é bastante dolorido o fato de estar ‘sendo testada’. Isso pode causar uma angustia que acaba deixando-a menos amorosa no relacionamento”, finaliza.

Brasileiros contra a adoção por casais homossexuais

Publicado no Terra em 10/08/2011

Foto: Reprodução

Em maio de 2011, o Conselho Nacional de Justiça revelou que há 50 mil crianças e adolescentes em abrigos públicos no Brasil. Dessas, somente quatro mil têm chances reais de serem adotadas.

Isso porque os casais que demonstram interesse na ação exigem, na maioria dos casos, crianças menores de um ano, brancas e saudáveis. Além disso, as meninas levam vantagem.

Embora haja um número elevado de jovens sem família, os casais homossexuais encontram muitas dificuldades na hora de adotar um filho. O IBOPE divulgou no último dia 28 de julho uma pesquisa que mostrou que 55% dos brasileiros são contra a adoção por casal do mesmo sexo. A mesma porcentagem também é contra a decisão do Supremo Tribunal Federal de legalizar a união de homoafetivos.

“Ainda há muito preconceito. As pessoas acham que homossexuais são depravados, que têm uma vida desregrada, sem limites ou valores e com maus hábitos. Essa é uma imagem errônea”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em Psicodrama Terapêutico, Psicodramatista Didata e Terapeuta Familiar e de Casal. “Há o preconceito de achar que pais homoafetivos irão passar orientação sexual para as crianças e isso não existe”.

A psicóloga aponta o fato de que se o caso acima fosse realidade não haveria gays, já que eles iriam reproduzir o comportamento dos pais heterossexuais. “Outro fator que dissemina o preconceito é a ideia de que a criança necessita de referências masculinas e femininas. Isso é verdade, porém, não necessariamente essa referência deve vir do pai ou da mãe. Tanto é que os filhos criados somente pelas mães, cujos pais abandonaram, crescem sem problema algum”, esclarece Marina Vasconcellos. Ao que tudo indica o único fator prejudicial aos pequenos é o preconceito.

Dizer que as crianças irão sofrer discriminação na escola é outro argumento bastante usado por quem é contra a adoção. “Pode ser que isso aconteça, mas também pode ser que não. Quanto mais casos, menor será o estranhamento. É importante lembrar que há algumas décadas os filhos de mães solteiras ou divorciadas passaram pela mesma situação e hoje ninguém nota, é completamente comum”, afirma a especialista. Marina garante que a criança irá se habituar, e sendo amada, não sentirá desconforto por ter dois “pais” ou duas “mães”.

“Um casal homossexual por encontrar tanta dificuldade na hora de adotar, vai dar muito amor e carinho às crianças, além de acesso à saúde e aos estudos”, supõe Marina Vasconcellos. A psicóloga lista amor, afeto, incentivo e aceitação como ingredientes fundamentais na educação. E nega que casais do mesmo sexo possam deixar algo faltar, simplesmente por serem homossexuais. “É essencial para qualquer criança sentir que faz parte do grupo familiar, se sentir querida e especial. Elas devem ser reconhecidas e elogiadas”, garante a psicóloga.

Entre os 55% contra a adoção a maioria são homens (62%), os maiores de 50 anos predominam e chegam a 70%. O grau de escolaridade também se destacou entre essa maioria: 67% dos contrários cursaram somente até a quarta série do ensino fundamental. O IBOPE ouviu 2.002 pessoas com no minímo16 anos, em 142 municípios do território nacional.

Como as nossas mães

Contrariando as estatísticas, algumas mulheres têm um filho atrás do outro e se realizam com a casa cheia

Publicado na ISTO É em 06/05/2009

SUPERFAMÍLIA A empresária Claudia (ao lado) é mãe de Chloé, Arthur, Max e Clara (da esq. para a dir.) Foto: Reprodução

A vida na casa de Claudia Junqueira é animada e barulhenta. Na hora de comer, dormir, fazer dever de casa ou brincar, a agitação está garantida com os quatro filhos. A “escadinha” formada por Arthur, 3 anos, Clara, 7, Chloé, 10, e Max , 12, às vezes é engrossada por colegas de escola, que se juntam à bagunça. “Meus quatro filhos foram desejados e queridos”, garante a empresária, de 37 anos. A família de Claudia está na contramão das estatísticas. Enquanto a brasileira tem cada vez menos filhos, ela faz parte de uma minoria que escolheu ter a casa cheia.

Famílias grandes foram regra num passado relativamente próximo. Na década de 70, a taxa de fecundidade era de 5,7 filhos por mulher. Em 2000, caiu para 2,3 filhos, e entre as que têm oito anos ou mais de estudo, 1,6 filho. De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esses números encolheram ainda mais: 1,9 filho por mãe.

O que motiva, então, algumas famílias a irem contra essa tendência? Para Claudia e seu marido, que vêm de lares cheios de irmãos, é uma opção natural. “Desde menina eu desejava uma família enorme”, explica Claudia. “Os amigos dos meus filhos amam vir aqui porque é uma casa pensada para as crianças.” Empresária, ela mo n t o u uma agenda flexível para acompanhar os pequenos de perto e dispensou babá e creche.

Para Marina Vasconcellos, terapeuta de casais e família da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é essencial ter planejamento financeiro e tempo quando se decide ter uma prole extensa. “Ter muitas crianças é uma festa, mas elas demandam atenção”, afirma. A terapeuta diz que, apesar de exigir dedicação, crianças criadas com vários irmãos tendem a se desenvolver com maior autonomia. Do ponto de vista biológico, o corpo da mulher sai ganhando com a maternidade.

A gravidez reduz o risco de problemas como endometriose, câncer de mama e de útero. “Nesse sentido, quanto mais a mulher engravidar, melhor”, diz a ginecologista Nilca Donadio.

É essencial ter planejamento financeiro e tempo para se dedicar quando se decide ter uma prole extensa

A roteirista e escritora Maria Mariana, 36 anos, passou os últimos dez anos alternando amamentação com gravidez. Conhecida pelo livro Confissões de adolescente, que virou peça e série de tevê, ela está lançando o livro Confissões de mãe, com as reflexões alinhavadas durante as gestações de Clara, 9 anos, Laura, 7, Gabriel, 5, e Isabel, 2. “Eu sempre quis muitos, mas fui querendo um depois do outro”, conta Mariana, que acha mais fácil criar vários filhos do que um só. “Eles aprendem juntos.” Depois de praticamente dez anos vivendo em função dos filhos, ela volta ao trabalho como roteirista da Rede Record e diz que saiu ganhando, apesar das críticas. “Achavam que eu estava deprimida, que tinha desistido”, diz Mariana.

Em países com taxas de natalidade mais baixas, proles numerosas ganham, no mínimo, olhares desconfiados. Michelle Lehmann, 38 anos, secretária de uma firma de advocacia em Chicago, é mãe de oito, com idades entre 13 e 2 anos, e criou a comunidade online  http://www.lotsofkids.com, para ajudar pais com muitos filhos a trocar experiências. “As pessoas acham que você é irresponsável, ignorante ou fanático religioso por ter uma família maior”, conta Michelle. Olhares enviesados são comuns quando os Lehmann saem de casa.

A partir da quarta gravidez, a secretária passou a ser tratada de modo diferente. “Eu apoio o direito de não ter filhos ou de ter família pequena”, diz a secretária. “Só gostaria que eu e meu marido fôssemos mais respeitados por acreditarmos ser maravilhoso ter vários filhos.”

CONFISSÃO DE MÃE Maria Mariana foi criticada pela pausa de dez anos, em que priorizou os filhos (Foto: Reprodução)

Além do preconceito, esses pais enfrentam o fantasma de não darem atenção suficiente para todos. “Meus filhos são muito diferentes entre si, mas faço um esforço considerável para dedicar tempo a cada um deles”, diz Michelle. A professora do Departamento de Psicologia e Filosofia da Educação da Universidade de São Paulo (USP) Silvia Colello afirma que a questão da atenção nunca se resolve de forma coletiva. “Os pais têm que ser críticos”, ensina. “Aquilo que você aprendeu com um filho não serve para aplicar ao outro.” É essa dedicação incansável que torna verdade o ditado: “Em coração de mãe, sempre cabe mais um.”

Derrubando mitos do filho único – Parte 2

Esqueça os estereótipos sobre crianças que crescem sem irmãos. Especialistas garantem que elas podem se tornar adultos tão ou mais saudáveis do que aquelas que crescem em grandes famílias

Publicado na ISTO É em 16/07/2010

Outro motivo importante da redução de tamanho das famílias é a entrada da mulher no mercado de trabalho, algo incompatível com uma prole numerosa. “As pesquisas mostram que a maioria dos lares com filhos únicos é composta por casais com dupla renda”, diz José Eustáquio Diniz Alves, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até a idade adulta, o gasto com a criação de um filho pode chegar a R$ 1,6 milhão para famílias com renda de R$ 25 mil e nada desprezíveis R$ 400 mil para famílias de renda entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, de acordo com a consultoria Invent (leia na pág. 63). Ao colocar na ponta do lápis os gastos da primeira gravidez, a jornalista carioca Maria Fernanda Delmas decidiu lançar o livro “Olha Quem Está Poupando” (Ed. Elsevier), em que orienta os pais a controlar os gastos. “Ao decidir ter um filho, o casal deve conversar sobre as implicações para o bolso. Três gastos saltam muito: empregada doméstica, creche ou escolinha e saúde”, afirma.

AUTONOMIA Sylvia, ao lado do marido, Cláudio, diz que a vontade era colocar o filho Vinícius numa redoma. “Mas ele me ensinou a fazer a coisa certa” (Foto: reprodução)

Sem restrições financeiras para formar uma família, a enfermeira Elaine Dominicis Dias Pereira, 43 anos, sonhava com uma casa cheia. Mas ao tentar engravidar, aos 30 anos, descobriu que precisaria da ajuda de tratamentos de fertilidade. Foram várias tentativas frustradas du­rante quatro anos até que ela finalmente engravidou quando morava nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, ela se controla para não mimar Victoria, 11 anos. Da escola à aula de equitação, a menina está tendo a melhor educação possível para que se torne, nas palavras da mãe, “uma pessoa sociável e de bom coração”. Para isso, Victoria acompanha Elaine em um projeto social e vende brigadeiros para arrecadar brinquedos para as crianças no Natal. “Essa é a liberdade que você dá para o filho único. Ela tem iniciativa, e pago para ver onde vai dar”, diz Elaine. Mas nas negociações familiares, a menina quase sempre ganha a mãe na lábia. “Ela tem senso de liderança”, derrete-se.

Alessandro considera que o saldo de não ter irmãos foi positivo e repetiu a dose com Erik, 5 anos. “Já é difícil dar atenção a um filho, imagine a dois.” (Foto: Reprodução)

Ao contrário de Elaine, que desejava ter mais filhos, a educadora Elisângela Hernandes, 29 anos, no sétimo mês de gravidez, está convicta de que esta será sua única gestação. Ela e o marido planejaram detalhadamente a experiência. “É um aprendizado nosso, entender o filho, o que significa cada choro.” Especialistas explicam que, com um acesso cada vez maior ao planejamento familiar, cresceu a expectativa sobre a experiência da maternidade. “As pessoas desejam que ela ocorra de forma idealizada: o quarto perfeito, o momento ideal, o companheiro certo”, diz a psicanalista Diana. “Muitos filhos únicos são tidos únicos na expectativa de que seja produzida uma experiência ideal e que seja um fardo menor”, afirma.

Foto: Reprodução

O lado mais sombrio da geração de filhos únicos está no envelhecimento. Na fase adulta, eles terão de lidar sozinhos com os cuidados e a perda dos pais. “É muito pesado não ter com quem dividir o fardo do cuidado”, afirma Diana. Filho único, o técnico carioca Alessandro Cardoso, 33 anos, decidiu reproduzir sua experiência com o filho, Erik, 5 anos. “Minha mãe tinha dedicação duplicada comigo, mas não cheguei a ser mimado”, recorda. “O problema foi a partir dos 12 anos, quando comecei a sentir falta de irmão mais velho, alguém que pudesse me orientar, servir de referência”. Fazendo um balanço geral, ele acredita que ser filho único teve mais fatores positivos do que negativos. Sua opção por não dar irmãos a Erik se deve às exigências da vida moderna. “Eu e minha mulher trabalhamos o dia todo. Já é difícil dar atenção a um filho, imagine a dois.” Embora mais tranquila, a opção ainda é alvo de críticas. “Mais do que os amigos, irmãos ajudam a aprender a dividir as coisas, lidar com frustrações e conviver”, afirma a terapeuta familiar Marina Vasconcellos. Famílias com uma única criança tendem a ser mais estáticas também. “Ter mais pessoas implica ampliar o repertório familiar”, afirma a terapeuta familiar Maria Amália Salles.

Mas ninguém deve resolver ter mais filhos por isso. Ou porque a criança pede insistentemente um irmãozinho. “Os pais têm o direito de decidir quantos filhos vão ter. Basta apenas que arquem com as responsabilidades naturais desse ato e usem dois elementos básicos: equilíbrio e bom senso”, afirma Tânia Zagury. Agindo assim, as chances de se criar pessoas saudáveis são muito maiores. Cabe aqui a velha máxima, tão usada na educação dos filhos, da qualidade em prol da quantidade.

 

 

Meu filho não quer ir à faculdade, e agora?

Apoio, compreensão e honestidade dos pais são fundamentais quando o jovem se sente indeciso diante do vestibular

Publicado  no IG Delas em 19/08/2010

Com o fim do segundo grau, é comum ver adolescentes completamente alucinados com as primeiras dúvidas da vida adulta que surgem: vestibular, carreira, sonho, futuro e sucesso profissional. Imaginar um futuro coerente aos 17 ou 18 anos não é tarefa fácil para ninguém. Escolher o que se vai fazer para o resto da vida quando se teve quase nenhuma responsabilidade até então pode ser um dilema e tanto – tanto para filhos como para os pais. “Os adolescentes de hoje são muito menos maduros que antigamente, e é natural que os adultos fiquem tensos com as suas decisões. Os pais esperam que seus filhos vão para faculdade e, por isso, fazem uma pressão na hora da escolha”, afirma a psicóloga Heloisa Schauff, especialista em terapia de casal e família.

Para o adolescente, não se intimidar com essa pressão dos pais para fazer faculdade pode ser bem difícil. Em um mundo cada vez mais competitivo, no qual às vezes um diploma apenas não basta, escolher trilhar o próprio caminho fora do mundo acadêmico requer coragem e decisão. Não é todo mundo que pode optar por tirar um tempo para viajar o mundo, fazer cursos livres ou dedicar-se à música, por exemplo. Porém, há quem bata no peito, banque os sonhos e consiga convencer os pais, com muita conversa, de que parar os estudos por um tempo talvez seja a melhor saída.

Dez anos depois do fim do segundo grau - e já proprietário de um estúdio - José Neto ingressou na faculdade de Música (Foto: Mauricio Contreras/ Fotoarena)

José Martins Neto, 28 anos, foi um adolescente que, por não gostar de estudar, acabou largando a faculdade após cursar os primeiros seis meses. “Eu sempre fui um péssimo aluno, foi muito difícil terminar a escola, e, quando terminei, não queria continuar estudando. Cheguei a entrar em Rádio e TV porque rolava uma pressão da escola e dos meus pais, mas eu não achava que tinha que ir para a faculdade”, conta.

Ele revela que sua verdadeira paixão é a música e que, após o primeiro semestre cursando algo que detestou, decidiu largar tudo para virar baterista. “Falei com os meus pais e decidi fazer um curso em um conservatório. Foi complicado convencer meu pai especialmente, mas, por mais que ele não tenha achado a minha decisão ótima, acabou me apoiando”, explica. O resultado é que, algum tempo depois, José acabou montando um estúdio com um amigo e cavou seu próprio espaço no mundo da música. “Demorou para a gente dar certo, investimos tempo, dinheiro e tivemos que ter paciência. Mas hoje vivo de música, toco e trabalho com gravação e produção”.

E, passados dez anos do fim do colegial, ele finalmente decidiu cursar uma faculdade. De música, claro. “Bateu vontade, senti que estava defasado em teoria musical. Não acho que devia ter feito isso logo que saí da escola, não tinha maturidade e provavelmente não iria aguentar”, afirma.

O carioca Rodrigo de Sousa Deodoro, 24 anos, também optou por não fazer faculdade logo após terminar o segundo grau. Acostumado a trabalhar desde os 15 anos, ele conta que não tinha dinheiro para pagar os estudos e não conseguia se decidir por um curso. “Eu não tinha parado para pensar sobre isso. Comecei a trabalhar cedo e sempre pulei de um emprego para o outro. Depois de um tempo, vi que estava me virando bem sem fazer faculdade. Na verdade, até agora, esse esquema tem funcionado bem para mim”, diz.

Rodrigo conseguiu driblar a pressão dos pais e continuar no mercado de trabalho. “Meus pais não fizeram faculdade e, até certo ponto, tive liberdade para escolher por mim mesmo o que fazer da minha vida. Porém, é claro que rolava aquela vontade de ter o filho conquistando uma coisa que eles não tiveram a oportunidade de conquistar”, afirma.

Apoio moral

A psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em terapia familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), defende iniciativas como as de José e Rodrigo. “Com 17 ou 18 anos, a maioria dos adolescentes não tem maturidade para decidir o que vai fazer para o resto da vida. Seria muito bom se todos tivessem a oportunidade de, após a escola, tirar um tempo para viajar e se conhecer melhor”, fala.

A psicóloga recomenda que os pais não pressionem os filhos na hora da escolha do curso e, especialmente, não tomem a decisão por eles. “O melhor caminho no momento da dúvida do adolescente é, com calma, mostrar tudo o que ele pode aprender dali para a frente e apoiá-lo a conhecer profissões. Faculdade não é tudo, existem cursos técnicos bons, por exemplo. A pressão não gera bons resultados”.

Ao não ingressar em um curso superior logo depois do colegial, no entanto, não quer dizer que seu filho vá ficar em casa de papo para o ar. Heloísa fala sobre a opção de trabalhar enquanto o adolescente não sabe o que quer cursar na faculdade. “É uma alternativa bárbara, porque ele descobre cedo o que são regras e, já inserido no mundo do trabalho, conhece os rumos que pode tomar. A escolha da profissão acontece muito cedo, com o adolescente quase sempre muito protegido pelos pais. Por causa disso, muitos acabam fazendo faculdades das quais não gostam”, afirma.

E se seu filho já entrou em um curso, mas dá sinais de que pode ter feito a escolha errada, relaxe – e o apoie. A psicóloga orienta os pais a deixarem os filhos à vontade para mudar de profissão caso eles percebam que fizeram a opção errada. “O papel dos pais é orientar e questionar, mas respeitando o momento de dúvida. Não dá para obrigar um filho a fazer um curso que ele não quer”.

Personal Gestante: futuras mães em treinamento

Coaching na gravidez surge para tranquilizar mães que não sabem como equilibrarão trabalho e filho ao mesmo tempo

Publicado no IG Delas

Figura do coach surge para auxiliar futuras mamães a conciliar carreira e maternidade (Foto: Getty Images)

Há muito tempo se fala em coaching (treinamento, em inglês) no mundo organizacional, em que aquele que é treinado visa obter melhor desempenho em busca do sucesso profissional ou para perder aqueles quilinhos extras, por exemplo. Porém, de acordo com Villela da Matta, presidente da Sociedade Brasileira de Coaching, o que ainda não se sabe é que a ferramenta pode ser utilizada em todas as áreas da vida e, dentro do mundo feminino, inclusive para superar as dificuldades que a gravidez usualmente abrange, até mesmo antes da decisão de ter um filho.

“Hoje em dia não é somente engravidar e ter um neném, ser mãe envolve muitas outras questões”, afirma Matta. Uma delas – e a que a maioria das mulheres que procuram pelo serviço quer resolver – envolve o lado profissional: “Muitas acabam acreditando – assim como também acreditam os homens – que é necessário focar somente no filho ou somente na carreira, mas não precisa ser assim”. Segundo ele, o objetivo do coaching neste momento, é modificar essa percepção e mostrar que é possível conciliar os dois. Mesmo que você já esteja desesperada em relação à licença-maternidade mesmo antes dos primeiros meses de gestação.

De acordo com o especialista, diante deste e de outros questionamentos, o processo de coaching serve para tornar a gravidez ainda mais prazerosa, impedindo que a mulher entre em estágio de ansiedade e nervosismo profundo – uma vez que o futuro que se aproxima se revela um pouco incerto. “A mulher hoje não tem um espelho, uma referência de sucesso, de uma mulher que teve filhos e ainda assim permaneceu profissionalmente bem e com um relacionamento amoroso extremamente satisfatório”, revela. O coaching, no entanto, chega para desenvolver estratégias para que tudo saia da melhor maneira.

Pontos de angústia

Para Ricardo Monezi, psicobiólogo e pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp, a decisão é uma das mais importantes da vida e nos dias atuais, realmente envolve uma série de angústias: “Cada vez mais as mulheres postergam a maternidade pela preocupação com a carreira, por exemplo, e isso também já se configura como um fator de estresse e ansiedade muito alto”. Em casos de empregos de alta demanda, o desenrolar da gravidez pode ser extremamente tenso, o que não faz bem para a mulher e tampouco para o bebê. Mas não acaba por aí.

“Além da questão da idade avançada, existem outros pontos de angústia gerados pela gravidez, como a insegurança por não saber se vai dar conta e a preocupação com o que os outros irão pensar dela como profissional e mãe, além do corpo em transformação e a pressão dos hormônios”, explica Monezi. O papel do coacher ou do profissional que esteja acompanhando a mulher neste momento, portanto, é amenizar todas essas situações e orientá-la a manter o equilíbrio, principalmente nesta fase de adaptação, em que as mulheres ainda estão abrindo espaço para adaptar a carreira com a maternidade.

Dois em um

Segundo a psicóloga especialista em terapia familiar e de casal, Marina Vasconcellos, existem ainda muitas mulheres que seguem frustradas na tentativa de combinar os dois papéis, de mãe e de profissional. “Elas estão se dando conta de que é difícil assumir a ambos, mas por exigirem muito de si mesmas, acabam se sentindo culpadas por não darem conta perfeitamente de tudo”, explica. Para a especialista, o caminho que deve ser seguido agora é o “afrouxe”, em que a mulher pode dar o melhor de si sem se desgastar e sem se cobrar em excesso.

Para a psicóloga Sabrina Patto, especialista em análise transacional, este conflito é realmente o que a maioria das mulheres vive. “A parte mais difícil é perder isso de tentar dar conta de tudo, de querer ser 100% profissional, 100% mãe, 100% esposa”, revela a especialista. Esta fantasia que se torna ansiedade – e que surge até mesmo antes da gravidez –, poderá ser vivida se a mulher não delegar corretamente o trabalho que terá com o filho. E contar com o marido nessas horas – ou alguma outra pessoa, como a mãe, a sogra ou até uma babá – é imprescindível.

Coacher e coachers familiares

Ainda de acordo com Monezi, é importante que a mulher saiba que, embora seja possível de manejar a carreira sozinha, a gravidez não é assim tão individual. Enquanto o papel do coacher existe como um suporte psicoterápico, é preciso que a mãe da vez conte também com os “coachers familiares”. “Aqueles que possuem formação pelo companheirismo, o marido, por exemplo, devem saber ouvir e dialogar com a mulher que estiver passando por este processo”, afirma. Na maternidade, a mulher passa por um processo em que toda sua biologia é transformada e, segundo Monezi, a psique acompanha estas transformações. “Formar um arcabouço social irá ajudá-la muito, seja com a família ou com amigos”, completa.

O Presidente da Associação de Coaching também ressalta que, no meio deste reposicionamento da vida – e superação daquilo que parecia impossível de ser resolvido – ser uma mãe que sobreponha as barreiras não é algo fácil, mas é possível. “O coaching, por exemplo, procura identificar o que o cliente deseja, quais são os pensamentos limitantes para podermos ampliá-los e encontrar alternativas para chegar à meta desejada”, explica Villela. Segundo ele, é possível desenvolver os recursos emocionais e, ao longo das várias etapas do coaching resolver as necessidades de cada mulher em busca do serviço.

O preço varia de R$250 à R$750 por sessão individual, que costuma durar uma hora e meia e ser feita uma vez por semana e pode ser feito durante todo o processo de gestação. E claro, não é direcionado apenas para mulheres que estão divididas entre carreira e gravidez: “As pessoas que nos procuram o fazem por diversas razões, desde as que estão planejando a gravidez até as que estão a três meses de dar à luz”. Segundo Villela, existem também as que decidem que só irão ter o papel de mãe como foco e deixarão o emprego pela maternidade. O importante, no entanto, é saber que independentemente da decisão, uma solução pode ser encontrada.

Eu quero ter filhos e ele, não

Como resolver o conflito quando você quer ser mãe e ele não quer ser pai

Publicado no IG Delas em 09/06/2009

 

Foto: Getty Images

Quando o casal quer filhos já é difícil. Quando um dos dois não quer, tudo fica mais sacrificado. E como lidar com o seu desejo de ser mãe, se ele não vem acompanhado pelo desejo dele ser pai? Marina Vasconcellos, psicóloga especializada em terapia familiar e de casal pela Unifesp, diz que, em primeiro lugar, isso deveria ter sido conversado antes do casamento.

Antes de casar
O casamento envolve um projeto de vida em comum, e isso envolve ter ou não filhos. Faz parte conversar sobre isso antes, diz Marina ¿ que avisa para tomar cuidado com a ideia de que depois convencerá o homem. É uma questão muito séria. Ser pai é um compromisso, é uma mudança de estilo de vida. Se o homem deixou claro que ele não quer, é melhor repensar alguns pontos.

Claro que pode ser uma situação contornável. Mas fale sobre isso antes de firmar uma relação. Às vezes, ele só não quer filhos imediatamente. Quer quitar o apartamento, fazer uma poupança, curtir o casamento… Veja quais são os motivos dele e se a paternidade faz parte dos planos dele, mesmo que a longo prazo. Porém, com aquele que diz que, definitivamente, não quer, pense duas vezes antes de casar.

Depois de casar
Vocês já estão juntos e o conflito é atual. E agora? Marina alerta que convencer, em uma situação dessas, é difícil. Acho que a mulher tem três alternativas: passar a vida toda frustrada, aceitar que não vai ser mãe ou se separar, resume ela. Viver casada e frustrada significa estar eternamente insatisfeita. A mulher vai ficar culpando o marido, e sem razão; afinal, ela topou abrir mão da maternidade.

Caso você esteja decidida a ficar com aquele homem, mesmo sem filhos, deve aceitar, sinceramente, o fato de não engravidar. Ela pode investir mais na carreira, viajar junto com ele, ter um outro estilo de vida com o marido e viver bem melhor, afinal, sobra muito mais dinheiro para os dois. Mas, se você acha que é uma prioridade na sua vida, a psicóloga diz que não tem jeito. A separação é a saída.

Erro comum

Não são raras as mulheres que provocam uma gestação. E Marina avisa o que elas já deviam saber: isso não dá certo. Se a mulher deixa de tomar pílula e engravida, o homem se sente usado. É uma traição. Piora ainda mais a situação. Ela não pode fazer isso, condena a psicóloga. Pode até ser que ele seja conquistado pelo filho, mas se isso não acontecer, é muito ruim para a relação dos dois e para a criança.

Aconteceu comigo

Joana* conta que sempre quis ser mãe. E não de qualquer homem: o pai teria que ser o marido que ela tanto amava. Ele nunca quis ser pai. Mas eu forcei a barra e o convenci… No começo, ele ficou feliz. Mas não durou muito, conta a mulher de 36 anos. Hoje, ele é outro homem: grosseiro, mal humorado e vive jogando na minha cara que nunca quis ser pai. Não tem a mínima paciência com o nosso filho e, claro, o casamento virou uma droga.

Quem pensou diferente foi Silvia*, jovem de 27 anos que sonha em ter muitos filhos. Quero quatro, conta ela. E o antigo namorado não tinha a mínima intenção de realizar nem parte do seu sonho. A aversão dele por crianças me deixou desgostosa com a relação. Acho que não adianta se enganar… Por mais que eu gostasse dele, eu sabia que não poderia jamais ter uma família como eu sonhei, explica ela. Por isso, terminei tudo.

* Os nomes foram alterados a pedido das entrevistadas

 

O segundo casamento tem mais chance de dar certo?

Uniões depois do divórcio aumentaram no Brasil e psicólogos opinam sobre o sucesso desses relacionamentos

Publicado no IG Delas em 23/12/2010

Angelina Jolie e Brad Pitt já foram casados antes de engatar o romance. Atualmente vivem juntos e têm três filhos adotivos (Foto: Getty Images)

 Casais sobem ao altar esperando que o amor e o casamento sejam eternos. Se a intenção é das melhores, nem sempre o “felizes para sempre” acontece – ou pelo menos não com aquele parceiro. Depois do divórcio, muitas pessoas dão uma segunda chance ao casamento em um próximo relacionamento. No Brasil esse tipo de matrimônio está mais popular: as uniões em que um dos cônjuges é divorciado ou viúvo passaram de 10,6%, em 1999, para 17,6%, em 2009, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a terapeuta de casais Marina Vasconcellos, o segundo casamento tem mais chance de dar certo principalmente em função da maturidade dos cônjuges. “As pessoas estão mais certas do que querem, sabem a sua parcela de responsabilidade no relacionamento”, diz.

Expectativas mais realistas também são importantes para o sucesso do novo matrimônio. “As pessoas já sabem que casamento não é fácil, que é preciso aguentar o humor do outro, lidar com dinheiro”, explica a especialista.

O psicólogo Alexandre Bez também vê vantagens em um segundo casamento. “Quem entra nessa é pra dar certo, e tenta suprir deficiências da primeira relação”, aponta. Para ele, além de tentar não repetir erros anteriores, as pessoas que já estiveram em um relacionamento sério antes são, em geral, mais maduras e atentas aos próprios comportamentos.

A revisão das próprias atitudes pode ser estimulada pela dor da primeira separação. “O divórcio faz as pessoas reverem suas características emocionais e passos que não deram certo”, explica Alexandre. Mas nem todo mundo chega melhor na próxima união. “Tem gente casa quatro vezes e comete os mesmo erros. Aí não dá”, aponta Marina.

Os especialistas lembram que para o segundo, terceiro ou outro casamento funcionar é essencial que os parceiros estejam fortes e equilibrados para encarar um novo romance. “Não é tapa buraco”, alerta a terapeuta. Ficar um tempo sozinho e olhar para si mesmo é a recomendação principal antes de encarar o altar novamente. Além disso, é recomendável que o casal tenha planos e objetivos em comum e saiba acolher bem os eventuais filhos de uma união anterior. E Alexandre deixa o recado: “Príncipe e princesa só existe na Disney”.

Como se comportar ao conhecer a família do namorado

Publicado em Gloss

Conhecer os pais do namorado e/ou apresentar os seus a ele pode virar uma roubada. Veja dicas que podem salvar aquele almoço envergonhado de domingo. 

Foto: Reprodução

 
O psicólogo, psicoterapeuta e professor da PUC-SP Antonio Amador recomenda deixar todo mundo agir livremente. “Não faça exigências de que as pessoas se comportem de uma maneira ou de outra”, diz. “A espontaneidade é sempre a melhor saída. Movimentos falsos são sempre percebidos, ainda que intuitivamente.”

Se você namorou por muito tempo com um cara que “era como um filho” para os seus pais, nem tente empurrar um novo namorado porta adentro sem preparar muito bem o terreno. “Se a família se apegou ao ex, é preciso respeitar o tempo do luto dela. Seus pais e irmãos perderam a convivência com uma pessoa querida. Pode ficar parecendo que o novo namorado vai ocupar o lugar do anterior… O que de fato vai!”, explica Amador. Ir devagar, nesse caso, é bom para preservar seu novo amor de constrangimentos. 

A terapeuta familiar e de casais Marina Vasconcellos avalia que promover o conhecimento entre os pais e o namorado em um ambiente com outras pessoas pode ser uma boa estratégia para o encontro não se tornar um interrogatório. “Em um almoço com mais gente, é mais fácil fugir de conversas muito forçadas ou daquele climão de ‘Cuidado, você está sendo vigiado’”. 

Agora, o que fazer quando você já sabe que a família sofrerá um choque por existir preconceito relacionado a alguma característica do novo namorado, como diferenças étnicas, religiosas, sociais? O melhor, segundo Marina, é evitar o susto. Ela recomenda discutir a relação com os pais antes de partir para as apresentações. Antonio Amador ressalta ainda que, se nessa conversa a família se mostrar resistente, é melhor nem levar o namorado para ser destratado.

Foto: Reprodução

Regras de etiqueta para o encontro com os sogrões 

>> Planeje o look da ocasião, que deve ser básico e discreto. A menos que a reunião aconteça numa praia, não mostre demais o corpo. 
>> Início de namoro é um fogo só; portanto, contenha o impulso de se entregar aos beijinhos no sofá. Todo mundo, disfarçadamente ou não, estará reparando nas suas atitudes. 
>> “Sexy no último” é a derradeira coisa que uma mulher deve estar ao ser apresentada à família do namorado. É melhor vestir-se discretamente de forma a não aparecer nem de mais nem de menos.
>> Seja você mesma com uma dose extra de bom senso. Certos traços de personalidade, como mau humor e pavio curto, só devem ser mostrados a alguém com quem tenha intimidade. O que não é o caso aqui. 
>> Evite se envolver em polêmicas. Discutir nesse primeiro momento passa a impressão de que você é agressiva. Também não banque a superboazinha nem fique calada demais para que não a chamem (pelas costas, lógico!) de mosca-morta. 
>> Coma, menina! Esse não é um bom dia para dieta. E elogie a comida! Claro, se for alérgica ou tiver pavor do prato oferecido, recuse com educação.

 
 

Livro propõe aplicação de modelos econômicos na criação dos filhos

Publicado em Folha.com 17/05/2011

Se você disser que aplica teorias econômicas na criação de seus filhos, vão pensar que: a) você só pensa em dinheiro; b) você só está preocupado com o futuro financeiro de seus herdeiros; c) você é um visionário; d) você é um monstro.

O economista australiano Joshua Gans pode não se encaixar em nenhuma das alternativas acima, mas ele afirma que usar o pensamento econômico para criar os filhos é uma forma inteligente de resolver conflitos, além de gerar benefícios aos pais e às crianças.

“Tem gente contra o sistema de incentivos”, diz economista

Adriano Vizoni/Folhapress

Não se trata de grana. Deixando de lado questões claramente econômicas, como calcular preços de fraldas ou mensalidades escolares, ele aplicou, com seus três filhos, estratégias originalmente usadas em negociações político-financeiras para resolver desde questões prosaicas (ensinar a usar o penico) até altruístas (o que fazer para que os filhos se tornem pessoas independentes).

BENEFÍCIOS

As tentativas de ser um bom economista e um bom pai (alguns sucessos, muitos fracassos) já renderam a Gans benefícios de curto e médio prazo.

Ele começou imediatamente a usar os exemplos domésticos para ilustrar suas lições de teoria econômica a alunos de MBA. Fez sucesso. As histórias da vida real deixaram as aulas mais animadas, os alunos mais interessados e os conceitos mais claros.

Gans então criou uma “marca” para essa sua proposta educativa. “Parentonomics”, que junta pais (“parents”) com economia (“economics”) e remete ao modelo dos “Freakonomics” “”outro termo de sucesso e nome de um livro que já vendeu mais de 4 milhões de exemplares.

Em “Freakonomics”, o economista norte-americano Steven Levitt mostra como aplicar princípios econômicos a situações da vida cotidiana, além de colocar em dúvida verdades preestabelecidas sobre temas tão variados e polêmicos quanto corrupção e aborto.

Não é preciso ser um especialista em mercado de futuros para descobrir que, no médio prazo, as aplicações de Gans também renderam um livro.

Hoje, os filhos do economista estão com 12, dez e seis anos. Resta saber se os benefícios de longo prazo, que são os que realmente importam, virão. Ou se faz sentido pensar em “educação de resultados” ou nos “lucros embutidos” das atitudes que tomamos em relação às crianças.

O economista Bernardo Guimarães, autor de “Economia Sem Truques” (ed. Campus-Elsevier), diz que para educar filhos é preciso duas coisas: definir objetivos e o que é preciso fazer para alcançá-los. “A economia ajuda muito pouco no primeiro quesito, mas pode ser um excelente instrumento na segunda parte da questão.”

As grandes ferramentas oferecidas por Gans são os incentivos e as negociações. Mas a maioria dos pais e das mães já vive fazendo isso, mesmo que eles não entendam nada de economia.

“Muitas das coisas que educadores falam podem ser traduzidas por termos usados na economia. O que a teoria econômica te dá é um arcabouço para pensar nessas coisas, tentar entender por que algumas escolhas são feitas e as reações que provocam”, diz Guimarães.

Marcos Fernandes, professor da Escola de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas) de São Paulo, afirma que é possível tirar lições das estratégias usadas em empresas ou relações internacionais para usar na educação.

MENOR CUSTO

“É politicamente incorreto dizer isso, mas você pode usar modelos [econômicos] para criar os seus filhos com o menor custo para ambas as partes”, diz Fernandes.

O modelo proposto por Gans é a teoria dos jogos, estudo das interações estratégicas para a tomada de decisões que tragam menos custos e mais benefícios aos envolvidos.

Segundo Fernandes, essa teoria funciona com os filhos e pode ajudar os pais a encontrar um caminho entre as duas estratégias educacionais debatidas hoje: a autoritária e a igualitária.

O professor da FGV é pai de um garoto de 16 e de uma menina de 11 anos. “Aprendi a não deixar meu lado emocional me dominar na hora de educá-los, para pode aplicar a teoria dos jogos nas negociações que faço com eles.”

Para o autor de “Parentonomics”, é o fator emocional que atrapalha a tomada de decisões eficientes na educação dos filhos.

Ele tenta convencer os pais sobre a sua teoria mostrando as recompensas colhidas a partir dessa maneira de agir (os tais dos incentivos).

Por exemplo: o custo emocional de deixar um bebê chorar por algum tempo no berço, porque ele não quer dormir, pode ser eliminado se você o pegar imediatamente no colo. O custo futuro dessa atitude é que será cada vez mais difícil acostumá-lo a dormir sozinho. Nada que “Super Nanny” e qualquer mãe de bom-senso não endossariam.

“Pensar nos benefícios a longo prazo ajuda a separar a parte emocional e recuperar o bom-senso. E o sono perdido”, diz Gans.

Da manga do economista também saem estratégias para conseguir que os filhos adotem hábitos desejados (por exemplo, comer verduras) em troca de incentivos bem dosados (comer doces), sem inflacionar a oferta de guloseimas.

A importância dos incentivos não é novidade para educadores, mas, ao contrário do que acontece nas negociações econômicas, não é a base do negócio.

“Na criação dos filhos, a base é o afeto, o reconhecimento da criança, o acolhimento. As recompensas e punições vêm a partir e por causa disso”, diz a psicóloga e terapeuta de família Marina Vasconcellos, da Unifesp.

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PEDAGOGIA DE RESULTADOS
Como a teoria econômica é aplicada na educação dos filhos

EQUILÍBRIO COMPETITIVO

O que é
Se não há confiança, não há cooperação, e cada parte usa as respostas ou reações da outra para buscar o melhor resultado

Como se aplica
O bebê quer atenção e chora quando é colocado para dormir. Os gritos são uma oferta: “Eu paro de gritar se vocês me derem atenção”

JOGOS COM REPETIÇÃO

O que é
A mesma interação estratégica se repete ao longo do tempo

Como se aplica
O bebê no berço quer atenção, mas os pais percebem que o custo desse tipo de choro para a criança (a exaustão) implica que ela só vai continuar chorando enquanto tiver motivos para achar que vai funcionar

NEGOCIAÇÃO

O que é
Oferecer benefícios à outra parte que compensem algum custo que ela terá

Como se aplica
Os pais sinalizam que deixarão a criança comer algumas “bobagens” em troca de uma alimentação saudável na maior parte do tempo

EQUILÍBRIO COOPERATIVO

O que é
As pessoas se juntam para atingir o objetivo de forma a aumentar os benefícios para todos

Como se aplica
A negociação ‘verduras x doces’ leva a um equilíbrio cooperativo: a situação é boa para a criança, porque ela se alimenta bem e tem direito a suas guloseimas, e é boa para os pais, porque evita desgaste e eles conseguem garantir uma alimentação adequada

INCENTIVOS

O que é
Não são necessariamente monetários, mas as motivações suficientes para as pessoas fazerem algo que, aparentemente, não lhes trará nenhum benefício imediato

Como se aplica
Para um bebê, não há vantagem em trocar a fralda pelo penico, mas ele pode achar a troca interessante se receber aprovação carinhosa dos pais sempre que usar o banheiro

Cinco fatos sobre irmãos

Entenda como o relacionamento entre irmãos, seja ele bom ou ruim, influencia na formação da personalidade das crianças

Publicado no iG Delas em 05/11/2011

 

Pesquisas realizadas nos últimos anos evidenciaram o que caracteriza e revela a dinâmica entre aqueles que são e têm irmãos, além dos genes em comum. Se os seus filhos vivem se atormentando, saiba que até as briguinhas entre eles têm efeitos positivos: o conflito entre irmãos amplia as habilidades sociais e ajuda no desenvolvimento emocional.

 

Jeffrey Kluger é autor de “The Siblings Effect: Brothers, Sisters and the Bonds that Define Us” (“O efeito dos irmãos: irmãos, irmãs e os vínculos que nos definem”, em tradução literal). De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, o livro inova ao propor o relacionamento entre irmãos como um fator primário para a formação da personalidade de todos aqueles obrigados a dividir algumas coisas na vida em família – do último pedaço de bolo de chocolate ao brinquedo preferido. Antes, os principais focos das pesquisas sobre os fatores determinantes da personalidade giravam em torno dos pais, do DNA e de fatores socioeconômicos.

“Nossos cônjuges chegam comparativamente tarde em nossas vidas; nossos pais eventualmente nos deixam. Nossos irmãos podem ser as únicas pessoas que realmente se qualificam como parceiros para a vida”, escreveu Kluger. Por isso, separamos cinco fatos sobre a experiência de ter irmãos. Conheça-os abaixo e saiba o que especialistas dizem a respeito.

1. Manter um relacionamento próximo com os irmãos faz bem à saúde

Uma pesquisa da Universidade de Harvard com homens na terceira idade constatou que, dentre os 173 participantes, ter tido uma proximidade com os irmãos na época de faculdade estava intensamente ligado à boa saúde emocional.

De acordo com Ivete Gattás, psiquiatra da infância e adolescência da Unifesp, ter relações de confiança e segurança no início da vida e na fase adulta é mesmo um fator de proteção para possíveis transtornos mentais. Mas isso não precisa acontecer somente entre irmãos. “Pode ser com um amigo muito íntimo ou um parente, desde que haja uma relação estreita”, diz.

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em terapia familiar e de casal, um irmão pode servir para dividir tudo o que for necessário: de conquistas a problemas. “Em determinada fase da vida, os filhos precisam cuidar dos pais. Se você não tem irmãos, acaba ficando tudo em cima de uma pessoa só”, diz. No futuro, o apoio de um irmão também pode tornar a perda dos pais menos dura. Há coisas, afinal, que só os irmãos podem entender – e, por terem vivido tanto juntos, podem compartilhar a mesma dor.

 

2. Irmãos mais velhos são tão influentes quanto os pais

Segundo a pesquisadora Laurie Krammer, professora de Estudos Aplicados da Família da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, os irmãos menores podem sofrer uma influência considerável dos mais velhos que, em muitos casos, têm um papel de “agentes da socialização”. São eles, portanto, que irão influenciar o comportamento do pequeno nas situações fora de casa, como na escola ou com os amigos.

Para Ivete Gattás, os mais velhos realmente irão servir de modelo para os mais novos quando os pais não estão. Por outro lado, para Marina Vasconcellos, tudo depende de como eles se dão. “Se um irmão mais novo vai a uma festa com o mais velho, eles podem tanto ser cúmplices um do outro como podem ir a contragosto”, comenta.

3. Irmãos são antídoto para a solidão

Após manter contato com 395 famílias com mais de um filho, a professora e pesquisadora Laura Padilla-Walker, da Universidade Brigham Young, em Utah, constatou que ser próximo a um irmão ou irmã, além de promover generosidade e gentileza nas atitudes de uma criança, pode também servir de proteção para sentimentos como medo e solidão durante a adolescência. As meninas, especificamente, possuem um papel mais forte nesta hora, por tenderem a ser mais comunicativas que os meninos.

Ivete Gattás faz uma ressalva e alerta os pais que, às vezes, alimentam a competição e a rivalidade entre os filhos, mesmo sem querer, destruindo este laço e o apoio possível. “Essa relação irá depender da personalidade de cada um e de como os pais organizam a relação entre os filhos”, diz.

 

4. A rivalidade e as brigas entre irmãos podem ter, sim, pontos positivos

Um estudo da Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos, examinou durante cinco anos o desenvolvimento cognitivo e social de 140 crianças entre dois e seis anos. As descobertas foram parar no livro “Social Understading and Social Lives” (“Compreensão social e vidas sociais”, na tradução literal), da pesquisadora Claire Hughes, do centro de pesquisas familiares da mesma Universidade. O que mais chamou foi o quanto ter irmãos pode ter um efeito positivo no desenvolvimento de uma criança, mesmo se a relação entre eles não for tão cordial.

“Na visão tradicional, ter um irmão ou irmã leva uma criança a competir pela atenção e amor dos pais. No entanto, nossas evidências sugerem que a compreensão social das crianças pode acontecer mais rapidamente por causa da interação com os irmãos”, afirma Claire no site da Universidade. Quando a convivência entre irmãos leva à aquisição de repertório sobre como lidar com conflitos e fazer acordos, ela pode ser bastante construtiva.

Segundo a pesquisa, mesmo quando a rivalidade entre as crianças se manifestava em provocações frequentes, constatou-se que os mais novos passaram a ter uma maior compreensão social ao longo dos anos e se tornaram capazes de conversar sobre seus sentimentos quase de igual para igual com os mais velhos.

 

5. A ordem de nascimento pode influenciar a personalidade

O psicólogo Kevin Leman afirmou, no livro “The Birth Order Book” (“Livro da Ordem de Nascimento”, na tradução literal), que a ordem de chegada na família afeta a personalidade de uma pessoa que tenha irmãos – e até mesmo as que não têm. Mas de acordo com Marina Vasconcellos, tudo dependerá dos pais e da expectativa que colocam no filho desde que nasceu.

Segundo Ivete Gattás, a influência pode simplesmente surgir pelo fato de cada irmão nascer em diferentes épocas emocionais ou econômicas dos pais. “Não acredito que tenha tanto a ver com a ordem, mas sim, com como os pais estão naquele momento. Quando se tem um primeiro filho, há muita expectativa e insegurança. Quando chega o segundo, você está mais tranquilo”.

A especialista acredita que há mais especulação do que ciência ao redor dessa premissa, mas o comportamento dos pais diante de um ou outro filho pode naturalmente colaborar para que um seja mais independente e o outro, mais exigente consigo mesmo.

 

Longe de ser educativo, tapinha causa dor física e emocional

Além de machucar, as palmadas em crianças podem gerar adultos agressivos

Publicado em 21/10/2009 no www.minhavida.com.br

 

 

O tapinha está enraizado em nossa cultura, é o que provou a pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (26) . De acordo com os dados levantados, 54% dos brasileiros são contrários ao projeto de lei que veta palmadas, beliscões e castigos físicos em crianças.

Dos 10.905 entrevistados, apenas 36% se mostraram favoráveis à proposta do presidente Lula. Isso porque a maioria dos brasileiros (72%) já apanhou dos pais, já bateu nos filhos e pensa que o método não faz mal nenhum e é um auxílio na hora de educar a criança. O resultado da pesquisa vai contra a ideia defendida pelo governo e por ONG’s de que “conversar é sempre melhor que bater”.

Entendendo o projeto
O presidente Lula assinou na última semana um projeto de lei para proibir a prática de castigos físicos em crianças e adolescentes. A resolução foi feita em comemoração aos vinte anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que já instituía punição contra “maus tratos”, mas não especificava os tipos de castigo que não podem ser usados por pais, mães e responsáveis.

Se a lei for aprovada, tapas, beliscões, puxões de orelha e outros tipos de castigos físicos poderão ser denunciados por pessoas que convivem com a família, como vizinhos e parentes, ao conselho tutelar. E as punições são as mesmas já previstas no ECA para pais e cuidadores, que vão desde encaminhamento a tratamentos psicológicos até advertência e possível perda da guarda.

Com isso, o governo deseja acabar com a banalização da violência dentro de casa, onde palmadas podem evoluir para surras, queimaduras, fraturas e até ameaças de morte. A medida é polêmica, mas vem ao encontro das tendências mundiais, já que atualmente mais de 25 países, entre eles Suíça, Áustria e Alemanha, apresentam políticas que visam coibir essa prática. Na América do Sul, apenas o Uruguai e a Venezuela adotaram lei semelhante.

Bater nunca é solução

Os especialistas em educação infantil já condenam há muito tempo, mas o famoso tapinha ainda é usado como método de ensino por pais que acreditam que esta seja uma maneira eficiente de impor respeito e educar.

O problema são os prejuízos físicos e afetivos que a atitude provoca aos pimpolhos. “O que é um tapinha para um adulto, não é para uma criança, bater nunca é a solução”, explica a psicóloga Maria Amélia Azevedo, que conduziu um estudo pelo Instituto de psicologia da USP, em conjunto com a psicóloga Viviane Nogueira de Azevedo Guerra , relatando os efeitos negativos do tapinha e explicam que seu uso é uma questão cultural.

A pesquisa, que originou o livro Mania de Bater – A Punição Corporal Doméstica de Crianças e Adolescentes no Brasil concluiu que das 894 crianças entrevistadas, mais da metade revelou ter levado ao menos um tapinha em casa e, na maioria dos casos, foram as mães as responsáveis pela palmada. “As crianças sentem dor física e psicológica. Muitas das crianças avaliadas se mostraram revoltadas com os pais que, para elas, tinham se esquecido de que já foram crianças um dia”, explica Viviane de Azevedo.

 

Tapinha dói sim
A dor sentida pela criança quando ela leva uma palmada não é apenas física. As palmadas costumam ferir os sentimentos da meninada, que não entende a razão de ter apanhado. Para elas, o que fica da lição é a violência como forma de punição.

“A criança não deve ser punida fisicamente. Deve ser educada. Se ela cresce sendo repreendida com violência, vai ser violenta também. Educação é antes de tudo, repetição”, explica a terapeuta de casal e família  Marina Vasconcellos. “Os pais ficam chocados quando chegam reclamações da escola sobre o comportamento agressivo dos filhos, mas basta ver que a reação é um dos efeitos da violência do tapinha usado por eles para educar.”

A secretária Juliana Martins, mãe de Beatriz, 6 anos, conta que nunca havia dado palmadas na filha por achar que não era uma boa forma de educar, porém, um dia, de cabeça quente, a secretária deu um tapinha em Bia, que reagiu chorando muito. Desesperada por achar que tinha machucado a filha, Juliana perguntou o que houve, e a menina disse que doía mais no coração. “Nunca mais encostei um dedo nela. Até hoje me lembro dela falando com lágrimas nos olhos. Depois disso, percebi que conversar é sempre a melhor opção”, conta a mãe.

Postura firme
Marina Vasconcellos explica que, muitas vezes, voz e postura firmes são suficientes para repreender os pimpolhos e que apontar os motivos da bronca é fundamental para que o processo de educação seja efetivo. “Não adianta colocar de castigo ou gritar. Se você não mostra o erro, nada irá funcionar, além do mais, a criança aprende o que é ensinado a ela. Se ensinar conversa, ela aprenderá conversa. Se ensinar com tapas, pode receber tapas em troca um dia”, alerta a terapeuta.

Além disso, os pimpolhos podem encarar a punição à base de tapas como um caminho para confrontar os pais e, o método, que tinha como objetivo educar, acaba provocando o efeito contrário: “Como o tapa nunca vem seguido de explicações, desperta birra na criança, que vai cometer o mesmo erro para ver até onde os pais aguentam. Vira uma espécie de desafio”, explica Marina. “Uma boa opção para o problema é nunca sair do eixo, assim, seus filhos não vão te testar, porque sabem que você perde o equilíbrio diante das travessuras deles”, continua.

De acordo com a idade
Conversar com uma criança de dois anos não é a mesma coisa do que conversar com uma de 6 anos. Crianças muito pequenas entendem que estão sendo repreendidas, mas não conseguem perceber os motivos da bronca, por isso, Marina recomenda a paciência e a mudança de hábitos dos pais. “Tente mostrar por meio de atitudes o que está tentando explicar com palavras. Se ela não deve brincar na tomada, tire-a de lá e diga que não pode. Se ela bagunçou o brinquedo, tire-o dela e mostre onde ele deve ser colocado. Elas aprendem pela memória visual e pela repetição, falar não vai adiantar”, explica a terapeuta.

 

Linguagem do afeto é ensinada com atitudes e não com violência

O amor entre pais e filhos se dá na base da construção. São carinhos, brincadeiras, cuidados e até broncas que alimentam estes laços de afetividade. Quando a criança recebe palmadas como punição, aprende que dar palmadas também é bom e começa a construir laços agressivos.

“Se os pais batem, ela aprende que bater é legal. Se os pais punem com violência, ela vai sempre achar que desejos devem ser punidos e pode se tornar um adulto reprimido e até tímido”, explica a terapeuta.

 

Hábito que se repete
Sabe aquele velho ditado “Os filhos são espelhos dos pais?” Segundo a terapeuta de casal e família, Marina Vasconcellos, quando uma criança cresce levando palmadas, pode usar o mesmo método com seus filhos no futuro, gerando um círculo vicioso: “A criança pode até achar ruim quando leva a palmada, mas quando ela cresce passa a achar natural, afinal, seus pais não iriam fazer nada de mal contra ela e, dessa forma, acaba repassando estes valores para os filhos. É pura repetição”, finaliza Marina.

 

Alternativas

– Demonstre. Se a criança for pequena, tire dela o objeto ou a afaste da situação perigosa dizendo que não pode. Ela irá entender que não pode fazer aquilo.

– Mostre a sua autoridade. Pulso firme e voz ativa podem ajudar na hora de educar sem causar danos emocionais e físicos. “A criança já se intimida com o tom de voz”, diz a  terapeuta.

– Converse sempre. “Quando compreendemos nossos erros, evitamos sua repetição. Uma criança que deixa de fazer algo por repressão, mas não por um ato educativo, não aprende, apenas acumula reforços negativos e revolta”, continua a especialista.

– Jogos educativos e brincadeiras podem ajudar a educar sem precisar apelar para o tapinha. Segundo Marina Vasconcellos, os jogos são grandes aliados da educação didática. Com eles, os pais podem ensinar limites e explicar erros brincando.

 

Carnaval dos pequenos foliões pede supervisão dos adultos

A escolha da fantasia e até das brincadeiras garantem uma festa segura para as crianças

Publicado no yahoo.minhavida.com.br

 

 

No carnaval, há espaço para públicos de todas as idades curtirem a folia. Seja viajando, em micaretas ou nas festas, as crianças e pré-adolescentes também entram no ritmo da diversão. Muitas festas atendem esta faixa etária, mas os cuidados dos pais não podem ser deixados de lado. Uma das grandes dúvidas que surge é a decisão de deixar os filhos irem sozinhos aos bailes.

De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, as crianças não devem frequentar as festas de carnaval sem o acompanhamento de um adulto, que se responsabilize por elas. O motivo é a preocupação com a segurança, além do consumo de bebidas alcoólicas, energéticos e drogas. “Em vez de proibir o consumo sem dar explicações, os pais devem explicar aos filhos quais são as consequências do vício e os perigos causados por estas substâncias”, explica Marina. “Mas a medida só eficaz se o jovem já tiver idade para compreender o que está sendo dito”.

Fantasia tem idade
Muitos bailes de carnaval costumam ser à fantasia. E a escolha da roupa dos pequenos pede atenção dos adultos. A fantasia infantil ideal é aquela que não expõem demais o corpo da criança e nem tem uma conotação adulta. “Sensualizar a criança é desnecessário e prejudicial, porque ela nem tem consciência do que é isso.

As fantasias realmente infantis dão conta da diversão sem oferecer riscos ao comportamento futuro”, diz Marina. O limite de idade das festas também deve ser observado: crianças de cinco anos não devem, por exemplo, estarem na mesma festa que pré-adolescentes, sem que adultos responsáveis estejam presentes.

 

 

Sem excessos
Além disso, a audição infantil é bastante sensível e pode sair prejudicada se houver exposição inadequada ao som alto. “O ideal é que a criança faça intervalos longe do barulho durante a festa”, explica o pediatra Renato Lopes de Souza.

A exposição excessiva a volumes elevados pode trazer consequências graves como a perda parcial da audição, zumbidos momentâneos ou irreversíveis ou perda auditiva lenta ocasionada por ruídos. “Ficar perto da caixa de som ou levar um tapa no ouvido pode causar traumas e, em casos extremos, levar a perda da audição.”

Já para aqueles que se expõem ao barulho, mas em uma intensidade não tão grave, o risco é de sofrer com a chamada Perda de Audição Induzida por Ruído (PAIR), em que há uma perda contínua e lenta”, explica o otorrinolaringologista Luciano Neves, da Unifesp . Outra possibilidade, segundo Luciano, é o tão conhecido zumbido no ouvido, que de acordo com o tempo de exposição e a intensidade do barulho, pode ser irreversível.

A reposição de líquidos deve também ser frequente, bem como a alimentação (que precisa ser leve, sem alimentos gordurosos). Nas festas em locais abertos, o protetor solar deve ser convidado especial e, reaplicado, no mínimo, a cada três horas. O ideal é que a criança não seja exposta de maneira alguma no horário das 10h30 às 14h30, período em que o sol é intenso.

Brincadeiras e brinquedos
Algumas brincadeiras típicas também devem ser alvo de atenção. Nas festinhas, é comum serem oferecidas as maquiagens faciais artísticas com desenhos de personagens e bichos, que atraem os pequenos. Não custa perguntar ao maquiador se o produto é apropriado e antialérgico e, caso a criança apresente qualquer sinal de sensibilidade, o rosto deve ser lavado imediatamente com água e sabonete neutro. Brinquedos como sprays de espuma, não podem ficar próximos às crianças muito pequenas, que podem ingerir a substância acidentalmente. Outro alerta vai para o ato de jogar confete e serpentina na boca um dos outros. São produtos que contêm tinta e podem ser tóxicos, além de sufocarem.

Nenhum cuidado deve ser descartado. São pequenas atitudes que garantem aos pais e filhos um carnaval com diversão e segurança. Parece exagero, mas identificar a criança com um crachá – que tenha nome, endereço, telefone de contato e tipo sanguíneo (se os pais souberem) – pode significar uma preocupação a menos para os pais. Estar atento a automóveis e aproximação de estranhos é fundamental.