10 sintomas físicos do estresse

Publicado no site Minha Vida, 03.11.16

O corpo pode dar sinais de que o seu psicológico está sobrecarregado. Queda de cabelo, problemas estomacais e alergias são indícios

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O corpo pode mostrar se algo está errado com o seu psicológico. Veja como o estresse pode se manifestar fisicamente

Uma pessoa que está passando por um alto nível de estresse é, geralmente, conhecida por sua irritabilidade, nervosismo ou desequilíbrio emocional. Porém, quem vive na pele as consequências desse problema pode notar alguns sintomas que vão além dos aspectos comportamentais, afetando a pessoa fisicamente.

“Aquilo que não conseguimos lidar emocionalmente acaba sendo descarregado no corpo, se expressando através de sintomas físicos”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos. Separações, dificuldades financeiras, pressão no trabalho, luto e a rotina desgastante podem acarretar em um quadro de alto estresse. Abaixo, conheça alguns dos sinais que o corpo apresenta nessas situações:

1. Dificuldade para dormir

O estresse em excesso é capaz de atrapalhar e muito o sono, pois a pessoa não consegue parar de pensar em seus problemas. “Determinados acontecimentos podem ser facilmente vividos e elaborados por alguns, mas não por outros, que não conseguem encarar a questão”, afirma Marina. Isso só traz sofrimento e transtornos para a pessoa.

2. Queda de cabelo em excesso

Notar um aumento na queda do cabelo pode ser um indicativo do estresse, mas tudo deve ser analisado de perto por um profissional. “Os sintomas, isoladamente ou somados, ajudam a avaliar se a pessoa estaria vivendo o estresse”, diz o mestre em psicologia Marcello Accetta, professor de psicologia do Centro Universitário Augusto Motta.

3. Cansaço demasiado

“O estresse obriga a pessoa a parar e olhar para a vida, rever seu ritmo, analisar o que pode e deve ser mudado, aprender a relaxar e se cuidar”, destaca Marina. Quando as noites de sono não são mais suficientes para acabar com o cansaço, algo pode estar errado.

5. Gastrite e úlceras

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Momentos de estresse elevam os danos causados à parede do estômago, podendo gerar casos de gastrite e úlceras. Marcello alerta que, quanto maior o tempo que a pessoa permanecer convivendo com os sintomas físicos do estresse, mais o problema se agravará, então nenhum sinal deve ser ignorado.

6.Tensão muscular

“Exercícios físicos regulares ajudam bastante a descarregar as tensões, assim como a prática da meditação. Tente estabelecer limite de horas para trabalhar diariamente”, destaca a psicóloga. A tensão também pode se manifestar na mandíbula, fazendo a pessoa até ranger os dentes durante a noite.

7. Imunidade baixa

Quadros de estresse intenso podem baixar significativamente a imunidade, acarretando em diversas doenças. O tratamento, porém, pode estar diretamente ligado à rotina que a pessoa leva, de acordo com Marina: “Se a pessoa conseguir mudar seu estilo de vida estressante e cuidar mais de si, estará se tratando adequadamente”.

8. Dores de cabeça

Apesar de ser algo considerado “comum”, a dor de cabeça não deve ser subestimada. “O estresse está diretamente ligado com a forma como nos relacionamos com nossos objetivos, sonhos, atividades diárias e nosso nível de satisfação com tudo isso”, lembra o especialista.

9. Mudanças de apetite

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“Nossas emoções, nossos sentimentos, bons ou ruins, sempre se manifestam através do nosso corpo”, diz o psicólogo Marcello Accetta

Tanto o aumento, quanto a diminuição significativa do apetite, repentinamente, podem indicar que algo está errado. “Ao diagnosticar um paciente com estresse, o mais importante na clínica psicológica é poder compreender como o momento que essa pessoa está vivendo”, aponta Marcello.

10. Tonturas

Ficar sob situações extremamente estressantes pode gerar uma certa tontura, por causa da irritação no labirinto, órgão na área interna do ouvido. “Esse tipo de situação ocorre quando o corpo se manifesta para ‘lembrar’ ou ‘avisar’ que algo não está bem e precisa ser checado”, ressalta Marina Vasconcellos.

Você é uma pessoa muito temperamental? Descubra

Publicado pela redação do Doutíssima, 13.02.16

Você é uma pessoa muito temperamental? Descubra

Todos nós enfrentamos diariamente situações que nos afetam emocionalmente. Mas nem todos reagem de maneira semelhante. Há pessoas mais e outras menos estáveis diante dos desafios da rotina. Dentro desses níveis, quem tem alterações de humor constantes e apresenta um comportamento imprevisível é apontado como temperamental.

“Se a pessoa muda de humor frequentemente, há algo de errado. Em primeiro lugar, é preciso procurar o médico para uma checagem hormonal, verificar a tireoide ou outras possíveis causas orgânicas que provocam desequilíbrio emocional constante”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos. Também é possível buscar auxílio com um psicoterapeuta.

A partir de uma avaliação psicológica é possível detectar se o sintoma tem ligação com o estilo de vida que a pessoa leva, com frustrações e dificuldades que esteja passando ou se é algo mais grave como transtornos psiquiátricos.

E você, se considera uma pessoa temperamental? Faça o teste e descubra!

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Divida tarefas e some prazer

Publicado em VivaMais (uol), 22.12.16.

Ciência atesta: casal que compartilha as obrigações domésticas de igual para igual é mais feliz no sexo

Marília Medrado

Dividir o dia a dia doméstico com o parceiro faz um bem danado para a vida sexual. Segundo recente estudo da Universidade de Alberta, no Canadá, homens que contribuem de forma justa com os cuidados da casa se sentem mais satisfeitos com a quantidade e qualidade de transas. Está a fim de fazer disso uma realidade na sua casa também? Então, vamos lá!

NA PRÁTICA

Se está saturada de fazer tudo no seu lar, a solução passa por uma conversa franca. Fale com o gato quando estiverem com tempo para iniciar e terminar o papo. “Comece dizendo que se sente cansada e sobrecarregada e que está precisando da ajuda dele”, orienta a terapeuta de casais Marina Vasconcellos. Argumente com calma, sem acusações ou xingamentos, certo?!

Na hora de negociar os afazeres que cada um ficará responsável, leve em conta as aptidões. Ele adora cozinhar e você não se importa em lavar as louças? Bingo! Além disso, vocês devem considerar a carga horária no trabalho. “Nada impede que quem trabalha menos horas se responsabilize por mais atividades na casa.” Se for necessário, fixe uma lista com as tarefas de cada um na geladeira.

SEJA FLEXÍVEL

Às vezes, um de vocês pode ter um dia daqueles… E limpar a casa é a última coisa que se quer. Ter compreensão neste momento mostra sensibilidade e companheirismo pelo sentimento do outro.

Se a divisão de tarefas começar a desandar, volte a conversar com o parceiro. Vejam por que o acordo não está funcionando e combinem como reverter a situação.

REFORÇO POSITIVO

Todo mundo gosta de receber um elogio. Portanto, dizer que a comida dele ficou muito gostosa ou que o banheiro está cheiroso, por exemplo, ajuda o trato a vingar!

O QUE DIZEM OS ESTUDOS

Pesquisa feita pela Universidade Estadual da Georgia (EUA) também mostrou que casais que dividem de maneira equilibrada afazeres domésticos e o cuidado dos filhos têm uma vida sexual melhor. É fácil de entender a explicação: “Hoje, a mulher trabalha fora até mais horas do que o homem. Chegar e ainda precisa cuidar da casa a faz se sentir sobrecarregada e irritada“, diz Marina. Aí não há tesão que resista! Quando o companheiro divide tarefas, mostra parceria. A admiração e o carinho pelo gato crescem e, bom, o fim dessa história você já sabe qual é…

Compulsão por compras pode ser doença e necessita tratamento

Publicado no ID – med (Terra) em 25/09/2013

Você conhece algum amigo ou tem algum parente que é muito consumista e compra, compra, compra sem parar? Saiba que isso pode ser uma doença.

Você conhece algum amigo ou tem algum parente que é muito consumista e compra, compra, compra sem parar? Saiba que isso pode ser uma doença.

A psicóloga Marina Vasconcellos explica que acompulsão por compras faz parte do quadro de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), no qual a pessoa é dominada pela obsessão por algo, no caso a necessidade de comprar, achando que se o fizer sentir-se-á melhor. “O ritual de comprar elimina momentaneamente a preocupação e dá à pessoa a falsa sensação de alívio, pois é temporário, já que logo após tê-lo feito bate o arrependimento e a culpa por ter gastado mais do que deveria”, diz a psicóloga.

Muitos compradores compulsivos se passam por “consumistas”, quando podem gastar sem problemas por terem boas condições financeiras. A diferença está na necessidade que o compulsivo tem de realizar a compra: enquanto ele não compra algo para si ou mesmo para dar de presente a alguém, seus pensamentos se concentram nisso, fica obsessivamente pensando em como e quando fazê-lo. Sua tensão só aumenta enquanto não realiza o ato. O racional e o bom senso são totalmente esquecidos: ele não pensa se tem dinheiro para bancar sua compra, se está fazendo dívidas e como vai pagá-las, se realmente precisa daquilo naquele momento.

E como saber se você é um compulsivo ou apenas um pouco consumista? A psicóloga diz que uma dica é olhar o seu armário: quando você vir que está guardando coisas demais, muitas vezes sem nem usá-las (há pessoas que compram e deixam na caixa guardado, nem sequer se dando ao trabalho de desembalar), isso pode ser um sinal. Outros sinais são: gastar tudo o que ganha e, ainda mais, acumulando dívidas enormes e perdendo o controle sobre elas; sentir-se mal quando não consegue comprar algo imediatamente, não tendo controle sobre seus desejos e impulsos consumistas; quando adquire coisas que não precisa, apenas pela necessidade de realizar a compra e sentir-se melhor (qualquer estresse passado vai logo se refugiar nas compras como um remédio, como o viciado que procura a droga).

A psicóloga explica que a pessoa geralmente nega o problema, achando que compra porque gosta e precisa daquilo, por falta de orientação ou conhecimento de que isso é uma doença. “Elas podem até sofrer com o problema, mas não procuram ajuda por vergonha do julgamento alheio e por acharem que conseguirão se controlar diante da próxima tentação. Assim, seguem anos a fio lutando sozinhos contra seus impulsos, sem sucesso”, diz a psicóloga.

Muitas vezes essas pessoas são confrontadas quando alguém da família descobre as dívidas por acaso, vendo fatura de cartão de crédito estourada, cobrança de bancos, ou mesmo presenciando a recusa do cartão de crédito numa compra junto com a pessoa, onde é barrado por ter ultrapassado o limite. Se a pessoa convive com alguém próximo, acaba denunciando sua doença por falta de espaço físico para guardar suas compras, que não param de acontecer. “Aí é o caso de mostrar que isso é uma doença e que, como tal, deve ser tratada, ou seja, ela sozinha não conseguirá vencer o problema, e necessita da ajuda de um profissional especializado”, explica Marina.

E como tratar? Segundo Marina, uma das formas é a psicoterapia, em que se busca a causa da ansiedade que leva a pessoa às compras incontroláveis. É preciso entender o que a incomoda, sua dinâmica de funcionamento que a faz reagir dessa forma aos problemas, e buscar o autocontrole. Muitas vezes a medicação é necessária para conter a compulsão, paralelamente à psicoterapia. Grupos de Compradores Compulsivos também podem ajudar a lidar com o problema, na medida em que as pessoas que sofrem com a mesma doença dividem suas angústias e conquistas com os outros, incentivando uns aos outros a seguir adiante com o tratamento.

De acordo com a psicóloga, num primeiro momento, atitudes práticas e simples devem ser tomadas, como:

– Proibir a pessoa de andar com cheques e cartões de crédito.

– Fazer com que a pessoa aprenda a ter noção do dinheiro e com que ela ande somente com uma quantia previamente determinada na carteira.

– Quando faz compras exageradas, deve ser orientada a devolvê-las caso estejam dentro do prazo permitido.

– Assim que se perceber numa situação onde o impulso é comprar, pare e se faça a pergunta: “Eu realmente preciso disso neste momento? O que farei com isso? O que acontecerá comigo se não adquirir esse objeto agora?”. Dessa forma é possível fazer com que a pessoa entre em contato com seu sentimento momentâneo, controle seu impulso e venha a trabalhar em terapia para entender o que se passou.

“Não é preciso ter vergonha em admitir que você possui uma doença e deve tratá-la. Você TEM uma doença, mas não É um doente. Com tratamento tudo pode se resolver, e a vida pode seguir com mais leveza, sem o peso da angústia gerada a todo momento por não conseguir se controlar, das dívidas que não param de aumentar, das brigas familiares provocadas por suas compras fora de propósito. Você pode estar sendo erroneamente julgado por algo sobre o qual não possui o controle, já que sua doença o domina, por isso, não hesite em procurar um tratamento adequado”, finaliza Marina.

 

Em livro, psicólogo diz que a dor da rejeição ativa as mesmas áreas da dor física

Publicado na Folha em 20/08/2013

O sentimento de rejeição é provavelmente a ferida psicológica mais comum e recorrente nas nossas vidas, afirma o livro “Emotional First Aid” (Primeiros Socorros Emocionais), recentemente lançado nos Estados Unidos.

Não há quem não tenha sido preterido em alguma brincadeira infantil, esquecido na hora de uma festa, perdido o emprego ou sofrido desilusão amorosa, enumera o doutor em psicologia e especialista em terapia de casais Guy Winch, autor da obra.

“As rejeições são os cortes e arranhões psicológicos que machucam a pele emocional e penetram na carne”, diz ele. Mesmo com a frequência das ocorrências, o rejeitado pode não conseguir formar uma carapaça –muitos sofrem tanto que a dor lhes inunda de raiva e solapa a autoestima.

Não é para menos, explica a terapeuta de casais Marina Vasconcellos. “O ser humano tem necessidade de ser aprovado, de ser aceito. Pertencer a uma sociedade, a uma família, é uma necessidade básica. E a rejeição tira esse direito. Fica um vazio.”

A sensação é profunda, diz ela: “Dói no peito, parece que estão enfiando uma faca”.

Não se trata de figura de linguagem. Em seu livro, Winch cita estudos que, por meio de ressonância magnética, mostram que a dor da exclusão social ativa no cérebro as mesmas áreas acionadas pela dor física.

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

O mesmo acontece em relação ao sofrimento amoroso, demonstrou trabalho mais recente, não citado no livro. Em pesquisa feita nos EUA, 40 pessoas que tinham recentemente levado um chute do parceiro foram submetidas a duas experiências: em uma, viram fotos de seus “ex”; na outra, receberam estímulos térmicos semelhantes ao de café quente derramado na mão. Nos dois casos, o cérebro deu respostas similares (veja ao lado).

As reações das pessoas, porém, são diferentes. Há os que simplesmente superam, vão em frente, mas também há os que caem na autocomiseração e na depressão. Sem falar nos casos em que a rejeição se transforma em raiva.

“É uma reação que pode vir da própria depressão. Você está indo para o fosso, então violentamente tenta sair do fosso”, afirma a terapeuta de casais Tai Castilho.

Em 551 casos de homens que mataram suas mulheres nos Estados Unidos, quase a metade dos crimes ocorreu em resposta a uma separação, constataram cientistas citados no livro de Winch.

FRUSTRAÇÃO

As pessoas estão menos capazes de lidar com as rejeições impostas pela vida, avalia Araceli Albino, presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo. “Há pessoas que acham que o mundo é uma grande teta e que todos têm de fazer o que elas querem”, diz.

“O mundo contemporâneo propaga que é possível você ter tudo; se você não tiver, não alcançar, a frustração é maior”, afirma Castilho.

Talvez por isso, diz Vasconcellos, as relações sejam mais instáveis. “As coisas estão mais passageiras. Em relações amorosas, as pessoas não investem o quanto deveriam investir. Se está difícil, já passam para outra.”

Mas fica a dor. Que pode ser superada. “É preciso encarar a rejeição como um aspecto da vida. E reconhecer que você pode trilhar outro caminho para abrandar a dor”, orienta Joel Rennó Jr., psiquiatra do Programa de Saúde da Mulher da USP.

Não que isso seja simples. Em muitos casos, é preciso buscar ajuda de um especialista. Mas o rejeitado também pode se ajudar. “Ouça o que as pessoas falam de você, e não apenas o que você pensa”, diz Marina Vasconcellos. E não tenha vergonha de falar sobre o assunto, propõe Tai Castilho: “As pessoas não devem ficar trancadas”.