Como não deixar os preparativos do casamento virarem motivo de brigas

Publicado em Mullher/Comportamento (uol) , 13.13.16

Temas que mais podem causar problemas entre os casais e quais as melhores maneiras de lidar com eles.

Leandro Pivetta e a mulher, Fabiana Segura, no dia do casamento deles

Leandro Pivetta, 34, e Fabiana Segura, 33, estavam juntos há oito anos, morando na mesma casa com as duas filhas, quando decidiram oficializar a união, em janeiro de 2012. O que eles não imaginavam é que a decisão quase estragou a relação deles.

Durante os preparativos, foram muitas desavenças e, por causa de um problema exatamente no dia da cerimônia, a noiva pensou em desistir e tudo. “Queria casar em um salão, ela em um sítio. Queria música ao vivo, ela, DJ. Cada um queria de um jeito, ou seja, discutimos bastante durante os preparativos. Mas o que me deixou mais bravo foi ela ter reservado um sítio sem eu saber. Fui lá e desfiz a reserva”, conta Leandro, que é publicitário em São Paulo.

O pior, entretanto, ainda estava por vir. No dia do casamento, eles descobriram que a pessoa contratada para fazer as fotos e o vídeo não iria mais. “Fiquei muito brava por ele ter perdido o controle da situação e pensei em desistir de tudo. Não só da cerimônia, mas de tudo mesmo. O problema não eram as fotos, pois quem iria dar de presente seria um padrinho, mas o fato como ele lidou com o episódio, ficando nervoso e quebrando o computador”, diz a executiva de contas Fabiana. Após todo o estresse, o noivo conseguiu uma outra fotógrafa para fazer as imagens do grande dia.

Para não deixar que a situação chegue a esse ponto, é preciso tomar alguns cuidados durante os preparativos. A seguir, o UOL lista os temas que mais podem causar problemas entre os casais e quais as melhores maneiras de lidar com eles.

1 – Gastos em comum acordo

O primeiro ponto para evitar conflitos é conversar sobre quanto querem e podem gastar com o casamento. “O casal deve definir o tipo de cerimônia (na igreja com festa, em um salão, de dia ou de noite…). Decidido isso, devem partir para os orçamentos para, então, voltarem a conversar e decidirem o que manterão e o que terão de cortar. Não gastar mais do que se pode evita que entrem em uma vida em comum já cheios de dívidas. O casal deve decidir quem vai pagar o que, se vão dividir os valores meio a meio, se os pais vão pagar ou ajudá-los nessa empreitada. Tudo isso no papel. É muito melhor que tudo fique combinadíssimo, pois evita problemas posteriores e cobranças desagradáveis”, afirma Carmen Cerqueira César, psicoterapeuta da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.

2 – Questão de gosto

Os noivos também devem chegar a um acordo com relação aos gostos individuais de cada um. É preciso respeitar, e eventualmente abrir mão, e ser flexível para evitar brigas. “Cada um deve explicitar o que deseja. Depois, deve-se negociar, tentar um meio termo”, fala a psicoterapeuta Carmen.

3 – Como lidar com as famílias

Outro ponto que pode atrapalhar o relacionamento do casal durante os preparativos para a cerimônia é a intromissão dos pais. Segundo a wedding planner Bebeta Schiavini, a melhor atitude é deixar que eles opinem, mas deixando claro que a decisão final é dos noivos. “Sugiro sempre para meus clientes deixarem os sogros opinarem em pequenos detalhes, como sabor de doces e bolo e cor do papel dos bem-casados, detalhes que não impactam no conjunto do evento e fazem com que se sintam valorizadas. Também sugiro que eles sejam flexíveis no que não é prioridade”, diz. “Cabe ao filho impor limites para os pais, para não deixar a tarefa ingrata para o par. Limite é bom e extremamente necessário para que a convivência futura seja prazerosa. O casal tem de preservar seu espaço desde o início”, fala a psicoterapeuta Carmen.

4 – Bloco do eu sozinho

Algumas pessoas podem adorar poder decidir sozinhas todos os detalhes da cerimônia, sem interferências. Mas a “carta branca” pode soar como falta de interesse do outro, naquele que é um momento importante para o casal. Por isso, se o ideal para você é decidir em conjunto, deixe clara sua expectativa em uma conversa. “Se foi combinado que cada um teria certas tarefas e essas não estão sendo cumpridas, é hora de sentar para uma renegociação. Afinal, casamento é uma eterna negociação de necessidades e desejos”, declara Marina Vasconcellos, terapeuta de casais e famílias pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Como escapar das saias justas em confraternizações de final de ano

Publicado em mdemulher/familia (Claudia), 21.12.2015.

Mulher festa final ano

Minha cunhada pediu que, no Natal, eu dê dinheiro para os meus sobrinhos. Isso passa uma mensagem materialista, sou contra. Posso ignorar o pedido?

Em situações festivas, é comum que os pais queiram dar dicas aos parentes sobre presentes que agradem aos filhos. Não deixa de ser uma forma de facilitar a vida, não é? No entanto, essa proximidade que, por um lado, permite a sugestão, por outro, autoriza sua recusa em acatá-la. “A mensagem do presente depende do modo como ele é dado, mesmo que seja dinheiro: se você transmite afeto e vontade de vê-los felizes, não há materialismo”, ressalta Ana Paula Passos, professora de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Uma opção é acrescentar um docinho que você sabe que eles adoram, por exemplo. “É interessante investir um tempo de conversa para se aproximar dos desejos deles”, sugere Márcia Regis, coordenadora da educação infantil do Colégio Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo. E que tal saírem juntos e deixá-los à vontade para escolher o mimo?

 

Minha mãe, que mora em outra cidade, sempre me criticou muito. Quando reclamo, ela diz que sou sensível. Alugamos juntas uma casa para as férias e já estou tensa.

“Talvez ela se preocupe demais com sua vida adulta e queira, nos moldes dela, orientá-la”, diz Camila Teodoro, psicóloga clínica de Santo André (SP). O encontro familiar pode ser uma boa oportunidade para mostrar a ela quais caminhos e valores você segue e pedir que suas escolhas sejam respeitadas. “Se a resposta for uma nova crítica, mostre quanto ela repete esse padrão de comportamento e como isso é dolorido”, frisa Paola Biasoli Alves, professora de psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso. “O fato de vê-la como alguém sensível não lhe dá o direito de seguir trazendo mal-estar à filha.” Pelo contrário: sua mãe pode (e deve) tentar se controlar. A você cabe dialogar e impor limites.

 

Nunca sei como me comportar na comemoração de fim de ano do trabalho. Posso beber e dançar? Devo falar de negócios?

Tenha em mente que uma festa de trabalho não é uma balada qualquer. “Nada justifica beber além da conta”, opina a consultora de etiqueta Claudia Matarazzo, de São Paulo. Procure se divertir, sim, inclusive dançando – com moderação. Quanto a falar de negócios, evite, já que é uma ocasião festiva. “Também é desagradável abordar a crise econômica. Mostre que tem alto-astral e leveza”, sugere Maria Aparecida Araújo, professora de etiqueta empresarial da Executive Manners Consulting, no Rio de Janeiro. “Aproveite para entrosar-se com colegas de outros setores”, acrescenta. Essa é uma boa chance de fazer networking.

 

No amigo secreto da empresa, tirei um colega com quem já saí e tive uma relação que não acabou bem. Todos souberam. Melhor trocar com alguém?

“Não troque. Senão você estará assumindo que não sabe separar as coisas”, indica Janaina Manfredini, coaching executivo e sócia da Effecta Coaching, em Blumenau (SC). “Encare como uma chance para encerrar o mal-estar de uma vez por todas.” No evento, procure agir com a maior naturalidade possível. Tente enxergar o profissional, e não o ex. Ao revelar o amigo secreto, não faça a menor alusão ao que aconteceu. “Vai ser bom os chefes observarem sua maturidade”, ressalta Sueli Aparecida
Milare, professora de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (SP).

 

Minha ex-sogra me chamou para o almoço de Natal. Não quero causar constrangimento ao meu namorado nem à namorada do meu ex, mas gostaria de ir.

É comum pensar que depois de uma separação os parceiros e suas famílias não devem manter a amizade. “Laços de carinho podem continuar a existir”, pontua Carla Regina Françoia, professora de psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba. E essa é justamente a época em que gostamos de demonstrá-los. “Se não há nada mal resolvido e existe cordialidade, vá, desde que seja consenso entre você e seu ex”, sugere a terapeuta de casal Marina Vasconcellos, de São Paulo. “Se achar que ele vai ficar sem jeito, combine de dar só uma passada ou ir mais cedo.”

 

A metros da minha casa de praia, haverá uma rave no Réveillon. Eu e meus vizinhos podemos impedi- -los de tirar nossa paz?

“As regras de vizinhança existem no Código Civil, mas há variações em cada cidade”, explica Gustavo Kloh, professor de direito da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. A prefeitura do município pode informá-la sobre os órgãos que precisa consultar para verificar se as licenças para a festa foram concedidas. Caso a documentação não esteja completa, o evento é clandestino e você pode denunciá-lo às autoridades locais. “Ainda que constate que todas as obrigações legais estão sendo cumpridas, a Polícia Militar poderá ser acionada no dia para averiguação de situações que extrapolem o razoável”, lembra Maria Fernanda Assef Minatti, advogada da Vieira Ceneviva Sociedade de Advogados, em Brasília. Faça isso se achar que o som está alto demais, por exemplo.

Compulsão por compras pode ser doença e necessita tratamento

Publicado no ID – med (Terra) em 25/09/2013

Você conhece algum amigo ou tem algum parente que é muito consumista e compra, compra, compra sem parar? Saiba que isso pode ser uma doença.

Você conhece algum amigo ou tem algum parente que é muito consumista e compra, compra, compra sem parar? Saiba que isso pode ser uma doença.

A psicóloga Marina Vasconcellos explica que acompulsão por compras faz parte do quadro de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), no qual a pessoa é dominada pela obsessão por algo, no caso a necessidade de comprar, achando que se o fizer sentir-se-á melhor. “O ritual de comprar elimina momentaneamente a preocupação e dá à pessoa a falsa sensação de alívio, pois é temporário, já que logo após tê-lo feito bate o arrependimento e a culpa por ter gastado mais do que deveria”, diz a psicóloga.

Muitos compradores compulsivos se passam por “consumistas”, quando podem gastar sem problemas por terem boas condições financeiras. A diferença está na necessidade que o compulsivo tem de realizar a compra: enquanto ele não compra algo para si ou mesmo para dar de presente a alguém, seus pensamentos se concentram nisso, fica obsessivamente pensando em como e quando fazê-lo. Sua tensão só aumenta enquanto não realiza o ato. O racional e o bom senso são totalmente esquecidos: ele não pensa se tem dinheiro para bancar sua compra, se está fazendo dívidas e como vai pagá-las, se realmente precisa daquilo naquele momento.

E como saber se você é um compulsivo ou apenas um pouco consumista? A psicóloga diz que uma dica é olhar o seu armário: quando você vir que está guardando coisas demais, muitas vezes sem nem usá-las (há pessoas que compram e deixam na caixa guardado, nem sequer se dando ao trabalho de desembalar), isso pode ser um sinal. Outros sinais são: gastar tudo o que ganha e, ainda mais, acumulando dívidas enormes e perdendo o controle sobre elas; sentir-se mal quando não consegue comprar algo imediatamente, não tendo controle sobre seus desejos e impulsos consumistas; quando adquire coisas que não precisa, apenas pela necessidade de realizar a compra e sentir-se melhor (qualquer estresse passado vai logo se refugiar nas compras como um remédio, como o viciado que procura a droga).

A psicóloga explica que a pessoa geralmente nega o problema, achando que compra porque gosta e precisa daquilo, por falta de orientação ou conhecimento de que isso é uma doença. “Elas podem até sofrer com o problema, mas não procuram ajuda por vergonha do julgamento alheio e por acharem que conseguirão se controlar diante da próxima tentação. Assim, seguem anos a fio lutando sozinhos contra seus impulsos, sem sucesso”, diz a psicóloga.

Muitas vezes essas pessoas são confrontadas quando alguém da família descobre as dívidas por acaso, vendo fatura de cartão de crédito estourada, cobrança de bancos, ou mesmo presenciando a recusa do cartão de crédito numa compra junto com a pessoa, onde é barrado por ter ultrapassado o limite. Se a pessoa convive com alguém próximo, acaba denunciando sua doença por falta de espaço físico para guardar suas compras, que não param de acontecer. “Aí é o caso de mostrar que isso é uma doença e que, como tal, deve ser tratada, ou seja, ela sozinha não conseguirá vencer o problema, e necessita da ajuda de um profissional especializado”, explica Marina.

E como tratar? Segundo Marina, uma das formas é a psicoterapia, em que se busca a causa da ansiedade que leva a pessoa às compras incontroláveis. É preciso entender o que a incomoda, sua dinâmica de funcionamento que a faz reagir dessa forma aos problemas, e buscar o autocontrole. Muitas vezes a medicação é necessária para conter a compulsão, paralelamente à psicoterapia. Grupos de Compradores Compulsivos também podem ajudar a lidar com o problema, na medida em que as pessoas que sofrem com a mesma doença dividem suas angústias e conquistas com os outros, incentivando uns aos outros a seguir adiante com o tratamento.

De acordo com a psicóloga, num primeiro momento, atitudes práticas e simples devem ser tomadas, como:

– Proibir a pessoa de andar com cheques e cartões de crédito.

– Fazer com que a pessoa aprenda a ter noção do dinheiro e com que ela ande somente com uma quantia previamente determinada na carteira.

– Quando faz compras exageradas, deve ser orientada a devolvê-las caso estejam dentro do prazo permitido.

– Assim que se perceber numa situação onde o impulso é comprar, pare e se faça a pergunta: “Eu realmente preciso disso neste momento? O que farei com isso? O que acontecerá comigo se não adquirir esse objeto agora?”. Dessa forma é possível fazer com que a pessoa entre em contato com seu sentimento momentâneo, controle seu impulso e venha a trabalhar em terapia para entender o que se passou.

“Não é preciso ter vergonha em admitir que você possui uma doença e deve tratá-la. Você TEM uma doença, mas não É um doente. Com tratamento tudo pode se resolver, e a vida pode seguir com mais leveza, sem o peso da angústia gerada a todo momento por não conseguir se controlar, das dívidas que não param de aumentar, das brigas familiares provocadas por suas compras fora de propósito. Você pode estar sendo erroneamente julgado por algo sobre o qual não possui o controle, já que sua doença o domina, por isso, não hesite em procurar um tratamento adequado”, finaliza Marina.

 

Noiva bonita é noiva saudável

Dizem que toda mulher está insatisfeita com seu corpo. Sempre há gordura localizada, um pouquinho de celulite, ou então os cinco quilos a mais que incomodam muita gente. E quem dirá as noivas, que arrancam fios de cabelo para estarem em forma e o vestido ficar impecável no grande dia.

Em meio aos preparativos do casamento, a ansiedade e o estresse tomam conta. Decoração, Buffet, cerimônia, convidados; o que não falta é motivo para preocupações e aborrecimentos. Para variar, o excesso de peso também chama a atenção nesse pacote de “noiva em transe”.

Toda mulher deseja estar linda no dia do seu casamento, com o vestido perfeitamente feito para ela. O problema é quando a noiva deseja emagrecer a todo custo. Algumas aderem à alimentação adequada e à prática de exercícios. Outras, no entanto, vão ao extremo com dietas relâmpago radicais, se alimentado apenas de água, biscoitos ou apenas um tipo de chá. Segundo a nutricionista Braunea Victório França, cada organismo reage de uma forma diferente: “A perda de peso depende do metabolismo de cada indivíduo. A dieta é individual e visa atender as necessidades específicas de cada indivíduo considerando seu estado físico, nutricional e estilo de vida”.

A nutricionista pondera que a dieta relâmpago, aquela com duração de uma ou duas semanas, pode prejudicar a saúde, devido aos riscos de deficiência ou excesso de nutrientes. Além do organismo, a mente da noiva também pode ser negativamente atingida com o uso desses tipos de dieta. É preciso estar atenta às mudanças de comportamento.

“É importante a mulher ter a consciência de que nada muito radical faz bem à saúde. Uma mudança brusca na alimentação pode provocar comportamentos agressivos, ansiedade, tensão, irritabilidade, fraqueza. Ela precisa saber disso e colaborar para seu bem estar ouvindo as pessoas que a cercam e que percebem sua mudança de comportamento, aceitando ser ajudada”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

A ansiedade e a tensão podem até já fazer parte do dia a dia das noivas, em meio aos preparativos para o casamento. A situação começa a ficar preocupante quando se chega ao extremo, e o objetivo de perder peso vira uma obsessão. O ideal é encarar a dieta como um mero tratamento de beleza, conforme orienta Doutora Marina: “Encare-o como um ‘presente’ pelo seu dia, e curta cuidar de si aproveitando para relaxar de verdade. Encarar dessa forma é gostoso e faz bem pra qualquer um”.

Na luta contra o tempo e a balança, a noiva deve iniciar a dieta o quanto antes e sob a supervisão de um especialista: “O ideal é iniciar o acompanhamento nutricional com no mínimo um ano de antecedência à data prevista para o matrimônio. Dependendo do estado de saúde do indivíduo, também se faz necessário acompanhamento médico e terapêutico”, pondera a nutricionista Braunea.

O tempo pode e deve ser amigo da noiva. Basta ela planejar tudo que deseja fazer com antecedência, assim como é com os demais preparativos do casamento. Afinal, de nada adianta aproveitar o grande dia com estresse e insatisfação na cabeça. Na hora de subir ao altar, os fios de cabelo devem estar intactos, o vestido impecável, e acima de tudo, você se sentindo linda e saudável.