Especial Separação: como contar às crianças

Publicado em Revista Crescer/família, 03.04.17
Por Naíma Saleh

Não é possível evitar o sofrimento dos filhos – afinal, a notícia é triste mesmo. Mas com respeito e diálogo, dá para mostrar que não será o fim do mundo e que vocês continuam formando uma família.

Separação: como contar aos filhos? (Foto: Thinkstock)

Em 10 anos, a taxa de divórcio no Brasil cresceu 160%, de acordo com os últimos dados do ‘Estatísticas do Registro Civil” de 2015, ano em que foram registrados 328.960 desquites no país. É claro que ninguém casa (ou, pelo menos, não deveria se casar) esperando que um dia o relacionamento acabe, mas, às vezes, o fim é inevitável e pode se tornar um alívio, tanto para o ex-casal quanto para as crianças. É um recomeço para todos.

Isso, é claro, não torna o processo menos doloroso. Decidir terminar uma relação nunca é simples. E quando há filhos no meio, é preciso ter ainda mais cuidado e delicadeza na hora de colocar um ponto final. Veja o que é preciso ponderar antes de comunicar a separação às crianças e quais são as melhores maneiras de contar.

A decisão

É fato que todo casal tem problemas, mas, independentemente do tipo – e da gravidade – da situação, o primeiro conselho da psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela UNIFESP, é procurar ajuda profissional antes de bater o martelo. “Tem casais que chegam ao consultório quase decididos, mas voltam atrás, porque na terapia conseguem consertar o que não estava indo bem no casamento”, explica.

Isso diminui as chances de tomar uma decisão e voltar atrás depois – o que pode tornar o processo mais difícil e causar um sofrimento desnecessário tanto aos filhos, como aos pais.

Como contar

Uma vez que decisão está tomada, é melhor avisar às crianças o quanto antes – mesmo porque, dificilmente, elas não vão perceber que algo está acontecendo. Vá direto ao ponto, mas com delicadeza. “O ideal é que os pais contem juntos, com calma, tranquilidade e respeito”, recomenda Marina. Frases como “Nós não nos amamos mais” ou “a gente se respeita, mas não existe mais amor de casal” ajudam a deixar claro que os papéis de pai e mãe vão continuar intactos mesmo com a dissolução do casamento.

Ainda que o clima entre os pais seja de paz e que eles tenham chegado a um acordo, é natural, nesse momento de angústia, tentar garantir que a criança venha para perto si. “Inconsicientemente, cada pessoa quer puxar o filho para perto porque tem medo de vê-lo menos, de se afastar na nova configuração”, explica a psicóloga Miriam Barros, psicoterapeuta de crianças, adolescentes, casais e famílias. O resultado é que, na hora de conversar com as crianças, a escolha dos termos e da forma de falar pode, sutilmente, insinuar que a culpa pelo fim é de um dos dois ou que um lado está muito magoado. Por isso, é melhor que o ex-casal  converse muito entre si antes, para combinar o que e como falar para as crianças.

Como contar

Uma vez que decisão está tomada, é melhor avisar às crianças o quanto antes – mesmo porque, dificilmente, elas não vão perceber que algo está acontecendo. Vá direto ao ponto, mas com delicadeza. “O ideal é que os pais contem juntos, com calma, tranquilidade e respeito”, recomenda Marina. Frases como “Nós não nos amamos mais” ou “a gente se respeita, mas não existe mais amor de casal” ajudam a deixar claro que os papéis de pai e mãe vão continuar intactos mesmo com a dissolução do casamento.

Ainda que o clima entre os pais seja de paz e que eles tenham chegado a um acordo, é natural, nesse momento de angústia, tentar garantir que a criança venha para perto si. “Inconsicientemente, cada pessoa quer puxar o filho para perto porque tem medo de vê-lo menos, de se afastar na nova configuração”, explica a psicóloga Miriam Barros, psicoterapeuta de crianças, adolescentes, casais e famílias. O resultado é que, na hora de conversar com as crianças, a escolha dos termos e da forma de falar pode, sutilmente, insinuar que a culpa pelo fim é de um dos dois ou que um lado está muito magoado. Por isso, é melhor que o ex-casal  converse muito entre si antes, para combinar o que e como falar para as crianças.

Abra espaço e converse

É comum que as crianças menores se perguntem o que foi que elas fizeram para causar esse tipo de situação. Elas podem achar que o pai ou a mãe está saindo de casa por conta de um mau comportamento delas, de algo que elas disseram e não deveriam ter dito, ou alguma decepção que tenham causado. “As crianças têm muitas fantasias. Quanto menores, mais egocentradas. Elas se acham culpadas por um monte de coisas, pois são muito autorreferentes”, explica Marina. Por isso, deixe claro que a escolha do casal não tem nada a ver com as crianças, que é uma decisão de adultos e que não vai interferir no amor que os dois sentem pelo filho. Também reforce o lado positivo da situação. Explique que a criança vai ter duas casas, dois quartos, deixando claro que o espaço dela está garantido na vida de cada um.

Também não adianta propor uma ida ao cinema ou a qualquer lugar que seu filho goste de ir para tentar agradá-lo e depois soltar a bomba. A criança pode se sentir enganada. Além disso, é uma situação muito particular para ser conversada em locais públicos. O melhor lugar é em casa, no ambiente privado, para que a criança possa chorar, ficar mal, falar o que tiver vontade.

Males para bem

Quando a situação entre o casal é muito ruim, a notícia pode até trazer certo alívio, porque os filhos não gostam de ver os pais brigando e se ofendendo. “Em muitos casos, são perdas que vão resultar, mais tarde, em um ganho de saúde emocional tanto para o ex-casal quanto para a criança. Se cada um puder ter uma vida mais tranquila e se a criança não presenciar um modelo de relação com brigas, é um fato positivo para a sáude mental de todos”, reflete Miriam.

É inevitável, porém, que as crianças fiquem tristes. “Elas têm o direito de reagir e se expressar. É preciso acolher, conversar”, diz Marina. É bacana também citar exemplos de outras famílias com pais separados que o filho conhece e que se dão bem. Mas dê tempo ao seu filho de processar e espaço para que ele possa se manifestar.

O que tem que ficar claro para as crianças é que, mesmo que os pais não formem mais um casal, nenhum deles vai perder o contato com elas, ambos farão de tudo para estar presentes e os filhos poderão contar com eles sempre. Afinal, casamento acaba. Família, não.

Evite dizer…

“Quando eu tiver um namorado, ninguém vai tomar o lugar do seu pai”. A criança não precisa se preocupar com a possibilidade de uma nova presença na família nesse momento. Mesmo que um dos pais – ou os dois – já estejam em novos relacionamentos, não é a hora de contar. Deixe a criança assimilar uma coisa de cada vez.

“Vamos nos separar porque seu pai/sua mãe é (insira aqui qualquer ofensa)”. É preciso manter o respeito ao se dirigir e se referir ao ex-parceiro, mesmo que ele não esteja presente.

Pode ser bom dizer:

“Mamãe/papai ainda vai ficar triste, talvez fique mais quietinha, mas vai passar. Você também pode ficar triste, não tem problema”. Lidar com a situação de forma equilibrada não quer dizer esconder os sentimentos. Abra espaço para você e seu filho poderem lidar com essas emoções.

“Amamos você e seremos sempre os seus pais acima de tudo”. Separe os papéis de casal e de pais, dando segurança para seu filho que um não vai interferir no outro.

Vídeo de mulher fazendo dança sensual com bebê é abusivo, dizem psicólogas

Publicado, no site UOL, Estilo/Gravidez e Filhos, 19.07.16

Um vídeo em que uma mulher aparece rebolando até o chão na frente de um bebê que aparenta ter um ano de idade está repercutindo negativamente nas redes sociais.

Reprodução/Facebook

Postado no Facebook, o vídeo de 22 segundos já tem mais de 2,6 milhões de visualizações e mostra o bebê imitando a mulher, provavelmente sua mãe, fazendo movimentos de vai e vem com o quadril que remetem a um ato sexual.

Há um segundo adulto filmando e ambos demonstram se divertir com a atitude da criança, que é incentivada a continuar a dança.

A repercussão da filmagem, que para alguns internautas estimula a pedofilia, chegou ao exterior e foi alvo de uma reportagem do jornal britânico “Daily Mail”.

Para Blenda de Oliveira, psicoterapeuta de adultos, adolescentes e crianças, o vídeo é abusivo. “Do ponto de vista cognitivo, a criança nesta idade ainda não sabe o que é sexual e o que não é, não tem maturidade intelectual para fazer essa distinção, mas é movida por sensações e, portanto, é estimulada precocemente em sua sexualidade, o que causa um impacto negativo em seu desenvolvimento”.

Segundo a especialista, o abuso também ocorre porque a criança não compreende as consequências do ato e da exposição e isso fere sua intimidade. “ Atitudes assim, cada vez mais comuns em nossa sociedade, chegam a ser cruéis, pois a criança se torna um objeto de riso, sem ter noção disso.”

De acordo com Quézia Bombonatto, psicopedagoga e diretora da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), é preciso lembrar que, apesar de ingênua, a criança não é assexuada e passa, a cada fase, pela experimentação do prazer de maneira diferente. Atropelar seu desenvolvimento natural poderá causar a erotização precoce e ter consequências negativas sobre a criança.

“Todas essas percepções sensoriais que o bebê está tendo, ao abraçar e encostar na mãe, causam estímulos e favorecem a descoberta do sexo antes da hora. Ao ser incentivado pelos adultos, ele recebe um reforço positivo, o que significa que irá continuar agindo assim, primeiro em casa, depois na escola, e não sabemos como irá extravasar esses estímulos no futuro.”

O despertamento sexual precoce, explica Quézia, também pode causar uma certa confusão de sentimentos. “A criança sente algo que não sabe nomear e, no futuro, talvez tenha dificuldades para lidar e compreender o que sente.”

A psicopedagoga explica que os pais devem ser muito cuidadosos ao expor fotos e vídeos de seus filhos na internet, evitando que sejam manipulados ou usados por pessoas que tenham interesse em pedofilia. “Isso sem contar que, mais tarde, esse menino verá o vídeo e poderá se sentir culpado ou até mesmo ter a sensação de que foi humilhado pelos pais.”

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal, trata-se de um comportamento inadequado dos adultos e de uma exposição absurda e desnecessária da criança. “Os pais não têm direito de expor o filho pequeno em busca de curtidas na internet. Isso fere o direito da criança, que ainda não sabe discernir nem escolher. Além disso, a dança banaliza o sexo, passando uma mensagem muito negativa às crianças que, porventura, venham a assistir ao vídeo”, afirma.

As consequências desse tipo de exposição, explica a psicoterapeuta infantil Paloma Vilhena, contribuem para uma cultura de pedofilia, estereótipos de gênero e machismo. “Pedofilia é a atração sexual de adultos por crianças. Já o abuso sexual não implica apenas no contato físico, mas sim, em envolver a criança como objeto de satisfação sexual ou erótica como voyeurismo, exposição à pornografia e exibicionismo, situações que não são próprias da infância.”

A psicóloga avalia que sexualização precoce pode colocar a criança em risco de sofrer gravidez precoce e relacionamentos promíscuos e abusivos quando mais velha, buscando conseguir aceitação, pertencimento, carinho e amor. “Pode ficar confuso para criança o que deve ser privado e o que deve ser público, e quem pode tocar em seu corpo e quando”, alerta.

Relembre sete hábitos saudáveis da infância

Publicado no site Minha Saúde online, 07.06.16.

Imite as crianças para comer, dormir e se relacionar melhor

Infância dá saudade quando você pensa no cafuné ao chegar da escola ou no bolo de chocolate que tinha para o lanche. Mas as boas lembranças daquela época não param aí e podem ser recuperadas na idade adulta, principalmente se você quer dar um gás na saúde. Siga essas dicas e retome sete costumes que, de acordo com especialistas, estão por trás da energia esbanjada pela molecada.

Prato colorido

Crianças brincando com a salada - Foto: Getty Images

A hora do almoço, para muitas crianças, parece mais uma festa. O prato é cheio de cores e ganha até carinhas divertidas desenhadas com os alimentos – o tomate em meia-lua vira uma boca, enquanto rodelas de pepino são os olhos e grãos de feijão as sardas de uma carinha engraçada. Misture hortaliças e legumes de forma criativa e acabe com a birra no consumo de vegetais.

“Também vale fazer sucos com cores mais intensas, misturando couve e limão ou cenoura e laranja, por exemplo”, afirma a nutricionista Marcella Romanelli, da Nutricêutica Alimentos Funcionais. Ela ainda sugere incrementar o sanduíche com camadas de recheios coloridos: o recheio laranja pode ser feito batendo-se o requeijão com cenoura crua no liquidificador; o recheio roxo, com beterraba; o amarelo, com milho e assim por diante.

Dormir cedo – e bem

Criança dormindo - Foto: Getty Images

O sono é prejudicado quando as obrigações da vida adulta vão se acumulando – quando isso começa a acontecer, é preciso lembrar a infância e a obrigação de ir para a cama na hora certa. Não é só a sua experiência que comprova, mas também um estudo da revista Frontiers in Neuroscience: a privação do sono conduz a uma série de déficits na cognição, atenção e nas emoções, incluindo maior irritabilidade, além de afetar a memória, coordenação e concentração – a conclusão foi obtida pelos especialistas após a análise de um mapa cerebral detalhado.

Para evitar uma noite mal dormida ou episódios de insônia, procure esvaziar a mente ao deitar: ouça uma música relaxante, respire fundo e procure deixar os assuntos pendentes para resolver no dia seguinte. Para educar seu organismo, é fundamental criar uma rotina de sono, indo para cama sempre no mesmo horário.

Brincadeiras infantis

 Menina pulando corda - Foto: Getty Images

Gastar energia na academia nem sempre faz a sua cabeça. Em vez disso, experimente bambolê, pular corda, mini-trampolim ou passear de patins, brincadeiras infantis também gastam calorias e ajudam a tonificar músculos. Bambolê, por exemplo, afina a cintura e previne dores lombares, enquanto pular corda fortalece as coxas e estimula a capacidade cardiorrespiratória. Se você se juntar às crianças da família para realizar essas atividades, melhor ainda. “Essas atividades em equipe reforçam os vínculos afetivos”, diz a psicóloga Eliana Alves, do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro.

Dar risada por motivos simples

 Mulher e bebê sorrindo - Foto: Getty Images

A fase adulta pode até ser dotada de grandes responsabilidades, mas isso não é justificativa para viver sério e carrancudo. Uma pesquisa da Universidade Bocconi, na Itália, sugere que permitir algumas risadas dentro do ambiente de trabalho levanta o ânimo e, inclusive, pode favorecer a imagem dos chefes perante os subordinados.

Outro estudo, publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, acompanhou 3.800 pessoas entre 52 e 79 anos durante cinco anos. Os pesquisadores observaram que os participantes que mais felizes no dia a dia tinham um risco de morte reduzido em até 35%.

“Cultivar o bom humor ajuda voe a reconhecer o que traz felicidade no seu dia a dia”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama terapêutico.

Não conter as emoções

Menino chorando - Foto: Getty Images

Criança chora, esbraveja, grita e extravasa os sentimentos o quanto pode. Você não precisa sair fazendo drama, lamentando a vida ou soltando trovões a cada momento tenso, mas pode se permitir chorar algumas vezes. Viver contendo as mágoas pode servir de fuga do sofrimento, o que prejudica a saúde e ainda impede que você reconheça seus pontos fracos e discuta maneiras de melhorá-los. “Toda frustração é, antes de tudo, uma oportunidade para o crescimento pessoal, é você quem define se vai aproveitá-la”, diz a psicóloga Márcia Cavalieri, de Ribeirão Preto.

Aprender mais e mais

Crianças se divertindo com livro - Foto: Getty ImagesRecuperar a curiosidade típica de criança ajuda a manter a memória sempre afiada e prevenir doenças comuns da velhice, como Alzheimer. O neurologista Maurício Hoshino, do Hospital Santa Catarina, em São Paulo, conta que ficar sempre dentro da rotina é como viver no botão automático: não estimula a mente. “Reflexões estimulam a atividade cognitiva”, afirma. Vale tudo que fuja do habitual: fazer cursos, aprender novas receitas, adquirir hobbies diferentes e até conhecer lugares que desafiam sua capacidade de comunicação.

Usar roupas confortáveis

Crianças brincando e se sujando - Foto: Getty Images

Os pequenos quase sempre usam roupas leves e flexíveis para brincar, correr e se sujar. Permita-se a esse conforto sempre que possível. Peças muito justas e de tecidos quentes podem comprometer a transpiração e causar alergias e irritação na pele. “Roupas de algodão facilitam a troca de temperatura, diminuindo o calor, enquanto tecidos de fibras sintéticas são pouco arejados e retêm mais suor”, afirma a dermatologista Aline Santiago, do Rio de Janeiro.

Entenda como os traumas de infância interferem na vida adulta

Quanto mais rápida for a interferência do profissional, menores as consequências negativas.

Publicado pela Redação do Doutíssima (Terra),  03.11.2015

Na área da psicologia é comum que os profissionais identifiquem problemas na vida adulta de uma pessoa, ocasionados por traumas de infância. É fato que o desenvolvimento infantil é uma fase muito importante para a construção da personalidade e do caráter de qualquer indivíduo. Neste cenário, a influência dos pais é muito significativa.

 A psicóloga especialista em psicodrama terapêutico Marina Vasconcellos explica que é difícil falar sobre traumas de infância de maneira breve, pois essa é uma questão complexa. “É na infância que necessitamos mais do cuidado e do afeto dos adultos para crescermos com saúde e nos desenvolvermos”, destaca.

 

traumas de infância istock getty images doutíssima

 

Quais são as causas dos traumas de infância?

Segunda Marina, quanto mais carinho, proteção, cuidado e estímulos houver na infância, melhor será o desenvolvimento em todos os aspectos. “O cérebro está em formação e o aprendizado fica gravado junto com as emoções que o acompanham”, diz. Por isso, quando as crianças sofrem abusos emocionais, as marcas podem ser para o resto da vida.

 A especialista esclarece que, além da genética, tudo o que os pais ou responsáveis pela criação de uma criança dizem, servirá de base para a construção de sua personalidade. “Filhos rotulados na infância como burros’, por exemplo, provavelmente vão crescer sem acreditar em sua capacidade intelectual e muito inseguros”, aponta.

Quando a autoestima da criança não é desenvolvida, ela poderá se prejudicar em todos os seus papéis, pelo resto da vida. “Os traumas são emoções negativas que ficam gravadas em nosso cérebro, trazendo à tona novamente aquela emoção ruim toda vez que se passa por situações que lembrem aquela vivida anteriormente”, diz Marina.

Dessa forma, os traumas de infância vão contaminando o aprendizado da pessoa desde o começo da vida. “Isso faz com que seja mais difícil ter um desenvolvimento pleno,emocionalmente falando”, sintetiza a especialista.

Traumas de infância mais comuns

Segundo a psicóloga, os traumas mais comuns de infância são os verbais: humilhações, afirmações de que a criança “faz tudo errado” e “não sabe nada”. “Rótulos negativos têm um poder enorme sobre a criança, que cresce com problemas de autoestima, insegurança e dificuldades de relacionamentos em geral, tanto afetivos, quanto profissionais”, esclarece.

Os traumas físicos também são comuns e deixam marcas além das físicas. “Espancamentos, acidentes graves, que demandem cirurgias sérias e muito tempo de recuperação podem deixar sequelas como pânico, dificuldade em confiar nas pessoas, necessidade de se defender delas por qualquer coisa e muitos outros sintomas”, lembra.

Brigas entre os pais também traumatizam, em especial quando são frequentes, graves e envolvem agressão física. “Em geral, as crianças tentam entrar no meio para defender um deles e acabam por apanhar também, ou sentem-se incompetentes por não conseguirem agir. No futuro, elas poderão se tornar adultos agressivos e impulsivos”, adverte ela.

Abusos sexuais são outro problema sério, pois, invariavelmente, trazem problemas na esfera afetiva do adulto, dificuldades para confiar nas pessoas e, claro, na sexualidade”, lembra. Mas, segundo a psicóloga, é importante lembrar que nem sempre aquilo que traumatiza uma pessoa, irá atingir igualmente outra.

 Conforme explica ela, cada um tem a sua maneira de reagir aos estímulos externos. “A genética, o desenvolvimento emocional e a predisposição para determinadas doenças e comportamentos ao longo da vida também influenciam no trauma”, diz.

 Como tratar um trauma?

Normalmente, o trauma de infância é identificado através da terapia. “A pessoa chega se queixando de algo que causa incômodo no presente, sem fazer a ligação com o passado”, explica. O terapeuta, através de um processo investigativo junto com o cliente, ajuda a  identificar dinâmicas de funcionamento prejudiciais, buscando entender de onde elas vêm.

“Em psicodrama, podemos trabalhar as ‘cenas regressivas’, ou seja, a partir de cenas atuais, acabamos caindo naquelas da infância, entendendo o início do problema e as defesas construídas para lidar com o trauma. Tendo essa consciência, a pessoa pode aprender a reagir de outra forma. É uma sensação libertadora”, destaca.

Segundo Marina, se uma criança sofre de abusos na infância, independente de sua natureza, quanto mais rápida for a interferência de um profissional, menores as consequências negativas para seu futuro. “A intervenção de um psicoterapeuta pode ser fundamental para ajudá-la a crescer, eliminando o trauma perto de sua origem”, conclui.

Gostou do artigo? Qual é a sua opinião sobre ele? Venha compartilhar suas experiências e tirar suas dúvidas no Fórum de Discussão DoutíssimaClique aqui para se cadastrar!

Dez brincadeiras para as férias

Publicado no portal Atmosfera Feminina em 27/01/2014

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Verão e férias: está aí a combinação perfeita para ficar ainda mais perto da criança, ajudar a desenvolver a coordenação motora e o equilíbrio dos menores e estimular os maiores a lidar com limites e frustrações. E se faltar ideias para chamá-los para a farra, a seguir há sugestões para várias faixas etárias. “Em comum, esses jogos permitem que pais e filhos se curtam e mantenham contato, o que dificilmente acontece ao passear em lugares onde há muita distração e gente por perto, caso de shoppings e aniversários de amiguinhos”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, professora colaboradora do curso de psicologia médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Vamos lá?

1. Upa, upa, cavalinho Sente na cadeira ou no sofá, cruze as pernas e coloque o bebê sobre o pé que está no alto. Segure-o pelas mãozinhas e levante e abaixe a sua perna devagar enquanto canta “upa, upa, cavalinho”. Com o passar do tempo você vai sentir o corpo do pequeno mais firme e equilibrado.
2. Casinha Fingir que o banco é uma mesa e que a boneca é um nenê favorece a imaginação da criança e as primeiras noções de empatia e treinamento de papéis, já que ela os experimenta se colocando no lugar da mãe, do pai e assim por diante.
3. Se fantasiar Na falta de vestimenta adequada, vale usar as roupas e acessórios que você tem nos armários de casa. Mais do que dar boas risadas, o baixinho libera a criatividade, desenvolve personagens e passa a perceber melhor o próprio corpo.
4. Mímica Primeiro, é preciso escrever nomes de personagens ou de filmes em papeizinhos e colocá-los dentro de um saco. Daí, uma pessoa retira um papel, vai para a frente de todos e, sem dizer uma palavra ou usar objetos, tenta fazer com que acertem o personagem ou o filme que ela está interpretando. Com isso, vocês trabalham a memória, a atenção, a concentração e até a garganta, já que a gritaria vai ser geral.
5. Castelo de cartas Esta aí uma ótima oportunidade para descobrir como anda a concentração e o nível de estresse da galerinha, que precisa se dedicar (e transpirar!) para que as cartas não caiam enquanto são colocadas em forma de triângulos e, depois, uma na horizontal e mais triângulos sobre elas até criar um grande castelo.
6. Objeto oculto Aqui, a atenção e a memória são colocadas em cheque quando um participante olha os objetos que há no ambiente, diz em voz alta a cor dele, depois seu formato e outras dicas até que os demais jogadores descubram qual é o acessório oculto.
7. Pular corda A coordenação motora, o equilíbrio e a resistência física são exigidos nessa brincadeira, que fica ainda mais dinâmica e divertida se vocês inventarem formas diferentes de pular: alternando os pés, usando um pé só, os dois juntos…
8. Estátua Mais uma boa desculpa para testar a concentração da meninada e a capacidade de ela lidar com a frustração quando perde – ou, nesse caso, se mexe após uma pessoa gritar “estátua!” e provocá-la com caretas, sopros no ouvido, sustos ou micagens.
9. Segue história A criatividade e a rapidez de pensamento são exploradas nesse jogo, em que um participante inventa uma história, para sem aviso prévio e a pessoa ao seu lado deve dar continuidade ao conto, e assim sucessivamente.
10. Batata quente Os jogadores devem ficar de pé, formando uma roda, e passar um para outro, aleatoriamente, uma bola enquanto todos cantam “batata quente, quente, quente” e “queimou!” quando o objeto cair. Nessa, todos são estimulados a se concentrar, manter o ritmo da fala e a coordenação motora.

Vida de miss mirim: saiba mais sobre o mundo dos concursos infantis

Publicado no Terra em 14/10/2013

Para algumas meninas, ir à Disney e vivenciar o mundo das princesas é um grande sonho. Mas para aquelas que estão, desde cedo, no universo das misses, isto é algo bem próximo da realidade: coroas, faixas e vestidos pomposos são alguns dos elementos que as destacam de uma infância comum. É o caso de Pietra Gasparin, 6, que, no fim de outubro, embarca para a Euro Disney, em Paris, na França. Este é o prêmio por ter recebido a faixa de Mini Miss Brasil Universo 2013, que a leva a representar o País no concurso internacional.

As competições mirins são geralmente muito criticadas devido a uma série de fatores: a feminilização precoce e a busca incessante por um padrão de beleza irreal são apenas alguns deles. Mas, de acordo com o missólogo Evandro Hazzi, que descobriu Pietra, na França os concursos de beleza infantil são proibidos e este só existe porque vai contra o movimento de “adultização” das crianças. “É algo que foge da tal padronização de concursos de miss mirim”, completa Alê di Lima, assessor de Pietra, que é gaúcha de Passo Fundo, Rio Grande do Sul.

Claudia Gasparin, mãe da menina, reforça o discurso e conta que sempre tentou colocar outras questões à frente da beleza. Ao começar pelas festas de aniversário da filha, sempre temáticas e em prol de alguma causa: meio ambiente, proteção dos animais e união da família já foram algumas. “Este projeto da Disney vem para tirar este conceito de criança se maquiando, de não poder comer. Estamos entrando em um concurso para trazer um novo conceito de miss para a criança”, completa.

Segundo a mãe, Pietra ainda é uma novata no ramo das misses. No ano passado, ela foi convidada para participar do Mini Miss Passo Fundo 2012 e, de lá, saiu vencedora. “Eu fiquei surpresa, ela é totalmente crua. Eu posso dizer até que eu julgava este tipo de coisa e dizia ‘minha filha jamais vai entrar nisso’”, relembra.

O título de miss entrou na vida da filha como mais uma de suas atividades, que são muitas – entre elas, caratê, piano e hipismo, uma de suas paixões desde os três anos de idade. “Ela é uma criança normal, tem dias que está bem, tem dias que está cansada. Não tirei nada da vida dela”, explica. Esta será a primeira vez que Claudia e o marido saem do Brasil e a ida para Disney, de qualquer forma, seria o presente de aniversário dos pais para a filha este ano.

Passando o bastão
Enquanto Pietra ensaia os primeiros passos neste universo, Mirella Scheeffer, 13, já é uma profissional reconhecida, que se despede das passarelas infantis. No ano passado, ela venceu o concurso de Miss Universo Infantil e a vigência de sua faixa termina no fim do mês de outubro.

Mirella Scheeffer, 13, se despede das passarelas infantis mas visa ganhar o concurso adulto quando chegar a hora (Foto: Facebook / Reprodução)

Mirella Scheeffer, 13, se despede das passarelas infantis mas visa ganhar o concurso adulto quando chegar a hora
(Foto: Facebook / Reprodução)

Ela é dona de vários títulos importantes e atua na área desde os 9 anos de idade. Também já foi eleita Miss Brasil Infantil e, recentemente, participou de um concurso de marca de brinquedos, no qual derrubou mais de 16 mil candidatas e acabou virando uma boneca. Os concursos abriram portas e renderam até um teste para Malhação, da Globo.

Mirella também tem seguidores no Twitter, no Facebook, fã-clubes e, com certa timidez, confirma que o assédio dos meninos também aumentou muito nos últimos meses. O interesse nos concursos começou por conta das irmãs mais velhas, que já desfilaram. “Eu via aquele mundo de princesas, coroas e vestidos e queria viver nesse mundo. Eu já tinha ideia do que era, mas fiquei boquiaberta no primeiro concurso e acabei me apaixonando”, diz, acrescentando que sempre foi vaidosa. “Eu sempre fui de pegar as roupas das irmãs, os saltos da mãe”, conta.

Miss na sala de aula
A maior preocupação apresentada pelas mães entrevistadas é a busca por um convívio social normal com as demais crianças. “Outro dia a Pietra queria levar a faixa e a coroa para a escola, para brincar. Eu deixei, mas falei para ela não levar para o recreio, para não gerar ciúmes”, conta a mãe.

Claudia conta ainda que a filha não teve grandes problemas e que tudo acabou virando uma grande brincadeira. Mirella, no entanto, não teve a mesma sorte e chegou a sofrer bullying na escola.

Depois de fechar um contrato com uma marca grande de calçados infantis, Mirella foi parar nos outdoors da cidade e, com isso, ficou ainda mais conhecida do que já era. “Ela disse que queria mudar de escola porque começou a se destacar e as colegas achavam que ela tinha algum tipo de vantagem pelo fato de ser miss”, conta Vera Scheeffer, mãe da adolescente.

Na ocasião, a diretora da escola foi acionada e marcou uma reunião geral, com todos os alunos, para resolver a situação. “Eu tinha uma ideia de que eu ia ser olhada de forma estranha, mas as pessoas falavam coisas horrendas para mim e qualquer coisa que eu fizesse, elas achavam um defeito”, lembra Mirella. Felizmente, ela não precisou sair da escola; voltou às aulas normalmente e tentou tirar algo de positivo da situação. “Dei a volta por cima e muita gente hoje tem vergonha do que falava e acabou se tornando meu amigo.”

Bastidores
Como mãe de miss, Vera diz que sempre tentou mostrar para a filha o lado positivo e o negativo deste universo. Os excessos, no entanto, podem ser vistos nos bastidores e, por algumas vezes, ela chegou a notar casos em que, nitidamente, a criança não está disposta a seguir este caminho.

Pietra Gasparin representará o Brasil em concurso na Euro Disney, em Paris (Foto: Carol Gherardi / Divulgação)

Pietra Gasparin representará o Brasil em concurso na Euro Disney, em Paris
(Foto: Carol Gherardi / Divulgação)

Ela afirma que já viu nos bastidores crianças chorando e sem vontade de desfilar. “Tem meninas que passam mal horas antes de entrar na passarela porque deixaram de comer. Acho inadmissível”, conclui.

O sonho da mãe nem sempre corresponde ao da filha, e este é um grande problema, na opinião da psicóloga Marina Vasconcelos. “É um perigo fazer com que o filho realize o que ela não conseguiu realizar. A criança pode passar a se perguntar: ‘será que minha mãe vai gostar de mim se eu deixar de fazer?’”, pontua.

Do laquê aos cílios postiços
Outro ponto polêmico nos concursos infantis é o excesso de produtos e beleza, o que faz com que as candidatas pareçam mulheres adultas em miniatura. Na opinião de Claudia, equilíbrio é o segredo. “Maquiagem é algo que toda criança nessa idade ama. É a Pietra mesmo que escolhe as cores que ela quer, sempre combinando com o vestido, mas tudo muito suave”, afirma.

Mas, de acordo com a dermatologista Marcia Monteiro, de São Paulo, é preciso cautela, pois algumas crianças são muito sensíveis a substâncias químicas, podendo desenvolver quadros alérgicos. “Eu não recomendo o uso de maquiagem para crianças. Acredito que poderíamos liberar o uso, muito esporadicamente, a partir dos 15 anos de idade”, alerta, acrescentando que o uso precoce de alguns produtos também pode levar ao aparecimento de acne.

Ela também não recomenda alisamento, tintura ou tratamentos capilares mais agressivos. “Acredito que o maior dano em relação ao uso destas práticas de beleza na infância esteja relacionado ao aspecto psicológico. Ainda que seja dermatologista e deva alertar para os riscos à saúde da pele, não poderia deixar de ponderar que isto pode induzir a criança a acreditar que seja ‘feia’ ou ‘inadequada’. Da mesma forma, cria, muito precocemente, uma busca incessante por um ideal de beleza, muitas vezes irreal e inatingível”, analisa a profissional.

Madura antes da hora
De acordo com a psicóloga Marina, de um modo geral, as meninas que começam muito cedo não têm muita dimensão do território em que estão adentrando. “Para elas é uma fantasia que vira a realidade, mas elas não sabem o que isso vai repercutir”, afirma.

A psicóloga e analista do comportamento Lygia T. Dorigon reforça. “Nesta fase, as crianças são bastante influenciadas pelas suas referências, como pais e professores, e ainda têm poucas condições de avaliar a situação de forma adequada. Se a família conduz isso de maneira tranquila, como uma situação divertida, de descontração, a criança pode levar isso numa boa. Do contrário, se percebe que há uma pressão da família para que seja a melhor, pode ser que valorize a vida de ‘miss’ mais do que deveria, uma vez que ainda não está preparada para isso”.

Apesar das faixas, coroas e aplausos, a repercussão nem sempre é só positiva. Mirella conta que passou por um momento delicado após ser criticada por desfilar de biquíni. “Eu ouvi mais comentários negativos do que positivos. As pessoas realmente acham que meninas de 12 anos têm que estar brincando de boneca. Mas a minha roupa era um biquíni porque era um traje típico representando o Carnaval do Brasil, então não acho que foi uma exibição. Fui bastante julgada, mas não acho que foi vulgar”.

Aprender a lidar com críticas, reações negativas e o fracasso também faz parte deste universo. Para a psicóloga Marina, é preciso cautela para conduzir estas situações, para não “pular fases e atropelar o desenvolvimento”.

Em busca da perfeição
Outro ponto de atenção levantado pelas psicólogas é o exagero com a questão da vaidade. Na opinião das profissionais, o excesso de preocupação com a beleza deve ser dispensado na infância. “Não se pode incutir na criança uma vaidade exagerada, que pode virar também uma sexualização adiantada”, observa.

Lygia também considera esta questão como prejudicial à criança do ponto de vista psicológico. “Acho negativo uma situação que valoriza a beleza e atributos físicos, pois é importante que as crianças sejam valorizadas em outras competências também. É a fase de elas serem estimuladas em diferentes áreas e de ampliarem seus gostos e interesses. Uma rotina de concursos, focada nisso, faz a criança entender que é isso que é importante, ou seja, que é isso que precisa valorizar”, diz.

Mirella aprendeu a lidar com a cobrança das pessoas, mas afirma que não foi algo fácil. “O que me deixava desconfortável era a pressão que as pessoas colocavam em mim para eu ser perfeita. Mesmo sem te conhecer, elas fazem uma imagem de você”, afirma.

Segundo Lygia, o problema é quando a criança leva isso como uma situação estressante, com uma grande valorização em detrimento às suas outras competências. “Se isso ocorrer, pode ser que, quando adulta, a criança apresente dificuldades em termos de segurança e autoestima. Mas tudo isso depende menos da criança e mais da forma como as pessoas do seu entorno conduzem a situação”, conclui.

Os limites
A principal recomendação para as crianças que seguem este caminho é não deixar de lado as atividades de uma criança normal, colocando a vida escolar sempre em primeiro plano. “É preciso colocar um limite e não deixar que ela deixe de ir a escola, pratique os esportes e conviva com os amigos. Elas também precisam saber que não é fácil ser uma Gisele Bündchen. São pouquíssimas as que vão se destacar, então, terão que enfrentar as frustrações e entender que o sucesso não é para todo mundo”, diz Marina.

Lygia também recomenda que os pais fiquem atentos para o que a criança quer, gosta e sente. “A criança procura fazer aquilo que agrada os pais, especialmente quando tem uma boa relação com eles. Avalie se o sonho é mesmo da criança ou se é seu. Atente para outras habilidades e competências de sua filha. Valorize-a para além de seus atributos físicos. Quanto mais ela aprender coisas novas, mais forte será seu repertório comportamental e mais condições ela terá de escolher seu caminho futuro com segurança. Terá mais condições de ser feliz e isto, provavelmente, é o que deve ser mais importante”, completa.

Ela também ressalta que, por mais frustrações que uma criança passe, sempre é possível reconstruir um caminho. “A história por que cada um passa influencia a vida futura, mas não a determina. Experiências negativas deixam marcas, mas novas experiências criam novas marcas que podem se sobrepor às antigas. Desse ponto de vista, é sempre possível que alguém se recupere de histórias ou lembranças negativas”, afirma.

No caso de Pietra, a vida de miss ainda é uma brincadeira, segundo a mãe, que ela não leva como profissão. No de Mirella, a “brincadeira” já se desenha para um caminho futuro, já que o seu sonho é concorrer ao miss adulto e, quando concluir os estudos, “entrar na mídia”. “Quero ser atriz, fazer filmes e até cinema, quem sabe?”, conta, ressaltando que também pretende morar fora do Brasil – de preferência, em Londres. “É de onde são os integrantes da minha banda preferida, o One Direction”, conclui.

Seu filho, um cidadão

Atitudes para que as crianças virem adultos conscientes de seus direitos e deveres

Publicado na revista Cláudia em fevereiro de 2013

Por definição, um cidadão é um indivíduo com direitos civis e políticos garantidos por um Estado – ou seja, em tese, seu filho já nasceu um cidadão. Mas a teoria não basta. É preciso aprender, praticar e cultivar a cidadania.Boa parte dos valores éticos essenciais para que ele, no futuro e agora, viva bem em sociedade vem da escola. “É lá que a criança tem as primeiras experiências mais sólidas em termos de vida pública e aprender a conviver , como alguém que pertence a um lugar e um grupo”, diz Maria Teresa Égler Mantoan, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de campinas (Unicamp) e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (Leped), da mesma instituição. mas as noções de respeito por si mesmo e pelo outro, a solidariedade e a tolerância para conviver bem com a diversidade também nascem em casa. Tudo começa pela postura que os pais assumem tanto nos domínios domésticos quanto na comunidade da qual fazem parte. Atitudes cotidianas até simples, como caminhar pelo bairro para conhecê-lo melhor ou puxar uma conversa crítica sobre um filme que a família acaba de ver, ajudam a formar filhos cidadãos. Consultamos especialistas e reunimos as principais.

SEJA UM BOM MODELO

Um ótimo ponto de partida é mostrar – não com palavras, mas com ações – que a família tem consciência de seus direitos e deveres e age de modo participativo na sociedade. isso inclui ir a reuniões e eventos promovidos pela escola em que os filhos estudam, não faltar a assembleias de condomínios, comparecer às urnas para eleger governantes consciente de seu voto, opinar em referenciados  e inteirar-se de questões importantes para o seu bairro, sua cidade, seu estado, seu país. Mas as atitudes do dia a dia contam, e muito. Então, atenção: do banco de trás do carro, seu filho percebe se você dá ou não passagem para pedestres, se sempre segue as regras de trânsito – ou as burla quando está com pressa, por exemplo – e se costuma parar em fila dupla ao deixá-lo na escola. E nota a gentileza e o bom senso (ou a falta desses atributos) no trato com parentes, amigos, colegas de trabalho e empregados. “Crianças e adolescentes são muito observadores. Veem tudo”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais, em São Paulo. Ela ressalta que, por isso, vale comentar quando pessoas fazem algo errado.”Você pode dizer: ‘Olha só, um motorista parado bem em cima da faixa. isso não é legal.'”, sugere. O papo deve acontecer de modo natural e fluido, não parecer ensaiado ou ter ar de lição de moral. Uma das bases para formar um cidadão crítico é você mostrar quem é de verdade, suas crenças e seus princípios.

ATIVE O SENTIMENTO DE PERTENCER

cidadania tem tudo a ver com sentir-se parte integrante de um grupo e corresponsabilizar-se por ele. Primeiro a própria família. “Os pais precisam falar sobre ela e mostrar quem é esse conjunto de pessoas mais próximas, sua história e seus hábitos. Assim, a criança começa a entender como seus parentes convivem e quais são os limites que ela ocupa dentro dessa célula”, diz Maria Teresa, do Leped, da Unicamp. Quando bem trabalhado na esfera micro, o sentimento de pertencimento facilita a convivência na esfera macro – não importa aqui se estamos falando de outras crianças no parque, na turma do clube ou de colegas da escola. Segundo experts, esse sentimento de pertencer a algo, que gera comprometimento, é essencial para seu filho entender que “estar com o outro” é diferente de apenas “estar junto do outro” – pressupõe compartilhar e respeitar. De acordo com Maria Teresa, “o papel da família é central para as crianças perceberem que, fora de casa, elas também têm compromissos com o mundo que a cerca”. mais adiante, essas noções contribuirão para dar sentido à ideia de nação, na qual podemos reclamar se nossos direitos não são assegurados, mas também precisamos assumir deveres para o bem comum.

INVISTA NA PARCERIA COM A ESCOLA

Uma vez que tanto a vivência em família como as experiências no ambiente escolar são fundamentais para a construção e o fortalecimento das noções de cidadania, nada mais sensato do que buscar uma sólida parceria. “Todas as instituições sociais participam do processo educativo. Mas a escola é aquela destinada a educar de modo organizado e sistemático. É ali que são partilhados, de forma intencional e específica, os conhecimentos, as crenças e os valores de uma sociedade”, afirma Terezinha Rios, doutora em educação e colunista da revista Nova Escola Gestão Escolar, da Fundação Victor Civita. Conhecer os caminhos trilhados pela escola em que seu filho estuda requer mais do que só acompanhar comunicados e comparecer a reuniões. Peça para conhecer o projeto político-pedagógico, documento no qual são descritos objetivos e metas da instituição, bem como os meios utilizados para alcançá-los. A maioria desses projetos faz referência à formação cidadã. Depois, é preciso acompanhar o mais de perto possível o trabalho cotidiano dos educadores para ver como as propostas são colocadas em prática. “A tarefa da escola terá mais êxito se articulada à atuação de outras instituições, principalmente a família. É preciso estabelecer o diálogo.”

ABRA ESPAÇO PARA POSTURAS CRÍTICAS

Passear a pé pelo bairro, ver o que ele tem de bom e de ruim, observar a diversidade de pessoas e lugares que abriga, pensar em formas de torná-lo mais bonito e agradável. Essa é uma atividade simples, mas carregada de estímulos ao comportamento cidadão. Também dá para fazer exercícios parecidos em outra cidade ou país. “Conhecer novos povos, culturas, hábitos e culinárias diferentes é favorecer o entendimento da diversidade”, diz a psicóloga e psicanalista Blenda de oliveira, de São Paulo.  E isso é básico para desenvolver a tolerância. Sem contar que a criança e o adolescente precisam de espaços para expressar suas opiniões. Há formas simples e que funcionam de fazer isso. “Que tal assistir a um documentário, um filme de ficção ou uma peça de teatro e depois fazerem juntos um debate crítico sobre eles? Esse tipo de discussão ajuda a estimular a reflexão, importante na construção da cidadania”, afirma Luciana Maria Allan, diretora técnica do Instituto Crescer para a Cidadania, em São Paulo. O trabalho voluntário é outro eixo a explorar. Visitar uma casa de repouso ou contar uma história em uma creche são experiências que sensibilizam e mudam o olhar dos nossos filhos. Só não adianta cobrar interesse por voluntariado se essa não é uma prática valorizada pela família e incorporada a seu dia a dia. “falamos que os jovens de hoje são apáticos e não têm visão crítica do mundo. mas em que momento nós, como pais, oferecemos estratégias para que sejam cidadãos participativos? Quando convidados, eles querem participar e gostam. Ficam chocados e preocupados com a realidade ao redor e têm energia para mudar as coisas para melhor”, diz Luciana.

INCENTIVE A COLABORAÇÃO

A amizade e a convivência entre vizinhos parece diminuir conforme aumenta o tamanho das cidades e dos condomínios. O resultado é que hoje impera o individualismo em nossa sociedade. “Estamos mais isolados e infelizes”, resume Maria Teresa, da Unicamp. “Há quem tema ser solidário por medo de se dar mal e quem ache que nunca vai precisar de quem mora ao lado, torcendo para que a recíproca seja verdadeira”. Em vez de perpetuar o isolamento, os pais precisam favorecer o encontro. vale incentivar seu filho a se apresentar a novos moradores do prédio, chamando-os para brincar. Ou convidar um colega recém-chegado à escola para uma tarde de diversão. Sim, eventualmente eles entrarão em conflito. E sim, talvez eles sejam diferentes em trajetória, características, pensamentos e posses. Mas nada disso deve servir como medida de comparação ou competição, e é isso que você vai ensinar a seu pequeno. Tome sempre cuidado não só com o que fala mas com o que pensa. Sonhar que seu filhos erá um grande vencedor na vida é válido, mas nunca a qualquer custo. Pouco vale chegar lá se não houver justiça social para que o outro também tenha a chance de chegar – e é por isso que a violência urbana é um problema de todos nós.

DIGA NÃO A QUALQUER DESPERDÍCIO

Certamente, as festas de fim de ano fizeram roupas, brinquedos e aparelhos eletrônicos novos desembarcarem na sua casa. É uma oportunidade para promover uma limpeza geral nos armários e ensinar que certos acúmulos são desnecessários. Além de gratificante, o ato de doar é pedagógico. “Ensina sobre desapego e mostra que nada é insubstituível”, diz Marina. falar sobre o uso consciente de água e energia elétrica e mostrar a importância de separar o lixo também são lições essenciais. “É preciso educar os filhos para que aprendam a não desperdiçar comida, tempo, amigos, afetos, talentos e oportunidades. Sustentabilidade engloba tudo isso”, afirma Blenda. O desafio é transmitir um pacote completo de limites, valores, responsabilidades e posturas cidadãs em diferentes áreas – um pacote para ser carregado a vida inteira.

 

Como lidar com o filho que segue religião diferente da dos pais

Publicado no UOL em 05/03/2013

Antes de criticar a escolha do jovem, procure entender o que o levou a uma religião diferente da sua

Antes de criticar a escolha do jovem, procure entender o que o levou a uma religião diferente da sua

O jovem foi criado de acordo com os preceitos religiosos que os pais acreditam e praticam, mas um belo dia comunica que se interessa e está seguindo outra religião. Como lidar? Como em todas as questões relacionadas à convivência entre adultos e adolescentes, o primeiro passo é respeitar e entender a motivação por trás da mudança.

Segundo o padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da PUC de São Paulo, o melhor caminho é sempre o do diálogo e o da compreensão. “Em primeiro lugar, os pais devem tomar conhecimento de que religião se trata e quais as implicações para a vida do filho e a da família. Ao mesmo tempo, têm de se colocar no lugar do jovem para entender seus anseios. Precisam também considerar que os tempos mudaram e que os adolescentes de hoje fazem exigências que a geração dos pais não fazia. Eles querem ser ouvidos e participar de tudo. São mais críticos, embora nem sempre consistentes.”

É essencial ter bom senso ao conversar sobre o assunto. “Os pais precisam perceber que nem sempre o que foi ou é bom para eles também é adequado para o filho. Portanto, devem permitir que ele procure seu caminho espiritual. A religião pode ser um apoio, uma sustentação emocional e não deve ser simplesmente cortada por mero capricho, cisma ou intolerância dos adultos. Se está fazendo bem para o filho, não há por que reprimir”, afirma a terapeuta familiar e especialista em psicodrama Miriam Barros.

Como a adolescência é uma fase de paixões e interesses intensos, mas não raro passageiros, vale observar o comportamento do filho antes de entrar em discussões. “É importante entender a razão pela qual ele está seguindo outra religião. Às vezes, é só porque uma menina por quem está interessado faz parte dela”, diz Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Também pode ser pela necessidade, bastante comum na faixa etária, de pertencer a um grupo.

Seja qual for o motivo que levou o jovem a se distanciar da religião praticada pela família e a adotar outra, o pior a se fazer nesse momento é tentar proibir a prática. “A repressão é puro jogo de forças e não leva ao diálogo”, declara o padre Valeriano, da PUC de São Paulo.

Opor-se, sem fundamento, à nova religião do filho é a pior forma de lidar com a situação. “Tem de se tomar cuidado para não virar coisa pessoal, o que provocaria mais resistência do outro lado. Se isso acontecer, não importa tanto a religião, o que importa é que ela se torna argumento para contestar os pais. Só existe um meio para ajudar os outros: amor e diálogo. Nesse clima é possível dizer a verdade sem ferir”, fala o religioso.

Conciliar crenças religiosas na mesma família é possível desde que a tolerância seja praticada, de acordo com os especialistas ouvidos nesta reportagem. “É preciso se colocar no lugar do outro e, acima de tudo, evitar disputas, competições, zombarias, tirar sarro, provocações. A verdade de um pode não ser a do outro”, diz a terapeuta Miriam Barros.

Sinal de preocupação

Respeitar, no entanto, não quer dizer não observar se a nova religião afeta ou não o comportamento do adolescente e de que maneira isso acontece. “O que pode parecer fanatismo, muitas vezes, é apenas um entusiasmo natural. Desde que o jovem continue a ter uma vida familiar, escolar e social normal, não há problema”, declara a terapeuta Miriam Barros.

Há atitudes que podem ser indício de uma dedicação exagerada à crença, segundo a terapeuta Marina Vasconcellos. “Soube de um caso em que o filho, que adorava música, jogou fora todas as partituras de canções que sempre havia tocado”, fala a especialista.

Mais uma vez, é importante recorrer ao diálogo e acompanhar o jovem à igreja que ele escolheu para melhor conhecê-la. Se a comunicação estiver difícil, os pais também podem pedir que algum adulto da confiança do jovem converse com ele ou, em casos extremos, optar pela terapia em família. A repressão deve ser o último recurso. “A proibição gera revolta. É provável que, de uma forma ou outra, o filho encontre uma maneira de fazer o que deseja”, diz Miriam.

Você está pronta para ser mãe?

Publicado no UOL em 12/03/2012

Muitos motivos levam uma mulher a querer ser mãe. Seja por causa do o relógio biológico que começa a dar sinais de que não há mais tanto tempo para gerar um bebê ou da vontade de expandir a família, em algum momento da vida grande parte das mulheres se questiona: “Será que estou pronta para ser mãe?”.

Segundo dados de uma pesquisa da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), divulgados no começo de março, 55% das brasileiras que dão à luz não planejaram a gravidez. No entanto, conforme explica a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal, o ideal é que a decisão de ter um filho seja muito bem pensada.

Para a especialista, a decisão envolve questões como estabilidade emocional, situação financeira e capacidade de lidar com rotina e vida pessoal, profissional e amorosa. “Recomendo a gestação a mulheres que já estudaram, fizeram faculdade, se formaram ou estejam trabalhando em alguma área profissional. Se quiser ter filho, é melhor que o lado prático da vida esteja mais direcionado, pois é preciso ter a mínima condição de sustentar a criança.”

Marina ainda diz que o mais aconselhável é que a mulher que deseja ser mãe tenha um relacionamento estável. “O ideal é ter um parceiro fixo ou alguém bastante próximo com quem a mãe possa contar, pois é difícil ter um filho sozinha. É muita responsabilidade e, nessa hora, a pessoa vai precisar de ajuda com as tarefas do dia a dia e também de apoio emocional e financeiro, para dividir despesas que vão da fralda até a escolinha.”

Outro fator a ser levado em conta e tão relevante quanto os anteriores é a predisposição de transformar totalmente o ritmo do dia a dia, além de abrir mão da vida social e profissional por um tempo. “É preciso saber que a rotina vai mudar por completo. A mãe deixará de ser uma pessoa que pensa só nela ou só no casal. O papel de mãe vai prevalecer por um bom tempo na vida dessa mulher e, no início, ela terá de se dedicar integralmente à criança”, explica Marina. Se a mulher for muito irritável ou intolerante, também é melhor pensar se realmente quer ser mãe, pelo menos até conseguir resolver esses sentimentos.

Opção: sem filhos

É cada vez mais comum casais optarem por curtirem a vida a dois – só a dois!

Publicado no Bolsa de Mulher em

Foto: Reprodução

Já se passaram três anos de casamento. As dívidas do início da vida a dois já estão mais brandas, a rotina também se estabilizou e a convivência se tornou, por fim, natural. Ainda assim, o amor e o companheirismo continuam os mesmos do começo do namoro. É chegada a hora, então, de investir na tão sonhada gravidez, certo? Errado. É cada vez mais comum casais optarem por não ter filhos. O Bolsa de Mulher investigou os motivos que os levam a essa decisão e conta como vivem esses pares.

Canalizar a atenção do casal para a criança é a primeira necessidade de quem aumenta a família. Para alguns, o choque está justamente no desvio, para uma terceira pessoa, de algo que sempre foi exclusividade do relacionamento a dois. “Você coloca um ser completamente dependente em uma relação de duas pessoas independentes. Por isso, muitos decidem não dispensar esta atenção com um terceiro”, analisa o sexólogo Amaury Mendes Júnior, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Sexologia.

Já a psicóloga, terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos destaca a questão de marido e mulher preferirem a liberdade de poder investir tempo e dinheiro para aprimorar o casamento e a vida pessoal. “Ambos têm mais condições financeiras para viajar e gozar de uma qualidade de vida privilegiada, consumindo mais supérfluos, podendo sair mais, comer fora, ter liberdade de horários, investir no profissional”, enumera ela.

Egoísmo?

A busca pela estabilidade financeira é um dos principais pontos considerados por esses cônjuges que, segundo os especialistas, são majoritariamente das classes A e B. “Algumas pessoas se dedicam mais à profissão e à sua individualidade, e isso não pode ser tratado como egoísmo. Estes casais estão aos poucos se fortalecendo e encontrando um respaldo maior da sociedade. Hoje em dia, não ter filhos é uma opção”, considera Mendes Júnior. “Nem todas as pessoas nasceram com essa vontade de procriar, como se pensa”, complementa Vasconcellos.

E foi essa falta de vontade que motivou a funcionária pública Ana Paula Dusi, de 41 anos, a não encarar a maternidade. Casada há 17 anos, ela acredita que o timing para a chegada do filho passou. “É lógico que isso já passou pela minha cabeça. Quando quis, o meu trabalho exigia muito de mim e acabei deixando rolar. Os anos seguiram e a minha vontade nunca chegou a ser tão grande, porque, quando a gente quer uma coisa, nada é empecilho”, considera.

Dusi conta que o assunto foi sempre sendo adiado, principalmente pelo peso que o rebento poderia gerar no orçamento. “Eu sou mais racional do que emocional. Moramos em um apartamento pequeno, mas muito bem localizado. Não queria abrir mão do meu padrão de vida e fui me acostumando a viver a dois. Não nasci pensando assim, mas a vida me levou a isso”, admite.

Dependência do parceiro

Para alcançar a felicidade no casamento, com ou sem filhos, Mendes Júnior ressalta a importância do planejamento. “Tudo depende dos objetivos que o casal traça. Eles devem conversar muito e ter maturidade”, acredita. Com uma vida dedicada ao parceiro, a atenção e a dependência podem se tornar um fardo pesado demais para a união. “O casal sem filhos pode se sentir vazio, e isso faz crescer muito o ciúme entre eles”, explica.

Investir em projetos individuais, segundo Marina Vasconcellos, é uma das chaves para o sucesso. “Como não há filhos para dividir as atenções, o outro acaba sendo alvo de um olhar mais atento. A dependência pode atrapalhar quando um espera o outro para fazer tudo, o que não é nada saudável. O enlace precisa ser entre duas pessoas inteiras, com suas atividades e realizações pessoais e não duas metades que se interdependem para existirem”, finaliza a psicóloga.

Ensine seu filho a não se comportar como um miniadulto

Quer dar uma boa educação para seu filho? Então estimule as brincadeiras e combata valores como a vaidade e a ostentação

Publicado no Bonde em 20/05/2011

A criança precisa saber que existe hora para tudo: saltos, maquiagem e baladas não fazem parte do universo infantil (Foto: Reprodução)

Difícil pensar em infância e não fazer uma associação imediata com brincadeiras e o mundo lúdico do faz-de-conta. Essa é a época onde se tem, ou pelo menos se deve ter, menos preocupações e mais diversão. Mas e quando meninos e meninas pulam essa etapa da vida e assumem comportamentos de adultos? A influência dos pais e o maior acesso às inovações tecnológicas intensificaram a precocidade infantil, porém, viver como criança continua sendo importante para a socialização e o desenvolvimento criativo e humano.

Para a psicóloga da PUC-SP e terapeuta familiar Marina Vasconcellos, embora vários fatores influenciem a formação desses miniadultos, a educação é preponderante. Isso porque os pais são modelos de comportamento para os filhos e passam as primeiras noções de valores a eles. “Se uma mãe vestir a filha como uma mulher feita, vai adiantar um desenvolvimento que não é da criança, provocando nela uma necessidade de ser adulta”, explica.

Marina destaca que o ideal é que a família incentive atividades do universo infantil, estimulado a convivência com amiguinhos da mesma faixa etária e sugerindo brincadeiras e passeios adequados. Mesmo se os colegas pressionarem a criança a adotar hábitos mais adultos, cabe aos pais trazer o filho para sua realidade e idade cronológica.

Como exemplo, a psicóloga cita uma menina de oito anos que insiste em usar salto alto, alegando que as amiguinhas usam. A mãe deve deixar claro que ela não é todo mundo e que não vai usar antes da hora. Outro caso são as baladinhas que viraram moda nessa faixa e, muitas vezes, vão até meia-noite – e as crianças insistem em ficar até o fim por causa do grupo. “Baladinha não é adequada nessa idade. Se a criança for, tem de ter horário para voltar. Com o pai ou mãe buscando”, diz.

Tecnologia

O contato com o computador, a internet e, consequentemente, a um volume crescente de informações também mudou o comportamento das crianças, na avaliação de Marina. O hábito de ficar diante do monitor inibe a convivência social, além de expor aos pequenos condutas que não condizem com suas idades.

Outro agravante é o exibicionismo. O acesso às novas tecnologias e a celulares de última geração dá status mesmo para os pequeninos, ainda que não tenham necessidade de utilizá-los.

Consequências

O grande problema, de acordo com a psicóloga, é quando a precocidade é estimulada ou ignorada em casa. Se uma menina usa maquiagem para ir à escola e os pais não percebem que a filha está avançando o sinal, será preciso alguém de fora – seja um familiar, um amigo mais próximo ou um orientador escolar – mostrar que não dá para queimar etapas.

Excesso de vaidade pode ser um sinal de precocidade

Embora seja difícil prever os desdobramentos futuros dessa antecipação de fase, a criança pode sofrer seus efeitos no curtíssimo prazo. “Pode até adiantar a sexualidade da criança. Além disso, ao olhar dos colegas, uma menina que usa maquiagem, roupas de adulta e salto alto pode ser considerada vulgar, metida e fútil”, alerta a psicóloga.

A terapia em grupo costuma ser eficaz em casos como esse. Como reúne meninos e meninas com idades próximas, um pode chamar a atenção do outro e fazê-lo se dar conta de que está fora do comportamento esperado para aquele grupo. “Até porque criança fala mesmo”, observa Marina. (*Fonte: Portal Vital/Unilever)

A criança e sua individualidade

Desde cedo, a criança percebe seu jeito de ser e como se encaixa no grupo em que vive, respeitando a si e ao próximo com um papel muito importante da família nesse processo

Publicado no Arca Universal em 12/10/2010

Foto: Reprodução

Fala-se muito sobre as novas gerações que despontam. As crianças de hoje estão mais informadas, influem mais no meio em que vivem e têm noção mais cedo de quais são seus direitos. Por outro lado, também há uma carência de limites, gerando conflitos quando elas encaram a “vida lá fora” após o primeiro contato social: o seio familiar. No meio disso tudo, aprendem a viver em grupo, mas também entendem como elas são como indivíduo, desenvolvendo preferências.

Como levar em conta, ao educar os filhos, que eles tanto respeitem as regras à sua volta quanto respeitem a si mesmos, não cedendo tão facilmente às pressões externas? Começar respeitando a individualidade da criança dentro de casa já é um passo bastante significativo e com reflexos para toda a vida, segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais em São Paulo.

Em entrevista ao Arca Universal, Marina explora mais o assunto:

Em que idade a criança começa a mostrar sinais de individualidade?

Não há uma idade ao certo. Varia de criança para criança. Desde muito cedo ela começa a mostrar egocentrismo. Quer tudo para ela, tudo tem que girar em torno dela. Enfim, ela é o centro do mundo e pronto. Mas o egocentrismo nessa época é normal, não deve ser confundido com a personalidade da criança. Eis que ela entra na escola e começa a conviver com um mundo maior que o da família somente. Aí sim, a personalidade começa a aparecer: umas dividem as coisas com facilidade, outras têm mais dificuldade. Muito disso vem de casa, da criação. Ter irmãos, ou não, influencia bastante. E esse processo de “soltar” a criança deve acontecer mesmo, é necessário para que comece a entender como ela é longe da família e passe a ter consciência de si mesma como indivíduo. Vai começar a criar seu próprio mundo, a frequentar alguns lugares sem os pais. Geralmente, mães muito grudadas aos filhos geram pessoas que terão certa dificuldade mais tarde para entender e fazer parte da vida em sociedade. Entendendo quem ela é, a criança também começa a entender como ela faz parte de um todo, como se relaciona com o todo. Também começa a adquirir autonomia, responsabilidade.

Qual deve ser a posição dos pais e parentes perante essa individualidade?

Primeiro devem entender que embora a criança tenha genes do pai e da mãe, ela é um ser único. Cada filho é único. Na verdade, não adianta impor um jeito, a criança não tem que ser como você esperava. Impor à força gera conflitos que podem acompanhar a pessoa pelo resto da vida. Em suma, ela tem um jeito de ser e mudar isso não é producente.

Quais as diferenças entre individualidade e personalidade?

Com a individualidade, a criança começa a perceber o seu mundo, desenvolve o seu jeito de ser. Ela não pode ficar o tempo todo com o adulto a seu lado ditando tudo, senão corre o risco de virar uma mera cópia. Ela tem que entender como ela é quando não está com alguém por perto. A personalidade é a estrutura própria que ela forma, a partir do meio em que foi criada, que resulta dele. Isso influencia bastante, e daí vem se a criança é mais expansiva ou mais tímida, por exemplo. Mas a personalidade pode sofrer alterações com o tempo, embora o mote básico não mude.

Embora a criança tenha personalidade própria, faz parte de um grupo social: a família. Depois, integrará outros (escola, clube, igreja, amigos). Como ela deve ser educada para ao mesmo tempo preservar sua individualidade e se integrar a esses grupos?

A educação que os pais oferecem e os valores que eles passam são muito importantes para toda a vida. Isso a ajuda na formação do jeito de ser. Ela receberá influências de fora, claro, mas tendo noção de sua individualidade, pode receber até mesmo más influências da “turma”, que as rejeita. Respeitada em casa, ela desenvolve o seu ego, sua estrutura, e é mais forte para ter um filtro em relação ao que recebe de fora. Passa por cima daquelas coisas que geralmente provocam desvios de personalidade. Na adolescência, ela estará com a individualidade em desenvolvimento, testará várias coisas e, com o tempo, dispensará o que não tem a ver com ela. É preciso respeitar essa fase para que ela perceba sua individualidade, descubra como é.

Estamos na semana do Dia das Crianças. Como presentear uma criança levando em conta a individualidade dela?

Acontece muito o caso de “eu pedi uma boneca e meu pai me deu uma bola” em pacientes meus. Atenção: uma criança não é um “mini-você”. Ela é um indivíduo e tem preferências. Parece algo simples e até fútil, mas alguém cresce com certos complexos quando isso acontece. Um deles é aquela sensação de que seu gosto não era respeitado, que ela não era ouvida. Quando a criança tem seus 6, 7 anos, já não dá tão certo aquele negócio de comprar roupas sem ela estar junto. Ela passa a querer certas cores, certos tipos. Gostaria que a cor da parede do quarto fosse essa e não aquela. Desenvolve seu gosto. Se ela simplesmente recebe o que é imposto, isso gera frustrações que leva para a vida toda.

Mas temos que pensar em outras coisas também. Uma delas é que é bom perguntar o que a criança quer de presente, mas com limites. Ela deve saber que pode ter determinada coisa, mas deve entender que não vai ter tudo o que quer só porque quer. Outra coisa é que o Dia da Criança se tornou algo puramente comercial. Virou aquilo de “presente e pronto”. Deveria ser um dia, mesmo tendo o presente, que também tivesse algo como levar as crianças ao parque, ficar junto com ela e ir a eventos especiais que existem em vários lugares. Mas todo mundo só compra um presente e pronto.

Quais as diferenças das crianças de outrora (em alguns casos elas nem tinham o direito da presença à mesa nos jantares de família) para as de hoje?

Passamos de um extremo ao outro, o que é perigoso. Antes elas simplesmente não eram ouvidas e hoje são ouvidas demais, a ponto de virarem pequenos tiranos que mandam na família. Há um “psicologismo” pregando que não se repreenda as crianças. Claro que elas têm mais noção de individualidade, de seus direitos, mas pai tem que ser pai e mãe tem que ser mãe, há uma hierarquia familiar que precisa ser respeitada. Se antes havia limites demais, agora há limites “de menos”. E até “limite tem limite”: ele precisa existir, sem excesso ou escassez, para que a criança desenvolva o respeito pelo próximo e entenda como suas ações refletem no meio em que vive, positiva ou negativamente.

Hoje, é muito comum a criança fazer algo na escola, receber uma repreensão dos professores e os pais já irem com tudo para cima dos educadores para defender os filhos. Não procuram nem mesmo saber como a situação real aconteceu, se o filho realmente aprontou algo e se foi devidamente repreendido. Acham que se eles não chamam a atenção do filho ninguém mais vai chamar. É preciso fazê-los entender os limites. Isso pode muito bem ser feito, mas com afeto, com bom senso.

Jovens se arriscam em redes sociais

Pesquisa revela que 31% deles conversam com desconhecidos pela web

Publicado no Arca Universal em 26/11/2010

Foto: Reprodução

É cada vez maior o número de jovens que utilizam as redes sociais. E apesar de todo o apelo da mídia em mostrar os perigos que a exposição excessiva acarreta na vida das pessoas, muitos adolescentes insistem em divulgar na internet fotos, nome, endereço e outros tipos de informações pessoais, que ficam totalmente à vista de todos.

Isso é comprovado por uma pesquisa realizada pela fabricante de antivírus McAfee, em conjunto com o Instituto TNS. Segundo os números, em cada dez jovens de 13 a 17 anos de idade, oito utilizam as redes sociais. Dos entrevistados, 63% compartilham fotos; 31% conversam com desconhecidos – através de chat; e cerca de 5% informam a localização de onde vivem e dos locais que frequentam.

O perigo da divulgação de dados pessoais é muito grande, já que a rede é compartilhada por milhares de pessoas no mundo inteiro. Além disso, há o risco de o adolescente se relacionar, mesmo que virtualmente, com pessoas estranhas, que podem aliciar, seduzir, roubar, raptar, violentar e até mesmo matar.

As redes sociais como Hi5, Facebook, Orkut, Sonico, entre outras, além dos chats, expõem principalmente crianças e adolescentes a riscos desta natureza. Um exemplo disso foi o caso de Ashleigh Hall, uma garota de 17 anos encontrada morta em uma estrada de Darlington, na Inglaterra, em 2009. Na noite que antecedeu o crime, ela disse aos pais que dormiria na casa de uma amiga e voltaria antes do almoço, o que não aconteceu. As amigas da jovem disseram ao jornal britânico “Daily Mail” que Ashleigh vinha conversando com um garoto de 16 anos pela web.

Outro caso mais recente aconteceu em Pinhais, no Paraná, onde uma adolescente esteve desaparecida. Apesar do susto, a menina, de 13 anos, que conheceu um rapaz pela internet e fugiu com ele, foi encontrada 10 dias depois em outro município, aparentemente bem.

Foto: Reprodução

Possível solução

Para a psicóloga Marina Vasconcelos, especialista em psicodrama terapêutico, uma possível solução seria a família “estipular horários para o uso do computador, tanto para fins escolares quanto para jogos e diversões em geral”.

“Os pais devem conversar com seus filhos sobre isso, explicando claramente os riscos envolvidos na exposição indevida de dados pessoais na internet. Nada como a conversa, a explicação, a orientação. O adolescente precisa disso”, destaca Marina.

Birra, a arte da manipulação

Publicado no terra em 14/08/2009

Foto: Reprodução

Sentar no chão e espernear, chorar incessantemente, berrar, xingar, bater, chutar e tentar de qualquer forma conseguir o que quer. Esse é o comportamento de muitas crianças que se utilizam da birra como arma para manipularem os pais.

Se você sofre com isso, saiba que não é a única.

Cada vez que uma criança ouve um não, se não está acostumada, vai tentar contornar a situação – desencadeando desagradáveis situações e levando os pais ao desespero. “Não se deve dar crédito ao que o filho pede usando a birra como instrumento de conquista. Deve-se deixar bem claro que, enquanto ele estiver agindo assim, não conseguirá nada, apenas prorrogará uma situação desagradável para todos”, afirma a psicóloga e terapeuta familiar Marina Vasconcellos, de São Paulo.

Para os pais, a parte mais difícil de controlar uma crise de birra é ter que dizer não. E isso, normalmente, causa mais revolta e dor de cabeça. Para não prolongar a situação, os pais acabam cedendo à vontade dos filhos, passando o controle às mãos da criança. “Quando o ‘não’ tem que ser dito, é preciso bancar. As birras certamente devem ser cortadas e não incentivadas. Os filhos precisam saber que quem tem a autoridade e a palavra final são os pais, e não eles. Portanto, se a intenção é cortar as birras, o melhor a fazer é realmente não se deixar levar por elas”, alerta a profissional.

Para sair dessa enrascada, Marina propõe uma pequena solução: trocas. Se você der alguma coisa em troca do silêncio e da obediência da criança ela percebe que sempre que tiver que fazer um escândalo para conseguir algo, sairá perdendo de alguma outra forma. “O filho não pode sair da situação achando que venceu os pais, pois isso o alimentaria a continuar com seu comportamento birrento. Ele deve sentir que quando faz isso, perde algo”, ressalta.

Para explicar que essas atitudes não são bem vistas, a psicóloga indica o diálogo. Ter uma conversa franca, deixando claro quem manda, dando exemplos e ensinando a elas que não é assim que se consegue algo é uma boa pedida.

Agora, quando a situação sai do controle e os pais não acham alternativa, o castigo pode funcionar. “Se ela não entende apenas com o diálogo, o castigo vai forçá-la a perceber que aquele comportamento não é bem vindo e traz consequências ruins. A criança deve, desde cedo, sentir e assumir a responsabilidade pelos atos que pratica, e o castigo é um meio de fazê-la dar-se conta disso”, finaliza a terapeuta.

A popularidade e a autoestima na infância

Publicado no Terra em 19/10/2009

Foto: Reprodução

A necessidade do elogio não tem idade. Mas na infância, tem papel fundamental.

Isso porque a formação do caráter de cada um depende muito dos estímulos e exemplos dados nessa época da vida. Se agir mal e for criticada, a criança entende que o que fez é ruim e tende a não repetir. Da mesma forma, ao receber elogios por uma boa atitude, ficam mais propensas a repetí-las, numa corrente do bem.

“Todas as pessoas têm a necessidade de se sentir acolhidas, aceitas, pertencentes a um grupo ou meio. A criança também. Desde cedo vamos formando a autoestima a partir da relação com nossos pais e das reações das pessoas às nossas colocações e atitudes, ou seja, a partir do ‘feedback’ ao que fazemos”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo.

A partir disso, Marina reforça a ideia de que a autoestima está intimamente ligada a esse retorno e, consequentemente, a popularidade que a criança tem ou não. “Quanto mais somos elogiadas e incentivadas, encorajadas a fazer as coisas, a nos arriscar, assim como reforçadas positivamente, maior será a autoestima desenvolvida. Se a criança é popular e percebe que agrada as pessoas, fica mais fácil acreditar que é boa, que seu potencial é grande e que pode se dar bem na vida”, esclarece.

Durante a infância, a aceitação na roda de amigos é fator primordial na formação da autoestima. Aqueles que sofrem preconceitos – ou o chamado “bullying” – sofrem não apenas quando pequenos, mas também na vida adulta. O uso de drogas e substâncias ilícitas, por exemplo, é uma das formas que o indivíduo encontra para chamar atenção e provar que tem potencial. “O abuso dessas substâncias é algo que se faz para provocar o olhar dos outros, algo que a pessoa não teve. Porém, ela não percebe que não era ‘esse’ olhar que ficou faltando, mas sim toda uma atenção que não pôde ser dada pelos mais variados motivos. Acabam chamando a atenção para si pela doença, não por atitudes saudáveis, e precisam da ajuda dos que as rodeiam para se tratar. Assim, obrigam as pessoas a ‘incluí-las’ em suas vidas através da preocupação e dos cuidados necessários ao seu tratamento”, diz Marina, também terapeuta familiar.

Além desses problemas, a insegurança na vida adulta propicia o aparecimento de doenças psicossomáticas e a demora no tratamento de outras doenças simples, do dia-a-dia. “Nosso organismo reage muito de acordo com a maneira como levamos a vida. Uma postura positiva frente à vida e aos problemas influencia o resultado de nossas ações. É notório o quanto as pessoas que levam a vida mais feliz e de maneira leve são menos doentes e conseguem se safar mais facilmente de situações difíceis. Já os medrosos e excluídos estão frequentemente se queixando de incapacidade para realizar algo”, explica a profissional.

Quando o assunto é mimar os pequenos, Marina faz um alerta: dar tudo não significa dar autoestima. “Os pais devem ensinar os valores realmente importantes às crianças, mostrando que ninguém é melhor só porque tem algo, mas sim porque ‘é’ algo, ou ‘sabe’ algo, e isso sim se leva para a vida toda. A autoestima deve ser construída em cima de potenciais da própria criança, valorizando-a em suas qualidades, mostrando o quanto ela pode conseguir se esforçar-se um pouco mais, enfim, deve-se deixar claro que o importante na vida não é apenas o consumismo ou a moda. A influência do grupo muitas vezes pesa e fica difícil lutar contra o ‘todo mundo tem’, mas a postura firme dos pais, juntamente com o diálogo, é decisiva para a transmissão de valores essenciais”.

Incentivar amizades, trazer amigos para brincar em casa desde cedo, deixar o filho brincar ou dormir na casa de amiguinhos ou participar de acampamentos de férias são atitudes importantes que os pais precisam incorporar à criação dos filhos. Marina sugere ainda que os pais perguntem sobre os amigos da escola e demonstrem interesse por eles, incluam esportes na rotina da criança e a leve a festas quando for convidada. “É preciso permitir que a criança tenha sua rede de relações e facilitar para que o contato seja possível”.

Brasileiros contra a adoção por casais homossexuais

Publicado no Terra em 10/08/2011

Foto: Reprodução

Em maio de 2011, o Conselho Nacional de Justiça revelou que há 50 mil crianças e adolescentes em abrigos públicos no Brasil. Dessas, somente quatro mil têm chances reais de serem adotadas.

Isso porque os casais que demonstram interesse na ação exigem, na maioria dos casos, crianças menores de um ano, brancas e saudáveis. Além disso, as meninas levam vantagem.

Embora haja um número elevado de jovens sem família, os casais homossexuais encontram muitas dificuldades na hora de adotar um filho. O IBOPE divulgou no último dia 28 de julho uma pesquisa que mostrou que 55% dos brasileiros são contra a adoção por casal do mesmo sexo. A mesma porcentagem também é contra a decisão do Supremo Tribunal Federal de legalizar a união de homoafetivos.

“Ainda há muito preconceito. As pessoas acham que homossexuais são depravados, que têm uma vida desregrada, sem limites ou valores e com maus hábitos. Essa é uma imagem errônea”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em Psicodrama Terapêutico, Psicodramatista Didata e Terapeuta Familiar e de Casal. “Há o preconceito de achar que pais homoafetivos irão passar orientação sexual para as crianças e isso não existe”.

A psicóloga aponta o fato de que se o caso acima fosse realidade não haveria gays, já que eles iriam reproduzir o comportamento dos pais heterossexuais. “Outro fator que dissemina o preconceito é a ideia de que a criança necessita de referências masculinas e femininas. Isso é verdade, porém, não necessariamente essa referência deve vir do pai ou da mãe. Tanto é que os filhos criados somente pelas mães, cujos pais abandonaram, crescem sem problema algum”, esclarece Marina Vasconcellos. Ao que tudo indica o único fator prejudicial aos pequenos é o preconceito.

Dizer que as crianças irão sofrer discriminação na escola é outro argumento bastante usado por quem é contra a adoção. “Pode ser que isso aconteça, mas também pode ser que não. Quanto mais casos, menor será o estranhamento. É importante lembrar que há algumas décadas os filhos de mães solteiras ou divorciadas passaram pela mesma situação e hoje ninguém nota, é completamente comum”, afirma a especialista. Marina garante que a criança irá se habituar, e sendo amada, não sentirá desconforto por ter dois “pais” ou duas “mães”.

“Um casal homossexual por encontrar tanta dificuldade na hora de adotar, vai dar muito amor e carinho às crianças, além de acesso à saúde e aos estudos”, supõe Marina Vasconcellos. A psicóloga lista amor, afeto, incentivo e aceitação como ingredientes fundamentais na educação. E nega que casais do mesmo sexo possam deixar algo faltar, simplesmente por serem homossexuais. “É essencial para qualquer criança sentir que faz parte do grupo familiar, se sentir querida e especial. Elas devem ser reconhecidas e elogiadas”, garante a psicóloga.

Entre os 55% contra a adoção a maioria são homens (62%), os maiores de 50 anos predominam e chegam a 70%. O grau de escolaridade também se destacou entre essa maioria: 67% dos contrários cursaram somente até a quarta série do ensino fundamental. O IBOPE ouviu 2.002 pessoas com no minímo16 anos, em 142 municípios do território nacional.

Como as nossas mães

Contrariando as estatísticas, algumas mulheres têm um filho atrás do outro e se realizam com a casa cheia

Publicado na ISTO É em 06/05/2009

SUPERFAMÍLIA A empresária Claudia (ao lado) é mãe de Chloé, Arthur, Max e Clara (da esq. para a dir.) Foto: Reprodução

A vida na casa de Claudia Junqueira é animada e barulhenta. Na hora de comer, dormir, fazer dever de casa ou brincar, a agitação está garantida com os quatro filhos. A “escadinha” formada por Arthur, 3 anos, Clara, 7, Chloé, 10, e Max , 12, às vezes é engrossada por colegas de escola, que se juntam à bagunça. “Meus quatro filhos foram desejados e queridos”, garante a empresária, de 37 anos. A família de Claudia está na contramão das estatísticas. Enquanto a brasileira tem cada vez menos filhos, ela faz parte de uma minoria que escolheu ter a casa cheia.

Famílias grandes foram regra num passado relativamente próximo. Na década de 70, a taxa de fecundidade era de 5,7 filhos por mulher. Em 2000, caiu para 2,3 filhos, e entre as que têm oito anos ou mais de estudo, 1,6 filho. De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esses números encolheram ainda mais: 1,9 filho por mãe.

O que motiva, então, algumas famílias a irem contra essa tendência? Para Claudia e seu marido, que vêm de lares cheios de irmãos, é uma opção natural. “Desde menina eu desejava uma família enorme”, explica Claudia. “Os amigos dos meus filhos amam vir aqui porque é uma casa pensada para as crianças.” Empresária, ela mo n t o u uma agenda flexível para acompanhar os pequenos de perto e dispensou babá e creche.

Para Marina Vasconcellos, terapeuta de casais e família da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é essencial ter planejamento financeiro e tempo quando se decide ter uma prole extensa. “Ter muitas crianças é uma festa, mas elas demandam atenção”, afirma. A terapeuta diz que, apesar de exigir dedicação, crianças criadas com vários irmãos tendem a se desenvolver com maior autonomia. Do ponto de vista biológico, o corpo da mulher sai ganhando com a maternidade.

A gravidez reduz o risco de problemas como endometriose, câncer de mama e de útero. “Nesse sentido, quanto mais a mulher engravidar, melhor”, diz a ginecologista Nilca Donadio.

É essencial ter planejamento financeiro e tempo para se dedicar quando se decide ter uma prole extensa

A roteirista e escritora Maria Mariana, 36 anos, passou os últimos dez anos alternando amamentação com gravidez. Conhecida pelo livro Confissões de adolescente, que virou peça e série de tevê, ela está lançando o livro Confissões de mãe, com as reflexões alinhavadas durante as gestações de Clara, 9 anos, Laura, 7, Gabriel, 5, e Isabel, 2. “Eu sempre quis muitos, mas fui querendo um depois do outro”, conta Mariana, que acha mais fácil criar vários filhos do que um só. “Eles aprendem juntos.” Depois de praticamente dez anos vivendo em função dos filhos, ela volta ao trabalho como roteirista da Rede Record e diz que saiu ganhando, apesar das críticas. “Achavam que eu estava deprimida, que tinha desistido”, diz Mariana.

Em países com taxas de natalidade mais baixas, proles numerosas ganham, no mínimo, olhares desconfiados. Michelle Lehmann, 38 anos, secretária de uma firma de advocacia em Chicago, é mãe de oito, com idades entre 13 e 2 anos, e criou a comunidade online  http://www.lotsofkids.com, para ajudar pais com muitos filhos a trocar experiências. “As pessoas acham que você é irresponsável, ignorante ou fanático religioso por ter uma família maior”, conta Michelle. Olhares enviesados são comuns quando os Lehmann saem de casa.

A partir da quarta gravidez, a secretária passou a ser tratada de modo diferente. “Eu apoio o direito de não ter filhos ou de ter família pequena”, diz a secretária. “Só gostaria que eu e meu marido fôssemos mais respeitados por acreditarmos ser maravilhoso ter vários filhos.”

CONFISSÃO DE MÃE Maria Mariana foi criticada pela pausa de dez anos, em que priorizou os filhos (Foto: Reprodução)

Além do preconceito, esses pais enfrentam o fantasma de não darem atenção suficiente para todos. “Meus filhos são muito diferentes entre si, mas faço um esforço considerável para dedicar tempo a cada um deles”, diz Michelle. A professora do Departamento de Psicologia e Filosofia da Educação da Universidade de São Paulo (USP) Silvia Colello afirma que a questão da atenção nunca se resolve de forma coletiva. “Os pais têm que ser críticos”, ensina. “Aquilo que você aprendeu com um filho não serve para aplicar ao outro.” É essa dedicação incansável que torna verdade o ditado: “Em coração de mãe, sempre cabe mais um.”

Derrubando mitos do filho único – Parte 2

Esqueça os estereótipos sobre crianças que crescem sem irmãos. Especialistas garantem que elas podem se tornar adultos tão ou mais saudáveis do que aquelas que crescem em grandes famílias

Publicado na ISTO É em 16/07/2010

Outro motivo importante da redução de tamanho das famílias é a entrada da mulher no mercado de trabalho, algo incompatível com uma prole numerosa. “As pesquisas mostram que a maioria dos lares com filhos únicos é composta por casais com dupla renda”, diz José Eustáquio Diniz Alves, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até a idade adulta, o gasto com a criação de um filho pode chegar a R$ 1,6 milhão para famílias com renda de R$ 25 mil e nada desprezíveis R$ 400 mil para famílias de renda entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, de acordo com a consultoria Invent (leia na pág. 63). Ao colocar na ponta do lápis os gastos da primeira gravidez, a jornalista carioca Maria Fernanda Delmas decidiu lançar o livro “Olha Quem Está Poupando” (Ed. Elsevier), em que orienta os pais a controlar os gastos. “Ao decidir ter um filho, o casal deve conversar sobre as implicações para o bolso. Três gastos saltam muito: empregada doméstica, creche ou escolinha e saúde”, afirma.

AUTONOMIA Sylvia, ao lado do marido, Cláudio, diz que a vontade era colocar o filho Vinícius numa redoma. “Mas ele me ensinou a fazer a coisa certa” (Foto: reprodução)

Sem restrições financeiras para formar uma família, a enfermeira Elaine Dominicis Dias Pereira, 43 anos, sonhava com uma casa cheia. Mas ao tentar engravidar, aos 30 anos, descobriu que precisaria da ajuda de tratamentos de fertilidade. Foram várias tentativas frustradas du­rante quatro anos até que ela finalmente engravidou quando morava nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, ela se controla para não mimar Victoria, 11 anos. Da escola à aula de equitação, a menina está tendo a melhor educação possível para que se torne, nas palavras da mãe, “uma pessoa sociável e de bom coração”. Para isso, Victoria acompanha Elaine em um projeto social e vende brigadeiros para arrecadar brinquedos para as crianças no Natal. “Essa é a liberdade que você dá para o filho único. Ela tem iniciativa, e pago para ver onde vai dar”, diz Elaine. Mas nas negociações familiares, a menina quase sempre ganha a mãe na lábia. “Ela tem senso de liderança”, derrete-se.

Alessandro considera que o saldo de não ter irmãos foi positivo e repetiu a dose com Erik, 5 anos. “Já é difícil dar atenção a um filho, imagine a dois.” (Foto: Reprodução)

Ao contrário de Elaine, que desejava ter mais filhos, a educadora Elisângela Hernandes, 29 anos, no sétimo mês de gravidez, está convicta de que esta será sua única gestação. Ela e o marido planejaram detalhadamente a experiência. “É um aprendizado nosso, entender o filho, o que significa cada choro.” Especialistas explicam que, com um acesso cada vez maior ao planejamento familiar, cresceu a expectativa sobre a experiência da maternidade. “As pessoas desejam que ela ocorra de forma idealizada: o quarto perfeito, o momento ideal, o companheiro certo”, diz a psicanalista Diana. “Muitos filhos únicos são tidos únicos na expectativa de que seja produzida uma experiência ideal e que seja um fardo menor”, afirma.

Foto: Reprodução

O lado mais sombrio da geração de filhos únicos está no envelhecimento. Na fase adulta, eles terão de lidar sozinhos com os cuidados e a perda dos pais. “É muito pesado não ter com quem dividir o fardo do cuidado”, afirma Diana. Filho único, o técnico carioca Alessandro Cardoso, 33 anos, decidiu reproduzir sua experiência com o filho, Erik, 5 anos. “Minha mãe tinha dedicação duplicada comigo, mas não cheguei a ser mimado”, recorda. “O problema foi a partir dos 12 anos, quando comecei a sentir falta de irmão mais velho, alguém que pudesse me orientar, servir de referência”. Fazendo um balanço geral, ele acredita que ser filho único teve mais fatores positivos do que negativos. Sua opção por não dar irmãos a Erik se deve às exigências da vida moderna. “Eu e minha mulher trabalhamos o dia todo. Já é difícil dar atenção a um filho, imagine a dois.” Embora mais tranquila, a opção ainda é alvo de críticas. “Mais do que os amigos, irmãos ajudam a aprender a dividir as coisas, lidar com frustrações e conviver”, afirma a terapeuta familiar Marina Vasconcellos. Famílias com uma única criança tendem a ser mais estáticas também. “Ter mais pessoas implica ampliar o repertório familiar”, afirma a terapeuta familiar Maria Amália Salles.

Mas ninguém deve resolver ter mais filhos por isso. Ou porque a criança pede insistentemente um irmãozinho. “Os pais têm o direito de decidir quantos filhos vão ter. Basta apenas que arquem com as responsabilidades naturais desse ato e usem dois elementos básicos: equilíbrio e bom senso”, afirma Tânia Zagury. Agindo assim, as chances de se criar pessoas saudáveis são muito maiores. Cabe aqui a velha máxima, tão usada na educação dos filhos, da qualidade em prol da quantidade.

 

 

Primeira menstruação não pode ser adiada

Mães procuram médicos para adiar a primeira menstruação das filhas, mas especialistas explicam porque essa atitude é equivocada

Publicado no IG Delas em 17/08/2010

A menarca é um dos últimos processos da puberdade. Mães devem conversar com as filhas sobre o que está acontecendo com o corpo delas em vez de tentar adiá-la (Foto: Getty Images)

Engana-se quem pensa que só as pré-adolescentes sofrem com a sua primeira menstruação. Os dilemas envolvendo a menarca atormentam também pais e mães, que se preocupam com a pouca idade com que as filhas entram na puberdade. Se nas gerações anteriores as meninas menstruavam entre 14 e 16 anos, hoje elas costumam menstruar entre 9 e 13 anos. A média, para ser exato, é de 12,2 anos, segundo Talita Poli, hebiatra do Hospital Santa Catarina. Também nos Estados Unidos, pesquisas recentes apontaram que as meninas entram na puberdade cada vez mais cedo – e sugeriram uma ligação entre obesidade e a chegada precoce da menstruação.

A médica especializada em adolescentes aponta algumas explicações para a antecipação da menarca, a primeira menstruação, como melhorias nutricionais e estímulos externos – acesso a informações pela internet e pela televisão, por exemplo. “Essa diminuição da idade é natural, não é motivo de preocupação. Se melhoram as condições de vida das meninas, elas se desenvolvem mais rápido e, consequentemente, amadurecem e menstruam mais rápido também”, explica Talita.

A médica Felisbela Soares de Holanda, do setor de ginecologia endócrina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), endossa as palavras da hebiatra e completa dizendo que os pais só devem se preocupar com a primeira menstruação das filhas caso ela aconteça antes dos oito anos de idade. Nesse caso, a questão se torna patológica e é chamada de puberdade precoce. “Quando as meninas começam a desenvolver caracteres secundários, como mama e pêlos pubianos, antes dos nove anos de idade, aí fazemos exames de sangue e avaliação óssea para ver se ela sofre de puberdade precoce. Caso sofra, começamos um tratamento com medicação específica”, afirma. Esse tratamento, porém, não é recomendado para meninas que têm a primeira menstruação após os nove anos, garante a médica.

Antônio Caetano Pereira Simões, pediatra especializado em menarca e professor do departamento de pediatria da Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), concorda com a opinião da colega e explica que, ao contrário do que muitos pais pensam, retardar a menarca não vai fazer com que a menina, que não sofre de puberdade precoce, cresça mais. “O ‘estirão’ das meninas acontece antes da primeira menstruação, mas bloqueá-la não significa que haverá um novo estirão. A menarca não é um sinalizador da velocidade de crescimento, ela é um dos últimos processos da puberdade”, fala o médico.

Os três especialistas apontam em unanimidade que retardar a menstruação de uma pré-adolescente é um erro. “As mudanças pubertárias assustam, mas é errado postergá-las. O adolescente não tem maturidade para fazer essa escolha, e os pais não têm que incentivar isso. Tomar medicamentos para retardar a menstruação é o mesmo que mexer no eixo hormonal. O que uma mãe ganharia adiando uma coisa que tem que acontecer?”, questiona a hebiatra Talita. “Não é uma opção saudável usar a medicação para quem sofre com puberdade precoce em quem não sofre. Nunca se sabe como o corpo da menina vai se comportar depois que ela parar de tomar os remédios”, completa a médica.

Danos psicológicos

A psicóloga Lúcia Helena Laprano Vieira, responsável pelo acompanhamento das pacientes do Ambulatório de Ginecologia da Criança e Adolescente da Unifesp, afirma que, quando é procurada por mães que estão preocupadas com o amadurecimento das filhas, explica o processo pelo qual as meninas estão passando e tenta aconselhá-las. “A mãe precisa entender que esse é o mundo, que ela não pode ficar com medo de ver a filha crescer e, por isso, querer bloquear a menstruação. Meu conselho é que ela trate a filha de acordo com a idade que ela tem e que mostre para ela que a menstruação acontece com outras meninas também”, diz. Talita completa dizendo que é importante não se sentir diferente das amigas nesse período da vida. “A adolescência é um processo complexo e, para o adolescente, é importante ser igual ao grupo. Retardar a menstruação da menina pode fazer com que ela se sinta de fora”, explica.

Marina Vasconcellos, psicóloga pela PUC–SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), especializada em Psicodrama Terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, e terapeuta familiar e de casal pela Unifesp, aconselha as mães a enfrentaram o medo de conversar com as filhas. “Apostar em um remédio que mexe com o organismo não é a saída. O correto é falar sobre as mudanças do corpo da forma mais natural possível, com livros e imagens que estejam de acordo com a idade das adolescentes”, encerra.

Personal Gestante: futuras mães em treinamento

Coaching na gravidez surge para tranquilizar mães que não sabem como equilibrarão trabalho e filho ao mesmo tempo

Publicado no IG Delas

Figura do coach surge para auxiliar futuras mamães a conciliar carreira e maternidade (Foto: Getty Images)

Há muito tempo se fala em coaching (treinamento, em inglês) no mundo organizacional, em que aquele que é treinado visa obter melhor desempenho em busca do sucesso profissional ou para perder aqueles quilinhos extras, por exemplo. Porém, de acordo com Villela da Matta, presidente da Sociedade Brasileira de Coaching, o que ainda não se sabe é que a ferramenta pode ser utilizada em todas as áreas da vida e, dentro do mundo feminino, inclusive para superar as dificuldades que a gravidez usualmente abrange, até mesmo antes da decisão de ter um filho.

“Hoje em dia não é somente engravidar e ter um neném, ser mãe envolve muitas outras questões”, afirma Matta. Uma delas – e a que a maioria das mulheres que procuram pelo serviço quer resolver – envolve o lado profissional: “Muitas acabam acreditando – assim como também acreditam os homens – que é necessário focar somente no filho ou somente na carreira, mas não precisa ser assim”. Segundo ele, o objetivo do coaching neste momento, é modificar essa percepção e mostrar que é possível conciliar os dois. Mesmo que você já esteja desesperada em relação à licença-maternidade mesmo antes dos primeiros meses de gestação.

De acordo com o especialista, diante deste e de outros questionamentos, o processo de coaching serve para tornar a gravidez ainda mais prazerosa, impedindo que a mulher entre em estágio de ansiedade e nervosismo profundo – uma vez que o futuro que se aproxima se revela um pouco incerto. “A mulher hoje não tem um espelho, uma referência de sucesso, de uma mulher que teve filhos e ainda assim permaneceu profissionalmente bem e com um relacionamento amoroso extremamente satisfatório”, revela. O coaching, no entanto, chega para desenvolver estratégias para que tudo saia da melhor maneira.

Pontos de angústia

Para Ricardo Monezi, psicobiólogo e pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp, a decisão é uma das mais importantes da vida e nos dias atuais, realmente envolve uma série de angústias: “Cada vez mais as mulheres postergam a maternidade pela preocupação com a carreira, por exemplo, e isso também já se configura como um fator de estresse e ansiedade muito alto”. Em casos de empregos de alta demanda, o desenrolar da gravidez pode ser extremamente tenso, o que não faz bem para a mulher e tampouco para o bebê. Mas não acaba por aí.

“Além da questão da idade avançada, existem outros pontos de angústia gerados pela gravidez, como a insegurança por não saber se vai dar conta e a preocupação com o que os outros irão pensar dela como profissional e mãe, além do corpo em transformação e a pressão dos hormônios”, explica Monezi. O papel do coacher ou do profissional que esteja acompanhando a mulher neste momento, portanto, é amenizar todas essas situações e orientá-la a manter o equilíbrio, principalmente nesta fase de adaptação, em que as mulheres ainda estão abrindo espaço para adaptar a carreira com a maternidade.

Dois em um

Segundo a psicóloga especialista em terapia familiar e de casal, Marina Vasconcellos, existem ainda muitas mulheres que seguem frustradas na tentativa de combinar os dois papéis, de mãe e de profissional. “Elas estão se dando conta de que é difícil assumir a ambos, mas por exigirem muito de si mesmas, acabam se sentindo culpadas por não darem conta perfeitamente de tudo”, explica. Para a especialista, o caminho que deve ser seguido agora é o “afrouxe”, em que a mulher pode dar o melhor de si sem se desgastar e sem se cobrar em excesso.

Para a psicóloga Sabrina Patto, especialista em análise transacional, este conflito é realmente o que a maioria das mulheres vive. “A parte mais difícil é perder isso de tentar dar conta de tudo, de querer ser 100% profissional, 100% mãe, 100% esposa”, revela a especialista. Esta fantasia que se torna ansiedade – e que surge até mesmo antes da gravidez –, poderá ser vivida se a mulher não delegar corretamente o trabalho que terá com o filho. E contar com o marido nessas horas – ou alguma outra pessoa, como a mãe, a sogra ou até uma babá – é imprescindível.

Coacher e coachers familiares

Ainda de acordo com Monezi, é importante que a mulher saiba que, embora seja possível de manejar a carreira sozinha, a gravidez não é assim tão individual. Enquanto o papel do coacher existe como um suporte psicoterápico, é preciso que a mãe da vez conte também com os “coachers familiares”. “Aqueles que possuem formação pelo companheirismo, o marido, por exemplo, devem saber ouvir e dialogar com a mulher que estiver passando por este processo”, afirma. Na maternidade, a mulher passa por um processo em que toda sua biologia é transformada e, segundo Monezi, a psique acompanha estas transformações. “Formar um arcabouço social irá ajudá-la muito, seja com a família ou com amigos”, completa.

O Presidente da Associação de Coaching também ressalta que, no meio deste reposicionamento da vida – e superação daquilo que parecia impossível de ser resolvido – ser uma mãe que sobreponha as barreiras não é algo fácil, mas é possível. “O coaching, por exemplo, procura identificar o que o cliente deseja, quais são os pensamentos limitantes para podermos ampliá-los e encontrar alternativas para chegar à meta desejada”, explica Villela. Segundo ele, é possível desenvolver os recursos emocionais e, ao longo das várias etapas do coaching resolver as necessidades de cada mulher em busca do serviço.

O preço varia de R$250 à R$750 por sessão individual, que costuma durar uma hora e meia e ser feita uma vez por semana e pode ser feito durante todo o processo de gestação. E claro, não é direcionado apenas para mulheres que estão divididas entre carreira e gravidez: “As pessoas que nos procuram o fazem por diversas razões, desde as que estão planejando a gravidez até as que estão a três meses de dar à luz”. Segundo Villela, existem também as que decidem que só irão ter o papel de mãe como foco e deixarão o emprego pela maternidade. O importante, no entanto, é saber que independentemente da decisão, uma solução pode ser encontrada.

Mães de meninos x mães de meninas

Mães apontam diferenças e semelhanças em criar filhos e filhas – e especialistas mostram o melhor caminho na criação de ambos

Puclicado no IG Delas em 04/05/2010

As diferenças de comportamento entre meninos e meninas são muito mais culturais (Foto: Thinkstock)

A psicóloga alemã Gisela Preuschoff, autora do livro “Criando Meninas” (Editora Fundamento), afirma que uma das diferenças mais eminentes entre homens e mulheres é que o lado esquerdo do cérebro, que controla as ações verbais, se desenvolve com mais rapidez no sexo feminino. Por isso, elas aprendem a falar mais cedo. O lado direito, no entanto, que controla as ações espaciais, se desenvolve antes nos garotos. Mas este seria um dos motivos para justificar uma criação totalmente distinta entre meninos e meninas?

Segundo a doutora em psicoterapia pela Unicamp Ana Gabriela Andriani, especialista em Psicoterapia Dinâmica Breve pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, as diferenças de comportamento entre meninos e meninas são muito mais culturais do que biológicas: “Antes mesmo de uma criança nascer, já existe todo um imaginário sobre ela”. Andriani explica que as relações familiares afetam o modo como a criança irá se comportar no ambiente em que vive. “Por exemplo, as crianças não nascem preferindo brincar de bola ou de casinha, o modo como os pais tratam cada gênero é que faz a maior diferença”, explica.

Vera Aparecida de Aguirre, de 56 anos, mãe de uma menina e dois meninos, afirma que a única coisa diferente que fez na criação deles foi em relação ao modo como enfeitava e tratava a filha: “Eu sempre a enfeitei mais, penteava o cabelo dela, arrumava mais a roupa, e também a tratava de forma um pouco mais delicada”.

Para a psicóloga e terapeuta familiar da PUC-SP, Marina Vasconcellos, especializada em Psicodrama Terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, o fato da menina ser tratada com mais delicadeza é só o começo para definir como ambos os sexos irão se comportar no futuro.

Bonecas e carrinhos

Vasconcellos explica que os brinquedos que as crianças utilizam irão influenciar – e muito – na maneira de cada um se desenvolver. “Eles já crescem com bola e brincadeiras de luta, elas ficam mais com bonecas, brincando com casinhas”, conta. Segundo a especialista, o olhar dos pais e as expectativas acabam diferenciando os sexos.

“A menina geralmente é tratada com mais delicadeza, mais emoção. O menino acaba mais ligado à força e racionalidade”, afirma Andriani. Vera Boemer Philip, de 58 anos, mãe de duas meninas, tem dúvidas se seria uma boa mãe de menino justamente pela forma delicada e carinhosa com que sempre cuidou das garotas. “Sou muito cuidadosa, gosto muito de receber o carinho delas, e com menino eu teria que me esforçar mais para não ser tão melosa assim”.

Ana Rosa dos Santos Ceccon, 58 anos, mãe de três meninos, conta que talvez tivesse dificuldade se fosse mãe de meninas. “Eu só tenho irmãos, então, não tive tantos problemas com os meninos. A única coisa que me incomoda é a bagunça deles, mas não sei se as meninas são muito diferentes neste aspecto”, revela.

De acordo com a psicoterapeuta Margareth Scherschmidt, diretora do Projeto de Valores Humanos do Instituto Anima De Sophia, às vezes os pais criam expectativas sobre o filho homem, como jogar bem futebol, por exemplo, mas o mais importante é dar oportunidades a ambos os sexos, e não se prender a uma tendência. “É importante deixar a natureza fluir, e não reforçar aspectos que estão dentro dos costumes, da tradição”, afirma a especialista.

Andriani ainda ressalta que diminuir estas marcas da cultura é necessário: “É importante mostrar para os meninos que eles podem acessar o mundo das emoções e isso não vai fazer com que ele seja frágil, muito pelo contrário, ele será um ser humano mais completo”. Lia Aparecida Nuzzi Garcia, de 53 anos, confirma a tendência: mãe de dois meninos e uma menina, ela conta que sua filha é bem mais aberta nas relações interpessoais e nas emoções do que os meninos.

Diferenças naturais

Independentemente do comportamento que cada, Vasconcellos afirma que o desenvolvimento cerebral e emocional do menino acontece um ano depois do da menina. “Tanto que as meninas amadurecem mais rapidamente que eles”, diz. Para ela, o ideal seria que eles entrassem na escola um ano depois, já que neste aspecto há uma diferenciação. Daniela Quintela Huffenbacher, 28 anos, mãe de um menino e uma menina, conta que isso aconteceu realmente com seus filhos: “Ela andou primeiro, falou primeiro, foi muito mais rápida em tudo”.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo psicólogo Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, o cérebro das meninas está mais apto à comunicação do que o dos meninos, que possuem uma maior tendência para a lógica e análise. Isso aconteceria pelos diferentes níveis de testosterona fetal encontrados em ambos os sexos. Ainda, segundo outra pesquisa também coordenada por Baron-Cohen, as meninas se interessam mais pela interação com a figura materna e possuem uma maior sensibilidade ao toque.

Preuschoff confirma a informação em seu livro e conta ainda que, de acordo com uma pesquisa norte-americana que, ao reunir meninos e meninas na sala de espera de um consultório, percebeu que os meninos não costumam respeitar a proibição dos pais para tocar algum objeto, diferente delas. Levando em consideração este aspecto, a autora concluiu que elas são capazes de controlar melhor os próprios impulsos do que eles.

Personalidades diversas

Além das diferenças biológicas entre o sexo masculino e feminino, as mães afirmam que, em geral, tratam os filhos de modo diferente por causa do temperamento singular de cada. Segundo Philip, suas filhas, por exemplo, possuem personalidades muito distintas: “Elas são como água e vinho, uma é politicamente correta, a outra é da pá virada, são muito diferentes”.

Ana Rosa também ressalta diferenças entre seus filhos e, mesmo que o mais novo sempre tenha sido mais fechado que o mais velho, sempre teve uma relação muito aberta com ambos. Porém, acredita que se tivesse tido filhas, conseguiria ter um maior controle da vida delas do que tem de seus filhos: “Eles vão crescendo, ficando livres, aí não adianta nem tentar seguir pelo celular”.

Além disso, quando eles ainda são pequenos, Andriani revela que são os estímulos que a criança recebe que irão estimular a maneira que as crianças irão se comportar na infância, na adolescência e na vida adulta. Segundo ela, no entanto, quanto mais estimulada emocionalmente e intelectualmente com diferentes brincadeiras entre as caracterizadas mais masculinas ou mais femininas, melhor será o desenvolvimento afetivo, cognitivo e social.

O que pode ser feito

Diminuir as marcas culturais, mostrando que menina pode brincar de bola e outras brincadeiras masculinas e menino também pode brincar com objetos mais femininos sem que isso afete a sexualidade dele, é uma das atitudes que todos os pais deviam tomar de acordo com Andriani. “É importante que se estimule ambos os lados”, explica. Vasconcellos ainda diz que é preciso evitar este comportamento de que homem não chora, que precisa ser durão. “Não precisa chamar tanto a atenção por este lado”, comenta. De acordo com Scherschmidt, o mais importante mesmo é respeitar as necessidades de cada um, independentemente do sexo.

Veja abaixo algumas dicas tiradas dos livros “Criando Meninas”, da alemã Gisela Preuschoff”, e “Criando Meninos”, do australiano Steve Biddulph (ambos da Editora Fundamento), para saber as principais diferenças biológicas que meninos e meninas podem apresentar durante o desenvolvimento.

– Não deixe que as meninas fiquem somente brincando com bonecas ou casinhas: quebra-cabeças e brinquedos mais lógicos, além de atividades físicas ao ar livre, ajudam para que a capacidade visual e espacial delas seja estimulada

– Estimule a capacidade de se expressar de seu filho contando histórias e conversando: assim, ele poderá se desenvolver com mais facilidade no campo da linguagem

– Disponibilize aos meninos brinquedos que estimulem a criatividade e a fantasia: bonecos, espadas e carrinhos colaboram bastante para isso

– Não menospreze o menino caso ele chore por algum motivo, como uma queda, por exemplo. Você estará reprimindo a sensibilidade dele

– Mesmo que o filho tenha a tendência de ser mais agressivo, não aprove o comportamento: o fato de ele ser um menino não faz jus a isso

– O choro deve ser permitido quando há algum sentimento como tristeza, raiva ou uma frustração: mas não deixe que as meninas, principalmente, usem disso para conseguirem algo que querem

– Chame também o menino para participar das atividades domésticas e mostre que este papel não é somente feminino

– É reconhecido que as meninas alcançam a maturidade com antecedência, mas não estimule que ela se torne uma mini-adulta utilizando roupas que não são propriamente para crianças

Eu quero ter filhos e ele, não

Como resolver o conflito quando você quer ser mãe e ele não quer ser pai

Publicado no IG Delas em 09/06/2009

 

Foto: Getty Images

Quando o casal quer filhos já é difícil. Quando um dos dois não quer, tudo fica mais sacrificado. E como lidar com o seu desejo de ser mãe, se ele não vem acompanhado pelo desejo dele ser pai? Marina Vasconcellos, psicóloga especializada em terapia familiar e de casal pela Unifesp, diz que, em primeiro lugar, isso deveria ter sido conversado antes do casamento.

Antes de casar
O casamento envolve um projeto de vida em comum, e isso envolve ter ou não filhos. Faz parte conversar sobre isso antes, diz Marina ¿ que avisa para tomar cuidado com a ideia de que depois convencerá o homem. É uma questão muito séria. Ser pai é um compromisso, é uma mudança de estilo de vida. Se o homem deixou claro que ele não quer, é melhor repensar alguns pontos.

Claro que pode ser uma situação contornável. Mas fale sobre isso antes de firmar uma relação. Às vezes, ele só não quer filhos imediatamente. Quer quitar o apartamento, fazer uma poupança, curtir o casamento… Veja quais são os motivos dele e se a paternidade faz parte dos planos dele, mesmo que a longo prazo. Porém, com aquele que diz que, definitivamente, não quer, pense duas vezes antes de casar.

Depois de casar
Vocês já estão juntos e o conflito é atual. E agora? Marina alerta que convencer, em uma situação dessas, é difícil. Acho que a mulher tem três alternativas: passar a vida toda frustrada, aceitar que não vai ser mãe ou se separar, resume ela. Viver casada e frustrada significa estar eternamente insatisfeita. A mulher vai ficar culpando o marido, e sem razão; afinal, ela topou abrir mão da maternidade.

Caso você esteja decidida a ficar com aquele homem, mesmo sem filhos, deve aceitar, sinceramente, o fato de não engravidar. Ela pode investir mais na carreira, viajar junto com ele, ter um outro estilo de vida com o marido e viver bem melhor, afinal, sobra muito mais dinheiro para os dois. Mas, se você acha que é uma prioridade na sua vida, a psicóloga diz que não tem jeito. A separação é a saída.

Erro comum

Não são raras as mulheres que provocam uma gestação. E Marina avisa o que elas já deviam saber: isso não dá certo. Se a mulher deixa de tomar pílula e engravida, o homem se sente usado. É uma traição. Piora ainda mais a situação. Ela não pode fazer isso, condena a psicóloga. Pode até ser que ele seja conquistado pelo filho, mas se isso não acontecer, é muito ruim para a relação dos dois e para a criança.

Aconteceu comigo

Joana* conta que sempre quis ser mãe. E não de qualquer homem: o pai teria que ser o marido que ela tanto amava. Ele nunca quis ser pai. Mas eu forcei a barra e o convenci… No começo, ele ficou feliz. Mas não durou muito, conta a mulher de 36 anos. Hoje, ele é outro homem: grosseiro, mal humorado e vive jogando na minha cara que nunca quis ser pai. Não tem a mínima paciência com o nosso filho e, claro, o casamento virou uma droga.

Quem pensou diferente foi Silvia*, jovem de 27 anos que sonha em ter muitos filhos. Quero quatro, conta ela. E o antigo namorado não tinha a mínima intenção de realizar nem parte do seu sonho. A aversão dele por crianças me deixou desgostosa com a relação. Acho que não adianta se enganar… Por mais que eu gostasse dele, eu sabia que não poderia jamais ter uma família como eu sonhei, explica ela. Por isso, terminei tudo.

* Os nomes foram alterados a pedido das entrevistadas

 

Melhores amigas para sempre

As amizades feitas na infância podem oferecer grandes benefícios para a vida adulta

Publicado em IG Delas em 11/01/2011

Se dá para contar nos dedos das mãos os amigos de verdade, quantos deles nos acompanham desde a infância? Podem ser poucos, mas certamente são bons. “Amigos de longa data são os de rua, das brincadeiras. Estamos falando de vivência, de se tocar, se abraçar, saber o que o outro comeu. Recordações e vínculos assim trazem saúde mental e alegria”, diz Silvia Cavicchioli, terapeuta Gestalt e de relacionamentos.

Natália e Lari são amigas desde a infância. No detalhe, as duas no aniversário de 8 anos de Lari (de cabelos pretos) Foto: Reprodução

A farmacêutica Natália Beani de Carvalho, 25 anos, nem se lembra desde quando é amiga da designer Lari Paschoal, que tem a mesma idade. As duas estudaram no mesmo colégio, fizeram várias viagens e trabalhos escolares juntas e compartilharam amigos em comum. Um dia, a separação: elas foram estudar em lugares diferentes, no ensino médio. “O que não foi tão ruim”, diz Natália. “O distanciamento foi totalmente positivo, a amizade deu uma respirada. Ganhamos outros parâmetros e contatos, o que nos fez amadurecer bastante”, concorda Lari. Aliás, por coincidência, hoje seus namorados têm o mesmo nome. Quando Lari começou a namorar Igor, mandou um SMS para Natália: “Oficialmente estou te copiando”. E como boas amigas, elas sabem que podem passar (pelo menos um pouco) do limite durante as discussões. A designer, por exemplo, que não gosta de tatuagem, bateu o pé a cada uma das três que a amiga fez no corpo. Sobre a bronca, no entanto, diz ser carinho de irmã mais velha. “Temos o tom certo para não magoar. Somos bem duras uma com a outra, mas é puro amor”, diz Lari.

Laços de longo prazo nascidos na infância têm um trunfo: nessa fase, os vínculos são muito espontâneos. “Amizade não implica em interesses; o amigo gosta de você porque gosta”, diz Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar. “Isso é fundamental para saúde total do ser humano. Dependemos da relação com o outro, para dividir, aprender e experimentar coisas novas”, diz. Para Sílvia Cavicchioli, essas amizades são tão profundas que contribuem no seu senso de identidade. “É uma forma de se achar. Quando há fortes mudanças íntimas, a pessoa precisa ver-se e reconhecer-se nesses referenciais antigos. Eles trazem conforto e aconchego”, afirma a psicóloga.

Camila e Melina são amigas há 18 anos. Ano passado, viajaram juntas à Disney e estão planejando a despedida de solteira de Camila em Las Vegas (Foto: Reprodução Arquivo Pessoal)

Ainda que variem de acordo com a sociedade e época, parecem ser dois os ingredientes universais e constantes da amizade: confiança e reciprocidade. Sobre esses pilares, a economista Camila de Carvalho Fernandes, 26 anos, consolidou sua relação com a publicitária Melina Leila Melo, também de 26. Os valores de ambas foram construídos em brincadeiras de colégio, lanches partilhados no recreio e cumplicidade nas equipes de educação física. “Foi a Camila quem me deu um ‘empurrãozão’ para frequentar a igreja. Desde pequena, ela sempre teve uma espiritualidade marcante. Lembro que enquanto as outras crianças eram egoístas, vingativas, a Cá pregava o bem”, conta Melina.

Obviamente, desentendimentos acontecem. Como a discussão que tiveram na volta de uma viagem para a Disney, no ano passado, por causa do excesso de bagagem. Melina, que é fanática por bonecas Barbie desde criança, aproveitou o passeio para engordar sua coleção, enquanto Camila, que adora produtos de beleza, não resistiu aos bons preços e repôs o estoque de produtos para cabelo – e dá-lhe jogo de cintura para ninguém estourar o limite de peso das malas. Mas briga mesmo, de verdade, elas se lembram de uma só, na 3ª série. Na ocasião, Camila se recusou a fazer a lição de casa de Melina. “Ah, se todas as brigas do mundo fossem por causa disso”, diz Camila. Amigas há 18 anos, costumam brincar que o relacionamento “atingiu a maioridade”.

Quem tem um best friend forever, o chamado BFF, sabe: a falta de contato diário não afasta os verdadeiros amigos. Para a psicóloga Marina, não é a convivência o que define a amizade, e sim os valores em comum. Diferentemente dos contatos profissionais e amizades por afinidade de interesses, as de longo prazo envolvem amor e respeito. As referências exteriores, como uma banda em comum ou um hobby, podem até ser um ponto de partida, mas não seguram o laço. “Costumam ser poucas as relações profundas da sua vida. É difícil alguém que tenha um monte de amigos nesse nível”, diz ela. Nas palavras de Silvia Cavicchioli, “a amizade que resiste ao tempo é um amor que vingou”.

Cinco fatos sobre irmãos

Entenda como o relacionamento entre irmãos, seja ele bom ou ruim, influencia na formação da personalidade das crianças

Publicado no iG Delas em 05/11/2011

 

Pesquisas realizadas nos últimos anos evidenciaram o que caracteriza e revela a dinâmica entre aqueles que são e têm irmãos, além dos genes em comum. Se os seus filhos vivem se atormentando, saiba que até as briguinhas entre eles têm efeitos positivos: o conflito entre irmãos amplia as habilidades sociais e ajuda no desenvolvimento emocional.

 

Jeffrey Kluger é autor de “The Siblings Effect: Brothers, Sisters and the Bonds that Define Us” (“O efeito dos irmãos: irmãos, irmãs e os vínculos que nos definem”, em tradução literal). De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, o livro inova ao propor o relacionamento entre irmãos como um fator primário para a formação da personalidade de todos aqueles obrigados a dividir algumas coisas na vida em família – do último pedaço de bolo de chocolate ao brinquedo preferido. Antes, os principais focos das pesquisas sobre os fatores determinantes da personalidade giravam em torno dos pais, do DNA e de fatores socioeconômicos.

“Nossos cônjuges chegam comparativamente tarde em nossas vidas; nossos pais eventualmente nos deixam. Nossos irmãos podem ser as únicas pessoas que realmente se qualificam como parceiros para a vida”, escreveu Kluger. Por isso, separamos cinco fatos sobre a experiência de ter irmãos. Conheça-os abaixo e saiba o que especialistas dizem a respeito.

1. Manter um relacionamento próximo com os irmãos faz bem à saúde

Uma pesquisa da Universidade de Harvard com homens na terceira idade constatou que, dentre os 173 participantes, ter tido uma proximidade com os irmãos na época de faculdade estava intensamente ligado à boa saúde emocional.

De acordo com Ivete Gattás, psiquiatra da infância e adolescência da Unifesp, ter relações de confiança e segurança no início da vida e na fase adulta é mesmo um fator de proteção para possíveis transtornos mentais. Mas isso não precisa acontecer somente entre irmãos. “Pode ser com um amigo muito íntimo ou um parente, desde que haja uma relação estreita”, diz.

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em terapia familiar e de casal, um irmão pode servir para dividir tudo o que for necessário: de conquistas a problemas. “Em determinada fase da vida, os filhos precisam cuidar dos pais. Se você não tem irmãos, acaba ficando tudo em cima de uma pessoa só”, diz. No futuro, o apoio de um irmão também pode tornar a perda dos pais menos dura. Há coisas, afinal, que só os irmãos podem entender – e, por terem vivido tanto juntos, podem compartilhar a mesma dor.

 

2. Irmãos mais velhos são tão influentes quanto os pais

Segundo a pesquisadora Laurie Krammer, professora de Estudos Aplicados da Família da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, os irmãos menores podem sofrer uma influência considerável dos mais velhos que, em muitos casos, têm um papel de “agentes da socialização”. São eles, portanto, que irão influenciar o comportamento do pequeno nas situações fora de casa, como na escola ou com os amigos.

Para Ivete Gattás, os mais velhos realmente irão servir de modelo para os mais novos quando os pais não estão. Por outro lado, para Marina Vasconcellos, tudo depende de como eles se dão. “Se um irmão mais novo vai a uma festa com o mais velho, eles podem tanto ser cúmplices um do outro como podem ir a contragosto”, comenta.

3. Irmãos são antídoto para a solidão

Após manter contato com 395 famílias com mais de um filho, a professora e pesquisadora Laura Padilla-Walker, da Universidade Brigham Young, em Utah, constatou que ser próximo a um irmão ou irmã, além de promover generosidade e gentileza nas atitudes de uma criança, pode também servir de proteção para sentimentos como medo e solidão durante a adolescência. As meninas, especificamente, possuem um papel mais forte nesta hora, por tenderem a ser mais comunicativas que os meninos.

Ivete Gattás faz uma ressalva e alerta os pais que, às vezes, alimentam a competição e a rivalidade entre os filhos, mesmo sem querer, destruindo este laço e o apoio possível. “Essa relação irá depender da personalidade de cada um e de como os pais organizam a relação entre os filhos”, diz.

 

4. A rivalidade e as brigas entre irmãos podem ter, sim, pontos positivos

Um estudo da Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos, examinou durante cinco anos o desenvolvimento cognitivo e social de 140 crianças entre dois e seis anos. As descobertas foram parar no livro “Social Understading and Social Lives” (“Compreensão social e vidas sociais”, na tradução literal), da pesquisadora Claire Hughes, do centro de pesquisas familiares da mesma Universidade. O que mais chamou foi o quanto ter irmãos pode ter um efeito positivo no desenvolvimento de uma criança, mesmo se a relação entre eles não for tão cordial.

“Na visão tradicional, ter um irmão ou irmã leva uma criança a competir pela atenção e amor dos pais. No entanto, nossas evidências sugerem que a compreensão social das crianças pode acontecer mais rapidamente por causa da interação com os irmãos”, afirma Claire no site da Universidade. Quando a convivência entre irmãos leva à aquisição de repertório sobre como lidar com conflitos e fazer acordos, ela pode ser bastante construtiva.

Segundo a pesquisa, mesmo quando a rivalidade entre as crianças se manifestava em provocações frequentes, constatou-se que os mais novos passaram a ter uma maior compreensão social ao longo dos anos e se tornaram capazes de conversar sobre seus sentimentos quase de igual para igual com os mais velhos.

 

5. A ordem de nascimento pode influenciar a personalidade

O psicólogo Kevin Leman afirmou, no livro “The Birth Order Book” (“Livro da Ordem de Nascimento”, na tradução literal), que a ordem de chegada na família afeta a personalidade de uma pessoa que tenha irmãos – e até mesmo as que não têm. Mas de acordo com Marina Vasconcellos, tudo dependerá dos pais e da expectativa que colocam no filho desde que nasceu.

Segundo Ivete Gattás, a influência pode simplesmente surgir pelo fato de cada irmão nascer em diferentes épocas emocionais ou econômicas dos pais. “Não acredito que tenha tanto a ver com a ordem, mas sim, com como os pais estão naquele momento. Quando se tem um primeiro filho, há muita expectativa e insegurança. Quando chega o segundo, você está mais tranquilo”.

A especialista acredita que há mais especulação do que ciência ao redor dessa premissa, mas o comportamento dos pais diante de um ou outro filho pode naturalmente colaborar para que um seja mais independente e o outro, mais exigente consigo mesmo.

 

Como a internet mudou a maternidade

Mães encontram na web soluções para problemas cotidianos, dicas para cuidar dos filhos e companhia para os momentos de solidão

Publicado no iG São Paulo em 15/10/2011

 

Quantas vezes você acessa a internet por dia? Consegue imaginar seu cotidiano sem procurar por respostas nos mecanismos de busca, fazer compras online e visitar ocasionalmente – ou compulsivamente – as redes sociais? A internet mudou radicalmente a vida dos 2,095 bilhões de pessoas que tem acesso a ela, de acordo com dados do Internet World Stats, mas um grupo social parece especialmente afetado pelas possibilidades da web: o das mães.

Ser mãe, hoje, é uma experiência bem diferente daquela vivida pelas mulheres há meros dez anos. Uma pesquisa conduzida pelo Google em parceria com o site especializado “BabyCenter.com”, em março deste ano, revelou que o simples fato de ter um filho faz dobrar o número de buscas feitas na web por uma mulher. Por ser um período de muitas dúvidas e incertezas, as novas mães buscam na rede por soluções.

“Tudo o que a mulher precisa saber ela digita no Google e encontra. Você tem muito apoio, muita informação para ajudar”, explica a terapeuta familiar Marina Vasconcellos. Além disso, Marina destaca que a web pode ser essencial na solução de um dos maiores problemas de quando se tem um filho: a solidão. “Você fica o dia inteiro em casa, cuidando do bebê, mas tem a possibilidade de conversar com milhares de pessoas”, diz.

“As grávidas entram na internet em busca de informação e conforto”, resume Luciana Ruffo, psicóloga do Núcleo de Pesquisa da Psicologia e Internet da PUC São Paulo. Ao encontrar virtualmente outras pessoas vivendo o mesmo momento, elas se sentem acolhidas.

 

Trocando em miúdos

 

É de casa que a jornalista Roberta Lippi, 35 anos e mãe de Luísa e Rafaela, escreve no Mamatraca. O site foi criado há um mês, mirando o público materno. “A ideia é discutir questões reais. A gente traz nossas próprias informações e também de outras mães e especialistas”, esclarece.

Projetos como este são comuns nos Estados Unidos. Existe uma série de redes sociais voltadas especialmente para as mães, e eles são ainda mais específicos: mulheres grávidas, mães que trabalham e mães executivas são alguns dos públicos que têm seu próprio site para socialização. Só o “SocialMom.com”, por exemplo, contabiliza mais de 35 mil membros.

No Brasil, o mais próximo que se tem disso é o e-familynet, no ar há 11 anos. “O e-family conectou mulheres de toda a parte do mundo que estavam passando pela mesma situação, tendo as mesmas dúvidas, mesmas esperanças”, explica Paula R., administradora dos fóruns do site. “Muitas chegam desesperadas em busca do esclarecimento de uma dúvida que, muitas vezes, nem podem compartilhar com familiares ou amigas”. Segundo Paula, o site tem cerca de 400 mil membros inscritos.

Foi justamente em busca de informação e compreensão que a confeiteira Tylza Rodrigues, de 34 anos, fez um perfil na rede social em 2008, quando ficou grávida. “Nunca tinha cuidado de uma criança, tinha muitas dúvidas”, revela. Como a família parecia sempre muito ocupada e sem tempo para conversas mais aprofundadas, Tylza recorreu à internet, onde encontrou mulheres passando pela mesma situação.

Nos fóruns, onde se discutem todos os assuntos que possam interessar às grávidas e novas mães, Tylza encontrou novas amigas. “A gente se afasta muito das amizades quando engravida. O e-family acabou suprindo essa falta”, diz. Dois anos depois de se relacionar online com outras grávidas que estavam no mesmo estágio da gestação, o grupo resolveu se encontrar no Rio de Janeiro. “Foi muito divertido, éramos muito amigas, mas nunca tínhamos nos visto pessoalmente”.

Para Marina, o fenômeno desta aproximação é explicada pela troca que a rede possibilita. “Uma aprende com a experiência da outra e todas crescem juntas”. Roberta concorda: “Com a troca de experiências, você forma melhores opiniões”. Hoje, as mães fazem escolhas sobre a educação e criação dos filhos baseadas em pontos de vista e conteúdos muito além dos costumes da família ou do último best seller sobre o tema.

 

Encurtando distâncias

 

A atriz Danielle Farenzi, 38, pouco entendia de computador e tecnologia quando ficou grávida de seu único filho, Pedro, em 2004. Foi justamente a gravidez que a fez se interessar pelo assunto. “Eu tinha muito tempo livre e meu marido, na época, era louco por tecnologia. Ele me deu a ideia de fazer um blog sobre o assunto”, diz.

Com o blog Gestacional, que deixou de ser atualizado pouco antes de o bebê completar dois meses de idade, Danielle pôde “fazer uma caricatura escrita” da gestação, como gosta de dizer. Mas a internet se provaria ainda mais útil em outras situações. “Chegou a uma altura, durante a gravidez, que eu me sentia grande demais para sair de casa, aquilo era o meu mundo”. Por isso, a artista passou a trabalhar da sala de estar. “Quando tinha que fazer alguma locução ou dublagem, eu podia fazer isso do meu próprio computador”, relata.

Quando o casal se separou, a web serviu como uma maneira de se conectar com o pai da criança, músico que viajava constantemente. “É uma janela que aproxima a gente”, diz Danielle. Pelo Skype, Danielle e Pedro podiam ver como estava o pai, independentemente de onde ele estivesse: Manaus, Paris ou Moscou.

 

Moderação

 

“Às vezes passo muito tempo no computador, olhando meus perfis no Orkut e no Facebook, e acabo não dando atenção para a minha filha”. A fala de Tylza ilustra um dos principais efeitos colaterais da internet: a imersão total no universo virtual.

“O computador é ótimo para passar o tempo, mas não pode esquecer que o contato pessoal é primordial e tem que ser vivenciado”, explica Denise Diniz, psicóloga e coordenadora do Núcleo de Qualidade de Vida da Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP). Ao observar que está passando a maior parte do seu dia online, cuidado. Talvez seja melhor procurar ajuda profissional. “Entrar na internet não pode ser compulsório”, finaliza ela.

 

Fase do xixi na cama tem idade certa para acabar

Se o problema persiste após os sete anos, é preciso identificar as causas

Publicado em 1/12/2009 no www.minhavida.com.br

 

 

Ops! A criança fez xixi na cama de novo. Para quem tem filhos pequenos, trocar os lençóis molhados, colocar o colchão no sol e ficar atento aos passos do pequeno são atitudes que fazem parte da rotina durante o período de adaptação entre o adeus as fraudas e o uso do banheiro.

O problema é que muitas crianças quando já estão grandinhas sofrem com a enurese noturna, mais popularmente conhecida como “xixi na cama”. Às vezes, o problema é tão marcante, que a criança chega aos 10 ou 11 anos com o problema. “A criança não sabe dizer o que sente, por isso, seu corpo fala por ela. No caso das crianças que permanecem com o problema após os cinco anos, é preciso investigar se as causas são emocionais ou físicas”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos.

A vasopressina, também conhecida como argipressina ou hormônio antidiurético é responsável pelo controle da vontade de urinar. Em algumas crianças, os níveis deste hormônio, que deveriam aumentar, diminuem, e ela não consegue segurar o xixi. “Isso também pode estar associado a outros problemas físicos e emocionais, por isso, é importante averiguar as verdadeiras causas do problema”, explica o pediatra do Hospital Albert Einstein, Jorge Huberman.

A dona de casa Maria José, 42 anos, lembra bem dos tempos em que sua filha, Clara, hoje com 26 anos, fazia xixi na cama, acordava, virava o colchão e voltava a dormir. “Ela já tinha uns 10 anos e continuava com o problema. Um dia procuramos ajuda psicológica e descobrimos que ela tinha medo da coleguinha que faleceu e, por isso, não conseguia parar”, diz Maria.

Xixi na cama tem idade certa 
É normal que a criança faça xixi na cama até os cinco anos de idade, afinal, ela ainda não tem a capacidade de controlar a urina durante à noite. Porém, quando a situação continua a acontecer após esta idade, a melhor coisa a fazer é identificar as causas do problema. “Podem ser diversos fatores. Primeiro, é preciso investigar se há alguma causa física, como incontinência urinária, problemas na bexiga ou outros, e então, partir para as possíveis motivações psicológicas”, continua Marina.

De acordo com o pediatra Jorge Huberman, a idade do “xixi na cama” pode variar entre 5 e7 anos, dependendo da frequência com que a criança urina na cama. “Às vezes, a criança tem entre 6 e 7 anos e um dia ou outro solta um pouco de urina no colchão. Isso não significa que ela tenha o problema, ela apenas passou por um processo que é natural em qualquer ser humano”, continua o pediatra.

Pode ser sinal de que alguma coisa no organismo vai mal
Segundo o pediatra Jorge Huberman, deve-se levar em consideração os seguintes fatores:

– Hereditariedade: o fator hereditário é um dado importante, pois crianças com um dos pais enuréticos (que tiveram esse problema na infância) têm 40% de chance de serem enuréticas. “Se ambos forem enuréticos, as chances aumentam para 77%. A torneirinha aberta de noite também está relacionada a fatores emocionais ligados ao estresse, tais como mudança de lar, separação dos pais, nascimento de irmão, entre outros”, explica o pediatra.

– Perda involuntária de urina durante o dia. “Os pais devem ficar atentos e perceber se o filho solta a urina involuntariamente e se sente dor ou se há sangramento na hora de urinar durante o dia. Isso pode ser um indicativo de que a criança tem ou terá enurese noturna ou alguma disfunção no organismo que desencadeia o xixi na cama”, explica Jorge. “A criança não faz isso por maldade ou birra. É um problema que pode estar associado a um quadro clínico mais grave, como uma infecção urinária”, continua o pediatra.

-Disfunções na bexiga. “Quando a bexiga não suporta a quantidade de líquido ingerida, a tendência é fazer xixi fora de hora?, explica o médico. ?Um dos tratamentos sugeridos para enurese noturna é exatamente o uso de um hormônio chamado oxibutinina, que relaxa a bexiga aumentando seu tamanho”, continua.

-Problemas neurológicos. “Nestes casos mais sérios, só uma visita ao médico poderá dimensionar o problema”, alerta.

E se for o lado emocional?

Marina Vasconcellos explica que o fato da criança fazer xixi na cama pode sinalizar algumas situações pelas quais ela está passando. “Ela pode estar se sentindo amedrontada, triste ou até rejeitada. É bom conversar para saber”, explica a psicóloga.

Algumas das razões emocionais para o problema, segundo ela, são:

Pressão na escola ou pela rotina estressante para a idade. Os adultos muitas vezes não percebem que a rotina imposta por eles às crianças é estressante e vai muito além do que os pequenos podem suportar, com isso, as crianças reagem de diversas formas e uma delas é fazer xixi na cama.

Medo de algo. Nesta fase, é mais do que normal as crianças ficarem impressionadas com histórias ou ações dos coleguinhas. Tudo ganha uma dimensão maior do que realmente tem. Por isso, é bom conversar na escola e ver o que é está acontecendo. Um acompanhamento com o terapeuta pode ajudar.

-Tristeza pela separação dos pais. É a causa mais comum. Os pais, muitas vezes, deixam transparecer os problemas conjugais e a criança se sente culpada ou dividida, daí o xixi para chamar a atenção ou como forma de extravasar a angustia.

– Chegada do irmãozinho. Neste caso, é natural que a criança regrida para chamar a atenção dos pais, mas o quadro não pode demorar a passar, senão deixa de ser natural para ser um problema.

Sem constrangimentos
O certo é evitar que o problema se transfira para a vida social da criança. Deixar o pequeno exposto às gozações de adultos e crianças é um erro. “Caso ela queira ir dormir na casa de algum coleguinha, explique aos pais dele para evitar constrangimentos”, sugere Marina.

 

Bexiga sob controle

Marina Vasconcellos explica que é possível tomar alguns cuidados para evitar ou ao menos amenizar o problema:

– Não tomar líquidos pelo menos duas horas antes de dormir

– Evitar chocolate e café à noite, pois, eles estimulam a contração da bexiga, segundo o pediatra Jorge Huberman.

– Elogiar quando a criança consegue ficar uma noite sem fazer xixi. “Os estímulos ajudam a reforçar na criança o desejo de parar e, embora não seja algo premeditado, ela consegue se condicionar a segurar a urina”, diz Marina. “Repreender a criança como se ela fizesse de propósito só faz com que ela se sinta ainda mais culpada, agravando a situação”, continua.

– Ludoterapia: a modalidade de terapia é bem recomendada e tem mostrado grandes efeitos. “A criança brinca com o terapeuta e durante a brincadeira, que é planejada e analisada pelo profissional, conta seus traumas e receios. Os desenhos também podem revelar as causas do problema”, explica a psicóloga.

– Uso de medicamentos que interferem no funcionamento da bexiga e do aparelho urinário, caso seja necessário. “Existem tratamentos à base de hormônios que ajudam a regular a bexiga, como é o caso do oxibutinina e do desmopressina, que alteram o tamanho da bexiga”, finaliza o pediatra.

 

Longe de ser educativo, tapinha causa dor física e emocional

Além de machucar, as palmadas em crianças podem gerar adultos agressivos

Publicado em 21/10/2009 no www.minhavida.com.br

 

 

O tapinha está enraizado em nossa cultura, é o que provou a pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (26) . De acordo com os dados levantados, 54% dos brasileiros são contrários ao projeto de lei que veta palmadas, beliscões e castigos físicos em crianças.

Dos 10.905 entrevistados, apenas 36% se mostraram favoráveis à proposta do presidente Lula. Isso porque a maioria dos brasileiros (72%) já apanhou dos pais, já bateu nos filhos e pensa que o método não faz mal nenhum e é um auxílio na hora de educar a criança. O resultado da pesquisa vai contra a ideia defendida pelo governo e por ONG’s de que “conversar é sempre melhor que bater”.

Entendendo o projeto
O presidente Lula assinou na última semana um projeto de lei para proibir a prática de castigos físicos em crianças e adolescentes. A resolução foi feita em comemoração aos vinte anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que já instituía punição contra “maus tratos”, mas não especificava os tipos de castigo que não podem ser usados por pais, mães e responsáveis.

Se a lei for aprovada, tapas, beliscões, puxões de orelha e outros tipos de castigos físicos poderão ser denunciados por pessoas que convivem com a família, como vizinhos e parentes, ao conselho tutelar. E as punições são as mesmas já previstas no ECA para pais e cuidadores, que vão desde encaminhamento a tratamentos psicológicos até advertência e possível perda da guarda.

Com isso, o governo deseja acabar com a banalização da violência dentro de casa, onde palmadas podem evoluir para surras, queimaduras, fraturas e até ameaças de morte. A medida é polêmica, mas vem ao encontro das tendências mundiais, já que atualmente mais de 25 países, entre eles Suíça, Áustria e Alemanha, apresentam políticas que visam coibir essa prática. Na América do Sul, apenas o Uruguai e a Venezuela adotaram lei semelhante.

Bater nunca é solução

Os especialistas em educação infantil já condenam há muito tempo, mas o famoso tapinha ainda é usado como método de ensino por pais que acreditam que esta seja uma maneira eficiente de impor respeito e educar.

O problema são os prejuízos físicos e afetivos que a atitude provoca aos pimpolhos. “O que é um tapinha para um adulto, não é para uma criança, bater nunca é a solução”, explica a psicóloga Maria Amélia Azevedo, que conduziu um estudo pelo Instituto de psicologia da USP, em conjunto com a psicóloga Viviane Nogueira de Azevedo Guerra , relatando os efeitos negativos do tapinha e explicam que seu uso é uma questão cultural.

A pesquisa, que originou o livro Mania de Bater – A Punição Corporal Doméstica de Crianças e Adolescentes no Brasil concluiu que das 894 crianças entrevistadas, mais da metade revelou ter levado ao menos um tapinha em casa e, na maioria dos casos, foram as mães as responsáveis pela palmada. “As crianças sentem dor física e psicológica. Muitas das crianças avaliadas se mostraram revoltadas com os pais que, para elas, tinham se esquecido de que já foram crianças um dia”, explica Viviane de Azevedo.

 

Tapinha dói sim
A dor sentida pela criança quando ela leva uma palmada não é apenas física. As palmadas costumam ferir os sentimentos da meninada, que não entende a razão de ter apanhado. Para elas, o que fica da lição é a violência como forma de punição.

“A criança não deve ser punida fisicamente. Deve ser educada. Se ela cresce sendo repreendida com violência, vai ser violenta também. Educação é antes de tudo, repetição”, explica a terapeuta de casal e família  Marina Vasconcellos. “Os pais ficam chocados quando chegam reclamações da escola sobre o comportamento agressivo dos filhos, mas basta ver que a reação é um dos efeitos da violência do tapinha usado por eles para educar.”

A secretária Juliana Martins, mãe de Beatriz, 6 anos, conta que nunca havia dado palmadas na filha por achar que não era uma boa forma de educar, porém, um dia, de cabeça quente, a secretária deu um tapinha em Bia, que reagiu chorando muito. Desesperada por achar que tinha machucado a filha, Juliana perguntou o que houve, e a menina disse que doía mais no coração. “Nunca mais encostei um dedo nela. Até hoje me lembro dela falando com lágrimas nos olhos. Depois disso, percebi que conversar é sempre a melhor opção”, conta a mãe.

Postura firme
Marina Vasconcellos explica que, muitas vezes, voz e postura firmes são suficientes para repreender os pimpolhos e que apontar os motivos da bronca é fundamental para que o processo de educação seja efetivo. “Não adianta colocar de castigo ou gritar. Se você não mostra o erro, nada irá funcionar, além do mais, a criança aprende o que é ensinado a ela. Se ensinar conversa, ela aprenderá conversa. Se ensinar com tapas, pode receber tapas em troca um dia”, alerta a terapeuta.

Além disso, os pimpolhos podem encarar a punição à base de tapas como um caminho para confrontar os pais e, o método, que tinha como objetivo educar, acaba provocando o efeito contrário: “Como o tapa nunca vem seguido de explicações, desperta birra na criança, que vai cometer o mesmo erro para ver até onde os pais aguentam. Vira uma espécie de desafio”, explica Marina. “Uma boa opção para o problema é nunca sair do eixo, assim, seus filhos não vão te testar, porque sabem que você perde o equilíbrio diante das travessuras deles”, continua.

De acordo com a idade
Conversar com uma criança de dois anos não é a mesma coisa do que conversar com uma de 6 anos. Crianças muito pequenas entendem que estão sendo repreendidas, mas não conseguem perceber os motivos da bronca, por isso, Marina recomenda a paciência e a mudança de hábitos dos pais. “Tente mostrar por meio de atitudes o que está tentando explicar com palavras. Se ela não deve brincar na tomada, tire-a de lá e diga que não pode. Se ela bagunçou o brinquedo, tire-o dela e mostre onde ele deve ser colocado. Elas aprendem pela memória visual e pela repetição, falar não vai adiantar”, explica a terapeuta.

 

Linguagem do afeto é ensinada com atitudes e não com violência

O amor entre pais e filhos se dá na base da construção. São carinhos, brincadeiras, cuidados e até broncas que alimentam estes laços de afetividade. Quando a criança recebe palmadas como punição, aprende que dar palmadas também é bom e começa a construir laços agressivos.

“Se os pais batem, ela aprende que bater é legal. Se os pais punem com violência, ela vai sempre achar que desejos devem ser punidos e pode se tornar um adulto reprimido e até tímido”, explica a terapeuta.

 

Hábito que se repete
Sabe aquele velho ditado “Os filhos são espelhos dos pais?” Segundo a terapeuta de casal e família, Marina Vasconcellos, quando uma criança cresce levando palmadas, pode usar o mesmo método com seus filhos no futuro, gerando um círculo vicioso: “A criança pode até achar ruim quando leva a palmada, mas quando ela cresce passa a achar natural, afinal, seus pais não iriam fazer nada de mal contra ela e, dessa forma, acaba repassando estes valores para os filhos. É pura repetição”, finaliza Marina.

 

Alternativas

– Demonstre. Se a criança for pequena, tire dela o objeto ou a afaste da situação perigosa dizendo que não pode. Ela irá entender que não pode fazer aquilo.

– Mostre a sua autoridade. Pulso firme e voz ativa podem ajudar na hora de educar sem causar danos emocionais e físicos. “A criança já se intimida com o tom de voz”, diz a  terapeuta.

– Converse sempre. “Quando compreendemos nossos erros, evitamos sua repetição. Uma criança que deixa de fazer algo por repressão, mas não por um ato educativo, não aprende, apenas acumula reforços negativos e revolta”, continua a especialista.

– Jogos educativos e brincadeiras podem ajudar a educar sem precisar apelar para o tapinha. Segundo Marina Vasconcellos, os jogos são grandes aliados da educação didática. Com eles, os pais podem ensinar limites e explicar erros brincando.

 

Carnaval dos pequenos foliões pede supervisão dos adultos

A escolha da fantasia e até das brincadeiras garantem uma festa segura para as crianças

Publicado no yahoo.minhavida.com.br

 

 

No carnaval, há espaço para públicos de todas as idades curtirem a folia. Seja viajando, em micaretas ou nas festas, as crianças e pré-adolescentes também entram no ritmo da diversão. Muitas festas atendem esta faixa etária, mas os cuidados dos pais não podem ser deixados de lado. Uma das grandes dúvidas que surge é a decisão de deixar os filhos irem sozinhos aos bailes.

De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, as crianças não devem frequentar as festas de carnaval sem o acompanhamento de um adulto, que se responsabilize por elas. O motivo é a preocupação com a segurança, além do consumo de bebidas alcoólicas, energéticos e drogas. “Em vez de proibir o consumo sem dar explicações, os pais devem explicar aos filhos quais são as consequências do vício e os perigos causados por estas substâncias”, explica Marina. “Mas a medida só eficaz se o jovem já tiver idade para compreender o que está sendo dito”.

Fantasia tem idade
Muitos bailes de carnaval costumam ser à fantasia. E a escolha da roupa dos pequenos pede atenção dos adultos. A fantasia infantil ideal é aquela que não expõem demais o corpo da criança e nem tem uma conotação adulta. “Sensualizar a criança é desnecessário e prejudicial, porque ela nem tem consciência do que é isso.

As fantasias realmente infantis dão conta da diversão sem oferecer riscos ao comportamento futuro”, diz Marina. O limite de idade das festas também deve ser observado: crianças de cinco anos não devem, por exemplo, estarem na mesma festa que pré-adolescentes, sem que adultos responsáveis estejam presentes.

 

 

Sem excessos
Além disso, a audição infantil é bastante sensível e pode sair prejudicada se houver exposição inadequada ao som alto. “O ideal é que a criança faça intervalos longe do barulho durante a festa”, explica o pediatra Renato Lopes de Souza.

A exposição excessiva a volumes elevados pode trazer consequências graves como a perda parcial da audição, zumbidos momentâneos ou irreversíveis ou perda auditiva lenta ocasionada por ruídos. “Ficar perto da caixa de som ou levar um tapa no ouvido pode causar traumas e, em casos extremos, levar a perda da audição.”

Já para aqueles que se expõem ao barulho, mas em uma intensidade não tão grave, o risco é de sofrer com a chamada Perda de Audição Induzida por Ruído (PAIR), em que há uma perda contínua e lenta”, explica o otorrinolaringologista Luciano Neves, da Unifesp . Outra possibilidade, segundo Luciano, é o tão conhecido zumbido no ouvido, que de acordo com o tempo de exposição e a intensidade do barulho, pode ser irreversível.

A reposição de líquidos deve também ser frequente, bem como a alimentação (que precisa ser leve, sem alimentos gordurosos). Nas festas em locais abertos, o protetor solar deve ser convidado especial e, reaplicado, no mínimo, a cada três horas. O ideal é que a criança não seja exposta de maneira alguma no horário das 10h30 às 14h30, período em que o sol é intenso.

Brincadeiras e brinquedos
Algumas brincadeiras típicas também devem ser alvo de atenção. Nas festinhas, é comum serem oferecidas as maquiagens faciais artísticas com desenhos de personagens e bichos, que atraem os pequenos. Não custa perguntar ao maquiador se o produto é apropriado e antialérgico e, caso a criança apresente qualquer sinal de sensibilidade, o rosto deve ser lavado imediatamente com água e sabonete neutro. Brinquedos como sprays de espuma, não podem ficar próximos às crianças muito pequenas, que podem ingerir a substância acidentalmente. Outro alerta vai para o ato de jogar confete e serpentina na boca um dos outros. São produtos que contêm tinta e podem ser tóxicos, além de sufocarem.

Nenhum cuidado deve ser descartado. São pequenas atitudes que garantem aos pais e filhos um carnaval com diversão e segurança. Parece exagero, mas identificar a criança com um crachá – que tenha nome, endereço, telefone de contato e tipo sanguíneo (se os pais souberem) – pode significar uma preocupação a menos para os pais. Estar atento a automóveis e aproximação de estranhos é fundamental.