9 verdades e 1 mentira: jeito novo de jogar confete em si mesmo no Facebook

Publicado em UOL, Estilo/ Comportamento, 17.09.17
Adriana Nogueira

Do UOL

Getty ImagesPor mais que  se diga querer apenas brincar, o desafio coloca a pessoa em evidência e isso dá prazer.

Você pode até não ter feito a sua lista, mas, com certeza, já esbarrou com alguma no Facebook. Para quem – sabe Deus como – não tem ideia do que se trata, é um desafio que consiste em enumerar nove fatos verdadeiros aparentemente improváveis sobre si mesmo e, no mesmo tom, uma mentira.

Há aqueles que torcem o nariz e não participam, mas os que mesmo de fora enxerguem como exibicionismo e cutuquem com “não consigo pensar em verdades tão interessantes sobre mim mesmo”. O UOL resolveu colocar a nova mania da internet no divã: está todo mundo só querendo aparecer, mesmo?

“Por mais que se argumente ter entrado pela brincadeira no desafio, ele atrai atenção, coloca a pessoa em evidência, que é uma das funções básicas das redes sociais”, afirma o psicólogo Yuri Busin.

O contador de causos

A necessidade de estar em evidência não foi inventada pelo Facebook e afins. Basta pensar naquele sujeito que, em uma festa qualquer, reúne gente em torno de si contando causos e façanhas.

“A questão é que com as redes sociais é mais fácil você se expor”, afirma a psicóloga e terapeuta familiar Marina Vasconcellos.

A especialista até diz achar possível que há quem entre na onda apenas para brincar mesmo, sem ter como objetivo se exibir. “A pessoa pode não ter pensado em contar vantagem, mas nada garante que ela não será vista assim por quem a ler nas redes sociais.”

Na opinião dela, esse é um dos pontos: a comunicação nessas plataformas também depende de como quem a receber irá interpretar. “Cada um tem seus filtros e vai aplicá-los na hora de ler.” Para Marina, quem aderir à brincadeira tem de estar pronto para entender que tanto pode ser acolhido quanto criticado.

Yuri Busin afirma que não há mal algum em querer usar a brincadeira para tirar dela prazer por ser alvo de atenção. “O uso das redes sociais só se torna negativo se a pessoa só se pauta por elas. Quando interage apenas no ambiente no ambiente virtual.”

Pancadaria por ciúme viraliza na web

Publicado em UOL, Estilo/ Relacionamento, 13.03.17
Adriana Nogueira

Do UOL

Vingança alivia ou dá ressaca moral?

Reprodução/TV UOL

Em vídeo,  mulher supostamente traída agrediu o marido e uma das mulheres que estava com ele

O UOL conversou com a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e com a antropóloga Mirian Goldenberg, professora titular na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), para entender se o comportamento pode trazer benefícios para o traído.

Miriam, que pesquisa o tema infidelidade desde 1988 e coleciona duas mil entrevistas – entre traídos e traidores -,  diz nunca ter se deparado com uma reação violenta do tipo. “Para agir dessa forma, a pessoa tem de ter uma personalidade mais explosiva. E ela reage assim por perder a ilusão de ser especial e única na vida do marido, mas não é batendo que ela vai recuperar essa posição.”

Para Marina, ainda que a atitude traga alívio, a sensação é muito efêmera. “Fui humilhada e resolvo humilhar de volta. Só que o que vem depois é ainda mais pesado. Você se expõe e ainda dá aos outros a oportunidade de te julgarem.”

Miriam também afirma que, ao agredir a que seria a outra, a traída expressa o machismo que está interiorizado nela. “Ela culpa a outra mulher, porque cresceu vendo ser colocado como natural que o homem tenha muitas parceiras”, fala a antropóloga.

Para as duas especialistas, a reação violenta da traída é uma expressão dos tempos atuais. “Hoje as pessoas reagem com agressividade em muitas situações, não só em casos de traição”, afirma Mirian.

Já Marina relembra que, antigamente, esperava-se que a mulher fosse mais contida. “Nos dias atuais, ela tem liberdade de se expressar. Mas, dessa situação de reagir a uma traição a tapas], só sairá uma ressaca moral fortíssima. Por mais que a mulher peça desculpa, retrate-se, alguém já filmou e colocou na internet.”

 

Qual a importância do psicólogo no dia a dia?

Publicado em Saluspot, 18.08.16

Quem procura psicoterapia não necessariamente está doente ou é “louco”. Esta ideia errônea é alimentada por uma boa parte da sociedade a respeito desse trabalho em plena atualidade. A importância da atuação do psicólogo na saúde emocional das pessoas deixa de ser reconhecida e aproveitada muitas vezes por conta de um velho preconceito.

A psicologia é o estudo científico do funcionamento mental do ser humano, assim como de seu comportamento. Tem como objetivo a melhoria da qualidade de vida do Homem em todas as áreas, propiciando a este um autoconhecimento profundo que lhe facilitará entrar em contato com seus sentimentos e expô-los de maneira adequada, bem como posicionar-se no mundo com maior autenticidade e segurança.

O psicólogo, ao sair da faculdade, escolhe a área de trabalho em que pretende atuar. São várias as opções: empresas (psicologia organizacional e do trabalho), hospitais (psicologia hospitalar), consultório (psicologia clínica), escolas (psicologia escolar/educacional), psicologia jurídica, do esporte, do trânsito, social, psicopedagogia, psicomotricidade ou neuropsicologia. Seja qual for a área escolhida, o profissional deverá fazer uma especialização onde ganhará os instrumentos para atuar.

Na clínica, há outras tantas linhas teóricas que devemos escolher para orientar nossa prática, sendo algumas delas: Psicanálise (Freud), Analítica (Jung), Corporal/Bioenergética (Reich/Lowen), Psicodrama (Moreno), Terapia Cognitivo Comportamental (Aaron Beck), Gestalt Terapia (Fritz Perls), dentre outras. O psicólogo precisa se especializar para fundamentar seus atendimentos e linha de pensamento.

As pessoas buscam psicoterapia geralmente quando algo não está bem, no momento em que passam por conflitos em seus relacionamentos, quando não conseguem resolver situações de impasse, para auxiliar a elaboração de lutos (seja por morte, separações, perda de algo importante na vida), para superarem seus medos ou questionarem seu modo de agir perante a vida. Buscam o autoconhecimento e a melhoria da qualidade de vida, já que ao sentirem-se mais seguras de si, com a autoestima em alta, consequentemente adquirem mais leveza e autonomia na condução dos problemas.

Há aqueles que buscam o psicólogo com a ilusão de que daremos soluções para seus problemas, pedindo conselhos de como agir em certas situações. Ledo engano! Psicólogos não dão conselhos, mas sim ajudam as pessoas a descobrirem seu próprio potencial criativo, encontrando em si as respostas para suas perguntas. Ajudamos no processo de voltar o olhar para si, buscando suas responsabilidades pelos próprios atos, questionando possibilidades e aumentando o ângulo de visão das coisas, assim como desenvolvendo novas capacidades para lidar com as situações adversas, que sempre existirão na vida de qualquer um.

Traumas vividos na infância ou em qualquer idade podem ser olhados e tratados para que não surtam efeitos nocivos no indivíduo; relações conflituosas entre familiares ou de qualquer outra natureza podem ser elaboradas e resolvidas, facilitando a comunicação antes difícil ou inexistente; separações amorosas são trabalhadas para que se possa seguir em frente sem o peso de algo mal resolvido; pessoas que sofrem com crises típicas da idade – adolescência, frustrações com emprego, envelhecimento… –; dificuldade em reconhecer sentimentos e lidar com eles; inabilidade social. Enfim, qualquer problema tem espaço para ser exposto e trabalhado com a devida importância, sem julgamento ou crítica, num contexto protegido e acolhedor.

Qualquer pessoa pode se beneficiar do processo terapêutico, e não é preciso temer o julgamento dos outros. Ir ao psicólogo pode ajudar tanto aqueles que sofrem com doenças como depressão, Síndrome do Pânico, ansiedade, estresse ou outros transtornos psiquiátricos, quanto os que simplesmente querem melhorar a forma como encaram a vida e suas dificuldades mais corriqueiras. Portanto, você está infeliz ou com algum conflito emocional? Experimente fazer uma psicoterapia para se conhecer melhor e buscar sua felicidade! Verá como muitas coisas que pareciam travadas podem começar a andar, assim como suas relações podem se tornar mais saudáveis. Boa sorte!

Você é uma pessoa muito temperamental? Descubra

Publicado pela redação do Doutíssima, 13.02.16

Você é uma pessoa muito temperamental? Descubra

Todos nós enfrentamos diariamente situações que nos afetam emocionalmente. Mas nem todos reagem de maneira semelhante. Há pessoas mais e outras menos estáveis diante dos desafios da rotina. Dentro desses níveis, quem tem alterações de humor constantes e apresenta um comportamento imprevisível é apontado como temperamental.

“Se a pessoa muda de humor frequentemente, há algo de errado. Em primeiro lugar, é preciso procurar o médico para uma checagem hormonal, verificar a tireoide ou outras possíveis causas orgânicas que provocam desequilíbrio emocional constante”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos. Também é possível buscar auxílio com um psicoterapeuta.

A partir de uma avaliação psicológica é possível detectar se o sintoma tem ligação com o estilo de vida que a pessoa leva, com frustrações e dificuldades que esteja passando ou se é algo mais grave como transtornos psiquiátricos.

E você, se considera uma pessoa temperamental? Faça o teste e descubra!

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Os cinco maiores arrependimentos antes de morrer

Publicado no site Minha Saúde online, 18.01.16

Outro dia recebi através de uma rede social um vídeo que mostra a pesquisa de uma enfermeira americana (não cita seu nome) do Hospital Albert Einstein. Ela perguntou a pacientes terminais, sob seus cuidados, quais eram seus maiores arrependimentos agora que estavam próximos da morte, e escolheu os cinco mais citados para compartilhar.

Em primeiro lugar: “Gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim”.

O tempo não volta, e temos que ser criteriosos quando decidimos deixar de fazer algo importante para nós em função do outro. Às vezes isso é necessário, em especial na vida a dois, onde a troca e o “relevar” coisas fazem parte de um convívio saudável. O problema está quando o outro vem sempre em primeiro lugar, e nos deixamos de lado. Passamos a viver em função do que faria o outro feliz, o que o agradaria, o que não o decepcionaria, e assim por diante, deixando de nos valorizar e nos cuidar.

Felizmente, com o avançar da idade sinto que a maturidade nos ajuda cada vez mais a ter segurança nos próprios sentimentos, aumentando nossa autoconfiança no que acreditamos ser bom para nós, sentindo-nos mais fortes para escolher o que nos agrada, assim como para sair de situações ou relacionamentos que não nos fazem bem.

Mas atenção: não confunda um eu forte com egoísmo. Este diz respeito a um amor exagerado aos próprios interesses a despeito dos de outrem, levando a pessoa a um exclusivismo que a toma como referência a tudo. Já uma pessoa com seu eu fortalecido, sabe posicionar-se quando não quer fazer algo e não tem receio de dizer “não”, palavrinha tão temida por muitos, mas importa-se com o outro e tenta negociar alternativas – ao contrário do egoísta, que não pensa em como isso afetará o outro.

O segundo arrependimento diz respeito ao trabalho: “Gostaria de não ter trabalhado tanto”.

Quantas pessoas começam sua carreira acreditando que seriam felizes e se realizariam com aquele trabalho, mas após um tempo já não suportam mais o que fazem e se veem reféns da própria escolha? Triste isso, mas muito mais comum do que se imagina. Se o trabalho vira um peso, o tempo e a energia investida nele diariamente certamente causarão arrependimento ao final da vida.

Inevitável o questionamento: “E se eu tivesse feito música ao invés de engenharia? Estaria mais feliz agora, viveria menos estressado…”

“E se eu não tivesse desistido daquele curso de inglês? Agora poderia largar tudo e ir morar fora!”
E por aí vai, em intermináveis “e se…” que não levam a lugar algum.

Talvez o verdadeiro arrependimento por trás desse não seja o de ter trabalhado exageradamente, mas o de não ter escolhido com mais acerto o trabalho que o faria feliz, ou não ter “virado a mesa” enquanto podia, buscando realização pessoal e profissional. Porque uma coisa é fato: quando trabalhamos muito, mas gostamos da nossa atividade, o peso não é tão grande assim, e levamos a vida com mais leveza e satisfação.

O terceiro lugar trata dos sentimentos: “Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos”.

Como já disse, com a idade ganhamos a capacidade de nos posicionarmos cada vez mais e em qualquer situação. No fim da vida já não há mais o que temer, e os sentimentos podem brotar e se manifestar com liberdade, sem a vergonha ou o temor de desagradar pessoas.

Uma pena que isso só seja possível para muitos após anos de sofrimento e contenção dos sentimentos! A psicoterapia pode ajudar as pessoas a assumirem a responsabilidade por seus atos e sentimentos, encontrando a melhor maneira de expressá-los ao mundo. É libertador poder falar abertamente sobre sentimentos com pessoas de sua confiança, trocar experiências e vivências, aprender e ensinar através do convívio com familiares e amigos. Quando expressamos nossos sentimentos, entramos em contato verdadeiramente com o outro.

E por falar em contato, aqui vai o quarto arrependimento: “Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos”.

Em especial para aqueles que vivem em grandes cidades, está cada vez mais difícil o convívio com amigos, já que temos que enfrentar o caos do trânsito, uma demanda grande de trabalho, o tempo que parece acelerar cada vez mais e não damos conta de tudo o que temos para fazer… Não raro vem a saudade de alguém, a vontade de rever um amigo ou mesmo familiar querido, mas a loucura da semana acaba por nos engolfar, restando pouco tempo e energia para investir nas amizades.

Relações verdadeiras e honestas – mais do que com a própria família, muitas vezes – são aquelas que temos vontade de ficar perto, conversar, compartilhar acontecimentos ou pensamentos, sair pra fazer algo junto, enfim, são os amigos que tanto prezamos e conquistamos. Mas até essas relações exigem que dediquemos tempo e energia, pois tudo o que não é alimentado acaba morrendo com o passar do tempo… Será que podemos fazer algo para mudar isso, não deixando que esse convívio tão precioso se transforme apenas em convívio “virtual”?

Por fim, “eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz”.
Você não é feliz? O que o impede de sê-lo? O que precisa para considerar-se uma pessoa feliz? O que você considera felicidade? Será que não está deixando de ver fatos/pessoas ou coisas que estão bem aí na sua frente? Ou há alguém que exatamente precisa “sair” da sua frente? Há algo que possa fazer a partir de hoje para reverter essa situação?

Então, com disse Nuno Cobra: “O que distingue aquele que consegue daquele que não sai do lugar é o fazer. Todo segredo está contido nessas cinco letrinhas mágicas: F-A-Z-E-R!”
Faça e seja feliz!

Um guia de sobrevivência para quem entra em pânico com o clima de Natal

“Há uma energia aflitiva no ar”

Publicado no Glamurama em 20.12.15


(Por Julia Furrer para a Revista J.P)

Todo ano é a mesma coisa. Primeiro os panetones invadem sorrateiramente o supermercado antes de novembro chegar. Depois surgem as luzinhas, aos poucos, até transformarem a cidade em uma espécie de circo. Os shoppings ganham papais noeis, o trânsito passa a ficar carregado, os caminhões da Coca-Cola começam a circular e pronto. Já é Natal. Tão clichê quanto isso tudo é o sentimento de angústia que nos acomete. Começa o balanço do ano que passou, a corrida para comprar presentes e, claro, os inúmeros eventos obrigatórios desse período. É um tal de happy hour do trabalho, amigo secreto da turma do colégio e reunião de fim de ano dos amigos de infância que, ao término da maratona, estão todos exaustos e com a sanidade comprometida – a ponto de discutir ferozmente por causa de uma vaga no estacionamento do shopping. A psicóloga e especialista em terapia familiar pela Unifesp Marina Vasconcellos atesta: “Há uma energia aflitiva no ar”. Segundo ela, uma das maiores causas de ansiedade durante esse período é o excesso de cobranças que passa a nos perturbar. Quem não vai a todos os eventos é considerado antissocial, quem dá pouca caixinha para os funcionários ganha fama de mão de vaca e ai de quem sofre com o fato de ter de ir para o interior passar a noite com a família. “As pressões aumentam muito e as pessoas se veem obrigadas a agir de um jeito hipócrita”, afirma Marina. Pessoas que não se encontraram o ano inteiro (e que provavelmente têm bons motivos para isso) precisam interagir e até fingir que se gostam. Tem também a obrigação de estar acompanhado e se sentir feliz e agradecido. “Quem não conseguiu realizar o que gostaria ou está na solidão fica ainda mais aborrecido com essa exigência.” J.P se joga no tema e lista alguns dos momentos mais constrangedores – e frequentes – do período. Meta da vez? Não noiar tanto, afinal, ano que vem tem mais!

Caixinha de Natal

Problema: A crise está pegando e os pedidos estão por toda a parte. Porteiros, carteiros, passeadores de cachorro e manobristas. Quem não dá nada corre o risco de ser maltratado durante o ano que vem.

Solução: Comprar lembrancinhas (tipo panetone) e distribuir. O que importa é a data não passar batido.

Amigo secreto

Problema: Todo mundo saberá quem tirou quem depois de dois dias do sorteio dos nomes, haverá piadinhas sem graça depois do “meu amigo secreto é…”, e claro, você vai ganhar algo muito pior do que deu.

Solução: Se tiver mesmo de participar, cole naquele parente que adora absolutamente tudo sobre a data e tente entrar no clima.

Estacionamento do shopping

Problema: Está sempre cheio e achar uma vaga é missão impossível. Para piorar, as pessoas são mal-educadas e o valet custa os olhos da cara.

Solução: Vá de táxi, oras. Ou, para ficar melhor, use a bike que ainda por cima é ecológica. Tem pânico só de pensar no shopping cheio? Se jogue nas compras on-line.

Ansiedade infantil

Problema: Na noite de Natal, as crianças querem abrir os presentes logo e perguntam de dois em dois minutos sobre o jantar.

Solução: Quem foi que disse que só pode comer depois da meia-noite, mesmo? Liberte-se da tradição e seja feliz. Sua noite vai ser muito melhor quando eles já estiverem na cama.

Produção da ceia

Problema: É difícil acertar o ponto do peru e sempre vai ter um parente para reclamar das uvas-passas no arroz.

Solução: Não perca tempo e encomende sua ceia em algum bom banqueteiro. Se alguém reclamar, a culpa é dele.

Trilha sonora

Problema: Ninguém aguenta mais a Simone e só de ouvir os primeiros acordes de “Então É Natal…” dá vontade de chorar.

Solução: Faça uma playlist com os hits mais animados do ano.

Look

Problema: Gastar horas se arrumando para ir até a sua própria sala e ficar só com a família.

Solução: Combine um after com os amigos mais animados e aproveite o look.

Maratona

Problema: Ter de se desdobrar entre os eventos da sua família e os do parceiro.

Solução: Passe a ceia do dia 24 com um e o almoço do dia 25 com o outro. Ninguém merece dobradinha no mesmo dia.

Dieta

Problema: Mil tentações tipo bombas calóricas e férias de biquíni à vista.

Solução: Vale a velha regra das nutricionistas: coma tudo, mas com moderação.

Parente chato

Problema: Tem o que bebe além da conta, o que insiste em discutir política e o que faz comentários desagradáveis.

Solução: Tome uns florais e enfrente a situação com bom humor. Evite ao máximo entrar na discussão.

Divórcios crescem 161,4% em dez anos; saiba como escapar das estatísticas

 Perder o medo de encarar os problemas no início pode evitar o fim do casamento.

Publicado no Portal  R7/Entretenimento/Mulher, em 6/12/2015.

Especialista dá dicas para você salvar seu casamento e evitar uma separação dolorosa.

— Os números não contam uma história de dez anos. A primeira coisa que a gente observa é que mudou muito a facilidade de se fazer um divórcio consensual, mas não acho que tem mais gente se separando por causa disso. A meu ver, as pessoas têm vários motivos para se separar, mas se divorciam para poder se casar de novo.

Especialista em direito de família, a advogada Priscila Fonseca, do escritório Priscila M. P. Corrêa da Fonseca, também pondera que o aumento do número absoluto de divórcios no País se deve também ao crescimento populacional, que é um fator objetivo.

— Em primeiro lugar, o motivo mais simples de todos é o aumento da população adulta. O Brasil está envelhecendo, este é um fator a ser levado em conta. E também ficou mais fácil obter divórcio. Um casal sem filhos menores pode fazer extrajudicialmente, e mesmo acionando o poder judiciário, em um dia você faz uma separação consensual.

A advogada acredita que, atualmente, as pessoas são, por um lado, mais intolerantes, — o que dificulta a convivência —, e, por outro lado, mais liberais, não prezando por um único e exclusivo relacionamento ao longo da vida. “As mídias sociais, os sites e aplicativos de relacionamento têm grande influência nessa mudança comportamental, principalmente pelo fato de aproximar pessoas, facilitando o contato”, explica.

Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), também avalia que as redes sociais têm atrapalhado um bocado os relacionamentos.

— Tem muita gente resgatando pessoas do passado, namoradinhos de infância, e se ela estiver em um momento de fragilidade, pode embarcar na fantasia, que é uma idealização de uma história adolescente. São histórias que já passaram, que deveriam continuar no passado.

Expor as insatisfações logo no início pode ajudar a evitar o divórcio.

Há, ainda, de uma maneira geral, pouca disponibilidade dos casais em investirem na relação que possuem. E acham mais fácil terminar. De acordo com a terapeuta Lídia Aratangy, se a pessoa não puder olhar para dentro, o novo vai seguir igual ao velho.

— Reinvestir a cada nova relação gera um desgaste emocional danado. A separação tem de se dar por causa do que acontece entre os dois, se aquela relação ficou intolerável. Quem faz uma separação porque acredita que vai achar um príncipe em cada esquina vai se arrebentar. É preciso ver o que dentro do casamento está te afastando, e não algo de fora que está te atraindo.

Para a terapeuta Marina Vasconcelos, é preciso que as pessoas percam o medo de encarar os problemas, e criar coragem de falar de suas insatisfações, de preferência assim que os atritos começam a aparecer.

— Se os casais fizessem isso no início dos conflitos, não acabaria em divórcio. Poderiam deixar de ter preconceito com terapia de casal, perceber que nem tudo é possível resolver internamente, sem ajuda. Um casal que atendi, com dois anos de casados, esteve aqui dizendo exatamente que eles não querem que estrague. Quando se amam e desejam achar o rumo certo, dá para resolver.

Colorir: A febre anti-estresse

Os livros de colorir para adultos já viraram febre no país inteiro, atraindo cada vez mais adeptos

Publicado no Coisas de Jornalista, em 11 de maio, 2015.

Poucos sabem da onde ou quando exatamente eles surgiram, mas todos podem concordar com uma coisa: os livros de colorir para adultos já viraram febre no país inteiro, atraindo cada vez mais adeptos. Só na semana do dia 20 a 26 de abril, dos dez livros mais vendidos no Brasil, cinco eram desse segmento: do primeiro ao quinto lugar, estão, respectivamente, Jardim Secreto (67.993 cópias), Floresta Encantada (59608), Jardim Encantado (9739), Fantasia Celta (9228) e Mãe, te amo em todas as cores (6755).

Esses números, retirados do site PublishNews, impressionam. Afinal de contas, esse fenômeno é bem recente aqui no Brasil e mesmo com pouco tempo, já tem um grande número de fãs. E é claro que as livrarias estão sabendo lidar bem com isso: A da Travessa, por exemplo, fez encontros em algumas das suas unidades para que as pessoas pudessem colorir juntas. Alguns leitores nem precisam desse empurrãozinho: organizam, por si próprios, essas reuniões anti-estresse.

A questão que fica é: da onde surgiu a ideia de resgatar um passatempo da infância para ajudar os adultos a combaterem os sufocos do dia-a-dia? A resposta é dada pela “criadora” desse sucesso, a escocesa Johanna Basford, autora de O Jardim Secreto. De acordo com ela, a ideia surgiu quando seu editor pediu para que ela criasse uma publicação para crianças. Johanna disse criaria sim, mas para um público diferente: os adultos. Nem ela imaginou a repercussão que isso teria.

Em entrevista para o NPR Books, a autora disse que sua caixa de entrada ficou abarrotada de mensagens positivas e de incentivo, além de receber fotos das páginas já coloridas pelos seus fãs. Johanna arrisca dizer qual foi o grande diferencial que fez o seu livro um sucesso: “Você não tem que sentar em frente a um papel branco ou ter aquele terrível pensando ‘O que posso desenhar’? As linhas já estão lá, então é algo que você pode fazer em silêncio por horas, sabe, algo quieto e tranquilo”.

E esse efeito tranquilizador ajuda mesmo. De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, os mais estressados são aqueles que mais se beneficiam da atividade, já que a ideia é fazer a pessoa parar suas atividades por alguns momentos e tentar não pensar em nada, apenas se concentrar nas cores escolhidas para um visual harmonioso. Esse hobby pode até ajudar a resolver problemas: ao pintar com alguém, o casal pode aproveitar o momento de tranquilidade para conversar assuntos que necessitam de calma e tempo.

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Apesar das grandes vantagens (afinal, é algo bastante acessível: não requer treinamento ou aprendizado), nem sempre os livros de colorir bastam. Para aquelas pessoas cujo nível de estresse chega a afetar grande parte das atividades diárias, o aconselhável é procurar um profissional, para trabalhar na busca de um auto conhecimento.

“Colorir pode fazer parte do arsenal de combate ao stress, mas não ser chamado de tratamento. O stress tem muitos sintomas que devem ser olhados com cuidado e devidamente tratados para não piorarem e se transformarem em algo crônico ou mais grave”, alerta a psicóloga.

Transtornos alimentares como anorexia causam erosão dos dentes

A falta de nutrientes como cálcio e fósforo deixam os dentes mais fracos e comprometem os tecidos dentários.

A busca incansável pelo corpo perfeito faz jovens ao redor do mundo desenvolverem transtornos alimentares. O sexo feminino representa a maioria da população afetada pela bulimia e anorexia. Ao se olharem no espelho, elas se enxergam mais gordas do que realmente são. Fazem atividades físicas em excesso para perder gordurinhas que não têm, usam laxantes, diuréticos e provocam vômitos para perder peso rapidamente. O comportamento dos pacientes também provoca problemas de saúde bucal, possibilitando que o dentista seja o primeiro profissional a perceber as doenças.

Como os pacientes que têm anorexia evitam ingerir alimentos por longos períodos, a carência de nutrientes, a exemplo do cálcio e fósforo, faz com que a incidência de cáries e o comprometimento dos tecidos dentários aumentem, enfraquecendo os dentes, conforme defende a doutora em reabilitação oral Laura Stoll. “Cerca de 25% dos casos de anorexia estão associados à bulimia e consequentemente ocorre perda excessiva de esmalte dental por erosão ácida e o desenvolvimento de cáries de rápida evolução”, afirma.

O coordenador de pós-graduação em ciências da saúde da Unisul, Jefferson Traebert, explica que o fato de a cavidade oral constantemente entrar em contato com os ácidos estomacais, por causa da provocação do vômito, forma um ambiente ácido que desgasta os dentes. “Como o pH da boca fica mais baixo, a forma que o organismo tem de tentar corrigir isso é liberando íons, fazendo com que o esmalte dos dentes praticamente se dissolva para neutralizar o pH. Com a perda do esmalte, o tecido que está embaixo fica mais exposto e isso pode deixar o dente mais sensível” esclarece. Em casos mais graves, pode ocorrer a perda dos dentes em razão do comprometimento dos tecidos periodontais que os sustentam.

 

Fornecido por Cartola

 

Tratamento      

Segundo Laura, os tratamentos para esses problemas de saúde bucal consistem basicamente na utilização de cremes dentais de baixa abrasividade e bochechos fluoretados, associados à redução do consumo de alimentos e bebidas ácidas. Já para restaurar a função e a estética onde houve perda extensa de tecido dental é necessário utilizar resinas ou cerâmicas, pois o esmalte do dente não se reconstitui. Traebert defende que o dentista, ao perceber os sinais da erosão, comece a questionar o paciente sobre sua saúde em geral e ajude-o a recuperar a autoestima por meio da estética dos dentes, além de aconselhá-lo a buscar outros profissionais.

A psicóloga Marina Vasconcellos diz que a recuperação de pacientes com anorexia é muito lenta e delicada, pois normalmente há recusa para comer ou usar os medicamentos sob a  alegação de não querer voltar a engordar. Portanto, é necessário uma equipe multidisciplinar que englobe dentistas, psicólogos, nutricionistas e médicos para ajudar na recuperação do paciente.

Você consegue dizer “NÃO”?

Publicado no Minha Saúde Online, 28/05/2015

 

Quantas pessoas sofrem em decorrência desta dificuldade: não conseguem dizer “não” e vivem fazendo coisas contrariadas ou submetendo-se a situações onde, se pudessem realmente escolher, não estariam passando por elas. Na verdade em muitas situações as pessoas “podem” escolher, mas “não conseguem”, ou mesmo “não se permitem”, o que é bem diferente.

E por que isso acontece? Qual a razão de tal dificuldade? Há vários motivos possíveis.

Em primeiro lugar, muito provavelmente a autoestima está bem abaixo do normal, ou até inexistente. Aqueles que não têm uma boa percepção de seu valor pessoal, de seu potencial, necessitam da aprovação e reconhecimento dos outros para se afirmarem e sentirem-se mais seguros. Assim, consideram o “dizer sim” a garantia de que o outro sempre esteja por perto e goste dele, já que nunca o decepciona ou o deixa chateado, magoado.

Há um comportamento típico de algumas mulheres em especial, pelo histórico de submissão que carregam, de cuidarem das pessoas sempre que podem, de abrirem mão de seus próprios desejos em função do outro, seja ele quem for. Elas aprenderam que esse é seu papel: cuidar, estar disponível, ajudar, zelar para que tudo esteja em ordem.

O outro vem sempre em primeiro lugar. Por que dar prioridade ao que eu sinto? Como assim: eu posso me permitir ter vontades diferentes, ou discordar de algo? Isso não é egoísmo da minha parte? E se ele ficar chateado comigo, o que faço?

O não é uma das primeiras palavras que aprendemos e ouvimos na infância. É inevitável a passagem pela fase do “não pegue isso”, “ali não pode”, “não vá ali”, “não isso, não aquilo…”; faz parte da educação, proteção e formação da criança. Os limites têm que vir de fora porque ela é toda “desejo”, sem noção do que pode, dos perigos, do certo e errado.

O fato é que algumas crianças ouvem muito o não, exageradamente, sendo cerceadas em tudo, vivendo uma vida de privações em vários sentidos. Aí está um segundo motivo para a dificuldade em dizer não: já ouviu tantos durante sua vida que, quando pode dizê-lo por si, prefere não fazê-lo. “Não vou fazer com os outros o que fizeram comigo e eu não gostei, não me fez bem.”

 

 

Porém, o contrário também pode ocorrer: pessoas que tiveram sua educação muito liberal, tudo podiam, só ouviam o “sim”, aprendem que esse modelo de ser é o correto, e o adotam para si.

Nossos pais são os primeiros e principais modelos de homem e mulher que temos, transmitindo-nos valores, comportamentos, maneiras de reagir às situações da vida, enfim, educando-nos de acordo com o que aprenderam de seus pais. Assim, os ensinamentos vão atravessando gerações, até que sejam modificados caso não façam mais sentido ou estejam ultrapassados. Há casais que convivem numa verdadeira relação de submissão, onde um deles sempre diz “sim” ao outro, aceitando tudo sem questionamentos, ou com um mínimo possível. Caso os filhos se identifiquem com o “submisso”, podem reproduzir esse comportamento em seus relacionamentos, dizendo sim a tudo e a todos, perdendo a chance de se posicionar em muitas ocasiões. Afinal, aprendeu isso em casa, e considera “normal” agir dessa forma.

No contexto profissional há realmente situações onde dizer não fica difícil, pois regras devem ser seguidas, obrigações e prazos precisam ser cumpridos, tarefas às vezes entediantes ou muito complexas testam a vontade de não realizá-las porém, tudo faz parte do contrato. Mas até nesses casos há o limite aceitável do que nos propomos a fazer, de até onde o chefe ou a empresa podem exigir coisas que consideramos éticas, dentro dos nossos padrões morais aprendidos e valores que carregamos como sendo fundamentais. Caso algo ultrapasse esses limites, temos que encontrar uma maneira de colocar o “não” de forma a não nos desvalorizarmos ou violentarmos aquilo que acreditamos ser o adequado, ou, digno do respeito por nós mesmos.

Algo importante a ser levado em conta é a forma como esse “não” é dito: um conteúdo possui inúmeras maneiras de ser passado, e isso fará toda a diferença para quem estiver ouvindo. Você pode negar algo secamente, agressivamente, friamente, sem qualquer justificativa ou motivo aparente para tal atitude, gerando grande desconforto a quem está propondo algo. Ou pode ser gentil e explicar uma negativa num tom amistoso, cordial ou amoroso, dependendo da situação em questão, evitando ou amenizando bastante qualquer reação ou sentimento negativo que venha da parte contrária.

Há mais um ponto que eu gostaria de abordar: a pessoa que só fala sim pode gerar um desconforto naqueles que convivem com ela, pois nunca se sabe se ela quer realmente fazer aquilo ou não, já que não expõe sua própria vontade, deixando as decisões a cargo dos outros. Aceitar tudo é uma forma de se esconder, não se expor, defender-se das consequências de bancar uma posição contrária ao que alguém propõe.

Cada “não” que se fala para os outros numa situação onde você não queira estar, é um “sim” dito para si mesmo. E aqui eu inverto a pergunta do título desse texto: “Você se permite dizer ‘sim’?”

Aprenda a dizer não

Apesar de uma resposta negativa não ser muito aceita, é através dela que você pode se impor

Escrito por Daniela Bernardi, editado por Juliana Vaz (colaboradora), publicado em 26/02/2015

Dizer “não”, é ao contrario do que parece, uma tarefa bem difícil. O medo de desagradar ou decepcionar aquele que nos pede algo faz com que concordemos com o que é pedido – seria um caminho para ser aceita.

“Uma mulher mais segura sabe que o outro não deixará de gostar dela por causa da recusa, que não será prejudicada”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo. Tudo isso tem a ver com a autoestima e insegurança. Dar mais valor às vontades alheias, preterindo a sua, faz com que deixemos de reconhecer nossos próprios anseios.

E dizer não vale no trabalho, na amizade, no amor, em qualquer relacionamento é preciso saber se posicionar e sem essa atitude, você pode acabar sendo uma pessoa apática e desinteressante. “Esse comodismo faz com que você pareça sem graça e até desesperada por aceitação”, complementa a psicóloga clínica Vanessa Tamiello, de São Paulo.

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Veja 5 dicas para começar a repensar suas respostas:

1. Autoconhecimento
O primeiro passo é saber se aquilo fará bem ou mal. E o único jeito de descobrir é reconhecer de verdade quais são seus anseios e suas vontades.”Quanto mais proximidade você tiver consigo mesma, mais honesta será sua percepção para decidir se vale a pena aceitar o convite”, diz Mariliz Vargas.Fique atenta também às suas limitações. “Não adianta topar e ficar com a cara emburrada porque isso fará mal a você e aos outros”, diz Marina Vasconellos.

2. Sem ladainha
Não comece a inventar desculpas. “Criar compromissos inexistentes dá margem para que o outro entenda que você gostaria de atender ao pedido”, alerta Olga Tessari. Não poder é diferente de não querer. Se isso não ficar claro, abre-se espaço para que, no show seguinte, o convite seja refeito.

3. Exponha seus porquês
Explicar seu ponto de vista é importante para que o outro entenda o seu lado. Por mais que sua amiga discorde da justificativa – afinal, ela jamais aceitará que você não gostou do novo álbum do Bruno Mars -, sua decisão será respeitada, pois você expôs claramente os motivos.

4. Use o corpo
Falar com uma voz firme pode ajudar a mostrar que a decisão já foi tomada.”Olhar nos olhos e manter a coluna ereta passa a mensagem de que a resposta está de acordo com seus valores”, explica a psicóloga clínica Marisa de Abreu, de São Paulo. Mas, se você ainda não estiver preparada para ser tão assertiva, experimente fazer alguns sinais com o rosto ao receber a solicitação ou o convite. “Antes que ela termine a frase, comece a torcer o nariz, contorcer a boca e franzir a testa de forma discreta. Esses movimentos já dão a entender que você não está de acordo com a proposta”, diz Christian Barbosa.

5. Procure alternativas
Mesmo dizendo não, você ainda pode ajudar. Descubra outra amiga que goste do mesmo cantor e faça a ponte de contato entre as duas. “Depois de negar, repasse o convite a alguém que tenha mais interesse”, diz Vanessa Tamiello.

Denúncia contra Adrilles, participante do BBB15, não dá cadeia no Brasil

Especialistas alertam, no entanto, para a importância de se denunciar casos de perseguição 

R7, em 29/1/2015

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A denúncia feita por uma blogueira sobre o participante do BBB15 Adrilles — de que ele teria perseguido uma moça durante dez anos — é alvo de debate jurídico no Brasil. A pessoa que realiza essa prática é conhecida como “stalker”, palavra inglesa que significa perseguidor. A questão é que essa conduta, que pode acontecer tanto no mundo virtual quanto fisicamente, não é considerada crime pelo nosso código penal.

O quadro piora principalmente a situação das vítimas. A advogada Luiza Nagib Eluf, que participou junto com mais 14 juristas da elaboração de um novo projeto do código penal, explica que os senadores excluíram da proposta a tipificação da prática como crime.

— Nós, juristas, colocamos como forma de crime e os senadores tiraram. O stalker não é crime no Brasil. Assim como teve dificuldade para criminar o assédio sexual, estamos tendo muita dificuldade convencer os legisladores desse tipo de crime.

Segundo Luíza, a proposta encaminhada em 2012 ainda continua sendo analisada pela comissão de senadores, com algumas tipificações sendo excluídas. Ela explica que além do stalker, o bullyng também foi retirado.

As denúncias contra o escritor Adrilles foram feitas pela blogueira Lola Aronovich. Ela publicou relatos de supostas vítimas de perseguição do participante do BBB. Em uma das declarações, a mulher conta que teve de largar o emprego. A perseguição, que já durava dez anos, apenas teria terminado quando a Justiça determinou que ele mantenha uma distância de 500 metros dela.

Polícia

Mesmo não sendo considerado crime, a mulher pode e deve denunciar a prática à polícia. O titular da Delegacia de Delitos Cometidos por Meios Eletrônicos do DEIC São Paulo, Ronaldo Toccunian, explica que casos de perseguição podem ser enquadrados em outras tipificações de crime, porém com penas mais brandas.

— Se houve prática de infração penal e chegou a ultrapassar uma relação socialmente aceitável, podíamos estar diante de diversos crimes: perturbação do sossego alheio, crimes contra a honra, ameaça, a pessoa deixou de fazer alguma coisa em razão dessas ameaças.

Porém ele ressalta que todos são considerados “delitos de pequeno potencial ofensivo” e não gera uma prisão.

— O juiz vai definir uma pena restritiva de direito, como pagar cesta básica. Eventualmente, numa reincidência, pode aplicar pena restritiva de liberdade.

Os casos de vítimas de stalker também não se enquadram na Lei Maria da Penha, o que impede uma ação imediata da polícia.

— Não é violência doméstica, a não ser que seja marido dela, namorado. [Mas] em geral é um conduta de um estranho e não do parceiro.

Segundo Luíza, o que pode ajudar muito as vítimas é uma reparação civil.

— Entrar com um pedido na justiça civil, um pedido de indenização por dano moral, e pode entrar com uma ação cautelar pedindo que ele não se aproxime dela.

Como age o stalker

O especialista em crimes digitais Wanderson Castillo explica que o stalker costuma se focar apenas em uma pessoa.

— Ele fica sempre mandando e-mail, visualizando o Facebook, deixando comentários pelas redes sociais. A pessoa que está sendo vítima disso, já começa a identificar na primeira semana.

Wanderson conta que, pessoalmente, já cuidou de um caso de uma jornalista no Rio de Janeiro que foi perseguida por um homem de 44 anos. O stalker chegou a deixar 15 mil comentários no perfil da vítima no twitter.

— Ele começou a fantasiar. A pessoa começou a falar já o bairro que ela morava, os lugares que ela frequentava e ela começou a ficar com medo.

De acordo com Castillo, a jornalista entrou com uma ação preventiva para que ele não chegasse perto dela.  O caso aconteceu há dois anos.

— Nós fizemos toda uma investigação e identificamos que o cara era solteiro, tinha esquizofrenia e criou uma paixão platônica em torno da jornalista.

Tem tratamento?

Esse desejo de perseguição é um problema de saúde e precisa ser tratado, como explica a especialista em psicodrama terapêutico Marina Vasconcellos.

— Stalker pode ser uma variação do toque. Você tem uma compulsão de ir atrás para aliviar sua obsessão.

Marina ressalta que não existe uma explicação muito científica para o desenvolvimento deste comportamento, mas que com certeza um stalker é uma pessoa que sempre está buscando atenção e não sabe ouvir não.

— Tem gente que elege um desconhecido, um ator de TV, os atores são muito vítimas disso. Quer que a outra pessoa goste dele, mas é não é correspondido. O exagero é tanto que a pessoa foge.

Para tratar este comportamento obsessivo, é necessário o seguinte conjunto: medicamento e terapia. “O medicamento ajuda o sintoma, mas o problema continua ali, a terapia trata a causa”, resume Marina.

Prevenção

Apesar de não haver uma explicação para que uma pessoa comece a perseguir outra, Castillo afirma que pensar nas postagens antes de escrever, evitar discussões nas redes sociais e selfies exageradas são formas de se proteger.

— [Se] você colocar informações do local físico onde se encontra, está tendo um risco. A criminalidade usa muito as redes sociais.

É importante também que os perfis sejam fechados aos amigos. Se expor demais, pode tornar a pessoa uma isca. Ignorar os comentários ou até mesmo elogios exagerados frequentes é uma saída.

Oito lições para evitar que a rotina mine seu relacionamento

O beijo de boa noite e um olhar de admiração mantêm a união do casal

Portal Minha Vida, por Manuela Pagan, em 09/01/2015

 

O início de um relacionamento é uma das etapas mais prazerosas da vida a dois. Descobrir o outro e curtir cada segundo juntos é uma delícia. Mas, passada a fase da euforia, a maioria dos casais esquece até de dar um simples beijo de boa noite. Isso é o que diz uma pesquisa realizada pelo impresso Daily Mail, do Reino Unido.

O levantamento aponta que 80% dos casais vão dormir sem esse gesto de carinho. Com o tempo, o afastamento torna-se inevitável. A mesma pesquisa apontou que os parceiros que não se beijavam antes de dormir também eram aqueles que dormiam de costas para o outro.

Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo, a rotina pode ser a culpada, mas a falta de contato físico também pode ser um sinal de que a relação não está indo bem.

O fato é que não dá para deixar o carinho e o afeto em segundo plano. Antes que o seu relacionamento perca a graça, lance mão de oito lições para reacender a chama que está se extinguindo.

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1- Tire a televisão do quarto

Se for para assistir um filme de conchinha sob as cobertas vá lá, mas em outras situações a televisão pode ser inimiga da sua intimidade. “O hábito de assistir televisão sempre antes dormir, além de diminuir a qualidade do sono, dificulta o diálogo e o casal – por dormir em momentos diferentes – acaba até esquecendo do beijo de boa noite”, conta a psicóloga Marina. Por isso, televisão só na sala.

2- Trabalho tem limite

Em um mundo perfeito, você chegaria em casa e teria todo o tempo disponível para cuidar do seu parceiro. Mas na realidade nem sempre é assim. “Hoje em dia, o trabalho suga o tempo pessoal mesmo, principalmente se você gerencia seu próprio negócio”, explica Marina Vasconcellos. A especialista recomenda que haja bom senso e compreensão. “Bom senso para saber a hora de parar de trabalhar, e compreensão do parceiro quando a hora extra for necessária”.

3- Restrinja o uso do computador

Você gasta as horas que tem para passar com o seu amor na frente do computador? Então há algo fora de ordem. Redes sociais, bate-papo e até games podem gerar um vício difícil de romper. Mas você não precisa erradicar essas modernidades da sua vida, basta limitar o uso. A psicóloga Marina Vasconcellos recomenda que seja colocado um horário de uso que não tome todo o seu tempo livre e ainda permita que você se dedique ao relacionamento.

4- Interesse e admiração

“Olhar para o companheiro e sentir orgulho de suas conquistas, características, forma de se vestir e maneiras de resolver problemas é uma das maneiras de manter o relacionamento vivo”, recomenda a psicóloga Milena Lhano, especialista em atendimento de casais. Busque sempre esse olhar de admiração em relação ao parceiro e não deixe nunca de se surpreender com o seu amor.

 

5- Conversa com hora marcada

Marina Vasconcellos conta que o diálogo com hora marcada é um exercícios comumente feito na terapia de casal. “Sem nenhuma influência externa, os parceiros sentam um de frente para o outro e esperam para ver o que vai acontecer”, explica a especialista. A atitude reforça a intimidade do casal e pode gerar o diálogo até em casos mais complicados. Em casa, o casal pode fazer isso durante a refeição ou antes de dormir, por exemplo.

6- Todo dia um carinho

Um “bom dia” ou um beijo de boa noite. Gestos simples que mantêm o cuidado da relação em dia. “Essa demonstração de afeto é simples, mas significa muito: carinho e respeito”, conta a psicóloga Marina.

7- Planos em comum

Uma viagem, uma casa ou até mesmo um filho. Traçar planos em dupla, além de ser uma delícia, é uma forma eficiente de manter o casal olhando na mesma direção. “Essa atitude é importantíssima não apenas para que o casal construa um futuro em comum, mas para mantê-lo caminhando com um mesmo destino, unido”, conta Milena Lhano.

Infidelidade virtual

Jornal o Povo, por Ubiracy de Souza Braga, em 03/01/2015

A infidelidade virtual é um tema conspícuo que divide opiniões na esfera da filosofia, sociologia e mesmo na psicologia. O termo virtual vem do latim medieval e conserva a ideia de virtude, força ou potência em nossos dias. Do ponto de vista legal, não existe infidelidade virtual porque esse tipo de relação não é considerado uma traição.

Na filosofia só é considerado traição se o “olho do espírito” não conseguir “ver”o que está por trás da relação. Benedito de Espinoza foi o primeiro a suscitar o problema do ler, e, por conseguinte do escrever, como também o primeiro no mundo a propor simultaneamente uma teoria da história e uma filosofia da opacidade do imediato.

Daí, toda a fragilidade no sistema dos conceitos, que constitui o conhecimento, reduzir-se à fraqueza psicológica do “ver”. E se são as omissões do ver que explicam os seus equívocos nos dias de hoje, do mesmo modo, por uma necessidade peculiar, será a acuidade do “ver” o que há a explicar em suas visões de todos os conhecimentos
reconhecidos.

 

Infidelidade virtual

 

Ou seja, atingimos assim a compreensão da determinação do visível como visível, e conjuntamente do invisível como invisível, e do vínculo orgânico que une o invisível ao visível. Assim, é visível todo objeto ou problema que se situa no terreno, e no horizonte, isto é, no campo estruturado definido da problemática teórica de determinada disciplina teórica que nos impõe e revela a condição social de visibilidade.

Para a psicoterapeuta sexual Lúcia Rosenberg, com razão, o nexo de quem determina o que seria infidelidade ou não é o próprio casal: “a fidelidade passa pelo acordo. Os limites são diferentes e precisam ser esclarecidos. Muitas pessoas acreditam que ela é mental, para outras, é física”.

A terapeuta de casais Marina Vasconcellos, aproximando-se do interacionismo simbólico, ou na sociologia do direito de Niklas Luhmann, considera este relacionamento “uma traição da confiança da relação”, e salienta: – “a infidelidade caracteriza-se pela relação de intimidade com outra pessoa que não seja o cônjuge, ou mesmo pela intenção de se relacionar com alguém, mesmo quando se está comprometido.

Na sociologia pragmática significa o fim da relação. Pois fim é a representação de um resultado que se converte em causa de uma ação.

 

Antes de vetar amigos do adolescente, conheça-os melhor

Você já proibiu seu filho adolescente de ser amigo de alguém?

Rita Trevisan e Simone Cunha, UOL, em 08/01/2015

Fuja da armadilha de culpar amigos do seu filho pelo que ele faz de errado. Fazer escolhas é fundamental na formação da identidade do adolescente. Parte desse processo, a escolha dos amigos pode, algumas vezes, virar ponto de conflito com os pais, quando estes não gostam do amigo do filho.

Cabe aos adultos lidar com a situação de forma racional, deixando seu gosto pessoal de lado. É natural que um ou outro amigo do jovem desperte desconfiança nos pais. No entanto, se isso acontecer, é essencial apostar em um diálogo franco.

“A forma de falar é o que importa, e isso vai depender de como foi construído o relacionamento com o filho. Se houver um amor baseado na posse, os adultos podem ter uma reação exacerbada e querer interferir na amizade. Por outro lado, se houver um amor baseado no respeito, eles saberão se posicionar de forma afetiva,
e a conversa servirá de aprendizado para os dois lados”, afirma a psicóloga Ana Paula Mallet, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Para a psicopedagoga Rita de Cássia Rizzo, diretora da Escola Novo Ângulo/Novo Esquema (Nane), em São Paulo, não é papel dos pais, simplesmente, censurar as amizades do filho. “Para que o adulto sustente que não gosta do amigo do adolescente, é preciso que haja motivos verdadeiros e contundentes”, diz.

Esse tipo de avaliação exige cautela. E o primeiro passo, para não cometer injustiças, é tentar conhecer melhor a pessoa que provocou uma má impressão. “Convide o jovem para fazer um programa em família, observe-o e converse com ele. Se notar que existe mesmo uma situação de risco que pode prejudicar o seu filho, é fundamental se posicionar, usando até mesmo de sua autoridade, mas isso em uma situação extrema”, afirma Ana Paula.

Para a psicóloga da Unifesp, questões que envolvem drogas, violência e outras práticas ilegais, por exemplo, precisam ser coibidas. Por outro lado, deve haver um esforço dos pais para ignorar implicâncias pontuais.

 

“Os pais devem tomar cuidado para não se deixarem levar por considerações precoces e preconceituosas”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae.

 

Segundo Ana Paula, é importante não classificar o caráter do jovem pela aparência. Outro ponto importante é considerar que o filho pode fazer escolhas bem diferentes das que foram feitas por seus pais e que isso não é, necessariamente, um problema.

“Qualquer que seja a situação, é preciso ter em mente que proibir a convivência com o amigo não resolve”, diz Ana Paula. Em vez disso, os adultos devem explicar porque a convivência com aquele amigo pode prejudicar, recorrendo a fatos e evitando inferências.

Além disso, os pais podem colocar algumas regras e fazer combinados com o filho, para ajudá-lo a evitar situações de perigo. “Mas esse entendimento é um processo, não ocorre do dia para a noite. Depende de muita conversa, o que exige tempo e disposição dos adultos”, fala Ana Paula.

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Observação

De acordo com Rita, os adultos também devem evitar a armadilha de acreditar que tudo o que o filho faz de errado é por influência do amigo. “A tendência é ser sempre extremista: ou o filho é um santo ou é culpado de tudo, mas isso não condiz com a realidade. É preciso aceitar que, na adolescência, o jovem ainda está estabelecendo seus próprios limites, em especial, quando está longe da família. E isso faz parte do desenvolvimento saudável”, declara a psicopedagoga.

Rita sugere que os pais tentem enxergar os filhos como eles são, reconhecendo os pontos que precisam ser trabalhados e as qualidades. “Um pai presente consegue reconhecer essas características no filho e lida com elas de forma tranquila”, fala a psicóloga Marina.

Receber os amigos do adolescente em casa é sempre uma boa pedida. Na ocasião, aproveite para ver como ele se comporta em grupo. Sem invadir a privacidade dos jovens, apenas fique atento ao que conversam e à maneira como se tratam. “O comportamento do jovem, nessas ocasiões, pode dar pistas de como ele age quando está com a turma fora de casa”, diz.

Acompanhar a atuação dele nas redes sociais também pode ajudar. Além disso, a escola pode fornecer dados e ajudar o pai a traçar um perfil mais realista do próprio filho. “Nessas horas, é essencial manter-se imparcial, para entender, de fato, o que está acontecendo com o adolescente. Só depois dessa análise é que os pais poderão direcioná-lo da melhor forma”, afirma Ana Paula, da Unifesp.

Mas só isso não basta. A psicopedagoga reforça que é fundamental estar próximo do filho sempre que possível, acompanhando a rotina dele. “O mais importante é estar disponível, é oferecer um porto seguro, caso o filho queira ou precise conversar ou pedir ajuda. Isso é ainda melhor do que se posicionar como a autoridade, que vai apenas coibir as ações do jovem, quando algo dá errado”, diz Ana Paula.

Brasil já atingiu 83 mil cirurgias estéticas por mês e lipoaspiração e silicone são os procedimentos campeões

Apenas no Estado de São Paulo, são 50 mil procedimentos mensalmente

Por Vanessa Beltrão, Entretenimento ­R7 Mulher, em 19/1/2015

 

Saradas, com seios maiores e mais novas, esse é o ideal de beleza que pode estar na cabeça de muitas mulheres. Para ter este perfil, elas recorrem logo às salas de cirurgia.

Dados da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) mostram que os procedimentos mais realizados atualmente são: lipoaspiração (remove os excessos de gordura), implante mamário de silicone e procedimento na face, como o lifting (rejuvenescimento da pele) e a ritidoplastia (cirurgia da face).

As plásticas se popularizaram tanto que o Brasil se tornou o País onde mais se realiza esse tipo de procedimento. Em segundo lugar, aparecem os Estados Unidos. Segundo a SBCP, em 2013 foram realizadas, em média, 83 mil cirurgias estéticas no País por mês.

Apenas no Estado de São Pa
ulo, a média é de 50 mil cirurgias plásticas mensalmente, aponta o último levantamento da SPCP‐SP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica ‐ Regional São Paulo) realizado com 378 cirurgiões plásticos, entre abril e maio do ano passado. Por semana, são cerca de três procedimentos originados de atendimento particular e dois provenientes de convênios de saúde ou SUS. Confira as diferenças na tabela abaixo.

Uma das causas para este aumento nos números é a melhora no acesso, com muitos dos procedimentos sendo realizados inclusive pelo SUS. Mas outros aspectos impactaram no crescimento da demanda.

“Fundamentalmente o acréscimo do poder aquisitivo das classes C e D, o culto à beleza e a criatividade do cirurgião plástico brasileiro”, explica o presidente da SBCP, Prado Neto.

Apesar do maior acesso, a banalização de alguns procedimentos, como a lipoaspiração, é o que preocupa, de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica — Regional São Paulo, Fernando Prado. — Lipoaspiração deve ser feita por quem tem treinamento para fazer, quem foi treinado para executar isso. Treinamento são dois anos de cirurgia geral e mais três de plástica. Depois você faz a prova para se tornar membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica… Tudo que é muito barato pode causar problemas.

 

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A modelo brasileira Ângela Bismarck é um nome bem conhecido quando o assunto é plástica. E mesmo já tendo feito diversos procedimentos estéticos, sendo 11 deles com necessidade de cirurgia, ela diz que existe limite. — Sempre fui uma mulher que me cuidei desde os 17 anos. Eu não sou contra a cirurgia plástica, tem limites… Corpo
bonito é exercício e alimentação. Cirurgia plástica é um aliado da mulher, não a solução.

Ângela conta que nunca fez uso do hidrogel e comenta sobre a situação da modelo Andressa Urach, que ficou internada em estado grave após uma complicação em uma cirurgia para retirar o produto. — Eu acho que ela teve pessoas do lado que a aconselharam coisas erradas. Ela não soube se impor, não teve medo e foi a fundo. Nem tudo é válido por causa da beleza.

A própria Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica não recomenda o uso do hidrogel em procedimentos estéticos. Porém não é proibido, isso porque existe uma portaria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que permite a aplicação de até 50 ml desse produto em qualquer parte do corpo.

A ex‐vice miss Bumbum Andressa exagerou ao aplicar 400 ml de hidrogel em cada perna e chegou a correr risco de vida. Um alerta de que a busca pela perfeição muitas vezes deixa de ser saudável. A psicóloga Marina Vasconcellos, com especialização em psicodrama terapêutico, explica que os sacríficos pela beleza, podem se mostrar em muitos casos desnecessários.

– Quando muita gente fala, profissionais falam, que você está bem, dentro do peso adequado e mesmo assim você não se conforma… aí tem um problema.

Transtorno? Marina explica ainda que essa necessidade de admiração externa é fruto de pessoas inseguras. Em alguns casos, quando as pessoas se acham feias e não se aceitam, podem até estar sofrendo de transtorno dismórfico corporal. — É uma patologia focada no corpo, numa relação “equivocada” ou “estranha” consigo mesmo. Em especial o rosto é alvo do incômodo (quer operar o nariz, as orelhas, acha os lábios feios, os dentes…); mais raro acham que o conjunto todo é desarmonioso, e sofrem com isso.

Para a psicodramatista e psicoterapeuta Cecília Zylberstajn, o grande problema é quando a cirurgia plástica está associada a uma felicidade incondicional. — Uma coisa é aumentar o seio porque vai ficar melhor. [Outra] é a pessoa atrelar a essa mudança a felicidade incondicional dela. Se eu não tiver o nariz da fulana, eu não vou ser feliz.
Fernando Prado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica da Regional São Paulo acrescenta que quem dá o limite de quando parar é o bom senso. — O limite é o bom senso. É o conjunto corporal da pessoa. Na minha opinião, o exagero não é saudável.

Enteados: como viver em harmonia

Publicado no Portal Vital

Foto: Reprodução

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O perfil das famílias brasileiras mudou. De acordo com dados do IBGE, cerca de 20% dos casamentos no Brasil são de pessoas que já tiveram um matrimônio anterior. Na maior parte das vezes, isso implica unir, num mesmo contexto, enteados, madrastas e padrastos – o que não é nada fácil. Afinal, trazer um novo parceiro para a rotina dos seus pequenos ou aprender a conviver com os filhos do atual companheiro, por exemplo, requer muita dedicação, paciência e compreensão.
Roberta Palermo, terapeuta familiar e autora dos livros Madrasta, quando o homem da sua vida já tem filhos e 100% Madrasta – quebrando as barreiras do preconceito, diz que essa é uma situação de adaptação para todos os envolvidos. Assim, é fundamental que o adulto passe segurança para a criança.
“O ideal é que tudo seja conversado, mas os pais devem deixar claro que estão no comando. Existe uma hierarquia: o casal decidiu começar uma vida amorosa, e os pequenos precisam receber o novo membro familiar com respeito”, afirma.
Por sua vez, Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar, explica que, para a relação começar bem, a madrasta ou o padrasto deve se aproximar do enteado com cautela, sempre demonstrando que não há qualquer tipo de competição e que o amor do pai ou da mãe em relação a ele não vai mudar. “É preciso também estabelecer o papel de cada um, afirmando que o(a) parceiro(a) não está ali para substituir ninguém”, completa.
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Como impor limites

Conquistar a simpatia dos enteados é importante, mas um dos pontos mais complicados é a participação efetiva na educação, principalmente porque isso envolve autoridade e imposição de limites. Roberta esclarece que essa responsabilidade é sempre dos pais. São eles que precisam mostrar quais são as “regras do jogo” e estabelecer se seus companheiros têm ou não liberdade para fazer cobranças.
“O que não funciona é o padrasto ou a madrasta chegar com uma norma que nunca foi exigida antes. Nesses casos, é preciso entender primeiro a situação antes de conversar com a criança, porque a sua rotina pode ser diferente”, destaca Roberta.
Nas situações em que um dos pais é ausente e a convivência com a madrasta ou padrasto é mais próxima, Marina afirma que a interferência na educação pode ser efetiva, já que o cônjuge terá um papel maior na vida familiar. “Sempre lembrando que se deve conversar com o parceiro sobre qualquer decisão a ser tomada, pois a autoridade ainda está com a mãe ou o pai”, diz.
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 Dicas dos especialistas
Se você se identificou com alguns dos exemplos citados, veja as dicas de Roberta e Marina para superar o desafio de uma convivência agradável e harmoniosa entre padrastos, madrastas e enteados:
  • Não se imponha ou coloque seu novo parceiro como “substituto”, tanto no caso de pais vivos quanto de falecidos.
  • Seja amiga, atenciosa e mostre-se disponível para o diálogo. Incentive esse mesmo comportamento do seu novo companheiro com os seus filhos, se for o caso.
  • Competir com a criança para disputar a atenção do parceiro é um grande erro. Lembre: você escolheu alguém que já tem filhos para recomeçar a vida.
  • Em casa, tenha um lugar para receber os enteados. Sempre que possível, convide-os para passar fins de semana juntos. Acolhê-los com carinho e atenção contribui muito para conquistá-los e garantir a boa convivência.
  • Procure não fazer distinção entre filhos e enteados na hora de tomar decisões que afetem a família toda. Agora, todos fazem parte de um mesmo lar.
  • Não fale mal dos pais para os enteados. Mantenha sempre uma postura de respeito em relação a eles.
  • Valorize o novo companheiro. Elogiar e mostrar o quanto todos estão felizes com a sua companhia colabora para que as crianças se sintam seguras.
  • É fundamental explicar bem o fato de que “papai e mamãe” não estão juntos por motivos específicos, e não por culpa da madrasta ou do padrasto.
  • Mesmo que os pais não tenham muito contato com os filhos, devem exigir obediência e disciplina. Dessa maneira, diminui-se a possibilidade de conflitos entre as crianças e o novo parceiro.

Amor entre mulheres: afeto diferencia desejo de orientação sexual

Publicado no Terra em 19/02/2014

Em foco na ficção, comportamento sai das telas e passa a ser mais discutido na sociedade

Ellen Page, de Juno, fez um discurso emocionado se declarando gay. (Foto: Getty Images)

Ellen Page, de Juno, fez um discurso emocionado se declarando gay. (Foto: Getty Images)

O tema “lesbianismo”, como é definida a relação entre mulheres, está em pauta. Seja por meio da bissexualidade, homossexualidade ou por simples curiosidade, o assunto vem ganhando destaque entre as celebridades, nas novelas, filmes e na vida real, como mostrou a atriz canadense Ellen Page, 26, que emocionou o mundo com um discurso no último sábado (15), quando declarou que é gay.

A estrela do filme Juno disse que sofreu por anos, com medo de se revelar. “Eu estou aqui porque sou gay. Para ajudar os outros a terem uma vida mais fácil, mais esperançosa”, disse. No Brasil, a cantora Daniela Mercury segue engajada na luta contra o preconceito, desde que assumiu sua relação com a jornalista Malu Veçosa.

No campo da ficção, a novela global Em Família começa a tatear o assunto. Clara, personagem de Giovanna Antonelli, descobre um interesse diferente pela fotógrafa Marina (Tainá Müller), algo inédito para uma mulher que vive um casamento de longos anos com Cadu (Reynaldo Gianecchini).

Já no BBB, as participantes Clara (que é casada com um homem) e Vanessa  também protagonizam cenas calientes de beijos nas festas da casa; mas também de cumplicidade no dia a dia quando dividem diálogos e situações cotidianas.

Independente dos rótulos, são muitas as dúvidas que rondam o campo da sexualidade humana.

 Segundo as especialistas ouvidas pelo Terra, o interesse por mulheres, quando não passa de uma simples curiosidade, não indica a orientação sexual da pessoa. Já quando evolui para o campo afetivo, talvez possa desencadear uma série de descobertas que, mesmo tardias, podem trazer um grande alívio para quem se identifica com este tipo de situação.

 A psicóloga e terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos enxerga como positiva a ampliação da discussão em torno do tema nos últimos anos. É natural que, quando algo sai do campo da obscuridade, mais pessoas se sintam à vontade para se abrir. “Hoje existe uma permissão maior para se mostrar, ninguém precisa morrer frustrado”, completa.

 Juliana Bonetti, psicóloga especializada em sexualidade, concorda que atualmente existe uma mobilização social maior em cima do interesse de mulheres por pessoas do mesmo sexo. “A novela retrata, os filmes também. A coisa toda está sendo mais dita. Existe esta demanda social, o que é muito bom, porque dá lugar a este tema”, pontua.

Experimentação ou orientação?
Diferente dos meninos, as meninas já se entendem desde cedo pelo contato físico: é comum amigas tomarem banhos juntos, se abraçarem, se beijarem e até dividirem a mesma cama.

Os sentimentos podem acabar se confundindo, mas Marina alerta que não há dúvidas quando o sentimento pende para o lado afetivo, e não como para uma simples admiração. “Você pode achar uma amiga linda, mas o que diferencia é o desejo”, afirma. Ela explica que o interesse e a atração vêm acompanhados da vontade de tocar e ter maior intimidade com a pessoa.

Na adolescência, esta vontade é mais comum, mas isso não necessariamente pode ditar a orientação sexual de uma pessoa, de acordo com as especialistas. Juliana acrescenta que a curiosidade e as fantasias são coisas normais, que não denotam mudança na orientação sexual. “Se for apenas uma experiência, ou se você apenas deu vazão a uma fantasia, isso não vai fazer de você homossexual”, afirma Juliana.

Descoberta tardia
Apesar da explosão dos hormônios – que caracteriza a adolescência – propiciar este tipo de curiosidade, também é comum o interesse crescer mais tarde, como mostra a novela das nove.

Ao contrário do que se possa imaginar, Juliana descarta que o novo comportamento tenha a ver com um possível descontentamento com o parceiro. “Não é uma responsabilidade do marido, não dá pra dizer que ele não investiu na relação. São questões individuais, é ela que tem que se responsabilizar por isso, e não tentando buscar uma explicação fora.”

Marina observa que o folhetim retrata o caso de pessoas que vivem por anos uma vida aparentemente feliz, mas internamente sentem que não estão completas e lidam com esta angústia de forma discreta e silenciosa. “Ninguém se transforma em homo ou heterossexual. Muito provavelmente esta mulher [personagem da novela] já era homossexual. Em algum momento da vida, isso pode ter sido despertado”, acredita.

Um comportamento comum às pessoas que ainda não se entenderam com suas preferências sexuais é uma angústia inexplicável, ou a ausência da felicidade plena ainda que esteja em um relacionamento teoricamente perfeito.

A especialista afirma que geralmente são pessoas que mantêm uma vida de aparências, devido ao medo do preconceito e de chamar atenção da sociedade. “Por mais que tenha se falado muito deste assunto, todo mundo acha legal quando não é na própria família”, pontua, acrescentando que, geralmente, quando a questão vem para dentro de casa a abordagem é diferente.

A novela global das nove toca no tema, por enquanto, somente com insinuações. (Foto: TV Globo / Divulgação)

A novela global das nove toca no tema, por enquanto, somente com insinuações. (Foto: TV Globo / Divulgação)

Dilemas da vida real
Quando o que era uma simples fantasia evolui para o campo sentimental, o ideal é saber administrar estes sentimentos para evitar o sofrimento. O preconceito é o primeiro obstáculo e, junto com ele, também vem o medo do desconhecido.

Quando uma mulher sente desejo por outra e guarda este segredo para ela acaba enfrentando um grande dilema: ter que fingir ser uma pessoa que ela não é. Por isso, o ideal é procurar um equilíbrio, e isso não quer dizer que necessariamente ela precisa abrir sua vida pessoal para todo mundo. “Ela não tem obrigação de falar para ninguém, mas precisa se assumir para ela mesma”, recomenda Juliana.

Deixar a emoção de lado é necessário para que as relações não sofram prejuízos. “Ela tem o direito de falar e de se assumir. Mas que isso seja feito da maneira menos sofrida, com cautela, entendendo o momento certo de falar, e não agindo de maneira puramente emocional”, completa.

Juliana afirma que a partir do momento em que a mulher “bancar” sua própria decisão, as coisas irão se encaixar em algum momento. “O preconceito e o conservadorismo podem surgir, mas ela também pode se surpreender com círculos de amigos e familiares acolhedores”, pontua.

Quando a decisão envolve mais do que um indivíduo, no caso, das mulheres casadas e com filhos, todo cuidado é pouco para não magoar pessoas queridas e acabar prejudicando as relações. “Pode ser bastante difícil em alguns casos, mas eles vão acabar aceitando ao verem que a mãe está feliz”.

A postura impositiva é o pior caminho, segundo a especialista. “É preciso ter respeito por suas relações, por isso, não há necessidade de ficar se beijando na frente das pessoas. Tudo tem que acontecer de forma natural, respeitando os limites de cada um”, indica, reforçando que nos casos mais complicados o ideal seria uma terapia familiar.

Procurar o autoconhecimento, por meio de um tratamento psicológico, é uma boa alternativa na opinião de Marina. “Muita coisa vai mudar, emocionalmente”, afirma. Uma boa dica também é se cercar de pessoas desprovidas de preconceito. A partir do momento que ela realmente se aceitar, tudo passa a ficar mais fácil. “É uma realização pessoal, uma libertação interna. Vai acabar a angústia e, com isso, ela poderá se sentir plenamente feliz”.

Sem nomenclaturas
O discurso de Ellen também chamou a atenção com relação à busca da sociedade pela reafirmação dos gêneros. “Existem estereótipos perversos sobre masculinidade e feminilidade que definem como nós devemos todos agir, vestir e falar. Eles não servem a ninguém”, declarou.

A psicóloga Juliana reforça que não cabem rótulos quando o assunto é a vida sexual. “Acredito que a sexualidade do ser humano é sempre muito complexa e misteriosa. Vamos nos redescobrindo com o tempo, e de repente pode haver algo na psique que se afloradepois de muito tempo. O que importa é o individuo saber do que ele gosta, e não saber se é bissexual ou homossexual. O que importa é o afeto e afeição”, finaliza.

Vida de miss mirim: saiba mais sobre o mundo dos concursos infantis

Publicado no Terra em 14/10/2013

Para algumas meninas, ir à Disney e vivenciar o mundo das princesas é um grande sonho. Mas para aquelas que estão, desde cedo, no universo das misses, isto é algo bem próximo da realidade: coroas, faixas e vestidos pomposos são alguns dos elementos que as destacam de uma infância comum. É o caso de Pietra Gasparin, 6, que, no fim de outubro, embarca para a Euro Disney, em Paris, na França. Este é o prêmio por ter recebido a faixa de Mini Miss Brasil Universo 2013, que a leva a representar o País no concurso internacional.

As competições mirins são geralmente muito criticadas devido a uma série de fatores: a feminilização precoce e a busca incessante por um padrão de beleza irreal são apenas alguns deles. Mas, de acordo com o missólogo Evandro Hazzi, que descobriu Pietra, na França os concursos de beleza infantil são proibidos e este só existe porque vai contra o movimento de “adultização” das crianças. “É algo que foge da tal padronização de concursos de miss mirim”, completa Alê di Lima, assessor de Pietra, que é gaúcha de Passo Fundo, Rio Grande do Sul.

Claudia Gasparin, mãe da menina, reforça o discurso e conta que sempre tentou colocar outras questões à frente da beleza. Ao começar pelas festas de aniversário da filha, sempre temáticas e em prol de alguma causa: meio ambiente, proteção dos animais e união da família já foram algumas. “Este projeto da Disney vem para tirar este conceito de criança se maquiando, de não poder comer. Estamos entrando em um concurso para trazer um novo conceito de miss para a criança”, completa.

Segundo a mãe, Pietra ainda é uma novata no ramo das misses. No ano passado, ela foi convidada para participar do Mini Miss Passo Fundo 2012 e, de lá, saiu vencedora. “Eu fiquei surpresa, ela é totalmente crua. Eu posso dizer até que eu julgava este tipo de coisa e dizia ‘minha filha jamais vai entrar nisso’”, relembra.

O título de miss entrou na vida da filha como mais uma de suas atividades, que são muitas – entre elas, caratê, piano e hipismo, uma de suas paixões desde os três anos de idade. “Ela é uma criança normal, tem dias que está bem, tem dias que está cansada. Não tirei nada da vida dela”, explica. Esta será a primeira vez que Claudia e o marido saem do Brasil e a ida para Disney, de qualquer forma, seria o presente de aniversário dos pais para a filha este ano.

Passando o bastão
Enquanto Pietra ensaia os primeiros passos neste universo, Mirella Scheeffer, 13, já é uma profissional reconhecida, que se despede das passarelas infantis. No ano passado, ela venceu o concurso de Miss Universo Infantil e a vigência de sua faixa termina no fim do mês de outubro.

Mirella Scheeffer, 13, se despede das passarelas infantis mas visa ganhar o concurso adulto quando chegar a hora (Foto: Facebook / Reprodução)

Mirella Scheeffer, 13, se despede das passarelas infantis mas visa ganhar o concurso adulto quando chegar a hora
(Foto: Facebook / Reprodução)

Ela é dona de vários títulos importantes e atua na área desde os 9 anos de idade. Também já foi eleita Miss Brasil Infantil e, recentemente, participou de um concurso de marca de brinquedos, no qual derrubou mais de 16 mil candidatas e acabou virando uma boneca. Os concursos abriram portas e renderam até um teste para Malhação, da Globo.

Mirella também tem seguidores no Twitter, no Facebook, fã-clubes e, com certa timidez, confirma que o assédio dos meninos também aumentou muito nos últimos meses. O interesse nos concursos começou por conta das irmãs mais velhas, que já desfilaram. “Eu via aquele mundo de princesas, coroas e vestidos e queria viver nesse mundo. Eu já tinha ideia do que era, mas fiquei boquiaberta no primeiro concurso e acabei me apaixonando”, diz, acrescentando que sempre foi vaidosa. “Eu sempre fui de pegar as roupas das irmãs, os saltos da mãe”, conta.

Miss na sala de aula
A maior preocupação apresentada pelas mães entrevistadas é a busca por um convívio social normal com as demais crianças. “Outro dia a Pietra queria levar a faixa e a coroa para a escola, para brincar. Eu deixei, mas falei para ela não levar para o recreio, para não gerar ciúmes”, conta a mãe.

Claudia conta ainda que a filha não teve grandes problemas e que tudo acabou virando uma grande brincadeira. Mirella, no entanto, não teve a mesma sorte e chegou a sofrer bullying na escola.

Depois de fechar um contrato com uma marca grande de calçados infantis, Mirella foi parar nos outdoors da cidade e, com isso, ficou ainda mais conhecida do que já era. “Ela disse que queria mudar de escola porque começou a se destacar e as colegas achavam que ela tinha algum tipo de vantagem pelo fato de ser miss”, conta Vera Scheeffer, mãe da adolescente.

Na ocasião, a diretora da escola foi acionada e marcou uma reunião geral, com todos os alunos, para resolver a situação. “Eu tinha uma ideia de que eu ia ser olhada de forma estranha, mas as pessoas falavam coisas horrendas para mim e qualquer coisa que eu fizesse, elas achavam um defeito”, lembra Mirella. Felizmente, ela não precisou sair da escola; voltou às aulas normalmente e tentou tirar algo de positivo da situação. “Dei a volta por cima e muita gente hoje tem vergonha do que falava e acabou se tornando meu amigo.”

Bastidores
Como mãe de miss, Vera diz que sempre tentou mostrar para a filha o lado positivo e o negativo deste universo. Os excessos, no entanto, podem ser vistos nos bastidores e, por algumas vezes, ela chegou a notar casos em que, nitidamente, a criança não está disposta a seguir este caminho.

Pietra Gasparin representará o Brasil em concurso na Euro Disney, em Paris (Foto: Carol Gherardi / Divulgação)

Pietra Gasparin representará o Brasil em concurso na Euro Disney, em Paris
(Foto: Carol Gherardi / Divulgação)

Ela afirma que já viu nos bastidores crianças chorando e sem vontade de desfilar. “Tem meninas que passam mal horas antes de entrar na passarela porque deixaram de comer. Acho inadmissível”, conclui.

O sonho da mãe nem sempre corresponde ao da filha, e este é um grande problema, na opinião da psicóloga Marina Vasconcelos. “É um perigo fazer com que o filho realize o que ela não conseguiu realizar. A criança pode passar a se perguntar: ‘será que minha mãe vai gostar de mim se eu deixar de fazer?’”, pontua.

Do laquê aos cílios postiços
Outro ponto polêmico nos concursos infantis é o excesso de produtos e beleza, o que faz com que as candidatas pareçam mulheres adultas em miniatura. Na opinião de Claudia, equilíbrio é o segredo. “Maquiagem é algo que toda criança nessa idade ama. É a Pietra mesmo que escolhe as cores que ela quer, sempre combinando com o vestido, mas tudo muito suave”, afirma.

Mas, de acordo com a dermatologista Marcia Monteiro, de São Paulo, é preciso cautela, pois algumas crianças são muito sensíveis a substâncias químicas, podendo desenvolver quadros alérgicos. “Eu não recomendo o uso de maquiagem para crianças. Acredito que poderíamos liberar o uso, muito esporadicamente, a partir dos 15 anos de idade”, alerta, acrescentando que o uso precoce de alguns produtos também pode levar ao aparecimento de acne.

Ela também não recomenda alisamento, tintura ou tratamentos capilares mais agressivos. “Acredito que o maior dano em relação ao uso destas práticas de beleza na infância esteja relacionado ao aspecto psicológico. Ainda que seja dermatologista e deva alertar para os riscos à saúde da pele, não poderia deixar de ponderar que isto pode induzir a criança a acreditar que seja ‘feia’ ou ‘inadequada’. Da mesma forma, cria, muito precocemente, uma busca incessante por um ideal de beleza, muitas vezes irreal e inatingível”, analisa a profissional.

Madura antes da hora
De acordo com a psicóloga Marina, de um modo geral, as meninas que começam muito cedo não têm muita dimensão do território em que estão adentrando. “Para elas é uma fantasia que vira a realidade, mas elas não sabem o que isso vai repercutir”, afirma.

A psicóloga e analista do comportamento Lygia T. Dorigon reforça. “Nesta fase, as crianças são bastante influenciadas pelas suas referências, como pais e professores, e ainda têm poucas condições de avaliar a situação de forma adequada. Se a família conduz isso de maneira tranquila, como uma situação divertida, de descontração, a criança pode levar isso numa boa. Do contrário, se percebe que há uma pressão da família para que seja a melhor, pode ser que valorize a vida de ‘miss’ mais do que deveria, uma vez que ainda não está preparada para isso”.

Apesar das faixas, coroas e aplausos, a repercussão nem sempre é só positiva. Mirella conta que passou por um momento delicado após ser criticada por desfilar de biquíni. “Eu ouvi mais comentários negativos do que positivos. As pessoas realmente acham que meninas de 12 anos têm que estar brincando de boneca. Mas a minha roupa era um biquíni porque era um traje típico representando o Carnaval do Brasil, então não acho que foi uma exibição. Fui bastante julgada, mas não acho que foi vulgar”.

Aprender a lidar com críticas, reações negativas e o fracasso também faz parte deste universo. Para a psicóloga Marina, é preciso cautela para conduzir estas situações, para não “pular fases e atropelar o desenvolvimento”.

Em busca da perfeição
Outro ponto de atenção levantado pelas psicólogas é o exagero com a questão da vaidade. Na opinião das profissionais, o excesso de preocupação com a beleza deve ser dispensado na infância. “Não se pode incutir na criança uma vaidade exagerada, que pode virar também uma sexualização adiantada”, observa.

Lygia também considera esta questão como prejudicial à criança do ponto de vista psicológico. “Acho negativo uma situação que valoriza a beleza e atributos físicos, pois é importante que as crianças sejam valorizadas em outras competências também. É a fase de elas serem estimuladas em diferentes áreas e de ampliarem seus gostos e interesses. Uma rotina de concursos, focada nisso, faz a criança entender que é isso que é importante, ou seja, que é isso que precisa valorizar”, diz.

Mirella aprendeu a lidar com a cobrança das pessoas, mas afirma que não foi algo fácil. “O que me deixava desconfortável era a pressão que as pessoas colocavam em mim para eu ser perfeita. Mesmo sem te conhecer, elas fazem uma imagem de você”, afirma.

Segundo Lygia, o problema é quando a criança leva isso como uma situação estressante, com uma grande valorização em detrimento às suas outras competências. “Se isso ocorrer, pode ser que, quando adulta, a criança apresente dificuldades em termos de segurança e autoestima. Mas tudo isso depende menos da criança e mais da forma como as pessoas do seu entorno conduzem a situação”, conclui.

Os limites
A principal recomendação para as crianças que seguem este caminho é não deixar de lado as atividades de uma criança normal, colocando a vida escolar sempre em primeiro plano. “É preciso colocar um limite e não deixar que ela deixe de ir a escola, pratique os esportes e conviva com os amigos. Elas também precisam saber que não é fácil ser uma Gisele Bündchen. São pouquíssimas as que vão se destacar, então, terão que enfrentar as frustrações e entender que o sucesso não é para todo mundo”, diz Marina.

Lygia também recomenda que os pais fiquem atentos para o que a criança quer, gosta e sente. “A criança procura fazer aquilo que agrada os pais, especialmente quando tem uma boa relação com eles. Avalie se o sonho é mesmo da criança ou se é seu. Atente para outras habilidades e competências de sua filha. Valorize-a para além de seus atributos físicos. Quanto mais ela aprender coisas novas, mais forte será seu repertório comportamental e mais condições ela terá de escolher seu caminho futuro com segurança. Terá mais condições de ser feliz e isto, provavelmente, é o que deve ser mais importante”, completa.

Ela também ressalta que, por mais frustrações que uma criança passe, sempre é possível reconstruir um caminho. “A história por que cada um passa influencia a vida futura, mas não a determina. Experiências negativas deixam marcas, mas novas experiências criam novas marcas que podem se sobrepor às antigas. Desse ponto de vista, é sempre possível que alguém se recupere de histórias ou lembranças negativas”, afirma.

No caso de Pietra, a vida de miss ainda é uma brincadeira, segundo a mãe, que ela não leva como profissão. No de Mirella, a “brincadeira” já se desenha para um caminho futuro, já que o seu sonho é concorrer ao miss adulto e, quando concluir os estudos, “entrar na mídia”. “Quero ser atriz, fazer filmes e até cinema, quem sabe?”, conta, ressaltando que também pretende morar fora do Brasil – de preferência, em Londres. “É de onde são os integrantes da minha banda preferida, o One Direction”, conclui.

Suicídio: uma tragédia que, em muitos casos, poderia ter sido evitada

Publicado no Minha Saúde Online em 10/10/2013

Chamaram minha atenção as mortes recentes por suicídio de dois músicos famosos. Ambos deixaram parentes, amigos e fãs completamente chocados com tal ato absolutamente inesperado, que demonstra o ápice do desespero humano, onde o indivíduo se vê sem saída e incapaz de enfrentar os problemas pelos quais esteja passando.

Um artigo de Humberto Corrêa publicado na Folha de São Paulo (10/09/13) cita números impressionantes ligados ao suicídio: em todo o mundo, a cada ano um milhão de pessoas se suicidam, sendo o Brasil responsável por cerca de 9.000 óbitos anuais – em número subestimado. Ou seja, todos os dias ao menos 25 pessoas dão cabo à própria vida em nosso país.

O problema é que praticamente 100% dessas pessoas são vítimas de algum transtorno psiquiátrico não diagnosticado ou indevidamente tratado. Daí dizer que esta é uma tragédia que poderia ser evitada caso houvesse tratamento adequado para todos, mais orientação à população a esse respeito e se as pessoas se permitissem buscar ajuda.

Aí está o ponto: o preconceito ainda é grande quando o assunto é fazer uma consulta ao psiquiatra, ou procurar a ajuda de um psicoterapeuta. A velha frase: “Não sou louco para precisar de um psicólogo” infelizmente persiste, e quando se trata do psiquiatra, então, o preconceito aumenta.

Muitas pessoas não sabem a diferença entre esses profissionais, e vale aqui uma explicação básica: o psicólogo fez o curso de graduação em Psicologia, alguma especialização depois para seguir uma linha de trabalho e atua, entre outras áreas (empresas, escolas, hospitais) em consultório, onde recebe seus clientes para psicoterapia. O trabalho visa buscar uma melhor qualidade de vida através do auto conhecimento, de questionamentos de suas atitudes e relações, facilitando o contato da pessoa com seus verdadeiros sentimentos, por meio da compreensão de sua dinâmica de funcionamento perante a vida. Qualquer pessoa que queira conhecer-se melhor, ou que esteja passando por algum problema emocional, uma dificuldade em lidar com uma situação ou pessoa, enfim, sente que algo não está bem e não consegue resolver a questão, pode fazer psicoterapia. O olhar neutro e treinado de um profissional que está fora do problema vai ajudá-lo a questionar, ponderar, entender, enfrentar, procurar soluções que antes pareciam não existir. E para tudo isso é preciso que se entre em contato com os próprios sentimentos, que algumas questões passadas sejam elaboradas para que não sigam interferindo em suas atitudes do presente.

Já o psiquiatra fez o curso de Medicina e especializou-se em Psiquiatria em sua residência médica. Provavelmente fez alguma especialização para, assim como o psicólogo, seguir uma linha de pensamento e técnica que orienta seus atendimentos. Por ser médico, pode receitar remédios. Alguns trabalham apenas medicando seus pacientes, enquanto outros também são terapeutas.

Assim, num trabalho conjunto entre psicologia e psiquiatria, podemos ajudar as pessoas mais comprometidas na busca pela saúde e melhora dos quadros psiquiátricos, trabalhando tanto o emocional quanto os sintomas físicos e mentais indesejados. É frequente o psicólogo fazer a psicoterapia e encaminhar o cliente para ser medicado com um psiquiatra de sua confiança, que fará um trabalho paralelo quando necessário. Doenças mais comuns como Depressão, Transtorno Bipolar, Pânico, Ansiedade, Síndrome do Estresse Pós Traumático, Ciúme Patológico e outras são diretamente beneficiadas por esse atendimento em equipe, que buscará solucionar não só os sintomas (com a medicação) como também as causas que levaram ao aparecimento deles (através da psicoterapia).

Agora lhe pergunto: se procuramos tratamento para diabetes, pressão alta, gastrite, dores no corpo, alterações hormonais e por aí afora, qual o preconceito em procurarmos ajuda psicológica? Por que é tão difícil admitir que não estamos bem, que a vida está pesada e não sabemos explicar o porque, que temos medo de algo que não seria para tanto, que estamos tristes e não conseguimos reagir, que temos manias estranhas e não controlamos a necessidade de mantê-las, que às vezes temos vontade de largar tudo e desistir de viver de tão pesada que está nossa carga?

Somos seres complexos e precisamos de atenção e cuidados em todas as áreas: física, mental, emocional e espiritual. Temos que olhar para o emocional assim como olhamos para o físico, e não há porque temer julgamentos de terceiros quando estamos com uma dificuldade e precisamos de ajuda.

Não raro atendo clientes que convivem com pessoas claramente comprometidas emocionalmente, mas que se recusam a buscar ajuda pelo preconceito, por falta de orientação. Vidas são afetadas e prejudicadas pela falta de tratamento adequado para quadros que seriam perfeitamente controlados, trazendo paz e harmonia ao convívio tão difícil com a pessoa doente, que não admite sofrer qualquer mal.

E não só as pessoas ao redor sofrem: a própria pessoa passa a vida sem desfrutá-la em sua plenitude por não achar que precisa de ajuda. Casamentos são desfeitos, famílias são destruídas, empregos são desperdiçados, tudo em função do estresse causado por uma doença não diagnosticada.

Por trás dos suicídios geralmente encontramos pessoas deprimidas ou bipolares que não conseguiram pedir ajuda, seja por preconceito, por orgulho ou total falta de orientação. Afinal, doenças psiquiátricas não são exatamente “visíveis” como as físicas, que aparecem em exames laboratoriais ou mesmo no corpo, sendo palpáveis e justificáveis para as pessoas. Dizer que “não está com vontade ou energia para trabalhar” pode soar como “preguiça” ou “falta de comprometimento” com as responsabilidades, quando na verdade podem ser sintomas de depressão que precisam ser tratados.

Quando se tem um trabalho e responsabilidades para serem cumpridas e honradas, como “se dar ao luxo de ficar mal”? A depressão faz com que a pessoa sinta-se sem vontade e energia para viver, tudo parece absolutamente sem graça, é um esforço acordar a cada manhã e imaginar um dia inteiro pela frente, nada é divertido ou excitante, os pensamentos são pessimistas.

Quando a pessoa está engajada em um trabalho que exige uma presença em público, por exemplo, lidando com pessoas que a admiram e esperam que esteja sempre bem, sorrindo, com pique (como é o caso dos artistas que dão shows dia após dia), muitas vezes não há tempo para cuidar de si, pois a demanda é grande e a correria diária a absorve totalmente. Como os outros entenderão se um artista famoso disser que a vida está sem graça? Todo o sucesso, fãs, aplausos, dinheiro, viagens…  nada o faz feliz? Como admitir que embora tenha tudo isso não possui paz interior, não sente prazer nas atividades, não desfruta de suas conquistas como poderia por pura falta de energia vital?

Pois assim é a depressão, e sei que muitas pessoas – não só os artistas famosos, mas qualquer um – não se permitem entrar em contato com tais sentimentos por vergonha de admiti-los, ou por não terem como investir tempo e dinheiro em um tratamento direcionado ao “emocional”, algo tão subjetivo e não palpável.

Se você se sente sem energia, desanimado, com dificuldades para dormir, encara a vida como um fardo diário, não vê graça em nada, irrita-se com facilidade, não tem vontade de se arrumar, perdeu o apetite, não quer sair da cama de manhã porque não vê motivos para isso… você provavelmente está deprimido, e precisa de tratamento. Não é nada vergonhoso admitir o fato e buscar ajuda. Existe tratamento para isso, e a vida pode deixar de ser um fardo para voltar a fazer sentido, mais leve e prazerosa em seu dia a dia.

E não dê importância ao que os outros possam pensar a seu respeito por fazer terapia. Qualquer um tem o direito de investir no auto conhecimento e na melhoria da qualidade de vida. Certamente desenvolverá seu emocional, crescerá como ser humano e ainda recomendará aos amigos que passem pela experiência!

Vire uma Corredora

É possível sim, deixar a caminhada para trás e levar seu treino à etapa seguinte: correr 40 minutos sem parar

Publicado no Sua Corrida em 23/08/2013

Foto: Thinkstock

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A gente sabe que a caminhada é uma fase indispensável na evolução de toda corredora. Sem ela, não é possível adaptar o seu corpo à corrida, preparar as articulações e alcançar o pódio livre de lesões. Mas chega uma hora em que virar a página se torna uma questão de honra – bate aquela vontade de deixar para trás o rótulo de caminhante e se tornar, definitivamente, uma corredora. Nesse momento, a primeira coisa a fazer é segurar a ansiedade. “A principal causa de lesões em iniciantes é o excesso. Muitas mulheres, acostumadas a intercalar caminhada com corrida, acabam se empolgando e querem rapidamente apertar o passo. Com isso, quase sempre se machucam”, diz o fisiologista esportivo Mário Pozzi, professor de pós-graduação de educação física na FMU, em São Paulo.

PRIMEIROS PASSOS

Portanto, a recomendação é investir em um plano de treino progressivo. “É importante você ter em mente que não dá para sair correndo de forma contínua logo de cara. Se fizer assim, além do risco de se lesionar, vai perder o fôlego, desanimar e desistir”, avisa o treinador Márcio Lazari, da assessoria esportiva 3 Sports, em Campinas (SP).

Na prática, isso significa que durante algum tempo você vai precisar, sim, intercalar caminhada com corrida. Na planilha elaborada pelo personal trainer Márcio Torres, especialista em corrida e triatlo, de São Paulo, há três treinos distintos por semana: um com caminhada ritmada (num pace mais acelerado), outro com caminhada e trote alternados e, por último, uma caminhada longa de até uma hora. “Esse processo é imprescindível para que você aumente a capacidade cardiorrespiratória, aprenda corretamente a biomecânica da corrida e prepare a musculatura para receber o impacto”, explica o professor.

1corrida

NOVA ROTINA

No início, o trote vai parecer um pouco difícil porque o corpo está se acostumando a um estímulo diferente. “Você pode sentir um certo incômodo, mas em cerca de 15 dias o organismo assimila o esforço”, lembra Mário Pozzi. Esse é um dos motivos pelos quais é essencial investir em sessões de fortalecimento muscular nos dias em que não tiver treino de corrida – vale musculação, pilates, exercícios funcionais… “Além de a adaptação ser mais rápida, você melhora o desempenho e minimiza o risco de lesões”, ressalta Márcio Torres. Se não conseguir encaixar dois treinos de fortalecimento na rotina, invista em pelo menos um e reserve o outro dia para descansar. Outras boas opções para complementar a corrida: “A natação ajuda a melhorar o fôlego e as aulas de spinning são eficazes para fortalecer as pernas”, sugere Torres.

RETA FINAL

Você vai aumentar o tempo de trote nos treinos intervalados até a sexta semana, quando fará um simulado: 20 minutos sem parar. “Quando isso acontecer, já dá para se considerar uma corredora”, comenta Márcio Lazari. Chegar aos 40 minutos será questão de tempo e paciência. Por isso, nada de fazer comparações ao ver a sua amiga que corre uma hora direto. Inspire-se nela e pense que um dia também vai ser assim. Aliás, é aí que está o segredo para virar uma corredora de verdade: as metas devem ser possíveis de cumprir. “Comemorar cada pequena vitória funciona como um estímulo e tanto”, destaca a psicóloga Marina Vasconcellos, da PUC, em São Paulo. O cansaço vai aparecer, haverá dias de preguiça e de falta de tempo. Mas o resultado será tão transformador que, no final, cada quilômetro terá valido a pena. Pode apostar!

2corrida

 

Oito lições para evitar que a rotina mine seu relacionamento

O beijo de boa noite e um olhar de admiração mantêm a união do casal

Publicado no Minha Vida e atualizado em 13/09/2013

O início de um relacionamento é uma das etapas mais prazerosas da vida a dois. Descobrir o outro e curtir cada segundo juntos é uma delícia. Mas, passada a fase da euforia, a maioria dos casais esquece até de dar um simples beijo de boa noite. Isso é o que diz uma pesquisa realizada pelo impresso Daily Mail, do Reino Unido. O levantamento aponta que 80% dos casais vão dormir sem esse gesto de carinho. Com o tempo, o afastamento torna-se inevitável. A mesma pesquisa apontou que os parceiros que não se beijavam antes de dormir também eram aqueles que dormiam de costas para o outro. Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo, a rotina pode ser a culpada, mas a falta de contato físico também pode ser um sinal de que a relação não está indo bem. O fato é que não dá para deixar o carinho e o afeto em segundo plano. Antes que o seu relacionamento perca a graça, lance mão de oito lições para reacender a chama que está se extinguindo.

Tire a televisão do quarto

Se for para assistir um filme de conchinha sob as cobertas vá lá, mas em outras situações a televisão pode ser inimiga da sua intimidade. “O hábito de assistir televisão sempre antes dormir, além de diminuir a qualidade do sono, dificulta o diálogo e o casal – por dormir em momentos diferentes – acaba até esquecendo do beijo de boa noite”, conta a psicóloga Marina. Por isso, televisão só na sala.

Trabalho tem limite

Em um mundo perfeito, você chegaria em casa e teria todo o tempo disponível para cuidar do seu parceiro. Mas na realidade nem sempre é assim. “Hoje em dia, o trabalho suga o tempo pessoal mesmo, principalmente se você gerencia seu próprio negócio”, explica Marina Vasconcellos. A especialista recomenda que haja bom senso e compreensão. “Bom senso para saber a hora de parar de trabalhar, e compreensão do parceiro quando a hora extra for necessária”.

Restrinja o uso do computador

 Você gasta as horas que tem para passar com o seu amor na frente do computador? Então há algo fora de ordem. Redes sociais, bate-papo e até games podem gerar um vício difícil de romper. Mas você não precisa erradicar essas modernidades da sua vida, basta limitar o uso. A psicóloga Marina Vasconcellos recomenda que seja colocado um horário de uso que não tome todo o seu tempo livre e ainda permita que você se dedique ao relacionamento.

Interesse e Admiração

“Olhar para o companheiro e sentir orgulho de suas conquistas, características, forma de se vestir e maneiras de resolver problemas é uma das maneiras de manter o relacionamento vivo”, recomenda a psicóloga Milena Lhano, especialista em atendimento de casais. Busque sempre esse olhar de admiração em relação ao parceiro e não deixe nunca de se surpreender com o seu amor.

Conversa com hora marcada

Marina Vasconcellos conta que o diálogo com hora marcada é um exercícios comumente feito na terapia de casal. “Sem nenhuma influência externa, os parceiros sentam um de frente para o outro e esperam para ver o que vai acontecer”, explica a especialista. A atitude reforça a intimidade do casal e pode gerar o diálogo até em casos mais complicados. Em casa, o casal pode fazer isso durante a refeição ou antes de dormir, por exemplo.

Todo dia um carinho 

Um “bom dia” ou um beijo de boa noite. Gestos simples que mantêm o cuidado da relação em dia. “Essa demonstração de afeto é simples, mas significa muito: carinho e respeito”, conta a psicóloga Marina.

Planos em comum

Uma viagem, uma casa ou até mesmo um filho. Traçar planos em dupla, além de ser uma delícia, é uma forma eficiente de manter o casal olhando na mesma direção. “Essa atitude é importantíssima não apenas para que o casal construa um futuro em comum, mas para mantê-lo caminhando com um mesmo destino, unido”, conta Milena Lhano.

Alinhe os valores

Alinhar conceitos pessoais é uma das tarefas mais difíceis de um relacionamento. É importante saber respeitar e conviver com as diferenças dentro de um relacionamento. Existe o respeito à família, trabalho, opinião, ritmo e questões que são importantes para o outro. Mas lembre-se que para respeitar a opinião alheia, você não precisa abrir mão da sua. Mas quando os valores são muito diferentes, é complicado estabelecer uma relação harmônica – essa situação pode até inviabilizar a relação. Nesses casos, vale pesar a dificuldade da relação e o quanto se quer estar junto. “Um relacionamento longo é um exercício de amor e tolerância – o desejo de mudar o outro é uma ilusão”, orienta a psicóloga Marina.

Pessoas atrasadas podem ter déficit de atenção ou ser apenas folgadas

Publicado no UOL em 16/07/2013

Estar sempre atrasado irrita amigos, familiares e colegas e dificulta a vida da própria pessoa (Foto: Thinkstock)

Estar sempre atrasado irrita amigos, familiares e colegas e dificulta a vida da própria pessoa (Foto: Thinkstock)

Eles são incapazes de chegar pontualmente a um compromisso ou cumprir prazos. Tudo parece complicado: de um almoço com amigos à entrega de um relatório para o chefe na data combinada. A simpatia e a fama de atrapalhado costuma salvar o atrasado de situações difíceis, mas irrita amigos, colegas, familiares e torna a vida da própria pessoa que não consegue ser pontual bem mais difícil.

Para a psicóloga Cristiane Moraes Pertusi, doutora em psicologia do desenvolvimento humano pela USP (Universidade de São Paulo), geralmente, são pessoas que têm dificuldade em se organizar, elaborar prioridades e seguir rotinas e compromissos. Um comportamento que, na maioria das vezes, começou a ser estabelecido ainda na infância.

“Não é possível afirmar que todos os casos tenham a mesma origem, mas podemos observar que pessoas que costumam se atrasar frequentemente têm características mais emocionais e uma percepção do tempo menos racional e objetiva”, explica.

Segundo a psicóloga e psicodramatista Miriam Barros, essa incômoda característica, normalmente, é um hábito criado ao longo da vida e que vai se repetindo. “E se até o momento ele não causou grandes problemas, a tendência é não acontecer uma mudança de comportamento”, diz ela.
São pessoas que acabam deixando as tarefas para a última hora, confiando que tudo dará certo. “Otimistas, consideram que conseguem resolver as coisas rapidamente. Costumam ter agilidade mental e contam com essa facilidade”, afirma. Porém, também são pessoas mais autocentradas e egoístas, não conseguindo perceber o lado das outras pessoas, que acabam sofrendo com os atrasos constantes.

E a falta de educação –literalmente– é algo que também não pode ser descartado. Como diz Marina Vasconcellos, psicóloga pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e especializada em psicodrama terapêutico, não se pode esquecer que existem os folgados por natureza. São pessoas que não aprenderam algo básico: a consideração por outras pessoas.
Se os pais foram condescendentes com os atrasos nos primeiros anos, a tendência é que o comportamento siga vida afora. Ou até que ocorra uma perda significativa que faça o “atrasadinho” mudar a maneira de agir.

Déficit de atenção

 Há outro aspecto que também deve ser analisado: a incapacidade de manter horários e estabelecer prioridades também pode estar ligada ao déficit de atenção.
“A pessoa não consegue se organizar dentro do tempo. Quando percebe, já perdeu a hora. Não consegue ler um livro, por exemplo, pois na segunda página, já esqueceu o que leu na primeira. Qualquer coisa desvia a atenção. Tem vários interesses e costuma ser extremamente criativa, o cérebro não para”, explica Marina Vasconcellos.
Para saber se uma pessoa sofre ou não o déficit de atenção, é necessário fazer uma avaliação neuropsicológica. Nesse caso, o tratamento é medicamentoso. Descartada essa possibilidade, resta a reeducação. “O que acontece é que as pessoas são muito tolerantes com quem se atrasa. Aí, ela se afunda cada vez mais”, diz Miriam Barros.

Para se livrar dessa característica, o conselho é se organizar. É um esforço que a pessoa precisará fazer se realmente deseja mudar de comportamento, diz Miriam Barros.  Veja atitudes simples podem ajudar no cumprimento de horários e tarefas:
1. Faça uma lista das atividades nas quais sempre se atrasa e comece, pelo menos por uma delas, a se organizar e cumprir o horário ou prazo. Depois, tente se organizar nas outras atividades da lista. Uma de cada vez;
2. Programe-se e avalie se você realmente terá tempo de executar todas as tarefas que pretende em um único dia. Considere que se o compromisso é do outro lado da cidade você precisará tem tempo para chegar lá. Aliás, condicione-se a sair com mais antecedência de casa.
3. Sempre reveja os horários. Na correria, você pode acabar confundindo os tempos marcados. Para isso, crie o hábito de utilizar uma agenda (e não adianta deixá-la jogada em uma gaveta);
4. Coloque-se no lugar das outras pessoas que estão esperando por você ou aguardando o cumprimento de uma tarefa.
5. Faça um esforço para mudar o comportamento. Estar constantemente atrasado pode trazer perdas sérias, pessoais e profissionais.  Portanto, vale a pena tentar se reorganizar.

Psicopata: cuidado, você pode estar convivendo com um

Publicado no Minha Saúde Online em 31/05/3013

Quando ouvimos falar em psicopatia logo imaginamos aqueles crimes tremendos, horrorosos, onde o corpo da vítima é esquartejado ou mutilado com requintes de crueldade. Porém, essa é apenas uma das possibilidades do comportamento de um psicopata classificado como grave.

A psicopatia (ou sociopatia, ou personalidade anti-social, sinônimos para o mesmo distúrbio) não é considerada uma doença psiquiátrica, mas sim um Transtorno de Personalidade. Existe um fator genético envolvido, ou seja, as pessoas já nascem com a predisposição a desenvolverem um tipo de comportamento, apresentando desde pequenas atitudes que chamam a atenção e assustam pais e professores, muitas vezes deixando-os sem saber como agir, do tipo: são desafiadoras, provocativas, não respeitam regras nem autoridades, zombam dos adultos que tentam impor limites, os castigos ou punições não lhe surtem qualquer efeito – não aprendem com a experiência. Na escola ficam isolados, com dificuldade de socialização, pois seu maior prazer é destruir o prazer das outras crianças, estragando sempre a brincadeira quando se aproximam. Tratam os colegas com arrogância e desprezo, como se ninguém fosse digno de sua amizade.

Praticamente não há tratamento para esse transtorno, ou seja, qualquer tentativa de psicoterapia ou medicação não surtirá efeito, pois trata-se de um desvio de personalidade. São pessoas refratárias ao tratamento por não acharem que precisam de ajuda; desafiam o terapeuta, mentem, manipulam, desqualificam, até que, por fim, o profissional admita que seus esforços são em vão e interrompa o tratamento. Uma infância passada num ambiente harmonioso, sem conflitos familiares, com pais carinhosos e atenciosos, talvez amenize o comportamento futuro para que não se torne um psicopata grave, mas até isso não é comprovado ainda.

Os sociopatas não se enquadram nos padrões sociais. Querem que as coisas aconteçam de acordo com o que pensam, ignorando a necessidade de consideração pelo outro em sua vida. Tudo existe em função do que ele quer ou precisa para si. Satisfaz seus desejos passando por cima de quem for. Casos de pessoas que assumem cargos de chefia em empresas “puxando o tapete” de outros que se consideravam seus “amigos”, ou que dependiam dele para algo, são comuns.

São pessoas extremamente sedutoras e inteligentes, líderes naturais. Porém, ao atingirem a posição que almejam deixam de lado todo o “teatro” da simpatia e podem mostrar seu lado frio, calculista, interesseiro, passando a usar os outros em prol de suas vontades, sempre com um jogo de manipulação por trás.

Sua forma de atuar no mundo apoia-se em quatro características básicas: a) mentira: mentem descaradamente e tão bem, que a mentira confunde-se com a realidade; b) manipulam as pessoas; c) impõem sua vontade causando constrangimento ao próximo e d) utilizam-se da violência (tanto verbal quanto física).

Há três níveis detectáveis de psicopatia, que variam segundo a intensidade da maldade demonstrada pelo seu comportamento.

São eles:
Grave: a pessoa faz o mal pelo prazer de fazê-lo, com suas próprias mãos. São os conhecidos casos de serial killer. Não há remorso, não há culpa, não há qualquer sentimento com relação ao outro.

Moderado: a diferença aqui é que este manda fazer, ou seja, planeja tudo, articula, faz a coisa acontecer, mas através de outros que executam.

Leve: o mais conhecido e que convive em sociedade, podendo estar ao lado de qualquer um de nós.
É este nível leve que nos faz passar por situações às vezes bastante traumáticas, onde nos perguntamos como é que não percebemos com quem estávamos lidando antes de sermos surpreendidos por algo totalmente inesperado.

São homens muito inteligentes (aliás, sua inteligência costuma chamar a atenção das pessoas), que se aproximam das mulheres conquistando-as facilmente com seu jeito sedutor e simpático. Como a mentira faz parte de sua vida para impressionar o outro e usá-lo, a fim de atingir seu objetivo em mente, geralmente o relacionamento já começa em cima de alguma mentira tão bem contada, que a pessoa envolvida nem sequer imagina tratar-se de uma estratégia de conquista apenas.

Normalmente levam uma vida dupla, ou até tripla, mostrando para cada pessoa o que ela espera que ele seja. Pode mostrar-se de um jeito para uma mulher, de outro completamente diferente para outra, e perante os familiares ser ainda outro. Assim, de acordo com a conveniência do momento, satisfaz a quem está ao seu lado a fim de conseguir aquilo que quer. Portanto, desconfie de alguém que nunca a leva em casa ou não a apresenta a qualquer membro da família, atitude suspeita de que ele realmente não pode assumir sua existência.

Refiro-me ao masculino aqui por tratar-se de um distúrbio que afeta em sua maioria os homens, numa média de seis ou sete deles para cada mulher.

E como reconhecer que estamos envolvidas com um homem assim, já que sua aparência não denuncia esses detalhes?

Bem, comece por dar valor à sua percepção e intuição. No decorrer do relacionamento algumas situações acontecem em que você percebe que “algo não confere”, “tem alguma coisa errada” no que ele diz, por exemplo, ao justificar um atraso ou o cancelamento repentino de um programa pré-combinado.  Mas a capacidade de argumentação do sociopata é tal, devido à sua perspicaz inteligência, que consegue convencê-la de que você é a errada da história, invertendo o jogo de forma a fazê-la sentir-se culpada por cobrar algo que não deveria. E assim acontece sucessivamente, levando adiante seu jogo de manipulação e controle da situação.

Os homens em geral possuem mais dificuldade em lidar com afetos, expressar seus sentimentos, conversar sobre suas emoções. Mas de algum modo o fazem quando solicitados. Já o psicopata é incapaz de falar sobre isso, pelo simples fato de ser incapaz de sentir. Não vivencia o amor. Podem ser ótimos parceiros sexuais, incansáveis, já que para isso basta deixar que o instinto e o desejo se manifestem – algo que o fazem com grande intensidade. Mas não espere trocas de carícias, romantismo ou mesmo aquela sensação gostosa de cumplicidade, pois aí já foge à sua competência. Incapazes de se colocar no lugar do outro, não desenvolvem a empatia.

As emoções que demonstram são as que não necessitam de sentimentos por trás, como por exemplo: alegria momentânea, irritabilidade, impaciência, tesão. Agora, ao se depararem com situações onde a mulher está frágil, necessitando de acolhimento por algo que tenha acontecido, de um “colo” afetuoso, eles literalmente não sabem o que fazer, ficam perdidos! Frases como: “Não quero falar sobre isso agora”, ou “Lá vem você com essa mania de falar sobre sentimentos” e até “Sou fechado, não gosto de falar sobre minhas coisas” denunciam sua dificuldade em lidar com afetos, livrando-os de discussões onde não saberiam como argumentar.

Como ser carinhoso e acolher alguém quando não se sabe o que é isso? Vivem na praticidade da vida, na racionalidade total. Enquanto não forem solicitados ou questionados sobre sua incapacidade de dar afeto, sua falta de romantismo ou mesmo a inexistência de cumplicidade no relacionamento, está tudo certo. Eles apenas retribuem o que recebem, numa atitude quase automática de imitação do gesto do outro. Mas perceba que a iniciativa de elogios e atitudes românticas ou carinhosas nunca parte deles (a não ser que haja um interesse por trás – são ótimos atores).

A ideia de escrever esse artigo surgiu da necessidade de alertar muitas mulheres que se veem vítimas de homens que pareciam tão apaixonados, sedutores, amantes fogosos e insaciáveis, mas que repentinamente somem de suas vidas de forma inexplicável, deixando-as sozinhas com sua tristeza e perda. Pode ser que uma das mulheres dele (quem sabe “a oficial”) tenha descoberto sua existência por uma falha estratégica das atitudes do marido, e venha lhe procurar querendo tirar satisfações. Não é preciso dizer o tamanho do choque que um fato como esse pode provocar numa pessoa completamente desavisada e despreparada. Ou ele apenas perdeu o interesse em você. Simples assim.

Enfim, quando desmascarado por outrem, sem argumentos que justifiquem as mentiras contadas, retira-se da sua vida imediatamente, partindo para sua próxima vítima. Sem culpa, sem remorso, sem consideração, não tendo a mínima noção ou preocupação por seu sofrimento.

Abandona-a como se não tivesse feito parte da sua história. E na verdade foi uma história de mão única, porque o vínculo para ele nunca existiu. Tudo não passou de uma grande farsa.

Operação pais, ativar!

Publicado na Revista Atrevida em abril de 2013

Ficar batendo de frente com os seus pais para fazer valer a sua vontade é cansativo, desgastante e, na maioria das vezes, não dá resultado algum. melhor que isso é tentar entender os comportamentos que você mais detesta neles e aprender a resolver tudo na conversa. Tem jeito. E Atrê (Revista Atrevida) garante!

Sabe aquela hora em que a galera da escola arma “a” balada e seus pais a proíbem de ir, sem querer nem conversar? Ou então quando a sua mãe, pra lá de empolgada, resolve só não deixá-la sair com a turma como se convida para ir junto? Se você já foi personagem de uma dessas historinhas sabe que, no momento exato em que seus pais perdem a noção, dá uma vontade louca de surtar. Mas quer saber? Essa não é a coisa mais inteligente a fazer. Tentar entender os motivos que levam seus pais a agirem desse jeito, por outro lado, é um bom começo. Depois, é preciso tentar construir uma parceria com eles, algo que só se consegue com muita vontade e paciência e que (ai!) leva tempo. Mas a gente garante que, no final, vale a pena. Listamos estratégias que não só funcionam como resolvem de forma definitiva as encrencas de casa. E aí, bora tentar?

Quem deu as dicas: os psicólogos Alexandre Bez, Ana Cristina Nassif, Anne Lise Sappaticci, Elizabeth Monteiro, Marina Vasconcellos e Miguel Perosa; a psiquiatra Ivete Gattás e a psicopedagoga e orientadora familiar Georgia Vassimon.

SE ELES QUEREM QUE VOCÊ SEJA FREIRA

Não porque eles são religiosos demais, mas porque detestam a ideia de ver você beijando alguém!

Tente entender: na cabeça deles, você provavelmente é nova demais para levar uma relação adiante e seus pais querem evitar que você sofra. Outro motivo que os leva a proibir terminantemente os seus namoricos é o medo de que eles atrapalhem seus estudos e todos os outros planos que eles traçaram para a sua vida.

E mude você: faça todo o possível para mostrar que é digna da confiança deles, que aprendeu o que eles ensinaram e (importante!) cumpra com seus deveres. Além disso, deixe claro que faz questão da aprovação deles, que se importa com o que pensam e que está disposta a namorar sério e a levar o namorado em casa, para eles conhecerem. Aborde o assunto com jeitinho para não assustá-los. Fale primeiro com quem está mais calmo e companheiro e, depois, peça ajuda para uma conversa em família. No fundo, é tudo uma questão de preparar bem o terreno. Vai na fé!

SE OS SEUS PAIS DÃO MEDO

Eles são tão, tão críticos que você treme da cabeça aos pés quando precisa levar um papo, mesmo que seja sobre uma coisa besta.

Tente entender: provavelmente eles foram criados de forma rígida pelos seus avós e acabaram seguindo o mesmo modelo. O medo de que você se envolva com drogas, bebidas ou outras coisas que não são nada legais também pode justificar o modo como eles agem.

E mude você: em vez de procurar seus pais só quando precisa de alguma coisa, tente puxar assuntos do dia a dia com eles. Pode acreditar:  quanto mais vocês papearem, menor vai ser a distância entre vocês. Daí, no meio dessas conversas à toa, você pode até comentar que gostaria de se abrir mais com eles, mas que se sente insegura. Só cuidado: fale isso num momento em que estiverem bem tranquilos, escolha as palavras e não faça parecer que a culpa é toda deles. Ao contrário, fale em primeira pessoa, tipo: “eu nunca sei como começar uma conversa” ou “eu tenho medo da reação de vocês”. Mesmo que eles façam cara de quem não está dando a mínima na hora, pode ter certeza de que, depois, no travesseiro, eles vão pensar sobre isso. Outra coisa que ajuda é se interessar de verdade pelo que eles estão sentindo ou passando (em vez de ficar imaginando que só você tem problemas no mundo) e até se oferecer para ajudar, sem esperar alguém pedir. Isso vai mostrar a eles que você está madura e merece um voto de confiança. Por fim, se nada disso adiantar, peça ajuda a alguém próximo  em quem eles confiam muito para intermediar essa conversa. Pode ser um tio, um vizinho ou até a professora da escola.

SE ELES VIVEM FAZENDO VOCÊ PASSAR VERGONHA

Ter um tiquinho de vergonha dos pais, na adolescência, é comum. Portanto, você não precisa ficar se achando uma monstra só porque já quis desaparecer  quando eles quiseram dar o ar da graça no meio da galera. Isso é aceitável, principalmente se os seus pais querem ser descolados, não perdem a oportunidade de entrosar com a turma, fazem piada até com sombra e se esforçam pra usar gírias (, na maioria das vezes, usam errado!).

Tente entender: você talvez nem se preocupasse com esse jeito de ser dos seus pais. Até acharia graça. Porque no fundo você sabe o quanto eles são legais, participativos e preocupados com a sua felicidade. Tudo o que eles fazem é pra tentar diminuir a distância que existe entre vocês, simplesmente porque vocês fazem parte de gerações completamente diferentes. Então, antes de chiar, aceite que as atitudes deles são só mais uma forma de amor.

E mude você:  se chegou a ficar vermelha que nem pimenta só umas duas ou três vezes na vida pelo comportamento deles, melhor fingir que nada aconteceu e simplesmente relevar. Agora, se isso acontece toda hora e já está fazendo você ganhar apelidinhos chatos na turma, abra o jogo e fale como se sente. Seja direta e diga o que gostaria que eles não fizessem na frente da turma. Mas seja doce e gentil nesse papo, para não magoá-los. Por outro lado, nada de ficar criticando a galera de casa o tempo todo, querendo mudar o jeito deles. Pensa: você também não detesta quando fazem isso com você? Então… Tente olhar as mil qualidades que eles certamente têm e valorize o esforço que fazem por você. Na dúvida, se sua turma encher você por causa disso, delete os amigos. Os pais valem mais!

SE ELES DETESTAM SEUS AMIGOS

Eles nem conhecem sua galera, mas adoram dizer que são péssima companhia? Pior: não querem mais nem que você saia com eles!

Tente entender: por algum motivo, seus pais têm medo de que os amigos influenciem você a tomar atitudes erradas ou simplesmente temem que a turma a faça sofrer. Tudo não passa de uma preocupação (que muitas vezes até faz algum sentido) com a sua saúde, seu bem-estar e a sua felicidade.

E mude você: para acabar de vez com o problema, ou você mostra para eles que seus amigos são cabeça-feita ou mostra que, independentemente das amizades, você já sabe o que é melhor pra você. As duas coisas dão trabalho. No primeiro caso, você vai ter que pedir autorização para para levar a galera para casa, para permitir que seus pais conheçam, de verdade, esses amigos. Se os garotos e garotas forem realmente do bem, seus pais vão sacar na hora. Uma alternativa é demonstrar, nas pequenas atitudes do dia a dia, o quanto você é madura e responsável com você mesma, com as suas coisas e com a escola. Por fim, se mesmo assim seus pais continuarem implicando, vale colocar a cabeça no travesseiro e analisar se, de fato, eles não estão com razão. Se chegar a conclusão de que a sua turma não tem mesmo muito a ver com você ou que ela não respeita tanto o seu jeito de ser, os seus valores e a sua vontade, é sinal de que o melhor a fazer mesmo é pular fora.

SE OS SEUS PAIS TE CONSIDERAM UMA CRIANÇA

Eles são suuupercarinhosos e paparicam você demais. Por outro lado, querem controlar to-dos os seus passos, usam apelidinhos bregas para chamar sua atenção no meio de toda a turma e, se bobear, não deixam nem você ir até a esquina se não estiver escoltada por um adulto.

Tente entender: seus pais simplesmente não suportam a ideia de ver você sofrendo. Por isso, eles querem, de todo jeito, protegê-la e facilitar a sua vida. Amam você mais que tudo e, mesmo com o seu crescimento, ainda não perceberam que você sabe se cuidar.

E mude você: para ser vista como uma menina mais madura, você terá de assumir mais responsabilidades e, claro, provar que dá conta delas. Cumprir com os seus deveres e levar a sério os estudos, manter as suas coisas organizadas, ajudar em casa e tratar bem os seus irmãos são atitudes que vão passar aos seus pais o recadinho de que você cresceu. Se mesmo assim eles continuarem o velho discurso, explique a eles o quanto isso a incomoda e lembre-os de que, infelizmente, você não poderá contar com eles em todos os momentos da sua vida e que, por isso mesmo, precisa aprender a se virar sozinha. É certeza que eles vão considerar seus argumentos.

 

Como ter um estilo de vida diferenciado após os 70 anos

Publicado no Jornal Brasil On-line em 08/03/2013

De segunda a sexta-feira, das 6h45 às 9h, a carioca Heloiza Loyola, 73, aposentada, frequenta a academia para praticar hidroginástica, musculação e pilates. Aos sábados, faz caminhadas de uma hora pela praia. Heloiza Loyola representa os brasileiros que, na terceira idade, optaram pelo exercício ao invés do sedentarismo.

A prática de atividades físicas está atrelada a diversos benefícios para a saúde. De acordo com Mariana Asmar Alencar, fisioterapeuta e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), na terceira idade existe uma tendência à perda fisiológica, que pode ser amenizada com a prática de exercícios. “A perda fisiológica, ou envelhecimento do corpo, geralmente começa em torno dos 25 anos. Se a pessoa se mantém ativa desde cedo, não sofrerá grandes impactos na terceira idade”, explica. Entre os principais benefícios de se exercitar, Mariana destaca a melhora do sistema cardiovascular e imunológico, maior disposição e qualidade de vida, e manutenção da musculatura.

Para a psicóloga consultora da Netfarma (www.netfarma.com.br), Marina Vasconcellos, os benefícios das atividades físicas para melhor idade vão além do físico. Segundo a especialista, é natural que com o envelhecimento, a pessoa precise cada vez mais de ajuda para realizar atividades que antes fazia sozinha. A partir do momento que o idoso perde independência em algum grau e começa a sofrer com limitações físicas, passa a sentir-se à margem da sociedade. “A atividade física traz a sensação de inclusão e combate tais limitações. Ainda que a pessoa se exercite sozinha, está fazendo parte de algo”, afirma a psicóloga.

A ciência já comprovou que praticar atividades físicas, em junção a bons hábitos alimentares, implica em longevidade e qualidade de vida.  Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que, nos últimos 10 anos, a expectativa de vida média do brasileiro aumentou para 74 anos.

Um estudo realizado pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, e publicado na revista “Neurology”, confirmou que a atividade física regular na terceira idade ajuda a evitar o encolhimento do cérebro. De acordo com a pesquisa, a retração está associada à perda de memória e das capacidades cerebrais. O estudo mostrou que idosos fisicamente mais ativos tiveram uma retração menor em comparação aos que não se exercitavam.

Bom exemplo – Heloiza Loyola se mantém ativa desde a infância, mas foi a recomendação médica que a fez incluir a caminhada em sua rotina. “O médico disse que a caminhada ajudaria a controlar a pressão arterial”, ela diz.  Para os que não tiveram o hábito de se exercitar na juventude, como Heloiza, a fisioterapeuta Mariana Asmar Alencar afirma que sempre é tempo. “Os iniciantes devem passar por uma avaliação médica, com exames que indiquem possíveis limitações cardiovasculares e cardiorrespiratórias, e procurar um educador físico para elaborar um plano de treino personalizado. Também é recomendado que evitem as atividades de alto impacto nas articulações”, diz.

E como escolher em meio a tantas atividades? Danças, atividades em grupo, individuais e tantas outras! Para acertar na escolha e dar continuidade ao plano de treinos, é preciso se atentar ao objetivo (“Preciso controlar a pressão arterial?” , “Emagrecer?”) e escolher a atividade que mais proporcione prazer, se encaixe facilmente na rotina e respeite as limitações físicas. “Uma vez que falamos de pessoas diferentes, com níveis de saúde e rotinas diversificadas, não existe apenas uma atividade ideal para esta ou aquela idade. Por isso é importante personalizar o treino”, destaca Marina.

Para aqueles que não possuem condições financeiras de frequentar academias particulares ou pagar um educador físico, vale procurar iniciativas gratuitas oferecidos pelos Governos estaduais, por exemplo.

Além de personalizar o treino,  é importante se atentar ao traje –  o calçado adequado pode evitar quedas e lesões articulares – e à hidratação do corpo. O idoso tem, em média, apenas 50% de água no corpo, enquanto uma pessoa jovem tem em média 70%. É recomendado ter à mão uma garrafa de água de um litro, e beber nos intervalos do treino.

Namoro aos 50: mais liberdade, menos pressão

Na maturidade, além da companhia para desfrutar bons momentos, relação deve preservar a individualidade. É o caso de Xuxa e Junno Andrade — e de outros famosos e anônimos

Publicado no IG em 22/03/2013

Prestes a completar 50 anos, a apresentadora Xuxa Meneghel está em clima de romance. Depois de três anos solteira, ela assumiu o namoro com o ator Junno Andrade em dezembro passado. A ex-modelo Luiza Brunet e a atriz Sharon Stone são outras celebridades que vivem um momento semelhante: estão curtindo um relacionamento novo na fase da maturidade.

Xuxa e Junno curtem folia em camarote da Sapucaí no carnaval deste ano: a apresentadora está "feliz pacas" e "rindo à toa", segundo ela mesma declarou em redes sociais (Foto: Rio News)

Xuxa e Junno curtem folia em camarote da Sapucaí no carnaval deste ano: a apresentadora está “feliz pacas” e “rindo à toa”, segundo ela mesma declarou em redes sociais (Foto: Rio News)

Quatro anos após o fim de uma união de quase 25 anos, a ex-modelo Luiza Brunet vive um romance “freshzinho”, como ela mesma definiu, com o empresário Lírio Parisotto. Por ter se casado muito jovem – pela primeira vez aos 16 e, pela segunda, aos 22 – ela não aproveitou a fase de flerte da juventude. Agora, curte o relacionamento sem pensar no futuro. “ [Aos 50] Você fica muito mais esperta, mais ousada, mais exigente. Mas não fica na expectativa do que vai acontecer: ‘ai, eu vou me casar’ ou vou fazer isso e aquilo. Você vive o momento feliz e está ótimo”, conta Luiza.

Luzia Brunet e o namorado Lírio Parisotto: "aos 50, você fica mais esperta, mais ousada, mais exigente". (Foto: AgNews)

Luzia Brunet e o namorado Lírio Parisotto: “aos 50, você fica mais esperta, mais ousada, mais exigente”. (Foto: AgNews)

Com a carreira profissional já consolidada e os filhos criados, os “cinquentões” buscam companhia para dividir as conquistas e desfrutar das coisas boas da vida. “É natural do ser humano o anseio pelo envolvimento, a procura por alguém para ‘se completar’”, diz a psicoterapeuta Cássia Franco, especialista em casal, família e sexualidade humana. Ela alerta, porém, que o importante é não ficar esperando que alguém venha para preencher aquilo que falta, mas sim que a pessoa se sinta completa antes de se relacionar com o outro.

De acordo com a psicoterapeuta Marina Vasconcellos, especialista em casal e família, um relacionamento na maturidade pode vir rodeado de elementos positivos. “Voltar à ativa” traz energia nova, mexe com a libido, melhora os cuidados com a saúde e com a aparência e, ainda, incentiva na busca de sonhos e objetivos. “As pessoas percebem que ainda têm muito ‘chão’ pela frente, começam a olhar mais para si mesmas e a fazer as coisas de maneira mais ativa”, explica a profissional.

Foi assim com a psicóloga Elisabete de Favero. Aos 59 anos, ela está de casamento marcado depois de dois anos de namoro. Separada há mais de 20 anos, com dois filhos adultos, ela passou a juventude focada no trabalho e no cuidado com os filhos. Somente na fase da maturidade começou a prestar mais atenção em si mesma e buscar um relacionamento mais sério. “É um namoro mais maduro, menos impulsivo e com muita liberdade, sem pressão. Eu tenho o direito de fazer o que eu quero, de trabalhar, de fazer meus cursos”, conta.

A individualidade tão prezada por Elisabete vai continuar até mesmo depois do casamento. Para manter a liberdade, o casal decidiu viver em casas separadas. “Para nós, o que mantém um relacionamento aceso é a saudade, é o querer ficar junto. Achamos que morar juntos tiraria esse encanto da relação”.

Espaço demarcado

Preservar a própria independência é uma das características mais marcantes em um relacionamento após os 50 anos, segundo explica a psicoterapeuta Marina Vasconcellos. “Nesta fase, cada um tem seus hábitos e manias, e entrar uma pessoa nova na casa mudaria toda a dinâmica familiar”, afirma.

Foi exatamente por não querer abrir mão de sua autonomia que a gerente financeira Elisa Maria Azevedo, de 50 anos, nunca pensou em casamento, apesar de sempre ter tido relacionamentos longos. Junto com o atual namorado há nove anos, ela buscava alguém para dividir os momentos bons e ruins, mas sem ter que dar satisfações de todos os passos que dá. “É bom ter alguém para contar a qualquer momento, mas também quero manter o meu espaço, ter um tempo só para mim”, conta.

Nem por isso o clima do namoro é menos romântico: eles viajam, passeiam, saem para jantar, vão ao cinema. “Estamos sempre cheio de dengos e carinho. Por isso, o sexo acaba acontecendo naturalmente, sem cobranças ou pressão. Quando a gente amadurece, dá importância para outras coisas também, além das questões de pele”, diz Elisa Maria.

Para a psicoterapeuta Cássia Franco, a sexualidade após os 50 anos pode, sim, ser vivida plenamente, e ainda trazer algumas vantagens. “A pessoa já amadureceu, já sabe o que gosta e o que não gosta, o que é excitante”, finaliza.

Seu filho, um cidadão

Atitudes para que as crianças virem adultos conscientes de seus direitos e deveres

Publicado na revista Cláudia em fevereiro de 2013

Por definição, um cidadão é um indivíduo com direitos civis e políticos garantidos por um Estado – ou seja, em tese, seu filho já nasceu um cidadão. Mas a teoria não basta. É preciso aprender, praticar e cultivar a cidadania.Boa parte dos valores éticos essenciais para que ele, no futuro e agora, viva bem em sociedade vem da escola. “É lá que a criança tem as primeiras experiências mais sólidas em termos de vida pública e aprender a conviver , como alguém que pertence a um lugar e um grupo”, diz Maria Teresa Égler Mantoan, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de campinas (Unicamp) e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (Leped), da mesma instituição. mas as noções de respeito por si mesmo e pelo outro, a solidariedade e a tolerância para conviver bem com a diversidade também nascem em casa. Tudo começa pela postura que os pais assumem tanto nos domínios domésticos quanto na comunidade da qual fazem parte. Atitudes cotidianas até simples, como caminhar pelo bairro para conhecê-lo melhor ou puxar uma conversa crítica sobre um filme que a família acaba de ver, ajudam a formar filhos cidadãos. Consultamos especialistas e reunimos as principais.

SEJA UM BOM MODELO

Um ótimo ponto de partida é mostrar – não com palavras, mas com ações – que a família tem consciência de seus direitos e deveres e age de modo participativo na sociedade. isso inclui ir a reuniões e eventos promovidos pela escola em que os filhos estudam, não faltar a assembleias de condomínios, comparecer às urnas para eleger governantes consciente de seu voto, opinar em referenciados  e inteirar-se de questões importantes para o seu bairro, sua cidade, seu estado, seu país. Mas as atitudes do dia a dia contam, e muito. Então, atenção: do banco de trás do carro, seu filho percebe se você dá ou não passagem para pedestres, se sempre segue as regras de trânsito – ou as burla quando está com pressa, por exemplo – e se costuma parar em fila dupla ao deixá-lo na escola. E nota a gentileza e o bom senso (ou a falta desses atributos) no trato com parentes, amigos, colegas de trabalho e empregados. “Crianças e adolescentes são muito observadores. Veem tudo”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais, em São Paulo. Ela ressalta que, por isso, vale comentar quando pessoas fazem algo errado.”Você pode dizer: ‘Olha só, um motorista parado bem em cima da faixa. isso não é legal.'”, sugere. O papo deve acontecer de modo natural e fluido, não parecer ensaiado ou ter ar de lição de moral. Uma das bases para formar um cidadão crítico é você mostrar quem é de verdade, suas crenças e seus princípios.

ATIVE O SENTIMENTO DE PERTENCER

cidadania tem tudo a ver com sentir-se parte integrante de um grupo e corresponsabilizar-se por ele. Primeiro a própria família. “Os pais precisam falar sobre ela e mostrar quem é esse conjunto de pessoas mais próximas, sua história e seus hábitos. Assim, a criança começa a entender como seus parentes convivem e quais são os limites que ela ocupa dentro dessa célula”, diz Maria Teresa, do Leped, da Unicamp. Quando bem trabalhado na esfera micro, o sentimento de pertencimento facilita a convivência na esfera macro – não importa aqui se estamos falando de outras crianças no parque, na turma do clube ou de colegas da escola. Segundo experts, esse sentimento de pertencer a algo, que gera comprometimento, é essencial para seu filho entender que “estar com o outro” é diferente de apenas “estar junto do outro” – pressupõe compartilhar e respeitar. De acordo com Maria Teresa, “o papel da família é central para as crianças perceberem que, fora de casa, elas também têm compromissos com o mundo que a cerca”. mais adiante, essas noções contribuirão para dar sentido à ideia de nação, na qual podemos reclamar se nossos direitos não são assegurados, mas também precisamos assumir deveres para o bem comum.

INVISTA NA PARCERIA COM A ESCOLA

Uma vez que tanto a vivência em família como as experiências no ambiente escolar são fundamentais para a construção e o fortalecimento das noções de cidadania, nada mais sensato do que buscar uma sólida parceria. “Todas as instituições sociais participam do processo educativo. Mas a escola é aquela destinada a educar de modo organizado e sistemático. É ali que são partilhados, de forma intencional e específica, os conhecimentos, as crenças e os valores de uma sociedade”, afirma Terezinha Rios, doutora em educação e colunista da revista Nova Escola Gestão Escolar, da Fundação Victor Civita. Conhecer os caminhos trilhados pela escola em que seu filho estuda requer mais do que só acompanhar comunicados e comparecer a reuniões. Peça para conhecer o projeto político-pedagógico, documento no qual são descritos objetivos e metas da instituição, bem como os meios utilizados para alcançá-los. A maioria desses projetos faz referência à formação cidadã. Depois, é preciso acompanhar o mais de perto possível o trabalho cotidiano dos educadores para ver como as propostas são colocadas em prática. “A tarefa da escola terá mais êxito se articulada à atuação de outras instituições, principalmente a família. É preciso estabelecer o diálogo.”

ABRA ESPAÇO PARA POSTURAS CRÍTICAS

Passear a pé pelo bairro, ver o que ele tem de bom e de ruim, observar a diversidade de pessoas e lugares que abriga, pensar em formas de torná-lo mais bonito e agradável. Essa é uma atividade simples, mas carregada de estímulos ao comportamento cidadão. Também dá para fazer exercícios parecidos em outra cidade ou país. “Conhecer novos povos, culturas, hábitos e culinárias diferentes é favorecer o entendimento da diversidade”, diz a psicóloga e psicanalista Blenda de oliveira, de São Paulo.  E isso é básico para desenvolver a tolerância. Sem contar que a criança e o adolescente precisam de espaços para expressar suas opiniões. Há formas simples e que funcionam de fazer isso. “Que tal assistir a um documentário, um filme de ficção ou uma peça de teatro e depois fazerem juntos um debate crítico sobre eles? Esse tipo de discussão ajuda a estimular a reflexão, importante na construção da cidadania”, afirma Luciana Maria Allan, diretora técnica do Instituto Crescer para a Cidadania, em São Paulo. O trabalho voluntário é outro eixo a explorar. Visitar uma casa de repouso ou contar uma história em uma creche são experiências que sensibilizam e mudam o olhar dos nossos filhos. Só não adianta cobrar interesse por voluntariado se essa não é uma prática valorizada pela família e incorporada a seu dia a dia. “falamos que os jovens de hoje são apáticos e não têm visão crítica do mundo. mas em que momento nós, como pais, oferecemos estratégias para que sejam cidadãos participativos? Quando convidados, eles querem participar e gostam. Ficam chocados e preocupados com a realidade ao redor e têm energia para mudar as coisas para melhor”, diz Luciana.

INCENTIVE A COLABORAÇÃO

A amizade e a convivência entre vizinhos parece diminuir conforme aumenta o tamanho das cidades e dos condomínios. O resultado é que hoje impera o individualismo em nossa sociedade. “Estamos mais isolados e infelizes”, resume Maria Teresa, da Unicamp. “Há quem tema ser solidário por medo de se dar mal e quem ache que nunca vai precisar de quem mora ao lado, torcendo para que a recíproca seja verdadeira”. Em vez de perpetuar o isolamento, os pais precisam favorecer o encontro. vale incentivar seu filho a se apresentar a novos moradores do prédio, chamando-os para brincar. Ou convidar um colega recém-chegado à escola para uma tarde de diversão. Sim, eventualmente eles entrarão em conflito. E sim, talvez eles sejam diferentes em trajetória, características, pensamentos e posses. Mas nada disso deve servir como medida de comparação ou competição, e é isso que você vai ensinar a seu pequeno. Tome sempre cuidado não só com o que fala mas com o que pensa. Sonhar que seu filhos erá um grande vencedor na vida é válido, mas nunca a qualquer custo. Pouco vale chegar lá se não houver justiça social para que o outro também tenha a chance de chegar – e é por isso que a violência urbana é um problema de todos nós.

DIGA NÃO A QUALQUER DESPERDÍCIO

Certamente, as festas de fim de ano fizeram roupas, brinquedos e aparelhos eletrônicos novos desembarcarem na sua casa. É uma oportunidade para promover uma limpeza geral nos armários e ensinar que certos acúmulos são desnecessários. Além de gratificante, o ato de doar é pedagógico. “Ensina sobre desapego e mostra que nada é insubstituível”, diz Marina. falar sobre o uso consciente de água e energia elétrica e mostrar a importância de separar o lixo também são lições essenciais. “É preciso educar os filhos para que aprendam a não desperdiçar comida, tempo, amigos, afetos, talentos e oportunidades. Sustentabilidade engloba tudo isso”, afirma Blenda. O desafio é transmitir um pacote completo de limites, valores, responsabilidades e posturas cidadãs em diferentes áreas – um pacote para ser carregado a vida inteira.

 

Fanatismo dos pais no futebol não faz bem para os filhos

Publicado no Terra em 21/03/2013

Exemplo é forma mais eficaz de educar crianças a conviver em paz com rivais esportivos (Foto: Shutterstock)

Exemplo é forma mais eficaz de educar crianças a conviver em paz com rivais esportivos (Foto: Shutterstock)

A paixão pelo futebol é inerente ao brasileiro: uma pesquisa do Instituto Datafolha realizada em 2010 indica que três em cada quatro brasileiros têm um time de coração. Alguns deles, porém, não são meros torcedores. O Corinthians, por exemplo, um dos mais populares times do País, tem 25 milhões de torcedores, conforme levantamento da Pluri Consultoria, no ano passado. Mais da metade deste número são considerados fanáticos.

 O problema acontece quando torcedores de outros times se encontram. De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em Psicodrama Terapêutico, nenhuma forma de fanatismo é positiva. “Todo fanático é exagerado. Um pai fanático pode acabar ensinando a criança a passar por cima de situações em nome da paixão”, comenta. Para ela, a educação do jovem fica prejudicada. “Como o pai vai dar exemplo do que não é?”, indaga Marina.

 Pedagoga especializada em Psicologia do Esporte, Kátia Rubio diz que a escolha e a paixão pelo clube de futebol normalmente vêm de pai para filho. Ela também vê de forma crítica o fanatismo hereditário. “Os pais são a principal referência para a criança; ela observa o comportamento e reproduz”, diz. O exemplo, então, seria a melhor forma de educar os pequenos a conviver em paz com os rivais esportivos. Mas, em alguns casos, ele parece apenas deseducar. “Já vi adultos brigando em frente aos filhos e terminando amizades de longa data por causa de piadas envolvendo times de futebol”, relata a pedagoga.

 Já Marina comenta que, quando o fanatismo invade o âmbito escolar, cabe à instituição de ensino chamar os pais e os alunos envolvidos para conversar e mostrar que a escola não aceita esse tipo de comportamento. “Nesses casos, há pais que tiram os filhos da escola, demonstrando sequer ter noção da necessidade de ensinar o respeito”, lamenta. Kátia concorda que a escola deve envolver os familiares na discussão. “O problema não nasce de forma isolada, ele envolve todo o convívio social da criança”, afirma. A especialista vê uma espécie de “bullying esportivo” e, para ela, se a criança foi ensinada a ser agressiva, vai reagir de forma violenta quando provocada. “A escola deve tratar o tema com preocupação, pois afeta a todos”, defende.

 Kátia lembra a realização de dois grandes eventos no Brasil: agora, no meio do ano, a Copa das Confederações e, em 2014, a Copa do Mundo. A pedagoga ressalta a necessidade de preparar a sociedade para esses acontecimentos que terão repercussão mundial. “É preciso educar para o esporte”. O receio de Kátia é que o Brasil obtenha resultados negativos nas competições. “Dá pra imaginar o que pode acontecer”, completa.

Como lidar com o filho que segue religião diferente da dos pais

Publicado no UOL em 05/03/2013

Antes de criticar a escolha do jovem, procure entender o que o levou a uma religião diferente da sua

Antes de criticar a escolha do jovem, procure entender o que o levou a uma religião diferente da sua

O jovem foi criado de acordo com os preceitos religiosos que os pais acreditam e praticam, mas um belo dia comunica que se interessa e está seguindo outra religião. Como lidar? Como em todas as questões relacionadas à convivência entre adultos e adolescentes, o primeiro passo é respeitar e entender a motivação por trás da mudança.

Segundo o padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da PUC de São Paulo, o melhor caminho é sempre o do diálogo e o da compreensão. “Em primeiro lugar, os pais devem tomar conhecimento de que religião se trata e quais as implicações para a vida do filho e a da família. Ao mesmo tempo, têm de se colocar no lugar do jovem para entender seus anseios. Precisam também considerar que os tempos mudaram e que os adolescentes de hoje fazem exigências que a geração dos pais não fazia. Eles querem ser ouvidos e participar de tudo. São mais críticos, embora nem sempre consistentes.”

É essencial ter bom senso ao conversar sobre o assunto. “Os pais precisam perceber que nem sempre o que foi ou é bom para eles também é adequado para o filho. Portanto, devem permitir que ele procure seu caminho espiritual. A religião pode ser um apoio, uma sustentação emocional e não deve ser simplesmente cortada por mero capricho, cisma ou intolerância dos adultos. Se está fazendo bem para o filho, não há por que reprimir”, afirma a terapeuta familiar e especialista em psicodrama Miriam Barros.

Como a adolescência é uma fase de paixões e interesses intensos, mas não raro passageiros, vale observar o comportamento do filho antes de entrar em discussões. “É importante entender a razão pela qual ele está seguindo outra religião. Às vezes, é só porque uma menina por quem está interessado faz parte dela”, diz Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Também pode ser pela necessidade, bastante comum na faixa etária, de pertencer a um grupo.

Seja qual for o motivo que levou o jovem a se distanciar da religião praticada pela família e a adotar outra, o pior a se fazer nesse momento é tentar proibir a prática. “A repressão é puro jogo de forças e não leva ao diálogo”, declara o padre Valeriano, da PUC de São Paulo.

Opor-se, sem fundamento, à nova religião do filho é a pior forma de lidar com a situação. “Tem de se tomar cuidado para não virar coisa pessoal, o que provocaria mais resistência do outro lado. Se isso acontecer, não importa tanto a religião, o que importa é que ela se torna argumento para contestar os pais. Só existe um meio para ajudar os outros: amor e diálogo. Nesse clima é possível dizer a verdade sem ferir”, fala o religioso.

Conciliar crenças religiosas na mesma família é possível desde que a tolerância seja praticada, de acordo com os especialistas ouvidos nesta reportagem. “É preciso se colocar no lugar do outro e, acima de tudo, evitar disputas, competições, zombarias, tirar sarro, provocações. A verdade de um pode não ser a do outro”, diz a terapeuta Miriam Barros.

Sinal de preocupação

Respeitar, no entanto, não quer dizer não observar se a nova religião afeta ou não o comportamento do adolescente e de que maneira isso acontece. “O que pode parecer fanatismo, muitas vezes, é apenas um entusiasmo natural. Desde que o jovem continue a ter uma vida familiar, escolar e social normal, não há problema”, declara a terapeuta Miriam Barros.

Há atitudes que podem ser indício de uma dedicação exagerada à crença, segundo a terapeuta Marina Vasconcellos. “Soube de um caso em que o filho, que adorava música, jogou fora todas as partituras de canções que sempre havia tocado”, fala a especialista.

Mais uma vez, é importante recorrer ao diálogo e acompanhar o jovem à igreja que ele escolheu para melhor conhecê-la. Se a comunicação estiver difícil, os pais também podem pedir que algum adulto da confiança do jovem converse com ele ou, em casos extremos, optar pela terapia em família. A repressão deve ser o último recurso. “A proibição gera revolta. É provável que, de uma forma ou outra, o filho encontre uma maneira de fazer o que deseja”, diz Miriam.

Vergonha dos pais é comum, mas nem sempre deve ser tolerada

Publicado no UOL em 09/01/2013

Tratando o filho como um bebê, os pais podem estar colaborando para que ele se afaste

Tratando o filho como um bebê, os pais podem estar colaborando para que ele se afaste

É comum ouvir os jovens pedirem aos pais para não os deixarem em frente ao portão da escola ou da festa dos amigos. O comportamento é típico da fase e tem a ver com o medo de que os adultos não se comportem adequadamente na frente da turma, o que pode torná-los motivo de chacota. “Nesse sentido, a distância que o adolescente estabelece serve apenas para evitar acontecimentos constrangedores para ambas as partes”, afirma a psicóloga Jane Felipe, professora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

A vergonha da família também pode ser fruto da sensação de que os pais são inferiores aos amigos em alguns aspectos, como a condição econômica ou cultural. “À medida que o adolescente vai notando as diferenças, a partir do contato com outras realidades, ele pode começar a negar suas origens”, diz Jane.

Além disso, o desejo do jovem de se mostrar mais independente, de se afastar tanto quanto possível da imagem da criança que necessita da proteção dos adultos, pode estar motivando esse tipo de atitude.

De qualquer forma, é válido que os pais analisem se não estão dando motivo para o comportamento arredio do adolescente. “Muitos querem bancar os engraçadinhos na frente dos amigos do filho. Outros tratam o jovem como se fosse um bebê. Agindo assim, eles o deixam em uma situação realmente difícil diante da turma, sem perceber ou mesmo sem ter a menor intenção de prejudicá-lo”, fala Jane.

Siga cinco passos e supere a ressaca moral após o Carnaval

Publicado no UOL em 13/02/2013

Refletir sobre o ocorrido é positivo para não cometer mais os mesmo erros, mas remoer a culpa é prejudicial (Foto: Thinkstock)

Refletir sobre o ocorrido é positivo para não cometer mais os mesmo erros, mas remoer a culpa é prejudicial (Foto: Thinkstock)

A folia parecia ótima. Até que, com a quarta-feira de cinzas, veio a ressaca moral. Sabendo que você passou dos limites, é comum sentir vontade de sumir, medo de encarar as ações dos dias anteriores e, claro, culpa e arrependimento. “A ressaca moral é a conscientização de um ato realizado contra seus princípios morais e éticos, mas que aconteceu em um momento de impulsividade ou sob o efeito de drogas como o álcool”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama.

O Carnaval, geralmente, tem a ver com excessos, mas há atitudes mais fáceis de superar e remediar do que outras, segundo o psicólogo Thiago de Almeida. Veja sete passos que te ajudarão a sair da crise:

1. Ligue para um amigo

Antes de deixar o desespero tomar conta de você, o primeiro passo é ligar para um amigo que esteve ao seu lado durante os festejos. “Falando com um amigo você terá a devida proporção do que houve na noite de excessos”, diz Thiago Almeida, que é especialista em relacionamentos. É essencial que seja uma pessoa de confiança. “Boas intenções por parte do outro são fundamentais para te ajudar a transformar a ressaca moral em aprendizado, e não em humilhação”, diz a especialista em comportamento humano Branca Barão, autora de “8 ou 80 – Seu Melhor Amigo e Pior Inimigo Moram Aí, Dentro de Você” (DVS Editora).

2.  Reflita sobre a gravidade do ocorrido

Avalie o nível do deslize cometido no Carnaval para saber o que fazer. Se o ato cometido envolveu ou prejudicou outras pessoas, converse e se desculpe. Se você não fez algo tão grave, mas sente que afetou alguém, também peça perdão. Mas se foi algo que apenas te envergonhou, mas não atingiu ninguém, não fique ressuscitando o assunto. Deixe que ele seja esquecido.

Se o seu erro foi grande e você precisa se redimir, esfrie a cabeça antes de agir. Não adianta tentar se explicar para uma pessoa com raiva. Nesses casos, o melhor é esperar a poeira baixar. Só assim será possível ter uma conversa lúcida. Em outros casos, como um mal-entendido, por exemplo, é melhor agir rapidamente, para que a raiva não aumente, segundo Marina Vasconcellos.

Para identificar qual opção seguir (pedir perdão imediatamente, esperar ou ignorar o ocorrido), coloque-se no lugar do outro. Como você gostaria que agissem com você em uma situação parecida? “Assim, você poderá imaginar quais atitudes os outros esperam que você tenha, o que te dará pistas de como agir”, diz Branca.

3. Tenha bom humor

Se a ressaca moral é consequência de atitudes inocentes (ou quase), que não prejudicaram outras pessoas, encare com bom humor as piadas dos que estavam presentes. Se você rebolou até cair no chão, por exemplo, aceite o fato de que será lembrado pela performance durante um bom tempo. “O que aconteceu, aconteceu. Se foi um pequeno vexame, não exagere na reação. Tenha paciência, pois novos fatos acontecerão com outras pessoas e o seu deslize será esquecido”, diz a psicóloga e psicoterapeuta Miriam Barros, especialista em psicodrama.

4. Não fique remoendo a culpa

Lamentar-se eternamente pelo que aconteceu no Carnaval não é a solução. Para a terapeuta sexual Arlete Gavranic, coordenadora do curso de pós-graduação em Educação e Terapia Sexual do Isexp (Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática), de nada adianta viver a culpa de modo destrutivo ou por muito tempo. “Você deve assumir o erro, desculpar-se e tocar a bola para frente. Vitimizar-se e ficar o tempo todo se justificando não resolve nada. Só faz com que o episódio continue sendo comentado por mais tempo”, diz.

5. Comportamento repetitivo

Quando a ressaca moral não tem fim, pode ser sinal de um problema emocional mais grave. “Quando erramos, temos de pedir desculpas, aprender e seguir em frente. Se permanecermos com o sentimento de culpa, é preciso procurar terapia” diz Marina. Repetir muitas vezes o mesmo erro também é sinal de que uma ajuda profissional é necessária, segundo Branca. “Ela é fundamental quando nosso comportamento nos leva para onde não queremos e não conseguimos mudar”, diz.

Quem só pensa em si mesmo é visto com desconfiança

Publicado no Bol em 28/12/2012

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Ao olhar para o lado e enxergar o outro, a pessoa ganha respeito e portas se abrem para relações saudáveis

Em um mundo cada vez mais competitivo, violento e desigual, a tendência é as pessoas se tornarem mais individualistas, tentando sobreviver em um meio que muitas vezes é hostil e cruel. As relações vão ficando impessoais, distantes, com pouco envolvimento afetivo. Claro que também há outro lado: indivíduos que, percebendo tudo isso, vão na contramão e buscam a espiritualidade, o amor ao próximo, uma maneira mais solidária e humanista de viver.

Além do entorno que leva ao personalismo, outras condicionantes determinam se o sujeito será ou não preocupado com o próximo. A principal delas, a criação. “Tal aprendizado vem desde a infância. Os pais passam para os filhos, em suas atitudes, e na forma como tratam os demais. Fica o registro do modelo de relacionamento em que se tornam evidentes a atenção e o respeito alheios, ou o contrário disso”, destaca Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

Padrão de pai para filho

Tudo serve de exemplo para as crianças: o modo como o casal se trata mutuamente, como se dirige aos filhos; o ato simples de cumprimentar os funcionários do prédio onde moram; o hábito de agradecer, falando “obrigado”, às pessoas que lhe fazem algo; o pedir com educação, sempre acompanhado do termo “por favor”. “Enfim, todas essas atitudes são compreendidas, pelo menor, como um cuidado necessário com os outros. Os bons progenitores ainda ficam alerta para chamar a atenção do pequeno quando este desrespeita um colega, ou se recusa a dividir um brinquedo”, diz a psicóloga.

No outro extremo, estão indivíduos que não desenvolveram a generosidade por questões familiares ou convívio com educadores em que imperava, na relação, conflitos, desentendimentos ou incompreensões, levando ao desrespeito mútuo. “A situação piora se os pais são omissos na educação, deixando passar situações em que o desacato predominou, sem chamar a atenção para o fato. Idem se apresentam um modelo de conduta pautado na agressividade, na imposição, na falta de diálogo. Daí para surgirem sujeitos egoístas, que não aprenderam a se colocar no lugar do outro, é um pulo”, sustenta Marina Vasconcellos.

Respeito e oportunidades

Ao olhar para o lado e enxergar o outro, a pessoa ganha o respeito não só deste cidadão em especial como também de muitos outros. Portas se abrem para relações saudáveis e oportunidades profissionais, pois fica claro que há habilidade para conviver em sociedade e preocupação com o próximo. “Isso é de uma importância ímpar no mundo atual, em que tudo leva ao egocentrismo e exclusivismo”, salienta Marina Vasconcellos.

Por outro lado, quem é autocentrado e pensa sempre em si mesmo em primeiro lugar, não levando os demais em consideração, sofrerá as consequências. Serão vistos com receio e não passarão confiabilidade – porque podem, por exemplo, abrir mão de algo que estavam fazendo em parceria e mudar o rumo do negócio caso seu interesse não seja mais aquele. E isso sem levar em conta o impacto sobre o outro ou o que ele pensa sobre o fato. “Quem lida com uma pessoa reconhecidamente egoísta tem que estar alerta, encará-lo com ressalva, pois não dá para contar totalmente ou mesmo confiar”, diz a psicóloga.

Agora, uma observação: sabe aquela história de que os extremos são complicados? Pois é o que defende Cecília Zylberstajn, psicóloga pela PUC-SP, psicodramatista e psicoterapeuta de adolescentes e adultos.

“Penso que ambos – egoístas e altruístas exagerados – sofrem. Os primeiros acabam se isolando e tendo relações prejudicadas pela falta de troca humana. Dar é um prazer que se aprende, e essas pessoas não vivenciam isto. Por outro lado, os muito altruístas podem ficar insatisfeitos consigo mesmos, não alcançando sempre seus objetivos de ajudar o próximo e, por vezes, sentindo-se abusados e sobrecarregados. Não podemos ser totalmente dependentes nem independentes, o saudável é ser interdependente.”

Para quem quer mudar o panorama e se tornar uma pessoa mais solidária, as terapeutas dão algumas dicas, acompanhe:

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Entrevista – Diferença de idade: entre a maturidade e o amor

Publicado no “Eu só queria um café…” em 30/11/2012

Recorte do cartaz de Lições de amor (2008)

Recorte do cartaz de Lições de amor (2008)

Para muito casais, além dos diversos problemas internos de uma relação, há ainda um problema externo: o preconceito com a diferença de idade entre os parceiros. Os estudos mais recentes sobre a faixa etária dos casais heterossexuais, realizado pelo IBGE, mostra que entre os anos de 1996 e 2006 o número de mulheres casadas com homens mais novos cresceu 36%, enquanto o número de homens casados com mulheres mais jovens teve aumento de 25,3%. E no dia-a-dia a diferença de idade exige cuidados: “ter a mesma fase da vida sendo compartilhada pode tornar a relação mais fácil”. A afirmação é da psicóloga Marina Vasconcellos,  especialista em Terapia de Casal e Familiar pela Universidade Federal de São Paulo. Em entrevista ao blog ela fala sobre idade, maturidade e amor e diz que o respeito é a palavra-chave para lidar com a diferença de idade.

Falando em idade e relacionamento, muitos dizem que a mulher amadurece mais rápido do que o homem, isso é verdade?
M: Na adolescência podemos ver uma diferença grande entre meninos e meninas, onde estas se mostram mais maduras. Há estudos que afirmam que os meninos ficam cerca de um ano atrás das meninas no quesito amadurecimento. Então, essa afirmação é correta.

Há alguma idade média a partir da qual o indivíduo se torna emocionalmente madura para o amor?
 M: Falar em amor é algo muito profundo… Diria que a partir da maioridade muitos jovens já conseguem experimentar esse sentimento, mas tudo é muito relativo. Vai depender da maturidade de cada um, das vivências, da criação a que foi submetido.

Quando duas pessoas aproximadamente da mesma idade se relacionam, a idade traz problemas ou benefícios?
 M: Pessoas da mesma idade que se relacionam muito provavelmente estão passando por situações de vida semelhantes, o que beneficia o convívio. A mesma fase de vida sendo compartilhada pode tornar o relacionamento mais fácil.

Recorte do cartaz de Novidades no amor (2009)

Recorte do cartaz de Novidades no amor (2009)

Agora, quando duas pessoas de idades distintas se relacionam, a idade traz problemas ou benefícios?
M: Tudo depende. Se ambos respeitarem as características da idade de cada um, suas limitações e possibilidades, pode transcorrer tudo muito bem. O problemas está quando um exige do outro atitudes ou posturas que são próprios da sua idade, e não da dele, não respeitando o tempo e as vivências do companheiro.

A senhora acha que a diferença de idade traz complicações à relação ou o preconceito traz mais?
M: O preconceito pode realmente atrapalhar. Muitos casais se dão perfeitamente bem, identificam-se em inúmeras coisas, um estimula o outro a fazer coisas que talvez sem sua companhia e estímulo nem passaria pela cabeça fazer, mas as pessoas olham com aquele “olhar reprovador”, crítico, o que pode dificultar a entrega verdadeira de ambos (ou um deles) na relação por estarem preocupados com a crítica externa. Se não estiverem muito seguros do que sentem, podem ficar balançados com os comentários, chegando a se questionar se estão fazendo realmente a escolha certa…

Cena de Garota da vitrine (2003)

Cena de Garota da vitrine (2003)

A pessoa que namora alguém mais velho e geralmente é acusada de estar interessada em dinheiro, como este preconceito pode afetar a saúde emocional do indivíduo?
M: Caso realmente seja amor, livre de qualquer interesse financeiro, é necessário um bom equilíbrio emocional para enfrentar os comentários e críticas que inevitavelmente virão. Descasados que se casam novamente com pessoas mais jovens, muitas vezes possuem filhos quase da mesma idade da nova mulher. A dificuldade já começa na aceitação da mulher por parte dos filhos (ou mesmo do homem, no caso inverso). É necessário uma dose grande de maturidade e bom senso para que a adaptação aconteça de forma gradativa, sempre com total apoio daquele que está sendo o alvo das críticas. Não é fácil viver uma relação onde as pessoas interpretam de forma errônea os sentimentos em jogo!

Muitos dizem que algumas mulheres ou alguns homens que se interessam somente por parceiros mais velhos tentam encontrar um substituto para seus pais. Isto é mesmo possível?
M: Sim, isso é possível. É preciso estar bem consciente do que se espera de uma relação, de um parceiro, para não confundir o “cuidado” ou atenção do outro com o cuidado materno ou paterno… Pessoas muito reprimidas na infância, ou que tiveram pais autoritários, que cresceram num ambiente hostil presenciando constantes conflitos, ou mesmo que tiveram pais ausentes, podem procurar alguém mais velho que lhes possibilite sair logo de casa, confundindo assim amor com necessidade de se livrar de um ambiente não saudável, ou procurando no parceiro o afeto que não recebeu dos pais… Há também aqueles que admiram a maturidade do mais velho e suas vivências, encantando-se com sua postura na vida, sentindo-se bem com a segurança e confiança que o companheiro lhe passa, enquanto pessoas da sua idade ainda não chegaram a esse nível de crescimento pessoal. Enfim, há inúmeras possibilidades, e cada caso é um caso…

Recorte do cartaz de Nunca é tarde para amar (2005)

Recorte do cartaz de Nunca é tarde para amar (2005)

Como os amigos e familiares devem agir quando um amigo ou parente namora alguém de idade diferente? Qual o limite entre a preocupação e o preconceito?
M: Se o casal está bem, feliz, e não aparenta estar com problemas, por que intervir? Isso seria preconceito, simplesmente ir contra a idade do parceiro. Agora, caso seja visível que algo não vai bem, que intenções do outro estão claras para todos mas apenas aquele que está dentro da relação não percebe, aí vale a pena uma conversa de “alerta”, de questionamento.

Há pessoas que estão até apaixonadas, mas não namoram porque a pessoa é mais nova e teme não conseguir manter uma relação madura. Relação madura tem a ver com idade dos parceiros?
M: A idade realmente ajuda na maturidade, pois a somatória das vivências faz com que as pessoas cresçam, se desenvolvam mais. Porém, alguns vivem intensamente experiências desafiadoras desde cedo, sendo inevitável o crescimento e amadurecimento como consequência. Vemos jovens de 20 anos às vezes mais maduros que um de 30, cuja vida não lhe exigiu uma postura mais madura. A criação aqui interfere, e bastante. Então, o que está em jogo é a postura da pessoa perante a vida e o modo como ela reage e aproveita as oportunidades de crescimento que aquela lhe oferece.

Especialistas ensinam a falar com parceiro sobre mau hálito

Tudo vai bem com o relacionamento. Finalmente uma pessoa confiável, carinhosa, engraçada entrou em seu caminho. Mas todas essas qualidades vieram acompanhadas por um defeito: ela tem bafo. (Foto: Shutterstock)

Tudo vai bem com o relacionamento. Finalmente uma pessoa confiável, carinhosa, engraçada entrou em seu caminho. Mas todas essas qualidades vieram acompanhadas por um defeito: ela tem mau hálito.
Por mais que o sentimento seja mais importante, às vezes pode ser difícil conviver com esse problema. “Já que o hálito não é bom, o beijo passa a ser evitado e a intimidade é afetada, e, consequentemente, o sexo também passa a não ser tão bom, e muitas vezes evitado”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta de casal.
Para não deixar o relacionamento chegar a uma crise, é preciso conversar sobre o problema. Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Halitose – ABHA -, 99% dos portadores de mau hálito disseram que queriam ter sido avisados antes.
Claro que a situação é delicada e exige tato. Por isso vale pegar algumas dicas para diminuir o desconforto e ajudar o seu amor. Isso também serve para amigos.
Entenda o problema
Apesar de o mais lógico ser pensar que a pessoa deveria fazer algo para acabar com o mau hálito, muitas vezes ela nem sabe que tem o problema. Quem sofre de halitose normalmente tem fadiga olfatória, isso quer dizer que se acostuma com o cheiro e não sente o próprio hálito.
Segundo o médico Marcos Moura, presidente da ABHA, outro motivo para alertar uma pessoa sobre a halitose é saber que este pode ser um sinal de um problema mais sério de saúde. “O mau hálito pode ser uma forma de o organismo avisar problemas mais graves em outras partes do organismo, e, quanto mais cedo avisar, mais cedo poderá ir em busca de tratamento”, afirma.
Sinceridade
Para driblar o obstáculo a dica é ser sincero. “Geralmente aquele que é alertado para o problema procura rapidamente a solução, pois não é agradável saber que seu hálito incomoda o outro”, afirma Marina.
Se o dono do bafinho for seu namorado, marido ou ficante ou namorada, esposa ou ficante, talvez a abordagem possa ser feita depois de um beijo. Pergunte, como quem não quer nada, o que ele comeu, pois sentiu um gosto estranho na boca. Caso ele não entenda a insinuação, em outro dia, faça o comentário novamente, e pergunte se não é melhor marcar um horário no dentista para saber se está tudo certo.
Controle de crise
Caso a notícia não seja encarada da melhor forma, falar sobre os benefícios do tratamento bucal em outros contextos da vida – como no trabalho, onde as pessoas não têm intimidade suficiente para falar sobre isso – pode ajudar. “Um parceiro é a pessoa mais indicada pra falar sobre isso, com delicadeza e mostrando interesse em ajudá-lo”, avalia a psicóloga.

 

Comportamento dos pais influencia no futuro profissional dos filhos

Publicada no UOL em 06/11/2012

Pais que reclamam do trabalho podem criar filhos com dificuldade de encarar a vida profissional. Foto: Reprodução

Você costuma chegar do trabalho resmungando com muita frequência? Encara o emprego como um martírio ou uma humilhação? Ou, ao contrário, demonstra que sua carreira é a coisa mais importante da sua vida? Saiba que comportamentos desse tipo podem afetar a forma como os seus filhos enxergarão a vida profissional futuramente.

“Os pais são modelos para os filhos. Se eles chegam todos os dias contando situações horríveis, as crianças não vão querer ter o mesmo futuro”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama e terapia familiar. Como consequência disso, além de fugir da mesma carreira que a sua, seus filhos podem encarar o trabalho como um sacrifício –mesmo antes de entrar para o mercado de trabalho.

Por outro lado, passar uma imagem extremamente positiva da profissão aos filhos, e estimulá-los a se aproximar do seu mundo profissional, pode fazer com que eles sigam seus passos sem refletir sobre seus verdadeiros desejos. “É um perigo, pois pode não ser o que eles querem fazer, embora sintam que pertençam a esse universo”, afirma Marina.

Resistência à frustração

Família que passa a ideia de que o trabalho deve ser uma fonte completa de felicidade pode gerar um filho adulto com maiores chances de se frustrar profissionalmente, segundo a psicóloga e psicanalista Blenda de Oliveira, membro da SBPSP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo). “O trabalho nem sempre precisa ser sinônimo de felicidade. Às vezes, leva um tempo para encontrar aquilo que nos satisfaz”, diz Blenda. Para ela, a profissão não precisa ser necessariamente o que mais se ama, mas, sim, o que se faz de melhor. “Quando o trabalho não é tão idealizado, a relação é mais saudável e mais produtiva”, diz.

Quem idealiza uma vida profissional cheia de sucesso e reconhecimento desde a infância pode se tornar um jovem que desiste diante do primeiro obstáculo ou quando é contrariado. “Essa situação é mais frequente em famílias que não precisam do trabalho para sobreviver e, por isso, os filhos não entendem que o estresse faz parte do trabalho. Eles acham que têm de começar com um bom cargo, ganhando bem, ou não vale a pena sair de casa”, diz Blenda.

Para a psicóloga especialista em psicodrama Cecília Zylberstajn, compreender que nenhum trabalho é perfeito evita problemas. “Os jovens [da geração Y] foram educados na era da autoestima: são vistos como muito especiais, mas foram crianças mimadas que viraram adultos que não sabem lidar com a frustração”, afirma. “A escola e os pais mimam, e o mercado de trabalho é o primeiro contato que eles terão com limites e decepções”, diz Cecília.
Para criar filhos que sejam bons profissionais no futuro, é preciso ensiná-los a lidar com a frustração desde a infância, quando ainda estão na escola. “Mostre que é natural ter professores que não são legais ou que as notas nem sempre serão as imaginadas”, afirma Blenda. E, quando eles entrarem no mercado de trabalho, é importante que sejam orientados a não desistir diante das adversidades. “Resistência à frustração não se aprende na escola, mas em casa. Tem a ver com os valores e a formação dos pais”, diz a psicóloga e consultora organizacional Izabel Failde.

Modelos de relacionamento
O padrão de relacionamento que a criança estabelece com os pais afeta o modo como ela irá encarar as relações de trabalho no futuro, segundo Cecília. Por isso é fundamental que eles não sejam expostos a uma educação extremamente autoritária. “A família é o berço de todas as relações. Muitas vezes os problemas que vemos no trabalho podem ser decorrentes das dinâmicas familiares”, diz.

Como o pai costuma a ser a primeira figura de autoridade que conhecemos, se ele for muito rígido, o filho poderá ter problemas de relacionamento com o chefe no futuro, por exemplo. “Aquele menino indefeso pode continuar assim na fase adulta”, afirma Cecília. Também é possível que, depois de anos obedecendo às ordens de um pai controlador, a criança se torne um adulto com raiva da figura que exerce poder e, por isso, tenha dificuldade de aceitar ordens no ambiente profissional.

Tema em ‘Salve Jorge’, festa do divórcio é tendência no Brasil

A empresária Meg Souza gostou tanto de celebrar o divórcio que já fez três festas com este objetivo
(Foto: Divulgação)

Entrar na igreja de véu e grinalda, toda vestida de branco, é o sonho de grande parte das mulheres que imagina envelhecer ao lado do seu príncipe encantado. O “final feliz”, para muita gente, representa a união eterna, ainda que a separação seja por muitas vezes algo inevitável. Embora a palavra “divórcio” esteja frequentemente associada a um período turbulento, há quem faça desse limão azedo uma bela e doce limonada e transforme as lágrimas em celebração, com uma inusitada festa de divórcio.

O tema já é comum em outros países, especialmente nos Estados Unidos, mas agora vem à tona por meio da personagem Bianca, vivida por Cleo Pires na nova novela global Salve Jorge, que protagoniza uma luxuosa festa para comemorar a sua separação, com direito a vestido branco e presença do ex.

Tatiana Bandeira, que é consultora e dona da empresa Personal Wedding, já aderiu ao novo nicho de mercado e realizou algumas festas com esta temática, como a da advogada Valeria Calente, 43, e a da empresária Meg Sousa, 31. “O perfil de mulher que busca esse tipo de festa é de uma mulher mais moderna, mais antenada e mente aberta, porque de certa forma você vai estar se expondo”, pontua.

Do ponto de vista da infraestrutura e organização, a festa se assemelha a uma de casamento, conforme explica Tatiana. A diferença é a temática – o famoso “bem casado” passa a ser “bem separado”, o bolo geralmente faz alguma piada com a noiva sozinha ou o noivo indo embora; e as lembrancinhas rementem à vida de solteira e badalação.

Embora a maioria dos convidados ainda estranhe receber um convite deste tipo de festa, Tatiana garante que a intenção de quem marca presença é justamente apoiar. “Por mais que seja tranquila a separação, existe a dor. E as pessoas ficam felizes em ver que a fase ruim passou. Para mim o casamento é uma união, é sagrado. Mas neste tipo de festa  não se celebra necessariamente o divórcio, e sim, o recomeço”, observa.

Pompa e circunstância 
Meg gostou tanto da ideia de comemorar o divórcio que já fez três edições da mesma festa. Cerca de um ano depois de dar fim a uma união de quatro anos, decidiu fazer algo grandioso para marcar a solteirice, algo como um “casamento ao contrário”. A festa, que era à fantasia, reuniu cerca de 400 pessoas. “Entrei com um vestido de noiva, branco, com velcro. Quando tirei, estava com um corpete com uma saia até o joelho. Cheguei com dois gogo-bois”.

A celebração também foi feita no mês de maio, que é o mês das noivas. “A festa foi melhor do que o meu casamento, por isso fiz três edições”, diverte-se. Para se preparar para o grande momento, fez o “Dia da Descasada”, com direito à toda a produção que um “Dia da Noiva” oferece.

A segunda edição foi batizada como “Bodas de Papel Rasgado”, em oposição às Bodas de Papel que os casais comemoram com um ano de união. Dessa vez, ela se vestiu de viúva negra e chegou em uma Limousine, acompanhada por três violinistas que tocavam música eletrônica ao vivo. “A sociedade já impõe que o divórcio tem que ser triste, que alguém tem que sair machucado. Então é melhor sair numa boa do que sair triste chorando”.

Na terceira festa, contou com a organização da consultora Tatiana, e a parceria deu tão certo que, agora, estão investindo neste novo nicho de mercado depois de serem solicitadas por recém-divorciadas. As celebrações tiveram direito a atrações como drag queens, bailarinas com serpentes, ilusionistas, DJs, buffet e lembrancinhas divertidas, como o “Kit Ressaca”, que trazia um pós-drinque e um chiclete.

Para quem quer ter ideia de preço, Meg conta que o valor estimado em cada uma de duas festas foi de R$ 40 a R$ 45 mil. Mas tudo depende do quanto a pessoa está disposta a gastar e, assim como o casamento, existem alternativas para baratear este custo.

Rito de passagem
A advogada Valeria foi casada por 13 anos, depois de namorar por sete. Mãe de dois filhos, ela decidiu fazer uma festa para marcar uma nova etapa da vida. “Quando falamos que estamos divorciadas, as pessoas acham estamos morrendo. Essa é uma forma de comunicar que está tudo bem”, afirmou.

A festa aconteceu cerca de 15 dias depois da separação. “Eu sempre fui muito fã dos rituais de passagem, então para mim foi muito importante. Foi uma declaração de alforria”, afirmou. Ela enfrentou o estranhamento inicial das pessoas e a reprovação da família do ex. “Não o convidei, mas depois ele ficou sabendo e ficou bem bravo. Como o divórcio foi uma coisa que eu amadureci muito antes de decidir, eu só queria mostrar que estava bem, não era para provocá-lo”, conta.

Apesar do desconforto inicial, Valéria diz que não ficou nenhum tipo de rancor e até mesmo os filhos aceitaram a ideia com bom humor. Para quem pensa no assunto, ela recomenda prudência. “Justamente para que não fique com cara de vingança, de revanche, para que seja uma coisa elegante, como foi a minha”.

A psicóloga e terapeuta familiar Marina Vasconcellos alerta para a ressaca moral que pode vir acompanhada deste tipo de festa. “Quando há filhos na história, para eles pode ficar uma imagem ruim, de que os pais estão felizes de se livrar um do outro”.

Na opinião da profissional, o ideal é que ambos cheguem a um acordo sobre o assunto. “Se o divórcio foi amigável, de repente pode ser um ritual, como é o casamento. Agora, se a intenção for dizer ‘estou livre’, acho que fica uma coisa muito agressiva”, opinou. Marina explica que os ritos são usados justamente para marcar fases da vida, como sinônimo de um novo status na sociedade. “Geralmente eles celebram uma coisa boa, significa que a pessoa está passando para outro nível”.

A “festeira” Meg também concorda que a celebração não é recomendada quando a situação entre o casal não está bem resolvida, ou como forma de provocação. “Mas quem termina amigavelmente tem que celebrar, afinal, a gente comemora tudo o que é bom na vida”, pontua. E apesar da tripla alegria trazida pelas festas de divórcio, Meg ainda sonha com outro tipo de final feliz. “Casei na igreja, imaginei que ia ficar velhinha ao lado dele, gostei de estar casada e saí do casamento muito mais mulher. E ainda quero casar de novo e ser feliz para sempre”.

Aprenda a lidar com a diferença de idade nos relacionamentos amorosos

Casais de faixas etárias diferentes precisam compreender seus desejos e limites

Publicado no Portal Minha Vida em 29/10/2012

Há casais que, aos olhos dos outros, passam por pai e filha ou mãe e filho, tal a diferença de idade dos dois. Quinze ou vinte anos de diferença realmente nos dão a sensação de duas gerações se relacionando – o que de fato é, não dá para negar. Isso pode ser absolutamente irrelevante para quem está na relação, e quanto mais velhos forem, menor será a importância dada a esse fato.

 A questão se complica quando o mais velho começa a exigir do mais novo atitudes condizentes com sua idade e maturidade, o que o outro ainda não desenvolveu simplesmente por não ter tido as mesmas experiências e vivências. Aquele, com sua experiência de vida e maturidade, quer que o parceiro corresponda agindo e pensando como ele, mostrando impaciência e intolerância com certos desejos ou inseguranças do cônjuge comuns à fase de vida em que ele se encontra. Esquece de colocar-se no lugar do outro – atitude que todos nós deveríamos sempre ter – para perceber seu lado, o que ele realmente necessita.

 O inverso também é verdadeiro: quando o mais novo começa a exigir coisas do mais velho que já não lhe cabem, pois está em outra fase de vida, e irrita-se quando percebe que seu parceiro não tem a mesma disposição para certas situações que, anos atrás, já fizeram parte de sua vida. Os anos passam, as prioridades e vontades mudam, a capacidade física e disposição se alteram. É preciso respeitá-las.

 Um dos pontos que pesam para que uma relação tenha mais chances de sucesso é ambos estarem vivendo a mesma fase de vida, ou pelo menos estarem em fases parecidas. Por exemplo: um homem já divorciado, pai de filhos adultos, casa-se pela segunda vez com uma jovem com idade equivalente à dos filhos, e resolvem começar uma nova família. Essa jovem não viveu muitas coisas pelas quais o marido já passou, e tem vontade de vivê-las. Está em seu direito, claro. Mas é preciso enfrentar uma série de questões que provavelmente virão à tona em algum momento, como os comentários “irônicos” dos amigos, o olhar crítico da família de origem (pais, irmãos), a convivência com os filhos do primeiro casamento, que pode vir com resistência em respeitar uma madrasta que possui praticamente a mesma idade deles.

O inverso, novamente, também é verdadeiro. Não estou dizendo que essas uniões estão fadadas ao fracasso, mas sim que enfrentarão mais dificuldades que outras em que as idades são mais próximas. O casal tem que se pautar em muita cumplicidade, apoio, confiança, coragem e, acima de tudo, amor, para vencer os obstáculos que surgirão.

 É preciso muito respeito e, uma condição fundamental, a inversão de papéis a todo momento. Com isso quero frisar a importância de “colocar-se no lugar do outro” para que se percebam suas necessidades, a fim de evitar que se cobrem coisas impossíveis e não condizentes com a idade do cônjuge.

Parceiros mais jovens podem reacender nos mais velhos uma alegria de viver que já não parecia existir, dando-lhes uma injeção de ânimo e trazendo à tona uma energia muitas vezes surpreendente.

 O amor não tem idade para manifestar-se e ninguém pode julgar o que é melhor para o outro, posto ser a escolha do parceiro algo totalmente subjetivo. Que tenhamos, então, a oportunidade de vivenciá-lo em sua plenitude!

Ombro amigo

Psicóloga fala sobre a importância dos amigos para a saúde na maturidade

Quem nunca precisou de um ombro amigo para desabafar? Ou então de uma mão amiga para socorrer em alguma situação difícil? Sempre quando se precisa, seja em bons ou maus momentos, ele está lá: o verdadeiro amigo. Em muitos casos, os laços de amizade são tão fortes que podem preencher algum vazio deixado na vida, talvez por algum filho que já saiu de casa ou até por um parceiro que acabou o relacionamento. Por isso tudo, cultivar uma amizade verdadeira pode ser bom e trazer benefícios para a vida, dizem os especialistas.

A amizade é, de acordo com o dicionário Aurélio, um sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas, e não está ligada a laços familiares ou atração sexual. E quem cultiva esse sentimento só tem coisas boas para colher. Segundo a psicóloga especializada em Psicodrama Marina Vasconcellos, as pessoas precisam de amigos para dividir emoções, sejam elas ruins ou boas. “O amigo aceita você sem julgamentos. Não critica, tem liberdade para falar sobre tudo. Além disso, dá força, opinião, dando outra visão do problema. Pode-se abrir outro leque de visões com ele, além de ajudar a lidar com os problemas em fases difíceis da vida. Nós somos seres energéticos, quando se está bem emocionalmente, outras questões fluem melhor.”

Na juventude, as pessoas possuem mais tempo para viver as amizades. Mas o tempo passa e com ele vem o casamento, os filhos e outros compromissos. E será que na maturidade, depois de tanta experiência, ainda há espaço para fazer amigos e manter essas amizades? De acordo com Vasconcellos, nesse período, os indivíduos já começam a passar por transformações na vida pessoal, e os amigos podem ter um papel especial nessa fase da vida. “É o meio da vida. Você começa a sentir os efeitos físicos e a pessoa nessa idade precisa se cuidar mais. Os filhos já vão sair de casa e, muitas vezes, você entra na síndrome do ninho vazio. E os amigos ajudam a preencher esse espaço. Eles ajudam a pessoa a não se sentir sozinha. É muito mais gostoso dividir as situações com um amigo. Você ri junto e se emociona junto.”

Além disso, segundo a psicóloga, na maturidade, as pessoas já acumularam mais experiência, trazendo características com as quais as pessoas dessa faixa etária possam aproveitar mais as amizades. “Depois dos 50, a pessoa está mais madura. Ela respeita mais as diferenças, há mais tolerância. Nessa fase, pode-se escolher com quem vai passar mais o tempo. Aprende-se mais com o tempo. Porém, quando se é jovem, a pessoa é levada com uma turma, há mais medo de falar e deixar o amigo chateado. Quando a pessoa é mais madura possui mais coragem para falar e se posicionar.”

E assim como tudo na vida, ainda existe o lado ruim, e ainda sim é preciso saber lidar com ele. Em muitos casos, os amigos também podem se afastar.  E muitos podem pensar que se a amizade acabou é porque não era verdadeira. Mas a verdade é que, de acordo com Vasconcellos, as amizades podem, sim, chegar ao fim. “A vida é feita de fases e a sua vida pode ir para um lado, não havendo mais uma ligação. Não fazendo mais sentido aquela amizade. De repente, cada um vai para um lado.”

Mesmo que uma amizade tenha se desfeito ou um amigo querido tenha se afastado, lembre-se: sempre é tempo de fazer novos amigos. Portanto, se você não quer se sentir sozinho e precisa de um amigo, a psicóloga dá uma dica para fazer novas amizades. “Procurar atividades em grupo, como dança, ginástica, excursões, ou até mesmo uma nova faculdade. Mulheres viúvas começam a fazer aulas em grupo e começam a se enturmar e, assim, surgem novas amizades. Nunca é tarde para fazer amigos.”

Oito passos para fazer o detox do celular

Mau uso da tecnologia está por trás de reclamações por estresse ou falta de tempo

Publicado no Minha Vida em 04/10/2012

Passar ao menos uma hora longe deles é difícil, smartphones e tablets já fazem parte da rotina e você faz a sua agenda já pensando em como eles podem ajudar na economia do tempo e na realização de mais de uma tarefa simultaneamente. “Muita gente, no entanto, acaba viciada em todas as funções que esses aparelhos trazem, como jogos e aplicativos”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo. “Essas pessoas se comportam como se, em todos os momentos, acontecesse algo tão importante a ponto de impedir a desconexão”. O resultado da mania é a sensação permanente de que falta tempo para dar conta de tudo e relações mais impessoais, já que a tecnologia acaba atravessando os encontros. “Não é o caso, evidente, de abrir mão da tecnologia, mas aprender a usá-la a seu serviço – e não ficar à disposição dela ininterruptamente”, diz a especialista. Se você quer entrar numa operação detox do celular, siga as dicas a seguir.

Foto: Reprodução

Desabilite as notificações

Que celular tocando o tempo todo incomoda todo mundo já sabe, mas as notificações e atualizações do smartphone também fazem barulhinhos e vibrações que, além de muito chatas, desviam não só o seu foco de atenção, mas também de quem está próximo a você. Marina Vasconcellos recomenda que sejam guardados horários durante o dia para ver se alguém te mandou mensagem na rede social ou te desafiou em algum jogo, o que pode até incentivar a boa convivência se respeitados alguns limites.

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Compre um despertador

Você é daqueles que coloca o celular embaixo do travesseiro? Pois bem, o mundo não vai cair se você deixá-lo desligado durante a noite. Muito pelo contrário, essa prática pode te garantir um descanso muito mais eficiente. O sono é dividido em fases: o sono superficial e o sono profundo. É apenas na segunda fase que o corpo consegue recuperar as energias. “Quando há uma alternância entre sons altos e baixos, o organismo fica em estado de alerta e não conseguimos passar para a fase profunda do sono”, afirma Marina Vasconcellos. Por isso, vele investir num despertador tradicional e aposentar o alarme do celular.

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Guarde os momentos na memória

Tudo o que você faz vai para o facebook? Compartilhar momentos importantes com as pessoas próximas é importante, mas vale refletir se a necessidade de expor sua rotina não está atrapalhando a qualidade das suas experiências e dos seus relacionamentos. “É comum vermos cada vez mais gente tirando fotos, fazendo filmagens e os colocando nas redes sociais, isso faz parte do mundo atual, mas é importante não esquecer que as lembranças mais valiosas ficam na memória”, afirma Marina Vasconcellos. Dificilmente você fica revendo os álbuns de uma noitada com os amigos ou das fotos na praia, mas os efeitos que as ocasiões de lazer oferecem permanecem vivos e estreitam laços. Outro ponto importante é lembrar que a interação entre as pessoas pode ser perdida em função da exposição, que nem sempre é positiva. “É preciso muita atenção com o que colocamos nas redes sociais, esse conteúdo chega ao alcance de gente que nem conhecemos muito bem”, lembra a especialista.

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Deixe para usá-lo nos intervalos

Para não tirar o foco do trabalho ou do estudo, o melhor é deixar para usar o celular em intervalos como a hora do almoço ou a pausa para o café. Mas a psicóloga Marina frisa que, no momento em que você estiver comendo, o melhor é desligar o celular. Só assim é possível sentir as cores, texturas e sabores que fazem parte dos alimentos. Além disso, quando não prestamos atenção na quantidade de alimentos que colocamos no prato e nos envolvemos com uma atividade paralela, tendemos a comer mais do que realmente seria necessário.

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Não tenha medo de desligar

Às vezes o celular pode fazer a função de um controle remoto – e você é quem sofre o controle. Qualquer pessoa sabe como te achar, não importante onde e nem o horário. Essa é uma vantagem, afinal, caso haja uma emergência, você pode rapidamente ser acionado. O problema é quando essa funcionalidade acaba sendo uma prisão. O conselho da psicóloga Marina Vasconcellos é para usar mais o celular como um telefone de fato do que como uma caixa de e-mails ou uma forma de acesso à internet. E se for para relaxar, numa viagem ou num final de semana, não tenha receio de desligar o celular. A maior parte dos seus problemas pode esperar pela segunda-feira.

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Ouça quem está ao seu lado

Se você ainda está em dúvida se o celular está tomando mais tempo da sua vida do que deveria, pare um momento e ouça o que dizem os seus amigos, familiares e companheiro. “É a sua relação com essas pessoas que será prejudicada se você estiver abusando do smartphone”, conta Marina Vasconcellos. “Eles podem tomar até medidas mais drásticas como limitar o uso do celular em casos extremos – essa pode ser uma atitude positiva”.

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Seja racional

Pergunte-se: o que eu estou esperando? Eu preciso olhar isso agora? Se a resposta for negativa, deixe o celular de lado e aproveite a companhia de quem está ao seu lado. “Mas se ela for afirmativa, explique a quem está ao seu redor a importância desse contato”, orienta a psicóloga Ana Luiza Mano, do Núcleo de Pesquisas em Psicologia em Informática (NPPI) da PUC de São Paulo. “O ato de prestar mais atenção no seu celular do que no que está ao seu redor pode ser visto com maus olhos, como se o ambiente estivesse desinteressante”.

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Busque ajuda profissional

“Diferentemente do vício em drogas ou álcool, o vício em celular não é tão fácil de detectar, até porque as suas implicações são mais psicológicas do que físicas”, afirma Ana Luiza Mano. Se isso já está te incomodando, busque a ajuda de uma terapia para se livrar do problema. No entanto, a psicóloga faz uma ressalva: “Procure um profissional que esteja familiarizado com esse tipo de problema, evitando conselhos do tipo: você deve abolir a internet do celular. As conexões são cada vez maiores, o cuidado é preservar sua rotina além da dependência dos aparelhos”.

A traição na maturidade

Terapeuta de casal propõe uma reflexão mais madura e profunda sobre a infidelidade depois dos 50

Publicado no Mais de 50 em 07/08/2012

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Quando a pessoa que trai volta atrás e resolve investir no próprio casamento, tentando descobrir o que não estava bem para modificar e seguir em frente há todo um trabalho com ambos, necessário para que isso aconteça, e o melhor mesmo é a busca por uma terapia de casal. Lá irão vasculhar a relação em busca de coisas boas que possam ser resgatadas, ao mesmo tempo em que olharão para os pontos negativos e frustrações de ambos, na tentativa de esclarecer e resolver o que não conseguiram fazer por si.

Em especial, nesse trabalho cada um olha para sua responsabilidade na saúde da relação, procurando identificar as brechas que os levaram a tal distanciamento para que “coubesse” ali outra pessoa. Sou testemunha de histórias lindas resgatadas a partir desse “susto”, dessa “quase perda” do parceiro, onde acontece um recontrato de casamento e o amor reacende com toda a intensidade, fazendo-nos acreditar que “há males que vem para o bem”… Quem traiu é perdoado – não sem um enorme sofrimento de ambos – sendo possível seguir em frente.

Mas nem sempre o final é feliz para a relação. Na maturidade já temos mais conhecimento do que desejamos, de nossas necessidades, daquilo que nos faz bem ou mal, escolhemos melhor os amigos e pessoas com quem queremos conviver, enfim, o processo natural de envelhecimento nos leva a uma sabedoria interior maior devido a toda nossa vivência adquirida e acumulada até então. Uma traição nesse momento pode estar a serviço da alma de alguém que procura a libertação.

Como disse sabiamente Nilton Bonder, autor do belíssimo livro “A Alma Imoral” (Ed.  Rocco): “Trair não quer dizer necessariamente sair de uma relação através da infidelidade. Esse tipo de traição pode ocultar profundos processos de apego e representar um ato de traição à alma.” (p. 36). Ou seja, quando permanecemos numa relação que já não nos alimenta mais, não nos satisfaz, mas achamos que temos que levar até as últimas consequências em função do que “prometemos” no ato do casamento (… e te prometo ser fiel, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te até que a morte nos separe…), estamos traindo a nossa alma, pois optamos pelo “correto” (para a sociedade) em detrimento do “bom” (para nosso eu), do que nos faria felizes, do que nos realizaria enquanto vínculo amoroso ideal. Muitas pessoas conseguem reconhecer os desejos mais profundos da alma na passagem pelo meio da vida, mas nem sempre conseguem lidar da melhor forma com o que isso acarreta.

Bonder afirma que “…a dor causada pela traição é produto do aprofundamento da experiência íntima. É isto que tanto machuca os traídos: ser conduzidos a profundezas da intimidade que desejam evitar.” (p. 36) Necessariamente, após uma decisão de vida desse tipo, seja pela permanência no casamento ou pela separação (independente de haver outra pessoa em vista), ambos passarão por profundos questionamentos sobre si, a relação, a vida em geral, e isso pode resultar tanto no desabrochar para uma nova vida quanto na constatação de inúmeras frustrações acumuladas e a impotência para enfrentá-las. Seja qual for a situação, o melhor a fazer é investir em um processo psicoterapêutico para que seja possível uma real elaboração de todo o conteúdo surgido.

Por fim, digo que toda e qualquer traição merece um olhar cuidadoso e a busca por seu real significado, pois um ato como este pode significar desde a busca por algo fútil e passageiro (no caso das traições puramente sexuais), até a tentativa de reconquista dos mais profundos desejos da alma encobertos.

Ficção e Realidade: Traição é perdoável?

Publicado no MSN no dia 20/08/2012

Divulgação/Rede Globo

A narrativa da novela global “Avenida Brasil” está dando o que falar. O foco do folhetim de João Emanuel Carneiro é sobre a vingança entre as personagens Nina e Carminha, interpretadas por Débora Falabella e Adriana Esteves, respectivamente.

Porém, fora do núcleo principal, muitos dramas e relações entre personagens se destacam, como é o caso de Monalisa (Heloísa Périssé) e Olenka (Fabiula Nascimento), e Cadinho (Alexandre Borges) e suas três esposas, Noêmia (Camila Morgado), Verônica (Deborah Bloch) e Alexia (Carolina Ferraz). Tudo que eles têm em comum é o fato de já terem traído ou sofrido com uma “punhalada nas costas”.

Divulgação/Rede Globo

A narrativa da novela global “Avenida Brasil” está dando o que falar. O foco do folhetim de João Emanuel Carneiro é sobre a vingança entre as personagens Nina e Carminha, interpretadas por Débora Falabella e Adriana Esteves, respectivamente.

Porém, fora do núcleo principal, muitos dramas e relações entre personagens se destacam, como é o caso de Monalisa (Heloísa Périssé) e Olenka (Fabiula Nascimento), e Cadinho (Alexandre Borges) e suas três esposas, Noêmia (Camila Morgado), Verônica (Deborah Bloch) e Alexia (Carolina Ferraz). Tudo que eles têm em comum é o fato de já terem traído ou sofrido com uma “punhalada nas costas”.

Especialista

Para discutir o assunto de uma forma mais científica, a reportagem do Famosidades conversou com Marina Vasconcellos. Ela é terapeuta familiar e de casal, e nos contou seu ponto de vista como psicóloga, que também observa casos de traição diferentes em seu consultório.

Lembrada da história entre as personagens da dramaturgia Olenka e Monalisa, Marina disse que a deslealdade entre amigos é comum. Mesmo assim, a pessoa traída precisa ficar com os “olhos mais atentos” com quem lhe oferece amizade.

“Quando uma amiga se envolve com um namorado ou marido seu é porque, primeiro, essa amizade já está em cheque. Até porque, há a opção de ‘cair fora’ ou não quando a pessoa é comprometida. Se a pessoa permitir essa aproximação, significa que ela não considerou tanto o vínculo que tinha com você”, analisou.

Ressaltando que a prática não é uma doença psicológica, a doutora destacou que a facilidade em trair a confiança do outro pode ser encarada como uma dificuldade de envolvimento pessoal. “Conheci vários homens que não conseguiam ‘ser de uma mulher só’. Quando você está com uma pessoa, não dá para procurar o que ela não tem em outra.”

Tendo em vista o caso de Cadinho na trama global, a doutora explicou que isso pode ocorrer por conta da ausência de maturidade no relacionamento entre duas pessoas: “Acho que tudo é uma falta de comunicação e de desenvolvimento emocional de quem trai”.

Traídos por algum motivo ou não, o fato é que muitas pessoas aceitam a deslealdade e acabam até perdoando o parceiro ou amigo. Questionada se esse perdão pode ser encarado como falta de amor próprio ou até amor extremo pelo outro, Marina Vasconcellos assegurou que nem um nem outro.

“Sou terapeuta de casais e já tratei de muita gente que passou por isso em seus relacionamentos. Muitos chegam ao consultório para fazer uma terapia conjunta por causa de uma traição. Isso, por incrível que pareça, é bom, porque alguns casamentos se refazem após esse episódio. Junto com o casal, eu vou procurar o porquê esse fato rolou e o que está faltando nesse casamento.”

Divulgação/Rede Globo

Vida real

Como a doutora Marina Vasconcellos apontou, a traição é uma ação muito comum entre seres humanos. Muita gente tem bastante história para contar sobre o assunto: seja por envolvimento ativo ou passivo com o problema.

É o caso da comerciante Maria (nome fictício). Ela tem 58 anos e foi casada durante 19 anos com um homem que a agredia física e psicologicamente. Com ele, ela teve quatro filhos. “Ele era caminhoneiro e inventava várias viagens. Numa dessas, ele desapareceu por 15 dias. Descobri por um amigo que ele estava em uma fazenda do interior de São Paulo, trabalhando por lá”, começou a relatar.

Quando chegou ao “novo” emprego do marido, ela teve uma surpresa: “Descobri que ele estava noivo da filha do dono da fazenda. Ninguém lá sabia que ele era casado e pai de quatro crianças. Quando descobriram, o expulsaram do local”.

Mesmo tendo certeza de que estava sendo traída e com raiva do marido, Maria não terminou seu relacionamento duradouro. Mas a situação depois desse episódio piorou muito dentro de sua casa. “Ele me bateu muito e voltou a fazer viagens. Porém, não mandava mais dinheiro para cuidar dos filhos. Com isso, um amigo dele, que era nosso padrinho de casamento, começou a ir todos os dias à minha casa. Ele levava comida e se dedicava no cuidado com as crianças”, lembrou.

E dessa amizade surgiu algo proibido: um amor entre os compadres. Desiludida com o marido, a comerciante começou a se sentir atraída pelo amigo dele e percebeu que esse interesse era recíproco. Sem impasses, Maria e o moço iniciaram um caso.

“Meus filhos iam para a escola e nós ficávamos o dia inteiro juntos. Nisso, eu engravidei”, revelou. Ela, então, deu à luz uma menina, fruto do caso extraconjugal. A decisão de não contar a verdade sobre a paternidade da criança foi dos dois: eles não queriam terminar o romance. Por isso, o marido, sem saber, assumiu a pequena como filha dele.

Após sete anos do nascimento da menina, Maria decidiu se separar do esposo, alegando que não aguentava mais apanhar. “No ano seguinte, assumi meu relacionamento com o meu amante. Com raiva, meu ex-marido bateu em nós dois. Durante a briga, meu atual companheiro despejou: ‘Você é corno há muitos anos!’. Mas não contou que era o pai da minha filha.”

Depois que o caso entre a comerciante e o amante foi revelado, o ex-marido começou a desconfiar que a caçula não era dele. “Os vizinhos falaram que o amigo dele vivia na nossa casa quando ele não estava. Ele me pediu um exame de DNA, e foi aí que decidi contar toda a verdade.”

Maria levou 16 anos após o nascimento de sua filha para revelar a ela seu pai biológico. Por toda essa confusão, a vendedora concluiu que a mais prejudicada foi ela mesma.

“Minha filha não fala comigo direito até hoje’, lamentou.

 

Quando tudo dá errado…

Saiba por que a corrida ajuda a melhorar o humor e até a resolver problemas

Publicado na Revista W Run

Foto: Hemera

Tem dias em que todos os problemas parecem surgir juntos, e não ter solução. Nessas horas, será que vale a pena calçar os tênis, respirar fundo e sair para correr? Segundo o médico esportivo Moisés Cohen, diretor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte, vale sim. “Esportes aeróbicos estimulam a liberação de endorfinas e encefalinas, hormônios que promovem a sensação de tranquilidade, prazer e bem-estar”, explica. A endorfina, inclusive, tem efeito analgésico e ajuda a reduzir dores musculares.

No caso da corrida, o cansaço físico também ajuda a relaxar o corpo, que pode ficar tenso com o stress do dia-a-dia. Assim, o sono também vem mais fácil. “Já foi comprovado que pessoas que praticam esportes demoram menos para adormecer”, garante o médico, que recomenda um treino mais leve nesses dias difíceis.
Mais do que um fenômeno químico, meramente hormonal, a mágica que acontece quando corremos tem explicações no próprio ambiente. “Diferente da academia, correr na rua ou num parque nos permite aproveitar o percurso. Entramos num ambiente cercado por música, às vezes com natureza e animais”, observa a psicóloga Marina Vasconcellos, da PUC São Paulo. Para ela, o contato com outros corredores saudáveis e os olhares de admiração servem de estímulo para o atleta fragilizado, e recuperam sua auto-estima.
Para quem busca soluções, a corrida também pode ser uma aliada. “Quando se está relaxado, é possível encontrar saídas que não se via antes, como durante o sono”, diz Marina. Ela lembra ainda que esse esporte oferece, num único treino, momentos de dificuldade, adaptação, prazer e superação. Amante da corrida, a psicóloga conclui: “quando tudo deu errado no seu dia, aqueles 60 minutos são um desafio vencido”.

Saiba como preservar as relações fraternas mais sinceras

Amizade de 17 anos de Selma e Márcia “contaminou” suas famílias: hoje, maridos e filhos também viraram melhores amigos. (Foto: Guilherme Baffi)

Até amanhã, inúmeros poemas e canções sobre amizade devem pipocar em seus e-mails e redes sociais. Talvez, também apareça uma mensagem de autoria bem conhecida. Não existe consenso sobre o Dia do Amigo no Brasil. Porém, o 20 de julho tem sido instituído por lei, ainda que timidamente, em estados e municípios.

Acredita-se que a iniciativa teria começado com o médico argentino Enrique Ernesto Febbraro, que, em 1969, enviou cerca de quatro mil cartas a diversos países com o intuito de celebrar a data. Ele considerava a chegada do homem à lua um feito capaz de demonstrar que se o homem se unisse a seus semelhantes não haveria objetivos impossíveis.

Independentemente da época do ano, especialistas defendem que é preciso cultivar as amizades assim como os relacionamentos amorosos. Segundo a psicóloga e psicodramatista Marina Vasconcellos, de São Paulo, os mesmos valores que tornam um romance duradouro, como respeito, confiança, cumplicidade, carinho e admiração, aplicam-se às relações fraternais.

“As amizades devem ser alimentadas. Mesmo que uma pessoa quase nunca veja a outra, é preciso demonstrar interesse por ela”, afirma. Para Marina, a principal diferença entre os dois tipos de relacionamento é a convivência. Enquanto no primeiro caso pequenas divergências podem provocar conflitos no cotidiano, no segundo as pessoas são mais abertas e fazem menos cobranças.

“Não existe julgamento, porque se aceitam as diferenças”, afirma. Marina explica que é comum que se escolham amigos para determinadas situações. Há companhias perfeitas para um bate-papo ameno no boteco ou para uma balada. E também para contar os segredos mais cabeludos.

Há os que permanecem lado a lado por décadas (às vezes, diariamente). E também os que se afastam, devido à distância ou por estarem em fases diferentes da vida (como o casamento e a chegada dos filhos).“Amigos são como um trem. Tem quem desça nas primeiras estações, quem siga por um trecho maior da viagem ou quem nunca o abandone”, compara ela.

Novos padrões

Embora acredite que o sentimento permaneça o mesmo, a profissional destaca que a forma de se investir nos amigos mudou nos últimos anos. Entre os motivos estariam o “boom” tecnológico e a falta de tempo, por conta da rotina frenética nas grandes cidades.

Se antigamente as pessoas se dispunham a visitar os mais chegados sem precisar ter hora marcada para tomar um café e jogar conversa fora, atualmente o bom e velho olho no olho foi substituído pelo uso de celulares e de computadores.

“As pessoas passam horas conectadas e acham o máximo ter milhares de contatos na internet. Mas, para quantos deles se pode ligar de madrugada? Amigos verdadeiros são para contar nos dedos”, aponta. A psicóloga clínica Luciana Nazar Ramoneda, de Rio Preto, defende que as ferramentas virtuais podem ser úteis para fortalecer as relações reais já existentes, mas não têm o mesmo peso do contato físico.

“Hoje, as pessoas se comportam de forma egoísta, perderam a afetividade. Quando gostamos de alguém, devemos encontrar maneiras de nos fazer presentes, independentemente dos compromissos com o trabalho e a família. Podem ser coisas simples, como mandar um torpedo ou uma mensagem no Facebook.”

Na opinião de Luciana, não existem limites para se compor um círculo de amigos. Seu tamanho e importância são delimitados pela disponibilidade afetiva de cada um. “A amizade é entrega, é estar junto. Depende da vontade de compartilhar. Por isso mesmo, é necessário demonstrar gratidão por quem se dispõe a nos amar”, diz.

O conceito de amizade fraterna é bastante subjetivo. Cada um é capaz de perceber o grau de envolvimento e de intimidade com seus escolhidos. “Os amigos verdadeiros são aqueles com quem você se sente à vontade para falar sobre tudo. Quem ouve, oferece colo, puxa a orelha e não reclama da ausência”, completa Marina.

A data, então, pode servir de pretexto para demonstrar o quanto alguém é especial e lhe faz falta. Só não vale enviar recados impessoais para todo mundo. Feliz Dia do Amigo!

Amigos para a vida toda

O protético Mateus Garcia Fernandes e o comerciante Pedro Henrique dos Santos Neves se conhecem há três anos. E são melhores amigos. Os dois se encontram quase todos os dias. Quando um está ausente, eles se falam por telefone. A parceria e a confiança são tamanhas que um tem a chave da casa do outro. “O Pedro também tem o controle remoto do meu portão e dorme em casa quando precisa”, afirma Mateus.

Pedro conta que eles se divertem e discutem, conversam e competem, mas não dispensam a companhia um do outro. “Somos como irmãos, um confia muito no outro. Nossa amizade é gratuita, sem cobranças e não tem interesse. Sei que posso contar sobre meus problemas, minhas alegrias e confiar de forma tranquila”, afirma Pedro.

A cartorária Melissa Soleman e a professora e fisioterapeuta Angélica Giardini confirmam o que a maioria das pesquisas comportamentais comprova: que as relações de amizade formadas na infância exercem enorme influência na vida das pessoas. Com quase 20 anos de parceria, as duas afirmam que a amizade é para elas uma espécie de porto-seguro, de proteção contra a tristeza. “Sempre estivemos por perto, seja na alegria, seja na hora dos problemas”, afirma Melissa.

Na opinião de Angélica, amigo é de fato o irmão que não se escolhe. “É algo precioso. Apesar de sermos completamente opostas, respeitamos nossas individualidades. Mas também nos apoiamos, nos defendemos”, diz. Para a professora, neste mundo atual, em que há muito interesse por trás de tudo, ter uma amizade verdadeira é um prêmio. “A Melissa é especial, tenho muita sorte de tê-la encontrado.”

A comerciária Selma Sueli Ferrassoli Mantovan e a presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Rio Preto (Sincomerciário), Márcia Caldas Fernandes, têm uma antiga e ótima convivência. Há 17 anos elas são companheiras de conversas, passeios, viagens e emprego. As duas trabalham na mesma empresa e se tratam como irmãs. “Tenho mais contato com ela do que com minhas irmãs.

Posso desabafar, contar segredos e também me divertir. Passar um Ano Novo ou Dia das Mães longe dela não tem o mesmo significado.” Para Márcia, a amizade delas criou uma união entre as famílias das duas. “Nossos filhos e maridos são amigos. E quando minha mãe era viva, tinha a Selma como filha.” E diz ainda: “Ela sempre fala uma palavra de carinho ou de incentivo na hora que mais preciso.”

Sete passos básicos ajudam você a esquecer um amor

Publicado no UOL em 17/07/2012

Não obrigue-se a ocupar a cabeça logo após o fim de um relacionamento; o luto precisa ser vivido. Foto: Thinkstock

Superar o fim de um romance, principalmente se a decisão pelo término não foi sua, não é tarefa das mais fáceis. E em muitos casos, quanto mais você quer apagar alguém da cabeça, mais a lembrança dos momentos vividos insiste em perturbar. Isso acontece, em parte, porque a pessoa toma atitudes equivocadas.

UOL Comportamento conversou com especialistas e selecionou sete dicas que ajudam a esquecer um amor. De acordo com a psicóloga Regiane Machado, vale a pena aproveitar esse processo para olhar para si. É hora de se conhecer melhor, reconhecer defeitos e qualidades, buscar melhoras, descobrir ou redescobrir do que gosta ou não gosta e valorizar-se. “E, quando for pertinente, reflita sobre o término e, quem sabe, aprenda com tudo o que aconteceu”.

1. Não tente curar a falta de alguém com uma nova paixão
A velha máxima “um coração partido só se cura com outro amor” nem sempre funciona. Para a psicóloga Regiane Machado, o ideal é superar o término de um relacionamento sozinho, buscando refletir sobre o fim. “Ao desejar começar um novo relacionamento, é importante que o término tenha sido superado, para se entregar por inteiro”. Para Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar e de casal, investir tempo em atividades variadas, com amigos e em cuidar de si é que contribui para a superação. “Se nesse processo de cura aparecer um outro amor, tudo acontece mais rápido, sem dúvida. Mas essa não é a condição para esquecer alguém”. A psicóloga Angélica Amigo conta que pessoas que não sabem ficar sozinhas dificilmente preenchem o coração com outras coisas. “A única maneira que conhecem para ser felizes é se apoiar em alguém. E isso não é positivo, porque não se pode jogar nas costas do outro as responsabilidades que ser feliz implica. A relação fica pesada demais”.

2. Não se transforme em “stalker”
Na opinião da psicóloga e terapeuta de casal Marina Vasconcellos, procurar notícias do “ex” através de amigos em comum ou ficar controlando seus passos nas redes sociais são formas de paralisar a própria vida. “Se acabou a relação, olhe para frente e invista no novo”, diz.  É um padrão de comportamento muito comum romper um relacionamento e continuar a se sentir no controle dele. Se transformar em “stalker” seria uma maneira destrutiva de dar continuidade à relação. Ao bisbilhotar a rotina alheia, deixamos a própria vida em suspenso, de escanteio. “Aí nunca esquece mesmo, porque a pessoa age como se ainda tivesse algo com o outro”, diz Angélica Amigo.

3. Pare de alimentar a culpa pelo fim
A raiva e a frustração de ver os planos amorosos ruírem podem levar a uma visão distorcida dos acontecimentos. Não é raro assumir o papel de vítima –para chamar a atenção, para transformar o outro em vilão ou por puro comodismo. De acordo com a psicóloga Regiane Machado, é bom ter cuidado para não se culpar excessivamente nem assumir a responsabilidade plena pelo fim da relação, afinal, um relacionamento é construído por duas pessoas que têm defeitos e qualidades. O comportamento contrário também é prejudicial. Jogar a culpa no outro piora a situação. “Se a pessoa não toma ciência dos próprios problemas e da sua parcela de culpa e responsabilidade no término, não consegue se desvencilhar do passado”, diz Angélica Amigo

4. Não se obrigue a ter novos interesses imediatos
“Você precisa se distrair”, dizem mãe, pai, irmã, amigos e até o chefe. Porém, nem sempre procurar alternativas de lazer ou fazer uma transformação radical –mudar o guarda-roupa ou o corte de cabelo, por exemplo– são boas soluções, justamente porque têm caráter impulsivo. “Novos interesses são sempre bem-vindos, mas apenas se a pessoa estiver realmente a fim de investir sua energia em coisas novas. Todo final de relação amorosa inclui um pequeno período de luto, e isso tem de ser elaborado devagar”, afirma a psicóloga Angélica Amigo. “Acredito que tudo o que acontece impulsivamente não dura. É preciso pensar sobre o assunto e avaliar o que realmente gosta, para depois ir beber de outras fontes”, diz. Segundo Marina Vasconcellos, isso não significa, porém, se isolar. “É preciso sair, sim, relacionar-se com outras pessoas e, principalmente, não deixar de se cuidar”, afirma.

5. Passe um tempo sem rever a pessoa
Se não houver filhos, é bom cortar o contato com a pessoa, para que ela vá se tornando menos presente em sua vida. “Certamente, quanto maior for o afastamento, maiores as chances de se superar a perda. Deixar de ouvir a voz ou ver o ‘ex’ ou a ‘ex’ vai fazendo com que a presença ‘mental’ da pessoa também perca a intensidade”, diz a Marina Vasconcellos. Angélica Amigo afirma que muita gente coloca o controle no lugar do afeto. A pessoa nem está mais tão apaixonada, mas provoca encontros aparentemente casuais, busca notícias, julga novos companheiros. Ao fazer isso, a vida não evolui, e o relacionamento que não existe mais permanece pairando nos pensamentos.

6. Não alimente as lembranças
Pare de alimentar lembranças –em especial, as felizes. “Para superar uma perda, é fundamental não ficar curtindo a tristeza isolado, fechado em seu próprio mundo, lamentando-se ou lembrando das coisas que eram boas e foram perdidas”, conta Marina Vasconcellos. “Isso tudo, é claro, sem deixar de lado a necessidade de se rever, de ficar só por um tempo para entrar em contato consigo e com seus desejos mais profundos”. É importante refletir sobre o que não era bom na relação e pensar friamente sobre os motivos que conduziram o casal ao rompimento. O que verdadeiramente provocou a separação deve ser olhado e entendido –e servir de lição para relacionamentos futuros ou para ajudar a aceitar que o fim era mesmo a melhor alternativa.

7. Não finja sentir aquilo que não sente
Fazer de conta que não está se importando com o rumo que os acontecimentos tomaram, quando internamente se sente em pedaços, é uma atitude que não contribui em nada. Mesmo que as pessoas acreditem em você, na sua firmeza, por dentro, o sofrimento só aumenta. Colocá-lo para fora ajuda a esquecer, assim como desabafar com os mais próximos. “Isso tudo faz parte do processo do luto”, diz a psicóloga Angélica Amigo. “Elabore primeiro a perda, reveja alguns conceitos sobre o que é estar com alguém e, a partir daí, você conseguirá se reinventar”, declara.