Operação pais, ativar!

Publicado na Revista Atrevida em abril de 2013

Ficar batendo de frente com os seus pais para fazer valer a sua vontade é cansativo, desgastante e, na maioria das vezes, não dá resultado algum. melhor que isso é tentar entender os comportamentos que você mais detesta neles e aprender a resolver tudo na conversa. Tem jeito. E Atrê (Revista Atrevida) garante!

Sabe aquela hora em que a galera da escola arma “a” balada e seus pais a proíbem de ir, sem querer nem conversar? Ou então quando a sua mãe, pra lá de empolgada, resolve só não deixá-la sair com a turma como se convida para ir junto? Se você já foi personagem de uma dessas historinhas sabe que, no momento exato em que seus pais perdem a noção, dá uma vontade louca de surtar. Mas quer saber? Essa não é a coisa mais inteligente a fazer. Tentar entender os motivos que levam seus pais a agirem desse jeito, por outro lado, é um bom começo. Depois, é preciso tentar construir uma parceria com eles, algo que só se consegue com muita vontade e paciência e que (ai!) leva tempo. Mas a gente garante que, no final, vale a pena. Listamos estratégias que não só funcionam como resolvem de forma definitiva as encrencas de casa. E aí, bora tentar?

Quem deu as dicas: os psicólogos Alexandre Bez, Ana Cristina Nassif, Anne Lise Sappaticci, Elizabeth Monteiro, Marina Vasconcellos e Miguel Perosa; a psiquiatra Ivete Gattás e a psicopedagoga e orientadora familiar Georgia Vassimon.

SE ELES QUEREM QUE VOCÊ SEJA FREIRA

Não porque eles são religiosos demais, mas porque detestam a ideia de ver você beijando alguém!

Tente entender: na cabeça deles, você provavelmente é nova demais para levar uma relação adiante e seus pais querem evitar que você sofra. Outro motivo que os leva a proibir terminantemente os seus namoricos é o medo de que eles atrapalhem seus estudos e todos os outros planos que eles traçaram para a sua vida.

E mude você: faça todo o possível para mostrar que é digna da confiança deles, que aprendeu o que eles ensinaram e (importante!) cumpra com seus deveres. Além disso, deixe claro que faz questão da aprovação deles, que se importa com o que pensam e que está disposta a namorar sério e a levar o namorado em casa, para eles conhecerem. Aborde o assunto com jeitinho para não assustá-los. Fale primeiro com quem está mais calmo e companheiro e, depois, peça ajuda para uma conversa em família. No fundo, é tudo uma questão de preparar bem o terreno. Vai na fé!

SE OS SEUS PAIS DÃO MEDO

Eles são tão, tão críticos que você treme da cabeça aos pés quando precisa levar um papo, mesmo que seja sobre uma coisa besta.

Tente entender: provavelmente eles foram criados de forma rígida pelos seus avós e acabaram seguindo o mesmo modelo. O medo de que você se envolva com drogas, bebidas ou outras coisas que não são nada legais também pode justificar o modo como eles agem.

E mude você: em vez de procurar seus pais só quando precisa de alguma coisa, tente puxar assuntos do dia a dia com eles. Pode acreditar:  quanto mais vocês papearem, menor vai ser a distância entre vocês. Daí, no meio dessas conversas à toa, você pode até comentar que gostaria de se abrir mais com eles, mas que se sente insegura. Só cuidado: fale isso num momento em que estiverem bem tranquilos, escolha as palavras e não faça parecer que a culpa é toda deles. Ao contrário, fale em primeira pessoa, tipo: “eu nunca sei como começar uma conversa” ou “eu tenho medo da reação de vocês”. Mesmo que eles façam cara de quem não está dando a mínima na hora, pode ter certeza de que, depois, no travesseiro, eles vão pensar sobre isso. Outra coisa que ajuda é se interessar de verdade pelo que eles estão sentindo ou passando (em vez de ficar imaginando que só você tem problemas no mundo) e até se oferecer para ajudar, sem esperar alguém pedir. Isso vai mostrar a eles que você está madura e merece um voto de confiança. Por fim, se nada disso adiantar, peça ajuda a alguém próximo  em quem eles confiam muito para intermediar essa conversa. Pode ser um tio, um vizinho ou até a professora da escola.

SE ELES VIVEM FAZENDO VOCÊ PASSAR VERGONHA

Ter um tiquinho de vergonha dos pais, na adolescência, é comum. Portanto, você não precisa ficar se achando uma monstra só porque já quis desaparecer  quando eles quiseram dar o ar da graça no meio da galera. Isso é aceitável, principalmente se os seus pais querem ser descolados, não perdem a oportunidade de entrosar com a turma, fazem piada até com sombra e se esforçam pra usar gírias (, na maioria das vezes, usam errado!).

Tente entender: você talvez nem se preocupasse com esse jeito de ser dos seus pais. Até acharia graça. Porque no fundo você sabe o quanto eles são legais, participativos e preocupados com a sua felicidade. Tudo o que eles fazem é pra tentar diminuir a distância que existe entre vocês, simplesmente porque vocês fazem parte de gerações completamente diferentes. Então, antes de chiar, aceite que as atitudes deles são só mais uma forma de amor.

E mude você:  se chegou a ficar vermelha que nem pimenta só umas duas ou três vezes na vida pelo comportamento deles, melhor fingir que nada aconteceu e simplesmente relevar. Agora, se isso acontece toda hora e já está fazendo você ganhar apelidinhos chatos na turma, abra o jogo e fale como se sente. Seja direta e diga o que gostaria que eles não fizessem na frente da turma. Mas seja doce e gentil nesse papo, para não magoá-los. Por outro lado, nada de ficar criticando a galera de casa o tempo todo, querendo mudar o jeito deles. Pensa: você também não detesta quando fazem isso com você? Então… Tente olhar as mil qualidades que eles certamente têm e valorize o esforço que fazem por você. Na dúvida, se sua turma encher você por causa disso, delete os amigos. Os pais valem mais!

SE ELES DETESTAM SEUS AMIGOS

Eles nem conhecem sua galera, mas adoram dizer que são péssima companhia? Pior: não querem mais nem que você saia com eles!

Tente entender: por algum motivo, seus pais têm medo de que os amigos influenciem você a tomar atitudes erradas ou simplesmente temem que a turma a faça sofrer. Tudo não passa de uma preocupação (que muitas vezes até faz algum sentido) com a sua saúde, seu bem-estar e a sua felicidade.

E mude você: para acabar de vez com o problema, ou você mostra para eles que seus amigos são cabeça-feita ou mostra que, independentemente das amizades, você já sabe o que é melhor pra você. As duas coisas dão trabalho. No primeiro caso, você vai ter que pedir autorização para para levar a galera para casa, para permitir que seus pais conheçam, de verdade, esses amigos. Se os garotos e garotas forem realmente do bem, seus pais vão sacar na hora. Uma alternativa é demonstrar, nas pequenas atitudes do dia a dia, o quanto você é madura e responsável com você mesma, com as suas coisas e com a escola. Por fim, se mesmo assim seus pais continuarem implicando, vale colocar a cabeça no travesseiro e analisar se, de fato, eles não estão com razão. Se chegar a conclusão de que a sua turma não tem mesmo muito a ver com você ou que ela não respeita tanto o seu jeito de ser, os seus valores e a sua vontade, é sinal de que o melhor a fazer mesmo é pular fora.

SE OS SEUS PAIS TE CONSIDERAM UMA CRIANÇA

Eles são suuupercarinhosos e paparicam você demais. Por outro lado, querem controlar to-dos os seus passos, usam apelidinhos bregas para chamar sua atenção no meio de toda a turma e, se bobear, não deixam nem você ir até a esquina se não estiver escoltada por um adulto.

Tente entender: seus pais simplesmente não suportam a ideia de ver você sofrendo. Por isso, eles querem, de todo jeito, protegê-la e facilitar a sua vida. Amam você mais que tudo e, mesmo com o seu crescimento, ainda não perceberam que você sabe se cuidar.

E mude você: para ser vista como uma menina mais madura, você terá de assumir mais responsabilidades e, claro, provar que dá conta delas. Cumprir com os seus deveres e levar a sério os estudos, manter as suas coisas organizadas, ajudar em casa e tratar bem os seus irmãos são atitudes que vão passar aos seus pais o recadinho de que você cresceu. Se mesmo assim eles continuarem o velho discurso, explique a eles o quanto isso a incomoda e lembre-os de que, infelizmente, você não poderá contar com eles em todos os momentos da sua vida e que, por isso mesmo, precisa aprender a se virar sozinha. É certeza que eles vão considerar seus argumentos.

 

Supere os 9 maiores desafios de morar junto

Dividir despesas e lidar com as cobranças são fontes de discussões

Publicado no Portal Minha Vida em 17/10/2012

Em alguns relacionamentos, morar junto não passa de uma decisão mais cômoda para continuar o namoro ou ganhar momentos de intimidade. Um teste para o casamento propriamente dito é outra situação cada vez mais comum, principalmente entre os casais de jovens que ainda não saíram da casa dos pais. Nos dois casos, entretanto, um benefício é certo: a vida a dois aumenta a longevidade e melhora a qualidade de vida dos cônjuges. Uma pesquisa recente da Universidade da Califórnia, em São Francisco, comparou o estado de saúde de homens e mulheres com mais de 60 anos e descobriu que o grupo de solitários tem o coração mais frágil e estado de espírito mais depressivo – a partir de uma série de cálculos, os especialistas concluíram que os sozinhos apresentam chances 45% superiores de morrer mais cedo em comparação àqueles que dividem a rotina com alguém.

Só não vale esquecer que, para o arranjo dar certo, é preciso haver disposição em ceder e uma capacidade de tolerância acima da média para aceitar ritmo, comportamento e costumes diferentes. São desafios novos a cada dia, não importa a o grau de cumplicidade do casal. “Pensar sobre isso traz a dúvida, mas esse sentimento faz parte das grandes decisões e é importante para evitar atitudes impulsivas e diminuir as frustrações”, afirma a psicóloga clínica Raquel Baldo Vidigal.

Para ajudar você na reflexão sobre essa mudança e antecipar respostas para conflitos que, mais cedo ou mais tarde, tendem a aparecer, fomos atrás de especialistas no assunto. Eles reúnem dicas e alertas que mostram se este é, realmente, o melhor passo para o seu relacionamento.

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Desafio 1: respeitar os costumes diferentes

A sua educação e as suas prioridades deram origem a costumes que são privilégio seu. As discussões sobre a forma de apertar a pasta de dentes (no meio ou no pé da bisnaga) rende uma piada clássica. Mas a brincadeira é só um exemplo simples de discussões que podem se encaminhar para brigas sérias. Para evitar desentendimentos, você precisa ver se está preparado para dar espaço ao outro, absorvendo novos costumes ou respeitando, pelo menos. “Os dois lados precisam ceder para a relação prosperar, em vez de opiniões isoladas, vocês vão experimentar o que é melhor para o casal”, afirma a terapeuta Familiar e de Casal Marina Vasconcellos, da Unifesp.

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Desafio 2: afastar o tédio da rotina

Criar uma rotina é parte da relação e ajuda a evitar discussões – se quarta é o dia do futebol dele, por exemplo, a mulher sabe que pode sair com as amigas e ficar com elas até mais tarde. Os hábitos de sempre viram um problema quando eles se tornam um obstáculo para a intimidade em vez de aproximar o casal. A melhor maneira de evitar isso é cultivar amizades e preservar a vida social, além de expor seus sentimentos em vez de deixar que eles se acumulem em forma de mágoa. “Se receber uma crítica, avalie e veja como ela pode melhorar relação de vocês, essa é a melhor maneira de amadurecer a relação sem cair na rotina”, afirma a psicóloga Raquel Baldo Vidigal.

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Desafio 3: preservar a vida sexual

Quando você decide morar junto com alguém, é natural notar mudanças na vida sexual – a frequência com que vocês ficam juntos e a disposição para ousar podem diminuir. “O sexo é importante e muito saudável para o casal, ele melhora a relação de intimidade e de segurança”, diz a terapeuta Familiar e de Casal Marina Vasconcellos, da Unifesp. Para evitar um cenário que prejudique a autoestima dos dois lados, propor surpresas é uma boa tática – vale desde uma viagem rápida no final de semana até uma noite no motel como nos tempos de solteiro.

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Desafio 4: respeitar a individualidade do outro

Um casal que acabou de se unir tem mania de fazer tudo junto, da balada no final de semana às compras no supermercado. O hábito é saudável enquanto não prejudica a convivência, mas deve ser repensado quando um dos dois lados sentir que está sendo sufocado pela relação. “Seus hábitos, seus sonhos e mesmo o seu espaço em casa precisa ser preservado, graças a ele você tem condições de se equilibrar e oferecer uma companhia agradável”, afirma a terapeuta Marina Vasconcellos. Quando sentir que houve qualquer tipo de invasão, física ou simbólica, fale sobre isso imediatamente em vez de esperar que o problema e se torne mais difícil de resolver.

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Desafio 5: dividir as tarefas domésticas sem brigas

Para evitar que as tarefas domésticas passem a ser motivo de brigas do casal, o melhor é criar uma divisão clara das funções. Isso inclui não somente o que fazer, mas como fazer – por exemplo: quem for lavar a louça deve fazer isso logo após a refeição ou existe alguma tolerância? Se a decisão for contratar uma empregada doméstica, discutam o pagamento antes de fechar o valor para que as brigas não acabem tirando o sossego de vocês.

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Desafio 6: ele(a) tem um vício que me incomoda

O ciúme exagerado ou o cigarro, por exemplo, não são surpresas para quem decide morar junto. Claro que isso não tira o seu direito de reclamar e propor uma solução para melhorar a vida conjugal, mas o melhor mesmo é refletir sobre isso antes de assumir o compromisso. “A chantagem da separação não funciona, porque mostra que você não está preocupado com a qualidade da vida a dois, mas consigo mesmo”, afirma a psicóloga Raquel Baldo. Propor um tratamento e até fazer companhia nas sessões serve como incentivo, informe-se sobre o problema, tente entender as origens dele e superem a situação como um casal.

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Desafio 7: dividir as despesas

A divisão de despesas está por trás da maioria das brigas conjugais. Antes de morar junto, vale discutir se vocês vão fazer a divisão por igual ou se quem ganha mais fica responsável por uma fatia maior nos débitos. A conta bancária conjunta também precisa ser avaliada com cuidado. “Quem aceita isso precisa estar preparado para questionamentos em relação às compras realizadas, o que pode causar um desgaste frequente”, afirma a psicóloga Raquel Vidigal. A melhor opção é cada um ter responsabilidades específicas e ficar a cargo delas. Havendo necessidade de economizar, no entanto, a decisão do que deve ser cortado precisa acontecer em conjunto.

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Desafio 8: ele (a) não gosta da minha família

A convivência familiar pode ser evitada, mas dificilmente será banida na rotina do casal. Nem que seja em ocasiões festivas, os grupos acabam se encontrando e é preciso respirar fundo para se sair de perguntas e situações inconvenientes. Fazer visitas breves, receber pequenos grupos em casa e convidar amigos íntimos ou parentes mais sociáveis são algumas alternativas para diminuir a tensão dos encontros familiares e deixar o ambiente mais leve. Após o encontro, tente conversar sobre os momentos mais divertidos e, aos poucos, estimule a conciliação. Também vale controlar bem o álcool servido nessas ocasiões, o excesso de bebida normalmente está relacionado a discussões.

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Desafio 9: evitar o excesso de cobranças

Qualquer mudança vem rodeada de expectativas e, quando decide morar junto com alguém, a situação ganha peso ainda mais forte. Isso porque existem as cobranças relativas à vida conjugal, que passa a ser uma novidade divida com todo mundo, e as cobranças pessoais quanto ao seu comportamento nessa nova situação. “Falar sobre essas expectativas abertamente é a melhor maneira de entender o quanto elas fazem sentido e podem ser atendidas”, afirma a terapeuta Marina Vasconcellos. Ficar sonhando com um ambiente ou com uma pessoa diferente daquilo que você tem, sem agir para que a realidade se transforme, só vai criar terreno para decepções e aumentar o risco de um desapontamento. Reclame se houver alguma cobrança que parece exagerada sob o seu ponto de vista e não deixe de mostrar o que você espera desta relação, a transparência diminui o estresse no relacionamento e permite que vocês construam juntos as expectativas dessa nova fase.

 

Pais devem permitir que os filhos adolescentes transem em casa?

Publicado no BOL em o6/04/2012

Quais regras e limites devem ser impostos para que eles não percam o respeito pelos pais?

Há quem acredite que a filha vai se casar virgem. Outros são da teoria de que “o que os olhos não veem, o coração não sente”.  Alguns, mais corajosos, defendem que os filhos(as) levem os namoradas(os) para dormir em casa, assim estarão mais seguros. Mas até o pai mais moderno costuma sentir um aperto no peito quando a filha vira para ele e diz: “já está tarde para meu namorado ir embora. Ele pode ficar em casa?”. Qual resposta deve ser dada em uma hora dessas? Quais os limites devem ser impostos? O UOL Comportamento conversou com especialistas para ajudar a resolver o dilema familiar da melhor forma possível.

Deixar ou não deixar? Eis a questão
“É importante se questionar para perceber se há espaço para que isso aconteça”, diz a psicóloga Lélia Reis, pesquisadora do grupo Sexualidade Vida (CNPq/USP). “Você pode ouvir barulhos no meio da noite e, se os relacionamentos não durarem muito tempo, terá que se acostumar com a rotatividade”. Se a resposta não estiver na ponta da língua quando o adolescente o questionar, não dê desculpas nem mude de assunto. “Se não dá conta, seja honesto”, diz Lélia. “Diga que irá pensar numa saída, mas que não se sente à vontade ainda”.

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em psicodrama, é melhor só permitir que namorados durmam em casa quando os filhos estiverem mais perto da maioridade. “Muitos jovens estão aquém da maturidade emocional exigida para o sexo e seguem os instintos sem saber as consequências do que estão fazendo”, diz ela. “Estimular a vida sexual tão cedo não é bom”.

Se eu permitir, eles perderão o respeito por mim?
“Dificilmente. A menos que os pais sejam totalmente liberais ou não tenham educado seus filhos para os respeitarem”, diz Marina. É importante que os pais do jovem, independentemente de continuarem casados ou não, cheguem a um consenso sobre como vão lidar com a situação e passem as mesmas normas para os filhos. Se as regras forem estabelecidas com clareza, não há com o que se preocupar. “Eles só perdem o respeito se não houver limites”, diz a psicanalista e sexóloga Maria Alves de Toledo Bruns, líder do grupo de pesquisa Sexualidade e Vida. “Não dá para ter uma pessoa diferente por dia saindo do quarto do seu filho ou pegá-lo no sofá da sala com alguém”.

Devo impor regras?
Sim, sempre. “Os filhos até esperam por isso, pois sentem que estão sendo cuidados”, diz Marina Vasconcellos. “Eles encaram como uma falta de atenção quando os pais são muito permissivos”. Depois de chegar a uma conclusão com seu parceiro e estabelecer quais são os limites, dias e horários permitidos, é bom deixar claro para os filhos o que pode ou não ser feito. “É importante que os pais tenham informações sobre quem é o namorado ou a namorada, ter contato com a família e até ligar para avisar quando a pessoa for dormir em casa”, diz a psicanalista e sexóloga Maria Bruns. Para ela, a maior preocupação deve ser ao decidir até que ponto a intimidade da família deve ser compartilhada com uma pessoa de fora. “Levar alguém que encontrou na festinha ou no barzinho é muito precipitado”.

Que conversas ter?
““Você percebe a maturidade dos filhos pelas conversas”, diz Marina. “Se eles já têm idade para fazer sexo, têm idade para dialogar”. Além do papo sobre doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, prevenção e métodos contraceptivos, outros assuntos devem ser abordados. Para Lélia Reis, é essencial também falar sobre relacionamentos e sentimentos. “Diga como lidar quando a pessoa não liga no outro dia, fale sobre inseguranças com o corpo e explique para a menina que o homem não vai achá-la fácil se ela tiver camisinha na bolsa”, diz. Os pais também devem levar o filho ao urologista e a filha ao ginecologista para acompanhar o desenvolvimento e ajudar a esclarecer questões.

Como não deixá-los constrangidos com o papo?
“Converse da maneira mais natural possível, assim eles encararão de uma maneira tranquila”, diz Marina Vasconcellos. O problema é que essa naturalidade não surge da noite para o dia. Não adianta mudar de canal cada vez que vê uma cena picante na novela ao lado do filho e, uma semana depois, vir com papo sobre camisinha. “A família cria seus próprios tabus ao longo do processo educacional”, diz a sexóloga Maria Bruns. “E o diálogo deve ocorrer antes da adolescência”. Para ela, o ideal é aproveitar oportunidades ao ver filmes, novelas ou noticiários ao lado dos filhos. Até mesmo histórias de pessoas próximas podem servir como um pretexto para comentar sobre sexo -sempre aos poucos e no tom de conversa, não de lição. “Deixe claro que o filho tem a liberdade para falar sobre isso ou não. A confiança é conquistada desde a infância, aos poucos”, conclui Lélia.

Jovens se arriscam em redes sociais

Pesquisa revela que 31% deles conversam com desconhecidos pela web

Publicado no Arca Universal em 26/11/2010

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É cada vez maior o número de jovens que utilizam as redes sociais. E apesar de todo o apelo da mídia em mostrar os perigos que a exposição excessiva acarreta na vida das pessoas, muitos adolescentes insistem em divulgar na internet fotos, nome, endereço e outros tipos de informações pessoais, que ficam totalmente à vista de todos.

Isso é comprovado por uma pesquisa realizada pela fabricante de antivírus McAfee, em conjunto com o Instituto TNS. Segundo os números, em cada dez jovens de 13 a 17 anos de idade, oito utilizam as redes sociais. Dos entrevistados, 63% compartilham fotos; 31% conversam com desconhecidos – através de chat; e cerca de 5% informam a localização de onde vivem e dos locais que frequentam.

O perigo da divulgação de dados pessoais é muito grande, já que a rede é compartilhada por milhares de pessoas no mundo inteiro. Além disso, há o risco de o adolescente se relacionar, mesmo que virtualmente, com pessoas estranhas, que podem aliciar, seduzir, roubar, raptar, violentar e até mesmo matar.

As redes sociais como Hi5, Facebook, Orkut, Sonico, entre outras, além dos chats, expõem principalmente crianças e adolescentes a riscos desta natureza. Um exemplo disso foi o caso de Ashleigh Hall, uma garota de 17 anos encontrada morta em uma estrada de Darlington, na Inglaterra, em 2009. Na noite que antecedeu o crime, ela disse aos pais que dormiria na casa de uma amiga e voltaria antes do almoço, o que não aconteceu. As amigas da jovem disseram ao jornal britânico “Daily Mail” que Ashleigh vinha conversando com um garoto de 16 anos pela web.

Outro caso mais recente aconteceu em Pinhais, no Paraná, onde uma adolescente esteve desaparecida. Apesar do susto, a menina, de 13 anos, que conheceu um rapaz pela internet e fugiu com ele, foi encontrada 10 dias depois em outro município, aparentemente bem.

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Possível solução

Para a psicóloga Marina Vasconcelos, especialista em psicodrama terapêutico, uma possível solução seria a família “estipular horários para o uso do computador, tanto para fins escolares quanto para jogos e diversões em geral”.

“Os pais devem conversar com seus filhos sobre isso, explicando claramente os riscos envolvidos na exposição indevida de dados pessoais na internet. Nada como a conversa, a explicação, a orientação. O adolescente precisa disso”, destaca Marina.

“Marmanjos” que ainda vivem com os pais

Publicado no Terra em 14/04/2010

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Alguns anos atrás, os adolescentes não viam a hora de completar a maioridade e de ter independência, inclusive para adquirir sua própria casa. Agora, pelo contrário, os filhos estão ficando cada vez mais tempo na barra da saia dos pais.

Por que será?

“As pessoas casam cada vez mais tarde, diferente de antigamente. Antes, perto dos 20 anos, as mulheres já estavam casadas, e os homens um pouco além disso. Consequentemente, ficam em casa para estudar, e investem mais em sua carreira com o dinheiro que gastariam para se bancar numa casa sozinhos”,responde a psicóloga e terapeuta familiar Marina Vasconcellos.

A compra de um imóvel hoje é muito valorizada. E não gastando com aluguéis e condomínio, assim como todo o resto que morar sozinho demanda, facilita guardar dinheiro para adquirir o primeiro apartamento. Além do que há vantagens em ter casa, comida e roupa lavada sem se preocupar com isso após um dia inteiro de trabalho.

Márcio Pires, 26 anos, mora com os pais e tem namorada. Ele é um bom exemplo de “marmanjo” que não pensa em sair de casa tão cedo. “É cômodo, não pago aluguel e posso guardar esse dinheiro. Tenho a vantagem dos meus pais me darem total liberdade, por isso não tenho vontade de ter meu canto. Tenho meu espaço em casa. Só saio de casa para casar mesmo”, afirma.

Já Renato Soares, 29 anos, deseja sair de casa, mas ainda não tem condições financeiras para isso. “Meus pais não me sustentam, mas me dão teto, é fato. Eu ajudo nas despesas da casa e também nas tarefas. Minha mãe não trabalha, mas também não abuso. Gostaria de ter meu canto sim. Mas hoje não tenho como bancar um apartamento sozinho”, lamenta.

Embora alguns pais orientem seus filhos a serem independentes, outros os enxergam como bebês que não devem sair de casa. “Muitas vezes os pais passam a proteger tanto seus pequenos, dando tantas coisas, que não colaboram para que esses cresçam e/ou sintam que podem se sustentar sozinhos e que possuem recursos internos para viverem e se desenvolverem sozinhos”, observa a terapeuta comportamental Denise Pará Diniz.

Alexandre Cunha, 25 anos, aproveita essa proteção para continuar vivendo com o pai e a mãe. “Meus pais são aposentados. Estão em casa o dia todo. Fico com eles também como companhia, nem me imagino deixando os dois sozinhos. E claro que aproveito o comodismo. Minha mãe cobra um pouco que saia de casa, mas eu nem penso. Dá muito trabalho”, brinca.

Mas morar com os familiares também tem suas desvantagens, como cita Marina: “Ter que seguir as regras da casa dos pais, que muitas vezes não são do agrado dos filhos, os quais gostariam de ter mais liberdade de horário assim como mais privacidade para receber amigos e namorado (a) em casa; quando os gênios não batem, os conflitos são constantes e desgastantes para a relação pais-filhos, e nesse sentido a distância aproxima as pessoas, pois não há o peso da convivência diária. Em muitos casos, a falta de espaço ideal para acomodar as coisas pessoais, já que existem irmãos dividindo o quarto; impossibilidade de arrumar as coisas ou decorar o quarto de acordo com o gosto pessoal, pois há outros na casa e é necessário respeitar o gosto da maioria, ou, dos donos da casa”.

Mas será que existe uma idade certa para que um adulto tenha seu próprio lar? “Somente os próprios filhos podem saber o momento de sair de casa. Devem contar com diálogos com os pais, aonde esses podem transmitir suas trajetórias e experiências de vida ao irem morar sozinhos, bem como em quanto fica terem que assumir a própria casa, carro, MBA, lazer e criar filhos”, ensina Denise.

Silvio Pires, 48 anos, lamenta ter saído de casa cedo demais e não quer que seu filho repita a experiência. “Saí de casa com 18 anos e aos 20 já era pai de dois filhos. Foi muito complicado, corrido. Tive que crescer na marra. Hoje, se meu filho não quiser, digo que não precisa mesmo sair de casa. Pelo menos pode aproveitar mais, não se preocupar com coisas que eu tive que me preocupar desde muito cedo. Não acho que ele será um adulto pior por causa disso”, afirma.

Anamaria Shimitz, 28 anos, pensa diferente. “Eu saí de casa aos 23, para morar fora do Brasil. Quando voltei, não aguentei ficar na barra da saia da minha mãe. Parece que quando a gente conhece o mundo, não quer mais voltar pra casa, fica tudo pequeno. Não me arrependo de morar sozinha. Mas acho que seria bem mais tranquilo – principalmente financeiramente – ficar na casa dos meus pais. Hoje, trabalho para pagar minhas contas. Não sobra nada. Apenas minha liberdade. Essa, não tem preço. Digo para as minhas amigas que ter um canto custa mesmo. Mas vale, muito”, comemora.

Ter filhos “marmanjos” em casa pode irritar alguns homens e mulheres, por isso é importante estabelecer normas básicas para evitar conflitos. “É preciso deixar as regras de convivência muito claras, para se evitar atritos desnecessários. Uma certa dose de flexibilidade é necessária para que a harmonia possa prevalecer. Os pais não podem olhar os filhos como eternas ‘crianças’, impondo-lhes tantas regras e exigindo certas atitudes que não condizem mais com a idade deles. O respeito deve existir sempre, assim como a cumplicidade e a disponibilidade para o diálogo”, sugere Marina.

E os filhos devem, desde cedo, planejar seu futuro, ter perspectivas, como aconselha Denise. “Se quiserem ficar na casa dos pais perguntem a si mesmos se estão ali porque são adultos com projetos de futuro e necessitam ficar por ali mais tempo para atingir suas metas. Ou, tentem perceber se estão ali porque entendem que não podem andar por suas próprias pernas”, diz.

“Se chegarem à conclusão que não sabem o que querem e que vão ficando por estarem acomodados, necessitando de proteção, se encontrarem, lembrem-se que todos nós, por mais que estejamos inseguros, temos muitos recursos próprios internos e externos que podemos acionar para cada vez mais nos sentirmos independentes e realizados! Encontrem-se, corram atrás de seus sonhos por conta própria, mesmo que fiquem morando com seus pais”, completa a especialista.

Como se comportar ao conhecer a família do namorado

Publicado em Gloss

Conhecer os pais do namorado e/ou apresentar os seus a ele pode virar uma roubada. Veja dicas que podem salvar aquele almoço envergonhado de domingo. 

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O psicólogo, psicoterapeuta e professor da PUC-SP Antonio Amador recomenda deixar todo mundo agir livremente. “Não faça exigências de que as pessoas se comportem de uma maneira ou de outra”, diz. “A espontaneidade é sempre a melhor saída. Movimentos falsos são sempre percebidos, ainda que intuitivamente.”

Se você namorou por muito tempo com um cara que “era como um filho” para os seus pais, nem tente empurrar um novo namorado porta adentro sem preparar muito bem o terreno. “Se a família se apegou ao ex, é preciso respeitar o tempo do luto dela. Seus pais e irmãos perderam a convivência com uma pessoa querida. Pode ficar parecendo que o novo namorado vai ocupar o lugar do anterior… O que de fato vai!”, explica Amador. Ir devagar, nesse caso, é bom para preservar seu novo amor de constrangimentos. 

A terapeuta familiar e de casais Marina Vasconcellos avalia que promover o conhecimento entre os pais e o namorado em um ambiente com outras pessoas pode ser uma boa estratégia para o encontro não se tornar um interrogatório. “Em um almoço com mais gente, é mais fácil fugir de conversas muito forçadas ou daquele climão de ‘Cuidado, você está sendo vigiado’”. 

Agora, o que fazer quando você já sabe que a família sofrerá um choque por existir preconceito relacionado a alguma característica do novo namorado, como diferenças étnicas, religiosas, sociais? O melhor, segundo Marina, é evitar o susto. Ela recomenda discutir a relação com os pais antes de partir para as apresentações. Antonio Amador ressalta ainda que, se nessa conversa a família se mostrar resistente, é melhor nem levar o namorado para ser destratado.

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Regras de etiqueta para o encontro com os sogrões 

>> Planeje o look da ocasião, que deve ser básico e discreto. A menos que a reunião aconteça numa praia, não mostre demais o corpo. 
>> Início de namoro é um fogo só; portanto, contenha o impulso de se entregar aos beijinhos no sofá. Todo mundo, disfarçadamente ou não, estará reparando nas suas atitudes. 
>> “Sexy no último” é a derradeira coisa que uma mulher deve estar ao ser apresentada à família do namorado. É melhor vestir-se discretamente de forma a não aparecer nem de mais nem de menos.
>> Seja você mesma com uma dose extra de bom senso. Certos traços de personalidade, como mau humor e pavio curto, só devem ser mostrados a alguém com quem tenha intimidade. O que não é o caso aqui. 
>> Evite se envolver em polêmicas. Discutir nesse primeiro momento passa a impressão de que você é agressiva. Também não banque a superboazinha nem fique calada demais para que não a chamem (pelas costas, lógico!) de mosca-morta. 
>> Coma, menina! Esse não é um bom dia para dieta. E elogie a comida! Claro, se for alérgica ou tiver pavor do prato oferecido, recuse com educação.

 
 

Cinco fatos sobre irmãos

Entenda como o relacionamento entre irmãos, seja ele bom ou ruim, influencia na formação da personalidade das crianças

Publicado no iG Delas em 05/11/2011

 

Pesquisas realizadas nos últimos anos evidenciaram o que caracteriza e revela a dinâmica entre aqueles que são e têm irmãos, além dos genes em comum. Se os seus filhos vivem se atormentando, saiba que até as briguinhas entre eles têm efeitos positivos: o conflito entre irmãos amplia as habilidades sociais e ajuda no desenvolvimento emocional.

 

Jeffrey Kluger é autor de “The Siblings Effect: Brothers, Sisters and the Bonds that Define Us” (“O efeito dos irmãos: irmãos, irmãs e os vínculos que nos definem”, em tradução literal). De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, o livro inova ao propor o relacionamento entre irmãos como um fator primário para a formação da personalidade de todos aqueles obrigados a dividir algumas coisas na vida em família – do último pedaço de bolo de chocolate ao brinquedo preferido. Antes, os principais focos das pesquisas sobre os fatores determinantes da personalidade giravam em torno dos pais, do DNA e de fatores socioeconômicos.

“Nossos cônjuges chegam comparativamente tarde em nossas vidas; nossos pais eventualmente nos deixam. Nossos irmãos podem ser as únicas pessoas que realmente se qualificam como parceiros para a vida”, escreveu Kluger. Por isso, separamos cinco fatos sobre a experiência de ter irmãos. Conheça-os abaixo e saiba o que especialistas dizem a respeito.

1. Manter um relacionamento próximo com os irmãos faz bem à saúde

Uma pesquisa da Universidade de Harvard com homens na terceira idade constatou que, dentre os 173 participantes, ter tido uma proximidade com os irmãos na época de faculdade estava intensamente ligado à boa saúde emocional.

De acordo com Ivete Gattás, psiquiatra da infância e adolescência da Unifesp, ter relações de confiança e segurança no início da vida e na fase adulta é mesmo um fator de proteção para possíveis transtornos mentais. Mas isso não precisa acontecer somente entre irmãos. “Pode ser com um amigo muito íntimo ou um parente, desde que haja uma relação estreita”, diz.

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em terapia familiar e de casal, um irmão pode servir para dividir tudo o que for necessário: de conquistas a problemas. “Em determinada fase da vida, os filhos precisam cuidar dos pais. Se você não tem irmãos, acaba ficando tudo em cima de uma pessoa só”, diz. No futuro, o apoio de um irmão também pode tornar a perda dos pais menos dura. Há coisas, afinal, que só os irmãos podem entender – e, por terem vivido tanto juntos, podem compartilhar a mesma dor.

 

2. Irmãos mais velhos são tão influentes quanto os pais

Segundo a pesquisadora Laurie Krammer, professora de Estudos Aplicados da Família da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, os irmãos menores podem sofrer uma influência considerável dos mais velhos que, em muitos casos, têm um papel de “agentes da socialização”. São eles, portanto, que irão influenciar o comportamento do pequeno nas situações fora de casa, como na escola ou com os amigos.

Para Ivete Gattás, os mais velhos realmente irão servir de modelo para os mais novos quando os pais não estão. Por outro lado, para Marina Vasconcellos, tudo depende de como eles se dão. “Se um irmão mais novo vai a uma festa com o mais velho, eles podem tanto ser cúmplices um do outro como podem ir a contragosto”, comenta.

3. Irmãos são antídoto para a solidão

Após manter contato com 395 famílias com mais de um filho, a professora e pesquisadora Laura Padilla-Walker, da Universidade Brigham Young, em Utah, constatou que ser próximo a um irmão ou irmã, além de promover generosidade e gentileza nas atitudes de uma criança, pode também servir de proteção para sentimentos como medo e solidão durante a adolescência. As meninas, especificamente, possuem um papel mais forte nesta hora, por tenderem a ser mais comunicativas que os meninos.

Ivete Gattás faz uma ressalva e alerta os pais que, às vezes, alimentam a competição e a rivalidade entre os filhos, mesmo sem querer, destruindo este laço e o apoio possível. “Essa relação irá depender da personalidade de cada um e de como os pais organizam a relação entre os filhos”, diz.

 

4. A rivalidade e as brigas entre irmãos podem ter, sim, pontos positivos

Um estudo da Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos, examinou durante cinco anos o desenvolvimento cognitivo e social de 140 crianças entre dois e seis anos. As descobertas foram parar no livro “Social Understading and Social Lives” (“Compreensão social e vidas sociais”, na tradução literal), da pesquisadora Claire Hughes, do centro de pesquisas familiares da mesma Universidade. O que mais chamou foi o quanto ter irmãos pode ter um efeito positivo no desenvolvimento de uma criança, mesmo se a relação entre eles não for tão cordial.

“Na visão tradicional, ter um irmão ou irmã leva uma criança a competir pela atenção e amor dos pais. No entanto, nossas evidências sugerem que a compreensão social das crianças pode acontecer mais rapidamente por causa da interação com os irmãos”, afirma Claire no site da Universidade. Quando a convivência entre irmãos leva à aquisição de repertório sobre como lidar com conflitos e fazer acordos, ela pode ser bastante construtiva.

Segundo a pesquisa, mesmo quando a rivalidade entre as crianças se manifestava em provocações frequentes, constatou-se que os mais novos passaram a ter uma maior compreensão social ao longo dos anos e se tornaram capazes de conversar sobre seus sentimentos quase de igual para igual com os mais velhos.

 

5. A ordem de nascimento pode influenciar a personalidade

O psicólogo Kevin Leman afirmou, no livro “The Birth Order Book” (“Livro da Ordem de Nascimento”, na tradução literal), que a ordem de chegada na família afeta a personalidade de uma pessoa que tenha irmãos – e até mesmo as que não têm. Mas de acordo com Marina Vasconcellos, tudo dependerá dos pais e da expectativa que colocam no filho desde que nasceu.

Segundo Ivete Gattás, a influência pode simplesmente surgir pelo fato de cada irmão nascer em diferentes épocas emocionais ou econômicas dos pais. “Não acredito que tenha tanto a ver com a ordem, mas sim, com como os pais estão naquele momento. Quando se tem um primeiro filho, há muita expectativa e insegurança. Quando chega o segundo, você está mais tranquilo”.

A especialista acredita que há mais especulação do que ciência ao redor dessa premissa, mas o comportamento dos pais diante de um ou outro filho pode naturalmente colaborar para que um seja mais independente e o outro, mais exigente consigo mesmo.

 

Como a internet mudou a maternidade

Mães encontram na web soluções para problemas cotidianos, dicas para cuidar dos filhos e companhia para os momentos de solidão

Publicado no iG São Paulo em 15/10/2011

 

Quantas vezes você acessa a internet por dia? Consegue imaginar seu cotidiano sem procurar por respostas nos mecanismos de busca, fazer compras online e visitar ocasionalmente – ou compulsivamente – as redes sociais? A internet mudou radicalmente a vida dos 2,095 bilhões de pessoas que tem acesso a ela, de acordo com dados do Internet World Stats, mas um grupo social parece especialmente afetado pelas possibilidades da web: o das mães.

Ser mãe, hoje, é uma experiência bem diferente daquela vivida pelas mulheres há meros dez anos. Uma pesquisa conduzida pelo Google em parceria com o site especializado “BabyCenter.com”, em março deste ano, revelou que o simples fato de ter um filho faz dobrar o número de buscas feitas na web por uma mulher. Por ser um período de muitas dúvidas e incertezas, as novas mães buscam na rede por soluções.

“Tudo o que a mulher precisa saber ela digita no Google e encontra. Você tem muito apoio, muita informação para ajudar”, explica a terapeuta familiar Marina Vasconcellos. Além disso, Marina destaca que a web pode ser essencial na solução de um dos maiores problemas de quando se tem um filho: a solidão. “Você fica o dia inteiro em casa, cuidando do bebê, mas tem a possibilidade de conversar com milhares de pessoas”, diz.

“As grávidas entram na internet em busca de informação e conforto”, resume Luciana Ruffo, psicóloga do Núcleo de Pesquisa da Psicologia e Internet da PUC São Paulo. Ao encontrar virtualmente outras pessoas vivendo o mesmo momento, elas se sentem acolhidas.

 

Trocando em miúdos

 

É de casa que a jornalista Roberta Lippi, 35 anos e mãe de Luísa e Rafaela, escreve no Mamatraca. O site foi criado há um mês, mirando o público materno. “A ideia é discutir questões reais. A gente traz nossas próprias informações e também de outras mães e especialistas”, esclarece.

Projetos como este são comuns nos Estados Unidos. Existe uma série de redes sociais voltadas especialmente para as mães, e eles são ainda mais específicos: mulheres grávidas, mães que trabalham e mães executivas são alguns dos públicos que têm seu próprio site para socialização. Só o “SocialMom.com”, por exemplo, contabiliza mais de 35 mil membros.

No Brasil, o mais próximo que se tem disso é o e-familynet, no ar há 11 anos. “O e-family conectou mulheres de toda a parte do mundo que estavam passando pela mesma situação, tendo as mesmas dúvidas, mesmas esperanças”, explica Paula R., administradora dos fóruns do site. “Muitas chegam desesperadas em busca do esclarecimento de uma dúvida que, muitas vezes, nem podem compartilhar com familiares ou amigas”. Segundo Paula, o site tem cerca de 400 mil membros inscritos.

Foi justamente em busca de informação e compreensão que a confeiteira Tylza Rodrigues, de 34 anos, fez um perfil na rede social em 2008, quando ficou grávida. “Nunca tinha cuidado de uma criança, tinha muitas dúvidas”, revela. Como a família parecia sempre muito ocupada e sem tempo para conversas mais aprofundadas, Tylza recorreu à internet, onde encontrou mulheres passando pela mesma situação.

Nos fóruns, onde se discutem todos os assuntos que possam interessar às grávidas e novas mães, Tylza encontrou novas amigas. “A gente se afasta muito das amizades quando engravida. O e-family acabou suprindo essa falta”, diz. Dois anos depois de se relacionar online com outras grávidas que estavam no mesmo estágio da gestação, o grupo resolveu se encontrar no Rio de Janeiro. “Foi muito divertido, éramos muito amigas, mas nunca tínhamos nos visto pessoalmente”.

Para Marina, o fenômeno desta aproximação é explicada pela troca que a rede possibilita. “Uma aprende com a experiência da outra e todas crescem juntas”. Roberta concorda: “Com a troca de experiências, você forma melhores opiniões”. Hoje, as mães fazem escolhas sobre a educação e criação dos filhos baseadas em pontos de vista e conteúdos muito além dos costumes da família ou do último best seller sobre o tema.

 

Encurtando distâncias

 

A atriz Danielle Farenzi, 38, pouco entendia de computador e tecnologia quando ficou grávida de seu único filho, Pedro, em 2004. Foi justamente a gravidez que a fez se interessar pelo assunto. “Eu tinha muito tempo livre e meu marido, na época, era louco por tecnologia. Ele me deu a ideia de fazer um blog sobre o assunto”, diz.

Com o blog Gestacional, que deixou de ser atualizado pouco antes de o bebê completar dois meses de idade, Danielle pôde “fazer uma caricatura escrita” da gestação, como gosta de dizer. Mas a internet se provaria ainda mais útil em outras situações. “Chegou a uma altura, durante a gravidez, que eu me sentia grande demais para sair de casa, aquilo era o meu mundo”. Por isso, a artista passou a trabalhar da sala de estar. “Quando tinha que fazer alguma locução ou dublagem, eu podia fazer isso do meu próprio computador”, relata.

Quando o casal se separou, a web serviu como uma maneira de se conectar com o pai da criança, músico que viajava constantemente. “É uma janela que aproxima a gente”, diz Danielle. Pelo Skype, Danielle e Pedro podiam ver como estava o pai, independentemente de onde ele estivesse: Manaus, Paris ou Moscou.

 

Moderação

 

“Às vezes passo muito tempo no computador, olhando meus perfis no Orkut e no Facebook, e acabo não dando atenção para a minha filha”. A fala de Tylza ilustra um dos principais efeitos colaterais da internet: a imersão total no universo virtual.

“O computador é ótimo para passar o tempo, mas não pode esquecer que o contato pessoal é primordial e tem que ser vivenciado”, explica Denise Diniz, psicóloga e coordenadora do Núcleo de Qualidade de Vida da Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP). Ao observar que está passando a maior parte do seu dia online, cuidado. Talvez seja melhor procurar ajuda profissional. “Entrar na internet não pode ser compulsório”, finaliza ela.