Você consegue dizer “NÃO”?

Publicado no Minha Saúde Online, 28/05/2015

 

Quantas pessoas sofrem em decorrência desta dificuldade: não conseguem dizer “não” e vivem fazendo coisas contrariadas ou submetendo-se a situações onde, se pudessem realmente escolher, não estariam passando por elas. Na verdade em muitas situações as pessoas “podem” escolher, mas “não conseguem”, ou mesmo “não se permitem”, o que é bem diferente.

E por que isso acontece? Qual a razão de tal dificuldade? Há vários motivos possíveis.

Em primeiro lugar, muito provavelmente a autoestima está bem abaixo do normal, ou até inexistente. Aqueles que não têm uma boa percepção de seu valor pessoal, de seu potencial, necessitam da aprovação e reconhecimento dos outros para se afirmarem e sentirem-se mais seguros. Assim, consideram o “dizer sim” a garantia de que o outro sempre esteja por perto e goste dele, já que nunca o decepciona ou o deixa chateado, magoado.

Há um comportamento típico de algumas mulheres em especial, pelo histórico de submissão que carregam, de cuidarem das pessoas sempre que podem, de abrirem mão de seus próprios desejos em função do outro, seja ele quem for. Elas aprenderam que esse é seu papel: cuidar, estar disponível, ajudar, zelar para que tudo esteja em ordem.

O outro vem sempre em primeiro lugar. Por que dar prioridade ao que eu sinto? Como assim: eu posso me permitir ter vontades diferentes, ou discordar de algo? Isso não é egoísmo da minha parte? E se ele ficar chateado comigo, o que faço?

O não é uma das primeiras palavras que aprendemos e ouvimos na infância. É inevitável a passagem pela fase do “não pegue isso”, “ali não pode”, “não vá ali”, “não isso, não aquilo…”; faz parte da educação, proteção e formação da criança. Os limites têm que vir de fora porque ela é toda “desejo”, sem noção do que pode, dos perigos, do certo e errado.

O fato é que algumas crianças ouvem muito o não, exageradamente, sendo cerceadas em tudo, vivendo uma vida de privações em vários sentidos. Aí está um segundo motivo para a dificuldade em dizer não: já ouviu tantos durante sua vida que, quando pode dizê-lo por si, prefere não fazê-lo. “Não vou fazer com os outros o que fizeram comigo e eu não gostei, não me fez bem.”

 

 

Porém, o contrário também pode ocorrer: pessoas que tiveram sua educação muito liberal, tudo podiam, só ouviam o “sim”, aprendem que esse modelo de ser é o correto, e o adotam para si.

Nossos pais são os primeiros e principais modelos de homem e mulher que temos, transmitindo-nos valores, comportamentos, maneiras de reagir às situações da vida, enfim, educando-nos de acordo com o que aprenderam de seus pais. Assim, os ensinamentos vão atravessando gerações, até que sejam modificados caso não façam mais sentido ou estejam ultrapassados. Há casais que convivem numa verdadeira relação de submissão, onde um deles sempre diz “sim” ao outro, aceitando tudo sem questionamentos, ou com um mínimo possível. Caso os filhos se identifiquem com o “submisso”, podem reproduzir esse comportamento em seus relacionamentos, dizendo sim a tudo e a todos, perdendo a chance de se posicionar em muitas ocasiões. Afinal, aprendeu isso em casa, e considera “normal” agir dessa forma.

No contexto profissional há realmente situações onde dizer não fica difícil, pois regras devem ser seguidas, obrigações e prazos precisam ser cumpridos, tarefas às vezes entediantes ou muito complexas testam a vontade de não realizá-las porém, tudo faz parte do contrato. Mas até nesses casos há o limite aceitável do que nos propomos a fazer, de até onde o chefe ou a empresa podem exigir coisas que consideramos éticas, dentro dos nossos padrões morais aprendidos e valores que carregamos como sendo fundamentais. Caso algo ultrapasse esses limites, temos que encontrar uma maneira de colocar o “não” de forma a não nos desvalorizarmos ou violentarmos aquilo que acreditamos ser o adequado, ou, digno do respeito por nós mesmos.

Algo importante a ser levado em conta é a forma como esse “não” é dito: um conteúdo possui inúmeras maneiras de ser passado, e isso fará toda a diferença para quem estiver ouvindo. Você pode negar algo secamente, agressivamente, friamente, sem qualquer justificativa ou motivo aparente para tal atitude, gerando grande desconforto a quem está propondo algo. Ou pode ser gentil e explicar uma negativa num tom amistoso, cordial ou amoroso, dependendo da situação em questão, evitando ou amenizando bastante qualquer reação ou sentimento negativo que venha da parte contrária.

Há mais um ponto que eu gostaria de abordar: a pessoa que só fala sim pode gerar um desconforto naqueles que convivem com ela, pois nunca se sabe se ela quer realmente fazer aquilo ou não, já que não expõe sua própria vontade, deixando as decisões a cargo dos outros. Aceitar tudo é uma forma de se esconder, não se expor, defender-se das consequências de bancar uma posição contrária ao que alguém propõe.

Cada “não” que se fala para os outros numa situação onde você não queira estar, é um “sim” dito para si mesmo. E aqui eu inverto a pergunta do título desse texto: “Você se permite dizer ‘sim’?”

10 formas de se manter motivado na corrida

Com o passar do tempo, continuar motivado com os treinos é um desafio. Veja como manter o entusiasmo.

 

Correr é uma delícia. Mas até mesmo aqueles corredores mais empolgados, depois de um tempo investindo na corrida de rua, não conseguem se manter sempre motivados para os treinos. É claro que os objetivos dão um gás extra para que você coloque os tênis e comece a dar as suas passadas. No entanto, vez ou outra, nem mesmo as metas são suficientes para que você mantenha o entusiasmo.

Por isso, assim como você programa suas corridas, também é preciso que você planeje como vai continuar motivado para correr. Aqui, você encontra dez formas de melhorar a sua animação durante a corrida.

1. Ajuste sua rotina

Para que você sempre esteja motivado e com energia para dar as passadas é importante que sua rotina seja condizente com a vida de corredor. Por isso, durma cedo e tenha horas de sono suficientes para realmente descansar. Além disso, evite a ingestão exagerada de bebidas alcoólicas, que diminuem consideravelmente a resistência física, e tenha uma alimentação saudável e equilibrada.

2. Corra com amigos
O aspecto social da corrida é uma das principais razões pelas quais as pessoas começam a correr (e continuam). Encontre uma assessoria esportiva perto de você ou recrute alguns amigos ou colegas de trabalho para que treinem juntos. Apesar de ser um esporte individual, os corredores estão quase sempre acompanhados.

Essa estratégia também é uma boa pedida para aqueles que têm preguiça de treinar sozinhos, precisando de um estímulo. O treino acompanhado é mais divertido, além de existir a cumplicidade que acolhe as pessoas (“Ele também acordou cedo como eu”) e a competição saudável que o leva a querer melhorar sua performance, exigindo mais de seus limites (“Se ele consegue, eu também posso”, “Quero correr como ela”).

É preciso disciplina e força de vontade para superar a preguiça, aquela tentação de ficar mais um pouco na cama ou de sair do trabalho e ir direto par casa. A persistência deve ser reforçada para que você não desanime. Mas o simples fato de ver outros corredores suando a camisa e firmes nos treinos, como você, já é um motivo para ir em frente e ter a certeza de que está no caminho certo.

3. Anote os resultados
Manter um diário de treinamento é uma excelente maneira de acompanhar o seu progresso e permanecer motivado. É fácil: basta pegar um caderno e escrever algumas notas depois de cada um dos seus treinos. Certifique-se de marcar a data, a sua quilometragem e o tempo aproximado que fez determinado percurso. Coloque, ainda, alguns comentários sobre como você se sentiu durante o treino.

4. Encontre um mantra
Escolher uma frase curta para repetir mentalmente durante a corrida pode ajudá-lo a ficar focado. Você pode optar por algo que lhe dê motivação e usar quando mais precisa. Encontrar um mantra não é difícil: ele pode pintar na sua cabeça, enquanto você está ouvindo música, conversando com o parceiro de treino ou lendo as matérias sobre corrida aqui na O2 Por Minuto. Escolha uma frase que se adeque ao seu estilo de corrida e a sua personalidade.

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5. Inscreva-se em uma prova
Correr é um esporte gostoso e não depende de muita gente para acontecer, apenas de você. Se você está falhando na rotina dos treinos, inscreva-se na próxima corrida que puder e vá resgatar a energia que está faltando ali no meio daquelas milhares de pessoas que também acordaram supercedo para correr. A vibração e a animação das provas é algo delicioso e contagiante.

 

6. Compre alguma recompensa
Que tal comprar um tênis novo, uma camisa que você sempre quis ou fazer massagens com especialistas como recompensa por seu trabalho duro? O mimo vai fazer você se sentir energizado e reforçar o seu compromisso com a corrida.

7. Tudo ou nada
Se você não tem tempo para fazer um treino completo, não coloque na sua cabeça que é tudo ou nada. Se o tempo está curto, faça um treino rápido de apenas 20 minutos para não ficar parado. Isso já vai manter a sua empolgação com o esporte.

8. Pense no seu bem-estar
Sempre que você ficar desanimado, lembre-se dos benefícios que a corrida traz para a sua saúde. Pense em quanta energia você tem depois que começou a treinar e em como a corrida é uma maneira saudável de aliviar o estresse.

9. Tenha metas
Escolha um objetivo – como completar 5 km ou fazer uma maratona – e fale para as pessoas próximas a você sobre isso. Coloque seu cronograma de treinamento em casa e no trabalho, para que você tenha lembretes constantes sobre as suas metas. E comemore as suas conquistas.

10. Divirta-se
Isso é realmente o que mais importa. Não deixe que a corrida vire um estresse na sua vida. Em vez de seguir o lema “sem dor, sem ganho”, prefira pensar que se a corrida não é divertida você não deve continuar.

 

(Fonte: Marina Vasconcellos, psicóloga e corredora de São Paulo)

Aprenda a dizer não

Apesar de uma resposta negativa não ser muito aceita, é através dela que você pode se impor

Escrito por Daniela Bernardi, editado por Juliana Vaz (colaboradora), publicado em 26/02/2015

Dizer “não”, é ao contrario do que parece, uma tarefa bem difícil. O medo de desagradar ou decepcionar aquele que nos pede algo faz com que concordemos com o que é pedido – seria um caminho para ser aceita.

“Uma mulher mais segura sabe que o outro não deixará de gostar dela por causa da recusa, que não será prejudicada”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo. Tudo isso tem a ver com a autoestima e insegurança. Dar mais valor às vontades alheias, preterindo a sua, faz com que deixemos de reconhecer nossos próprios anseios.

E dizer não vale no trabalho, na amizade, no amor, em qualquer relacionamento é preciso saber se posicionar e sem essa atitude, você pode acabar sendo uma pessoa apática e desinteressante. “Esse comodismo faz com que você pareça sem graça e até desesperada por aceitação”, complementa a psicóloga clínica Vanessa Tamiello, de São Paulo.

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Veja 5 dicas para começar a repensar suas respostas:

1. Autoconhecimento
O primeiro passo é saber se aquilo fará bem ou mal. E o único jeito de descobrir é reconhecer de verdade quais são seus anseios e suas vontades.”Quanto mais proximidade você tiver consigo mesma, mais honesta será sua percepção para decidir se vale a pena aceitar o convite”, diz Mariliz Vargas.Fique atenta também às suas limitações. “Não adianta topar e ficar com a cara emburrada porque isso fará mal a você e aos outros”, diz Marina Vasconellos.

2. Sem ladainha
Não comece a inventar desculpas. “Criar compromissos inexistentes dá margem para que o outro entenda que você gostaria de atender ao pedido”, alerta Olga Tessari. Não poder é diferente de não querer. Se isso não ficar claro, abre-se espaço para que, no show seguinte, o convite seja refeito.

3. Exponha seus porquês
Explicar seu ponto de vista é importante para que o outro entenda o seu lado. Por mais que sua amiga discorde da justificativa – afinal, ela jamais aceitará que você não gostou do novo álbum do Bruno Mars -, sua decisão será respeitada, pois você expôs claramente os motivos.

4. Use o corpo
Falar com uma voz firme pode ajudar a mostrar que a decisão já foi tomada.”Olhar nos olhos e manter a coluna ereta passa a mensagem de que a resposta está de acordo com seus valores”, explica a psicóloga clínica Marisa de Abreu, de São Paulo. Mas, se você ainda não estiver preparada para ser tão assertiva, experimente fazer alguns sinais com o rosto ao receber a solicitação ou o convite. “Antes que ela termine a frase, comece a torcer o nariz, contorcer a boca e franzir a testa de forma discreta. Esses movimentos já dão a entender que você não está de acordo com a proposta”, diz Christian Barbosa.

5. Procure alternativas
Mesmo dizendo não, você ainda pode ajudar. Descubra outra amiga que goste do mesmo cantor e faça a ponte de contato entre as duas. “Depois de negar, repasse o convite a alguém que tenha mais interesse”, diz Vanessa Tamiello.

Síndrome da vergonha do corpo

Publicado no Atmosfera Feminina em 19/03/2014

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

É tanta correria no dia a dia que muitas mulheres só lembram que não levaram a dieta e a ginástica a sério bem na hora de vestir o biquíni. Em contrapartida, há aquelas que comem direitinho e malham regularmente e, mesmo assim, não estão seguras o suficiente para se expor no duas-peças. Seja qual for o seu caso, o fato é que o momento de aproveitar a praia e a piscina é agora; e não vale perder essa deliciosa oportunidade enquanto ainda está calor.
Para se sentir ainda mais estimulada a se divertir sob o sol sem encanações, o negócio é se propor a parar de ser infeliz por não entrar num biquíni tamanho P – a felicidade vai muito além disso, pode acreditar. “É normal a mulher estar insatisfeita com o próprio corpo, especialmente aquela que não tem tempo para se cuidar como gostaria. E isso tem até seu lado bom, já que pode servir de estímulo para melhorar os hábitos e manter a linha ao longo do ano todo, não apenas durante a temporada de calor”, lembra a psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Marina Vasconcellos. Porém, o que não vale é transformar esse desejo de emagrecer a todo custo e da noite para o dia em fissura: não há saúde que resista!
Vontade de arrasar na areia à parte, também é válido se questionar sobre como você se vê. Se respondeu que é uma eterna insatisfeita com o espelho e, ao contrário do que sua família e amigos dizem, acha que está com muito peso, com gordura demais sobrando e não tem o direito de ir à praia nem de maiô e canga, talvez seja uma boa pedida conversar com um especialista. “A anorexia nervosa causa essa distorção da imagem corporal, e consultar um profissional ajuda a entender que nem tudo se resume a um corpo ‘perfeito’”, avisa a doutora Marina Vasconcellos.