Jogos e tarefas do dia a dia ajudam a preservar a memória

Publicado no Portal Domínio Jovem em 15/02/2011

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Assim como o corpo, o cérebro também apresenta mudanças ao longo dos anos e o mais comum com a idade é a perda de memória. No entanto, pequenas atitudes podem evitar este mal. Exercitar a mente melhora a recordação, a concentração e a qualidade de vida.
O primeiro passo é se distrair. Uma pesquisa da Clínica Mayo, em Minnesota, nos Estados Unidos, concluiu que as pessoas que se ocuparam comleitura, jogos ou em hobbies, como costura ou tricô, apresentaram 40% menos risco de ter perda das lembranças.
Outra medida é trabalhar a concentração. “A memória precisa da atenção e da concentração para poder armazenar dados. Se a atenção falha, a memória também”, diz a psicóloga e psicanalista especializada em psicogeriatria Claudia Finamore.
A memória pode ser estimulada desde situações simples como tentar lembrar o que fez pela manhã, o que comeu no almoço, que roupa usou no dia anterior, até a utilização de jogos, quebra-cabeça, palavras-cruzadas, damas, xadrez e etc.
Pode-se treinar a memória, por exemplo, contando o que leu e aprendeu no dia para outras pessoas. Se dedicar a novas habilidades como um curso de idiomas, música, pintura e informática também ajudam. “Um trabalho mental sempre utilizará alguma parte da memória da pessoa. O importante é dedicar-se aos exercícios de modo frequente”, afirma Claudia.
A psicóloga Marina Vasconcellos acrescenta que o sono também é fundamental para prolongar a memória. “Durma pelo menos 8 horas por noite. Enquanto dormimos, o cérebro grava tudo o que aprendemos durante o dia”.
Outros fatores essenciais são os exercícios físicos e a boa alimentação. Uma pesquisa realizada por cientistas alemães e publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences mostrou que diminuir em 30% a ingestão de calorias pode melhorar a memória.
Voluntários com idade média de 60 anos foram divididos em três grupos. O primeiro seguiu uma dieta normal, o segundo recebeu mais ácidos graxos insaturados e o terceiro adotou a dieta com 30% menos calorias. Depois de três meses, os voluntários do terceiro grupo superaram os demais em um teste de memória.
Outra pesquisa, realizada por cientistas da Duke University, na Carolina no Norte, nos Estados Unidos, comprovou que os exercícios físicos podem melhorar a capacidade mental nas pessoas idosas e adiar o declínio mental.

Sexo e menopausa: sim, eles combinam!

Publicano no Portal Atmosfera Feminina em 15/10/2010

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Se você acha que a menopausa não marca só o fim da menstruação, mas principalmente o do desejo sexual… Espere até chegar lá para ver que está redondamente enganada. Na verdade, a fase pode ser o início de uma nova e libertadora forma de se relacionar – sem a interferência dos filhos pequenos, do risco de engravidar ou da TPM tudo fica mais fácil, não é mesmo?

Mas, para ser feliz de verdade, é preciso tomar algumas atitudes. E elas são relativamente simples. É o caso de ficar atenta à diminuição natural dos hormônios, em especial da testosterona, responsável pelas ondas de calor, suores noturnos, insônia, irritabilidade e queda na libido; e do estrógeno, que leva ao ressecamento vaginal. Tais problemas podem ser facilmente resolvidos com terapia de reposição hormonal e um bom gel lubrificante, respectivamente. “Não procurar tratamento diante desses sintomas é querer que as noites de amor de antes deem lugar a encontros mornos e, às vezes, dolorosos. Isso não precisa acontecer, basta se cuidar”, afirma a psicóloga e terapeuta de casais Marina Vasconcellos, de São Paulo.
Naturalidade e confiança

Outra lição importante para quem quer que a menopausa seja apenas mais uma fase da vida, e não um fardo, é pensar em experimentar a psicoterapia. “A técnica é uma das melhores pedidas quando a mulher fica muito alterada emocionalmente, ou até deprimida, e não consegue lidar com as transformações do momento ou quando coloca na cabeça que está envelhecendo e deixa de se sentir atraente”, completa Marina Vasconcellos.

Abrir o coração em casa, para o parceiro, também é fundamental. Dessa forma, ele vai entender as mudanças físicas e de comportamento que você está enfrentando e saberá que elas são passageiras em vez de levar esses problemas para o lado pessoal. “Pedir para o marido acompanhá-la numa consulta com o ginecologista é uma boa saída, pois o médico vai explicar detalhadamente tudo o que está acontecendo com o seu corpo. Assim, vai ficar muito mais fácil enfrentar as dificuldades e ter um relacionamento mais prazeroso para ambos”, conta a ginecologista Rosa Maria Neme, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

A criança e sua individualidade

Desde cedo, a criança percebe seu jeito de ser e como se encaixa no grupo em que vive, respeitando a si e ao próximo com um papel muito importante da família nesse processo

Publicado no Arca Universal em 12/10/2010

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Fala-se muito sobre as novas gerações que despontam. As crianças de hoje estão mais informadas, influem mais no meio em que vivem e têm noção mais cedo de quais são seus direitos. Por outro lado, também há uma carência de limites, gerando conflitos quando elas encaram a “vida lá fora” após o primeiro contato social: o seio familiar. No meio disso tudo, aprendem a viver em grupo, mas também entendem como elas são como indivíduo, desenvolvendo preferências.

Como levar em conta, ao educar os filhos, que eles tanto respeitem as regras à sua volta quanto respeitem a si mesmos, não cedendo tão facilmente às pressões externas? Começar respeitando a individualidade da criança dentro de casa já é um passo bastante significativo e com reflexos para toda a vida, segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais em São Paulo.

Em entrevista ao Arca Universal, Marina explora mais o assunto:

Em que idade a criança começa a mostrar sinais de individualidade?

Não há uma idade ao certo. Varia de criança para criança. Desde muito cedo ela começa a mostrar egocentrismo. Quer tudo para ela, tudo tem que girar em torno dela. Enfim, ela é o centro do mundo e pronto. Mas o egocentrismo nessa época é normal, não deve ser confundido com a personalidade da criança. Eis que ela entra na escola e começa a conviver com um mundo maior que o da família somente. Aí sim, a personalidade começa a aparecer: umas dividem as coisas com facilidade, outras têm mais dificuldade. Muito disso vem de casa, da criação. Ter irmãos, ou não, influencia bastante. E esse processo de “soltar” a criança deve acontecer mesmo, é necessário para que comece a entender como ela é longe da família e passe a ter consciência de si mesma como indivíduo. Vai começar a criar seu próprio mundo, a frequentar alguns lugares sem os pais. Geralmente, mães muito grudadas aos filhos geram pessoas que terão certa dificuldade mais tarde para entender e fazer parte da vida em sociedade. Entendendo quem ela é, a criança também começa a entender como ela faz parte de um todo, como se relaciona com o todo. Também começa a adquirir autonomia, responsabilidade.

Qual deve ser a posição dos pais e parentes perante essa individualidade?

Primeiro devem entender que embora a criança tenha genes do pai e da mãe, ela é um ser único. Cada filho é único. Na verdade, não adianta impor um jeito, a criança não tem que ser como você esperava. Impor à força gera conflitos que podem acompanhar a pessoa pelo resto da vida. Em suma, ela tem um jeito de ser e mudar isso não é producente.

Quais as diferenças entre individualidade e personalidade?

Com a individualidade, a criança começa a perceber o seu mundo, desenvolve o seu jeito de ser. Ela não pode ficar o tempo todo com o adulto a seu lado ditando tudo, senão corre o risco de virar uma mera cópia. Ela tem que entender como ela é quando não está com alguém por perto. A personalidade é a estrutura própria que ela forma, a partir do meio em que foi criada, que resulta dele. Isso influencia bastante, e daí vem se a criança é mais expansiva ou mais tímida, por exemplo. Mas a personalidade pode sofrer alterações com o tempo, embora o mote básico não mude.

Embora a criança tenha personalidade própria, faz parte de um grupo social: a família. Depois, integrará outros (escola, clube, igreja, amigos). Como ela deve ser educada para ao mesmo tempo preservar sua individualidade e se integrar a esses grupos?

A educação que os pais oferecem e os valores que eles passam são muito importantes para toda a vida. Isso a ajuda na formação do jeito de ser. Ela receberá influências de fora, claro, mas tendo noção de sua individualidade, pode receber até mesmo más influências da “turma”, que as rejeita. Respeitada em casa, ela desenvolve o seu ego, sua estrutura, e é mais forte para ter um filtro em relação ao que recebe de fora. Passa por cima daquelas coisas que geralmente provocam desvios de personalidade. Na adolescência, ela estará com a individualidade em desenvolvimento, testará várias coisas e, com o tempo, dispensará o que não tem a ver com ela. É preciso respeitar essa fase para que ela perceba sua individualidade, descubra como é.

Estamos na semana do Dia das Crianças. Como presentear uma criança levando em conta a individualidade dela?

Acontece muito o caso de “eu pedi uma boneca e meu pai me deu uma bola” em pacientes meus. Atenção: uma criança não é um “mini-você”. Ela é um indivíduo e tem preferências. Parece algo simples e até fútil, mas alguém cresce com certos complexos quando isso acontece. Um deles é aquela sensação de que seu gosto não era respeitado, que ela não era ouvida. Quando a criança tem seus 6, 7 anos, já não dá tão certo aquele negócio de comprar roupas sem ela estar junto. Ela passa a querer certas cores, certos tipos. Gostaria que a cor da parede do quarto fosse essa e não aquela. Desenvolve seu gosto. Se ela simplesmente recebe o que é imposto, isso gera frustrações que leva para a vida toda.

Mas temos que pensar em outras coisas também. Uma delas é que é bom perguntar o que a criança quer de presente, mas com limites. Ela deve saber que pode ter determinada coisa, mas deve entender que não vai ter tudo o que quer só porque quer. Outra coisa é que o Dia da Criança se tornou algo puramente comercial. Virou aquilo de “presente e pronto”. Deveria ser um dia, mesmo tendo o presente, que também tivesse algo como levar as crianças ao parque, ficar junto com ela e ir a eventos especiais que existem em vários lugares. Mas todo mundo só compra um presente e pronto.

Quais as diferenças das crianças de outrora (em alguns casos elas nem tinham o direito da presença à mesa nos jantares de família) para as de hoje?

Passamos de um extremo ao outro, o que é perigoso. Antes elas simplesmente não eram ouvidas e hoje são ouvidas demais, a ponto de virarem pequenos tiranos que mandam na família. Há um “psicologismo” pregando que não se repreenda as crianças. Claro que elas têm mais noção de individualidade, de seus direitos, mas pai tem que ser pai e mãe tem que ser mãe, há uma hierarquia familiar que precisa ser respeitada. Se antes havia limites demais, agora há limites “de menos”. E até “limite tem limite”: ele precisa existir, sem excesso ou escassez, para que a criança desenvolva o respeito pelo próximo e entenda como suas ações refletem no meio em que vive, positiva ou negativamente.

Hoje, é muito comum a criança fazer algo na escola, receber uma repreensão dos professores e os pais já irem com tudo para cima dos educadores para defender os filhos. Não procuram nem mesmo saber como a situação real aconteceu, se o filho realmente aprontou algo e se foi devidamente repreendido. Acham que se eles não chamam a atenção do filho ninguém mais vai chamar. É preciso fazê-los entender os limites. Isso pode muito bem ser feito, mas com afeto, com bom senso.

Quem aguenta uma pessoa grudenta?

Relacionamentos baseados na insegurança e total dependência do outro tendem a não dar certo. Veja se você não está deixando seu companheiro (a) sufocado (a) com atitudes que, até certo ponto, podem ser características de pessoas possessivas

Publicado no Arca Universal em 12/06/2011

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Pense na seguinte situação: Você sai para trabalhar e dez minutos depois de dar tchau, seu companheiro (a) liga e pergunta onde está. Depois, quando chega ao destino, outra ligação – desta vez para saber se chegou bem. Na hora do almoço, uma mensagem pelo celular deseja que o almoço seja maravilhoso. E, finalmente, após o expediente, uma última ligação só para constatar se o pobre coitado já está perto de casa. Seja sincero, você consegue aguentar alguém tão inseguro, que só consegue viver se estiver no seu pé 24 horas por dia? Talvez não. E isso nada tem a ver com excesso de amor, mas uma falta de segurança tão grande, que impede o outro de respirar, viver e até mesmo de amar a pessoa que age assim.

Se você não quer acabar com o relacionamento, que pode estar ameaçado por algumas atitudes infantis e inseguras e talvez nem saiba o quanto isso sufoca o outro, veja o que a psicóloga, especialista em psicodrama terapêutico, Marina Vasconcellos, fala a respeito do assunto.

Desgrude-se

Há muitos relacionamentos que não dão certo porque ou o homem ou a mulher torna-se ‘pegajoso’ demais. A ideia de que pessoas ‘grudentas’ podem atrapalhar a relação pode ser considerada verdadeira?

Sim. Ninguém gosta de uma pessoa grudada o tempo todo. Isso tem a ver com insegurança. E é ruim porque esse tipo de pessoa precisa constantemente do outro, o que fica cansativo. É aquela pessoa que acha que na relação deve haver muito beijinho, muito abraço, e isso incomoda o outro.

Cresça e amadureça

Quando a pessoa submete-se muito ao outro, ela corre o risco de perder a identidade ou até mesmo o respeito?

Sim, porque se o outro demora um pouco a chegar, ela já fica desconfiada. A preocupação dela é a vida do outro. Ela vive em função do outro. Isso acaba com a admiração do parceiro por ela. Porque é como se ela não fizesse nada de importante na vida. E torna-se uma pessoa sem graça. Tem que existir admiração por parte do parceiro por ela. E isso tem a ver com crescimento pessoal, amadurecimento. Tem gente que não cresce, o que faz o companheiro perder o interesse por ela.

Não sufoque seu parceiro

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Que motivo (s) uma pessoa tem para ‘viver no pé da outra’, até chegar ao ponto de sufocar o relacionamento?

É possível que isso seja devido a um modelo que recebeu em casa. Pode ser uma repetição de padrão. Também o motivo pode advir de traumas, mas há que se analisar a história de cada um. Além disso, pode ser uma característica de baixa autoestima; de uma pessoa que não se impõe ou que é possessiva. Essas pessoas são carentes demais porque precisam do outro. Alguém que age assim pode ter sido pouco amado ou pouco valorizado na infância. Possivelmente, faltou um olhar de estímulo dos pais, e a pessoa precisa ficar escondida atrás de alguém, pois não tem um posicionamento próprio.

Seja seguro

Quais as características de uma pessoa ‘grudenta’?

É aquela pessoa que quer se misturar com o outro. Tem a ver com possessividade. Essa pessoa não tem autonomia de fazer nada sozinho e precisa do outro para fazer tudo. Isso é muito ruim, pois cada pessoa precisa de sua individualidade. Há uma hora que essas atitudes acabam cansando o outro.

Desta forma, é possível que essa pessoa não se conheça direito. Ela tem medo de explorar novas coisas e é insegura. O pior é que ela não percebe, e é preciso que alguém lhe fale, lhe dê um toque. A individualidade, portanto, é muito importante.

Tenha seu espaço

O que é, então, ser individual sem ser egoísta?

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É ter suas coisas independentemente do outro. É ter seus amigos, seu espaço, suas coisas; sair com os amigos. É fazer uma atividade que lhe agrade: uma aula de canto, um curso, etc. É ter o espaço de cada um mantido, preservado. Há momentos em que o casal faz coisas juntos, mas tem que ter o espaço dos dois – do casal e do indivíduo. Mas tem gente que abre mão de tudo na vida pelo outro e pode acabar se frustrando.

 Invista na própria felicidade

Quais as dicas que esse tipo de pessoa pode seguir para que se torne mais segura?

Ela deve olhar para si própria, investir nela mesma, fazer coisas que lhe deem prazer. Também deve procurar atividades que lhe agradem, e até fazer terapia, porque assim vai se conhecer melhor. Essa pessoa precisa reconhecer seus valores, investir na própria felicidade, que é independente da felicidade do outro.

Preconceito contra o Nordeste

Qual a explicação para a discriminação ao povo nordestino? Será que a maioria das pessoas concorda com as atitudes preconceituosas?

Publicado no Arca Universal em 29/11/2010

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Segundo o dicionário Houaiss, a palavra preconceito significa “qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico; ideia, opinião ou sentimento desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão; atitude, sentimento ou parecer insensato, de natureza hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância”.

Segundo a professora e doutora em antropologia social Irene Maria Ferreira Barbosa, docente da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), “discriminação e preconceito não são formas ‘inseridas’ na cultura brasileira, mas fazem parte do repertório de qualquer cultura diferenciada, marcada pela desigualdade social e competição pelo mercado de trabalho”.

Vivendo na pele

Isso pode explicar o que a jornalista Elliana Garcia passou quando chegou a São Paulo. E já na terra dos paulistas, sentiu que ‘baianada’ era sinônimo de inutilidade. Natural da Bahia, ela lutava para sustentar-se sozinha. Mas, esgotada, aos 15 anos de idade, largou a minúscula cidade de dois nomes e nenhuma referência no mapa, Ilha Formosa e Três Braços, e se mudou, apoiando-se nos próprios desafios, para a capital paulista.

O primeiro emprego foi como empregada doméstica. Mas em todo lugar em que trabalhou, diz ter sofrido com a discriminação. “Ou por ser do Nordeste, ou por ter sido pobre, ou pela falta de estudo. Sempre sofri alguma coisa em algum lugar. Essas expressões doíam demais, porque eu não entendia como isso me diminuía; me  fazia mal”, lamenta. Elliana nem sabia que tanto desprezo gratuito tinha nome. E quando descobriu a identidade do preconceito, percebeu que ele já estava impregnado na pele e no sotaque dela havia muito tempo.

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Perda da autoestima

Quem conversa com a jornalista hoje dificilmente percebe o grave sotaque de outrora, que tanto desafiava os ouvidos aguçados, acostumados com os agudos “Rs” paulistanos.

Elliana diz que chegou a sentir vergonha de dizer que era do Nordeste. Por isso tentava, de todas as formas, “perder as expressões e o vocabulário dos baianos”.

Aos 20 anos, foi trabalhar como faxineira em um hospital. O salário estava melhor, mas a discriminação não. “Lembro que sofri outra atitude de preconceito quando fui mandada embora por dirigir a palavra a um médico. Era uma regra não falar com os médicos, e ao me ver falando com um, a chefe da limpeza me despediu”, relata.

Então, em situações em que estava com os patrões, ela temia falar, se expressar. Sentia-se inferior demais para poder justificar sua presença no mundo.

Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em Psicodrama Terapêutico, “o preconceito pode provocar diversas reações, como raiva, revolta, desprezo e indignação. Vai depender do que estiver em jogo e da forma como ele é demonstrado”.

Incitação à violência

Preconceito é uma das palavras mais ouvidas nos últimos dias. Tudo porque, recentemente, uma jovem paulista desencadeou uma série de episódios racistas contra nordestinos. Revoltada com a vitória da candidata Dilma Rousseff à presidência da República, a estudante de direito Mayara Petruso responsabilizou os nordestinos pela eleição da petista.

Como forma de protesto, Mayara publicou no twitter: “Nordestino não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!” A publicação rendeu à estudante dois processos, por racismo e incitação a homicídio, a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Pernambuco, além da demissão do escritório de advocacia onde estagiava.

A antropóloga Irene Barbosa comenta a atitude de Mayara: “No caso referido, é claramente um rescaldo do processo eleitoral em que, eleitores ressentidos por terem perdido a eleição, descarregam a ira sobre a parcela que venceu”. Porém, ela não acredita que a maioria dos paulistas discrimine nordestinos. “São piadas e gracejos que mostram discriminação, que também podem ser dirigidos a outros grupos diferentes da maioria paulistana, como os ‘caipiras’, do interior, ou os ‘carcamanos’, tão conhecidos na história de São Paulo”.

Direitos

De acordo com o Art. 5.º, inciso XLII, “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”. O que a vítima de preconceito pode fazer, em caso de ultraje, é procurar uma delegacia, imbuída de provas como gravações de áudio ou vídeo, além de testemunhas.

“Aconselho a quem se sentir vítima de qualquer preconceito a procurar seus direitos e também não deixar que palavras ou atos os impeça de seguir em frente. Respeitar o outro é o primeiro passo para essa evolução. Além disso, ninguém tem o direito de nos parar, principalmente o preconceito”, ressalta Elliana.

A psicóloga Marina explica que “se a pessoa não é segura de si, não confia em suas potencialidades, pode ficar mais insegura e prejudicar ainda mais sua autoestima que já é frágil. Mas, se ela tem uma boa autoestima, provavelmente sentirá algo ruim, mas não será o suficiente para prejudicar sua percepção de si. Se ela estiver bem consigo mesma, provavelmente saberá “relevar” o que aconteceu e não reagirá de forma agressiva, o que a colocaria no mesmo nível do agressor.”.

Este era o caso de Elliana. Com o tempo, a jornalista passou de diferente a igual, e venceu a escalada da montanha de desafios, plantando esforço e colhendo superação. “Reverti tudo a meu favor. Fui estudar e mostrar que todos têm o seu lugar ao sol; que não é a origem, ou o sotaque que determinam o que queremos ser. Hoje, palavras de preconceito não fazem qualquer diferença na minha vida, pois tenho orgulho de onde vim, e sei para onde vou”.

Por que receber é mais difícil que dar?

Publicado no UOL em 08/12/2012

Aceite um elogio ou um presente sem se depreciar (Foto: Getty Images/ Thinkstock)

Silvana M. teve uma filha com síndrome de Down que, ainda por cima, precisou operar o coraçãozinho. Seu marido está desempregado e, mesmo assim, tentando se virar como pode, ela ainda arruma tempo para resgatar dezenas de cachorros abandonados na rua. Citada em uma matéria sobre generosidade, ela disse: “Não estou acostumada a receber tanto carinho, que vergonha!”. Não é só Silvana que tem esse tipo de comportamento. Quem de nós não tem uma ou várias amigas que se sentem desconfortáveis quando recebem algo legal ou que se depreciam imediatamente após um elogio? Aliás, quem de nós já não fez isso algumas vezes?

“Geralmente, as pessoas que não lidam bem com o receber, e geralmente são melhores no dar, são muito inseguras e acham que existe segundas intenções por trás daquele gesto. Ela pensa: ‘Se está me presenteando, o que tenho que fazer em troca?’. Isso pode estar relacionado a comportamentos passados, como pais que educam os filhos baseados em chantagens ou pais que só demonstram afeto por meio de coisas materiais. Essa pessoa sempre associará o receber com barganha”, afirma Marina Vasconcellos, psicóloga especializada em psicodrama terapêutico.

Segundo Vasconcellos, para compreender esta situação é preciso observar a dinâmica familiar que essa pessoa teve e a forma como foi educada. “Provavelmente, ela também terá dificuldades em receber em várias outras áreas da vida, até no sexo”, completa a psicóloga, que sugere três atitudes para rever essa postura:

  1. Esteja aberta para receber. Muitas vezes, o presentear está ligado a uma forma de afeto e não a segundas intenções.
  2. Trabalhe mais a sua autoestima. Se você não acredita em si, não tem como acreditar que possa merecer algo.
  3. Pergunte-se: por que eu não posso receber? Por que eu não me dou esse direito?

É preciso se valorizar mais

Para o psiquiatra Leonard Verea, formado pela Faculdade de Medicina de Milão (Itália), a maioria das pessoas com dificuldade de receber provavelmente acha que não tem valor. “Quem tem boa autoestima não só gosta de ganhar, como também espera presentes e atitudes à sua altura”, diz ele.

Verea sugere uma atitude interessante para quebrar este padrão: “Dê-se um presente. Não espere alguém fazer isso por você. Não precisa ser nada material; pode ser um jantar gostoso ou uma massagem. Quando fizer isso, entre em contato com o prazer que a situação proporciona. Permita-se sentir este prazer e comece a associar o receber com algo muito bom”.

O que elas pensam

“Eu sou a que abaixa a cabeça para não receber elogios. Até minha médica já me disse: O que é isso, mulher?” – Liz M., Bahia

“Eu sempre acho que a pessoa que me elogia quer ser simpática ou tem interesse em alguma coisa.” – Silene R., São Paulo

”Sempre digo: não fique se desculpando porque está bonita: ‘Ah, a saia é tãooooo velha…’, ‘Ih, meu cabelo está sujo…’. E por aí vai a lista de desculpas. Ora, é só dizer: ‘Nossa, também acho linda essa saia’; ou ‘Meu cabelo está show de bola mesmo’. Claro que a outra pessoa vai até assustar, porque o comum é mesmo se autodepreciar.” – Rita, Rio de Janeiro

“A cobrança que fazemos sobre nós mesmas é tão grande que não nos permite perceber o quanto somos maravilhosas – no sentido mais amplo da palavra.” – Marcella Lobo, São Paulo

Fazer fofoca traz prazer momentâneo, mas é prejudicial a longo prazo

Publicado no UOL em 05/09/2011

Uma pesquisa europeia feita em 2010 mostrou que a fofoca levanta a autoestima do fofoqueiro e o faz sentir amparado. Será? A psicóloga Anette Lewin não concorda. Para ela, é um efeito momentâneo. “O mais comum é a pessoa sentir uma certa satisfação com a fofoca, afinal, pimenta nos olhos dos outros é refresco, mas daí a aumentar a confiança em si mesmo tem uma grande diferença”, diz ela.

É mais fácil falar do outro do que olhar para si. “O fofoqueiro não se conhece. Seu prazer é buscar na vida alheia interesses que ele julga não ter. Por exemplo: é mais simples criticar o comportamento de uma pessoa que está se destacando do que ir atrás do seu sucesso”, afirma Anette.

Essa insegurança só causa transtornos, diz a psicóloga especializada em psicodrama Marina Vasconcellos. “Ao invadir a privacidade de todo mundo, ele se torna antipático e sozinho, pois ninguém quer aprofundar uma amizade com alguém assim.”
O outro lado da moeda

Como tudo, porém, há o outro lado. Há os que pregam o ditado popular: “Falem mal, mas falem de mim”. Isso parece fazer sentido em tempos de internet. Se alguém fala mal de você ou de seu blog, por exemplo, as visitações no seu perfil nas redes sociais e no seu site aumentam e mais gente fica sabendo que você existe. Pelo menos por algumas horas, ou por quinze minutos, você fica famoso.

Na maioria das vezes, da mesma forma que esse furação veio, vai, sem deixar rastros. Mas, dependendo da fofoca, pode trazer sofrimento para os envolvidos. “Há pessoas tão carentes que se sentem satisfeitas ao saber que estão falando dela, mesmo que os comentários não sejam positivos. Só de ser lembrado está bom”, diz Anette.

À toa na vida

Mas até que ponto a fofoca é papo de quem não tem o que fazer e quando se torna prejudicial? “Comentar sobre o namoro de uma personalidade, uma notícia que saiu na mídia, sem pretensões, é natural. Mas quando a pessoa começa a ter prazer com o desprazer do outro, a se intrometer para causar mal estar, é hora de olhar para o próprio umbigo”, afirma Marina Vasconcellos.

O primeiro passo é se aprofundar nas suas questões pessoais. “Ao fazer isso, a pessoa pode perceber que está criticando justamente o que não gosta em si mesma. Ela joga para o outro o defeito que não consegue aceitar que tem”, explica Anette. Além disso, fofocar é um comportamento indelicado, de quem se sente melhor do que os outros, pega mal e passa a imagem de que a pessoa não tem nada mais importante na vida para fazer.

Três mitos da psicologia

Livro derruba teorias de botequim e joga luz sobre o senso comum

Publicado em IG Delas em 30/o8/2010

De psicólogo, médico e louco, todo mundo tem um pouco – ou pelo menos acha que tem. Por meio de filmes, novelas, livros de autoajuda e conselhos de mãe, as pitadas de psicologia popular estão ao alcance de todos. O problema é que, muitas vezes, elas são apoiadas em idéias equivocadas ou que perderam o sentido com o tempo.

Para esclarecer dezenas de inverdades, o recém-lançado “Os 50 maiores mitos populares da Psicologia” (editora Gente) derruba, uma a uma, diversas “teorias de botequim”. Os autores, quatro professores de psicologia de universidades americanas, lançam mão de diversos estudos modernos para analisar conceitos com prazo de validade vencido. Esmiuçamos três deles; confira!

Em Harry e Sally, os opostos se atraem com final feliz (Foto: Divulgação)

Os opostos se atraem
Quem não se lembra das rusgas entre os protagonistas da clássica comédia “Harry e Sally, feitos um para o outro”? Depois de passarem o filme inteiro brigando, os personagens vividos por Billy Crystal e Meg Ryan acabam se tornando melhores amigos. Por fim, descobrem que a amizade virou amor. Mas o final feliz entre pares muito diferentes (e brigões) costuma ser mais comum na ficção. Segundo a publicação, pesquisas clássicas mostram que tendemos a gostar de pessoas que apresentem atitudes semelhantes às nossas.

Por muito tempo, o relacionamento entre semelhantes foi considerado tedioso e sem graça, mas, na verdade, ele tende a solidificar vínculos e reduzir atritos. “Os relacionamentos mais satisfatórios e duradouros são entre os parecidos”, diz Thiago de Almeida, psicólogo especializado em relacionamentos amorosos.

De Marte ou de Vênus?
Segundo esse mito, no qual o best-seller de relacionamentos “Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus” foi baseado, pessoas do sexo masculino e feminino se comunicariam de maneiras diferentes. Os homens seriam mais objetivos e funcionais, enquanto as mulheres utilizariam a subjetividade no diálogo. Segundo o livro dos mitos, o escritor John Gray, autor da teoria Marte vs. Vênus, não se apóia em nenhuma pesquisa para fundamentar suas conclusões.

Novos estudos apontam que as diferenças na comunicação entre os sexos seriam insignificantes diante das semelhanças. Eles analisaram quatro pontos de diferença na linguagem: a) as mulheres falam mais do que os homens, mas a diferença é pequena e quase imperceptível; b) elas também costumam ser mais abertas, mas sem valores significativos; c) a respeito de interromper os outros durante uma conversa, os homens ganham, mas, de novo, a diferença é mínima; d) o único item analisado que mostrou diferenças significativas foi a percepção de sinais não verbais, em que as mulheres se destacaram. No fim, “há mais pontes do que abismos”, defende o psicólogo Thiago de Almeida.

Traços herdados não mudam
A genética transformou a forma de pensar a ciência comportamental. Da probabilidade de desenvolver doenças a traços de personalidade, tudo costuma apontar para os genes. Em partes, faz sentido, mas a generalização é exagero.

Longe de ser uma espécie de destino traçado em nossas células, é possível “driblar” os genes usando o ambiente a seu favor, ao contrário do que dita o senso comum. “A genética corresponde a cerca de 60% da personalidade. As influências do ambiente, a 40%”, diz Bruno Mendonça Coelho, coordenador do ambulatório de psiquiatria da Faculdade de Medicina do ABC e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria. Os traços determinados pela genética definem o comportamento, e correspondem a aversão ao risco, o desejo por novidades, a necessidade de gratificação para cumprir tarefas e a determinação. Já o caráter é decorrente do ambiente, como a educação familiar que a pessoa recebeu e a cultura em que vive. O caráter envolve como a pessoa vê a si e ao mundo, e as relações que constrói com ele, sendo mais egoísta, curiosa, fechada, etc.

A personalidade e os transtornos dela dependem, portanto, da interação entre nossa carga genética com a forma de viver. “A personalidade é relativamente estável, mas desde criança, todos os aspectos vão sendo trabalhados”, afirma Coelho. Ou seja, bem moldável, mesmo com uma herança pré-definida de quem somos. “Basta termos a abertura e disponibilidade para a mudança que ela pode ocorrer. Às vezes pode demorar e exigir treino, levar recaídas, mas conseguimos mudar”, afirma Marina Vasconcellos, psicóloga pela PUC–SP e terapeuta familiar e de casal pela Universidade Federal de São Paulo.

Dificuldade de se relacionar pode ser sinal de insegurança masculina

Para muitos, envolver-se com alguém é sinônimo de perder a liberdade

Todo mundo conhece pelo menos uma mulher que já tenha se queixado da “fuga” dos homens quando estes percebem estar entrando em uma relação. Quando parece que os dois vão engatar em um relacionamento um pouco mais profundo, as coisas começam a esfriar repentinamente, sem qualquer explicação. E ele que parecia tão apaixonado e presente, já não está mais tão disponível, deixa de ligar, não envia mensagens, desaparece por alguns dias… O que acontece?

A necessidade de liberdade é bem mais perceptível nos homens. Mas o que vem a ser essa tal liberdade? Ela diz respeito à capacidade de escolha: onde não há escolha, não há liberdade. Vivemos em função de escolhas desde a hora em que acordamos até o momento em que vamos dormir.

O ponto fundamental disso é que toda escolha implica em perda e, ao escolhermos algo, fatalmente estamos deixando outra opção de lado. Isso gera consequências e temos que nos responsabilizar por elas. Não dá para ter tudo sempre. Assim, somos obrigados a enfrentar algumas privações.

Em um relacionamento conjugal, por exemplo, se escolho ficar com alguém necessariamente terei que abrir mão de outras conquistas e aventuras. Nem todas as pessoas estão aptas a enfrentar isso, o que implicaria em ter que abrir mão da satisfação imediata e passageira dos desejos que não param de nos tentar em prol de algo duradouro e sólido, mas que necessita de constante investimento.

Esse é o ponto que incomoda muitos homens, impossibilitando-os de investir em um relacionamento verdadeiro. Como abrir mão de sua liberdade e de ter quantas mulheres quiser no momento que lhe convier? Para eles, envolver-se com alguém significa deixar de estar com tantas outras que não lhe exigiriam satisfações, cobranças e compromisso. Que palavrinha assustadora essa! É como se a definição de compromisso fosse: perda total da liberdade, prisão, necessidade de dar satisfações do que faço e onde vou, fim do divertimento com os amigos, adeus aos jogos de futebol e corridas de Fórmula I pela TV, fim do desejo sexual acarretado pela mesmice – já que não posso variar com outras mulheres – e por aí vai.

Mas a liberdade não se restringe apenas à questão das outras mulheres, abrangendo as atividades em geral. Infelizmente muitos casais não lidam bem com a individualidade necessária dentro de uma relação, o que passa a falsa ideia de que todo compromisso restringe demais a vida de cada um. Esse é um aprendizado pelo qual todos nós devemos passar: aprender a conviver com as diferenças, respeitar o espaço de cada um, saber valorizar os momentos em conjunto e não obrigar o outro a fazer coisas que ele não gosta só porque formamos um casal.

É mito dizer que a partir do momento que se está namorando (isso mesmo, desde o namoro isso já acontece) deve-se fazer tudo junto e ir a todos os lugares e eventos com o companheiro. Nesse ponto já podemos identificar um grande erro. Se a mulher não gosta de futebol, por que tem que acompanhar seu namorado ao campo ou assistir aos jogos pela TV? Se ela vai a um encontro de amigos do colegial (turma que ele nem conhece), por que levar a “tiracolo” o namorado que, certamente, ficará deslocado, além de ter que se preocupar em fazer-lhe companhia?

Poderia citar inúmeros outros exemplos, mas quero apenas chamar a atenção desse fato que realmente atrapalha muitos relacionamentos.

É fundamental que cada um tenha seu espaço, conserve suas atividades e mantenha seus amigos.

Só assim é possível desfrutar de uma convivência harmoniosa, em que experiências e vivências individuais são compartilhadas e, a partir delas, o casal consegue construir um relacionamento gostoso e saudável.

Voltando à questão da liberdade, há certa confusão quando alguns homens dizem não querer perdê-la. Será que é realmente o medo de ficar “preso” a algo ou isso diz respeito à incapacidade de entregar-se ao amor e vivenciá-lo por completo?

Em relação a isso, gostaria de citar aqui um trecho do livro Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zygmunt Bauman (Ed. Zahar):

“Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual a grande incógnita na equação do outro. É isso que faz o amor parecer um capricho do destino – aquele futuro estranho e misterioso, impossível de ser descrito antecipadamente, que deve ser realizado ou protelado, acelerado ou interrompido. Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao regozijo num amálgama irresistível. Abrir-se ao destino significa, em última instância, admitir a liberdade no ser: aquela liberdade que se incorpora no Outro, o companheiro no amor”.

O mesmo autor segue citando Erich Fromm (The Art of Loving, Londres, 1957):

“A satisfação no amor individual não pode ser atingida… sem a humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeiras (…), pois em uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista”.

Como é difícil entregar-se a algo que não se tem qualquer garantia de sucesso e que exige constante cuidado e investimento. Nossa cultura atual prega o uso imediato das coisas e seu descarte o quanto antes. Isso inclui prazeres passageiros, satisfações instantâneas e, claro, a fuga de tudo que necessita de esforços prolongados.

Vivemos uma ambivalência muito grande atualmente. As pessoas pregam que querem encontrar parceiros para relacionar-se ao mesmo tempo em que, quando os encontram, mantêm uma distância segura para que não se firme um compromisso.

O medo de que as relações percam seu “frescor” inicial, sua intensidade e sua paixão, transformando-se em algo congelado e sem graça leva as pessoas a não se envolverem verdadeiramente, mantendo relações frouxas e passíveis de terminar a qualquer momento.

Como me envolver com alguém hoje e fechar as possibilidades de conhecer algo melhor amanhã? É difícil abrir mão do que eu “poderia ter”, bancar as escolhas e vivenciar por inteiro o presente!

Numa relação a dois a insegurança sempre estará presente em maior ou menor grau. Não temos o controle dos sentimentos do outro – nem dos nossos muitas vezes – e nada nos garante que ele permanecerá apaixonado ou envolvido nessa história pelo tempo que gostaríamos. Amar exige entrega e doação ao outro. Quanto mais a pessoa se sentir insegura com relação a si mesma, mais essa entrega significará um risco de perder o controle sobre si mesmo.

Assim, permanecer longe é uma garantia de não me misturar ao outro arriscando perder o meu foco. E aqui repito o que já disse em várias ocasiões: investir no autoconhecimento emocional é a melhor forma de garantir sucesso em suas relações afetivas de um modo geral.

Há muito mais o que dizer. Ideias vão brotando, enquanto filminhos de inúmeras relações tanto minhas quanto de amigos e clientes que já estiveram comigo passam pela minha mente enquanto escrevo.

Àqueles que não se deixam envolver em relações amorosas por medo de perder sua liberdade, minhas últimas palavras: você é livre para escolher o que considera melhor para sua vida; é livre para escolher viver intensamente algo verdadeiro ou passar por inúmeros relacionamentos superficiais e frouxos; você é livre para permanecer no sofrimento ou buscar a felicidade; você é livre para fechar-se em seus problemas afetivos passados e traumas que já teve ou sair disso e assumir o controle de seu destino; você é livre para relacionar-se com várias pessoas ao mesmo tempo, e com nenhuma delas de verdade; você é livre para crescer ao lado de alguém que o ame sinceramente e está disposto a entregar-se através do amor ou seguir sozinho, lamentando-se pelos relacionamentos que nunca dão certo.

 

Ter um tempo sozinho é importante mesmo após o casamento

Falta de lazer pode levar à brigas e até ao divórcio

Tenho observado tanto no consultório quanto fora dele casais que se separaram, e me chama a atenção como o a frase “sentia falta de ter um tempo para mim” é apontada como um fator de peso nessa decisão. Quando um casal se separa, o esperado da nova rotina é que os filhos se dividam entre ambos os pais, ficando um fim de semana com cada um, alternadamente. O pai que estiver livre pode programar-se da forma que lhe convier, com total liberdade para sair, rever amigos, dormir e acordar à hora que quiser, sem a responsabilidade de cuidar dos filhos e tudo que isto demanda, dedicando-se integralmente a si. Uma experiência totalmente nova e encarada como positiva, geralmente.

 

Recentemente estive com um casal que se divorciou, mas após alguns meses resolveu retomar o casamento. Realizaram sessões de terapia de casal, atitude esta que lhes ajudou a repensar a relação, aparar muitas arestas e elaborar aquilo que provocou a separação, partindo para uma nova união totalmente revigorada. Paralelamente ao trabalho conjunto, cada um procurou terapia individual a fim de olhar para as próprias questões e assumir as respectivas parcelas de responsabilidade pelo fracasso anterior. Aliás, os casais deveriam ter sempre em mente que o casamento exige “recontratos”, modificações, adaptações, e constantes reciclagens para que possa evoluir de uma maneira saudável.

No período em que estiveram separados, uma coisa foi descoberta e muito valorizada por ambos: o tempo que cada um encontrou para si, para fazer suas coisas, quando não estava em função da família. Então, mesmo retomando o relacionamento, decidiram que cada um terá um final de semana por mês para ficar sozinho, deixando para o outro a responsabilidade pelos cuidados dos filhos.

Existindo a confiança entre ambos esse tempo pode ser revigorante para a relação, tanto do casal entre si, quanto de cada um com os filhos

Essa decisão, além de garantir a cada um dos pais um tempo de total privacidade e liberdade, tem a vantagem de proporcionar àquele que fica com os filhos uma relação mais próxima, de cumplicidade, dando total atenção a eles, já que não terão o outro pai para dividir a atenção. Como na grande maioria das vezes são as mulheres que convivem mais com os filhos, em função da guarda, isso aproxima bastante a relação deles com o pai, que por ter a convivência mais intensa nesses dias e precisar dedicar-se a eles integralmente, melhora sensivelmente a qualidade deste papel. E isso é perceptível aos filhos que acabam desenvolvendo um vínculo maior e melhor com o pai, muitas vezes antes ausente.

E assim, após um pequeno período onde aquele que saiu pôde “recarregar suas energias” de alguma forma, volta para casa mais leve, com maior disposição e melhor humor.

Não seria ótimo se conseguíssemos fazer isso? Então, por que ter que esperar a separação para descobrir que você pode ter alguns momentos só seus, sem necessariamente estar divorciado? Quando pergunto a essas pessoas se o que elas escolhem fazer nesse período atrapalharia o casamento, é unânime após um primeiro momento de reflexão a resposta: “Não, não fiz nada que me comprometesse, apenas revi amigos que gosto, saí pra dançar já que meu marido detesta fazer isso, dormi até a hora que deu vontade sem ninguém pra me acordar, li tranquilamente o livro que estava parado há tempos na cabeceira, dei uma escapada até a praia ou fui andar no parque logo cedo…” e aí por diante.

Existindo a confiança entre ambos esse tempo pode ser revigorante para a relação, tanto do casal entre si, quanto de cada um com os filhos. Assim, evita-se aquele velho problema de jogar no outro a frustração por não fazer algo que se gosta, como por exemplo no caso das pessoas que adoram dançar, mas o cônjuge decididamente não se dispõe a fazê-lo. Por que não sair de vez em quando e matar a vontade com amigos? Ambos ficariam bem mais leves: um por realizar algo que adora, e o outro por saber que não precisa ficar preocupado por negar ao parceiro algo que lhe é tão significativo e prazeroso.

E assim, garantindo cada um seu espaço individual, ambos podem dedicar-se ao espaço da família com mais prazer e disposição. É um mito pensarmos que a partir do momento em que casamos temos que fazer tudo junto com o parceiro. Esse não é o ideal. Temos que garantir o crescimento de ambos individualmente, e também conjuntamente. Apenas quando nos permitirmos ser pessoas inteiras e felizes com nós mesmos conseguiremos ser felizes com o outro. Pense nisso.

Diferenças entre homens e mulheres causam brigas entre casais

Cada sexo reage de uma forma em determinadas situações do dia-a-dia

Publicado em 10/3/2011 no Portal Minha Vida

Alguns conflitos entre os casais poderiam ser evitados se soubéssemos relevar certas coisas que são consideradas “pessoais”, quando na verdade não passam de uma questão de gênero. Ou seja: grande parte (não estou generalizando, mas é realmente a maioria) das pessoas age assim simplesmente por ser homem ou mulher. Esse discurso pode parecer pouco preciso, mas em minha experiência como psicóloga, posso afirmar que ele é bastante útil para evitar certos tipos de brigas. Vejamos alguns exemplos:

1) “Nunca” e “sempre” são palavras que as mulheres costumam usar em suas discussões que o homem não recebe com bons ouvidos, porque as interpretam ao pé da letra e sentem-se ofendidos. Que tal trocá-las por “dificilmente” ou “raramente”, “frequentemente” ou “muitas vezes”?

Questões de gênero que provocam brigas desnecessárias entre casais, sendo que todas elas poderiam ser evitadas.

2) Mulheres rodeiam para abordar um assunto delicado, circundando o problema e floreando com detalhes ou coisas não tão importantes até conseguirem tocar no cerne da questão. Esses rodeios irritam os homens, que são objetivos e querem resolver tudo da maneira mais simples e direta possível.

3) Homens têm dificuldade para ouvir quando a mulher vem contar algo que a está angustiando ou preocupando. Eles querem logo achar uma solução, resolver a questão, encontrar uma saída prática, quando elas precisam apenas de um ouvido, um ombro amigo para chorar, alguém para compartilhar suas angústias e simplesmente estar ao lado, nem que seja para não falar nada.

4) Outra dificuldade dos homens é de ouvir um pedido de sua mulher para que modifique algo em seu modo de agir, pois isso a está incomodando. Esse pedido é ouvido como uma crítica destrutiva a ele como um todo, provocando grandes discussões que seriam totalmente desnecessárias se ele ouvisse apenas o que está sendo dito, sem generalizar para sua pessoa. O mesmo processo pode ser notado nas mulheres, que dificilmente enxergam uma crítica de maneira construtiva.

5) Mulheres não nasceram com a direção espacial muito desenvolvida… Quando consultam um guia de ruas, por exemplo, este vai sendo virado em suas mãos de acordo com o caminho a ser seguido, o que já não acontece com os homens. Aliás, ainda dentro do assunto carro, ambos não gostam de palpites quando estão na direção. A história do “eu iria por aqui” não costuma ter finais felizes, é melhor deixar que o motorista erre e corrija depois do que ficar dando palpites enquanto o outro dirige. Essa é uma briga muito comum entre os casais, que tem um poder incrível de estragar o programa que viria depois.

Enfim, estas e outras são questões de gênero que provocam brigas desnecessárias entre casais, sendo que todas elas poderiam ser evitadas caso as pessoas tivessem um conhecimento mínimo do jeito de funcionar de cada sexo. São apenas alguns toques para que sua harmonia conjugal não se desfaça por coisas pequenas, que quando somadas, podem virar enormes “bolas de neve”!

Tirar o convívio com o pai prejudica a formação da criança

A invenção de mentiras sobre o ex-parceiro provoca a sensação de abandono nos filhos

Publicado em 7/3/2011no Portal Minha Vida

Alienação parental é quando um dos pais (geralmente o que tem a guarda da criança) inventa mentiras e calúnias contra o outro, acusando-o de coisas que não aconteceram, na intenção de colocar os filhos contra ele, destruindo qualquer sentimento positivo que o filho sinta pelo pai ausente.

 

Em sua grande maioria as alienadoras são as mães, que ficam com a guarda dos filhos. São pessoas doentes, capazes de atos absurdos, provavelmente, fruto de uma separação muito mal resolvida e nada elaborada.

A raiva contra o ex-parceiro é descontada em atitudes absolutamente doentias e inconsequentes contra ele, a ponto de levar os filhos a acreditarem que foram abandonados pelo pai intencionalmente, que este “desistiu” deles, alimentando um sentimento muito ruim de rejeição e abandono que permanecerão para sempre em seu íntimo.

A raiva contra o ex-parceiro é descontada em atitudes absolutamente doentias e inconsequentes contra ele, a ponto de levar os filhos a acreditarem que foram abandonados pelo pai intencionalmente.

A identidade da criança e do adolescente se faz na interação com os pais, em primeiro lugar, e com o mundo. Esse convívio com o pai lhe é tirado à força, rompendo uma relação que poderia ser saudável e fazer toda a diferença em seu desenvolvimento como um todo. O prejuízo é a falta do afeto, do olhar do pai, do reconhecimento deste, e a ideia da mentira vai reforçar os sentimentos negativos da criança: “Não sou boa o bastante para o meu pai gostar de mim, ele nunca me amou”.

Um exemplo típico é a mãe provocar o sentimento de abandono no filho: “Olha como seu pai não liga pra você, nem telefonou no seu aniversário!” – quando o pai tentou de várias maneiras entrar em contato e foi devidamente impedido de acessar o filho – ou foi enganado com a afirmação da mãe de que o filho não queria falar com ele, quando aquele nem soube que o pai ligou.

Algumas mães chegam ao extremo de inventar falsas acusações de abuso sexual por parte do pai, pois este argumento garante a suspensão imediata da visitação. Como a justiça é lenta, até que se prove o contrário a mãe ganha tempo para bolar algo que afaste mais ainda a criança do pai.

Há aqui a criação de uma falsa memória: a criança não tem a memória sensorial, porque não viveu aquilo, mas a mãe afirma que isso aconteceu. Cria-se um adulto dicotomizado, com uma crise de identidade: “Afinal, isso aconteceu ou não comigo?” Não confia em sua percepção das coisas, em sua memória. A criança simplesmente acredita no guardião, repetindo falas e atitudes deste. Ela é levada a duvidar do amor do outro. Mesmo que se sinta bem ao lado dele, vê-se na obrigação de negar isso para o outro.
Os filhos sentem-se “traindo” o outro quando passam um dia muito gostoso junto com o pai – a necessidade de cumplicidade com o que toma conta é mais forte e a lealdade a ele não pode ser ameaçada. Chantagens como: “Se você gosta dele é porque não gosta de mim!” são comuns e obrigam o filho a mentir para se resguardar dos ataques do outro.

Enquanto são crianças, os filhos não têm como ir atrás da verdade e nem como questionar o que acontece. Mas, um dia entrarão em contato com a realidade, e será bem difícil lidar com a descoberta de que o “algoz” era justamente quem estava todo o tempo ao lado deles.

É muito difícil eliminar a marca que fica, o ressentimento irá permear pelo resto da vida a relação com o pai que ficou longe, e isso, poderia ter sido evitado. Sempre aparecerá a tristeza, a agressão ou a sensação de abandono, de revolta. O filho tem a sensação de que o pai não lutou por ele, não o amou o suficiente para enfrentar as adversidades e garantir sua convivência com ele.

O triste é que o tempo perdido não volta mais. Toda a infância, desenvolvimento e conquistas do filho são tirados injustamente do convívio com o pai. Todos perdem (e muito!).

É possível reconstruir uma relação, mas jamais resgatá-la. Infelizmente.

Proponha-se metas realistas para o próximo ano

Para que elas se concretizem é preciso planejamento e investimento

Publicado em 22/12/2010 no Portal Minha Vida

Como tradição, chega a época em que nos propomos inúmeras metas a serem alcançadas nos próximos 365 dias. Fazemos um balanço do ano: o que foi bom e o que deixou a desejar, conquistas realizadas e outras frustradas, como evoluímos financeiramente ou nos comprometemos com dívidas, amores descobertos ou vínculos desfeitos, crescimento profissional ou emprego perdido, cursos iniciados e nem sempre finalizados, promessas de atividades físicas regulares mesmo tendo aquela preguiça.

É claro que nem tudo é oito ou oitenta: sua vida pode não ter tido grandes alterações, e continua boa, tranqüila, realizada ou ainda indefinida, sem rumo, em busca de algo que não apareceu com clareza.

Lembre-se de que para as coisas acontecerem é necessário planejamento, investimento (de tempo, dinheiro e energia), força de vontade…

A “desculpa” de nos colocarmos metas para o próximo ano é válida para que sejamos obrigados a fazer um balanço da vida, analisar o que precisa ser mudado ou dar-se conta do que já conseguimos nos apropriando dos pontos positivos e passos dados, do próprio crescimento. Vale também analisarmos a qualidade de nossas relações afetivas, com quem estamos nos relacionando, se somos verdadeiros com o que sentimos e queremos.

Para evitar futuras frustrações, construa metas atingíveis, nada mirabolantes. É comum encontrarmos aqueles que programam “mega” viradas na vida e chegam ao final do próximo ano do mesmo jeito que começaram – ou talvez mais frustrados por não terem, mais uma vez, dado conta do que se propuseram a fazer. Frases como: vou falar inglês fluentemente (mas ainda não fala nada), farei uma viagem para o exterior (e não possui qualquer dinheiro guardado), encontrarei o amor da minha vida (quem sabe…), mudarei de emprego, reformarei a casa, frequentarei a academia todos os dias.

Lembre-se de que para as coisas acontecerem é necessário planejamento, investimento (de tempo, dinheiro e energia), força de vontade, uma dose de risco, boa noção da realidade e uma boa dose de sorte!

Então, chega de ficar parado esperando a vida passar, só reclamando, fazendo-se de vítima do azar e corra atrás do que precisa, de seus desejos, mas sempre dando passo após passo, e nunca querendo alçar vôos intransponíveis.

Bons planos e um ótimo ano pela frente!

Se estiver com dúvidas, não case

Muitos casais erram ao pensar que o parceiro irá mudar com o casamento

Publicado em 4/10/2010 no Portal Minha Vida

Um dia desses deparei-me com a seguinte afirmação: “Os homens casam esperando que as mulheres não mudem e as mulheres casam esperando que eles mudem”. Fiquei pensando se seria realmente assim, e tive que concordar: na grande maioria das vezes é exatamente o que acontece.

Muitos são os sinais de que algo na relação não está bem e pode dar errado, mas as pessoas têm dificuldade em olhar para eles com a devida atenção e dedicar a energia necessária para resolver as insatisfações. Talvez por medo de perder o outro, ou por achar que ele deva chegar à conclusão de que está errado por si mesmo, ou por não saber a melhor forma de abordar o assunto sem magoar ou irritar o outro. A questão é que incômodos são colocados debaixo do tapete e é mais fácil fingir que eles não existem.

Mas isso pode ser muito prejudicial à relação. Vamos a alguns exemplos: o homem fica agressivo em muitas ocasiões, perdendo a paciência e mostrando-se pouco tolerante frente a situações que o contrariem. A mulher, por medo da reação dele caso chame sua atenção, prefere acreditar que talvez tenha sido um momento de desequilíbrio, justificando com o estresse do trabalho ou com outro motivo qualquer. Quando estiverem juntos tudo será diferente. Sinal vermelho ultrapassado. Multado.

“Muitos são os sinais de que algo na relação não está bem e pode dar errado, mas as pessoas têm dificuldade em olhar para eles”

O sexo não é bom, o beijo não excita: tudo bem, depois de casar terão mais intimidade, mais disponibilidade, maior compromisso e tempo para se dedicarem um ao outro, além de “permissão” total para a prática do sexo com o cônjuge, sem culpa. Aí sim poderão entregar-se a uma vida sexual plena. Mais pontos acumulados na carteira.

Ele é ciumento e bebe demais em situações sociais, sempre excedendo os limites do bom senso e fazendo-a passar vergonha na frente dos amigos. Quem sabe isso ocorra porque tem medo de perdê-la, e quando casar terá maior segurança com relação ao seu amor, não precisando mais passar por tais situações? Multa gravíssima.

Ele vive desempregado e quando está num trabalho que parece interessante logo é despedido por algum motivo incompreensível. Os outros nunca reconhecem o seu valor. Quantos pontos já se acumularam até aqui?

Por fim, ele mente, mas nada que seja muito grave. Ela pensa: são mentirinhas pequenas, perdoáveis. Bem, sabemos que o pior cego é aquele que não quer ver, não é? Aqui você já acumulou pontos suficientes para perder a carteira, e passar por uma reciclagem geral em sua maneira de encarar (ou não encarar) os sinais que a vida lhe oferece.

Não case achando que tudo vai mudar, pois esse é um dos piores erros cometidos por casais “cegos” de paixão. Na dúvida questione, converse com amigos para checar suas percepções, exponha seus sentimentos ao seu companheiro, faça uma terapia de casal para conhecerem-se melhor. Numa relação a dois é preciso investir sempre! Não se contente com pouco!

Falta de sexo não quer dizer que o casamento deve acabar

Se o casal tem uma vida em harmonia, vale à pena tentar resolver o problema

Publicado em 23/8/2010 no Portal Minha Vida

 

Tem sido frequente a procura de terapia por casais com esta queixa: perguntam se é saudável manter um casamento onde não há atração sexual pelo parceiro. Tudo é bom na vida a dois: são amigos, adoram viajar juntos, criam os filhos com harmonia, têm uma vida social gostosa, dividem as tarefas de casa, possuem planos em comum… mas não existe sexo.

Essa é uma questão bastante delicada e de difícil acesso, já que ninguém gosta de admitir que não sente mais atração pelo cônjuge. Se for da parte de ambos, até fica mais fácil. Muitas coisas podem estar em jogo: como o casal conduz a vida sexual? Conseguem conversar abertamente a respeito de suas preferências e suas queixas ou calam-se, fechando-se em seu mundo próprio, com medo da reação do parceiro? Ambos estão satisfeitos com a vida sem o sexo ou apenas um deles não se importa?

 

“Se você está num casamento onde tudo é gostoso, mas falta o sexo, está em suas mãos decidir o que fazer. Às vezes é apenas uma questão de olhar mais para isso, voltar a cuidar dessa parte que foi esquecida e se esforçar para reacendê-la”

 

Afinal, essa vida corrida que levamos muitas vezes nos confunde, pois o cansaço e a correria do dia-a-dia não nos permitem ficar o tempo que gostaríamos à vontade com o parceiro, ou mesmo sair para fazer programas gostosos e estimulantes para a vida íntima do casal, enfim, somos tragados pelos afazeres em geral, pelo excesso de responsabilidades, pelas horas passadas no trânsito ou pela criação dos filhos.

E será que tudo isso justifica a ausência do sexo no casamento? Quando os casais me perguntam se isso é normal no decorrer do casamento, devolvo a pergunta com outra: vocês estão incomodados com essa situação ou está tudo bem? Porque há quem não se importe com o sexo, casais que ficam muito bem mantendo relações apenas esporadicamente, e aí, quem pode julgá-los ou criticá-los? Passada a paixão inicial, é esperado mesmo que a frequência sexual diminua. O comportamento anormal é quando a relação sexual acaba por completo.

 

Uma relação de casamento envolve outros aspectos além do sexo, como companheirismo, apoio mútuo, amizade, projetos em comum, sentir-se bem na companhia do parceiro, confiança, estímulo profissional e pessoal entre eles, harmonia familiar, admiração e respeito, entre outras coisas. Percebendo essa relação, muitos me perguntam: “bem, se não há sexo então é uma relação de amizade?” Isso não é verdade na maioria dos casos.

Cada relação é única, cada história construída envolve aspectos diferentes a serem levados em conta. Então, não nos apeguemos ao que as pessoas consideram ser certo ou errado, mas sim ao que faz mais sentido para nossa história pessoal.

Se você está num casamento onde tudo é gostoso, mas falta o sexo, está em suas mãos decidir o que fazer. Às vezes é apenas uma questão de olhar mais para isso, voltar a cuidar dessa parte que foi esquecida, reacendê-la com vontade, investir na intimidade do casal que ficou em segundo plano.

De repente vai se surpreender com o que pode encontrar! Bem, se sente que a ligação entre vocês já esfriou ao ponto de não fazer mais sentido, está sofrendo apenas para segurar algo que já acabou – e o sexo é um sinal disso -, então vale a pena procurar ajuda. Lembre-se de que você é responsável pelas escolhas que faz em sua vida. Podemos escolher permanecer no conhecido ou nos arriscar em novas experiências. Boa sorte!

A terapia te ajuda com problemas que atrapalham a felicidade

As pessoas que relutam buscar ajuda têm ideia equivocada sobre a terapia

Publicado em 13/5/2010 no Portal Minha Vida

É muito freqüente receber em meu consultório uma pessoa queixando-se do cônjuge, pois acha que ele precisa se tratar, mas não aceita por achar que “não é louco para precisar de terapia”. O casamento está à beira do colapso, o relacionamento está piorando a cada dia -e muitas vezes já vem se desgastando há anos -, mas um deles recusa-se terminantemente a procurar ajuda de um profissional para melhorar a situação.

Assim, quem vai em busca da terapia, geralmente é aquele que tem a visão melhor do que está acontecendo no relacionamento e, portanto, tem mais consciência da necessidade de ajuda. Porém, quando esta pessoa se submete ao tratamento, leva “indiretamente” o cônjuge também, na medida em que traz situações que o envolvem em todas as sessões. Em geral, a pessoa que procura ajuda fica um pouco frustrado por não conseguir convencer o outro da importância e necessidade do tratamento.

Fico me perguntando: por que sofrer tanto, colocar em risco as relações importantes de sua vida e muitas vezes também o trabalho, só para dizer que dá conta dos próprios problemas, por mais que esteja visível que isso não está acontecendo? Orgulho? Preconceito? Que fantasia tão assustadora as pessoas tem da terapia?

O que a terapia pode fazer por você?
A terapiaé um processo de autoconhecimento, onde o cliente, com a ajuda de um profissional treinado e capacitado para tanto, entenderá os motivos (ou causas) dos problemas que lhe impedem de ser feliz na vida, descobrindo novas maneiras de se colocar em certas situações ou reagir a elas, a partir de uma nova compreensão de seu modo de funcionar emocionalmente.É comum trazermos problemas mal resolvidos da infância, com uma emoção forte que não foi devidamente acolhida ou elaborada à época, que acabam se refletindo em situações atuais, aparentemente sem qualquer ligação com aquele fato do passado.

Quando o problema é compreendido na terapia, é como se uma peça de um quebra-cabeça fosse encaixada, dando sentido a várias outras situações e emoções antes não entendidas. A partir daí a pessoa pode escolher como continuar vivendo, geralmente com mais autenticidade e confiança em si, aprendendo a colocar-se no lugar do outro, assumindo a responsabilidade por suas decisões, tendo mais clareza de seus sentimentos e entendendo o porquê de muitas atitudes que ela tem.

Esse trabalho acontece a partir de um convívio, no mínimo semanal, onde a frequência e a constância desses encontros proporcionarão condições para que a pessoa, dedicando um tempo exclusivamente para si, invista em suas questões emocionais, esforçando-se em resolvê-las e compreendê-las.

Há casos mais graves onde necessita-se do acompanhamento de um psiquiatra para ministrar alguma medicação, o que não deveria ser tão assustador como parece. A medicina está aí para nos ajudar, e se precisarmos usá-la, por que não?

A medicação sozinha apenas diminui ou acaba com os sintomas apresentados, mas a causa deles continua ali, e é este o ponto enfocado na terapia – porque se não entendermos as causas dos problemas, quando pararmos o remédio eles voltarão como antes. Se apenas tomar remédios funcionasse, a tal da “pílula da felicidade” (como foi chamado o Prozac assim que começou a ser comercializado) resolveria todos os nossos problemas, certo?

Portanto, se suas emoções ou dificuldades andam prejudicando suas relações pessoais e/ou profissionais, não deixe de procurar ajuda terapêutica. Vão chamá-lo de “louco”? Louco é aquele que prefere colocar sua felicidade a perder em nome do que os outros vão pensar ou falar. Seja mais você e assuma a responsabilidade por sua saúde emocional!

Não espere a separação para mudar o que está ruim no relacionamento

O diálogo é a melhor forma de resolver os problemas entre um casal

Publicado em 13/5/2010 no Portal Minha Vida

Quem já não ouviu falar em casais que se separam e, após algum tempo, voltam a namorar (entre si)? Pois é mais comum do que podemos imaginar. Infelizmente as pessoas costumam deixar os problemas atingirem níveis quase insuportáveis para buscar uma ajuda e uma solução. O temor ou a incapacidade do diálogo entre os casais é a principal causa dos conflitos que acabam levando à separação.

É triste, mas só depois que um deles desiste de lutar contra algo que não está bem, mesmo tendo tentado à sua maneira enfrentar o problema, e divorcia-se, é que a “ficha cai” para o parceiro.

Tentativas frustradas de conversas, em que um tenta, em vão, dizer ao outro o que não está bom e o que o incomoda, mas não é levado a sério como deveria, chegam a um estopim que parece só se aliviar com a separação.

A partir da dor da distância o cônjuge inconformado, que não ouvia as queixas do outro, passa a querer se modificar, tentando entender porque, afinal, não davam certo juntos. Só então ele se analisa – às vezes procura uma terapia para auxiliá-lo nessa busca interna por respostas -, e começa a modificar seu comportamento a partir dos pontos que o outro apontava, mas que antes eram simplesmente encarados como cobranças (e quem gosta de ser cobrado?).

Tive a oportunidade de presenciar casais que se separaram e, a partir daí, começaram uma nova vida reestruturando a rotina, as atitudes, ampliando os pontos de vista e enxergando o “ex” com outros olhos, sem resistência, sem falta de paciência, sem o escudo que colocamos à nossa frente quando não queremos ou não podemos ver algo, pois é difícil ou dolorido encarar a verdade e assumir determinados erros.

 

Devo mudar meu comportamento só porque o outro está pedindo?
Não, não estou dizendo isso. Quero dizer que o casamento é a melhor forma das pessoas se conhecerem, pois o outro é, por muitas vezes, nosso espelho, dando-nos “feedback” das nossas atitudes, fazendo-nos perceber como podemos provocar sentimentos bons ou maus no próximo a partir do que fazemos, e de como fazemos. Estar aberto para esse retorno de quem convive conosco e aproveitar para se olhar, rever as atitudes, é uma ótima chance de crescimento como pessoa.Nem sempre o olhar do outro pode estar certo, mas vale o questionamento a partir daí. Por que não acolher e discutir com ele seu ponto de vista? Se forem muito discordantes, aí sim vale um investimento maior em uma terapia de casal, ou individual, para que consigam resolver essas diferenças antes que elas destruam o relacionamento.Esse é o ponto: muitos casais sofrem terrivelmente porque um não ouve o que o outro tem a dizer, e se fecha em sua “verdade” absoluta, recusando-se a rever algo que incomoda muito o cônjuge, por achar que é assim e deve continuar assim.Não podemos esquecer que a relação é feita de duas pessoas, e quando algo de um está incomodando, deve-se falar a respeito e tentar resolver. Deixar quieto o que não vai bem só resultará em um amontoado de queixas, que tendem a crescer com o tempo, minando o amor que um dia uniu o casal.

Traição: perdoar ou não?

Frustrações no relacionamento podem virar motivo para o ato

Publicado em 25/9/2009 no Portal Minha Vida

Perdoar uma traição não é uma das coisas mais fáceis de fazer. É preciso gostar muito e acreditar que vale a pena investir na relação para que esse processo aconteça de verdade. Sim, é um processo e exige muita paciência da parte do traidor, assim como um enorme investimento de energia de ambos.

Em primeiro lugar, temos que saber o motivo da traição, o que fez com que o cônjuge procurasse ou simplesmente deixasse se envolver por outra pessoa mesmo estando compromissado com seu parceiro.

Muitos podem ser os motivos, mas nem por isso estou justificando o fato. Em geral o relacionamento já vem se desgastando há algum tempo e ambos não se dão conta disso, estão acomodados na rotina e convivência diária. Não percebem que, no fundo, o sentimento pelo outro está desgastado, enfraquecido, e não o alimentam. A vida sexual já não é como antes, a vida corrida e atribulada do dia-a-dia faz com que o casal quase não tenha tempo para si, distanciando-se cada vez mais; deixando de lado os momentos românticos e atitudes gostosas que um dia foram importantes na conquista de um pelo outro.

De repente alguém novo aparece, elogiando como você está vestida, reparando que cortou o cabelo, valorizando atitudes pequenas, interessado em sua vida, com um papo gostoso que flui, sem reparar em suas manias e defeitos. Difícil resistir, certo? Pois é aí que entra nossa consciência com o “superego” dizendo: “Não faça isso, você é casada (o)!”, ou o “id” contrapondo: “Vá fundo, o que você tem a perder?”. Podemos nos sentir atraídos por outras pessoas fora do casamento, mas temos a opção de nos deixar levar ou não por esse desejo, muitas vezes quase irresistível.

Bem, você caiu em tentação. Dá pra perdoar? Tudo depende…

Já presenciei várias histórias de casais que se aproximaram como nunca após um episódio de traição. Isso é possível quando, após a descoberta do fato, ambos se propõem a discutir profundamente sobre tudo que não está bom na relação, através de uma terapia de casal. Eles se comprometem a mudar, recomeçando o casamento. Sim, é um recomeço e requer muito trabalho até o traído voltar a sentir confiança em quem o traiu.

Um dos maiores problemas enfrentados pelos casais em crise é a falta de diálogo, o acúmulo de situações desagradáveis para ambos que não podem ser expressas pelo medo da reação do parceiro. O medo de magoar ou causar uma discussão indesejável acaba instalando o silêncio, que com o tempo só prejudica o casal. Não se fala do que não está bom, acumulam-se insatisfações e frustrações, o que pode dar margem à vontade de estar com alguém que não o frustre tanto.

Entender os motivos que levaram uma pessoa a trair provocará uma auto-avaliação de cada um na relação, e fará com que ambos assumam sua responsabilidade na manutenção do amor. É preciso alimentá-lo sempre!

Só cabe o perdão onde ainda existe amor e o arrependimento sincero de quem traiu. É possível reconstruir uma relação pautada em novos moldes de funcionamento, e em especial, num diálogo franco e atitudes transparentes.

Quem disse que é fácil manter um casamento feliz sem momentos de crise? O importante é saber superá-las e tirar o maior proveito para nosso crescimento.

Não culpe os outros por sua infelicidade

Assuma a responsabilidade por seus fracassos

Publicado em 2/7/2009 no Portal Minha Vida

Algo comum nos relacionamentos é encontrarmos pessoas que culpam o parceiro por fracassos e frustrações suas, jogando nele a responsabilidade por sua infelicidade. Convivem por anos acumulando pequenas frustrações, abrindo mão de mais coisas do que gostariam, deixando de realizar atividades que proporcionavam prazer e alimentavam sua auto-estima, sempre em nome do casal: já que o outro não gosta disso, para evitar brigas, abre-se mão do desejo.

Isso pode ser uma grande armadilha. Com o tempo esses espaços vazios vão se avolumando, causando cada vez mais uma sensação de incompletude e insatisfação generalizada, que acaba por interferir em outras áreas da vida pessoal.

Ao abrirmos mão de algo em nome do casamento, temos que ter a consciência da escolha que estamos fazendo no momento, se é isso realmente o que queremos, ou se não há outra saída alternativa. A relação a dois exige concessões, é claro, pois agora não estamos mais sozinhos para tomar decisões. O outro deve ser levado em consideração na maioria dos assuntos, e muitas vezes aceita fazer algo que nem queria, mas com os argumentos do cônjuge acaba sendo convencido e muda de idéia. Na maioria das vezes, não se arrepende.

Aprendemos muito através da convivência a dois, nosso parceiro pode nos abrir horizontes antes não imaginados ou temidos por serem desconhecidos.

O problema aparece quando um está sempre abrindo mão de seus desejos em função do outro que não se dispõe a acompanhá-lo em certas situações ou que não o apóia quando este precisa de uma confirmação ou um incentivo. Se ficar dependendo da posição do outro para a realização do que quer, corre o risco de deixar muitas realizações para trás, e o pior, culpar eternamente o cônjuge por sua incapacidade de enfrentar as coisas sozinho.

Vamos a um clássico exemplo muito citado pelos casais que atendo: um gosta de dançar, o outro não. Acabam nunca saindo para dançar porque chega a ser algo desagradável acompanhar o parceiro que nem o ritmo da música consegue seguir. O que fazer? Bem, em primeiro lugar tente convencê-lo a fazer umas aulas de dança, pois pode ser que ele acabe pegando o gosto por algo que, por não saber fazer, encara com má vontade e rejeita. Isso é o tipo da coisa que aproxima os casais: um ambiente onde todos estão no mesmo barco , aprendendo, divertindo-se, ouvindo música, relaxando o corpo, deixando a sensualidade aparecer, o que pode ser uma ótima oportunidade de aumentar a intimidade do casal.

Agora, se mesmo com a tentativa o interesse não for despertado no outro, então… vá você sozinho! Por que não? Escolha um lugar adequado onde possa satisfazer sua vontade de vez em quando, a fim de não guardar essa frustração dentro de si pelo resto da vida. O parceiro é ciumento? Bem, ele terá que lidar com isso.

Muitos outros são os “desencontros” comuns na vida a dois, o que nos força a estar sempre negociando alternativas para nos adequarmos uns aos outros. Mas lembre-se sempre de olhar para dentro de si e checar qual a sua parcela de responsabilidade na realização de algo, antes de jogá-la nas costas do cônjuge.

Casamento por interesse: será que é um bom negócio?

Relações onde não há amor tendem ao fracasso

Publicado em 1/7/2009 no Portal Minha Vida

Vamos imaginar uma situação típica de casamento: você conhece alguém que lhe atrai, começa a namorar, vive uma paixão deliciosa, sente muito tesão, aproxima-se da família do outro, planejam o casamento, compram o apartamento… e acham que será tudo muito lindo e gostoso quando trocarem as alianças. Bem, nem sempre é assim, posto que a partir do momento que passam a viver juntos, convivendo com as diferenças e manias ou defeitos do outro (que antes não incomodavam por não fazerem parte do seu dia-a-dia), e passando pelas dificuldades do cotidiano comuns a todos, o humor muda, a paciência diminui, os conflitos começam a tomar forma e você começa a se questionar se fez a escolha certa.

Não quero dizer que casamento é só coisa ruim, de jeito algum, apenas pretendo frisar que conviver com outra pessoa requer maturidade, troca, disposição para abrir mão de certas coisas, paciência, tolerância, aceitação das diferenças, colocar-se no lugar do outro sempre, apoio mútuo, enfim, é uma oportunidade única de crescimento pessoal se ambos estiverem dispostos a isso.

Agora, se mesmo estando disposto e amando o cônjuge já é difícil passar por certas situações e colocar em prática tudo isso, imagine no casamento onde não há amor, onde tudo o que se almeja é o dinheiro do outro e as vantagens que este pode lhe proporcionar? Como será passar por dificuldades no relacionamento? Aonde ficará a paciência e a disposição em resolver possíveis conflitos numa boa, se não há o afeto que permeia a relação? E os filhos como serão criados? Que modelo de relação lhes será passado?

Direcionar sua vida em função do dinheiro pode lhe trazer terríveis conseqüências, a começar por não vivenciar uma relação saudável pautada no amor com alguém ao seu lado, estando fadada à miséria emocional, à não realização afetiva, e não aprendendo a lidar com situações de frustração ou falta, já que essa relação deve ser sempre “perfeita” para que o casal permaneça junto – não há espaço para a dificuldade financeira, qualquer passo em falso coloca tudo a perder, além de não existir interesse e investimento no aprofundamento da relação conjugal; ninguém pode falhar, qualquer situação que saia do previsto pode assumir proporções enormes, já que não há a aceitação do outro pelo que ele “é”, e sim pelo que ele “tem”.

Há pessoas que arriscam-se a mudar de país, acompanhando um marido estrangeiro que mal conhece, indo atrás da sedução de uma vida financeira farta em um país mais desenvolvido (dá status morar fora…), correndo o risco de isolarem-se nesses lugares desconhecidos, estando sempre à sombra de alguém, sofrendo o isolamento imposto por estarem longe dos amigos e familiares. Em muitos casos a solidão não suporta o novo estilo de vida.

Finalmente, diria que se você pretende casar-se por interesse, que este seja por sua felicidade, por sua realização como pessoa, como ser humano, por querer crescer e experimentar um novo modo de dividir as coisas com alguém especial ao seu lado. Pois sabemos muito bem que o dinheiro ajuda bastante, mas não garante a felicidade de ninguém!

Terapia de casal… Para quê?

Uma boa conversa pode ajudar a resolver todos os males

Publicado em 30/4/2008 no Portal Minha Vida

Quando falamos em terapia, logo vem aquele velho preconceito à mente: Não sou louco para precisar de terapia . Infelizmente, ainda a maior parte das pessoas não tem a exata noção do que significa esse tipo de tratamento.

A terapia tem por finalidade que as pessoas parem tudo o que estiverem fazendo por um período de uma a duas horas semanais, para que se dediquem a olhar para si, para sua vida, suas relações com as pessoas; repensar suas atitudes e dificuldades, enfrentar sentimentos difíceis de se lidar, assim como perdas que devem ser elaboradas, enfim, é um momento onde a pessoa revê sua vida para melhorá-la e procurar ser mais feliz.

Para tanto, conta com a ajuda de um profissional formado e capacitado que, com sua escuta atenta e observadora, leva o indivíduo a olhar para dentro de si, descobrindo, assim, novas possibilidades de ação e e solução de conflitos.

A terapia de casal foca prioritariamente a relação, não aprofundando em questões internas de cada um separadamente. Porém, sabemos que para haver uma relação é necessário que duas pessoas com suas histórias de vida distintas se unam; portanto, cada uma será levada em conta, mas apenas no que diz respeito a aspectos que interferem na relação atual.

Na escolha do cônjuge sempre existem aspectos inconscientes envolvidos: nada se dá por acaso, algum ganho sempre está por trás de uma escolha. Por exemplo: é comum nos apaixonarmos por aqueles que mais parecem nossos opostos, não tendo nada em comum… No fundo, buscamos no outro o que gostaríamos de ter ou ser, e se um dia ele resolve mudar o seu jeito, a relação não faz mais sentido. Na verdade estamos nos relacionando com a parte idealizada de nós mesmos!

Outra fatalidade que comumente acontece é a vontade inconsciente de buscar no parceiro uma cópia do pai ou da mãe, e esperar que ele funcione de acordo com o que sempre se viu nos pais. Este tipo de relação está fadado ao fracasso, a menos que isso seja explicitado e trabalhado para que cada um seja aceito e admirado por aquilo que se é, como ser único.

Na terapia de casal temos a oportunidade de rever a vida a dois, muitas vezes desgastada pelo acúmulo de pequenos desencontros do dia-a-dia. É um espaço apropriado para facilitar o diálogo e a conseqüente resolução de conflitos, repensando, modificando e fortalecendo a relação conjugal.

Poderia dar aqui inúmeros exemplos de relações não saudáveis que se beneficiariam e muito com este trabalho, mas por uma questão de espaço, gostaria de chamar a atenção para aquilo que mais freqüentemente observo em meu consultório: cada vez mais testemunho o quanto a falta de diálogo deteriora as relações, assim como o entendimento equivocado da fala do outro com interpretações distorcidas acabam por levar a inúmeras e desgastantes brigas.

Não precisamos só saber falar, mas também saber ouvir o que o outro está dizendo e entender o verdadeiro conteúdo que está sendo comunicado. Numa terapia de casal, isso é detectado e treinado, para que os cônjuges possam transformar verdadeiramente sua relação em algo mais equilibrado e transparente.

Porém, há situações onde o desgaste já é tão grande, onde o amor já não existe, que o melhor mesmo é a separação. Essa também é uma das funções desta terapia, proporcionando ao casal um clima de maior harmonia e diálogo, para que a separação se realize de forma madura e responsável, e, caso haja filhos, que estes sejam minimamente afetados.

Se você sente alguma dificuldade em seu relacionamento conjugal, lembre-se de que o quanto antes elas forem resolvidas, maior a chance do casamento se reerguer, pois pequenos conflitos quando devidamente trabalhados podem ser motivo de crescimento para o casal, mas quando se tornam grandes podem não ter mais uma solução amigável.