Você fala demais? Eis as dicas para controlar o problema

Publicado, Veja/saúde, 21.09.16

Especialistas ouvidos por VEJA afirmam que só é necessário procurar ajuda por “falar demais” quando a prática atrapalha a vida pessoal ou profissional

MegafoneTodos conhecem alguém que fala demais ou já acharam que falaram demais em alguma situação. Para evitar constrangimentos, psicólogos recomendam pensar antes de falar, respirar e prestar atenção aos sinais não verbais do ouvinte.

Você conhece alguém que fala sem parar? Ou ainda, você se considera uma pessoa que fala demais? Esse hábito, que incomoda quem está ouvindo e até mesmo o próprio tagarela pode ter várias explicações, entre elas a própria personalidade da pessoa, um hábito familiar, carência ou até mesmo ser parte de um distúrbio de ansiedade ou uma mania.

Mas, como se policiar e quando é necessário procurar ajuda? Especialistas ouvidos por VEJA afirmam que só é necessário procurar ajuda quando a prática passa a atrapalhar a vida pessoal e/ou profissional da pessoa. Caso contrário, ela mesma pode tentar “falar menos” seguindo as dicas abaixo.

Para Izaela Pereira, psicóloga da Aliança – Oncologia, a chave para essa questão está no autoconhecimento associado ao autocontrole.  “A fala é um dos principais instrumentos facilitadores de um convívio social e para que seja assim o ponto mais importante o autoconhecimento porque se a gente não se conhece, fica difícil se controlar. Não existem regras para o autocontrole o único jeito é cada um entender como funciona e quais são os seus limites”. Segundo Izaela, em uma conversa é preciso e tomar consciência do que se fala, saber ouvir as outras pessoas, ter foco na conversa, cuidado para não se expor demais e saber o que efetivamente é importante ser dito.

Andreia Calçada, psicóloga e psicoterapeuta, afirma que o primeiro e mais importante passo é se conscientizar do problema. “A pessoa precisa tomar consciência de que fala em excesso e, a partir disso, entender o que a faz falar demais. Seria excesso de ansiedade?  Alguma situação específica que causa desconforto?”, afirma. Uma dica para isso é anotar em um caderninho situações em que você acha que extrapolou por ter falado muito ou o que não devia. A prática ajuda a se policiar e a começar a pensar antes de “entrar no papo”. Respirar e pensar “isso é válido de ser falado?” também ajuda.

A terapeuta familiar e de casal, Marina Vasconcellos, recomenda aos “faladores” observarem os sinais não verbais do ouvinte. “As pessoas mostram sinais corporais de desconforto ou desinteresse como se mexer ou virar o olho quando não estão confortáveis com aquela situação, então prestar atenção nesse sinais pode te ajudar a perceber quando se está falando demais”. Outra dica é pedir para pessoas próximas, seja um amigo, familiar ou companhe “dar um toque” caso você esteja exagerando.

Já Aline Gomes, psicoterapeuta, chama atenção para outra característica dessas pessoas. “As pessoas que falam demais costumam ser muito divertidas, ser o centro das atenções e ter muitas historias para contar. Elas preenchem os ambientes. Por outro lado, podem ser vistas como pessoas carentes de atenção, com dificuldade de ficar sozinhas”, diz. Neste caso, Aline recomenda tentar aproveitar essa característica a seu favor. “Se você gosta de falar e/ou contar histórias, dedicar-se a atividades como teatro ou escolher um trabalho que exija contato frequente com público pode ser positivo”.

 

Um guia de sobrevivência para quem entra em pânico com o clima de Natal

“Há uma energia aflitiva no ar”

Publicado no Glamurama em 20.12.15


(Por Julia Furrer para a Revista J.P)

Todo ano é a mesma coisa. Primeiro os panetones invadem sorrateiramente o supermercado antes de novembro chegar. Depois surgem as luzinhas, aos poucos, até transformarem a cidade em uma espécie de circo. Os shoppings ganham papais noeis, o trânsito passa a ficar carregado, os caminhões da Coca-Cola começam a circular e pronto. Já é Natal. Tão clichê quanto isso tudo é o sentimento de angústia que nos acomete. Começa o balanço do ano que passou, a corrida para comprar presentes e, claro, os inúmeros eventos obrigatórios desse período. É um tal de happy hour do trabalho, amigo secreto da turma do colégio e reunião de fim de ano dos amigos de infância que, ao término da maratona, estão todos exaustos e com a sanidade comprometida – a ponto de discutir ferozmente por causa de uma vaga no estacionamento do shopping. A psicóloga e especialista em terapia familiar pela Unifesp Marina Vasconcellos atesta: “Há uma energia aflitiva no ar”. Segundo ela, uma das maiores causas de ansiedade durante esse período é o excesso de cobranças que passa a nos perturbar. Quem não vai a todos os eventos é considerado antissocial, quem dá pouca caixinha para os funcionários ganha fama de mão de vaca e ai de quem sofre com o fato de ter de ir para o interior passar a noite com a família. “As pressões aumentam muito e as pessoas se veem obrigadas a agir de um jeito hipócrita”, afirma Marina. Pessoas que não se encontraram o ano inteiro (e que provavelmente têm bons motivos para isso) precisam interagir e até fingir que se gostam. Tem também a obrigação de estar acompanhado e se sentir feliz e agradecido. “Quem não conseguiu realizar o que gostaria ou está na solidão fica ainda mais aborrecido com essa exigência.” J.P se joga no tema e lista alguns dos momentos mais constrangedores – e frequentes – do período. Meta da vez? Não noiar tanto, afinal, ano que vem tem mais!

Caixinha de Natal

Problema: A crise está pegando e os pedidos estão por toda a parte. Porteiros, carteiros, passeadores de cachorro e manobristas. Quem não dá nada corre o risco de ser maltratado durante o ano que vem.

Solução: Comprar lembrancinhas (tipo panetone) e distribuir. O que importa é a data não passar batido.

Amigo secreto

Problema: Todo mundo saberá quem tirou quem depois de dois dias do sorteio dos nomes, haverá piadinhas sem graça depois do “meu amigo secreto é…”, e claro, você vai ganhar algo muito pior do que deu.

Solução: Se tiver mesmo de participar, cole naquele parente que adora absolutamente tudo sobre a data e tente entrar no clima.

Estacionamento do shopping

Problema: Está sempre cheio e achar uma vaga é missão impossível. Para piorar, as pessoas são mal-educadas e o valet custa os olhos da cara.

Solução: Vá de táxi, oras. Ou, para ficar melhor, use a bike que ainda por cima é ecológica. Tem pânico só de pensar no shopping cheio? Se jogue nas compras on-line.

Ansiedade infantil

Problema: Na noite de Natal, as crianças querem abrir os presentes logo e perguntam de dois em dois minutos sobre o jantar.

Solução: Quem foi que disse que só pode comer depois da meia-noite, mesmo? Liberte-se da tradição e seja feliz. Sua noite vai ser muito melhor quando eles já estiverem na cama.

Produção da ceia

Problema: É difícil acertar o ponto do peru e sempre vai ter um parente para reclamar das uvas-passas no arroz.

Solução: Não perca tempo e encomende sua ceia em algum bom banqueteiro. Se alguém reclamar, a culpa é dele.

Trilha sonora

Problema: Ninguém aguenta mais a Simone e só de ouvir os primeiros acordes de “Então É Natal…” dá vontade de chorar.

Solução: Faça uma playlist com os hits mais animados do ano.

Look

Problema: Gastar horas se arrumando para ir até a sua própria sala e ficar só com a família.

Solução: Combine um after com os amigos mais animados e aproveite o look.

Maratona

Problema: Ter de se desdobrar entre os eventos da sua família e os do parceiro.

Solução: Passe a ceia do dia 24 com um e o almoço do dia 25 com o outro. Ninguém merece dobradinha no mesmo dia.

Dieta

Problema: Mil tentações tipo bombas calóricas e férias de biquíni à vista.

Solução: Vale a velha regra das nutricionistas: coma tudo, mas com moderação.

Parente chato

Problema: Tem o que bebe além da conta, o que insiste em discutir política e o que faz comentários desagradáveis.

Solução: Tome uns florais e enfrente a situação com bom humor. Evite ao máximo entrar na discussão.

Quem só pensa em si mesmo é visto com desconfiança

Publicado no Bol em 28/12/2012

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Ao olhar para o lado e enxergar o outro, a pessoa ganha respeito e portas se abrem para relações saudáveis

Em um mundo cada vez mais competitivo, violento e desigual, a tendência é as pessoas se tornarem mais individualistas, tentando sobreviver em um meio que muitas vezes é hostil e cruel. As relações vão ficando impessoais, distantes, com pouco envolvimento afetivo. Claro que também há outro lado: indivíduos que, percebendo tudo isso, vão na contramão e buscam a espiritualidade, o amor ao próximo, uma maneira mais solidária e humanista de viver.

Além do entorno que leva ao personalismo, outras condicionantes determinam se o sujeito será ou não preocupado com o próximo. A principal delas, a criação. “Tal aprendizado vem desde a infância. Os pais passam para os filhos, em suas atitudes, e na forma como tratam os demais. Fica o registro do modelo de relacionamento em que se tornam evidentes a atenção e o respeito alheios, ou o contrário disso”, destaca Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo.

Padrão de pai para filho

Tudo serve de exemplo para as crianças: o modo como o casal se trata mutuamente, como se dirige aos filhos; o ato simples de cumprimentar os funcionários do prédio onde moram; o hábito de agradecer, falando “obrigado”, às pessoas que lhe fazem algo; o pedir com educação, sempre acompanhado do termo “por favor”. “Enfim, todas essas atitudes são compreendidas, pelo menor, como um cuidado necessário com os outros. Os bons progenitores ainda ficam alerta para chamar a atenção do pequeno quando este desrespeita um colega, ou se recusa a dividir um brinquedo”, diz a psicóloga.

No outro extremo, estão indivíduos que não desenvolveram a generosidade por questões familiares ou convívio com educadores em que imperava, na relação, conflitos, desentendimentos ou incompreensões, levando ao desrespeito mútuo. “A situação piora se os pais são omissos na educação, deixando passar situações em que o desacato predominou, sem chamar a atenção para o fato. Idem se apresentam um modelo de conduta pautado na agressividade, na imposição, na falta de diálogo. Daí para surgirem sujeitos egoístas, que não aprenderam a se colocar no lugar do outro, é um pulo”, sustenta Marina Vasconcellos.

Respeito e oportunidades

Ao olhar para o lado e enxergar o outro, a pessoa ganha o respeito não só deste cidadão em especial como também de muitos outros. Portas se abrem para relações saudáveis e oportunidades profissionais, pois fica claro que há habilidade para conviver em sociedade e preocupação com o próximo. “Isso é de uma importância ímpar no mundo atual, em que tudo leva ao egocentrismo e exclusivismo”, salienta Marina Vasconcellos.

Por outro lado, quem é autocentrado e pensa sempre em si mesmo em primeiro lugar, não levando os demais em consideração, sofrerá as consequências. Serão vistos com receio e não passarão confiabilidade – porque podem, por exemplo, abrir mão de algo que estavam fazendo em parceria e mudar o rumo do negócio caso seu interesse não seja mais aquele. E isso sem levar em conta o impacto sobre o outro ou o que ele pensa sobre o fato. “Quem lida com uma pessoa reconhecidamente egoísta tem que estar alerta, encará-lo com ressalva, pois não dá para contar totalmente ou mesmo confiar”, diz a psicóloga.

Agora, uma observação: sabe aquela história de que os extremos são complicados? Pois é o que defende Cecília Zylberstajn, psicóloga pela PUC-SP, psicodramatista e psicoterapeuta de adolescentes e adultos.

“Penso que ambos – egoístas e altruístas exagerados – sofrem. Os primeiros acabam se isolando e tendo relações prejudicadas pela falta de troca humana. Dar é um prazer que se aprende, e essas pessoas não vivenciam isto. Por outro lado, os muito altruístas podem ficar insatisfeitos consigo mesmos, não alcançando sempre seus objetivos de ajudar o próximo e, por vezes, sentindo-se abusados e sobrecarregados. Não podemos ser totalmente dependentes nem independentes, o saudável é ser interdependente.”

Para quem quer mudar o panorama e se tornar uma pessoa mais solidária, as terapeutas dão algumas dicas, acompanhe:

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Mania de perseguição nem sempre é percebida por quem tem

HELOÍSA NORONHA 

Colaboração para o UOL

 

Basta um olhar torto do chefe, da amiga ou até de um desconhecido na fila do cinema para os piores pensamentos virem à tona: “Ele me odeia”, “O que será que fiz de errado dessa vez?”, “Está achando minha roupa cafona”…  Muita gente pena, calada, com a mania de perseguição. Ela pode ser interpretada como uma necessidade inconsciente de ser o centro das atenções –a pessoa que acredita que os outros estão prestando atenção nela, no fundo, se sente isolada e sozinha e anseia camuflar uma grande timidez. Mas não é uma regra.

“Quem acha que o tempo todo é vigiado, em geral, é inseguro, possui baixa autoestima e não tem autoconfiança”, diz a psicóloga Cecília Zylberstajn, de São Paulo, que explica que todos nós temos uma consciência que nos aponta como o outro nos percebe. Quem tem mania de perseguição, porém, conta com essa percepção distorcida e leva tudo para o lado pessoal, sem considerar o contexto. É o caso de alguém que passa perto de um grupo em que todo mundo está rindo e, imediatamente, se coloca como alvo de chacota.

A intensidade com que a mania de perseguição acontece varia de indivíduo para indivíduo, mas sempre causa angústia e mal-estar. Quando exagerada, prejudica, e muito, a vida social, pois a reclusão é a solução para evitar o público, já que há um medo terrível de ser alvo de comentários negativos, recriminação, desaprovação ou risadas. “A pessoa passa a achar que o mundo conspira contra ela e desconfia de todos”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, que lembra que o comportamento pode estar associado ao estresse pós-traumático – depois de ser vítima de um assalto, por exemplo.

Na maior parte das vezes, a vítima não se dá conta de que apresenta a mania de perseguição –está tão imersa na certeza absoluta de que os outros não param de prestar atenção nela, que não conseguem fazer uma autoavaliação. Os especialistas avisam que, em exagero, o comportamento pode se tornar patológico e ser sintoma de alguma doença psiquiátrica mais séria, como o início de uma síndrome do pânico –caso que requer tratamento com terapia e medicamentos.

Dicas para encarar o problema

Mas como diferenciar? Se algum episódio isolado desencadear alguma desconfiança –ver aquela colega venenosa conversando com outras pessoas e olhando para você com uma expressão irônica, por exemplo–, não há problema. Mas se você se sente o tempo todo observado, enganado, excluído, traído ou perseguido pode estar paranoico. Nos ambientes corporativos, em especial os muito competitivos, é comum a mania se manifestar, acompanhada de uma sensação de insegurança em relação ao emprego. É preciso pensar com frieza sobre o assunto, pois quem é vítima desse problema, frequentemente, não o percebe.

“A mania de perseguição também costuma dar as caras em situações de estresse, quando as pessoas estão com os nervos à flor da pele”, diz a psicóloga Angélica Capelari, professora da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). Nesses casos, o perfeccionismo e a intolerância com os próprios defeitos fazem com que a pessoa veja no outro seu próprio reflexo, o que a torna vítima do excesso de autocrítica.

Por mais difícil que seja, é possível combater o transtorno no dia a dia. “O primeiro passo é questionar as próprias atitudes e assumir a parcela de responsabilidade no relacionamento, pois toda relação tem dois lados”, explica Cecília Zylberstajn. Um exemplo? Antes de julgar que a cara feia do chefe é resultado de algo que você fez, pergunte-se se realmente você fez algo tão grave que justifique tamanho mau humor.

Outra dica, dessa vez de Angélica Capelari, é aprender a controlar os próprios pensamentos. “Quando achar que alguém está olhando torto em sua direção ou criticando você, tente desviar a mente para outro assunto. Não alimente algo que pode ser apenas uma impressão.”

Marina Vasconcellos prefere apostar no diálogo. “Se acredita que todo mundo fala de você, divida essa impressão com as pessoas mais próximas. Ouça a resposta e depois tire as próprias conclusões”. A especialista também aconselha uma checagem direta. “Pergunte, com jeitinho, é claro, se fulano estava falando de você. E, aí, com uma boa conversa, resolva o que tiver de resolver.” Evitar que a dúvida continue a te corroer é, definitivamente, a melhor estratégia.