Os 5 maiores desafios enfrentados por casais para ficarem juntos

Publicado na Revista Claudia, 28.04.17
Por Liliane Prata

O amor não basta – é preciso disposição mútua. Conheça os cinco maiores desafios enfrentados pelos casais para permanecerem juntos (e felizes)

De cada quatro casamentos, um terminará em divórcio – em média, 15 anos depois do “sim”, de acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 2015. Parece cada vez mais desafiador manter o vínculo a longo prazo nestes tempos líquidos, e os motivos não são poucos: vão da praticidade para se divorciar (principalmente desde a lei de 2010, que encurtou o processo) à liberdade sexual e ao imediatismo que caracterizam nossos dias.

Por outro lado, o sonho de encontrar um parceiro para a vida toda permanece vivo para a maioria. O número de divórcios é alto, mas o de casamentos e recasamentos continua muito maior. Crises fazem parte de qualquer relacionamento e, quando superadas, fortalecem a dupla. Antes de encarar a famosa DR, avalie se vocês não caíram em alguma das principais armadilhas dos casamentos modernos. E, então, respire fundo, esqueça os ressentimentos e leve para a discussão propostas construtivas.

ATIVIDADES DEMAIS

As expectativas em relação ao casamento estão mais altas do que nunca. Todos esperam por amor, sexo, amizade, a estabilidade que nossas avós tinham e um cotidiano estimulante.

Ao mesmo tempo, os cônjuges não se dedicam tanto à vida a dois, pois falta tempo: ambos trabalham muito, dividem as tarefas domésticas, estão mais conscientes da importância de acompanhar os filhos de perto.

Pronto: cadê a relação que estava aqui? Para piorar, a rotina dos cônjuges pode ser semelhante, mas não raro a mulher assume mais responsabilidades.

“Ainda que os dois se dediquem igualmente ao trabalho, muitos homens ainda consideram o próprio ofício mais importante do que o da parceira e resistem a dividir as tarefas domésticas”, pontua Mônica Genofre, terapeuta de casais, de São Paulo. A saída, claro, passa pelo diálogo de qualidade – vocês estão no mesmo time, certo? “Tocar projetos a dois, além dos individuais, também é fundamental para que o casal permaneça conectado”, sugere.

NADA DE PAPO

Se a falta de tempo (do item anterior) se junta à pouca disposição para conversar e ao hábito de viver com o celular na mão… Bomba! “Dos casais que atendo, 90% se queixam de não ter assunto e de que, quando têm, brigam”, diz Marina Vasconcellos, terapeuta de casais, de São Paulo.

É o caso de Juliana, 45 anos, designer de joias paulistana. Ela se ressente das vezes em que ela e o marido, com quem está há dez anos e tem um filho, ficam cada um com o seu celular na cama. “Quando um quer conversar, o outro está no WhatsApp”, diz ela, que nos últimos tempos tem feito programas sozinha (como viajar) e sente que isso enriquece a vida a dois.

“Temos mais assunto, mais vontade de trocar.” Para o sexólogo e terapeuta carioca Amaury Mendes Júnior, essa é a dobradinha ideal. “Cultivar a individualidade faz com que os parceiros se mantenham interessantes aos olhos do outro. O que não exclui, evidentemente, manter programas a dois, além de momentos de olho no olho, sem telas.”

REDES SOCIAIS

Com amigos que o cônjuge não conhece e grupos de que ele não faz parte, a internet é uma oferta permanente de possibilidades.

Se o isolamento no “próprio mundinho” é um risco quando a relação vai bem, em momentos de crise, então… “A insatisfação é a porta de entrada para conversas com a ex, curtidas com segundas intenções nas fotos do colega de trabalho… ”, diz o psiquiatra Cristiano Nabuco, de São Paulo.

“O melhor é evitar procurar ‘sarna para se coçar’ online. É como tomar tequila para afogar os problemas”, compara. Quanto ao tempo passado na rede, a saída é que ambos estabeleçam limites. “Que tal deixarem o aparelho desligado à noite?”, aconselha Vasconcellos.

DISPUTA DE PODER

A mulher sobe na carreira e o parceiro se sente rebaixado. Ou: mais poderosa que o marido, ela perde a admiração por ele. “Os papéis se modernizaram, mas, no inconsciente, as exigências são antigas”, observa Mendes Júnior.

Depois que o marido ficou desempregado, a webdesigner mineira Isabela, 36 anos, casada há 14, precisou rever seus conceitos. “Ele passou a cozinhar e cuidar da casa e não se sentia menos homem. Mas aquilo me incomodava”, admite. Com o tempo, aceitou.

“Quando ele ficou bem na carreira, tirei um ano sabático, graças a seu apoio. Entendi que o importante é estar do lado do outro, sem nos enquadrar em padrões culturais preestabelecidos.”

OBJETIVOS DIFERENTES

Ela adora sair; ele prefere ficar em casa. Ele quer filhos; ela, não. Ela quer um relacionamento aberto; ele, a monogamia. Esse descompasso sempre existiu. Mas, agora, sem o engessamento de modelos socialmente estabelecidos.

Para o psicólogo carioca Sergio Garbati, é preciso coragem para assumir o desejo – o que implica agir de modo condizente. “Há quem diga que sofre por estar solteiro, mas, na prática, vive um projeto individualista”, afirma.

“É necessário se conhecer e repensar se as ações estão coerentes com os objetivos. Se o cônjuge concluiu que manter aquela união é importante, como não arranja tempo para conversar meia hora por dia?”, provoca.

Por que a separação de Bonner e Fátima fez a internet desacreditar do amor?

Publicado em UOL/ Estilo – Comportamento, 02.09.16
Thamires Andrade – do UOL

Folhapressimagem: Folhapress

Na segunda-feira (29), William Bonner e Fátima Bernardes anunciaram simultaneamente em suas contas no Twitter o fim do casamento de 26 anos. No microblog, “Fátima” chegou a ser o assunto mais comentado, minutos após a divulgação do comunicado pelos jornalistas da Globo. Bastou isso para brotarem, nessa e em outras redes sociais, comentários como “não acredito mais no amor”. Mas por que a internet sofreu tanto?

Para Ana Luiza Mano, psicóloga do NPPI (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática) da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, a comoção aconteceu porque a web é um espaço que propicia a propagação de fantasias. “As pessoas idealizam e projetam o amor nos casais famosos e, quando eles se separam, há um rompimento desse amor idealizado”, declara.

“Eles eram o casal modelo: bonitos, bem empregados, saudáveis, com três filhos. Era a família do comercial de margarina. As pessoas projetavam neles o ideal de casamento e de amor, só que esqueceram que eles eram um casal como outro qualquer, que tinha de lidar com a convivência do dia a dia”, fala Marina Vasconcellos, psicóloga especializada em terapia familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo). Ela também diz acreditar que o fato de o Brasil ter acompanhado o casamento e a gravidez de Fátima fez com que as pessoas sentissem como se conhecessem o casal.

A psicanalista Regina Navarro Lins –autora de 11 livros sobre relacionamento amoroso– afirma que as pessoas vivem, de uma maneira geral, aprisionadas pelo mito do amor romântico e pela ideia de que só é possível haver felicidade se existir um grande amor. “As pessoas idealizam o par amoroso e se frustram ao perceber que o amor e o casamento não são para sempre.”

Segundo Alexandre Bez, consultor conjugal e psicólogo especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos, há um endeusamento dos famosos por parte dos cidadãos comuns. “Eles não podem cometer erros ou sofrer. As pessoas ficam chocadas quando um casal público aparentemente feliz se separa, pois há uma quebra de mitos, paradigmas e valores individuais”, afirma.

As pessoas que torcem pelos relacionamentos alheios ficam angustiadas e entram em conflito com uma notícia de separação, como a do casal de jornalistas. “Elas se martirizam, ficam perturbadas e sem chão: ‘Como um casamento bom acaba?’. Conscientemente, estão preocupadas com os dois, mas, em nível inconsciente, ficam preocupadas com a própria relação, se aquilo também pode acontecer com elas”, diz Bez.

Para Bez, as frases “não existe amor” e “não acredito mais no amor”, encontradas em muitos dos posts comentando a separação de Bonner e Fátima, são uma fuga de quem não quer racionalizar o motivo de a relação ter tido um fim. Assim se livram de refletir sobre os embates do dia a dia que desgastam os relacionamentos.

“Não há um pensamento lógico, só a fuga. Se amanhã isso acontece com elas, seguem com essa mentalidade que foi traçada para ser um escudo de proteção. Esse tipo de processo mental causa uma série de reações negativas no âmbito amoroso”, fala o psicólogo.

De acordo com Ana Luiza, mostrar nas redes sociais o que sente a respeito da vida amorosa alheia é uma maneira que os usuários encontram de canalizar os próprios sentimentos. “A pessoa despeja no Facebook a frustração, a surpresa ou a tristeza com aquela notícia. Tem quem xingue, fique triste e tudo isso acontece pela desinibição on-line”, fala.

Segundo a psicóloga do NPPI (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática) da PUC, essa desinibição faz com que o indivíduo tenha vontade de expor na internet suas emoções. “A pessoa se sente anônima na multidão. Mesmo nas plataformas que mostram nome e fotografia. O usuário faz um comentário e acha que o que ele escreveu é só mais um, que não vai ser o mais lido, e mesmo que outras pessoas comentem, ele só vai retomar essa conversa se desejar. É aquela ideia do banheiro público: a pessoa entra, rabisca na porta e depois vai embora.”

Outro comportamento também observado entre as pessoas que se comoveram com o fim da relação de Bonner e Fátima foi o pessimismo. “É uma postura bem comum as pessoas ficarem pessimistas depois de notícias como essas, mas a relação deles não fracassou. Ela deu certo por 26 anos. Tanto que eles saem como amigos e parceiros na criação dos filhos.”, afirma Marina.

 

Vida após o Amor

Publicado no site Abílio Diniz/Qualidade de Vida, 18.03.16

amor-vida-apos-amor

Respeitar o próprio ritmo e buscar se tornar uma pessoa melhor ajuda a “curar” um coração quebrado.

Poucos acontecimentos da vida impactam tanto o cotidiano quanto o fim de um relacionamento romântico. Para se ter uma ideia, há menos de dois anos o jornal britânico “The Guardian” divulgou uma pesquisa realizada por uma firma jurídica segundo a qual 9% das pessoas declararam já terem largado seus empregos por causa de um divórcio ou separação, ou disseram conhecer alguém que havia feito isso.

“Um período de ‘fossa’ é normal acontecer [após um rompimento], mas, caso esses sintomas persistam, pode se tornar uma depressão, necessitando de um tratamento mais específico e cuidadoso”, alerta a psicóloga e terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos.

De acordo com a especialista, “caso a pessoa se entregue a uma tristeza profunda, pode sentir dificuldade de reagir e lidar com a vida em geral, produzindo menos no trabalho, até faltando em alguns dias por pura tristeza e falta de vontade ou coragem de enfrentar as pessoas, que lhe perguntarão sobre a separação”. “A concentração é bastante prejudicada e o indivíduo pode cometer erros que jamais seriam cometidos num estado normal de atenção e produção”, aponta.

Como, então, superar essa etapa tão amarga? “O melhor a se fazer é conversar com os amigos, ouvir o feedback das pessoas que conviviam com o casal para ter noção do que se via de fora da relação — porque às vezes estamos tão inseridos na emoção que deixamos passar sinais ‘óbvios’ àqueles que estão de fora —, investir em si com psicoterapia e outras atividades que lhe deem prazer, para que seu ‘eu’ seja fortalecido”, recomenda Vasconcellos.

Ela acrescenta que não existe um momento ideal ou estipulado para decretar o fim da fossa nem para a abertura definitiva a um possível novo amor. “O tempo é absolutamente relativo. Depende de como a pessoa saiu do relacionamento: caso já venha se trabalhando há tempos e a decisão tenha sido bem pensada, será mais fácil seguir em frente e deixar o passado de lado. Se ainda estiver presa aos sentimentos pelo parceiro perdido, será mais difícil.

A hora de ‘partir para outra’ virá quando a pessoa perceber que quase não pensa mais no ex, já lida bem com a situação, começa a sentir vontade de paquerar e olhar para outras pessoas, coisa que não acontecia antes por estar ‘fechada’ a qualquer outro relacionamento possível.”

Com essa etapa superada, o caminho estará livre tanto para descobrir afeto em outro alguém como para retomar o grau habitual de produtividade.

Divórcios crescem 161,4% em dez anos; saiba como escapar das estatísticas

 Perder o medo de encarar os problemas no início pode evitar o fim do casamento.

Publicado no Portal  R7/Entretenimento/Mulher, em 6/12/2015.

Especialista dá dicas para você salvar seu casamento e evitar uma separação dolorosa.

— Os números não contam uma história de dez anos. A primeira coisa que a gente observa é que mudou muito a facilidade de se fazer um divórcio consensual, mas não acho que tem mais gente se separando por causa disso. A meu ver, as pessoas têm vários motivos para se separar, mas se divorciam para poder se casar de novo.

Especialista em direito de família, a advogada Priscila Fonseca, do escritório Priscila M. P. Corrêa da Fonseca, também pondera que o aumento do número absoluto de divórcios no País se deve também ao crescimento populacional, que é um fator objetivo.

— Em primeiro lugar, o motivo mais simples de todos é o aumento da população adulta. O Brasil está envelhecendo, este é um fator a ser levado em conta. E também ficou mais fácil obter divórcio. Um casal sem filhos menores pode fazer extrajudicialmente, e mesmo acionando o poder judiciário, em um dia você faz uma separação consensual.

A advogada acredita que, atualmente, as pessoas são, por um lado, mais intolerantes, — o que dificulta a convivência —, e, por outro lado, mais liberais, não prezando por um único e exclusivo relacionamento ao longo da vida. “As mídias sociais, os sites e aplicativos de relacionamento têm grande influência nessa mudança comportamental, principalmente pelo fato de aproximar pessoas, facilitando o contato”, explica.

Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), também avalia que as redes sociais têm atrapalhado um bocado os relacionamentos.

— Tem muita gente resgatando pessoas do passado, namoradinhos de infância, e se ela estiver em um momento de fragilidade, pode embarcar na fantasia, que é uma idealização de uma história adolescente. São histórias que já passaram, que deveriam continuar no passado.

Expor as insatisfações logo no início pode ajudar a evitar o divórcio.

Há, ainda, de uma maneira geral, pouca disponibilidade dos casais em investirem na relação que possuem. E acham mais fácil terminar. De acordo com a terapeuta Lídia Aratangy, se a pessoa não puder olhar para dentro, o novo vai seguir igual ao velho.

— Reinvestir a cada nova relação gera um desgaste emocional danado. A separação tem de se dar por causa do que acontece entre os dois, se aquela relação ficou intolerável. Quem faz uma separação porque acredita que vai achar um príncipe em cada esquina vai se arrebentar. É preciso ver o que dentro do casamento está te afastando, e não algo de fora que está te atraindo.

Para a terapeuta Marina Vasconcelos, é preciso que as pessoas percam o medo de encarar os problemas, e criar coragem de falar de suas insatisfações, de preferência assim que os atritos começam a aparecer.

— Se os casais fizessem isso no início dos conflitos, não acabaria em divórcio. Poderiam deixar de ter preconceito com terapia de casal, perceber que nem tudo é possível resolver internamente, sem ajuda. Um casal que atendi, com dois anos de casados, esteve aqui dizendo exatamente que eles não querem que estrague. Quando se amam e desejam achar o rumo certo, dá para resolver.

A terapia de casal não deveria ser o último recurso antes do divórcio

Publicado no Minha Saúde Online, 19/03/2015

 

Frequentemente, ao receber um casal que me procura para realizar uma terapia, penso comigo mesma: “Puxa, pena não terem vindo antes, enquanto o amor ainda existia, o respeito e a vontade de estarem juntos… Agora não sei se dá para resgatar algo, infelizmente!”

Venho aqui frisar esse ponto já abordado por mim, mas que atinge grande parte dos casais por aí: a resistência em procurar ajuda de um profissional em momentos de crise; a insistência na falsa ideia de que, sozinhos, conseguem dar conta dos problemas da relação, enquanto a vida lhes mostra o contrário. O preconceito em assumir que uma terceira pessoa como “mediadora” nesses conflitos pode auxiliá-los a descobrir novas atitudes e alternativas antes não visualizadas, coloca tudo a perder: “Imagine se alguém fica sabendo que fazemos terapia de casal para continuarmos juntos? Não preciso de ninguém ‘me dizendo o que fazer’, esse negócio de psicólogo não funciona!”.

Pois é, essa fala ainda é muito comum por aí, infelizmente.

Couple looking to each other during therapy session while therapist watches

Em primeiro lugar, o psicólogo não tem a função de “dizer o que as pessoas têm que fazer”. Gosto da analogia com um passeio numa caverna: o psicólogo seria o “guia” que vai com a lanterna, ao lado do explorador, iluminando os caminhos possíveis, mostrando as encruzilhadas, focando certos perigos, mas quem escolhe por onde e para onde ir é o cliente, que vai decidir se quer mudar o percurso – quando se vê diante de um perigo – ou continuar a trilhar o mesmo caminho. Essa decisão pode ser “fatal” para ele, ou levá-lo a novos horizontes nunca antes descobertos.  Tudo depende do quanto está disposto a correr riscos.

Em outras palavras: não queremos impor nada a ninguém, apenas ajudamos as pessoas a desenvolverem novas possibilidades de olhar a vida com mais consciência, ouvindo, questionando, propondo o exercício da empatia, desatando nós que atrapalham o fluir da vida com leveza, limpando mal entendidos entre as pessoas por problemas muitas vezes simples de comunicação mal sucedida, acolhendo dores sufocadas e mal elaboradas, e acima de tudo, facilitando e permitindo o diálogo franco entre os cônjuges que nos chegam tão machucados após anos de convivência em meio a conflitos e mágoas… Tudo isso é uma conquista do próprio cliente que aprende a reconhecer suas potencialidades, utilizando seus recursos internos antes não explorados em prol da relação.

E daí vem a segunda questão: “esse negócio de psicólogo não funciona”. Claro, se existe uma resistência total a qualquer coisa que esse profissional venha a propor, a possibilidade de dar errado ou simplesmente não funcionar é grande. É fundamental que exista a abertura para o novo, para questionamentos e mudanças que se façam necessárias.
E me pergunto: por que tamanha resistência?
Imagino que a resposta seja mais simples do que possa parecer: é mais fácil criticar o outro do que olhar para dentro de si e reconhecer seus próprios erros. Sim, muitas vezes parece mais fácil, mesmo, mas a que custo? Já parou para pensar no quanto poderia se desenvolver e crescer se voltasse o olhar crítico para si e percebesse sua responsabilidade nos problemas que atingem o casal? Muitas acusações mútuas infundadas teriam fim, levando consigo os conflitos diários por pequenas coisas, assim como o clima de “disputa pelo poder” – “Eu tenho razão!”; “Você está errado!”, etc.

Mais um esclarecimento importante: psicólogo não é juiz. Ou seja, não estamos ali para julgar ninguém, para dizer o que está certo ou errado, punir ou chamar a atenção daquele “que fez a coisa errada”… Absolutamente! Nossa intenção é fazer com que ambos se ouçam e dialoguem, expondo seus sentimentos e insatisfações, para juntos encontrarmos a melhor solução para o conflito.

Se você está infeliz no casamento deve haver algum motivo. Mesmo que não saiba identificá-lo, converse com seu parceiro sobre essa sensação. Quem sabe juntos conseguem descobrir algo e resolver a questão facilmente. Ou não.
Em caso negativo, não se acanhe em buscar ajuda o quanto antes. Insatisfações e frustrações podem se tornar crônicas, e com o tempo minam por completo o amor, não tendo mais como reconstruir algo que um dia os uniu. O amor precisa ser cultivado e cuidado sempre!

Não é fácil estar ao lado de uma pessoa por anos a fio sem passar por momentos mais delicados, e não raro a vontade de ir embora e desistir do relacionamento pode parecer tentadora… E há casos onde essa é, realmente, a melhor opção. A terapia pode ajudá-los a chegar a essa conclusão de forma madura, consciente, num ambiente protegido, onde possam dialogar a respeito. Mas em nome de algo que já foi belo e os levou a querer assumir um compromisso maior um dia, não deixe que as mágoas se acumulem e sejam guardadas “embaixo do tapete”: faça uma faxina, limpe a casa e deixe a energia boa fluir novamente em sua vida!

Oito lições para evitar que a rotina mine seu relacionamento

O beijo de boa noite e um olhar de admiração mantêm a união do casal

Portal Minha Vida, por Manuela Pagan, em 09/01/2015

 

O início de um relacionamento é uma das etapas mais prazerosas da vida a dois. Descobrir o outro e curtir cada segundo juntos é uma delícia. Mas, passada a fase da euforia, a maioria dos casais esquece até de dar um simples beijo de boa noite. Isso é o que diz uma pesquisa realizada pelo impresso Daily Mail, do Reino Unido.

O levantamento aponta que 80% dos casais vão dormir sem esse gesto de carinho. Com o tempo, o afastamento torna-se inevitável. A mesma pesquisa apontou que os parceiros que não se beijavam antes de dormir também eram aqueles que dormiam de costas para o outro.

Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo, a rotina pode ser a culpada, mas a falta de contato físico também pode ser um sinal de que a relação não está indo bem.

O fato é que não dá para deixar o carinho e o afeto em segundo plano. Antes que o seu relacionamento perca a graça, lance mão de oito lições para reacender a chama que está se extinguindo.

Up

 

1- Tire a televisão do quarto

Se for para assistir um filme de conchinha sob as cobertas vá lá, mas em outras situações a televisão pode ser inimiga da sua intimidade. “O hábito de assistir televisão sempre antes dormir, além de diminuir a qualidade do sono, dificulta o diálogo e o casal – por dormir em momentos diferentes – acaba até esquecendo do beijo de boa noite”, conta a psicóloga Marina. Por isso, televisão só na sala.

2- Trabalho tem limite

Em um mundo perfeito, você chegaria em casa e teria todo o tempo disponível para cuidar do seu parceiro. Mas na realidade nem sempre é assim. “Hoje em dia, o trabalho suga o tempo pessoal mesmo, principalmente se você gerencia seu próprio negócio”, explica Marina Vasconcellos. A especialista recomenda que haja bom senso e compreensão. “Bom senso para saber a hora de parar de trabalhar, e compreensão do parceiro quando a hora extra for necessária”.

3- Restrinja o uso do computador

Você gasta as horas que tem para passar com o seu amor na frente do computador? Então há algo fora de ordem. Redes sociais, bate-papo e até games podem gerar um vício difícil de romper. Mas você não precisa erradicar essas modernidades da sua vida, basta limitar o uso. A psicóloga Marina Vasconcellos recomenda que seja colocado um horário de uso que não tome todo o seu tempo livre e ainda permita que você se dedique ao relacionamento.

4- Interesse e admiração

“Olhar para o companheiro e sentir orgulho de suas conquistas, características, forma de se vestir e maneiras de resolver problemas é uma das maneiras de manter o relacionamento vivo”, recomenda a psicóloga Milena Lhano, especialista em atendimento de casais. Busque sempre esse olhar de admiração em relação ao parceiro e não deixe nunca de se surpreender com o seu amor.

 

5- Conversa com hora marcada

Marina Vasconcellos conta que o diálogo com hora marcada é um exercícios comumente feito na terapia de casal. “Sem nenhuma influência externa, os parceiros sentam um de frente para o outro e esperam para ver o que vai acontecer”, explica a especialista. A atitude reforça a intimidade do casal e pode gerar o diálogo até em casos mais complicados. Em casa, o casal pode fazer isso durante a refeição ou antes de dormir, por exemplo.

6- Todo dia um carinho

Um “bom dia” ou um beijo de boa noite. Gestos simples que mantêm o cuidado da relação em dia. “Essa demonstração de afeto é simples, mas significa muito: carinho e respeito”, conta a psicóloga Marina.

7- Planos em comum

Uma viagem, uma casa ou até mesmo um filho. Traçar planos em dupla, além de ser uma delícia, é uma forma eficiente de manter o casal olhando na mesma direção. “Essa atitude é importantíssima não apenas para que o casal construa um futuro em comum, mas para mantê-lo caminhando com um mesmo destino, unido”, conta Milena Lhano.

Ter muitas relações fracassadas pode ser reflexo da infância

Há quem idealize o parceiro e, depois de um tempo, se decepciona ao ver a realidade

UOL, por Catarina Arimatéia, em 28/11/2014

divorce_1678229c

Muita gente convive com a dúvida: “por que sempre escolho a pessoa errada para me relacionar?”. Falta de sorte? Nada disso. Segundo especialistas em comportamento, na maioria das vezes, a resposta está na própria pessoa que faz a queixa.

“Minha experiência mostra que, quase sempre, essas pessoas carregam memórias antigas de relacionamentos familiares que têm como marca o conflito, a intranquilidade, as rupturas bruscas, a violência verbal e física. Em geral, na história dessas pessoas, o mesmo padrão se repete nos relacionamentos amorosos”, diz a psicanalista e psicóloga clínica Blenda de Oliveira.

Isso acontece por que os padrões de relacionamento começam a ser estabelecidos ainda na infância. Crianças que não foram incentivadas a ter uma boa autoestima, por exemplo, também podem sofrer na vida adulta, buscando parcerias que nem sempre as valorizam.

“Nesse caso, a pessoa não tem critério para se relacionar, qualquer parceiro é bem-vindo”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos. O resultado é quase sempre desastroso.

Atração entre opostos

É comum que os opostos se atraiam. Mas, de acordo com Marina Vasconcellos, aquilo que chama a atenção no início, depois de anos de relacionamento, é justamente o que poderá separar o casal.

“Geralmente, você projeta no outro aquilo que gostaria de ser, de ter, de desenvolver. Em casos assim, o outro tem algo que você quer”, diz ela. Pode ser uma vida mais interessante, mais amigos, um lado mais rebelde. “O problema é que, com o tempo, a tendência é tentar modificar a outra pessoa para que ela fique parecida com você”, conta a psicóloga.

A escritora Paula Cassim, autora do livro “Como Reconquistar Seu Ex” (Ed. All Print), afirma que, inconscientemente, procuramos as pessoas diferentes de nós como uma maneira de criar um ponto de fuga para a vida que levamos.

“Ter uma pessoa que pense, tenha gostos e faça coisas diferentes de você é muito interessante, porque abre um novo campo, os dois acabam descobrindo mundos diferentes e tendo acesso a coisas que jamais conheceriam sozinhos. No começo, pode ser ótimo. Até o dia em que você se cansar de tentar ser o que não é”, diz. E é nesse momento que a relação pode começar a degringolar.

 

Pressão social, ciúme e intolerância

Como o comportamento humano tem maneiras infinitas de se expressar, assim também são os motivos que levam a um relacionamento que já nasce com tendência a fracassar. “É impressionante a quantidade de mulheres casadas com alcoólatras que também tiveram pai alcoólatra”, fala Marina Vasconcellos.

Pessoas exigentes demais, intolerantes ou mimadas, acostumadas a receber todas as coisas nas mãos, também são boas candidatas a relacionamentos fracassados. Assim como as ciumentas. “Ciúme é uma doença. Se não for diagnosticado a tempo e receber tratamento, vai terminar todas as relações”, afirma.

Para a psicanalista Blenda de Oliveira, o relógio biológico da mulher e as cobranças que sofre ao longo da vida por não estar namorando ou casada também levam muitas delas a escolher parceiros sem grandes critérios.

“A mulher é mais vulnerável do que o homem a esse tipo de ‘desespero’ de não ter alguém. O homem não carrega o peso de que ‘precisa’ se casar. Ele não tem pressão social. Se você é mulher, solteira, tem mais de 40 anos e não se casou, é bem provável que muitas pessoas pensem que há algo errado. Então, na ânsia de encontrar alguém, a mulher perde a referência de qualidade em função disso”.

 

Faça uma análise

Mas há possibilidade de reverter esses padrões nocivos? Sim, há. Mas existem alguns passos a seguir. Quem sofre com relacionamentos que não vão adiante, em primeiro lugar, precisa fazer uma boa análise da situação.

“Na maioria das vezes, a pessoa se decepciona e acha que o erro está sempre no outro. Mas deveria parar e se perguntar: ‘o que me cabe’? Quem sempre projeta no outro a responsabilidade, o erro e a dificuldade, vai procurar outra pessoa e o padrão vai se repetir”, diz a psicóloga Ceres Alves de Araújo, professora do programa de estudos pós-graduados em psicologia clínica da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Para que esse ciclo se interrompa, comece a se questionar. “Faça indagações como: ‘o que há de errado comigo?’, ‘estou me impondo demais ou pouco?’, ‘estou fugindo do que?’, ‘estou percebendo as necessidades de quem está comigo?’, ‘estou sabendo informar ao outro as minhas necessidades?’, exemplifica a professora. “Fazer troca afetiva é um aprendizado”.

 

Leveza, cumplicidade, parceria: palavras chaves para um relacionamento saudável

Gosto muito da comparação da dinâmica do relacionamento conjugal com os jogos de tênis e frescobol. Quando jogamos tênis, queremos lançar a bolinha num lugar bem difícil para que o outro não consiga pegá-la, marcando nosso ponto com aquela deliciosa sensação de vitória. É uma competição cerrada que só termina com a derrota de um dos adversários.

Já no jogo de frescobol, a intenção é que ambos joguem no mesmo nível, procurando acertar a bolinha na direção da raquete do outro para que ele nos devolva na mesma intensidade, permitindo a fluência do jogo que, quanto menos interrompido pelo erro de um dos parceiros, mais gostoso fica.

Percebeu que no primeiro jogo chamei os participantes de “adversários” e no segundo, “parceiros”? Pois é assim que vejo muitos casais que procuram ajuda para seu relacionamento já tão desgastado pelas eternas disputas que acontecem entre os cônjuges, mais parecendo uma competição sem fim do que um jogo onde ambos procuram o prazer e a satisfação da parceria.

Quando digo leveza, refiro-me à ausência dessa competição descabida que tanto assola os casais. Não há hierarquia nesse tipo de relacionamento – ou não deveria haver -, pois ambos estão no mesmo nível, em pé de igualdade entre si. Um deve ser o porto seguro do outro, apoiá-lo em seus momentos bons e ruins, erguê-lo quando o encontra “caído”… Mas infelizmente vemos muitos relacionamentos “gangorra” por aí: quando um está bem, o outro cai, sentindo-se fragilizado e ameaçado pelo “poder” do outro.

Alto lá: quem disse que sentir-se forte e bem é sinal de poder sobre o outro? Por que quando um tem mais conhecimentos sobre algo que pode ajudar o parceiro a crescer, é erroneamente interpretado em suas opiniões como querendo diminuir o outro ou exibir sua superioridade? Está certo que há casos onde isso realmente acontece, mas não deve ser a regra. Na parceria conjugal ambos devem sentir-se livres para falar sobre tudo entre si, em relação aos mais diversos assuntos, pedir ajuda em todos os sentidos sem sentir-se diminuído ou criticado por isso, ter no outro a certeza de que será compreendido e acolhido a qualquer momento.

É a leveza de saber que pode contar com o parceiro sem julgamentos, sem olhares desconfiados, sem competição nem disputas de quebra de braços. Se você não se sente à vontade para falar sobre certos assuntos por medo de magoar ou da reação imprevisível do outro, já não há leveza, não há espontaneidade. Um relacionamento saudável é aquele onde há espaço para ser quem você é, autêntico, sem máscaras e representações.

Outro dia li algo que dizia que não nos apaixonamos pelo que o outro é, mas pelo que o outro nos faz sentir quando estamos com ele. Ou seja, quando sentimos que o melhor de nós se aflora ao nos relacionarmos com alguém, estamos no caminho certo.
Porém, vejo em muitos relacionamentos exatamente o oposto: quando estão juntos o clima é tenso, é preciso tomar cuidado com as palavras ditas o tempo todo para não ser mal interpretado, ou para que as mesmas não sejam completamente distorcidas e jogadas contra você, num jogo perverso de inversão e manipulação dos fatos. Parte-se do princípio que “todos são culpados até que se prove o contrário”, quando deveríamos acreditar no oposto: se estamos juntos é porque queremos o bem do outro e nossa intenção é ajudá-lo, incentivá-lo, vê-lo crescer e não provocá-lo ou diminuí-lo o tempo todo. Por que não acreditar nas boas intenções do parceiro ao invés de achar que ele está competindo com você, ou tentando mostrar-se superior? Quem ganha nisso tudo?

Por fim deixo aqui um alerta: se você escolheu alguém para formar uma parceria no amor, busque a cumplicidade e procure viver a leveza. Se isso não estiver acontecendo, questione onde estão errando e se podem melhorar, ou se fez a escolha adequada. Procure ajuda caso não consiga detectar o problema, mas não permaneça no sofrimento, na frustração, na disputa.

Estar com alguém deve ser a solução, não o problema; deve dar prazer, não ser torturante; deve fazê-lo sentir-se feliz e seguro, não o contrário.

E sentir tudo isso é simplesmente maravilhoso!

Falta de comunicação é o maior inimigo dos relacionamentos

Publicado no Portal Chris Flores – R7 em 11/03/2014

Ausência de diálogo ou má interpretação dos fatos pode causar um abismo no casamento e até levar à separação

Foto: iStock/Thinkstock/Getty

Foto: iStock/Thinkstock/Getty

Em uma sociedade cada vez mais cercada por tecnologia, na qual estamos reféns de aplicativos e redes sociais, a falta de comunicação é cada vez maior entre as pessoas, especialmente nos relacionamentos amorosos.

Só para ter uma ideia, o número de divórcios tem crescido nos últimos anos. No Estado de São Paulo, os cartórios de notas lavraram 17.569 divórcios em 2013, um aumento de 6,13% em relação a 2012, quando foram realizados 16.554 atos, de acordo com dados do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB-SP).

Mas o que pode levar um casamento à ruína, a ponto de uma separação?

Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais pela UNIFESP, atende muitas famílias com problemas conjugais, que buscam a terapia para melhorar ou salvar o casamento.

A especialista conta que os pacientes apresentam diversas queixas, como “sexualidade insatisfatória; traição; problemas financeiros; divergência na educação dos filhos; incapacidade de conversarem sobre assuntos mais delicados; doença de um deles não tratada, em especial psiquiátrica, impossibilitando uma boa relação entre o casal e os filhos; ciúme patológico; síndrome do ninho vazio (quando os filhos saem de casa e o casal não sabe como lidar com o vazio e a relação deles já está desgastada), entre outras. Porém, todas essas queixas poderiam ser resolvidas se a comunicação existisse e fluísse de forma saudável entre eles”.

Apesar dos problemas terem origens diversas, eles são causados em geral, pela falta de comunicação entre os parceiros, como esclarece Marina a seguir:

A falta de comunicação pode levar a uma crise no relacionamento?

As principais queixas dos casais que chegam ao consultório para atendimento podem ser agrupadas em três vieses da comunicação: falta, falha ou distorção dela. Coisas são ditas e interpretadas de maneira distorcida, de acordo com o filtro interno de quem ouve aquilo, ou do estado de espírito do momento, e não são devidamente checadas em sua veracidade.

Dessa forma, os casais vão construindo relações pautadas em suposições errôneas, acumulando hipóteses falsas a respeito das intenções do outro, que com o tempo acabam por levar a inúmeros conflitos e o consequente desgaste da relação – conflitos estes que aparecem nas mais diversas áreas do relacionamento.

De que maneira a terapia de casais pode ajudar?

Frequentemente vejo casais que, ao expor cada um sua visão de um fato, demonstram um entendimento completamente equivocado sobre o que cada um fala ou pensa, ou mesmo sente.

Ali no contexto terapêutico aprendem a ouvir-se mutuamente sem que o filtro pessoal interponha-se entre eles, percebendo a importância de uma boa comunicação para a saúde da relação.

Fala-se muito em rotina. Até que ponto ela afeta o casamento?

O tempo é um fator que pode ser cruel numa relação. A paixão não resiste a ele, e naturalmente o amor em que se transforma é mais tranquilo, pautado na cumplicidade, parceria, crescimento pessoal e conjunto, formação de uma família, cuidado com os filhos, dedicação ao trabalho…

A rotina toma conta do casal e na grande maioria dos casos o leva ao comodismo, onde ele se esquece de investir na relação a dois antes tão cuidada e valorizada. É preciso resgatar isso para que os casamentos não caiam no marasmo após alguns anos, transformando-se em relações sem vida, sem prazer, onde se abre mão daquilo que gosta em função dos compromissos e tarefas diárias…

Como tentar reverter a situação?

É importante que o casal reserve um tempo para si, sem os filhos, onde possam reviver o papel de amantes, namorar e criar um clima romântico entre eles. A intimidade vai diminuindo em função das obrigações com os filhos, do tempo escasso, do trabalho em excesso, do estresse.

Mas é fundamental que seja alimentada de tempos em tempos. Coisas simples podem acender o brilho do amor entre os dois, como assistir a um filme mais “apimentado” depois que as crianças forem para a cama; estabelecer um dia para deixar os filhos na casa de avós ou com babá e saírem para fazer algo fora da rotina – cinema, teatro, comer fora, sair com amigos, dançar ou mesmo namorar em casa tomando um vinho sem a presença das crianças -, viajar alguns dias por ano apenas o casal, para reavivar a intimidade; fazer alguma surpresa sem data específica (mandar flores, por exemplo, com um cartão carinhoso ou provocante).

Qual é o erro mais comum que os casais cometem?

Muitos casais se desfazem por não conseguirem expor suas insatisfações ao longo do tempo e os problemas vão se acumulando. Ao chegarem para procurar ajuda – quando o fazem -, já é tarde demais: a mágoa acumulada, o rancor e a falta de respeito impedem que se resgate qualquer amor que um dia tenha existido entre eles.

Relacionar-se é difícil. Saber lidar com as diferenças e respeitá-las; aceitar o outro como ele é, sem querer mudá-lo para se adequar ao que você espera de um parceiro; aprender a preservar a própria individualidade dentro de uma relação a dois, procurando o próprio desenvolvimento e prazer, além do investimento no casal, demanda uma energia, disposição e maturidade que nem todos têm.

Assim, muitos acham mais fácil separar-se quando algo não vai bem ao invés de investir num tratamento, tentar olhar para si e perceber sua parte de responsabilidade nos conflitos, ouvir o outro e deparar-se com coisas suas que devem ser mudadas, por mais que você ache que não.

Aí está a “liquidez” das relações: não se investe o suficiente para crescer e dar frutos, e diante de uma crise (o que é normal acontecer em algum momento em qualquer do casamento) já se desiste, procura-se outra pessoa que não lhe exija tanto investimento no próprio desenvolvimento emocional…

Parece que as pessoas se separam por qualquer coisa hoje em dia.

Como hoje em dia o divórcio é aceito pela sociedade, já não expondo a pessoa a tamanho preconceito e discriminação como antigamente, ficou mais fácil deixar um casamento infeliz para traz. Por um lado é bom, pois as pessoas podem dar-se o direito de ser feliz e sair de uma relação que já não lhe faz mais sentido.

Por outro, corre-se o risco de desistir antes de dar tudo de si para salvar o casamento, que em muitos casos poderia ser resgatado caso contasse com a ajuda de uma terapia de casal.

Todo relacionamento é uma troca, e exige algumas renúncias por parte de ambos. Quando se escolhe estar casado, a vida de solteiro é deixada de lado e transformada em uma vida a dois, onde na maioria das vezes farão coisas em comum, mas sem deixar de lado também algumas atividades individuais que garantem a realização do parceiro.

Isso pode parecer simples, mas para alguns casais transforma-se em motivo de grandes discórdias, levando à separação por não conseguirem encontrar uma equação saudável para isso. Novamente, parece mais fácil separar-se e ter a liberdade de volta do que investir no amadurecimento da relação. E aí está um dos segredos de uma relação saudável: sentir-se livre mesmo estando casado. É uma escolha estar ao lado do parceiro, e não uma obrigação.

 

Ódio ou amor? Descubra se a implicância com alguém esconde um sentimento mais profundo

Publicado no UOL em 15/08/2013

Especialista fala sobre comportamento de pessoas que podem estar apaixonadas, mas escondem o sentimento

Você já ouviu dizer que amor e ódio andam juntos? Quando um homem e uma mulher implicam demais um com outro, as pessoas começam com brincadeirinhas como “vocês ainda vão casar” ou “vai dar namoro”. A psicóloga Marina Vasconcellos esclarece que, na maioria das vezes, ficamos irritados com alguém porque a pessoa é importante para nós em algum sentido ou faz algo que desagrada. “Por isso, suas opiniões e atitudes nos afetam de alguma maneira”, conta.

Na novela O Cravo e a RosaCatarina e Petruchio, interpretados por Adriana Esteves e Eduardo Moscovis, começam o relacionamento com muita briga e muita discussão. Os dois personagens são muito diferentes e sempre acabam se desentendendo quando se encontram. No decorrer da trama, os protagonistas gravam diversas cenas de conflitos na quais aparecem discordando e implicando um com o outro. Mas, no final, eles acabam se aceitando e se casam.

Foto: TV Globo

Foto: TV Globo

Segundo Marina, para muitos, é mais fácil criticar alguém do que olhar para dentro de si e corrigir aquilo que incomoda em você e no outro. Quando há atração entre duas pessoas, o olhar fica mais concentrado no comportamento do outro e prestamos atenção em tudo o que ele faz. “Muitas pessoas têm a mania de querer que o outro faça as coisas como ela própria faria, sem levar em conta o jeito do outro e suas diferenças, suas características próprias”, alerta a psicóloga. Com isso, surgem as pequenas implicâncias.

Isso é normal?

É normal implicar com pessoas que te incomodam, mas, se você gosta dela, é melhor pensar e refletir sobre o porquê dessa situação de conflito. “É preciso entender por que a outra pessoa provoca essa reação e você, pois não existe relação entre implicar e gostar de alguém”, aponta Marina. Pode ser uma pessoa de pouca convivência, pouco contato, mas que provoca na outra essa atitude por tocar em algo mal resolvido.

Há críticas que são construtivas e levam ao amadurecimento do outro, ajudando a pessoa a ser alguém melhor. “Isso tem a ver com o respeito pelo outro, por seu potencial, pode significar preocupação e consideração por ele”, explica a psicóloga. Por outro lado, a crítica pela crítica não acrescenta em nada. Pelo contrário, ela diminui o outro e o deixa constrangido e desvalorizado.

É possível identificar quando é amor ou implicância?

É difícil identificar logo de cara! Marina aconselha conversar com a pessoa para saber o que está acontecendo e perguntar o que tanto a incomoda. “Caso seja atração, provavelmente surgirá uma oportunidade para que o outro se abra, ou mude totalmente de atitude, já que percebe que esse seu jeito pode afastar a pessoa de si”, revela. Em casos que se tratam de pura implicância, a pessoa tende a ficar na defensiva e acaba negando o comportamento ou “atacando” o outro ainda mais. Para acabar com qualquer tipo de conflito, a chave é o diálogo.

Compartilhar senhas de internet com parceiro não é prova de amor

Pessoas controladoras costumam querer saber as senhas de seus parceiros (Foto: Reprodução)

Pessoas controladoras costumam querer saber as senhas de seus parceiros (Foto: Reprodução)

A base de toda relação amorosa harmônica precisa ser a confiança, certo? Seguindo esse preceito, então, a vida de um casal deveria ser uma espécie de livro aberto. O que inclui, em tempos de internet, de perfis conjuntos nas redes sociais ao compartilhamento de senhas. Para muitos homens e mulheres, o excesso de privacidade virtual pode sinalizar que há algo a esconder. E, seguindo essa lógica, revelar a senha de acesso do MSN ou do Facebook tem o peso de uma prova de amor. Será, mesmo? Veja algumas análises que especialistas recomendam fazer antes de tomar qualquer atitude.

Compartilhar senhas de e-mail e redes sociais é uma prova de amor?
Segundo a psicóloga Andréa Jotta, do NPPI da PUC de São Paulo (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica), nos relacionamentos maduros e saudáveis isso pode acontecer naturalmente, sem que haja o peso de se tratar o assunto como um pacto ou prova de amor.
“E pode também acontecer de um querer compartilhar, por questões pessoais ou práticas, mas o outro não, o que é perfeitamente compreensível”, afirma. Andréa diz ainda que um relacionamento não significa dividir tudo, sempre. “Uma parte da pessoa, seus pensamentos, fantasias, amigos e gostos são só dela. Isso você não divide com o outro. É preciso ter confiança no caráter do parceiro, nos valores dele e em si mesmo, principalmente, para não se sentir ameaçado por aquilo que não lhe diz respeito”.

Falar em “prova de amor” é uma desculpa para exercer o controle?
“Uma relação pautada na confiança e na maturidade não necessita desse tipo de prova”, explica Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal São Paulo). Já Alexandre Bez, psicólogo especializado em relacionamentos pela Universidade de Miami (EUA), explica que pessoas controladoras e com personalidade narcisista têm necessidade de estar no controle, de desfrutar a sensação de poder no relacionamento.
“Costumo dizer que é muito mais importante conhecer o parceiro do que tentar controlá-lo, pois isso gera uma falsa sensação de domínio”, afirma. Ele conta que o simples fato de manter um relacionamento já é um pacto consolidado. A prova de amor deve estar presente no dia a dia, na cumplicidade, no comportamento, na exposição das dúvidas e nos conselhos, jamais em um compartilhamento pessoal. “É uma invasão à privacidade, e, principalmente, um desrespeito à relação vivida”, diz.

Dividir senhas ajuda a evitar uma traição?
Os especialistas são unânimes: não. Segundo a psicóloga Andréa Jotta, muitos casais decidem compartilhar as senhas a fim de evitar discussões, brigas e desconfianças desnecessárias. “Porém, o que acontece com frequência é que são abertos outros perfis e e-mails particulares, às escondidas”.
Compartilhar senhas expõe a privacidade de outras pessoas? 
Sim, principalmente porque os amigos nem imaginam que suas conversas e trocas de e-mails estão sendo monitoradas. “Quando você sabe que outros lerão o que você escreve, certamente acaba tomando certos cuidados na escrita, no modo como expõe suas opiniões, no conteúdo da conversa… Deixar que o parceiro veja tudo é uma espécie de traição à privacidade do seu amigo”, conta Cristiane Pertusi.

Compartilhar senhas pode alimentar a paranoia de alguém possessivo? 

“Há uma grande chance disso acontecer”, declara Marina. “É incrível a quantidade de casos de pessoas com ciúme patológico que cerceiam a liberdade do outro, enquanto o parceiro não percebe que trata-se de uma doença e se submete às exigências. Essas pessoas veem sinais de traição em qualquer tipo de relacionamento que o outro mantenha. A vida do casal vira um inferno”, segundo a psicóloga. “Recomendo o bom senso, no compartilhamento em demasia ou proibição exagerada”, diz a psicóloga Cristiane Pertusi.
A proposta, em geral, vem de quem é mais ciumento? 
Sim, e geralmente parte do sexo masculino. “Essa maior probabilidade acontece justamente pela carência dominante na personalidade da mulher, que em geral sente medo de ficar sozinha”, afirma o psicólogo Alexandre Bez.

Para Andréa Jotta, o sexo feminino costuma cair na armadilha de achar que tal invasão de privacidade é algo romântico. “Diria que as mulheres acabam se deixando levar pela insistência de alguns homens inseguros, e com o receio de perdê-los ou de que a recusa faça parecer que estão escondendo algo, acabam se submetendo a eles”, diz Marina Vasconcellos.