TER BONS LAÇOS DE AMIZADE REDUZ O ESTRESSE

Publicado em revistanatural.com.br, 26/08/2015.

Estudo comprova que ter amigos aumenta a expectativa de vida. Entenda mais

Ter bons lacos de amizade reduz o stress
A amizade ajuda a diminuir o stress e a ansiedade

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos. A alguns deles não procuro, basta saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida…”. Atribuída a Vinícius de Moraes, essa frase resume bem o valor dos laços de amizade. Mas não foi só o poeta quem percebeu aimportância de contar com fiéis companheiros; na Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, cientistas notaram que esse realmente parece ser um dos segredos para viver anos a fio.

Pelo menos foi isso que ficou evidente após análise de dados de 150 estudos que abordavam as chances de sobrevivência em relação às redes sociais. Segundo as conclusões dos pesquisadores norte-americanos, ter uma quantidade insignificante de amigos pode causar tantos estragos quanto ser alcoólatra ou fumante. Para se ter ideia, chegaram a estimar que uma boa rede de camaradas e vizinhos aumenta a expectativa de vida em 50%.

Segurança e autoproteção

“Quando temos amigos e mantemos um bom vínculo social, amenizamos angústias, trocamos opiniões, ajudamos e pedimos auxílio. Isso nos fortalece diante de adversidades. Sem contar que nosso sistema imunológico se torna mais eficiente, reduzindo, assim, a propensão a doenças”, explica a psicoterapeuta Silvana Lance, de São Bernardo do Campo (SP).

Além disso, o ato de zelar pelos outros desperta a sensação de que somos úteis e fazemos a diferença. Dessa forma, passamos a ter mais cuidados conosco. “Só não vale tomar conta das outras pessoas e se esquecer de dedicar um tempo para si mesmo”, alerta.

Desde a infância

Vale frisar que as relações sociais já se mostram importantes nos primeiros anos de idade, pois os familiares e as pessoas com as quais convivemos exercem grande influência em nossas vidas. “As marcas na personalidade vão sendo deixadas por meio da rejeição ou da aceitação por parte dos amigos”, exemplifica Silvana Lance.

Marina Vasconcellos, psicóloga formada pela PUC-SP e terapeuta familiar e de casais pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ainda lembra que é na infância que se inicia a formação do caráter. Por isso, é compreensível e necessário que os pais fiquem atentos às companhias dos filhos. “Mas o mais importante mesmo é o convívio com a família e suas orientações e exemplos vistos em casa, pois tudo isso dará condições para que a criança saiba escolher seus amigos e não se deixe influenciar por qualquer opinião alheia”, indica.

Depressão? Onde?

Mais para frente, quando deixamos de ser crianças, o círculo de amizades é estabelecido e uma das principais vantagens é poder contar com uma rede de suporte a qualquer momento. “Os amigos nos ouvem, confortam, distraem e estão sempre ao nosso lado. Por mais que se diga o contrário, ninguém consegue viver sozinho. Quando isso acontece, certamente estamos falando de pessoas ranzinzas, chatas e infelizes”, afirma Marina Vasconcellos.

Justamente por conta de todo esse apoio, a presença dos colegas pode ser útil para prevenir e até mesmo combater a depressão, “pois eles nos encorajam e estão à disposição para nos acolher. Nos grupos de ajuda, costumamos dizer que a alegria compartilhada se multiplica, enquanto as dores divididas diminuem”, comenta a psicóloga clínica Miriam Barros, da capital paulista.

Sem estresse

Além de mandar a depressão para longe e estimular o cuidado conosco, a amizade verdadeira apresenta outro efeito muito significativo: reduz a ansiedade e o estresse. Em grande parte, isso acontece porque ao dividir os problemas, minimizamos sua proporção. “Muitas vezes, após uma boa conversa, também conseguimos olhar para as questões sob um ângulo diferente”, completa a terapeuta familiar da Unifesp.

Assim, sobra menos espaço para angústias e preocupações. Sem contar que a sensação de ter alguém para compartilhar as encrencas e alegrias do dia a dia traz alívio, tranquilidade e bem-estar. De acordo com Silvana Lance, “o apoio emocional que recebemos funciona como uma proteção, reduzindo a agressividade e ajudando a manter a estabilidade do organismo”.

Apesar de todos esses benefícios mais do que bem-vindos, é fundamental salientar que ter amigos e poder desabafar em momentos difíceis proporciona muito conforto, mas, muitas vezes, não é o suficiente para resolver uma situação difícil por completo. “É necessário saber o limite entre conversar com amigos e procurar ajuda terapêutica, já que os enfoques são totalmente distintos”, finaliza a psicóloga Marina Vasconcellos.

Revista Vida Natural | Ed. 50

Antes de vetar amigos do adolescente, conheça-os melhor

Você já proibiu seu filho adolescente de ser amigo de alguém?

Rita Trevisan e Simone Cunha, UOL, em 08/01/2015

Fuja da armadilha de culpar amigos do seu filho pelo que ele faz de errado. Fazer escolhas é fundamental na formação da identidade do adolescente. Parte desse processo, a escolha dos amigos pode, algumas vezes, virar ponto de conflito com os pais, quando estes não gostam do amigo do filho.

Cabe aos adultos lidar com a situação de forma racional, deixando seu gosto pessoal de lado. É natural que um ou outro amigo do jovem desperte desconfiança nos pais. No entanto, se isso acontecer, é essencial apostar em um diálogo franco.

“A forma de falar é o que importa, e isso vai depender de como foi construído o relacionamento com o filho. Se houver um amor baseado na posse, os adultos podem ter uma reação exacerbada e querer interferir na amizade. Por outro lado, se houver um amor baseado no respeito, eles saberão se posicionar de forma afetiva,
e a conversa servirá de aprendizado para os dois lados”, afirma a psicóloga Ana Paula Mallet, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Para a psicopedagoga Rita de Cássia Rizzo, diretora da Escola Novo Ângulo/Novo Esquema (Nane), em São Paulo, não é papel dos pais, simplesmente, censurar as amizades do filho. “Para que o adulto sustente que não gosta do amigo do adolescente, é preciso que haja motivos verdadeiros e contundentes”, diz.

Esse tipo de avaliação exige cautela. E o primeiro passo, para não cometer injustiças, é tentar conhecer melhor a pessoa que provocou uma má impressão. “Convide o jovem para fazer um programa em família, observe-o e converse com ele. Se notar que existe mesmo uma situação de risco que pode prejudicar o seu filho, é fundamental se posicionar, usando até mesmo de sua autoridade, mas isso em uma situação extrema”, afirma Ana Paula.

Para a psicóloga da Unifesp, questões que envolvem drogas, violência e outras práticas ilegais, por exemplo, precisam ser coibidas. Por outro lado, deve haver um esforço dos pais para ignorar implicâncias pontuais.

 

“Os pais devem tomar cuidado para não se deixarem levar por considerações precoces e preconceituosas”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especializada em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae.

 

Segundo Ana Paula, é importante não classificar o caráter do jovem pela aparência. Outro ponto importante é considerar que o filho pode fazer escolhas bem diferentes das que foram feitas por seus pais e que isso não é, necessariamente, um problema.

“Qualquer que seja a situação, é preciso ter em mente que proibir a convivência com o amigo não resolve”, diz Ana Paula. Em vez disso, os adultos devem explicar porque a convivência com aquele amigo pode prejudicar, recorrendo a fatos e evitando inferências.

Além disso, os pais podem colocar algumas regras e fazer combinados com o filho, para ajudá-lo a evitar situações de perigo. “Mas esse entendimento é um processo, não ocorre do dia para a noite. Depende de muita conversa, o que exige tempo e disposição dos adultos”, fala Ana Paula.

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Observação

De acordo com Rita, os adultos também devem evitar a armadilha de acreditar que tudo o que o filho faz de errado é por influência do amigo. “A tendência é ser sempre extremista: ou o filho é um santo ou é culpado de tudo, mas isso não condiz com a realidade. É preciso aceitar que, na adolescência, o jovem ainda está estabelecendo seus próprios limites, em especial, quando está longe da família. E isso faz parte do desenvolvimento saudável”, declara a psicopedagoga.

Rita sugere que os pais tentem enxergar os filhos como eles são, reconhecendo os pontos que precisam ser trabalhados e as qualidades. “Um pai presente consegue reconhecer essas características no filho e lida com elas de forma tranquila”, fala a psicóloga Marina.

Receber os amigos do adolescente em casa é sempre uma boa pedida. Na ocasião, aproveite para ver como ele se comporta em grupo. Sem invadir a privacidade dos jovens, apenas fique atento ao que conversam e à maneira como se tratam. “O comportamento do jovem, nessas ocasiões, pode dar pistas de como ele age quando está com a turma fora de casa”, diz.

Acompanhar a atuação dele nas redes sociais também pode ajudar. Além disso, a escola pode fornecer dados e ajudar o pai a traçar um perfil mais realista do próprio filho. “Nessas horas, é essencial manter-se imparcial, para entender, de fato, o que está acontecendo com o adolescente. Só depois dessa análise é que os pais poderão direcioná-lo da melhor forma”, afirma Ana Paula, da Unifesp.

Mas só isso não basta. A psicopedagoga reforça que é fundamental estar próximo do filho sempre que possível, acompanhando a rotina dele. “O mais importante é estar disponível, é oferecer um porto seguro, caso o filho queira ou precise conversar ou pedir ajuda. Isso é ainda melhor do que se posicionar como a autoridade, que vai apenas coibir as ações do jovem, quando algo dá errado”, diz Ana Paula.

Seu filho, um cidadão

Atitudes para que as crianças virem adultos conscientes de seus direitos e deveres

Publicado na revista Cláudia em fevereiro de 2013

Por definição, um cidadão é um indivíduo com direitos civis e políticos garantidos por um Estado – ou seja, em tese, seu filho já nasceu um cidadão. Mas a teoria não basta. É preciso aprender, praticar e cultivar a cidadania.Boa parte dos valores éticos essenciais para que ele, no futuro e agora, viva bem em sociedade vem da escola. “É lá que a criança tem as primeiras experiências mais sólidas em termos de vida pública e aprender a conviver , como alguém que pertence a um lugar e um grupo”, diz Maria Teresa Égler Mantoan, professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de campinas (Unicamp) e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (Leped), da mesma instituição. mas as noções de respeito por si mesmo e pelo outro, a solidariedade e a tolerância para conviver bem com a diversidade também nascem em casa. Tudo começa pela postura que os pais assumem tanto nos domínios domésticos quanto na comunidade da qual fazem parte. Atitudes cotidianas até simples, como caminhar pelo bairro para conhecê-lo melhor ou puxar uma conversa crítica sobre um filme que a família acaba de ver, ajudam a formar filhos cidadãos. Consultamos especialistas e reunimos as principais.

SEJA UM BOM MODELO

Um ótimo ponto de partida é mostrar – não com palavras, mas com ações – que a família tem consciência de seus direitos e deveres e age de modo participativo na sociedade. isso inclui ir a reuniões e eventos promovidos pela escola em que os filhos estudam, não faltar a assembleias de condomínios, comparecer às urnas para eleger governantes consciente de seu voto, opinar em referenciados  e inteirar-se de questões importantes para o seu bairro, sua cidade, seu estado, seu país. Mas as atitudes do dia a dia contam, e muito. Então, atenção: do banco de trás do carro, seu filho percebe se você dá ou não passagem para pedestres, se sempre segue as regras de trânsito – ou as burla quando está com pressa, por exemplo – e se costuma parar em fila dupla ao deixá-lo na escola. E nota a gentileza e o bom senso (ou a falta desses atributos) no trato com parentes, amigos, colegas de trabalho e empregados. “Crianças e adolescentes são muito observadores. Veem tudo”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casais, em São Paulo. Ela ressalta que, por isso, vale comentar quando pessoas fazem algo errado.”Você pode dizer: ‘Olha só, um motorista parado bem em cima da faixa. isso não é legal.'”, sugere. O papo deve acontecer de modo natural e fluido, não parecer ensaiado ou ter ar de lição de moral. Uma das bases para formar um cidadão crítico é você mostrar quem é de verdade, suas crenças e seus princípios.

ATIVE O SENTIMENTO DE PERTENCER

cidadania tem tudo a ver com sentir-se parte integrante de um grupo e corresponsabilizar-se por ele. Primeiro a própria família. “Os pais precisam falar sobre ela e mostrar quem é esse conjunto de pessoas mais próximas, sua história e seus hábitos. Assim, a criança começa a entender como seus parentes convivem e quais são os limites que ela ocupa dentro dessa célula”, diz Maria Teresa, do Leped, da Unicamp. Quando bem trabalhado na esfera micro, o sentimento de pertencimento facilita a convivência na esfera macro – não importa aqui se estamos falando de outras crianças no parque, na turma do clube ou de colegas da escola. Segundo experts, esse sentimento de pertencer a algo, que gera comprometimento, é essencial para seu filho entender que “estar com o outro” é diferente de apenas “estar junto do outro” – pressupõe compartilhar e respeitar. De acordo com Maria Teresa, “o papel da família é central para as crianças perceberem que, fora de casa, elas também têm compromissos com o mundo que a cerca”. mais adiante, essas noções contribuirão para dar sentido à ideia de nação, na qual podemos reclamar se nossos direitos não são assegurados, mas também precisamos assumir deveres para o bem comum.

INVISTA NA PARCERIA COM A ESCOLA

Uma vez que tanto a vivência em família como as experiências no ambiente escolar são fundamentais para a construção e o fortalecimento das noções de cidadania, nada mais sensato do que buscar uma sólida parceria. “Todas as instituições sociais participam do processo educativo. Mas a escola é aquela destinada a educar de modo organizado e sistemático. É ali que são partilhados, de forma intencional e específica, os conhecimentos, as crenças e os valores de uma sociedade”, afirma Terezinha Rios, doutora em educação e colunista da revista Nova Escola Gestão Escolar, da Fundação Victor Civita. Conhecer os caminhos trilhados pela escola em que seu filho estuda requer mais do que só acompanhar comunicados e comparecer a reuniões. Peça para conhecer o projeto político-pedagógico, documento no qual são descritos objetivos e metas da instituição, bem como os meios utilizados para alcançá-los. A maioria desses projetos faz referência à formação cidadã. Depois, é preciso acompanhar o mais de perto possível o trabalho cotidiano dos educadores para ver como as propostas são colocadas em prática. “A tarefa da escola terá mais êxito se articulada à atuação de outras instituições, principalmente a família. É preciso estabelecer o diálogo.”

ABRA ESPAÇO PARA POSTURAS CRÍTICAS

Passear a pé pelo bairro, ver o que ele tem de bom e de ruim, observar a diversidade de pessoas e lugares que abriga, pensar em formas de torná-lo mais bonito e agradável. Essa é uma atividade simples, mas carregada de estímulos ao comportamento cidadão. Também dá para fazer exercícios parecidos em outra cidade ou país. “Conhecer novos povos, culturas, hábitos e culinárias diferentes é favorecer o entendimento da diversidade”, diz a psicóloga e psicanalista Blenda de oliveira, de São Paulo.  E isso é básico para desenvolver a tolerância. Sem contar que a criança e o adolescente precisam de espaços para expressar suas opiniões. Há formas simples e que funcionam de fazer isso. “Que tal assistir a um documentário, um filme de ficção ou uma peça de teatro e depois fazerem juntos um debate crítico sobre eles? Esse tipo de discussão ajuda a estimular a reflexão, importante na construção da cidadania”, afirma Luciana Maria Allan, diretora técnica do Instituto Crescer para a Cidadania, em São Paulo. O trabalho voluntário é outro eixo a explorar. Visitar uma casa de repouso ou contar uma história em uma creche são experiências que sensibilizam e mudam o olhar dos nossos filhos. Só não adianta cobrar interesse por voluntariado se essa não é uma prática valorizada pela família e incorporada a seu dia a dia. “falamos que os jovens de hoje são apáticos e não têm visão crítica do mundo. mas em que momento nós, como pais, oferecemos estratégias para que sejam cidadãos participativos? Quando convidados, eles querem participar e gostam. Ficam chocados e preocupados com a realidade ao redor e têm energia para mudar as coisas para melhor”, diz Luciana.

INCENTIVE A COLABORAÇÃO

A amizade e a convivência entre vizinhos parece diminuir conforme aumenta o tamanho das cidades e dos condomínios. O resultado é que hoje impera o individualismo em nossa sociedade. “Estamos mais isolados e infelizes”, resume Maria Teresa, da Unicamp. “Há quem tema ser solidário por medo de se dar mal e quem ache que nunca vai precisar de quem mora ao lado, torcendo para que a recíproca seja verdadeira”. Em vez de perpetuar o isolamento, os pais precisam favorecer o encontro. vale incentivar seu filho a se apresentar a novos moradores do prédio, chamando-os para brincar. Ou convidar um colega recém-chegado à escola para uma tarde de diversão. Sim, eventualmente eles entrarão em conflito. E sim, talvez eles sejam diferentes em trajetória, características, pensamentos e posses. Mas nada disso deve servir como medida de comparação ou competição, e é isso que você vai ensinar a seu pequeno. Tome sempre cuidado não só com o que fala mas com o que pensa. Sonhar que seu filhos erá um grande vencedor na vida é válido, mas nunca a qualquer custo. Pouco vale chegar lá se não houver justiça social para que o outro também tenha a chance de chegar – e é por isso que a violência urbana é um problema de todos nós.

DIGA NÃO A QUALQUER DESPERDÍCIO

Certamente, as festas de fim de ano fizeram roupas, brinquedos e aparelhos eletrônicos novos desembarcarem na sua casa. É uma oportunidade para promover uma limpeza geral nos armários e ensinar que certos acúmulos são desnecessários. Além de gratificante, o ato de doar é pedagógico. “Ensina sobre desapego e mostra que nada é insubstituível”, diz Marina. falar sobre o uso consciente de água e energia elétrica e mostrar a importância de separar o lixo também são lições essenciais. “É preciso educar os filhos para que aprendam a não desperdiçar comida, tempo, amigos, afetos, talentos e oportunidades. Sustentabilidade engloba tudo isso”, afirma Blenda. O desafio é transmitir um pacote completo de limites, valores, responsabilidades e posturas cidadãs em diferentes áreas – um pacote para ser carregado a vida inteira.

 

Saiba como preservar as relações fraternas mais sinceras

Amizade de 17 anos de Selma e Márcia “contaminou” suas famílias: hoje, maridos e filhos também viraram melhores amigos. (Foto: Guilherme Baffi)

Até amanhã, inúmeros poemas e canções sobre amizade devem pipocar em seus e-mails e redes sociais. Talvez, também apareça uma mensagem de autoria bem conhecida. Não existe consenso sobre o Dia do Amigo no Brasil. Porém, o 20 de julho tem sido instituído por lei, ainda que timidamente, em estados e municípios.

Acredita-se que a iniciativa teria começado com o médico argentino Enrique Ernesto Febbraro, que, em 1969, enviou cerca de quatro mil cartas a diversos países com o intuito de celebrar a data. Ele considerava a chegada do homem à lua um feito capaz de demonstrar que se o homem se unisse a seus semelhantes não haveria objetivos impossíveis.

Independentemente da época do ano, especialistas defendem que é preciso cultivar as amizades assim como os relacionamentos amorosos. Segundo a psicóloga e psicodramatista Marina Vasconcellos, de São Paulo, os mesmos valores que tornam um romance duradouro, como respeito, confiança, cumplicidade, carinho e admiração, aplicam-se às relações fraternais.

“As amizades devem ser alimentadas. Mesmo que uma pessoa quase nunca veja a outra, é preciso demonstrar interesse por ela”, afirma. Para Marina, a principal diferença entre os dois tipos de relacionamento é a convivência. Enquanto no primeiro caso pequenas divergências podem provocar conflitos no cotidiano, no segundo as pessoas são mais abertas e fazem menos cobranças.

“Não existe julgamento, porque se aceitam as diferenças”, afirma. Marina explica que é comum que se escolham amigos para determinadas situações. Há companhias perfeitas para um bate-papo ameno no boteco ou para uma balada. E também para contar os segredos mais cabeludos.

Há os que permanecem lado a lado por décadas (às vezes, diariamente). E também os que se afastam, devido à distância ou por estarem em fases diferentes da vida (como o casamento e a chegada dos filhos).“Amigos são como um trem. Tem quem desça nas primeiras estações, quem siga por um trecho maior da viagem ou quem nunca o abandone”, compara ela.

Novos padrões

Embora acredite que o sentimento permaneça o mesmo, a profissional destaca que a forma de se investir nos amigos mudou nos últimos anos. Entre os motivos estariam o “boom” tecnológico e a falta de tempo, por conta da rotina frenética nas grandes cidades.

Se antigamente as pessoas se dispunham a visitar os mais chegados sem precisar ter hora marcada para tomar um café e jogar conversa fora, atualmente o bom e velho olho no olho foi substituído pelo uso de celulares e de computadores.

“As pessoas passam horas conectadas e acham o máximo ter milhares de contatos na internet. Mas, para quantos deles se pode ligar de madrugada? Amigos verdadeiros são para contar nos dedos”, aponta. A psicóloga clínica Luciana Nazar Ramoneda, de Rio Preto, defende que as ferramentas virtuais podem ser úteis para fortalecer as relações reais já existentes, mas não têm o mesmo peso do contato físico.

“Hoje, as pessoas se comportam de forma egoísta, perderam a afetividade. Quando gostamos de alguém, devemos encontrar maneiras de nos fazer presentes, independentemente dos compromissos com o trabalho e a família. Podem ser coisas simples, como mandar um torpedo ou uma mensagem no Facebook.”

Na opinião de Luciana, não existem limites para se compor um círculo de amigos. Seu tamanho e importância são delimitados pela disponibilidade afetiva de cada um. “A amizade é entrega, é estar junto. Depende da vontade de compartilhar. Por isso mesmo, é necessário demonstrar gratidão por quem se dispõe a nos amar”, diz.

O conceito de amizade fraterna é bastante subjetivo. Cada um é capaz de perceber o grau de envolvimento e de intimidade com seus escolhidos. “Os amigos verdadeiros são aqueles com quem você se sente à vontade para falar sobre tudo. Quem ouve, oferece colo, puxa a orelha e não reclama da ausência”, completa Marina.

A data, então, pode servir de pretexto para demonstrar o quanto alguém é especial e lhe faz falta. Só não vale enviar recados impessoais para todo mundo. Feliz Dia do Amigo!

Amigos para a vida toda

O protético Mateus Garcia Fernandes e o comerciante Pedro Henrique dos Santos Neves se conhecem há três anos. E são melhores amigos. Os dois se encontram quase todos os dias. Quando um está ausente, eles se falam por telefone. A parceria e a confiança são tamanhas que um tem a chave da casa do outro. “O Pedro também tem o controle remoto do meu portão e dorme em casa quando precisa”, afirma Mateus.

Pedro conta que eles se divertem e discutem, conversam e competem, mas não dispensam a companhia um do outro. “Somos como irmãos, um confia muito no outro. Nossa amizade é gratuita, sem cobranças e não tem interesse. Sei que posso contar sobre meus problemas, minhas alegrias e confiar de forma tranquila”, afirma Pedro.

A cartorária Melissa Soleman e a professora e fisioterapeuta Angélica Giardini confirmam o que a maioria das pesquisas comportamentais comprova: que as relações de amizade formadas na infância exercem enorme influência na vida das pessoas. Com quase 20 anos de parceria, as duas afirmam que a amizade é para elas uma espécie de porto-seguro, de proteção contra a tristeza. “Sempre estivemos por perto, seja na alegria, seja na hora dos problemas”, afirma Melissa.

Na opinião de Angélica, amigo é de fato o irmão que não se escolhe. “É algo precioso. Apesar de sermos completamente opostas, respeitamos nossas individualidades. Mas também nos apoiamos, nos defendemos”, diz. Para a professora, neste mundo atual, em que há muito interesse por trás de tudo, ter uma amizade verdadeira é um prêmio. “A Melissa é especial, tenho muita sorte de tê-la encontrado.”

A comerciária Selma Sueli Ferrassoli Mantovan e a presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Rio Preto (Sincomerciário), Márcia Caldas Fernandes, têm uma antiga e ótima convivência. Há 17 anos elas são companheiras de conversas, passeios, viagens e emprego. As duas trabalham na mesma empresa e se tratam como irmãs. “Tenho mais contato com ela do que com minhas irmãs.

Posso desabafar, contar segredos e também me divertir. Passar um Ano Novo ou Dia das Mães longe dela não tem o mesmo significado.” Para Márcia, a amizade delas criou uma união entre as famílias das duas. “Nossos filhos e maridos são amigos. E quando minha mãe era viva, tinha a Selma como filha.” E diz ainda: “Ela sempre fala uma palavra de carinho ou de incentivo na hora que mais preciso.”

Pessoas falsas: como lidar com elas?

Conviver com a falsidade não é tarefa fácil e requer firmeza nas atitudes

Foto: Thinkstock

Pessoa fofoqueira, de sorriso largo, mas ama criticar pelas costas, distorcendo a vida e as atitudes dos outros. Como lidar com alguém assim? E quando esse alguém faz parte de sua família? Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, o distanciamento é o melhor remédio.

“Quando identificar que uma pessoa é falsa, o ideal é não se aproximar, não se abrir, não contar coisas sobre a sua vida que não gostaria que contasse para outras pessoas. Pode até mesmo cortar relações.”

Mas, ainda que essa pessoa falsa pertença ao mesmo grupo de amigos é possível manter a convivência. “Dá para permanecer no relacionamneto, mas mantendo distância daquela pessoa. Não é preciso sair do grupo, mas é necessário ter cuidado para não se aprofundar nos assuntos quanto estiver perto dela.”

Marina ressalta que essa convivência não é obrigatória, mas pode ser mantida sem muito envolvimento. “O ser humano não é obrigado a conviver com todas as pessoas da mesma forma, sempre terá mais empatia por uma que por outra. Mas é importante dizer que é possível manter uma relação social e superficial, sabendo até onde se colocar, mantendo sua intimidade, para não correr o risco de contarem de forma distorcida para outras pessoas.”

Falsidade em família

A situação fica ainda mais complicada quando a falsidade reina entre os familiares. Contudo, Marina enfatiza que, nessa circunstância, é necessária a convivência. “Isso porque as pessoas estão sempre juntas em festas e reuniões familiares, porém, tem que se preservar. É triste a constatação, mas é real: há casos em que a melhor coisa é se distanciar, porque a pessoa não é digna de confiança, e isso também acontece entre familiares. É melhor uma relação superficial, para ser possível conviver socialmente, mas não dá para ter uma relação com a pessoa.”

A psicóloga finaliza destacando que lidar com pessoas falsas é muito difícil. “Elas são manipuladoras, por isso, se tentar desmascará-las, será sua palavra contra a delas. Pode ser que as pessoas acreditem, mas em alguma hora, a máscara cai. Se o grupo acreditar naquela que é falsa, é ótimo para saber que tipo de pessoa é amigo dela. É positivo quando há essa distância das duas pessoas.”

Mulheres disputam mais as amizades

Elas complicam e criam situações

Publicado no Arca Universal em 28/05/2012

Ciúmes, inveja, dor de cotovelo, o fato é que entre as mulheres sempre existe aquela “picuinha” de ser mais amiga, a mais próxima, a indispensável de determinada pessoa – o que é praticamente impossível acontecer entre os homens.

A psicóloga Marina Vasconcellos explica que esse comportamento se baseia na maneira como meninas e meninos são criados pelos pais. “Desde a infância, as mulheres não estão acostumadas a ter poder, por serem impedidas de fazer muitas coisas, ao contrário dos meninos que têm mais privilégios que elas. Então, desde esse momento, elas lutam muito pra conseguir as coisas, um lugar na sociedade, tudo é conquistado com muita contestação.”

Marina aponta também que essa disputa vem por não respeitar as diferenças entre as pessoas e de não ser direta nas amizades. “As mulheres têm mais dificuldade de entender que as aproximações das pessoas podem acontecer por motivos diferentes. Além disso, elas consideram todo um contexto da situação, têm medo de colocar limites e de machucar a amiga, por isso sempre dão um jeitinho de agradar.”

Outro ponto a enfatizar é que os homens e as mulheres têm maneiras diferentes de lidar com os amigos. “Os homens não se importam se o seu amigo tem outros amigos e sabem colocar limites nas relações interpessoais. Mas elas se preocupam mais com detalhes, querem sempre estar no foco da amizade e que isso seja correspondido da mesma forma”, esclarece Marina.

Para ela, somente o tempo é capaz de ensinar à mulher que as coisas não são bem assim e que não precisa existir disputa entre as amizades. “A maturidade mostra que as pessoas têm diferentes amigos para diferentes contextos, que há uma diversidade de identificação e por isso acontecem as preferências em determinadas situações. Mas tudo isso não significa falta de sentimento.”

O outro lado

A situação é constrangedora para quem está no meio dessa disputa, mas ela pode tentar amenizar este conflito. “É difícil porque não depende da pessoa, porém ela deve saber ser diplomata, sem demonstrar exclusividade e saber distribuir a atenção entre as amigas”, ensina Marina.

O problema maior está quando não há entendimento que as pessoas são diferentes e que há momentos diferentes para cada um. “Se não compreender as preferências para determinadas situações, acabará pelo distanciamento, colocando a amizade em risco de sobrevivência”, finaliza a psicóloga.

Dança: benefícios incluem fazer amigos e perder peso

Atividade melhora o condicionamento físico e ajuda a perder a timidez

Publicado no Portal Minha Vida em 30/01/2012

Já pensou em se exercitar enquanto se diverte e faz amigos? Se a ideia lhe agrada, a dança pode ser uma ótima alternativa para você. Por isso, conheça os benefícios desta atividade que faz bem ao corpo e à mente.

Quem vê esses Rosely e Moacir dançando, nem imagina, mas a atividade entrou na vida deles há pouco tempo. Eles procuravam por uma atividade que não só beneficiasse o corpo, mas que também ajudasse na interação social e trouxesse bem-estar. A resposta não poderia ser outra: escolheram a dança.

“A dança mudou radicalmente a minha vida. Não só fisicamente, como socialmente. Hoje eu me relaciono com muito mais facilidade, eu me desenvolvi muito. Eu acho que pra mim, só foi benefício”, afirma a aposentada Rosely Aparecida Villar. Já para o advogado Antonio Moacir Magalhães, os resultados não foram muito diferentes. Ele acha que todos deveriam praticar.

Dançar é uma das atividades mais completas que existe. Ela aumenta a frequência cardíaca, estimula a circulação do sangue, melhora a capacidade respiratória e, de quebra, ainda queima muitas calorias, o que é essencial para quem quer perder peso. E o melhor: quem pratica, geralmente nem percebe o esforço que faz. Em apenas 30 minutos de atividade, a dança é capaz de eliminar muitas calorias.

Quem dança bolero queima, em média, 175 kcal. Já quem prefere o forró ou o samba de gafieira pode perder 235 kcal. Mas o rock é o verdadeiro campeão na perda de peso. Em meia hora é possível perder 275 kcal. Mas os benefícios da dança não param por aí não. Os efeitos psicológicos também são muito valiosos.

Só pela prática do exercício físico, já ocorre no organismo a liberação da endorfina, uma substância conhecida por proporcionar prazer. Além disso, a dança é essencialmente uma atividade social. Estimula o diálogo e permite a troca de experiências, o que pode ajudar a superar a timidez e trazer autoestima.

“O ritmo faz vocês soltar emoções, tensões, libera estresse”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos, também praticante de dança.

Quer começar a dançar e aproveitar todos os benefícios? Então procure já um curso de dança e escolha o estilo musical que tem mais a ver com você. Por volta de três meses, até os mais desajeitados já começam a fazer bonito.

Vídeo informativo no Portal Minha Vida.

Vitimizar-se não funciona no “BBB” nem fora dele

Publicado no UOL em 25/01/2012

Jakeline, a mais recente ex-BBB, não convenceu os colegas da 12ª edição do programa nem o público. A jovem de 22 anos teve várias crises de choro, motivadas, entre outras razões, pela saudade que dizia sentir de um galo de estimação e por não conseguir dormir sem o travesseiro que a acompanha desde o berço. Tanto choramingo resultou em uma indicação ao paredão por seus concorrentes e, consequentemente, em sua eliminação, com 50,47% dos votos do público –provando que se vitimizar incomodou participantes e telespectadores do “BBB12”.

De acordo com Cecília Zylberstajn, psicodramatista e psicoterapeuta, tentar despertar o sentimento de pena pode, eventualmente, funcionar perante à família, e só. “As pessoas aprendem maneiras de agir que cabem dentro do sistema familiar. Em geral, copiam, sem perceber, o comportamento de algum parente que age assim. Em uma microcultura, de um grupo especifico, aquilo dá certo. Porém, fora de casa, as pessoas não estão acostumadas com isso e veem com maus olhos.”

A psicóloga Marina Vasconcellos, também especializada em psicodrama, diz que, quase sempre, quem se faz de vítima desperta a raiva e a irritação nas pessoas, e não a compaixão. “O tiro sai pela culatra”, diz. E ela afirma que essa característica costuma fazer parte de pessoas “inseguras, com baixa autoestima e que não conhecem o próprio potencial.”
Autopiedade
O hábito de se fazer de coitadinho é comum, de acordo com Cecília. Na tentativa de conseguir o que desejam, essas pessoas colocam-se no papel de vítima. Mas a psicóloga enfatiza que esse comportamento não significa mau-caratismo, pois é inconsciente. “É sofrido ser assim. Nós somos felizes quando conseguimos as coisas pelo próprio esforço. Se conquistado através da pena alheia, há alegria por ter atingido o objetivo, mas tristeza pela forma como foi alcançado”, diz ela.

Marina Vasconcellos concorda que algumas pessoas não percebem que se colocam no papel de vítima, mas afirma que não é uma regra. “Há algumas que fazem de propósito, sim. E, às vezes, encontram um parceiro para se relacionar que alimenta essa dinâmica, pois gosta de cuidar, tornando-se um complemento patológico para quem se vitimiza.”

Marina explica que os “coitadinhos” têm dificuldade em todos os aspectos da vida, devido à postura imatura. “Ao agir dessa maneira, o indivíduo é visto como chato, de difícil convivência”, afirma a psicóloga. “A autopiedade não é uma forma adulta e responsável de agir. Quem se sente uma vítima das circunstâncias não se responsabiliza pela própria vida e terá problemas nas relações profissionais, amorosas e com os amigos”, afirma Cecília.

Benefícios que a amizade traz para sua vida

Ciência comprova as vantagens de ter amigos de verdade.

Publicado em Wall Street Fitness – Fique Por Dentro em 07/06/2011

Foto: Reprodução

Como um flashback, tente relembrar os momentos mais marcantes que você já viveu. Na maioria deles, quem estava do seu lado? Certamente, aqueles que você pode chamar de amigos. Escolhidos a dedo ou impostos pelo acaso, eles servem de combustível para enfrentarmos desafios do dia a dia, dividindo experiências boas e ruins.

“A amizade é uma das formas de aprimoramento do ser humano”, afirma a psicóloga Marina Vasconcelos. Ela rompe as fronteiras do preconceito e torna-se essencial, seja entre colegas, vizinhos, pais e filhos, irmãos, namorados ou marido e mulher. E o seu corpo agradece: ter amigos traz benefícios tanto para a saúde mental como física. Confira oito vantagens de cultivar sempre seu círculo social:

Risco menor de doenças

Pesquisas confirmam: seu corpo fica mais imune a problemas de saúde. Pesquisadores da Universidade de Chicago, nos EUA, identificaram que pessoas muito solitárias ao longo da vida tendem a ser mais indefesas, ter noites ruins de sono e sofrer mais com as complicações enfrentadas ao longo da vida, como o estresse. Outro estudo americano, publicado no Journal of the American Medical Association, apontou uma relação entre solidão e o risco maior de ter doença de Alzheimer.

Vida mais longa

Seus amigos mal devem imaginar, mas a presença deles melhora 50% a chance de você viver mais. O dado vem de pesquisadores da Brigham Young University, nos EUA, que analisaram 148 estudos feitos durante sete anos e meio. Segundo eles, quem passa grande parte da sua vida sem interações sociais tem um prejuízo relacionado à longevidade que pode ser comparado a fumar cigarros todos os dias, ser alcóolatra ou ser obeso.

Mais otimismo no seu dia a dia

A felicidade é contagiante e a comprovação vem de um estudo da Universidade de Califórnia e de Harvard, nos EUA. Durante duas décadas, cinco mil pessoas foram analisadas. Como resultado, a probabilidade de sorrir mais para a vida cresceu em até 60% nos participantes que conviviam com pessoas alegres. É um efeito dominó: se você é otimista, a chance de seu amigo e até do amigo do seu amigo também ficarem felizes é muito maior.

Saúde para o coração

Vínculos afetivos estimulam as emoções positivas, certo? Essas emoções, por sua vez, influenciam nos batimentos cardíacos. Um estudo que durou dez anos, da Universidade Columbia, nos EUA, mostrou que pessoas normalmente felizes, entusiasmadas e satisfeitas têm menos chance de serem depressivas e apresentam um risco 22% menor de ter infarto ou desenvolver doenças cardíacas.

A melhor forma de dividir seus sentimentos

Essa é uma necessidade natural de todo ser humano: compartilhar experiências e sensações. “A cumplicidade explica a ligação que torna os amigos inseparáveis. A compreensão que existe nesse tipo de relacionamento é profunda e marcada por muitas descobertas em conjunto, diferente do que acontece no ambiente familiar onde as posições estão marcadas desde sempre”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos.

Relações amorosas duradouras

O psicólogo John Gottman, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, afirma que ser amigo é uma espécie de “cola” que une marido e mulher em um casamento estável. Ele só concluiu isso depois de duas décadas de pesquisa. “Os casais mais felizes, com relacionamentos de longo prazo, falavam da presença da amizade no casamento e sobre como amar e fazer amor é uma extensão dessa amizade”, conta o especialista. Ainda de acordo com ele, 70% da paixão, do romance e do sexo para os homens decorre da amizade, e a porcentagem é ainda maior para as mulheres.

Amadurecimento longe da depressão

A prática de se relacionar e manter amizades ajuda a amadurecer e isso serve principalmente para as crianças. De acordo com um estudo da Universidade do Maine, nos Estados Unidos, apenas um amigo de verdade já é suficiente para ajudar os pequenos a se desenvolverem psicologicamente e mandaram para longe a depressão, a baixa autoestima, a ansiedade e a depressão.

Melhores amigas para sempre

As amizades feitas na infância podem oferecer grandes benefícios para a vida adulta

Publicado em IG Delas em 11/01/2011

Se dá para contar nos dedos das mãos os amigos de verdade, quantos deles nos acompanham desde a infância? Podem ser poucos, mas certamente são bons. “Amigos de longa data são os de rua, das brincadeiras. Estamos falando de vivência, de se tocar, se abraçar, saber o que o outro comeu. Recordações e vínculos assim trazem saúde mental e alegria”, diz Silvia Cavicchioli, terapeuta Gestalt e de relacionamentos.

Natália e Lari são amigas desde a infância. No detalhe, as duas no aniversário de 8 anos de Lari (de cabelos pretos) Foto: Reprodução

A farmacêutica Natália Beani de Carvalho, 25 anos, nem se lembra desde quando é amiga da designer Lari Paschoal, que tem a mesma idade. As duas estudaram no mesmo colégio, fizeram várias viagens e trabalhos escolares juntas e compartilharam amigos em comum. Um dia, a separação: elas foram estudar em lugares diferentes, no ensino médio. “O que não foi tão ruim”, diz Natália. “O distanciamento foi totalmente positivo, a amizade deu uma respirada. Ganhamos outros parâmetros e contatos, o que nos fez amadurecer bastante”, concorda Lari. Aliás, por coincidência, hoje seus namorados têm o mesmo nome. Quando Lari começou a namorar Igor, mandou um SMS para Natália: “Oficialmente estou te copiando”. E como boas amigas, elas sabem que podem passar (pelo menos um pouco) do limite durante as discussões. A designer, por exemplo, que não gosta de tatuagem, bateu o pé a cada uma das três que a amiga fez no corpo. Sobre a bronca, no entanto, diz ser carinho de irmã mais velha. “Temos o tom certo para não magoar. Somos bem duras uma com a outra, mas é puro amor”, diz Lari.

Laços de longo prazo nascidos na infância têm um trunfo: nessa fase, os vínculos são muito espontâneos. “Amizade não implica em interesses; o amigo gosta de você porque gosta”, diz Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar. “Isso é fundamental para saúde total do ser humano. Dependemos da relação com o outro, para dividir, aprender e experimentar coisas novas”, diz. Para Sílvia Cavicchioli, essas amizades são tão profundas que contribuem no seu senso de identidade. “É uma forma de se achar. Quando há fortes mudanças íntimas, a pessoa precisa ver-se e reconhecer-se nesses referenciais antigos. Eles trazem conforto e aconchego”, afirma a psicóloga.

Camila e Melina são amigas há 18 anos. Ano passado, viajaram juntas à Disney e estão planejando a despedida de solteira de Camila em Las Vegas (Foto: Reprodução Arquivo Pessoal)

Ainda que variem de acordo com a sociedade e época, parecem ser dois os ingredientes universais e constantes da amizade: confiança e reciprocidade. Sobre esses pilares, a economista Camila de Carvalho Fernandes, 26 anos, consolidou sua relação com a publicitária Melina Leila Melo, também de 26. Os valores de ambas foram construídos em brincadeiras de colégio, lanches partilhados no recreio e cumplicidade nas equipes de educação física. “Foi a Camila quem me deu um ‘empurrãozão’ para frequentar a igreja. Desde pequena, ela sempre teve uma espiritualidade marcante. Lembro que enquanto as outras crianças eram egoístas, vingativas, a Cá pregava o bem”, conta Melina.

Obviamente, desentendimentos acontecem. Como a discussão que tiveram na volta de uma viagem para a Disney, no ano passado, por causa do excesso de bagagem. Melina, que é fanática por bonecas Barbie desde criança, aproveitou o passeio para engordar sua coleção, enquanto Camila, que adora produtos de beleza, não resistiu aos bons preços e repôs o estoque de produtos para cabelo – e dá-lhe jogo de cintura para ninguém estourar o limite de peso das malas. Mas briga mesmo, de verdade, elas se lembram de uma só, na 3ª série. Na ocasião, Camila se recusou a fazer a lição de casa de Melina. “Ah, se todas as brigas do mundo fossem por causa disso”, diz Camila. Amigas há 18 anos, costumam brincar que o relacionamento “atingiu a maioridade”.

Quem tem um best friend forever, o chamado BFF, sabe: a falta de contato diário não afasta os verdadeiros amigos. Para a psicóloga Marina, não é a convivência o que define a amizade, e sim os valores em comum. Diferentemente dos contatos profissionais e amizades por afinidade de interesses, as de longo prazo envolvem amor e respeito. As referências exteriores, como uma banda em comum ou um hobby, podem até ser um ponto de partida, mas não seguram o laço. “Costumam ser poucas as relações profundas da sua vida. É difícil alguém que tenha um monte de amigos nesse nível”, diz ela. Nas palavras de Silvia Cavicchioli, “a amizade que resiste ao tempo é um amor que vingou”.

Divida suas metas com os amigos mais próximos

Tomar conta de pessoas nos leva a cuidar de nós mesmos

Publicado em 15/10/2010 no www.minhavida.com.br

 

Quantos amigos você já fez ao longo da vida? Desses, com quantos ainda tem contato? Se você abandonou os seus laços de amizade, trate de reatá-los já e arrume um tempo na agenda para os amigos.

Uma pesquisa realizada na Inglaterra mostrou que encontrar os amigos com frequência, nem que seja apenas para uma conversa descontraída, pode te deixar mais feliz do que alguém que tenha o salário dez vezes mais alto que o seu.

Isso mesmo. Amizades são valiosas e fazem muito bem. O apoio de pessoas queridas é fundamental para você seguir com seus objetivos, compartilhar ideias e dar boas gargalhadas. Com a ajuda delas, você sente motivação para ir adiante e inspira outras pessoas a fazerem o mesmo.

Quem são as primeiras pessoas que você procura quando precisa de um conselho ou de um ombro para chorar? Os amigos estão presentes nessas horas também.

 

“O vínculo com outros indivíduos é um modo de se sentir apoiado. De modo geral, as pessoas necessitam de relações afetivas para manter a saúde emocional. É um modo de realizar trocas de experiências, de refletir sobre si mesmo, receber e dar apoio. As trocas afetivas enriquecem e colorem a vida das pessoas”, explica a psicóloga e psicanalista Claudia Finamore.

Por isso, procure seus amigos. Não apenas para rir e para chorar, mas para compartilhar suas metas, contar seus objetivos e sonhos.

 

Quer mais um motivo para cultivar amigos? Eles fazem você viver mais. Uma pesquisa da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, concluiu que tomar conta de outras pessoas nos leva a cuidar de nós mesmos e, ter poucos amigos pode ser tão prejudicial à sobrevivência de uma pessoa como fumar 15 cigarros por dia ou ser alcoólatra.

Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, amigos são importantes para que possamos trocar experiências e compartilhar vivências. “Não conseguiríamos sobreviver sozinhos. Então, nada melhor que contarmos com a presença de amigos em nossa vida. De preferência aqueles que nos estimulam a crescer e encarar a vida de forma positiva”.

Amizade cura doenças e afasta os vícios para longe

Ela incentiva a largar o cigarro, ajuda a emagrecer e até afasta o estresse

Publicado em 11/6/2009 no www.minhavida.com.br

 

Você nunca gostou de esportes. Mas, começando a trabalhar com pessoas que fazem exercícios, sente um desejo súbito de experimentar. Até o cigarro, que provocava sua força de vontade, passou a ficar de lado depois que você começou a participar de uma turma mais saudável. Mágica? Não, ciência pura, conforme comprovam as pesquisas, incluindo um estudo recente realizado em Harvard, uma das mais prestigiosas universidades de todo o mundo.

No levantamento, os especialistas descobriram que a amizade é um antídoto e tanto contra qualquer nível de desmotivação. Mesmo uma pessoa que tenha extrema aversão a acordar cedo, por exemplo, pode fazer o sacrifício e ainda gostar! de sair da cama com o canto do galo se conviver com pessoas que fazem o mesmo.

“Quando sentimos afinidade por alguém, naturalmente queremos imitar os hábitos daquela pessoa. É uma maneira de ser aceito pelo grupo e de mostrar cumplicidade”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos. As pessoas ao redor, portanto, têm papel decisivo nas suas escolhas (ainda que isso passe despercebido no dia a dia). Quando você participa de grupos de apoio ou conhece pessoas com uma doença parecida à sua, por exemplo, as chances de retomar a saúde aumentam, porque a rotina dispensa os hábitos que seguem na contramão do tratamento em favor de outros, que contribuem para o reforço da imunidade.

 

Círculo virtuoso 
Os amigos também podem auxiliar na superação de problemas, dando força na hora do desespero. Isso acontece na ocasião em que falta incentivo ou quando a encrenca aparenta ser tão grande que nenhuma saída surge à vista. “O acolhimento que os amigos oferecem dão força para resolver as dificuldades, ainda que elas pareçam insolúveis”, diz a especialista. As mulheres, famosas por dividirem problemas e novidades com as amigas, não à toa comportam-se com mais calma em momentos de tensão.

E o efeito não vem apenas do apoio em si, mas dos efeitos dele. Quando convive com pessoas otimistas, as chances de que você também dê muito mais risadas crescem em até 60%, ainda de acordo com a pesquisa de Harvard. Se a atitude positiva não tem poder de diminuir os problemas, pelo menos impede que eles prejudiquem a sua saúde, agravando quadros de estresse e de doenças cardiovasculares. Mas é preciso ficar atento: do mesmo jeito que o sorriso é contagiante, o mau humor também se espalha feito poeira.

Para se prevenir, não tem outro jeito a não ser ficar atento. Claro que virar as costas quando alguém querido precisa de ajuda está longe de ser uma atitude louvável. Mas, caso se contamine pelo baixo astral, a situação só vai piorar. “A solução, quando isso acontece, é oferecer alternativas que ajudem o seu amigo a superar os problemas e notar como ele reage. Se sentir que há empenho em ir adiante, persista. Do contrário, vale se afastar para que as dores de cabeça dele não comecem a latejar na sua testa também”, afirma psicóloga.

O comportamento, que até pode soar egoísta numa primeira análise, não tem nada disso. Ao contrário, trata-se de uma semente de bem-estar: mantendo a serenidade e uma postura de satisfação, você atrai mais gente parecida e, como numa corrente, todos conseguem afastar para longe a maré de problemas que afeta um dos integrantes da turma.

Esse mecanismo, aliás, explica o sucesso das comunidades da internet. Nelas, desconhecidos reúnem-se e passam a trocar confidências e palavras de estímulo em favor de objetivos comuns. É o caso dos assinantes do Dieta e Saúde, programa alimentar do MinhaVida. “Eles criam blog e trocam dicas, tirando o peso que a dieta apresenta para muitas pessoas. A rede de relacionamentos criada favorece a cumplicidade e acaba com a solidão, melhorando a autoestima e dando força para que cada um alcance a meta que traçou a si mesmo”, afirma a nutricionista Roberta Stella, responsável pelo programa.