Qual a importância do psicólogo no dia a dia?

Publicado em Saluspot, 18.08.16

Quem procura psicoterapia não necessariamente está doente ou é “louco”. Esta ideia errônea é alimentada por uma boa parte da sociedade a respeito desse trabalho em plena atualidade. A importância da atuação do psicólogo na saúde emocional das pessoas deixa de ser reconhecida e aproveitada muitas vezes por conta de um velho preconceito.

A psicologia é o estudo científico do funcionamento mental do ser humano, assim como de seu comportamento. Tem como objetivo a melhoria da qualidade de vida do Homem em todas as áreas, propiciando a este um autoconhecimento profundo que lhe facilitará entrar em contato com seus sentimentos e expô-los de maneira adequada, bem como posicionar-se no mundo com maior autenticidade e segurança.

O psicólogo, ao sair da faculdade, escolhe a área de trabalho em que pretende atuar. São várias as opções: empresas (psicologia organizacional e do trabalho), hospitais (psicologia hospitalar), consultório (psicologia clínica), escolas (psicologia escolar/educacional), psicologia jurídica, do esporte, do trânsito, social, psicopedagogia, psicomotricidade ou neuropsicologia. Seja qual for a área escolhida, o profissional deverá fazer uma especialização onde ganhará os instrumentos para atuar.

Na clínica, há outras tantas linhas teóricas que devemos escolher para orientar nossa prática, sendo algumas delas: Psicanálise (Freud), Analítica (Jung), Corporal/Bioenergética (Reich/Lowen), Psicodrama (Moreno), Terapia Cognitivo Comportamental (Aaron Beck), Gestalt Terapia (Fritz Perls), dentre outras. O psicólogo precisa se especializar para fundamentar seus atendimentos e linha de pensamento.

As pessoas buscam psicoterapia geralmente quando algo não está bem, no momento em que passam por conflitos em seus relacionamentos, quando não conseguem resolver situações de impasse, para auxiliar a elaboração de lutos (seja por morte, separações, perda de algo importante na vida), para superarem seus medos ou questionarem seu modo de agir perante a vida. Buscam o autoconhecimento e a melhoria da qualidade de vida, já que ao sentirem-se mais seguras de si, com a autoestima em alta, consequentemente adquirem mais leveza e autonomia na condução dos problemas.

Há aqueles que buscam o psicólogo com a ilusão de que daremos soluções para seus problemas, pedindo conselhos de como agir em certas situações. Ledo engano! Psicólogos não dão conselhos, mas sim ajudam as pessoas a descobrirem seu próprio potencial criativo, encontrando em si as respostas para suas perguntas. Ajudamos no processo de voltar o olhar para si, buscando suas responsabilidades pelos próprios atos, questionando possibilidades e aumentando o ângulo de visão das coisas, assim como desenvolvendo novas capacidades para lidar com as situações adversas, que sempre existirão na vida de qualquer um.

Traumas vividos na infância ou em qualquer idade podem ser olhados e tratados para que não surtam efeitos nocivos no indivíduo; relações conflituosas entre familiares ou de qualquer outra natureza podem ser elaboradas e resolvidas, facilitando a comunicação antes difícil ou inexistente; separações amorosas são trabalhadas para que se possa seguir em frente sem o peso de algo mal resolvido; pessoas que sofrem com crises típicas da idade – adolescência, frustrações com emprego, envelhecimento… –; dificuldade em reconhecer sentimentos e lidar com eles; inabilidade social. Enfim, qualquer problema tem espaço para ser exposto e trabalhado com a devida importância, sem julgamento ou crítica, num contexto protegido e acolhedor.

Qualquer pessoa pode se beneficiar do processo terapêutico, e não é preciso temer o julgamento dos outros. Ir ao psicólogo pode ajudar tanto aqueles que sofrem com doenças como depressão, Síndrome do Pânico, ansiedade, estresse ou outros transtornos psiquiátricos, quanto os que simplesmente querem melhorar a forma como encaram a vida e suas dificuldades mais corriqueiras. Portanto, você está infeliz ou com algum conflito emocional? Experimente fazer uma psicoterapia para se conhecer melhor e buscar sua felicidade! Verá como muitas coisas que pareciam travadas podem começar a andar, assim como suas relações podem se tornar mais saudáveis. Boa sorte!

Confira 5 dicas para manter o foco no trabalho e ser mais produtiva

Publicado em Corpo a Corpo – Uol, 29.05.16

Com tantos colegas ao redor, é tentador detonar a produtividade para ficar batendo bater papo.
Para se blindar desse efeito, veja 5 dicas para manter o foco no trabalho

Saiba como manter o foco no trabalho
Para incentivar a colaboração da equipe, muitas empresas estão integrando os espaços e já não existem mais as divisórias entre um e outro. Mas o que é ótimo para a troca de ideias pode acabar em perda de foco, afinal, fica muito mais fácil se distrair com a conversa ao lado ou a história que o outro contou. Resultado? Você nunca consegue concluir as tarefas do dia, tendo que levar trabalho para casa. Ou até consegue, mas o faz num tempo muito maior que o seu colega mais focado. Estudos mostram que um profissional concentrado conclui as tarefas em até 74% menos tempo. Isso porque ele faz uma coisa de cada vez, sem se atrapalhar com a falta de assertividade provocada pela atenção em várias atribuições. Confira algumas dicas para turbinar a produtividademanter o foco no trabalho a seguir.

Coloque suas atividades por ordem de prioridade, se possível fazendo uma de cada vez.

A tarefa exige muita concentração? Então vale fechar um pouco a caixa de e-mail e desligar o telefone até concluir.

Se você faz parte do time que ao colocar o fone de ouvido rende mais, vá em frente. Enquanto não concluir o que foi imposto, evite também conversar com os colegas e olhar as redes sociais.

Mas se não conseguir se desvincular do barulho alheio, vale tirar dez minutos de pausa e observar o ambiente lá fora ou até mesmo sair para tomar um ar. Isso porque, graças a um fenômeno chamado de processamento inconsciente, seu cérebro vai continuar trabalhando em um problema, embora de forma inconsciente.

Fica um recadinho da psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo:
“Se o ambiente já é aberto e poluído visual e sonoramente, ao menos o seu espaço pessoal deve ser bem organizado e limpo. Por isso, tente deixar em sua mesa apenas o essencial. Uma mesa bagunçada, com pilhas de papéis aguardando para serem tirados da frente é um prato-cheio para a dispersão, pois a todo momento há um aviso ali de que há muito trabalho, além daquele que está fazendo”.

Relembre sete hábitos saudáveis da infância

Publicado no site Minha Saúde online, 07.06.16.

Imite as crianças para comer, dormir e se relacionar melhor

Infância dá saudade quando você pensa no cafuné ao chegar da escola ou no bolo de chocolate que tinha para o lanche. Mas as boas lembranças daquela época não param aí e podem ser recuperadas na idade adulta, principalmente se você quer dar um gás na saúde. Siga essas dicas e retome sete costumes que, de acordo com especialistas, estão por trás da energia esbanjada pela molecada.

Prato colorido

Crianças brincando com a salada - Foto: Getty Images

A hora do almoço, para muitas crianças, parece mais uma festa. O prato é cheio de cores e ganha até carinhas divertidas desenhadas com os alimentos – o tomate em meia-lua vira uma boca, enquanto rodelas de pepino são os olhos e grãos de feijão as sardas de uma carinha engraçada. Misture hortaliças e legumes de forma criativa e acabe com a birra no consumo de vegetais.

“Também vale fazer sucos com cores mais intensas, misturando couve e limão ou cenoura e laranja, por exemplo”, afirma a nutricionista Marcella Romanelli, da Nutricêutica Alimentos Funcionais. Ela ainda sugere incrementar o sanduíche com camadas de recheios coloridos: o recheio laranja pode ser feito batendo-se o requeijão com cenoura crua no liquidificador; o recheio roxo, com beterraba; o amarelo, com milho e assim por diante.

Dormir cedo – e bem

Criança dormindo - Foto: Getty Images

O sono é prejudicado quando as obrigações da vida adulta vão se acumulando – quando isso começa a acontecer, é preciso lembrar a infância e a obrigação de ir para a cama na hora certa. Não é só a sua experiência que comprova, mas também um estudo da revista Frontiers in Neuroscience: a privação do sono conduz a uma série de déficits na cognição, atenção e nas emoções, incluindo maior irritabilidade, além de afetar a memória, coordenação e concentração – a conclusão foi obtida pelos especialistas após a análise de um mapa cerebral detalhado.

Para evitar uma noite mal dormida ou episódios de insônia, procure esvaziar a mente ao deitar: ouça uma música relaxante, respire fundo e procure deixar os assuntos pendentes para resolver no dia seguinte. Para educar seu organismo, é fundamental criar uma rotina de sono, indo para cama sempre no mesmo horário.

Brincadeiras infantis

 Menina pulando corda - Foto: Getty Images

Gastar energia na academia nem sempre faz a sua cabeça. Em vez disso, experimente bambolê, pular corda, mini-trampolim ou passear de patins, brincadeiras infantis também gastam calorias e ajudam a tonificar músculos. Bambolê, por exemplo, afina a cintura e previne dores lombares, enquanto pular corda fortalece as coxas e estimula a capacidade cardiorrespiratória. Se você se juntar às crianças da família para realizar essas atividades, melhor ainda. “Essas atividades em equipe reforçam os vínculos afetivos”, diz a psicóloga Eliana Alves, do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro.

Dar risada por motivos simples

 Mulher e bebê sorrindo - Foto: Getty Images

A fase adulta pode até ser dotada de grandes responsabilidades, mas isso não é justificativa para viver sério e carrancudo. Uma pesquisa da Universidade Bocconi, na Itália, sugere que permitir algumas risadas dentro do ambiente de trabalho levanta o ânimo e, inclusive, pode favorecer a imagem dos chefes perante os subordinados.

Outro estudo, publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, acompanhou 3.800 pessoas entre 52 e 79 anos durante cinco anos. Os pesquisadores observaram que os participantes que mais felizes no dia a dia tinham um risco de morte reduzido em até 35%.

“Cultivar o bom humor ajuda voe a reconhecer o que traz felicidade no seu dia a dia”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama terapêutico.

Não conter as emoções

Menino chorando - Foto: Getty Images

Criança chora, esbraveja, grita e extravasa os sentimentos o quanto pode. Você não precisa sair fazendo drama, lamentando a vida ou soltando trovões a cada momento tenso, mas pode se permitir chorar algumas vezes. Viver contendo as mágoas pode servir de fuga do sofrimento, o que prejudica a saúde e ainda impede que você reconheça seus pontos fracos e discuta maneiras de melhorá-los. “Toda frustração é, antes de tudo, uma oportunidade para o crescimento pessoal, é você quem define se vai aproveitá-la”, diz a psicóloga Márcia Cavalieri, de Ribeirão Preto.

Aprender mais e mais

Crianças se divertindo com livro - Foto: Getty ImagesRecuperar a curiosidade típica de criança ajuda a manter a memória sempre afiada e prevenir doenças comuns da velhice, como Alzheimer. O neurologista Maurício Hoshino, do Hospital Santa Catarina, em São Paulo, conta que ficar sempre dentro da rotina é como viver no botão automático: não estimula a mente. “Reflexões estimulam a atividade cognitiva”, afirma. Vale tudo que fuja do habitual: fazer cursos, aprender novas receitas, adquirir hobbies diferentes e até conhecer lugares que desafiam sua capacidade de comunicação.

Usar roupas confortáveis

Crianças brincando e se sujando - Foto: Getty Images

Os pequenos quase sempre usam roupas leves e flexíveis para brincar, correr e se sujar. Permita-se a esse conforto sempre que possível. Peças muito justas e de tecidos quentes podem comprometer a transpiração e causar alergias e irritação na pele. “Roupas de algodão facilitam a troca de temperatura, diminuindo o calor, enquanto tecidos de fibras sintéticas são pouco arejados e retêm mais suor”, afirma a dermatologista Aline Santiago, do Rio de Janeiro.

Quando o parceiro não quer fazer sexo

Publicado no site  Saluspot/Psicoligia, 29.03.16

O sexo é algo muito presente no início dos relacionamentos. Natural e instintivo, a atração mútua e a vontade de transar com mais frequência ajudam os casais a desenvolverem o vínculo afetivo e a ficar cada vez mais próximos. Dar-se bem na cama é sinal de que a química bateu, sendo garantia de momentos prazerosos de intimidade.

Desejo descompensado

Porém, após algum tempo de relacionamento, é normal que o desejo diminua, sendo necessários mais estímulos para que o sexo aconteça. Se um deles tem mais vontade que o outro e fica frustrado por não ter sua necessidade atendida, deve conversar com o parceiro abertamente sobre o assunto e procurar uma saída em conjunto. Um grande erro que os casais cometem é a falta de diálogo sobre a questão, que é delicada, por medo da reação do outro ou de magoá-lo.

Mas veja bem: diminuir o desejo não é o mesmo que acabar com ele. Querer fazer sexo com o parceiro faz parte da relação amorosa ao longo da vida, e deve ser um ato estimulado por ambos. Quando o marido não procura a esposa, ou esta não se sente à vontade para procurá-lo, há algo errado. É preciso mostrar a insatisfação ao parceiro e conversar sobre o que não anda bem para que a intimidade seja resgatada.

Causas da falta de desejo

Muitos podem ser os motivos para a falta de desejo sexual: desde problemas hormonais, que devem ser checados para afastar causas orgânicas, até os relacionais, que são os principais e bem mais comuns. A existência de um amante, problemas emocionais (como depressão ou outras doenças psiquiátricas presentes), falta de admiração pelo cônjuge, brigas constantes e clima hostil entre o casal, além de outros fatores, podem levar à diminuição ou término do desejo sexual pelo parceiro.

Química do sexo

Durante o sexo, liberamos o hormônio ocitocina, responsável pelo vínculo afetivo. Consequentemente, em sua ausência, deixamos de alimentar quimicamente algo que nos conecta com o outro. A intimidade diminui, ambos se afastam e, aos poucos, vão deixando de lado o clima amoroso que os uniu, dando brechas para que a relação esfrie e possa aparecer um terceiro, ou mesmo que o amor acabe. Um casal deve ser amigo entre si, mas o sexo é o que vai distinguir a amizade de um relacionamento amoroso.

Como recuperar o desejo

Para que o casamento não caia na rotina (o que é muito difícil, mas possível), o casal deve cuidar eternamente de sua intimidade, não deixando que ela se perca em meio às dificuldades ou correrias da vida. Assim que perceberem um descompasso na vida sexual, devem conversar a respeito. Se for muito difícil e não conseguirem, a ajuda de uma terapia de casal pode ser fundamental para reverter a situação, permitindo que encarem o problema em um contexto protegido e busquem as causas para tal desequilíbrio. Pode existir solução caso ambos estejam dispostos a isso, abrindo-se para ouvir e falar sobre o que os incomoda, revendo sua posição dentro da relação.

Enfim, o importante é não deixar que algo tão bom desapareça da relação, provocando o afastamento do casal. Ao menor sinal de frustração ou insatisfação, converse a respeito. Não acumule mágoas nem permita que se transformem em grandes lamentações e tempo de felicidade perdido. Afinal, uma relação a dois é para ser algo bom, trazendo à tona o melhor de cada um, e o sexo faz parte disso. Dar-se bem sexualmente com o parceiro só traz coisas boas: o humor melhora, o sorriso é mais fácil, as dificuldades são mais facilmente enfrentadas, o vínculo é fortalecido, o carinho é mais frequente, a pele fica mais saudável, a libido é estimulada, gastam-se calorias…

Então, o que está esperando para resolver sua questão? Enfrente, vá à luta, busque soluções, provoque a intimidade, procure a ajuda de um profissional. Apenas não vale deixar como está, ok?

Cuidar da saúde física e emocional exige tempo, determinação e disciplina

Publicado no site Minha Saúde online, 16.0.16.

Toda escolha implica em perda.

Faço exercícios físicos seis vezes na semana. Mas quem disse que acordo cedo com aquela “super disposição” e saio da cama feliz e serelepe para os treinos? É difícil, em especial no inverno, mas venço a preguiça e levanto, pois sinto os resultados e sei que são compensadores.

Dr. Dráuzio Varella escreveu um texto sobre “A preguiça humana” que gosto bastante. Lá ele diz como o ser humano é preguiçoso e sedentário por natureza, e que todos nós temos que nos esforçar para exercitar o esqueleto com a frequência necessária, já que isso não é “natural” do Homem.

Sabemos os benefícios da atividade física regular para o ser humano em todos os sentidos, desde o físico ao mental e espiritual. Porém, infelizmente uma grande parcela da população ainda não se convenceu da necessidade de criar essa prática, deixando-se vencer pela preguiça e falta de disposição para alterar alguns hábitos que precisam ser adequados para a realização dela.

A prática de exercícios exige de nós disposição, dedicação, disciplina e persistência, variáveis que muitos não conseguem desenvolver. Não raro vejo em meu consultório ou mesmo fora dele pessoas reclamando de seu sobrepeso, mas ao serem questionadas do porque de não conseguirem emagrecer, dizem que é difícil acordar cedo ou manter uma rotina de treinos, não querem deixar de consumir guloseimas tentadoras ou beber aquela cerveja irresistível de forma mais regrada. Enfim, é a lei do mínimo esforço e a falta de disposição para abrir mão de certos prazeres imediatos (sem entrar aqui em causas emocionais para lidar com a questão e o que ela pode significar, pois isso daria outro texto).

Toda escolha implica em perda. Não há exceção a essa regra: se você opta por algo, necessariamente está deixando outra coisa de lado. Se sua escolha é treinar pela manhã, terá que dormir cedo e não beber, o que não combina com festas até altas horas regadas a álcool. Mas o problema está em querer “tudo”, sem abrir mão de nada, o que é praticamente impossível. Não perder, aqui, não cabe.

O mesmo pode-se dizer da saúde emocional, que nos exige coragem para enfrentar certos desafios e escolhas que a vida nos apresenta. Por exemplo: deixar um relacionamento amoroso onde se foi muito feliz em vários momentos, mas que não o completa mais por inúmeras razões, pode não ser tão fácil, e a grande maioria das pessoas permanece em relações que já acabaram, onde não há mais amor, por falta de coragem para arriscar-se, medo da solidão e do desconhecido, medo de se arrependerem da decisão e não poderem mais voltar atrás.

Não é fácil abrir mão daquilo que já conhecemos, mesmo que não estejamos mais nos sentindo felizes. O desconhecido assusta, às vezes apavora. Lidar com as mudanças necessárias à nova vida requer força, maturidade, disposição para aprender e sofrer – porque toda separação provoca necessariamente a elaboração do luto da perda, e a tristeza, por um período, será inevitável. Enfrentar as pessoas, os julgamentos alheios, os sentimentos mais variados que podem surgir vindos das pessoas próximas afetadas pela decisão, tudo isso dá trabalho e exige coragem. Sim, coragem para lidar com tudo o que estará por vir e bancar a escolha.

Mas há o outro lado que as pessoas parecem não levar em conta: ao sair de uma situação de tensão ou frustração, de desamor, de conflitos, em geral uma sensação grande de alívio vem em seguida, abrindo um novo leque de possibilidades na vida. Se as pessoas aproveitassem esse momento para descobrir a si próprias, entrar em contato com seus sentimentos mais profundos e descobrir o que podem aprender com os erros, teriam uma grande chance de crescimento pessoal decorrente desse processo.

Cuidar-se dá trabalho, em todos os sentidos, mas temos que aprender a abrir mão de certas coisas em função de outras escolhas. E afirmo com toda a convicção que, se algo dentro de você está “dizendo” que é hora de mudar, não deixe de ouvir sua voz interior. O resultado pode ser surpreendente!

Os cinco maiores arrependimentos antes de morrer

Publicado no site Minha Saúde online, 18.01.16

Outro dia recebi através de uma rede social um vídeo que mostra a pesquisa de uma enfermeira americana (não cita seu nome) do Hospital Albert Einstein. Ela perguntou a pacientes terminais, sob seus cuidados, quais eram seus maiores arrependimentos agora que estavam próximos da morte, e escolheu os cinco mais citados para compartilhar.

Em primeiro lugar: “Gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim”.

O tempo não volta, e temos que ser criteriosos quando decidimos deixar de fazer algo importante para nós em função do outro. Às vezes isso é necessário, em especial na vida a dois, onde a troca e o “relevar” coisas fazem parte de um convívio saudável. O problema está quando o outro vem sempre em primeiro lugar, e nos deixamos de lado. Passamos a viver em função do que faria o outro feliz, o que o agradaria, o que não o decepcionaria, e assim por diante, deixando de nos valorizar e nos cuidar.

Felizmente, com o avançar da idade sinto que a maturidade nos ajuda cada vez mais a ter segurança nos próprios sentimentos, aumentando nossa autoconfiança no que acreditamos ser bom para nós, sentindo-nos mais fortes para escolher o que nos agrada, assim como para sair de situações ou relacionamentos que não nos fazem bem.

Mas atenção: não confunda um eu forte com egoísmo. Este diz respeito a um amor exagerado aos próprios interesses a despeito dos de outrem, levando a pessoa a um exclusivismo que a toma como referência a tudo. Já uma pessoa com seu eu fortalecido, sabe posicionar-se quando não quer fazer algo e não tem receio de dizer “não”, palavrinha tão temida por muitos, mas importa-se com o outro e tenta negociar alternativas – ao contrário do egoísta, que não pensa em como isso afetará o outro.

O segundo arrependimento diz respeito ao trabalho: “Gostaria de não ter trabalhado tanto”.

Quantas pessoas começam sua carreira acreditando que seriam felizes e se realizariam com aquele trabalho, mas após um tempo já não suportam mais o que fazem e se veem reféns da própria escolha? Triste isso, mas muito mais comum do que se imagina. Se o trabalho vira um peso, o tempo e a energia investida nele diariamente certamente causarão arrependimento ao final da vida.

Inevitável o questionamento: “E se eu tivesse feito música ao invés de engenharia? Estaria mais feliz agora, viveria menos estressado…”

“E se eu não tivesse desistido daquele curso de inglês? Agora poderia largar tudo e ir morar fora!”
E por aí vai, em intermináveis “e se…” que não levam a lugar algum.

Talvez o verdadeiro arrependimento por trás desse não seja o de ter trabalhado exageradamente, mas o de não ter escolhido com mais acerto o trabalho que o faria feliz, ou não ter “virado a mesa” enquanto podia, buscando realização pessoal e profissional. Porque uma coisa é fato: quando trabalhamos muito, mas gostamos da nossa atividade, o peso não é tão grande assim, e levamos a vida com mais leveza e satisfação.

O terceiro lugar trata dos sentimentos: “Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos”.

Como já disse, com a idade ganhamos a capacidade de nos posicionarmos cada vez mais e em qualquer situação. No fim da vida já não há mais o que temer, e os sentimentos podem brotar e se manifestar com liberdade, sem a vergonha ou o temor de desagradar pessoas.

Uma pena que isso só seja possível para muitos após anos de sofrimento e contenção dos sentimentos! A psicoterapia pode ajudar as pessoas a assumirem a responsabilidade por seus atos e sentimentos, encontrando a melhor maneira de expressá-los ao mundo. É libertador poder falar abertamente sobre sentimentos com pessoas de sua confiança, trocar experiências e vivências, aprender e ensinar através do convívio com familiares e amigos. Quando expressamos nossos sentimentos, entramos em contato verdadeiramente com o outro.

E por falar em contato, aqui vai o quarto arrependimento: “Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos”.

Em especial para aqueles que vivem em grandes cidades, está cada vez mais difícil o convívio com amigos, já que temos que enfrentar o caos do trânsito, uma demanda grande de trabalho, o tempo que parece acelerar cada vez mais e não damos conta de tudo o que temos para fazer… Não raro vem a saudade de alguém, a vontade de rever um amigo ou mesmo familiar querido, mas a loucura da semana acaba por nos engolfar, restando pouco tempo e energia para investir nas amizades.

Relações verdadeiras e honestas – mais do que com a própria família, muitas vezes – são aquelas que temos vontade de ficar perto, conversar, compartilhar acontecimentos ou pensamentos, sair pra fazer algo junto, enfim, são os amigos que tanto prezamos e conquistamos. Mas até essas relações exigem que dediquemos tempo e energia, pois tudo o que não é alimentado acaba morrendo com o passar do tempo… Será que podemos fazer algo para mudar isso, não deixando que esse convívio tão precioso se transforme apenas em convívio “virtual”?

Por fim, “eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz”.
Você não é feliz? O que o impede de sê-lo? O que precisa para considerar-se uma pessoa feliz? O que você considera felicidade? Será que não está deixando de ver fatos/pessoas ou coisas que estão bem aí na sua frente? Ou há alguém que exatamente precisa “sair” da sua frente? Há algo que possa fazer a partir de hoje para reverter essa situação?

Então, com disse Nuno Cobra: “O que distingue aquele que consegue daquele que não sai do lugar é o fazer. Todo segredo está contido nessas cinco letrinhas mágicas: F-A-Z-E-R!”
Faça e seja feliz!

A resistência em procurar ajuda tem forte ligação com o medo da mudança

Por que as pessoas têm tanto medo de encarar o que as aflige e buscar a saúde como um todo?

Publicado no site Minha Saúde online, 18/11/2015.

É enorme o número de pessoas que permanece em sofrimento emocional grande parte da vida, sem procurar ajuda para seus problemas psicológicos. Estes, por sua vez, encontram uma forma de se manifestar através de sintomas físicos, trazendo à tona as chamadas “doenças psicossomáticas”, já que “o corpo fala” de alguma maneira, insistindo em nos mostrar que algo não está bem conosco e precisa ser devidamente olhado, cuidado.

Há uma gama vasta de literatura abordando essa questão do corpo que reflete o sofrimento psíquico, inclusive fazendo a ligação dos sintomas e o órgão afetado com o que pode significar na vida da pessoa, analisando a função daquele órgão e o tratamento adequado à sua recuperação. É incrível como temos o poder de “criar” certas doenças inconscientemente, por pura incapacidade de “olharmos para dentro” e identificarmos nossas necessidades emocionais.

Trabalhando com pessoas e acolhendo seus sofrimentos e angústias há tantos anos, não é raro me sentir “aflita” ou mesmo “impotente” quando percebo que conhecidos meus, sejam parentes, amigos ou pessoas ligadas a eles recusam-se a olhar para suas questões e trabalhá-las adequadamente, podendo claramente atingir melhor qualidade de vida se o fizessem. Há uma recusa aberta e consciente da necessidade de ajuda, mesmo vendo-se em situações onde qualquer um que olhe de fora percebe sua condição emocional precária.

E aí eu pergunto: por que as pessoas têm tanto medo de encarar o que as aflige e buscar a saúde como um todo? Por que ainda nos dias de hoje a psicoterapia é vista com preconceito, como algo que deve ser mantido em segredo por muitos que a procuram, por medo do julgamento alheio? Por que olhar para suas fragilidades e falhas e procurar melhorá-las deve ser motivo de vergonha para alguém? Não seria o contrário?

Há aqueles que tentam “encobrir” o problema de um parente para não assumi-lo como um paciente psiquiátrico, por exemplo. Isso é mais comum do que se imagina por aí: depressivos, bipolares, borderlines, psicopatas… Quantos não são “acobertados” pelos parentes para que sua doença ou transtorno não sejam denunciados aos conhecidos, e por consequência não recebem o tratamento adequado para sua melhora, prejudicando a própria vida e a dos que convivem com ele? Afinal, o que falariam dele?

E de si próprio: como assumir que se tem um filho com transtorno de personalidade psicopata? Aonde foi que eu errei? Como reconhecer que minha mãe sofre com bipolaridade e necessita de remédios fortes e psicoterapia para conseguir viver em equilíbrio? Como aceitar que meu pai perdeu seu emprego por estar deprimido profundamente? Como reconhecer que minha mania de comprar trata-se de uma compulsão e preciso me esforçar para tratá-la? O que meu companheiro acharia de mim se soubesse que meu ciúme exagerado trata-se de uma doença, precisando muitas vezes de medicamento juntamente com a psicoterapia? E por aí vai uma longa lista de possibilidades de doenças que infelizmente não são tratadas, algumas vezes por falta de orientação, mas outras (e a maioria delas) por medo de enfrentar o “difícil” caminho do tratamento psicológico e o que ele significa: olhar para dentro de si e enfrentar os “demônios” internos. Mal sabem essas pessoas o quanto isso é libertador e nem tão difícil quanto parece, proporcionando outra qualidade de vida, onde não é preciso sofrer para fugir eternamente de algo que não se sabe o que é.

Durante o processo terapêutico descobrimos nossas fragilidades, defeitos, encaramos os pontos fracos que nem sempre são agradáveis aos nossos olhos.

Quem gosta de reconhecer seu lado possessivo, invejoso, sua vontade de vingança, sua preguiça, a falta de vontade e empenho para investir em sua saúde, a tendência a se deprimir perante problemas que nem são tão graves assim? Para o terapeuta podemos falar tudo: nossas intimidades mais profundas, nossos defeitos mais vergonhosos, pois ele não está ali para julgar, e sim para ouvir, acolher, questionar e procurar juntamente com o cliente o melhor meio de resolver seus conflitos, buscando a sabedoria interna de cada um.

Porém, em alguns casos somos convidados por nós mesmos a promover mudanças intensas em nossas vidas, pois internamente percebemos que já não dá para continuar do jeito de sempre, o que pode “espantar” muita gente da terapia nessa hora. As pessoas estão acostumadas a viver no conflito, a carregar consigo certo jeito de funcionar, e têm medo de encarar mudanças que acarretariam outro modo de se posicionar nas relações, na vida em geral. Mesmo sendo para melhor, o desconhecido assusta. Arriscar nem sempre é fácil e dá trabalho: exige que deixemos a zona de conforto.

Apostar em sua capacidade de posicionar-se de outra maneira perante as situações pode ser assustador demais para pessoas inseguras, com baixa auto estima, temerosas do julgamento dos outros.

Uma pena. Muitas pessoas poderiam ser mais felizes e não o são por acharem que não precisam de ajuda para isso. Fica aqui uma frase de Carl G. Jung para aqueles que têm receio de experimentar a psicoterapia por preconceito ou medo: “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”.

Recasamentos que dão certo: morando em casas separadas

Uma nova proposta de relação

Publicado no Minha Saúde Online, 01/10/2015

Cada vez mais me convenço e sou testemunha de que a melhor solução para muitas relações darem certo é que os parceiros morem em casas separadas. Isso quando falamos de recasamentos onde ambos possuem filhos de relações anteriores.

Uma coisa é você se casar e construir uma família junto com o cônjuge, criando os filhos em comum, seguindo padrões combinados entre eles, revendo posturas à medida que os problemas vão acontecendo, alimentando um vínculo afetivo que cresce ali com todos, incluindo também a família de origem (pais, avós, tios, primos). Outra, bem diferente, é querer de repente que filhos que nunca conviveram entre si passem a se tratar como “irmãos postiços”, morando na mesma casa, tendo muitas vezes que abrir mão de confortos adquiridos para que caibam todos num espaço antes adequado para menos pessoas, sendo “forçados” a conviver entre si, quando não necessariamente possuem gostos ou interesses parecidos.

A questão do espaço físico não seria o mais difícil, caso os novos irmãos se dessem muito bem e levassem isso numa boa. Há casos onde fica até mais animada a casa, a nova companhia é valorizada e bem vinda para aqueles que sentiam-se sozinhos, ou que não se dão tão bem com os próprios irmãos. Mas nem sempre é fácil.

 

Recasamentos que dão certo: morando em casas separadas

Recasamentos que dão certo: morando em casas separadas

Quando casamos esperamos que seja para a vida toda, acreditando que formaremos uma família e cuidaremos para que os filhos tenham a melhor educação, num ambiente harmônico e afetivo.

Porém, ao nos separarmos esse sonho cai por terra, e temos que nos readaptar à nova realidade.

Após um possível “baque” inicial, o divorciado conquista uma liberdade antes não experimentada. Quando não está com os filhos passa a fazer coisas que há tempos não se dava o direito de fazer, como sair com amigos, ir ao cinema sozinho ou com um amigo (e poder escolher o filme sem se preocupar se o outro vai gostar ou não), viajar sozinho e conhecer pessoas diferentes, ou mesmo ficar no sossego de sua casa lendo um bom livro, assistindo TV ou o que for. Encontrar um tempo para si é algo novo para grande parte das pessoas que se separam.

Já comentei antes, mas repito aqui: por que os casais deixam de fazer tantas coisas que gostam em função do outro, por “achar” que ele não irá gostar? Ou que ficará sobrecarregado caso você se ausente por um período, sem mesmo conversar a respeito? Com o tempo as insatisfações vão se acumulando, as vontades não expressas viram frustrações enormes, a alegria do convívio é apagada ou transforma-se num peso, e o casamento entra em declínio… Se cada um se permitisse realizar mais as próprias vontades, respeitando as diferenças e preferências do cônjuge, certamente seria um casal mais feliz, que não entraria na rotina “morna” do relacionamento tão rapidamente, pois ambos alimentariam suas necessidades e desejos individualmente, além de investirem também em atividades conjuntas. Diria que aí está a arte de se relacionar com maturidade!

Bem, mas voltando à separação. Com o tempo cada um dos cônjuges conhecerá outro parceiro, que frequentemente virá com um “pacotinho” junto: filhos de outro casamento.

Nem sempre é fácil conviver com os enteados, já que estes foram educados por outras pessoas, possuem valores que podem conflitar com os seus, apresentam comportamentos que você questiona, ou problemas com os quais você lidaria de maneira totalmente adversa àquela que seu(sua) parceiro(a) adota. Enfim, uma coisa é lidar com seus próprios filhos, outra é lidar com os filhos do(a) outro(a), tendo que respeitar a educação e conduta adotados por ele(a) e pela mãe(pai), seus responsáveis diretos. E pode acontecer de não haver empatia entre vocês.

É preciso conversar abertamente sobre como conduzir essa relação, já que agora você faz parte da família. Até que ponto a madrasta ou padrasto podem – ou devem – intervir na educação dos enteados? Novas regras devem ser negociadas para garantir um ambiente pacífico, harmônico, onde o novo casal seja respeitado, assim como os filhos de ambos os lados.

Pensando na complexidade dessa união e suas consequências nada fáceis de lidar, constato o quanto um novo tipo de relacionamento onde o casal mora em casas separadas tem trazido efeito benéfico para as famílias, garantindo a privacidade das relações como um todo.

São os “namoridos”, novo nome dado aos casais que são namorados, mas relacionam-se como casados, ou seja, assumem um compromisso entre si e os filhos, embora decidam continuar a viver em casas separadas. Todos são preservados e saem ganhando: nenhum filho precisa abrir mão de seu conforto já adquirido, a casa continua a mesma, não é preciso uma reestruturação geral para que os filhos convivam entre si e com os novos parceiros (e vice versa); quando cada um está no final de semana com os próprios filhos, pode garantir a convivência integral com eles, sem a “concorrência” de outros por perto (nada que impeça de saírem todos juntos também, caso seja uma convivência gostosa).

Quando ambos estão sem os filhos, que se encontram com os outros pais, têm a oportunidade de namorar e curtir a privacidade de um casal “sem filhos”, alimentando esse vínculo de homem e mulher que costuma ser tão esquecido enquanto estamos casados. E por fim, o tempo consigo próprio conquistado após a separação é preservado, já que não estará todas as noites com alguém ao seu lado.

Muitos conflitos são evitados dessa maneira, já que o convívio fica mais leve entre todos. Não estou aqui afirmando que isso seja uma regra, ou que todos os recasamentos para darem certo devem seguir esse modelo. Apenas alerto para que, caso você perceba que sua nova união está lhe trazendo mais conflitos e preocupações em decorrência desses fatos relatados, ao invés de alegrias e prazer, e que seu relacionamento amoroso está sendo afetado por questões que envolvem essa complexa teia de relacionamentos entre os membros de uma nova família, pense se não seria mais saudável parar de “forçar a barra” e manter uma “distância segura” entre todos.

Uma boa saída é morarem em locais próximos, de fácil acesso, para facilitar as visitas e o convívio do casal que, afinal, quer estar próximo e matar a saudade durante a semana. Se não deu certo um primeiro casamento, ou talvez um segundo, ainda podemos acreditar que o amor está aí para ser vivido em toda a sua intensidade. Ao longo da vida adquirimos maturidade e experiências que nos instrumentalizam para vivê-lo de forma mais saudável, leve e verdadeira.

Então descomplique. Preserve sua individualidade dentro da relação, alimente o vínculo amoroso entre o casal, respeite o tempo de convívio necessário de seu cônjuge com os filhos dele, e construa uma relação leve e gostosa entre os “irmãos postiços”. Se todos forem respeitados em suas necessidades a chance desse novo relacionamento ser “para sempre” é muito grande!

Falando sobre questões de gênero e preconceito

Coloque-se no lugar daqueles que sofrem o preconceito e repense sua postura

Publicado no Minha Saúde Online, 01/09/2015

Cada vez mais ouvimos falar das novas configurações de relações ao nosso redor, envolvendo questões de gênero: casais homossexuais assumidos que se casam finalmente perante a lei; transexuais que conseguem o direito a operações para mudança de sexo e uma nova carteira de identidade; pessoas que se assumem homossexuais após anos vivendo num casamento hetero, inclusive com filhos; bissexuais que procuram terapia para entender porque necessitam se relacionar com os dois sexos, sentindo desejo por ambos, e por aí vai.

Infelizmente ainda temos que lidar com o preconceito enorme que envolve essas pessoas, já que pertencemos a uma cultura de padrões pré-estabelecidos bastante refratária a qualquer fato que envolva o repensar esses padrões, entender as diferenças e respeitá-las como tais, incluindo naturalmente essas pessoas em nosso meio.
Vejo que, além do preconceito, faltam informações às pessoas que taxam os diferentes de si como “errados”, “perversos”, “aberrações da natureza”.

Minha intenção aqui não é dar uma aula sobre as diferentes possibilidades de opções sexuais ou identidade de gênero, pois isso é possível encontrar com detalhes em literaturas científicas existentes (destaco o livro: “Os onze sexos – as múltiplas faces da sexualidade humana”, de Ronaldo Pamplona da Costa, Ed. Gente).

Pretendo convidá-lo, caro leitor, a colocar-se no lugar daqueles que sofrem o preconceito para que repense sua postura antes de julgá-los erroneamente.

Para tanto, cabem aqui algumas explicações básicas fundamentais da nomenclatura utilizada a fim de ajudá-lo na compreensão desse assunto tão complexo: identidade de gênero é a sensação interna de ser homem ou mulher; orientação sexual é o aspecto da identidade que faz com que nos liguemos ao feminino ou ao masculino, hetero/homo/bissexual; papel de gênero é nosso comportamento frente às pessoas e à sociedade como um todo – temos um jeito de ser masculino ou feminino; papel sexual é privativo, feito entre quatro paredes, não diz respeito a ninguém além da própria pessoa – hetero/homo/bi. As pessoas conseguem modificar seu papel sexual, mas não sua identidade.

Sabe-se hoje, através de estudos comprovados cientificamente, que a identidade e a orientação sexual são definidas ainda no estágio intrauterino do feto. Especificamente entre a sétima e décima oitava semana após a concepção, acontece um desequilíbrio na dose do hormônio masculino enviado ao feto – a testosterona -, fato este responsável pela definição da estrutura cerebral no Sistema Nervoso Central (SNC) ligada a orientação sexual e a identidade de gênero no cérebro em desenvolvimento.

Não há tratamento para alterar esse fato ao longo da vida, as pessoas já nascem com a identidade de gênero e o papel sexual definido, não sendo uma escolha sua ou resultado da forma como foi criada. Aqui vale mais uma sugestão de leitura: “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? – uma visão científica (e bem humorada) de nossas diferenças” (Allan e Barbara Pease – Ed. Sextante).

 

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Nunca me esquecerei da fala de um cliente há alguns anos, argumentando sobre sua condição de homossexual: “As pessoas acham que a gente escolhe ser assim. Elas não têm noção do que dizem. Se eu tivesse escolha, acha que eu optaria por levar uma vida assim tão mais difícil, não podendo assumir minha relação afetiva com alguém em público, sofrendo com o preconceito todos os dias, fazendo meus familiares sofrerem por medo de que algo me aconteça (referindo-se aos ataques a gays frequentes em São Paulo), tendo que frequentar ‘guetos gays’ porque só lá as pessoas se entendem e se aceitam como são? Eu não tive e não tenho escolha, nasci assim e sou assim!”.

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Homossexuais, tanto masculinos quanto femininos, são aqueles que têm como objeto de amor e desejo pessoas do mesmo sexo. A orientação afetivo-sexual do homem é para outro homem, assim como a da mulher. Eles não têm problemas com sua identidade de gênero que bate com seu corpo biológico, ou seja, os homens sentem-se bem com seu corpo masculino e as mulheres, idem. Apenas escolhem para se relacionar afetivamente alguém do mesmo sexo.

Os bissexuais nascem com o corpo biológico macho ou fêmea perfeito, ou seja, o homem sente-se homem, e a mulher sente-se mulher (assim como os homo e os heterossexuais). Porém, na idade adulta sentem a necessidade de manter relações afetivas e sexuais com ambos os sexos para sentirem-se plenos, algo que vai além de seu controle.

É comum aqui, por exemplo, homens que se casam com mulheres, têm filhos, e com o tempo acabam procurando uma relação homossexual fora do casamento para se sentirem plenos, mantendo em segredo essa segunda união, já que muitas mulheres não aceitariam saber que dividem seu homem com outro homem. Eles são felizes em sua união hetero, conseguem manter relações sexuais com a esposa (embora não seja sua primeira opção…), realizam-se com a paternidade e a vida em família, mas têm a necessidade da união com outro homem para se sentirem completos. O mesmo se aplica às mulheres.

O travesti tem uma identidade de gênero dupla, sente-se homem e mulher. No caso do travesti masculino, por exemplo, ele sabe que biologicamente é um homem, foi criado socialmente como tal e não deseja eliminar seu órgão sexual (o pênis), embora muitos acabem por exagerar em suas vestimentas, carreguem na maquiagem e nos trejeitos justamente por se sentirem também femininos. Difícil conviver com essa dualidade eterna.

Os transexuais são almas femininas aprisionadas em corpos masculinos e vice versa, nas palavras de Ronaldo Pamplona. É como se a pessoa nascesse num corpo trocado, que não lhe pertence. As mulheres sentem-se homens, desde o nascimento, e não conseguem se adaptar àquele corpo com seios, vagina e que menstrua. Precisam adaptar o corpo àquilo que sentem psicologicamente, que contradiz o biológico, daí a necessidade das operações para mudança de sexo e tratamentos com hormônios para o resto da vida. O mesmo acontece com os homens.

Agora, imagine-se na seguinte situação: você possui uma filha que desde bem pequena não gostava de usar os lindos vestidos que ganhava, ficava emburrada quando tinha que se arrumar para festinhas de amigas da escola e ia de mau humor, contrariada. Não gostava de brincar com bonecas, preferindo os videogames de carros e lutas do irmão mais velho. Ao chegar à adolescência passa a ficar insuportável, evita festas, tranca-se no quarto para evitar o convívio com amigos e familiares, recusa-se a colocar roupas femininas mesmo em ocasiões onde todas as mulheres se arrumam (casamentos de familiares, por exemplo), deixando os pais desconcertados com tal displicência em sua vestimenta. De repente, aos 15 anos, sofrendo de depressão e indo mal na escola, resolve contar aos pais que ela não se sente como uma menina, mas sim, um menino aprisionado num corpo feminino.

Imagine que você é a mãe ou o pai dessa menina. O que fazer? Como reagir? Qual o caminho a seguir? E o sonho de um dia vê-la se casar e ter filhos… o que fazer com tal frustração? Como lidar com tamanho sofrimento?

Esse é um caso de transexualismo. O caminho a seguir é longo e dolorido: busca por tratamentos adequados e especializados; locais confiáveis para acolherem tanto o trans quanto a família, que também precisará de apoio para aprender a lidar com a situação e aceitá-la como tal; enfrentamento do preconceito por parte dos familiares, amigos e sociedade em geral; mudança da fisionomia da menina que passa a se transformar num menino (com a ingestão de hormônios vai desenvolver caracteres masculinos como pelos pelo corpo, barba, a voz engrossa), e todos terão que se acostumar a chamá-lo pelo novo nome escolhido de homem; adaptação de todas as roupas, sapatos e decoração do quarto; provavelmente terá que mudar de escola para evitar o bullying e a exposição da(o) menina(o) aos colegas e professores.

E o tratamento deve envolver psicólogo, psiquiatra, endocrinologista, nutricionista, ginecologista, de preferência formando uma rede interdisciplinar onde os profissionais possam se conversar a respeito do andamento do tratamento.
Mas, mesmo com tudo isso em jogo, de repente a menina chata e mal humorada que se isolava e evitava as pessoas, tanto em casa quanto na escola, transforma-se num menino dócil, inteligente e de fácil convívio, pois finalmente sente-se compreendido e visto como um homem pelas pessoas, como sempre se sentiu internamente – sua identidade de gênero sempre fora masculina.

Conseguiu imaginar a situação? E mais: é para o resto da vida! Os hormônios deverão ser ingeridos com controles adequados de tempos em tempos, pois senão os caracteres femininos podem voltar (seios, menstruação, pelos, voz…). Um número pequeno deles consegue fazer a operação para mudança de sexo, após longo tratamento e a idade mínima de 21 anos, retirando os órgãos reprodutores femininos (útero, trompas e ovários), seios (mastectomia) e realizando a implantação de uma prótese peniana. Aí sim o quadro se completa, e ele pode sentir-se um homem completo.

Insisto em trazer aqui o sofrimento que envolve todo esse processo nada fácil para as pessoas que passam por isso. Trouxe um exemplo de transexual por considerar o transtorno mais difícil de lidar, dentre todos os outros, por envolver a mudança física da pessoa, além dos aspectos psicológicos.

Mas e os outros? O que uma mãe ou pai de um homossexual imagina que faz a seu filho quando o renega ao saber de sua opção sexual? Por acaso acha que ele escolheu ser assim só para ser a “ovelha negra” ou o “causador” da família? Só para “chamar a atenção”? Já ouvi declarações do tipo: “Preferia que ele estivesse morto a ter que aceitá-lo nessa condição”- o cúmulo da falta de empatia, do preconceito, do egoísmo e da falta de desenvolvimento tanto emocional quanto espiritual.

Imagine-se na situação de um homossexual que nasce numa família preconceituosa e sabe que será um grande baque assumir sua verdadeira identidade dentro de casa, prevendo reações de desprezo, agressões ou rejeição por parte dos familiares. Você pode passar a vida inteira “escondendo” seu verdadeiro eu para não decepcionar as pessoas que ama, ao mesmo tempo em que não se permite ser feliz experimentando uma relação afetiva com quem gostaria. Pode casar e ter filhos só para corresponder às expectativas da maioria da sociedade, mas certamente viverá infeliz por não querer estar ali. Se tiver coragem, um dia se separa e sai em busca de sua realização pessoal. Caso contrário passará a vida lidando com seus problemas emocionais e a enorme frustração de nunca se permitir assumir sua orientação sexual.Triste opção.

Essas pessoas nascem assim e muitas são plenamente felizes quando conseguem assumir sua opção sexual, sendo acolhidas normalmente pela sociedade. Bom seria se eles pudessem esquecer que são “diferentes”, não tendo que provar a todo o momento que são “normais” como qualquer um.

Seria muito mais fácil se a aceitação viesse em primeiro lugar de dentro de casa, dos pais e irmãos, dando o suporte necessário para que essas pessoas se sintam acolhidas e confiantes para lidar com o enfrentamento diário do preconceito muitas vezes velado dos outros na escola, no trabalho, no convívio social ou nos espaços públicos em geral.

Que tal fazer este exercício agora? Então vamos lá: coloque-se no lugar do outro.

Você consegue dizer “NÃO”?

Publicado no Minha Saúde Online, 28/05/2015

 

Quantas pessoas sofrem em decorrência desta dificuldade: não conseguem dizer “não” e vivem fazendo coisas contrariadas ou submetendo-se a situações onde, se pudessem realmente escolher, não estariam passando por elas. Na verdade em muitas situações as pessoas “podem” escolher, mas “não conseguem”, ou mesmo “não se permitem”, o que é bem diferente.

E por que isso acontece? Qual a razão de tal dificuldade? Há vários motivos possíveis.

Em primeiro lugar, muito provavelmente a autoestima está bem abaixo do normal, ou até inexistente. Aqueles que não têm uma boa percepção de seu valor pessoal, de seu potencial, necessitam da aprovação e reconhecimento dos outros para se afirmarem e sentirem-se mais seguros. Assim, consideram o “dizer sim” a garantia de que o outro sempre esteja por perto e goste dele, já que nunca o decepciona ou o deixa chateado, magoado.

Há um comportamento típico de algumas mulheres em especial, pelo histórico de submissão que carregam, de cuidarem das pessoas sempre que podem, de abrirem mão de seus próprios desejos em função do outro, seja ele quem for. Elas aprenderam que esse é seu papel: cuidar, estar disponível, ajudar, zelar para que tudo esteja em ordem.

O outro vem sempre em primeiro lugar. Por que dar prioridade ao que eu sinto? Como assim: eu posso me permitir ter vontades diferentes, ou discordar de algo? Isso não é egoísmo da minha parte? E se ele ficar chateado comigo, o que faço?

O não é uma das primeiras palavras que aprendemos e ouvimos na infância. É inevitável a passagem pela fase do “não pegue isso”, “ali não pode”, “não vá ali”, “não isso, não aquilo…”; faz parte da educação, proteção e formação da criança. Os limites têm que vir de fora porque ela é toda “desejo”, sem noção do que pode, dos perigos, do certo e errado.

O fato é que algumas crianças ouvem muito o não, exageradamente, sendo cerceadas em tudo, vivendo uma vida de privações em vários sentidos. Aí está um segundo motivo para a dificuldade em dizer não: já ouviu tantos durante sua vida que, quando pode dizê-lo por si, prefere não fazê-lo. “Não vou fazer com os outros o que fizeram comigo e eu não gostei, não me fez bem.”

 

 

Porém, o contrário também pode ocorrer: pessoas que tiveram sua educação muito liberal, tudo podiam, só ouviam o “sim”, aprendem que esse modelo de ser é o correto, e o adotam para si.

Nossos pais são os primeiros e principais modelos de homem e mulher que temos, transmitindo-nos valores, comportamentos, maneiras de reagir às situações da vida, enfim, educando-nos de acordo com o que aprenderam de seus pais. Assim, os ensinamentos vão atravessando gerações, até que sejam modificados caso não façam mais sentido ou estejam ultrapassados. Há casais que convivem numa verdadeira relação de submissão, onde um deles sempre diz “sim” ao outro, aceitando tudo sem questionamentos, ou com um mínimo possível. Caso os filhos se identifiquem com o “submisso”, podem reproduzir esse comportamento em seus relacionamentos, dizendo sim a tudo e a todos, perdendo a chance de se posicionar em muitas ocasiões. Afinal, aprendeu isso em casa, e considera “normal” agir dessa forma.

No contexto profissional há realmente situações onde dizer não fica difícil, pois regras devem ser seguidas, obrigações e prazos precisam ser cumpridos, tarefas às vezes entediantes ou muito complexas testam a vontade de não realizá-las porém, tudo faz parte do contrato. Mas até nesses casos há o limite aceitável do que nos propomos a fazer, de até onde o chefe ou a empresa podem exigir coisas que consideramos éticas, dentro dos nossos padrões morais aprendidos e valores que carregamos como sendo fundamentais. Caso algo ultrapasse esses limites, temos que encontrar uma maneira de colocar o “não” de forma a não nos desvalorizarmos ou violentarmos aquilo que acreditamos ser o adequado, ou, digno do respeito por nós mesmos.

Algo importante a ser levado em conta é a forma como esse “não” é dito: um conteúdo possui inúmeras maneiras de ser passado, e isso fará toda a diferença para quem estiver ouvindo. Você pode negar algo secamente, agressivamente, friamente, sem qualquer justificativa ou motivo aparente para tal atitude, gerando grande desconforto a quem está propondo algo. Ou pode ser gentil e explicar uma negativa num tom amistoso, cordial ou amoroso, dependendo da situação em questão, evitando ou amenizando bastante qualquer reação ou sentimento negativo que venha da parte contrária.

Há mais um ponto que eu gostaria de abordar: a pessoa que só fala sim pode gerar um desconforto naqueles que convivem com ela, pois nunca se sabe se ela quer realmente fazer aquilo ou não, já que não expõe sua própria vontade, deixando as decisões a cargo dos outros. Aceitar tudo é uma forma de se esconder, não se expor, defender-se das consequências de bancar uma posição contrária ao que alguém propõe.

Cada “não” que se fala para os outros numa situação onde você não queira estar, é um “sim” dito para si mesmo. E aqui eu inverto a pergunta do título desse texto: “Você se permite dizer ‘sim’?”

A terapia de casal não deveria ser o último recurso antes do divórcio

Publicado no Minha Saúde Online, 19/03/2015

 

Frequentemente, ao receber um casal que me procura para realizar uma terapia, penso comigo mesma: “Puxa, pena não terem vindo antes, enquanto o amor ainda existia, o respeito e a vontade de estarem juntos… Agora não sei se dá para resgatar algo, infelizmente!”

Venho aqui frisar esse ponto já abordado por mim, mas que atinge grande parte dos casais por aí: a resistência em procurar ajuda de um profissional em momentos de crise; a insistência na falsa ideia de que, sozinhos, conseguem dar conta dos problemas da relação, enquanto a vida lhes mostra o contrário. O preconceito em assumir que uma terceira pessoa como “mediadora” nesses conflitos pode auxiliá-los a descobrir novas atitudes e alternativas antes não visualizadas, coloca tudo a perder: “Imagine se alguém fica sabendo que fazemos terapia de casal para continuarmos juntos? Não preciso de ninguém ‘me dizendo o que fazer’, esse negócio de psicólogo não funciona!”.

Pois é, essa fala ainda é muito comum por aí, infelizmente.

Couple looking to each other during therapy session while therapist watches

Em primeiro lugar, o psicólogo não tem a função de “dizer o que as pessoas têm que fazer”. Gosto da analogia com um passeio numa caverna: o psicólogo seria o “guia” que vai com a lanterna, ao lado do explorador, iluminando os caminhos possíveis, mostrando as encruzilhadas, focando certos perigos, mas quem escolhe por onde e para onde ir é o cliente, que vai decidir se quer mudar o percurso – quando se vê diante de um perigo – ou continuar a trilhar o mesmo caminho. Essa decisão pode ser “fatal” para ele, ou levá-lo a novos horizontes nunca antes descobertos.  Tudo depende do quanto está disposto a correr riscos.

Em outras palavras: não queremos impor nada a ninguém, apenas ajudamos as pessoas a desenvolverem novas possibilidades de olhar a vida com mais consciência, ouvindo, questionando, propondo o exercício da empatia, desatando nós que atrapalham o fluir da vida com leveza, limpando mal entendidos entre as pessoas por problemas muitas vezes simples de comunicação mal sucedida, acolhendo dores sufocadas e mal elaboradas, e acima de tudo, facilitando e permitindo o diálogo franco entre os cônjuges que nos chegam tão machucados após anos de convivência em meio a conflitos e mágoas… Tudo isso é uma conquista do próprio cliente que aprende a reconhecer suas potencialidades, utilizando seus recursos internos antes não explorados em prol da relação.

E daí vem a segunda questão: “esse negócio de psicólogo não funciona”. Claro, se existe uma resistência total a qualquer coisa que esse profissional venha a propor, a possibilidade de dar errado ou simplesmente não funcionar é grande. É fundamental que exista a abertura para o novo, para questionamentos e mudanças que se façam necessárias.
E me pergunto: por que tamanha resistência?
Imagino que a resposta seja mais simples do que possa parecer: é mais fácil criticar o outro do que olhar para dentro de si e reconhecer seus próprios erros. Sim, muitas vezes parece mais fácil, mesmo, mas a que custo? Já parou para pensar no quanto poderia se desenvolver e crescer se voltasse o olhar crítico para si e percebesse sua responsabilidade nos problemas que atingem o casal? Muitas acusações mútuas infundadas teriam fim, levando consigo os conflitos diários por pequenas coisas, assim como o clima de “disputa pelo poder” – “Eu tenho razão!”; “Você está errado!”, etc.

Mais um esclarecimento importante: psicólogo não é juiz. Ou seja, não estamos ali para julgar ninguém, para dizer o que está certo ou errado, punir ou chamar a atenção daquele “que fez a coisa errada”… Absolutamente! Nossa intenção é fazer com que ambos se ouçam e dialoguem, expondo seus sentimentos e insatisfações, para juntos encontrarmos a melhor solução para o conflito.

Se você está infeliz no casamento deve haver algum motivo. Mesmo que não saiba identificá-lo, converse com seu parceiro sobre essa sensação. Quem sabe juntos conseguem descobrir algo e resolver a questão facilmente. Ou não.
Em caso negativo, não se acanhe em buscar ajuda o quanto antes. Insatisfações e frustrações podem se tornar crônicas, e com o tempo minam por completo o amor, não tendo mais como reconstruir algo que um dia os uniu. O amor precisa ser cultivado e cuidado sempre!

Não é fácil estar ao lado de uma pessoa por anos a fio sem passar por momentos mais delicados, e não raro a vontade de ir embora e desistir do relacionamento pode parecer tentadora… E há casos onde essa é, realmente, a melhor opção. A terapia pode ajudá-los a chegar a essa conclusão de forma madura, consciente, num ambiente protegido, onde possam dialogar a respeito. Mas em nome de algo que já foi belo e os levou a querer assumir um compromisso maior um dia, não deixe que as mágoas se acumulem e sejam guardadas “embaixo do tapete”: faça uma faxina, limpe a casa e deixe a energia boa fluir novamente em sua vida!

Posso “não gostar” dos meus próprios pais?

Publicado no Minha Saúde Online em 7/9/2014

Posso não gostar dos meus próprios pais?

 

Não raro recebo em meu consultório e vejo por aí casos onde a pessoa sente-se “culpada” por não gostar dos pais, como se o fato de serem os progenitores garantisse àqueles o direito ao amor e respeito incondicional de seus filhos. Ledo engano.

Elisabeth Badinter faz uma boa análise em seu livro “Um Amor Conquistado – o mito do amor materno” (Ed. Nova Fronteira, 1985): “Quanto a mim, estou convencida de que o amor materno existe desde a origem dos tempos, mas não penso que exista necessariamente em todas as mulheres, nem mesmo que a espécie só sobreviva a ele. Primeiro, qualquer pessoa que não a mãe (o pai, a ama, etc.) pode ‘maternar’ uma criança.

Segundo, não é só o amor que leva a mulher a cumprir seus ‘deveres maternais’. A moral, os valores sociais, ou religiosos,
podem ser incitadores tão poderosos quanto o desejo da mãe.” Concordo com esta afirmação, e acrescentaria o amor paterno na mesma categoria. Nem todos são preparados emocionalmente para desenvolver os papeis de pai e mãe, e os filhos arcam com as consequências.

A sociedade, assim como as religiões e diferentes culturas pelo mundo afora, ensina que temos que respeitar e amar nossos pais; afinal, eles nos criaram, alimentaram, educaram, sustentaram… e devemos lhes retribuir todo o trabalho e dedicação no mínimo com o reconhecimento e o amor devidos. Porém, há pais que literalmente não fazem por merecer, e o melhor seria que saíssem de perto dos filhos, já que a convivência apenas causa traumas emocionais e prejudica o desenvolvimento saudável dos rebentos.

Há pessoas doentes que se recusam a buscar tratamento para seus distúrbios, em especial os psiquiátricos. Filhos ficam sujeitos a maus tratos, violência física e psicológica, humilhações, chantagens emocionais, exposições da intimidade para outras pessoas, vergonha de escândalos em público… Tudo isso pode ser causado tanto por pessoas simplesmente mal educadas e grosseiras, como por aquelas doentes, vítimas de algum distúrbio não diagnosticado e, consequentemente, não tratado.

Recusam-se a buscar tratamento, mesmo sendo avisadas pelos parentes e amigos próximos, com o velho argumento em sua defesa: “Não sou louco para fazer terapia”. Se for o caso de psiquiatra, então, o preconceito aumenta. Sofrem anos a fio e levam toda a família junto nessa batalha, provocando brigas e frequentes conflitos quando tudo isso poderia ser evitado, ou solucionado, caso seguisse um tratamento adequado. Encaixam-se nesses casos os alcoólatras, psicóticos, portadores de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), neuróticos graves, bipolares, entre outros.

 

Mesmo sem serem portadores de doenças psiquiátricas, aqueles pais que traem seguidamente o cônjuge provocando sofrimento a este também se distanciam dos filhos, que alimentam por ele raiva, revolta e repulsa muitas vezes. Outros inúmeros comportamentos inadequados, posturas perante a vida e as pessoas, assim como valores morais absolutamente questionáveis provocam nos filhos sentimentos negativos em relação aos pais.

Sem falar nos psicopatas, arredios a qualquer tratamento e sem “cura” por se tratar de um transtorno de personalidade, e não de uma doença. Frios, incapazes de sentir algo e de desenvolver a empatia, não pensam duas vezes antes de prejudicar quem quer que esteja ao seu lado, sempre pensando no que irão ganhar com suas ações interesseiras, manipuladoras e maquiavélicas. Sendo assim, não desenvolvem qualquer relação afetiva com os filhos, permanecendo indiferentes a eles.

O resultado disso tudo é que o vínculo com os filhos fica extremamente prejudicado, muitas vezes nem tendo força para ser construído. As crianças crescem convivendo com pais agressivos e abusadores, não vendo a hora de se livrarem desse ambiente doentio e conflituoso. Guardam consigo a sensação de culpa por não gostarem dos pais, sofrendo sozinhos anos a fio por não terem coragem de admitir para si mesmo e para os outros tal sentimento. “Como não gostar do(a) meu(minha) próprio(a) pai(mãe)? Não é errado isso? Afinal, é meu(minha)/pai(mãe)!!”

Não, não é errado isso. Se o vínculo afetivo não foi construído e alimentado devidamente, o amor não cresce. Não precisa procurar justificativas que amenizem para si e para os outros certas atitudes dos pais que o envergonham, humilham ou agridem. Eles são humanos e passíveis de erro, como qualquer um.

A diferença entre pais saudáveis e doentes é que os primeiros, ao perceberem que erraram, tentam se desculpar e melhorar, não tendo problemas em voltar atrás em opiniões ou decisões equivocadas. Procuram evoluir e aprender com os erros. Já os outros não têm essa capacidade, persistindo no erro e muitas vezes manipulando os filhos para que estes, sim, sintam-se culpados por questionarem certas atitudes.

Nesses casos todos, o melhor a se fazer é manter a “distância afetiva” dos pais, ou seja, desenvolver-se emocionalmente independente do que eles possam dar em troca, e não esperar um amor que não existe. Muitas vezes a distância física também é recomendada: que o convívio com eles seja o mínimo possível para evitar situações de estresse emocional que certamente ocorrerão.

E isso só é possível se alcançar com a ajuda de um bom trabalho psicoterapêutico, onde a pessoa se aproprie de seu potencial e desenvolva a independência afetiva, elaborando a culpa advinda desse processo todo. Afinal, não é fácil assumir que seus pais fazem mal a você: nem para si próprio, muito menos para os outros.

Quando a pessoa se permite exprimir os sentimentos negativos que alimenta pelos progenitores, apropriando-se deles e entendendo de onde surgiram, como foram construídos, resultado de anos de convivência com uma pessoa sem condições psicológicas necessárias para o bom desempenho do papel de pai/mãe, há uma grande sensação de alívio e libertação emocional.

Leveza, cumplicidade, parceria: palavras chaves para um relacionamento saudável

Gosto muito da comparação da dinâmica do relacionamento conjugal com os jogos de tênis e frescobol. Quando jogamos tênis, queremos lançar a bolinha num lugar bem difícil para que o outro não consiga pegá-la, marcando nosso ponto com aquela deliciosa sensação de vitória. É uma competição cerrada que só termina com a derrota de um dos adversários.

Já no jogo de frescobol, a intenção é que ambos joguem no mesmo nível, procurando acertar a bolinha na direção da raquete do outro para que ele nos devolva na mesma intensidade, permitindo a fluência do jogo que, quanto menos interrompido pelo erro de um dos parceiros, mais gostoso fica.

Percebeu que no primeiro jogo chamei os participantes de “adversários” e no segundo, “parceiros”? Pois é assim que vejo muitos casais que procuram ajuda para seu relacionamento já tão desgastado pelas eternas disputas que acontecem entre os cônjuges, mais parecendo uma competição sem fim do que um jogo onde ambos procuram o prazer e a satisfação da parceria.

Quando digo leveza, refiro-me à ausência dessa competição descabida que tanto assola os casais. Não há hierarquia nesse tipo de relacionamento – ou não deveria haver -, pois ambos estão no mesmo nível, em pé de igualdade entre si. Um deve ser o porto seguro do outro, apoiá-lo em seus momentos bons e ruins, erguê-lo quando o encontra “caído”… Mas infelizmente vemos muitos relacionamentos “gangorra” por aí: quando um está bem, o outro cai, sentindo-se fragilizado e ameaçado pelo “poder” do outro.

Alto lá: quem disse que sentir-se forte e bem é sinal de poder sobre o outro? Por que quando um tem mais conhecimentos sobre algo que pode ajudar o parceiro a crescer, é erroneamente interpretado em suas opiniões como querendo diminuir o outro ou exibir sua superioridade? Está certo que há casos onde isso realmente acontece, mas não deve ser a regra. Na parceria conjugal ambos devem sentir-se livres para falar sobre tudo entre si, em relação aos mais diversos assuntos, pedir ajuda em todos os sentidos sem sentir-se diminuído ou criticado por isso, ter no outro a certeza de que será compreendido e acolhido a qualquer momento.

É a leveza de saber que pode contar com o parceiro sem julgamentos, sem olhares desconfiados, sem competição nem disputas de quebra de braços. Se você não se sente à vontade para falar sobre certos assuntos por medo de magoar ou da reação imprevisível do outro, já não há leveza, não há espontaneidade. Um relacionamento saudável é aquele onde há espaço para ser quem você é, autêntico, sem máscaras e representações.

Outro dia li algo que dizia que não nos apaixonamos pelo que o outro é, mas pelo que o outro nos faz sentir quando estamos com ele. Ou seja, quando sentimos que o melhor de nós se aflora ao nos relacionarmos com alguém, estamos no caminho certo.
Porém, vejo em muitos relacionamentos exatamente o oposto: quando estão juntos o clima é tenso, é preciso tomar cuidado com as palavras ditas o tempo todo para não ser mal interpretado, ou para que as mesmas não sejam completamente distorcidas e jogadas contra você, num jogo perverso de inversão e manipulação dos fatos. Parte-se do princípio que “todos são culpados até que se prove o contrário”, quando deveríamos acreditar no oposto: se estamos juntos é porque queremos o bem do outro e nossa intenção é ajudá-lo, incentivá-lo, vê-lo crescer e não provocá-lo ou diminuí-lo o tempo todo. Por que não acreditar nas boas intenções do parceiro ao invés de achar que ele está competindo com você, ou tentando mostrar-se superior? Quem ganha nisso tudo?

Por fim deixo aqui um alerta: se você escolheu alguém para formar uma parceria no amor, busque a cumplicidade e procure viver a leveza. Se isso não estiver acontecendo, questione onde estão errando e se podem melhorar, ou se fez a escolha adequada. Procure ajuda caso não consiga detectar o problema, mas não permaneça no sofrimento, na frustração, na disputa.

Estar com alguém deve ser a solução, não o problema; deve dar prazer, não ser torturante; deve fazê-lo sentir-se feliz e seguro, não o contrário.

E sentir tudo isso é simplesmente maravilhoso!

Separações e brigas – quem mais sofre nisso tudo?

Publicado no Minha Saúde Online em 03/04/2014

Venho aqui insistir num tema que já abordei, mas cuja recorrência em casos que sou testemunha me chama a atenção: quando as brigas dos pais numa separação adquirem intensidade tal a ponto de esquecerem o cuidado que devem ter com os filhos, grandes atingidos na história toda.

Imagine a seguinte situação: um homem trai a esposa após quase 20 anos de casamento, é descoberto em sua traição e resolve separar-se. Justifica seu ato dizendo que a esposa já não o atraía mais por estar desleixada, acima do peso, e encontra alguém mais jovem e bonita. Envolve-se com ela, com quem vive uma paixão e explosão sexual, tentando recuperar os anos de insatisfação nessa área.

A esposa, mesmo sabendo de tudo, lhe oferece uma chance de retomar a relação, passando por cima das mágoas e humilhações, em nome de tudo o que construíram nos anos de união – incluindo dois filhos adolescentes. Fariam uma terapia de casal e tentariam entender e modificar o que não estava bom até então. Ele é irredutível e não aceita, dizendo estar certo do que quer para si, e afirmando que o tempo deles já acabou. Não a ama mais.

Porém, com o passar do tempo percebe que os ganhos com esse novo relacionamento são muito menores que as perdas, e cai em si, passando a valorizar cada aspecto da esposa que abriu mão, sentindo saudades da vida que levavam, dos momentos em família, das viagens de férias onde se divertiam, do aconchego do lar ao lado dos filhos… Tenta reconquistá-la, mas descobre que ela, após sofrer bastante e precisar tratar-se de uma depressão que a envolveu nos meses que se seguiram ao divórcio, já não está mais disponível, e seguiu a vida: está acompanhada de um novo amor.

Aí é que o caldo começa a entornar. Vem o ciúme, o inconformismo com a escolha errada que fez, o arrependimento por não ter agido de outra forma lá atrás, a vontade de voltar no tempo para resgatar o relacionamento quando ele ainda tinha chances de se modificar e ser salvo. Agora é tarde.

Dependendo da maturidade e caráter de cada um, aqui corre-se o risco de colocar tudo a perder. Alguns começam a atacar o novo companheiro da ex mulher, acusando-o de coisas infundadas, desqualificando-o perante os filhos, provocando situações onde estes se veem numa encruzilhada: percebem que o parceiro da mãe é de boa índole, gostam dele, e o principal: veem o quanto a mãe está feliz e recuperada do trauma passado, mas sentem-se pressionados pelo pai que faz chantagem emocional e tenta a todo custo desvirtuar a imagem dele, falando mal,  dificultando ao máximo que a mãe seja feliz. Afinal, se ele não o é, porque ela haveria de ser?

O jogo é invertido e o pai projeta no novo companheiro toda a sua frustração, seu inconformismo, e o culpa por sua “amada” não lhe querer mais.

Coloquei aqui um exemplo que pode ser aplicado tanto a homens quanto mulheres, claro. Uma mulher quando sente que perdeu seu homem para outra, por mais que tenha sido dela a escolha, passa por momentos de ciúmes e raiva, chegando em alguns casos a atitudes de fúria e completa inadequação. E muitas vezes na frente dos filhos, que descobrem um lado ainda não revelado de sua mãe que lhe parecia tão tranquila e controlada.

Lidar com a frustração da perda não é fácil. Admitir que errou e não há mais como consertar determinada situação que você próprio causou, por escolhas erradas que fez na vida, requer maturidade e desenvolvimento emocional à altura. Reconhecer a responsabilidade por seus atos e assumir as consequências que eles trazem, sem projetar no outro o que é de sua autoria, é sinal de crescimento e auto conhecimento.

Todos nós estamos sujeitos a errar, mas temos que reconhecer que o outro também tem seu limite de aceitação, sua capacidade de perdão e o direito de seguir em frente e ser feliz.

Se você se encontra nessa situação, o melhor a fazer é esforçar-se para acertar numa próxima união, e em nome do amor que descobriu sentir pelo outro, deixe-o ir e ser feliz. Isso o libertará para também ir em busca de sua felicidade novamente.

E os filhos? Devem ser preservados sempre, nunca sendo colocados entre os pais como “moeda de troca”, como “informantes” da vida de cada um, e não merecem escutar os pais ofendendo um ao outro, desrespeitando-se e desqualificando os novos companheiros que tenham entrado em suas vidas. Quando tudo isso é respeitado a separação, por mais dolorosa que seja, pode não ser tão traumática e de fácil assimilação para os filhos. Tudo vai depender de como os pais lidam com os fatos.

“Sexo é fundamental no casamento?”

Publicado no Minha Saúde Online em 13/02/2014

Bem, logo de cara arrisco a dizer: “não, sexo é muito importante, mas não fundamental”.
Com o tempo de convivência a frequência das relações sexuais naturalmente diminui entre o casal. A rotina cansativa, as demandas de trabalho, filhos, tarefas de casa, horas perdidas no trânsito congestionado (para aqueles que moram em cidade grande), doenças, enfim, há muitas variáveis que levam ao desgaste físico e emocional das pessoas, diminuindo a vontade e disponibilidade para fazer sexo com tanta frequência.

O ideal seria que não deixássemos o “fogo” do início se apagar tão rapidamente, pois o sexo feito entre duas pessoas que se amam tem o poder de criar intimidade, unir os dois, trazer bom humor e mais carinho na relação, melhorar o astral, facilitar o diálogo mesmo sobre temas mais delicados – já que o clima entre o casal costuma ser mais leve e contar com a cumplicidade entre eles -, melhorar a auto estima, relaxar, queimar calorias.

Algumas pessoas acham que se não há sexo, a relação é considerada apenas uma “amizade”. Talvez para alguns isso seja o suficiente, com a idade mais avançada, já sem a energia ou a necessidade de realizar o ato em si. O amor e a história de vida construída entre o casal superam a ênfase que é dada ao sexo em determinada fase da vida, e eles não mais sentem falta desse contato. O andar de mãos dadas, dormir abraçado, tratarem-se mutuamente com carinho, importarem-se um com o outro, curtirem os netos, passearem juntos, desfrutarem a tranquilidade de assistir a um filme em casa, enfim, tudo isso e muito mais passa a ser o que une o casal.

Porém, em especial no início da relação é muito importante que o casal se dê bem sexualmente falando, pois como dito acima, o sexo traz inúmeros benefícios. Se com apenas alguns anos de união a frequência do ato cai em demasia, ou até total, há algo errado, e é preciso investigar o que está acontecendo.

Sabemos que a vida de casados não é como a de namorados, onde tudo é “lindo”, a saudade é sempre grande, o tesão é manifestado a toda hora, as carícias são frequentes, assim como os elogios e trocas de amabilidades. Quando se casa, infelizmente o casal vai se distanciando aos poucos, muitas vezes sem se dar conta disso, e deixa as preocupações e tarefas do dia a dia minarem essa energia toda tão gostosa que caracteriza as relações em seu início. Uma pena!

Porém, o importante é não esquecermos a vida sexual. Grande parte das pessoas passa a viver apenas os papéis de pai e mãe em detrimento dos de marido e mulher. Os amantes são esquecidos, transformando-se apenas em pais, deixando de regar a relação a dois como se deveria. Quem já não ouviu um casal chamando-se mutuamente de “pai” e “mãe” por aí?

Não há uma regra que estabeleça o número “normal” de relações sexuais que um casal deve ter durante a semana, ou no mês… Cada um tem uma necessidade específica, que será saciada levando-se em conta inúmeros fatores internos e externos. O problema está quando um ou ambos estão insatisfeitos com a frequência e não conseguem falar a respeito, deixando a frustração se acumular, criando um enorme abismo afetivo entre eles. E é aí que pode se abrir a porta para a entrada de um “terceiro” na relação.

Enfim, sexo é importante e deve ser cuidado e valorizado numa relação, mas há situações onde ele praticamente não existe, e mesmo assim o casal se ama e convive bem. Afinal, quem somos nós para julgar as escolhas e desejos das pessoas?

Recasamentos e a relação com os filhos do cônjuge

Publicado no Minha Saúde Online em 05/12/2013

É cada vez mais frequente encontrarmos famílias reconstruídas onde filhos de diferentes pais moram na mesma casa. Mas essa convivência nem sempre é harmoniosa, e necessita de cuidados especiais para que possa fluir sem maiores problemas.

Aqui vão algumas dicas que podem ajudá-lo nessa questão.

Em primeiro lugar, lembre-se de que quando se une a alguém que já possui filhos, o “pacotinho” vem junto, ou seja, não adianta competir pela atenção do parceiro porque é quase certeza de que você perderá.

Nunca, de maneira alguma, tente impedir que o cônjuge veja os filhos, caso não morem com vocês. Lembre-se que ele se separou de um relacionamento amoroso, portanto o vínculo de marido e mulher foi cortado. Mas o de pai/mãe permanece para a vida toda!

Não se coloque como “substituto” da mãe ou do pai porque esse não é seu papel. Madrastas e padrastos devem respeitar a existência dos pais biológicos e procurar não interferir em questões mais delicadas ou grandes tomadas de decisões, quando isso diz respeito aos pais. Isto,é claro, em se tratando de pessoas de bom senso e responsabilidade, pois há casos onde o melhor a fazer é realmente manter os filhos longe de um dos pais quando este é muito comprometido emocionalmente, causando danos ao desenvolvimento saudável do filho.

Se achar que algo está errado na educação do enteado não vá falando diretamente com ele a esse respeito. Converse com o cônjuge primeiro, abordando com cuidado o assunto e colocando sua posição para que não passe por cima da autoridade deles. Quem deve abordar o assunto com o pai ou a mãe dos enteados é o cônjuge, e não você.

Não fale mal dos pais para os enteados, pois isso pode deixá-los com vergonha, humilhados ou mesmo revoltados. Mesmo que sejam pessoas emocionalmente doentes, é importante referir-se a eles com cuidado, evitando ofensas e xingamentos. Essa atitude de respeito pelos sentimentos do outro ajudará a criar um vínculo de confiança e maior afetividade entre vocês.

Por outro lado, valorizar o companheiro novo e mostrar o quanto está feliz ao lado dele aumentará a chance de seus filhos se aproximarem e o acolherem com simpatia e coração aberto, já que quando os pais estão felizes o clima melhora, a energia boa impera e os filhos tendem a receber bem aquele que contribui para a harmonia familiar.

Mostre-se disponível para o diálogo sempre com seus enteados. Essa atitude facilita a construção da confiança entre vocês e a consequente relação de proximidade e cumplicidade.

Tenha um lugar garantido para receber seus enteados, caso não morem com você. Os finais de semana intercalados provavelmente acontecerão, onde a convivência será obrigatória. Mas pode ser gostoso estarem juntos se eles se sentirem acolhidos e bem quistos – e vice versa! -, e não “intrusos” na casa dos próprios pais…

A partir do momento em que todos moram juntos, não deve haver distinção entre filhos e não filhos na hora de tomar decisões que afetem a família toda. O tratamento não pode ser à base de privilégios e exclusões, pois isso só gera tensão, ciúme e rivalidade entre enteados e filhos – tudo o que deveria ser evitado ao máximo!

Numa boa educação, obediência, disciplina, respeito e limites devem ser exigidos de todos, independente de serem filhos biológicos ou não. Agora, a forma como esses itens são passados deve sempre ser permeada pelo afeto. É possível ter autoridade sem ser autoritário, lembre-se disso.

Enfim, sempre que existe boa vontade, bom senso, maturidade e disponibilidade para o diálogo, assim como flexibilidade para negociações e mudanças de posturas, as relações tendem a fluir melhor, superando possíveis conflitos que apareçam.

Abra seu coração, respire fundo e seja feliz!

Suicídio: uma tragédia que, em muitos casos, poderia ter sido evitada

Publicado no Minha Saúde Online em 10/10/2013

Chamaram minha atenção as mortes recentes por suicídio de dois músicos famosos. Ambos deixaram parentes, amigos e fãs completamente chocados com tal ato absolutamente inesperado, que demonstra o ápice do desespero humano, onde o indivíduo se vê sem saída e incapaz de enfrentar os problemas pelos quais esteja passando.

Um artigo de Humberto Corrêa publicado na Folha de São Paulo (10/09/13) cita números impressionantes ligados ao suicídio: em todo o mundo, a cada ano um milhão de pessoas se suicidam, sendo o Brasil responsável por cerca de 9.000 óbitos anuais – em número subestimado. Ou seja, todos os dias ao menos 25 pessoas dão cabo à própria vida em nosso país.

O problema é que praticamente 100% dessas pessoas são vítimas de algum transtorno psiquiátrico não diagnosticado ou indevidamente tratado. Daí dizer que esta é uma tragédia que poderia ser evitada caso houvesse tratamento adequado para todos, mais orientação à população a esse respeito e se as pessoas se permitissem buscar ajuda.

Aí está o ponto: o preconceito ainda é grande quando o assunto é fazer uma consulta ao psiquiatra, ou procurar a ajuda de um psicoterapeuta. A velha frase: “Não sou louco para precisar de um psicólogo” infelizmente persiste, e quando se trata do psiquiatra, então, o preconceito aumenta.

Muitas pessoas não sabem a diferença entre esses profissionais, e vale aqui uma explicação básica: o psicólogo fez o curso de graduação em Psicologia, alguma especialização depois para seguir uma linha de trabalho e atua, entre outras áreas (empresas, escolas, hospitais) em consultório, onde recebe seus clientes para psicoterapia. O trabalho visa buscar uma melhor qualidade de vida através do auto conhecimento, de questionamentos de suas atitudes e relações, facilitando o contato da pessoa com seus verdadeiros sentimentos, por meio da compreensão de sua dinâmica de funcionamento perante a vida. Qualquer pessoa que queira conhecer-se melhor, ou que esteja passando por algum problema emocional, uma dificuldade em lidar com uma situação ou pessoa, enfim, sente que algo não está bem e não consegue resolver a questão, pode fazer psicoterapia. O olhar neutro e treinado de um profissional que está fora do problema vai ajudá-lo a questionar, ponderar, entender, enfrentar, procurar soluções que antes pareciam não existir. E para tudo isso é preciso que se entre em contato com os próprios sentimentos, que algumas questões passadas sejam elaboradas para que não sigam interferindo em suas atitudes do presente.

Já o psiquiatra fez o curso de Medicina e especializou-se em Psiquiatria em sua residência médica. Provavelmente fez alguma especialização para, assim como o psicólogo, seguir uma linha de pensamento e técnica que orienta seus atendimentos. Por ser médico, pode receitar remédios. Alguns trabalham apenas medicando seus pacientes, enquanto outros também são terapeutas.

Assim, num trabalho conjunto entre psicologia e psiquiatria, podemos ajudar as pessoas mais comprometidas na busca pela saúde e melhora dos quadros psiquiátricos, trabalhando tanto o emocional quanto os sintomas físicos e mentais indesejados. É frequente o psicólogo fazer a psicoterapia e encaminhar o cliente para ser medicado com um psiquiatra de sua confiança, que fará um trabalho paralelo quando necessário. Doenças mais comuns como Depressão, Transtorno Bipolar, Pânico, Ansiedade, Síndrome do Estresse Pós Traumático, Ciúme Patológico e outras são diretamente beneficiadas por esse atendimento em equipe, que buscará solucionar não só os sintomas (com a medicação) como também as causas que levaram ao aparecimento deles (através da psicoterapia).

Agora lhe pergunto: se procuramos tratamento para diabetes, pressão alta, gastrite, dores no corpo, alterações hormonais e por aí afora, qual o preconceito em procurarmos ajuda psicológica? Por que é tão difícil admitir que não estamos bem, que a vida está pesada e não sabemos explicar o porque, que temos medo de algo que não seria para tanto, que estamos tristes e não conseguimos reagir, que temos manias estranhas e não controlamos a necessidade de mantê-las, que às vezes temos vontade de largar tudo e desistir de viver de tão pesada que está nossa carga?

Somos seres complexos e precisamos de atenção e cuidados em todas as áreas: física, mental, emocional e espiritual. Temos que olhar para o emocional assim como olhamos para o físico, e não há porque temer julgamentos de terceiros quando estamos com uma dificuldade e precisamos de ajuda.

Não raro atendo clientes que convivem com pessoas claramente comprometidas emocionalmente, mas que se recusam a buscar ajuda pelo preconceito, por falta de orientação. Vidas são afetadas e prejudicadas pela falta de tratamento adequado para quadros que seriam perfeitamente controlados, trazendo paz e harmonia ao convívio tão difícil com a pessoa doente, que não admite sofrer qualquer mal.

E não só as pessoas ao redor sofrem: a própria pessoa passa a vida sem desfrutá-la em sua plenitude por não achar que precisa de ajuda. Casamentos são desfeitos, famílias são destruídas, empregos são desperdiçados, tudo em função do estresse causado por uma doença não diagnosticada.

Por trás dos suicídios geralmente encontramos pessoas deprimidas ou bipolares que não conseguiram pedir ajuda, seja por preconceito, por orgulho ou total falta de orientação. Afinal, doenças psiquiátricas não são exatamente “visíveis” como as físicas, que aparecem em exames laboratoriais ou mesmo no corpo, sendo palpáveis e justificáveis para as pessoas. Dizer que “não está com vontade ou energia para trabalhar” pode soar como “preguiça” ou “falta de comprometimento” com as responsabilidades, quando na verdade podem ser sintomas de depressão que precisam ser tratados.

Quando se tem um trabalho e responsabilidades para serem cumpridas e honradas, como “se dar ao luxo de ficar mal”? A depressão faz com que a pessoa sinta-se sem vontade e energia para viver, tudo parece absolutamente sem graça, é um esforço acordar a cada manhã e imaginar um dia inteiro pela frente, nada é divertido ou excitante, os pensamentos são pessimistas.

Quando a pessoa está engajada em um trabalho que exige uma presença em público, por exemplo, lidando com pessoas que a admiram e esperam que esteja sempre bem, sorrindo, com pique (como é o caso dos artistas que dão shows dia após dia), muitas vezes não há tempo para cuidar de si, pois a demanda é grande e a correria diária a absorve totalmente. Como os outros entenderão se um artista famoso disser que a vida está sem graça? Todo o sucesso, fãs, aplausos, dinheiro, viagens…  nada o faz feliz? Como admitir que embora tenha tudo isso não possui paz interior, não sente prazer nas atividades, não desfruta de suas conquistas como poderia por pura falta de energia vital?

Pois assim é a depressão, e sei que muitas pessoas – não só os artistas famosos, mas qualquer um – não se permitem entrar em contato com tais sentimentos por vergonha de admiti-los, ou por não terem como investir tempo e dinheiro em um tratamento direcionado ao “emocional”, algo tão subjetivo e não palpável.

Se você se sente sem energia, desanimado, com dificuldades para dormir, encara a vida como um fardo diário, não vê graça em nada, irrita-se com facilidade, não tem vontade de se arrumar, perdeu o apetite, não quer sair da cama de manhã porque não vê motivos para isso… você provavelmente está deprimido, e precisa de tratamento. Não é nada vergonhoso admitir o fato e buscar ajuda. Existe tratamento para isso, e a vida pode deixar de ser um fardo para voltar a fazer sentido, mais leve e prazerosa em seu dia a dia.

E não dê importância ao que os outros possam pensar a seu respeito por fazer terapia. Qualquer um tem o direito de investir no auto conhecimento e na melhoria da qualidade de vida. Certamente desenvolverá seu emocional, crescerá como ser humano e ainda recomendará aos amigos que passem pela experiência!

Dificuldades para engravidar podem colocar casamento em xeque

Amor e companheirismo são necessários nessa e outras complicações da gravidez

 

“Prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”. Será? Estava pensando nessa tão tradicional promessa que milhares e milhares de casais se fazem na cerimônia do casamento, a grande maioria deles repetindo as palavras sem se dar conta com o que eles estão realmente se comprometendo. Pelo número de divórcios que acontecem antes mesmo do casamento completar um ano – alguns não duram um mês sequer! -, vemos o quanto tais palavras não passam, muitas vezes, de um mero cumprimento de protocolo.

Algumas situações pelas quais o casal passa requerem especial dedicação, paciência e uma dose infinita de amor para que a relação não se desgaste logo no início. Problemas para engravidar encaixam-se nessa categoria.

Quando o casal decide que já é hora de constituir uma família e tenta, sem sucesso, a gravidez por um determinado tempo, uma luz amarela se acende para ambos: o que estará errado? Quem será o responsável pelo insucesso das tentativas de engravidar? Quem é o “problemático” do casal?

Iniciam-se inúmeros exames em busca de uma explicação para o problema e possível solução. Assim que detectado, é preciso lidar com a sensação de “impotência” daquele que carrega o peso da frustração, da responsabilidade por não ser capaz de proporcionar a si e ao outro a realização de um desejo, comprometendo um projeto de vida até então compartilhado por eles.

Este é o momento onde se acende uma luz vermelha, e o casal precisa decidir qual o melhor caminho a seguir. Adotar uma criança? Seguir sem filhos? Fazer um tratamento para tentar a gravidez? Qualquer uma das alternativas escolhidas exigirá muita conversa entre eles, maturidade. E a decisão terá que ser de comum acordo, pois estarão traçando para si um novo projeto de vida.

Ao optarem pelo tratamento, inicia-se uma fase bastante delicada para ambos, cheia de tensões, cobranças, expectativas, exames doloridos, procedimentos invasivos; alguns têm até “hora marcada para fazer amor”. Toda a espontaneidade inicial das relações sexuais vai por água abaixo, pois cada vez que ficam juntos vem a “sombra” da cobrança: “Será que dessa vez conseguimos?” Difícil relaxar e apenas curtir o prazer do momento.

Todo mês a menstruação passa a ser símbolo do fracasso, de mais uma vez que a mulher não engravidou, do tempo correndo contra seu esforço e sacrifício na tentativa de ser mãe. A cada mês, um luto pela criança que não veio.

E haja estrutura emocional para suportar toda a frustração, as dores físicas de certos tratamentos invasivos, a cobrança da sociedade pelo filho que não chega, a instabilidade de humor e outros sintomas decorrentes de medicações cheias de efeitos colaterais. O casal deve se apoiar mutuamente e encontrar forças para seguir unido em seu propósito, pois a vontade de desistir no meio é frequente e tentadora!

 

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Deu certo, e agora?

De repente, a tão esperada notícia: deu certo! Conseguiram, por meio da técnica da fertilização, o que tanto queriam, e a mulher carrega finalmente dentro de si seu sonho de, dentro em breve, tornar-se mãe. Porém, na grande maioria das vezes esses tratamentos têm uma consequência que todos nós sabemos: não raro nascem gêmeos, trigêmeos…

Quando tudo corre bem na gestação, ótimo! O casal vai se preparando para os bebês que logo inundarão a casa de alegrias, recompensando todo o investimento dos últimos tempos (em todos os sentidos: financeiro, de energia, físico, emocional etc.). Mas há gestações de múltiplos que exigem cuidados especiais. Algumas mulheres ficam de cama durante boa parte da gravidez para evitar que os bebês nasçam antes do tempo necessário para amadurecerem.

Durante a gestação podem acontecer algumas complicações, mas não é o caso citar aqui. E também não generalizo, visto que não é porque são gêmeos ou mais bebês que, necessariamente, algo sairá do normal. Apenas estou chamando atenção para os casos em que o amor do casal é testado em situações de dificuldades.

Depois do nascimento

E se a gestação foi difícil, o nascimento ocorreu antes do tempo previsto e um dos bebês tem complicações logo ao nascer, permanecendo na incubadora por algumas semanas? Mais essa: a mãe não pode amamentar seu filho como imaginou que faria, e nem levá-lo pra casa!

Com tudo isso, imagine como está o emocional da mãe após ter passado por todas as etapas anteriores – tentativas de engravidar, tratamentos, expectativas, cobranças, frustrações, medos, decepções, medicações, dores… E o marido que a acompanhou durante todo esse percurso, onde fica? É preciso uma dose infinita de amor para que um casal passe por todas essas etapas unido, mantendo o astral positivo, confiante, sem brigas e vencendo o estresse.

A permanência na maternidade além do tempo previsto é algo que exige do casal uma dose extra de confiança, resistência física e emocional. Acabam por compartilhar histórias de outras crianças que também foram vítimas de problemas ao nascer e pais que sofrem com casos complicados e doloridos, muitos deles vindo a óbito, apesar de todos os recursos da medicina moderna terem sido utilizados.

E aí está o nosso casal, convivendo com a dor da perda de outros pais, a incerteza de recuperação de seu filho em breve, a vontade de voltar pra casa o quanto antes, vivendo situações de desespero e tensão constante.

Médicos que trabalham em UTIs neonatais relatam a quantidade grande de casais que não suportam essa experiência, separando-se logo depois (e alguns até durante esse período). A tensão enorme requer amadurecimento de ambos, capacidade de superação, companheirismo, apoio mútuo e da família de origem, muita paciência e uma estrutura emocional minimamente desenvolvida.
Após passada a experiência, o casal pode sair fortalecido em seu vínculo, certo de que conseguirá enfrentar outros percalços que venham a atingi-los com tranquilidade. É sem dúvida uma situação de crescimento pessoal. Não dizem que temos que crescer pelo amor ou pela dor? Aqui se somam os dois!

Enfim, o casal deve estar ciente de que “nem tudo são flores” num casamento, e dificuldades sempre existirão. Para superá-las é necessário ter o amor como base, mas só ele não é o suficiente. Cada um deve investir na relação e em si próprio para conseguirem crescer juntos, evoluírem, e colherem os frutos disso durante os anos de convivência.

E assim, caso o amor perdure através dos tempos, podem viver fazendo jus à frase dita lá na cerimônia do casamento: “(…) amando-te e respeitando-te todos os dias de minha vida”.

 

Noiva bonita é noiva saudável

Dizem que toda mulher está insatisfeita com seu corpo. Sempre há gordura localizada, um pouquinho de celulite, ou então os cinco quilos a mais que incomodam muita gente. E quem dirá as noivas, que arrancam fios de cabelo para estarem em forma e o vestido ficar impecável no grande dia.

Em meio aos preparativos do casamento, a ansiedade e o estresse tomam conta. Decoração, Buffet, cerimônia, convidados; o que não falta é motivo para preocupações e aborrecimentos. Para variar, o excesso de peso também chama a atenção nesse pacote de “noiva em transe”.

Toda mulher deseja estar linda no dia do seu casamento, com o vestido perfeitamente feito para ela. O problema é quando a noiva deseja emagrecer a todo custo. Algumas aderem à alimentação adequada e à prática de exercícios. Outras, no entanto, vão ao extremo com dietas relâmpago radicais, se alimentado apenas de água, biscoitos ou apenas um tipo de chá. Segundo a nutricionista Braunea Victório França, cada organismo reage de uma forma diferente: “A perda de peso depende do metabolismo de cada indivíduo. A dieta é individual e visa atender as necessidades específicas de cada indivíduo considerando seu estado físico, nutricional e estilo de vida”.

A nutricionista pondera que a dieta relâmpago, aquela com duração de uma ou duas semanas, pode prejudicar a saúde, devido aos riscos de deficiência ou excesso de nutrientes. Além do organismo, a mente da noiva também pode ser negativamente atingida com o uso desses tipos de dieta. É preciso estar atenta às mudanças de comportamento.

“É importante a mulher ter a consciência de que nada muito radical faz bem à saúde. Uma mudança brusca na alimentação pode provocar comportamentos agressivos, ansiedade, tensão, irritabilidade, fraqueza. Ela precisa saber disso e colaborar para seu bem estar ouvindo as pessoas que a cercam e que percebem sua mudança de comportamento, aceitando ser ajudada”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama.

Foto: Reprodução

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A ansiedade e a tensão podem até já fazer parte do dia a dia das noivas, em meio aos preparativos para o casamento. A situação começa a ficar preocupante quando se chega ao extremo, e o objetivo de perder peso vira uma obsessão. O ideal é encarar a dieta como um mero tratamento de beleza, conforme orienta Doutora Marina: “Encare-o como um ‘presente’ pelo seu dia, e curta cuidar de si aproveitando para relaxar de verdade. Encarar dessa forma é gostoso e faz bem pra qualquer um”.

Na luta contra o tempo e a balança, a noiva deve iniciar a dieta o quanto antes e sob a supervisão de um especialista: “O ideal é iniciar o acompanhamento nutricional com no mínimo um ano de antecedência à data prevista para o matrimônio. Dependendo do estado de saúde do indivíduo, também se faz necessário acompanhamento médico e terapêutico”, pondera a nutricionista Braunea.

O tempo pode e deve ser amigo da noiva. Basta ela planejar tudo que deseja fazer com antecedência, assim como é com os demais preparativos do casamento. Afinal, de nada adianta aproveitar o grande dia com estresse e insatisfação na cabeça. Na hora de subir ao altar, os fios de cabelo devem estar intactos, o vestido impecável, e acima de tudo, você se sentindo linda e saudável.

 

Psicopata: cuidado, você pode estar convivendo com um

Publicado no Minha Saúde Online em 31/05/3013

Quando ouvimos falar em psicopatia logo imaginamos aqueles crimes tremendos, horrorosos, onde o corpo da vítima é esquartejado ou mutilado com requintes de crueldade. Porém, essa é apenas uma das possibilidades do comportamento de um psicopata classificado como grave.

A psicopatia (ou sociopatia, ou personalidade anti-social, sinônimos para o mesmo distúrbio) não é considerada uma doença psiquiátrica, mas sim um Transtorno de Personalidade. Existe um fator genético envolvido, ou seja, as pessoas já nascem com a predisposição a desenvolverem um tipo de comportamento, apresentando desde pequenas atitudes que chamam a atenção e assustam pais e professores, muitas vezes deixando-os sem saber como agir, do tipo: são desafiadoras, provocativas, não respeitam regras nem autoridades, zombam dos adultos que tentam impor limites, os castigos ou punições não lhe surtem qualquer efeito – não aprendem com a experiência. Na escola ficam isolados, com dificuldade de socialização, pois seu maior prazer é destruir o prazer das outras crianças, estragando sempre a brincadeira quando se aproximam. Tratam os colegas com arrogância e desprezo, como se ninguém fosse digno de sua amizade.

Praticamente não há tratamento para esse transtorno, ou seja, qualquer tentativa de psicoterapia ou medicação não surtirá efeito, pois trata-se de um desvio de personalidade. São pessoas refratárias ao tratamento por não acharem que precisam de ajuda; desafiam o terapeuta, mentem, manipulam, desqualificam, até que, por fim, o profissional admita que seus esforços são em vão e interrompa o tratamento. Uma infância passada num ambiente harmonioso, sem conflitos familiares, com pais carinhosos e atenciosos, talvez amenize o comportamento futuro para que não se torne um psicopata grave, mas até isso não é comprovado ainda.

Os sociopatas não se enquadram nos padrões sociais. Querem que as coisas aconteçam de acordo com o que pensam, ignorando a necessidade de consideração pelo outro em sua vida. Tudo existe em função do que ele quer ou precisa para si. Satisfaz seus desejos passando por cima de quem for. Casos de pessoas que assumem cargos de chefia em empresas “puxando o tapete” de outros que se consideravam seus “amigos”, ou que dependiam dele para algo, são comuns.

São pessoas extremamente sedutoras e inteligentes, líderes naturais. Porém, ao atingirem a posição que almejam deixam de lado todo o “teatro” da simpatia e podem mostrar seu lado frio, calculista, interesseiro, passando a usar os outros em prol de suas vontades, sempre com um jogo de manipulação por trás.

Sua forma de atuar no mundo apoia-se em quatro características básicas: a) mentira: mentem descaradamente e tão bem, que a mentira confunde-se com a realidade; b) manipulam as pessoas; c) impõem sua vontade causando constrangimento ao próximo e d) utilizam-se da violência (tanto verbal quanto física).

Há três níveis detectáveis de psicopatia, que variam segundo a intensidade da maldade demonstrada pelo seu comportamento.

São eles:
Grave: a pessoa faz o mal pelo prazer de fazê-lo, com suas próprias mãos. São os conhecidos casos de serial killer. Não há remorso, não há culpa, não há qualquer sentimento com relação ao outro.

Moderado: a diferença aqui é que este manda fazer, ou seja, planeja tudo, articula, faz a coisa acontecer, mas através de outros que executam.

Leve: o mais conhecido e que convive em sociedade, podendo estar ao lado de qualquer um de nós.
É este nível leve que nos faz passar por situações às vezes bastante traumáticas, onde nos perguntamos como é que não percebemos com quem estávamos lidando antes de sermos surpreendidos por algo totalmente inesperado.

São homens muito inteligentes (aliás, sua inteligência costuma chamar a atenção das pessoas), que se aproximam das mulheres conquistando-as facilmente com seu jeito sedutor e simpático. Como a mentira faz parte de sua vida para impressionar o outro e usá-lo, a fim de atingir seu objetivo em mente, geralmente o relacionamento já começa em cima de alguma mentira tão bem contada, que a pessoa envolvida nem sequer imagina tratar-se de uma estratégia de conquista apenas.

Normalmente levam uma vida dupla, ou até tripla, mostrando para cada pessoa o que ela espera que ele seja. Pode mostrar-se de um jeito para uma mulher, de outro completamente diferente para outra, e perante os familiares ser ainda outro. Assim, de acordo com a conveniência do momento, satisfaz a quem está ao seu lado a fim de conseguir aquilo que quer. Portanto, desconfie de alguém que nunca a leva em casa ou não a apresenta a qualquer membro da família, atitude suspeita de que ele realmente não pode assumir sua existência.

Refiro-me ao masculino aqui por tratar-se de um distúrbio que afeta em sua maioria os homens, numa média de seis ou sete deles para cada mulher.

E como reconhecer que estamos envolvidas com um homem assim, já que sua aparência não denuncia esses detalhes?

Bem, comece por dar valor à sua percepção e intuição. No decorrer do relacionamento algumas situações acontecem em que você percebe que “algo não confere”, “tem alguma coisa errada” no que ele diz, por exemplo, ao justificar um atraso ou o cancelamento repentino de um programa pré-combinado.  Mas a capacidade de argumentação do sociopata é tal, devido à sua perspicaz inteligência, que consegue convencê-la de que você é a errada da história, invertendo o jogo de forma a fazê-la sentir-se culpada por cobrar algo que não deveria. E assim acontece sucessivamente, levando adiante seu jogo de manipulação e controle da situação.

Os homens em geral possuem mais dificuldade em lidar com afetos, expressar seus sentimentos, conversar sobre suas emoções. Mas de algum modo o fazem quando solicitados. Já o psicopata é incapaz de falar sobre isso, pelo simples fato de ser incapaz de sentir. Não vivencia o amor. Podem ser ótimos parceiros sexuais, incansáveis, já que para isso basta deixar que o instinto e o desejo se manifestem – algo que o fazem com grande intensidade. Mas não espere trocas de carícias, romantismo ou mesmo aquela sensação gostosa de cumplicidade, pois aí já foge à sua competência. Incapazes de se colocar no lugar do outro, não desenvolvem a empatia.

As emoções que demonstram são as que não necessitam de sentimentos por trás, como por exemplo: alegria momentânea, irritabilidade, impaciência, tesão. Agora, ao se depararem com situações onde a mulher está frágil, necessitando de acolhimento por algo que tenha acontecido, de um “colo” afetuoso, eles literalmente não sabem o que fazer, ficam perdidos! Frases como: “Não quero falar sobre isso agora”, ou “Lá vem você com essa mania de falar sobre sentimentos” e até “Sou fechado, não gosto de falar sobre minhas coisas” denunciam sua dificuldade em lidar com afetos, livrando-os de discussões onde não saberiam como argumentar.

Como ser carinhoso e acolher alguém quando não se sabe o que é isso? Vivem na praticidade da vida, na racionalidade total. Enquanto não forem solicitados ou questionados sobre sua incapacidade de dar afeto, sua falta de romantismo ou mesmo a inexistência de cumplicidade no relacionamento, está tudo certo. Eles apenas retribuem o que recebem, numa atitude quase automática de imitação do gesto do outro. Mas perceba que a iniciativa de elogios e atitudes românticas ou carinhosas nunca parte deles (a não ser que haja um interesse por trás – são ótimos atores).

A ideia de escrever esse artigo surgiu da necessidade de alertar muitas mulheres que se veem vítimas de homens que pareciam tão apaixonados, sedutores, amantes fogosos e insaciáveis, mas que repentinamente somem de suas vidas de forma inexplicável, deixando-as sozinhas com sua tristeza e perda. Pode ser que uma das mulheres dele (quem sabe “a oficial”) tenha descoberto sua existência por uma falha estratégica das atitudes do marido, e venha lhe procurar querendo tirar satisfações. Não é preciso dizer o tamanho do choque que um fato como esse pode provocar numa pessoa completamente desavisada e despreparada. Ou ele apenas perdeu o interesse em você. Simples assim.

Enfim, quando desmascarado por outrem, sem argumentos que justifiquem as mentiras contadas, retira-se da sua vida imediatamente, partindo para sua próxima vítima. Sem culpa, sem remorso, sem consideração, não tendo a mínima noção ou preocupação por seu sofrimento.

Abandona-a como se não tivesse feito parte da sua história. E na verdade foi uma história de mão única, porque o vínculo para ele nunca existiu. Tudo não passou de uma grande farsa.

Aprenda a lidar com a diferença de idade nos relacionamentos amorosos

Casais de faixas etárias diferentes precisam compreender seus desejos e limites

Publicado no Portal Minha Vida em 29/10/2012

Há casais que, aos olhos dos outros, passam por pai e filha ou mãe e filho, tal a diferença de idade dos dois. Quinze ou vinte anos de diferença realmente nos dão a sensação de duas gerações se relacionando – o que de fato é, não dá para negar. Isso pode ser absolutamente irrelevante para quem está na relação, e quanto mais velhos forem, menor será a importância dada a esse fato.

 A questão se complica quando o mais velho começa a exigir do mais novo atitudes condizentes com sua idade e maturidade, o que o outro ainda não desenvolveu simplesmente por não ter tido as mesmas experiências e vivências. Aquele, com sua experiência de vida e maturidade, quer que o parceiro corresponda agindo e pensando como ele, mostrando impaciência e intolerância com certos desejos ou inseguranças do cônjuge comuns à fase de vida em que ele se encontra. Esquece de colocar-se no lugar do outro – atitude que todos nós deveríamos sempre ter – para perceber seu lado, o que ele realmente necessita.

 O inverso também é verdadeiro: quando o mais novo começa a exigir coisas do mais velho que já não lhe cabem, pois está em outra fase de vida, e irrita-se quando percebe que seu parceiro não tem a mesma disposição para certas situações que, anos atrás, já fizeram parte de sua vida. Os anos passam, as prioridades e vontades mudam, a capacidade física e disposição se alteram. É preciso respeitá-las.

 Um dos pontos que pesam para que uma relação tenha mais chances de sucesso é ambos estarem vivendo a mesma fase de vida, ou pelo menos estarem em fases parecidas. Por exemplo: um homem já divorciado, pai de filhos adultos, casa-se pela segunda vez com uma jovem com idade equivalente à dos filhos, e resolvem começar uma nova família. Essa jovem não viveu muitas coisas pelas quais o marido já passou, e tem vontade de vivê-las. Está em seu direito, claro. Mas é preciso enfrentar uma série de questões que provavelmente virão à tona em algum momento, como os comentários “irônicos” dos amigos, o olhar crítico da família de origem (pais, irmãos), a convivência com os filhos do primeiro casamento, que pode vir com resistência em respeitar uma madrasta que possui praticamente a mesma idade deles.

O inverso, novamente, também é verdadeiro. Não estou dizendo que essas uniões estão fadadas ao fracasso, mas sim que enfrentarão mais dificuldades que outras em que as idades são mais próximas. O casal tem que se pautar em muita cumplicidade, apoio, confiança, coragem e, acima de tudo, amor, para vencer os obstáculos que surgirão.

 É preciso muito respeito e, uma condição fundamental, a inversão de papéis a todo momento. Com isso quero frisar a importância de “colocar-se no lugar do outro” para que se percebam suas necessidades, a fim de evitar que se cobrem coisas impossíveis e não condizentes com a idade do cônjuge.

Parceiros mais jovens podem reacender nos mais velhos uma alegria de viver que já não parecia existir, dando-lhes uma injeção de ânimo e trazendo à tona uma energia muitas vezes surpreendente.

 O amor não tem idade para manifestar-se e ninguém pode julgar o que é melhor para o outro, posto ser a escolha do parceiro algo totalmente subjetivo. Que tenhamos, então, a oportunidade de vivenciá-lo em sua plenitude!

Não deixe o mundo virtual afetar seus relacionamentos

Checar mensagens enquanto conversa com um amigo pode parecer descaso

Publicado no Portal Minha Vida em 27/02/2012

Recentemente vivi uma situação que chamou a minha atenção: minhas filhas de 11 e 13 anos e o primo, de 16 anos, encontraram-se na casa dos avós no almoço de domingo. Os três com os respectivos celulares em mãos logo se uniram e foram trocar músicas e mostrar os novos jogos descobertos.

Animados, intercalavam checagens de novas mensagens que não paravam de chegar enquanto trocavam informações. Naquele momento, a diferença de idades não se fazia notar, pois todos estavam no mesmo nível tecnológico e falavam exatamente a “mesma língua”.

Essa é uma das cenas mais comuns nos dias de hoje: as pessoas conectadas, checando mensagens, ouvindo músicas com fones de ouvido, mexendo em seus Ipads, Iphones, Itunes e tudo o mais que há por aí da mais alta tecnologia.

A constatação de que os adolescentes não sabem mais se relacionar sem esses aparelhinhos no meio me preocupou. Apenas bater papo ou jogar algum jogo de tabuleiro, como fazíamos antes, já não satisfaz mais. Tudo isso ficou “sem graça”.

E aí eu e tantos outros pais que vivemos o mesmo dilema nos perguntamos: isso é saudável? Será que essa necessidade de estar conectado constantemente pode atropelar os relacionamentos pessoais? Qual é o limite que devemos colocar no uso desses equipamentos para que os filhos não fiquem absolutamente viciados nisso? Será, talvez, que devemos simplesmente nos conformar com a nova realidade e aceitar que pra eles isso satisfaz?

Vejo, frequentemente, outra cena que me preocupa: casais de namorados ou mesmo marido e mulher que, à mesa do restaurante ou em um barzinho com música ao vivo, não se falam. Ambos estão preocupados em checar suas mensagens no celular, as últimas postagens do Facebook ou bater papos ?virtuais? via MSN. É uma grande ironia: as pessoas ali, ao vivo, não se relacionam, mas estão cheias de “amigos” na internet. Para onde foi a qualidade dos vínculos interpessoais? O virtual vale mais que o presencial?

Temos que educar nossos filhos dando-lhes limites para que não se transformem em adultos viciados em relacionamentos “virtuais” e para que deem o devido valor ao contato humano. Como você se sente quando está contando algo para uma pessoa e ela fica o tempo todo checando mensagens, dizendo que está prestando atenção ao que você diz, mas olhando para o celular e teclando uma resposta? Não lhe parece descaso com a sua pessoa?

Pois é, infelizmente isso é cada vez mais comum. Devemos aceitar o avanço tecnológico, pois, quanto a isso, não há mais volta. Ao mesmo tempo, não podemos fechar os olhos ao que estamos fazendo com nossas relações.

Recebo casais no consultório que se queixam da escassez de diálogo em função do uso exagerado do computador por parte de um deles. A falta de limite colocado por aqueles que levam trabalho para casa e continuam conectados até tarde da noite com “coisas que não podem ser deixadas para amanhã” tem afetado diversas relações.

Pais que não têm mais tempo para os filhos, para a família, para o lazer e casais que não sabem mais o que é “namorar” vão pouco a pouco minando seus vínculos.

A internet chegou definitivamente para nos auxiliar, para abrir o mundo e nos conectar com coisas que nem imaginávamos ser possível, mas não permita que ela nos desconecte do que temos de mais valioso: nós mesmos e nossas relações verdadeiras.

Será que paixão de praia sobe a serra?

Aproxima-se o período das férias, quando o cupido sai por aí dando flechadas avassaladoras…

As férias de final de ano estão chegando. Muitas pessoas já têm seus planos feitos para o Reveillon e o mês de Janeiro, quando aproveitarão para sair de sua rotina e curtir umas férias em algum lugar diferente, de preferência na praia. Sem horário pra acordar, livres dos despertadores que diariamente os levam para a rotina estressante das aulas, curtem a nova rotina temporária com toda a empolgação: sol, calor, areia, mar, bronzeado, surf, corpo sarado, corrida no final do dia, sorvete no calçadão, sorriso solto, muita paquera…

O “sonho de consumo” de qualquer adolescente: curtir tudo isso na companhia de uma turma de amigos, de preferência. E é nesse clima de total descontração e curtição que muitos jovens experimentam o primeiro beijo, ou a primeira paixão, que já vai logo sendo encarada como o grande amor de sua vida…

Os sentimentos são intensos como tudo nessa fase, cada experiência parece adquirir proporções incalculáveis. O sofrimento por um amor perdido (ou não correspondido) parece uma ameaça capaz de levá-lo ao fundo do poço, com a sensação de que “nunca mais vai gostar de alguém assim”…

Por outro lado, as conquistas são comemoradas e sentidas como algo tão incrível que esses jovens transbordam sua alegria em explosões de risos, falas altas e muita bagunça.

Paixões que acontecem nas férias costumam ser marcantes, pois são vividas intensamente. O problema é que nem sempre o “depois” vem a contento…

Alguns moram em cidades diferentes, e quando se despedem após terem passado um período juntos em alguma cidade de praia, montanha, ou no interior, levam consigo o calor da paixão fresquinha e a crença de que continuarão mantendo contato via Skype, mensagens de texto, e-mails (que saudades das velhas cartas que escrevíamos de próprio punho em papéis decorados escolhidos exclusivamente para este fim!), Facebook, longos papos gratuitos via celular se derem sorte de terem a mesma operadora, além de planos de se reverem em breve.

A maioria não resiste muito ao tempo e à distância, enfraquecendo sua intensidade aos poucos até a dura realidade mostrar que não é nada fácil manter um relacionamento sem o fundamental convívio entre os dois.

Outros têm mais sorte e conhecem alguém da mesma cidade, o que lhes permite viver sua paixão sem o estresse da despedida…

Porém, ao retornarem à rotina dos estudos nem sempre conseguem conciliar as duas coisas, e outros obstáculos os separam: bairros distantes, atividades extra curriculares que demandam muito tempo, dependência dos pais para levá-los aos lugares, provas e trabalhos escolares que os obrigam a ficar em casa…

Mas mesmo assim, é maravilhoso passar por essa experiência de apaixonar-se nas férias. Quem já viveu isso sabe perfeitamente do que estou falando: a sensação de viver algo tão intenso, saber que está sendo correspondido pelo menos naquele curto espaço de tempo tendo a certeza de que o outro também daria tudo para que as férias não acabassem, o friozinho na barriga momentos antes de encontrar o amado, o sorriso solto que contagia as pessoas ao redor…
O que vale é a entrega do momento. Se vai dar certo ninguém sabe, mas a vivência é deliciosa e merece ser experimentada. Acreditar na paixão, no amor, nas coisas boas da vida e querer viver intensamente tudo o que é gostoso apenas (pena que não dá pra ser bem assim…) é uma característica dessa idade, e é bom que não deixem de acreditar jamais!

Outro dia conheci um casal que comemorava 30 anos de casamento, e ao perguntar como se conheceram qual não foi minha surpresa: na praia, numas férias de verão…

Dificuldade de se relacionar pode ser sinal de insegurança masculina

Para muitos, envolver-se com alguém é sinônimo de perder a liberdade

Todo mundo conhece pelo menos uma mulher que já tenha se queixado da “fuga” dos homens quando estes percebem estar entrando em uma relação. Quando parece que os dois vão engatar em um relacionamento um pouco mais profundo, as coisas começam a esfriar repentinamente, sem qualquer explicação. E ele que parecia tão apaixonado e presente, já não está mais tão disponível, deixa de ligar, não envia mensagens, desaparece por alguns dias… O que acontece?

A necessidade de liberdade é bem mais perceptível nos homens. Mas o que vem a ser essa tal liberdade? Ela diz respeito à capacidade de escolha: onde não há escolha, não há liberdade. Vivemos em função de escolhas desde a hora em que acordamos até o momento em que vamos dormir.

O ponto fundamental disso é que toda escolha implica em perda e, ao escolhermos algo, fatalmente estamos deixando outra opção de lado. Isso gera consequências e temos que nos responsabilizar por elas. Não dá para ter tudo sempre. Assim, somos obrigados a enfrentar algumas privações.

Em um relacionamento conjugal, por exemplo, se escolho ficar com alguém necessariamente terei que abrir mão de outras conquistas e aventuras. Nem todas as pessoas estão aptas a enfrentar isso, o que implicaria em ter que abrir mão da satisfação imediata e passageira dos desejos que não param de nos tentar em prol de algo duradouro e sólido, mas que necessita de constante investimento.

Esse é o ponto que incomoda muitos homens, impossibilitando-os de investir em um relacionamento verdadeiro. Como abrir mão de sua liberdade e de ter quantas mulheres quiser no momento que lhe convier? Para eles, envolver-se com alguém significa deixar de estar com tantas outras que não lhe exigiriam satisfações, cobranças e compromisso. Que palavrinha assustadora essa! É como se a definição de compromisso fosse: perda total da liberdade, prisão, necessidade de dar satisfações do que faço e onde vou, fim do divertimento com os amigos, adeus aos jogos de futebol e corridas de Fórmula I pela TV, fim do desejo sexual acarretado pela mesmice – já que não posso variar com outras mulheres – e por aí vai.

Mas a liberdade não se restringe apenas à questão das outras mulheres, abrangendo as atividades em geral. Infelizmente muitos casais não lidam bem com a individualidade necessária dentro de uma relação, o que passa a falsa ideia de que todo compromisso restringe demais a vida de cada um. Esse é um aprendizado pelo qual todos nós devemos passar: aprender a conviver com as diferenças, respeitar o espaço de cada um, saber valorizar os momentos em conjunto e não obrigar o outro a fazer coisas que ele não gosta só porque formamos um casal.

É mito dizer que a partir do momento que se está namorando (isso mesmo, desde o namoro isso já acontece) deve-se fazer tudo junto e ir a todos os lugares e eventos com o companheiro. Nesse ponto já podemos identificar um grande erro. Se a mulher não gosta de futebol, por que tem que acompanhar seu namorado ao campo ou assistir aos jogos pela TV? Se ela vai a um encontro de amigos do colegial (turma que ele nem conhece), por que levar a “tiracolo” o namorado que, certamente, ficará deslocado, além de ter que se preocupar em fazer-lhe companhia?

Poderia citar inúmeros outros exemplos, mas quero apenas chamar a atenção desse fato que realmente atrapalha muitos relacionamentos.

É fundamental que cada um tenha seu espaço, conserve suas atividades e mantenha seus amigos.

Só assim é possível desfrutar de uma convivência harmoniosa, em que experiências e vivências individuais são compartilhadas e, a partir delas, o casal consegue construir um relacionamento gostoso e saudável.

Voltando à questão da liberdade, há certa confusão quando alguns homens dizem não querer perdê-la. Será que é realmente o medo de ficar “preso” a algo ou isso diz respeito à incapacidade de entregar-se ao amor e vivenciá-lo por completo?

Em relação a isso, gostaria de citar aqui um trecho do livro Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zygmunt Bauman (Ed. Zahar):

“Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual a grande incógnita na equação do outro. É isso que faz o amor parecer um capricho do destino – aquele futuro estranho e misterioso, impossível de ser descrito antecipadamente, que deve ser realizado ou protelado, acelerado ou interrompido. Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao regozijo num amálgama irresistível. Abrir-se ao destino significa, em última instância, admitir a liberdade no ser: aquela liberdade que se incorpora no Outro, o companheiro no amor”.

O mesmo autor segue citando Erich Fromm (The Art of Loving, Londres, 1957):

“A satisfação no amor individual não pode ser atingida… sem a humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeiras (…), pois em uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista”.

Como é difícil entregar-se a algo que não se tem qualquer garantia de sucesso e que exige constante cuidado e investimento. Nossa cultura atual prega o uso imediato das coisas e seu descarte o quanto antes. Isso inclui prazeres passageiros, satisfações instantâneas e, claro, a fuga de tudo que necessita de esforços prolongados.

Vivemos uma ambivalência muito grande atualmente. As pessoas pregam que querem encontrar parceiros para relacionar-se ao mesmo tempo em que, quando os encontram, mantêm uma distância segura para que não se firme um compromisso.

O medo de que as relações percam seu “frescor” inicial, sua intensidade e sua paixão, transformando-se em algo congelado e sem graça leva as pessoas a não se envolverem verdadeiramente, mantendo relações frouxas e passíveis de terminar a qualquer momento.

Como me envolver com alguém hoje e fechar as possibilidades de conhecer algo melhor amanhã? É difícil abrir mão do que eu “poderia ter”, bancar as escolhas e vivenciar por inteiro o presente!

Numa relação a dois a insegurança sempre estará presente em maior ou menor grau. Não temos o controle dos sentimentos do outro – nem dos nossos muitas vezes – e nada nos garante que ele permanecerá apaixonado ou envolvido nessa história pelo tempo que gostaríamos. Amar exige entrega e doação ao outro. Quanto mais a pessoa se sentir insegura com relação a si mesma, mais essa entrega significará um risco de perder o controle sobre si mesmo.

Assim, permanecer longe é uma garantia de não me misturar ao outro arriscando perder o meu foco. E aqui repito o que já disse em várias ocasiões: investir no autoconhecimento emocional é a melhor forma de garantir sucesso em suas relações afetivas de um modo geral.

Há muito mais o que dizer. Ideias vão brotando, enquanto filminhos de inúmeras relações tanto minhas quanto de amigos e clientes que já estiveram comigo passam pela minha mente enquanto escrevo.

Àqueles que não se deixam envolver em relações amorosas por medo de perder sua liberdade, minhas últimas palavras: você é livre para escolher o que considera melhor para sua vida; é livre para escolher viver intensamente algo verdadeiro ou passar por inúmeros relacionamentos superficiais e frouxos; você é livre para permanecer no sofrimento ou buscar a felicidade; você é livre para fechar-se em seus problemas afetivos passados e traumas que já teve ou sair disso e assumir o controle de seu destino; você é livre para relacionar-se com várias pessoas ao mesmo tempo, e com nenhuma delas de verdade; você é livre para crescer ao lado de alguém que o ame sinceramente e está disposto a entregar-se através do amor ou seguir sozinho, lamentando-se pelos relacionamentos que nunca dão certo.

 

Ter um tempo sozinho é importante mesmo após o casamento

Falta de lazer pode levar à brigas e até ao divórcio

Tenho observado tanto no consultório quanto fora dele casais que se separaram, e me chama a atenção como o a frase “sentia falta de ter um tempo para mim” é apontada como um fator de peso nessa decisão. Quando um casal se separa, o esperado da nova rotina é que os filhos se dividam entre ambos os pais, ficando um fim de semana com cada um, alternadamente. O pai que estiver livre pode programar-se da forma que lhe convier, com total liberdade para sair, rever amigos, dormir e acordar à hora que quiser, sem a responsabilidade de cuidar dos filhos e tudo que isto demanda, dedicando-se integralmente a si. Uma experiência totalmente nova e encarada como positiva, geralmente.

 

Recentemente estive com um casal que se divorciou, mas após alguns meses resolveu retomar o casamento. Realizaram sessões de terapia de casal, atitude esta que lhes ajudou a repensar a relação, aparar muitas arestas e elaborar aquilo que provocou a separação, partindo para uma nova união totalmente revigorada. Paralelamente ao trabalho conjunto, cada um procurou terapia individual a fim de olhar para as próprias questões e assumir as respectivas parcelas de responsabilidade pelo fracasso anterior. Aliás, os casais deveriam ter sempre em mente que o casamento exige “recontratos”, modificações, adaptações, e constantes reciclagens para que possa evoluir de uma maneira saudável.

No período em que estiveram separados, uma coisa foi descoberta e muito valorizada por ambos: o tempo que cada um encontrou para si, para fazer suas coisas, quando não estava em função da família. Então, mesmo retomando o relacionamento, decidiram que cada um terá um final de semana por mês para ficar sozinho, deixando para o outro a responsabilidade pelos cuidados dos filhos.

Existindo a confiança entre ambos esse tempo pode ser revigorante para a relação, tanto do casal entre si, quanto de cada um com os filhos

Essa decisão, além de garantir a cada um dos pais um tempo de total privacidade e liberdade, tem a vantagem de proporcionar àquele que fica com os filhos uma relação mais próxima, de cumplicidade, dando total atenção a eles, já que não terão o outro pai para dividir a atenção. Como na grande maioria das vezes são as mulheres que convivem mais com os filhos, em função da guarda, isso aproxima bastante a relação deles com o pai, que por ter a convivência mais intensa nesses dias e precisar dedicar-se a eles integralmente, melhora sensivelmente a qualidade deste papel. E isso é perceptível aos filhos que acabam desenvolvendo um vínculo maior e melhor com o pai, muitas vezes antes ausente.

E assim, após um pequeno período onde aquele que saiu pôde “recarregar suas energias” de alguma forma, volta para casa mais leve, com maior disposição e melhor humor.

Não seria ótimo se conseguíssemos fazer isso? Então, por que ter que esperar a separação para descobrir que você pode ter alguns momentos só seus, sem necessariamente estar divorciado? Quando pergunto a essas pessoas se o que elas escolhem fazer nesse período atrapalharia o casamento, é unânime após um primeiro momento de reflexão a resposta: “Não, não fiz nada que me comprometesse, apenas revi amigos que gosto, saí pra dançar já que meu marido detesta fazer isso, dormi até a hora que deu vontade sem ninguém pra me acordar, li tranquilamente o livro que estava parado há tempos na cabeceira, dei uma escapada até a praia ou fui andar no parque logo cedo…” e aí por diante.

Existindo a confiança entre ambos esse tempo pode ser revigorante para a relação, tanto do casal entre si, quanto de cada um com os filhos. Assim, evita-se aquele velho problema de jogar no outro a frustração por não fazer algo que se gosta, como por exemplo no caso das pessoas que adoram dançar, mas o cônjuge decididamente não se dispõe a fazê-lo. Por que não sair de vez em quando e matar a vontade com amigos? Ambos ficariam bem mais leves: um por realizar algo que adora, e o outro por saber que não precisa ficar preocupado por negar ao parceiro algo que lhe é tão significativo e prazeroso.

E assim, garantindo cada um seu espaço individual, ambos podem dedicar-se ao espaço da família com mais prazer e disposição. É um mito pensarmos que a partir do momento em que casamos temos que fazer tudo junto com o parceiro. Esse não é o ideal. Temos que garantir o crescimento de ambos individualmente, e também conjuntamente. Apenas quando nos permitirmos ser pessoas inteiras e felizes com nós mesmos conseguiremos ser felizes com o outro. Pense nisso.

Diferenças entre homens e mulheres causam brigas entre casais

Cada sexo reage de uma forma em determinadas situações do dia-a-dia

Publicado em 10/3/2011 no Portal Minha Vida

Alguns conflitos entre os casais poderiam ser evitados se soubéssemos relevar certas coisas que são consideradas “pessoais”, quando na verdade não passam de uma questão de gênero. Ou seja: grande parte (não estou generalizando, mas é realmente a maioria) das pessoas age assim simplesmente por ser homem ou mulher. Esse discurso pode parecer pouco preciso, mas em minha experiência como psicóloga, posso afirmar que ele é bastante útil para evitar certos tipos de brigas. Vejamos alguns exemplos:

1) “Nunca” e “sempre” são palavras que as mulheres costumam usar em suas discussões que o homem não recebe com bons ouvidos, porque as interpretam ao pé da letra e sentem-se ofendidos. Que tal trocá-las por “dificilmente” ou “raramente”, “frequentemente” ou “muitas vezes”?

Questões de gênero que provocam brigas desnecessárias entre casais, sendo que todas elas poderiam ser evitadas.

2) Mulheres rodeiam para abordar um assunto delicado, circundando o problema e floreando com detalhes ou coisas não tão importantes até conseguirem tocar no cerne da questão. Esses rodeios irritam os homens, que são objetivos e querem resolver tudo da maneira mais simples e direta possível.

3) Homens têm dificuldade para ouvir quando a mulher vem contar algo que a está angustiando ou preocupando. Eles querem logo achar uma solução, resolver a questão, encontrar uma saída prática, quando elas precisam apenas de um ouvido, um ombro amigo para chorar, alguém para compartilhar suas angústias e simplesmente estar ao lado, nem que seja para não falar nada.

4) Outra dificuldade dos homens é de ouvir um pedido de sua mulher para que modifique algo em seu modo de agir, pois isso a está incomodando. Esse pedido é ouvido como uma crítica destrutiva a ele como um todo, provocando grandes discussões que seriam totalmente desnecessárias se ele ouvisse apenas o que está sendo dito, sem generalizar para sua pessoa. O mesmo processo pode ser notado nas mulheres, que dificilmente enxergam uma crítica de maneira construtiva.

5) Mulheres não nasceram com a direção espacial muito desenvolvida… Quando consultam um guia de ruas, por exemplo, este vai sendo virado em suas mãos de acordo com o caminho a ser seguido, o que já não acontece com os homens. Aliás, ainda dentro do assunto carro, ambos não gostam de palpites quando estão na direção. A história do “eu iria por aqui” não costuma ter finais felizes, é melhor deixar que o motorista erre e corrija depois do que ficar dando palpites enquanto o outro dirige. Essa é uma briga muito comum entre os casais, que tem um poder incrível de estragar o programa que viria depois.

Enfim, estas e outras são questões de gênero que provocam brigas desnecessárias entre casais, sendo que todas elas poderiam ser evitadas caso as pessoas tivessem um conhecimento mínimo do jeito de funcionar de cada sexo. São apenas alguns toques para que sua harmonia conjugal não se desfaça por coisas pequenas, que quando somadas, podem virar enormes “bolas de neve”!

Tirar o convívio com o pai prejudica a formação da criança

A invenção de mentiras sobre o ex-parceiro provoca a sensação de abandono nos filhos

Publicado em 7/3/2011no Portal Minha Vida

Alienação parental é quando um dos pais (geralmente o que tem a guarda da criança) inventa mentiras e calúnias contra o outro, acusando-o de coisas que não aconteceram, na intenção de colocar os filhos contra ele, destruindo qualquer sentimento positivo que o filho sinta pelo pai ausente.

 

Em sua grande maioria as alienadoras são as mães, que ficam com a guarda dos filhos. São pessoas doentes, capazes de atos absurdos, provavelmente, fruto de uma separação muito mal resolvida e nada elaborada.

A raiva contra o ex-parceiro é descontada em atitudes absolutamente doentias e inconsequentes contra ele, a ponto de levar os filhos a acreditarem que foram abandonados pelo pai intencionalmente, que este “desistiu” deles, alimentando um sentimento muito ruim de rejeição e abandono que permanecerão para sempre em seu íntimo.

A raiva contra o ex-parceiro é descontada em atitudes absolutamente doentias e inconsequentes contra ele, a ponto de levar os filhos a acreditarem que foram abandonados pelo pai intencionalmente.

A identidade da criança e do adolescente se faz na interação com os pais, em primeiro lugar, e com o mundo. Esse convívio com o pai lhe é tirado à força, rompendo uma relação que poderia ser saudável e fazer toda a diferença em seu desenvolvimento como um todo. O prejuízo é a falta do afeto, do olhar do pai, do reconhecimento deste, e a ideia da mentira vai reforçar os sentimentos negativos da criança: “Não sou boa o bastante para o meu pai gostar de mim, ele nunca me amou”.

Um exemplo típico é a mãe provocar o sentimento de abandono no filho: “Olha como seu pai não liga pra você, nem telefonou no seu aniversário!” – quando o pai tentou de várias maneiras entrar em contato e foi devidamente impedido de acessar o filho – ou foi enganado com a afirmação da mãe de que o filho não queria falar com ele, quando aquele nem soube que o pai ligou.

Algumas mães chegam ao extremo de inventar falsas acusações de abuso sexual por parte do pai, pois este argumento garante a suspensão imediata da visitação. Como a justiça é lenta, até que se prove o contrário a mãe ganha tempo para bolar algo que afaste mais ainda a criança do pai.

Há aqui a criação de uma falsa memória: a criança não tem a memória sensorial, porque não viveu aquilo, mas a mãe afirma que isso aconteceu. Cria-se um adulto dicotomizado, com uma crise de identidade: “Afinal, isso aconteceu ou não comigo?” Não confia em sua percepção das coisas, em sua memória. A criança simplesmente acredita no guardião, repetindo falas e atitudes deste. Ela é levada a duvidar do amor do outro. Mesmo que se sinta bem ao lado dele, vê-se na obrigação de negar isso para o outro.
Os filhos sentem-se “traindo” o outro quando passam um dia muito gostoso junto com o pai – a necessidade de cumplicidade com o que toma conta é mais forte e a lealdade a ele não pode ser ameaçada. Chantagens como: “Se você gosta dele é porque não gosta de mim!” são comuns e obrigam o filho a mentir para se resguardar dos ataques do outro.

Enquanto são crianças, os filhos não têm como ir atrás da verdade e nem como questionar o que acontece. Mas, um dia entrarão em contato com a realidade, e será bem difícil lidar com a descoberta de que o “algoz” era justamente quem estava todo o tempo ao lado deles.

É muito difícil eliminar a marca que fica, o ressentimento irá permear pelo resto da vida a relação com o pai que ficou longe, e isso, poderia ter sido evitado. Sempre aparecerá a tristeza, a agressão ou a sensação de abandono, de revolta. O filho tem a sensação de que o pai não lutou por ele, não o amou o suficiente para enfrentar as adversidades e garantir sua convivência com ele.

O triste é que o tempo perdido não volta mais. Toda a infância, desenvolvimento e conquistas do filho são tirados injustamente do convívio com o pai. Todos perdem (e muito!).

É possível reconstruir uma relação, mas jamais resgatá-la. Infelizmente.

Proponha-se metas realistas para o próximo ano

Para que elas se concretizem é preciso planejamento e investimento

Publicado em 22/12/2010 no Portal Minha Vida

Como tradição, chega a época em que nos propomos inúmeras metas a serem alcançadas nos próximos 365 dias. Fazemos um balanço do ano: o que foi bom e o que deixou a desejar, conquistas realizadas e outras frustradas, como evoluímos financeiramente ou nos comprometemos com dívidas, amores descobertos ou vínculos desfeitos, crescimento profissional ou emprego perdido, cursos iniciados e nem sempre finalizados, promessas de atividades físicas regulares mesmo tendo aquela preguiça.

É claro que nem tudo é oito ou oitenta: sua vida pode não ter tido grandes alterações, e continua boa, tranqüila, realizada ou ainda indefinida, sem rumo, em busca de algo que não apareceu com clareza.

Lembre-se de que para as coisas acontecerem é necessário planejamento, investimento (de tempo, dinheiro e energia), força de vontade…

A “desculpa” de nos colocarmos metas para o próximo ano é válida para que sejamos obrigados a fazer um balanço da vida, analisar o que precisa ser mudado ou dar-se conta do que já conseguimos nos apropriando dos pontos positivos e passos dados, do próprio crescimento. Vale também analisarmos a qualidade de nossas relações afetivas, com quem estamos nos relacionando, se somos verdadeiros com o que sentimos e queremos.

Para evitar futuras frustrações, construa metas atingíveis, nada mirabolantes. É comum encontrarmos aqueles que programam “mega” viradas na vida e chegam ao final do próximo ano do mesmo jeito que começaram – ou talvez mais frustrados por não terem, mais uma vez, dado conta do que se propuseram a fazer. Frases como: vou falar inglês fluentemente (mas ainda não fala nada), farei uma viagem para o exterior (e não possui qualquer dinheiro guardado), encontrarei o amor da minha vida (quem sabe…), mudarei de emprego, reformarei a casa, frequentarei a academia todos os dias.

Lembre-se de que para as coisas acontecerem é necessário planejamento, investimento (de tempo, dinheiro e energia), força de vontade, uma dose de risco, boa noção da realidade e uma boa dose de sorte!

Então, chega de ficar parado esperando a vida passar, só reclamando, fazendo-se de vítima do azar e corra atrás do que precisa, de seus desejos, mas sempre dando passo após passo, e nunca querendo alçar vôos intransponíveis.

Bons planos e um ótimo ano pela frente!

Evite a competição com o parceiro na hora da separação

A busca de quem tem mais razão gera mais sofrimento

Publicado em 21/11/2010 no Portal Minha Vida

O término de um casamento é sempre dolorido para todos os envolvidos, por mais que o casal esteja certo do que quer e tenham pensado muito tempo, analisando os prós e contras, é sempre uma tremenda perda. Representa o fim de expectativas e investimentos feitos na relação, de sonhos e projetos em comum, de uma vida estável (em muitos casos) e organizada, de um casal que um dia acreditou e apostou na promessa de envelhecer juntos, até que a morte os separasse. Quando existem filhos então, multiplica-se essa dor por dez, e temos aí uma pequena escala do sofrimento que essa decisão acarreta em todos.

Um grande problema que dificulta a passagem por esse período de luto da separação é a dificuldade que as pessoas têm em sentir a frustração, o fracasso, os sonhos desmoronados e a sensação de total impotência perante tudo isso, transformando essa tormenta de sentimentos em raiva e agressões contra o parceiro, tornando tudo ainda mais doloroso e traumático para todos. Mais grave ainda é transferir esses sentimentos ruins para a relação com os filhos, sacrificando-os em nome de um orgulho ferido, dificultando a convivência deles com o pai ou mãe para atingir o ex-marido ou ex-esposa.

A primeira reação a uma notícia de que um dos cônjuges quer se separar costuma ser uma “competição” de quem tem mais razão, quem errou mais,…

Temos que nos dar conta do que é nosso e separar os contextos para que pessoas que nos são queridas não venham a sofrer além do necessário por uma incapacidade nossa de lidar com os próprios sentimentos.

A primeira reação a uma notícia de que um dos cônjuges quer se separar costuma ser uma “competição” de quem tem mais razão, quem errou mais, quem tem mais culpa por estarem nessa situação, aparecendo fatos antigos nunca antes explicitados e sempre evitados como armas de ataque poderosas, geralmente direcionadas ao outro com total intenção de machucá-lo ainda mais. E me pergunto: para quê? Qual o sentido dessa troca de ofensas e acusações maldosas num momento como este de total fragilidade e sensibilidade à flor da pele? Será que não dá para lembrar que um dia vocês foram felizes e acreditaram num futuro juntos, que se gostavam e admiravam e que em nome de um sentimento maior que os uniu no passado o respeito deveria prevalecer independente do motivo da separação?

Passar por um processo de separação é um dos piores traumas a que podemos nos submeter, pois além de atingir a família núcleo representada pelo casal e os filhos, há conseqüências diretas também nos parentes, amigos, na saúde física e emocional de todos, no rendimento no trabalho e na escola, no padrão de vida que diminui, na organização da rotina que deve ser ajustada à nova vida, enfim, os reflexos são enormes e doloridos, parecendo uma onda enorme que vem de repente “varrendo” tudo que parecia estar em harmonia.

Se você está passando por esse período não se deixe levar pelo impulso: pare, pense, repense, coloque as necessidades dos filhos em primeiro lugar – porque eles não são responsáveis pelos erros dos pais e devem sofrer o mínimo possível a conseqüência destes – e tenha em mente que conflitos existem para nos fazer enfrentá-los e não para que fujamos deles.

Por mais que doa, crescemos com o sofrimento. Um dia olharemos para trás com tranqüilidade e constataremos que tudo passa, até a dor que parecia tão insuportável e interminável.

Se estiver com dúvidas, não case

Muitos casais erram ao pensar que o parceiro irá mudar com o casamento

Publicado em 4/10/2010 no Portal Minha Vida

Um dia desses deparei-me com a seguinte afirmação: “Os homens casam esperando que as mulheres não mudem e as mulheres casam esperando que eles mudem”. Fiquei pensando se seria realmente assim, e tive que concordar: na grande maioria das vezes é exatamente o que acontece.

Muitos são os sinais de que algo na relação não está bem e pode dar errado, mas as pessoas têm dificuldade em olhar para eles com a devida atenção e dedicar a energia necessária para resolver as insatisfações. Talvez por medo de perder o outro, ou por achar que ele deva chegar à conclusão de que está errado por si mesmo, ou por não saber a melhor forma de abordar o assunto sem magoar ou irritar o outro. A questão é que incômodos são colocados debaixo do tapete e é mais fácil fingir que eles não existem.

Mas isso pode ser muito prejudicial à relação. Vamos a alguns exemplos: o homem fica agressivo em muitas ocasiões, perdendo a paciência e mostrando-se pouco tolerante frente a situações que o contrariem. A mulher, por medo da reação dele caso chame sua atenção, prefere acreditar que talvez tenha sido um momento de desequilíbrio, justificando com o estresse do trabalho ou com outro motivo qualquer. Quando estiverem juntos tudo será diferente. Sinal vermelho ultrapassado. Multado.

“Muitos são os sinais de que algo na relação não está bem e pode dar errado, mas as pessoas têm dificuldade em olhar para eles”

O sexo não é bom, o beijo não excita: tudo bem, depois de casar terão mais intimidade, mais disponibilidade, maior compromisso e tempo para se dedicarem um ao outro, além de “permissão” total para a prática do sexo com o cônjuge, sem culpa. Aí sim poderão entregar-se a uma vida sexual plena. Mais pontos acumulados na carteira.

Ele é ciumento e bebe demais em situações sociais, sempre excedendo os limites do bom senso e fazendo-a passar vergonha na frente dos amigos. Quem sabe isso ocorra porque tem medo de perdê-la, e quando casar terá maior segurança com relação ao seu amor, não precisando mais passar por tais situações? Multa gravíssima.

Ele vive desempregado e quando está num trabalho que parece interessante logo é despedido por algum motivo incompreensível. Os outros nunca reconhecem o seu valor. Quantos pontos já se acumularam até aqui?

Por fim, ele mente, mas nada que seja muito grave. Ela pensa: são mentirinhas pequenas, perdoáveis. Bem, sabemos que o pior cego é aquele que não quer ver, não é? Aqui você já acumulou pontos suficientes para perder a carteira, e passar por uma reciclagem geral em sua maneira de encarar (ou não encarar) os sinais que a vida lhe oferece.

Não case achando que tudo vai mudar, pois esse é um dos piores erros cometidos por casais “cegos” de paixão. Na dúvida questione, converse com amigos para checar suas percepções, exponha seus sentimentos ao seu companheiro, faça uma terapia de casal para conhecerem-se melhor. Numa relação a dois é preciso investir sempre! Não se contente com pouco!

Falta de sexo não quer dizer que o casamento deve acabar

Se o casal tem uma vida em harmonia, vale à pena tentar resolver o problema

Publicado em 23/8/2010 no Portal Minha Vida

 

Tem sido frequente a procura de terapia por casais com esta queixa: perguntam se é saudável manter um casamento onde não há atração sexual pelo parceiro. Tudo é bom na vida a dois: são amigos, adoram viajar juntos, criam os filhos com harmonia, têm uma vida social gostosa, dividem as tarefas de casa, possuem planos em comum… mas não existe sexo.

Essa é uma questão bastante delicada e de difícil acesso, já que ninguém gosta de admitir que não sente mais atração pelo cônjuge. Se for da parte de ambos, até fica mais fácil. Muitas coisas podem estar em jogo: como o casal conduz a vida sexual? Conseguem conversar abertamente a respeito de suas preferências e suas queixas ou calam-se, fechando-se em seu mundo próprio, com medo da reação do parceiro? Ambos estão satisfeitos com a vida sem o sexo ou apenas um deles não se importa?

 

“Se você está num casamento onde tudo é gostoso, mas falta o sexo, está em suas mãos decidir o que fazer. Às vezes é apenas uma questão de olhar mais para isso, voltar a cuidar dessa parte que foi esquecida e se esforçar para reacendê-la”

 

Afinal, essa vida corrida que levamos muitas vezes nos confunde, pois o cansaço e a correria do dia-a-dia não nos permitem ficar o tempo que gostaríamos à vontade com o parceiro, ou mesmo sair para fazer programas gostosos e estimulantes para a vida íntima do casal, enfim, somos tragados pelos afazeres em geral, pelo excesso de responsabilidades, pelas horas passadas no trânsito ou pela criação dos filhos.

E será que tudo isso justifica a ausência do sexo no casamento? Quando os casais me perguntam se isso é normal no decorrer do casamento, devolvo a pergunta com outra: vocês estão incomodados com essa situação ou está tudo bem? Porque há quem não se importe com o sexo, casais que ficam muito bem mantendo relações apenas esporadicamente, e aí, quem pode julgá-los ou criticá-los? Passada a paixão inicial, é esperado mesmo que a frequência sexual diminua. O comportamento anormal é quando a relação sexual acaba por completo.

 

Uma relação de casamento envolve outros aspectos além do sexo, como companheirismo, apoio mútuo, amizade, projetos em comum, sentir-se bem na companhia do parceiro, confiança, estímulo profissional e pessoal entre eles, harmonia familiar, admiração e respeito, entre outras coisas. Percebendo essa relação, muitos me perguntam: “bem, se não há sexo então é uma relação de amizade?” Isso não é verdade na maioria dos casos.

Cada relação é única, cada história construída envolve aspectos diferentes a serem levados em conta. Então, não nos apeguemos ao que as pessoas consideram ser certo ou errado, mas sim ao que faz mais sentido para nossa história pessoal.

Se você está num casamento onde tudo é gostoso, mas falta o sexo, está em suas mãos decidir o que fazer. Às vezes é apenas uma questão de olhar mais para isso, voltar a cuidar dessa parte que foi esquecida, reacendê-la com vontade, investir na intimidade do casal que ficou em segundo plano.

De repente vai se surpreender com o que pode encontrar! Bem, se sente que a ligação entre vocês já esfriou ao ponto de não fazer mais sentido, está sofrendo apenas para segurar algo que já acabou – e o sexo é um sinal disso -, então vale a pena procurar ajuda. Lembre-se de que você é responsável pelas escolhas que faz em sua vida. Podemos escolher permanecer no conhecido ou nos arriscar em novas experiências. Boa sorte!

A terapia te ajuda com problemas que atrapalham a felicidade

As pessoas que relutam buscar ajuda têm ideia equivocada sobre a terapia

Publicado em 13/5/2010 no Portal Minha Vida

É muito freqüente receber em meu consultório uma pessoa queixando-se do cônjuge, pois acha que ele precisa se tratar, mas não aceita por achar que “não é louco para precisar de terapia”. O casamento está à beira do colapso, o relacionamento está piorando a cada dia -e muitas vezes já vem se desgastando há anos -, mas um deles recusa-se terminantemente a procurar ajuda de um profissional para melhorar a situação.

Assim, quem vai em busca da terapia, geralmente é aquele que tem a visão melhor do que está acontecendo no relacionamento e, portanto, tem mais consciência da necessidade de ajuda. Porém, quando esta pessoa se submete ao tratamento, leva “indiretamente” o cônjuge também, na medida em que traz situações que o envolvem em todas as sessões. Em geral, a pessoa que procura ajuda fica um pouco frustrado por não conseguir convencer o outro da importância e necessidade do tratamento.

Fico me perguntando: por que sofrer tanto, colocar em risco as relações importantes de sua vida e muitas vezes também o trabalho, só para dizer que dá conta dos próprios problemas, por mais que esteja visível que isso não está acontecendo? Orgulho? Preconceito? Que fantasia tão assustadora as pessoas tem da terapia?

O que a terapia pode fazer por você?
A terapiaé um processo de autoconhecimento, onde o cliente, com a ajuda de um profissional treinado e capacitado para tanto, entenderá os motivos (ou causas) dos problemas que lhe impedem de ser feliz na vida, descobrindo novas maneiras de se colocar em certas situações ou reagir a elas, a partir de uma nova compreensão de seu modo de funcionar emocionalmente.É comum trazermos problemas mal resolvidos da infância, com uma emoção forte que não foi devidamente acolhida ou elaborada à época, que acabam se refletindo em situações atuais, aparentemente sem qualquer ligação com aquele fato do passado.

Quando o problema é compreendido na terapia, é como se uma peça de um quebra-cabeça fosse encaixada, dando sentido a várias outras situações e emoções antes não entendidas. A partir daí a pessoa pode escolher como continuar vivendo, geralmente com mais autenticidade e confiança em si, aprendendo a colocar-se no lugar do outro, assumindo a responsabilidade por suas decisões, tendo mais clareza de seus sentimentos e entendendo o porquê de muitas atitudes que ela tem.

Esse trabalho acontece a partir de um convívio, no mínimo semanal, onde a frequência e a constância desses encontros proporcionarão condições para que a pessoa, dedicando um tempo exclusivamente para si, invista em suas questões emocionais, esforçando-se em resolvê-las e compreendê-las.

Há casos mais graves onde necessita-se do acompanhamento de um psiquiatra para ministrar alguma medicação, o que não deveria ser tão assustador como parece. A medicina está aí para nos ajudar, e se precisarmos usá-la, por que não?

A medicação sozinha apenas diminui ou acaba com os sintomas apresentados, mas a causa deles continua ali, e é este o ponto enfocado na terapia – porque se não entendermos as causas dos problemas, quando pararmos o remédio eles voltarão como antes. Se apenas tomar remédios funcionasse, a tal da “pílula da felicidade” (como foi chamado o Prozac assim que começou a ser comercializado) resolveria todos os nossos problemas, certo?

Portanto, se suas emoções ou dificuldades andam prejudicando suas relações pessoais e/ou profissionais, não deixe de procurar ajuda terapêutica. Vão chamá-lo de “louco”? Louco é aquele que prefere colocar sua felicidade a perder em nome do que os outros vão pensar ou falar. Seja mais você e assuma a responsabilidade por sua saúde emocional!

Não espere a separação para mudar o que está ruim no relacionamento

O diálogo é a melhor forma de resolver os problemas entre um casal

Publicado em 13/5/2010 no Portal Minha Vida

Quem já não ouviu falar em casais que se separam e, após algum tempo, voltam a namorar (entre si)? Pois é mais comum do que podemos imaginar. Infelizmente as pessoas costumam deixar os problemas atingirem níveis quase insuportáveis para buscar uma ajuda e uma solução. O temor ou a incapacidade do diálogo entre os casais é a principal causa dos conflitos que acabam levando à separação.

É triste, mas só depois que um deles desiste de lutar contra algo que não está bem, mesmo tendo tentado à sua maneira enfrentar o problema, e divorcia-se, é que a “ficha cai” para o parceiro.

Tentativas frustradas de conversas, em que um tenta, em vão, dizer ao outro o que não está bom e o que o incomoda, mas não é levado a sério como deveria, chegam a um estopim que parece só se aliviar com a separação.

A partir da dor da distância o cônjuge inconformado, que não ouvia as queixas do outro, passa a querer se modificar, tentando entender porque, afinal, não davam certo juntos. Só então ele se analisa – às vezes procura uma terapia para auxiliá-lo nessa busca interna por respostas -, e começa a modificar seu comportamento a partir dos pontos que o outro apontava, mas que antes eram simplesmente encarados como cobranças (e quem gosta de ser cobrado?).

Tive a oportunidade de presenciar casais que se separaram e, a partir daí, começaram uma nova vida reestruturando a rotina, as atitudes, ampliando os pontos de vista e enxergando o “ex” com outros olhos, sem resistência, sem falta de paciência, sem o escudo que colocamos à nossa frente quando não queremos ou não podemos ver algo, pois é difícil ou dolorido encarar a verdade e assumir determinados erros.

 

Devo mudar meu comportamento só porque o outro está pedindo?
Não, não estou dizendo isso. Quero dizer que o casamento é a melhor forma das pessoas se conhecerem, pois o outro é, por muitas vezes, nosso espelho, dando-nos “feedback” das nossas atitudes, fazendo-nos perceber como podemos provocar sentimentos bons ou maus no próximo a partir do que fazemos, e de como fazemos. Estar aberto para esse retorno de quem convive conosco e aproveitar para se olhar, rever as atitudes, é uma ótima chance de crescimento como pessoa.Nem sempre o olhar do outro pode estar certo, mas vale o questionamento a partir daí. Por que não acolher e discutir com ele seu ponto de vista? Se forem muito discordantes, aí sim vale um investimento maior em uma terapia de casal, ou individual, para que consigam resolver essas diferenças antes que elas destruam o relacionamento.Esse é o ponto: muitos casais sofrem terrivelmente porque um não ouve o que o outro tem a dizer, e se fecha em sua “verdade” absoluta, recusando-se a rever algo que incomoda muito o cônjuge, por achar que é assim e deve continuar assim.Não podemos esquecer que a relação é feita de duas pessoas, e quando algo de um está incomodando, deve-se falar a respeito e tentar resolver. Deixar quieto o que não vai bem só resultará em um amontoado de queixas, que tendem a crescer com o tempo, minando o amor que um dia uniu o casal.

Traição: perdoar ou não?

Frustrações no relacionamento podem virar motivo para o ato

Publicado em 25/9/2009 no Portal Minha Vida

Perdoar uma traição não é uma das coisas mais fáceis de fazer. É preciso gostar muito e acreditar que vale a pena investir na relação para que esse processo aconteça de verdade. Sim, é um processo e exige muita paciência da parte do traidor, assim como um enorme investimento de energia de ambos.

Em primeiro lugar, temos que saber o motivo da traição, o que fez com que o cônjuge procurasse ou simplesmente deixasse se envolver por outra pessoa mesmo estando compromissado com seu parceiro.

Muitos podem ser os motivos, mas nem por isso estou justificando o fato. Em geral o relacionamento já vem se desgastando há algum tempo e ambos não se dão conta disso, estão acomodados na rotina e convivência diária. Não percebem que, no fundo, o sentimento pelo outro está desgastado, enfraquecido, e não o alimentam. A vida sexual já não é como antes, a vida corrida e atribulada do dia-a-dia faz com que o casal quase não tenha tempo para si, distanciando-se cada vez mais; deixando de lado os momentos românticos e atitudes gostosas que um dia foram importantes na conquista de um pelo outro.

De repente alguém novo aparece, elogiando como você está vestida, reparando que cortou o cabelo, valorizando atitudes pequenas, interessado em sua vida, com um papo gostoso que flui, sem reparar em suas manias e defeitos. Difícil resistir, certo? Pois é aí que entra nossa consciência com o “superego” dizendo: “Não faça isso, você é casada (o)!”, ou o “id” contrapondo: “Vá fundo, o que você tem a perder?”. Podemos nos sentir atraídos por outras pessoas fora do casamento, mas temos a opção de nos deixar levar ou não por esse desejo, muitas vezes quase irresistível.

Bem, você caiu em tentação. Dá pra perdoar? Tudo depende…

Já presenciei várias histórias de casais que se aproximaram como nunca após um episódio de traição. Isso é possível quando, após a descoberta do fato, ambos se propõem a discutir profundamente sobre tudo que não está bom na relação, através de uma terapia de casal. Eles se comprometem a mudar, recomeçando o casamento. Sim, é um recomeço e requer muito trabalho até o traído voltar a sentir confiança em quem o traiu.

Um dos maiores problemas enfrentados pelos casais em crise é a falta de diálogo, o acúmulo de situações desagradáveis para ambos que não podem ser expressas pelo medo da reação do parceiro. O medo de magoar ou causar uma discussão indesejável acaba instalando o silêncio, que com o tempo só prejudica o casal. Não se fala do que não está bom, acumulam-se insatisfações e frustrações, o que pode dar margem à vontade de estar com alguém que não o frustre tanto.

Entender os motivos que levaram uma pessoa a trair provocará uma auto-avaliação de cada um na relação, e fará com que ambos assumam sua responsabilidade na manutenção do amor. É preciso alimentá-lo sempre!

Só cabe o perdão onde ainda existe amor e o arrependimento sincero de quem traiu. É possível reconstruir uma relação pautada em novos moldes de funcionamento, e em especial, num diálogo franco e atitudes transparentes.

Quem disse que é fácil manter um casamento feliz sem momentos de crise? O importante é saber superá-las e tirar o maior proveito para nosso crescimento.

Não culpe os outros por sua infelicidade

Assuma a responsabilidade por seus fracassos

Publicado em 2/7/2009 no Portal Minha Vida

Algo comum nos relacionamentos é encontrarmos pessoas que culpam o parceiro por fracassos e frustrações suas, jogando nele a responsabilidade por sua infelicidade. Convivem por anos acumulando pequenas frustrações, abrindo mão de mais coisas do que gostariam, deixando de realizar atividades que proporcionavam prazer e alimentavam sua auto-estima, sempre em nome do casal: já que o outro não gosta disso, para evitar brigas, abre-se mão do desejo.

Isso pode ser uma grande armadilha. Com o tempo esses espaços vazios vão se avolumando, causando cada vez mais uma sensação de incompletude e insatisfação generalizada, que acaba por interferir em outras áreas da vida pessoal.

Ao abrirmos mão de algo em nome do casamento, temos que ter a consciência da escolha que estamos fazendo no momento, se é isso realmente o que queremos, ou se não há outra saída alternativa. A relação a dois exige concessões, é claro, pois agora não estamos mais sozinhos para tomar decisões. O outro deve ser levado em consideração na maioria dos assuntos, e muitas vezes aceita fazer algo que nem queria, mas com os argumentos do cônjuge acaba sendo convencido e muda de idéia. Na maioria das vezes, não se arrepende.

Aprendemos muito através da convivência a dois, nosso parceiro pode nos abrir horizontes antes não imaginados ou temidos por serem desconhecidos.

O problema aparece quando um está sempre abrindo mão de seus desejos em função do outro que não se dispõe a acompanhá-lo em certas situações ou que não o apóia quando este precisa de uma confirmação ou um incentivo. Se ficar dependendo da posição do outro para a realização do que quer, corre o risco de deixar muitas realizações para trás, e o pior, culpar eternamente o cônjuge por sua incapacidade de enfrentar as coisas sozinho.

Vamos a um clássico exemplo muito citado pelos casais que atendo: um gosta de dançar, o outro não. Acabam nunca saindo para dançar porque chega a ser algo desagradável acompanhar o parceiro que nem o ritmo da música consegue seguir. O que fazer? Bem, em primeiro lugar tente convencê-lo a fazer umas aulas de dança, pois pode ser que ele acabe pegando o gosto por algo que, por não saber fazer, encara com má vontade e rejeita. Isso é o tipo da coisa que aproxima os casais: um ambiente onde todos estão no mesmo barco , aprendendo, divertindo-se, ouvindo música, relaxando o corpo, deixando a sensualidade aparecer, o que pode ser uma ótima oportunidade de aumentar a intimidade do casal.

Agora, se mesmo com a tentativa o interesse não for despertado no outro, então… vá você sozinho! Por que não? Escolha um lugar adequado onde possa satisfazer sua vontade de vez em quando, a fim de não guardar essa frustração dentro de si pelo resto da vida. O parceiro é ciumento? Bem, ele terá que lidar com isso.

Muitos outros são os “desencontros” comuns na vida a dois, o que nos força a estar sempre negociando alternativas para nos adequarmos uns aos outros. Mas lembre-se sempre de olhar para dentro de si e checar qual a sua parcela de responsabilidade na realização de algo, antes de jogá-la nas costas do cônjuge.

Casamento por interesse: será que é um bom negócio?

Relações onde não há amor tendem ao fracasso

Publicado em 1/7/2009 no Portal Minha Vida

Vamos imaginar uma situação típica de casamento: você conhece alguém que lhe atrai, começa a namorar, vive uma paixão deliciosa, sente muito tesão, aproxima-se da família do outro, planejam o casamento, compram o apartamento… e acham que será tudo muito lindo e gostoso quando trocarem as alianças. Bem, nem sempre é assim, posto que a partir do momento que passam a viver juntos, convivendo com as diferenças e manias ou defeitos do outro (que antes não incomodavam por não fazerem parte do seu dia-a-dia), e passando pelas dificuldades do cotidiano comuns a todos, o humor muda, a paciência diminui, os conflitos começam a tomar forma e você começa a se questionar se fez a escolha certa.

Não quero dizer que casamento é só coisa ruim, de jeito algum, apenas pretendo frisar que conviver com outra pessoa requer maturidade, troca, disposição para abrir mão de certas coisas, paciência, tolerância, aceitação das diferenças, colocar-se no lugar do outro sempre, apoio mútuo, enfim, é uma oportunidade única de crescimento pessoal se ambos estiverem dispostos a isso.

Agora, se mesmo estando disposto e amando o cônjuge já é difícil passar por certas situações e colocar em prática tudo isso, imagine no casamento onde não há amor, onde tudo o que se almeja é o dinheiro do outro e as vantagens que este pode lhe proporcionar? Como será passar por dificuldades no relacionamento? Aonde ficará a paciência e a disposição em resolver possíveis conflitos numa boa, se não há o afeto que permeia a relação? E os filhos como serão criados? Que modelo de relação lhes será passado?

Direcionar sua vida em função do dinheiro pode lhe trazer terríveis conseqüências, a começar por não vivenciar uma relação saudável pautada no amor com alguém ao seu lado, estando fadada à miséria emocional, à não realização afetiva, e não aprendendo a lidar com situações de frustração ou falta, já que essa relação deve ser sempre “perfeita” para que o casal permaneça junto – não há espaço para a dificuldade financeira, qualquer passo em falso coloca tudo a perder, além de não existir interesse e investimento no aprofundamento da relação conjugal; ninguém pode falhar, qualquer situação que saia do previsto pode assumir proporções enormes, já que não há a aceitação do outro pelo que ele “é”, e sim pelo que ele “tem”.

Há pessoas que arriscam-se a mudar de país, acompanhando um marido estrangeiro que mal conhece, indo atrás da sedução de uma vida financeira farta em um país mais desenvolvido (dá status morar fora…), correndo o risco de isolarem-se nesses lugares desconhecidos, estando sempre à sombra de alguém, sofrendo o isolamento imposto por estarem longe dos amigos e familiares. Em muitos casos a solidão não suporta o novo estilo de vida.

Finalmente, diria que se você pretende casar-se por interesse, que este seja por sua felicidade, por sua realização como pessoa, como ser humano, por querer crescer e experimentar um novo modo de dividir as coisas com alguém especial ao seu lado. Pois sabemos muito bem que o dinheiro ajuda bastante, mas não garante a felicidade de ninguém!

Terapia de casal… Para quê?

Uma boa conversa pode ajudar a resolver todos os males

Publicado em 30/4/2008 no Portal Minha Vida

Quando falamos em terapia, logo vem aquele velho preconceito à mente: Não sou louco para precisar de terapia . Infelizmente, ainda a maior parte das pessoas não tem a exata noção do que significa esse tipo de tratamento.

A terapia tem por finalidade que as pessoas parem tudo o que estiverem fazendo por um período de uma a duas horas semanais, para que se dediquem a olhar para si, para sua vida, suas relações com as pessoas; repensar suas atitudes e dificuldades, enfrentar sentimentos difíceis de se lidar, assim como perdas que devem ser elaboradas, enfim, é um momento onde a pessoa revê sua vida para melhorá-la e procurar ser mais feliz.

Para tanto, conta com a ajuda de um profissional formado e capacitado que, com sua escuta atenta e observadora, leva o indivíduo a olhar para dentro de si, descobrindo, assim, novas possibilidades de ação e e solução de conflitos.

A terapia de casal foca prioritariamente a relação, não aprofundando em questões internas de cada um separadamente. Porém, sabemos que para haver uma relação é necessário que duas pessoas com suas histórias de vida distintas se unam; portanto, cada uma será levada em conta, mas apenas no que diz respeito a aspectos que interferem na relação atual.

Na escolha do cônjuge sempre existem aspectos inconscientes envolvidos: nada se dá por acaso, algum ganho sempre está por trás de uma escolha. Por exemplo: é comum nos apaixonarmos por aqueles que mais parecem nossos opostos, não tendo nada em comum… No fundo, buscamos no outro o que gostaríamos de ter ou ser, e se um dia ele resolve mudar o seu jeito, a relação não faz mais sentido. Na verdade estamos nos relacionando com a parte idealizada de nós mesmos!

Outra fatalidade que comumente acontece é a vontade inconsciente de buscar no parceiro uma cópia do pai ou da mãe, e esperar que ele funcione de acordo com o que sempre se viu nos pais. Este tipo de relação está fadado ao fracasso, a menos que isso seja explicitado e trabalhado para que cada um seja aceito e admirado por aquilo que se é, como ser único.

Na terapia de casal temos a oportunidade de rever a vida a dois, muitas vezes desgastada pelo acúmulo de pequenos desencontros do dia-a-dia. É um espaço apropriado para facilitar o diálogo e a conseqüente resolução de conflitos, repensando, modificando e fortalecendo a relação conjugal.

Poderia dar aqui inúmeros exemplos de relações não saudáveis que se beneficiariam e muito com este trabalho, mas por uma questão de espaço, gostaria de chamar a atenção para aquilo que mais freqüentemente observo em meu consultório: cada vez mais testemunho o quanto a falta de diálogo deteriora as relações, assim como o entendimento equivocado da fala do outro com interpretações distorcidas acabam por levar a inúmeras e desgastantes brigas.

Não precisamos só saber falar, mas também saber ouvir o que o outro está dizendo e entender o verdadeiro conteúdo que está sendo comunicado. Numa terapia de casal, isso é detectado e treinado, para que os cônjuges possam transformar verdadeiramente sua relação em algo mais equilibrado e transparente.

Porém, há situações onde o desgaste já é tão grande, onde o amor já não existe, que o melhor mesmo é a separação. Essa também é uma das funções desta terapia, proporcionando ao casal um clima de maior harmonia e diálogo, para que a separação se realize de forma madura e responsável, e, caso haja filhos, que estes sejam minimamente afetados.

Se você sente alguma dificuldade em seu relacionamento conjugal, lembre-se de que o quanto antes elas forem resolvidas, maior a chance do casamento se reerguer, pois pequenos conflitos quando devidamente trabalhados podem ser motivo de crescimento para o casal, mas quando se tornam grandes podem não ter mais uma solução amigável.