Quando o jovem deve procurar ajuda psicológica?

Publicado em Ativo Saúde, 16.09.19

Todos nós provavelmente já passamos por momentos na vida nos quais nos sentimos “sem saída” e desanimados, achando que nada está dando certo, que a vida dos outros é muito melhor que a nossa, etc… Os jovens, em especial, vivem o imediatismo: querem tudo para hoje e têm grande dificuldade em esperar.

Quando lhes acontece algo que seja difícil de enfrentar, por exemplo um término de namoro, entram em desespero total, ficando com a sensação de que “nunca mais encontrarão uma pessoa como aquela” até a próxima semana, quando novamente se apaixonam. E assim segue a vida.

Porém, para algumas pessoas não é tão fácil assim: os problemas adquirem um peso maior que deveriam e elas não conseguem se abrir nem com os amigos e familiares, sofrendo silenciosamente com seus pensamentos destrutivos. Entenda quando os jovens devem buscar ajuda psicológica:

Comportamento na adolescência

Muitos jovens tiram boas notas nos estudos – e dessa forma não chamam a atenção dos pais–, mas vivem isolados em seus quartos, apenas se dedicando aos deveres escolares.

Acontece que a adolescência se caracteriza também pela importância que os grupos adquirem na vida dos jovens, então e é esperado que eles saiam de casa, se encontrem para conversar e se divertir, namorem, questionem os pais sobre tudo… Se um adolescente está isolado em seu mundo, algo não está bem.

Mas, como problemas emocionais são muito subjetivos e não conseguimos vê-los como uma doença física, as pessoas tendem a não dar a devida importância a eles, achando ser apenas uma fase ruim, mas passageira.

Às vezes um jovem emocionalmente comprometido é visto como “chato” ou “fracote” pelos colegas, podendo até sofrer bullying por isso, o que o deixa ainda pior e sem coragem de contar para os pais o que acontece. A vergonha de decepcioná-los e a fragilidade emocional em questão impedem que o jovem busque ajuda. Isso é mais comum do que se imagina.

O que fazer?

Se você é jovem

Então, caso você seja um jovem e esteja se sentindo mal com algo ou triste sem motivo aparente, tendo dificuldades para lidar com sua vida cotidiana, usando drogas com frequência e em quantidade perigosa, sem vontade de falar com pessoas ou sair com amigos, com dificuldade em se concentrar nos estudos, sem energia para praticar esportes ou qualquer outra situação que não o esteja deixando bem, procure ajuda.

Fale com a pessoa que mais confia e procure um psicólogo, pois ele está aqui exatamente para isso: sem qualquer julgamento, é treinado para ouvir, acolher e ajudar as pessoas a se encontrarem e viverem a vida com mais leveza.

Se você é pai ou mãe

Se você é pai ou mãe de um jovem e o vê sempre sozinho, sem movimento de amigos por perto, focado apenas nos estudos e sem vitalidade para dedicar-se a outras atividades de lazer ou sociais, aproxime-se dele e converse. Ofereça ajuda.

Você pode não conseguir ajudá-lo como gostaria, mas encaminhe-o a um profissional da área para que seja tratado. Pode ser algo passageiro, solucionável apenas com algumas conversas, assim como pode ser mais sério, até o princípio de uma depressão.

Quanto mais cedo esse jovem for acolhido e tratado, mais fácil e positivo é o prognóstico de cura, assim como menos danos haverá em sua vida como um todo.

 

Ter uma mente positiva faz você viver mais

Publicado em Vogue/Globo.com, 11.10.19
Por: Márcia Di Domenico/ Estúdio de Criação EGCN

Aprenda a colocar em prática atitudes que alimentam o otimismo

 

 

 

 

 

 

Encarar os altos e baixos da vida com leveza nos ajuda a viver mais

Tem gente que pensa na felicidade como a ausência de tristeza, problemas ou conflitos. Só que a vida de todo mundo é feita de momentos ruins também: uma doença, a perda de alguém amado, o fim de um relacionamento e tantas outras situações que tornam difícil olhar para a vida com otimismo. Encarar os altos e baixos do dia a dia sem perder a ternura é um treino diário, em que você precisa exercitar habilidades como paciência, gratidão, compaixão e desapego. Nem sempre é fácil, mas o resultado compensa: além de se tornar uma pessoa melhor e mais agradável para quem está em volta, você vive mais.

Foi o que revelou um estudo divulgado este ano, uma parceria entre a Faculdade de Medicina da Universidade de Boston e da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, ambas nos Estados Unidos. Os pesquisadores descobriram que pessoas que levam a vida com otimismo e positividade têm mais chance de alcançar o que os especialistas chamam de “longevidade excepcional”, o que significa ultrapassar 85 anos – em média, 15% a mais do que os pessimistas, segundo o trabalho. A pesquisa acompanhou mais de 70 mil mulheres e homens ao longo de 30 anos, avaliando periodicamente seus hábitos de saúde e comportamento.

A genética até explica por que algumas pessoas têm tendência maior do que outras a ver sempre o copo meio cheio, o que teria a ver com a presença de genes específicos no DNA. Mas os especialistas concordam que ser ou não otimista é mais uma questão de se comprometer com a própria felicidade. Por exemplo, pessoas positivas tendem a se cuidar mais, comer melhor, praticar atividade física, fumar menos – o que se reflete em menos stress e doenças. Mas também há a consciência de que é preciso tomar as rédeas da vida e mudar aquilo que não está bom. “Não adianta simplesmente mentalizar ou repetir que tudo vai dar certo. É preciso identificar os obstáculos, avaliar seus recursos e partir para a ação”, fala a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo. E nunca é tarde para isso. “Pode ser mais difícil mudar na maturidade, afinal nos acostumamos a pensar e agir de determinadas formas e ficamos mais resistentes. Mas sempre é tempo de adotar novas atitudes”, diz.
É possível treinar o cérebro para ser mais positivo e feliz. Veja atitudes para colocar em prática no dia a dia.

Pratique gratidão: está comprovado que quando você reconhece e agradece sinceramente pelas coisas que tem na vida, tende a diminuir a comparação com os outros (essa é umas das principais fontes de infelicidade que há!), o que eleva a autoestima e a resiliência e melhora os relacionamentos. “A mente no modo gratidão libera no cérebro dopamina, serotonina e oxitocina, substâncias que aumentam o bem-estar e a felicidade”, comenta a neurologista Aline Turbino, de São Paulo. “Fazer desse estado de espírito uma constante é uma forma de prevenir doenças psíquicas, como stress, ansiedade e depressão, que são fatores de risco para males físicos”, completa. Comece um diário de gratidão, anotando os acontecimentos e emoções positivas do seu dia, e você vai perceber que tem muito mais a agradecer do que imagina.

Cuide dos relacionamentos: uma pesquisa da Universidade Harvard (EUA), divulgada há poucos anos, a mais longa já feita sobre longevidade – acompanhou mais de 700 participantes ao longo de 75 anos –, mostrou que o segredo das pessoas que vivem muito é cultivar relações sólidas e felizes. “Descobrimos que pessoas com boas conexões sociais são mais saudáveis e vivem mais, enquanto a solidão e os relacionamentos tóxicos encurtam o tempo e a qualidade de vida”, diz o psiquiatra Robert Waldinger, diretor do estudo, em sua palestra no TED que viralizou recentemente.

Timidez não é o mesmo que introversão, entenda melhor a diferença

Publicado em  UOL/VivaBem, 04.10.19
Por: Diego Garcia

iStock

Muita gente acha que timidez é sinônimo de introversão, afinal pessoas tímidas e introvertidas possuem comportamentos semelhantes. Mas, isso é um equívoco. Timidez é um sentimento de mal-estar e inadequação no contato com outras pessoas. Já, a introversão é uma característica de personalidade relacionada com a forma da pessoa se relacionar com o meio a sua volta.

Embora tanto o tímido quanto o introvertido tenham dificuldades no contato com outras pessoas, existem diferenças bem nítidas que distinguem um e outro. A timidez envolve o medo de julgamento das pessoas o tempo todo, em especial em situações sociais onde o timído esteja com estranhos: fica angustiado, nervoso e ansioso, acha que está sendo observado e julgado em suas ações e ideias.

Já o indivíduo introvertido apenas prefere estar em ambientes calmos, pois sente-se melhor assim. Coisas que faça sozinho, como ler, ouvir música, ter alguma atividade reflexiva, enfim, tudo que seja tranquilo e não exija a presença de muitas pessoas, é o que ele prefere. Alimenta-se mais de lembranças e pensamentos de seu mundo interior do que do exterior.

Introvertidos x extrovertidos

Carl Jung, psiquiatra suíço, definiu os critérios para o que ele chamou de perfil de personalidade introvertido e extrovertido, explica Tatiana Mourão, professora da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Atualmente considera-se que existe um espectro de personalidade humana que vai desde o máximo da introversão até o máximo da extroversão.

Enquanto os extrovertidos encontram sua energia nos contatos sociais, o introvertido sente-se sugado com o excesso de pessoas e necessita de um período de repouso, por exemplo, após um dia de trabalho com diversas interações sociais. “Isso pode gerar conflito, pois enquanto o extrovertido, após um período de trabalho, ainda deseja sair para ‘recarregar’ suas energias através do contato social”, explica.

Timidez

A timidez é um sentimento de mal-estar e inadequação no contato com outras pessoas. De acordo com Mourão, a timidez pode ser uma característica de pessoas com autoestima diminuída. “Muitas vezes a grande dificuldade de contato com outras pessoas, sensação de poder ser humilhado publicamente e o mal-estar contínuo do contato social podem atingir uma quantidade de sintomas que poderiam caracterizar um transtorno psiquiátrico definido como Fobia Social”, analisa.

Diferenças no cérebro

Mourão afirma que estudos recentes mostram a existência de diferenças cerebrais entre o indivíduo introvertido e o indivíduo extrovertido. Adicionalmente, complementa a professora, os introvertidos mostram um aumento na atividade neuronal em regiões associadas com o aprendizado, motricidade e controle da vigilância. Estudos de neuroimagem também mostram diferenças: áreas cerebrais diferentes encontram-se associadas com a extroversão e a introversão.

Habilidade para lidar com pessoas

“Não significa de forma alguma que o introvertido tem inabilidade para lidar com as pessoas, ele se exaure durante o excesso de contato social”, analisa Mourão. Ela diz que existem estatísticas interessantes que mostram como esses traços podem influenciar até escolhas na carreira. Por exemplo, os advogados trabalhistas costumam possuir mais traços dentro do espectro da extroversão, enquanto os advogados tributaristas possuem maiores características de personalidade introvertida.

A psicóloga Marina Vasconcellos esclarece que tanto introvertidos quanto extrovertidos podem não ter habilidade para lidar com pessoas. “Há introvertidos que se passam por extrovertidos quando solicitados numa situação de interação onde não possam evitar, pois sabem muito bem lidar com as pessoas: apenas preferem relacionar-se com poucos”, complementa.

Por sua vez, os tímidos têm dificuldade no contato social. Para a psicóloga, tímidos são mais prejudicados na interação social por sentirem-se julgados e, a angústia que provém disso lhes traz sofrimento. Mourão complementa: “No meio acadêmico existem estudos que sugerem que algumas pessoas com traços introspectivos podem, também, ter timidez; entretanto não se trata de uma relação necessária”.

Como lidar com a vergonha do corpo na hora do sexo?

Publicado em IG/Delas,05.10.19
Colaboração: Larissa Bomfim

A insegurança com o próprio corpo e algo que afeta as mulheres, mas isso não pode ser um fator decisivo para aproveitar ou não um momento íntimo

mulher se sentindo insegura com o próprio corpo
A vergonha do corpo está muito ligada à ideia de que as mulheres têm que atingir ‘padrões de beleza’ e ter o ‘corpo perfeito’


Mas como não deixar essa vergonha do corpo te atrapalhar ao começar um relacionamento novo ou até mesmo na “hora H” com o parceiro? Foi isso que uma leitora do Delas questionou no nosso email e nós conversamos com especialistas para responder a pergunta.

Marina Vasconcellos, que é psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar e de casais pela PUC-SP, explica que, antes de mais nada, é preciso entender o motivo da insegurança. “As mulheres ficam com vergonha porque acham que os homens querem aquelas modelos perfeitas, já que isso é algo que a cultura da beleza nos ensina e é perpetuado pela mídia.”

“Assim, se elas não estiverem seguras consigo mesmas, acham que o corpo delas não está bom o suficiente e imaginam que os homens querem algo diferente. Há a fantasia que eles querem esse corpo perfeito e isso faz elas esperarem mais delas mesmas do que deveriam”, diz.

A fisioterapeuta pélvica, sexóloga e educadora sexual Débora Pádua, completa que essa ideia de “padrão de beleza” acaba surgindo, principalmente, na adolescência, fase em que a maior parte das meninas inicia a vida sexual. “Pela idade e por não ter muito conhecimento sobre o próprio corpo, elas acabam focando nos ‘defeitos’ e criando essa insegurança.”

Mas afinal, como parar de sentir vergonha do corpo e aproveitar o sexo?

mulher de costas usando sutiãA A vergonha do corpo não pode ser algo que te atrapalhe no sexo e, por isso, procure alternativas para ganhar confiança

A educadora sexual explica que o primeiro passo para começar a confiar em si mesma e não deixar os detalhes que são considerados “imperfeições” atrapalharem a transa é conhecer o próprio corpo. “Saber o que você gosta, o que não gosta e o que pode ensinar ao parceiro, por exemplo, pode te ajudar a se sentir confiante na relação”, indica.
Outra questão que vai trazer segurança e fazer a mulher se sentir bem sobre si é o tipo de relacionamento que ela tem com esse parceiro. “Acho que quando o homem consegue admirar uma mulher e dizer isso para ela de forma sincera, tudo se torna mais fácil, porque ela se sente mais valorizada, mais bonita.”

“Mas ela também tem que pensar que quando uma mulher vai para a cama com um homem, ela já foi ‘escolhida’ por ele (e vice-versa) antes de tirar a roupa. Não existe alguém que tira a roupa e vira outra pessoa, com outro corpo”, comenta.

Marina reforça que a autoestima não está ligada apenas ao sexo, mas é preciso desenvolvê-la para que haja essa confiança própria. “Se a mulher estiver segura consigo, vai confiar nessa mesma e não vai dar toda essa importância para o corpo. Essa construção pode ser feita ao olhar para si mesma, perceber seus pontos positivos e negativos e através de terapia.”

Enquanto ainda está nesse processo de autoconhecimento e construção da confiança, a dica é aproveitar o momento. “A relação sexual é composta por sensações: beijos, abraços, cheiros… Se a mulher tentar focar no momento em que está vivendo com aquela pessoa e em sentir prazer, prestando atenção nesses sentimentos dela e do outro, vai ficar mais envolvida no sexo e pouco preocupada com o próprio corpo e aparência”, finaliza Débora.

Sonhar com sexo não significa sempre erotismo: entenda o que pode ser

Publicado em UOL/VivaBem,23.08.19
Colaboração: Simone Cunha

Sonhar com sexo pode não ter nada a ver com atração sexual - iStock
Sonhar com sexo pode não ter nada a ver com atração sexual

De repente, você desperta excitado de um sonho com muitas carícias e desejos. Na lembrança, tudo estava muito envolvente, mas era com seu chefe. Como assim? É muito comum alguns sonhos despertarem surpresa e questionamento, afinal na realidade parecem inconcebíveis. Sonhar que está transando com um amigo, parente ou pessoa de um gênero que você não se atrai pode soar ‘sem pé nem cabeça’.

E nem sempre esses sonhos trazem um erotismo à tona. É fundamental fazer uma análise de todos os elementos para tentar chegar a uma resposta. E isso pode mudar de pessoa para pessoa, fase, histórico, lembranças, desejos e por aí vai. Portanto, não há um significado padrão para cada tipo de sonho. E isso é o mais fascinante, pois exige um processo de autoconhecimento para tentar dialogar com o inconsciente e compreender o que ele quer te dizer.

A importância de sonhar

Os sonhos são conteúdo do inconsciente e, ao acordar, podemos ter a lembrança de alguns aspectos desse sonho, sendo que podem ter mais detalhes ou, às vezes, não alcançam o limiar da consciência. Desde que a pessoa não sofra com insônia, é praticamente certo que sonhamos todas as noites e usar essa ferramenta pode ser muito produtivo para o processo de autoconhecimento.

De acordo com os ensinamentos de Sigmund Freud, criador da psicanálise, há uma transformação dos elementos originais, ou seja, um sonho dificilmente será lido diretamente, e seu sentido desvelado sem a participação daquele que sonha. “Assim como um sonho aparentemente inocente pode trazer como associação elementos sexuais, um sonho com sexo pode dar suporte para outro jogo de forças no sonhante”, explica a psicóloga e psicanalista Berta Hoffmann Azevedo, colaboradora da diretoria científica da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP).

Portanto, há sonhos com diferentes graus de simbolização, alguns mais próximos de uma descarga de tensão, outros com maior elaboração simbólica. Por isso, não é preciso levá-lo ao pé da letra e sentir-se perturbado se acordou em delírio por uma pessoa conhecida que, na realidade, pouco te chama a atenção sexualmente.

Personagem é o que ele representa

Para Marina Vasconcellos, psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e psicodramatista, existe uma linha de interpretação de sonhos que considera cada elemento como sendo uma parte do sonhador. Um personagem pode estar representando uma fase de vida da pessoa, ou uma característica que ele precisa lidar, por exemplo.

Marisa Catta Preta, psicóloga clínica e docente na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES), concorda: “É natural sonhar que estamos [em] uma relação sexual com determinada pessoa ou personagem. E não necessariamente, se trata da pessoa em si, mas do que ela representa”.

Os diferentes personagens que compõem a cena podem representar aspectos diversos de si, nem sempre facilmente conciliáveis. “Os sonhos, por si só, já são um trabalho de conciliação de tendências conflitantes que ganham alguma solução na elaboração onírica”, destaca Hoffmann.

Segundo Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta que fundou a psicologia analítica, a principal função do sonho é compensar nossas atitudes muito unilaterais da consciência que desconsideram alguns conteúdos em detrimento de outros. “Isso revela uma capacidade da nossa psique de autorregulação, em que o equilíbrio entre polaridades promove saúde mental”, enfatiza Catta Preta.

Desvendando alguns sinais

Não é possível realizar uma interpretação específica sobre cada sonho, mas algumas situações ou personagens podem sinalizar algumas possibilidades. Por isso, as psicólogas Dora Tognolli, psicanalista membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e Marina Vasconcellos avaliam alguns tipos de sonhos:

  • Sexo com celebridade – Um estudo da Universidade de Montreal apontou que as mulheres eram duas vezes mais propensas que os homens a ter fantasias noturnas com uma pessoa famosa. A celebridade pode representar beleza, sucesso, carreira bem-sucedida e isso ser algo que o sonhante tanto deseja.
  • Sexo com o chefe – Esse personagem pode representar autoridade, liderança, poder de decisão. Daí, vários questionamentos podem surgir: Está satisfeito no trabalho? Sente-se oprimido? Quer ser melhor reconhecido?Deseja uma promoção?
  • Sexo com um parente – Pode até provocar um ranço, mas é importante procurar entender o que aquela pessoa representa para você. Alguma qualidade que admira? Ou se for o pai ou um tio mais velho, como é sua atração por uma pessoa com mais idade?
  • Sexo com um estranho – De onde surgiu essa pessoa? No sonho, a persona pode ter alguma característica de alguém conhecido, ou remeter a alguma situação e, neste caso, a proposta, talvez, seja trazer essa informação e o estranho é apenas um elemento.
  • Sexo em lugar público – pode resgatar um lado exibicionista que fora reprimido, ou talvez mostrar que o sonhante tem se sentido exposto, algo o ameaça e, talvez, precisa entender e enfrentar uma critica ou um tipo de situação invasiva.

 

Seu filho é o centro do seu relacionamento? Entenda por que isso é tão ruim

Publicado em UOL/Universa,27.08.19
Colaboração: Heloísa Noronha

iStock

Em seu livro “Mulheres Querem Sexo, Homens Sempre têm Dor de cabeça: Destruindo os Mitos Sobre Sexo e Relacionamentos Amorosos” (Ed. Cultrix), o terapeuta de casal alemão Christian Thiel afirma que as relações chamadas de child-centered (em tradução livre, centradas no filho) são um dos principais motivos para o afastamento de vários casais. De tão concentrados no filho, não só na fase de bebê, muitos se transformam em “sócios” na administração da casa e da vida em família e acabam se distanciando emocional e sexualmente. Nem sempre o desfecho é a separação: em alguns casos, a situação fica no piloto automático e as pessoas passam anos a fio convivendo nessas circunstâncias cômodas , mas infelizes. A boa notícia é que dá, sim, para reverter essa condição, mas primeiro é preciso compreender como os dois chegaram a esse ponto.

Ter um filho é, obviamente, uma experiência transformadora. E é lógico que nos primeiros meses pós-nascimento, por causa da nova rotina e dos cuidados essenciais, como a amamentação, a atenção dos pais fique 100% voltada ao bebê. Depois de um tempo é natural que o casal volte a se concentrar também na relação, mas isso depende de vários fatores que vão desde a possibilidade de contar com uma rede de apoio até o fato de o modelo familiar ser mais ou menos ansioso.

Na opinião da terapeuta de relacionamentos Rosangela Matos, que atua com atendimento online, após os primeiros seis meses de vida da criança os pais podem começar a dar pequenas “fugidinhas” para namorar. “Os familiares são importantes para dar um suporte. Aceitar ajuda é bom para todos: para o casal, que precisa fortalecer o vínculo homem-mulher; para a família, que se sente fazendo parte desse momento tão especial, e para o filho, que vai ter pais felizes ao seu lado”, comenta. “Porém, é importante que, antes disso, o casal separe alguns minutos para estar junto para falar do seu dia, trocar um abraço, um chamego e um sentir que o outro está ali”, completa Rosangela.

Já Triana Portal, psicóloga clínica e terapeuta de casal, de São Paulo (SP), observa que o casal consegue voltar ao “normal” por volta dos 3 anos de idade do filho, idade na qual já houve o desfralde, os pais não sofrem tanto com a privação de sono e a criança apresenta uma certa autonomia. “É uma fase em que o par realmente consegue ter mais intimidade e liberdade para passear e fazer pequenas viagens. Isso pode variar muito dependendo das características de cada família, mas os três primeiros anos costumam ser os mais desafiadores para qualquer casal. É, inclusive, uma fase em são registrados muitos divórcios”, fala.

Para Rosangela, um filho pode tanto unir quanto afastar um casal e um fator é determinante para isso: o alinhamento. “Muitos pais, especialmente os de primeira viagem, se preparam para a chegada do pequeno, assistem a filmes e documentários, fazem cursos, compram livros… Poucos, no entanto, procuram ajuda para se prepararem emocionalmente para a mudança na relação amorosa. O foco passa a ser o pequeno, os assuntos mudam. Dormir até tarde no fim de semana, passar uma tarde vendo filme agarradinho no sofá ou sair para se divertir nem sempre são possíveis. As mudanças são muitas e pegam o mais unido dos casais”, afirma.

Problema também para a criança

À medida que a criança cresce, o excesso de trabalho, o cansaço e a culpa por não dar tudo o que o filho precisa – principalmente tempo – acaba levando o casal a concentrar todas as suas energias na criança e a se descuidar dos papéis de homem e mulher. Com filhos, praticamente qualquer decisão deve levá-los em conta: do cardápio do jantar até a forma de gastar o dinheiro e o que a família vai fazer no fim de semana. No entanto, alguns pais e mães acabam superestimando essas resoluções, atribuindo poder à criança e desequilibrando a relação. “É o que chamo de ‘filiarcado’, ou seja, permitir que a criança decida tudo”, diz Elizabeth Monteiro, psicóloga e psicopedagoga, autora dos livros “Criando Filhos em Tempos Difíceis” e “Criando Adolescentes em Tempos Difíceis” (Summus Editorial).

Para Elizabeth, às vezes as pessoas simplesmente se entregam ao tipo de relação child-centered por puro desânimo. “Está todo mundo cansado demais. É mais fácil abrir mão de autoridade e, por comodismo, deixar a situação como está. Porém, essa não é a solução ideal para ninguém”, afirma. Um dos riscos é a criança se transformar num adulto mimado, já que sempre teve suas vontades atendidas. Vai comer o pão que o diabo amassou, claro, porque dificilmente alguém vai atender suas demandas como papai e mamãe faziam. Para o casal, uma das consequências é, quando o filho crescer e for embora de casa, enfrentar a chamada “síndrome do ninho vazio”. Como o filho possivelmente era o único elo forte que os unia, o que restará? Isso sem contar que, após tantos anos de afastamento, é possível que um sequer reconheça o outro como pessoa.

Segundo a psicóloga Renata de Azevedo, especialista em terapia de casal pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), alguns casais já estavam afastados antes mesmo de terem filhos. “Alguns, inclusive, acreditavam que o bebê salvaria a relação. Com o nascimento, os casais que estavam mal ficam pior ainda, pois o afastamento, o stress e alguns atritos são comuns nessa fase de adaptação. Outros casais colocam todo o seu afeto e a carência em cima do filho e não sobra tempo, espaço e energia para mais ninguém, inclusive o seu cônjuge. Dessa forma, a distância aumenta e passam a ser apenas pais”, observa. O filho passa a ser o centro e o único elo entre o casal durante anos.

Separar os papéis é fundamental

Um filho toma toma tempo, espaço, energia, pesa no orçamento, limita a intimidade. Resgatar ou manter a mesma relação de amor anterior à sua chegada é bem difícil. Com alguns ajustes no dia a dia e na forma de configurar as tarefas domésticas e as atividades em família, dá para o casal encontrar um equilíbrio saudável para lidar com tudo. “É possível reverter, mas a mudança precisa fazer sentido. Ambos devem estar cientes que a reversão de um padrão de comportamento ou rotina é um processo, leva tempo e exige paciência para adaptação do novo formato”, avisa Triana.

Uma conversa franca sobre o que mudou para cada um depois da chegada do filho, o que mais faz falta e o que pode ser feito diferente é o primeiro e mais importante passo, segundo Rosangela. Se o casal está vivendo essa situação é importante sentar e conversar sobre isso para que possam ir mudando seus comportamentos aos poucos.

Uma criança precisa que suas necessidades emocionais e físicas sejam supridas, mas também necessita que os pais estimulem sua segurança e autonomia. “Grande parte dos problemas da vida adulta são resultado da primeira infância, na melhor das intenções os pais vão se anulando e não percebem o quanto isso impacta nos filhos. Os pequenos devem ter limites e também aprender a conviver com a família e outras pessoas além dos pais. E precisam saber que os pais são um casal e que eles priorizam também essa relação”, diz a terapeuta.

Para Triana, os casais child-centered precisam se conscientizar de várias verdades. A primeira é que construir um “reinado” para o filho não é a melhor forma de educar. “E, em seguida, devem entender que se não estiverem inteiros nem felizes não conseguirão cuidar bem do filho. A relação conjugal precisa de constante manutenção, algo que dá trabalho e demanda atenção. Valorizar a intimidade, o sexo e os momentos de lazer sem os filhos, não os torna pais negligentes ou maus”, declara. Para isso, também é fundamental que cada um cuide bem de sua autoestima, assim ficam menos inseguros, têm mais clareza de pensamento e objetivos e levam a vida de forma mais assertiva.

“As pessoas também precisam compreender que têm o direito de ser homem e mulher, não precisam ser apenas pai e mãe pelo resto da vida. Dá para vivenciar todos os papéis sem negligenciar nenhum. Além disso, os filhos gostam de saber que os pais namoram, se curtem, saem, apreciam ficar juntos. Isso é benéfico para o desenvolvimento da criança, que cresce aprendendo um modelo saudável de relacionamento”, pontua a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Resiliência: como se fortalecer para enfrentar os seus problemas

Podcast – Senta lá, CLAUDIA, 15.08.19

Ser resiliente é uma habilidade e pode ser desenvolvida e aplicada nas situações adversas da vida; conheça duas histórias emocionantes

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Resiliência é a habilidade que uma pessoa tem de se fortalecer enquanto enfrenta uma situação adversa. Tem a ver com força, resistência e superação. É uma competência indispensável para perseguir os objetivos e conviver em sociedade. Você sabe como desenvolvê-la para enfrentar os próprios problemas, crescer e seguir em frente?

No quarto episódio do podcast Senta Lá, CLAUDIA, a editora Alessandra Balles conversa com a chef Cecília Victório, que recebeu o diagnóstico de câncer no estômago quando seus filhos tinham cinco e sete anos, com a jornalista Ligia Bolognesi, que viu o companheiro ser friamente morto e investigou os criminosos até que fossem presos, e com a psicóloga Marina Vasconcellos. São histórias emocionantes de mulheres que conseguiram lidar com problemas e tristezas extremas e adaptaram-se às mudanças. “Cada pessoa tem que encontrar na sua história de onde vai tirar essa força”, disse Marina. A resiliência é uma habilidade e pode ser desenvolvida e aplicada nas situações adversas da vida.

Mãe que viu filho matar irmã: ‘Ele é um menino de ouro, mas tem uma doença’

Publicado em UOL/Universa,16.08.19
Colaboração: Diego Garcia

Denise Beckmann em viagem com os filhos: à espera do diagnóstico do adolescente - Arquivo pessoal

“Meu filho não é bandido, é menino de família, que cresceu com base, com educação, com tudo que tinha direito. Ele quer ser médico, estudava muito e fazia teatro há três anos.”

Durante uma hora de conversa pelo telefone, a gerente de contas Denise Beckmann, 36, intercala choro com gargalhadas de nervosismo. Ela estava na casa dos pais, em Santa Catarina, um dia após o aniversário de 15 anos do primogênito. “Falei pra ele: ‘Filho, você tem que entender que antes você tinha uma vida, agora vão te acusar por qualquer vento norte que soprar'”, lembra, antes de pausar a fala para mais um momento de lágrimas.

Sem nenhum sinal de briga ou desentendimento, o adolescente matou a irmã, de 12 anos, a marteladas na tarde do último dia 4 de junho, no apartamento onde a família vivia, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR). Ficou até o dia 9 de agosto num centro socioeducativo, mas, de acordo com a mãe, foi liberado pelo Ministério Público do Paraná para viver e receber tratamento na casa do pai, de quem Denise se separou há 11 anos. Ele ainda não tem um diagnóstico fechado, mas “várias explicações possíveis de doenças mentais”. A mãe fala que ainda não está pronta para lidar 24h por dia com o menor.

“Desenvolvi síndrome do pânico. Não estou preparada para ser forte por ele. Consigo vê-lo, passar uma tarde sem mostrar minhas fraquezas, mas ficar 24h com ele ainda é pesado pra mim”, diz Denise, que vive com os pais desde o dia da tragédia.

O Ministério Público do Paraná, por meio da 3ª Promotoria de Justiça de São José dos Pinhais, informou à reportagem, por email, que o caso tramita sob sigilo total, e que, por isso, não confirma ou afirma nada sobre o ocorrido, mesmo sabendo que as informações vieram da mãe. A Polícia Civil, por email e telefone, afirmou que ainda vai ouvir algumas testemunhas e confirmou as informações enviadas pela reportagem sobre o ocorrido, sem nada acrescentar.

O dia da tragédia

Era hora do almoço quando Denise foi em casa buscar a caçula para levá-la a escola. Encontrou o filho mais velho ferindo a garota com golpes de martelo. Ele também acertou o instrumento na nuca da mãe, que teve traumatismo craniano leve.

O Corpo de Bombeiros foi ao local após receber uma chamada dos vizinhos sobre uma briga entre jovens. Ao chegar ao condomínio onde vivia a família, agentes encontraram a menina com um ferimento profundo na cabeça e o irmão descontrolado, “possivelmente em surto psicótico”, como descreveu o tenente Rafael Lechinhoski em entrevista para um canal de TV.

Na mesma reportagem, vizinhos disseram que, antes do incidente, o garoto havia batido em algumas portas pedindo por um martelo emprestado, sugerindo que o crime foi premeditado.

A mãe diz que o filho tentou fugir pulando a janela do apartamento, no segundo andar do prédio. Na queda, quebrou as duas pernas e até hoje ainda não consegue andar. Está com pinos e pontos nos membros.

“Fingindo demência”

Denise não voltou ao apartamento. Desde então, mora na casa dos pais, a 430 quilômetros de São José dos Pinhais, e dali não pretende se mudar. Diz que tudo lembra a vida feliz que tinha com os filhos e que só quer esquecer de toda a cena. Ela toma um antidepressivo de dia e um remédio para dormir à noite. Está de licença do banco onde atuava como gerente de contas e tem consultas ocasionais com um psiquiatra:

Consigo fingir demência, me enganar, imaginar que estou a passeio, e que vou voltar para casa e minha vida vai estar lá, exatamente como era. Não tenho outra opção até estar preparada para dar mais detalhes”. Nada na narrativa de Denise indica que ela pudesse prever o que iria acontecer naquela família.

Se eu fosse uma péssima mãe, se odiasse meu filho, se minha família fosse desestruturada, pensaria: ‘Me livrei de tudo aquilo’. Mas minha família era perfeita. Batalhei muito para dar do bom e do melhor. Comiam o que queriam. Viajávamos muito. Meu filho fazia banco pra mim. Minha filha fazia bolo. De repente, tudo desabou.”

Nenhum sinal de doença

Denise diz que o adolescente não se lembra de ter cometido o crime e que chorou quando soube pela mãe o que fez. Ele contou para a família que se recorda de ter sentido uma tontura antes de tudo e, depois, de acordar na ambulância, já com as duas pernas quebradas.

“Não está fácil pra ele. Ele amava a irmã e também me amava. Nunca faria uma coisa dessas. Ele está sendo forte e seguindo em frente”, afirma a mãe.

O esquecimento teria justificativa, diz ela: seria consequência de uma amnésia dissociativa. O transtorno acontece geralmente após fatos traumáticos, mas sem danos ao cérebro, como na doença de Alzheimer, por exemplo. E a memória pode voltar, muitas vezes sem necessidade de tratamento, explica o doutor em psiquiatria, psicanálise e saúde mental pela UFRJ Elie Cheniaux. Por isso, Denise defende o tratamento para o filho, no lugar de uma medida socioeducativa:

“É um menino de ouro. Agora precisa das pessoas certas, de muito amor e carinho”.

Denise diz ainda que o adolescente nunca apresentou “um grão de areia” em seu comportamento que indicasse que poderia tomar tal atitude. “Não teria nem como falar: ‘Mas aconteceu tal coisa quando ele tinha 10 anos…'”

‘Um jovem que precisa de cuidado’

No caso de uma psicopatia, é possível perceber cedo os sinais quando, por exemplo, a criança maltrata um animal, atrapalha as brincadeiras dos outros amigos ou não aprende com os castigos. Mas o primeiro passo em caso de suspeita é buscar uma avaliação e fazer os exames necessários para chegar a um possível diagnóstico, explica a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em terapia familiar pela Unifesp e voluntária no Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Ela não teve contato com a família nem acesso aos exames do garoto e insiste na necessidade de se fazer uma bateria de exames, incluindo os de imagens, para se tentar chegar a possíveis explicações e verificar se há mesmo um transtorno psíquico.

Já na avaliação do coordenador de Psicologia do Núcleo Forense do IPq-USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo), Antonio de Pádua Serafim, o garoto pode ter tido uma desorganização psíquica momentânea, um quadro delirante, principalmente porque ele, de acordo com a mãe, nunca apresentou nada de anormal em seu comportamento.

O especialista em saúde mental e violência afirma também que pode ser difícil antecipar qualquer descompensação nesses casos. Mas que isso não significa que a pessoa não terá um outro rompante. Nem que ela tenha que ficar presa.

“Num caso como esse, a sociedade acha que o melhor seria trancafiar a pessoa, mas estamos falando de um jovem que precisa de cuidado. Jamais caberia aqui, por exemplo, um manicômio judiciário. Ele é menor de idade. Até porque, se ele voltar a ter manifestação agressiva, pode atentar contra si mesmo. É preciso que ele e a família sejam acompanhados sempre, em especial a mãe. Ela não sabe se chora pela perda da filha ou se se debruça no cuidado de quem está aqui”, diz Serafim.

“Não sei se vou entender o que aconteceu”

Em uma rede social, cheia de fotos dos filhos e declarações de amor à família, amigos e parentes mandam desejos de paz à Denise. Ela diz que recebe muito apoio mesmo e que, em nenhum momento, sentiu-se culpada ou teve a educação que deu para os filhos questionada. “Vasculharam minha vida toda. De forma alguma tinha algo que pudesse me apontar como culpada, ou aos meus filhos. Foi uma situação trágica”, ela afirma.

Mas ouviu algumas acusações pesadas contra o filho adolescente, como, por exemplo, a de que ele teria premeditado o crime, já que vizinhos disseram que ouviram uma discussão e que ele teve tempo de pedir um martelo emprestado a alguns moradores do prédio:

“É compreensível. Não julgo, porque ele tirou uma vida. Mas é uma doença. A gente não entende e não sei se um dia entenderei o que aconteceu”.

E frisa: se houvesse um pingo de desconfiança sobre o filho, ela mudaria de opinião. “Se meu filho tivesse motivo e me falasse:

‘Fiz porque eu quis, me deu vontade’ ou algo do gênero, eu seria a primeira a enfiá-lo onde ele estava, pra pagar pelo que ele fez.”.

Tudo tem um propósito

Denise prevê um futuro carregado de julgamentos contra o filho. Acredita que tudo será motivo para culparem o adolescente por algo fora do normal que vier a acontecer a sua volta. Mas diz que ganhou uma missão depois do incidente:

“Tenho muita fé de que isso não vai mais se repetir. Os meus filhos e eu fomos usados para algum propósito. Tanto que era para estar morta porque tive traumatismo craniano. Estava morta e alguma coisa me levantou daquele chão. Está certo que, às vezes, preciso sentar, porque minhas pernas tremem, mas acredito muito que temos um propósito e quero ajudar outras pessoas a seguirem em frente”.

Ela não quer revirar o baú de memórias da família a fim de achar um porquê para essa tragédia. Diz que não adianta. Está feito. Não volta. Precisa agora aprender a se olhar novamente e achar uma outra identidade.

Eu perdi tudo, a minha vida. E ela não foi fácil. Quando me separei, não tinha experiência nem faculdade. Nasci em Santa Rosa (RS), saí no mundo com minhas duas malinhas e venci. Graças a Deus, gravei todos os momentos e tenho boas lembranças, sem um pingo de remorso. E minha filha foi muito feliz. Hoje, ainda não consigo me olhar no espelho e saber quem sou eu. Minha estrutura eram meus filhos. Morrer e nascer de novo, aos 36, não é fácil, e o tempo não te espera, então você tem que continuar caminhando.”

E depois de se encontrar, de achar o seu norte, como ela mesma descreve, quer voltar a morar com o filho.

“Nós dois juntos, agora, seria mais difícil. Ele ia me ver chorar. Mas ele sabe que tem uma mãe que o ama.”

Treinar com amigos: pode te deixar mais rápido ou te atrapalhar?

Publicado em Webrun,06.08.19
Colaboração: Leonardo Boscolo

Treinar com amigos: pode te deixar mais rápido ou te atrapalhar? - Foto: Adobe Stock

Corredores são desafiados todos os dias. Não apenas com suas metas e tempos, levantar extremamente cedo para conseguir treinar antes de ir para o trabalho, ou até mesmo enfrentar um treino após um dia cansativo são desafios difícieis de serem alcançados. Uma alternativa, ou um modo de não desistir dos treinos pode ser encontrar uma companhia na corrida. Treinar com amigos ou com aquele vizinho que também gosta de correr pode ser um estimulante e uma motivação na hora de sair de casa.

Há quem não goste de conversar enquanto corre, mas pode-se dizer que funciona para iniciar o desafio e até te deixar mais rápido. A psicóloga Marina Vasconcellos, explica: “Nos treinos com amigos as pessoas se inspiram, se sentem influenciados pelo convívio com amigos, e correm com mais prazer”.

Quanto à performance, Marina fala que depende dos objetivos a serem alcançados por cada corredor. “se ela corre apenas para se exercitar, sem preocupação com performance, treinar com amigos pode ser bem mais gostoso porque vai se distraindo, conversando, e pode nem perceber o quanto já correu, treinando mais do que faria sozinha”, comenta.

Em contrapartida, treinar com amigos pode ocasionar perda de velocidade, ritmo e, consequentemente, queda na performance. Isso acontece porque ao correr falando, o corpo se cansa com mais facilidade.

A psicóloga explica quais os efeitos da companhia para quem quer abaixar seus tempos, sem se prejudicar. “Quando o objetivo é a competição, aí os amigos tem outra influência: a provocação da performance, uns inspirando os outros para que consigam mais”, explica.

“Os que correm mais ‘puxam’ os mais lentos, fazendo com que eles queiram atingir a performance do amigo como inspiração. Muitas vezes, os que querem alcançar os amigos acabam superando as próprias expectativas”, finaliza Marina.

Alguns segredos fazem mal para saúde mental; veja quando se preocupar

Publicado em UOL/VivaBem,01.08.19
Colaboração: Diego Garcia

Guardar alguns segredos pode trazer mágoa e rancor - Istock
Guardar alguns segredos pode trazer mágoa e rancor

Existem situações que acontecem conosco ou que presenciamos que não nos agradam e que optamos por manter em segredo. Pode ser desde uma situação traumática (como uma situação de abuso) até uma informação que pode prejudicar outra pessoa. Mas dependendo do peso deste sigilo, ele pode começar a se tornar um fardo difícil demais de carregar, mesmo quando fazemos questão de varrer para debaixo do tapete e fingir que ele não existe.

Mas por que fazemos? Para Denise Pará Diniz, psicóloga comportamental, professora e coordenadora do Setor de Gerenciamento de Estresse e Qualidade de Vida da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), alguns fatores podem explicar isso, como a sensação de estar inseguro ou ameaçado, ou mesmo quais são os valores familiares ou uma dinâmica sociocultural de onde a pessoa vive. O segredo ainda pode estar associado a uma rejeição social, ou seja, as outras pessoas podem não estar preparadas para saber dele.

“Quem guarda segredos negativos pode manter também rancores e mágoas, até em relação a si mesmo e em relação ao outro, o que pode ser prejudicial a vida e saúde deste indivíduo”, explica Diniz.

Quanto mais pessoal e pesado for esse segredo, maior o trauma que ele pode gerar. Situações como violência doméstica e sexual ou questões relacionadas a orientação sexual e de gênero se não tratadas pode comprometer a saúde física e mental do indivíduo, explica Marina Vasconcellos, psicóloga a voluntária do Programa Ambulatorial Integrado dos Transtornos do Impulso (Pro-Amiti), do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Os impactos dos segredos

É importante ressaltar que existem diferentes tipos de personalidade, afirma Vicente Cassep-Borges, professor de psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele diz, entretanto, que considerando a maioria das pessoas, somos sociais e é comum que o tempo todo busquemos avaliações de nossas condutas em pessoas semelhantes.

“Ao ter a opinião do outro, temos uma boa previsão de quais comportamentos serão mais acertados nas nossas vidas” analisa. Nos privar de nosso instinto social faz com que não saibamos a reação do outro. Pode nos deixar ansiosos na expectativa de que algo ruim aconteça se o segredo for revelado, o que nem sempre pode acontecer.

Diniz afirma que quando a gente guarda não só um segredo, mas um sentimento ligado a ele –como uma mágoa, uma dor ou um pensamento estressante –, o cérebro reage como se estivéssemos em perigo naquele momento, uma reação de estresse. Um conjunto de reações que o organismo desenvolve ao ser submetido a situação que exige esforço de adaptação, para buscar o equilíbrio do organismo.

Segundo Freud se a pessoa cala e se reprime, as mágoas e raivas podem virar doenças. Pode ser que você consiga gerenciar isso, mas, efetivamente quando esse segredo te assola, por exemplo, ocorre um estresse. Se essa situação se repetir por várias vezes seguidas, o indivíduo pode adoecer devido ao aumento do estresse.

Como perceber que um segredo me faz mal?

Uma das maneiras mais importantes de determinar se um segredo está interferindo no seu bem-estar é analisar o quanto ele te incomoda. Você se sente mal quando pensa no segredo? Você se preocupa regularmente com as consequências em sua vida se esse segredo fosse revelado? Você sente vergonha desse segredo?

Guardar segredos fortes pode nos trazer muita ansiedade. “A ansiedade é altamente correlacionada com a depressão. Ao perceber que algo está fazendo a pessoa sentir-se mal, é importante ligar o sinal de alerta”, orienta Borges.

“Se você se sente preso a um segredo, pensa nele todos os dias e ele começa a pesar, é porque não está certo, algo está errado”, analisa Marina. Se o teu segredo te deixa preocupado e você está formando até um pensamento obsessivo, numa coisa que vem todo dia, te atrapalha, te desconcentra, que pode te prejudicar nas relações com as pessoas, pode ser a hora de buscar ajuda.

Observar a intensidade e a frequência dessas sensações também é importante, assim como suas consequências: dores ou mal-estar, vergonha, medo ou depressão, acompanhado ainda de outros sintomas físicos.

Autoconhecimento é a chave

Borges acredita que as pessoas deveriam ser mais compreensivas, no sentido de que é natural que a vida não seja perfeita e isso não desqualifica ninguém. “Muita gente espera o impossível, e quando se espera isso, apenas um mentiroso é capaz de atendê-las. Não revelar a verdade é parte de algo importante para a vida em sociedade, para agradar ou não magoar as outras pessoas”, complementa.

Todos têm segredos e nem todos são ruins ou prejudiciais. Nem todos os segredos incomodam e, em alguns casos, manter certos segredos é necessário. Muitas vezes um segredo que você guarda e te incomoda, é menor do que parece. Conhecer a si mesmo pode trazer respostas para questões simples como, porque que eu estou sofrendo com isso?” ou “preciso realmente levar isso comigo?”.

Foque sempre na sua saúde e bem-estar e se você não conseguir resolver sozinho, não hesite em procurar ajuda com um profissional de saúde mental como um psicólogo. Não se importe com o tamanho do seu problema, sempre existe uma terapia que poderá ajudar.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Publicado em Universa UOL/Notícias,24.07.19
Por: Jacqueline Elise

Você só engorda”: controlar comida e peso do par é relacionamento abusivo

Dora Figueiredo revelou em vídeo que ex controlava tudo que ela comia - Reprodução/Instagram
Dora Figueiredo revelou em vídeo que ex controlava tudo que ela comia

A youtuber Dora Figueiredo divulgou um vídeo em seu canal, na semana passada, falando sobre ter vivido um relacionamento abusivo. Ela conta, em detalhes, como grande parte do abuso que sofreu acontecia quando ela ia comer.

O ex dizia coisas como “desde que eu te conheço, você só engordou”, controlava tudo que ela comia e dizia que ela era “nojenta” comendo: “Ele falou ‘eu não vou comer nunca mais perto de você, porque você não respeita a comida’. Isso porque eu tinha deixado garfo e faca em posições não paralelas”, relata em vídeo.

Dora chegou a dizer, em seu Instagram, que até perdeu o prazer de comer, e que tinha medo de se alimentar perto dele. A prática de controlar obsessivamente o que o parceiro ou parceira come, além de constranger ou ameaçar a pessoa por conta da comida, pode ser considerada violência psicológica, segundo especialistas.

“É loucura isso, uma forma de controle muito agressiva e humilhante, no qual o agressor detona a autoestima da pessoa. Não cabe, numa relação, esse tipo de comportamento”, diz Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar pela PUC-SP.

“Essa coisa da crítica ao peso ainda pega muito para as mulheres. Para os homens também, mas não tanto quanto para elas. Isso ainda acontece por conta da cobrança da sociedade para ser magra, o que ainda é considerado o ‘padrão’. Fica pior ainda se a mulher já tem um problema com a própria imagem. As humilhações vão afetando cada vez mais e ela vai se levando pela manipulação do parceiro”.

Cristiane Maluf Martin, psicanalista e terapeuta de casais, explica que nessas relações, o abusivo só se importa com os sentimentos dele porque ele mesmo tem a autoestima muito frágil. “Então, quanto mais ele diminuir o par, melhor ele se sente”.

O peso e a comida, nesse caso, foi a forma que o parceiro abusivo encontrou de diminuir Dora. Segundo a especialista, mulheres que passam por esse tipo de relação podem desenvolver dependência emocional, estresse pós-traumático e até mesmo transtornos alimentares.

“É preciso ter um grau de autoconhecimento e de autoaceitação muito grande para não se deixar levar por isso, porque realmente é um controle abusivo da vida da pessoa. A pessoa pode perder a própria identidade, se afastar de família e amigos”, diz Cristiane.

Para conseguir reconstruir a autoestima, as especialistas falam que acompanhamento psicológico e, em alguns casos mais graves, tratamento psiquiátrico são os mais indicados.

Caso pode ser enquadrado como violência psicológica

Controlar e humilhar a parceira por sua alimentação e seu peso podem se enquadrar na Lei Maria da Penha (11.340), no artigo 7, segundo Denise Rocha, advogada pela Universidade Federal Fluminense e membro associada do IBDFAM – Instituto Brasileiro de Direito de Família.

“A violência psicológica é entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. Isso pode acontecer sob ameaça, humilhação, manipulação e chantagem”, explica. Muitas vezes, o parceiro ameaça terminar o relacionamento se a outra pessoa não se enquadrar em seus padrões, como no caso de Dora.

Denise explica como alguém pode denunciar esses casos:

  • Procurar uma delegacia da mulher — ou, se não houver na cidade, uma delegacia tradicional também pode fazer o boletim — e buscar registrar a ocorrência dessas atitudes
  • Cada ato de violência psicológica é uma ocorrência diferente;
  • A vítima pode solicitar uma medida protetiva física até mesmo se dividir o teto com o parceiro;
  • Se tiver mensagens no celular, qualquer situação documentada, gravações, testemunhas que tenham visto esse comportamento acontecer, melhor. Tudo isso vale como sustentação da denúncia;

Maturidade muda sua vida em cinco aspectos positivos

Publicado em Ativo Saúde, 05.07.19

Com o passar dos anos temos a oportunidade de evoluir emocionalmente e espiritualmente, assim como em todos os papéis que escolhemos exercer. Vivemos inúmeras histórias e acumulamos conhecimentos, experiências e reações boas e más, além de uniões que por vezes são um sucesso, outras nem tanto. Alguns optam por viver sozinhos, e nem por isso são menos felizes: suas prioridades são outras, como ter liberdade de viajar e investir no profissional, e os fazem optar por não possuírem “amarras” e nem sentirem vontade de constituírem uma família.

O bom do passar dos anos é que adquirimos maior consciência de nosso valor, da necessidade de nos cuidarmos em todos os sentidos – físico, emocional, mental e espiritual – e da importância de nos conectarmos a pessoas que realmente valem a pena. Com a maturidade, sabemos o que queremos, assim como o que não queremos.

A seguir, entenda o que mais muda com a chegada da maturidade:

Aproveita-se mais a vida

A vontade de aproveitar a vida e tudo o que ela tem de melhor parece aumentar com a perspectiva de não termos tanto tempo pela frente como gostaríamos. Talvez, até por isso, o número de separações que acontecem nessa fase seja tão grande: os filhos saem de casa e os pais se veem na famosa “síndrome do ninho vazio”, na qual se dão conta de que, sem os filhos para cuidar, já não faz mais sentido aquela relação desgastada e, então, partem em busca de felicidade e realização pessoal.

Autoconhecimento

É um momento bem propício para a busca do autoconhecimento por meio da psicoterapia. Nesse processo, a pessoa entra em contato com o mais íntimo de si mesma, apropriando-se de suas emoções e entendendo sua dinâmica de funcionamento para se colocar de forma saudável em relações.

Valorização pessoal

É libertador conseguir escolher melhor os caminhos a seguir, não dar importância aos julgamentos alheios, colocar-se de forma mais leve nos relacionamentos, assim como aprender a se valorizar e se respeitar acima de tudo. Nossa própria companhia passa a ser agradável e não mais “assustadora”, como era para muitos.

Questionamentos

A maturidade nos autoriza a ir atrás do que nos faz feliz sem culpa e sem rodeios. Passamos a questionar o que antes aceitávamos como “certo” e determinado. E quantas perguntas… “Por que esperar para mudar algo? O que devo fazer para superar meus medos e encarar a situação? O que me faz feliz? O que “não” me faz feliz? O que posso deixar para trás e diminuir o peso que carrego nos ombros? O que quero incluir em minha vida que me traria prazer, satisfação e felicidade? O que me impede de ir em busca disso? Sinto-me feliz em minha relação amorosa? Meu trabalho me realiza?” E por aí afora…

Mais gratidão

A gratidão pelo que temos e somos agora parece fazer sentido e se faz mais presente e consciente. Valorizamos a qualidade de vida, assim como a convivência com pessoas que acrescentam coisas boas.

Maturidade não é igual para todos

Enfim, a maturidade deveria ser assim para todos, porém nem sempre acontece dessa maneira, pelos mais diversos motivos.

Estamos nessa vida para evoluir e a cada dia temos a oportunidade de mudar o rumo da nossa história, caso queiramos isso. Então, se sua história não está lhe fazendo feliz, cabe a você, e apenas a você, a decisão de mudar o rumo e reescrevê-la. Não fique aí parado… Faça!

O casal de amigos se separou? Como agir?

Publicado em Universa UOL/Relacionamentos, 17.07.19
Por: Silvia Regina

Getty ImagesÉ possível continuar com a amizade depois que um casal se separa

Vocês andavam juntos, se divertiam demais, pertenciam ao mesmo grupo no WhatsApp e se seguiam nas redes sociais. É comum vários casais se aproximarem e se tornarem amigos. Mas tudo parece virar do avesso quando uma das duplas resolve se separar. “A sensação é de luto, pois envolve vínculo e afeto. E fica pior quando o amigo vira uma espécie de bem na divisão do que pertencia a um e a outro”, explica a psicanalista Cristiane Maluf Martin, especialista em terapia de casais.

Mas, nessa disputa e em meio a tantas emoções, o que fazer? Manter a amizade com os dois separadamente ou se afastar? Os especialistas apostam na continuação da amizade, mas, para isso, tem que existir muito respeito e maturidade. No início, claro que a situação tende a ser complexa. Mas ela pode ir melhorando com o tempo.

Para não cair em armadilhas, veja o que você pode fazer e comportamentos que não deve ter:

– Discutir a relação via WhatsApp
Tanto o homem quanto a mulher estão no mesmo grupo de troca de mensagens e começam a usar o espaço para discutir a relação, esperando que os demais integrantes opinem. Pura cilada. “O ideal é que o casal, ou um dos dois, saia do grupo. Mas se isso não acontecer e se sentir que está sendo exposto a uma situação que o incomode, melhor o amigo sair”, orienta a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

– Postar fotos nas redes sociais
Antes de postar uma foto com o novo solteiro ou solteira na balada ou em qualquer outra situação, pergunte-se: “Eu preciso mesmo postar isso?”. “Não é esconder, é apenas manter a discrição. Lembre-se de que uma foto pode magoar uma das partes”, diz Cristiane Maluf Martin. Portanto, é importante saber equilibrar a situação para não machucar ninguém.

– Escolher um lado Ficar do lado dele ou do lado dela?
O que fazer? Você não precisa decidir de que lado ficar. Se é amigo dos dois, pode continuar mantendo ambas as relações.

– Ouvir a história de cada um
Sim, você pode e deve ouvir o que ambos têm a dizer, afinal esse é o papel de um amigo. Mas guarde as conclusões para você mesmo. “O amigo não deve julgar quem está certo ou errado”, conta a psicóloga Marina Vasconcellos. E nunca, jamais, vá contar ao outro o que ouviu.

– Convidar ambos para sair
Se o hábito existia antes, por que parar agora? O convite para encontros pode continuar existindo, mas a cautela precisa ser maior. Procure não convidar os dois para a mesma balada ou o mesmo restaurante. Se for sua festa de aniversário ou um jantar na sua casa e pretende convidar os dois, deixe claro para ambos essa sua vontade. Aí, cada um decide se quer ir ou não, de acordo com o que achar melhor.

– Tentar reaproximar o casal
Não tente dar uma de cupido.”Se tentar reaproximar o casal estará se metendo em algo que não lhe diz respeito. Como amigo, você deve dar uma palavra de força, ter bom senso, ouvir, questionar, permitir que o outro desabafe, mas apenas com o objetivo de melhorar o clima que se formou”, explica Marina Vasconcellos.

– Chamar para uma conversa sincera
Se achar que uma das partes está ficando chateada com a sua amizade pelo outro lado, vale a pena ter uma conversa sincera. Chame o amigo, exponha seu ponto de vista e mostre que quer se manter próximo dos dois. Deixar cacos na relação pode afastá-los e, com o tempo e a falta de vínculos, a amizade tende a acabar.

– Evitar a nova namorada ou o novo namorado
O amigo que se separou não vai ficar sozinho para sempre. Então, é normal que, em algum momento, ele apareça com um novo amor. Receba a pessoa e a acolha. Quem sabe pode começar ali uma nova amizade? “As comparações serão inevitáveis, mas guarde-as para você”, alerta Marina Vasconcellos.

Como em A Dona do Pedaço, mãe foi traída pela filha: “Mandou vídeo íntimo”

Publicado em Universa UOL/Mães e Filhos, 11.07.19
Por: Luiza Souto

Josiane (Agatha Moreira) em A Dona do Pedaço
As maldades de Josiane (Agatha Moreira) contra a própria mãe na trama global”A Dona do Pedaço” parecem coisa de novela. Além de roubar Maria da Paz (Juliana Paes), a vilã armou um casamento entre a mãe e seu próprio amante, Régis (Reynaldo Gianecchini), para arrancar ainda mais dinheiro.

A história já havia acontecido em outra trama de Walcyr Carrasco, “Verdades Secretas”. Na novela das 23h, que passou em 2015, a personagem traída, Carolina (Drica Moraes), se mata ao se dar conta da traição. Dessa vez, a boleira vai pegar filha e marido juntos também. Resta saber qual destino o autor escolherá para a protagonista.

A traição que a paraense Cris*, de 38 anos, sofreu comprova a proximidade entre arte e vida real. Ela pegou o marido trocando mensagens íntimas com a sua primogênita, de 23 anos, filha de um relacionamento anterior. E hoje, as duas não se falam mais. “Não quero saber”, ela afirma para Universa. Ela e o marido estão juntos há 20 anos.

Na vida real, Cris escolheu bloquear a filha de sua vida. Aqui, ela revela sua história, sob a condição de anonimato. A psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em família pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) dá algumas alternativas para suportar uma situação tão complicada, e como identificar traços de psicopatia, uma provável causa das maldades de Jô.

“Achava que eu tinha que fazer todas as vontades”

Cris tinha 15 anos quando engravidou. A família a expulsou de casa, no Pará, e ela foi morar com o pai da criança no Amapá. Dois anos depois, se separou após sofrer violência doméstica e traições. Como era menor de idade ainda, o combinado foi deixar a criança com o pai dela até se reerguer. “Voltei para o Pará, mas sempre tive o objetivo de buscar minha filha. Trabalhava e mandava roupas, material escolar, calçados. O pai dela dificultava nosso contato. Tudo era vigiado”.

Rede Globo/Divulgação
Josiane (Aghata Moreira) arranjou casamento para roubar a mãe em “A Dona do Pedaço”.

A partir dos seus 18 anos, a filha passou a vê-la com mais frequência, já que ela comprava passagens.

“Senti, com o tempo, que ela achava que eu tinha que fazer todas as suas vontades, como se o dinheiro suprisse o tempo em que ficamos afastadas.”

Um dia, determinou que só ajudaria a filha financeiramente se ela fosse morar com a mãe, onde estudaria e trabalharia. Ela aceitou e foi, grávida, viver com Cris, mas a deixou um mês depois. Disse que ficaria com o pai do bebê. “Pediu dinheiro e entrou num táxi. Fiquei chateada e não nos falamos por uns dois meses. Neste tempo, recebia mensagens carinhosas dela, dizendo que me amava, mas eu sabia que ela só queria dinheiro. Não dei mais.”

Um dia, seu marido perguntou se ela e a filha não voltariam a se falar. “Eu pedi para ele não se meter. Logo depois, numa noite, fui lentamente em direção à rede onde ele ficava deitado mexendo no celular: peguei o meu marido vendo um vídeo íntimo da minha filha. Ela quem mandou. Meu coração quase saiu pela boca. Pensei milhões de coisas. Eu tremia de ódio dos dois”.

Cris passou a noite chorando. No dia seguinte, descobriu a senha do celular e encontrou fotos e vídeos da própria filha nua e várias conversas. “Vi que ela começou a pedir dinheiro para ele, já que eu não dava. E que ele mandava R$ 100, R$ 150 a cada 10, 15 dias, em troca de imagens. ‘O que ganho em troca?’, escreveu ele após ela pedir dinheiro numa das mensagens”

Ela então ligou para a filha e disse que já sabia de tudo. A garota afirmou que só estava testando para saber se o padrasto realmente a amava. “Disse depois que me queria separada, para então voltar com o pai dela.”

“Decidi abolir minha filha da vida. Não tenho ódio, mas ela nunca gostou de mim, então é como se ela não existisse.”

“Não sinto nada. Entendi que o tempo que ficamos afastadas pelas circunstâncias da vida não criou nela um vínculo afetivo. E sim, de interesse. Então, se ela não me faria bem algum, eu não ia me desgastar com isso. Ela tentou pedir perdão através de outras pessoas, mas eu disse que não queria nem ouvir falar.”

Amor de mãe e filha não é incondicional

Ao ouvir um resumo da história de Cris, a psicóloga Marina Vasconcellos destaca: o amor materno é uma construção, não vem quando a mulher se descobre grávida. E se não há um vínculo entre mãe e filha, fica difícil mesmo nutrir um sentimento, ela ensina. Em resumo: não é porque é do sangue, saiu do ventre que necessariamente haverá carinho e respeito. Quando mãe e filha aprendem isso, dita Marina, sai aquele sentimento de culpa por não conseguir fazer a pessoa te amar.

Cris contou ao marido o que havia descoberto e procurou uma quitinete para alugar. “Ele chorou, pediu perdão. Mas no dia que eu ia embora, minha sogra morreu, e acabei não me mudando. Hoje, sigo com ele e nosso filho, mas faço o que eu quero: vou a festas, tenho mais liberdade. Ele não me cobra nada e evita o assunto a qualquer custo. A desconfiança é eterna. Não dá para confiar nunca mais.”

E o que fazer diante de tamanha traição, como a da filha de Cris? Ou pior: como a de Jô, que irá, inclusive, colocar fogo na fábrica de bolos da mãe? Dependendo da situação, a solução é manter distância emocional mesmo, por mais difícil que seja. “Mas estou falando no geral. Esses casos precisam ser analisados por um profissional. É preciso entender por que houve o distanciamento, o que aconteceu nesse tempo todo”, Marina frisa.

A psicopatia

A psicopatia é um transtorno de personalidade em que a pessoa não é capaz de desenvolver empatia por ninguém — nem mesmo pela própria mãe. No geral, são pessoas inteligentes e sedutoras, com o objetivo único de dinheiro e poder. Não há cura. Uma pesquisa da Price Waterhouse Coopers com companhias americanas mostrou, em 2008, que havia 69 milhões de psicopatas no mundo, o que daria 1% da população em geral.

“Pelo que você está descrevendo desta Jô, ela parece uma ‘psicopatinha'”, analisa a profissional, para depois explicar o quadro.

“Eles são capazes de destruir uma vida inteira, passam a perna nos pais. Quem tem um filho ou mãe assim, tem que estar sempre de olho e se proteger, porque a pessoa não sente nada, nem está a fim de conviver. Vejo muito filho de mãe e pai psicopatas, por exemplo, que procura o amor deles e não tem, mas quando entende esse transtorno, essa pessoa se liberta de uma tentativa de algo que nunca vai conseguir. E é preciso fazer um acompanhamento profissional para lidar com essa frustração”.

Sexo casual: 7 motivos que indicam que é melhor deixar para outro dia

Publicado em Universa UOL/Sexo, 01.07.19
Por: Heloísa Noronha

Getty Images/iStockphoto

Quando o tesão bate e os dois estão muito a fim de transar, para que esperar? A graça do sexo casual é justamente a falta de compromisso e a sensação de aventura. Mas para que a experiência seja 100% prazerosa é importante tomar algumas precauções — caso contrário, o melhor é repensar a possibilidade e adiar a experiência para outro dia. Na hora de decidir, considere as circunstâncias a seguir:

1. Nenhum dos dois tem camisinha
Eis aí o sinal mais importante de todos para desistir do sexo casual, ainda que o tesão seja imenso! Como vocês provavelmente se relacionam com outras pessoas – e não sabem em circunstâncias essas transas acontecem – segurar a onda e evitar contrair uma IST (Infecção Sexualmente Transmissível) é a decisão mais sensata a tomar. As estatísticas provam que transar sem proteção é um risco em ascensão: segundo dados de 2018 da Secretaria Estadual de Saúde, as ocorrências de sífilis por transmissão sexual cresceram 603% em seis anos.

2. O parceiro parece abusivo ou agressivo
Siga a sua intuição. Se, no bar ou na balada, o sujeito se mostrar meio bruto no jeito de beijar, de tocá-la ou até de conduzir a conversa, presta atenção no sinal vermelho. “E fuja correndo. O ideal é fazer sexo casual só em ambientes seguros e com pessoas minimamente gentis e confiáveis. A sua vida vale muito para se arriscar quando os indícios mostram perigo”, fala Lígia Baruch de Figueiredo, doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e coautora do livro “Tinderellas – O Amor na Era Digital” (Ema Livros). “Melhor não arriscar logo de cara a intimidade, pois entre quatro paredes você estará à mercê do que ele fizer, desprotegida e possivelmente se colocando em risco”, completa a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

3. Os dois são amigos, mas só você tem expectativas amorosas
Para Ellen Moraes Senra, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, do Rio de Janeiro (RJ), trata-se de outra furada anunciada. “Misturar amizade e sexo pode até não ser uma ideia tão ruim, desde que ambos saibam que se trata apenas disso. Porém, se há sentimentos amorosos envolvidos por uma das partes não tem nem porque arriscar, pois além de se magoar você pode acabar com a amizade que tinha”, avisa. Portanto, avalie se está preparada para encarar a situação como apenas um momento de diversão entre amigos, sem expectativas ou compromissos.

4. Ele propôs uma fantasia que você não quer fazer
A realização de fantasias muitas vezes acontece apenas quando já existe uma intimidade e ambos sentem-se à vontade para dizer ou fazer o que alimentam no plano da imaginação. “Caso ainda não confie suficientemente na pessoa e se sinta incomodada com a proposta, respeite seu tempo e sua intuição e coloque seu limite. O sexo deve ser prazeroso e ambos estarem de acordo com o que rola na cama, o que provoca ainda mais prazer. Não vale a pena ‘violentar-se’ para satisfazer o desejo de alguém que você mal conhece”, pondera Marina.

5. Você quer fazer sexo casual como vingança
Querer dar o troco na mesma moeda, saindo com o primeiro que aparecer para se vingar de uma traição do parceiro, por exemplo, é uma ideia que só costuma funcionar na teoria. “Na prática, partir para o sexo casual como forma de desforra vai provocar uma sensação de moral que apenas vai piorar uma autoestima já abalada. Isso acontece porque não uma conexão real com o parceiro eventual, como atração física ou emocional”, fala Lígia. A única exceção é no caso de haver uma atração prévia que ficava enrustida, aí a vingança até pode gerar prazer.

6. Você bebeu demais
“Então, sem dúvida, seu julgamento está prejudicado. E, dependendo da quantidade de álcool ingerida, seu bom senso e sua visão também não estão lá grande coisas, o que nos faz pensar se iria dar conta de lidar com o que encontrasse no dia seguinte”, diz Ellen. De acordo com Denise Figueiredo, psicóloga e sócia-diretora do Instituto do Casal, em São Paulo (SP), quando falamos de sexualidade é primordial falarmos de desejos e vontades. “Para que a relação casual seja um momento legal, é necessário estar certa do que está fazendo. Por isso, caso esteja alcoolizada e ainda em dúvidas, vale a pena rever essa vontade. Beber demais, além de baixar a censura, pode fazer com que a resposta sexual não aconteça da maneira natural como deveria acontecer”, diz. E, vale pontuar, pode colocá-la em situações não consensuais e de risco.

7. O local escolhido não é seguro
A psicóloga Marina lembra que é importante tomar cuidado ao arriscarem-se em lugares públicos onde possam ser surpreendidos a qualquer momento por alguém, passando por constrangimentos. É fundamental ter um mínimo de cuidado em preservar a privacidade e a segurança de ambos, evitando situações perigosas ou desagradáveis. Se não se sente à vontade, deixe para depois.

Mãe e filha perdem cerca de 90 kg com dança dos anos 80

Publicado em Minha Vida/Terra, 27.06.19

Com 40 e 18 anos, elas decidiram perder peso juntas – veja antes e depois

Há pessoas que torcem o nariz ao pensar ese exercitar para ter uma vida saudável. Mas há alternativas que vão além da musculação e que trazem resultados muito positivos. Foi o caso de Jaime Alisson e sua filha Callista, que juntas eliminaram cerca de 90 quilos ao aderirem a uma forma divertida de se movimentar.

Mãe e filha emagrecem juntas - Foto: Reprodução/Instagram
Mãe e filha emagrecem juntas – Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Foto: Reprodução/Instagram / Minha Vida

Mãe e filha, de 40 e 18 anos respectivamente, começaram a praticar juntas uma dança chamada de Jazzercise. O estilo surgiu nos anos 80 e combina coreografias de jazz com movimentos de pilates, kickboxing e yoga. A ideia delas surgiu em 2016, quando o ano virou e optaram por ter uma melhor qualidade de vida.

O valor mencionado por Jaime, de 195 libras, é equivalente a 88,5 quilos.

Benefícios da dança

A dança é uma atividade física completa, que trabalha diversos sistemas do corpo, queima calorias e ainda é divertida – apresentando ritmos e estilos para todos os gostos. Dentre seus principais benefícios ao corpo estão:

  • Queima calorias
  • Estimula a circulação sanguínea
  • Fortalece os músculos
  • Melhora a respiração
  • Melhora a coordenação, o equilíbrio e a percepção de espaço
  • Promove a socialização
  • Liberação de substâncias que promovem bem-estar (como endorfina)
  • Melhora a autoestima

A psicóloga Marina Vasconcellos, que também pratica dança, diz que o exercício libera tensões e estresse. E em apenas uma hora de atividade, a dança elimina uma boa quantidade de calorias – auxiliando a queimar as gordurinhas indesejadas. Veja alguns dados, segundo a professora de dança de salão Lidiani Emmerich:

A história de sua filha

Callista conta que seu peso era de 93 kg no início do Ensino Médio, com somente 16 anos. Isso fez com que tivesse problemas relacionados à autoestima, pois se sentia sozinha e desamparada. Então, junto à mãe, começou a frequentar a academia de dança e ter uma alimentação mais saudável. Ela conta, em suas mídias sociais, que em dois anos perdeu cerca de 40 kg e tem trabalhado em seu amor próprio.

Até o pai “entrou na dança”

A dança também influenciou em mudanças alimentares não só de ambas mulheres, mas também do pai da família – que acabou emagrecendo. Em uma das publicações em seu Instagram, Jaime comenta que ela e o marido planejam e cozinham as refeições juntos.

Motivação para alcançar resultados

Jaime conta que o que a motiva diariamente é viver de forma feliz e equilibrada. Sua jornada teve início com o objetivo de perder peso, mas hoje é mais do que isso: sua trajetória com a dança e o autocuidado fez com que se tornasse saudável, forte e se amasse.
“Todos os dias é uma nova oportunidade para compartilhar minha experiência, força e esperança para aqueles que lutam contra o peso, autoconfiança e transtornos alimentares. Você não está sozinho”, afirma.

Tabu entre casais, ir ao banheiro na presença do parceiro gera constrangimento e até separações

Publicado no Blog Joana D’arc, 11.06.19

Histórias engraçadas envolvendo até a família do amado(a), estratégias mirabolantes de disfarçar o odor, separações inesperadas e até prisão de ventre funcional fazem parte do dia-a-dia de um dos maiores tabus entre os casais. Como é compartilhar aquele momento popularmente conhecido como número e que nada tem a ver com o vinho, o perfume importado, a pele aveludada pelo creme hidratante de fragrância suave? Como lidar com o desconforto de um cheiro desagradável, como o do nº2, em início de relacionamento quando se está em uma viagem romântica num belo chalé com lareira?

“É preciso ter em mente que todos nós temos necessidades fisiológicas, e isso não deve ser motivo de vergonha. Por ser um assunto bastante íntimo, muitos casais em início de relacionamento não conseguem lidar bem com a questão, mas isso tende a melhorar com a idade (maturidade) e o convívio. Uma certa privacidade é bom ser mantida, mesmo com o passar dos anos. Fazer o “número 2” na presença do parceiro, ambos no banheiro, diria que é exposição demais e desnecessária, já que esse é um momento onde precisamos nos sentir livres, sem tensões e preocupação com o que o outro pode pensar ou sentir. Mas lidar com o odor deixado depois deve ser considerado como algo normal, já que todos passamos por isso. Comentários a esse respeito para o parceiro devem ser evitados, pois certamente ele já estará incomodado com o fato, e isso apenas o deixaria mais sem graça”, orienta Marina Vasconcellos, psicóloga com 30 anos de formação e especialização em terapia de casais pela UNIFESP.

Em um vídeo no You Tube com mais de 3 milhões de visualizações, a influencer Maria Julia Venture compartilhou com seus seguidores o pesadelo que viveu durante o jantar de apresentação à família de um ex-namorado. No dia anterior ela comeu mais do que o habitual e o efeito aconteceu durante o jantar na casa do amado. “Sentindo fortes cólicas, pedi para ir ao banheiro. Não queria fazer ali, mas não teve jeito, foi aquele alívio. Quando apertei a descarga, vi que a privada estava entupida. Foi aí que me desesperei. Depois de algumas tentativas mal sucedidas, resolvi pedir ajuda para o meu irmão, que estava em casa, pedindo para ele me buscar”. O que Maria Venture não esperava é que mandaria mensagem para a pessoa errada. “Mandei a mensagem para o meu namorado. Quando ele bateu na porta, resolvi aceitar a ajuda dele, acreditando em nossa cumplicidade de casal. Ao ver o chão todo molhado, ele caiu na gargalhada e deu um berro: ‘mãe, vem aqui ver o que aconteceu’. A mãe dele me acalmou, resolveu a situação, mas foi horrível no jantar todo mundo sabendo o que tinha acontecido lá em cima”, relembra. O namoro não foi para frente, mas ela afirma que o história não teve nenhuma influência no término.

“Uma situação delicada e constrangedora é um ótimo momento para testar a maneira como o outro reage a isso, colocando-se no lugar do parceiro e fazendo com que o sentimento de vergonha seja amenizado. A exposição da namorada numa situação onde o esperado seria exatamente o contrário, ou seja, a discrição e a parceria na resolução do problema, foi inadequada e desnecessária, piorando a situação para ela ao invés de acolher e minimizar o estrago, demonstrando falta de sensibilidade para com o sentimento dela”, explica a especialista.
Há dois anos atrás, Marina Macedo foi viajar com uma turma de amigos no Carnaval e dentre eles estava seu atual namorado Gabriel, que na época era apenas um paquera. De madrugada ela sentiu dor de barriga e agradeceu por estarem todos dormindo. “Pensei que ninguém ia ver nada, muito menos sentir. Fui no banheiro, terminei e quando abro a porta dou de cara com quem? Gabriel. É por amor mesmo que ele tá comigo, porque se dependesse do cheiro que ele sentiu. Ele fez como se não tivesse sentindo nada e ainda me falou que estava me procurando para me dar uns beijos…hahaha”.

“Uma reação desta mostra a maturidade do namorado e sua capacidade de acolhimento e empatia. Nada como se colocar no lugar do outro e agir para que ele se sinta compreendido e respeitado. Todos nós temos necessidades fisiológicas, não é preciso ter vergonha disso. Porém, embora o convívio nos possibilite maior intimidade, é sempre bom que consigamos manter certa privacidade para essas horas íntimas, e não há nada de errado nisso. Pedir que ele não entre no banheiro logo após o seu uso, por exemplo, pode ser libertador para que você consiga fazer suas necessidades à vontade. Ou carregue um bloqueador de odores na bolsa, ‘just in case'”, comenta a psicóloga.

Karina Ferreira, do Rio de Janeiro, confessa que muitas vezes não sabe lidar com esta parte da intimidade no seu namoro. “Meu namorado, coitado, mal esperou completar um ano para mostrar a arte que ele domina e dá aulas. Confesso que às vezes me incomodo e bato a porta, não querendo olhar pra ele por horas! A ‘liberdade’ traz o ranço, sabe? Isso porque é dentro da nossa casa, só nós dois. Imagina se fosse com um grupo de amigos? Eu iria morrer de vergonha”.
“Logo no início do relacionamento já temos indícios de como aquela pessoa lida com determinadas situações, como são suas reações perante as coisas, enfim, os encontros são para isso mesmo. Faz parte do processo da escolha de um parceiro colocar na balança o que nos agrada, e o que não queremos”, finaliza a terapeuta.

Uma inovação corajosa

Histórias como essas se acumulam e acontecem diariamente. O mais comum são tentativas mirabolantes de disfarçar o ato. “Foram estas tentativas que deram início ao nosso negócio. Em uma conversa com amigos a gente começou a discutir sobre como tinham soluções que pioravam as coisas, que a questão mesmo não era disfarçar pra dizer que não se faz algo que todo mundo faz, mas objetivamente eliminar a parte desagradável do que todo mundo faz, que é o odor. Foi aí que surgiu a ideia de desenvolvermos o primeiro bloqueador de odores sanitários do Brasil”, explica Rafael Nasser, um dos sócios do FreeCô, produto que inaugurou uma nova categoria no mercado de higiene nacional. “A gente acreditou que o benefício do produto era maior do que os obstáculos para apresentá-lo as pessoas e aos comerciantes. No início teve gente que desconfiou se daria certo, apostando que as pessoas teriam vergonha e isso seria uma barreira para conquistar clientes”.

Três anos após o início de suas atividades, o produto é comercializado em mais de 15 mil pontos de venda em todo o país. Entre 2016 e 2017 o negócio cresceu 150%. Em 2018 foram mais de 1,5 milhões de unidades vendidas. Para 2019 a expectativa é de um crescimento de 30% e 2 milhões de unidades vendidas. Graças a demanda do consumidor hoje existe uma linha completa da marca com diversos tipos de produtos e fragrâncias que podem ser encontradas no varejo, e-commerce e em versão para empresas e estabelecimentos, que funciona como um serviço mensal.

“O bem-estar que o produto que criamos traz às pessoas é um grande incentivo para continuarmos expandindo nossa rede. Somos uma empresa muito ativa nas redes sociais e temos uma proximidade grande com nossos consumidores. Recebemos muitos comentários diariamente de pessoas que descobrem o produto e nos contam como isso melhora a vida delas. Gente que faz cirurgia bariátrica, gente que trabalha em escritório cheio com poucos banheiro, casais que se marcam por brincadeira, mas que não deixam mais de usar o produto, são tantas histórias”, completa Renato Radomysler, outro sócio da marca.

Como brincar não faz mal para ninguém, a seguir 10 personagens que você pode assumir para fazer o n°2 perto do amado(a) com o intuito de reduzir os danos

1- Super Homem/ Mulher Maravilha – arrume seu cabelo, jogue-o de um lado para o outro, tire um FreeCô pocket do bolso, borrife 5 vezes e saia com o peito estufado.capture-20190611-085717

2- Contorcionista– faça o n°2 ao mesmo tempo em que aperta a descarga. Essa técnica exige flexibilidade, coordenação, equilíbrio e cuidado, muito cuidado. Dizem que controla os odores.
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3- Alquimista– acenda um fósforo, molhe o dedo, apague a chama e deixe a fumaça branca fluir pelo ambiente. Existe uma explicação química e fisiológica para o sucesso desta técnica.
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4- Noiva– essa técnica é tradicional e existem versões. A noiva antes que protege sons. A noiva depois que ajuda a compor uma massa deslizante.
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5- Alérgico(a)– durante a ação no momento mais crítico, espirre, se necessário, espirre novamente. Busque qualquer perfume no ambiente e borrife. Esfregue bem os olhos e o nariz. Saia do banheiro com os dois avermelhados, necessitando de cuidados e afastando a amada do banheiro.
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6- Gasparzinho– fuja, desapareça, corra, role pelo chão, pule a janela, resolva o problema e volte como se nada tivesse acontecido. Quem? Eu? Onde?
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7- Assumido(a)– teste a resistência da privada, vá até o final, quebre tudo, chame o amado(a) para aquela longa conversa e compartilhe este momento, pergunte sobre o momento dele.
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8- Falecido(a)– não saia do banheiro enquanto o odor estiver ali, nem que demore uma semana, fique firme na sua missão. Não esqueça o celular para digitar mensagens e navegar enquanto aguarda. Não emita sons. Mortos não falam.
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9- Perfumista– faça tudo como manda o figurino, pegue o desodorizador de ambientes e dê aquela mesclada de fragrâncias que alivia a consciência e pioria ainda mais a situação.
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10- Fugitivo(a)– comece os trabalhos pensando em sua rota de fuga. Reflita bem se não é possível realizar a limpeza de suas partes sem encostar em nada, assim você pode sair correndo, antes que você mesmo possa sentir o cheiro da coisa.
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O meme “Fé nas malucas” fez a internet discutir ciúme excessivo na relação…

Publicado em Universa UOL/Relacionamentos, 03.06.19
Por: Jacqueline Elise

Getty Images/iStockphotoO que começou como uma brincadeira na internet se tornou “justificativa” para ciúme e insegurança

Uma expressão tomou o Twitter novamente nas últimas semanas: “Fé nas malucas”. Desde 2018 saíram músicas com a frase, com homens cantando sobre suas namoradas que eles chamam de “surtadas” e “ciumentas” por elas desconfiarem da fidelidade deles –e que eles as amam desta forma.

Dizer que a companheira é “surtada” pode passar um estereótipo machista sobre as mulheres, mas teve gente que abraçou o meme e “assumiu” a pecha de louca.

O problema é que a coisa passou dos limites e expôs situações que podem ser reconhecidas até como ciúme excessivo: quando um implica que o outro colocou senha no celular, que ele não deixou ler suas mensagens de texto ou quando passa a controlar com quem a pessoa sai e quem curte as postagens dela nas redes sociais, por exemplo.

Apesar de ter começado como uma brincadeira, algumas pessoas acharam que o “fé nas malucas” deu margem para que o ciúme e a insegurança fossem romantizados nas relações, especialmente naquelas entre homens e mulheres –por isso o “malucas” está no feminino. Além disso, trata o sentimento como se fosse exclusivamente feminino –o que, claro, não é verdade.

Ao mesmo tempo, tem quem acredite que os homens deram motivos para que as mulheres ficassem tão inseguras nos relacionamentos ao traí-las e descreditarem qualquer suspeita da parceira.

Mas, afinal, o “fé nas malucas” tem razão para existir ou o pessoal está passando dos limites e tentando justificar o injustificável?

Insegurança gera ciúme, mas é coisa de mulher?

Ciúme é um sentimento comum do ser humano e que não escolhe gênero, mas mulheres são constantemente vistas como naturalmente ciumentas e tidas como “malucas” por se sentirem assim. Ellen Moraes Senra, psicóloga e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, explica que as redes sociais viraram ferramentas para alimentar o ciúme alheio, mas que estereótipos de gênero também influenciam nas relações e faz com que algumas mulheres se sintam inseguras em um relacionamento com um homem.

“Ainda existe uma grande defesa da sociedade machista de que ‘homem trai mesmo, faz parte’, isso influencia na sensação de insegurança. Com as redes sociais as coisas ficam mais escancaradas, uma delas é a traição. Então o que antes era feito por baixo dos panos fica exposto para todos saberem, e não é uma exposição só para ele, é para ela também”, explica.

Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramista e terapeuta familiar pela PUC-SP, também afirma que existem pessoas manipuladoras, que tentam convencer o outro de que ele não fez nada e que é tudo invenção –o famoso gaslighting–, quando na verdade está tentando esconder algo. “Você pode ter razão de duvidar de alguém, mas aí a pessoa vai inverter a situação e fazer a outra se sentir culpada por pensar assim, fazendo-a parecer louca e culpada”, diz.

Quando o ciúme se torna doentio?

Apesar desses fatores, o ciúme não pode se tornar obsessão nem ser justificado como “prova de amor”. Marina afirma que, se não houver limites, o ciúme pode se tornar preocupante.
“O ciúme passa a ser considerado patológico quando você não tem motivo específico para tê-lo. Tem a ver com o fato de a pessoa não confiar nela mesma, quando ela controla o outro, seja olhando as redes sociais do parceiro o tempo todo e perseguindo quem curtiu o que o outro postou, quer ver o WhatsApp e ler as conversas pessoais dele”.

Ela explica que a origem deste comportamento pode estar atrelada a eventos marcantes no passado, como exemplos pouco saudáveis de relacionamentos na família ou uma traição passada que resultou em trauma.

Como se livrar desse comportamento?

As especialistas aconselham que o assunto seja tratado em terapia, tanto para saber de onde vem tanta insegurança quanto para encontrar formas de aliviar o ciúme. Marina recomenda que a pessoa ciumenta escute mais o parceiro e amigos, para receber um “feedback” de como as atitudes dela afetam suas relações.

Ellen também afirma que é preciso trabalhar a autoestima e a autossuficiência. “A gente precisa entender que não comanda o outro. Não adianta querer fuçar o telefone, ligar de cinco em cinco minutos para saber onde o outro está. Não dá para achar que a pessoa está fazendo um favor para ficar com você, porque isso leva a comportamentos obsessivos, faz com que você deixe de viver sua própria vida”.

É preciso, também, perceber os sinais de um relacionamento tóxico. Se a pessoa não te fazer bem e ainda faz você pensar que é “maluca”, cuidado: há grandes indícios de que há abusos nessa relação.

Masculinidade tóxica: ações que aprisionam o homem

Publicado em Ativo Saúde, 17.05.19

Acabei de ouvir uma palestra do “TedxRuaPortugal”, com Guilherme Valadares. O título: “Quebrando o silêncio: como os homens se transformam”. Fica aqui a dica para que a assistam inteira.

Ele aborda a questão dos homens que, até hoje, crescem ouvindo coisas absurdas e machistas que os colocam num mundo restrito, ao qual ele dá o nome de “A caixa do homem”. Dentro dela, estão características que todo homem “deve” desenvolver e corresponder, como ser corajoso, não demonstrar emoções, saber se defender, ser sexualmente impositivo, não cometer erros, ser provedor, não chorar e por aí vai.

Fora da caixa fica tudo o que não é esperado de um homem, como ser fraco, chorar, ser gay, covarde, maricas, bebezão, esquisito, sensível demais etc. “Muitos dos comportamentos não esperados são associados a características do feminino. Então, no centro da construção da identidade masculina usual, a gente tem o medo do feminino”, diz Valadares.

Homem sem liberdade
Isso leva a comportamentos que aprisionam o homem, por exemplo: obsessividade com poder e sucesso, intensificando a competição; fechamento emocional (dificuldade que muitos homens têm em expressar emoções, ou mesmo entrar em contato com elas); emocionalidade restrita entre os próprios homens (quem já não presenciou amigos que estão se abraçando e outros tiram sarro, insinuando que formam um casal?); e conflitos entre relações de trabalho e família. A tudo isso dá-se o nome de “masculinidade tóxica”.

Como terapeuta, tenho o privilégio de ouvir homens falando sobre sua mais profunda intimidade e assumindo fragilidades, em busca de desenvolvimento e crescimento como ser humano melhor, em todos os papéis que exerce. São homens sensíveis e com grande capacidade de empatia, já que chegam ao consultório com o propósito de entender melhor suas relações com os outros e consigo mesmo.

Preconceito ainda existe
O problema é que a maioria deles não tem coragem de buscar terapia por se encontrar “dentro da caixa”, ou seja, assumir que precisa de ajuda para resolver questões emocionais é encarado como fraqueza, incompetência, frescura, alguém que deve ter “problemas sérios e tomar remédios”…

O preconceito com a psicoterapia ainda é grande, infelizmente, embora já menor que anos atrás. As mulheres em geral não temem ser julgadas pelos amigos e familiares por se tratarem, já que elas têm mais facilidade e o “consentimento” da sociedade para expressar seus sentimentos com tranquilidade.

Mas o homem “não pode chorar” e nem ser “sensível demais”, pois corre o risco de atrair olhares julgadores de outros homens que o condenam injustamente. Então, fecham-se em suas “cavernas” pessoais e perdem essa chance incrível de desenvolvimento emocional tão importante para todo o ser humano. Isso quando não desenvolvem doenças emocionais graves, como a depressão, por exemplo, que muitas vezes passa despercebida e não é tratada por vergonha.

São os iguais que o julgam e não as mulheres que, pelo contrário, admiram os que fazem psicoterapia, pois demonstram serem capazes de assumir suas responsabilidades e terem sensibilidade e maturidade para se questionar a respeito.

Então, se você é desses homens que ainda acreditam na mentalidade machista e ultrapassada de que devem ficar “dentro da caixa”, está na hora de repensar seus conceitos e abrir-se para o maravilhoso mundo do autoconhecimento.

Tenha certeza de que o horizonte se ampliará numa espiral sem volta e você poderá se surpreender com o que descobrirá!

Como contar para meu filho que o pai não quer conhecê-lo?

Publicado em Universa UOL/Mães e Filhos, 23.04.19
Por: Jacqueline Elise

Getty Images/iStockphotoMuitas vezes mães solo não sabem como responder aos questionamentos das crianças

Quando a filha da técnica em enfermagem Ive Souza, 38, tinha sete anos de idade, ela perguntou à mãe onde estava o pai dela. Ive e o homem tinham uma relação complicada, e ele nunca participou da criação da menina. Porém, agora com 12 anos, a garota voltou a ter interesse pelo paradeiro do pai. “Ela está rebelde demais, tem ansiedade e fala que não importa quem ele seja, quer conhecê-lo”.

Ive está passando por um dilema muito comum entre mães solo: quando a criança quer saber do pai ausente. “E ela vai cobrar, estejam preparadas”, avisa Ive. Mas como sanar a dúvida sem traumatizar a criança ou explicar demais a situação? As especialistas Deborah Moss, neuropsicóloga e mestre em psicologia do desenvolvimento humano pela USP (Universidade de São Paulo) e Marina Vasconcellos, psicóloga e especialista em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, dão dicas de como passar por isso:

Quando a criança costuma ter essa dúvida?
“Antes, a criança ainda se vê como um ser simbiótico à mãe. Na medida em que ela vai crescendo, ele consegue separar as coisas, com o surgimento da linguagem e das interações sociais. Vai ter criança que vai perceber isso logo cedo, outras, não. Acredito que por volta dos três ou quatro anos de idade fica mais exacerbada a percepção de que não há um pai presente, mas depende muito da vivência”, explica Moss.

Vasconcellos especula como a criança pode se dar conta da situação: “Não tem um gatilho específico. Pode ser que outra criança pergunte a ela: ‘Ué, mas você não tem pai?’ –uma criança é espontânea, ela não sabe que certas perguntas podem ferir os sentimentos do outro. Pode ser um desenho animado na televisão que mostre um pai, e a criança começa a ver que não tem um em casa. Qualquer situação que ela observe que há um pai presente pode ser um gatilho quando menos se espera”.

Deixe a criança perguntar
As especialistas afirmam que o melhor é esperar que a criança venha com a dúvida, e não que a mãe introduza o assunto. “Não precisa deixar de falar no assunto ‘pai’ em casa, mas não necessariamente precisa chamar a criança para essa discussão se ela não chegou a se interessar pelo papo”, diz Moss.

“A criança tem o tempo dela, em algum momento, isso vai acontecer. Se não é uma questão do filho, então calma. Não tem motivos para adiantar o diálogo, pôr a carroça na frente dos bois. A criança não tem nada a ver com a ansiedade da mãe”, diz Vasconcellos.

Entenda de onde vem a dúvida
“Quando ela chega para a mãe e pergunta, sempre vale a pena rebater com outra pergunta, desmembrar a dúvida dela. Quando ela chega com esse questionamento à mãe, é porque ela já está partindo de alguma hipótese, ou tem um motivo para estar pensando nesse assunto. Então talvez seja melhor perguntar: ‘Mas por que você teve essa dúvida?’, e esperar que a criança venha com a explicação dela, para saber o que dizer. Sabendo disso, a mãe pode falar, por exemplo: ‘O papai passou por uns problemas e teve que ir para longe. Não sei onde ele está’. Às vezes, o que eles querem saber é muito simples e indolor”, pensa Moss.

Simplifique a linguagem
Vasconcellos alerta que, na hora da conversa, a linguagem seja a mais simples possível e que os detalhes do afastamento do pai sejam poupados. “A mãe precisa pensar, caso não tenha uma boa relação com o pai da criança: ‘Meu filho não tem a ver com a minha relação pessoal com o pai’, para que a criança não sinta que ela atrapalhou a vida da mãe ou que ela é uma ‘extensão’ desse pai ausente. Criança é muito autorreferente, tem que ter cuidado com a mensagem que passa para ela”.

“Use recursos lúdicos, como um livro infantil ou desenhos, para acessar a linguagem da criança. Não use palavras complicadas. Mas é importante usar esses recursos para dizer a verdade, que não tem como o pai estar com ela. Conforme a criança for crescendo, aí a conversa vai se adaptando para o entendimento dela”, aconselha Moss.

Não deixe as emoções interferirem na resposta
Moss recomenda que as mães que ainda não conseguem falar direito sobre o tema respeitem seu próprio tempo também. “Se ela perceber que é um assunto que balança muito com as emoções, ou que prefere conversar com alguma pessoa para pedir conselhos antes de se dirigir ao filho, a mãe pode dizer: ‘Vamos falar disso em outro momento?’. Mas sem assustar a criança, ela não precisa achar que ela está perguntando algo errado. Dê um tempo e depois volte nesse assunto”.

Como evoluir o tema durante o crescimento
As especialistas dizem que, conforme a criança se desenvolve, é natural que ela volte ao assunto do pai. Agora, o quanto deve ser revelado sobre a identidade e o paradeiro dele vai depender do contexto: da relação que a mãe tem com ele, se o pai tem condições de se envolver com a família.

“Para aprofundar o assunto, acho que na adolescência, quase já na fase adulta, é mais adequado. Mas não convém falar ainda na infância, porque isso atrapalha demais a vida da criança, ela começa a se associar ao pai ausente e se perguntar se isso foi culpa dela”, pensa Vasconcellos.

Lidar com a situação da forma errada traz consequências
A dona de casa Bianca*, 32, viveu o outro lado: da filha que cresceu sem o pai. Porém, ela passou a infância se sentindo mal por conta do jeito que sua mãe lidou com a situação. “Minha mãe sempre me dizia coisas horríveis. Ela não falava dele, apenas contava como foi que ele acabou com a vida dela, deixando-a sem nada do que compraram juntos, de como ele a deixou às vésperas do casamento dos sonhos dela, de como ela se arrependia de não ter abortado, como ele queria”, relata.

“E quando eu dizia que ele voltaria um dia, ela falava para eu ‘parar de ser burra’, que ele não me queria. Acho que a criança não deve, nunca, saber dessa forma que foi rejeitada. A dor é eterna e a mágoa é dupla: do pai que a abandonou e da mãe quando o ataca em vez de explicar de outro jeito o que houve. Claro que não se deve alimentar fantasias, mas existem muitos outros meios de explicar”.

 

Como falar com as crianças sobre vídeos com a aparição da Momo

Publicado em Meu Estilo R7, 19.03.19
Por: Débora Besser

Especialistas recomendam o diálogo direto com os filhos para alertar sobre qualquer contato com a figura macabra em vídeos do YouTube

Imagem da momo: pais precisam dizer não aos filhos A suposta volta da Momo — a figura aterrorizante, de olhos esbugalhados, pele pálida e sorriso sinistro, que ficou famosa no WhatsApp, em 2018 —, desta vez em vídeos no YouTube Kids ensinando crianças a cometerem suicídio, tem deixado pais em alerta.

A primeira sensação é de impotência diante daquilo que circula na Internet, uma vez que, segundo os relatos, a aparição da Momo seria feita de forma aleatória, inclusive em plataformas protegidas. Ainda sem comprovação real que a boneca esteja realmente aparecendo, há quem defenda que tudo não passa de fake news. Ainda assim, a preocupação dos pais existe.

Especialistas ouvidos pelo R7, no entanto, garantem que pais e mães que mantêm o diálogo aberto com seus filhos não precisam temer. “Os pais têm de saber o que seus filhos estão vendo na Internet”, recomenda Marina Vasconcellos, psicóloga especializada terapia familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

“A figura pode ser danosa, pois a criança não tem maturidade para distinguir o que real do que não é, ela não tem essa capacidade. Quanto mais ‘largada’, solta, for essa criança, mais risco ela corre”, alerta a psicóloga.

Para a profissional, o ideal é falar abertamente sobre o caso. “Os pais têm de dizer o que está acontecendo, que está aparecendo uma bonequinha, que se ela aparecer o filho deve avisar. Tem de ser direto”, aconselha. É preciso explicar para a criança que a Momo não existe, que não é para ouvir o que ela fala, pois ela diz coisas erradas e que nada de ruim vai acontecer, nem para os filhos nem para os pais. “É preciso deixar claro que se trata de uma invenção, de um mentira, que não é para acreditar nela.”

Para a psiquitra Carolina Hanna Chaim, do Hospital Sírio Libanês, não é preciso mostrar a imagem da Momo, que é agressiva por si só. “Há uma perversidade muito grande em quem espalha esse tipo de conteúdo”, analisa. A dica da médica parece simples, mas exige pulso: os pais têm de monitorar o conteúdo, o celular, tudo o que estiver ao alcance das crianças. “É responsabilidade legal dos pais”, alerta.

Beatriz Moura, especialista em transtorno de personalidade borderline, saúde mental e ansiedade infantil, reforça que, antes de mais nada, os pais precisam assumir seu lugar de pai e mãe. “Em primeiro lugar, antes de ser amigo, tem de ser pai e mãe. O dizer não faz parte. A primeira coisa é ter o diálogo constante”, recomenda.

Controle do conteúdo

Não deixar que as crianças naveguem por onde bem entenderem é dever dos pais. “A gente tem vários meios de prevenir isso, ativar as configurações de segurança e controles parentais. Os pais não precisam deixar de trabalhar para monitorar isso, os links a que as crianças têm acesso chegam no celular. É só configurar”, explica Beatriz.

É importante, segundo a especialista, que os pais alertem seus filhos sobre possíveis interrupções nos vídeos ou jogos. “A recomendação de não falar com estranhos, não aceitar bala de desconhecidos, vale também para a Internet. Os filhos têm de saber que não podem dar dados, não podem falar com quem não conhecem”, alerta.

A psique humana, lembra Beatriz, tem tendência à curiosidade. Na opinião dela, não é o caso de mostrar a Momo ou fazer alarde. “Importante é que os pais tenham esse contato mais próximo do mundo virtual”, diz. “A ideia de que por falta de segurança os filhos ficavam mais em casa cai por terra. A falta de segurança chegou à Internet”, pondera a psicóloga.

O acesso das crianças à tecnologia precisa ser monitororado. “Alguém fez essa conta para a criança, alguém permitiu que ela tivesse e-mail, pudesse estar na rede. Em alguns casos, a criança tem mais medo da bronca que vai levar do que daquilo que vê e não entende”, explica.

O diálogo, mais uma vez, se impõe como única arma de combate possível. A criança não pode ter mais confiança em falar com um desconhecido em uma rede social do que com os próprios pais. A família não pode ter medo de dizer não. “Percebo em consultório: muitas vezes sobra para os profissionais e para a escola esse ‘não’. A criança precisa de limites, ela não tem noção do que é impróprio, se aquele conteúdo é para fazer mal a si mesmo ou a outros.”

Beatriz alerta também que muitos dos que são vítimas desses “incentivos” virtuais para atentar contra a própria vida, como a Baleia Azul ou o Desafio Momo, estão, no fundo, pedindo atenção. “Vamos ficar mais próximo dos filhos, não vamos deixar a tecnologia cuidar das nossas crianças”, recomenda.

A doutora Carolina lembra que a escola pode ter um papel fundamental em identificar crianças e jovens vulneráveis. “Quem vai ser alvo desses mecanismos normalmente já deu indícios anteriores, apresentou problemas como depressão, ansiedade, automutimlação. Muitas vezes, o comportamento auto-destrutivo tem relação com um ambiente familiar já comprometido, até pela violência. Por isso a  escola pode e deve ajudar”, explica.

A melhor solução, garante a médica, é a saúde do lar.

Conheça as 7 reclamações mais comuns dos casais nas terapias

Publicado em PortalMídia, 01.03.19
Por: Michele Marques

Alguns comportamentos são muito comuns nas terapias de casais

A terapia de casais é uma alternativa que muitos parceiros recorrem para tentar salvar a relação. Este valioso recurso pode transformar a vida dos companheiros e conseguir fazê-los superar as situações difíceis que todas as relações passam. “E, se antes, a iniciativa partia principalmente das mulheres, agora os homens têm se mostrado cada vez mais interessados nessa terapia a dois”, diz Margarete Volpi, psicoterapeuta do casal e familiar, ouvida pelo UOL. Contudo, nem sempre é possível salvar a relação, principalmente em casos onde já ouve desrespeito e o amor acabou, ressalta a terapeuta.

Os especialistas listaram as sete reclamações mais comuns ouvidas nos consultórios. Confira:

1. Pouco sexo O sexo costuma ser um termômetro da relação, ou seja, quando o casal não está bem na cama, isso demonstra que eles estão com problemas. Entre as maiores justificativas para a queda na frequência do sexo estão cansaço, estresse no trabalho, demanda de filhos, privação de sono e baixa autoestima.

2. Traição Quem procura a terapia por este motivo, realmente quer salvar a relação, esclarece Marina Vasconcellos, terapeuta de casal e família pela Unifesp. “Normalmente, a traição é acarretada por falta de diálogo entre as partes. Isso acaba fazendo o outro se sentir invisível, rejeitado, pouco amado”, explica.

3. Dificuldade de falar Muitos parceiros não falam sobre suas necessidades e anseios por medo da reação do outro, o que acarreta em comportamentos agressivos. Segundo as especialistas, é importante evitar acusações para que o outro não fique na defensiva.

4. Problemas psiquiátricos Crises de insônia, depressão, estresse, ansiedade. Todas essas situações podem minar a relação. “Se a pessoa aceitar se tratar e se houver amor, é possível reverter a crise”, diz, Marina.

 5. Liberdade sexual Para o casal se abrir a novas experiências conjugais, é preciso que eles tenham a mente muito aberta, ser muito seguro e abusar do diálogo. E, claro, é necessário que exista um consenso absoluto de ambas as partes na hora de tomar decisões como essa.

6. Uso excessivo do celular Com o uso cada vez maior dos smartphones, alguns parceiros se sentem invisíveis para a outra parte.

 7. Recusa da maternidade Com a autonomia cada vez maior das mulheres em relação à maternidade, a questão de ter ou não filhos vem se tornando um assunto cada vez mais discutido nos consultórios. A crise normalmente acontece quando o marido faz questão de ter filhos.

 

Importância de se desconectar do virtual e valorizar o real

Publicado em Ativo Saúde, 06.02.19

Estamos vivendo tempos preocupantes em função da dependência das pessoas no mundo virtual. Cada vez mais, presenciamos cenas aflitivas de gente que não se dá conta do vício na internet, em especial no celular, o que nos leva a questionar o que estamos fazendo com as relações humanas.

Conexão enfraquece relações
Mães que amamentam seus filhos sem olhá-los nos olhos, pois estão presas ao celular. Pais que empurram seus filhos no balanço do parquinho automaticamente com uma das mãos enquanto a outra está teclando sem parar. Casais e famílias que sentam-se às mesas de restaurantes e conectam-se ao Wi-Fi, mergulhando num mundo distante em detrimento do convívio ali do momento. E por aí vai, com inúmeros exemplos que poderiam ser listados aqui em longos parágrafos.

Mas afinal, quando voltaremos a nos conectar “olho no olho”, a respeitar aqueles que estão conosco, não dispersando a atenção a todo o momento para responder mensagens ou olhar as redes sociais? Quando os pais perceberão que o convívio familiar é fundamental para ensinar valores e transmitir afeto a seus filhos, ajudando-os na construção de sua personalidade e autoestima?

Maior percepção do presente
Podemos começar essa desconexão por atitudes simples que nos levarão a uma maior percepção do presente.

Por exemplo, você faz exercícios na academia com fones de ouvido? Se sim, já imaginou qual mensagem pode estar passando para aqueles que estão ao lado? Provavelmente: “Não estou disponível para me relacionar, deixe-me em paz com minha música e não puxe conversa comigo”.

Fará seus exercícios prestando atenção à música, podendo perder a noção dos movimentos corretos e contagem das repetições. Tudo fica “automático”. Não percebe o ambiente, as pessoas passam despercebidas ao seu lado e possíveis amizades que poderiam surgir dali, não acontecem.

Caso pratique corrida no parque usando fones, perde a conexão com a natureza: não ouve os pássaros, o som do vento agitando as folhas das árvores e mal percebe as pessoas que cruzam seu caminho, pois está concentrado em sua música.

Os que não desabilitam a entrada de mensagens durante aquele período ainda interrompem a todo o momento seu treino para checar o que está chegando, prejudicando o ritmo adotado. Deixam de passar um momento que poderia ser de meditação e autorreflexão, bem como contato consigo, com os outros e com a natureza.

Faça um teste e vivencie esses momentos sem o celular. Deixe-o de lado e esteja realmente presente naquilo que se propõe a fazer, de corpo e alma. Verá que é possível se desconectar do aparelho por longos períodos e conectar-se com o momento presente, descobrindo inúmeros benefícios. Seu corpo, seu espírito e as relações humanas agradecem.

Multilaser coloca no ar a #GuardeSeuMulti

Publicado em Promoview, 22.01.19
Por: Redação

Projeto alerta sobre perigos do uso excessivo de aparelhos eletrônicos e convida as pessoas a viverem mais experiências no mundo off-line.

Multilaser, do setor de telefonia, eletroeletrônicos e informática, lança a campanha #GuardeSeuMulti, com o objetivo de alertar a população sobre os malefícios do uso excessivo de aparelhos eletrônicos e internet e estimular a criação de conexões reais.

O projeto teve início em 21 janeiro, e vai até o dia 15 de março, sempre às segundas e quartas-feiras, abordando sete temas diferentes que exploram diversas situações em que os dispositivos podem interferir na vida das pessoas.

A empresa fará ainda um ‘post-decreto’ às sextas-feiras oficializando que suas atividades nas redes sociais só retornarão na segunda-feira e estimulando as pessoas a se desconectar para criar conexões reais durante os finais de semana.

“Somos uma empresa movida por inovação e tecnologia. Fabricamos e vendemos produtos que fazem parte do dia a dia das pessoas e facilitam suas vidas. Por isso, entendemos que também é nossa responsabilidade alertar para o uso consciente desses produtos, de forma que possamos colaborar para o bem-estar dos nossos clientes de forma completa. A campanha #GuardeSeuMulti traz este objetivo: estimular as pessoas a se desapegarem de seus aparelhos eletrônicos para curtirem o ambiente off-line.”, afirma Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser.

A psicóloga Marina Vasconcellos explica que a falta de conexões reais é um dos maiores problemas enfrentados atualmente. “As pessoas passam cada vez mais tempo no mundo virtual, mesmo em momentos em que deveriam estar se conectando presencialmente com outras ou focadas em alguma atividade. Com isso, as relações humanas estão sendo negligenciadas, prejudicando a formação e manutenção de vínculos afetivos importantes e profundos.”, explica Marina.

Ainda segundo a especialista, a dependência do mundo virtual pode desencadear outros problemas à saúde, como ansiedade, por querer saber de tudo o que acontece a todo momento, baixa autoestima – por se comparar aos outros o tempo todo -, depressão e excesso de exposição da vida pessoal.

“Para reduzir os efeitos negativos do uso de aparelhos eletrônicos, é importante estabelecer horários para checar o celular e o e-mail durante os momentos de lazer ou descanso, manter os aparelhos longe sempre que possível e praticar atividades que não precisam desses dispositivos.”, completa Marina.

campanha #GuardeSeuMulti contará ainda com ações em pontos turísticos do Rio de Janeiro, parques da cidade de São Paulo e praias do litoral sul e norte paulistano, como distribuição de leques e totens refrescantes.

A divulgação será feita por meio de inserções em rádios, mídia aérea, abrigos de ônibus e relógios digitais.

Mais dicas e informações da ação estão disponíveis aqui.

 

Por que você não deve fingir orgasmo durante o sexo com o seu parceiro?

Publicado IG/Delas- Amor e Sexo, 01.01.19
Por: Larissa Bonfim

Segundo especialistas, o orgasmo não deve ser uma cobrança entre o casal e fingir ter prazer pode atrapalhar ainda mais o desenrolar do relacionamento

Se você nunca chegou a fingir orgasmo com seu parceiro, com certeza deve conhecer alguém que já fingiu. De acordo com um  estudo norte-americano feito com mais de 2 mil pessoas, essa é uma prática bastante comum entre as mulheres, já que pelo menos 68% das entrevistadas relataram já ter fingindo prazer pelo menos uma vez na vida, enquanto o número de homens que afirmaram ter feito a mesma coisa cai para 27%.

É bastante comum que as mulheres cheguem a fingir orgasmo, seja como um jeito de agradar o parceiro ou por ter vergonha

É bastante comum que as mulheres cheguem a fingir orgasmo, seja como um jeito de agradar o parceiro ou por ter vergonha

Segundo a fisioterapeuta pélvica, sexóloga e educadora sexual Débora Pádua, existem muitas razões para as mulheres chegarem ao ponto de fingir orgasmo . “Muitas vezes, a parceira quer agradar o homem e mostrar que ele está proporcionando prazer e acha que é necessário fingir para demonstrar isso. Outras vezes, é uma forma de fazer com que a relação termine mais rápido, porque ela já está satisfeita com o que aconteceu.”

A psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar e de casais Marina Vasconcellos completa que muitas mulheres acreditam que têm obrigação de sentir prazer durante o sexo e querem satisfazer o parceiro ou provar a si mesmas que são confiantes. “Fingir é uma forma de não decepcionar, mostrando que ele é bom na cama ou que ela mesma que está bem ali.”

A terapeuta também menciona que, entre os fatores que podem impedir a mulher de atingir o orgasmo  , estão fatores do relacionamento que não envolvem a conexão física. “Problemas na relação podem refletir no sexo, e elas acabam não se entregando na cama.”

As profissionais explicam que é comum que as mulheres tenham vergonha de conversar com os parceiros sobre sexo e, em especial, sobre as próprias necessidades na hora de sentir prazer  . Isso porque dizer que a relação não está tão boa quanto poderia ser pode ser levado como uma crítica negativa e, também, há o medo de ser julgada por expor as próprias vontades.

“Muitas mulheres creem que são responsáveis pelo próprio prazer, mas é fundamental conversar com o parceiro, tanto porque relação sexual é a maior intimidade de um casal, quanto por ser o melhor jeito para encontrar uma forma de agradar os dois. Por incrível que pareça, essa conversa ainda é um tabu entre os casais”, afirma Marina.

Entretando, como muitas coisas no relacionamento, o diálogo é a melhor solução. “Sem ter uma conversa, ele sempre vai achar que determinada forma de fazer sexo oral está sendo o que te faz chegar ao ápice do prazer, mas não está. Os dois devem buscar o melhorar da relação, mas sem ter a noção do que realmente faz ela sentir prazer, não tem como ter essa busca”, diz Débora.

Mas afinal, por que não fingir orgasmo?

Fingir orgasmo pode ser um problema para o casal, já que torna o sexo uma rotina e pode impedir que a mulher sinta prazer

Fingir orgasmo pode ser um problema para o casal, já que torna o sexo uma rotina e pode impedir que a mulher sinta prazer.

A educadora sexual explica que fingir orgasmo não vai ser algo, necessariamente, prejudicial para o relacionamento, mas é um engano para os envolvidos naquela relação. “Ele acha que está proporcionado o prazer para a mulher e ela acha que está fazendo o certo ao deixar ele acreditar nisso, então eles nunca vão melhorar no sexo, porque sempre vão fazer as mesmas coisas, ter as mesmas respostas e a mulher vai ter que fingir sempre.”

Segundo ela, as relações sexuais de um casal que está em um relacionamento não deveriam ser vistas como uma “receita de bolo”, mas como uma folha em branco, tornando cada transa uma nova oportunidade para você fazer o que quiser e testar coisas novas.

Marina também afirma que cada vez que você chega a fingir orgasmo é uma oportunidade perdida de mostrar para o seu parceiro o que não está legal na relação. “Você acaba perdendo a chance de falar ‘vamos tentar outra posição’, ‘ tá muito violento’ ou ‘tá devagar demais’, de dizer o que gosta e o que não gosta. Às vezes falta aproveitar mais as preliminares ou não da tempo da mulher ficar excitada, porque elas demoram mais tempo do que os homens para ‘acender’.”

Assim, deixar de dizer o que está ou não te satisfazendo sexualmente e continuar fingindo vai deixar o seu sexo “mais do mesmo” e não vai te ajudar a atingir o ápice, porque nem você ou o seu parceiro vão se esforçar para mudar as coisas.

É possível chegar ao prazer e ficar satisfeita sem fingir orgasmo?

Segundo educadora sexual, o mais importante é parar de fingir orgasmo e focar em como sentir prazer de outras formas

Segundo educadora sexual, o mais importante é parar de fingir orgasmo e focar em como sentir prazer de outras formas.

A melhor solução para sentir prazer, segundo a terapeuta de casais, é falar abertamente sobre o assunto. “É essencial falar sobre fantasias abertamente e não ter vergonha de dividir seus desejos. Quanto mais intimidade e quanto mais conversa você tem com o seu parceiro, mais a relação sexual tende a melhorar, a intimidade aumenta e dá mais prazer para ambos.”

Outro fator é ter conhecimento do próprio corpo, de como estimular as  zonas erógenas , das melhores posições e, claro, não ter vergonha de expor essas coisas para o parceiro. “Quando a mulher não conhece o próprio corpo, não sabe se estimular ou quais sensações podem ser produzidas no corpo, fica mais difícil atingir esse ápice. Se ela conhece todas essas coisas sobre si, é importante mostrar isso para que o homem também saiba”, explica Débora.

Apesar disso, ninguém tem obrigação de atingir o orgasmo durante o sexo. “A relação sexual tem que ser a busca pelo prazer e não pelo orgasmo, até porque se prender na ideia de ter um orgasmo é o jeito mais fácil de não ter um. É importante fixar em sentir prazer na experiência e não pensar ‘tenho que fazer isso, mudar, tocar em tal lugar’.”

“Não tem problema nenhum do orgasmo não acontecer, desde que se tenha o prazer durante o sexo. Não é preciso fingir orgasmo e nem tornar isso uma cobrança. O casal tem que ter uma busca pelo prazer, já que o ápice é algo que se alcança com a experiência”, finaliza.

 

 

 

Chico Lang diz que dói demais morte do filho; como um pai supera o luto?

Publicado em UOL/Viva Bem, 11.12.18
Por: Maria Júlia Marques

UOL

Nesta segunda-feira (10), o jornalista Chico Lang publicou em sua rede social um emocionado comunicado informando a morte de seu filho. Paulo Lang era publicitário, tinha 23 anos e faleceu após cair de um apartamento no Bairro Vila Pompeia, na cidade de São Paulo.

“Meus amigos. Paulinho morreu. A ordem natural das coisas se inverteram. Um pai enterrar um filho é antinatural e dói demais no corpo e na alma. Gostaria sinceramente que fosse ao contrário. Deu um fim à própria vida com 23 anos. Dia 16 próximo faria 24. O dia mais feliz da minha existência foi quando ele nasceu, 16 de dezembro de 1994. O mais triste, quando faleceu, 9 de dezembro de 2018”, escreveu Chico Lang.

O UOL Esporte teve acesso à parte do Boletim de Ocorrência, no qual confirma “suicídio consumado” após a queda do sexto andar, mas não entra em detalhes sobre o que levou Paulo a óbito.

Como lidar com a dor da morte de um filho?
Nós ouvimos muito que perder um filho é a maior dor do mundo, por não ser natural como Lang citou em seu texto. Então surge a dúvida: como lidar com algo tão violento? A resposta, infelizmente, não é simples.

“Perdas são muito complexas, não conseguimos medir qual é a pior, mas com certeza perder um filho é um sofrimento desafiador. O filho é uma continuidade da gente, parte de quem somos, quem criamos, nosso futuro. Entender que ele se foi antes coloca em cheque diversos planos e gera muita frustração”, diz Gabriela Casellato, psicóloga especialista em perdas e luto do Instituto de Psicologia Quatro Estações.

Para conseguir enfrentar o luto não existe fórmula ou guia fases preestabelecidas. Tudo depende de como a morte se deu, da relação e história entre as pessoas envolvidas, da estabilidade emocional, de como o indivíduo encara a vida, quais são suas crenças.

Só quem está de luto sabe dizer o que a perda representa para si e é preciso respeitar esse sentimento, entender seu ritmo e limites para enfrentar a adaptação a esta morte, lentamente a pessoa se organiza diante tal sofrimento.

“Aconselho a busca de um psicólogo. O luto desperta uma mistura enorme de sentimentos, muita culpa, inconformidade, questionamentos… Sem o certo apoio pode potencializar a dor e até desencadear depressão. Com um profissional acompanhando, ajudando a ressignificar eventos, compreender o que houve, criando um suporte, fica mais fácil de passar pelo acontecimento traumático”, explica Yuri Busin, psicólogo e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental e Equilíbrio.

O importante é não entrar em negação e viver o luto, chorar, sentir, procurar ajuda e se respeitar, de preferência cercado de pessoas importantes afetivamente. “No primeiro momento é difícil viver, você fica preso no sofrimento. Mas o tempo passa, a pessoa se sente mais encorajada a seguir e cria melhores condições para suportar a dor”, afirma Casellato.

Existem pessoas que gostam de falar sobre a morte, reviver, ver fotos do ente querido para se sentir melhor, enquanto também existem aqueles que se sentem violados com esses atos. O segredo é analisar o que ajuda e o que atrapalha para compreender qual seu melhor artifício nessa batalha.

Com o passar do tempo, a ideia é que o enlutado deixe de “ser” a dor e consiga apenas “ter” a dor. “O luto é algo complexo, os sintomas podem ser intensos e por tempo indeterminado. Porém, se em um ano a pessoa segue isolada e não fica ativa apesar das readequações, aparece um alerta para certificar se não há depressão”, comenta Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar.

E tudo bem se a melhora não for gradual, especialistas afirmam que os sentimentos no luto oscilam sem aviso entre perda, saudade, tristeza, motivação, resiliência, eles só não podem durar longos períodos e limitar a rotina, impedindo trabalho, dificultando relações com outras pessoas, causando isolamento.

Casos de suicídio são ainda mais difíceis?
Não existem dúvidas que o suicídio agrava o luto. “Esse fato desperta perguntas cruéis como: por que, onde foi que eu errei, o que eu não vi, o que ele estava sentindo, o que podia ter feito? São questionamentos difíceis de lidar”, diz Vasconcellos.

“Quem está de luto após um suicídio precisa ter espaço para fazer perguntas, mesmo que não tenham respostas, ajuda a organizar a bagunça emocional. É preciso dar tempo ao processo e encontrar a sua própria narrativa, uma história para acreditar, dar sentido, acalmar”, sugere Casellato.

O suicídio é um fio sem ponta, não há compreensão, não há explicação, fica uma angústia da ausência de respostas. É o maior teste de resiliência, passar por tamanho desafio e conseguir sair mais maduro do que antes, conseguir crescer e tirar aprendizados de um evento tão dolorido.

Além disso, o suicídio gera um sentimento de impotência e culpa. A recuperação de uma perda assim exige um olhar cauteloso para conseguir achar um sentido e absorver a tragédia. Nestes casos, é altamente recomendado um acompanhamento médico para ajudar a lidar com a perda.

“E acho imprescindível que os pais enlutados entendam que o vínculo com o filho não se desfaz. Não existe ex-pai! A relação com o filho se encerra com o fim da vida, mas se transforma em um vínculo internalizado. Ninguém tem que esquecer o filho, isso é impossível e muito violento, é preciso aprender a enxergar e administrar o novo vínculo, um processo individual, cognitivo, físico e psicológico”, conclui Casellato.

Vínculos familiares: como fortalecê-los e ajudar quem precisa

Publicado em Ativo Saúde, 13.11.18

É impressionante a quantidade de famílias que mantém um contato superficial, posto que se as coisas fossem ditas de verdade, não permaneceriam unidas. Será? Ou seja, coisas incomodam, mas não são ditas pelo receio de magoar o outro e pelo temor da falta de compreensão ou abertura ao diálogo. Engole-se a questão, aceita-se o incômodo e a vida segue.

Como fortalecer vínculos familiares?

Mas acredito que possa ser diferente: à medida que comunicamos nossos sentimentos, questionamos certos comportamentos de algumas pessoas e conversamos sobre o que realmente importa.

Deste modo, os membros da família podem adquirir mais cumplicidade entre si, desenvolvendo vínculos verdadeiros de amor e empatia.

Afinal, esse seria o verdadeiro intuito da família: contarmos com uma base de amor para educar nossos filhos, ensinando-lhes valores importantes, como o respeito pelas diferenças, coragem, diálogo e superação de dificuldades, sempre contando com o apoio mútuo dos que lá estão.

Doenças psiquiátricas em famílias

Uma das questões que mais afeta famílias por aí afora é a presença de doenças psiquiátricas não diagnosticadas. O membro afetado sofre, já que muitas vezes nem sabe ser portador de uma doença, levando consigo outros que são obrigados a estar com ele.

Essa convivência não é nada fácil, mas poderia ser infinitamente melhor, caso a família enfrentasse o problema de frente e se empenhasse em encontrar maneiras de convencer aquele indivíduo a se tratar. Mas ao contrário, não se pode tocar no assunto “tabu”, em nome do “respeito” pelo doente…

Ninguém enfrenta, não se procura um tratamento e aquilo que poderia ter um bom prognóstico só tende a piorar com o passar dos anos.

Depressão na família

Um bom exemplo e muito comum é a depressão. É fácil essa doença passar despercebida e a pessoa portadora ser confundida com a preguiçosa, mal humorada, chata, irresponsável, que não topa fazer nada e critica tudo, a “sem graça”…

Os sintomas da depressão, nem sempre conhecidos por grande parte da população, se confundem com o jeito de ser da pessoa, levando a uma acomodação naquele modo de vida pré-estabelecido como se fosse o normal.

Um adolescente deprimido muitas vezes refugia-se na droga como tentativa de levar a vida, que lhe é pesada. Um adulto deprimido em geral consola-se no álcool como uma fuga a seus pensamentos desanimadores. Só assim consegue “esquecer” um pouco aquilo que deveria olhar e resolver.

Poderia dar outros inúmeros exemplos de situações que permanecem no obscurantismo pelo simples receio do diálogo necessário e do enfrentamento da situação para o bem estar geral.

Assim, os vínculos se desenvolvem distantes, frouxos, e, com o tempo, tendem a enfraquecer ainda mais, posto que a paciência e a tolerância dos membros da família vão diminuindo exatamente no momento em que os doentes precisariam mais da ajuda deles, com o avançar da idade.

Psicoterapia

A psicoterapia pode ser uma grande aliada ao desenvolvimento emocional do ser humano, auxiliando em seu processo de amadurecimento, resolvendo questões traumáticas não elaboradas, desatando nós de uma infância sofrida, fortalecendo a autoestima e auxiliando na busca e manutenção de vínculos saudáveis.

Você pode ter todas essas questões, ou não. E pode ter outras tantas questões pessoais, sejam elas quais forem, que terão o devido olhar. O importante é seu processo de autoconhecimento e crescimento pessoal.

Pena que muitas pessoas ainda a encaram com preconceito, recusando-se a experimentar. Poderiam ser mais felizes, simples assim.

Será que seu mau-humor pode ser um tipo de depressão?

Publicado em Uol/Entretenimento, 22.10.18
Por: Simone Cunha 

Mau humor nuvem na cabeçaMau humor, fadiga, irritabilidade e insatisfação são sintomas comuns que podem nascer em fases difíceis da vida. Quem nunca? Porém, se você convive com eles constantemente –sabe a impressão de ter uma nuvem negra sobre a cabeça? — e acha que não há nada que possa ser feito para mudar, é importante buscar orientação médica, pois pode ser algo mais grave.

A distimia, popularmente conhecida como doença do mau humor, é classificada como um tipo de depressão –na verdade, um transtorno depressivo persistente. “Estar sempre ranzinza é um dos sintomas, mas não garante o diagnóstico da doença”, conta o psiquiatra Fernando Fernandes, pesquisador do Programa de Transtornos do Humor do IPq – Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Mas, de acordo com o especialista, é normal sentir tristeza e oscilações de humor em diversos momentos.

A permanência dessa nuvem sobre a cabeça, porém, pode ser um sinal de alerta. “O diagnóstico envolve a avaliação de uma série de outros sintomas, como alterações no apetite e no sono, dificuldade de concentração, ansiedade, angústia, baixa autoestima, falta de energia e cansaço”, descreve o psiquiatra.

Doença ou personalidade ranzinza?

Ainda assim, é comum a distimia demorar para ser diagnosticada porque se confunde com uma característica de personalidade. “Por isso, se o mau humor estende-se há mais de um ano e ocorre sem um motivo específico, é importante tratar”, avisa a psicóloga Marina Vasconcellos.
Fique atento, principalmente, se este estado de espírito provoca sofrimento intenso e leva a atitudes ranzinzas, capazes de atrapalhar relacionamentos. O sentimento crônico pode desencadear prejuízos que vão se acumulando. “Trata–se de uma doença incapacitante, que interfere diretamente nas relações sociais. Pacientes que mantêm sintomas depressivos crônicos ao longo da vida acabam tendo menor escolaridade, menor renda e se casam menos. Ou seja, todas as as áreas da vida são afetadas”, alerta.

Como tratar?

Por isso, quem convive com a pessoa mal-humorada pode perceber o distúrbio e incentivá-la a buscar ajuda. O tratamento é realizado com antidepressivos e psicoterapia. “Muitas vezes, é indicado uma terapia familiar, pois pode ser que a doença já tenha desgastado os relacionamentos. Quem convive com alguém com distimia pode considerá-lo chato, rabugento ou desanimado sem saber que há um transtorno em questão, que precisa ser revisto e recuperado”, observa a Sonia Palma, vice-presidente do Conselho Científico da Associação Brasileira de Familiares Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata).

De acordo com Palma, a prevalência dessa doença varia entre 3% e 6% da população geral, lembrando que a dificuldade no diagnóstico pode interferir nesse número. É duas vezes mais comum em mulheres e em pessoas solteiras. “Quase metade dos pacientes não são diagnosticados com distimia e, com o passar do tempo, fica difícil identificar o início da doença”, destaca. Sem o tratamento adequado, o quadro pode evoluir com episódios depressivos mais intensos.

Para Vasconcellos, é fundamental que o paciente queira mudar. “A melhora nem sempre é rápida, mas é preciso ter disposição para alterar seu posicionamento na vida e experimentar novas formas de agir“, diz. Já o psiquiatra Fernandes alerta que, independentemente de uma possível evolução da doença, vale aproveitar todas as chances de tentar se livrar da doença. Esse, talvez, seja o melhor argumento para convencer alguém sempre ‘de mal com a vida’ a buscar ajuda.

Diferença de idade no relacionamento: como lidar com o preconceito?

Publicado em Ativo Saúde, 16.09.18

Pessoas da mesma faixa etária que se relacionam provavelmente passam por situações de vida semelhantes, o que beneficia o convívio e facilita a compreensão e o posicionamento perante os problemas.

No dia a dia, a diferença de idade no relacionamento exige cuidados. Porém, se ambos respeitarem características, limitações e possibilidades da idade de cada um, tudo costuma transcorrer bem. O problema ocorre quando um exige atitudes ou posturas do outro que são próprias da sua idade, e não da dele, de modo a não respeitar o tempo e as vivências do companheiro.

Preconceito pode atrapalhar

Muitos casais se dão perfeitamente bem, identificam-se em inúmeras coisas e estimula um ao outro, mas as pessoas olham com aquele “olhar reprovador” e crítico, o que pode dificultar a entrega verdadeira na relação por ambos ou um dos membros estarem preocupados com a crítica externa. Se não houver segurança dos sentimentos, pode haver influência dos comentários, o que pode fazer o casal se questionar se está, ou não, fazendo a escolha certa.

Quando a diferença de idade é muito grande, é praticamente inevitável enfrentar olhares “julgadores” das pessoas. Portanto, é necessário um bom equilíbrio emocional para enfrentar os comentários.

As críticas são ainda mais fervorosas em casos de descasados que se casam novamente com pessoas mais jovens e  possuem filhos quase da mesma idade da nova mulher. É necessário uma dose maturidade e bom senso para que a adaptação aconteça de forma gradativa.

Consciência é fundamental

É preciso estar bem consciente do que se espera de um parceiro para não confundir o “cuidado” com o materno ou o paterno. Pessoas muito reprimidas na infância, que tiveram pais autoritários, que cresceram num ambiente hostil ou mesmo que tiveram pais ausentes podem procurar alguém mais velho que lhes possibilite sair logo de casa, confundindo assim amor com necessidade de se livrar de um ambiente não saudável ou procurando no parceiro o afeto que não recebeu dos pais.

Há também aqueles que admiram a maturidade dos mais velho e suas vivências, encantando-se com sua postura na vida, sentindo-se bem com a segurança e confiança que o companheiro lhe passa, enquanto pessoas da sua idade ainda não chegaram a esse nível de crescimento pessoal. Enfim, há inúmeras possibilidades e cada caso é um caso.

Idade não é tudo

A idade realmente ajuda na maturidade, pois a somatória das vivências faz com que as pessoas cresçam e se desenvolvam mais. Porém, alguns vivem intensamente experiências desafiadoras desde cedo, sendo inevitável o crescimento e amadurecimento como consequência.

Vemos jovens de 20 anos às vezes mais maduros que os de 30. A criação aqui interfere, e bastante. Então, o que está em jogo é a postura da pessoa perante a vida e o modo como ela reage e aproveita as oportunidades de crescimento.

*Texto criado com base em entrevista dada para “Eu só queria um café”.

6 atitudes práticas para se acalmar nestes tempos tão polarizados

Publicado em M de Mulher,  17.10.18
Por: Raquel Drehmer

Exercícios de respiração, apps de meditação e regras próprias para conversas e uso de redes sociais são ótimas saídas para preservar a saúde mental.

Atitudes práticas para se acalmar nestes tempos tão polarizados

Está difícil encontrar quem não esteja constantemente nervoso ou pelo menos passando por momentos inquietantes no Brasil de hoje. A tensão política das últimas semanas, que deve durar pelo menos mais alguns dias à nossa frente, veio se juntar à crise financeira, à correria do dia a dia, ao trânsito, a tudo. Conclusão: muita gente à beira de um ataque de nervos, amigos e familiares brigando virtualmente e pessoalmente. O caos.

Ninguém merece viver assim, você há de convir. A tranquilidade é um bem precioso para preservarmos nossa saúde mental e, assim, conquistarmos qualidade de vida.

Se você está nesta situação de achar que pode explodir a qualquer momento, de se pegar com o coração acelerado de vez em quando (ou sempre) e/ou de não conseguir “desligar” do nervosismo, venha aqui, miga! Vamos lhe ajudar!

Conversamos com as psicólogas Analu Spada, Gabriela Malzyner e Marina Vasconcellos e organizamos seis atitudes práticas, que podem ser encaixadas até em um intervalinho que você se dê no trabalho, para se acalmar quando a coisa ficar complexa. Escolha as que mais tiverem a ver com você e não se esqueça: seu bem-estar vale mais do que as tretas.

Selecione o que quer ver nas redes sociais

Você não é obrigada a ver tudo que é postado por todos os seus contatos do Facebook ou do Instagram. Se as postagens de determinadas pessoas estiverem lhe fazendo mal e você não puder ou não quiser desfazer a amizade virtual com elas, coloque-as em modo soneca por 30 dias (caso ache que logo isso vai passar) ou deixe de segui-las (se perceber que o caso é mais grave). Você encontra estas opções clicando nos três pontinhos que ficam no canto superior direito de cada post.

Saia dos grupos muito agitados de Whatsapp

Mensagens que não acabam mais, gente se atacando gratuitamente, propaganda política e fake news nos piores momentos. Se este é o resumo de alguns dos grupos de que você faz parte no Whatsapp e eles não estiverem ajudando na sua saúde mental, simplesmente saia dos grupos. O ideal é mandar um aviso educado antes de efetivamente sair, para não causar pânico nem aumentar o risco de discórdia; escreva, numa boa, que não está em um bom momento para acompanhar tanta coisa e se desligue desta fonte inesgotável de dor de cabeça.

Pense antes de começar ou entrar em uma discussão

Especialmente se o assunto for política.

Você deve levar em consideração três fatores:
– A pessoa está receptiva para conversar numa boa?
– Você está receptiva para ouvir argumentos contrários àquilo em que acredita?
– Você terá tempo para levar a discussão adiante até o assunto se encerrar, para ele não ficar martelando na sua cabeça enquanto você precisa fazer outras coisas?

Se a resposta a qualquer uma destas perguntas for não, respire fundo e deixe pra lá. Não valerá a pena.

Faça exercícios de respiração consciente

Reserve cinco minutinhos no meio do caos (pode marcar o tempo no alarme do celular) para recuperar a calma por meio da respiração. Sugerimos duas técnicas:

1) Inspire pelo nariz como se quisesse sentir o perfume de uma flor (ou seja, com força) e expire pela boca como se houvesse uma vela bem em frente à sua boca que não pudesse ser apagada (ou seja, bem suavemente).

2) Inspire pelo nariz em quatro tempos, segure o ar nos pulmões por sete tempos e expire suavemente pela boca por oito tempos. Os “tempos”, aqui, variam de acordo com a sua capacidade respiratória, e o melhor é determiná-los a partir da inspiração (isso significa que o tempo de expiração será o dobro do tempo da inspiração, e o tempo de segurar o ar nos pulmões será um pouquinho menor que o tempo da expiração).

Pratique meditação rápida

Você não precisa de uma sala em tons pastel, roupas especiais e silêncio total para meditar: basta se desligar do mundo por um tempo e limpar sua mente. Se você já conhece técnicas de meditação, vá com elas; caso não conheça, conte com a ajuda de apps de meditação, que lhe guiarão lindamente neste caminho

Marque encontros para falar sobre tudo, menos política

Política, política, política. Claro que debater o futuro do país é importantíssimo, mas chega uma hora em que a cabeça até lateja de tanto que o assunto domina as conversas nas redes sociais e na vida real. Quebre o ciclo! Reúna amigas que estejam na mesma vibe que você e estabeleçam esta regra: pelo menos durante o encontro, política é assunto proibido. Vale falar de crushes, de novelas, de astrologia, de moda, de música… Assunto não falta! Você vai ver como vocês estarão até mais leves na hora de se despedir.

Natal chega mais cedo ao centro e aos supermercados este ano

Publicado em Jornal de Jundiaí, 04.10.18
Por: Vinicius  Scarton

Foto: Rui Carlos

A tradicional decoração do Centro de Jundiaí alusiva ao período do Natal será antecipada neste ano. A praça Governador Pedro de Toledo estará enfeitada a partir do dia 14 de novembro. A chegada do Papai Noel acontecerá no dia 1º de dezembro, quando as lojas estenderão horário do expediente, com funcionamento das 9h às 22h, de segunda a sexta-feira; e sábados (dias 1, 8, 15 e 22) e domingos (dias 2, 9, 16 e 23), das 9h às 18h. No dia 24, véspera de Natal, o comércio vai funcionar das 9h às 18h.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas e do Sincomercio Jundiaí e Região, Edison Maltoni, a antecipação da decoração natalina já é uma tendência e muitas cidades começam a oferecer produtos da época já em novembro. “Estamos com ótimas expectativas para o Natal deste ano, com acréscimo nas vendas entre 4% e 6% em relação a 2017. Teremos novidades, como a aquisição de um trenzinho para circular no Centro e também teremos a trupe de Natal, com vários personagens para alegrar a criançada neste período festivo. É, sem dúvida, a melhor época para o comércio varejista e estamos muito otimistas”, afirma.

Essa antecipação divide a opinião dos consumidores. A estudante de Direito, Rebeca de Oliveira Cobra da Cunha, de 39 anos, aprova a iniciativa. “Creio que todas as comemorações sazonais podem ganhar decorações antecipadas e, em minha opinião, o encanto do Natal só aumenta”, afirma. Já o empresário Douglas Augusto, de 55 anos, prefere que a decoração seja realizada mais próximo ao Natal. “Afinal, a data é celebrada apenas no final de dezembro”, diz.

ESPECIALISTA
A terapeuta de casais e famílias pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marina Vasconcellos, diz que essa antecipação está se tornando algo muito comercial, “muito materialista”. “Trata-se de uma estratégia do comércio para que as pessoas já se planejem para gastar. Mas isso provoca uma aflição nas pessoas, pois concretiza em sua mente e dá a sensação que o ano já acabou antes da hora, perdendo o encanto no mês de dezembro, quando acontecem as festividades”, avalia.

Outro termômetro dessa antecipação são os supermercados. Na maioria das lojas, os panetones de frutas e de chocolate, tradicionais do Natal, já estão sendo comercializados. Gerente de um supermercado em Jundiaí, Ueliton Almeida de São Pedro ressalta que as vendas do produto começaram em agosto. “A demanda está crescendo gradativamente e, num comparativo com 2017, a expectativa de vendas é boa, projetando um crescimento de 10% do volume, em relação ao mesmo período do ano passado”, confirma. Enquanto consumidores, Douglas e Rebeca aprovam a antecipação da comercialização do panetone. Segundo eles, o produto pode ser consumido em qualquer época do ano.

Pegadinha da invisibilidade: entenda se essa mania pode gerar traumas emocionais nas crianças

Publicado em Minha Vida, 27.09.18
Por: Lara Deus

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Especialista critica brincadeira pela quebra de confiança e exposição da criança ao ridículo

A família brinca que fará uma mágica de desaparecimento com a criança. Alguém coloca um lençol sobre sua cabeça, outro repete palavras mágicas e, a partir do momento em que o tira da frente, todos fingem que não estão enxergando o pequeno.

Estas são as cenas mostradas nos vídeos de uma nova pegadinha popular no YouTube: a pegadinha da invisibilidade. Devido à facilidade de abstração e grande capacidade de imaginação das crianças, elas acabam sendo as principais vítimas, e quem faz a pegadinha são os pais ou membros mais velhos da família.

Dependendo da idade e da personalidade, algumas crianças ficam mais assustadas que outras, levam mais à sério que outras, mas uma coisa é certa: brincar desta forma, mentindo para criança por muito tempo, consiste em quebrar o vínculo de confiança que ela tem com as pessoas que deveriam passar segurança.

De acordo com Marina Vasconcellos, psicóloga e Terapeuta Familiar, não há como saber os efeitos que estas brincadeiras por si só causam aos pequenos. “Você pode causar sim um trauma, uma sensação de insegurança, de traição, de não confiar nas pessoas”, projeta ela.

No entanto, ela relata receber pessoas em seu consultório que se queixam de quebras de confiança que se estenderam por muito tempo ao longo da vida após algum evento pontual.

Exposição ao ridículo

Não há comprovações de que a pegadinha em si cause às crianças consequências emocionais. No entanto, a exposição delas na internet nesta situação é criticada pela especialista. “Nunca é saudável fazer uma brincadeira que exponha a criança ao ridículo, ainda mais vinda dos pais”, reforça Marina.
Em uma busca por “invisible prank” (pegadinha da invisibilidade, em português) no YouTube, é possível ver que o vídeo do tipo com crianças mais assistido teve 6 milhões de visualizações em apenas duas semanas.

A psicóloga lembra que, quando um conteúdo é jogado na internet, ele é exposto para o mundo. E isso pode gerar uma série de problemas para as crianças.

“Você está jogando a imagem do seu filho desesperado passando vergonha para todo mundo olhar. Ele pode sofrer bullying, pode ficar sendo conhecido como o menino que foi enganado pelos pais, e isso pode ser péssimo para imagem autoestima e autoconfiança dele”, critica.

É normal que haja pais com perfis mais “brincalhões”. Mas e quando a diversão parece que é só para eles? Quando fazem este tipo de brincadeira com seus filhos e expõem na internet, demonstram que não perceberam que ela tem potencial de expor a criança ao ridículo e oferecer conteúdo para que qualquer um possa dar risada dela. O que, segundo a psicóloga, é bastante grave.

“Então, eu diria para não fazer isso, para não expor nunca uma criança ao ridículo e muito menos expor para o mundo, divulgando essa imagem pro mundo todo poder dar risada dele”, recomenda.

Falta de sexo: o que fazer quando o parceiro não te procura

Publicado em Ativo Saúde, 09.09.18

O sexo é algo muito presente no início dos relacionamentos. Natural e instintivo, a atração mútua e a vontade de transar com mais frequência ajudam os casais a desenvolverem o vínculo afetivo e a ficarem cada vez mais próximos. Dar-se bem na cama é sinal de que a química bateu, sendo garantia de momentos prazerosos de intimidade.

Porém, após algum tempo de relacionamento é normal que o desejo diminua, sendo necessários mais estímulos para que não ocorra falta de sexo. Entenda:

Causas de falta de sexo

Muitos podem ser os motivos para a falta de desejo sexual: desde problemas hormonais, que devem ser checados para afastar causas orgânicas, até os relacionais, que são os principais e bem mais comuns.

A existência de um amante, problemas emocionais (como depressão ou outros distúrbios psiquiátricos), falta de admiração pelo cônjuge, brigas constantes e clima hostil entre o casal, além de outros fatores, podem levar à diminuição ou falta de sexo por parte de um ou dos dois parceiros.

Durante o sexo, liberamos o hormônio ocitocina, responsável pelo vínculo afetivo. Consequentemente, em sua ausência, deixamos de alimentar quimicamente algo que nos conecta com o outro. A intimidade diminui e, aos poucos, o clima amoroso que é deixado de lado, dando brechas para que a relação esfrie e apareça um terceiro ou até mesmo para que o amor acabe.

Um casal deve ser amigo entre si, mas o sexo é o que vai distinguir a amizade de um relacionamento amoroso.

Importância do diálogo

Se um parceiro tem mais vontade do que o outro, provavelmente fica frustrado por não ter sua necessidade atendida.

O mais correto nessa situação é conversar abertamente sobre o assunto e procurar uma saída em conjunto para que a intimidade seja resgatada.

Um grande erro que os casais cometem é a falta de diálogo sobre a questão, que é delicada, por medo da reação do outro ou de magoá-lo.

Busque terapia de casal

Para que o casamento não caia na rotina — o que é muito difícil, mas possível —, é preciso cuidar eternamente da intimidade do casal, não deixando que ela se perca em meio às dificuldades ou correrias da vida. Assim que perceberem um descompasso na vida sexual, devem conversar a respeito.

Se não conseguirem, a ajuda de uma terapia de casal pode ser fundamental para reverter a situação, permitindo que encarem o problema em um contexto protegido e busquem as causas para tal desequilíbrio. Pode-se reverter a situação caso ambos estejam dispostos a isso, abrindo-se para ouvir e falar sobre o que os incomoda e revendo suas posição dentro da relação.

Não deixe para depois

 

 

 

 

 

 

 

 

O importante é não deixar que algo tão bom desapareça, provocando o afastamento do casal. Ao menor sinal de falta de sexo, converse a respeito. Não acumule mágoas nem permita que se transformem em grandes lamentações e tempo de felicidade perdido. Afinal, uma relação a dois é para ser algo bom, trazendo à tona o melhor de cada um, e o sexo faz parte disso.

Dar-se bem sexualmente com o parceiro só traz coisas boas: o humor melhora, o sorriso é mais fácil, as dificuldades são mais facilmente enfrentadas, o vínculo é fortalecido, o carinho é mais frequente, a pele fica mais saudável, a libido é estimulada, gastam-se calorias etc.

Então, o que está esperando para resolver sua questão? Enfrente, vá à luta, busque soluções, provoque a intimidade, procure a ajuda de um profissional.

Importância da atividade física para a manutenção do emocional

Woman With White Sunvisor Running

Quando alguém que não pratica exercícios regularmente e vê uma pessoa acordando cedo diariamente para fazê-lo, não entende como é possível e admira tal força de vontade. Como assim, em pleno inverno levantar cedo, sair daquela cama quentinha e se encapotar todo pra correr no frio do parque, por exemplo? Ah, não, melhor dormir mais e deixar isso pra lá!

Pois é, o incrível é que quando você incorpora essa prática em sua vida, se for impedido de fazer é como se lhe tirassem algo importante e um incômodo se instala. Aquela endorfina liberada nos exercícios não é produzida e seu humor sente quase que imediatamente.

Atividade física e emocional

Um atleta — mesmo que amador — impedido de treinar por motivos de saúde, por exemplo, tem que lidar com a frustração da inatividade. Recuperar-se de uma gripe, uma contusão ou um acidente qualquer requer doses cavalares de paciência, força e aceitação do momento atual. De repente, parece que os problemas adquirem uma proporção maior do que o normal e a sensação de bem estar antes frequente vai diminuindo aos poucos.

Percebo isso na pele, já que sou corredora amadora há sete anos. É incrível constatar os benefícios que a corrida me trouxe nesses anos todos, tanto física quanto emocionalmente. Meu corpo se remodelou, minha resistência e autoestima melhorou, peguei pódio em várias corridas de montanha (o que nem imaginava conseguir, já que comecei a correr aos 45 anos…), viajei para provas em lugares lindos e passei momentos deliciosos na companhia de corredores alegres e divertidos.

Em especial destaco o fortalecimento do meu estado de espírito em geral, pois incluí a gratidão em minha vida — corro agradecendo por estar ali naquele momento, ter saúde, ouvir os pássaros (corro no parque), admirar as árvores e cada flor que cresce e por estar com pessoas que cuidam da saúde como eu — participo de uma assessoria de corrida. Aquele passou a ser meu momento de meditação, quando estou comigo mesma pensando nas coisas que tenho que resolver, encontrando soluções e bolando estratégias para lidar com os problemas.

 

Liberação de substâncias do bem-estar

Fui obrigada a parar de correr por um tempo para tratar de dores no tornozelo, e de quebra, peguei uma gripe que me deixou de cama por três dias. Sem meus habituais exercícios matinais há quase dez dias, percebi de repente como meu humor se alterou, meu corpo reclamou e um desânimo geral se instalou. Fui perdendo a vontade de fazer coisas que antes fazia sem pestanejar, como ir ao cinema num sábado à tarde, por exemplo, dando a desculpa da “preguiça”…

Constatei na prática o que já sabia em teoria. Portanto, reforço aqui a importância da prática regular de exercícios físicos para a manutenção da saúde como um todo, tanto física quanto emocional. A liberação de endorfina e dopamina no nosso corpo tem um efeito real de bem estar, nos ajudando a lidar de maneira muito mais leve, positiva e assertiva com os problemas cotidianos, além de auxiliar — e muito — no tratamento de inúmeras doenças, como depressão e ansiedade.

Então, o que está esperando? “Bora” correr!!

Pegue, mas não se apegue: 6 dicas para aproveitar o sexo casual

Publicado em M de Mulher, 06.07.18
Por Raquel Drehmer

Dicas para aproveitar o sexo casual

O fato de não estar em um relacionamento nem de longe significa abrir mão da vida sexual. Além de tudo que pode ser explorado sozinha ou acompanhada na masturbação, uma alternativa legal para ter prazer é o sexo casual.

Como o próprio nome indica, sexo casual é aquele feito sem compromisso, sem necessidade de vínculos. Pode ser com um amigo, com uma amiga, com uma pessoa que você conheceu na noite e rolou uma química. Pode inclusive ser com a mesma pessoa por um período, desde que haja responsabilidade (use camisinha sempre) e a consciência dos dois lados de que o objetivo nesses encontros é ter prazer e não mais que isso.

“Sexo casual é ótimo quando a mulher está bem com ela mesma, entende suas necessidades físicas e sexuais e resolve tomar uma atitude para se satisfazer”, afirma a a psicóloga e terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos.

A psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, do site de encontros casuais C-date, explica que o sexo casual pode ter um papel interessante na vida de uma mulher quando ela termina um namoro ou casamento e não quer engatar em outro relacionamento. “Tem tudo a ver com o momento em que ela está aberta para conhecer outras pessoas e experimentar outras formas de ter prazer sem se vincular emocionalmente”, diz.

Confira as dicas das especialistas para que o sexo casual tenha aproveitamento de 100% em sua vida.

Não crie expectativas
Esta é a regra número 1 do sexo casual. A ideia é que o encontro renda aquilo a que se propõe: sexo de boa qualidade e orgasmos. Não há obrigação de contatinho no dia seguinte ou de vínculos no mundo lá fora. Com a mente livre de tudo isso, o sexo fluirá muito melhor.

Escolha bem o parceiro ou a parceira
Por mais que o lance seja apenas prazer, você estará em contato BEM íntimo com aquela pessoa por algumas horas. Então é melhor que seja alguém legal e com quem você tenha um mínimo de assunto, consiga dar um pouco de risada. É sexo casual, não é sexo mecânico.

Solte-se e curta o momento
“Não dá para fazer sexo casual com peso moral nas costas. A mulher tem que esquecer desse tipo de amarras e ir com tudo, solta, para transar bem mesmo”, defende Marina. O conselho dela é: esteja inteira na relação sexual, entregue-se e curta muito o momento.

Peça tudo o que quiser
Carla lembra que, como o sexo casual tem a proposta de prazer pleno para as duas partes, a comunicação acaba sendo muito mais direta. Não que em um namoro ou em um casamento não possa ser assim, mas em um encontro puramente sexual fica muito mais fácil falar com todas as letras que quer sexo oral, sexo anal, masturbação ou o que for, porque não há a preocupação de se deparar com um questionamento ou um comentário que magoe no dia seguinte, por exemplo.

Certifique-se de que a outra pessoa também entenda que é sexo casual
Para o sexo casual ser um sucesso, as duas partes precisam ter entendido muito bem que estão ali para transar e pronto. Se o parceiro ou a parceira não estiver na mesma sintonia e começar a tentar estender o vínculo para além disso, o retrogosto do encontro não será legal para você.

Antes de efetivamente ir para os finalmentes, dê um jeito de deixar claro que o que você procura nessa situação é prazer, apenas isso.

Proteja-se
Lembre-se de sempre usar camisinha, seja o sexo casual com um amigo, com uma amiga ou com aquela pessoa bacana que você acabou de conhecer na balada. A camisinha é indispensável para evitar infecções sexualmente transmissíveis (como HIV, sífilis e gonorreia, entre muitas outras), além de ajudar a prevenir uma gravidez indesejada.

Quando NÃO é bom partir para o sexo casual
Tudo muito legal, né? Mas saiba que tem situações em que é melhor você evitar o sexo casual.

“Se a mulher estiver em uma fase de muito questionamento sobre a vida afetiva, chateada por estar sozinha enquanto as amigas estão todas casando, sexo casual é uma péssima ideia”, alerta Carla. O risco de você querer transformar qualquer sapo em príncipe é muito grande, o que certamente terá você magoada lá no fim.

Marina também orienta que nunca se pense em sexo casual com uma pessoa por quem você tenha algum apreço afetivo especial. “Por mais prático que o sexo seja, toda relação sexual consentida envolve a liberação de ocitocina, o hormônio do vínculo. Se a mulher já tem uma paixãozinha, isso vai aumentar e criar falsas esperanças.”

Um último caso em que Marina desaconselha o sexo casual é para as românticas incuráveis. Se você é do tipo que espera telefonema e flores no dia seguinte, gosta de atenção prolongada e quer que o sexo seja sempre parte de algo maior, sexo casual definitivamente não é sua praia. É melhor esperar conhecer uma pessoa legal que possa satisfazer todas suas expectativas. E ela vai aparecer, tenha certeza!

Você é perfeccionista? 7 dicas para isso não atrapalhar a sua rotina

Publicado em UOL VivaBem, 05.08.18
Por: Daniel Navas

iStock

Perfeccionismo no dia a dia pode causar diversos problemas

A busca incessante pela ausência de falhas ou erros. Assim podemos definir de forma simples pessoas perfeccionistas. O problema é que as relações sociais e a saúde de quem sofre dessa condição podem ficar abaladas. Afinal de conta, os perfeccionistas costumam estipular metas ousadas e acreditam que o erro pode trazer consequências muito severas para suas vidas.

Os perfeccionistas consideram que para serem amados, aceitos e reconhecidos pelas pessoas precisam fazer tudo extremamente correto e serem alvos de elogios constantes. Num extremo isso pode levar a pessoa à depressão, já que ela nunca consegue realizar algo até o fim, ou sentir-se satisfeita consigo mesma.

Características do perfeccionista

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Para identificar aquelas pessoas que sempre buscam a perfeição, o primeiro passo é saber que elas demoram para entregar seu trabalho, porque nunca acham que está pronto, sempre podem melhorar. Evitam arriscar-se em muitas situações que poderiam lhe fazer bem ou trazer bons frutos pelo simples medo de errar. Quando planejam uma festa, por exemplo, ao término do evento sempre dizem “gostei, mas não foi do jeito que eu queria”. Ou seja, são os eternos insatisfeitos.

 

Além disso, os perfeccionistas preocupam-se com detalhes mínimos e exagerados que passariam despercebidos por qualquer outra pessoa. Em seus relacionamentos também sofrem, pois querem que o companheiro seja exatamente como imaginam, têm dificuldade em aceitar seus defeitos –são extremamente críticos, se acham o dono da razão — e não se permitem cometer erros, que são considerados por eles como sinônimo de estupidez, fracasso, incapacidade.

Será que você é perfeccionista?

Só você mesmo pode responder essa pergunta, já que o perfeccionismo é algo muito subjetivo. Algumas perguntas podem ajudar a identificar um perfeccionista. São elas:
Será que o meu nível de cobrança de fato está compatível com o que a atividade requer?
Será que estou gastando tempo em demasia me atendo a detalhes?
Minha preocupação em realizar uma atividade ou trabalho perfeitos e atenção aos aos detalhes às vezes prejudica a própria realização da tarefa?
A minha autocobrança e a cobrança aos outros são excessivas?

Respostas positivas a uma ou mais perguntas da lista podem ser um sinal de preocupação.

Como reverter essa situação?

Para tentar evitar que o problema tome conta da sua vida, aqui vão algumas dicas:

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1. Não cobre dos outros a perfeição Entenda que cada um pensa e age de uma forma. Ajude, caso seja necessário, mas não critique desnecessariamente. Isso pode deixar o ambiente de trabalho pesado e estressante, ou então, desestabilizar um relacionamento que vinha tranquilo.

 

2. Busque sempre olhar o lado positivo
Algumas vezes o perfeccionista se questiona somente para procurar o que está errado nos projetos que conduz, mesmo que os erros nem existam ou sejam os mínimos possíveis. Por isso, tente mudar o questionamento para “o que está bom aqui?”. Isso gera mais sentimentos positivos, menos estresse, melhor confiabilidade, otimismo, etc.

4. Perfeição não é sinônimo de sucesso
Êxito significa que algo foi realizado dentro do tempo estipulado sem causar sofrimento. Pensar numa ação que visa a perfeição só o distancia das condições de sucesso, porque frequentemente o distancia das condições de sucesso, porque frequentemente os prazos são ultrapassados ou desrespeitados.

5. Procure ajuda, se necessário
A psicoterapia é uma das melhores maneiras de aprender a detectar o problema e modificar seu comportamento. O olhar não julgador do terapeuta e seu acolhimento ajudará o paciente a dar conta do quanto está exigindo de si e dos outros exageradamente.

6. As pessoas não admiram os perfeccionistas
Claro que há quem goste de um trabalho minucioso, contudo, em alguns momentos, a cobrança para se alcançar a excelência pode levar a um ambiente de estresse ou não tão produtivo. Além disso, perfeccionistas acabam se tornando metódicos e demoram para entregar e finalizar as coisas, já que nunca estão satisfeitos com o trabalho realizado. Isso faz com que não exista admiração, mas sim um distanciamento das pessoas.

7. Aceite críticas
E não as leve para o lado pessoal, pois crescemos bastante com elas quando são construtivas. Uma crítica não significa que você fracassou, ou que é incompetente, mas apenas que algo poderia ser diferente.

Fontes: Israel Montefusco, psiquiatra pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e na Clínica Montefusco, em São Paulo; Yuri Busin, psicólogo e doutor em neurociência do comportamento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo; Marina Vasconcellos, psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e terapeuta familiar e de casal pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Silvia Donati, personal e coach e leader coach pela Sociedade Brasileira de Coaching; Luiz Francisco, psicólogo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e professor de psicologia da FADISP, em São Paulo.

 

Comentários sobre corpo afetam psicológico? Entenda caso de Bruna Marquezine

Publicado em Delas/IG, 05.09.18
Por Larissa Bomfim

Ao expor as críticas que recebe nas redes sociais, Bruna Marquezine abriu um debate sobre como críticas podem afetar psicologicamente uma pessoa.

A pressão estética para se ter um determinado tipo de corpo ainda é um problema e afeta até mesmo as celebridades. Bruna Marquezine , por exemplo, vem recebendo diversos comentários negativos sobre o corpo em uma de suas fotos no Instagram. Os seguidores afirmam que ela está “magra demais”, que fica “melhor ‘cheinha'” e precisa “dar uma engrossada nas pernas”.

Bruna Marquezine recebeu diversos comentários negativos sobre seu corpo nas redes e decidiu abrir debate

Reprodução/Instagram/brunamarquezine
Bruna Marquezine recebeu diversos comentários negativos sobre seu corpo nas redes e decidiu abrir debate

Ao ver o que estava acontecendo, a atriz publicou alguns “stories” na rede social respondendo esses internautas. “Quero falar de um assunto que acho importante. Quero dividir com vocês alguns comentários que tenho recebido. Prestem muita atenção”, disse ela antes de compartilhar o print de algumas críticas recebidas em sua foto.

“Adoro você, mas você está muito magra. Não acho bonito. Me desculpa, mas você ‘cheinha’ fica melhor”, disse uma seguidora. “Linda de rosto, mas vamos engordar mais essas pernas aí”, comentou outro internauta. “Se não está com nenhum problema de saúde, os amigos precisam dizer que essa magreza está muito feia. Já está ficando anoréxica, cuidado”, disse uma terceira.

Nos “stories” ela ainda afirma que não está com anorexia, como muitos estão acreditando. “Eu estou muito saudável, graças a Deus! Eu estou muito bem, isso deveria ser a única coisa importante”, complementou. “Também acho muito importante que a gente se sinta bem com o nosso corpo, e eu estou. Amo meu corpo e estou feliz com ele do jeito que ele é. Não quero emagrecer. Não estou fazendo nenhuma dieta para emagrecer”.

Bruna ainda relata que emagreceu para interpretar a personagem Catarina na novela “Deus Salve o Rei”, da Rede Globo, mas esteve acompanhada de nutricionistas e outros profissionais da saúde durante todo esse processo e que, atualmente, não pretende emagrecer mais.

“Por que estou falando tudo isso? Motivo número um: ser sincero é diferente de ser sem noção e sem educação. Se uma pessoa te pergunta sua opinião, você deve dizer a verdade. Se ela não te pergunta, você fica calado. E aí os chatos de plantão vão dizer: ‘mas você é uma pessoa pública, você postou uma foto no Instagram e as pessoas podem dar opinião’. Não, não podem”, disse.

Segundo a atriz, o problema dessas críticas e comentários é que, na realidade, só servem para machucar as pessoas, mesmo que essa não seja a principal intenção. “Eu eu não estou falando que vocês não podem fazer críticas nas minhas fotos, isso é para as fotos de qualquer pessoa. Se a sua crítica for ofender, machucar ou fazer com que essa pessoa se sinta mal sobre o corpo dela, não comenta.”

Assim, ela fala que é preciso “mudar esse raciocínio”, porque o corpo de cada um não deve agradar ninguém além da própria pessoa. “As pessoas precisam parar com isso. Eu vejo mulheres diminuindo as outras [nos comentários], e a gente está vivendo em uma era de aceitação”, comentou.

Como os comentários afetaram Bruna Marquezine?

Bruna Marquezine afirma que os comentários podem afetar o psicológico de uma pessoa e causar vários problemas

Reprodução/Instagram/brunamarquezine
Bruna Marquezine afirma que os comentários podem afetar o psicológico de uma pessoa e causar vários problemas

Bruna conta que antes de viver Catarina na televisão realmente teve dificuldade em aceitar o próprio corpo. “Eu nunca sofri com distúrbio alimentar, mas já sofri com distúrbio de imagem. Na época as pessoas não comentavam que eu estava muito magra , mas que eu estava um pouco gordinha, bochechuda, com quadril largo.”

“Eu acreditei na opinião alheia, comecei a detestar o meu corpo e achava que tinha que emagrecer de qualquer jeito. Tomava laxante todos os dias por três meses e me alimentava mal, eu não estava me amando”, lembra. Segundo relato, os familiares a ajudaram a procurar uma terapeuta para tratar o distúrbio e também a depressão.

Por causa da própria experiência, a atriz acredita que esse tipo de comentário é irresponsável, principalmente porque existem pessoas que não têm a ajuda que ela recebeu e podem ser psicologicamente afetadas por isso. “Até onde é tão importante opinar se você está ferindo outra pessoa?”, pergunta.

“Esses tipos de comentários ‘ingênuos’ de ‘engorda um pouco mais’ ou ‘emagrece um pouquinho, porque você está meio gordinha’, começam a fazer com que a gente se olhe diferente. Aí a gente se olha no espelho e começa a enxergar coisas que nunca tínhamos visto e que nem existiam, mas se tornam verdades dentro da gente e fazem com que a gente não se ame mais, não se sinta bonita.”

Ela também afirma que não está impedindo que as pessoas comentem em suas fotos, mas quer alertar sobre como essas atitudes geram consequências. “Para todas as pessoas que fazem esse tipo de comentário nas fotos dos outros, comecem a refletir sobre a responsabilidade de vocês e as consequências que as suas palavras podem ter. Não é só um comentário, isso pode afetar muito quem está lendo.”

Para as pessoas que estão sofrendo com críticas desse tipo, ela aconselha que a única coisa que importa é que você esteja saudável e feliz. “Não permita que a opinião alheia forme a sua opinião sobre você mesma. Não se enxergue através do olhar do outro, escute a sua própria voz e busque se conhecer”, finaliza.

Mas, afinal, por que as pessoas fazem esses comentários?
Segundo especialista, não existe uma explicação para que as pessoas façam comentários negativos nas redes sociais

Segundo especialista, não existe uma explicação para que as pessoas façam comentários negativos nas redes sociais

De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, não existe uma explicação geral para o motivo das pessoas comentarem coisas desse tipo na internet. “Geralmente, as pessoas que opinam na vida dos outros também têm seus próprios problemas, seja ele baixa autoestima ou até o sentimento de inveja. Quando falamos de celebridades, como é o caso da Bruna Marquezine, as críticas são mais constantes.”

Segundo a especialista, as pessoas famosas provocam sentimentos, principalmente de inveja, pelo status, beleza, sucesso ou dinheiro. “Entretanto, ninguém tem direito de opinar na vida do outro, porque isso só diz respeito àquela pessoa, não importa se ela é famosa ou não.”

Por outro lado, os comentários realmente podem despertar sentimentos ruins, afetando a autoestima da pessoa que os recebe, além de transtornos como o distúrbio de imagem mencionado pela atriz. “Também chamado de dismorfia corporal, esse distúrbio faz com que a pessoa não se veja como ela é na realidade. Então ela é magra, mas se enxerga gorda, por exemplo, ou vê um defeito de forma exagerada.”

A profissional afirma que a dismorfia, se não tratada, também pode causar vários outros transtornos, como bulimia e anorexia. Nesse caso, e assim como Bruna Marquezine fez, o mais indicado é realmente procurar ajuda psicológica. “A terapia pode ajudar essa pessoa a fortalecer a autoestima e entender o porquê dela se sentir dessa forma”, explica.

Ainda mais importante do que falar sobre as  consequências das críticas , é reforçar a responsabilidade social de quem comenta. “É muito importante que as pessoas tenham responsabilidade antes de fazer esse tipo de comentário. É preciso ter o mínimo de bom senso e saber onde vai seu limite e começa o do outro para não invadir a privacidade dos outros.”

“É uma agressão, e por mais que você ache que não vai afetar isso pode ter consequências graves. Expor a opinião nas redes sociais é algo muito sério, e as pessoas deveriam ter um cuidado no geral quando estão fazendo comentários internet, para saber o que falar e como falar. É uma preocupação geral, não apenas para pessoas públicas”, finaliza Marina.

 

 

 

 

Como ajudar (de verdade) alguém que está com depressão

Publicado em Minha Vida, 13.08.18
PorLara Deus
Com empatia e conexão, é possível ser mais do que um ombro amigo

Young asian woman sadly sitting on dry leaf in the forest alone

Imagine ficar preso em um momento triste e não conseguir desviar os pensamentos dele, nem enxergar que a vida vale a pena? Esses são alguns dos pensamentos que estão na cabeça de quem vive um quadro depressivo. Cada um vive a depressão de uma forma. Há quem não consiga sair da cama, há quem se encha de compromissos para evitar momentos de crise mais fortes. De um lado, há o fato de que a depressão é um quadro difícil de compreender quando nunca se passou por ele. Por outro, sabe-se que é importante ter uma rede de apoio formada por amigos e família.
Esqueça a imagem da pessoa magra, pálida e que não consegue sair de casa. A depressão não tem cara, e muita gente tenta esconder essa condição às vezes até de si mesmo. Além disso, verbalizar a frase “eu estou com depressão” não é fácil, já que pode acabar colocando sobre si um estigma de fragilidade quem nem todos estão dispostos a encarar.

Como saber se algo está errado

Descobrir que alguém próximo está passando pela doença é essencial para ajudá-lo da maneira correta. Alguns sinais não tão óbvios aparecem no comportamento e no discurso.

Ana Lúcia Gomes Castello, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de EMDR (uma abordagem psicoterapêutica), explica que o principal sinal da depressão é quando a pessoa entra num estado de melancolia e não tem iniciativa para fazer coisas novas. Notar perda de interesse em mudar os objetivos de vida é comum.

A depressão também pode levar a sintomas frequentemente associados ao estresse. De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, nem sempre há perda da vontade de comer, já que o apetite pode aumentar muito. Nem sempre a pessoa aparenta a tradicional apatia, mas pode demonstrar irritabilidade, mau humor constante e dificuldades de concentração. Marina também cita a culpa constante como muito presente no discurso de quem está com depressão.

Esses sinais podem ser apresentados por pessoas que estão ao seu lado no trabalho ou frequentando os mesmos círculos sociais que você.

O papel de ajudá-las é dos profissionais da saúde mental. “O psicólogo lida com as causas e o ensina a encontrar uma maneira mais saudável para se colocar na vida, enquanto o psiquiatra entra com a medicação que aliviará os sintomas”, explica Marina. Por isso, reforçar a importância de elas se consultarem com eles é o primeiro passo.

Ajudar quem está com depressão a passar por esse momento também exige aprender a se conectar com elas da forma correta.

Como conversar com alguém que está em depressão

De acordo com as psicólogas entrevistadas, há uma série de frases ditas para alguém que está com depressão que podem mais atrapalhar do que ajudar. Entre elas, estão:

  • “Você precisa sair desta e não se entregar”
  • “Você poderia estar melhor se reagisse”
  • “Se você não sair da cama isto não vai passar”
  • “Pense que tem pessoas que tem problemas maiores que o seu”
  • “Deixe de frescuras e venha conosco tomar uma no bar…”
  • “Vá pra academia e deixe a preguiça de lado”
  • “Pare de chorar à toa!”
  • “Isso é coisa da sua cabeça, você não tem nada demais”

o invés disso, é possível conversar de forma com que a pessoa com depressão não sinta que seus sentimentos estão invalidados. Muito além de prestar a atenção às palavras, a chave é a empatia para valorizar os sentimentos dela sem julgá-los. Não insinuar que a pessoa é fraca por estar com depressão também é um bom jeito de conversar com ela, defende Ana Lúcia.

Quando convive com uma pessoa que está com depressão, é importante pesquisar sobre a doença. Só assim você vai perceber o que é dela e o que é do transtorno. É o que recomenda a psicóloga Marina, que exemplifica: “Relevar os argumentos negativos e saber que isso faz parte da doença pode auxiliar para que se tenha paciência com o discurso dele, que é sempre bem pessimista”.

Às vezes simples questionamentos mais profundos em um momento errado faz com que alguém reviva momentos e pense sobre assuntos que não queria acessar no momento. Então que tal apenas dizer que está ali para esses momentos difíceis?

Além disso, se conectar a pessoas que estão em depressão pede mais que palavras, e sim gestos.

Ações para ajudar de verdade

Nem sempre forçar a pessoa a estar em situações em que ela supostamente ficará mais animada, como uma festa, é um jeito de ajudá-la a superar sua doença. “Ser uma boa companhia para desviar a atenção para a tristeza profunda pode ser uma saída para que a pessoa possa pensar em fazer algo para mudar a situação”, explica Ana Lúcia.

“Um passeio pelo parque pode ser uma boa opção para que entre em contato com a natureza e abra os pulmões… Ou apenas vá visitá-la para bater um papo, assistirem a um filme juntos em casa, mesmo, ou fazer algo que ela goste. Tente lembrá-la do que ela gostava de fazer e convide-a a tentar retomar algo”, sugere Marina.

O importante, segundo Ana Lúcia, é não deixar que a solidão não tome conta de quem está neste estado.

O que as mães adoram nos pais que participam (mesmo)

Publicado em itmae/uol ,09.08.18
Daniela Folloni

Pais participativos que, mais do que brincar, colocam a mão na massa: trocam fralda, ajudam nas tarefas da escola, cozinham… Estamos vendo cada vez mais famílias em que essa parceria entre pai e mãe acontece. “Nas novas gerações o pai assumiu mais tarefas na criação dos filhos, não deixando recair tudo sobre a mulher – já que esta também trabalha fora agora. Passou a participar de cuidados básicos antes exclusivos das mães, como trocar fraldas, dar comida e banho, acompanhar tarefas da escola, ir a reuniões de pais, levar os filhos às atividades extra curriculares, entre outras. Com isso, a relação pai e filho melhorou bastante, aproximando um contato antes bem formal e distante”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela UNIFESP. Segundo a psicóloga, as crianças ganham a proximidade afetiva do pai. “Agora ele consegue construir um vínculo muito mais intenso  e a criança só tem a ganhar, já que convive com o jeito de ser feminino e masculino e suas diferenças desde cedo.” E as mães o que ganham com isso? Perguntamos para elas.

“Em casa não tem essa de ‘não posso sair, porque meu marido não sabe dar comida pra bebê’, ou se saio, não fico com medo de ele não saber cuidar da Alice se ela chorar. Nós dividimos tudo isso desde o início, e é ótimo porque assim fica leve para nós dois. O Lucas assumiu para ele, por exemplo, o “turno da noite” com a Alice. Desde quando eu amamentava, e precisava dormir para ter mais leite, ele ficava com ela de madrugada para que eu pudesse descansar. Isso também foi muito importante para mim, principalmente durante o baby blues. E, quando está pesado, está para os dois, o que facilita entender irritação, cansaço etc.” Danielle Leonel Sanches, 35 anos.

O pai: Lucas Renan Bessel, 33 anos
A filha: Alice, 1 ano e 5 meses

O Lucas divide todos os cuidados com a Alice desde o nascimento dela. Inclusive o “turno da noite” é dele – e isso foi muito importante para Danielle, especialmente na fase do baby blues (foto: arquivo pessoal)

“Quando os gêmeos nasceram, o Rony fazia de tudo. Era ele quem dava banho todos os dias. Ajudava a trocar as fraldas e dar comida. Ele é um homem com um coração enorme e do tamanho de seu coração é o tamanho do seu bom humor e animação. Sempre que consegue voltar mais cedo do trabalho, ele aproveita para brincar com os meninos. Brincam de cabana, esconde esconde, montam castelos com peças de montar e plantam feijão para aprender como as plantinhas nascem. Aos finais de semana sempre fazemos programas em família. Mas, quando eu estava grávida da Nina e logo depois que ela nasceu, eu estava muito cansada e ele não deixava a peteca cair. Sempre levava os meninos ao parque para andar de bicicleta, andar de patinete, jogar bola, brincar na areia e muito mais. Eu sou daquelas mães super protetoras e preocupadas. Morro de medo que eles se machuquem, mesmo que seja apenas um arranhão. Então, graças a ele, esse pai maravilhoso, os meninos têm experiências e aprendizados incríveis. Karina Masijah Vainzof  35 anos 

O pai: Rony Vainzof 38 anos
Os filhos: Dani e Theo, 1 ano e 11 meses, Nina,  2 meses

Rony sempre deu banho nos gêmeos, tem o maior pique para brincar e não deixou a peteca cair quando Karina engravidou a Nina, assumindo os cuidados e passeios com os maiores sozinho (foto: arquivo pessoal)

” Meu papel é o departamento de compras e RH. O dele é financeiro e produção. Hahaha. Como qualquer organização, um lar tem que ter os papéis bem definidos e acordados para que TODOS possam se organizar e contribuir para o bom funcionamento. Nenhum papel é menor ou menos honroso que o outro. Todos são importantes. O Daniel fica com meninas quando eu vou correr ou quero tomar um café com as amigas.  E tem muito ânimo pra sair com elas, fazer esportes, etc. Arruma até bolsa térmica com os isotônicos e lanchinhos. Isso eu acho o máximo!  Bom mesmo é quando nenhum se sente sobrecarregado ou esquecido. Por vezes, alguns papéis se confundem ou deixam de ser cumpridos e isso dá problema. Afinal, ninguém aqui vive um lar de propaganda de margarina, mas nessas horas a gente conversa e reafirma os compromissos mútuos, pois o principal é querer fazer dar certo! Erika Olivatto Teixeira Lacerda Leite 42 anos

O pai: Daniel Lacerda Leite, 38 anos
As filhas: Ester, 10 anos, e Anna, 8 anos

O Daniel fica com meninas quando a Érika vai correr ou quer tomar um café com as amigas. E nos fins de semana as atividades esportivas também são com ele – com direito a bolsinha com lanche e isotônico (foto: arquivo pessoal)

“O Ricardo é o coração da casa, tento aprender com ele e até terapia tenho feito para deixar de ser a pessoa prática e do fazer e passar a ser um pouco mais como ele do ser, sentir, e estar. O Ricardo é muito da conversa e dos bons papos. Ele e o Rafa gostam muito de futebol então esse também é o momento deles: jogos na tevê, no estádio ou no PlayStation. A Maia já gosta das bonecas então ele é o pai ou o namorado das “filhas” dela no brincar de faz de conta. Também é pai da Isabela e da Camila, do primeiro casamento. Então, antes mesmo de termos o Rafa, eu já sabia que ele era um paizão com P maiúsculo. Sempre as incluiu em tudo que fazíamos, mesmo grávidos. Elas iam aos ultrassons, ajudaram no enxoval, no primeiro banho, na troca de fralda. O Ri faz questão de que os quatro estejam sempre juntos e presentes na vida um do outro. E se vira em 30 para agradar e estar presente na vida de cada um dos quatro. Teve época que eu me perguntava como ele conseguia buscar a filha de 15 anos na matinê, levar a filha de 19 para balada, acordar de madrugada e dar mamadeira para a menor e já sair para buscar a mais velha na balada. E, no outro dia de manhã ir para competição de judô do filho de 9. Ele ensina as crianças e a mim a meditar, a respirar!” Bárbara Brañas Gusmão, 41

O pai: Ricardo Pimentel Bozyk, 47
Os filhos: Camila, 19, Isabela, 15, Rafael, 9 anos, Ana Maia, 4 anos

Ricardo é pai de quatro e zen: não pira mesmo quando tem que levar uma filha na matinê, buscar a outra na balada, dar a mamadeira na madrugada para a menor e acordar cedo para assistir a competição do judo do menino (foto: arquivo pessoal)

 “Como eu faço a parte comercial da Feira Ópera, muitas vezes viajo entre 7 a 10 dias e o Fred cuida de absolutamente tudo e com excelência. Sinceramente, quando eu volto as crianças estão um “reloginho”. Ele ensina muito bem as crianças a serem organizadas, a guardarem os brinquedos no final da brincadeira, tirarem os sapatos antes de entrar em casa, a cuidar das coisas deles de uma forma geral. Aqui em casa, nossa rotina é bem dividida. Os banhos, por exemplo, até os 2 meses era só ele quem dava…aliás, ainda hoje ele tem o hábito de dar os banhos diariamente. Busca na escola, vai nas reuniões, leva na natação, põe para dormirem… Ele também tem uma alimentação balanceada. Adora cozinhar nos finais de semana, as crianças adoram a comida do papai e passam a gostar de alimentos que achavam não ser bons. Pouco tempo atrás, o espinafre foi a bola da vez.” Fernanda Menezes, 37 anos

O pai: Fred de Cunto, 45 anos
Os filhos: Gabriela, 6 anos, e Felipe, 3 anos

Fred com as crianças. Quando Fernanda viaja a trabalho, a rotina foca por conta dele integralmente. Segundo Fernanda, as crianças vieram um reloginho  (foto: arquivo pessoal)

“O Rodrigo tem uma rotina puxada de trabalho (sai de casa às 5h30 e volta às 18h30), mesmo assim ao chegar, serve o jantar comigo e antes do banho ainda tem pique para brincar de bola ou de luta com os meninos.  Normalmente, eu trabalho aos finais de semana e os meninos ficam por conta dele: desde o café da manhã, até o passeio no parque. Ele serve o almoço, leva para o futebol, para tomar sorvete. Quando tem reunião na escola, ele sempre quer ir para conversar com os professores. No último ano, passou a se envolver mais com a cozinha e além de esquentar a comida, agora sabe cozinhar. Faz a melhor batata doce na chapa (os meninos amam) e a melhor vitamina de banana ! O Ro tem um suuuper cuidado com a casa! Cuida do lixo, lava tooooda a louça aos finais de semana e ensina as crianças a cuidarem também: sujou, limpou! Ele fica do lado mas incentiva e instrui a usar o aspirador, e inclusive a limpar com bucha e sabão a marca de mão (ou pé!) sujo na parede.
Para quem acha que ele é perfeito, qualquer dia mando a lista dos defeitos! Risos”  Isabel Asckar Cavenaghi Pereira, 43 anos

O pai: Rodrigo Pereira, 43 anos
Os filhos: Mateus, 12, e Lucas, 6 anos

Mesmo com essa novo comportamento, ainda há muitos pais que deixam a maioria dos cuidados com as crianças por conta das mães. Existem maneiras de incentivar o pai a participar mais? “A mulher tem a tendência a cuidar mais, por seu jeito de ser. Seu modo de ver as coisas é diferente do homem, costuma ser mais afetiva, maternal e consegue expressar mais seus sentimentos. Portanto, os cuidados com os filhos acabam recaindo mais sobre elas naturalmente, independente de trabalhar fora ou não. Muitas lidam com isso numa boa, e gostam desse papel que assumem. Outras reclamam e gostariam da participação maior do pai. Aí é uma questão de conversar e pedir a ele que participe, pois muitos não fazem ideia de como ou o que fazer, já que podem ter sido criados por mães que faziam tudo em casa. Os modelos que cada um teve com os próprios pais influenciará diretamente no tratamento que ele dará aos filhos.”, finaliza Marina

  • DANIELA FOLLONI

Primeiros meses do bebê: como lidar com as noites em claro

Publicado em 1news, 14.07.18

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Um dos maiores desafios enfrentado pelos pais é conseguir dormir a noite quando eles tem que cuidar dos filhos pequenos, verifica-se que muitos genitores encontram dificuldades no momento de dormir, levando em consideração que os bebês acordam durante a madrugada em busca de leite ou por estarem com cólica.

Com relação ao assunto, Luciana Farias, mãe de Romeu confessou:   “Amo ser mãe, mas nunca imaginei que a privação de sono pegaria tão forte em mim eme deixaria tão irritada com meu filho” . O filho está com 5 meses de vida, destaca-se que é comum a muitos bebês pequenos não terem facilidade de dormir durante o período noturno.

Crianças pequenas encontram dificuldade para dormir durante o período noturno haja vista que não conseguem fazer diferença entre o dia e a noite, logo fazem com que os  adultos também fiquem acordados de madrugada. Ou seja, não dormem plenamente bem.

Luciana também fez a seguinte afirmação no que se refere ao assunto:  “Minha memória está um fiasco. Esqueço as coisas básicas, deixo roupa na centrifuga da máquina de lavar por dois dias, vou ao supermercado e não lembro de tudo que preciso comprar. Claro que esqueço a lista em casa também”.

Para solucionar a questão, a genitora procurou  um profissional que indicou um técnica conhecida como higiene do sono que é o estabelecimento de uma rotina que fará a preparação para o momento em que o  bebê for dormir. A técnica consiste em treinar o bebê para que ele consiga dormir durante o período noturno se sem interrupção.

A psicologa e terapeuta na área familiar Marina Vasconcellos  aborda o tema afirmando: “Acalmar o ambiente costuma dar muito certo.” Além disso o bebê ou a criança precisa de segurança e de uma sequência de acontecimentos para entender que está chegando a hora de dormir. O sono fica mais natural.

 

Os benefícios da corrida para o desempenho sexual

Publicado em Wrun, 16.07.18
Por: Lucas Imbimbo

O esporte melhora a resistência física, ajuda na concentração e mais!

A corrida ajuda no combate a doenças, estimula o contato com outras pessoas e… Pode ajudar a melhorar o desempenho sexual. Isso mesmo! A seguir explicamos como o esporte pode promover uma vida sexual mais saudável

1. Fôlego

Correr melhora a resistência, tanto cardiorrespiratória quanto muscular. “Correr exige um controle maior da respiração e contribui para evolução corporal, o que favorece, também, a performance sexual”, afirma a Dra. Karina Hatano, médica do esporte do Instituto Cohen. Haja fôlego!

2. Circulação

Mesmo com problemas crônicos, como a disfunção erétil – que atinge um a cada 10 homens ao menos uma vez na vida – a corrida pode ser benéfica. Além de fatores psicológicos, a impossibilidade fisiológica de aumentar o fluxo sanguíneo na região do pênis durante a ereção é uma das causas da disfunção. Correr auxilia a circulação, fazendo o coração bombear mais sangue para levar oxigênio às células musculares – e isso pode ter impacto benéfico na resolução do problema

3. Foco

Você já ouviu falar que, para correr, também é preciso treinar a mente? O esporte ajuda a controlar o psicológico e a manter a concentração. Como muitas das disfunções sexuais estão ligadas a fatores emocionais – como, por exemplo, a ejaculação precoce – o trabalho mental exigido na corrida acaba sendo muito efetivo também na cama. Além disso, a prática de regular física proporciona bem-estar e relaxamento, o que contribui (e muito!) na diminuição da ansiedade na hora do sexo.

Um estudo realizado pela VU University Medical Center, na Holanda, mostra que o exercício ajuda o cérebro a ter mais foco. Alunos foram submetidos a 20 minutos de exercícios aeróbicos todos os dias após a aula. Resultado: eles tiveram mais concentração e melhor resistência à distrações quando comparados aos alunos que fizeram menos ou nenhum exercício. “A corrida ajuda a distinguir o momento de tensão, do momento de relaxamento”, comenta Margareth dos Reis, sexóloga e Doutora em Ciências pela USP.

4. Fator hormonal

Uma pesquisa da Endocrine Society dos EUA descobriu que a corrida pode aumentar a produção de testosterona em homens, o que está diretamente relacionado com uma maior libido. Além disso, o esporte ainda tem efeito direto na diminuição dos efeitos do hipogonadismo, doença que está relacionada ao mau funcionamento das gônadas (testículos nos homens e ovários nas mulheres).

5. Mais excitação

Um estudo da Universidade do Texas, realizado com mulheres que relataram problemas sexuais por conta do uso de antidepressivos, descobriu que a prática de atividades físicas pode melhorar a excitação genital. Nos testes, as mulheres que se exercitaram mostraram maior resposta genital devido ao aumento da atividade do Sistema Nervoso Simpático, o responsável para preparar o corpo para situações de medo, estresse e excitação.

6. Autoestima

Não podemos deixar de fora também a questão física do esporte. Perder alguns quilinhos e estar bem consigo mesmo influencia diretamente no seu desempenho sexual. “A corrida melhora o humor, a auto-estima e a confiança da pessoa. Isso ajuda ela a não falhar na hora H”, diz Marina Vasconcellos, Psicóloga, Psicodramatista e Terapeuta Familiar pela PUC-SP. Segundo Marina, a corrida também traz benefícios às mulheres que estão na menopausa. “Muitas mulheres não sentem os sintomas da menopausa, por causa da corrida. Ela aumenta o apetite sexual e regula os hormônios”.

Overtraining

Do mesmo jeito que a corrida ajuda no desempenho sexual, ela também pode atrapalhar. É preciso ficar de olho no overtraining, que ocorre quando há o excesso de carga ou volume nos treinos, provocando fadiga. Esse cansaço pode causar a mudança de humor, prejudicar a saúde e também o sexo. Além da alta carga nos treinos, uma alimentação desregulada também pode contribuir para o overtraining.

Excluir as fotos ou não? O que fazer no Instagram quando a relação acaba?

Publicado em M de Mulher, 13.07.18
Por Por Raquel Drehmer

A decisão é de cada um, obviamente, e não tem nada a ver com ainda amar a outra pessoa.

Excluir as fotos ou não? O que fazer no Instagram quando a relação acaba?

Sempre que surge o boato de que algum casal famoso se separou, uma forma de checar se está tudo bem ou não é ver se as fotos dos pombinhos ainda estão no Instagram. Se tiverem sido deletadas, já sabemos que a próxima notícia deve ser a confirmação oficial do fim do relacionamento. Também rola de haver a confirmação e só um tempo depois rolar essa “limpeza” no feed.

Na verdade, isso não acontece só com os famosos: entre nós, anônimos, o dilema de deletar ou não as fotos do Instagram depois do fim de um relacionamento também é real.

A empresária Carolina Marins apagou todas as fotos em que aparecia o ex-marido e pai de seu filho quando o casamento de 11 anos acabou. Foi uma decisão difícil, como ela conta: “Pensei muitas vezes antes de apagar fotos em que ele estava com nosso filho ou fotos de festas legais a que fomos. Mas eu não queria correr o risco de ver a cara dele quando estivesse procurando alguma outra foto no meu perfil, porque nossa separação foi traumática, com abuso psicológico.”

De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, que atende um grupo de amor patológico no PRO-AMITI (Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso) do Hospital das Clínicas de São Paulo, é justamente a história do fim que acaba determinando a atitude das pessoas em relação às memórias em redes sociais:

“Tudo depende do tempo de relacionamento, do quanto foi bom, do quanto foi traumático. Às vezes, a pessoa quer esquecer que a outra existe, e excluir as fotos de um Instagram ajuda nesse processo.”

Exatamente por isso, deixar as fotos no feed pode significar apenas que o fim foi tranquilo e que não ficaram sentimentos ruins – nada a ver com um amor residual. “Uma foto no Instagram não é um porta-retrato na sala. Pode ser apenas uma foto de que a pessoa gosta, por ser de um momento bom que passou”, observa Marina.

Não se pode apagar o passado

Foi o que rolou com a programadora Jéssica Aline, que optou por deixar as fotos com o ex em seu feed.

“Quando tomei a decisão de tirar as fotos físicas dos porta-retratos de casa, questionei se faria o mesmo processo digitalmente. Minha conclusão foi que, diferente das fotos que eu tinha em casa, que eram objetos de decoração e tinham uma função de apreciação, as fotos digitais têm um significado diferente. Instagram e Facebook são, para mim, uma espécie de registro, então apagar de lá não faria sentido”, pondera. “O relacionamento acabou, mas em algum momento ele aconteceu. Então, desse ponto de vista, é natural que o registro fique lá.”

Excluir as fotos ou não? O que fazer no Instagram quando a relação acaba?

E quando um novo relacionamento começar? Será que as fotos podem continuar lá? Jéssica acredita que sim: “Um relacionamento novo não muda o fato de que eu estive em um relacionamento anterior, que coisas boas e ruins aconteceram e inclusive ajudaram a moldar quem eu sou hoje.”

O posicionamento maduro de Jéssica é o gancho para um alerta da psicóloga Marina sobre novos mozões ou mozonas que tentem forçar uma limpeza de feed de rede social. “Ninguém apaga o passado, ele continua existindo. Ninguém pode pedir que o outro ou a outra ‘apague o passado’ em uma rede social. Tem que respeitar a decisão alheia. Esse tipo de exigência pode ser um indício de relacionamento abusivo”, nota.

Indecisa se apaga ou não? Aproveite a função “ARQUIVAR”

Pode ser que seu término tenha sido ok e você esteja em dúvida se exclui ou não as fotos de um ou uma ex em seu feed. Ficar olhando para elas não é exatamente agradável, mas apagar para sempre também parece exagerado.

Neste caso, faça como a publicitária Aline (que pediu para não ter o sobrenome publicado, “para meu ex não ficar se achando, rsrsrs”), que colocou mais de cem fotos no arquivo do Instagram. “Não vou voltar a publicá-las, mas achei meio over excluir de fato. Elas estão ali guardadinhas e tudo bem. Não incomodam ninguém”, explica.

Para arquivar uma foto no Instagram, basta abri-la, clicar nos três pontinhos no canto superior da tela e selecionar a primeira opção, que é justamente “ARQUIVAR”.

Quando quiser ver as fotos arquivadas, basta ir até seu perfil e clicar no símbolo que parece um relógio ao lado de seu nome; é o arquivo. Lá estarão o arquivo de publicações e o arquivo de stories. Fique tranquila: só você consegue ter acesso a essa funcionalidade.

Smartphone e videogame entram na rotina dos residenciais para idosos

Publicado em Estadão/Notícias/Geral, 09.07.18
Por: Paula Felix, O Estado de São Paulo

Casas têm aulas de computação e jogos virtuais, com objetivo de estimular raciocínio, coordenação motora e aproximar os mais velhos da família.

Idosos e novas tecnologiasRonalda Caleiro participa de Oficina Conectados no Residencial Santa Cruz Foto: WERTHER SANTANA / ESTADÃO

“Como vai você? Eu preciso saber da sua vida”, cantarola a professora aposentada Ronalda Caleiro, de 90 anos, enquanto assiste a um vídeo do cantor Roberto Carlos no YouTube. Perto dela está a pedagoga aposentada Ney Rennó, de 83 anos, que joga paciência no computador. As duas não se intimidam com telas e cliques: são alunas de uma oficina que ensina os mais velhos a usar smartphones, redes sociais e computadores – tendência cada vez mais presente nos residenciais para idosos. Videogames também entraram no cardápio de atividades desses locais, onde é possível morar ou passar o dia, sob cuidados de profissionais.

Ronalda já participou de duas aulas desde que começou a viver, há um mês, no Residencial Santa Cruz, no Jardim Marajoara, zona sul paulista. E, embora nunca tenha gostado de tecnologia, está vendo o mundo virtual como uma alternativa para manter o contato com as pessoas que ama.

“Estava acostumada a lidar com casa, limpar, passar. Meu filho me deu um celular, mas achei muito difícil”, diz Ronalda. Precisa de tempo para aprender. Só tenho meu filho e meu neto e quero falar (com eles).”

A dona de casa Maria Bersot, de 86 anos, achava que não queria aprender a usar aparelhos tecnológicos. Mudou de ideia. “Quem está fora disso, não está no mundo. Em duas aulas, aprendi a telefonar pelo celular. O celular é muito rápido e eu apertava com força. Quando apertava o número um, ele já aparecia três vezes. Agora, já sei tirar foto. Aprendi sozinha.”

Maria usa o aparelho para se comunicar com a filha, que mora em Santos, no litoral paulista, e diz que é incentivada por ela a fazer aulas de computação. “Eu pensava que a tecnologia fosse difícil, mas não é”, diz.

A também dona de casa Maria Terezinha Ledo, de 86 anos, já tinha um pouco de conhecimento tecnológico, mas passou a interagir mais nas redes sociais após as aulas. “Tem coisas no Facebook que não sei muito. O resto vou enfrentando. Uso o WhatsApp todo dia e adoro foto.” O YouTube também caiu no gosto dela. “Escuto minhas músicas antigas: Orlando Silva, Nelson Gonçalves. Quase não vejo mais televisão”, conta.

Novidade

Gerente de Tecnologia da Informação do residencial, Alexandre Nadalutti explica que a oficina “Conectados” começou há cerca de dez meses para aproximar os idosos das tecnologias, mas sempre atendendo às suas demandas. “Essa aula ocorre uma vez por semana para que possam perder o medo e ver o que podem ganhar com o computador. Nossa abordagem é para ver o que gostam, como músicas, jogar cartas.”

Segundo ele, os benefícios vão além dos novos conhecimentos. “Estimulamos a coordenação motora, e um dos pontos mais legais é a interação com a família. Fazemos tour mostrando cidades com o Google Street View, eles conversam pelo Skype. As aulas ampliam os horizontes deles por meio da tecnologia”, diz.

A saudade da casa onde morava em Ubatuba, no litoral norte paulista, acaba quando Ney está na frente do computador. “Vejo a minha casa. Fechada, com a cortina aberta. Gosto de ver minha casa, minha cidade. Eu me sinto muito perto de lá.”

A aposentada conta que ganhou três computadores do filho, mas nunca se interessou. Agora, quer dar uma chance ao equipamento. “Quero aprender a me comunicar com minha família. Meus netos mandam fotografias em campeonatos de surfe. O que tem 9 anos ganhou. Não sei mexer no celular, mas, de vez em quando, eu vejo.”

Para a dona de casa Nair Olivieri, de 91 anos, a melhor parte é ouvir músicas italianas. Na aula, até cantou vendo um show de Andrea Bocelli. “Esse nem é um dos shows mais bonitos. Tem uns que eu choro. Com a minha idade, tem de ser coisa que bate no coração.”

Jogos

O videogame também está sendo usado em outros residenciais. Começou com testes no Recanto São Camilo, em Cotia, Grande São Paulo. E, no ano passado, passou a integrar a programação semanal. “Usamos um jogo de esportes, que tem futebol, tênis, boliche, escalada. Antigamente, utilizávamos os esportes convencionais e, agora, estamos com o Xbox. Trouxemos essa opção para que eles possam acompanhar as tecnologias”, diz a terapeuta ocupacional Juliana Firme, especialista em gerontologia.

Na atividade, são estimulados o raciocínio, a atenção, o equilíbrio, respeitando as limitações dos idosos. “Temos atividades manuais e buscamos na internet inspirações para que possam desenhar. Tem idosos que utilizam o celular e trazem o desejo de partilhar a rotina com os familiares”, conta.

Idosos e tecnologiasResidenciais para idosos apostam em atividades com tecnologia Foto: WERTHER SANTANA / ESTADÃO

Unidades têm Wi-Fi e até jogo de boliche virtual

Além do contato com smartphones durante as oficinais de tecnologia, os moradores dos residenciais para idosos usam aparelhos dados pelos parentes. Por isso, a rede interna de Wi-Fi se tornou uma necessidade.

Dos 370 residentes nas seis unidades do Cora Residencial Sênior, pelo menos 30 usam algum tipo de tecnologia. As aulas de informática e de smartphone estão começando a atrair adeptos. O Cora tem atividades do tipo em suas seis unidades na capital, em bairros como Jardins e Higienópolis, na região central de São Paulo.

“É uma forma de entretenimento. Eles buscam ver notícias, procuram receitas e mensagens, mas têm uma diferença em relação aos jovens, porque olham como algo que vai ajudar, não como alguma coisa que vai ter de usar o tempo todo”, explica Camilla Vilela, gerontóloga do residencial.

O videogame também foi incluído nas atividades e, há um ano, eles foram apresentados ao jogo de boliche virtual. “Nós usamos esse jogo porque foi uma atividade que fizeram de forma analógica. Eles relembram histórias e trazem conteúdo da vida deles. Quando começamos a atividade, não conseguiam entender como era possível o movimento do corpo ser reproduzido na televisão. Agora, estão bem animados”, afirma Camilla.

Na rede pública, também há oficinas do tipo para os mais velhos. O Centro de Referência do Idoso da zona norte, em Santana, vai abrir do dia 10 ao dia 24 inscrições para o curso gratuito de informática, que aborda o nível básico de computação e internet. O espaço também oferece aulas esporádicas de uso de smartphone.

Benefícios. Professor associado do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Cícero Galli Coimbra explica que o benefício de novos aprendizados em qualquer etapa da vida já foi provado em estudos científicos. “Quando a pessoa está aberta a aprender coisas novas, mantém a produção de neurônios novos. Os idosos não devem se sentir inibidos”, destaca.

De acordo com o especialista, a interação com outras pessoas também contribui para a longevidade. “Quanto mais interação social com familiares, amigos e conhecidos, mais preservação o idoso vai ter da capacidade cognitiva. Falar e ouvir a voz é uma maneira de escapar do isolamento”, diz.

QUATRO PERGUNTAS PARA: Marina Vasconcellos, terapeuta de família da Unifesp

1. Qual a importância de idosos terem contato com tecnologias?

Além de desenvolver o cérebro – porque estímulos diferentes ajudam a não desenvolver doenças degenerativas – há contato com a nova geração. Quem não tem família se aproxima do mundo, vê palestras e lugares.

2. Essas atividades também são lúdicas. Isso faz diferença?

O lúdico é sempre bem-vindo em qualquer idade. Quando se aprende de modo divertido, aprende-se mais, porque o cérebro tem a memória afetiva. Se a pessoa não faz nada físico, é uma forma de se exercitar sem achar que está fazendo exercício.

3. Alguns usam para ouvir músicas da juventude e ver locais do passado. Qual o efeito disso?

Tudo que traz boas emoções é bom para a felicidade. Ajuda na memória, que deve ser estimulada para ser mantida.

4. Como parentes podem ajudar com a tecnologia?

Buscar algo não tão difícil de aprender e um modo legal de ensinar – um jogo que se aproxime do mundo do idoso. E é importante saber que nem todos vão querer isso.

Como treinar seu cérebro e ser uma pessoa mais positiva

Publicado em Boa Forma/Estilo de Vida, 30.06.18
Por Marcia Di Domenico (colaboradora)

Valorizar os pontos positivos da sua personalidade está entre os exercícios considerados bons para a mente e para uma vida melhor

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Muita gente acha que felicidade é ausência de conflitos, tristeza ou problemas. Só que todo mundo passa por momentos ruins: o fim de um relacionamento, uma doença, a perda de alguém querido, a falta de grana. É inevitável – e o que nos torna humanos.

O segredo, segundo a psicologia positiva (linha que estuda o que faz as pessoas felizes), é atravessar os altos e baixos sem perder a ternura. Coloque em prática atitudes como gratidão, compaixão, empatia, resiliência e otimismo.

“Você deixa de focar naquilo que não tem (e acha que a vida está sempre em débito com você) para valorizar os pontos fortes da sua personalidade”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo. Outro caminho: “malhar” o cérebro. Novos comportamentos formam novas conexões entre os neurônios e, assim como o treino na academia, a repetição resulta em mais condicionamento e força – nesse caso, para lidar com o stress, construa relações melhores e viva bem.

 

Transar sem vontade. Que mulher não conhece esse “autoabuso”?

Publicado em UOL/Blog Nina Lemos, 29.05.18

A cena é a seguinte. A mulher não está a fim de transar. O namorado/marido, insiste. Ela diz não. Ele insiste mais. Ela cede. Afinal, isso pode virar uma DR, uma briga sem fim. Ela transa sem a menor vontade. Depois, se sente um lixo. Quem nunca?

O “autoabuso”, como é nomeado por psicanalistas ouvidas por esse blog, ou simplesmente “transar sem vontade” ainda é muito comum. E um tabu. Sim, somos todas muito bem resolvidas e empoderadas. Mas e na hora de levar o “não é não”para dentro de casa? A coisa nem sempre funciona desse jeito tão tão “moderno.”

Joguei esse assunto em vários grupos de amigas. Em 99% dos casos, ouvi, “é mesmo, quem nunca”.

“Acho que a gente aceita fazer sem vontade pensando: “assim acaba logo e eu posso dormir. Não me custa tanto mesmo”, diz a escritora F, de 46 anos, em um relacionamento sério há oito. Para ela, a mudança de postura veio com a idade. “Eu pensei isso quando era jovem, hoje eu não tenho paciência.” F. acredita que o assunto não é muito debatido por ser “uma daquelas coisas que estão internalizadas como “fatos da vida’. Homem tem libido mais ativa, blá blá bla.

A psicanalista Mariana Stock, fundadora do espaço de vivência de sexualidade Prazerela, concorda. Isso é muito mais comum do que pensamos, mas não vemos como problema, porque historicamente é normal, faz parte do relacionamento. As mulheres se submetem faz tanto tempo, que isso já foi normalizado.”

Doce na boca da criança

“Todo mundo já fez isso, é normal. Só que ninguém fala, porque sexo é uma coisa que tem que ser super especial, perfeita. Na rotina, na vida a dois, não é assim. Não é legal transar sem vontade, mas muitas vezes já preferi transar a ter uma DR”, diz M., uma produtora de 45 anos, que já morou junto três vezes e é mãe de um adolescente. “A gente se coloca como uma ovelha a ser sacrificada. O sacrifício, no caso, é para evitar uma discussão chata”, ela diz. E completa: “Quanto mais não se fala, mais outras mulheres se sentem um lixo, achando que elas são as únicas que não têm uma vida sexual perfeita. Mas a realidade é essa. Às vezes a gente pensa: “ah, vou dar esse doce na boca da criança para ela parar de reclamar.”

Tranquilo? Nem tanto. “Claro que não é legal. Mas você vê, até o nosso corpo foi feito de uma maneira que faz ser possível fazer o que a gente não quer porque o outro quer. Homem, se não estiver com vontade, não consegue transar, não é? A gente consegue. É absurdo isso”, reflete.

Na maioria das vezes em que transou sem vontade para evitar discussão chata, ela conta que nem pensou muito nisso no dia seguinte. Mas em duas ocasiões a situação já foi traumática. “Meu primeiro namorado tinha uma libido louca, quela coisa de adolescente.Um dia ele encheu tanto o saco que eu abri a perna e disse, com raiva: “quer? Então vem.” E você acredita que ele veio e começou a transar comigo? Dei um chute nele, fiquei com ódio”, conta. O relacionamento, claro, não durou. “Fiz isso como prova mesmo, para ver até onde ele ia. O pior, aconteceu a mesma coisa comigo mais velha, já com 30 e poucos anos. Nos dois casos, terminei. Era a prova de que não me enxergavam, não me respeitavam.”

“Em muitos casos, existe uma incapacidade total de enxergar. E, se o homem acha que a mulher está lá para servi-lo, e a mulher se coloca nessa posição, ela vira uma boneca inflável”, diz a psicóloga Marina Vasconcellos, especializa em atendimento de casais.

“Não enxergar a parceira pode ser sim uma agressão. Mas as coisas precisam ser ditas. Se ela falar que não quer, e o cara ficar magoado, problema dele. Ele que vai ter que lidar com essa frustração.”

Por que que a gente é assim?

Cada um que lide com o seu desapontamento parece o óbvio, certo? Mas ainda não é. “Se você está em um relacionamento onde faz sexo sem querer, é hora de se perguntar: por que estou nessa? Por que me coloco nesse lugar? A mulher foi educada para não se colocar como ser desejante, mas ela tem que aprender a se apropriar da sua própria sexualidade e desejo”, diz Mariana Stock.

Marina Vasconcellos também acredita que a solução passa pelo diálogo. “Se você fala, conversa e não funciona, pode procurar uma terapia de casal. Mas em alguns casos, a solução é acabar com o relacionamento mesmo, não dá para ficar com quem não te respeita”, ela diz. E lembra que o sexo sem desejo é muito comum em relacionamentos abusivos.

A arquiteta A., de 36 anos, viveu isso na pele.

“Vivi um relacionamento de abuso psicológico. O sujeito fazia eu me sentir um lixo. E com o tempo, comecei a acreditar nele. Meu interesse sexual caiu, claro. Aí, eu me sentia obrigada a transar, como se fosse a única parte do meu relacionamento que podia dar meio certo, Tipo, se eu sou uma mulher tão ruim, pelo menos sexo eu tenho que saber fazer.” A. viveu essa situação por seis meses. Depois de muito conversar com amigas, percebeu que vivia um relacionamento abusivo e terminou tudo. “Pouco tempo depois, já estava saindo com outro cara, e transando com vontade, porque sexo nunca tinha sido um problema para mim”, ela diz.

E nem tem que ser.

Luz no fim do túnel

A médica S., 46, casada há 21 anos, é um exemplo de que nem tudo está perdido. “Eu não faço sexo sem vontade. Se não quero, eu e o meu marido preferimos fazer outras coisas, como ver um filme, sair para jantar”, ela conta, dizendo que o “não é não” tem que valer também para dentro de casa. “Antes de casar, tive namorados que ficaram com raiva quando eu dizia que não queria. Mas problema deles, não meu.”

Que sirva de exemplo. Sim, gente, dizer não é possível.

Celular na hora de dormir está ligado a depressão em adolescentes

Publicado, Terra/Estilo da Vida, 26.04.18

Estabelecer limites é importante para que uma ferramenta útil não se torne uma grande inimiga ao nosso bem estar

Muitos jovens têm o hábito de ficar no celular até altas horas da noite. Os motivos são vários, e a internet oferece diversas formas de entretenimento. Porém, este hábito pode não apenas desregular o relógio biológico de nosso corpo, como também prejudicar nossa saúde mental e sensação de bem estar. Um estudo de longa duração realizado pela Universidade de Murdoch, na Austrália, mostrou como o uso de celular a noite está relacionado a uma saúde mental fragilizada.

Segundo Lynette Vernon, que conduziu a pesquisa, o número de adolescentes que mandam mensagens pelo celular durante as horas destinadas ao sono vêm aumentando a cada ano. Para ela, este aumento está conectado com uma crescente falta de descanso presente entre os adolescentes, o que causa um decréscimo na sensação de bem estar.

Como o estudo foi feito

Durante um pouco mais de quatro anos, um grupo de 1.101 adolescentes com idades entre 13 e 16 anos, foram acompanhados durante o período escolar. Todos eles tinham hábitos noturnos com seus celulares, o que causava um sono de menor qualidade. Ao serem questionados sobre seus estados emocionais, relataram sensação de baixa autoestima, dificuldades de raciocínio e tendências depressivas. Estes sintomas influenciaram diretamente em seu rendimento escolar.

Um fato assustador, é que os próprios adolescentes afirmam que se sentem estressados, pois no momento em que a noite chega, eles são incapazes de se desconectarem de seus celulares.

Outros estudos apontam para o problema

Um estudo de menor escala, ocorrido em 2014, feito por Elizabeth Englander, professora de psicologia na Universidade estadual de Bridgewater, acompanhou 642 adolescentes e descobriu que 80% deles mantinham o hábito de mexer no celular a noite ao invés de dormir, perdendo até duas horas de sono diárias. 45% dos participantes disseram estar lutando contra a depressão.

O que fazer para evitar que isso ocorra

É necessário dialogar com os filhos e estabelecer limites, para que o uso excessivo do celular não acabe gerando maiores problemas em um futuro próximo. O rendimento das crianças e adolescentes em diversas áreas de suas vidas podem ficar comprometidas caso este auxílio não ocorra. Veja algumas dicas concebidas pela psicóloga Marina Vasconcellos, para que você possa ajudar seus filhos a se desconectarem do celular a noite:

Desabilite as notificações

Para que você possa dormir sem distrações, é importante desativar quaisquer sons que seu celular possa produzir, para que não ocorra a tentação de ver o que acontece na tela, desviando sua concentração do sono.

Compre um despertador

Ao desligar o celular durante a noite, e optar por um despertador tradicional para acordar no dia seguinte, você elimina pouco a pouco a conexão entre o uso de celular e a hora de dormir.

Não tenha medo de desligar

Se for para relaxar, numa viagem ou num final de semana, não tenha receio de desligar o celular. A maior parte dos seus problemas pode esperar até a segunda-feira. A fácil conexão entre as pessoas pode ser benéfica em casos de emergências, mas também pode ser prejudicial no momento em que lhe deixa prisioneiro de sua rotina.

Procure um especialista

Caso não consiga bloquear o uso do celular na hora de dormir, e isto esteja lhe causando mal estar e estresse, é válido buscar ajuda de um especialista. Marina faz uma ressalva: “Procure um profissional que esteja familiarizado com esse tipo de problema, evitando conselhos que envolvam a proibição da internet no celular. As conexões são cada vez mais necessárias, portanto, o cuidado deve focar em preservar sua rotina além da dependência dos aparelhos”, conclui.

Como saber quando procurar a ajuda de um psicólogo

Publicado em Gazeta Esportiva/Bem Estar, 26.03.18

Psicologia é o estudo científico do funcionamento mental do ser humano, assim como de seu comportamento. Tem como objetivo a melhoria da qualidade de vida do homem em todas as áreas, propiciando a este um autoconhecimento profundo que lhe facilitará entrar em contato com seus sentimentos e expô-los de maneira adequada, bem como posicionar-se no mundo com maior autenticidade e segurança.

As pessoas buscam psicoterapia geralmente quando algo não está bem, no momento em que passam por conflitos em seus relacionamentos, quando não conseguem resolver situações de impasse, para auxiliar a elaboração de lutos (seja por morte, separações, perda de algo importante na vida), para superarem seus medos ou questionarem seu modo de agir perante a vida. Buscam o autoconhecimento e a melhoria da qualidade de vida, já que ao sentirem-se mais seguras de si, com uma boa autoestima, consequentemente adquirem mais leveza e autonomia na condução dos problemas.

Há aqueles que buscam o psicólogo com a ilusão de que daremos soluções para seus problemas, pedindo conselhos de como agir em certas situações. Ledo engano. Psicólogos não dão conselhos, mas sim ajudam as pessoas a descobrirem seu próprio potencial criativo, encontrando em si as respostas para suas perguntas. Eles ajudam no processo de voltar o olhar para si, buscando suas responsabilidades pelos próprios atos, questionando possibilidades e aumentando o ângulo de visão das coisas, assim como desenvolvendo novas capacidades para lidar com as situações adversas, que sempre existirão na vida de qualquer um.

Quem procura psicoterapia não necessariamente está doente ou é “louco”. Esta ideia errônea é alimentada por uma boa parte da sociedade a respeito desse trabalho em plena atualidade. A importância da atuação do psicólogo na saúde emocional das pessoas deixa de ser reconhecida e aproveitada muitas vezes por conta de um velho preconceito.

Muitas pessoas acreditam conseguir resolver sozinhas seus problemas por medo do que os outros “irão pensar”, caso saibam que elas precisaram recorrer a alguém “estranho” para lhes ajudar a fazê-lo. Infelizmente, passam anos sofrendo por algo que, caso tivessem dividido com um profissional especializado, poderiam ter resolvido mais rapidamente e com menos sofrimento. É muito comum a pessoa que está dentro do problema não conseguir enxergar uma saída, enquanto aquele que está fora pode, justamente por não estar contaminado pela emoção da vivência, visualizar alternativas possíveis.

Traumas vividos na infância ou em qualquer idade podem ser olhados e tratados para que não surtam efeitos nocivos no indivíduo; relações conflituosas entre familiares ou de qualquer outra natureza podem ser elaboradas e resolvidas, facilitando a comunicação antes difícil ou inexistente; separações amorosas são trabalhadas para que se possa seguir em frente sem o peso de algo mal resolvido; pessoas que sofrem com crises típicas da idade – adolescência, frustrações com emprego, envelhecimento… –; dificuldade em reconhecer sentimentos e lidar com eles; inabilidade social; vícios. Enfim, qualquer problema tem espaço para ser exposto e trabalhado com a devida importância, sem julgamento ou crítica, num contexto protegido e acolhedor.

Qualquer pessoa pode se beneficiar do processo terapêutico, e não é preciso temer o julgamento dos outros. Ir ao psicólogo pode ajudar tanto aqueles que sofrem com doenças como depressão, Síndrome do Pânico, ansiedade, estresse ou outros transtornos psiquiátricos – e nesses casos sim, trabalharemos em conjunto com o psiquiatra que entrará com medicação, caso haja necessidade -, quanto os que simplesmente querem melhorar a forma como encaram a vida e suas dificuldades mais corriqueiras.

Portanto, você está infeliz ou com algum conflito emocional? Sente-se sozinho e não tem com quem se abrir? Não consegue expressar suas insatisfações para alguém que ama ou no trabalho? Seja qual for o seu problema, experimente fazer uma psicoterapia para se conhecer, entender suas dificuldades e buscar uma melhor qualidade de vida. Verá como muitas coisas que pareciam travadas e sem solução podem começar a andar, suas relações se tornarem mais saudáveis e seu posicionamento perante a vida, mais autêntico e leve.

Fonte: Marina Vasconcellos, psicóloga pela PUC–SP, Especialização em Psicodrama Terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, Psicodramatista Didata pela Federação TerBrasileira de Psicodrama (FEBRAP) e Terapeuta Familiar e de Casal pela UNIFESP.