Abusivo, tóxico: afinal, há diferenças entre termos que Mayra Cardi usa?

Publicado em UOL/ Universa, 29.06.20
Por: Nathália Geraldo

Três vídeos de pouco mais de dez minutos, dois feitos pela influenciadora e empresária Mayra Cardi e um pelo ator Arthur Aguiar, projetaram nas redes sociais os temas relacionamento abusivo, relacionamento tóxico e traição entre casais. Os dois terminaram o casamento em maio e tem uma filha, Sophia.

Mayra acusou o ex de traição e de ter sido abusador enquanto eles se relacionavam; no seu vídeo, entre outros assuntos, o ator se defendeu das críticas admitiu traição e rebateu o uso da palavra “abusador”. “Eu nunca menosprezei ela, nunca bati, nunca gritei. Nunca impedi ela (sic) de fazer nada. Eu não fui esse cara para ela. Em relacionamentos existem erros e acertos, e sei que meus acertos não são de interesse de ninguém”. Os desentendimentos do ex-casal chegaram às redes e suscitaram dúvidas. O que configura um relacionamento abusivo? O fato de uma das partes envolvidas trair com outras pessoas já se enquadra nesse comportamento?

Relacionamento abusivo: o que configura?

O vídeo publicado neste domingo (28) por Mayra Cardi no Instagram leva o título “Relacionamentos Tóxicos e Abusivo”. Na publicação, ela afirma que não é especialista no tema, mas que é “uma mulher que caiu muitas vezes nessa armadilha da vida” e que faz o depoimento para que mulheres como ela “possam entender como sair de um relacionamento como esse”.

A terapeuta de casais Marina Vasconcellos explica que há condutas que caracterizam esses tipos de relacionamento em que os envolvidos acabam machucados ou machucam ou fazem/são vítimas de abusos psicológicos. Pondera, no entanto, que “não dá para generalizar comportamentos humanos”.

Relacionamento abusivo:
“Basicamente, o relacionamento abusivo tem a ver com a intenção de se colocar em controle, e envolve violências (física, psicológica, financeira, etc.). A pessoa vai seduzindo e a outra não percebe”, explica. Ter acesso às senhas de celular, criticar as escolhas de roupa, interferir e impor mudanças na vida do outro, entre outras atitudes, podem ser interpretadas como abusivas. É comum que esses relacionamentos estejam imersos em ciclos, de tensão, crise e, então, “lua de mel”

Relacionamento tóxico:
“Já a relação tóxica é aquela em que não se tem equilíbrio e, mais, um precisa fazer o outro se sentir mal para ficar bem. Então, a pessoa humilha a outra — é a chamada ‘relação vampiresca'”. Além da toxicidade entre casais, é comum a presença de chefes, amigos e familiares tóxicos.

Abuso psicológico

Em qualquer caso, diz Marina, pode haver o abuso psicológico. É ele que, de fato, coloca quem o sofre em um lugar de vítima e, entre outros fatores, pode dificultar um rompimento ou fim daquela relação desequilibrada. “Isso acontece se a mulher não tem a autoestima reforçada”, aponta.

A cultura do machismo e a concepção de que homens são mais fortes fisicamente, via regra, do que mulheres, reforçam um emaranhado de condições que expõem mais mulheres a relacionamentos abusivos e tóxicos. “É quando o homem é carinhoso, o sexo é maravilhoso, mas fica mandando mensagens toda hora, diz que ‘mulher dele’ não vai sair sozinha. Isso pode ser confundido com cuidado, mas a pessoa está podando a individualidade do outro”.

Mulheres abusivas também existem, analisa a terapeuta, mas em uma proporção muito menor. “São pessoas narcisistas ou psicopatas — que, em algum nível não têm a empatia pelo outro”.

Traição e “ser embuste”
Brigar com o parceiro ou estar ao lado de quem não cumpre os acordos e compromissos estabelecidos pelos dois não são necessariamente elementos de um relacionamento abusivo (apesar de não ser saudável). “O relacionamento afetivo não é fácil; mas não é porque você briga que está em um abusivo; o que ressalto, entretanto, é que é preciso ter respeito”, analisa a terapeuta de casais.

Para a psicanalista Andrea Ladislau, a infidelidade pode levar a um ciclo nocivo para que o parceiro ou parceira intensifique o nível de atos de respeito; e isso se dá se a pessoa traída não estiver segura e aceitar o comportamento do outro, por exemplo, por medo de ficar sozinha, dependência do outro, carência, apego.

“Se a mulher sabe que ele tem amante e fica se culpando, ouve dele que só há traição porque ela ‘não dá conta’, e não consegue sair da relação, aí pode ser um relacionamento abusivo”, completa Vasconcellos.

Como sair de relacionamento não-saudável

Identificar as consequências negativas e o desequilíbrio que um relacionamento não-saudável pode acarretar para a vítima é uma das primeiras formas de enfrentá-lo.

É fundamental que quem é vítima de abuso psicológico dentro de um relacionamento busque ajuda externa: psicoterapia, ouvir a opinião de familiares e amigos e estratégias para fortalecer a autoestima são essenciais, principalmente para mulheres que são vítimas da violência e da discriminação de gênero.

Especialistas dão dicas de como alinhar os desejos sexuais do casal

Estresse, problemas hormonais e problemas para chegar ao orgasmo podem ser mais fácil de contornar do que você imagina

Publicado em Isto é –  Saúde da Mulher, 19.06.20

Crédito: Pixabay

Falta de compatibilidade quando se fala em libido não se limita aos lençóis. Segundo pesquisa, essa é a razão para o término de 35% dos relacionamentos e um dos principais motivos para que casais procurem terapia. Descubra o que pode estar causando esse desencontro ­– e maneiras simples de reacender a chama

Você quer sexo com mais frequência
Homens subestimam muito o desejo sexual de suas parceiras, é o que diz um recente estudo do Journal of Personality and Social Psychology (EUA), que também revela que, se eles pensam que a parceira não está disposta, eles não tomam iniciativa. Adivinhe só: mulheres querem sexo! Acontece que muitas vezes nós não nos sentimos muito confortáveis para expressar nossa sexualidade e, com isso, os homens não entendem nossos sinais.

Sincronize: Você tem que dizer diretamente ao seu parceiro que você quer sexo. Não se sente tão confortável para tocar no assunto? Insinue. Tente uma lingerie nova, por exemplo, algo que faça ele te ver como um ser sexual. “A mulher solteira, que quer conquistar um parceiro, tende a mostrar uma sexualidade mais liberta. Mas, depois que se casa, isso muitas vezes muda. Ela passa a ter outras preocupações, se vê apenas no papel de mãe, por exemplo, e acaba se comportando de maneira reprimida. Isso acontece porque a repressão sexual da mulher na sociedade ainda é muito forte”, comenta o médico e sexólogo João Borzino, de São Paulo. É essencial se conhecer, entender e deixar claro seus desejos. Se você faz várias investidas e ele não corresponde, abra o jogo revelando como essa ligação entre os lençóis é importante para você. Em um diálogo no qual ele não se sinta pressionado, as chances de ele se abrir sobre o problema são maiores.

Ele quer sexo com mais frequência
Os homens são criados em uma cultura que os estimula a ver e praticar o sexo de maneira natural, sem sentir culpa. “A mulher não foi educada para desejar sexo. Já o homem pode pensar e falar sobre isso o dia inteiro e ainda ser bem visto, enquanto nós pensamos na casa, nos filhos, nas organizações da vida profissional e sentimos que realmente não sobra tempo. O botão do sexo parece que fica em off”, comenta Sônia Eustáquia, de Belo Horizonte (MG), psicóloga e psicanalista especializada em Sexualidade Humana, Diagnóstico, Tratamento e Educação Sexual.

Sincronize: Não se force a situações em que não se sente confortável mas também não precisa desestimular os avanços dele (“que saco, você está com tesão o tempo todo…”). Converse com o parceiro e combine uma frequência com a qual os dois se sentem bem – isso evita que as tentativas dele acumulem frustração para ele e pressão para você. Se a falta de libido a incomoda, conte sobre como você se sente sobrecarregada e procure dividir melhor as preocupações e tarefas para que você tenha tempo de reativar seu desejo – lendo um livro erótico ou assistindo alguns filmes para incentivar esse pensamento, sem se sentir envergonhada com isso.

Você tem dificuldades para chegar ao orgasmo
O problema pode ser físico (muitas mulheres não conseguem gozar apenas com penetração, por exemplo) ou emocional. Nesse segundo caso é que complica: você precisa estar focada no momento (e não pensando em todos os seus afazeres) para se abrir a essa experiência, mas não tão concentrada a ponto de ver o ato como simplesmente uma procura por orgasmo. A ideia é descobrir o que a agrada, relaxar e entender que é um momento natural entre vocês dois. “Cada um sente o prazer da sua forma e é importante que sintam prazer juntos”, diz João.

Sincronize: Para garantir o prazer é preciso se conhecer, ter intimidade com o próprio corpo. A psicóloga e terapeuta de casais Marina Vasconcellos, de São Paulo, pontua um exercício para isso: “Se olhe no espelho ao sair do banho. Passe creme devagar ao longo de todos os cantos da pele para saber que pontos a excitam”. E, acima de tudo, liberte-se. “É essencial desbloquear a própria mente, se permitir ter e expressar o seu desejo”, ressalta. Então fique à vontade para conversar com o seu parceiro, ensinar o que a agrada e pedir por isso. Ainda pensando naquele prazo no trabalho? Fuja da sua realidade. Segundo Sônia, muitas mulheres não chegam ao clímax durante a relação porque não conseguem fantasiar e levar situações ao cérebro, para que ele responda na forma de relaxamento, possibilitando, assim, o orgasmo.

Ele tem dificuldade em chegar ao orgasmo
Contrariando a crença popular, nem todos os homens conseguem gozar facilmente. Ele também pode ter dificuldade em atingir o orgasmo e isso está relacionado não somente aos hormônios, como também a como ele se sente em relação a si mesmo e ao relacionamento.

Sincronize: “Reserve um tempo para que o casal possa conversar sobre isso”, aconselha Marina. É preciso identificar se há algum problema e tentar solucioná-lo. Às vezes, a causa é tão simples quanto a monotonia no relacionamento, coisa que vocês podem resolver com umas escapadas no carro ou tentando descobrir novas maneiras de excitar o outro – assistindo a um pornô juntos e comentando sobre as posições, por exemplo. Se nada resolver, talvez seja importante ele procurar um médico, para tratar tanto de questões psicológicas em relação a ele mesmo quanto de possíveis disfunções hormonais.

Você toma medicamentos e sente queda na libido
Algumas drogas interferem diretamente nos níveis hormonais da mulher. É o caso, por exemplo, de pílulas anticoncepcionais, que tendem a causar uma queda da libido feminina. Há ainda mudanças naturais que acontecem no nosso corpo, como a chegada da menopausa ou uma gravidez.

Sincronize: Se você percebe uma diferença clara entre o período A.P. e D.P. (antes e depois da pílula) converse com sua médica sobre métodos alternativos não hormonais para impedir a gravidez não desejada. Se for o caso de um medicamento necessário ou de mudanças naturais no corpo, procure outras maneiras de aumentar o desejo criando intimidade afetiva. A dica de Sônia é investir nas preliminares – e não as que você está pensando. “O sexo começa muito antes, em um bilhete de bom dia ou um gesto de carinho logo pela manhã”, comenta.

Ele toma medicamentos
As mudanças hormonais não são exclusividade da ala feminina. Com o tempo, eles também começam a produzir menos hormônios sexuais, e o uso de medicamentos, como antidepressivos, ainda podem interferir na libido dele.

Sincronize: É importante ter paciência. Valorize os momentos a dois. “Se o casal tem mais ou menos a mesma idade, vocês vão sentir essas mudanças juntos. Há a diminuição do desejo, mas vocês podem aproveitar o relacionamento de outras formas: viajando juntos, fazendo uma aula de dança, procurando outros tipos de prazer. A palavra libido não é só energia do sexo, é energia de vida e essa energia pode ser retomada a qualquer momento”, comenta Sônia. Se a mudança hormonal foi causada por medicamentos, incentive-o a conversar com o médico, que pode alterar a dosagem ou adicionar estimuladores (como Viagra) na prescrição para balancear.

Você acabou de ser promovida
Agora você tem mais responsabilidades e menos tempo. Esse tipo de notícia merece uma celebração, mas, também, uma revisada nas suas prioridades. Com tantas coisas para cuidar, é comum colocar o sexo no fim da lista. “A relação sexual é importante”, ressalta Sônia, “e um orgasmo é um relaxante de primeira”, completa.

Sincronize: O importante é criar um ambiente de relaxamento antes mesmo de pensar sobre sexo. Faça da sua casa seu abrigo – ali você não vai pensar no relatório da semana que vem. Se vocês têm filhos, deixe as crianças com os avós alguns dias ou coloque-as na cama mais cedo, para que vocês tenham um momento a sós. E inclua os momentos a dois na sua agenda, separando um dia da semana para vocês. “A ideia é possibilitar encontros sem programação, mas que foquem no afetivo, amoroso e sexual. Caso contrário, o casal ficará no campo da amizade”, explica Sônia.

Ele acaba de perder o emprego
Toda situação de estresse pode interferir na vida do casal. Quando há problemas financeiros, por exemplo, o casal passa a brigar mais e isso desgasta a relação, há menos energia emocional. Existe ainda o fator da baixa autoestima.

Sincronize: Assim como o estresse de ser promovida, o de perder o emprego também afeta o desejo sexual. Procurem relaxar juntos, com atividades como ioga, corrida ou mesmo um bar a dois no fim de semana – isso vai colaborar tanto para você se desligar do trabalho quanto para ele se sentir ocupado. No quarto, chegue de maneira sutil, mostrando que está aberta ao sexo quando ele se sentir bem, mas sem pressioná-lo. Transar libera um hormônio chamado ocitocina, que, além de reforçar o vínculo do casal, também relaxa, segundo João.

Pandemia desconstruiu a imagem de que jogadores são super heróis

Aumentaram os casos de atletas com sintomas de ansiedade e depressão durante a paralisação por conta do coronavírus

Publicado no site Futebol Interior, 09/05/2020.
Por: Agência Futebol Interior

O Grêmio é um dos clubes que retomou os treinamentos presenciais

Campinas, SP, 09 (AFI) – Precisou de uma pandemia para comprovar o que todo mundo já sabia, mas teimava em não acreditar: jogadores de futebol não são super heróis. Mesmo que alguns dirigentes e até mesmo o presidente do Brasil tentem, de forma irresponsável, ignorar isso.

Talvez por seus salários fora da realidade, talvez por serem responsáveis por levarem alegrias e tristezas para a casa de muitas pessoas, os jogadores foram colocados em uma prateleira acima dos seres humanos. Muitos deles, inclusive, se colocam nessa prateleira.

Mas aí veio a pandemia do coronavírus e mostrou que os jogadores são como você, que está lendo essa matéria. Eles têm sentimentos, medos, angustias. Não é a toa que muitos estão sofrendo com a paralisação do futebol.

“O mais importante é que estão percebendo que os jogadores também são seres humanos, também são pessoas vulneráveis física e psicologicamente, desconstruindo a ideia de heróis indestrutíveis que muitas vezes são colocados sobre eles. Precisamos olhar com mais humanidade para essas pessoas, pois estamos todos juntos no mesmo barco”, afirma a psicóloga do esporte, Gabriella Finatti, ao Portal Futebol Interior.

PREOCUPANTE!
De acordo com pesquisa realizada no mês passado pela FIFpro, o sindicato mundial de jogadores, foi notório o crescimento de jogadores que apresentaram sintomas de depressão e ansiedade desde que os campeonatos foram paralisados por conta da pandemia.

“A pandemia interrompeu a atividade dos jogador, que está impossibilitado de fazer o que ele faz diariamente. Houve uma queda brusca na produção, na sensação de utilidade. O fato de não saber o que vai acontecer provoca uma ansiedade muito grande. Porque ansiedade é isso, se preocupar com o amanhã”, disse a psicóloga Marina Vasconcellos.

E isso gera um efeito cascata, pois a questão psicológica interfere diretamente no fator físico dos jogadores. Quem apresenta sintomas de ansiedade e depressão perde o interesse, o apetite e o sono. Assim, não consegue seguir os treinos diários passados por seus clubes.

“Muitos não sabem lidar com isso (paralisação da atividade), pois precisa ter muita disciplina para fazer exercícios em casa, todos os dias, nos horários certos. Tudo isso produz ansiedade, pode desanimar e deprimir”, comenta Vasconcellos.

VAI MELHORAR?
Alguns clubes no Brasil já iniciaram seus treinamentos presenciais – Internacional e Grêmio – e outros estão preparando essa volta. Com isso, a tendência é que os jogadores voltem a se sentir úteis, diminuindo os casos de ansiedade e depressão. Mas a psicóloga Marina Vasconcellos alerta:

“Quando eles voltarem, (o psicológico) tende a melhorar rapidamente, porque vão descarregar a tensão fazendo os exercícios, vão ter contato com os companheiros. Mas eles precisam ter paciência, porque, se cobrarem o desempenho de antes, aí vem a ansiedade da cobrança ou depressão. É bom eles terem a consciência de que tudo vai mudar”.

“Brincando com Fogo”: adiar sexo ajuda ou atrapalha nos relacionamentos?

Publicado em Yahoo/Notícias , 14.05.20
Colaboração: Melissa Santos

Casal icônico do "Brincando com o Fogo", Harry e Francesca não respeitaram as regras do reality. Foto: Divulgação/Netflix

Logo que “Brincando com Fogo” (“Too Hot to Handle, em inglês), da Netflix, estreou no Brasil, o reality show foi parar no topo da lista de produções mais assistidas. Sem dúvida, muita gente ficou curiosa para entender o objetivo do programa que reuniu participantes solteiros e “atraentes” –com corpos e tipos físicos tidos como ideais pela sociedade– para ficarem juntos em uma casa sem poder ter relações sexuais, beijos e masturbação.

Os participantes, que descreveram no início do programa sua vida sexual ativa e falta de vontade de um relacionamento sério, só foram avisados dessas regras posteriormente pela robô Lana. Segundo a assistente virtual, eles deveriam se abster de sexo por um mês para obter duas conquistas:
1) um prêmio de 100 mil dólares, que sofreria redução caso as regras fossem quebradas
2) conseguir se conectar e ter relações amorosas mais profundas.

A premissa é que ao evitar o sexo sem compromisso, focado apenas na atração física, os homens e mulheres do jogo se conheceriam mais e poderiam iniciar um relacionamento sério. A afirmação dividiu opinião entre os especialistas ouvidos pelo Yahoo.

De acordo com Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramatista e especialista em terapia de casais e famílias pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), não partir para o sexo de primeira pode, de fato, contribuir para quem está querendo uma conexão mais profunda.

“Principalmente se a pessoa valoriza apenas o tesão imediato, aí o sexo casual pode prejudicar. Se não há envolvimento amoroso, você pode ter preconceitos que te impedem de iniciar certas relações, por exemplo, ela/ele é muito alto. Quando a pessoa se permite se relacionar primeiro, se encantar com o papo e só se envolver fisicamente depois, muitas vezes ela sequer lembrará quais eram esses problemas e pode se surpreender e se relacionar com alguém legal”, afirma.

Claro que construir uma relação não é simples e tampouco rápido. Leva tempo, dedicação, encontros e, também não podemos ignorar que a atração física, principalmente de início, também é levada em conta. “O beijo é a porta de entrada. Se ele não bate, muitos casais sequer vão adiante. No fundo, um relacionamento é uma construção. É o jeito da pessoa ser, como ela fala, o que vocês têm em comum, a admiração. Mas todos esses aspectos, sem dúvida, impactam na química e no sexo”, avalia Marina.

Já Carla Guth, psicóloga especializada em relacionamentos e família, acredita que não é possível confirmar ou não a teoria do reality, principalmente por conta do prêmio de dinheiro envolvido. “A premiação funciona como um estímulo para que as pessoas reprimam e controlem seus desejos. O prazer está ali, mas eles camuflam e escondem só para ganhar dinheiro”, diz.

Para Tiago Brumatti, sexólogo somático, o sexo é parte importante de uma relação e não impacta ou atrapalha conexões mais profundas. De qualquer forma, ele avalia que antes de mais nada é preciso levar em conta o tipo de expressão sexual do seu parceiro. “Há um estudo de David Schnarch que traça esses perfis. No caso do reality, a expressão dos participantes era focada em fantasias e conectadas com interpretações de papéis. Eles pensavam no sexo como aventura sexual e desejo e perdiam o interesse na hora de aprofundar o relacionamento”, destaca.

Por isso, o sexólogo acredita que os casais devem ter abertura para conhecer suas expressões sexuais e poder colocá-las em prática no dia a dia para ter um relacionamento sexualmente saudável. “Independente de reality show, cada indivíduo tem uma expressão sexual diferente e é preciso ter uma conversa franca com seu parceiro sobre isso, assim evitamos frustrações e conflitos futuros”, afirma.

“Quarentenados” falam sobre sexo virtual: “Achava ridículo, mas é muito bom”

Publicado em Yahoo/Notícias , 06.05.20
Colaboração: Vladimir Maluf (@vladmaluf)

Sexting se tornou uma realidade entre os casais. Foto: Getty Images

Tem muita gente com a vida sexual congelada por causa do novo coronavírus: casais que estão em casas separadas e, claro, os solteiros. A saída de algumas dessas pessoas tem sido o sexo virtual. O Yahoo! conversou com três delas para saber como está sendo essa experiência. E, se você torceu o nariz para a ideia, dê uma chance ao tema. Pode ser, sim, positivo para a relação e prazeroso — mas, atenção, exige cuidados. Quem diz isso é psicóloga Marina Vasconcellos, psicodramatista e especialista em terapia de casais e famílias pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

“Os casais que estão separados, por causa do isolamento, podem ser fortalecidos. Muitos estão brigando por estarem o tempo todo juntos, mas, quando você separa, é diferente, dá saudade”, diz Marina. “Ligações de vídeo, conversas eróticas, mensagens picantes, falar pelo telefone, tudo isso é muito saudável. Com certeza, provocará uma reaproximação do casal que está fisicamente afastado. Talvez o renascimento de uma relação adormecida pela rotina. Quando eles puderem se ver, imagine que maravilha vai ser…”

Ainda assim, Marina não recomenda o envio de fotos e vídeos nos quais seja possível reconhecer a identidade de quem está nas imagens — ou seja, que mostrem o rosto ou uma tatuagem, por exemplo. “O celular pode ser roubado ou o atual parceiro pode divulgar isso no futuro. Não é seguro. Melhor evitar.” O cuidado deve ser redobrado quando se trata de brincadeiras eróticas com desconhecidos na internet. Marina considera arriscada a exposição da intimidade — não só de imagens, mas informações pessoais. “Você não sabe quem está do outro lado, o que pode estar fazendo, se está gravando o conteúdo ou quais intenções tem. Se você já conhece a pessoa, tudo bem, é legal e gostoso, mas sempre tomando os devidos cuidados.”

Ela achava ridículo, mas adora

Sexo virtual sempre foi “uma coisa ridícula” para Michele, administradora de empresas, que tem 38 anos e prefere não revelar o nome verdadeiro. Começou a quarentena e ela e o crush resolveram que era mais seguro aguardar o período passar para terem um novo encontro. “A gente estava junto há quatro meses, quando tudo começou. Muito cedo para um ir para a casa do outro e nem eu nem ele moramos sozinhos.” Os dois ficaram trocando mensagens, como de costume, até que um dia o papo esquentou.

“Ele me mandou um nude e, na hora, eu achei só engraçado, meio bobo. Depois, o papo começou a ficar quente e ele mandou um vídeo dele, se masturbando. Aí, eu entrei no clima.” A partir daí, eles passaram a trocar pequenos vídeos e fotos e dizerem coisas que um gostaria de fazer com o outro.

“Sou muito encanada de mandar foto e vídeo, mas não deixei aparecer o rosto nem nada da minha casa que pudesse me identificar”, conta Michele. “Fui deixando rolar e, quando vi, estava excitadíssima com aquela situação, muito mais do que poderia imaginar. Resolvi fazer uma ligação de vídeo e ambos gozamos com o outro assistindo. É muito bom. Depois dessa, já fizemos de novo.”

Virtual e casual

Ficar em casa sozinho também estava sendo sexualmente entediante para Gabriel, nome fictício. O professor de inglês de 39 anos não estava se relacionando com ninguém, ultimamente, por isso, nem os papos quentes estavam rolando. “Eu resolvi continuar os matches do Tinder e, de lá, trouxe vários contatos para o WhatsApp. Como os solteiros estão todos na mesma, muita gente quer fazer ligação, com e sem vídeo. Aí, já viu, né?”

O “já viu” de Gabriel significa que já rolou tomar vinho, strip tease, brincadeiras com sex toys, mas tudo à distância. “Eu já tinha feito sexo virtual nos tempos do ICQ, que nem foto a gente mandava. Só texto e, às vezes, ligações. Eu curto essas coisas. Já transei várias vezes por telefone com uma ex-namorada, também, só pelo prazer, não havia necessidade de distanciamento obrigatória, como agora. Mas fazia muito tempo que não rolava.”

Para Gabriel, é engraçado que fosse uma prática tão incomum na vida dele, até então, sendo que há muito mais tecnologia hoje do que no passado. “Sinto que era bem mais comum antes do que agora, na minha opinião. Não tem muita lógica isso, pois, 20 anos atrás, não tinha smartphone, câmeras, WhatsApp… Hoje em dia, que todo mundo pode fazer ligação por vídeo, é mais raro conhecer mulher que curta esse tipo de coisa. Só agora, na quarentena, que está todo mundo subindo pelas paredes.”

Contradições, falta de noção de risco e desamparo econômico: o que faz as pessoas saírem de casa na quarentena

Publicado em Yahoo/Notícias ,24.04.20
Colaboração: Melissa Santos

(Felipe Beltrame/NurPhoto via Getty Images)

O distanciamento social é a principal recomendação das autoridades de saúde para evitar a propagação do novo coronavírus. No entanto, os índices de isolamento social têm apresentado queda em várias cidades e Estados, mesmo com a notícia de prorrogação da quarentena por várias autoridades locais e estaduais, como o governador João Doria que instituiu o isolamento até 10 de maio. Mas, afinal, o que tem feito com que as pessoas não respeitem essas recomendações?

De acordo com os especialistas ouvidos pelo Yahoo, são vários motivos que podem estar implicando e confundindo as pessoas sobre como lidar com essa situação. Confira, abaixo, cinco motivos do porquê isso pode estar acontecendo.

Contradições nas orientações das autoridades

Os discursos do presidente da República, do ex-ministro da Saúde, dos governadores dos Estados e de vários prefeitos diferem entre si, o que faz com que a população se sinta desamparada e resolva fazer o que acha mais prudente.

“Não dá para termos dois Papas na igreja e o mesmo serve para essa situação. Os irmãos [alguns prefeitos e governadores] mandam ficar em casa, mas o pai [presidente] diz o oposto. Quando uma recomendação é desobedecida pela instância máxima de poder, as pessoas já perdem o referencial do que seguir”, explica Gabriela Malzyner, psicóloga, psicanalista e mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP.

Ela complementa que a própria briga entre Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde, Mandetta, também fazia com que os cidadãos escolhessem qual lado seguir, esquecendo que as recomendações são da OMS (Organização Mundial de Saúde). “É como quando um casal briga e os filhos têm que escolher se vão ficar do lado do pai ou da mãe na situação. O problema é que muita gente não vê que essas recomendações e orientações não são de um sujeito, mas sim de uma instituição, da OMS”, pondera a psicóloga.

Informações cruzadas até entre profissionais da saúde

Na opinião de Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar pela PUC-SP, o fato dos próprios profissionais de saúde divergem entre o que é considerado, de fato, o isolamento social adequado também faz com que cada um flexibilize como acha mais adequado.

“Alguns médicos dizem que você pode praticar atividade física na rua tranquilamente se não cruzar com pessoas, enquanto outros não recomendam sair de casa de jeito nenhum. No fim, as pessoas não sabem como agir e quem obedecer”, afirma.

Falta de percepção de risco

Por ser invisível e impalpável, muitas pessoas não compreendem o risco de pegar o coronavírus. Essa falta de noção do perigo contribui para que muita gente “fure” o isolamento social.

“Essa falta de percepção de risco próximo é muito forte. Quando a pessoa perde alguém da família por essa doença, ela sabe e sente o que tá acontecendo. Tem medo! Sou infectologista e vejo gente morrendo todo dia por COVID-19! As pessoas não enxergam o real perigo que esse vírus pode infligir na população”, fala Alexandre Naime Barbosa, infectologista da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e professor da Unesp-Botucatu.

Falta de perspectiva do fim da quarentena

De acordo com Marina, o ser humano é um ser social por natureza e precisa do contanto físico até para a saúde mental. “Não nascemos para ficarmos confinado. O isolamento afeta e estressa o nosso cérebro. Ele provoca irritabilidade, mal humor, ansiedade e depressão”, afirma.

E, para piorar, não temos real perspectiva de quando essa situação terá fim. “Imagina entrar em um avião e não saber por quanto tempo vai voar. As primeiras horas são tranquilas, mas depois você fica agitado porque falta a perspectiva de quanto tempo você ainda tem na aeronave. É o que temos no isolamento! E o fato de não sabermos quando ele terá um fim faz com que algumas pessoas afrouxem as orientações de isolamento”, explica Gabriela.

Desamparo econômico 

Muitas famílias – principalmente de autônomos e empreendedores—estão sem seu sustento mensal e esse desespero pelo desamparo econômico também leva as pessoas a quebrarem o isolamento.

“Claro que as vidas são o mais importante, mas também temos que olhar para a questão econômica que é realmente preocupante. Tem gente que está passando fome e que encontra um jeito de sair de casa para trabalhar porque precisa ganhar dinheiro. Há muitos negócios falindo e muitas empresas não pagando os funcionários”, destaca Marina.

“As pessoas se angustiam com a falta de recursos dentro das casas e não há confiança de que o Estado vai dar conta de suprir essas necessidades básicas, o que faz tenha esse cenário de desamparo”, finaliza Gabriela.

Inversão: como identificar uma das técnicas mais comuns dos homens abusivos

Publicado em UOL/Universa-Relacionamento,22.04.20
Colaboração: Heloísa Noronha

Homens abusivos tendem a gerar dúvidas, sofrimento, dependência e submissão das parceiras - Getty Images

Gerar dúvidas, sofrimento, dependência e submissão nas parceiras — e, principalmente, manipulá-las para que se sintam culpadas e, assim, distraí-las para que não deem tanto peso aos maus-tratos emocionais e psicológicos que lhes infligem. Essas são algumas das atitudes dos homens abusivos, em especial os narcisistas, psicopatas e egoístas. Trata-se de uma prática conhecida como gaslighting.

De acordo com o psicólogo Marcelo Lábaki Agostinho, do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do IP-USP (Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo), os comportamentos humanos são determinados não só pela mente consciente, mas também, por aspectos inconscientes das pessoas. “Talvez o abusador emocional nem se dê conta do que está fazendo”, diz ele. “Assim, não afirmaria com todas as letras que o que ele quer gerar seja culpa ou sofrimento — mas o efeito do controle exercido gera, sim, esses sentimentos. Nem sempre o homem abusivo faz isso de maneira predeterminada.”

Uma possível explicação é que o abusador deposita na outra pessoa aspectos dele. “Nesse caso, é ele quem depende da parceira, embora não o saiba. E, para continuar vivendo a relação, faz com que ela passe a ser dependente”, afirma.

“Seria uma forma de ele não entrar em contato com a própria dependência, que pode estar ligada a experiências emocionais de muito sofrimento ou traumáticas. E nesse ponto que o termo inversão é interessante, pois invertem-se os sentimentos. O que o homem não quer reconhecer como dele, passa a ser da parceira. Ele ‘entrega’ para ela”, completa Marcelo.

Abusador acha que é vítima de pessoas burras

Para a psicóloga clínica Silvia Malamud, terapeuta de casal e família e especialista em abordagem direta a memórias do inconsciente, na inversão o abusador literalmente inverte verdades e fica com as rédeas de uma relação em que, aos poucos, vai se revelando como funciona em termos de controle e punição.

“As manipulações, em geral, são atuações comandadas por processos inconscientes. Por exemplo, mesmo que o abusador tenha consciência de que não pagou uma conta e que a responsabilidade deveria ser dele pelo fato de ter esquecido, ainda assim poderá ficar furioso acusando a mulher por não tê-lo avisado ou de não ter deixado a conta perto de seu campo de visão, criando um clima insuportável até que as verdades sejam totalmente suprimidas”, explica.

Se ele faz isso de modo consciente? “Não”, diz Silvia. “Ele se percebe como uma vítima de pessoas ‘incompetentes’, ‘burras’ e que ‘não são boas o suficiente’. Mas por que ele é tão irascível assim? Exatamente por causa do seu mecanismo frenético e inconsciente de inversão”, explica a psicóloga.

Ainda de acordo com ela, por causa de um histórico de muito sofrimento e por estratégia de sobrevivência, em algum momento o cérebro do abusador fez uso do mecanismo da dissociação, deixando de entrar em contato com seus aspectos mais nocivos. No entanto, o que fica escondido e ilhado dentro de si ainda está, de algum modo, incomodando.

E, como alívio das tensões, acaba sendo projetado para fora, a ponto de o abusador querer destruir, no outro, aquilo que lhe pertence como significado de dor. “Existe um ódio e um desdém que, em vez de ser direcionado a si mesmo, é invertido de todas as formas e maneiras no outro. O abusador não sente culpa nem remorso, porque o mal está invertido para fora de si e direcionado à parceira”, complementa.

Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o abusador considera suas atitudes normais. “Ele não acha que faz mal para outro nem que tudo aquilo que comete se trata de abuso. Na verdade, só o próprio bem importa”, relata.

Marina reforça que o discurso é sempre convincente, charmoso e manipulador. “É como se fosse uma espécie de lavagem cerebral executada diariamente. A parceira é sempre errada, equivocada, injusta, ingrata, irritante… Com o tempo, ela acaba duvidando das próprias ações e assumindo o que o outro diz dela”, afirma.

 

Como cuidar da saúde mental em tempos de pandemia

Publicado em Vogue-Sem Idade, 27.03.20
Por: Márcia Di Domenico

Saiba como reprogramar a rotina e os pensamentos para sair da quarentena mais forte do que entrou

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde que a covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus) ganhou status de pandemia e virou assunto principal em todas as rodas, redes e canais de TV, manter a mente sã, além do corpo são, em meio à recomendação de isolamento social e às incertezas em torno de uma doença desconhecida até para os profissionais de saúde vem sendo um desafio diário. Para além das medidas básicas que ajudam a evitar a propagação do vírus, o momento é também de olhar para o que você vem fazendo para cuidar do seu equilíbrio emocional.

“Sem poder sair de casa, estamos sendo convidados a olhar para dentro da gente e refletir sobre o que queremos fazer com nosso tempo, nossos talentos e o mundo à nossa volta agora e quando tudo isso acabar”, diz Renata Rocha, coach de vida e propósito e fundadora do Positiv App (@positivapp), aplicativo que reúne práticas de meditação e autoconhecimento. “Se aproveitarmos a oportunidade para cultivar paz mental e autoconsciência, sairemos da quarentena mais fortes do que entramos”, completa.

Ter uma mente positiva enquanto atravessamos os tempos difíceis também tem o papel de proteger a saúde. “O isolamento, somado às sensações de medo, angústia e insegurança, aumenta o stress e a ansiedade. Nessas condições, o organismo recebe uma descarga de hormônios que desregulam o metabolismo e afetam a imunidade”, diz a psiquiatra Lívia Beraldo de Lima Basseres, de São Paulo.

Baixar a guarda para o vírus é tudo o que não queremos agora, certo? Então veja como usar o momento para se fortalecer – física e emocionalmente –, ressignificar a fase de turbulência e crescer.

INCORPORE UM NOVO HÁBITO
Todo mundo tem alguma coisa que quer começar a fazer, mas está sempre deixando para depois. Meditar, ler um pouco todo dia, alongar o corpo pela manhã, cozinhar mais em casa, ficar menos no celular à noite. Agora é a hora! Crie estratégias para incluir a nova prática na rotina e não desista. Sem tantos compromissos na rua, sobram menos desculpas para continuar adiando a decisão de começar e persistir. Quando a rotina voltar ao normal, são grandes as chances de a ação ter se tornado um hábito que você não vai mais querer largar.

CURTA SUA COMPANHIA
Ainda que as redes sociais sejam aliadas mais do que bem-vindas para nos aproximar em tempos de afastamento, estar feliz sozinha é um aprendizado que vale a pena treinar. Separe momentos no dia para explorar seu universo particular: escute música, leia, exercite-se, silencie o celular e faça nada ou apenas o que deseja.

VIVA NO PRESENTE
Ficar elucubrando quantas semanas ou meses a pandemia vai durar, se a economia vai sobreviver e outras questões para as quais ninguém tem resposta só serve para deixar você mais ansiosa. Tente não fazer desse seu principal assunto e foque-se em estar bem no dia de hoje. “A situação é inédita para todo mundo e estamos aprendendo a lidar com ela enquanto tudo acontece. Aceitar a realidade como é, sem se vitimizar nem se culpar pelo que sente, é uma forma de transformar o momento em aprendizado”, comenta a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo.

FALE DE SUAS ANGÚSTIAS
Negar, esconder ou deixar para lá a sensação de insegurança e medo não ajuda a aliviar a tensão do momento. Converse sobre ela com amigos, parentes, um terapeuta. Considere a possibilidade de fazer terapia online – vários profissionais vêm trabalhando assim para não deixar os pacientes desassistidos em tempos de quarentena. Se não tem um de confiança, vale conhecer a plataforma Psicologia Viva (@psicologiavivabr), que oferece consultas com psicólogos graduados com especialização em diferentes áreas.

USE O TEMPO PARA APRENDER
De desenho e contação de histórias para crianças até ioga, culinária e filosofia, você já deve ter visto a infinidade de atividades que estão sendo oferecidas em lives na internet. Retiro de meditação e shows de música também tem. Se sua rotina foi muito impactada e está sobrando um tempinho, organize-se para preenchê-lo com conteúdo que traga algo de positivo nesse período desafiador.

 

Por que tantos homens ofendem ou menosprezam mulheres que os incomodam?

Publicado em UOL/Universa-Relacionamento,23.02.20
Colaboração: Heloísa Noronha

Homem grita com mulher; machismo; briga de casal; briga - Getty Images

Vagabunda, cretina, feminazi, ridícula, canhão, fresca, chatinha, nojenta… A lista de ofensas destinadas às mulheres por homens incomodados por atitudes de rejeição ou simplesmente pela presença delas é vasta. E, na maior parte dos casos, se referem à aparência física ou ao comportamento/desempenho sexual femininos. Hostilidades do tipo têm como objetivo não só difamar a mulher, mas reforçar uma suposta “superioridade” do ofensor.

Um exemplo recente aconteceu no Big Brother Brasil, quando o recém-eliminado Lucas Galina afirmou para os colegas, entre risos, que “só não comeu porque não estava com fome”, referindo-se a Mari Gonzalez. A ex-panicat (que é muito bem casada com o ex-BBB Jonas Sulzbach) e as outras sisters foram alvo desde o início do programa de outros comentários pejorativos e machistas.

Segundo Marina Franco, essa insegurança pode aparecer em diversos contextos. A primeira é quando a mulher diz não a um apelo de cunho sexual – o homem pode ter sua virilidade questionada nesse momento e pensar “será que não sou bom suficiente?”. Outra situação recorrente de revolta é quando são questionados em relação a condutas machistas ou opressoras. E, ainda, quando a parceira tenta colocar um ponto final num relacionamento pontuado por abusos psicológicos ou de cunho moral. “O fato é que a causa raiz desse tipo de comportamento está ligada à uma insegurança de um homem que ‘não aceita ficar por baixo’. Ele parte para a agressão verbal para tentar desestabilizar a mulher que se impõe e se valoriza. Para manter a imagem de ‘bom guerreiro’, lança mão de um golpe baixo”, comenta a psicóloga.

Na opinião de Ellen Moraes Senra, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, do Rio de Janeiro (RJ), a baixa autoestima é outro fator por trás desse comportamento hostil. “A sexualidade feminina é sempre o ponto em que esses homens costumam pegar porque é uma maneira de tentar ferir a autoestima delas da mesma maneira com que eles se sentem feridos com a rejeição”, explica. Ser escroto, portanto, é mais fácil do que aceitar um fora ou o fato de que a mulher não tá nem aí para eles.

O menosprezo pelo sexo feminino pode surgir na infância, soando como uma reprodução do que foi aprendido com o relacionamento entre os pais, ou ter sido adquirido na formação da sexualidade e dos relacionamentos interpessoais de maneira disfuncional. A psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), observa que muitos desses homens apresentam traços de transtorno de personalidade. “São narcisistas, antissociais, borderlines… Em geral, não aceitam o fato de que não são desejados, já que se julgam o máximo. Daí invertem a situação, manipulando as circunstâncias e detonando as mulheres que não lhes dão bola”, diz.

A misoginia também é uma característica que não deve ser subestimada. Porém, é importante frisar, conforme Marina Franco, que nem todos os casos podem ser explicados como misóginos. “Há homens que cresceram acreditando que o conceito de amor é ‘aquele que tudo suporta’ e que a mulher que não quer mais ficar com ele é uma ‘vadia’. Ou seja, ele se refere a ela de forma agressiva não por ser mulher, mas por não compartilharem a mesma visão patológica do amor. Nesse caso, seria mais uma expressão de revolta e imaturidade por ter sido abandonado”, conta.

A sexualidade feminina x a masculina e como elas são vividas ainda é um dos campos onde existe a maior discrepância de pontos de vista. “Isso é comprovado quando tomamos conhecimento de pesquisas que identificam que os xingamentos que mais provocam e chateiam as mulheres são os de cunho sexual. Aproveitando-se da situação de domínio cultural intenso que ainda permeia a vivência da sexualidade da mulher, os homens utilizam-se de palavras como ‘vagabunda’, pois sabem que este ponto é um desestabilizador quase garantido para as mulheres. O que se torna, é claro um ato deliberadamente agressivo”, comenta Marina Franco.

Para Ellen, o melhor a fazer é ignorar. “Um homem desses não vale o desgaste, até porque se ele deu em cima da mulher antes de ofendê-la, é porque ele não pensa realmente assim. E mais: mulher nenhuma é definida pelo que dizem dela. Portanto, entenda que esses homens são frágeis em sua masculinidade e verdadeiramente dignos de serem completamente ignorados”, reforça.

6 atitudes práticas para se acalmar nestes tempos tão polarizados

Publicado em Claudia, 16.01.20
Por: Raquel Drehmer

Exercícios de respiração, apps de meditação e regras próprias para conversas e uso de redes sociais são ótimas saídas para preservar a saúde mental.

Está difícil encontrar quem não esteja constantemente nervoso ou pelo menos passando por momentos inquietantes no Brasil de hoje. A tensão política das últimas semanas, que deve durar pelo menos mais alguns dias à nossa frente, veio se juntar à crise financeira, à correria do dia a dia, ao trânsito, a tudo. Conclusão: muita gente à beira de um ataque de nervos, amigos e familiares brigando virtualmente e pessoalmente. O caos.

Ninguém merece viver assim, você há de convir. A tranquilidade é um bem precioso para preservarmos nossa saúde mental e, assim, conquistarmos qualidade de vida.

Se você está nesta situação de achar que pode explodir a qualquer momento, de se pegar com o coração acelerado de vez em quando (ou sempre) e/ou de não conseguir “desligar” do nervosismo, venha aqui, miga! Vamos lhe ajudar!

Conversamos com as psicólogas Analu SpadaGabriela Malzyner e Marina Vasconcellos e organizamos seis atitudes práticas, que podem ser encaixadas até em um intervalinho que você se dê no trabalho, para se acalmar quando a coisa ficar complexa. Escolha as que mais tiverem a ver com você e não se esqueça: seu bem-estar vale mais do que as tretas.

Selecione o que quer ver nas redes sociais

Você não é obrigada a ver tudo que é postado por todos os seus contatos do Facebook ou do Instagram. Se as postagens de determinadas pessoas estiverem lhe fazendo mal e você não puder ou não quiser desfazer a amizade virtual com elas, coloque-as em modo soneca por 30 dias (caso ache que logo isso vai passar) ou deixe de segui-las (se perceber que o caso é mais grave). Você encontra estas opções clicando nos três pontinhos que ficam no canto superior direito de cada post.

Saia dos grupos muito agitados de Whatsapp

Mensagens que não acabam mais, gente se atacando gratuitamente, propaganda política e fake news nos piores momentos. Se este é o resumo de alguns dos grupos de que você faz parte no Whatsapp e eles não estiverem ajudando na sua saúde mental, simplesmente saia dos grupos. O ideal é mandar um aviso educado antes de efetivamente sair, para não causar pânico nem aumentar o risco de discórdia; escreva, numa boa, que não está em um bom momento para acompanhar tanta coisa e se desligue desta fonte inesgotável de dor de cabeça.

Pense antes de começar ou entrar em uma discussão

Especialmente se o assunto for política.

Você deve levar em consideração três fatores:

– A pessoa está receptiva para conversar numa boa?
– Você está receptiva para ouvir argumentos contrários àquilo em que acredita?
– Você terá tempo para levar a discussão adiante até o assunto se encerrar, para ele não ficar martelando na sua cabeça enquanto você precisa fazer outras coisas?

Se a resposta a qualquer uma destas perguntas for não, respire fundo e deixe pra lá. Não valerá a pena.

Faça exercícios de respiração consciente

Reserve cinco minutinhos no meio do caos (pode marcar o tempo no alarme do celular) para recuperar a calma por meio da respiração. Sugerimos duas técnicas:

1) Inspire pelo nariz como se quisesse sentir o perfume de uma flor (ou seja, com força) e expire pela boca como se houvesse uma vela bem em frente à sua boca que não pudesse ser apagada (ou seja, beeem suavemente).

2) Inspire pelo nariz em quatro tempos, segure o ar nos pulmões por sete tempos e expire suavemente pela boca por oito tempos. Os “tempos”, aqui, variam de acordo com a sua capacidade respiratória, e o melhor é determiná-los a partir da inspiração (isso significa que o tempo de expiração será o dobro do tempo da inspiração, e o tempo de segurar o ar nos pulmões será um pouquinho menor que o tempo da expiração).

Pratique meditação rápida

Você não precisa de uma sala em tons pastel, roupas especiais e silêncio total para meditar: basta se desligar do mundo por um tempo e limpar sua mente. Se você já conhece técnicas de meditação, vá com elas; caso não conheça, conte com a ajuda de apps de meditação, que lhe guiarão lindamente neste caminho.

Marque encontros para falar sobre tudo, menos política

Política, política, política. Claro que debater o futuro do país é importantíssimo, mas chega uma hora em que a cabeça até lateja de tanto que o assunto domina as conversas nas redes sociais e na vida real. Quebre o ciclo! Reúna amigas que estejam na mesma vibe que você e estabeleçam esta regra: pelo menos durante o encontro, política é assunto proibido. Vale falar de crushes, de novelas, de astrologia, de moda, de música… Assunto não falta! Você vai ver como vocês estarão até mais leves na hora de se despedir.

“Tá tudo ruim, mas o sexo salva o casamento”: veja como se livrar disso…

Publicado em UOL/Universa,22.01.20
Colaboração: Heloísa Noronha

Se só o sexo é bom, tem algum problema aí... - miljko/Getty Images
Se só o sexo é bom, tem algum problema aí…

Muitos casais se dão perfeitamente bem na cama, mas fora dela mal conseguem conversar. Brigas constantes, falta de diálogo e até abuso são alguns dos problemas que permeiam a convivência a dois. No entanto, por mais que as coisas não fluam nada bem, o relacionamento segue em frente aos tropeços. Por que isso acontece? A química sexual, em alguns casos, é a principal justificativa para continuar uma relação ruim e até mesmo tóxica.

“O sexo e o orgasmo liberam várias substâncias no organismo, como as endorfinas, responsáveis pelas sensações de bem-estar e prazer. Já a ocitocina, o chamado ‘hormônio do amor’, é responsável pela manutenção do vínculo e da intimidade. Quanto mais as se sentem ligadas. Essa impressão de proximidade pode ajudar a relevar as coisas da relação que são ruins, pois o sexo acaba compensando e causando a impressão de que tudo vale a pena”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Além disso, no caso de relacionamentos abusivos, o abusador costuma convencer a vítima de que ela não pode viver sem o laço fantástico que têm na cama.
Para Carla Guth, psicóloga e psicopedagoga, de São Paulo (SP), a química sexual é importante para qualquer relacionamento e, justamente por isso, pode mascarar uma relação ruim ou abusiva. “Mas se não houver outras compatibilidades e interesses, a relação precisa ser revista e reorganizada. O sexo sozinho não segura uma relação que deve envolver vários componentes, como objetivos comuns e como as trocas acontecem”, observa.

É provável que a relação sexual seja a única parte boa da vida do casal, que permanece junto por diversos motivos: medo da reação do outro em um possível término ou mesmo em uma conversa para falar sobre o que não gosta na relação ou na pessoa, medo da separação por causa dos filhos, medo da solidão, incerteza em relação a futuro… “As pessoas tendem a se apegar ao que é bom na relação e varrer para baixo do tapete o que não gostam ou que têm dificuldade de enxergar e mudar”, pondera a psicóloga e terapeuta sexual Paula Napolitano.

Ainda segundo Marina, quem não consegue se livrar de uma relação nesses moldes, em geral, apresenta problemas emocionais que exigem atenção. “Quem está bem emocionalmente percebe no convívio o que está ruim e como o parceiro é, de fato. Assim, coloca na balança os pontos positivos e negativos e entende que o sexo não supre tudo, optando por romper. Quem permanece precisa buscar ajuda, porque, de algum jeito, está se permitindo ser abusada”, pontua. Muitas pessoas, conforme a psiquiatra Denise Gobo, da Unifesp, sofrem de transtorno de personalidade dependente. “Por conta disso, têm maior tendência à submissão e interagem de uma forma em que o par tem grande influência sobre todas as suas escolhas. Acabam fazendo qualquer tipo de coisa para agradar o outro”, comenta.

A dependência emocional é algo muito comum para fazer do sexo bom uma espécie de “tábua de salvação”. “Apesar de o relacionamento ser ruim em outras esferas, se tem alguém ao lado. É inconsciente, não é algo que está estampado na cara. O mecanismo é retroalimentado, onde se mantém comportamentos tóxicos e abusivos, há medo e insegurança de sair do relacionamento. Soma-se a isso as atitudes ‘boas’ por parte de um parceiro abusivo na intenção de mostrar arrependimento e criar expectativa de que não vai mais acontecer, fica ainda mais difícil largar uma relação tóxica”, diz Andreia Fiamoncini, psicóloga e terapeuta sexual da Plataforma Sexo sem Dúvida.

De acordo com a terapeuta de casais Ivana Cabral, a dependência emocional vem da falta. O indivíduo não se basta, ele busca no outro aquilo que não consegue produzir pra si. São pessoas totalmente inseguras, com falta de amor próprio, que agem como sanguessugas do par para sobreviverem. Colocam, ainda, suas expectativas de felicidade na mão do seu parceiro, vivendo uma vida de muita insatisfação. “Entretanto, a justificativa da permanência em um relacionamento tóxico por química sexual é uma desculpa para não tomar uma decisão, pois o ser humano tem o hábito de inventar desculpas para permanecer na zona de conforto”, alerta Ivana.

“Um psicólogo ou psicoterapeuta tem as ferramentas certas para ajudar a pessoa a se fortalecer, desenvolver habilidades sociais e possibilitar a construção de novos relacionamentos sadios. Geralmente, quem está sofrendo tem muitas distorções cognitivas associadas, problemas de autoestima e autoconfiança, insegurança e visão distorcida sobre si e sobre o outro. Com ajuda, é mais fácil identificar como funciona o padrão de comportamento, verificar as causas e trabalhar nelas para construir uma vida mais saudável”, sentencia Andreia.

METAS DE FIM DE ANO

Publicado em Tokio Marine Seguradora – Vida Saudável / Atitude, 11.12.19

Viajar, emagrecer, conseguir um novo emprego. A cada doze meses nos encontramos elaborando metas. Elas nos ajudam a priorizar as decisões e estabelecer prazos. Mas, por que algumas pessoas não conseguem concretizar as próprias metas?

Simbolicamente, o final do ano é o fechamento de um ciclo. “É natural que as pessoas façam um balanço, uma retrospectiva do que conseguiram realizar durante o período”, explica a psicóloga, terapeuta e voluntária no Hospital das Clínicas, Marina Vasconcellos. Também é comum nessa época cada um pensar nos desejos para a jornada que se inicia. “Tanto é que no Reveillon pulamos as sete ondas, comemos uvas. Esses desejos seriam as metas para o próximo ano”.

As metas são benéficas e grandes atletas e profissionais de sucesso adquirem êxito graças a elas. Alguns anos podem ser melhores do que outros em termos de realizações; em contrapartida parece que em algumas épocas as coisas simplesmente não acontecem, independentemente do esforço. Mas algumas pessoas nunca conseguem concretizar as suas metas. Por que isso é uma realidade para alguns?

“Porque muitas pessoas definem metas inatingíveis. Por exemplo: eu nunca falei francês e a minha meta é falar a língua como um nativo em um ano. A não ser que eu vá morar na França, isso é quase impossível”, explica a dra. Marina. Portanto, é fundamental que as metas sejam possíveis de serem alcançadas. “Senão chega o fim do ano e você pensa: puxa, queria ter feito aquilo e não fiz. É uma frustração eterna.”

Outro obstáculo: estabelecer metas demais. “Outra característica de quem não consegue concretizar os desejos. Estabeleça menos metas, estude o que precisa ser feito para atingi-las e mobilize-se. Para realizar os objetivos é preciso foco.”

Planejamento e Ação

O próximo passo é traçar o caminho para chegar até a meta e depois, agir. “Não adianta ficar só no pensamento, é preciso ter atitude de mudança.”

A dra. Marina lembra que é preciso respeitar o tempo natural das coisas. “Muitas as vezes as mudanças não vão ocorrer de um dia para outro. Se eu nunca fiz academia e quero ter um corpo definido, por exemplo. Certos processos demoram. Isso não é motivo para desanimar, ao contrário. É para seguir adiante sabendo que a meta é de longo prazo. Posso não conseguir em um ano, mas vou chegando cada vez mais perto.

Ter noção deste tempo é importante para não desistir dos objetivos ainda no início”, explica.

Escreva

Escrever ajuda o cérebro a visualizar. “Escreva numerando itens ou passos, para saber como começar e partir para a ação. No fim do ano, pegue esse papel e reveja. O que conseguiu? O que não foi possível? Onde foi difícil? É importante ter essa noção.”

Gratidão em Mente

De acordo com a dra. Marina, a gratidão é importante porque libera a dopamina, hormônio do bem-estar, no cérebro. “Se você é grato, vive mais feliz e, portanto, tem mais condições de ir atrás dos seus objetivos. Agradeça as conquistas, valorize o que já tem e não fique somente reclamando do que ainda não conseguiu.

A gratidão é um auxílio na conquista das metas.”

Dicas:

  1. Estipule metas possíveis de atingir
  2. Trace o caminho para chegar até elas
  3. Escreva, pois visualizar facilita a concretização.
  4. Parta para a ação
  5. Respeite o tempo das conquistas
  6. Seja grato

Masturbação: o que ela pode fazer pelo seu relacionamento

Publicado em Yahoo Vida e Estilo/Comportamento, 06.12.19
Por: Ava Freitas

A prática sexual pode ser uma brincadeira para ser feita a dois e assim incrementar a vida sexual do casal (Foto: Getty Images)
A prática sexual pode ser uma brincadeira para ser feita a dois e assim incrementar a vida sexual do casal (Foto: Getty Images)

A masturbação não precisa ser uma prática solitária, só para quando você está sem parceiro (a) ou este (a) está longe. Quando feita a dois, ela pode aumentar a intimidade e o prazer no relacionamento.

“Ela favorece o autoconhecimento do corpo. Por meio dela, você descobre em si mesmo e no outro como tocar e quais os locais que podem proporcionar mais prazer. Ela pode apimentar a relação”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal.

Veja a seguir as dicas da especialista para você começar ou incrementar a prática.

1. Autoconhecimento
Segundo Marina, o principal benefício sobre a masturbação é o conhecimento que ela provoca a respeito das zonas erógenas do próprio corpo e também sobre o do parceiro. “Quando você se conhece, consegue dar dicas para o outro sobre o que quer e como quer. O resultado é o aumento de intimidade entre o casal.”

2.Fazer junto ou separado
Os benefícios da prática independem de a pessoa fazer sozinha ou com um parceiro. O que determina isso é se o casal está à vontade um com o outro, o que depende da intimidade que tenham. Mas saiba que há quem tire muito prazer de ver o parceiro se masturbando. Considere experimentar e você não vai se arrepender.

3.Simplesmente comece e/ou converse
Você não tem o hábito de se masturbar, muito menos de masturbar o par. Não há nada de errado nisso. Aliás, se há consentimento entre os envolvidos, não há certo e errado quando se trata de sexo. Mas se você ficou curioso sobre o que a masturbação pode provocar na sua vida sexual, perca o receio e experimente. Nas preliminares, você pode surpreender o parceiro se tocando para que ele assista. Se acha que pode assustá-lo, coloque o assunto sobre a mesa, ou melhor, a cama. “Falar de forma natural quebra o gelo. Masturbação não tem de ser um tabu. É preciso apenas respeitar o que pensa e sente o par”, diz a terapeuta de relacionamentos.

4.Brinquedos eróticos
Levar um brinquedo como um vibrador para o quarto pode ajudar a introduzir o assunto masturbação no relacionamento. Acredite: pode ficar bem divertido!

5.Para quem nunca experimentou
Marina Vasconcellos diz que há pessoas que nunca se masturbaram porque simplesmente não sentiram vontade. E isso não é nenhum indício de problema sexual. Mas se a curiosidade sobre o assunto pintou agora, talvez seja melhor começar sozinho para depois levar a novidade para o parceiro. Assim você fica mais seguro e a prática flui.

6.Curta você mesmo
Se está naquela entressafra, sem um parceiro fixo ou mesmo um eventual, aproveite para experimentar o prazer que a masturbação pode dar a você e, principalmente, o autoconhecimento. Você perceberá o quanto ela fez por você ao voltar a se relacionar com alguém.

7.Quando vira um problema
Apesar de aliada de uma vida sexual saudável, a masturbação pode se tornar um problema em duas situações. A primeira se virar uma compulsão. Você não consegue realizar suas tarefas profissionais ou participar de compromissos pessoais porque só pensa em se masturbar. A segunda é você passar a evitar relacionamentos por causa dela.

Como retomar a vida amorosa com um filho pequeno

Publicado em Minha Vida, 09.12.19
Por: Redação

Couple Kissing Baby While Carry

A correria e a prioridade em relação aos cuidados com a criança podem afetar o relacionamento, mas é possível dar a volta por cima

Mesmo que não seja o primeiro filho do casal, a chegada de um bebê na composição de uma família muda completamente a rotina. E modifica também o comportamento da mulher, que passa por uma série de alterações hormonais e acaba não tendo interesse em relacionamento afetivo ou sexual por um tempo.

“A natureza é sábia e faz os hormônios – ocitocina, o hormônio do vínculo; e dopamina, o hormônio do prazer não relacionado a desejo sexual – e a energia da mulher ficarem voltados para o bebê, porque ele precisa de cuidados. Fisicamente, ela é muito exigida. É ótimo para o bebê, mas coloca o relacionamento de lado temporariamente”, afirma a psicóloga e terapeuta de casal e familiar Marina Vasconcellos.

Débora Pádua, sexóloga e fisioterapeuta pélvica, acrescenta a esse “coquetel hormonal” a presença da prolactina, acionada para a produção de leite e que tem como efeito colateral a diminuição da excitação e da lubrificação da mulher. “A produção de leite e as noites mal dormidas para cuidar do bebê, que acorda várias vezes, deixam a mulher exausta. Ela não fica muito disponível para o parceiro ou para o sexo”, diz.

Isso, observa a especialista, “pode causar atrito entre o casal, pois o homem não tem alterações hormonais e a vida dele, por mais que ajude a mulher, continua muito parecida com como era antes do nascimento; ela tem o componente físico, e ele não.”

Mas não é regra que a causa do esfriamento do relacionamento amoroso-sexual seja sempre a entrega da mãe aos cuidados com o filho. Um componente relevante nesse cenário é a importância que o próprio casal, como time, dá ao que está acontecendo. É o que conta Oswaldo M. Rodrigues Jr., psicólogo especialista em sexualidade: “Muitos casais buscam engravidar. Se o projeto era ter um filho e conseguiram, o sexo deixa de ser importante para o casal. E também precisamos considerar que, com a vinda do filho, ambos terão muito mais o que fazer do que preparar o ambiente para o sexo.”

Dicas para reconstruir a conexão entre o casal depois da chegada do filho

Independentemente dos motivos que levaram a um distanciamento entre o casal, é importante ter em mente que isso é temporário, passageiro, e em alguns meses – no máximo um ano, o primeiro ano de vida do bebê – tudo pode voltar ao normal. E os dois podem e devem tomar atitudes para construir novamente uma conexão emocional e física-sexual.

Com a ajuda dos especialistas consultados para esta matéria, trazemos aqui seis dicas para facilitar a aproximação dos dois. Confira!

Sair em um encontro romântico

Depois de um período de dedicação total ao bebê, uma boa ideia é que o casal saia em um encontro romântico, como nos tempos de namorados ou de antes do nascimento do filho: cinema, jantar, umas horas em um motel com direito a quarto decorado. Para que isso seja possível, parentes ou amigos podem ser acionados para cuidar do bebê por algumas horas.

Ter cuidado com a saúde íntima da mulher

Por causa dos hormônios mencionados anteriormente, é possível que a mulher não tenha lubrificação suficiente nas primeiras relações sexuais. Para que as penetrações não causem dor e não acabem minando a possibilidade de futuras transas, é indispensável o uso de um lubrificante à base d’água nas primeiras vezes.

Reservar momentos para conversas em casa

Colocar o bebê para dormir, jantar em casal e conversar sobre a vida e as coisas que têm chamado a atenção são ótimas atitudes para reaproximar o casal – nem sempre é preciso ter sexo envolvido. Uma conversa de adultos sobre assuntos que não envolvam a criança é um ótimo lembrete das razões pelas quais essas duas pessoas formam uma dupla tão boa!

Chá de bebê ou chá de revelação: como escolher?

Publicado em Minha Vida, 06.12.19
Por: Redação

Entenda como é cada tipo de celebração e qual se encaixa melhor no seu perfil

Grayscale Photo of Baby Feet With Father and Mother Hands in Heart Signs

Da escolha de cada peça do enxoval à organização da mala que vai para a maternidade, a espera pela chegada do bebê é repleta de preparativos. E uma parte importante para muitas futuras mamães é a reunião que tem a gravidez como pretexto para reunir a família e as amigas mais próximas.

Até pouco tempo atrás, o chá de bebê era imbatível, mas em 2008 foi inventada nos EUA uma reunião que tomou o mundo e passou a dividir as escolhas das gestantes: o chá de revelação. E desde então, não é raro nascer a dúvida: qual deles fazer? Como escolher entre um chá de bebê e um chá de revelação?

Para tomar esta decisão, é importante conhecer as características de cada festa. Com a ajuda de Elaine Gouvêa, relações públicas e personal baby planner, e de Bruna Santos, hoteleira e baby planner, detalhamos a seguir as celebrações que marcam este momento tão especial da vida da mulher.

Chá de bebê: tradicional e tranquilo

A decoração é semelhante à de uma festa de aniversário infantil, só que em vez de um tema, há apenas a predominância de cores de preferência dos pais.

Durante a celebração são servidas comidinhas e bebidas e cada convidada leva um presente para o bebê, que pode ter sido determinado pela gestante no convite ou livre.

O ponto alto do chá de bebê é quando a grávida começa a abrir os presentes: a brincadeira é que ela tente adivinhar o que é e quem deu e, se não acertar, ganha “maquiagem” no rosto e na barriga, faixas e coroas feitas com papel higiênico e outras zoeiras leves.

Futuras mamães que preferem tranquilidade e uma reunião com mais perfil de bate-papo que de agitação tendem a optar pelo chá de bebê. Elaine conta que hoje em dia são as próprias gestantes que organizam seus chás de bebê, com a ajuda da mãe, de uma irmã ou de uma amiga muito próxima.

Chá de revelação: o que saber?

O que marca o chá de revelação é a surpresa. E para todos, já que nem a gestante sabe como será o final da festa. Por isso, quem organiza tudo é alguém da família, uma amiga ou uma planejadora de festas. É essa pessoa que terá acesso ao exame com o sexo do bebê e, a partir dele, cuidará da decoração do local escolhido para a celebração e bolará a forma de como será revelado se o bebê é menino ou menina.

A decoração tende a ser com cores como rosa e azul, para não dar pistas, porém o que vale é a criatividade, não é? A festa corre como o chá de bebê, com comidas e bebidas sendo servidas e todo mundo se divertindo. Os convidados levam presentes neutros.

O ponto alto do chá de revelação é a hora da revelação em si, que geralmente é feita por cor. As formas mais comuns de fazer isso são com um bolo para serem cortados, com balões saindo de uma caixa e com rojões de confetes estourados por todos os convidados. Mas nada impede que outras maneiras criativas sejam inventadas.

Grávidas que gostem de badalação têm optado pelo chá de revelação, mas Bruna diz que muitas acabam fazendo o chá de revelação no começo da gestação e o chá de bebê no sexto ou sétimo mês – um para anunciar e o outro para celebrar a nova vida.

E se a grávida não quiser nem um nem outro?

É tudo muito lindo, mas a gestante pode não querer fazer chá de bebê, chá de revelação ou qualquer outra comemoração. É um direito dela e não se deve tentar forçar uma celebração ou fazer uma festa surpresa.

“Tem que respeitar a vontade da mulher. Se ela for introvertida ou tímida, um chá de bebê seria uma tortura, um castigo, um sofrimento. Um chá de revelação, pior ainda”, afirma a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama terapêutico e terapia familiar.

A psicóloga recomenda que sempre seja perguntado à grávida o que ela quer. “Se ela não quiser nada, não vai ter nada e pronto. Não importa se é tradição, se é moda; a vontade dela é o que conta. Nunca se deve impor algo a ninguém, e muito menos neste momento especial da vida da mulher”, finaliza.

Quando o jovem deve procurar ajuda psicológica?

Publicado em Ativo Saúde, 16.09.19

Todos nós provavelmente já passamos por momentos na vida nos quais nos sentimos “sem saída” e desanimados, achando que nada está dando certo, que a vida dos outros é muito melhor que a nossa, etc… Os jovens, em especial, vivem o imediatismo: querem tudo para hoje e têm grande dificuldade em esperar.

Quando lhes acontece algo que seja difícil de enfrentar, por exemplo um término de namoro, entram em desespero total, ficando com a sensação de que “nunca mais encontrarão uma pessoa como aquela” até a próxima semana, quando novamente se apaixonam. E assim segue a vida.

Porém, para algumas pessoas não é tão fácil assim: os problemas adquirem um peso maior que deveriam e elas não conseguem se abrir nem com os amigos e familiares, sofrendo silenciosamente com seus pensamentos destrutivos. Entenda quando os jovens devem buscar ajuda psicológica:

Comportamento na adolescência

Muitos jovens tiram boas notas nos estudos – e dessa forma não chamam a atenção dos pais–, mas vivem isolados em seus quartos, apenas se dedicando aos deveres escolares.

Acontece que a adolescência se caracteriza também pela importância que os grupos adquirem na vida dos jovens, então e é esperado que eles saiam de casa, se encontrem para conversar e se divertir, namorem, questionem os pais sobre tudo… Se um adolescente está isolado em seu mundo, algo não está bem.

Mas, como problemas emocionais são muito subjetivos e não conseguimos vê-los como uma doença física, as pessoas tendem a não dar a devida importância a eles, achando ser apenas uma fase ruim, mas passageira.

Às vezes um jovem emocionalmente comprometido é visto como “chato” ou “fracote” pelos colegas, podendo até sofrer bullying por isso, o que o deixa ainda pior e sem coragem de contar para os pais o que acontece. A vergonha de decepcioná-los e a fragilidade emocional em questão impedem que o jovem busque ajuda. Isso é mais comum do que se imagina.

O que fazer?

Se você é jovem

Então, caso você seja um jovem e esteja se sentindo mal com algo ou triste sem motivo aparente, tendo dificuldades para lidar com sua vida cotidiana, usando drogas com frequência e em quantidade perigosa, sem vontade de falar com pessoas ou sair com amigos, com dificuldade em se concentrar nos estudos, sem energia para praticar esportes ou qualquer outra situação que não o esteja deixando bem, procure ajuda.

Fale com a pessoa que mais confia e procure um psicólogo, pois ele está aqui exatamente para isso: sem qualquer julgamento, é treinado para ouvir, acolher e ajudar as pessoas a se encontrarem e viverem a vida com mais leveza.

Se você é pai ou mãe

Se você é pai ou mãe de um jovem e o vê sempre sozinho, sem movimento de amigos por perto, focado apenas nos estudos e sem vitalidade para dedicar-se a outras atividades de lazer ou sociais, aproxime-se dele e converse. Ofereça ajuda.

Você pode não conseguir ajudá-lo como gostaria, mas encaminhe-o a um profissional da área para que seja tratado. Pode ser algo passageiro, solucionável apenas com algumas conversas, assim como pode ser mais sério, até o princípio de uma depressão.

Quanto mais cedo esse jovem for acolhido e tratado, mais fácil e positivo é o prognóstico de cura, assim como menos danos haverá em sua vida como um todo.

 

Ter uma mente positiva faz você viver mais

Publicado em Vogue/Globo.com, 11.10.19
Por: Márcia Di Domenico/ Estúdio de Criação EGCN

Aprenda a colocar em prática atitudes que alimentam o otimismo

 

 

 

 

 

 

Encarar os altos e baixos da vida com leveza nos ajuda a viver mais

Tem gente que pensa na felicidade como a ausência de tristeza, problemas ou conflitos. Só que a vida de todo mundo é feita de momentos ruins também: uma doença, a perda de alguém amado, o fim de um relacionamento e tantas outras situações que tornam difícil olhar para a vida com otimismo. Encarar os altos e baixos do dia a dia sem perder a ternura é um treino diário, em que você precisa exercitar habilidades como paciência, gratidão, compaixão e desapego. Nem sempre é fácil, mas o resultado compensa: além de se tornar uma pessoa melhor e mais agradável para quem está em volta, você vive mais.

Foi o que revelou um estudo divulgado este ano, uma parceria entre a Faculdade de Medicina da Universidade de Boston e da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, ambas nos Estados Unidos. Os pesquisadores descobriram que pessoas que levam a vida com otimismo e positividade têm mais chance de alcançar o que os especialistas chamam de “longevidade excepcional”, o que significa ultrapassar 85 anos – em média, 15% a mais do que os pessimistas, segundo o trabalho. A pesquisa acompanhou mais de 70 mil mulheres e homens ao longo de 30 anos, avaliando periodicamente seus hábitos de saúde e comportamento.

A genética até explica por que algumas pessoas têm tendência maior do que outras a ver sempre o copo meio cheio, o que teria a ver com a presença de genes específicos no DNA. Mas os especialistas concordam que ser ou não otimista é mais uma questão de se comprometer com a própria felicidade. Por exemplo, pessoas positivas tendem a se cuidar mais, comer melhor, praticar atividade física, fumar menos – o que se reflete em menos stress e doenças. Mas também há a consciência de que é preciso tomar as rédeas da vida e mudar aquilo que não está bom. “Não adianta simplesmente mentalizar ou repetir que tudo vai dar certo. É preciso identificar os obstáculos, avaliar seus recursos e partir para a ação”, fala a psicóloga Marina Vasconcellos, de São Paulo. E nunca é tarde para isso. “Pode ser mais difícil mudar na maturidade, afinal nos acostumamos a pensar e agir de determinadas formas e ficamos mais resistentes. Mas sempre é tempo de adotar novas atitudes”, diz.
É possível treinar o cérebro para ser mais positivo e feliz. Veja atitudes para colocar em prática no dia a dia.

Pratique gratidão: está comprovado que quando você reconhece e agradece sinceramente pelas coisas que tem na vida, tende a diminuir a comparação com os outros (essa é umas das principais fontes de infelicidade que há!), o que eleva a autoestima e a resiliência e melhora os relacionamentos. “A mente no modo gratidão libera no cérebro dopamina, serotonina e oxitocina, substâncias que aumentam o bem-estar e a felicidade”, comenta a neurologista Aline Turbino, de São Paulo. “Fazer desse estado de espírito uma constante é uma forma de prevenir doenças psíquicas, como stress, ansiedade e depressão, que são fatores de risco para males físicos”, completa. Comece um diário de gratidão, anotando os acontecimentos e emoções positivas do seu dia, e você vai perceber que tem muito mais a agradecer do que imagina.

Cuide dos relacionamentos: uma pesquisa da Universidade Harvard (EUA), divulgada há poucos anos, a mais longa já feita sobre longevidade – acompanhou mais de 700 participantes ao longo de 75 anos –, mostrou que o segredo das pessoas que vivem muito é cultivar relações sólidas e felizes. “Descobrimos que pessoas com boas conexões sociais são mais saudáveis e vivem mais, enquanto a solidão e os relacionamentos tóxicos encurtam o tempo e a qualidade de vida”, diz o psiquiatra Robert Waldinger, diretor do estudo, em sua palestra no TED que viralizou recentemente.

Timidez não é o mesmo que introversão, entenda melhor a diferença

Publicado em  UOL/VivaBem, 04.10.19
Por: Diego Garcia

iStock

Muita gente acha que timidez é sinônimo de introversão, afinal pessoas tímidas e introvertidas possuem comportamentos semelhantes. Mas, isso é um equívoco. Timidez é um sentimento de mal-estar e inadequação no contato com outras pessoas. Já, a introversão é uma característica de personalidade relacionada com a forma da pessoa se relacionar com o meio a sua volta.

Embora tanto o tímido quanto o introvertido tenham dificuldades no contato com outras pessoas, existem diferenças bem nítidas que distinguem um e outro. A timidez envolve o medo de julgamento das pessoas o tempo todo, em especial em situações sociais onde o timído esteja com estranhos: fica angustiado, nervoso e ansioso, acha que está sendo observado e julgado em suas ações e ideias.

Já o indivíduo introvertido apenas prefere estar em ambientes calmos, pois sente-se melhor assim. Coisas que faça sozinho, como ler, ouvir música, ter alguma atividade reflexiva, enfim, tudo que seja tranquilo e não exija a presença de muitas pessoas, é o que ele prefere. Alimenta-se mais de lembranças e pensamentos de seu mundo interior do que do exterior.

Introvertidos x extrovertidos

Carl Jung, psiquiatra suíço, definiu os critérios para o que ele chamou de perfil de personalidade introvertido e extrovertido, explica Tatiana Mourão, professora da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Atualmente considera-se que existe um espectro de personalidade humana que vai desde o máximo da introversão até o máximo da extroversão.

Enquanto os extrovertidos encontram sua energia nos contatos sociais, o introvertido sente-se sugado com o excesso de pessoas e necessita de um período de repouso, por exemplo, após um dia de trabalho com diversas interações sociais. “Isso pode gerar conflito, pois enquanto o extrovertido, após um período de trabalho, ainda deseja sair para ‘recarregar’ suas energias através do contato social”, explica.

Timidez

A timidez é um sentimento de mal-estar e inadequação no contato com outras pessoas. De acordo com Mourão, a timidez pode ser uma característica de pessoas com autoestima diminuída. “Muitas vezes a grande dificuldade de contato com outras pessoas, sensação de poder ser humilhado publicamente e o mal-estar contínuo do contato social podem atingir uma quantidade de sintomas que poderiam caracterizar um transtorno psiquiátrico definido como Fobia Social”, analisa.

Diferenças no cérebro

Mourão afirma que estudos recentes mostram a existência de diferenças cerebrais entre o indivíduo introvertido e o indivíduo extrovertido. Adicionalmente, complementa a professora, os introvertidos mostram um aumento na atividade neuronal em regiões associadas com o aprendizado, motricidade e controle da vigilância. Estudos de neuroimagem também mostram diferenças: áreas cerebrais diferentes encontram-se associadas com a extroversão e a introversão.

Habilidade para lidar com pessoas

“Não significa de forma alguma que o introvertido tem inabilidade para lidar com as pessoas, ele se exaure durante o excesso de contato social”, analisa Mourão. Ela diz que existem estatísticas interessantes que mostram como esses traços podem influenciar até escolhas na carreira. Por exemplo, os advogados trabalhistas costumam possuir mais traços dentro do espectro da extroversão, enquanto os advogados tributaristas possuem maiores características de personalidade introvertida.

A psicóloga Marina Vasconcellos esclarece que tanto introvertidos quanto extrovertidos podem não ter habilidade para lidar com pessoas. “Há introvertidos que se passam por extrovertidos quando solicitados numa situação de interação onde não possam evitar, pois sabem muito bem lidar com as pessoas: apenas preferem relacionar-se com poucos”, complementa.

Por sua vez, os tímidos têm dificuldade no contato social. Para a psicóloga, tímidos são mais prejudicados na interação social por sentirem-se julgados e, a angústia que provém disso lhes traz sofrimento. Mourão complementa: “No meio acadêmico existem estudos que sugerem que algumas pessoas com traços introspectivos podem, também, ter timidez; entretanto não se trata de uma relação necessária”.

Como lidar com a vergonha do corpo na hora do sexo?

Publicado em IG/Delas,05.10.19
Colaboração: Larissa Bomfim

A insegurança com o próprio corpo e algo que afeta as mulheres, mas isso não pode ser um fator decisivo para aproveitar ou não um momento íntimo

mulher se sentindo insegura com o próprio corpo
A vergonha do corpo está muito ligada à ideia de que as mulheres têm que atingir ‘padrões de beleza’ e ter o ‘corpo perfeito’


Mas como não deixar essa vergonha do corpo te atrapalhar ao começar um relacionamento novo ou até mesmo na “hora H” com o parceiro? Foi isso que uma leitora do Delas questionou no nosso email e nós conversamos com especialistas para responder a pergunta.

Marina Vasconcellos, que é psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar e de casais pela PUC-SP, explica que, antes de mais nada, é preciso entender o motivo da insegurança. “As mulheres ficam com vergonha porque acham que os homens querem aquelas modelos perfeitas, já que isso é algo que a cultura da beleza nos ensina e é perpetuado pela mídia.”

“Assim, se elas não estiverem seguras consigo mesmas, acham que o corpo delas não está bom o suficiente e imaginam que os homens querem algo diferente. Há a fantasia que eles querem esse corpo perfeito e isso faz elas esperarem mais delas mesmas do que deveriam”, diz.

A fisioterapeuta pélvica, sexóloga e educadora sexual Débora Pádua, completa que essa ideia de “padrão de beleza” acaba surgindo, principalmente, na adolescência, fase em que a maior parte das meninas inicia a vida sexual. “Pela idade e por não ter muito conhecimento sobre o próprio corpo, elas acabam focando nos ‘defeitos’ e criando essa insegurança.”

Mas afinal, como parar de sentir vergonha do corpo e aproveitar o sexo?

mulher de costas usando sutiãA A vergonha do corpo não pode ser algo que te atrapalhe no sexo e, por isso, procure alternativas para ganhar confiança

A educadora sexual explica que o primeiro passo para começar a confiar em si mesma e não deixar os detalhes que são considerados “imperfeições” atrapalharem a transa é conhecer o próprio corpo. “Saber o que você gosta, o que não gosta e o que pode ensinar ao parceiro, por exemplo, pode te ajudar a se sentir confiante na relação”, indica.
Outra questão que vai trazer segurança e fazer a mulher se sentir bem sobre si é o tipo de relacionamento que ela tem com esse parceiro. “Acho que quando o homem consegue admirar uma mulher e dizer isso para ela de forma sincera, tudo se torna mais fácil, porque ela se sente mais valorizada, mais bonita.”

“Mas ela também tem que pensar que quando uma mulher vai para a cama com um homem, ela já foi ‘escolhida’ por ele (e vice-versa) antes de tirar a roupa. Não existe alguém que tira a roupa e vira outra pessoa, com outro corpo”, comenta.

Marina reforça que a autoestima não está ligada apenas ao sexo, mas é preciso desenvolvê-la para que haja essa confiança própria. “Se a mulher estiver segura consigo, vai confiar nessa mesma e não vai dar toda essa importância para o corpo. Essa construção pode ser feita ao olhar para si mesma, perceber seus pontos positivos e negativos e através de terapia.”

Enquanto ainda está nesse processo de autoconhecimento e construção da confiança, a dica é aproveitar o momento. “A relação sexual é composta por sensações: beijos, abraços, cheiros… Se a mulher tentar focar no momento em que está vivendo com aquela pessoa e em sentir prazer, prestando atenção nesses sentimentos dela e do outro, vai ficar mais envolvida no sexo e pouco preocupada com o próprio corpo e aparência”, finaliza Débora.

Sonhar com sexo não significa sempre erotismo: entenda o que pode ser

Publicado em UOL/VivaBem,23.08.19
Colaboração: Simone Cunha

Sonhar com sexo pode não ter nada a ver com atração sexual - iStock
Sonhar com sexo pode não ter nada a ver com atração sexual

De repente, você desperta excitado de um sonho com muitas carícias e desejos. Na lembrança, tudo estava muito envolvente, mas era com seu chefe. Como assim? É muito comum alguns sonhos despertarem surpresa e questionamento, afinal na realidade parecem inconcebíveis. Sonhar que está transando com um amigo, parente ou pessoa de um gênero que você não se atrai pode soar ‘sem pé nem cabeça’.

E nem sempre esses sonhos trazem um erotismo à tona. É fundamental fazer uma análise de todos os elementos para tentar chegar a uma resposta. E isso pode mudar de pessoa para pessoa, fase, histórico, lembranças, desejos e por aí vai. Portanto, não há um significado padrão para cada tipo de sonho. E isso é o mais fascinante, pois exige um processo de autoconhecimento para tentar dialogar com o inconsciente e compreender o que ele quer te dizer.

A importância de sonhar

Os sonhos são conteúdo do inconsciente e, ao acordar, podemos ter a lembrança de alguns aspectos desse sonho, sendo que podem ter mais detalhes ou, às vezes, não alcançam o limiar da consciência. Desde que a pessoa não sofra com insônia, é praticamente certo que sonhamos todas as noites e usar essa ferramenta pode ser muito produtivo para o processo de autoconhecimento.

De acordo com os ensinamentos de Sigmund Freud, criador da psicanálise, há uma transformação dos elementos originais, ou seja, um sonho dificilmente será lido diretamente, e seu sentido desvelado sem a participação daquele que sonha. “Assim como um sonho aparentemente inocente pode trazer como associação elementos sexuais, um sonho com sexo pode dar suporte para outro jogo de forças no sonhante”, explica a psicóloga e psicanalista Berta Hoffmann Azevedo, colaboradora da diretoria científica da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP).

Portanto, há sonhos com diferentes graus de simbolização, alguns mais próximos de uma descarga de tensão, outros com maior elaboração simbólica. Por isso, não é preciso levá-lo ao pé da letra e sentir-se perturbado se acordou em delírio por uma pessoa conhecida que, na realidade, pouco te chama a atenção sexualmente.

Personagem é o que ele representa

Para Marina Vasconcellos, psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e psicodramatista, existe uma linha de interpretação de sonhos que considera cada elemento como sendo uma parte do sonhador. Um personagem pode estar representando uma fase de vida da pessoa, ou uma característica que ele precisa lidar, por exemplo.

Marisa Catta Preta, psicóloga clínica e docente na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES), concorda: “É natural sonhar que estamos [em] uma relação sexual com determinada pessoa ou personagem. E não necessariamente, se trata da pessoa em si, mas do que ela representa”.

Os diferentes personagens que compõem a cena podem representar aspectos diversos de si, nem sempre facilmente conciliáveis. “Os sonhos, por si só, já são um trabalho de conciliação de tendências conflitantes que ganham alguma solução na elaboração onírica”, destaca Hoffmann.

Segundo Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta que fundou a psicologia analítica, a principal função do sonho é compensar nossas atitudes muito unilaterais da consciência que desconsideram alguns conteúdos em detrimento de outros. “Isso revela uma capacidade da nossa psique de autorregulação, em que o equilíbrio entre polaridades promove saúde mental”, enfatiza Catta Preta.

Desvendando alguns sinais

Não é possível realizar uma interpretação específica sobre cada sonho, mas algumas situações ou personagens podem sinalizar algumas possibilidades. Por isso, as psicólogas Dora Tognolli, psicanalista membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP) e Marina Vasconcellos avaliam alguns tipos de sonhos:

  • Sexo com celebridade – Um estudo da Universidade de Montreal apontou que as mulheres eram duas vezes mais propensas que os homens a ter fantasias noturnas com uma pessoa famosa. A celebridade pode representar beleza, sucesso, carreira bem-sucedida e isso ser algo que o sonhante tanto deseja.
  • Sexo com o chefe – Esse personagem pode representar autoridade, liderança, poder de decisão. Daí, vários questionamentos podem surgir: Está satisfeito no trabalho? Sente-se oprimido? Quer ser melhor reconhecido?Deseja uma promoção?
  • Sexo com um parente – Pode até provocar um ranço, mas é importante procurar entender o que aquela pessoa representa para você. Alguma qualidade que admira? Ou se for o pai ou um tio mais velho, como é sua atração por uma pessoa com mais idade?
  • Sexo com um estranho – De onde surgiu essa pessoa? No sonho, a persona pode ter alguma característica de alguém conhecido, ou remeter a alguma situação e, neste caso, a proposta, talvez, seja trazer essa informação e o estranho é apenas um elemento.
  • Sexo em lugar público – pode resgatar um lado exibicionista que fora reprimido, ou talvez mostrar que o sonhante tem se sentido exposto, algo o ameaça e, talvez, precisa entender e enfrentar uma critica ou um tipo de situação invasiva.

 

Seu filho é o centro do seu relacionamento? Entenda por que isso é tão ruim

Publicado em UOL/Universa,27.08.19
Colaboração: Heloísa Noronha

iStock

Em seu livro “Mulheres Querem Sexo, Homens Sempre têm Dor de cabeça: Destruindo os Mitos Sobre Sexo e Relacionamentos Amorosos” (Ed. Cultrix), o terapeuta de casal alemão Christian Thiel afirma que as relações chamadas de child-centered (em tradução livre, centradas no filho) são um dos principais motivos para o afastamento de vários casais. De tão concentrados no filho, não só na fase de bebê, muitos se transformam em “sócios” na administração da casa e da vida em família e acabam se distanciando emocional e sexualmente. Nem sempre o desfecho é a separação: em alguns casos, a situação fica no piloto automático e as pessoas passam anos a fio convivendo nessas circunstâncias cômodas , mas infelizes. A boa notícia é que dá, sim, para reverter essa condição, mas primeiro é preciso compreender como os dois chegaram a esse ponto.

Ter um filho é, obviamente, uma experiência transformadora. E é lógico que nos primeiros meses pós-nascimento, por causa da nova rotina e dos cuidados essenciais, como a amamentação, a atenção dos pais fique 100% voltada ao bebê. Depois de um tempo é natural que o casal volte a se concentrar também na relação, mas isso depende de vários fatores que vão desde a possibilidade de contar com uma rede de apoio até o fato de o modelo familiar ser mais ou menos ansioso.

Na opinião da terapeuta de relacionamentos Rosangela Matos, que atua com atendimento online, após os primeiros seis meses de vida da criança os pais podem começar a dar pequenas “fugidinhas” para namorar. “Os familiares são importantes para dar um suporte. Aceitar ajuda é bom para todos: para o casal, que precisa fortalecer o vínculo homem-mulher; para a família, que se sente fazendo parte desse momento tão especial, e para o filho, que vai ter pais felizes ao seu lado”, comenta. “Porém, é importante que, antes disso, o casal separe alguns minutos para estar junto para falar do seu dia, trocar um abraço, um chamego e um sentir que o outro está ali”, completa Rosangela.

Já Triana Portal, psicóloga clínica e terapeuta de casal, de São Paulo (SP), observa que o casal consegue voltar ao “normal” por volta dos 3 anos de idade do filho, idade na qual já houve o desfralde, os pais não sofrem tanto com a privação de sono e a criança apresenta uma certa autonomia. “É uma fase em que o par realmente consegue ter mais intimidade e liberdade para passear e fazer pequenas viagens. Isso pode variar muito dependendo das características de cada família, mas os três primeiros anos costumam ser os mais desafiadores para qualquer casal. É, inclusive, uma fase em são registrados muitos divórcios”, fala.

Para Rosangela, um filho pode tanto unir quanto afastar um casal e um fator é determinante para isso: o alinhamento. “Muitos pais, especialmente os de primeira viagem, se preparam para a chegada do pequeno, assistem a filmes e documentários, fazem cursos, compram livros… Poucos, no entanto, procuram ajuda para se prepararem emocionalmente para a mudança na relação amorosa. O foco passa a ser o pequeno, os assuntos mudam. Dormir até tarde no fim de semana, passar uma tarde vendo filme agarradinho no sofá ou sair para se divertir nem sempre são possíveis. As mudanças são muitas e pegam o mais unido dos casais”, afirma.

Problema também para a criança

À medida que a criança cresce, o excesso de trabalho, o cansaço e a culpa por não dar tudo o que o filho precisa – principalmente tempo – acaba levando o casal a concentrar todas as suas energias na criança e a se descuidar dos papéis de homem e mulher. Com filhos, praticamente qualquer decisão deve levá-los em conta: do cardápio do jantar até a forma de gastar o dinheiro e o que a família vai fazer no fim de semana. No entanto, alguns pais e mães acabam superestimando essas resoluções, atribuindo poder à criança e desequilibrando a relação. “É o que chamo de ‘filiarcado’, ou seja, permitir que a criança decida tudo”, diz Elizabeth Monteiro, psicóloga e psicopedagoga, autora dos livros “Criando Filhos em Tempos Difíceis” e “Criando Adolescentes em Tempos Difíceis” (Summus Editorial).

Para Elizabeth, às vezes as pessoas simplesmente se entregam ao tipo de relação child-centered por puro desânimo. “Está todo mundo cansado demais. É mais fácil abrir mão de autoridade e, por comodismo, deixar a situação como está. Porém, essa não é a solução ideal para ninguém”, afirma. Um dos riscos é a criança se transformar num adulto mimado, já que sempre teve suas vontades atendidas. Vai comer o pão que o diabo amassou, claro, porque dificilmente alguém vai atender suas demandas como papai e mamãe faziam. Para o casal, uma das consequências é, quando o filho crescer e for embora de casa, enfrentar a chamada “síndrome do ninho vazio”. Como o filho possivelmente era o único elo forte que os unia, o que restará? Isso sem contar que, após tantos anos de afastamento, é possível que um sequer reconheça o outro como pessoa.

Segundo a psicóloga Renata de Azevedo, especialista em terapia de casal pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), alguns casais já estavam afastados antes mesmo de terem filhos. “Alguns, inclusive, acreditavam que o bebê salvaria a relação. Com o nascimento, os casais que estavam mal ficam pior ainda, pois o afastamento, o stress e alguns atritos são comuns nessa fase de adaptação. Outros casais colocam todo o seu afeto e a carência em cima do filho e não sobra tempo, espaço e energia para mais ninguém, inclusive o seu cônjuge. Dessa forma, a distância aumenta e passam a ser apenas pais”, observa. O filho passa a ser o centro e o único elo entre o casal durante anos.

Separar os papéis é fundamental

Um filho toma toma tempo, espaço, energia, pesa no orçamento, limita a intimidade. Resgatar ou manter a mesma relação de amor anterior à sua chegada é bem difícil. Com alguns ajustes no dia a dia e na forma de configurar as tarefas domésticas e as atividades em família, dá para o casal encontrar um equilíbrio saudável para lidar com tudo. “É possível reverter, mas a mudança precisa fazer sentido. Ambos devem estar cientes que a reversão de um padrão de comportamento ou rotina é um processo, leva tempo e exige paciência para adaptação do novo formato”, avisa Triana.

Uma conversa franca sobre o que mudou para cada um depois da chegada do filho, o que mais faz falta e o que pode ser feito diferente é o primeiro e mais importante passo, segundo Rosangela. Se o casal está vivendo essa situação é importante sentar e conversar sobre isso para que possam ir mudando seus comportamentos aos poucos.

Uma criança precisa que suas necessidades emocionais e físicas sejam supridas, mas também necessita que os pais estimulem sua segurança e autonomia. “Grande parte dos problemas da vida adulta são resultado da primeira infância, na melhor das intenções os pais vão se anulando e não percebem o quanto isso impacta nos filhos. Os pequenos devem ter limites e também aprender a conviver com a família e outras pessoas além dos pais. E precisam saber que os pais são um casal e que eles priorizam também essa relação”, diz a terapeuta.

Para Triana, os casais child-centered precisam se conscientizar de várias verdades. A primeira é que construir um “reinado” para o filho não é a melhor forma de educar. “E, em seguida, devem entender que se não estiverem inteiros nem felizes não conseguirão cuidar bem do filho. A relação conjugal precisa de constante manutenção, algo que dá trabalho e demanda atenção. Valorizar a intimidade, o sexo e os momentos de lazer sem os filhos, não os torna pais negligentes ou maus”, declara. Para isso, também é fundamental que cada um cuide bem de sua autoestima, assim ficam menos inseguros, têm mais clareza de pensamento e objetivos e levam a vida de forma mais assertiva.

“As pessoas também precisam compreender que têm o direito de ser homem e mulher, não precisam ser apenas pai e mãe pelo resto da vida. Dá para vivenciar todos os papéis sem negligenciar nenhum. Além disso, os filhos gostam de saber que os pais namoram, se curtem, saem, apreciam ficar juntos. Isso é benéfico para o desenvolvimento da criança, que cresce aprendendo um modelo saudável de relacionamento”, pontua a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Resiliência: como se fortalecer para enfrentar os seus problemas

Podcast – Senta lá, CLAUDIA, 15.08.19

Ser resiliente é uma habilidade e pode ser desenvolvida e aplicada nas situações adversas da vida; conheça duas histórias emocionantes

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Resiliência é a habilidade que uma pessoa tem de se fortalecer enquanto enfrenta uma situação adversa. Tem a ver com força, resistência e superação. É uma competência indispensável para perseguir os objetivos e conviver em sociedade. Você sabe como desenvolvê-la para enfrentar os próprios problemas, crescer e seguir em frente?

No quarto episódio do podcast Senta Lá, CLAUDIA, a editora Alessandra Balles conversa com a chef Cecília Victório, que recebeu o diagnóstico de câncer no estômago quando seus filhos tinham cinco e sete anos, com a jornalista Ligia Bolognesi, que viu o companheiro ser friamente morto e investigou os criminosos até que fossem presos, e com a psicóloga Marina Vasconcellos. São histórias emocionantes de mulheres que conseguiram lidar com problemas e tristezas extremas e adaptaram-se às mudanças. “Cada pessoa tem que encontrar na sua história de onde vai tirar essa força”, disse Marina. A resiliência é uma habilidade e pode ser desenvolvida e aplicada nas situações adversas da vida.

Mãe que viu filho matar irmã: ‘Ele é um menino de ouro, mas tem uma doença’

Publicado em UOL/Universa,16.08.19
Colaboração: Diego Garcia

Denise Beckmann em viagem com os filhos: à espera do diagnóstico do adolescente - Arquivo pessoal

“Meu filho não é bandido, é menino de família, que cresceu com base, com educação, com tudo que tinha direito. Ele quer ser médico, estudava muito e fazia teatro há três anos.”

Durante uma hora de conversa pelo telefone, a gerente de contas Denise Beckmann, 36, intercala choro com gargalhadas de nervosismo. Ela estava na casa dos pais, em Santa Catarina, um dia após o aniversário de 15 anos do primogênito. “Falei pra ele: ‘Filho, você tem que entender que antes você tinha uma vida, agora vão te acusar por qualquer vento norte que soprar'”, lembra, antes de pausar a fala para mais um momento de lágrimas.

Sem nenhum sinal de briga ou desentendimento, o adolescente matou a irmã, de 12 anos, a marteladas na tarde do último dia 4 de junho, no apartamento onde a família vivia, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR). Ficou até o dia 9 de agosto num centro socioeducativo, mas, de acordo com a mãe, foi liberado pelo Ministério Público do Paraná para viver e receber tratamento na casa do pai, de quem Denise se separou há 11 anos. Ele ainda não tem um diagnóstico fechado, mas “várias explicações possíveis de doenças mentais”. A mãe fala que ainda não está pronta para lidar 24h por dia com o menor.

“Desenvolvi síndrome do pânico. Não estou preparada para ser forte por ele. Consigo vê-lo, passar uma tarde sem mostrar minhas fraquezas, mas ficar 24h com ele ainda é pesado pra mim”, diz Denise, que vive com os pais desde o dia da tragédia.

O Ministério Público do Paraná, por meio da 3ª Promotoria de Justiça de São José dos Pinhais, informou à reportagem, por email, que o caso tramita sob sigilo total, e que, por isso, não confirma ou afirma nada sobre o ocorrido, mesmo sabendo que as informações vieram da mãe. A Polícia Civil, por email e telefone, afirmou que ainda vai ouvir algumas testemunhas e confirmou as informações enviadas pela reportagem sobre o ocorrido, sem nada acrescentar.

O dia da tragédia

Era hora do almoço quando Denise foi em casa buscar a caçula para levá-la a escola. Encontrou o filho mais velho ferindo a garota com golpes de martelo. Ele também acertou o instrumento na nuca da mãe, que teve traumatismo craniano leve.

O Corpo de Bombeiros foi ao local após receber uma chamada dos vizinhos sobre uma briga entre jovens. Ao chegar ao condomínio onde vivia a família, agentes encontraram a menina com um ferimento profundo na cabeça e o irmão descontrolado, “possivelmente em surto psicótico”, como descreveu o tenente Rafael Lechinhoski em entrevista para um canal de TV.

Na mesma reportagem, vizinhos disseram que, antes do incidente, o garoto havia batido em algumas portas pedindo por um martelo emprestado, sugerindo que o crime foi premeditado.

A mãe diz que o filho tentou fugir pulando a janela do apartamento, no segundo andar do prédio. Na queda, quebrou as duas pernas e até hoje ainda não consegue andar. Está com pinos e pontos nos membros.

“Fingindo demência”

Denise não voltou ao apartamento. Desde então, mora na casa dos pais, a 430 quilômetros de São José dos Pinhais, e dali não pretende se mudar. Diz que tudo lembra a vida feliz que tinha com os filhos e que só quer esquecer de toda a cena. Ela toma um antidepressivo de dia e um remédio para dormir à noite. Está de licença do banco onde atuava como gerente de contas e tem consultas ocasionais com um psiquiatra:

Consigo fingir demência, me enganar, imaginar que estou a passeio, e que vou voltar para casa e minha vida vai estar lá, exatamente como era. Não tenho outra opção até estar preparada para dar mais detalhes”. Nada na narrativa de Denise indica que ela pudesse prever o que iria acontecer naquela família.

Se eu fosse uma péssima mãe, se odiasse meu filho, se minha família fosse desestruturada, pensaria: ‘Me livrei de tudo aquilo’. Mas minha família era perfeita. Batalhei muito para dar do bom e do melhor. Comiam o que queriam. Viajávamos muito. Meu filho fazia banco pra mim. Minha filha fazia bolo. De repente, tudo desabou.”

Nenhum sinal de doença

Denise diz que o adolescente não se lembra de ter cometido o crime e que chorou quando soube pela mãe o que fez. Ele contou para a família que se recorda de ter sentido uma tontura antes de tudo e, depois, de acordar na ambulância, já com as duas pernas quebradas.

“Não está fácil pra ele. Ele amava a irmã e também me amava. Nunca faria uma coisa dessas. Ele está sendo forte e seguindo em frente”, afirma a mãe.

O esquecimento teria justificativa, diz ela: seria consequência de uma amnésia dissociativa. O transtorno acontece geralmente após fatos traumáticos, mas sem danos ao cérebro, como na doença de Alzheimer, por exemplo. E a memória pode voltar, muitas vezes sem necessidade de tratamento, explica o doutor em psiquiatria, psicanálise e saúde mental pela UFRJ Elie Cheniaux. Por isso, Denise defende o tratamento para o filho, no lugar de uma medida socioeducativa:

“É um menino de ouro. Agora precisa das pessoas certas, de muito amor e carinho”.

Denise diz ainda que o adolescente nunca apresentou “um grão de areia” em seu comportamento que indicasse que poderia tomar tal atitude. “Não teria nem como falar: ‘Mas aconteceu tal coisa quando ele tinha 10 anos…'”

‘Um jovem que precisa de cuidado’

No caso de uma psicopatia, é possível perceber cedo os sinais quando, por exemplo, a criança maltrata um animal, atrapalha as brincadeiras dos outros amigos ou não aprende com os castigos. Mas o primeiro passo em caso de suspeita é buscar uma avaliação e fazer os exames necessários para chegar a um possível diagnóstico, explica a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em terapia familiar pela Unifesp e voluntária no Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Ela não teve contato com a família nem acesso aos exames do garoto e insiste na necessidade de se fazer uma bateria de exames, incluindo os de imagens, para se tentar chegar a possíveis explicações e verificar se há mesmo um transtorno psíquico.

Já na avaliação do coordenador de Psicologia do Núcleo Forense do IPq-USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo), Antonio de Pádua Serafim, o garoto pode ter tido uma desorganização psíquica momentânea, um quadro delirante, principalmente porque ele, de acordo com a mãe, nunca apresentou nada de anormal em seu comportamento.

O especialista em saúde mental e violência afirma também que pode ser difícil antecipar qualquer descompensação nesses casos. Mas que isso não significa que a pessoa não terá um outro rompante. Nem que ela tenha que ficar presa.

“Num caso como esse, a sociedade acha que o melhor seria trancafiar a pessoa, mas estamos falando de um jovem que precisa de cuidado. Jamais caberia aqui, por exemplo, um manicômio judiciário. Ele é menor de idade. Até porque, se ele voltar a ter manifestação agressiva, pode atentar contra si mesmo. É preciso que ele e a família sejam acompanhados sempre, em especial a mãe. Ela não sabe se chora pela perda da filha ou se se debruça no cuidado de quem está aqui”, diz Serafim.

“Não sei se vou entender o que aconteceu”

Em uma rede social, cheia de fotos dos filhos e declarações de amor à família, amigos e parentes mandam desejos de paz à Denise. Ela diz que recebe muito apoio mesmo e que, em nenhum momento, sentiu-se culpada ou teve a educação que deu para os filhos questionada. “Vasculharam minha vida toda. De forma alguma tinha algo que pudesse me apontar como culpada, ou aos meus filhos. Foi uma situação trágica”, ela afirma.

Mas ouviu algumas acusações pesadas contra o filho adolescente, como, por exemplo, a de que ele teria premeditado o crime, já que vizinhos disseram que ouviram uma discussão e que ele teve tempo de pedir um martelo emprestado a alguns moradores do prédio:

“É compreensível. Não julgo, porque ele tirou uma vida. Mas é uma doença. A gente não entende e não sei se um dia entenderei o que aconteceu”.

E frisa: se houvesse um pingo de desconfiança sobre o filho, ela mudaria de opinião. “Se meu filho tivesse motivo e me falasse:

‘Fiz porque eu quis, me deu vontade’ ou algo do gênero, eu seria a primeira a enfiá-lo onde ele estava, pra pagar pelo que ele fez.”.

Tudo tem um propósito

Denise prevê um futuro carregado de julgamentos contra o filho. Acredita que tudo será motivo para culparem o adolescente por algo fora do normal que vier a acontecer a sua volta. Mas diz que ganhou uma missão depois do incidente:

“Tenho muita fé de que isso não vai mais se repetir. Os meus filhos e eu fomos usados para algum propósito. Tanto que era para estar morta porque tive traumatismo craniano. Estava morta e alguma coisa me levantou daquele chão. Está certo que, às vezes, preciso sentar, porque minhas pernas tremem, mas acredito muito que temos um propósito e quero ajudar outras pessoas a seguirem em frente”.

Ela não quer revirar o baú de memórias da família a fim de achar um porquê para essa tragédia. Diz que não adianta. Está feito. Não volta. Precisa agora aprender a se olhar novamente e achar uma outra identidade.

Eu perdi tudo, a minha vida. E ela não foi fácil. Quando me separei, não tinha experiência nem faculdade. Nasci em Santa Rosa (RS), saí no mundo com minhas duas malinhas e venci. Graças a Deus, gravei todos os momentos e tenho boas lembranças, sem um pingo de remorso. E minha filha foi muito feliz. Hoje, ainda não consigo me olhar no espelho e saber quem sou eu. Minha estrutura eram meus filhos. Morrer e nascer de novo, aos 36, não é fácil, e o tempo não te espera, então você tem que continuar caminhando.”

E depois de se encontrar, de achar o seu norte, como ela mesma descreve, quer voltar a morar com o filho.

“Nós dois juntos, agora, seria mais difícil. Ele ia me ver chorar. Mas ele sabe que tem uma mãe que o ama.”

Treinar com amigos: pode te deixar mais rápido ou te atrapalhar?

Publicado em Webrun,06.08.19
Colaboração: Leonardo Boscolo

Treinar com amigos: pode te deixar mais rápido ou te atrapalhar? - Foto: Adobe Stock

Corredores são desafiados todos os dias. Não apenas com suas metas e tempos, levantar extremamente cedo para conseguir treinar antes de ir para o trabalho, ou até mesmo enfrentar um treino após um dia cansativo são desafios difícieis de serem alcançados. Uma alternativa, ou um modo de não desistir dos treinos pode ser encontrar uma companhia na corrida. Treinar com amigos ou com aquele vizinho que também gosta de correr pode ser um estimulante e uma motivação na hora de sair de casa.

Há quem não goste de conversar enquanto corre, mas pode-se dizer que funciona para iniciar o desafio e até te deixar mais rápido. A psicóloga Marina Vasconcellos, explica: “Nos treinos com amigos as pessoas se inspiram, se sentem influenciados pelo convívio com amigos, e correm com mais prazer”.

Quanto à performance, Marina fala que depende dos objetivos a serem alcançados por cada corredor. “se ela corre apenas para se exercitar, sem preocupação com performance, treinar com amigos pode ser bem mais gostoso porque vai se distraindo, conversando, e pode nem perceber o quanto já correu, treinando mais do que faria sozinha”, comenta.

Em contrapartida, treinar com amigos pode ocasionar perda de velocidade, ritmo e, consequentemente, queda na performance. Isso acontece porque ao correr falando, o corpo se cansa com mais facilidade.

A psicóloga explica quais os efeitos da companhia para quem quer abaixar seus tempos, sem se prejudicar. “Quando o objetivo é a competição, aí os amigos tem outra influência: a provocação da performance, uns inspirando os outros para que consigam mais”, explica.

“Os que correm mais ‘puxam’ os mais lentos, fazendo com que eles queiram atingir a performance do amigo como inspiração. Muitas vezes, os que querem alcançar os amigos acabam superando as próprias expectativas”, finaliza Marina.

Alguns segredos fazem mal para saúde mental; veja quando se preocupar

Publicado em UOL/VivaBem,01.08.19
Colaboração: Diego Garcia

Guardar alguns segredos pode trazer mágoa e rancor - Istock
Guardar alguns segredos pode trazer mágoa e rancor

Existem situações que acontecem conosco ou que presenciamos que não nos agradam e que optamos por manter em segredo. Pode ser desde uma situação traumática (como uma situação de abuso) até uma informação que pode prejudicar outra pessoa. Mas dependendo do peso deste sigilo, ele pode começar a se tornar um fardo difícil demais de carregar, mesmo quando fazemos questão de varrer para debaixo do tapete e fingir que ele não existe.

Mas por que fazemos? Para Denise Pará Diniz, psicóloga comportamental, professora e coordenadora do Setor de Gerenciamento de Estresse e Qualidade de Vida da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), alguns fatores podem explicar isso, como a sensação de estar inseguro ou ameaçado, ou mesmo quais são os valores familiares ou uma dinâmica sociocultural de onde a pessoa vive. O segredo ainda pode estar associado a uma rejeição social, ou seja, as outras pessoas podem não estar preparadas para saber dele.

“Quem guarda segredos negativos pode manter também rancores e mágoas, até em relação a si mesmo e em relação ao outro, o que pode ser prejudicial a vida e saúde deste indivíduo”, explica Diniz.

Quanto mais pessoal e pesado for esse segredo, maior o trauma que ele pode gerar. Situações como violência doméstica e sexual ou questões relacionadas a orientação sexual e de gênero se não tratadas pode comprometer a saúde física e mental do indivíduo, explica Marina Vasconcellos, psicóloga a voluntária do Programa Ambulatorial Integrado dos Transtornos do Impulso (Pro-Amiti), do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Os impactos dos segredos

É importante ressaltar que existem diferentes tipos de personalidade, afirma Vicente Cassep-Borges, professor de psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele diz, entretanto, que considerando a maioria das pessoas, somos sociais e é comum que o tempo todo busquemos avaliações de nossas condutas em pessoas semelhantes.

“Ao ter a opinião do outro, temos uma boa previsão de quais comportamentos serão mais acertados nas nossas vidas” analisa. Nos privar de nosso instinto social faz com que não saibamos a reação do outro. Pode nos deixar ansiosos na expectativa de que algo ruim aconteça se o segredo for revelado, o que nem sempre pode acontecer.

Diniz afirma que quando a gente guarda não só um segredo, mas um sentimento ligado a ele –como uma mágoa, uma dor ou um pensamento estressante –, o cérebro reage como se estivéssemos em perigo naquele momento, uma reação de estresse. Um conjunto de reações que o organismo desenvolve ao ser submetido a situação que exige esforço de adaptação, para buscar o equilíbrio do organismo.

Segundo Freud se a pessoa cala e se reprime, as mágoas e raivas podem virar doenças. Pode ser que você consiga gerenciar isso, mas, efetivamente quando esse segredo te assola, por exemplo, ocorre um estresse. Se essa situação se repetir por várias vezes seguidas, o indivíduo pode adoecer devido ao aumento do estresse.

Como perceber que um segredo me faz mal?

Uma das maneiras mais importantes de determinar se um segredo está interferindo no seu bem-estar é analisar o quanto ele te incomoda. Você se sente mal quando pensa no segredo? Você se preocupa regularmente com as consequências em sua vida se esse segredo fosse revelado? Você sente vergonha desse segredo?

Guardar segredos fortes pode nos trazer muita ansiedade. “A ansiedade é altamente correlacionada com a depressão. Ao perceber que algo está fazendo a pessoa sentir-se mal, é importante ligar o sinal de alerta”, orienta Borges.

“Se você se sente preso a um segredo, pensa nele todos os dias e ele começa a pesar, é porque não está certo, algo está errado”, analisa Marina. Se o teu segredo te deixa preocupado e você está formando até um pensamento obsessivo, numa coisa que vem todo dia, te atrapalha, te desconcentra, que pode te prejudicar nas relações com as pessoas, pode ser a hora de buscar ajuda.

Observar a intensidade e a frequência dessas sensações também é importante, assim como suas consequências: dores ou mal-estar, vergonha, medo ou depressão, acompanhado ainda de outros sintomas físicos.

Autoconhecimento é a chave

Borges acredita que as pessoas deveriam ser mais compreensivas, no sentido de que é natural que a vida não seja perfeita e isso não desqualifica ninguém. “Muita gente espera o impossível, e quando se espera isso, apenas um mentiroso é capaz de atendê-las. Não revelar a verdade é parte de algo importante para a vida em sociedade, para agradar ou não magoar as outras pessoas”, complementa.

Todos têm segredos e nem todos são ruins ou prejudiciais. Nem todos os segredos incomodam e, em alguns casos, manter certos segredos é necessário. Muitas vezes um segredo que você guarda e te incomoda, é menor do que parece. Conhecer a si mesmo pode trazer respostas para questões simples como, porque que eu estou sofrendo com isso?” ou “preciso realmente levar isso comigo?”.

Foque sempre na sua saúde e bem-estar e se você não conseguir resolver sozinho, não hesite em procurar ajuda com um profissional de saúde mental como um psicólogo. Não se importe com o tamanho do seu problema, sempre existe uma terapia que poderá ajudar.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Publicado em Universa UOL/Notícias,24.07.19
Por: Jacqueline Elise

Você só engorda”: controlar comida e peso do par é relacionamento abusivo

Dora Figueiredo revelou em vídeo que ex controlava tudo que ela comia - Reprodução/Instagram
Dora Figueiredo revelou em vídeo que ex controlava tudo que ela comia

A youtuber Dora Figueiredo divulgou um vídeo em seu canal, na semana passada, falando sobre ter vivido um relacionamento abusivo. Ela conta, em detalhes, como grande parte do abuso que sofreu acontecia quando ela ia comer.

O ex dizia coisas como “desde que eu te conheço, você só engordou”, controlava tudo que ela comia e dizia que ela era “nojenta” comendo: “Ele falou ‘eu não vou comer nunca mais perto de você, porque você não respeita a comida’. Isso porque eu tinha deixado garfo e faca em posições não paralelas”, relata em vídeo.

Dora chegou a dizer, em seu Instagram, que até perdeu o prazer de comer, e que tinha medo de se alimentar perto dele. A prática de controlar obsessivamente o que o parceiro ou parceira come, além de constranger ou ameaçar a pessoa por conta da comida, pode ser considerada violência psicológica, segundo especialistas.

“É loucura isso, uma forma de controle muito agressiva e humilhante, no qual o agressor detona a autoestima da pessoa. Não cabe, numa relação, esse tipo de comportamento”, diz Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar pela PUC-SP.

“Essa coisa da crítica ao peso ainda pega muito para as mulheres. Para os homens também, mas não tanto quanto para elas. Isso ainda acontece por conta da cobrança da sociedade para ser magra, o que ainda é considerado o ‘padrão’. Fica pior ainda se a mulher já tem um problema com a própria imagem. As humilhações vão afetando cada vez mais e ela vai se levando pela manipulação do parceiro”.

Cristiane Maluf Martin, psicanalista e terapeuta de casais, explica que nessas relações, o abusivo só se importa com os sentimentos dele porque ele mesmo tem a autoestima muito frágil. “Então, quanto mais ele diminuir o par, melhor ele se sente”.

O peso e a comida, nesse caso, foi a forma que o parceiro abusivo encontrou de diminuir Dora. Segundo a especialista, mulheres que passam por esse tipo de relação podem desenvolver dependência emocional, estresse pós-traumático e até mesmo transtornos alimentares.

“É preciso ter um grau de autoconhecimento e de autoaceitação muito grande para não se deixar levar por isso, porque realmente é um controle abusivo da vida da pessoa. A pessoa pode perder a própria identidade, se afastar de família e amigos”, diz Cristiane.

Para conseguir reconstruir a autoestima, as especialistas falam que acompanhamento psicológico e, em alguns casos mais graves, tratamento psiquiátrico são os mais indicados.

Caso pode ser enquadrado como violência psicológica

Controlar e humilhar a parceira por sua alimentação e seu peso podem se enquadrar na Lei Maria da Penha (11.340), no artigo 7, segundo Denise Rocha, advogada pela Universidade Federal Fluminense e membro associada do IBDFAM – Instituto Brasileiro de Direito de Família.

“A violência psicológica é entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. Isso pode acontecer sob ameaça, humilhação, manipulação e chantagem”, explica. Muitas vezes, o parceiro ameaça terminar o relacionamento se a outra pessoa não se enquadrar em seus padrões, como no caso de Dora.

Denise explica como alguém pode denunciar esses casos:

  • Procurar uma delegacia da mulher — ou, se não houver na cidade, uma delegacia tradicional também pode fazer o boletim — e buscar registrar a ocorrência dessas atitudes
  • Cada ato de violência psicológica é uma ocorrência diferente;
  • A vítima pode solicitar uma medida protetiva física até mesmo se dividir o teto com o parceiro;
  • Se tiver mensagens no celular, qualquer situação documentada, gravações, testemunhas que tenham visto esse comportamento acontecer, melhor. Tudo isso vale como sustentação da denúncia;

Maturidade muda sua vida em cinco aspectos positivos

Publicado em Ativo Saúde, 05.07.19

Com o passar dos anos temos a oportunidade de evoluir emocionalmente e espiritualmente, assim como em todos os papéis que escolhemos exercer. Vivemos inúmeras histórias e acumulamos conhecimentos, experiências e reações boas e más, além de uniões que por vezes são um sucesso, outras nem tanto. Alguns optam por viver sozinhos, e nem por isso são menos felizes: suas prioridades são outras, como ter liberdade de viajar e investir no profissional, e os fazem optar por não possuírem “amarras” e nem sentirem vontade de constituírem uma família.

O bom do passar dos anos é que adquirimos maior consciência de nosso valor, da necessidade de nos cuidarmos em todos os sentidos – físico, emocional, mental e espiritual – e da importância de nos conectarmos a pessoas que realmente valem a pena. Com a maturidade, sabemos o que queremos, assim como o que não queremos.

A seguir, entenda o que mais muda com a chegada da maturidade:

Aproveita-se mais a vida

A vontade de aproveitar a vida e tudo o que ela tem de melhor parece aumentar com a perspectiva de não termos tanto tempo pela frente como gostaríamos. Talvez, até por isso, o número de separações que acontecem nessa fase seja tão grande: os filhos saem de casa e os pais se veem na famosa “síndrome do ninho vazio”, na qual se dão conta de que, sem os filhos para cuidar, já não faz mais sentido aquela relação desgastada e, então, partem em busca de felicidade e realização pessoal.

Autoconhecimento

É um momento bem propício para a busca do autoconhecimento por meio da psicoterapia. Nesse processo, a pessoa entra em contato com o mais íntimo de si mesma, apropriando-se de suas emoções e entendendo sua dinâmica de funcionamento para se colocar de forma saudável em relações.

Valorização pessoal

É libertador conseguir escolher melhor os caminhos a seguir, não dar importância aos julgamentos alheios, colocar-se de forma mais leve nos relacionamentos, assim como aprender a se valorizar e se respeitar acima de tudo. Nossa própria companhia passa a ser agradável e não mais “assustadora”, como era para muitos.

Questionamentos

A maturidade nos autoriza a ir atrás do que nos faz feliz sem culpa e sem rodeios. Passamos a questionar o que antes aceitávamos como “certo” e determinado. E quantas perguntas… “Por que esperar para mudar algo? O que devo fazer para superar meus medos e encarar a situação? O que me faz feliz? O que “não” me faz feliz? O que posso deixar para trás e diminuir o peso que carrego nos ombros? O que quero incluir em minha vida que me traria prazer, satisfação e felicidade? O que me impede de ir em busca disso? Sinto-me feliz em minha relação amorosa? Meu trabalho me realiza?” E por aí afora…

Mais gratidão

A gratidão pelo que temos e somos agora parece fazer sentido e se faz mais presente e consciente. Valorizamos a qualidade de vida, assim como a convivência com pessoas que acrescentam coisas boas.

Maturidade não é igual para todos

Enfim, a maturidade deveria ser assim para todos, porém nem sempre acontece dessa maneira, pelos mais diversos motivos.

Estamos nessa vida para evoluir e a cada dia temos a oportunidade de mudar o rumo da nossa história, caso queiramos isso. Então, se sua história não está lhe fazendo feliz, cabe a você, e apenas a você, a decisão de mudar o rumo e reescrevê-la. Não fique aí parado… Faça!

O casal de amigos se separou? Como agir?

Publicado em Universa UOL/Relacionamentos, 17.07.19
Por: Silvia Regina

Getty ImagesÉ possível continuar com a amizade depois que um casal se separa

Vocês andavam juntos, se divertiam demais, pertenciam ao mesmo grupo no WhatsApp e se seguiam nas redes sociais. É comum vários casais se aproximarem e se tornarem amigos. Mas tudo parece virar do avesso quando uma das duplas resolve se separar. “A sensação é de luto, pois envolve vínculo e afeto. E fica pior quando o amigo vira uma espécie de bem na divisão do que pertencia a um e a outro”, explica a psicanalista Cristiane Maluf Martin, especialista em terapia de casais.

Mas, nessa disputa e em meio a tantas emoções, o que fazer? Manter a amizade com os dois separadamente ou se afastar? Os especialistas apostam na continuação da amizade, mas, para isso, tem que existir muito respeito e maturidade. No início, claro que a situação tende a ser complexa. Mas ela pode ir melhorando com o tempo.

Para não cair em armadilhas, veja o que você pode fazer e comportamentos que não deve ter:

– Discutir a relação via WhatsApp
Tanto o homem quanto a mulher estão no mesmo grupo de troca de mensagens e começam a usar o espaço para discutir a relação, esperando que os demais integrantes opinem. Pura cilada. “O ideal é que o casal, ou um dos dois, saia do grupo. Mas se isso não acontecer e se sentir que está sendo exposto a uma situação que o incomode, melhor o amigo sair”, orienta a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

– Postar fotos nas redes sociais
Antes de postar uma foto com o novo solteiro ou solteira na balada ou em qualquer outra situação, pergunte-se: “Eu preciso mesmo postar isso?”. “Não é esconder, é apenas manter a discrição. Lembre-se de que uma foto pode magoar uma das partes”, diz Cristiane Maluf Martin. Portanto, é importante saber equilibrar a situação para não machucar ninguém.

– Escolher um lado Ficar do lado dele ou do lado dela?
O que fazer? Você não precisa decidir de que lado ficar. Se é amigo dos dois, pode continuar mantendo ambas as relações.

– Ouvir a história de cada um
Sim, você pode e deve ouvir o que ambos têm a dizer, afinal esse é o papel de um amigo. Mas guarde as conclusões para você mesmo. “O amigo não deve julgar quem está certo ou errado”, conta a psicóloga Marina Vasconcellos. E nunca, jamais, vá contar ao outro o que ouviu.

– Convidar ambos para sair
Se o hábito existia antes, por que parar agora? O convite para encontros pode continuar existindo, mas a cautela precisa ser maior. Procure não convidar os dois para a mesma balada ou o mesmo restaurante. Se for sua festa de aniversário ou um jantar na sua casa e pretende convidar os dois, deixe claro para ambos essa sua vontade. Aí, cada um decide se quer ir ou não, de acordo com o que achar melhor.

– Tentar reaproximar o casal
Não tente dar uma de cupido.”Se tentar reaproximar o casal estará se metendo em algo que não lhe diz respeito. Como amigo, você deve dar uma palavra de força, ter bom senso, ouvir, questionar, permitir que o outro desabafe, mas apenas com o objetivo de melhorar o clima que se formou”, explica Marina Vasconcellos.

– Chamar para uma conversa sincera
Se achar que uma das partes está ficando chateada com a sua amizade pelo outro lado, vale a pena ter uma conversa sincera. Chame o amigo, exponha seu ponto de vista e mostre que quer se manter próximo dos dois. Deixar cacos na relação pode afastá-los e, com o tempo e a falta de vínculos, a amizade tende a acabar.

– Evitar a nova namorada ou o novo namorado
O amigo que se separou não vai ficar sozinho para sempre. Então, é normal que, em algum momento, ele apareça com um novo amor. Receba a pessoa e a acolha. Quem sabe pode começar ali uma nova amizade? “As comparações serão inevitáveis, mas guarde-as para você”, alerta Marina Vasconcellos.

Como em A Dona do Pedaço, mãe foi traída pela filha: “Mandou vídeo íntimo”

Publicado em Universa UOL/Mães e Filhos, 11.07.19
Por: Luiza Souto

Josiane (Agatha Moreira) em A Dona do Pedaço
As maldades de Josiane (Agatha Moreira) contra a própria mãe na trama global”A Dona do Pedaço” parecem coisa de novela. Além de roubar Maria da Paz (Juliana Paes), a vilã armou um casamento entre a mãe e seu próprio amante, Régis (Reynaldo Gianecchini), para arrancar ainda mais dinheiro.

A história já havia acontecido em outra trama de Walcyr Carrasco, “Verdades Secretas”. Na novela das 23h, que passou em 2015, a personagem traída, Carolina (Drica Moraes), se mata ao se dar conta da traição. Dessa vez, a boleira vai pegar filha e marido juntos também. Resta saber qual destino o autor escolherá para a protagonista.

A traição que a paraense Cris*, de 38 anos, sofreu comprova a proximidade entre arte e vida real. Ela pegou o marido trocando mensagens íntimas com a sua primogênita, de 23 anos, filha de um relacionamento anterior. E hoje, as duas não se falam mais. “Não quero saber”, ela afirma para Universa. Ela e o marido estão juntos há 20 anos.

Na vida real, Cris escolheu bloquear a filha de sua vida. Aqui, ela revela sua história, sob a condição de anonimato. A psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em família pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) dá algumas alternativas para suportar uma situação tão complicada, e como identificar traços de psicopatia, uma provável causa das maldades de Jô.

“Achava que eu tinha que fazer todas as vontades”

Cris tinha 15 anos quando engravidou. A família a expulsou de casa, no Pará, e ela foi morar com o pai da criança no Amapá. Dois anos depois, se separou após sofrer violência doméstica e traições. Como era menor de idade ainda, o combinado foi deixar a criança com o pai dela até se reerguer. “Voltei para o Pará, mas sempre tive o objetivo de buscar minha filha. Trabalhava e mandava roupas, material escolar, calçados. O pai dela dificultava nosso contato. Tudo era vigiado”.

Rede Globo/Divulgação
Josiane (Aghata Moreira) arranjou casamento para roubar a mãe em “A Dona do Pedaço”.

A partir dos seus 18 anos, a filha passou a vê-la com mais frequência, já que ela comprava passagens.

“Senti, com o tempo, que ela achava que eu tinha que fazer todas as suas vontades, como se o dinheiro suprisse o tempo em que ficamos afastadas.”

Um dia, determinou que só ajudaria a filha financeiramente se ela fosse morar com a mãe, onde estudaria e trabalharia. Ela aceitou e foi, grávida, viver com Cris, mas a deixou um mês depois. Disse que ficaria com o pai do bebê. “Pediu dinheiro e entrou num táxi. Fiquei chateada e não nos falamos por uns dois meses. Neste tempo, recebia mensagens carinhosas dela, dizendo que me amava, mas eu sabia que ela só queria dinheiro. Não dei mais.”

Um dia, seu marido perguntou se ela e a filha não voltariam a se falar. “Eu pedi para ele não se meter. Logo depois, numa noite, fui lentamente em direção à rede onde ele ficava deitado mexendo no celular: peguei o meu marido vendo um vídeo íntimo da minha filha. Ela quem mandou. Meu coração quase saiu pela boca. Pensei milhões de coisas. Eu tremia de ódio dos dois”.

Cris passou a noite chorando. No dia seguinte, descobriu a senha do celular e encontrou fotos e vídeos da própria filha nua e várias conversas. “Vi que ela começou a pedir dinheiro para ele, já que eu não dava. E que ele mandava R$ 100, R$ 150 a cada 10, 15 dias, em troca de imagens. ‘O que ganho em troca?’, escreveu ele após ela pedir dinheiro numa das mensagens”

Ela então ligou para a filha e disse que já sabia de tudo. A garota afirmou que só estava testando para saber se o padrasto realmente a amava. “Disse depois que me queria separada, para então voltar com o pai dela.”

“Decidi abolir minha filha da vida. Não tenho ódio, mas ela nunca gostou de mim, então é como se ela não existisse.”

“Não sinto nada. Entendi que o tempo que ficamos afastadas pelas circunstâncias da vida não criou nela um vínculo afetivo. E sim, de interesse. Então, se ela não me faria bem algum, eu não ia me desgastar com isso. Ela tentou pedir perdão através de outras pessoas, mas eu disse que não queria nem ouvir falar.”

Amor de mãe e filha não é incondicional

Ao ouvir um resumo da história de Cris, a psicóloga Marina Vasconcellos destaca: o amor materno é uma construção, não vem quando a mulher se descobre grávida. E se não há um vínculo entre mãe e filha, fica difícil mesmo nutrir um sentimento, ela ensina. Em resumo: não é porque é do sangue, saiu do ventre que necessariamente haverá carinho e respeito. Quando mãe e filha aprendem isso, dita Marina, sai aquele sentimento de culpa por não conseguir fazer a pessoa te amar.

Cris contou ao marido o que havia descoberto e procurou uma quitinete para alugar. “Ele chorou, pediu perdão. Mas no dia que eu ia embora, minha sogra morreu, e acabei não me mudando. Hoje, sigo com ele e nosso filho, mas faço o que eu quero: vou a festas, tenho mais liberdade. Ele não me cobra nada e evita o assunto a qualquer custo. A desconfiança é eterna. Não dá para confiar nunca mais.”

E o que fazer diante de tamanha traição, como a da filha de Cris? Ou pior: como a de Jô, que irá, inclusive, colocar fogo na fábrica de bolos da mãe? Dependendo da situação, a solução é manter distância emocional mesmo, por mais difícil que seja. “Mas estou falando no geral. Esses casos precisam ser analisados por um profissional. É preciso entender por que houve o distanciamento, o que aconteceu nesse tempo todo”, Marina frisa.

A psicopatia

A psicopatia é um transtorno de personalidade em que a pessoa não é capaz de desenvolver empatia por ninguém — nem mesmo pela própria mãe. No geral, são pessoas inteligentes e sedutoras, com o objetivo único de dinheiro e poder. Não há cura. Uma pesquisa da Price Waterhouse Coopers com companhias americanas mostrou, em 2008, que havia 69 milhões de psicopatas no mundo, o que daria 1% da população em geral.

“Pelo que você está descrevendo desta Jô, ela parece uma ‘psicopatinha'”, analisa a profissional, para depois explicar o quadro.

“Eles são capazes de destruir uma vida inteira, passam a perna nos pais. Quem tem um filho ou mãe assim, tem que estar sempre de olho e se proteger, porque a pessoa não sente nada, nem está a fim de conviver. Vejo muito filho de mãe e pai psicopatas, por exemplo, que procura o amor deles e não tem, mas quando entende esse transtorno, essa pessoa se liberta de uma tentativa de algo que nunca vai conseguir. E é preciso fazer um acompanhamento profissional para lidar com essa frustração”.

Sexo casual: 7 motivos que indicam que é melhor deixar para outro dia

Publicado em Universa UOL/Sexo, 01.07.19
Por: Heloísa Noronha

Getty Images/iStockphoto

Quando o tesão bate e os dois estão muito a fim de transar, para que esperar? A graça do sexo casual é justamente a falta de compromisso e a sensação de aventura. Mas para que a experiência seja 100% prazerosa é importante tomar algumas precauções — caso contrário, o melhor é repensar a possibilidade e adiar a experiência para outro dia. Na hora de decidir, considere as circunstâncias a seguir:

1. Nenhum dos dois tem camisinha
Eis aí o sinal mais importante de todos para desistir do sexo casual, ainda que o tesão seja imenso! Como vocês provavelmente se relacionam com outras pessoas – e não sabem em circunstâncias essas transas acontecem – segurar a onda e evitar contrair uma IST (Infecção Sexualmente Transmissível) é a decisão mais sensata a tomar. As estatísticas provam que transar sem proteção é um risco em ascensão: segundo dados de 2018 da Secretaria Estadual de Saúde, as ocorrências de sífilis por transmissão sexual cresceram 603% em seis anos.

2. O parceiro parece abusivo ou agressivo
Siga a sua intuição. Se, no bar ou na balada, o sujeito se mostrar meio bruto no jeito de beijar, de tocá-la ou até de conduzir a conversa, presta atenção no sinal vermelho. “E fuja correndo. O ideal é fazer sexo casual só em ambientes seguros e com pessoas minimamente gentis e confiáveis. A sua vida vale muito para se arriscar quando os indícios mostram perigo”, fala Lígia Baruch de Figueiredo, doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e coautora do livro “Tinderellas – O Amor na Era Digital” (Ema Livros). “Melhor não arriscar logo de cara a intimidade, pois entre quatro paredes você estará à mercê do que ele fizer, desprotegida e possivelmente se colocando em risco”, completa a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

3. Os dois são amigos, mas só você tem expectativas amorosas
Para Ellen Moraes Senra, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, do Rio de Janeiro (RJ), trata-se de outra furada anunciada. “Misturar amizade e sexo pode até não ser uma ideia tão ruim, desde que ambos saibam que se trata apenas disso. Porém, se há sentimentos amorosos envolvidos por uma das partes não tem nem porque arriscar, pois além de se magoar você pode acabar com a amizade que tinha”, avisa. Portanto, avalie se está preparada para encarar a situação como apenas um momento de diversão entre amigos, sem expectativas ou compromissos.

4. Ele propôs uma fantasia que você não quer fazer
A realização de fantasias muitas vezes acontece apenas quando já existe uma intimidade e ambos sentem-se à vontade para dizer ou fazer o que alimentam no plano da imaginação. “Caso ainda não confie suficientemente na pessoa e se sinta incomodada com a proposta, respeite seu tempo e sua intuição e coloque seu limite. O sexo deve ser prazeroso e ambos estarem de acordo com o que rola na cama, o que provoca ainda mais prazer. Não vale a pena ‘violentar-se’ para satisfazer o desejo de alguém que você mal conhece”, pondera Marina.

5. Você quer fazer sexo casual como vingança
Querer dar o troco na mesma moeda, saindo com o primeiro que aparecer para se vingar de uma traição do parceiro, por exemplo, é uma ideia que só costuma funcionar na teoria. “Na prática, partir para o sexo casual como forma de desforra vai provocar uma sensação de moral que apenas vai piorar uma autoestima já abalada. Isso acontece porque não uma conexão real com o parceiro eventual, como atração física ou emocional”, fala Lígia. A única exceção é no caso de haver uma atração prévia que ficava enrustida, aí a vingança até pode gerar prazer.

6. Você bebeu demais
“Então, sem dúvida, seu julgamento está prejudicado. E, dependendo da quantidade de álcool ingerida, seu bom senso e sua visão também não estão lá grande coisas, o que nos faz pensar se iria dar conta de lidar com o que encontrasse no dia seguinte”, diz Ellen. De acordo com Denise Figueiredo, psicóloga e sócia-diretora do Instituto do Casal, em São Paulo (SP), quando falamos de sexualidade é primordial falarmos de desejos e vontades. “Para que a relação casual seja um momento legal, é necessário estar certa do que está fazendo. Por isso, caso esteja alcoolizada e ainda em dúvidas, vale a pena rever essa vontade. Beber demais, além de baixar a censura, pode fazer com que a resposta sexual não aconteça da maneira natural como deveria acontecer”, diz. E, vale pontuar, pode colocá-la em situações não consensuais e de risco.

7. O local escolhido não é seguro
A psicóloga Marina lembra que é importante tomar cuidado ao arriscarem-se em lugares públicos onde possam ser surpreendidos a qualquer momento por alguém, passando por constrangimentos. É fundamental ter um mínimo de cuidado em preservar a privacidade e a segurança de ambos, evitando situações perigosas ou desagradáveis. Se não se sente à vontade, deixe para depois.

Mãe e filha perdem cerca de 90 kg com dança dos anos 80

Publicado em Minha Vida/Terra, 27.06.19

Com 40 e 18 anos, elas decidiram perder peso juntas – veja antes e depois

Há pessoas que torcem o nariz ao pensar ese exercitar para ter uma vida saudável. Mas há alternativas que vão além da musculação e que trazem resultados muito positivos. Foi o caso de Jaime Alisson e sua filha Callista, que juntas eliminaram cerca de 90 quilos ao aderirem a uma forma divertida de se movimentar.

Mãe e filha emagrecem juntas - Foto: Reprodução/Instagram
Mãe e filha emagrecem juntas – Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Foto: Reprodução/Instagram / Minha Vida

Mãe e filha, de 40 e 18 anos respectivamente, começaram a praticar juntas uma dança chamada de Jazzercise. O estilo surgiu nos anos 80 e combina coreografias de jazz com movimentos de pilates, kickboxing e yoga. A ideia delas surgiu em 2016, quando o ano virou e optaram por ter uma melhor qualidade de vida.

O valor mencionado por Jaime, de 195 libras, é equivalente a 88,5 quilos.

Benefícios da dança

A dança é uma atividade física completa, que trabalha diversos sistemas do corpo, queima calorias e ainda é divertida – apresentando ritmos e estilos para todos os gostos. Dentre seus principais benefícios ao corpo estão:

  • Queima calorias
  • Estimula a circulação sanguínea
  • Fortalece os músculos
  • Melhora a respiração
  • Melhora a coordenação, o equilíbrio e a percepção de espaço
  • Promove a socialização
  • Liberação de substâncias que promovem bem-estar (como endorfina)
  • Melhora a autoestima

A psicóloga Marina Vasconcellos, que também pratica dança, diz que o exercício libera tensões e estresse. E em apenas uma hora de atividade, a dança elimina uma boa quantidade de calorias – auxiliando a queimar as gordurinhas indesejadas. Veja alguns dados, segundo a professora de dança de salão Lidiani Emmerich:

A história de sua filha

Callista conta que seu peso era de 93 kg no início do Ensino Médio, com somente 16 anos. Isso fez com que tivesse problemas relacionados à autoestima, pois se sentia sozinha e desamparada. Então, junto à mãe, começou a frequentar a academia de dança e ter uma alimentação mais saudável. Ela conta, em suas mídias sociais, que em dois anos perdeu cerca de 40 kg e tem trabalhado em seu amor próprio.

Até o pai “entrou na dança”

A dança também influenciou em mudanças alimentares não só de ambas mulheres, mas também do pai da família – que acabou emagrecendo. Em uma das publicações em seu Instagram, Jaime comenta que ela e o marido planejam e cozinham as refeições juntos.

Motivação para alcançar resultados

Jaime conta que o que a motiva diariamente é viver de forma feliz e equilibrada. Sua jornada teve início com o objetivo de perder peso, mas hoje é mais do que isso: sua trajetória com a dança e o autocuidado fez com que se tornasse saudável, forte e se amasse.
“Todos os dias é uma nova oportunidade para compartilhar minha experiência, força e esperança para aqueles que lutam contra o peso, autoconfiança e transtornos alimentares. Você não está sozinho”, afirma.

Tabu entre casais, ir ao banheiro na presença do parceiro gera constrangimento e até separações

Publicado no Blog Joana D’arc, 11.06.19

Histórias engraçadas envolvendo até a família do amado(a), estratégias mirabolantes de disfarçar o odor, separações inesperadas e até prisão de ventre funcional fazem parte do dia-a-dia de um dos maiores tabus entre os casais. Como é compartilhar aquele momento popularmente conhecido como número e que nada tem a ver com o vinho, o perfume importado, a pele aveludada pelo creme hidratante de fragrância suave? Como lidar com o desconforto de um cheiro desagradável, como o do nº2, em início de relacionamento quando se está em uma viagem romântica num belo chalé com lareira?

“É preciso ter em mente que todos nós temos necessidades fisiológicas, e isso não deve ser motivo de vergonha. Por ser um assunto bastante íntimo, muitos casais em início de relacionamento não conseguem lidar bem com a questão, mas isso tende a melhorar com a idade (maturidade) e o convívio. Uma certa privacidade é bom ser mantida, mesmo com o passar dos anos. Fazer o “número 2” na presença do parceiro, ambos no banheiro, diria que é exposição demais e desnecessária, já que esse é um momento onde precisamos nos sentir livres, sem tensões e preocupação com o que o outro pode pensar ou sentir. Mas lidar com o odor deixado depois deve ser considerado como algo normal, já que todos passamos por isso. Comentários a esse respeito para o parceiro devem ser evitados, pois certamente ele já estará incomodado com o fato, e isso apenas o deixaria mais sem graça”, orienta Marina Vasconcellos, psicóloga com 30 anos de formação e especialização em terapia de casais pela UNIFESP.

Em um vídeo no You Tube com mais de 3 milhões de visualizações, a influencer Maria Julia Venture compartilhou com seus seguidores o pesadelo que viveu durante o jantar de apresentação à família de um ex-namorado. No dia anterior ela comeu mais do que o habitual e o efeito aconteceu durante o jantar na casa do amado. “Sentindo fortes cólicas, pedi para ir ao banheiro. Não queria fazer ali, mas não teve jeito, foi aquele alívio. Quando apertei a descarga, vi que a privada estava entupida. Foi aí que me desesperei. Depois de algumas tentativas mal sucedidas, resolvi pedir ajuda para o meu irmão, que estava em casa, pedindo para ele me buscar”. O que Maria Venture não esperava é que mandaria mensagem para a pessoa errada. “Mandei a mensagem para o meu namorado. Quando ele bateu na porta, resolvi aceitar a ajuda dele, acreditando em nossa cumplicidade de casal. Ao ver o chão todo molhado, ele caiu na gargalhada e deu um berro: ‘mãe, vem aqui ver o que aconteceu’. A mãe dele me acalmou, resolveu a situação, mas foi horrível no jantar todo mundo sabendo o que tinha acontecido lá em cima”, relembra. O namoro não foi para frente, mas ela afirma que o história não teve nenhuma influência no término.

“Uma situação delicada e constrangedora é um ótimo momento para testar a maneira como o outro reage a isso, colocando-se no lugar do parceiro e fazendo com que o sentimento de vergonha seja amenizado. A exposição da namorada numa situação onde o esperado seria exatamente o contrário, ou seja, a discrição e a parceria na resolução do problema, foi inadequada e desnecessária, piorando a situação para ela ao invés de acolher e minimizar o estrago, demonstrando falta de sensibilidade para com o sentimento dela”, explica a especialista.
Há dois anos atrás, Marina Macedo foi viajar com uma turma de amigos no Carnaval e dentre eles estava seu atual namorado Gabriel, que na época era apenas um paquera. De madrugada ela sentiu dor de barriga e agradeceu por estarem todos dormindo. “Pensei que ninguém ia ver nada, muito menos sentir. Fui no banheiro, terminei e quando abro a porta dou de cara com quem? Gabriel. É por amor mesmo que ele tá comigo, porque se dependesse do cheiro que ele sentiu. Ele fez como se não tivesse sentindo nada e ainda me falou que estava me procurando para me dar uns beijos…hahaha”.

“Uma reação desta mostra a maturidade do namorado e sua capacidade de acolhimento e empatia. Nada como se colocar no lugar do outro e agir para que ele se sinta compreendido e respeitado. Todos nós temos necessidades fisiológicas, não é preciso ter vergonha disso. Porém, embora o convívio nos possibilite maior intimidade, é sempre bom que consigamos manter certa privacidade para essas horas íntimas, e não há nada de errado nisso. Pedir que ele não entre no banheiro logo após o seu uso, por exemplo, pode ser libertador para que você consiga fazer suas necessidades à vontade. Ou carregue um bloqueador de odores na bolsa, ‘just in case'”, comenta a psicóloga.

Karina Ferreira, do Rio de Janeiro, confessa que muitas vezes não sabe lidar com esta parte da intimidade no seu namoro. “Meu namorado, coitado, mal esperou completar um ano para mostrar a arte que ele domina e dá aulas. Confesso que às vezes me incomodo e bato a porta, não querendo olhar pra ele por horas! A ‘liberdade’ traz o ranço, sabe? Isso porque é dentro da nossa casa, só nós dois. Imagina se fosse com um grupo de amigos? Eu iria morrer de vergonha”.
“Logo no início do relacionamento já temos indícios de como aquela pessoa lida com determinadas situações, como são suas reações perante as coisas, enfim, os encontros são para isso mesmo. Faz parte do processo da escolha de um parceiro colocar na balança o que nos agrada, e o que não queremos”, finaliza a terapeuta.

Uma inovação corajosa

Histórias como essas se acumulam e acontecem diariamente. O mais comum são tentativas mirabolantes de disfarçar o ato. “Foram estas tentativas que deram início ao nosso negócio. Em uma conversa com amigos a gente começou a discutir sobre como tinham soluções que pioravam as coisas, que a questão mesmo não era disfarçar pra dizer que não se faz algo que todo mundo faz, mas objetivamente eliminar a parte desagradável do que todo mundo faz, que é o odor. Foi aí que surgiu a ideia de desenvolvermos o primeiro bloqueador de odores sanitários do Brasil”, explica Rafael Nasser, um dos sócios do FreeCô, produto que inaugurou uma nova categoria no mercado de higiene nacional. “A gente acreditou que o benefício do produto era maior do que os obstáculos para apresentá-lo as pessoas e aos comerciantes. No início teve gente que desconfiou se daria certo, apostando que as pessoas teriam vergonha e isso seria uma barreira para conquistar clientes”.

Três anos após o início de suas atividades, o produto é comercializado em mais de 15 mil pontos de venda em todo o país. Entre 2016 e 2017 o negócio cresceu 150%. Em 2018 foram mais de 1,5 milhões de unidades vendidas. Para 2019 a expectativa é de um crescimento de 30% e 2 milhões de unidades vendidas. Graças a demanda do consumidor hoje existe uma linha completa da marca com diversos tipos de produtos e fragrâncias que podem ser encontradas no varejo, e-commerce e em versão para empresas e estabelecimentos, que funciona como um serviço mensal.

“O bem-estar que o produto que criamos traz às pessoas é um grande incentivo para continuarmos expandindo nossa rede. Somos uma empresa muito ativa nas redes sociais e temos uma proximidade grande com nossos consumidores. Recebemos muitos comentários diariamente de pessoas que descobrem o produto e nos contam como isso melhora a vida delas. Gente que faz cirurgia bariátrica, gente que trabalha em escritório cheio com poucos banheiro, casais que se marcam por brincadeira, mas que não deixam mais de usar o produto, são tantas histórias”, completa Renato Radomysler, outro sócio da marca.

Como brincar não faz mal para ninguém, a seguir 10 personagens que você pode assumir para fazer o n°2 perto do amado(a) com o intuito de reduzir os danos

1- Super Homem/ Mulher Maravilha – arrume seu cabelo, jogue-o de um lado para o outro, tire um FreeCô pocket do bolso, borrife 5 vezes e saia com o peito estufado.capture-20190611-085717

2- Contorcionista– faça o n°2 ao mesmo tempo em que aperta a descarga. Essa técnica exige flexibilidade, coordenação, equilíbrio e cuidado, muito cuidado. Dizem que controla os odores.
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3- Alquimista– acenda um fósforo, molhe o dedo, apague a chama e deixe a fumaça branca fluir pelo ambiente. Existe uma explicação química e fisiológica para o sucesso desta técnica.
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4- Noiva– essa técnica é tradicional e existem versões. A noiva antes que protege sons. A noiva depois que ajuda a compor uma massa deslizante.
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5- Alérgico(a)– durante a ação no momento mais crítico, espirre, se necessário, espirre novamente. Busque qualquer perfume no ambiente e borrife. Esfregue bem os olhos e o nariz. Saia do banheiro com os dois avermelhados, necessitando de cuidados e afastando a amada do banheiro.
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6- Gasparzinho– fuja, desapareça, corra, role pelo chão, pule a janela, resolva o problema e volte como se nada tivesse acontecido. Quem? Eu? Onde?
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7- Assumido(a)– teste a resistência da privada, vá até o final, quebre tudo, chame o amado(a) para aquela longa conversa e compartilhe este momento, pergunte sobre o momento dele.
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8- Falecido(a)– não saia do banheiro enquanto o odor estiver ali, nem que demore uma semana, fique firme na sua missão. Não esqueça o celular para digitar mensagens e navegar enquanto aguarda. Não emita sons. Mortos não falam.
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9- Perfumista– faça tudo como manda o figurino, pegue o desodorizador de ambientes e dê aquela mesclada de fragrâncias que alivia a consciência e pioria ainda mais a situação.
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10- Fugitivo(a)– comece os trabalhos pensando em sua rota de fuga. Reflita bem se não é possível realizar a limpeza de suas partes sem encostar em nada, assim você pode sair correndo, antes que você mesmo possa sentir o cheiro da coisa.
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O meme “Fé nas malucas” fez a internet discutir ciúme excessivo na relação…

Publicado em Universa UOL/Relacionamentos, 03.06.19
Por: Jacqueline Elise

Getty Images/iStockphotoO que começou como uma brincadeira na internet se tornou “justificativa” para ciúme e insegurança

Uma expressão tomou o Twitter novamente nas últimas semanas: “Fé nas malucas”. Desde 2018 saíram músicas com a frase, com homens cantando sobre suas namoradas que eles chamam de “surtadas” e “ciumentas” por elas desconfiarem da fidelidade deles –e que eles as amam desta forma.

Dizer que a companheira é “surtada” pode passar um estereótipo machista sobre as mulheres, mas teve gente que abraçou o meme e “assumiu” a pecha de louca.

O problema é que a coisa passou dos limites e expôs situações que podem ser reconhecidas até como ciúme excessivo: quando um implica que o outro colocou senha no celular, que ele não deixou ler suas mensagens de texto ou quando passa a controlar com quem a pessoa sai e quem curte as postagens dela nas redes sociais, por exemplo.

Apesar de ter começado como uma brincadeira, algumas pessoas acharam que o “fé nas malucas” deu margem para que o ciúme e a insegurança fossem romantizados nas relações, especialmente naquelas entre homens e mulheres –por isso o “malucas” está no feminino. Além disso, trata o sentimento como se fosse exclusivamente feminino –o que, claro, não é verdade.

Ao mesmo tempo, tem quem acredite que os homens deram motivos para que as mulheres ficassem tão inseguras nos relacionamentos ao traí-las e descreditarem qualquer suspeita da parceira.

Mas, afinal, o “fé nas malucas” tem razão para existir ou o pessoal está passando dos limites e tentando justificar o injustificável?

Insegurança gera ciúme, mas é coisa de mulher?

Ciúme é um sentimento comum do ser humano e que não escolhe gênero, mas mulheres são constantemente vistas como naturalmente ciumentas e tidas como “malucas” por se sentirem assim. Ellen Moraes Senra, psicóloga e especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, explica que as redes sociais viraram ferramentas para alimentar o ciúme alheio, mas que estereótipos de gênero também influenciam nas relações e faz com que algumas mulheres se sintam inseguras em um relacionamento com um homem.

“Ainda existe uma grande defesa da sociedade machista de que ‘homem trai mesmo, faz parte’, isso influencia na sensação de insegurança. Com as redes sociais as coisas ficam mais escancaradas, uma delas é a traição. Então o que antes era feito por baixo dos panos fica exposto para todos saberem, e não é uma exposição só para ele, é para ela também”, explica.

Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramista e terapeuta familiar pela PUC-SP, também afirma que existem pessoas manipuladoras, que tentam convencer o outro de que ele não fez nada e que é tudo invenção –o famoso gaslighting–, quando na verdade está tentando esconder algo. “Você pode ter razão de duvidar de alguém, mas aí a pessoa vai inverter a situação e fazer a outra se sentir culpada por pensar assim, fazendo-a parecer louca e culpada”, diz.

Quando o ciúme se torna doentio?

Apesar desses fatores, o ciúme não pode se tornar obsessão nem ser justificado como “prova de amor”. Marina afirma que, se não houver limites, o ciúme pode se tornar preocupante.
“O ciúme passa a ser considerado patológico quando você não tem motivo específico para tê-lo. Tem a ver com o fato de a pessoa não confiar nela mesma, quando ela controla o outro, seja olhando as redes sociais do parceiro o tempo todo e perseguindo quem curtiu o que o outro postou, quer ver o WhatsApp e ler as conversas pessoais dele”.

Ela explica que a origem deste comportamento pode estar atrelada a eventos marcantes no passado, como exemplos pouco saudáveis de relacionamentos na família ou uma traição passada que resultou em trauma.

Como se livrar desse comportamento?

As especialistas aconselham que o assunto seja tratado em terapia, tanto para saber de onde vem tanta insegurança quanto para encontrar formas de aliviar o ciúme. Marina recomenda que a pessoa ciumenta escute mais o parceiro e amigos, para receber um “feedback” de como as atitudes dela afetam suas relações.

Ellen também afirma que é preciso trabalhar a autoestima e a autossuficiência. “A gente precisa entender que não comanda o outro. Não adianta querer fuçar o telefone, ligar de cinco em cinco minutos para saber onde o outro está. Não dá para achar que a pessoa está fazendo um favor para ficar com você, porque isso leva a comportamentos obsessivos, faz com que você deixe de viver sua própria vida”.

É preciso, também, perceber os sinais de um relacionamento tóxico. Se a pessoa não te fazer bem e ainda faz você pensar que é “maluca”, cuidado: há grandes indícios de que há abusos nessa relação.

Masculinidade tóxica: ações que aprisionam o homem

Publicado em Ativo Saúde, 17.05.19

Acabei de ouvir uma palestra do “TedxRuaPortugal”, com Guilherme Valadares. O título: “Quebrando o silêncio: como os homens se transformam”. Fica aqui a dica para que a assistam inteira.

Ele aborda a questão dos homens que, até hoje, crescem ouvindo coisas absurdas e machistas que os colocam num mundo restrito, ao qual ele dá o nome de “A caixa do homem”. Dentro dela, estão características que todo homem “deve” desenvolver e corresponder, como ser corajoso, não demonstrar emoções, saber se defender, ser sexualmente impositivo, não cometer erros, ser provedor, não chorar e por aí vai.

Fora da caixa fica tudo o que não é esperado de um homem, como ser fraco, chorar, ser gay, covarde, maricas, bebezão, esquisito, sensível demais etc. “Muitos dos comportamentos não esperados são associados a características do feminino. Então, no centro da construção da identidade masculina usual, a gente tem o medo do feminino”, diz Valadares.

Homem sem liberdade
Isso leva a comportamentos que aprisionam o homem, por exemplo: obsessividade com poder e sucesso, intensificando a competição; fechamento emocional (dificuldade que muitos homens têm em expressar emoções, ou mesmo entrar em contato com elas); emocionalidade restrita entre os próprios homens (quem já não presenciou amigos que estão se abraçando e outros tiram sarro, insinuando que formam um casal?); e conflitos entre relações de trabalho e família. A tudo isso dá-se o nome de “masculinidade tóxica”.

Como terapeuta, tenho o privilégio de ouvir homens falando sobre sua mais profunda intimidade e assumindo fragilidades, em busca de desenvolvimento e crescimento como ser humano melhor, em todos os papéis que exerce. São homens sensíveis e com grande capacidade de empatia, já que chegam ao consultório com o propósito de entender melhor suas relações com os outros e consigo mesmo.

Preconceito ainda existe
O problema é que a maioria deles não tem coragem de buscar terapia por se encontrar “dentro da caixa”, ou seja, assumir que precisa de ajuda para resolver questões emocionais é encarado como fraqueza, incompetência, frescura, alguém que deve ter “problemas sérios e tomar remédios”…

O preconceito com a psicoterapia ainda é grande, infelizmente, embora já menor que anos atrás. As mulheres em geral não temem ser julgadas pelos amigos e familiares por se tratarem, já que elas têm mais facilidade e o “consentimento” da sociedade para expressar seus sentimentos com tranquilidade.

Mas o homem “não pode chorar” e nem ser “sensível demais”, pois corre o risco de atrair olhares julgadores de outros homens que o condenam injustamente. Então, fecham-se em suas “cavernas” pessoais e perdem essa chance incrível de desenvolvimento emocional tão importante para todo o ser humano. Isso quando não desenvolvem doenças emocionais graves, como a depressão, por exemplo, que muitas vezes passa despercebida e não é tratada por vergonha.

São os iguais que o julgam e não as mulheres que, pelo contrário, admiram os que fazem psicoterapia, pois demonstram serem capazes de assumir suas responsabilidades e terem sensibilidade e maturidade para se questionar a respeito.

Então, se você é desses homens que ainda acreditam na mentalidade machista e ultrapassada de que devem ficar “dentro da caixa”, está na hora de repensar seus conceitos e abrir-se para o maravilhoso mundo do autoconhecimento.

Tenha certeza de que o horizonte se ampliará numa espiral sem volta e você poderá se surpreender com o que descobrirá!

Como contar para meu filho que o pai não quer conhecê-lo?

Publicado em Universa UOL/Mães e Filhos, 23.04.19
Por: Jacqueline Elise

Getty Images/iStockphotoMuitas vezes mães solo não sabem como responder aos questionamentos das crianças

Quando a filha da técnica em enfermagem Ive Souza, 38, tinha sete anos de idade, ela perguntou à mãe onde estava o pai dela. Ive e o homem tinham uma relação complicada, e ele nunca participou da criação da menina. Porém, agora com 12 anos, a garota voltou a ter interesse pelo paradeiro do pai. “Ela está rebelde demais, tem ansiedade e fala que não importa quem ele seja, quer conhecê-lo”.

Ive está passando por um dilema muito comum entre mães solo: quando a criança quer saber do pai ausente. “E ela vai cobrar, estejam preparadas”, avisa Ive. Mas como sanar a dúvida sem traumatizar a criança ou explicar demais a situação? As especialistas Deborah Moss, neuropsicóloga e mestre em psicologia do desenvolvimento humano pela USP (Universidade de São Paulo) e Marina Vasconcellos, psicóloga e especialista em psicodrama terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, dão dicas de como passar por isso:

Quando a criança costuma ter essa dúvida?
“Antes, a criança ainda se vê como um ser simbiótico à mãe. Na medida em que ela vai crescendo, ele consegue separar as coisas, com o surgimento da linguagem e das interações sociais. Vai ter criança que vai perceber isso logo cedo, outras, não. Acredito que por volta dos três ou quatro anos de idade fica mais exacerbada a percepção de que não há um pai presente, mas depende muito da vivência”, explica Moss.

Vasconcellos especula como a criança pode se dar conta da situação: “Não tem um gatilho específico. Pode ser que outra criança pergunte a ela: ‘Ué, mas você não tem pai?’ –uma criança é espontânea, ela não sabe que certas perguntas podem ferir os sentimentos do outro. Pode ser um desenho animado na televisão que mostre um pai, e a criança começa a ver que não tem um em casa. Qualquer situação que ela observe que há um pai presente pode ser um gatilho quando menos se espera”.

Deixe a criança perguntar
As especialistas afirmam que o melhor é esperar que a criança venha com a dúvida, e não que a mãe introduza o assunto. “Não precisa deixar de falar no assunto ‘pai’ em casa, mas não necessariamente precisa chamar a criança para essa discussão se ela não chegou a se interessar pelo papo”, diz Moss.

“A criança tem o tempo dela, em algum momento, isso vai acontecer. Se não é uma questão do filho, então calma. Não tem motivos para adiantar o diálogo, pôr a carroça na frente dos bois. A criança não tem nada a ver com a ansiedade da mãe”, diz Vasconcellos.

Entenda de onde vem a dúvida
“Quando ela chega para a mãe e pergunta, sempre vale a pena rebater com outra pergunta, desmembrar a dúvida dela. Quando ela chega com esse questionamento à mãe, é porque ela já está partindo de alguma hipótese, ou tem um motivo para estar pensando nesse assunto. Então talvez seja melhor perguntar: ‘Mas por que você teve essa dúvida?’, e esperar que a criança venha com a explicação dela, para saber o que dizer. Sabendo disso, a mãe pode falar, por exemplo: ‘O papai passou por uns problemas e teve que ir para longe. Não sei onde ele está’. Às vezes, o que eles querem saber é muito simples e indolor”, pensa Moss.

Simplifique a linguagem
Vasconcellos alerta que, na hora da conversa, a linguagem seja a mais simples possível e que os detalhes do afastamento do pai sejam poupados. “A mãe precisa pensar, caso não tenha uma boa relação com o pai da criança: ‘Meu filho não tem a ver com a minha relação pessoal com o pai’, para que a criança não sinta que ela atrapalhou a vida da mãe ou que ela é uma ‘extensão’ desse pai ausente. Criança é muito autorreferente, tem que ter cuidado com a mensagem que passa para ela”.

“Use recursos lúdicos, como um livro infantil ou desenhos, para acessar a linguagem da criança. Não use palavras complicadas. Mas é importante usar esses recursos para dizer a verdade, que não tem como o pai estar com ela. Conforme a criança for crescendo, aí a conversa vai se adaptando para o entendimento dela”, aconselha Moss.

Não deixe as emoções interferirem na resposta
Moss recomenda que as mães que ainda não conseguem falar direito sobre o tema respeitem seu próprio tempo também. “Se ela perceber que é um assunto que balança muito com as emoções, ou que prefere conversar com alguma pessoa para pedir conselhos antes de se dirigir ao filho, a mãe pode dizer: ‘Vamos falar disso em outro momento?’. Mas sem assustar a criança, ela não precisa achar que ela está perguntando algo errado. Dê um tempo e depois volte nesse assunto”.

Como evoluir o tema durante o crescimento
As especialistas dizem que, conforme a criança se desenvolve, é natural que ela volte ao assunto do pai. Agora, o quanto deve ser revelado sobre a identidade e o paradeiro dele vai depender do contexto: da relação que a mãe tem com ele, se o pai tem condições de se envolver com a família.

“Para aprofundar o assunto, acho que na adolescência, quase já na fase adulta, é mais adequado. Mas não convém falar ainda na infância, porque isso atrapalha demais a vida da criança, ela começa a se associar ao pai ausente e se perguntar se isso foi culpa dela”, pensa Vasconcellos.

Lidar com a situação da forma errada traz consequências
A dona de casa Bianca*, 32, viveu o outro lado: da filha que cresceu sem o pai. Porém, ela passou a infância se sentindo mal por conta do jeito que sua mãe lidou com a situação. “Minha mãe sempre me dizia coisas horríveis. Ela não falava dele, apenas contava como foi que ele acabou com a vida dela, deixando-a sem nada do que compraram juntos, de como ele a deixou às vésperas do casamento dos sonhos dela, de como ela se arrependia de não ter abortado, como ele queria”, relata.

“E quando eu dizia que ele voltaria um dia, ela falava para eu ‘parar de ser burra’, que ele não me queria. Acho que a criança não deve, nunca, saber dessa forma que foi rejeitada. A dor é eterna e a mágoa é dupla: do pai que a abandonou e da mãe quando o ataca em vez de explicar de outro jeito o que houve. Claro que não se deve alimentar fantasias, mas existem muitos outros meios de explicar”.

 

Como falar com as crianças sobre vídeos com a aparição da Momo

Publicado em Meu Estilo R7, 19.03.19
Por: Débora Besser

Especialistas recomendam o diálogo direto com os filhos para alertar sobre qualquer contato com a figura macabra em vídeos do YouTube

Imagem da momo: pais precisam dizer não aos filhos A suposta volta da Momo — a figura aterrorizante, de olhos esbugalhados, pele pálida e sorriso sinistro, que ficou famosa no WhatsApp, em 2018 —, desta vez em vídeos no YouTube Kids ensinando crianças a cometerem suicídio, tem deixado pais em alerta.

A primeira sensação é de impotência diante daquilo que circula na Internet, uma vez que, segundo os relatos, a aparição da Momo seria feita de forma aleatória, inclusive em plataformas protegidas. Ainda sem comprovação real que a boneca esteja realmente aparecendo, há quem defenda que tudo não passa de fake news. Ainda assim, a preocupação dos pais existe.

Especialistas ouvidos pelo R7, no entanto, garantem que pais e mães que mantêm o diálogo aberto com seus filhos não precisam temer. “Os pais têm de saber o que seus filhos estão vendo na Internet”, recomenda Marina Vasconcellos, psicóloga especializada terapia familiar pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

“A figura pode ser danosa, pois a criança não tem maturidade para distinguir o que real do que não é, ela não tem essa capacidade. Quanto mais ‘largada’, solta, for essa criança, mais risco ela corre”, alerta a psicóloga.

Para a profissional, o ideal é falar abertamente sobre o caso. “Os pais têm de dizer o que está acontecendo, que está aparecendo uma bonequinha, que se ela aparecer o filho deve avisar. Tem de ser direto”, aconselha. É preciso explicar para a criança que a Momo não existe, que não é para ouvir o que ela fala, pois ela diz coisas erradas e que nada de ruim vai acontecer, nem para os filhos nem para os pais. “É preciso deixar claro que se trata de uma invenção, de um mentira, que não é para acreditar nela.”

Para a psiquitra Carolina Hanna Chaim, do Hospital Sírio Libanês, não é preciso mostrar a imagem da Momo, que é agressiva por si só. “Há uma perversidade muito grande em quem espalha esse tipo de conteúdo”, analisa. A dica da médica parece simples, mas exige pulso: os pais têm de monitorar o conteúdo, o celular, tudo o que estiver ao alcance das crianças. “É responsabilidade legal dos pais”, alerta.

Beatriz Moura, especialista em transtorno de personalidade borderline, saúde mental e ansiedade infantil, reforça que, antes de mais nada, os pais precisam assumir seu lugar de pai e mãe. “Em primeiro lugar, antes de ser amigo, tem de ser pai e mãe. O dizer não faz parte. A primeira coisa é ter o diálogo constante”, recomenda.

Controle do conteúdo

Não deixar que as crianças naveguem por onde bem entenderem é dever dos pais. “A gente tem vários meios de prevenir isso, ativar as configurações de segurança e controles parentais. Os pais não precisam deixar de trabalhar para monitorar isso, os links a que as crianças têm acesso chegam no celular. É só configurar”, explica Beatriz.

É importante, segundo a especialista, que os pais alertem seus filhos sobre possíveis interrupções nos vídeos ou jogos. “A recomendação de não falar com estranhos, não aceitar bala de desconhecidos, vale também para a Internet. Os filhos têm de saber que não podem dar dados, não podem falar com quem não conhecem”, alerta.

A psique humana, lembra Beatriz, tem tendência à curiosidade. Na opinião dela, não é o caso de mostrar a Momo ou fazer alarde. “Importante é que os pais tenham esse contato mais próximo do mundo virtual”, diz. “A ideia de que por falta de segurança os filhos ficavam mais em casa cai por terra. A falta de segurança chegou à Internet”, pondera a psicóloga.

O acesso das crianças à tecnologia precisa ser monitororado. “Alguém fez essa conta para a criança, alguém permitiu que ela tivesse e-mail, pudesse estar na rede. Em alguns casos, a criança tem mais medo da bronca que vai levar do que daquilo que vê e não entende”, explica.

O diálogo, mais uma vez, se impõe como única arma de combate possível. A criança não pode ter mais confiança em falar com um desconhecido em uma rede social do que com os próprios pais. A família não pode ter medo de dizer não. “Percebo em consultório: muitas vezes sobra para os profissionais e para a escola esse ‘não’. A criança precisa de limites, ela não tem noção do que é impróprio, se aquele conteúdo é para fazer mal a si mesmo ou a outros.”

Beatriz alerta também que muitos dos que são vítimas desses “incentivos” virtuais para atentar contra a própria vida, como a Baleia Azul ou o Desafio Momo, estão, no fundo, pedindo atenção. “Vamos ficar mais próximo dos filhos, não vamos deixar a tecnologia cuidar das nossas crianças”, recomenda.

A doutora Carolina lembra que a escola pode ter um papel fundamental em identificar crianças e jovens vulneráveis. “Quem vai ser alvo desses mecanismos normalmente já deu indícios anteriores, apresentou problemas como depressão, ansiedade, automutimlação. Muitas vezes, o comportamento auto-destrutivo tem relação com um ambiente familiar já comprometido, até pela violência. Por isso a  escola pode e deve ajudar”, explica.

A melhor solução, garante a médica, é a saúde do lar.

Conheça as 7 reclamações mais comuns dos casais nas terapias

Publicado em PortalMídia, 01.03.19
Por: Michele Marques

Alguns comportamentos são muito comuns nas terapias de casais

A terapia de casais é uma alternativa que muitos parceiros recorrem para tentar salvar a relação. Este valioso recurso pode transformar a vida dos companheiros e conseguir fazê-los superar as situações difíceis que todas as relações passam. “E, se antes, a iniciativa partia principalmente das mulheres, agora os homens têm se mostrado cada vez mais interessados nessa terapia a dois”, diz Margarete Volpi, psicoterapeuta do casal e familiar, ouvida pelo UOL. Contudo, nem sempre é possível salvar a relação, principalmente em casos onde já ouve desrespeito e o amor acabou, ressalta a terapeuta.

Os especialistas listaram as sete reclamações mais comuns ouvidas nos consultórios. Confira:

1. Pouco sexo O sexo costuma ser um termômetro da relação, ou seja, quando o casal não está bem na cama, isso demonstra que eles estão com problemas. Entre as maiores justificativas para a queda na frequência do sexo estão cansaço, estresse no trabalho, demanda de filhos, privação de sono e baixa autoestima.

2. Traição Quem procura a terapia por este motivo, realmente quer salvar a relação, esclarece Marina Vasconcellos, terapeuta de casal e família pela Unifesp. “Normalmente, a traição é acarretada por falta de diálogo entre as partes. Isso acaba fazendo o outro se sentir invisível, rejeitado, pouco amado”, explica.

3. Dificuldade de falar Muitos parceiros não falam sobre suas necessidades e anseios por medo da reação do outro, o que acarreta em comportamentos agressivos. Segundo as especialistas, é importante evitar acusações para que o outro não fique na defensiva.

4. Problemas psiquiátricos Crises de insônia, depressão, estresse, ansiedade. Todas essas situações podem minar a relação. “Se a pessoa aceitar se tratar e se houver amor, é possível reverter a crise”, diz, Marina.

 5. Liberdade sexual Para o casal se abrir a novas experiências conjugais, é preciso que eles tenham a mente muito aberta, ser muito seguro e abusar do diálogo. E, claro, é necessário que exista um consenso absoluto de ambas as partes na hora de tomar decisões como essa.

6. Uso excessivo do celular Com o uso cada vez maior dos smartphones, alguns parceiros se sentem invisíveis para a outra parte.

 7. Recusa da maternidade Com a autonomia cada vez maior das mulheres em relação à maternidade, a questão de ter ou não filhos vem se tornando um assunto cada vez mais discutido nos consultórios. A crise normalmente acontece quando o marido faz questão de ter filhos.

 

Importância de se desconectar do virtual e valorizar o real

Publicado em Ativo Saúde, 06.02.19

Estamos vivendo tempos preocupantes em função da dependência das pessoas no mundo virtual. Cada vez mais, presenciamos cenas aflitivas de gente que não se dá conta do vício na internet, em especial no celular, o que nos leva a questionar o que estamos fazendo com as relações humanas.

Conexão enfraquece relações
Mães que amamentam seus filhos sem olhá-los nos olhos, pois estão presas ao celular. Pais que empurram seus filhos no balanço do parquinho automaticamente com uma das mãos enquanto a outra está teclando sem parar. Casais e famílias que sentam-se às mesas de restaurantes e conectam-se ao Wi-Fi, mergulhando num mundo distante em detrimento do convívio ali do momento. E por aí vai, com inúmeros exemplos que poderiam ser listados aqui em longos parágrafos.

Mas afinal, quando voltaremos a nos conectar “olho no olho”, a respeitar aqueles que estão conosco, não dispersando a atenção a todo o momento para responder mensagens ou olhar as redes sociais? Quando os pais perceberão que o convívio familiar é fundamental para ensinar valores e transmitir afeto a seus filhos, ajudando-os na construção de sua personalidade e autoestima?

Maior percepção do presente
Podemos começar essa desconexão por atitudes simples que nos levarão a uma maior percepção do presente.

Por exemplo, você faz exercícios na academia com fones de ouvido? Se sim, já imaginou qual mensagem pode estar passando para aqueles que estão ao lado? Provavelmente: “Não estou disponível para me relacionar, deixe-me em paz com minha música e não puxe conversa comigo”.

Fará seus exercícios prestando atenção à música, podendo perder a noção dos movimentos corretos e contagem das repetições. Tudo fica “automático”. Não percebe o ambiente, as pessoas passam despercebidas ao seu lado e possíveis amizades que poderiam surgir dali, não acontecem.

Caso pratique corrida no parque usando fones, perde a conexão com a natureza: não ouve os pássaros, o som do vento agitando as folhas das árvores e mal percebe as pessoas que cruzam seu caminho, pois está concentrado em sua música.

Os que não desabilitam a entrada de mensagens durante aquele período ainda interrompem a todo o momento seu treino para checar o que está chegando, prejudicando o ritmo adotado. Deixam de passar um momento que poderia ser de meditação e autorreflexão, bem como contato consigo, com os outros e com a natureza.

Faça um teste e vivencie esses momentos sem o celular. Deixe-o de lado e esteja realmente presente naquilo que se propõe a fazer, de corpo e alma. Verá que é possível se desconectar do aparelho por longos períodos e conectar-se com o momento presente, descobrindo inúmeros benefícios. Seu corpo, seu espírito e as relações humanas agradecem.

Multilaser coloca no ar a #GuardeSeuMulti

Publicado em Promoview, 22.01.19
Por: Redação

Projeto alerta sobre perigos do uso excessivo de aparelhos eletrônicos e convida as pessoas a viverem mais experiências no mundo off-line.

Multilaser, do setor de telefonia, eletroeletrônicos e informática, lança a campanha #GuardeSeuMulti, com o objetivo de alertar a população sobre os malefícios do uso excessivo de aparelhos eletrônicos e internet e estimular a criação de conexões reais.

O projeto teve início em 21 janeiro, e vai até o dia 15 de março, sempre às segundas e quartas-feiras, abordando sete temas diferentes que exploram diversas situações em que os dispositivos podem interferir na vida das pessoas.

A empresa fará ainda um ‘post-decreto’ às sextas-feiras oficializando que suas atividades nas redes sociais só retornarão na segunda-feira e estimulando as pessoas a se desconectar para criar conexões reais durante os finais de semana.

“Somos uma empresa movida por inovação e tecnologia. Fabricamos e vendemos produtos que fazem parte do dia a dia das pessoas e facilitam suas vidas. Por isso, entendemos que também é nossa responsabilidade alertar para o uso consciente desses produtos, de forma que possamos colaborar para o bem-estar dos nossos clientes de forma completa. A campanha #GuardeSeuMulti traz este objetivo: estimular as pessoas a se desapegarem de seus aparelhos eletrônicos para curtirem o ambiente off-line.”, afirma Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser.

A psicóloga Marina Vasconcellos explica que a falta de conexões reais é um dos maiores problemas enfrentados atualmente. “As pessoas passam cada vez mais tempo no mundo virtual, mesmo em momentos em que deveriam estar se conectando presencialmente com outras ou focadas em alguma atividade. Com isso, as relações humanas estão sendo negligenciadas, prejudicando a formação e manutenção de vínculos afetivos importantes e profundos.”, explica Marina.

Ainda segundo a especialista, a dependência do mundo virtual pode desencadear outros problemas à saúde, como ansiedade, por querer saber de tudo o que acontece a todo momento, baixa autoestima – por se comparar aos outros o tempo todo -, depressão e excesso de exposição da vida pessoal.

“Para reduzir os efeitos negativos do uso de aparelhos eletrônicos, é importante estabelecer horários para checar o celular e o e-mail durante os momentos de lazer ou descanso, manter os aparelhos longe sempre que possível e praticar atividades que não precisam desses dispositivos.”, completa Marina.

campanha #GuardeSeuMulti contará ainda com ações em pontos turísticos do Rio de Janeiro, parques da cidade de São Paulo e praias do litoral sul e norte paulistano, como distribuição de leques e totens refrescantes.

A divulgação será feita por meio de inserções em rádios, mídia aérea, abrigos de ônibus e relógios digitais.

Mais dicas e informações da ação estão disponíveis aqui.

 

Por que você não deve fingir orgasmo durante o sexo com o seu parceiro?

Publicado IG/Delas- Amor e Sexo, 01.01.19
Por: Larissa Bonfim

Segundo especialistas, o orgasmo não deve ser uma cobrança entre o casal e fingir ter prazer pode atrapalhar ainda mais o desenrolar do relacionamento

Se você nunca chegou a fingir orgasmo com seu parceiro, com certeza deve conhecer alguém que já fingiu. De acordo com um  estudo norte-americano feito com mais de 2 mil pessoas, essa é uma prática bastante comum entre as mulheres, já que pelo menos 68% das entrevistadas relataram já ter fingindo prazer pelo menos uma vez na vida, enquanto o número de homens que afirmaram ter feito a mesma coisa cai para 27%.

É bastante comum que as mulheres cheguem a fingir orgasmo, seja como um jeito de agradar o parceiro ou por ter vergonha

É bastante comum que as mulheres cheguem a fingir orgasmo, seja como um jeito de agradar o parceiro ou por ter vergonha

Segundo a fisioterapeuta pélvica, sexóloga e educadora sexual Débora Pádua, existem muitas razões para as mulheres chegarem ao ponto de fingir orgasmo . “Muitas vezes, a parceira quer agradar o homem e mostrar que ele está proporcionando prazer e acha que é necessário fingir para demonstrar isso. Outras vezes, é uma forma de fazer com que a relação termine mais rápido, porque ela já está satisfeita com o que aconteceu.”

A psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar e de casais Marina Vasconcellos completa que muitas mulheres acreditam que têm obrigação de sentir prazer durante o sexo e querem satisfazer o parceiro ou provar a si mesmas que são confiantes. “Fingir é uma forma de não decepcionar, mostrando que ele é bom na cama ou que ela mesma que está bem ali.”

A terapeuta também menciona que, entre os fatores que podem impedir a mulher de atingir o orgasmo  , estão fatores do relacionamento que não envolvem a conexão física. “Problemas na relação podem refletir no sexo, e elas acabam não se entregando na cama.”

As profissionais explicam que é comum que as mulheres tenham vergonha de conversar com os parceiros sobre sexo e, em especial, sobre as próprias necessidades na hora de sentir prazer  . Isso porque dizer que a relação não está tão boa quanto poderia ser pode ser levado como uma crítica negativa e, também, há o medo de ser julgada por expor as próprias vontades.

“Muitas mulheres creem que são responsáveis pelo próprio prazer, mas é fundamental conversar com o parceiro, tanto porque relação sexual é a maior intimidade de um casal, quanto por ser o melhor jeito para encontrar uma forma de agradar os dois. Por incrível que pareça, essa conversa ainda é um tabu entre os casais”, afirma Marina.

Entretando, como muitas coisas no relacionamento, o diálogo é a melhor solução. “Sem ter uma conversa, ele sempre vai achar que determinada forma de fazer sexo oral está sendo o que te faz chegar ao ápice do prazer, mas não está. Os dois devem buscar o melhorar da relação, mas sem ter a noção do que realmente faz ela sentir prazer, não tem como ter essa busca”, diz Débora.

Mas afinal, por que não fingir orgasmo?

Fingir orgasmo pode ser um problema para o casal, já que torna o sexo uma rotina e pode impedir que a mulher sinta prazer

Fingir orgasmo pode ser um problema para o casal, já que torna o sexo uma rotina e pode impedir que a mulher sinta prazer.

A educadora sexual explica que fingir orgasmo não vai ser algo, necessariamente, prejudicial para o relacionamento, mas é um engano para os envolvidos naquela relação. “Ele acha que está proporcionado o prazer para a mulher e ela acha que está fazendo o certo ao deixar ele acreditar nisso, então eles nunca vão melhorar no sexo, porque sempre vão fazer as mesmas coisas, ter as mesmas respostas e a mulher vai ter que fingir sempre.”

Segundo ela, as relações sexuais de um casal que está em um relacionamento não deveriam ser vistas como uma “receita de bolo”, mas como uma folha em branco, tornando cada transa uma nova oportunidade para você fazer o que quiser e testar coisas novas.

Marina também afirma que cada vez que você chega a fingir orgasmo é uma oportunidade perdida de mostrar para o seu parceiro o que não está legal na relação. “Você acaba perdendo a chance de falar ‘vamos tentar outra posição’, ‘ tá muito violento’ ou ‘tá devagar demais’, de dizer o que gosta e o que não gosta. Às vezes falta aproveitar mais as preliminares ou não da tempo da mulher ficar excitada, porque elas demoram mais tempo do que os homens para ‘acender’.”

Assim, deixar de dizer o que está ou não te satisfazendo sexualmente e continuar fingindo vai deixar o seu sexo “mais do mesmo” e não vai te ajudar a atingir o ápice, porque nem você ou o seu parceiro vão se esforçar para mudar as coisas.

É possível chegar ao prazer e ficar satisfeita sem fingir orgasmo?

Segundo educadora sexual, o mais importante é parar de fingir orgasmo e focar em como sentir prazer de outras formas

Segundo educadora sexual, o mais importante é parar de fingir orgasmo e focar em como sentir prazer de outras formas.

A melhor solução para sentir prazer, segundo a terapeuta de casais, é falar abertamente sobre o assunto. “É essencial falar sobre fantasias abertamente e não ter vergonha de dividir seus desejos. Quanto mais intimidade e quanto mais conversa você tem com o seu parceiro, mais a relação sexual tende a melhorar, a intimidade aumenta e dá mais prazer para ambos.”

Outro fator é ter conhecimento do próprio corpo, de como estimular as  zonas erógenas , das melhores posições e, claro, não ter vergonha de expor essas coisas para o parceiro. “Quando a mulher não conhece o próprio corpo, não sabe se estimular ou quais sensações podem ser produzidas no corpo, fica mais difícil atingir esse ápice. Se ela conhece todas essas coisas sobre si, é importante mostrar isso para que o homem também saiba”, explica Débora.

Apesar disso, ninguém tem obrigação de atingir o orgasmo durante o sexo. “A relação sexual tem que ser a busca pelo prazer e não pelo orgasmo, até porque se prender na ideia de ter um orgasmo é o jeito mais fácil de não ter um. É importante fixar em sentir prazer na experiência e não pensar ‘tenho que fazer isso, mudar, tocar em tal lugar’.”

“Não tem problema nenhum do orgasmo não acontecer, desde que se tenha o prazer durante o sexo. Não é preciso fingir orgasmo e nem tornar isso uma cobrança. O casal tem que ter uma busca pelo prazer, já que o ápice é algo que se alcança com a experiência”, finaliza.

 

 

 

Chico Lang diz que dói demais morte do filho; como um pai supera o luto?

Publicado em UOL/Viva Bem, 11.12.18
Por: Maria Júlia Marques

UOL

Nesta segunda-feira (10), o jornalista Chico Lang publicou em sua rede social um emocionado comunicado informando a morte de seu filho. Paulo Lang era publicitário, tinha 23 anos e faleceu após cair de um apartamento no Bairro Vila Pompeia, na cidade de São Paulo.

“Meus amigos. Paulinho morreu. A ordem natural das coisas se inverteram. Um pai enterrar um filho é antinatural e dói demais no corpo e na alma. Gostaria sinceramente que fosse ao contrário. Deu um fim à própria vida com 23 anos. Dia 16 próximo faria 24. O dia mais feliz da minha existência foi quando ele nasceu, 16 de dezembro de 1994. O mais triste, quando faleceu, 9 de dezembro de 2018”, escreveu Chico Lang.

O UOL Esporte teve acesso à parte do Boletim de Ocorrência, no qual confirma “suicídio consumado” após a queda do sexto andar, mas não entra em detalhes sobre o que levou Paulo a óbito.

Como lidar com a dor da morte de um filho?
Nós ouvimos muito que perder um filho é a maior dor do mundo, por não ser natural como Lang citou em seu texto. Então surge a dúvida: como lidar com algo tão violento? A resposta, infelizmente, não é simples.

“Perdas são muito complexas, não conseguimos medir qual é a pior, mas com certeza perder um filho é um sofrimento desafiador. O filho é uma continuidade da gente, parte de quem somos, quem criamos, nosso futuro. Entender que ele se foi antes coloca em cheque diversos planos e gera muita frustração”, diz Gabriela Casellato, psicóloga especialista em perdas e luto do Instituto de Psicologia Quatro Estações.

Para conseguir enfrentar o luto não existe fórmula ou guia fases preestabelecidas. Tudo depende de como a morte se deu, da relação e história entre as pessoas envolvidas, da estabilidade emocional, de como o indivíduo encara a vida, quais são suas crenças.

Só quem está de luto sabe dizer o que a perda representa para si e é preciso respeitar esse sentimento, entender seu ritmo e limites para enfrentar a adaptação a esta morte, lentamente a pessoa se organiza diante tal sofrimento.

“Aconselho a busca de um psicólogo. O luto desperta uma mistura enorme de sentimentos, muita culpa, inconformidade, questionamentos… Sem o certo apoio pode potencializar a dor e até desencadear depressão. Com um profissional acompanhando, ajudando a ressignificar eventos, compreender o que houve, criando um suporte, fica mais fácil de passar pelo acontecimento traumático”, explica Yuri Busin, psicólogo e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental e Equilíbrio.

O importante é não entrar em negação e viver o luto, chorar, sentir, procurar ajuda e se respeitar, de preferência cercado de pessoas importantes afetivamente. “No primeiro momento é difícil viver, você fica preso no sofrimento. Mas o tempo passa, a pessoa se sente mais encorajada a seguir e cria melhores condições para suportar a dor”, afirma Casellato.

Existem pessoas que gostam de falar sobre a morte, reviver, ver fotos do ente querido para se sentir melhor, enquanto também existem aqueles que se sentem violados com esses atos. O segredo é analisar o que ajuda e o que atrapalha para compreender qual seu melhor artifício nessa batalha.

Com o passar do tempo, a ideia é que o enlutado deixe de “ser” a dor e consiga apenas “ter” a dor. “O luto é algo complexo, os sintomas podem ser intensos e por tempo indeterminado. Porém, se em um ano a pessoa segue isolada e não fica ativa apesar das readequações, aparece um alerta para certificar se não há depressão”, comenta Marina Vasconcellos, psicóloga e terapeuta familiar.

E tudo bem se a melhora não for gradual, especialistas afirmam que os sentimentos no luto oscilam sem aviso entre perda, saudade, tristeza, motivação, resiliência, eles só não podem durar longos períodos e limitar a rotina, impedindo trabalho, dificultando relações com outras pessoas, causando isolamento.

Casos de suicídio são ainda mais difíceis?
Não existem dúvidas que o suicídio agrava o luto. “Esse fato desperta perguntas cruéis como: por que, onde foi que eu errei, o que eu não vi, o que ele estava sentindo, o que podia ter feito? São questionamentos difíceis de lidar”, diz Vasconcellos.

“Quem está de luto após um suicídio precisa ter espaço para fazer perguntas, mesmo que não tenham respostas, ajuda a organizar a bagunça emocional. É preciso dar tempo ao processo e encontrar a sua própria narrativa, uma história para acreditar, dar sentido, acalmar”, sugere Casellato.

O suicídio é um fio sem ponta, não há compreensão, não há explicação, fica uma angústia da ausência de respostas. É o maior teste de resiliência, passar por tamanho desafio e conseguir sair mais maduro do que antes, conseguir crescer e tirar aprendizados de um evento tão dolorido.

Além disso, o suicídio gera um sentimento de impotência e culpa. A recuperação de uma perda assim exige um olhar cauteloso para conseguir achar um sentido e absorver a tragédia. Nestes casos, é altamente recomendado um acompanhamento médico para ajudar a lidar com a perda.

“E acho imprescindível que os pais enlutados entendam que o vínculo com o filho não se desfaz. Não existe ex-pai! A relação com o filho se encerra com o fim da vida, mas se transforma em um vínculo internalizado. Ninguém tem que esquecer o filho, isso é impossível e muito violento, é preciso aprender a enxergar e administrar o novo vínculo, um processo individual, cognitivo, físico e psicológico”, conclui Casellato.

Vínculos familiares: como fortalecê-los e ajudar quem precisa

Publicado em Ativo Saúde, 13.11.18

É impressionante a quantidade de famílias que mantém um contato superficial, posto que se as coisas fossem ditas de verdade, não permaneceriam unidas. Será? Ou seja, coisas incomodam, mas não são ditas pelo receio de magoar o outro e pelo temor da falta de compreensão ou abertura ao diálogo. Engole-se a questão, aceita-se o incômodo e a vida segue.

Como fortalecer vínculos familiares?

Mas acredito que possa ser diferente: à medida que comunicamos nossos sentimentos, questionamos certos comportamentos de algumas pessoas e conversamos sobre o que realmente importa.

Deste modo, os membros da família podem adquirir mais cumplicidade entre si, desenvolvendo vínculos verdadeiros de amor e empatia.

Afinal, esse seria o verdadeiro intuito da família: contarmos com uma base de amor para educar nossos filhos, ensinando-lhes valores importantes, como o respeito pelas diferenças, coragem, diálogo e superação de dificuldades, sempre contando com o apoio mútuo dos que lá estão.

Doenças psiquiátricas em famílias

Uma das questões que mais afeta famílias por aí afora é a presença de doenças psiquiátricas não diagnosticadas. O membro afetado sofre, já que muitas vezes nem sabe ser portador de uma doença, levando consigo outros que são obrigados a estar com ele.

Essa convivência não é nada fácil, mas poderia ser infinitamente melhor, caso a família enfrentasse o problema de frente e se empenhasse em encontrar maneiras de convencer aquele indivíduo a se tratar. Mas ao contrário, não se pode tocar no assunto “tabu”, em nome do “respeito” pelo doente…

Ninguém enfrenta, não se procura um tratamento e aquilo que poderia ter um bom prognóstico só tende a piorar com o passar dos anos.

Depressão na família

Um bom exemplo e muito comum é a depressão. É fácil essa doença passar despercebida e a pessoa portadora ser confundida com a preguiçosa, mal humorada, chata, irresponsável, que não topa fazer nada e critica tudo, a “sem graça”…

Os sintomas da depressão, nem sempre conhecidos por grande parte da população, se confundem com o jeito de ser da pessoa, levando a uma acomodação naquele modo de vida pré-estabelecido como se fosse o normal.

Um adolescente deprimido muitas vezes refugia-se na droga como tentativa de levar a vida, que lhe é pesada. Um adulto deprimido em geral consola-se no álcool como uma fuga a seus pensamentos desanimadores. Só assim consegue “esquecer” um pouco aquilo que deveria olhar e resolver.

Poderia dar outros inúmeros exemplos de situações que permanecem no obscurantismo pelo simples receio do diálogo necessário e do enfrentamento da situação para o bem estar geral.

Assim, os vínculos se desenvolvem distantes, frouxos, e, com o tempo, tendem a enfraquecer ainda mais, posto que a paciência e a tolerância dos membros da família vão diminuindo exatamente no momento em que os doentes precisariam mais da ajuda deles, com o avançar da idade.

Psicoterapia

A psicoterapia pode ser uma grande aliada ao desenvolvimento emocional do ser humano, auxiliando em seu processo de amadurecimento, resolvendo questões traumáticas não elaboradas, desatando nós de uma infância sofrida, fortalecendo a autoestima e auxiliando na busca e manutenção de vínculos saudáveis.

Você pode ter todas essas questões, ou não. E pode ter outras tantas questões pessoais, sejam elas quais forem, que terão o devido olhar. O importante é seu processo de autoconhecimento e crescimento pessoal.

Pena que muitas pessoas ainda a encaram com preconceito, recusando-se a experimentar. Poderiam ser mais felizes, simples assim.

Será que seu mau-humor pode ser um tipo de depressão?

Publicado em Uol/Entretenimento, 22.10.18
Por: Simone Cunha 

Mau humor nuvem na cabeçaMau humor, fadiga, irritabilidade e insatisfação são sintomas comuns que podem nascer em fases difíceis da vida. Quem nunca? Porém, se você convive com eles constantemente –sabe a impressão de ter uma nuvem negra sobre a cabeça? — e acha que não há nada que possa ser feito para mudar, é importante buscar orientação médica, pois pode ser algo mais grave.

A distimia, popularmente conhecida como doença do mau humor, é classificada como um tipo de depressão –na verdade, um transtorno depressivo persistente. “Estar sempre ranzinza é um dos sintomas, mas não garante o diagnóstico da doença”, conta o psiquiatra Fernando Fernandes, pesquisador do Programa de Transtornos do Humor do IPq – Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Mas, de acordo com o especialista, é normal sentir tristeza e oscilações de humor em diversos momentos.

A permanência dessa nuvem sobre a cabeça, porém, pode ser um sinal de alerta. “O diagnóstico envolve a avaliação de uma série de outros sintomas, como alterações no apetite e no sono, dificuldade de concentração, ansiedade, angústia, baixa autoestima, falta de energia e cansaço”, descreve o psiquiatra.

Doença ou personalidade ranzinza?

Ainda assim, é comum a distimia demorar para ser diagnosticada porque se confunde com uma característica de personalidade. “Por isso, se o mau humor estende-se há mais de um ano e ocorre sem um motivo específico, é importante tratar”, avisa a psicóloga Marina Vasconcellos.
Fique atento, principalmente, se este estado de espírito provoca sofrimento intenso e leva a atitudes ranzinzas, capazes de atrapalhar relacionamentos. O sentimento crônico pode desencadear prejuízos que vão se acumulando. “Trata–se de uma doença incapacitante, que interfere diretamente nas relações sociais. Pacientes que mantêm sintomas depressivos crônicos ao longo da vida acabam tendo menor escolaridade, menor renda e se casam menos. Ou seja, todas as as áreas da vida são afetadas”, alerta.

Como tratar?

Por isso, quem convive com a pessoa mal-humorada pode perceber o distúrbio e incentivá-la a buscar ajuda. O tratamento é realizado com antidepressivos e psicoterapia. “Muitas vezes, é indicado uma terapia familiar, pois pode ser que a doença já tenha desgastado os relacionamentos. Quem convive com alguém com distimia pode considerá-lo chato, rabugento ou desanimado sem saber que há um transtorno em questão, que precisa ser revisto e recuperado”, observa a Sonia Palma, vice-presidente do Conselho Científico da Associação Brasileira de Familiares Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata).

De acordo com Palma, a prevalência dessa doença varia entre 3% e 6% da população geral, lembrando que a dificuldade no diagnóstico pode interferir nesse número. É duas vezes mais comum em mulheres e em pessoas solteiras. “Quase metade dos pacientes não são diagnosticados com distimia e, com o passar do tempo, fica difícil identificar o início da doença”, destaca. Sem o tratamento adequado, o quadro pode evoluir com episódios depressivos mais intensos.

Para Vasconcellos, é fundamental que o paciente queira mudar. “A melhora nem sempre é rápida, mas é preciso ter disposição para alterar seu posicionamento na vida e experimentar novas formas de agir“, diz. Já o psiquiatra Fernandes alerta que, independentemente de uma possível evolução da doença, vale aproveitar todas as chances de tentar se livrar da doença. Esse, talvez, seja o melhor argumento para convencer alguém sempre ‘de mal com a vida’ a buscar ajuda.

Diferença de idade no relacionamento: como lidar com o preconceito?

Publicado em Ativo Saúde, 16.09.18

Pessoas da mesma faixa etária que se relacionam provavelmente passam por situações de vida semelhantes, o que beneficia o convívio e facilita a compreensão e o posicionamento perante os problemas.

No dia a dia, a diferença de idade no relacionamento exige cuidados. Porém, se ambos respeitarem características, limitações e possibilidades da idade de cada um, tudo costuma transcorrer bem. O problema ocorre quando um exige atitudes ou posturas do outro que são próprias da sua idade, e não da dele, de modo a não respeitar o tempo e as vivências do companheiro.

Preconceito pode atrapalhar

Muitos casais se dão perfeitamente bem, identificam-se em inúmeras coisas e estimula um ao outro, mas as pessoas olham com aquele “olhar reprovador” e crítico, o que pode dificultar a entrega verdadeira na relação por ambos ou um dos membros estarem preocupados com a crítica externa. Se não houver segurança dos sentimentos, pode haver influência dos comentários, o que pode fazer o casal se questionar se está, ou não, fazendo a escolha certa.

Quando a diferença de idade é muito grande, é praticamente inevitável enfrentar olhares “julgadores” das pessoas. Portanto, é necessário um bom equilíbrio emocional para enfrentar os comentários.

As críticas são ainda mais fervorosas em casos de descasados que se casam novamente com pessoas mais jovens e  possuem filhos quase da mesma idade da nova mulher. É necessário uma dose maturidade e bom senso para que a adaptação aconteça de forma gradativa.

Consciência é fundamental

É preciso estar bem consciente do que se espera de um parceiro para não confundir o “cuidado” com o materno ou o paterno. Pessoas muito reprimidas na infância, que tiveram pais autoritários, que cresceram num ambiente hostil ou mesmo que tiveram pais ausentes podem procurar alguém mais velho que lhes possibilite sair logo de casa, confundindo assim amor com necessidade de se livrar de um ambiente não saudável ou procurando no parceiro o afeto que não recebeu dos pais.

Há também aqueles que admiram a maturidade dos mais velho e suas vivências, encantando-se com sua postura na vida, sentindo-se bem com a segurança e confiança que o companheiro lhe passa, enquanto pessoas da sua idade ainda não chegaram a esse nível de crescimento pessoal. Enfim, há inúmeras possibilidades e cada caso é um caso.

Idade não é tudo

A idade realmente ajuda na maturidade, pois a somatória das vivências faz com que as pessoas cresçam e se desenvolvam mais. Porém, alguns vivem intensamente experiências desafiadoras desde cedo, sendo inevitável o crescimento e amadurecimento como consequência.

Vemos jovens de 20 anos às vezes mais maduros que os de 30. A criação aqui interfere, e bastante. Então, o que está em jogo é a postura da pessoa perante a vida e o modo como ela reage e aproveita as oportunidades de crescimento.

*Texto criado com base em entrevista dada para “Eu só queria um café”.

6 atitudes práticas para se acalmar nestes tempos tão polarizados

Publicado em M de Mulher,  17.10.18
Por: Raquel Drehmer

Exercícios de respiração, apps de meditação e regras próprias para conversas e uso de redes sociais são ótimas saídas para preservar a saúde mental.

Atitudes práticas para se acalmar nestes tempos tão polarizados

Está difícil encontrar quem não esteja constantemente nervoso ou pelo menos passando por momentos inquietantes no Brasil de hoje. A tensão política das últimas semanas, que deve durar pelo menos mais alguns dias à nossa frente, veio se juntar à crise financeira, à correria do dia a dia, ao trânsito, a tudo. Conclusão: muita gente à beira de um ataque de nervos, amigos e familiares brigando virtualmente e pessoalmente. O caos.

Ninguém merece viver assim, você há de convir. A tranquilidade é um bem precioso para preservarmos nossa saúde mental e, assim, conquistarmos qualidade de vida.

Se você está nesta situação de achar que pode explodir a qualquer momento, de se pegar com o coração acelerado de vez em quando (ou sempre) e/ou de não conseguir “desligar” do nervosismo, venha aqui, miga! Vamos lhe ajudar!

Conversamos com as psicólogas Analu Spada, Gabriela Malzyner e Marina Vasconcellos e organizamos seis atitudes práticas, que podem ser encaixadas até em um intervalinho que você se dê no trabalho, para se acalmar quando a coisa ficar complexa. Escolha as que mais tiverem a ver com você e não se esqueça: seu bem-estar vale mais do que as tretas.

Selecione o que quer ver nas redes sociais

Você não é obrigada a ver tudo que é postado por todos os seus contatos do Facebook ou do Instagram. Se as postagens de determinadas pessoas estiverem lhe fazendo mal e você não puder ou não quiser desfazer a amizade virtual com elas, coloque-as em modo soneca por 30 dias (caso ache que logo isso vai passar) ou deixe de segui-las (se perceber que o caso é mais grave). Você encontra estas opções clicando nos três pontinhos que ficam no canto superior direito de cada post.

Saia dos grupos muito agitados de Whatsapp

Mensagens que não acabam mais, gente se atacando gratuitamente, propaganda política e fake news nos piores momentos. Se este é o resumo de alguns dos grupos de que você faz parte no Whatsapp e eles não estiverem ajudando na sua saúde mental, simplesmente saia dos grupos. O ideal é mandar um aviso educado antes de efetivamente sair, para não causar pânico nem aumentar o risco de discórdia; escreva, numa boa, que não está em um bom momento para acompanhar tanta coisa e se desligue desta fonte inesgotável de dor de cabeça.

Pense antes de começar ou entrar em uma discussão

Especialmente se o assunto for política.

Você deve levar em consideração três fatores:
– A pessoa está receptiva para conversar numa boa?
– Você está receptiva para ouvir argumentos contrários àquilo em que acredita?
– Você terá tempo para levar a discussão adiante até o assunto se encerrar, para ele não ficar martelando na sua cabeça enquanto você precisa fazer outras coisas?

Se a resposta a qualquer uma destas perguntas for não, respire fundo e deixe pra lá. Não valerá a pena.

Faça exercícios de respiração consciente

Reserve cinco minutinhos no meio do caos (pode marcar o tempo no alarme do celular) para recuperar a calma por meio da respiração. Sugerimos duas técnicas:

1) Inspire pelo nariz como se quisesse sentir o perfume de uma flor (ou seja, com força) e expire pela boca como se houvesse uma vela bem em frente à sua boca que não pudesse ser apagada (ou seja, bem suavemente).

2) Inspire pelo nariz em quatro tempos, segure o ar nos pulmões por sete tempos e expire suavemente pela boca por oito tempos. Os “tempos”, aqui, variam de acordo com a sua capacidade respiratória, e o melhor é determiná-los a partir da inspiração (isso significa que o tempo de expiração será o dobro do tempo da inspiração, e o tempo de segurar o ar nos pulmões será um pouquinho menor que o tempo da expiração).

Pratique meditação rápida

Você não precisa de uma sala em tons pastel, roupas especiais e silêncio total para meditar: basta se desligar do mundo por um tempo e limpar sua mente. Se você já conhece técnicas de meditação, vá com elas; caso não conheça, conte com a ajuda de apps de meditação, que lhe guiarão lindamente neste caminho

Marque encontros para falar sobre tudo, menos política

Política, política, política. Claro que debater o futuro do país é importantíssimo, mas chega uma hora em que a cabeça até lateja de tanto que o assunto domina as conversas nas redes sociais e na vida real. Quebre o ciclo! Reúna amigas que estejam na mesma vibe que você e estabeleçam esta regra: pelo menos durante o encontro, política é assunto proibido. Vale falar de crushes, de novelas, de astrologia, de moda, de música… Assunto não falta! Você vai ver como vocês estarão até mais leves na hora de se despedir.

Natal chega mais cedo ao centro e aos supermercados este ano

Publicado em Jornal de Jundiaí, 04.10.18
Por: Vinicius  Scarton

Foto: Rui Carlos

A tradicional decoração do Centro de Jundiaí alusiva ao período do Natal será antecipada neste ano. A praça Governador Pedro de Toledo estará enfeitada a partir do dia 14 de novembro. A chegada do Papai Noel acontecerá no dia 1º de dezembro, quando as lojas estenderão horário do expediente, com funcionamento das 9h às 22h, de segunda a sexta-feira; e sábados (dias 1, 8, 15 e 22) e domingos (dias 2, 9, 16 e 23), das 9h às 18h. No dia 24, véspera de Natal, o comércio vai funcionar das 9h às 18h.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas e do Sincomercio Jundiaí e Região, Edison Maltoni, a antecipação da decoração natalina já é uma tendência e muitas cidades começam a oferecer produtos da época já em novembro. “Estamos com ótimas expectativas para o Natal deste ano, com acréscimo nas vendas entre 4% e 6% em relação a 2017. Teremos novidades, como a aquisição de um trenzinho para circular no Centro e também teremos a trupe de Natal, com vários personagens para alegrar a criançada neste período festivo. É, sem dúvida, a melhor época para o comércio varejista e estamos muito otimistas”, afirma.

Essa antecipação divide a opinião dos consumidores. A estudante de Direito, Rebeca de Oliveira Cobra da Cunha, de 39 anos, aprova a iniciativa. “Creio que todas as comemorações sazonais podem ganhar decorações antecipadas e, em minha opinião, o encanto do Natal só aumenta”, afirma. Já o empresário Douglas Augusto, de 55 anos, prefere que a decoração seja realizada mais próximo ao Natal. “Afinal, a data é celebrada apenas no final de dezembro”, diz.

ESPECIALISTA
A terapeuta de casais e famílias pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marina Vasconcellos, diz que essa antecipação está se tornando algo muito comercial, “muito materialista”. “Trata-se de uma estratégia do comércio para que as pessoas já se planejem para gastar. Mas isso provoca uma aflição nas pessoas, pois concretiza em sua mente e dá a sensação que o ano já acabou antes da hora, perdendo o encanto no mês de dezembro, quando acontecem as festividades”, avalia.

Outro termômetro dessa antecipação são os supermercados. Na maioria das lojas, os panetones de frutas e de chocolate, tradicionais do Natal, já estão sendo comercializados. Gerente de um supermercado em Jundiaí, Ueliton Almeida de São Pedro ressalta que as vendas do produto começaram em agosto. “A demanda está crescendo gradativamente e, num comparativo com 2017, a expectativa de vendas é boa, projetando um crescimento de 10% do volume, em relação ao mesmo período do ano passado”, confirma. Enquanto consumidores, Douglas e Rebeca aprovam a antecipação da comercialização do panetone. Segundo eles, o produto pode ser consumido em qualquer época do ano.

Pegadinha da invisibilidade: entenda se essa mania pode gerar traumas emocionais nas crianças

Publicado em Minha Vida, 27.09.18
Por: Lara Deus

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Especialista critica brincadeira pela quebra de confiança e exposição da criança ao ridículo

A família brinca que fará uma mágica de desaparecimento com a criança. Alguém coloca um lençol sobre sua cabeça, outro repete palavras mágicas e, a partir do momento em que o tira da frente, todos fingem que não estão enxergando o pequeno.

Estas são as cenas mostradas nos vídeos de uma nova pegadinha popular no YouTube: a pegadinha da invisibilidade. Devido à facilidade de abstração e grande capacidade de imaginação das crianças, elas acabam sendo as principais vítimas, e quem faz a pegadinha são os pais ou membros mais velhos da família.

Dependendo da idade e da personalidade, algumas crianças ficam mais assustadas que outras, levam mais à sério que outras, mas uma coisa é certa: brincar desta forma, mentindo para criança por muito tempo, consiste em quebrar o vínculo de confiança que ela tem com as pessoas que deveriam passar segurança.

De acordo com Marina Vasconcellos, psicóloga e Terapeuta Familiar, não há como saber os efeitos que estas brincadeiras por si só causam aos pequenos. “Você pode causar sim um trauma, uma sensação de insegurança, de traição, de não confiar nas pessoas”, projeta ela.

No entanto, ela relata receber pessoas em seu consultório que se queixam de quebras de confiança que se estenderam por muito tempo ao longo da vida após algum evento pontual.

Exposição ao ridículo

Não há comprovações de que a pegadinha em si cause às crianças consequências emocionais. No entanto, a exposição delas na internet nesta situação é criticada pela especialista. “Nunca é saudável fazer uma brincadeira que exponha a criança ao ridículo, ainda mais vinda dos pais”, reforça Marina.
Em uma busca por “invisible prank” (pegadinha da invisibilidade, em português) no YouTube, é possível ver que o vídeo do tipo com crianças mais assistido teve 6 milhões de visualizações em apenas duas semanas.

A psicóloga lembra que, quando um conteúdo é jogado na internet, ele é exposto para o mundo. E isso pode gerar uma série de problemas para as crianças.

“Você está jogando a imagem do seu filho desesperado passando vergonha para todo mundo olhar. Ele pode sofrer bullying, pode ficar sendo conhecido como o menino que foi enganado pelos pais, e isso pode ser péssimo para imagem autoestima e autoconfiança dele”, critica.

É normal que haja pais com perfis mais “brincalhões”. Mas e quando a diversão parece que é só para eles? Quando fazem este tipo de brincadeira com seus filhos e expõem na internet, demonstram que não perceberam que ela tem potencial de expor a criança ao ridículo e oferecer conteúdo para que qualquer um possa dar risada dela. O que, segundo a psicóloga, é bastante grave.

“Então, eu diria para não fazer isso, para não expor nunca uma criança ao ridículo e muito menos expor para o mundo, divulgando essa imagem pro mundo todo poder dar risada dele”, recomenda.

Falta de sexo: o que fazer quando o parceiro não te procura

Publicado em Ativo Saúde, 09.09.18

O sexo é algo muito presente no início dos relacionamentos. Natural e instintivo, a atração mútua e a vontade de transar com mais frequência ajudam os casais a desenvolverem o vínculo afetivo e a ficarem cada vez mais próximos. Dar-se bem na cama é sinal de que a química bateu, sendo garantia de momentos prazerosos de intimidade.

Porém, após algum tempo de relacionamento é normal que o desejo diminua, sendo necessários mais estímulos para que não ocorra falta de sexo. Entenda:

Causas de falta de sexo

Muitos podem ser os motivos para a falta de desejo sexual: desde problemas hormonais, que devem ser checados para afastar causas orgânicas, até os relacionais, que são os principais e bem mais comuns.

A existência de um amante, problemas emocionais (como depressão ou outros distúrbios psiquiátricos), falta de admiração pelo cônjuge, brigas constantes e clima hostil entre o casal, além de outros fatores, podem levar à diminuição ou falta de sexo por parte de um ou dos dois parceiros.

Durante o sexo, liberamos o hormônio ocitocina, responsável pelo vínculo afetivo. Consequentemente, em sua ausência, deixamos de alimentar quimicamente algo que nos conecta com o outro. A intimidade diminui e, aos poucos, o clima amoroso que é deixado de lado, dando brechas para que a relação esfrie e apareça um terceiro ou até mesmo para que o amor acabe.

Um casal deve ser amigo entre si, mas o sexo é o que vai distinguir a amizade de um relacionamento amoroso.

Importância do diálogo

Se um parceiro tem mais vontade do que o outro, provavelmente fica frustrado por não ter sua necessidade atendida.

O mais correto nessa situação é conversar abertamente sobre o assunto e procurar uma saída em conjunto para que a intimidade seja resgatada.

Um grande erro que os casais cometem é a falta de diálogo sobre a questão, que é delicada, por medo da reação do outro ou de magoá-lo.

Busque terapia de casal

Para que o casamento não caia na rotina — o que é muito difícil, mas possível —, é preciso cuidar eternamente da intimidade do casal, não deixando que ela se perca em meio às dificuldades ou correrias da vida. Assim que perceberem um descompasso na vida sexual, devem conversar a respeito.

Se não conseguirem, a ajuda de uma terapia de casal pode ser fundamental para reverter a situação, permitindo que encarem o problema em um contexto protegido e busquem as causas para tal desequilíbrio. Pode-se reverter a situação caso ambos estejam dispostos a isso, abrindo-se para ouvir e falar sobre o que os incomoda e revendo suas posição dentro da relação.

Não deixe para depois

 

 

 

 

 

 

 

 

O importante é não deixar que algo tão bom desapareça, provocando o afastamento do casal. Ao menor sinal de falta de sexo, converse a respeito. Não acumule mágoas nem permita que se transformem em grandes lamentações e tempo de felicidade perdido. Afinal, uma relação a dois é para ser algo bom, trazendo à tona o melhor de cada um, e o sexo faz parte disso.

Dar-se bem sexualmente com o parceiro só traz coisas boas: o humor melhora, o sorriso é mais fácil, as dificuldades são mais facilmente enfrentadas, o vínculo é fortalecido, o carinho é mais frequente, a pele fica mais saudável, a libido é estimulada, gastam-se calorias etc.

Então, o que está esperando para resolver sua questão? Enfrente, vá à luta, busque soluções, provoque a intimidade, procure a ajuda de um profissional.