Masculinidade tóxica: ações que aprisionam o homem

Publicado em Ativo Saúde, 17.05.19

Acabei de ouvir uma palestra do “TedxRuaPortugal”, com Guilherme Valadares. O título: “Quebrando o silêncio: como os homens se transformam”. Fica aqui a dica para que a assistam inteira.

Ele aborda a questão dos homens que, até hoje, crescem ouvindo coisas absurdas e machistas que os colocam num mundo restrito, ao qual ele dá o nome de “A caixa do homem”. Dentro dela, estão características que todo homem “deve” desenvolver e corresponder, como ser corajoso, não demonstrar emoções, saber se defender, ser sexualmente impositivo, não cometer erros, ser provedor, não chorar e por aí vai.

Fora da caixa fica tudo o que não é esperado de um homem, como ser fraco, chorar, ser gay, covarde, maricas, bebezão, esquisito, sensível demais etc. “Muitos dos comportamentos não esperados são associados a características do feminino. Então, no centro da construção da identidade masculina usual, a gente tem o medo do feminino”, diz Valadares.

Homem sem liberdade
Isso leva a comportamentos que aprisionam o homem, por exemplo: obsessividade com poder e sucesso, intensificando a competição; fechamento emocional (dificuldade que muitos homens têm em expressar emoções, ou mesmo entrar em contato com elas); emocionalidade restrita entre os próprios homens (quem já não presenciou amigos que estão se abraçando e outros tiram sarro, insinuando que formam um casal?); e conflitos entre relações de trabalho e família. A tudo isso dá-se o nome de “masculinidade tóxica”.

Como terapeuta, tenho o privilégio de ouvir homens falando sobre sua mais profunda intimidade e assumindo fragilidades, em busca de desenvolvimento e crescimento como ser humano melhor, em todos os papéis que exerce. São homens sensíveis e com grande capacidade de empatia, já que chegam ao consultório com o propósito de entender melhor suas relações com os outros e consigo mesmo.

Preconceito ainda existe
O problema é que a maioria deles não tem coragem de buscar terapia por se encontrar “dentro da caixa”, ou seja, assumir que precisa de ajuda para resolver questões emocionais é encarado como fraqueza, incompetência, frescura, alguém que deve ter “problemas sérios e tomar remédios”…

O preconceito com a psicoterapia ainda é grande, infelizmente, embora já menor que anos atrás. As mulheres em geral não temem ser julgadas pelos amigos e familiares por se tratarem, já que elas têm mais facilidade e o “consentimento” da sociedade para expressar seus sentimentos com tranquilidade.

Mas o homem “não pode chorar” e nem ser “sensível demais”, pois corre o risco de atrair olhares julgadores de outros homens que o condenam injustamente. Então, fecham-se em suas “cavernas” pessoais e perdem essa chance incrível de desenvolvimento emocional tão importante para todo o ser humano. Isso quando não desenvolvem doenças emocionais graves, como a depressão, por exemplo, que muitas vezes passa despercebida e não é tratada por vergonha.

São os iguais que o julgam e não as mulheres que, pelo contrário, admiram os que fazem psicoterapia, pois demonstram serem capazes de assumir suas responsabilidades e terem sensibilidade e maturidade para se questionar a respeito.

Então, se você é desses homens que ainda acreditam na mentalidade machista e ultrapassada de que devem ficar “dentro da caixa”, está na hora de repensar seus conceitos e abrir-se para o maravilhoso mundo do autoconhecimento.

Tenha certeza de que o horizonte se ampliará numa espiral sem volta e você poderá se surpreender com o que descobrirá!

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