Pegadinha da invisibilidade: entenda se essa mania pode gerar traumas emocionais nas crianças

Publicado em Minha Vida, 27.09.18
Por: Lara Deus

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Especialista critica brincadeira pela quebra de confiança e exposição da criança ao ridículo

A família brinca que fará uma mágica de desaparecimento com a criança. Alguém coloca um lençol sobre sua cabeça, outro repete palavras mágicas e, a partir do momento em que o tira da frente, todos fingem que não estão enxergando o pequeno.

Estas são as cenas mostradas nos vídeos de uma nova pegadinha popular no YouTube: a pegadinha da invisibilidade. Devido à facilidade de abstração e grande capacidade de imaginação das crianças, elas acabam sendo as principais vítimas, e quem faz a pegadinha são os pais ou membros mais velhos da família.

Dependendo da idade e da personalidade, algumas crianças ficam mais assustadas que outras, levam mais à sério que outras, mas uma coisa é certa: brincar desta forma, mentindo para criança por muito tempo, consiste em quebrar o vínculo de confiança que ela tem com as pessoas que deveriam passar segurança.

De acordo com Marina Vasconcellos, psicóloga e Terapeuta Familiar, não há como saber os efeitos que estas brincadeiras por si só causam aos pequenos. “Você pode causar sim um trauma, uma sensação de insegurança, de traição, de não confiar nas pessoas”, projeta ela.

No entanto, ela relata receber pessoas em seu consultório que se queixam de quebras de confiança que se estenderam por muito tempo ao longo da vida após algum evento pontual.

Exposição ao ridículo

Não há comprovações de que a pegadinha em si cause às crianças consequências emocionais. No entanto, a exposição delas na internet nesta situação é criticada pela especialista. “Nunca é saudável fazer uma brincadeira que exponha a criança ao ridículo, ainda mais vinda dos pais”, reforça Marina.
Em uma busca por “invisible prank” (pegadinha da invisibilidade, em português) no YouTube, é possível ver que o vídeo do tipo com crianças mais assistido teve 6 milhões de visualizações em apenas duas semanas.

A psicóloga lembra que, quando um conteúdo é jogado na internet, ele é exposto para o mundo. E isso pode gerar uma série de problemas para as crianças.

“Você está jogando a imagem do seu filho desesperado passando vergonha para todo mundo olhar. Ele pode sofrer bullying, pode ficar sendo conhecido como o menino que foi enganado pelos pais, e isso pode ser péssimo para imagem autoestima e autoconfiança dele”, critica.

É normal que haja pais com perfis mais “brincalhões”. Mas e quando a diversão parece que é só para eles? Quando fazem este tipo de brincadeira com seus filhos e expõem na internet, demonstram que não perceberam que ela tem potencial de expor a criança ao ridículo e oferecer conteúdo para que qualquer um possa dar risada dela. O que, segundo a psicóloga, é bastante grave.

“Então, eu diria para não fazer isso, para não expor nunca uma criança ao ridículo e muito menos expor para o mundo, divulgando essa imagem pro mundo todo poder dar risada dele”, recomenda.

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