Leveza, cumplicidade, parceria: palavras chaves para um relacionamento saudável

Gosto muito da comparação da dinâmica do relacionamento conjugal com os jogos de tênis e frescobol. Quando jogamos tênis, queremos lançar a bolinha num lugar bem difícil para que o outro não consiga pegá-la, marcando nosso ponto com aquela deliciosa sensação de vitória. É uma competição cerrada que só termina com a derrota de um dos adversários.

Já no jogo de frescobol, a intenção é que ambos joguem no mesmo nível, procurando acertar a bolinha na direção da raquete do outro para que ele nos devolva na mesma intensidade, permitindo a fluência do jogo que, quanto menos interrompido pelo erro de um dos parceiros, mais gostoso fica.

Percebeu que no primeiro jogo chamei os participantes de “adversários” e no segundo, “parceiros”? Pois é assim que vejo muitos casais que procuram ajuda para seu relacionamento já tão desgastado pelas eternas disputas que acontecem entre os cônjuges, mais parecendo uma competição sem fim do que um jogo onde ambos procuram o prazer e a satisfação da parceria.

Quando digo leveza, refiro-me à ausência dessa competição descabida que tanto assola os casais. Não há hierarquia nesse tipo de relacionamento – ou não deveria haver -, pois ambos estão no mesmo nível, em pé de igualdade entre si. Um deve ser o porto seguro do outro, apoiá-lo em seus momentos bons e ruins, erguê-lo quando o encontra “caído”… Mas infelizmente vemos muitos relacionamentos “gangorra” por aí: quando um está bem, o outro cai, sentindo-se fragilizado e ameaçado pelo “poder” do outro.

Alto lá: quem disse que sentir-se forte e bem é sinal de poder sobre o outro? Por que quando um tem mais conhecimentos sobre algo que pode ajudar o parceiro a crescer, é erroneamente interpretado em suas opiniões como querendo diminuir o outro ou exibir sua superioridade? Está certo que há casos onde isso realmente acontece, mas não deve ser a regra. Na parceria conjugal ambos devem sentir-se livres para falar sobre tudo entre si, em relação aos mais diversos assuntos, pedir ajuda em todos os sentidos sem sentir-se diminuído ou criticado por isso, ter no outro a certeza de que será compreendido e acolhido a qualquer momento.

É a leveza de saber que pode contar com o parceiro sem julgamentos, sem olhares desconfiados, sem competição nem disputas de quebra de braços. Se você não se sente à vontade para falar sobre certos assuntos por medo de magoar ou da reação imprevisível do outro, já não há leveza, não há espontaneidade. Um relacionamento saudável é aquele onde há espaço para ser quem você é, autêntico, sem máscaras e representações.

Outro dia li algo que dizia que não nos apaixonamos pelo que o outro é, mas pelo que o outro nos faz sentir quando estamos com ele. Ou seja, quando sentimos que o melhor de nós se aflora ao nos relacionarmos com alguém, estamos no caminho certo.
Porém, vejo em muitos relacionamentos exatamente o oposto: quando estão juntos o clima é tenso, é preciso tomar cuidado com as palavras ditas o tempo todo para não ser mal interpretado, ou para que as mesmas não sejam completamente distorcidas e jogadas contra você, num jogo perverso de inversão e manipulação dos fatos. Parte-se do princípio que “todos são culpados até que se prove o contrário”, quando deveríamos acreditar no oposto: se estamos juntos é porque queremos o bem do outro e nossa intenção é ajudá-lo, incentivá-lo, vê-lo crescer e não provocá-lo ou diminuí-lo o tempo todo. Por que não acreditar nas boas intenções do parceiro ao invés de achar que ele está competindo com você, ou tentando mostrar-se superior? Quem ganha nisso tudo?

Por fim deixo aqui um alerta: se você escolheu alguém para formar uma parceria no amor, busque a cumplicidade e procure viver a leveza. Se isso não estiver acontecendo, questione onde estão errando e se podem melhorar, ou se fez a escolha adequada. Procure ajuda caso não consiga detectar o problema, mas não permaneça no sofrimento, na frustração, na disputa.

Estar com alguém deve ser a solução, não o problema; deve dar prazer, não ser torturante; deve fazê-lo sentir-se feliz e seguro, não o contrário.

E sentir tudo isso é simplesmente maravilhoso!