Compulsão por compras pode ser doença e necessita tratamento

Publicado no ID – med (Terra) em 25/09/2013

Você conhece algum amigo ou tem algum parente que é muito consumista e compra, compra, compra sem parar? Saiba que isso pode ser uma doença.

Você conhece algum amigo ou tem algum parente que é muito consumista e compra, compra, compra sem parar? Saiba que isso pode ser uma doença.

A psicóloga Marina Vasconcellos explica que acompulsão por compras faz parte do quadro de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), no qual a pessoa é dominada pela obsessão por algo, no caso a necessidade de comprar, achando que se o fizer sentir-se-á melhor. “O ritual de comprar elimina momentaneamente a preocupação e dá à pessoa a falsa sensação de alívio, pois é temporário, já que logo após tê-lo feito bate o arrependimento e a culpa por ter gastado mais do que deveria”, diz a psicóloga.

Muitos compradores compulsivos se passam por “consumistas”, quando podem gastar sem problemas por terem boas condições financeiras. A diferença está na necessidade que o compulsivo tem de realizar a compra: enquanto ele não compra algo para si ou mesmo para dar de presente a alguém, seus pensamentos se concentram nisso, fica obsessivamente pensando em como e quando fazê-lo. Sua tensão só aumenta enquanto não realiza o ato. O racional e o bom senso são totalmente esquecidos: ele não pensa se tem dinheiro para bancar sua compra, se está fazendo dívidas e como vai pagá-las, se realmente precisa daquilo naquele momento.

E como saber se você é um compulsivo ou apenas um pouco consumista? A psicóloga diz que uma dica é olhar o seu armário: quando você vir que está guardando coisas demais, muitas vezes sem nem usá-las (há pessoas que compram e deixam na caixa guardado, nem sequer se dando ao trabalho de desembalar), isso pode ser um sinal. Outros sinais são: gastar tudo o que ganha e, ainda mais, acumulando dívidas enormes e perdendo o controle sobre elas; sentir-se mal quando não consegue comprar algo imediatamente, não tendo controle sobre seus desejos e impulsos consumistas; quando adquire coisas que não precisa, apenas pela necessidade de realizar a compra e sentir-se melhor (qualquer estresse passado vai logo se refugiar nas compras como um remédio, como o viciado que procura a droga).

A psicóloga explica que a pessoa geralmente nega o problema, achando que compra porque gosta e precisa daquilo, por falta de orientação ou conhecimento de que isso é uma doença. “Elas podem até sofrer com o problema, mas não procuram ajuda por vergonha do julgamento alheio e por acharem que conseguirão se controlar diante da próxima tentação. Assim, seguem anos a fio lutando sozinhos contra seus impulsos, sem sucesso”, diz a psicóloga.

Muitas vezes essas pessoas são confrontadas quando alguém da família descobre as dívidas por acaso, vendo fatura de cartão de crédito estourada, cobrança de bancos, ou mesmo presenciando a recusa do cartão de crédito numa compra junto com a pessoa, onde é barrado por ter ultrapassado o limite. Se a pessoa convive com alguém próximo, acaba denunciando sua doença por falta de espaço físico para guardar suas compras, que não param de acontecer. “Aí é o caso de mostrar que isso é uma doença e que, como tal, deve ser tratada, ou seja, ela sozinha não conseguirá vencer o problema, e necessita da ajuda de um profissional especializado”, explica Marina.

E como tratar? Segundo Marina, uma das formas é a psicoterapia, em que se busca a causa da ansiedade que leva a pessoa às compras incontroláveis. É preciso entender o que a incomoda, sua dinâmica de funcionamento que a faz reagir dessa forma aos problemas, e buscar o autocontrole. Muitas vezes a medicação é necessária para conter a compulsão, paralelamente à psicoterapia. Grupos de Compradores Compulsivos também podem ajudar a lidar com o problema, na medida em que as pessoas que sofrem com a mesma doença dividem suas angústias e conquistas com os outros, incentivando uns aos outros a seguir adiante com o tratamento.

De acordo com a psicóloga, num primeiro momento, atitudes práticas e simples devem ser tomadas, como:

– Proibir a pessoa de andar com cheques e cartões de crédito.

– Fazer com que a pessoa aprenda a ter noção do dinheiro e com que ela ande somente com uma quantia previamente determinada na carteira.

– Quando faz compras exageradas, deve ser orientada a devolvê-las caso estejam dentro do prazo permitido.

– Assim que se perceber numa situação onde o impulso é comprar, pare e se faça a pergunta: “Eu realmente preciso disso neste momento? O que farei com isso? O que acontecerá comigo se não adquirir esse objeto agora?”. Dessa forma é possível fazer com que a pessoa entre em contato com seu sentimento momentâneo, controle seu impulso e venha a trabalhar em terapia para entender o que se passou.

“Não é preciso ter vergonha em admitir que você possui uma doença e deve tratá-la. Você TEM uma doença, mas não É um doente. Com tratamento tudo pode se resolver, e a vida pode seguir com mais leveza, sem o peso da angústia gerada a todo momento por não conseguir se controlar, das dívidas que não param de aumentar, das brigas familiares provocadas por suas compras fora de propósito. Você pode estar sendo erroneamente julgado por algo sobre o qual não possui o controle, já que sua doença o domina, por isso, não hesite em procurar um tratamento adequado”, finaliza Marina.

 

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