Depressão pós-parto atinge cerca de 15% das mulheres

Postado no Terra – por Idmed – em 06/06/2013

Foto: Reprodução

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O nascimento de um filho  é um momento importante e feliz na vida de uma mulher, porém, muitas sofrem com a depressão pós-parto. Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, cerca de 10 a 15% das puérperas apresentam sintomas da doença. “Se há antecedentes psiquiátricos na família, a mulher está mais propensa a desenvolver a doença, necessitando de um acompanhamento médico bem mais próximo e cuidadoso que o normal”, explica ela.

De acordo com a psicóloga, alguns dos fatores de risco para o surgimento da doença são: a existência de depressão ou muita ansiedade já no período da gestação; episódios depressivos no passado; complicações obstétricas durante a gestação que obrigam a mulher a ficar de cama por um período longo antes do nascimento do filho; natimortos, malformação fetal, trabalhos de parto difíceis e traumáticos e bebês que nascem com doenças congênitas ou são afetados por algo logo ao nascer. A psicóloga também considera outro fator importante, que é a mudança brusca de vida acarretada à mulher em decorrência de uma gravidez não planejada, com consequências diretas na família de origem, mãe solteira, mãe que fica viúva durante a gestação, enfim, problemas de ordem emocional que exigem uma estrutura egoica bem estruturada e resiliente por parte da mulher. “Todas essas situações demandam da mulher uma capacidade de superação e adaptação à dificuldade que nem todas têm, podendo se deixar levar pela depressão”, diz Marina.

Mas e como diferenciar a depressão de uma tristeza passageira? Marina explica que a tristeza possui uma causa definida, é um sentimento que qualquer pessoa está sujeita a ter no dia a dia, decorrente de algo triste que aconteça, como a perda de um ente querido, a perda de um emprego, um desentendimento com alguém, enfim, situações tristes. Porém, ela é passageira, a pessoa logo consegue lidar com o que causou a tristeza e voltar à rotina normal. “Já a depressão nem sempre é explicável, dura muito tempo, provoca a perda total de energia para a vida, a incapacidade de sentir prazer com qualquer coisa, o desânimo para as mínimas atividades diárias, a falta de apetite (ou o exagero, em alguns casos), a falta de sono (ou excesso), e a depressão pós-parto em especial apresenta, além do quadro todo parecido com o das pessoas deprimidas não grávidas, uma frequência maior de obsessões com conteúdo de agressões ao bebê (muitas tentam matá-lo ou nem conseguem segurá-lo no colo, sentindo uma grande repulsa por ele), instabilidade de humor e grande ansiedade”, explica a psicóloga.

Nem sempre é fácil diagnosticar a depressão em seu início. Aparece de repente, em geral após mais ou menos seis semanas do parto, mas os três primeiros meses após o nascimento são considerados ainda um período crítico. O problema é que muitos dos sintomas da depressão se confundem com o período pós-parto da mulher, no qual é normal aparecer a falta de desejo sexual, alterações de sono e de apetite. E as mulheres ficam mais sensíveis, choram à toa, estão numa fase frágil de adaptação ao novo papel de mãe. “Tudo isso colabora para que o diagnóstico muitas vezes não seja tão claro logo no início, e quanto mais cedo for detectada, melhor o prognóstico. Então, o diagnóstico é feito quando todos os sintomas citados estão aparecendo e colocando em risco a qualidade de vida da nova mãe com seu filho e familiares. É necessária uma boa avaliação psiquiátrica”, diz Marina.

A depressão pós-parto aparece na primeira gestação, e a possibilidade de recorrência nas próximas gestações é de 50%.

O tratamento deve ser feito à base de medicamentos (antidepressivos), exercício físico, psicoterapia e um aumento do suporte social, ou seja, a família toda deve ser envolvida no tratamento: marido, pais e quem estiver mais próximo, para que todos aprendam a lidar com a doença e ajudem em sua recuperação. Esse apoio é fundamental! Se houver outros filhos, é preciso que essa mãe tenha o auxílio necessário para cuidar deles.

E as mães que amamentam, podem tomar remédios? A psicóloga explica que a medicação é necessária, mas que envolve riscos para o bebê, já que qualquer medicação ingerida é excretada no leite materno. “É preciso avaliar cuidadosamente os riscos para o bebê, assim como os riscos para a mãe caso ela não seja medicada. Em geral opta-se por trocar a amamentação pela mamadeira, até porque o contato físico com a criança é difícil para a mãe nesse estado”, diz ela.

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