Psicopata: cuidado, você pode estar convivendo com um

Publicado no Minha Saúde Online em 31/05/3013

Quando ouvimos falar em psicopatia logo imaginamos aqueles crimes tremendos, horrorosos, onde o corpo da vítima é esquartejado ou mutilado com requintes de crueldade. Porém, essa é apenas uma das possibilidades do comportamento de um psicopata classificado como grave.

A psicopatia (ou sociopatia, ou personalidade anti-social, sinônimos para o mesmo distúrbio) não é considerada uma doença psiquiátrica, mas sim um Transtorno de Personalidade. Existe um fator genético envolvido, ou seja, as pessoas já nascem com a predisposição a desenvolverem um tipo de comportamento, apresentando desde pequenas atitudes que chamam a atenção e assustam pais e professores, muitas vezes deixando-os sem saber como agir, do tipo: são desafiadoras, provocativas, não respeitam regras nem autoridades, zombam dos adultos que tentam impor limites, os castigos ou punições não lhe surtem qualquer efeito – não aprendem com a experiência. Na escola ficam isolados, com dificuldade de socialização, pois seu maior prazer é destruir o prazer das outras crianças, estragando sempre a brincadeira quando se aproximam. Tratam os colegas com arrogância e desprezo, como se ninguém fosse digno de sua amizade.

Praticamente não há tratamento para esse transtorno, ou seja, qualquer tentativa de psicoterapia ou medicação não surtirá efeito, pois trata-se de um desvio de personalidade. São pessoas refratárias ao tratamento por não acharem que precisam de ajuda; desafiam o terapeuta, mentem, manipulam, desqualificam, até que, por fim, o profissional admita que seus esforços são em vão e interrompa o tratamento. Uma infância passada num ambiente harmonioso, sem conflitos familiares, com pais carinhosos e atenciosos, talvez amenize o comportamento futuro para que não se torne um psicopata grave, mas até isso não é comprovado ainda.

Os sociopatas não se enquadram nos padrões sociais. Querem que as coisas aconteçam de acordo com o que pensam, ignorando a necessidade de consideração pelo outro em sua vida. Tudo existe em função do que ele quer ou precisa para si. Satisfaz seus desejos passando por cima de quem for. Casos de pessoas que assumem cargos de chefia em empresas “puxando o tapete” de outros que se consideravam seus “amigos”, ou que dependiam dele para algo, são comuns.

São pessoas extremamente sedutoras e inteligentes, líderes naturais. Porém, ao atingirem a posição que almejam deixam de lado todo o “teatro” da simpatia e podem mostrar seu lado frio, calculista, interesseiro, passando a usar os outros em prol de suas vontades, sempre com um jogo de manipulação por trás.

Sua forma de atuar no mundo apoia-se em quatro características básicas: a) mentira: mentem descaradamente e tão bem, que a mentira confunde-se com a realidade; b) manipulam as pessoas; c) impõem sua vontade causando constrangimento ao próximo e d) utilizam-se da violência (tanto verbal quanto física).

Há três níveis detectáveis de psicopatia, que variam segundo a intensidade da maldade demonstrada pelo seu comportamento.

São eles:
Grave: a pessoa faz o mal pelo prazer de fazê-lo, com suas próprias mãos. São os conhecidos casos de serial killer. Não há remorso, não há culpa, não há qualquer sentimento com relação ao outro.

Moderado: a diferença aqui é que este manda fazer, ou seja, planeja tudo, articula, faz a coisa acontecer, mas através de outros que executam.

Leve: o mais conhecido e que convive em sociedade, podendo estar ao lado de qualquer um de nós.
É este nível leve que nos faz passar por situações às vezes bastante traumáticas, onde nos perguntamos como é que não percebemos com quem estávamos lidando antes de sermos surpreendidos por algo totalmente inesperado.

São homens muito inteligentes (aliás, sua inteligência costuma chamar a atenção das pessoas), que se aproximam das mulheres conquistando-as facilmente com seu jeito sedutor e simpático. Como a mentira faz parte de sua vida para impressionar o outro e usá-lo, a fim de atingir seu objetivo em mente, geralmente o relacionamento já começa em cima de alguma mentira tão bem contada, que a pessoa envolvida nem sequer imagina tratar-se de uma estratégia de conquista apenas.

Normalmente levam uma vida dupla, ou até tripla, mostrando para cada pessoa o que ela espera que ele seja. Pode mostrar-se de um jeito para uma mulher, de outro completamente diferente para outra, e perante os familiares ser ainda outro. Assim, de acordo com a conveniência do momento, satisfaz a quem está ao seu lado a fim de conseguir aquilo que quer. Portanto, desconfie de alguém que nunca a leva em casa ou não a apresenta a qualquer membro da família, atitude suspeita de que ele realmente não pode assumir sua existência.

Refiro-me ao masculino aqui por tratar-se de um distúrbio que afeta em sua maioria os homens, numa média de seis ou sete deles para cada mulher.

E como reconhecer que estamos envolvidas com um homem assim, já que sua aparência não denuncia esses detalhes?

Bem, comece por dar valor à sua percepção e intuição. No decorrer do relacionamento algumas situações acontecem em que você percebe que “algo não confere”, “tem alguma coisa errada” no que ele diz, por exemplo, ao justificar um atraso ou o cancelamento repentino de um programa pré-combinado.  Mas a capacidade de argumentação do sociopata é tal, devido à sua perspicaz inteligência, que consegue convencê-la de que você é a errada da história, invertendo o jogo de forma a fazê-la sentir-se culpada por cobrar algo que não deveria. E assim acontece sucessivamente, levando adiante seu jogo de manipulação e controle da situação.

Os homens em geral possuem mais dificuldade em lidar com afetos, expressar seus sentimentos, conversar sobre suas emoções. Mas de algum modo o fazem quando solicitados. Já o psicopata é incapaz de falar sobre isso, pelo simples fato de ser incapaz de sentir. Não vivencia o amor. Podem ser ótimos parceiros sexuais, incansáveis, já que para isso basta deixar que o instinto e o desejo se manifestem – algo que o fazem com grande intensidade. Mas não espere trocas de carícias, romantismo ou mesmo aquela sensação gostosa de cumplicidade, pois aí já foge à sua competência. Incapazes de se colocar no lugar do outro, não desenvolvem a empatia.

As emoções que demonstram são as que não necessitam de sentimentos por trás, como por exemplo: alegria momentânea, irritabilidade, impaciência, tesão. Agora, ao se depararem com situações onde a mulher está frágil, necessitando de acolhimento por algo que tenha acontecido, de um “colo” afetuoso, eles literalmente não sabem o que fazer, ficam perdidos! Frases como: “Não quero falar sobre isso agora”, ou “Lá vem você com essa mania de falar sobre sentimentos” e até “Sou fechado, não gosto de falar sobre minhas coisas” denunciam sua dificuldade em lidar com afetos, livrando-os de discussões onde não saberiam como argumentar.

Como ser carinhoso e acolher alguém quando não se sabe o que é isso? Vivem na praticidade da vida, na racionalidade total. Enquanto não forem solicitados ou questionados sobre sua incapacidade de dar afeto, sua falta de romantismo ou mesmo a inexistência de cumplicidade no relacionamento, está tudo certo. Eles apenas retribuem o que recebem, numa atitude quase automática de imitação do gesto do outro. Mas perceba que a iniciativa de elogios e atitudes românticas ou carinhosas nunca parte deles (a não ser que haja um interesse por trás – são ótimos atores).

A ideia de escrever esse artigo surgiu da necessidade de alertar muitas mulheres que se veem vítimas de homens que pareciam tão apaixonados, sedutores, amantes fogosos e insaciáveis, mas que repentinamente somem de suas vidas de forma inexplicável, deixando-as sozinhas com sua tristeza e perda. Pode ser que uma das mulheres dele (quem sabe “a oficial”) tenha descoberto sua existência por uma falha estratégica das atitudes do marido, e venha lhe procurar querendo tirar satisfações. Não é preciso dizer o tamanho do choque que um fato como esse pode provocar numa pessoa completamente desavisada e despreparada. Ou ele apenas perdeu o interesse em você. Simples assim.

Enfim, quando desmascarado por outrem, sem argumentos que justifiquem as mentiras contadas, retira-se da sua vida imediatamente, partindo para sua próxima vítima. Sem culpa, sem remorso, sem consideração, não tendo a mínima noção ou preocupação por seu sofrimento.

Abandona-a como se não tivesse feito parte da sua história. E na verdade foi uma história de mão única, porque o vínculo para ele nunca existiu. Tudo não passou de uma grande farsa.

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