Você se sente frustrado em relação ao seu trabalho? Conheça a síndrome de Burnout

Publicado no Terra em 30/04/2013

Foto: Reprodução

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Você se sente esgotado emocionalmente em relação à sua profissão? Trabalha fazendo algo em que não acredita mais valer a pena? Faz algo que não lhe dá prazer e sente-se muito frustrado  com isso?Atenção: você pode estar sofrendo da síndrome de Burnout.

Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, esse é um problema de difícil diagnóstico e ocorre justamente quando a pessoa não se sente mais à vontade no trabalho que tem, não se sente mais feliz com aquilo, aumentando cada vez mais a sua frustração. Os sintomas são, além da imensa frustração, dores musculares, fobia, redução da motivação, desilusão, faltas no trabalho, agressividade, dificuldade de concentração, pessimismo, lapsos de memória, além de depressão. “O diagnóstico é difícil porque é parecido com a depressão e também com o estresse, mas esse último é diferente, é algo mais pontual e também mais físico. A pessoa quando trabalha muito em um determinado período, por exemplo, fica de fato estressada, cansada, esgotada fisicamente, mas a síndrome de Burnout se refere ao esgotamento emocional e não físico”, explica ela.

A síndrome de Burnout tem a ver com o fato da pessoa estar frustrada com o seu trabalho, achando que a remuneração recebida não condiz com o esforço dispensado, além de sentir que não vale mais a pena aquele trabalho em si.

Para um diagnóstico mais preciso é necessário avaliar toda a história de vida do paciente, culminando em seu estilo de vida atual, pois só assim o especialista pode perceber e avaliar se o problema é de fato a síndrome de Burnout. De acordo com a psicóloga, ao rever sua vida nas sessões, o paciente acaba expressando seu contentamento ou não no trabalho, permitindo ao terapeuta auxiliá-lo numa possível mudança de estilo de vida, incluindo uma revisão profunda da profissão escolhida.

E como tratar? Marina explica que existem medicamentos para lidar com esses sintomas, que irão tratar a ansiedade e a depressão, mas também se faz necessário terapia. “O principal é a pessoa querer mudar e dar a volta por cima, virar a mesa e rever a vida, rever tudo o que está fazendo. Isso parece simples, mas é muito complicado”, diz ela.

Segundo a psicóloga, esse é um problema que pode acontecer em todas as faixas etárias, porém, quanto mais tarde, mais difícil o prognóstico. “Um jovem de 25 anos que terminou a faculdade e se sente frustrado com o emprego novo pode muito bem fazer outra faculdade, ainda se sente motivado a isso, mas uma pessoa de 50 anos, por exemplo, provavelmente tem família, pessoas que dependem dela e isso dificulta bastante na hora de decidir-se por reprogramar sua vida”, diz Marina.

A recomendação da psicóloga é, aos poucos, mudar o estilo de vida. Fazer exercícios físicos também pode ser muito útil, pois ajuda a pessoa a descarregar a tensão do dia a dia. Além disso, é necessário nesse momento o apoio familiar e também dos amigos. “A pessoa passa a se questionar muito, e dificilmente conseguirá mudar, dar uma guinada na vida, sem esse apoio, por isso ele é fundamental”, finaliza a psicóloga.