Tema em ‘Salve Jorge’, festa do divórcio é tendência no Brasil

A empresária Meg Souza gostou tanto de celebrar o divórcio que já fez três festas com este objetivo
(Foto: Divulgação)

Entrar na igreja de véu e grinalda, toda vestida de branco, é o sonho de grande parte das mulheres que imagina envelhecer ao lado do seu príncipe encantado. O “final feliz”, para muita gente, representa a união eterna, ainda que a separação seja por muitas vezes algo inevitável. Embora a palavra “divórcio” esteja frequentemente associada a um período turbulento, há quem faça desse limão azedo uma bela e doce limonada e transforme as lágrimas em celebração, com uma inusitada festa de divórcio.

O tema já é comum em outros países, especialmente nos Estados Unidos, mas agora vem à tona por meio da personagem Bianca, vivida por Cleo Pires na nova novela global Salve Jorge, que protagoniza uma luxuosa festa para comemorar a sua separação, com direito a vestido branco e presença do ex.

Tatiana Bandeira, que é consultora e dona da empresa Personal Wedding, já aderiu ao novo nicho de mercado e realizou algumas festas com esta temática, como a da advogada Valeria Calente, 43, e a da empresária Meg Sousa, 31. “O perfil de mulher que busca esse tipo de festa é de uma mulher mais moderna, mais antenada e mente aberta, porque de certa forma você vai estar se expondo”, pontua.

Do ponto de vista da infraestrutura e organização, a festa se assemelha a uma de casamento, conforme explica Tatiana. A diferença é a temática – o famoso “bem casado” passa a ser “bem separado”, o bolo geralmente faz alguma piada com a noiva sozinha ou o noivo indo embora; e as lembrancinhas rementem à vida de solteira e badalação.

Embora a maioria dos convidados ainda estranhe receber um convite deste tipo de festa, Tatiana garante que a intenção de quem marca presença é justamente apoiar. “Por mais que seja tranquila a separação, existe a dor. E as pessoas ficam felizes em ver que a fase ruim passou. Para mim o casamento é uma união, é sagrado. Mas neste tipo de festa  não se celebra necessariamente o divórcio, e sim, o recomeço”, observa.

Pompa e circunstância 
Meg gostou tanto da ideia de comemorar o divórcio que já fez três edições da mesma festa. Cerca de um ano depois de dar fim a uma união de quatro anos, decidiu fazer algo grandioso para marcar a solteirice, algo como um “casamento ao contrário”. A festa, que era à fantasia, reuniu cerca de 400 pessoas. “Entrei com um vestido de noiva, branco, com velcro. Quando tirei, estava com um corpete com uma saia até o joelho. Cheguei com dois gogo-bois”.

A celebração também foi feita no mês de maio, que é o mês das noivas. “A festa foi melhor do que o meu casamento, por isso fiz três edições”, diverte-se. Para se preparar para o grande momento, fez o “Dia da Descasada”, com direito à toda a produção que um “Dia da Noiva” oferece.

A segunda edição foi batizada como “Bodas de Papel Rasgado”, em oposição às Bodas de Papel que os casais comemoram com um ano de união. Dessa vez, ela se vestiu de viúva negra e chegou em uma Limousine, acompanhada por três violinistas que tocavam música eletrônica ao vivo. “A sociedade já impõe que o divórcio tem que ser triste, que alguém tem que sair machucado. Então é melhor sair numa boa do que sair triste chorando”.

Na terceira festa, contou com a organização da consultora Tatiana, e a parceria deu tão certo que, agora, estão investindo neste novo nicho de mercado depois de serem solicitadas por recém-divorciadas. As celebrações tiveram direito a atrações como drag queens, bailarinas com serpentes, ilusionistas, DJs, buffet e lembrancinhas divertidas, como o “Kit Ressaca”, que trazia um pós-drinque e um chiclete.

Para quem quer ter ideia de preço, Meg conta que o valor estimado em cada uma de duas festas foi de R$ 40 a R$ 45 mil. Mas tudo depende do quanto a pessoa está disposta a gastar e, assim como o casamento, existem alternativas para baratear este custo.

Rito de passagem
A advogada Valeria foi casada por 13 anos, depois de namorar por sete. Mãe de dois filhos, ela decidiu fazer uma festa para marcar uma nova etapa da vida. “Quando falamos que estamos divorciadas, as pessoas acham estamos morrendo. Essa é uma forma de comunicar que está tudo bem”, afirmou.

A festa aconteceu cerca de 15 dias depois da separação. “Eu sempre fui muito fã dos rituais de passagem, então para mim foi muito importante. Foi uma declaração de alforria”, afirmou. Ela enfrentou o estranhamento inicial das pessoas e a reprovação da família do ex. “Não o convidei, mas depois ele ficou sabendo e ficou bem bravo. Como o divórcio foi uma coisa que eu amadureci muito antes de decidir, eu só queria mostrar que estava bem, não era para provocá-lo”, conta.

Apesar do desconforto inicial, Valéria diz que não ficou nenhum tipo de rancor e até mesmo os filhos aceitaram a ideia com bom humor. Para quem pensa no assunto, ela recomenda prudência. “Justamente para que não fique com cara de vingança, de revanche, para que seja uma coisa elegante, como foi a minha”.

A psicóloga e terapeuta familiar Marina Vasconcellos alerta para a ressaca moral que pode vir acompanhada deste tipo de festa. “Quando há filhos na história, para eles pode ficar uma imagem ruim, de que os pais estão felizes de se livrar um do outro”.

Na opinião da profissional, o ideal é que ambos cheguem a um acordo sobre o assunto. “Se o divórcio foi amigável, de repente pode ser um ritual, como é o casamento. Agora, se a intenção for dizer ‘estou livre’, acho que fica uma coisa muito agressiva”, opinou. Marina explica que os ritos são usados justamente para marcar fases da vida, como sinônimo de um novo status na sociedade. “Geralmente eles celebram uma coisa boa, significa que a pessoa está passando para outro nível”.

A “festeira” Meg também concorda que a celebração não é recomendada quando a situação entre o casal não está bem resolvida, ou como forma de provocação. “Mas quem termina amigavelmente tem que celebrar, afinal, a gente comemora tudo o que é bom na vida”, pontua. E apesar da tripla alegria trazida pelas festas de divórcio, Meg ainda sonha com outro tipo de final feliz. “Casei na igreja, imaginei que ia ficar velhinha ao lado dele, gostei de estar casada e saí do casamento muito mais mulher. E ainda quero casar de novo e ser feliz para sempre”.