Ombro amigo

Psicóloga fala sobre a importância dos amigos para a saúde na maturidade

Quem nunca precisou de um ombro amigo para desabafar? Ou então de uma mão amiga para socorrer em alguma situação difícil? Sempre quando se precisa, seja em bons ou maus momentos, ele está lá: o verdadeiro amigo. Em muitos casos, os laços de amizade são tão fortes que podem preencher algum vazio deixado na vida, talvez por algum filho que já saiu de casa ou até por um parceiro que acabou o relacionamento. Por isso tudo, cultivar uma amizade verdadeira pode ser bom e trazer benefícios para a vida, dizem os especialistas.

A amizade é, de acordo com o dicionário Aurélio, um sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas, e não está ligada a laços familiares ou atração sexual. E quem cultiva esse sentimento só tem coisas boas para colher. Segundo a psicóloga especializada em Psicodrama Marina Vasconcellos, as pessoas precisam de amigos para dividir emoções, sejam elas ruins ou boas. “O amigo aceita você sem julgamentos. Não critica, tem liberdade para falar sobre tudo. Além disso, dá força, opinião, dando outra visão do problema. Pode-se abrir outro leque de visões com ele, além de ajudar a lidar com os problemas em fases difíceis da vida. Nós somos seres energéticos, quando se está bem emocionalmente, outras questões fluem melhor.”

Na juventude, as pessoas possuem mais tempo para viver as amizades. Mas o tempo passa e com ele vem o casamento, os filhos e outros compromissos. E será que na maturidade, depois de tanta experiência, ainda há espaço para fazer amigos e manter essas amizades? De acordo com Vasconcellos, nesse período, os indivíduos já começam a passar por transformações na vida pessoal, e os amigos podem ter um papel especial nessa fase da vida. “É o meio da vida. Você começa a sentir os efeitos físicos e a pessoa nessa idade precisa se cuidar mais. Os filhos já vão sair de casa e, muitas vezes, você entra na síndrome do ninho vazio. E os amigos ajudam a preencher esse espaço. Eles ajudam a pessoa a não se sentir sozinha. É muito mais gostoso dividir as situações com um amigo. Você ri junto e se emociona junto.”

Além disso, segundo a psicóloga, na maturidade, as pessoas já acumularam mais experiência, trazendo características com as quais as pessoas dessa faixa etária possam aproveitar mais as amizades. “Depois dos 50, a pessoa está mais madura. Ela respeita mais as diferenças, há mais tolerância. Nessa fase, pode-se escolher com quem vai passar mais o tempo. Aprende-se mais com o tempo. Porém, quando se é jovem, a pessoa é levada com uma turma, há mais medo de falar e deixar o amigo chateado. Quando a pessoa é mais madura possui mais coragem para falar e se posicionar.”

E assim como tudo na vida, ainda existe o lado ruim, e ainda sim é preciso saber lidar com ele. Em muitos casos, os amigos também podem se afastar.  E muitos podem pensar que se a amizade acabou é porque não era verdadeira. Mas a verdade é que, de acordo com Vasconcellos, as amizades podem, sim, chegar ao fim. “A vida é feita de fases e a sua vida pode ir para um lado, não havendo mais uma ligação. Não fazendo mais sentido aquela amizade. De repente, cada um vai para um lado.”

Mesmo que uma amizade tenha se desfeito ou um amigo querido tenha se afastado, lembre-se: sempre é tempo de fazer novos amigos. Portanto, se você não quer se sentir sozinho e precisa de um amigo, a psicóloga dá uma dica para fazer novas amizades. “Procurar atividades em grupo, como dança, ginástica, excursões, ou até mesmo uma nova faculdade. Mulheres viúvas começam a fazer aulas em grupo e começam a se enturmar e, assim, surgem novas amizades. Nunca é tarde para fazer amigos.”