Ficção e Realidade: Traição é perdoável?

Publicado no MSN no dia 20/08/2012

Divulgação/Rede Globo

A narrativa da novela global “Avenida Brasil” está dando o que falar. O foco do folhetim de João Emanuel Carneiro é sobre a vingança entre as personagens Nina e Carminha, interpretadas por Débora Falabella e Adriana Esteves, respectivamente.

Porém, fora do núcleo principal, muitos dramas e relações entre personagens se destacam, como é o caso de Monalisa (Heloísa Périssé) e Olenka (Fabiula Nascimento), e Cadinho (Alexandre Borges) e suas três esposas, Noêmia (Camila Morgado), Verônica (Deborah Bloch) e Alexia (Carolina Ferraz). Tudo que eles têm em comum é o fato de já terem traído ou sofrido com uma “punhalada nas costas”.

Divulgação/Rede Globo

A narrativa da novela global “Avenida Brasil” está dando o que falar. O foco do folhetim de João Emanuel Carneiro é sobre a vingança entre as personagens Nina e Carminha, interpretadas por Débora Falabella e Adriana Esteves, respectivamente.

Porém, fora do núcleo principal, muitos dramas e relações entre personagens se destacam, como é o caso de Monalisa (Heloísa Périssé) e Olenka (Fabiula Nascimento), e Cadinho (Alexandre Borges) e suas três esposas, Noêmia (Camila Morgado), Verônica (Deborah Bloch) e Alexia (Carolina Ferraz). Tudo que eles têm em comum é o fato de já terem traído ou sofrido com uma “punhalada nas costas”.

Especialista

Para discutir o assunto de uma forma mais científica, a reportagem do Famosidades conversou com Marina Vasconcellos. Ela é terapeuta familiar e de casal, e nos contou seu ponto de vista como psicóloga, que também observa casos de traição diferentes em seu consultório.

Lembrada da história entre as personagens da dramaturgia Olenka e Monalisa, Marina disse que a deslealdade entre amigos é comum. Mesmo assim, a pessoa traída precisa ficar com os “olhos mais atentos” com quem lhe oferece amizade.

“Quando uma amiga se envolve com um namorado ou marido seu é porque, primeiro, essa amizade já está em cheque. Até porque, há a opção de ‘cair fora’ ou não quando a pessoa é comprometida. Se a pessoa permitir essa aproximação, significa que ela não considerou tanto o vínculo que tinha com você”, analisou.

Ressaltando que a prática não é uma doença psicológica, a doutora destacou que a facilidade em trair a confiança do outro pode ser encarada como uma dificuldade de envolvimento pessoal. “Conheci vários homens que não conseguiam ‘ser de uma mulher só’. Quando você está com uma pessoa, não dá para procurar o que ela não tem em outra.”

Tendo em vista o caso de Cadinho na trama global, a doutora explicou que isso pode ocorrer por conta da ausência de maturidade no relacionamento entre duas pessoas: “Acho que tudo é uma falta de comunicação e de desenvolvimento emocional de quem trai”.

Traídos por algum motivo ou não, o fato é que muitas pessoas aceitam a deslealdade e acabam até perdoando o parceiro ou amigo. Questionada se esse perdão pode ser encarado como falta de amor próprio ou até amor extremo pelo outro, Marina Vasconcellos assegurou que nem um nem outro.

“Sou terapeuta de casais e já tratei de muita gente que passou por isso em seus relacionamentos. Muitos chegam ao consultório para fazer uma terapia conjunta por causa de uma traição. Isso, por incrível que pareça, é bom, porque alguns casamentos se refazem após esse episódio. Junto com o casal, eu vou procurar o porquê esse fato rolou e o que está faltando nesse casamento.”

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Vida real

Como a doutora Marina Vasconcellos apontou, a traição é uma ação muito comum entre seres humanos. Muita gente tem bastante história para contar sobre o assunto: seja por envolvimento ativo ou passivo com o problema.

É o caso da comerciante Maria (nome fictício). Ela tem 58 anos e foi casada durante 19 anos com um homem que a agredia física e psicologicamente. Com ele, ela teve quatro filhos. “Ele era caminhoneiro e inventava várias viagens. Numa dessas, ele desapareceu por 15 dias. Descobri por um amigo que ele estava em uma fazenda do interior de São Paulo, trabalhando por lá”, começou a relatar.

Quando chegou ao “novo” emprego do marido, ela teve uma surpresa: “Descobri que ele estava noivo da filha do dono da fazenda. Ninguém lá sabia que ele era casado e pai de quatro crianças. Quando descobriram, o expulsaram do local”.

Mesmo tendo certeza de que estava sendo traída e com raiva do marido, Maria não terminou seu relacionamento duradouro. Mas a situação depois desse episódio piorou muito dentro de sua casa. “Ele me bateu muito e voltou a fazer viagens. Porém, não mandava mais dinheiro para cuidar dos filhos. Com isso, um amigo dele, que era nosso padrinho de casamento, começou a ir todos os dias à minha casa. Ele levava comida e se dedicava no cuidado com as crianças”, lembrou.

E dessa amizade surgiu algo proibido: um amor entre os compadres. Desiludida com o marido, a comerciante começou a se sentir atraída pelo amigo dele e percebeu que esse interesse era recíproco. Sem impasses, Maria e o moço iniciaram um caso.

“Meus filhos iam para a escola e nós ficávamos o dia inteiro juntos. Nisso, eu engravidei”, revelou. Ela, então, deu à luz uma menina, fruto do caso extraconjugal. A decisão de não contar a verdade sobre a paternidade da criança foi dos dois: eles não queriam terminar o romance. Por isso, o marido, sem saber, assumiu a pequena como filha dele.

Após sete anos do nascimento da menina, Maria decidiu se separar do esposo, alegando que não aguentava mais apanhar. “No ano seguinte, assumi meu relacionamento com o meu amante. Com raiva, meu ex-marido bateu em nós dois. Durante a briga, meu atual companheiro despejou: ‘Você é corno há muitos anos!’. Mas não contou que era o pai da minha filha.”

Depois que o caso entre a comerciante e o amante foi revelado, o ex-marido começou a desconfiar que a caçula não era dele. “Os vizinhos falaram que o amigo dele vivia na nossa casa quando ele não estava. Ele me pediu um exame de DNA, e foi aí que decidi contar toda a verdade.”

Maria levou 16 anos após o nascimento de sua filha para revelar a ela seu pai biológico. Por toda essa confusão, a vendedora concluiu que a mais prejudicada foi ela mesma.

“Minha filha não fala comigo direito até hoje’, lamentou.