Mulheres disputam mais as amizades

Elas complicam e criam situações

Publicado no Arca Universal em 28/05/2012

Ciúmes, inveja, dor de cotovelo, o fato é que entre as mulheres sempre existe aquela “picuinha” de ser mais amiga, a mais próxima, a indispensável de determinada pessoa – o que é praticamente impossível acontecer entre os homens.

A psicóloga Marina Vasconcellos explica que esse comportamento se baseia na maneira como meninas e meninos são criados pelos pais. “Desde a infância, as mulheres não estão acostumadas a ter poder, por serem impedidas de fazer muitas coisas, ao contrário dos meninos que têm mais privilégios que elas. Então, desde esse momento, elas lutam muito pra conseguir as coisas, um lugar na sociedade, tudo é conquistado com muita contestação.”

Marina aponta também que essa disputa vem por não respeitar as diferenças entre as pessoas e de não ser direta nas amizades. “As mulheres têm mais dificuldade de entender que as aproximações das pessoas podem acontecer por motivos diferentes. Além disso, elas consideram todo um contexto da situação, têm medo de colocar limites e de machucar a amiga, por isso sempre dão um jeitinho de agradar.”

Outro ponto a enfatizar é que os homens e as mulheres têm maneiras diferentes de lidar com os amigos. “Os homens não se importam se o seu amigo tem outros amigos e sabem colocar limites nas relações interpessoais. Mas elas se preocupam mais com detalhes, querem sempre estar no foco da amizade e que isso seja correspondido da mesma forma”, esclarece Marina.

Para ela, somente o tempo é capaz de ensinar à mulher que as coisas não são bem assim e que não precisa existir disputa entre as amizades. “A maturidade mostra que as pessoas têm diferentes amigos para diferentes contextos, que há uma diversidade de identificação e por isso acontecem as preferências em determinadas situações. Mas tudo isso não significa falta de sentimento.”

O outro lado

A situação é constrangedora para quem está no meio dessa disputa, mas ela pode tentar amenizar este conflito. “É difícil porque não depende da pessoa, porém ela deve saber ser diplomata, sem demonstrar exclusividade e saber distribuir a atenção entre as amigas”, ensina Marina.

O problema maior está quando não há entendimento que as pessoas são diferentes e que há momentos diferentes para cada um. “Se não compreender as preferências para determinadas situações, acabará pelo distanciamento, colocando a amizade em risco de sobrevivência”, finaliza a psicóloga.