Pessoas submissas como Yuri do “BBB” precisam impor limite a parceiros dominadores

Publicado no UOL em 10/02/2012

Laisa e Yuri, do "BBB12"; especialistas dizem que é necessário cortar a dominação pela raiz.(Foto: TV Globo/Frederico Rozário)

Temperamental e autoritária, a participante do “BBB12” Laisa manda e desmanda no companheiro de confinamento Yuri, com quem está tendo um conturbado relacionamento desde a primeira semana do reality show. A gaúcha também já terminou diversas vezes com o professor de muay thai que, visivelmente apaixonado, sempre acaba dando um jeitinho de retomar a relação, mesmo que tenha de ceder aos caprichos da estudante de medicina.

Mas os especialistas advertem: é necessário cortar esse tipo de dominação pela raiz –seja o dominador o homem ou a mulher–, antes que o modo de lidar com a pessoa se cristalize e a relação permaneça assim para sempre.

Segundo o psicólogo Alexandre Bez, especialista em relacionamentos, esse tipo de relação unilateral, em que apenas um do casal tem voz ativa, chega a demonstrar um caráter pré-sádico de ambas as partes: do dominador, que gosta de exercer o seu poder, e do dominado, que muitas vezes se deixa ser humilhado. “As pessoas submissas, normalmente, são mais fracas psicologicamente e mais carentes. Em função dessa carência, permitem que outra pessoa domine e estabeleça as normas da relação. E, por causa dessa passividade, o dominador vai continuar a manter esse modelo”, explica Bez.

A psicóloga Suzy Camacho diz que as características de personalidade permissiva de Yuri vêm da infância. “Normalmente, homens como o Yuri estão familiarizados com esse tipo de situação, envolvendo uma figura feminina. Pode ter aprendido esse referencial de autoridade com a mãe ou a avó e acabam se sentindo atraídos por pessoas que dão continuidade a esse tipo de comportamento, pois, inconscientemente, se sentem familiarizados.”

Para Suzy, a beleza de Laisa tem um peso fundamental. “Ela é uma mulher bonita e deve ter conseguido muitas coisas na vida com facilidade. Pela beleza, algumas pessoas se submetem a seus caprichos”, diz a psicóloga. A especialista ainda explica que os dois podem se complementar: “Muitos homens com dificuldade de se posicionar ou de ser direto e objetivo até admiram esse tipo de postura [em uma mulher], pois no fundo gostariam de ser assim”.

Corte pela raiz
Apesar das respostas atravessadas e das expressões de reprovação de Laisa, Yuri gosta da garota. Mas, para não ficar com fama de submisso em rede nacional e não se meter em uma enrascada, o rapaz deve impor limites, já que pode estar se envolvendo em um tipo de relação desgastante e duradoura.

Relações unilaterais como a de Laisa e Yuri tendem a permanecer assim por muito tempo. Foto: TV Globo/Frederico Rozário

Segundo Suzy, uma vez condensado o modo que o dominador trata o parceiro, é um caminho sem volta ou bem difícil de contornar. “O limite tem que ser imposto desde o princípio. Muitas pessoas deixam situações como essa se arrastar durante meses, justamente porque está no início da relação. Com isso, o dominador acaba se acostumando, e não tem mais volta.”

Para o psicólogo Bez, para colocar um fim nesse hábito, o dominado precisa, antes de tudo, se fortalecer e impor limites para promover a mudança. “O primeiro passo é o entendimento da situação em que se encontra. Depois, vem o fortalecimento e, por último, a promoção da mudança comportamental”, explica. “Se não tiver mudança, tem de refletir se vale a pena continuar com uma pessoa assim”, diz Suzy.

 

 

Elas preferem outro tipo de homem

De acordo com a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em psicodrama, as mulheres não gostam de homens grudentos, pois tudo que é exagerado não é bom. “Um homem que gruda acaba passando a ideia de ser frágil, inseguro, carente ou submisso, tudo o que uma mulher não quer em um homem”, diz. Para Marina, homens como Yuri são o oposto do que a maioria das mulheres idealiza. “Ele pode agir assim por ser muito ciumento e, por isso, costuma controlar a mulher –outra situação que ninguém gosta”, diz a psicóloga, que afirma, ainda, que o grude é, sem dúvida, um comportamento mais feminino.