Desejar reviver o passado pode ser perigoso

Principalmente quando a relação não deu certo

Publicado em Arca Universal em 01/03/2012

Foto: Reprodução

Às vezes vem aquela lembrança de alguém que já amamos e começam as comparações: mais atencioso, mais amoroso, mais bem-sucedido. Mas, segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, o ser humano esquece facilmente o que era ruim, nega os problemas, só lembra do que foi bom e, assim, fica remoendo o passado.

Segundo ela, isso acontece por dois motivos. “Provavelmente por não ter aquele relacionamento bem resolvido no passado ou por passar por algum momento de carência, se apegando somente ao que foi bom e não encontrando aquilo na relação atual.”

O perigo de dar espaço para reviver algo do passado é apostar novamente na mesma pessoa e, provavelmente, nos mesmos problemas. A volta pode ser um ciclo vicioso que não permite que a pessoa evolua. “É insistir em uma relação que já experimentou, não deu certo e quer voltar. Pode até acontecer um novo envolvimento se ambos entenderem o problema que aconteceu no passado, conversarem, resolverem. Assim, pode até dar certo”, explica Marina.

“Ele não tinha mudado”

Porém, não foi o que aconteceu com a gerente de marketing Rita Magalhães, de 29 anos, ao tentar retomar a relação com um namorado que teve na adolescência. “Eu sempre me lembrava dele, mesmo ao estar com outra pessoa. Percebi que ainda o amava e sentia sua falta. Resolvi ir atrás dele, ser sincera sobre o que eu sentia. Começamos um novo relacionamento, mas não deu certo. Ele não tinha mudado e eu me iludi, relembrando apenas os melhores momentos. Foi dolorido, mas hoje eu sei que o passado passou e tenho que me permitir conhecer pessoas novas”, conta.

Mas é possível sair deste ciclo vicioso, sem que se tenha uma nova relação com alguém do passado. “Tendo consciência de que acabou, aceitando o término. Não pode fugir, tem que parar, olhar para aquela lembrança, aquele sentimento que está incomodando, identificar o que não deu certo anteriormente, o que não combinava, fechar aquela história e se abrir para uma nova vivência”, enfatiza a psicóloga.

Um terceiro no caminho

Para que este passado não renasça e interfira no presente, é preciso que o relacionamento atual seja bem estruturado. “É necessário trabalhar para que a relação seja a melhor possível. Se ela está boa, não abre espaço para outra pessoa”, ressalta Marina.

Mas a pisicóloga aponta que cada relacionamento é único, e que tudo depende da pessoa querer ou não voltar ao passado. “Se volta, é porque tinha um amor mal resolvido e não quer mais fugir. Outro argumento é a incapacidade de viver o novo, porque o desconhecido assusta, dá trabalho”, finaliza.