Autoestima feminina: entenda os altos e baixos dessa questão

Publicado no Terra

A BBB Monique vive com a autoestima abalada, mesmo exibindo curvas que fazem inveja a muitas mulheres
Foto: Frederico Rozário/TV Globo/Divulgação

Ela tem curvas estonteantes, mas, basta parar diante do espelho para lamentar e disparar a tão comum e irreal frase “Estou gorda”. Monique, uma das participantes do reality show global BBB, volta e meia demonstra insatisfação com o próprio corpo e assume que sua autoestima oscila de acordo com a roupa. “Minha autoestima está lá no pé!”, disse antes de uma das festas da casa, quando chegou a chorar ao se comparar com o visual das outras meninas.

A situação de Monique é bastante comum e é compreensível que, em um País onde a valorização da boa forma é tão gritante, os padrões de beleza acabem sendo destorcidos. De acordo com a psicóloga Andreia Calçada, a imagem de perfeição bombardeada pela mídia não combina com o dia a dia da maioria das mulheres. “A disponibilidade de tempo, de dinheiro e do próprio desejo são antagônicas à demanda social frente à imagem física, o que em algumas mulheres gera culpa e sensações de inferioridade e baixa autoestima”, observa.

Ela reforça que, além do histórico pessoal de cada mulher, os padrões de beleza vigentes influenciam diretamente neste sentido. “A magreza, o corpo sarado, a pele e os cabelos perfeitos, enfim a imagem da perfeição”, enumera.

A psicóloga Marina Vasconcellos explica que a autoestima é algo construído ainda na infância, a partir da relação com os pais. “Crianças que são muito criticadas, ou não recebem muita atenção dos pais, podem passar a vida em busca desse reconhecimento, mesmo em outras pessoas”, observa. Quem não consegue resolver a questão ao longo da vida, muitas vezes acaba sofrendo ou se colocando em situações as quais não precisaria se submeter, seja na vida profissional, no amor ou nas relações cotidianas.

Veja quais são os comportamentos típicos da mulher com baixa autoestima, que tipo de problemas isso pode trazer e como resolver a questão.

Comportamento padrão
Comparar-se demais com as outras mulheres, se colocando sempre em uma posição inferior; sentir ciúmes excessivo e dificuldade para lidar com críticas negativas são alguns dos traços comuns a uma pessoa com baixa autoestima. Outra tendência é a posição de vítima: quem não está bem consigo mesma sempre acha que o mundo está contra ela; carente de atenção e se sente rejeitada pela maior parte das pessoas.

Monique, do BBB, já chegou a dizer que é uma mera “figurante” no programa, pois acredita que não tem tanto destaque quanto as outras participantes. Andreia reforça, ainda, como padrões de comportamento “a extrema sensibilidade com relação a críticas, por vezes distorcendo o que as pessoas dizem; a insatisfação com seus atos e o corpo; dificuldades nos relacionamentos, insegurança, autocrítica intensa, dificuldade em se valorizar, submissão e falta de confiança”.

Problemas à vista 
De acordo com a psicóloga Marina, quem não consegue valorizar-se pode enfrentar muitos problemas no âmbito pessoal e profissional. No trabalho, os problemas começam quando a própria pessoa não consegue confiar em si própria e acaba criando obstáculos para os desafios impostos. “A pessoa sempre acha que não vai dar conta, então tem medo de arriscar, de se lançar em coisas novas. Além disso, leva a maioria das críticas para o lado pessoal”, observa.

Já no campo amoroso, a chance de se envolver em relacionamentos infrutíferos é bem grande. “Mulheres com baixa autoestima buscam homens que passam a subjugá-las. A relação passa a ser desigual já que, por medo de perder o relacionamento – não se sente capaz de buscar outro – se submete”, reforça Andreia.

O papel do homem neste cenário
As mulheres com baixa autoestima tendem a buscar o tipo de homem que a enche de mimos elogios, explica Marina, ou ainda o extremo oposto – aquele que não dá a mínima. “Isso porque está ainda buscando alguém que a reconheça”, afirma.

Segundo a psicóloga, os homens não têm muita paciência com este comportamento. No entanto, quando estão dentro de uma relação deste tipo, podem ter um papel fundamental no processo de “cura” da mulher amada. “A mulher precisa sair do papel de vítima e o homem pode ajudar nisso, sendo provocativo no sentido de ela passar a se ouvir mais, fazer mais as coisas que gosta e investir nela mesma.”

Mude a postura e levante a autoestima
Confira algumas dicas que podem ajudar a melhorar a autoimagem, a partir de uma visão mais realista e da valorização dos seus pontos fortes.

Faça algo que você gosta: de acordo com a psicóloga Marina, investir em uma atividade prazerosa é uma forma de mudar a autoimagem. “Se você adora dançar, e leva jeito para a coisa, dance. Com isso, vai ser olhada com admiração e vai construindo uma imagem positiva de você mesma”, frisa.

Abandone a “coitadinha” que há dentro de você: se você acha que o mundo está contra você, e vive cercada de amigos que reforçam isso, a tendência é só piorar. A dica da psicóloga Marina é que se afastar de pessoas que tendem a proteger demais. “Seja autora da própria vida”, provoca.

Aprenda a aceitar críticas construtivas: procure ver as coisas de maneira mais real – aceite suas fragilidades e inseguranças. “Mude o que for possível e olhe sempre aquilo que você tem de positivo”, ressalta Andreia. “Busque confiar e olhar para o que já fez de bom para que pensamentos negativos sobre você possam ser modificados.”

Não afogue as mágoas comendo: segundo Marina, uma tendência forte de quem está com a autoestima baixa é se presentar com um bom prato de comida ou uma barra de chocolate. “Evite este comportamento, pois acaba entrando em um círculo vicioso e ficando sem limites”.

Faça exercícios físicos: “além de fazer vocês se sentir melhor com seu corpo, a prática física libera a endorfina, o hormônio do prazer”, explica Marina. Além de ser uma atividade prazerosa, malhar traz resultados visíveis que contribuem para a autoestima.

Faça terapia: segundo Marina, a terapia é uma importante aliada no processo de autoconhecimento, que pode contribuir muito para que a mulher entenda o porquê se enxerga dessa maneira. “É preciso mudar o padrão de interação com as pessoas, e isso só se resolve na terapia”, explica.