Será que paixão de praia sobe a serra?

Aproxima-se o período das férias, quando o cupido sai por aí dando flechadas avassaladoras…

As férias de final de ano estão chegando. Muitas pessoas já têm seus planos feitos para o Reveillon e o mês de Janeiro, quando aproveitarão para sair de sua rotina e curtir umas férias em algum lugar diferente, de preferência na praia. Sem horário pra acordar, livres dos despertadores que diariamente os levam para a rotina estressante das aulas, curtem a nova rotina temporária com toda a empolgação: sol, calor, areia, mar, bronzeado, surf, corpo sarado, corrida no final do dia, sorvete no calçadão, sorriso solto, muita paquera…

O “sonho de consumo” de qualquer adolescente: curtir tudo isso na companhia de uma turma de amigos, de preferência. E é nesse clima de total descontração e curtição que muitos jovens experimentam o primeiro beijo, ou a primeira paixão, que já vai logo sendo encarada como o grande amor de sua vida…

Os sentimentos são intensos como tudo nessa fase, cada experiência parece adquirir proporções incalculáveis. O sofrimento por um amor perdido (ou não correspondido) parece uma ameaça capaz de levá-lo ao fundo do poço, com a sensação de que “nunca mais vai gostar de alguém assim”…

Por outro lado, as conquistas são comemoradas e sentidas como algo tão incrível que esses jovens transbordam sua alegria em explosões de risos, falas altas e muita bagunça.

Paixões que acontecem nas férias costumam ser marcantes, pois são vividas intensamente. O problema é que nem sempre o “depois” vem a contento…

Alguns moram em cidades diferentes, e quando se despedem após terem passado um período juntos em alguma cidade de praia, montanha, ou no interior, levam consigo o calor da paixão fresquinha e a crença de que continuarão mantendo contato via Skype, mensagens de texto, e-mails (que saudades das velhas cartas que escrevíamos de próprio punho em papéis decorados escolhidos exclusivamente para este fim!), Facebook, longos papos gratuitos via celular se derem sorte de terem a mesma operadora, além de planos de se reverem em breve.

A maioria não resiste muito ao tempo e à distância, enfraquecendo sua intensidade aos poucos até a dura realidade mostrar que não é nada fácil manter um relacionamento sem o fundamental convívio entre os dois.

Outros têm mais sorte e conhecem alguém da mesma cidade, o que lhes permite viver sua paixão sem o estresse da despedida…

Porém, ao retornarem à rotina dos estudos nem sempre conseguem conciliar as duas coisas, e outros obstáculos os separam: bairros distantes, atividades extra curriculares que demandam muito tempo, dependência dos pais para levá-los aos lugares, provas e trabalhos escolares que os obrigam a ficar em casa…

Mas mesmo assim, é maravilhoso passar por essa experiência de apaixonar-se nas férias. Quem já viveu isso sabe perfeitamente do que estou falando: a sensação de viver algo tão intenso, saber que está sendo correspondido pelo menos naquele curto espaço de tempo tendo a certeza de que o outro também daria tudo para que as férias não acabassem, o friozinho na barriga momentos antes de encontrar o amado, o sorriso solto que contagia as pessoas ao redor…
O que vale é a entrega do momento. Se vai dar certo ninguém sabe, mas a vivência é deliciosa e merece ser experimentada. Acreditar na paixão, no amor, nas coisas boas da vida e querer viver intensamente tudo o que é gostoso apenas (pena que não dá pra ser bem assim…) é uma característica dessa idade, e é bom que não deixem de acreditar jamais!

Outro dia conheci um casal que comemorava 30 anos de casamento, e ao perguntar como se conheceram qual não foi minha surpresa: na praia, numas férias de verão…