Opção: sem filhos

É cada vez mais comum casais optarem por curtirem a vida a dois – só a dois!

Publicado no Bolsa de Mulher em

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Já se passaram três anos de casamento. As dívidas do início da vida a dois já estão mais brandas, a rotina também se estabilizou e a convivência se tornou, por fim, natural. Ainda assim, o amor e o companheirismo continuam os mesmos do começo do namoro. É chegada a hora, então, de investir na tão sonhada gravidez, certo? Errado. É cada vez mais comum casais optarem por não ter filhos. O Bolsa de Mulher investigou os motivos que os levam a essa decisão e conta como vivem esses pares.

Canalizar a atenção do casal para a criança é a primeira necessidade de quem aumenta a família. Para alguns, o choque está justamente no desvio, para uma terceira pessoa, de algo que sempre foi exclusividade do relacionamento a dois. “Você coloca um ser completamente dependente em uma relação de duas pessoas independentes. Por isso, muitos decidem não dispensar esta atenção com um terceiro”, analisa o sexólogo Amaury Mendes Júnior, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Sexologia.

Já a psicóloga, terapeuta familiar e de casal Marina Vasconcellos destaca a questão de marido e mulher preferirem a liberdade de poder investir tempo e dinheiro para aprimorar o casamento e a vida pessoal. “Ambos têm mais condições financeiras para viajar e gozar de uma qualidade de vida privilegiada, consumindo mais supérfluos, podendo sair mais, comer fora, ter liberdade de horários, investir no profissional”, enumera ela.

Egoísmo?

A busca pela estabilidade financeira é um dos principais pontos considerados por esses cônjuges que, segundo os especialistas, são majoritariamente das classes A e B. “Algumas pessoas se dedicam mais à profissão e à sua individualidade, e isso não pode ser tratado como egoísmo. Estes casais estão aos poucos se fortalecendo e encontrando um respaldo maior da sociedade. Hoje em dia, não ter filhos é uma opção”, considera Mendes Júnior. “Nem todas as pessoas nasceram com essa vontade de procriar, como se pensa”, complementa Vasconcellos.

E foi essa falta de vontade que motivou a funcionária pública Ana Paula Dusi, de 41 anos, a não encarar a maternidade. Casada há 17 anos, ela acredita que o timing para a chegada do filho passou. “É lógico que isso já passou pela minha cabeça. Quando quis, o meu trabalho exigia muito de mim e acabei deixando rolar. Os anos seguiram e a minha vontade nunca chegou a ser tão grande, porque, quando a gente quer uma coisa, nada é empecilho”, considera.

Dusi conta que o assunto foi sempre sendo adiado, principalmente pelo peso que o rebento poderia gerar no orçamento. “Eu sou mais racional do que emocional. Moramos em um apartamento pequeno, mas muito bem localizado. Não queria abrir mão do meu padrão de vida e fui me acostumando a viver a dois. Não nasci pensando assim, mas a vida me levou a isso”, admite.

Dependência do parceiro

Para alcançar a felicidade no casamento, com ou sem filhos, Mendes Júnior ressalta a importância do planejamento. “Tudo depende dos objetivos que o casal traça. Eles devem conversar muito e ter maturidade”, acredita. Com uma vida dedicada ao parceiro, a atenção e a dependência podem se tornar um fardo pesado demais para a união. “O casal sem filhos pode se sentir vazio, e isso faz crescer muito o ciúme entre eles”, explica.

Investir em projetos individuais, segundo Marina Vasconcellos, é uma das chaves para o sucesso. “Como não há filhos para dividir as atenções, o outro acaba sendo alvo de um olhar mais atento. A dependência pode atrapalhar quando um espera o outro para fazer tudo, o que não é nada saudável. O enlace precisa ser entre duas pessoas inteiras, com suas atividades e realizações pessoais e não duas metades que se interdependem para existirem”, finaliza a psicóloga.