Ensine seu filho a não se comportar como um miniadulto

Quer dar uma boa educação para seu filho? Então estimule as brincadeiras e combata valores como a vaidade e a ostentação

Publicado no Bonde em 20/05/2011

A criança precisa saber que existe hora para tudo: saltos, maquiagem e baladas não fazem parte do universo infantil (Foto: Reprodução)

Difícil pensar em infância e não fazer uma associação imediata com brincadeiras e o mundo lúdico do faz-de-conta. Essa é a época onde se tem, ou pelo menos se deve ter, menos preocupações e mais diversão. Mas e quando meninos e meninas pulam essa etapa da vida e assumem comportamentos de adultos? A influência dos pais e o maior acesso às inovações tecnológicas intensificaram a precocidade infantil, porém, viver como criança continua sendo importante para a socialização e o desenvolvimento criativo e humano.

Para a psicóloga da PUC-SP e terapeuta familiar Marina Vasconcellos, embora vários fatores influenciem a formação desses miniadultos, a educação é preponderante. Isso porque os pais são modelos de comportamento para os filhos e passam as primeiras noções de valores a eles. “Se uma mãe vestir a filha como uma mulher feita, vai adiantar um desenvolvimento que não é da criança, provocando nela uma necessidade de ser adulta”, explica.

Marina destaca que o ideal é que a família incentive atividades do universo infantil, estimulado a convivência com amiguinhos da mesma faixa etária e sugerindo brincadeiras e passeios adequados. Mesmo se os colegas pressionarem a criança a adotar hábitos mais adultos, cabe aos pais trazer o filho para sua realidade e idade cronológica.

Como exemplo, a psicóloga cita uma menina de oito anos que insiste em usar salto alto, alegando que as amiguinhas usam. A mãe deve deixar claro que ela não é todo mundo e que não vai usar antes da hora. Outro caso são as baladinhas que viraram moda nessa faixa e, muitas vezes, vão até meia-noite – e as crianças insistem em ficar até o fim por causa do grupo. “Baladinha não é adequada nessa idade. Se a criança for, tem de ter horário para voltar. Com o pai ou mãe buscando”, diz.

Tecnologia

O contato com o computador, a internet e, consequentemente, a um volume crescente de informações também mudou o comportamento das crianças, na avaliação de Marina. O hábito de ficar diante do monitor inibe a convivência social, além de expor aos pequenos condutas que não condizem com suas idades.

Outro agravante é o exibicionismo. O acesso às novas tecnologias e a celulares de última geração dá status mesmo para os pequeninos, ainda que não tenham necessidade de utilizá-los.

Consequências

O grande problema, de acordo com a psicóloga, é quando a precocidade é estimulada ou ignorada em casa. Se uma menina usa maquiagem para ir à escola e os pais não percebem que a filha está avançando o sinal, será preciso alguém de fora – seja um familiar, um amigo mais próximo ou um orientador escolar – mostrar que não dá para queimar etapas.

Excesso de vaidade pode ser um sinal de precocidade

Embora seja difícil prever os desdobramentos futuros dessa antecipação de fase, a criança pode sofrer seus efeitos no curtíssimo prazo. “Pode até adiantar a sexualidade da criança. Além disso, ao olhar dos colegas, uma menina que usa maquiagem, roupas de adulta e salto alto pode ser considerada vulgar, metida e fútil”, alerta a psicóloga.

A terapia em grupo costuma ser eficaz em casos como esse. Como reúne meninos e meninas com idades próximas, um pode chamar a atenção do outro e fazê-lo se dar conta de que está fora do comportamento esperado para aquele grupo. “Até porque criança fala mesmo”, observa Marina. (*Fonte: Portal Vital/Unilever)