A ajuda da terapia de casal

Foto: Reprodução

Publicado no Terra em 01/04/2010

Paola e Roberto foram casados durante quase 20 anos. Nesse meio tempo, tentaram salvar o casamento por diversas vezes, inclusive com ajuda de terapia.

Juntos, foram ao consultório, se envolveram no processo e descobriram, com ajuda das conversas com uma profissional, que o casamento não tinha mesmo mais jeito. A história deles serve de exemplo para o que a terapeuta de família e de casal Marina Vasconcellos afirma. “Nem sempre se faz uma terapia para consertar a relação. Às vezes é preciso passar por algumas sessões para ser possível uma separação madura, onde se entende porque não deu certo, onde foi que erraram, enfim, para que não corram o risco de errar novamente numa próxima relação”.

O que os casais precisam entender é que não há porque temer a terapia de casal. Muitos evitam, com medo de encarar as próprias fraquezas ou, pior, ter que escutar o outro dizer, para uma terceira pessoa, as coisas que não gosta em você. “Não é fácil ouvir, do outro, coisas que machucam. Mas continuar vivendo na ignorância de fatos importantes é ainda pior”, diz Mariana.

Realmente a terapia é uma medida para tentar resolver – dificilmente um casal marcará uma consulta para manter o equilíbrio. Quando se procura terapia, normalmente uma das partes sente, com força, que a relação precisa de ajuda.

Mariana explica que na terapia de casal o atendimento é sempre com homem e mulher juntos, em sessões de geralmente 1h30min. Dentro de uma sala confortável, são levantadas as necessidades do casal naquele momento. “Pode-se falar sobre tudo, baseado no respeito, na sinceridade e no compromisso com a relação e o processo. O foco é na relação do casal, portanto questões individuais poderão ser apenas apontadas, mas não aprofundadas nem trabalhadas”, lembra.

Nas sessões, o que o terapeuta tenta potencializar são os diálogos entre o casal – normalmente os estopins dos conflitos. “Falta de comunicação, distorção e interpretações errôneas das intenções e até comunicação violenta são frequentes motivos de brigas”, pontua Mariana. Tentando priorizar o diálogo, o que o terapeuta ensina é a conversar de uma forma mais respeitosa, levando-se em consideração o modo de cada um se expressar e dando-se conta das consequências disso no parceiro.

“Um mesmo conteúdo pode ser passado de diversas maneiras, e nem sempre as pessoas se preocupam com a forma como o fazem. Com o auxílio de uma terceira pessoa, os casais podem dizer como se sentem com relação a atitudes do outro”, diz Mariana.

Segundo ela, a falha ou a falta de comunicação costuma ser a principal causa de desentendimentos entre os casais, que sozinhos, não conseguem resolver a questão. “É comum um queixar-se que não consegue dizer o que gostaria para o outro, por medo da reação. Aí as pequenas coisas vão se avolumando, acabando não raramente em divórcios que poderiam ter sido evitados”, pondera.

Casais devem procurar uma terapia quando um ou outro, ou mesmo os dois, percebe que não conseguem se entender amigavelmente ou manter um diálogo franco sem provocar discussões, muitas vezes até violentas. Outro sinal é quando o silêncio impera, por falta de coragem de conversar, e o casal se vê cada vez mais afastado. Falta de intimidade, brigas constantes, doença de um dos cônjuges que não admite estar doente, como depressão, transtorno obsessivo compulsivo ou distúrbios psiquiátricos, descompasso sexual ou qualquer outra dificuldade do casal em se relacionar de uma forma saudável pode ser motivo para procurar ajuda. “Um profissional capacitado para lidar com essas questões pode contribuir e muito para um entendimento do casal – ou auxiliá-lo numa separação madura e o menos traumática possível quando já não é mais possível continuar o relacionamento”, fala.

Se você acha que o seu relacionamento precisa dessa mãozinha, o melhor a fazer é dizer como está se sentindo e expor suas dificuldades para superar algumas questões. “O outro deve topar em nome da relação, do amor que ainda existe, ou mesmo da família, do bem estar dos filhos”, diz Mariana. Segundo ela, é comum um dos cônjuges chegar à terapia dizendo que só está lá porque foi “obrigado”. Mariana aceita essa chantagem, para que o casal consiga ir a uma primeira consulta, mas a partir dela, o ideal é que os dois se responsabilizem pelo processo, “comprometendo-se com a verdade e a disponibilidade de ouvir, estando aberto a qualquer possibilidade de mudança que considerarem ser importante para o casal”.

Como Mariana diz, assim como uma boa terapia nem sempre salva um casamento, uma boa conversa, em casa, não consegue substituir a terapia. “A conversa pode certamente ajudar num bom entendimento do casal, e caso eles consigam pautar sua relação sempre no diálogo franco, talvez nunca cheguem ao ponto de precisar de uma terapia. O problema é quando isso não acontece e os conflitos já estão instalados: aí só mesmo com a ajuda de um profissional será possível resgatar a harmonia e resolver os problemas existentes”.