Medo de perder emprego causa doenças e distúrbios emocionais, diz psicóloga

Publicado em Folha.com 11/03/2009

O medo de ficar desempregado assombra ambientes de trabalho, sobretudo nesta época de crise econômica. Para a psicóloga Marina Vasconcellos, formada pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) e especialista pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), esse medo contínuo pode fazer com que o empregado tenha doenças e distúrbios emocionais.

“Uma das coisas que as pessoas podem desenvolver, e que é mais frequente, é o TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada). Isso interfere nas tarefas, já que elas têm dificuldade de controlar os pensamentos e prejudica o funcionamento do trabalho”, explica.

A especialista diz que é comum os trabalhadores ficarem com irritabilidade, insônia, estresse, gastrite e até mesmo com depressão.

“A depressão é uma autopunição, as pessoas não conseguem colocar para fora a raiva, o medo e a insegurança e põe para dentro. Ela também aparece como falta de vontade de fazer qualquer coisa, até de levantar da cama para ir trabalhar”, declara.

As relações familiares também ficam estremecidas por causa desse problema, uma vez que o trabalhador acaba descontando nas pessoas mais próximas todo o nervoso que passa durante o dia.

“As empresas realmente espalham esse clima de tensão, infelizmente. Os funcionários não conseguem descarregar esta tensão e ficam preocupados. Isso gera consequências em casa, o casamento vai dificultando, a relação com os filhos fica complicada. Isso é uma realidade do nosso tempo”, afirma.

A psicóloga diz que o ideal seria que os profissionais pudessem aliviar a ansiedade com uma atividade física. A especialista ainda aconselha que as pessoas aproveitem esta fase para alavancar a carreira, em vez de ficar temendo pelo seu futuro na empresa.

“Enquanto você está empregado, aproveite e faça o melhor possível. Você tem que mostrar que é bom, que está investindo, que o seu esforço está valendo a pena e que você faz falta naquele trabalho. Invista em você profissionalmente para que se um dia for mandado embora, tenha até mais capacidade e currículo para se recolocar”, orienta.